Latest / Café com Dungeon / Interpretando no RPG #0061
Transcript
- 0:00Oi, eu sou o Fábio. Eu sou um jogador de RPG, como
- 0:04tantos outros, que causam problemas na mesa.
- 0:07Certamente você já jogou com alguém que nem eu, se é que não
- 0:11tem alguém assim de estimação. Com certeza, mais de mim virão.
- 0:16Nós somos uma praga. Não que eu mergulhe disso, pelo
- 0:20menos nem sempre eu tiro essa onda, mas eu confesso que uma
- 0:23parte de mim se amarra em causar.
- 0:26Nem todo mundo me entende. Veja bem, não faço por onde
- 0:30também, porque eu ajudo na confusão.
- 0:31Quando perguntam pra mim por que eu faço o tipo de coisa que eu
- 0:36faço, eu tenho uma saída rápida. Eu digo, então, eu só tô fazendo
- 0:41o que o meu personagem faria, não é pra interpretar?
- 0:44Então, eu jogo, acima de tudo, pra interpretar o meu
- 0:48personagem, pra tá na pele dele. Pelo menos, esse é o caô que eu
- 0:53jogo pra mim mesmo. Se eu me engano a mim mesmo,
- 0:58quem é que vai me pegar na mentira?
- 1:00Porque no fundo, não é isso. Não é exatamente mentira.
- 1:04Interpretar pra mim é o motivo. Pra alguns é a desculpa
- 1:08perfeita, mas pra mim é o motivo de eu jogar.
- 1:11Se eu quiser sacanear o grupo, é só pegar um personagem sacana.
- 1:16Mas não é exatamente isso que eu quero.
- 1:18Se eu quiser aloprar, era só pegar um personagem aloprado.
- 1:22Mas normalmente eu vou pegar um personagem, sei lá, que é
- 1:25mandão, por exemplo, e aí eu jogo de paladino e eu consigo
- 1:28assim impor as minhas estritas raias morais pra todo mundo do
- 1:34grupo e luto até o fim pra isso. É assim que eu me divirto.
- 1:39RPG não é sobre roleplay? Então, no fundo, todo mundo sabe
- 1:43que eu tô certo. Vários jogos ajudam nisso.
- 1:47Se o meu personagem for viciado em adrenalina, por exemplo, eu
- 1:50nunca vou precisar segurar a onda do meu personagem.
- 1:54É só eu ser explosivo o tempo todo e o grupo que vai lidar com
- 1:58isso. Eles já sabem o que eu vou
- 2:00fazer. Egoísta?
- 2:03Bom, isso pode ser uma peculiaridade na minha ficha.
- 2:07Falta de empatia? Perdão, mas o personagem não tem
- 2:11sentimentos. E por conta desse terrível
- 2:14defeito, eu ainda peguei a vantagem ali podre de rico.
- 2:18Portanto, eu sou uma espécie de Elon Musk.
- 2:21Quem nunca quis ser um ricaço inescrupuloso?
- 2:25E veja bem, se eu não seguir sua risca, se não mergulhar no meu
- 2:29personagem, eu prejudico o jogo para mim, para o grupo.
- 2:34Prejudico a imersão. O sentido que a gente dá, de
- 2:39fato, ali vivendo o mundo, na pele dos nossos personagens,
- 2:43deixando de ser a gente mesmo, pra gente ser outra pessoa, um
- 2:48ente autônomo, que pensa com a própria cabeça, que sente de uma
- 2:54forma diferente do que eu, o jogador, sim.
- 2:57É pra isso que eu jogo. E aí não importa muito o jogo,
- 3:00inclusive. É isso que eu busco.
- 3:03Todo mundo tá atrás de imersão, não tá?
- 3:06Viver o mundo não é o que tá todo mundo atrás, em primeiro
- 3:10lugar? Eu prefiro me dar mal com o meu
- 3:13personagem do que quebrar a lógica desse mundo, fazendo com
- 3:17que o meu personagem faça alguma coisa que ele jamais faria.
- 3:21Eu prefiro uma história sem pele em cabeça que se o meu
- 3:24personagem se mantiver fiel a quem ele é na ficha dele, como
- 3:28eu concebi ele, como eu apresentei ele pro grupo e pro
- 3:33mundo. Eu não aceitaria, inclusive,
- 3:36jogar uma campanha, jogar um mundo, que deixe isso de lado e
- 3:40que não coloque a interpretação em primeiro lugar.
- 3:43Que o mestre não me permite impactar o mundo, seja pra bem
- 3:47ou seja pra mal, de acordo com isso.
- 3:50Se eu faço merda, que eu pague pela merda que eu fiz.
- 3:53Mas se eu causar, com sucesso também, que me deixe saborear o
- 3:57meu feito. Não só o mestre, mas os outros
- 4:00jogadores também. Eu sei que dá muita treta e eu
- 4:04vivo brigando com todo mundo. Mas essa é a minha forma de me
- 4:08sentir querido, de certa forma. De me sentir pertencendo ao
- 4:12jogo. Eu sou humano e só quero ser
- 4:15amado, que nem todo mundo. Oi, quer café?
- 4:22Café com o que, meu bom? Café com o Danjo!
- 4:33Bom dia, amigos do Café com Dungeon.
- 4:34Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 4:37favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 4:40Meu nome é Rafael Balbi e hoje o meu café está muito ruim,
- 4:43horroroso, um desastre. Calma.
- 4:47Eu estou interpretando um outro Rafael Balbi, um personagem
- 4:51chamado Rafael Balbi que não sabe o que é bom para a vida.
- 4:55Porque se esse Rafael Balbi soubesse o que é bom para a
- 4:58vida, aí ele teria certeza que está bebendo o melhor café para
- 5:02acompanhar um podcast de RPG. E trata-se do café Ovelha Negra.
- 5:08Vá lá em ovelha.café e pode comprar com tranquilidade o café
- 5:12Ovelha Negra, que você vai beber um café especial perfeito pro
- 5:17seu RPG. Não somente pro RPG, mas pro
- 5:20podcast também. Então, se você quiser beber um
- 5:23café delicioso, chega lá no site e usa o cupom CCD, tudo
- 5:27minúsculo, que é o cupom pros nossos ouvintes.
- 5:30Se você quiser um cupom ainda melhor, pode se tornar um
- 5:32assinante do Café com o Dungeon e aí você consegue descontos
- 5:36progressivos de acordo com o seu nível de apoio.
- 5:39Fora isso, você participa de sorteios, inclusive de café
- 5:42especial, mas de RPGs também, de nossos parceiros e tudo mais, e
- 5:46ainda recebe conteúdo extra. Então chega lá, apoia.se barra
- 5:49Café com o Dungeon e apoia o nosso podcast.
- 5:52Beleza? Mas, bom, vamos pro episódio, só
- 5:55que antes eu queria ler a nossa enquete, né?
- 5:58A gente fez uma enquete aí no último episódio, remodelando o
- 6:02Café com o Danjo, e eu perguntei qual temporada você prefere, se
- 6:06você prefere a primeira temporada ou a segunda. no
- 6:09início da segunda temporada eu fiz uma pergunta se você
- 6:12preferia agora a segunda temporada ou a primeira e a
- 6:15galera falou que precisa preferir a primeira ainda mas
- 6:17agora a gente teve uma esmagadora maioria aí de oitenta
- 6:20e três por cento dizendo que preferem a segunda temporada e
- 6:23eu fico muito feliz com isso Acho que a gente teve uma
- 6:26evolução interessante e acho que a galera, o público tem crescido
- 6:31e tem curtido essa nova temporada do jeito que a gente
- 6:34está fazendo, essa playlist, essa mixtape que a gente tem
- 6:38feito com tanto carinho para a galera.
- 6:41Então, muito legal. Obrigado aí por quem participou
- 6:43e também os comentários que a galera deixou.
- 6:46O Marcos Gonçalves, ele falou que ele fez uma playlist chamada
- 6:49Estudos Oil Fantasy. E o objetivo é centralizar o
- 6:52conteúdo mais técnico da segunda temporada do Café para poder
- 6:56reouvir, refletir e chegar a novas conclusões.
- 7:00Eu vou deixar compartilhado aí essa playlist com a galera.
- 7:03Beleza, Marcos? Obrigado aí, cara.
- 7:04Valeu zaço. O Bruno Brilha também fez um
- 7:08comentário falando, valeu, Balbi, segunda temporada foi
- 7:11perfeita. Foi ela que despertou o estilo
- 7:13Oil Fantasy em mim. Aguardo uma live de como
- 7:15preparar uma sessão Oil Fantasy. Um forte abraço.
- 7:19Tamo junto, cara. Vai ter material, tem material
- 7:21extra já, né? O material pros assinantes já
- 7:23tem material com isso. Tem, inclusive, um PDF que eu
- 7:26soltei aí pra galera que é assinante do RPG Dojo e Níveis
- 7:30Superiores. Que é um materialzinho do manual
- 7:34Oil Fantasy que está sendo construído.
- 7:36Então eu tirei esse pedacinho falando sobre construção de
- 7:39desafio e liberei para os assinantes.
- 7:41Então, bom, já tem aí algum material.
- 7:44Só que é material extra. Beleza?
- 7:46Um abraço, Bruno. E o Thiago F.
- 7:49Soares mandou que discorda com frequência do Balbi.
- 7:52Mas gosta muito da forma como ele argumenta.
- 7:54E ele fala com muita elegância e excelentes argumentos.
- 7:58O guia do Mestre Cafeinado melhorou em duzentos por cento
- 8:01minhas mesas. Continue com um excelente
- 8:03trabalho. Bote mais gente para pensar no
- 8:05nosso hobby. Cara, muito obrigado, Thiago.
- 8:07Esse tipo de feedback faz muito bem para mim.
- 8:09É muito legal ler isso. E certamente fico muito feliz de
- 8:13ter ajudado você, não somente com café, a pensar, aprofundar
- 8:17seus pensamentos no hobby, mas também de melhorar a qualidade
- 8:21do seu jogo, da sua mesa, com o Mestre Cafeinado, que é esse
- 8:26livrinho que eu escrevi para a New Order com cem dicas.
- 8:30Então, se você for lá no site da New Order, é capaz de ter alguma
- 8:32cópia ainda dando mole. Se você que tá ouvindo aí
- 8:35quiser, de repente, pegar umas dicas soltas aí de mestragem.
- 8:40Mas é isso, cara. Valeu.
- 8:41Obrigado, galera. Vamos lá pro episódio?
- 8:49Furtos lendários e assaltos astutos.
- 8:52Parte um. Os saques mais impressionantes
- 8:55da Vila da Frasqueta. É, eu tô meio rouco porque o
- 9:00latoeiro roubou minha voz, mas isso daí é uma conversa pra
- 9:02outro dia. É.
- 9:03Então, você deve estar se perguntando como é que a gente
- 9:07roubou o tesouro do Masserp, se a tal da Serp tava sentada em
- 9:09cima da pilha de moedas, não é mesmo?
- 9:12Então, a gente usou um portal, o Rio Claro e as leis da física.
- 9:17Eu fui de batedor, entrando porta dentro, informando todos
- 9:22os detalhes pro grupo. O resto do grupo colocou o
- 9:25portal por onde eu entrei, Por um acaso era uma bolsa.
- 9:29Dentro do rio, claro. Puro sucesso.
- 9:32O rio chegou a baixar um metro. Tanto foi a água que entrou o
- 9:35portal lá dentro. Foi tanta água, mas tanta água
- 9:38que a bolsa mágica até rasgou. Mas a água foi.
- 9:42E na hora que a bolsa rasgou, ela precisou voltar.
- 9:45A serpa levantou voo assustada. Mas boa parte do seu tesouro, e
- 9:50inclusive eu... Voltou surfando na corrente
- 9:53d'água. É, foi assim que eu consegui a
- 9:56minha capa, pantera deslocadora. Lembre-se, comparsas.
- 10:00Bandidos, ladinos e larapos. A astúcia serve para as raposas
- 10:06e serve para os ladrões. Gil, o bastardo.
- 10:12Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo, do mundo aberto
- 10:18de Biergarten. Se você quiser explorar
- 10:21aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 10:25grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 10:28episódio e jogue Biergarten com a gente.
- 10:33Vamos explorar Biergarten! O que é interpretar?
- 11:02A gente tem um senso comum no RPG de que interpretar é você
- 11:07entender quem é o seu personagem e tomar as decisões de acordo
- 11:11com o que ele faria. Se a gente for levar para o D&D,
- 11:15o clássico, desde sempre, O D&D tem alguns elementos ali que
- 11:20ajudam os jogadores a decidirem, principalmente a classe do
- 11:24personagem, o alinhamento do personagem, os atributos de
- 11:28alguma forma e também o cenário. Alguns com algum impacto
- 11:31mecânico, outros sem impacto mecânico.
- 11:35De forma geral, a classe traz alguns poderes que você pode
- 11:40utilizar, então entra na sua árvore de decisões. o seu
- 11:43alinhamento não tem impacto mecânico, então, de forma geral,
- 11:47raros casos ali você tem algum impacto mecânico no seu
- 11:50alinhamento, mas se você diz que você é ordeiro, esse tipo de
- 11:53coisa, os atributos informam de algum jeito o teu personagem e o
- 11:57cenário também, então, A gente ouve muitas pessoas falando, ah,
- 12:00eu sou um cara burro, com inteligência cinco, meu
- 12:03personagem não é lá muito inteligente, então ele não vai
- 12:07resolver esse enigma, deixa pra um personagem com mais
- 12:10inteligência. Ou aquele papo do, eu sou o elfo
- 12:14da montanha, você, que é um anão da pedra cinzenta, é o meu
- 12:19inimigo e a gente se odeia. Isso é o cenário.
- 12:24Pode ser também o paladino bom e leal.
- 12:26Ele não pode deixar você eliminar esse pobre coitado
- 12:30possuído pelo demônio, mesmo que a tarefa de expulsar esse
- 12:34espírito maligno seja vinte vezes mais difícil do que
- 12:38executar o hospedeiro. Então esse cara que é o paladino
- 12:41não vai deixar você matar o hospedeiro.
- 12:45Também tem aquele papo do eu sou um ladrão caótico e eu vou
- 12:47roubar o tesouro do grupo pra mim.
- 12:50Eu vou aproveitar essa oportunidade.
- 12:52E eu sei que dessa forma o XP vem tudo pra mim e que se eu
- 12:57passar de nível o excedente de XP vai se perder.
- 13:01E que o grupo não vai aproveitar e vai ficar chupando o dedo.
- 13:04E eu vou passar de nível e eles não.
- 13:06Mas o que eu posso fazer? Esse é o meu personagem.
- 13:10Se a gente olhar as fichas do D&D em si, se a gente focar nos
- 13:14personagens, o D&D não trazia tantos elementos de fato para a
- 13:19interpretação, mas esses aí acho que são os maiores deles.
- 13:23A gente decide as coisas do personagem de acordo com esses
- 13:26elementos olhando para a ficha, pelo menos.
- 13:30Mais pra frente, a gente vê que teve uma certa evolução dos RPGs
- 13:35nesse sentido. Se a gente pegar o Wars Magica,
- 13:37o Vampire, o GURPS, outros jogos aí, eles resolveram enriquecer
- 13:43as fichas pra alimentar essa decisão de você decidir de
- 13:47acordo com o que o seu personagem faria.
- 13:50Então eles trazem mais detalhes, né?
- 13:52Então além de atributos, eles trazem perícias, eles trazem
- 13:56vantagens, eles trazem desvantagens, peculiaridades,
- 14:00né? Isso, de certa forma, serve de
- 14:04estímulo para a construção do personagem, mas também a
- 14:07construção desse personagem em relação ao mundo de jogo, em
- 14:11relação aos outros personagens, em relação ao cenário, até com o
- 14:17viés de fazer um pouco uma história pretérita, um
- 14:20background para o personagem antes mesmo do jogo começar.
- 14:24você já começa a situar ele. Então, você consegue um pouco
- 14:29mais de tridimensionalidade nativa para esses personagens
- 14:33antes mesmo do jogo começar. Então, você tem ali o jogador se
- 14:40correlacionando através dos seus personagens com o mundo, com o
- 14:44tema, com o gênero do jogo. E não somente através dos
- 14:48elementos internos deles, mas também de forma relacional,
- 14:52contextual. Ainda assim, esses jogos traziam
- 14:56muitos conflitos e problemas até letais a serem resolvidos em
- 15:00situações em que sobreviver é essencial.
- 15:03Acontece em primeiro lugar. e também algumas ideias de
- 15:07história, o vampiro traz ali a ideia de contação de história
- 15:11com flashbacks e coisas assim. Então esses jogos, eles não
- 15:16trazem lá muitos recursos para você como jogador ativamente
- 15:20buscar a falha do seu personagem, por exemplo, porque
- 15:24isso seria interessante para a construção dele.
- 15:27De forma geral, você ter esses momentos em que você vai
- 15:30interpretar o seu personagem significa o seu personagem
- 15:34buscando o que é melhor para ele.
- 15:36Não existia ainda esse momento em que você fala...
- 15:38Bom, aqui para a história é melhor o meu personagem falhar.
- 15:42Falhar era muito perigoso. E aí isso veio mudando.
- 15:46No contexto dos jogos, essa tecnologia de você falhar com o
- 15:50seu personagem, porque isso é mais interessante para a
- 15:52história, acabou aparecendo também na própria ficha, nos
- 15:56sistemas, etc. Então a gente vê os jogos que
- 16:01buscam trabalhar no jogo... na esfera lúdica, a criação dessa
- 16:07história coletiva, dessa narrativa.
- 16:10Então os sistemas passam a trazer certos inputs que levam
- 16:14os jogadores a pensarem o personagem cada vez mais de
- 16:17fora, como um autor faria. de uma forma que vê esse personagem
- 16:22um pouquinho ali como uma terceira pessoa.
- 16:25O que ele faria em vez de ser o que eu faria enquanto meu
- 16:29personagem? Você começa a entender o papel
- 16:32do seu personagem na narrativa, perante os conflitos, mas para
- 16:36além deles mesmo, num plano maior.
- 16:40Isso não seria interpretar também?
- 16:43Para descobrir isso, vamos pensar o que é interpretar em
- 16:47volta do contexto do RPG. Eu resolvi fazer uma pesquisa
- 16:50rasteira. Eu abri a Wikipedia.
- 16:52Hoje em dia, que é o pai dos burros, a Wikipedia.
- 16:56Mas falando no âmbito da linguagem, tradução é você
- 17:01entender o sentido de uma mensagem e utilizar dos signos
- 17:06de outro idioma para expressar para um receptor que não fala o
- 17:10idioma original, não fala aquele código original.
- 17:14Então você meio que interpreta, você vê o que está querendo
- 17:19dizer, qual a mensagem, e você reinterpreta isso dentro desses
- 17:24novos símbolos, desse novo idioma que é comum entre você e
- 17:28quem está recebendo a mensagem. Na música, interpretar é
- 17:34normalmente você pegar alguns registros musicais, uma
- 17:36partitura, e executar a música à sua maneira, a partir do sentido
- 17:41que você percebeu da composição. E você executa aquilo, você traz
- 17:46de volta a partir daquela composição.
- 17:49Já no direito, extremamente complexo, você tem várias
- 17:53técnicas e filosofias no direito para interpretar a lei, para
- 17:57interpretar os textos jurídicos, mas de forma geral é você
- 18:01entender um sentido dentro dessas leis, desses textos
- 18:06legais e propor um tratamento de um fato de relevância jurídica
- 18:12que precisa desse tratamento legal na sociedade.
- 18:15E aí você utiliza todas essas formas de interpretar a lei,
- 18:20toda essa ciência de interpretar a lei de acordo com vários
- 18:25registros possíveis. Na interpretação de texto,
- 18:31Costuma-se falar aí na passagem do mundo da vida ao mundo
- 18:35literário e depois um reingresso do mundo literário para o mundo
- 18:40da vida e dando um sentido ao que se experienciou no mundo
- 18:46literário. É extremamente complexo também,
- 18:49mas entender o que se viu nesse mundo literário é um esforço que
- 18:55é um pouco diferente também de você ressignificar isso fora do
- 18:58mundo literário, na vida real. Eventualmente até para explicar
- 19:02isso para alguém, porque botar em palavra o que você
- 19:05experienciou seria a síntese última dessa experiência.
- 19:10A gente tem também interpretar no teatro. que também é algo
- 19:14muito complexo e cheio de métodos, mas também envolve você
- 19:19se tornar o veículo, emprestar seu corpo, associar seus
- 19:23sentimentos e emoções a ideias de expressão.
- 19:29Você vai tentar transmitir para a plateia algum sentido naquele
- 19:34texto teatral, naquele personagem, e isso é feito
- 19:38através dos seus atos, da sua atuação. que é a sua forma de
- 19:43marcar esse espaço ficcional, de se estabelecer nesse ambiente
- 19:49teatral dramático. Eu estava conversando no Natal
- 19:53com a minha irmã, que é diretora de teatro e tudo mais, e nesse
- 19:57papo com a Nina a gente conversou sobre que no teatro
- 20:01vale o que aconteceu no palco, né?
- 20:03O ator precisa estabelecer as coisas scenicamente.
- 20:06Você tem esse exercício clássico do teatro, que é com mímica,
- 20:11vocês já devem ter visto ou feito esse exercício, que você
- 20:15meio que, como mímico, você vai sinalizando com gestos o que
- 20:18você está segurando, sem que você esteja segurando nada, mas
- 20:22você marca que você está segurando, sei lá, uma escova de
- 20:25dente. Então você faz os movimentos que
- 20:27você faz com uma escova de dente em cena.
- 20:30Você... Você mostra para quem está vendo
- 20:34você que existe uma coisa na sua mão e através desses símbolos
- 20:37eles entendem, ah, é uma escova de dente, ele está escovando o
- 20:41dente nesse momento. Então existe essa intenção de
- 20:45você marcar as coisas no ambiente, marcar as suas ações,
- 20:50as suas interações, antecipar seu movimento para marcar ele
- 20:54para o público. Tudo isso com a intenção de
- 20:57passar um sentido para os outros participantes, tanto os outros
- 21:00atores quanto a plateia. Essa parte da expressão de
- 21:03marcar o outro com símbolos cênicos é inclusive essa esfera
- 21:07de representação que é tão importante você marcar.
- 21:11Inclusive a gente pode fazer um episódio só sobre teatralidade,
- 21:14que envolve muito esse cênico, essa representação da coisa, mas
- 21:18que é um capítulo à parte. Todos já ouviram as lendas do
- 21:24norte, mas ninguém sabe o certo que tem lá.
- 21:28Maldições, criaturas terríveis, tesouros mágicos e quesas
- 21:32esquecidas é o que as histórias contam depois da grande muralha.
- 21:38Nas tavernas dizem que a Companhia dos Biltres se
- 21:42instalou nos limites do mundo e está financiando aventureiros
- 21:45para explorar essa terra maldita.
- 21:47Já vai fazer um ano, ô malaquias, que muitos partiram
- 21:50para o norte, deixando o valetim e viajando sete dias por esses
- 21:54rios. Bom, no arraial do céu eu também
- 21:57tô partindo. Eu cansei dessa vida de merda,
- 22:00meu amigo. Mas então, Malaquias, me fala.
- 22:04Você vai vir também ou vai passar o resto dessa tua vida
- 22:06patética batendo carteiras? Eu não sei você, mas eu quero
- 22:09morrer rico, meu amigo. Fala galera do Café, aqui é o
- 22:14Ícaro e eu queria fazer um convite pra vocês.
- 22:16Finisterra é uma mesa de Hexcrawl, que usa o Caveland
- 22:19Hex, inspirado no Bestie de oitenta e um, que todo mundo
- 22:21ama. E é uma campanha que acontece no
- 22:24estilo mesa aberta, o que significa que qualquer um pode
- 22:25colar e jogar com a gente, são sessões episódicas.
- 22:28Quem pode jogar no dia, a gente monta um time e esse time sai
- 22:31pra explorar. Então eu queria fazer esse
- 22:33convite pra vocês virem explorar esses irmãos malditos, descobrir
- 22:36os segredos de castelos abandonados, atravessar espelhos
- 22:39mágicos, encarar as brumas prateadas, tomar o chá da meia
- 22:42estrela e vir buscar esses tesouros que foram esquecidos
- 22:46pelo tempo em Finisterra. Essa mesa também, galera, usa o
- 22:50estilo de jogo Oil Fantasy, que quem é ouvinte do café tá ligado
- 22:53que eu sei. Então, espero vocês lá e valeu,
- 22:56Balbic! E complementando essa ideia, a
- 23:11gente tem aí esse conceito da hermenêutica, que eu falei ali
- 23:17no direito, por exemplo. No direito, se trabalha a
- 23:19hermenêutica em muitos aspectos, em muitas discussões.
- 23:23Qual é a melhor forma de interpretar as leis?
- 23:25A hermenêutica também, ao se interpretar um texto, como se
- 23:30interpreta o texto? Quais as técnicas?
- 23:33E a hermenêutica vem do Hermes Trimegisto, que é bom a gente
- 23:36citar aqui no episódio. Ele é o patrono, por assim
- 23:40dizer, da interpretação. Ele é o deus grego, inventor das
- 23:44letras, do alfabeto, da escritura, da escrita, dos
- 23:48homens e dos deuses. E, portanto, ele é um revelador,
- 23:52ele é um profeta, ele é o intérprete da divina sapiência e
- 23:56do logos divino. Mas também, não só isso, ele é o
- 24:01deus das estradas, dos viajantes, das travessias.
- 24:04O que isso tem a ver? Lembra que eu falei da
- 24:08interpretação no texto? Então, quando a gente interpreta
- 24:11um texto, tem essa coisa da passagem do mundo da vida ao
- 24:16mundo literário e do reingresso do mundo literário ao mundo da
- 24:20vida. E com isso você muda também.
- 24:24Você muda com uma jornada. Toda jornada muda você, muda
- 24:27quem você é. Isso é uma interpretação também.
- 24:31Interpretar é você também mudar. É você tomar para si, mas você
- 24:36trazer alguma coisa de fora para o seu mundo interno e abrir esse
- 24:40canal. Esse canal é por onde Hermes
- 24:43Trimegistro trafega. E por isso ele também é o deus
- 24:47da alquimia. A alquimia é uma linguagem de
- 24:50transformação e a linguagem alquímica é uma linguagem
- 24:53cifrada de mensagens crípticas, de um espaço hermético, por
- 24:59assim dizer, que só quem entende é quem passa a entender essa
- 25:02linguagem tão particular. Eu recomendo o livro Museu
- 25:06Hermético da Taschen, que é um livro de arte, de arte
- 25:10alquímica, mas é lindo e fala bastante sobre isso.
- 25:12É um jeito de se impactar com essa arte alquímica que eu acho
- 25:16muito interessante, para depois você se aprofundar de outras
- 25:19formas. Mas, no fundo, a linguagem
- 25:22alquímica é um mar de símbolos, é uma forma de dizer as
- 25:25coisas... sem usar os símbolos que todo mundo usa.
- 25:31É uma arte à margem, preenciados, uma arte hermética.
- 25:37É uma linguagem e, portanto, transmite conceitos,
- 25:40pensamentos, ela transmite sentido.
- 25:43Hermes é quem viaja, levando e trazendo sentido, e assim
- 25:49estabelecendo elos. E qual o sentido de interpretar
- 25:54no RPG agora que a gente fez esse movimento de sair do mundo
- 25:59de RPG? Agora vamos voltar para o mundo
- 26:02do RPG. Quando a gente fala em sentido,
- 26:04em trazer sentido para o nosso jogo, a gente viu recentemente
- 26:08aqui no Café com Dungeon, no primeiro ano dessa segunda
- 26:11temporada, um episódio em que a gente falou de agendas
- 26:13criativas. E agenda criativa é justamente
- 26:18isso, é dar um sentido para o nosso jogar.
- 26:21No D&D é interagir com o mundo e os seus desafios.
- 26:26E é muito mais rico isso do que se pensa, do que se parece.
- 26:29É uma dimensão muito ignorada. Inclusive lá atrás, quando eu
- 26:32falei do que é o senso comum de interpretação no D&D, a gente
- 26:37parece que está ali preso ao alinhamento, à classe, ao
- 26:41atributo, mas é muito mais do que isso, porque existe toda
- 26:44essa interação necessária com o mundo.
- 26:47E isso é uma dimensão muito ignorada, né?
- 26:50E no D&D isso passa muito pela linha do desafio.
- 26:56É entender o personagem enquanto interface, enquanto um proxy do
- 27:01jogador naquele mundo. Aquele mundo que existe no
- 27:05sentido do desafio. Você vai tentar interpretar o
- 27:11seu personagem enquanto um veículo dos seus sentidos
- 27:16naquele mundo de aventura. É através dos olhos do
- 27:19personagem que você vai ver. É através do nariz daquele
- 27:22personagem que você vai sentir cheiros.
- 27:25E isso traz algumas qualidades especiais desse personagem.
- 27:31Você é um mago, então aquele nariz não é o seu nariz, é o
- 27:34nariz do mago que você está jogando.
- 27:37Então existem certas qualidades funcionais para isso.
- 27:42Mas o sentido é sempre superar o desafio.
- 27:44Afinal de contas, esse mundo de aventuras é construído com
- 27:48monstros, com tesouros. É isso que constitui esse mundo,
- 27:52é isso o sentido do naturalismo gayaxiano.
- 27:55O naturalismo gayaxiano não existe por si só, ele não existe
- 27:59somente como mundo, ele não existe somente como
- 28:01verossimilhança. Essa verossimilhança cumpre uma
- 28:05agenda de desafio e é por isso que os monstros ali, além das
- 28:08informações de habitar, de como eles vivem, quantos eles são, a
- 28:15gente tem ali informações muito preciosas de HD, de quanto eles
- 28:20vivem, e outras coisas também, principalmente tesouros, quais
- 28:23tesouros eles lidam. Por quê?
- 28:25Porque o tempo todo essa verossimilhança está construindo
- 28:30desafio. E esse é o sentido, essa é a
- 28:33agenda criativa que a gente pode ver no D&D e nas suas
- 28:36ferramentas, na sua ficção, na ficção que constrói.
- 28:41Então, imagina, vocês chegam pela via principal com as
- 28:46mulinhas de vocês tilintando com trezentos quilos de tesouro em
- 28:50joias, tapeçarias e ouro numa cidade estranha, escura, cheia
- 28:56de atividade nas sombras e vielas, mas aparentemente calma
- 29:01nas ruas principais. O que vocês fazem?
- 29:05Aqui eu estou propondo um desafio.
- 29:09É nesse sentido que a gente está jogando.
- 29:11E vocês vão tentar vencer esse desafio enquanto jogadores.
- 29:16Nos story games, nesses jogos de contar história, o sentido é
- 29:20entender o personagem em relação à narrativa conjunta que está em
- 29:24construção no jogo. Ela e seus conflitos, os
- 29:28personagens e seus conflitos, o desenvolvimento dos personagens
- 29:32como veículo da trama. Seria algo como...
- 29:35O seu personagem tem uma derrota clamorosa no debate com o líder
- 29:40da escola de magia rival. O que isso significa para o seu
- 29:44personagem? Pensa em três mudanças
- 29:47significativas que isso trouxe para a vida dele.
- 29:52O sentido aqui, desse tipo de desafio também, mas aqui o
- 29:56sentido é evoluir o personagem e a narrativa num sentido comum.
- 30:00O desafio é muito mais o conflito da trama.
- 30:06Então a gente está jogando um jogo em que a gente vai tentar
- 30:09dar sentido às coisas. O panorama que a gente vai dar
- 30:11às coisas é do que fica melhor para a história.
- 30:15Então a pergunta que você faz, em vez de o que você vai fazer
- 30:17para superar o desafio, é o que você vai fazer para contar
- 30:20melhor essa história. E o que seria a terceira agenda
- 30:25que muita gente traz na GNS, que é o Ron Edwards e a Forge
- 30:31comentam isso? O que seria essa terceira
- 30:33agenda, essa agenda simulacionista?
- 30:36Seria colocar o agir do seu personagem como o sentido por
- 30:40trás das suas decisões. Você vai tomar uma decisão
- 30:44porque é assim que o seu personagem faria.
- 30:47Um jogo assim, em teoria, ele traz recursos, detalhando e
- 30:51especificando com mais profundidade esse personagem e a
- 30:55sua personalidade, para dar cada vez mais elementos que
- 30:59enriqueçam a decisão do jogador conforme interpreta esse
- 31:04personagem. Interpretar, por outro lado, é a
- 31:08mídia do RPG em si. Eu costumo dizer aqui que...
- 31:13Você interpretar o seu personagem ou o próprio mundo de
- 31:16aventura, etc., isso é a mídia do jogo.
- 31:20Isso não é exatamente uma agenda criativa.
- 31:23Se a gente encarar interpretar o nosso personagem como agenda
- 31:27criativa, a gente está fazendo exatamente o que aquele jogador
- 31:31problema faz. ele vai fazer o que o seu personagem faria.
- 31:36Não importa se isso vai isolar ele dos demais personagens.
- 31:41Não importa se isso vai colocar alguém em perigo de vida, seja
- 31:46um NPC ou seja um outro personagem de jogador.
- 31:49Não importa se a história vai ficar prejudicada.
- 31:53Isso é o que o personagem faria. E ele tem vários elementos na
- 31:57ficha ali que reforçam essa decisão dele.
- 32:00Deveria como ser diferente? Ora, se isso fosse uma agenda, e
- 32:06uma agenda prioritária, simulacionismo, é isso que
- 32:10conta. Esse é o registro de atuação do
- 32:13jogador. Mas o que falta?
- 32:16Por que esse jogador é um jogador problema?
- 32:19que falta o sentido dessa interpretação falta marcar isso
- 32:25para os demais, falta essa representação, falta esse
- 32:29momento em que a gente volta com o que pensou daquela ficção e
- 32:33marca fora da ficção a nossa atitude falta a gente ter esse
- 32:38olhar não somente do Hermes quando ele visita outro mundo,
- 32:41mas quando ele volta e aí a gente pode colocar em
- 32:46perspectiva isso tudo Com licença, meus caros.
- 32:54Terei eu ouvido direito? Vocês estão em busca de ouro e
- 32:57glória? Pois eu posso lhes ajudar.
- 33:00Meu nome é Almir Cego e eu estou nessa taverna há algum tempo,
- 33:04ouvindo histórias de bravura e coragem de aventureiros que
- 33:07passam por aqui. Eu posso lhes falar sobre o que
- 33:10está para além da gaiola, as ruínas deixadas pelos antigos,
- 33:14as planícies de nuvens negras, a floresta do vento infinito, a
- 33:18lenda do messias élfico ou até mesmo o que está aqui dentro.
- 33:22Os mistérios sobre as sombras das torres douradas sobre as
- 33:25nossas cabeças. Meu preço?
- 33:28Ora, eu só peço para que, ao retornarem, vocês contem suas
- 33:32histórias para mim. É a forma que eu tenho de ver o
- 33:35mundo novamente, pelas histórias de aventureiros valorosos como
- 33:39vocês. Treman, a gaiola dourada, é um
- 33:48jogo de RPG de mesa aberta, no sistema Caves Hexes, usando o
- 33:51estilo oil fantasy e o modelo Arslud.
- 33:54Vem explorar os ermos corrompidos pela estranheza,
- 33:57cheios de tesouros e oportunidades.
- 33:59Ou venha caminhar pelas ruas de Treman, cheias de perigos e de
- 34:02segredos. Os habitantes da última cidade
- 34:05do mundo aguardam por você. Que tal ver o que tem para além
- 34:09da gaiola? Hermes Trismegistro, ele vai aos
- 34:32outros mundos e ele volta com esse impacto.
- 34:35Ele traz uma mensagem, ele comunica.
- 34:38Não basta entender somente outro mundo.
- 34:41É importante a gente dar sentido para ele aqui fora, no jogo.
- 34:46quando a gente fala no RPG. O jogador que fala que se
- 34:49importa mais em tomar as decisões prioritariamente de
- 34:52acordo com o que o seu personagem faria, ele está
- 34:55confundindo a própria mídia do RPG com o sentido que a gente dá
- 35:00a partir das nossas agendas criativas.
- 35:02E no fundo, ele fica só com a mídia mesmo, ele fica sem
- 35:06sentido. Não é à toa que muito se
- 35:08critica, muito se criticou a agenda simulacionista por trazer
- 35:14um número cavalar de detalhes que muitas vezes, teoricamente,
- 35:19na visão dessas pessoas, seria um irrelevante para o jogo.
- 35:23Eu não digo irrelevante, eu pergunto irrelevante para o quê?
- 35:29No fundo... Eu não sei se é irrelevante...
- 35:31Essa penca de detalhes... Mas...
- 35:35De fato... Me parece que jogos...
- 35:36Que são... Que puxam muito...
- 35:38Para essa ideia... Da simulação...
- 35:41De simular as coisas... e quando eles encaram isso com um fim em
- 35:47si, eles carecem de um sentido para esses detalhes todos.
- 35:51Então parecem detalhes jogados ao Léo, sem um sentido, sem
- 35:56alguma coisa que lhes dê um panorama, um registro.
- 36:01Isso é uma coisa que um jogo que é dito, muito simulacionista,
- 36:06não falha. Por exemplo, Wars Mágica.
- 36:09Ele poderia ser melhor, mas ele traz muita profundidade, e os
- 36:13detalhes que ele simula, ele dá sentido narrativo, como por
- 36:18exemplo, arcos de protagonismo, de antagonismo, ele trata o
- 36:23concílio dos magos, que é... a escola de magia ali
- 36:27praticamente, como um personagem por si só e coloca as vantagens
- 36:32e desvantagens ora nesse sentido, ora no sentido de
- 36:36superar desafios políticos ou míticos daquele mundo.
- 36:40Mas o fato é que a gente consegue entender o jogo, ora,
- 36:45trazendo um sentido de contação de história, de entender quem é
- 36:48esse protagonista e quais os arcos que ele vai passar,
- 36:52entendendo como é essa torre que os magos se reúnem em sua
- 36:55história, em sua primavera, verão, outono e inverno, mas
- 37:00também trazendo ali os desafios políticos que esses magos e isso
- 37:05tudo vai encerrar. Então a gente vê essas duas
- 37:09agendas sendo trabalhadas dentro do jogo, para muito além da
- 37:12simulação por si só. E isso faz o jogo ser bom, isso
- 37:18faz o jogo ser interessante. Mas sem essas agendas criativas,
- 37:24para além da própria mídia, o jogo se perderia sem sentido,
- 37:28sem entender direito o que simular.
- 37:31Inclusive, urge também um episódio sobre emular versus
- 37:36simular. Mas de forma geral, simular, em
- 37:39suma, é reproduzir as coisas dentro de um sentido. de uma
- 37:43maneira funcional para esse sentido.
- 37:46A reprodução pela reprodução só, ela pede um rigor de construção
- 37:51ipsilíteres do que se reproduz, e isso leva à emulação e não à
- 37:57simulação. Olhando, então, aquele amigo lá
- 38:01da introdução que entende que a sua agenda criativa é agir como
- 38:05seu personagem acima de tudo, ele falha em perceber que há um
- 38:09sentido maior do que a sua leitura imediata do que o seu
- 38:14personagem faria, e que ele pode cumprir um papel em jogo para
- 38:18além disso. quando ele pisa fora do jogo de volta para o mundo
- 38:24real, para pensar em como ele deve agir lá dentro, ele não vê
- 38:29nenhum sentido. Por quê?
- 38:31Porque o sentido está lá dentro, ele não vê nenhum sentido aqui
- 38:33fora. Então como ele dá sentido?
- 38:36Não me espanta que ele fique perdido, não me espanta que ele
- 38:40haja como um babaca. Falta entender o sentido aqui
- 38:43fora. Olhando de fora do jogo,
- 38:46raciocinando em cima da relação lúdica, ele pode até ter a
- 38:50melhor vontade de não fazer o que é pior para o jogo.
- 38:54Ele fala, não, eu vou fazer o que o personagem faria, mas eu
- 38:57não quero avacalhar o jogo. Mas como entender o que é melhor
- 39:00para o jogo para além da própria mídia, se o sentido que ele está
- 39:03vendo é a mídia em si? Como pensar o que o personagem
- 39:07faria para além disso? Não tem como.
- 39:11Não há uma agenda criativa clara fora da própria mídia, fora
- 39:15dessa imersão. Logo, ele tem que se ater ao que
- 39:19o seu personagem faria. Não há um registro de ação, de
- 39:23decisão fora isso. Não dá para entender o que é
- 39:27melhor em cima de um acordo ou em cima de um desenho de papéis.
- 39:32Diferente disso, quando a gente tem de fato uma agenda criativa
- 39:35bem desenhada ou acordada fora da própria mídia do RPG e que se
- 39:40relaciona com ela, quando a gente pisa fora do jogo para
- 39:44analisar o que o personagem faria e, afinal de contas, não
- 39:48dá para a gente jogar RPG sem isso, sem que isso ocorra, sem
- 39:52que a gente interprete um personagem, a gente passa a
- 39:55entender o sentido que a gente tem no nosso jogar.
- 39:59Os nossos personagens são tridimensionais, eles existem em
- 40:04cenários ricos e em constante enriquecimento no RPG.
- 40:09Certamente tem muitas coisas que o seu personagem faria perante
- 40:14uma dada situação. É muito, muito difícil bater o
- 40:19martelo na vida e no jogo de que há uma coisa e somente uma coisa
- 40:26que você ou seu personagem fariam em determinada situação.
- 40:31Nós somos plurais. a gente normalmente vai ter um leque até
- 40:36grande de possibilidades do que a gente faria perante uma
- 40:39situação. E dentro desse leque a gente
- 40:43decide uma. Num jogo Final Fantasy, de
- 40:47desafio voltado para desafio, com agenda criativa em desafio,
- 40:51você vai se perguntar, de todas as coisas que o meu personagem
- 40:54faria, e aqui a gente está falando da mídia do jogo, o que
- 40:58meu personagem faria, interpretação, quais delas
- 41:03seriam as melhores para que o grupo supere o desafio?
- 41:07E aqui a gente está falando da agenda criativa.
- 41:10Num jogo de contar história, tipo Passione della Passione,
- 41:13você vai se perguntar, de todas as coisas que o meu personagem
- 41:16faria, e aqui interpretação, mídia do jogo, quais delas
- 41:22dariam a melhor história? E aqui, agenda criativa.
- 41:26Eu não sei dizer se o jogador problema de fato só quer causar
- 41:30mesmo, mas uma coisa eu posso dizer.
- 41:33Declarar para ele uma agenda criativa, acertar no grupo uma
- 41:38agenda criativa que a gente vai seguir no jogo, informa que as
- 41:44interações que a gente vai ter dentro da mídia do RPG... vão
- 41:48seguir esse sentido. Explica qual o sentido comum que
- 41:52a gente tá dando e que a gente deve buscar.
- 41:54Cada um a sua maneira, cada um a sua interpretação.
- 41:59Mas jamais saindo do tema, trazendo aqui a interpretação
- 42:03segundo a música, né? A gente interpreta um tema, mas
- 42:07dentro disso cada um a sua maneira.
- 42:10E aí, se o cara continuar fazendo merda, aí pode crer que
- 42:16não é questão de agenda, é má vontade mesmo.
- 42:19Pode chutar a bunda dele. Bom, é isso.
- 42:30Espero que tenha curtido o episódio de hoje.
- 42:32Eu vou deixar uma pergunta na enquete aí.
- 42:34Você acredita que o jogador problema está só perdido em
- 42:37relação à agenda? Ou você acha que ele está de má
- 42:41fé? Conta aí para a gente.
- 42:42E como você encara o simulacionismo como agenda
- 42:46criativa? Escreve para a gente aí.
- 42:49Comenta no podcast usando o Spotify.
- 42:52Beleza? Lá no seu mobile.
- 42:53Então te agradeço pela participação.
- 42:56No mais, vamos para o encerramento.
- 42:58Eu vou deixar aí no descritivo do episódio alguns links.
- 43:00Eu vou deixar o link de interpretação na Wikipédia.
- 43:03Eu vou deixar o link de Hermes Trismegisto na Wikipédia.
- 43:06Eu vou deixar um link para você comprar o livro da Taschen, o
- 43:10Museu Hermético, que eu super recomendo.
- 43:12E vou deixar também um link aí da teoria GNS, na Forge, para o
- 43:16Ron Edwards, que é um link que constantemente a gente deixa
- 43:19aqui, caso você queira se aprofundar um pouco nesse tema.
- 43:22Também, vou deixar os links dos anúncios aí, né, do Trema e do
- 43:26Finisterra, assim como o de Biergotten e do Apoia-se, pra
- 43:30você participar aí do financiamento do Café com
- 43:33Dungeon, né, e ajudar a gente a voltar a ter cinco episódios
- 43:37semanais e expandir o projeto e, além disso, receber conteúdo
- 43:41extra, cupons pros nossos parceiros, sorteios e tudo mais.
- 43:44Então, apoia.se barra Café com Dungeon. se você gostou
- 43:48especialmente do Café com Dungeon de hoje, deixa pra gente
- 43:51uma gorjeta manda o seu pix de qualquer valor aí pra
- 43:54cafécomdungeon.com a gente conta com você se você tem uma marca,
- 43:59uma empresa e quer ter um dia na semana no Café com Dungeon você
- 44:01pode financiar um episódio semanal do seu podcast e fazer a
- 44:05alegria da massa RPGista assim como o RPG Dojo faz aí com os
- 44:10episódios da terça-feira então consulta a gente aí em
- 44:13cafécomdungeon.com que a gente tem uma proposta especial pra
- 44:17você Consulta também a gente sobre parcerias e anúncios.
- 44:20A gente trabalha com marcas de RPG e também com outros ramos,
- 44:24como cafés, alimentos, jogos, tecnologia, mídia, ensino e etc.
- 44:30Se você é produtor de conteúdo, game designer independente,
- 44:32acadêmico ou fã e quer participar do nosso projeto,
- 44:35conta aí pra gente sobre você e sobre a sua ideia aí em
- 44:39cafécomdanjo.com. Beleza?
- 44:43Agora agradecer a galera que torna possível essa aventura, os
- 44:45nossos assinantes, então obrigado ao pessoal que apoiou
- 44:48com nível incentivo, incluindo aí o Lúcio Pimentel, valeu
- 44:51demais. Obrigado ao pessoal do nível
- 44:53apoio comunidade, incluindo aí o Daniel, o Billy, o Gata Morta, o
- 44:56Felipe da Silva e o Matheus Chetbol da Silva.
- 45:00Valeuzão. Um salve especial para os
- 45:02assinantes do nível RPG Dojo. Dentre eles o Felipe Scosteg.
- 45:06Aê, papai, parabéns, cara. Também o Marcos Vinícius
- 45:10Ornelas. O Pedro Borges, o Pedro Erle, o
- 45:12Rudolf Helmut. Um abraço aos membros do
- 45:16treinamento Oil Fantasy. Então, Abílio Júnior, César
- 45:18Machado, Daniel Aydar, Diego Sextito, Douglas Baiense, Léo
- 45:21Gasparotto, Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Kobi, João
- 45:25Burlamaki e Gui Providello. E um imenso agradecimento ao
- 45:29nosso membro Café com Balbi, o Tiago Augusto.
- 45:32Galera, muitíssimo obrigado. Um abraço e até a próxima.
- 46:30Não seja babaca.