Latest / Radar FGV / Veto de Lula afeta tributação dos clubes, riscos do reconhecimento facial, regulação de criptoativos
Transcript
- 0:00Radar Drops informação para o seu dia olá, hoje é 2 de
- 0:05fevereiro, começa agora o radar Drops informação para o seu dia,
- 0:09sob curadoria do FGV notícias. E no nosso radar de hoje, a
- 0:14gente fala sobre uma nova disputa tributária que está
- 0:16dividindo o futebol brasileiro. Vamos analisar também o avanço
- 0:20do Reconhecimento facial e, claro, os riscos que vem com
- 0:24ele. E para fechar as novas regras
- 0:26para criptoativos que começam a valer hoje e prometem mudar o
- 0:30mercado, bom, vamos começar pelo futebol, porque uma decisão
- 0:34presidencial, uma canetada, acendeu uma polêmica daquelas.
- 0:38Um veto na reforma tributária está criando uma diferença
- 0:41enorme nos impostos que os clubes vão pagar.
- 0:44E isso pode mudar completamente o equilíbrio de forças no
- 0:47esporte. E aqui está o centro da
- 0:49discussão. Olha só.
- 0:50A partir de 2027, os clubes tradicionais, aqueles que são
- 0:53associações, vão pagar 15 e meio por cento de imposto.
- 0:57Já os clubes que viraram empresas, as safs, vão pagar bem
- 1:00menos, só 6%. É uma diferença de quase 10
- 1:04pontos percentuais. Na prática, isso significa uma
- 1:07vantagem competitiva gigantesca. O economista Cesar grafiette,
- 1:12que é um especialista em gestão de futebol, resume bem o
- 1:15problema. Para ele, a situação cria um
- 1:17desequilíbrio óbvio na competição, afinal, as safes vão
- 1:20pagar menos da metade dos impostos.
- 1:23Ele defende que, para o jogo ser justo de verdade, a regra
- 1:26tributária tinha que ser a mesma para todo mundo.
- 1:29E pra gente entender melhor quem está de cada lado, gigantes como
- 1:32o Flamengo, Fluminense, Corinthians e Palmeiras
- 1:35continuam como clubes associativos e, por isso, seriam
- 1:38os mais prejudicados. Já do outro lado, clubes que já
- 1:41se tornaram saf, tipo Botafogo, Vasco, Atlético Mineiro e
- 1:45Cruzeiro, saem na frente beneficiados pela alíquota
- 1:48menor. Mas olha essa diferença de
- 1:50impostos não é por acaso, não. Segundo Fabrício Costa Resende
- 1:55de Campos, pesquisador da FGV direito SP, existe um incentivo
- 1:59claro do governo para que mais clubes virem empresas.
- 2:02A ideia é seguir uma tendência que já acontece no mundo todo,
- 2:05buscando profissionalizar a gestão e, claro, atrair mais
- 2:09investimentos para o nosso futebol.
- 2:11Agora a gente deixa o campo de futebol para entrar no mundo da
- 2:13tecnologia e da privacidade. O Reconhecimento facial está se
- 2:17espalhando por todo o Brasil, das ruas até os estádios e,
- 2:20junto com ele, um debate cada vez mais intenso.
- 2:23Até que ponto essa vigilância toda é segura?
- 2:26E a questão central que divide opiniões é justamente essa.
- 2:30Será que essa tecnologia é uma ferramenta indispensável para a
- 2:33segurança pública, ajudando a achar foragidos e pessoas
- 2:36desaparecidas? Ou será que ela representa uma
- 2:39ameaça cada vez maior aos nossos direitos e a nossa privacidade?
- 2:44E a escala dessa vigilância no Brasil é sinceramente
- 2:47impressionante. Dados do monitor panótico
- 2:50mostram que já existem mais de 500 projetos em operação.
- 2:54O resultado? 87000000 de brasileiros vivem
- 2:57sob vigilância constante. É muita gente.
- 3:00Então, por que essa tecnologia avança tão rápido por aqui?
- 3:04Pro Felipe medon, que é professor da FGV, a resposta é
- 3:06preocupante. A gente banalizou o
- 3:09Reconhecimento facial. Ele explica que, como a gente
- 3:11não tem uma cultura forte de proteção de dados, muita gente
- 3:14ainda não se dá conta do risco que é ter seu rosto, que é um
- 3:17dado biométrico nas mãos erradas.
- 3:20E o problema não é só privacidade.
- 3:22A tecnologia tem falhas graves que afetam de forma
- 3:25desproporcional a alguns grupos. Estudos mostram que pessoas
- 3:28negras, por exemplo, tem uma chance muito maior de serem
- 3:31identificadas incorretamente por um algoritmo como criminosos.
- 3:34Idosos, indígenas, pessoas trans e autistas também são vítimas
- 3:38frequentes desses erros, o que pode levar a consequências
- 3:41seríssimas desde uma prisão injusta até o bloqueio de um
- 3:44serviço público essencial. E para fechar nosso boletim de
- 3:48hoje, uma notícia muito importante para o mercado
- 3:50financeiro. A partir de hoje, entram em
- 3:53vigor as novas regras do banco central para o setor de
- 3:55criptoativos. É uma regulação que promete
- 3:57trazer mais segurança, mas que também está gerando bastante
- 4:00preocupação. O ponto mais polêmico dessa nova
- 4:03regra é a Barreira financeira. As empresas que trabalham com
- 4:07criptoativos agora precisam comprovar um capital mínimo
- 4:11altíssimo, que pode chegar a mais de 37000000 de reais.
- 4:15É um valor bem acima do que se discutia no começo e que, com
- 4:18certeza, vai redesenhar o mapa desse mercado no Brasil.
- 4:22E qual é o risco disso tudo? O professor Jefferson Colombo,
- 4:26da FGVE esp, dá o alerta, com uma Barreira de entrada tão
- 4:30alta, poucas empresas vão conseguir operar.
- 4:32Isso pode gerar uma concentração de mercado e a consequência, com
- 4:37menos concorrência, pode ser um serviço mais caro para o
- 4:39consumidor final. Por outro lado, existe um
- 4:42otimismo no mercado. A expectativa é que, com regras
- 4:46mais claras, o ambiente fique mais seguro, diminuindo o risco
- 4:49de golpes e fraudes. Com o cenário mais estável, o
- 4:53Brasil pode finalmente atrair grandes investidores, como
- 4:56fundos de pensão, que até agora olhavam para esse setor com
- 4:59muita desconfiança. Então fica a questão, o que essa
- 5:02Nova Era vai trazer para o mercado de criptoativos no
- 5:05Brasil? Mais segurança e estabilidade ou
- 5:09menos concorrência e custos mais altos?
- 5:12Encontrar esse equilíbrio vai ser o grande desafio.
- 5:15Esse foi o radar Drops de hoje. Voltamos amanhã com mais
- 5:17notícias até lá.