Latest / Na Mesa com Well / Praticando a Presença de Deus Ep.2 - Um altar no chão da cozinha
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el o lugar para quem busca a
- 0:03profundidade de forma acessível na correria do dia a dia.
- 0:08Hoje vamos fazer análise teológica da obra clássica,
- 0:12praticando a presença de Deus do irmão Lawrence.
- 0:15É, e esse é um tema que nossa, mexe muito com a forma como a
- 0:20gente enxerga o nosso dia a dia. Né?
- 0:21Com certeza. Porque assim, imagina só você
- 0:24tentar encontrar a presença absoluta e inabalável de Deus.
- 0:28Só que não no silêncio Majestoso de uma catedral gigantesca lá na
- 0:33Europa. Aham, longe disso.
- 0:35Nem no retiro espiritual, na Montanha, mas, tipo, no calor
- 0:39insuportável naquele caos, num barulho ensurdecedor de panela
- 0:43batendo numa cozinha industrial do século 17.
- 0:47É um cenário quase impensável pra maioria de nós, né?
- 0:50Exato e pior, fazer isso tudo enquanto seu próprio corpo sofre
- 0:55com dores crônicas terríveis. Tipo uma herança cruel mesmo de
- 0:59combates num campo de Batalha. Pois é, e a nossa análise de
- 1:03hoje vai mergulhar exatamente na vida de alguém que propôs isso,
- 1:08o irmão Lourenço. Isso e a gente quer colocar
- 1:11sobre a lupa da tradição reformada, da tradição
- 1:14histórica, essa ideia famosa dele de construir, sabe um altar
- 1:20no chão da cozinha? É uma imagem muito forte e a
- 1:23grande questão que vai guiar a gente aqui é entender se essa
- 1:26proposta. É um antídoto vital, tipo algo
- 1:29que salva a liturgia cristã daquele formalismo frio.
- 1:33Ou se, de repente, se a gente puxar esse fio da meada até o
- 1:37fim, a gente não corre o risco de cair num abismo de puro
- 1:40subjetivismo, né? Exatamente, e pra gente
- 1:43desenrolar essa complexidade. A gente precisa, antes de mais
- 1:47nada, olhar para quem era esse homem.
- 1:49Sim, porque ele não caiu de paraquedas ali.
- 1:51Não, né? A história dele é pesada.
- 1:53Muito pesada, a teologia dele não nasceu em uma biblioteca
- 1:57confortável, com chazinho e ar-condicionado.
- 2:01Nicolas Herman, que é o nome de batismo dele, né?
- 2:04Antes de virar irmão, Lourenço tinha uma bagagem de vida assim,
- 2:08brutal. É, eu fico impressionada quando
- 2:11leio sobre ele. Ele estava muito longe de ser um
- 2:14monge, criado a leite com pera. Total.
- 2:17Ele não cresceu protegido numa redoma de vidro, alheio aos
- 2:21problemas do mundo. Ele foi soldado na guerra dos 30
- 2:24anos. Nossa, e quem gosta um pouquinho
- 2:26de história sabe que esse foi um dos conflitos mais sangrentos e
- 2:30bizarros da Europa. Sim, foi devastador e durante
- 2:34uma dessas campanhas militares ele sofreu uma lesão gravíssima
- 2:37do nervo ciático. O que, na prática, significava o
- 2:40que para ele na época? Significava que ele passou o
- 2:43resto da vida mancando, sabe, lidando com uma dor física
- 2:46constante que simplesmente nunca IA embora.
- 2:49Imagina viver com dor crônica no século 17, sem recurso nenhum?
- 2:55E além desse corpo quebrado, tem a questão mental, né?
- 2:58Exato. Os registros biográficos mostram
- 3:01que ele passou por, tipo, uns 10 anos de uma angústia mental
- 3:05muito profunda. Muito escura. 10 anos achando
- 3:08que IA para o inferno, basicamente.
- 3:10Isso ele era atormentado por dúvidas sobre a própria
- 3:14salvação, vivia com aquele pavor constante de que estava
- 3:17destinado a condenação eterna. E assim, essa realidade crua
- 3:22muda completamente a forma como a gente precisa ler a obra dele.
- 3:26Não é um cara romantizando o sofrimento dos outros?
- 3:29De jeito nenhum. Ele viveu isso na pele?
- 3:32É alguém forjado ali na dor física e num terror psicológico
- 3:36imenso, e é desse fundo do poço que surge a tese central das
- 3:41conversas dele, né? Que é algo que bate de frente
- 3:43com o jeito que a gente opera até hoje.
- 3:46Ele disse que os tempos dedicados à oração não diferem
- 3:48em nada dos outros momentos do dia.
- 3:50O que é muito é louco de pensar. Ele fala que levantar uma
- 3:53simples palha do chão por puro amor a Deus.
- 3:57Tem o mesmíssimo, peso litúrgico de uma adoração formal na ceia.
- 4:02É uma quebra de paradigma absurda.
- 4:05Demais, porque a gente tem uma tendência horrível, né?
- 4:08De viver uma espécie de esquizofrenia espiritual.
- 4:11Como assim explica melhor isso pra gente?
- 4:13Sabe aquela coisa de ter um eu de domingo, aquele eu super
- 4:18piedoso, focado nas coisas de Deus, e aí na segunda-feira vira
- 4:23outra pessoa? Ah, sim, o eu pragmático,
- 4:26estressado. Exato, o eu cínico, como se Deus
- 4:30ficasse lá, trancado no prédio da igreja, esperando a gente
- 4:34voltar na outra semana. Isso é exatamente o que a gente,
- 4:37na teologia histórica, costuma chamar de dualismo sagrado
- 4:42secular. É um conceito muito importante
- 4:44pra gente definir aqui. Ah, legal, define isso pra gente
- 4:47ter como base. Basicamente, é essa intenção
- 4:50puramente humana. Que pega a nossa vida e fatia em
- 4:53compartimentos fechados, sabe? Tipo gavetas, né?
- 4:57Isso de um lado fica a gaveta sagrada, a bíblia, o culto, a
- 5:02oração. Do outro, a gaveta secular, o
- 5:06trabalho, a planilha financeira, a louça suja.
- 5:10E Deus só tem acesso a primeira gaveta.
- 5:12Na nossa cabeça, sim, mas o que o irmão Lourenço faz?
- 5:16É tipo pegar uma marreta teológica e quebrar essa parede
- 5:19no meio. Ele implode o negócio todo e
- 5:22fica mais bonito ainda quando a gente olha para o contexto em
- 5:25que ele aplicou isso porque ele foi trabalhar na cozinha do
- 5:29mosteiro Carmelita, lá em Paris. Sim e não.
- 5:32Era uma coisinha gourmet? Não.
- 5:33Eles precisavam alimentar mais de 100 pessoas todos os dias e
- 5:37ele ficou preso lá por 15 anos. É aí que eu quero descer para o
- 5:40chão de fábrica. Porque, cá entre nós, é muito
- 5:43poético falar de adorar a Deus lavando louça e descascando
- 5:47batatas. Mas na prática é osso, né?
- 5:49Muito. E a minha dúvida sempre foi
- 5:52assim, ele curtia fazer isso porque achar Deus num trabalho
- 5:56que você ama é fácil. Eu quero saber se a cozinha era
- 6:00um peso Pra Ele. Então os relatos do Joseph de
- 6:04bford, que foi o cara que compilou as conversas dele.
- 6:08Trazia uma parada muito honesta sobre isso.
- 6:10O que ele dizia? Lourenço tinha uma aversão
- 6:13enorme, assim, natural ao trabalho na cozinha, ele
- 6:17detestava aquilo ali. Sério, eu juro.
- 6:19Falava que ele era um daqueles cozinheiros super zen.
- 6:22Que nada. Ele próprio dizia que era um
- 6:25cara super desajeitado, aquele perfil de pessoa que esbarra nas
- 6:28coisas, tropeça, quebra tudo que toca.
- 6:31Nossa, me identifica? Um pouco, então não tinha nenhum
- 6:34prazer inato naquilo. Nenhum.
- 6:37Imagina aquelas panelões pesados de ferro, aquele ambiente
- 6:41frenético, e ele ali? O grande trunfo da teologia dele
- 6:46não é um auto engano, fingindo amar a culinária.
- 6:49Ah, isso muda tudo. Ele transformou aquele caos.
- 6:52Exato. O milagre foi ele pegar o
- 6:55tumulto, o barulho e a frustração dele e transformar
- 6:59num espaço de paz inabalável. Ele dizia que possuía Deus ali.
- 7:04No meio do suor da cozinha? Isso.
- 7:07Com a mesma tranquilidade de quando estava de joelhos diante
- 7:10do altar. A mudança não foi de emprego ou
- 7:12de ambiente externo, foi totalmente interna.
- 7:16É a mudança foi das lentes, né? E quando a gente percebe que a
- 7:20adoração pode rolar em cada micro ação do dia a dia.
- 7:24A gente nota uma mudança de eixo na espiritualidade dele.
- 7:27Como assim uma mudança de eixo? É que sai um pouco daquela mente
- 7:30super analítica, racional e desce com muita força pra
- 7:34vontade, pro coração, sabe? Ah, sim, com certeza.
- 7:38E aí a gente precisa frear um pouco e ter cautela, porque a
- 7:42gente entra num debate teológico gigante aqui.
- 7:44A famosa tensão entre o intelecto e a vontade.
- 7:47Exatamente, esse é meio que o nervo exposto do livro dele.
- 7:52Na segunda conversa, ele traça uma linha divisória bem ousada.
- 7:56Ele separa as coisas, né? Sim, ele cria um abismo entre o
- 8:00que ele chama de atos, do intelecto, que ele acha que tem
- 8:03um valor prático menor no dia a dia e os atos dá vontade.
- 8:07Que seriam as atitudes movidas por amor?
- 8:10Isso, para ele, os atos da vontade são o motor essencial da
- 8:14vida cristã. Porque são baseados inteiramente
- 8:17no amor a Deus. E aí ele defende que você não
- 8:19precisa ser um baita de um acadêmico para chegar a Deus.
- 8:23Exato, ele diz que basta um coração determinado aplicar o
- 8:27amor em cada movimento. É bonito, mas é aqui que as
- 8:30minhas sirenes reformadas começam a tocar alto, sabe?
- 8:34Eu imagino qual o seu principal alerta com isso?
- 8:38Pensa num cenário se a gente focar só nesses atos da vontade,
- 8:42nesse amor ardente? A gente não corre o risco de ser
- 8:45tipo alguém que quer muito calor de uma fogueira?
- 8:48Mas não quer saber de pegar lenha?
- 8:50Perfeito. O sentimento é o calor e a
- 8:53doutrina, o estudo sistemático. A teologia objetiva é a lenha.
- 8:57Não é um flerte perigoso com sentimentalismo muito frágil.
- 9:01Olha, essa sua preocupação não é só válida, ela é historicamente
- 9:06vital para a igreja. Porque calor sem lenha acaba
- 9:09rápido, vira só cinza fria. Exatamente, e a gente tem que
- 9:12lidar com o perigo de a galera abandonar o estudo das
- 9:15escrituras para ficar só vivendo de emoção subjetiva.
- 9:18Sem dúvida, uma fez sendo ou trima naufraga mesmo.
- 9:22O Deus adorado acaba virando só um reflexo do que a pessoa está
- 9:25sentindo no dia. Se está feliz, Deus é bom.
- 9:28Se está triste, Deus sumiu. É um perigo gigante, mas e aí,
- 9:32como a gente defende Lourenço nessa?
- 9:34Para fazer justiça, ele, a gente tem que olhar para quem ele
- 9:37estava combatendo. Ele não queria abolir a teorgia
- 9:40sólida de forma alguma. O alvo dele era outro.
- 9:42Sim, o alvo era aquele intelectualismo árido, super
- 9:46engessado, do século 17. Tinha uns grupos religiosos na
- 9:50época que passavam dias dissecando métodos de oração.
- 9:54Ah. A galera focada na técnica, né?
- 9:57Isso criavam regras infinitas sobre qual técnica era melhor.
- 10:02Eles amavam tantos meios de chegar a Deus que, no fundo,
- 10:06esqueceram do próprio Deus. Burocratizaram acesso a Deus,
- 10:10basicamente é um labirinto. A pessoa fica presa na
- 10:13metodologia. O relacionamento nunca acontece.
- 10:16Perfeito. E o que salvou o Lourenço desse
- 10:18subjetivismo todo? É algo que ele deixa claro na
- 10:21primeira e na terceira conversas.
- 10:24A Mística dele só parava em pé porque ele já tinha a mente
- 10:27cheia. Cheia de quê?
- 10:29Do que ele chamava de noções elevadas de Deus.
- 10:33Antes de focar na vontade, ele gastou muito tempo gravando
- 10:37verdades objetivas sobre quem Deus é, a soberania dele?
- 10:40A majestade. Entendi então.
- 10:42Ele estava mergulhado numa teologia robusta.
- 10:46Ele não estava operando Do Nada. A fogueira dele tinha bastante
- 10:49lenha estocada. Exatamente.
- 10:52Foi essa base doutrinária sólida que deixou à vontade dele livre
- 10:57para operar em amor lá no meio da cozinha?
- 10:59Bom, a lenha estava lá, queimando no fundo, mas isso já
- 11:02me leva para outro problema, qual se a galera hoje lê o livro
- 11:06dele e conclui que orar na igreja tem o mesmo peso de
- 11:10varrer uma calçada? O que impede alguém de usar isso
- 11:13como desculpa para largar a igreja de vez?
- 11:16É o famoso desigrejado, né? Sim, abre um espaço para o
- 11:20antinomionismo, para rebeldia contra estrutura.
- 11:24A pessoa fala tipo, Ah, e eu não preciso de culto público, não
- 11:27preciso de pastor. Eu e Deus nos resolvemos
- 11:31maravilhosamente bem enquanto eu corto a grama.
- 11:33E esse é um risco real. A gente precisa do nosso segundo
- 11:36termo do glossário aqui, que é o quietismo.
- 11:38Na verdade, se tinha era mencionado isso no começo.
- 11:41O que é o quietismo? É uma corrente Mística daquela
- 11:44época que pregava justamente uma passividade Extrema da alma, a
- 11:49ideia de que você anula sua vontade, abandona qualquer
- 11:52esforço moral ou estrutura religiosa ativa, tipo.
- 11:55Um deixa a vida me levar espiritual.
- 11:58Exato, só que isso rapidamente virava uma desculpa.
- 12:02Para ser rebelde, travestido de alta espiritualidade?
- 12:06Mas quando a gente olha para o irmão Lourenço, ele foge muito
- 12:09dessa armadilha. Ele não era um cara rebelde.
- 12:12Longe disso. Ele não era insubmisso ou um
- 12:15lobo solitário. Orgulhoso, ele alertava sim para
- 12:18galera não fazer das rotinas um ídolo, mas ele mesmo nunca
- 12:22abandonou as disciplinas. Ele continua indo aos cultos e
- 12:25tudo mais. Sim, os relatos confirmam que
- 12:28ele se retirava para orar rigorosamente nos horários
- 12:31litúrgicos lá do mosteiro. E fazia isso por estrita
- 12:34obediência aos líderes dele. Olha só, ele via a comunidade
- 12:39não como uma prisão, mas como uma proteção.
- 12:43Exatamente. Tem até uma citação dele que eu
- 12:45acho fantástica, ele fala que não precisava de um diretor
- 12:50espiritual vigiando cada passo do dia dele.
- 12:53Porque a fé dele já sustentava ele nas coisas comuns.
- 12:55Isso, mas na mesma frase, ele confessa que precisava muito de
- 13:01um confessor. Alguém para absolver ele, e.
- 13:04Isso quebra aquela imagem do místico autossuficiente que
- 13:07paira acima de nós, né? Totalmente, ele sabia que
- 13:11errava, e quando ele errava, não ficava dando desculpinha
- 13:15teológica para o pecado. Ele confessava para Deus, mas se
- 13:18mantinha submissão à igreja para ouvir o perdão.
- 13:21E esse nível de submissão é o que destrói qualquer leitura
- 13:24rebelde da obra dele. Numa carta, ele fala que nunca
- 13:28levantaria uma palha do chão se fosse contra uma ordem direta de
- 13:32Deus. A Liberdade dele não era
- 13:34libertinagem, era amor, ancorado na verdade.
- 13:37Perfeito. A autonomia dele não era ficar
- 13:40independente da igreja, pelo contrário, a comunhão com Deus
- 13:43dava força para ele ser humilde e submisso aos irmãos.
- 13:47E o que me deixa mais maravilhada sobre ele?
- 13:50É a tranquilidade absurda com que ele lidava com os próprios
- 13:53fracassos. Ele não se desesperava.
- 13:55Né não? Quando ele tropeçava no pecado,
- 13:58ele não entrava naquela espiral de culpa e autoflagelação.
- 14:02Ele só olhava para Deus e dizia, senhor, nunca vou fazer
- 14:05diferente. Se eu for deixado sozinho,
- 14:07entregue a mim mesmo. É uma admissão de falência
- 14:10total, mas sem pânico. E aí que a gente entra na âncora
- 14:14mais pesada da teologia dele. A graça e o sacrifício de
- 14:17Cristo. Que é a chave para entender essa
- 14:19paz toda que ele tinha. Sem entender a doutrina da
- 14:22graça, não dá para entender. O Lourenço tem uma parte que ele
- 14:25diz que a fé é suficiente para levar a alma a um alto grau de
- 14:29perfeição. E quando um reformado ouve a
- 14:32palavra perfeição, o radar já apita, né?
- 14:34Para não pecar mais nessa vida, mas lendo as cartas fica muito
- 14:38claro que ele não está falando de não pecar.
- 14:41Ele está falando do que então? De um abandono total e confiante
- 14:46nos méritos infinitos de Jesus Cristo.
- 14:49A perfeição para ele tá no objeto da fé no Cristo
- 14:52crucificado e não na performance de quem tá lá lavando a louça.
- 14:56Ah, eu amo aquela analogia que ele faz na 11ª carta para
- 15:00explicar isso. Do banquete, conta aí para quem
- 15:02está ouvindo. Ele constrói a cena de um
- 15:05criminoso, tipo o maior criminoso do Reino, sendo
- 15:08convidado para um banquete na mesa do rei.
- 15:12E servido pelo próprio rei. Que situação desesperadoras se
- 15:16você parar para pensar? Seria um inferno você comendo
- 15:19ali, sabendo de tudo de errado que fez, esperando o carrasco
- 15:23cortar sua cabeça qualquer segundo?
- 15:25É ansiedade pura. Exato, a única forma desse
- 15:29criminoso como em paz é se ele tiver no bolso o perdão oficial
- 15:33assinado pelo rei. E a segurança espiritual do
- 15:36Lourenço não estava nas virtudes dele, estava na graça e
- 15:39merecida. Nossa, essa imagem é
- 15:42sensacional. Ele só sorria no meio do caos,
- 15:45porque os crimes já estavam pagos e isso acaba de vez com a
- 15:49ideia do que étismo nocivo. Porque ele não estava sendo
- 15:52apático, não. O que artista acha que tem que
- 15:55anular a própria vontade até sumir?
- 15:58O Lourenço estava ativamente agarrado em Deus.
- 16:01Na segunda carta, ele se chama de uma Pedra bruta.
- 16:04Uma Pedra que o escultor vai trabalhar, né?
- 16:06Isso implorando para ser moldada.
- 16:09Ele fala com todas as letras que, sem a graça a cada segundo,
- 16:12eles seriam o mais miserável dos homens.
- 16:15Ele deixava claro que o perdão vinha exclusivamente do sangue
- 16:19de Cristo. Ou seja, a famosa Mística do
- 16:22chão da cozinha só funciona porque está construída em cima
- 16:25da Cruz. Se tirar o sangue de Cristo da
- 16:27equação, tudo desmorona. Vira só autoajuda.
- 16:31A panela volta a ser a panela suja, o barulho volta a ser
- 16:34insuportável e o trabalho vira condenação.
- 16:37Então, juntando as peças todas, ele quebrou o muro entre sagrado
- 16:42e secular, focou no amor, mas com uma base doutrinária forte,
- 16:46continuou submisso à igreja e dependia da graça como uma
- 16:49criança. É um quadro bem completo e com
- 16:52tudo isso, o veredito é muito claro na minha visão de teólogo.
- 16:56Manda ver. Qual o veredito dessa nossa
- 16:58análise de hoje? Praticando presença de Deus lido
- 17:00no contexto certo, não é um manual de rebeldia espiritual e
- 17:04nem o livro de passividade. Ele é um corretivo cirúrgico
- 17:08para a gente. O remédio?
- 17:09Remédio indispensável contra o formalismo frio e contra essa
- 17:13mania Moderna de trancar Deus na igreja domingo de manhã e viver
- 17:17o resto da semana como ateu prático.
- 17:19É a cura para unir mente, coração, né?
- 17:21Doutrina e devoção andando juntas.
- 17:24Exatamente. Mas é um remédio com bula, ele
- 17:27só funciona e é seguro se for balizado pela suficiência das
- 17:32escrituras, com Cristo no centro absoluto e sem negociar comunhão
- 17:36na igreja. A gente precisa de raízes muito
- 17:39profundas para que a árvore não caia com o vento, né?
- 17:42É a teologia robusta ali, nos bastidores da mente.
- 17:46Que segura a Mística de varrer o chão.
- 17:48E impede que isso vire uma grande elesia.
- 17:50Bom, pra amarrar nosso mergulho de hoje, eu quero deixar uma
- 17:53provocação final, uma sementinha pra quem tá acompanhando a
- 17:56gente. Boa joga na roda.
- 17:57O irmão Lourenço achou a presença pacífica real de Deus
- 18:01no caos barulhento de uma cozinha com uma dor no nervo
- 18:04ciático, terrível e sem reclamar.
- 18:06Pois é. A pergunta que fica é.
- 18:08Se a nossa capacidade de adorar só funciona quando o ambiente
- 18:12está com ar-condicionado, luz baixa, som perfeito e tudo sob
- 18:17nosso controle. É de se pensar.
- 18:19Será que a gente está adorando Deus soberano mesmo?
- 18:23Ou no fundo a gente só está cultuando a nossa própria
- 18:26necessidade de conforto e paz psicológica?
- 18:30É uma reflexão e tanto para levar para o resto da semana.
- 18:32Demais, né? Se você curte nosso conteúdo,
- 18:35segue a gente e deixa uma avaliação aqui na plataforma em
- 18:39que você está ouvindo e fala, o que te marcou nesse episódio até
- 18:43mais?