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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Mecânica. Materiais que vibram sob a asa podem conter a turbulência no voo. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 2 de outubro de 2026. Imagine uma asa de avião completamente lisa por fora. Por baixo dela, porém, há materiais que vibram em escala microscópica para combater a turbulência. É isso que propõe um grupo de engenheiros dos Estados Unidos. O trabalho é liderado pelo professor Mahmoud Hussein, da Universidade do Colorado em Boulder. Ele lembra que, desde o início da aviação, a forma de reduzir o arrasto sempre foi mexer no formato da aeronave. O arrasto é a resistência que o ar faz ao movimento do avião. A proposta da equipe é outra: usar materiais que interagem com o ar durante o voo. A pesquisa pertence a um campo novo chamado fonônica. O nome vem dos fônons, que são a menor porção possível de vibração dos átomos dentro de um cristal. A fonônica estuda como controlar essas vibrações e até tirar proveito delas. Há cerca de dez anos, a equipe de Hussein criou o conceito de subsuperfícies fonônicas. São materiais instalados logo abaixo de uma superfície em contato com um fluido, como o ar. Eles reagem às vibrações do fluxo de forma passiva, sem depender de mecanismos acionados. Vários modelos foram projetados desde então. Mas havia um problema: cada um funcionava em uma única frequência. E, no mundo real, a turbulência quase nunca vem em uma frequência só. Agora os pesquisadores relatam duas descobertas. A primeira foi batizada de super-ressonância. Quando o material ganha um formato enrolado, em espiral, ele passa a lidar com vibrações em toda uma faixa de frequências. A segunda se chama interferência sem dispersão. Em vez de usar uma única peça em um ponto da asa, a ideia é espalhar várias delas, organizadas como uma grade. Assim, elas conseguem atrasar a turbulência em uma área grande, como a asa inteira de um avião ou o corpo de um veículo hipersônico, que voa muito mais rápido que o som. Segundo Hussein, isso permite controlar o fluxo também mais adiante, ao longo do caminho que o ar percorre. Ele afirma que atuar em várias frequências e controlar o fluxo mais adiante eram os dois grandes obstáculos da tecnologia. E diz que a equipe resolveu ambos. Há ainda uma vantagem prática. A superfície externa continua lisa, sem nenhuma alteração. Todo o trabalho acontece no material escondido por baixo. É preciso cautela, porém. Os resultados apresentados agora vêm de estudos feitos em computador. Ainda assim, a tecnologia já saiu do papel. Vários grupos de pesquisa pelo mundo construíram protótipos que funcionam e tentam demonstrar sua eficácia em túneis de vento. O estudo teve foco em aviões e outras estruturas aeroespaciais. Mas Hussein acredita que as ideias podem servir para navios, oleodutos e turbinas, ou seja, qualquer lugar onde a turbulência atrapalhe. E talvez até para usos fora do controle de fluxo. Os resultados foram publicados em dois artigos, nas revistas Physical Review X e Proceedings of the Royal Society A. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.