Latest / InovaTec Update / Físicos usam o vácuo quântico para fortalecer um supercondutor
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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Energia. Físicos usam o vácuo quântico para fortalecer um supercondutor. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 6 de outubro de 2026. Para a maioria de nós, o vácuo é sinônimo de nada. Um espaço sem ar, sem partículas, sem coisa alguma. Mas uma equipe internacional de físicos mostrou que esse nada pode servir de ferramenta. Os cientistas melhoraram o desempenho de um supercondutor apenas mudando o vácuo ao redor dele. Primeiro, vale lembrar o que é um supercondutor. É um material que, abaixo de certa temperatura, conduz eletricidade sem perder energia. Essa temperatura limite se chama temperatura crítica. Quanto mais alta ela for, mais fácil é usar o material na prática, porque ele precisa ser menos resfriado. Agora, o vácuo. Pela física quântica, nem o espaço mais vazio fica totalmente parado. Nele surgem e desaparecem o tempo todo as chamadas partículas virtuais, que existem por instantes brevíssimos. Esse vaivém cria um fundo permanente de pequenas oscilações, as flutuações do vácuo quântico. O problema é que essas flutuações costumam ser fracas demais para produzir efeitos perceptíveis em um material de verdade. Para contornar isso, os pesquisadores construíram uma minúscula caixa ressonante, que eles chamam de cavidade escura. Ela opera na faixa dos terahertz, um tipo de radiação que fica entre as micro-ondas e o infravermelho. A cavidade remodela o ambiente eletromagnético no seu interior e amplifica bastante as flutuações do vácuo. Dentro dela, a equipe colocou um supercondutor de disseleneto de nióbio, montado em um dispositivo de seis camadas finíssimas. Depois, comparou como o material se comportava dentro e fora da cavidade. Dentro da cavidade, a temperatura crítica subiu até cinco vírgula quatro por cento. Perto do ponto em que vira supercondutor, o material também passou a suportar correntes elétricas e campos magnéticos bem mais intensos antes de perder essa propriedade. Segundo o professor Guanghui Cheng, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, é a primeira observação experimental de uma supercondutividade reforçada pelas flutuações do vácuo. O estudo, assinado por Zheyan Wang e colegas e publicado na revista Nature, contou com a participação do cientista brasileiro Gabriel Cardoso, da Universidade Federal do Paraná. Entre os autores está também Frank Wilczek, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. O grupo batizou a abordagem de vacuotrônica. A proposta é projetar ambientes de vácuo sob medida para controlar elétrons e partículas de luz. Antes, a mesma equipe já tinha usado um campo magnético para fazer a força de Casimir, uma força que nasce das flutuações do vácuo, alternar entre atração e repulsão. O atrativo da técnica é que ela não toca o material nem injeta energia nele. Basta alterar o vácuo ao redor. Para Wilczek, o vácuo deixa de ser apenas o palco onde a física acontece e passa a ser um participante ativo. Ainda há espaço para avançar. Segundo o professor Changgan Zeng, com cavidades e materiais mais bem ajustados, esse acoplamento com o vácuo poderá permitir um controle mais forte e mais amplo de estados quânticos. E não só em supercondutores, mas também em outros materiais quânticos. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.