Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 04 de setembro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:05ondas do rádio. Sete horas e trinta e cinco
- 0:11minutos. A gente tá no ar pra se informar
- 0:24Saber o que é que há pra se ajudar A gente tá no ar pra se
- 0:27comunicar A gente tá no ar pra se divertir Pra falar e ouvir,
- 0:33pra dançar e rir Pra ficar feliz, pra ser livre Rádio Livre
- 0:36Rádio Livre E aÃ
- 1:11Os destaques do Rádio Livre desta quarta-feira, quatro de
- 1:15setembro de dois mil e vinte e quatro.
- 1:21PolÃcia Federal realiza mais uma operação de combate ao garimpo
- 1:24ilegal na terra indÃgena Yanomami.
- 1:28Bancários têm assembleia geral hoje para deliberar sobre
- 1:31proposta da FENABAN e dos bancos públicos na campanha nacional.
- 1:38Vamos falar do combate ao racismo.
- 1:40A questão é, falar de racismo ajuda a superar o racismo?
- 1:45Este é o tema da nossa entrevista hoje com o sociólogo
- 1:48e radialista Pedro Vitor Mendes. Daqui a pouco no Rádio Livre.
- 2:04Bom dia a você que nos acompanha agora ao vivo no Rádio Livre
- 2:08aqui na Universidade FM, cento e sete vÃrgula nove megahertz.
- 2:12Nossos cumprimentos também a você que está com a gente todos
- 2:15os dias acompanhando o programa pelo podcast Rádio Livre com
- 2:19Nonato Lima. Obrigado.
- 2:41Eu queria cumprimentar também aqui e através dele cumprimentar
- 2:46novamente a todos os ouvintes. Jonas, na Granja Lisboa,
- 2:50acompanhando a gente todos os dias.
- 2:51Bom dia, Jonas. Obrigado pela audiência e
- 2:54obrigado a todos e todas vocês que nos acompanham no Rádio
- 2:59Livre. O ministro do Supremo Tribunal
- 3:07Federal, André Mendonça, prorrogou até a próxima
- 3:10segunda-feira, nove de setembro, o prazo para que o governo
- 3:14federal e órgãos e entidades federais apresentem um plano
- 3:18para prevenir e controlar o desmatamento na Amazônia.
- 3:23A decisão atendeu a um pedido da Advocacia Geral da União.
- 3:28Nesse prazo, segundo nota do Supremo, o governo deve indicar
- 3:32um portal na internet para divulgar ações e relatórios do
- 3:36que foi feito para cumprir a decisão do Supremo Tribunal
- 3:39Federal na arguição de descumprimento de preceito
- 3:43fundamental. A decisão do ministro Mendonça
- 3:46também estabeleceu o fornecimento de relatórios
- 3:49consolidados sobre as medidas adotadas anteriormente ao
- 3:53julgamento da ação. Também deverão ser incluÃdas as
- 3:56medidas que estão sendo atualmente tomadas para o
- 3:59combate ao desmatamento combate às queimadas e demais ilicitudes
- 4:03que resultam em dano ao meio ambiente.
- 4:07Isso permitirá compreender a situação em detalhes e avaliação
- 4:12dos planos apresentados pelo governo.
- 4:19O ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, solicitou ao
- 4:26Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, um plano de
- 4:30contingência para garantir a segurança energética no paÃs até
- 4:35dois mil e vinte e seis. O pedido ocorreu durante um
- 4:38encontro preparatório da reunião do Comitê de Monitoramento do
- 4:42Setor Elétrico. No encontro, o ministro das
- 4:46Minas de Energia reforçou a necessidade de acionar as
- 4:50termoelétricas devido ao perÃodo de seca verificado nos últimos
- 4:54meses. Os meses de junho, julho e
- 4:57agosto deste ano registraram o menor volume de chuvas nas
- 5:01regiões sudeste e centro-oeste nos últimos noventa e quatro
- 5:04anos. Com a piora nos reservatórios
- 5:08devido à seca, a expectativa é que haja acionamento de setenta
- 5:13a oitenta por cento das termoelétricas para garantir a
- 5:17oferta de energia e garantir também o aumento na tarifa.
- 5:22Daà a pouco chega a conta para nós.
- 5:24O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico foi criado pela
- 5:27Lei nº nº nº nº nº nº nº nº nº nº
- 5:43O comitê é formado por quatro representantes do Ministério das
- 5:47Minas e Energia e também por titulares da Agência Nacional de
- 5:51Energia Elétrica, ANEL, Agência Nacional de Petróleo, ANP,
- 5:56Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, CCEE, e
- 6:00Empresa de Pesquisa Energética, EPE, e, claro, o Operador
- 6:04Nacional do Sistema Elétrico. Eu falei em conta de energia
- 6:14subir porque, assim, quando aciona essas termoelétricas,
- 6:18além dos impactos ambientais, tem os impactos salariais, né?
- 6:25Chega a conta mais cara, muda a bandeira, né?
- 6:28AÃ, quando muda a bandeira, muda o preço para cima, para arriba.
- 6:35O salário vai para baixo e a bandeira vai para cima.
- 6:39A cobrança, a tarifa, porque quem paga...
- 6:42Quem paga imposto, tarifas, quem é?
- 6:46Nós, né? O governo é só o gerente do
- 6:51negócio, né? Nós é que pagamos tudo mesmo.
- 6:58Imposto, quem paga? Nós, né?
- 7:01Olha lá, você faz uma compra, olha lá na nota fiscal, no cupom
- 7:05fiscal, está lá embutido o valor.
- 7:09Então é isso. Vai chegar a conta daqui a
- 7:13pouco. O Ministério Público Federal
- 7:16ingressou com uma ação civil pública contra a União, pedindo
- 7:20liberação urgente de verbas para a contratação de brigadistas.
- 7:25De acordo com o órgão, no último dia, dia vinte e dois de agosto,
- 7:27foi expedida uma recomendação para a contratação de mais de
- 7:31quatrocentos e cinquenta brigadistas e disponibilidade de
- 7:36aeronaves para combate aos incêndios na região norte.
- 7:40Como o Ministério Público Federal não teve resposta no
- 7:45nÃvel administrativo, aà recorreu à justiça através de
- 7:49uma ação judicial. O Ministério Público Federal
- 7:53está pedindo de forma urgente que o governo federal libere
- 7:56verba para a contratação de quinze brigadas com trinta
- 8:00brigadistas temporários cada. E também que garanta
- 8:04equipamentos de proteção individual e de combate ao fogo,
- 8:06aeronaves com capacidade para transportar doze mil litros de
- 8:11água em cada voo e helicópteros equipados com dispersores de
- 8:15água. saber se existe tudo isso para contratar assim.
- 8:19Mas tem uma sugestão na própria ação do Ministério Público
- 8:23Federal, que é a União requisitar bombeiros militares
- 8:26de outros estados como alternativa à contratação das
- 8:32brigadas. A estimativa dos recursos
- 8:34necessários é do IBAMA em Rondônia, com quem as equipes
- 8:40devem atuar para controlar os incêndios na região norte.
- 8:44Segundo a entidade, atualmente, São apenas duzentos e cinco
- 8:48brigadistas distribuÃdos em oito bases que atendem ao estado de
- 8:55Rondônia e ao sul do Amazonas. Duzentos e cinco brigadistas
- 9:01para oito bases. Dá bem pouquinho brigadista, né?
- 9:04Dá uns... São brigadas menores do que
- 9:08essas sugeridas aqui pelo Ministério Público.
- 9:11São de trinta brigadistas. O Ministério Público Federal
- 9:14pede também que a União seja condenada a pagar cinquenta
- 9:18milhões a tÃtulo de compensação pelos danos morais coletivos.
- 9:21Se pagar os cinquenta milhões, não vai ter dinheiro para
- 9:23contratar os brigadistas. Ele vai ter que priorizar ou
- 9:26pagar multa ou contrato brigadista.
- 9:29A menos que uma parte daquele dinheiro que vai para pagamento
- 9:31da... dos juros da dÃvida possa ser deslocado.
- 9:36Generosamente, os credores da dÃvida pública têm uma crise
- 9:41emocional, crise de consciência. Isso não é possÃvel, não estou
- 9:45brincando aqui, não vou dispensar nada.
- 9:47Pelo contrário, estão adorando o juro alto, por exemplo, que é
- 9:49para ganhar mais dinheiro. Pois bem, mas o Ministério
- 9:52Público está certo, tem que garantir mesmo todas as
- 9:54condições de combater os incêndios.
- 9:56E, por outro lado... Há outro pedido dentro da ação
- 10:02civil pública, que é para a Força Nacional de Segurança e o
- 10:06Exército Bradeiro enviarem homens em quantidade suficiente
- 10:10para garantir o patrulhamento do entorno das áreas onde ocorrem
- 10:15os combates às queimadas. E ainda que os agentes
- 10:18brigadistas que trabalham na área de gestão do IBAMA em
- 10:23Rondônia e que atendem o Acre, o sul do Amazonas e o oeste do
- 10:27Mato Grosso, eles têm uma escolta, porque eles são
- 10:30ameaçados, eles correm risco de vida.
- 10:32Então está aà uma série de demandas na ação do Ministério
- 10:35Público Federal para o governo agilizar, o governo federal
- 10:38agilizar mecanismos de apoio ao combate aos incêndios.
- 10:43E claro que não está aqui na ação, mas isso já vem sendo
- 10:46feito, que é também as investigações sobre ações
- 10:52criminosas, que muitas delas a desconfiança de que são ações
- 10:55criminosas, incêndios provocados por ação humana.
- 10:59Aliás, até já há de pronunciamento de uma das
- 11:02autoridades públicas nessa área, dizendo claramente que já tem
- 11:06certeza que a ação humana tem muito a ver com a maioria, com a
- 11:11maior parte dos incêndios. A questão se é criminoso ou não,
- 11:15porque às vezes é uma ação humana, mas não é criminosa.
- 11:20à um descuido, é uma ação sem alguns cuidados de segurança e
- 11:25tal. à diferente de alguém tomar a
- 11:26decisão de tocar fogo em determinada região.
- 11:32São situações distintas. Vamos ficar na região norte
- 11:41ainda, agora para falar do combate ao garimpo ilegal, que é
- 11:47uma das formas de destruição dos recursos naturais no paÃs, mas
- 11:55lá na região mais fortemente. Quinze mandados de busca e
- 11:58apreensão e cinco mandados de prisão preventiva foram
- 12:02executados ontem pela PolÃcia Federal em Roraima e Rondônia.
- 12:07Conforme informações da própria PolÃcia Federal, a Operação
- 12:11Taurus Eros teve como focos o combate à logÃstica e ao
- 12:18financiamento das organizações que exploram o garimpo ilegal
- 12:21nas terras de Anomame. Os agentes apreenderam diversos
- 12:26bens. como, por exemplo, veÃculos e uma fazenda.
- 12:31As operações da PolÃcia Federal estavam previstas como meta
- 12:35prioritária ou estão previstas, na verdade, como meta
- 12:38prioritária do Ministério dos Povos IndÃgenas, que planejou
- 12:44trinta e duas ações até o final de dois mil e vinte e seis.
- 12:48As operações de ontem seguem a Operação Libertação Permanente,
- 12:55cujo inÃcio foi em fevereiro de dois mil e vinte e três para
- 12:59repressão ao garimpo ilegal e também A desintrusão dos
- 13:04invasores de terra. à que, além de combater o
- 13:07garimpo ilegal, tem que tirar os invasores das terras indÃgenas.
- 13:11Por isso se chama desintrusão, é tirar os intrusos.
- 13:14Está certo? Bom, ao longo de dezoito meses,
- 13:18o governo federal já realizou a desintrusão em três áreas
- 13:23consideradas vitais no Pará. Alto do rio Guamá, Apitereua e
- 13:30Trincheira Bacajá. Uma desintrusão também foi feita
- 13:35em Rondônia, na terra indÃgena Caripuna, segundo dados colhidos
- 13:41pela Casa do Governo em Roraima, que é uma espécie de governo
- 13:44federal instalado lá, um escritório do governo federal
- 13:48instalado para essa finalidade, pois segundo essa Casa do
- 13:51Governo, vinte e seis por cento, dos quase nove milhões e
- 13:57seiscentos mil hectares da terra indÃgena, são afetados pela
- 14:03mineração irregular, ilegal. Mas as iniciativas de repressão
- 14:10produziram uma queda de noventa e um por cento na mineração
- 14:13irregular em relação a dois mil e vinte e dois.
- 14:16E por que a queda? Noventa e um por cento. na
- 14:20mineração irregular, ilegal, nas terras indÃgenas e na região
- 14:24amazônica. Sabe por que está acontecendo
- 14:26isso? Porque até em dois mil e vinte e
- 14:27dois, tinha uma decisão do governo federal da época, que
- 14:31era o seguinte, não estava nem aà para os povos indÃgenas,
- 14:38claro, o sujeito lá chegou ao poder dizendo demarcação de
- 14:41terra zero, e cumpriu. Cuidados com o meio ambiente
- 14:46zero, e cumpriu. Então é por isso que, de janeiro
- 14:52de dois mil e vinte e três para cá, chega a mais de noventa por
- 14:57cento a redução de invasão, de uso ilegal da terra indÃgena
- 15:03para mineração. Até agora, a estimativa das
- 15:14operações da PolÃcia Federal é a de que o prejuÃzo aos
- 15:18financiadores de garimpos ilegais nas terras indÃgenas
- 15:21corresponda a Rm. fazer executar o serviço de
- 15:36garimpo ilegal, não. Que é ilegal?
- 15:37Ã. Está cometendo crime?
- 15:38Está. Mas tem um chefe rico, poderoso,
- 15:42que não está lá. Certo?
- 15:45Porque Rm. Rm.
- 15:47Rm. Ninguém acha em cima de calçada.
- 15:51Em março deste ano, a área do garimpo ativo... correspondia a
- 15:58quase cinco mil hectares, e a área de influência do garimpo
- 16:03era de dois milhões e seiscentos mil hectares.
- 16:06Mas com as ações agora, que começaram em fevereiro do ano
- 16:09passado, e começa de ontem, houve uma redução de mil e
- 16:15quinhentos hectares em garimpos ativos e novecentos e dezesseis
- 16:18mil hectares de área de influência em relação a essa
- 16:22situação de garimpo. Desde a implantação da Casa do
- 16:27Governo, Yanomami, Boa Vista, capital de Roraima, em vinte e
- 16:32nove de fevereiro deste ano, já foram inutilizadas, olha, depois
- 16:37das ações, depois de iniciar as ações de combate ao garimpo
- 16:40ilegal, já foram inutilizadas dezenove aeronaves, Mais de
- 16:47oitenta e seis mil litros de óleo diesel, seiscentos e
- 16:51dezessete motores e setenta antenas da Starlink.
- 16:56Esse nome lembra alguém? Lembra, não é?
- 16:59Starlink é a empresa do Elon Musk, o homem que quer ficar
- 17:03aqui sem cumprir as leis do paÃs.
- 17:06Pois é. Foram apreendidas setenta e
- 17:10cinco toneladas de caceterita e dez mil oitocentos e quarenta e
- 17:16oito quilos de ouro. Está vendo a dimensão do
- 17:21abandono que foi feito em relação à região amazônica e,
- 17:25sobretudo, Ã s terras indÃgenas e aos povos indÃgenas?
- 17:29Estava lá o crime organizado atuando... sem um combate
- 17:34adequado. E eu não estou falando aqui das
- 17:37ações dos órgãos públicos, dos servidores públicos da área,
- 17:41não. Estou falando de polÃtica de
- 17:42governo. Até em dois mil e vinte e dois,
- 17:45havia uma polÃtica de governo que simplesmente passava o pano,
- 17:50fechava os olhos para as ações ilegais de garimpeiros e
- 17:54companhia. A partir de dois mil e vinte e
- 17:59três, mudou. Estão aà os resultados.
- 18:07Rádio Livre O ministro Fernando Haddad comemorou ontem o
- 18:19crescimento de um vÃrgula quatro por cento do produto interno
- 18:25bruto do Brasil no segundo trimestre deste ano, abril,
- 18:28junho. Esse resultado deve fazer com
- 18:31que o governo promova uma nova estimativa de arrecadação de
- 18:35receitas. Ele explicou que a Secretaria de
- 18:39PolÃtica Econômica vinha projetando um crescimento entre
- 18:42um vÃrgula trinta e cinco e um vÃrgula quatro por o que foi
- 18:46confirmado agora. Haddad disse também que
- 18:49provavelmente o governo vai reestimar, estimar de novo o
- 18:55PIB, produto interno bruto, para o ano que vem, pela força que
- 18:59vem se desenvolvendo, que pode superar dois vÃrgula oito por
- 19:02cento. Ele disse que há instituições
- 19:04que já estão projetando um PIB superior a três por cento.
- 19:09Isso pode provocar uma nova projeção de receitas para o ano
- 19:13que vem. Haddad observou que a peça
- 19:16orçamentária entregue ao Congresso Nacional no final de
- 19:20julho, como manda a Constituição, se baseou em
- 19:25números de julho, como foi o caso da estimativa das receitas.
- 19:30O governo fechou o orçamento para dois mil e vinte e cinco
- 19:33com a previsão do PIB de dois e meio por cento para este ano e a
- 19:37indicação de que o desempenho da economia vai superar esse
- 19:40percentual devido ao crescimento orgânico da economia.
- 19:46A peça orçamentária entregue ao Congresso no dia trinta de
- 19:49agosto consolida o compromisso do governo em promover o
- 19:52equilÃbrio das contas públicas fundamental para o crescimento
- 19:56sustentável, disse o ministro da Fazenda.
- 20:00A previsão do superávit primário para dois mil e vinte e cinco é
- 20:04de três vÃrgula sete bilhões de reais.
- 20:07O valor do salário mÃnimo está estimado em mil quinhentos e
- 20:10nove reais para dois mil e vinte e cinco. o limite das despesas
- 20:14primárias. A gente tem uma série de outros
- 20:16detalhes em relação ao orçamento do ano que vem, que ainda vai
- 20:19ser discutido no Congresso. Foi enviado para o Congresso,
- 20:22ainda vai ser discutido adequadamente e tal, etc.
- 20:26Mas o fato é que tem umas pessoas aÃ, ou economista, ou
- 20:32candidato a economista, se achando economista, trabalhando
- 20:37já o desastre que é o crescimento do produto interno
- 20:41bruto. Sabe o que você ouve aÃ, alguns
- 20:45analistas, evidentemente que estão equivocados?
- 20:48Ah, e agora a inflação vai voltar.
- 20:50Ah, então não é para crescer não, não é para...
- 20:53Não é para... à para as estimativas todas
- 20:55ficarem para baixo? Isso é a torcida para que lado?
- 20:59Está torcendo para quem, meu amigo?
- 21:03E a economia tem que avançar. Agora, tem que avançar também no
- 21:06outro lado, no lado social. Comemora-se os ganhos na
- 21:13economia, na macroeconomia, etc. Mas vamos também buscar incluir
- 21:18aà a discussão para o ano que vem sobre salário, renda,
- 21:24emprego. Se tem essa estimativa otimista,
- 21:29por que que A atualização da tabela do imposto de renda não
- 21:34faz parte da discussão. Não estou nem dizendo que tem
- 21:39que fazer não, certo? Deveria ter, né?
- 21:41Porque é óbvio que se tudo sobe, como é que você continua pagando
- 21:46o mesmo imposto? O seu salário não é o mesmo, de
- 21:49um dia para o outro. Você dorme quando é noite e o
- 21:51seu salário está menos, certo? Porque os preços sobem.
- 21:55Aà todos os preços sobem, seu salário fica atrás, né?
- 22:01E a tabela do imposto de renda come mais do seu salário.
- 22:04Do meu também, não se preocupe. O meu também está na lista aÃ.
- 22:07O do Assis aqui. Sete e cinquenta e seis.
- 22:12Vamos fazer o intervalo na hora certa.
- 22:14Daqui a pouco a gente volta. Uns cinco minutos, seis, por aÃ.
- 22:31oito horas e um minuto Vamos falar de festa?
- 22:35Vamos lembrar da festa dos anos sessenta com a banda Luizinho
- 22:40Magalhães e banda ID Seven. Vai ser dia sete de setembro à s
- 22:43vinte e uma horas no Seminário São Vicente, lá no Antônio
- 22:47Bezerra. Você quer mais informações?
- 22:50Você liga para Ana Cristina no telefone nove nove meia oito
- 22:56cinco oito quatro meia zero. Você vai pra festa dos anos
- 23:01sessenta, se diverte e ainda colabora com com a missão do
- 23:05Seminário São Vicente. O Sindicato dos Bancários do
- 23:14Ceará convoca toda a categoria bancários associados e não
- 23:17associados para participar da Assembleia Geral hoje, dia
- 23:22quatro de setembro, Ã s dezoito horas, tendo como pauta a
- 23:26campanha nacional dos trabalhadores do ramo financeiro
- 23:29em dois mil e vinte e quatro e as propostas apresentadas pela
- 23:32FENABAN Federação Nacional dos Bancos e pelos Bancos Públicos.
- 23:37A Assembleia vai ser realizada de forma hÃbrida, presencial, na
- 23:41sede do Sindicato, rua vinte e quatro de maio, doze e oitenta e
- 23:44nove, no centro, e de forma remota, através da plataforma
- 23:48Zoom. No site do Sindicato tem o link
- 23:52para você, bancário ou bancária, seja associado ou não do
- 23:57sindicato, fazer a inscrição. Após a inscrição, aà você que é
- 24:03bancário ou bancária recebe um e-mail com a confirmação da
- 24:07inscrição e com as informações sobre como entrar. e participar
- 24:12remotamente da Assembleia Geral dos Bancários.
- 24:17Agora, tem uma recomendação do sindicato que é a seguinte, usem
- 24:20o e-mail pessoal, não usem e-mail institucional, usem o
- 24:25e-mail pessoal para participar da Assembleia Geral do Sindicato
- 24:30dos Bancários. E hoje os bancários vão decidir
- 24:33sobre o que foi apresentado pela FENABAN, E pelas direções do
- 24:37Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste,
- 24:42dentro da campanha nacional dos bancários.
- 24:47Agora são oito horas e quatro minutos.
- 24:50Vamos falar de racismo? Ã preciso falar de racismo.
- 24:55Vamos conversar agora com o Pedro Vitor Mendes.
- 25:00Rádio Livre Entrevista Estamos recebendo aqui no Rádio Livre de
- 25:06hoje o sociólogo, radialista, companheiro aqui da Universidade
- 25:10FM, Pedro Vitor Mendes. Bom dia, Pedro.
- 25:13Bom dia, Nonato. Bom dia a todos os ouvintes.
- 25:16Ã sempre um prazer poder participar desse baixo papo.
- 25:18Obrigado pela participação e pela colaboração.
- 25:21E vamos retomar, então, a temática que a gente vem
- 25:23trazendo aà a cada semana, né? Hoje, Pedro, eu queria propor a
- 25:27você que a gente falasse sobre identidade de raça.
- 25:30O que é, afinal... Como é que ela se constrói, essa
- 25:35identidade? O que ela significa?
- 25:38Sociologicamente, num debate internacional, falar de um
- 25:44processo de racialização é falar de um processo de marcadores.
- 25:50E esses marcadores acabam acontecendo muito por um
- 25:56processo de desigualdade de um grupo em relação a outro.
- 25:59Então, um grupo acaba tendo poder para determinar os
- 26:03marcadores de outro. Vou tentar trazer uma linguagem
- 26:09que seja mais fácil de entender. Quando, por exemplo, um
- 26:15nordestino... Quando é que a gente se vê como
- 26:20nordestino? Quando a gente vai para São
- 26:21Paulo. Porque antes disso, a gente se
- 26:24vê como o que? Como cearense, como
- 26:26pernambucano. Tem até uma rixa que a gente tem
- 26:28aqui entre os estados vizinhos. A gente fica no nosso dito
- 26:35popular, a gente fica fazendo hora com Potiguar, fazendo hora
- 26:39com Piauiense. A gente se entende como pessoas
- 26:42diferentes. Quando a gente vai, por exemplo,
- 26:45para o Sudeste, eles chegam e colocam todos nós no mesmo saco,
- 26:50nordestino. Por quê?
- 26:52Porque lá, historicamente, você tem um processo de concentração
- 26:59de poder. E aà esse poder, e obviamente
- 27:04que a identidade nordestina lá também está muito relacionada ao
- 27:08lugar do trabalhador, migrante. que não acumula esse poder lá
- 27:16para poder dizer, não, não, eu sou assim, eu sou cearense, eu
- 27:20sou de outro estirpe. Não, esse trabalhador, até
- 27:26porque também tem um processo aà interessante de que a
- 27:30descendência nordestina lá vira paulistana. se perde, né?
- 27:34Então, assim, você não tem essa coisa da descendência como você
- 27:39encontra, por exemplo, com os italianos, né?
- 27:40Que neto, bisneto italiano, fica dizendo que é italiano até...
- 27:43Continua italiano, né? Continua italiano pra sempre,
- 27:47né? Lá não.
- 27:49Então, assim, tem essas caracterÃsticas de que Você tem
- 27:54um grupo que chega para o outro e diz...
- 27:56Você é isso. Porque eu reconheço esses
- 27:58marcadores. No nordestino, um marcador que é
- 28:01muito forte é o sotaque. Para você reconhecer o
- 28:03nordestino. O que você não abre mão...
- 28:08O que você precisa saber é que existe o sotaque.
- 28:11Se não tiver o sotaque, você não consegue identificar o
- 28:14nordestino em São Paulo. Pode ser qualquer pessoa.
- 28:17Agora tem nordestino que consegue rapidinho assimilar o
- 28:20jeito de falar em São Paulo. Existem estratégias de fuga
- 28:27desse processo de racialização. Isso em qualquer grupo que é
- 28:33racializado, qualquer grupo que sofre esse processo, para não se
- 28:37manter o indivÃduo, como indivÃduo ou coletivamente, ele
- 28:42pode esboçar estratégias de fuga desse processo de racialização,
- 28:48desse processo de subalternização em que ele se
- 28:51encontra. Então, se eu sou reconhecido,
- 28:55por exemplo, lá no México, a identidade... que é muito
- 29:01subalternizada, são as pessoas com traços indÃgenas.
- 29:04Ou indÃgenas ou pessoas com traços indÃgenas.
- 29:07Então, o que as pessoas costumam fazer lá para fugir desse
- 29:12processo de subalternização? Elas encaracolam o cabelo. à s
- 29:15vezes, as mulheres, por exemplo, para não ter aquele cabelo liso,
- 29:20preto, que é um traço muito forte dos povos originários das
- 29:24Américas, o que elas fazem para fugir desse processo de
- 29:27racialização? Elas encaracolam artificialmente
- 29:29o cabelo para ficar mais parecida com uma pessoa de
- 29:32descendência europeia. Certo.
- 29:34à Pedro, eu queria que você... Então, assim, só finalizando,
- 29:39professor. Então, quando a gente fala de
- 29:41processo de raça num contexto sociológico, a gente está
- 29:45falando disso, né? Dessa diferença de poder em que
- 29:49um grupo tem um poder para determinar quem o outro grupo é.
- 29:55Quando a gente fala de Brasil, aà a gente entra para uma
- 29:59situação mais especÃfica. E o principal processo de
- 30:03racialização que existe no Brasil é do racismo antinegro, é
- 30:06do racismo voltado contra as pessoas negras.
- 30:09Existem outros processos de racismo no Brasil, mas o mais
- 30:15relevante e evidente em que se tem mais estudos porque é um
- 30:20processo que a gente conviveu toda a nossa história em que os
- 30:27movimentos sociais se organizaram, reivindicaram é o
- 30:30processo do racismo antinegro é o racismo contra as pessoas
- 30:33negras e aqui a maneira em que esses signos foram organizados
- 30:42para poder definir o grupo são as marcas do corpo Nem todo
- 30:48racismo usa marcas do corpo para definir quem é quem não.
- 30:52Mas no Brasil isso é que é usado.
- 30:55São as marcas do corpo para definir se você é negro, se você
- 30:58é branco. E que outras marcas seriam
- 31:03utilizadas? Por exemplo, marcas relacionadas
- 31:07à cultura. Então, quando você tem no mesmo
- 31:13paÃs pessoas cristãs e muçulmanas.
- 31:17Fisicamente, elas podem ser iguais.
- 31:19Mas, por exemplo, as mulheres costumam usar o hijab, aquele
- 31:25lenço na cabeça. Pronto, já é um marcador de
- 31:27raça. Certo.
- 31:29Então você já tem, por exemplo, se os cristãos num paÃs tem mais
- 31:33poder do que os muçulmanos, eles então vão usar esses marcadores
- 31:39para se diferenciar dos muçulmanos.
- 31:41Aqueles ali são muçulmanos. Por exemplo, às vezes acontece,
- 31:47pelas práticas religiosas, dos homens muçulmanos ter a testa um
- 31:51pouco... escurecida no meio por conta da posição de reza, de
- 31:58rezar encostando a testa no chão em reverência à Meca.
- 32:02Então, às vezes, acontece da testa ser um pouquinho mais
- 32:05escura. Pronto, já é um marcador que aÃ
- 32:07já vai no corpo. Aà você identifica.
- 32:10Então, homens, cristãos e muçulmanos podem ser fisicamente
- 32:13iguais, mas esses marcadores culturais... que, no caso, essa
- 32:20questão da testa do homem surge não biologicamente, mas é um
- 32:25marcador cultural que se impõe no corpo.
- 32:28Da mesma forma, por exemplo, os indÃgenas no Brasil, a pintura
- 32:33corporal, esses elementos são marcadores culturais, são
- 32:39marcadores que fazem parte desse processo de racialização.
- 32:44Eu queria agora retomar um conceito que você falou há pouco
- 32:47tempo, que é o de subalternização.
- 32:50O que significa isso nessa questão racial?
- 32:53Como é que se situa? Como é que ele se constrói,
- 32:56digamos assim? Subalternização a gente usa
- 32:59muito no contexto em que há um grupo subalternizado a um grupo
- 33:04dominante. à um grupo que na sua condição
- 33:09de subalterno se define pela... Falta de acesso a lugares de
- 33:15poder. Então, um grupo que não está
- 33:19subalternizado é um grupo que acessa com facilidade os espaços
- 33:24de poder. E esses espaços de poder afetam
- 33:27diretamente esses grupos subalternizados.
- 33:30Outra palavra muito comum que a gente costuma usar é minoria.
- 33:35Ah, sim. E tem um problema, né?
- 33:37Que é uma minoria que ela... A minoria, a gente pensa logo em
- 33:43valores numéricos, né? Sim, verdade.
- 33:45Só que a minoria, ela tem esse nome não por uma questão de
- 33:50número, porque senão, por exemplo, a população negra no
- 33:54Brasil seria a maioria, né? Porque está quase metade-metade,
- 33:58mas no Brasil nós temos uma população negra que supera por
- 34:04pouco a população branca. Mas a população negra é uma
- 34:09minoria. Por quê?
- 34:11Porque ela não acessa com facilidade os espaços de poder.
- 34:15Que espaços de poder são esses? Espaços de poder, por exemplo, o
- 34:19dono de uma empresa de mÃdia, de uma empresa de televisão, o dono
- 34:26de uma grande empresa, uma empresa rica...
- 34:31Os representantes que a gente escolhe para representar a gente
- 34:34no Congresso, no Parlamento, no Executivo, os governadores, os
- 34:38prefeitos. Você vai ver, então, não há uma
- 34:41representatividade, por exemplo, nesses espaços de poder de
- 34:46pessoas negras como há na população.
- 34:50Você não tem, por exemplo, em torno de cinquenta e dois por
- 34:55cento da população de pessoas que ocupam as casas legislativas
- 35:01e o executivo no Brasil, de pessoas negras.
- 35:04Você não tem essa equivalência. A mesma coisa, por exemplo, na
- 35:08universidade. A universidade também é um
- 35:09espaço de poder. Você tem ali os cientistas da
- 35:13nação brasileira. Na universidade brasileira estão
- 35:16os cientistas. E aà você tem essa tentativa de
- 35:20democratizar, por exemplo, a partir de polÃticas como a
- 35:24polÃtica de reserva de vagas, das cotas. que se voltam para as
- 35:28pessoas da escola pública e pessoas pretas e pardas.
- 35:34Certo. Agora, diante desse quadro todo,
- 35:36Pedro, eu queria que você falasse um pouquinho sobre a
- 35:37identidade negra no Brasil, como é que ela se estabelece e, daÃ
- 35:41em diante, como é que as relações na sociedade evoluem ou
- 35:48se mantêm com práticas não recomendáveis, por exemplo, de
- 35:55discriminação. Bom, se reconhecer negro no
- 35:58Brasil, eu tinha um professor que ele, assim, eu gosto muito
- 36:05de falar da minha trajetória porque eu já fui uma pessoa que
- 36:08imaginou que era parda. Muito nesse ideal de mestiçagem
- 36:14brasileira, não existe nenhuma pessoa que seja...
- 36:20Como eu pensava antes, não existe nenhuma pessoa que seja
- 36:23negra pura, nem branca pura, somos todos misturados, então
- 36:26acho que eu sou pardo. Já que eu sei que sou misturado,
- 36:29então eu sou pardo. Eu pensava assim.
- 36:32E eu cheguei para um professor e perguntei, professor... eu
- 36:36acredito que eu sou pardo. Como eu posso saber se eu sou
- 36:40pardo ou não? Então, de maneira muito rude e
- 36:43didática ao mesmo tempo, ele falou, você já foi parado pela
- 36:46polÃcia alguma vez? Hahahaha.
- 36:49Aà eu achei aquilo assim, achei de uma descortesia, né?
- 36:53Tá que eu, né? Não, não fui.
- 36:56Então você não é. Você é branco.
- 37:00Mas foi didático, porque a partir daà eu passei a refletir
- 37:05muito sobre minha identidade e percebi que identidade racial no
- 37:11Brasil está relacionada às nossas vivências.
- 37:14Ela está relacionada... E...
- 37:16Vivências... Num paÃs...
- 37:19Racista... Então...
- 37:23à medida que você coleciona determinadas situações de
- 37:31repressão, de perseguição, de quando você entra em uma loja e
- 37:37as pessoas desconfiam logo, o segurança te segue para saber se
- 37:41você não... São situações que muitas vezes
- 37:45traumatizam as pessoas que as vivenciam, né?
- 37:50São situações, mas situações também que fazem parte desse
- 37:54processo de entender onde eu estou dentro desse mapeamento
- 38:00racial, dentro desse processo de identidade que acontece dentro
- 38:07do Brasil. Então esse professor, ele foi
- 38:16rude comigo, mas foi muito didático, porque eu pude
- 38:20perceber que, embora eu não seja um branco europeu, embora em
- 38:28outros lugares eu não chegue nem perto de ser visto como um
- 38:32branco, no Brasil eu sou branco. Não tem assim para onde ir.
- 38:37No Brasil eu sou visto como branco.
- 38:39Ah, eu posso evidenciar minha cultura negra, eu posso celebrar
- 38:45minha ancestralidade negra, minha ancestralidade indÃgena,
- 38:52mas eu continuo sendo lido como branco.
- 38:56Então, assim, da mesma forma, uma pessoa negra no Brasil, ela
- 39:04pode tentar apenas celebrar ou apenas referenciar em outros
- 39:14aspectos da sua vida, apenas influências europeias, destacar
- 39:19essas influências o tempo todo, mas ela continua sendo vista
- 39:23como negra no Brasil. Eu não precisei fazer essa
- 39:25pergunta que você fez ao seu professor, né?
- 39:28A sociedade já me responde desde a infância, né?
- 39:30Você é preto. Agora eu quero inverter um
- 39:34pouquinho aqui então, professor. Que elementos você teve ao longo
- 39:38da sua vida para o senhor se perceber enquanto negro?
- 39:44São muitos, né? Mas eu vou citar só na escola,
- 39:48que na época era primeiro grau, né?
- 39:51Sexta série, por aÃ. Eu tive duas ou três situações,
- 39:57que hoje a gente chama de racismo.
- 39:58Na época eu não sabia o que era, né?
- 39:59Eu era um mero estudante, sei lá quanto tanto, né?
- 40:04Em locais de compras, por exemplo, já me aconteceu.
- 40:08Eu estive numa livraria que eu comecei a juntar livros porque
- 40:10eu ia comprar, né? E aà um...
- 40:13Aliás, um segurança da minha cor.
- 40:18Me seguiu, me seguiu, me seguiu. Chegou uma hora que ele
- 40:20perguntou, o que você está fazendo aqui?
- 40:22Eu disse, eu estava. Eu ia comprar livros, mas você
- 40:25está me perturbando, eu vou embora.
- 40:27Deixei tudo lá e não comprei os livros.
- 40:29Lamentei, mas não comprei os livros.
- 40:31Também situação com polÃcia. Abordagem.
- 40:35Tanto abordagem como não abordagem.
- 40:38Você percebe a diferença. Você está no lugar em que quem é
- 40:41abordado e quem não é abordado, você percebe que há nessas
- 40:44situações. Só para indicar alguns pontos.
- 40:47Isso é muito importante, porque os estudos, além da vivência, a
- 40:53vivência é muito importante para todo mundo se entender, mas a
- 40:57vivência é respaldada pelos estudos cientÃficos.
- 41:00E os estudos cientÃficos corroboram exatamente isso que o
- 41:03senhor trouxe na sua vivência particular.
- 41:05Por exemplo, que crianças negras já sofrem o racismo dentro da
- 41:10escola, seja por parte dos coleguinhas, seja pelos agentes
- 41:14da educação, que às vezes não têm nem consciência disso.
- 41:18Você tem, por exemplo, crianças que já percebem que a professora
- 41:25ou o professor dá mais atenção para aquele coleguinha que é
- 41:28mais branco, que tem caracterÃsticas mais europeias,
- 41:31que aquele coleguinha tende a ser mais mimado pelo professor.
- 41:36Então, você vê isso refletido, por exemplo, na evasão escolar.
- 41:42dentro do ensino público dentro do ensino público no ensino
- 41:46privado nem se fala porque a representatividade no ensino
- 41:49privado você tem uma grande a grande maioria dos estudantes
- 41:54são brancos ali mas no ensino público a evasão escolar é maior
- 42:01entre estudantes negros e isso se deve ao racismo que eles já
- 42:05vivenciam dentro e fora da escola então assim Uma evidência
- 42:12que eu tive, que eu era branco no contexto brasileiro em que eu
- 42:15vivi, é quando eu me defrontei com esses dados cientÃficos
- 42:20sobre racismo no Brasil, por exemplo, esses que eu acabei de
- 42:23citar, que são dados coletados, dados sérios, são dados com
- 42:31uma... Com um processo já de
- 42:35amadurecimento dentro da ciência brasileira, nós já temos
- 42:39reflexões sobre esses dados, revisão sobre esses dados
- 42:43estatÃsticos, etc. Quando eu me defrontei com tudo
- 42:46isso, e eu, meu Deus, como eu nunca senti esse racismo no
- 42:51Brasil? A resposta era muito evidente,
- 42:54porque eu era branco. Então, eu podia passar ao largo
- 42:57dessas vivências que o senhor, por exemplo, não pôde.
- 43:03Então, como branco, eu pude passar ao largo de tudo isso e
- 43:06aà foi que eu percebi que não era justo.
- 43:10Por mais que eu seja um branco, que eu não seja um branco como,
- 43:16por exemplo, brancos europeus ou brancos dos Estados Unidos ou
- 43:19brancos de outros lugares, né? que onde eu estaria, eu seria
- 43:24reconhecido como latino, seria outra coisa.
- 43:26Ou então talvez, por exemplo, na França eu poderia ser visto como
- 43:31árabe. Aqui no Brasil, eu sou visto
- 43:34como branco, pelo processo histórico brasileiro.
- 43:38Então, a todos os ouvintes que estão nesse instante se
- 43:41refletindo, o que eu sou afinal? Sou pardo, porque eu sei que sou
- 43:47miscigenado, sou branco... Repense a sua vida, repense as
- 43:52situações que você viveu, as situações de racismo.
- 43:56Porque se você for pardo, porque assim, pardo faz parte da
- 44:00população negra brasileira. Sim.
- 44:02No IBGE é assim que... Preto e pardo se somam.
- 44:07Preto e pardo compõem a população negra no Brasil.
- 44:13Se você... sabe que vivenciou situações de racismo você
- 44:20revisando a sua vida você consegue identificar situações
- 44:26em que foi preterido por uma caracterÃstica fÃsica sua que
- 44:31uma coisa que você iria conquistar não conquistou porque
- 44:35você percebe que estava relacionado a uma caracterÃstica
- 44:39fÃsica. Alguma pessoa que falou que é
- 44:42porque a vaga de emprego requer boa aparência, ou então uma vaga
- 44:45de emprego estava disponÃvel e do nada, de repente, ela não
- 44:48está mais disponÃvel para você. Então você começa a colecionar
- 44:54algumas situações na sua vida que podem indicar que você de
- 44:58fato é uma pessoa negra. Aà você define se é preto, se é
- 45:03pardo, mas que você é negro é porque você vivenciou racismo.
- 45:07Agora, se você não tem essas vivências...
- 45:10Ah, mas eu, por exemplo, eu não acho que sou negro, mas na minha
- 45:17turma a minha coleguinha que é loira, que tem olhos claros,
- 45:22sempre conseguiu mais coisas do que eu.
- 45:24Não, mas isso também acontece da mesma forma como a população
- 45:27negra. Você tem gradações de cor e as
- 45:31pessoas mais claras na população negra vão ter algumas vantagens
- 45:35em relação à população negra mais escura.
- 45:38Isso também acontece nos brancos.
- 45:40Os brancos que têm traços mais europeus vão levar vantagem em
- 45:45várias situações do que os brancos que não têm tantos
- 45:49traços europeus. Isso faz parte da nossa nação
- 45:54mestiça, mas que a mestiçagem não destrói essas barreiras.
- 45:59Nós temos racismo no Brasil e temos essa divisão entre brancos
- 46:02e negros. Certo.
- 46:03Agora, nós temos pouco tempo aqui para concluir, uns dois
- 46:06minutos. Eu queria que você falasse um
- 46:09pouco, que as pessoas perguntam, olha, mas você está falando de
- 46:13racismo, isso não acaba aflorando um racismo que não
- 46:18existe, digamos assim? O que você me diria disso?
- 46:21Porque eu já ouvi algumas observações de algumas pessoas.
- 46:24Eu diria que não é fingindo que um problema não existe que ele
- 46:29vai desaparecer. Não é, por exemplo, a pobreza no
- 46:33Brasil. Existe a pobreza no Brasil.
- 46:35Vamos fingir que a pobreza não existe?
- 46:37Que ela desaparece? Não, não é assim.
- 46:39Ela fica negligenciada. E durante muito tempo no Brasil
- 46:43a questão racial foi negligenciada.
- 46:44Por exemplo, na ditadura, nem dados.
- 46:48O Brasil tem uma longa tradição de coleta de dados sobre
- 46:52identidade racial. De quantos são brancos, quantos
- 46:55são negros. Isso, temos mais de um século de
- 46:58tradição a despeito dos nossos vizinhos.
- 47:01A América Latina, infelizmente, não tem essa tradição de dados
- 47:04como o Brasil tem. Isso, inclusive, fortaleceu o
- 47:07movimento negro, porque o movimento negro teve condições
- 47:10de dizer, olha, nossas reivindicações não são delÃrio
- 47:12da nossa cabeça, não são uma vivência pessoal e subjetiva de
- 47:18cada um. Nós temos dados que corroboram
- 47:21que estamos vivendo num sistema racista.
- 47:23Está aqui. Queremos polÃticas públicas
- 47:25voltadas para acabar com isso. Isso fortaleceu o movimento
- 47:29negro, esses dados. Mas, durante a ditadura... esses
- 47:34dados não foram mais pesquisados.
- 47:37Você tem um vácuo ali, por exemplo, na ditadura militar,
- 47:40sobre a população negra e branca no Brasil.
- 47:45Assim como indÃgena, amarela. Você tem um vácuo ali.
- 47:50E o fato de você não pesquisar não impediu que o racismo
- 47:55continuasse acontecendo. Fingir que o racismo não existe,
- 48:01fingir que não existe uma divisão entre pessoas brancas e
- 48:06negras que prejudica as pessoas negras, porque, assim, divisão
- 48:12de caracterÃsticas fÃsicas diferentes, quando não
- 48:16prejudicam pessoas que têm essas diferenças...
- 48:21Aà você não tem uma situação de racismo.
- 48:25Por exemplo, pessoas com o nariz comprido e com o nariz curto.
- 48:30Você não tem essa divisão no Brasil hoje.
- 48:32Por quê? Porque historicamente não foi
- 48:37construÃda essa racialização, por exemplo, de pessoas com o
- 48:40nariz comprido para dizer que elas valem menos ou são
- 48:44inferiores às pessoas de nariz curto.
- 48:46Não tem. Uma caracterÃstica assim, para
- 48:49pegar uma caracterÃstica fÃsica qualquer.
- 48:51Mas você existe no Brasil um processo, uma reprodução de
- 48:57racismo, um processo de construção dessa diferenciação
- 49:01que se faz entre pessoas de pele mais escura e pessoas de pele
- 49:06mais clara. Então, sim, você vai ver, você
- 49:12vai perceber esse processo sendo construÃdo no Brasil através das
- 49:18caracterÃsticas fÃsicas. Pedro Vitor Mendes, sociólogo,
- 49:22radialista, companheiro aqui da Rádio Aniversária, a gente
- 49:24aguarda você. Obrigado por hoje e a gente
- 49:26aguarda você na próxima quarta-feira. para tratar dessa
- 49:30temática aÃ. Professor, mais uma vez, eu que
- 49:32agradeço o convite e agradeço aos ouvintes também pelo
- 49:37interesse e pela paciência. à sempre um prazer.
- 49:42Obrigado a você e aos que nos acompanham no ar, ao vivo, na
- 49:45Universidade FM e no podcast Rádio Livre com Donato Lima.
- 49:49Amanhã a gente volta com mais um...
- 49:51Rádio Livre aqui na Universitária FM e no podcast.
- 49:54E você pode reouvir a entrevista com o Pedro Vitor Mendes no
- 49:58podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 50:00Obrigado, até amanhã. A Universitária FM apresentou
- 50:07Rádio Livre.