Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / O CHAMADO DA CORAGEM #XXI - A CORAGEM DE SE COMPROMETER (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05Senhoras e senhores, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do
- 0:11Circo do Clube do Livro. Estou aqui com o Bruno Maia
- 0:15Soares. Como estamos?
- 0:18Bruno Clown. E eu particularmente estou
- 0:20comprometido com esse episódio aqui.
- 0:21Olha aí. Quero saber quem está ouvindo.
- 0:23Isso também está comprometido, né?
- 0:24Porque a gente vai falar justamente sobre a coragem de se
- 0:26comprometer. A coragem de se comprometer.
- 0:29Isso aqui é interessante mesmo antes de ler.
- 0:32Porque se comprometer de fato exige coragem.
- 0:37Vamos direto para a leitura. Vamos nessa.
- 0:39Vai aquecendo aí você que está no treino.
- 0:43Tem aqui uma leitura para te estimular a fazer um excelente
- 0:46treino. Você que está em casa, que está
- 0:47aí no trânsito também. Chega junto e vamos nessa.
- 0:51A história de Theodore Roosevelt, escreveu o biógrafo
- 0:54Herman Hagedorn, é a história de um garotinho que leu sobre
- 0:58grandes homens e decidiu que queria ser como um deles.
- 1:03Dá para detectar um leve toque de desdém, não dá?
- 1:06Roosevelt realmente acreditava em si mesmo, em histórias, em
- 1:11algo maior do que ele. Ainda hoje, muitas pessoas acham
- 1:14isso absurdo, até mesmo perigoso.
- 1:16O alerta consta até mesmo na Bíblia.
- 1:19Quando me tornei homem... Deixei para trás as coisas de
- 1:22menino. De Gaulle, voltando a ele, foi
- 1:25alvo de zombarias parecidas. Acreditava honesta e
- 1:28sinceramente na grandiosidade da França.
- 1:31Achava que o destino existia. A França é um grande poder,
- 1:35dizia repetidamente. Uma alegação absurda quando o
- 1:38país jazia prostrado. A mercê dos aliados por um lado
- 1:42e em colaboração passiva com os nazistas do outro.
- 1:46Você lê algumas de suas falas e acha graça.
- 1:48Nosso lado cínico é profundo. Queremos que as pessoas cresçam,
- 1:52que encarem a realidade, que superem os contos de fadas.
- 1:57Mas sem essa crença, sem a coragem de seguir em frente,
- 1:59apesar da condescendência, das críticas, da futilidade, onde
- 2:03estaríamos? Com certeza, se De Gaulle
- 2:07tivesse se importado menos com a França, teria arriscado menos
- 2:10para salvá-la. Teria se arriscado menos, né?
- 2:14Foi a fé sincera no destino, uma fé quase constrangedora, que o
- 2:18impeliu a escrever a história. Com a sua força de vontade, ele
- 2:22fez o papel de um grande homem e reformou uma grande nação no
- 2:24processo. Para Roosevelt, se importar era
- 2:28uma fonte de coragem. Foi o que o motivou a convidar o
- 2:33T. Washington à Casa Branca, apesar
- 2:36da hesitação. Foi esse o motivo porque ele
- 2:40subiu montanhas para atacar e enfrentar o inimigo, porque se
- 2:43recusou a ceder sob a pressão de interesses corporativos e porque
- 2:48resistiu à superioridade arrogante e à indiferença de sua
- 2:51classe social. Como disse o general Mattis,
- 2:56cinismo é covardia. É preciso coragem para se
- 2:59importar. E aqui um trecho que eu
- 3:01destaquei. Só os corajosos acreditam,
- 3:03especialmente quando todas as outras pessoas estão cheias de
- 3:06dúvidas. Essa é do caralho.
- 3:11Essa é do caralho. Só os corajosos acreditam
- 3:15especialmente quando todas as pessoas tiverem dúvidas.
- 3:19Porque quando não houverem dúvidas, não se exige coragem.
- 3:27Se tá muito óbvio, isso vale pro empreendedorismo, isso vale pros
- 3:29investimentos. Não vale pra tanta coisa.
- 3:33Puta que pariu. Vão rir de você.
- 3:37Perdedores sempre se reuniram em grupinhos para falar sobre
- 3:41vencedores. Os desesperados sempre zombaram
- 3:44dos esperançosos. Os temerosos fazem o máximo para
- 3:47convencer os corajosos de que não faz sentido tentar.
- 3:49Desde os tempos dos sofistas, os acadêmicos, seja qual fosse o
- 3:54motivo mesquinho, usaram sua inteligência considerável para
- 3:57turvar as águas em vez de clareá-las.
- 4:00Essa é a neblina que os corajosos precisam atravessar.
- 4:03A estrada cheia de pedregulhos pela qual avançamos não é
- 4:07ladeada por pessoas que torcem por nós, mas sim por gente que
- 4:11quer nos desviar do caminho e nos convencer a desistir.
- 4:15É muito mais provável que alguém tente convencer você de que algo
- 4:18não importa, de que sua ação não fará diferença, do que você ser
- 4:21ameaçado ou intimado a tentar. É preciso força para permanecer
- 4:25fiel aos seus ideais, para continuar a se importar, para
- 4:27ser explícito e sincero sobre o que amigos educados parecem
- 4:31considerar grosseiro. É por isso que nem sequer
- 4:36gostamos de falar sobre coragem, muito menos sobre virtude.
- 4:39Antiquada, constrangedor, é tão legal quanto um cartaz
- 4:43motivacional pendurado acima da sua cama.
- 4:46É melhor agir como se você fosse melhor do que isso, para que não
- 4:49seja julgado por não ter conseguido.
- 4:53Muito forte esse parágrafo aqui. Quem pegou, pegou.
- 4:58Mas será que alguém já realizou alguma conquista em uma área com
- 5:01a qual não se importava? Será que alguém já fez a coisa
- 5:03certa por ironia? Ninguém se tornou grande sem
- 5:06acreditar que valesse a pena fazer determinada coisa.
- 5:09Ninguém é corajoso sem primeiro enfrentar e triunfar sobre o
- 5:12cinismo e a indiferença. Não tema a grandeza, disse
- 5:16Shakespeare. Permita que ela se infiltre em
- 5:18seu sangue e em seu espírito. Lute por ela.
- 5:22Quem se importa se eles não entendem?
- 5:24Aqueles que riem de seu avanço são aqueles que nem sequer
- 5:27conseguem imaginar dar o primeiro passo em um terreno
- 5:32incerto. Você provará que estão errados.
- 5:35E mesmo que não prove, pelo menos foi corajoso o bastante
- 5:37para tentar. Nilismo é para perdedores.
- 5:43Comentários, Bruno? Não, para a gente ir para o
- 5:45próximo capítulo aqui, vou passar para você enquanto você
- 5:48pensa aí, mas uma coisa interessante aqui que eu gosto
- 5:51é, sempre com as ponderações, lembrando o Ricardo Canella,
- 5:59cuidado com esse negócio que você cai mil vezes e levanta,
- 6:01porque às vezes você não consegue levantar.
- 6:04Mas tem um lado positivo da dificuldade de levantar caso ele
- 6:08exista, que é você olhar para trás com orgulho da sua
- 6:12história. Eu acho que nas eleições o Pablo
- 6:17Marçal, que é um exemplo ruim porque ele vai afastar muitas
- 6:19pessoas. Falou Pablo Marçal, então tem
- 6:21gente que já fechou o podcast aqui.
- 6:24E ele pode não ser nem verdadeiro.
- 6:28Mas, quando perguntavam assim, muitas pessoas perguntaram, por
- 6:30que você estava se metendo com política e tal?
- 6:32Ele fez assim, porra, velho, assim, eu tinha resolvido
- 6:35financeiramente. Uma família grande, e aí eu
- 6:40disse assim, mas eu achei que quando os meus filhos me
- 6:44questionassem, ou quando eu mesmo me questionasse na minha
- 6:47velhice sobre o que é que eu fiz, eu teria uma sensação de
- 6:52covardia sobre ter visto o que eu vi e ver que eu tinha
- 6:55condições de brigar aqui e ter recuado nessa briga.
- 6:59Então não, com essas palavras ele me falou isso desse jeito.
- 7:02Mas a marqueteira era tudo mentira, tudo bem.
- 7:03Isola, esquece pra amassar, mas é você com você mesmo, né?
- 7:06Você olhar pra trás e falar, porra, dei cabeçada pra caralho
- 7:09aqui. Achei que seria por aqui, não
- 7:11foi, foi outra coisa. Isso me custou algum dinheiro,
- 7:14isso me custou algum tempo, mas eu tenho muito orgulho de ter
- 7:19enfrentado essa batalha. Acho que isso tem um valor
- 7:23também, difícil de quantificar, mas tem um valor.
- 7:25Brunão. Eu separei duas frases aqui que
- 7:29eu gostei muito desse capítulo, que a primeira é, só os
- 7:32corajosos acreditam, especialmente quando todas as
- 7:34outras pessoas estão cheias de dúvidas.
- 7:36Eu acho que a coragem vem daqui, de você tentar enxergar alguma
- 7:39certeza, entre várias aspas aqui, quando todo mundo está
- 7:42vendo dúvidas. Tem um pouquinho disso.
- 7:45E a outra frase que eu separei foi, são duas frases na verdade,
- 7:49você provará que estão errados. Isso aqui é que dá aquele
- 7:52combustível para você ser corajoso.
- 7:54Mas, mesmo que você não prove, pelo menos foi corajoso o
- 7:57bastante suficiente para tentar. Um pouco disso, né?
- 8:01Exatamente. Eu vi um exemplo do gosto de
- 8:04provar que estão errados recente.
- 8:07Muito interessante. Infelizmente, eu não posso falar
- 8:10aqui no podcast, mas é muito interessante.
- 8:12A pessoa tinha vencido uma guerra corporativa tremenda.
- 8:18Parecia que o falar que estão errados tinha um gosto talvez
- 8:23mais presente do que a vitória em si.
- 8:27E é isso, se é combustível está valendo, que nos leva mais
- 8:30longe. Eu vou tentar ler o homem ao
- 8:33próximo, que é esse próximo capítulo, mais objetivamente,
- 8:35porque tem um terceiro aqui que se encaixar nesse episódio vai
- 8:38ser maravilhoso, que é ser ousado não é ser imprudente.
- 8:41Então o autor pode contra-argumentar algumas das
- 8:45provocações que eu fiz no último episódio aqui do Clube do Livro.
- 8:48Vamos lá. Ame o próximo.
- 8:50Esta história representa a base da indiferença e da
- 8:53insensibilidade, uma prova de que há algo profundamente errado
- 8:56com o mundo moderno. Em março de meia, quatro às três
- 8:59da manhã, uma jovem chamada Kiri Tinoves foi brutalmente
- 9:02estuprada e esfaqueada na frente do prédio onde morava.
- 9:05Seus gritos por socorro foram ignorados, à medida que os sons
- 9:08do assassinato reverberavam pela vizinhança.
- 9:10Mais de trinta pessoas aumentaram o volume de seus
- 9:13televisores, se viraram na cama ou fingiram que nada estava
- 9:16acontecendo. Por quê?
- 9:18Medo, egoísmo, alienação. Talvez tenham pensado que alguma
- 9:23outra pessoa tomaria a atitude. Talvez não acreditassem que
- 9:26pudessem tomar uma atitude. A covardia e a indiferença da
- 9:30comunidade deram tanto respaldo aos atos do estuprador e
- 9:33assassino em série que ele voltou para roubar USF.
- 9:38O que teríamos feito se estivéssemos em um dos
- 9:40apartamentos próximos do local do crime naquela noite?
- 9:43Será que um ano com seiscentos e trinta e seis assassinados em
- 9:46nossa vida tribulada teriam nos dessensibilizado aos gritos de
- 9:49uma mulher morrendo? Embora essa história tenha
- 9:52passado a representar todos os males do mundo moderno, na
- 9:54verdade, um dos vizinhos de Kitty não estava tão alienado
- 9:57quanto os outros, até mesmo mais de um.
- 10:00Um vizinho, ouvindo os sons, telefonou para Sofia Farrar, que
- 10:04morava no prédio, para dizer que achava que Kito estava em
- 10:06perigo. Sem pensar na própria segurança,
- 10:09Sofia, na casa dos trinta anos e com o bebê no apartamento,
- 10:11vestiu-se rapidamente e correu. Em direção aos gritos, encontrou
- 10:16Kitty encostada na porta do prédio, mantendo-a fechada com o
- 10:19peso do corpo. Abrindo a porta com cuidado,
- 10:22Sofia encontrou a mulher quase morta, encharcada com o próprio
- 10:24sangue, esfaqueada no peito e nos pulmões.
- 10:27Sussurrando com delicadeza, Sofia tentou desesperadamente
- 10:29salvar a vida de Kitty e gritou até que alguém chamasse os
- 10:32paramédicos. Encorajou a vizinha a esperar,
- 10:34dizendo que a ajuda estava a caminho.
- 10:35Disse a mulher, à beira da morte, que ela era amada, que
- 10:38estava lá com ela. Era tarde demais.
- 10:41Kitty morreu devido à hemorragia da ambulância a caminho do
- 10:43hospital. Só espero que ela soubesse que
- 10:46era eu, que ela não estava sozinha, disse Sofia.
- 10:50Sim, a história de Kitty Genovese é uma história de
- 10:53covardia e indiferença, mas também de uma amiga tomando
- 10:56outra nos braços em seus últimos momentos, do conforto e da
- 10:59bondade que ainda são possíveis em um mundo em que pessoas
- 11:03demais desistiram. Que tipo de amigo e de vizinho é
- 11:06você? Kitty Genovese era uma mulher
- 11:09lésbica e começava a viver abertamente com a namorada, o
- 11:13que não era um posicionamento qualquer em mil novecentos e
- 11:15sessenta e quatro. Mas ela e Sofia eram amigas, que
- 11:18faziam mais do que se cumprimentar no corredor.
- 11:21Às vezes, Kitty levava o filho de Sofia de carro para a escola.
- 11:24Sofia cuidava do pulo do casal quando elas viajavam.
- 11:27Estavam disponíveis uma para a outra, como vizinhos devem
- 11:29estar. Ajudavam-se mutuamente, como
- 11:32vizinhos devem fazer. E naquele momento importante,
- 11:35quando uma tragédia aconteceu com o kit, Sofia apareceu.
- 11:39As pessoas glorificam todo tipo de coragem, exceto a coragem que
- 11:43podem demonstrar em prol dos vizinhos mais próximos.
- 11:45Observou George Eliot em Middlemarch, um estudo da vida
- 11:49provinciana. Sofia Farrar não é o tipo de
- 11:51pessoa em que nos concentramos. Não foi mencionada no famoso
- 11:55artigo do The New York Times, que chamou a atenção de milhões
- 11:58de pessoas para o caso. Nunca deu entrevistas, nunca
- 12:00recebeu atenção, nunca sequer se defendeu contra a insinuação de
- 12:05que estava entre os vizinhos indiferentes e covardes.
- 12:08No entanto, o fato de nunca ter recebido crédito e de não ter
- 12:11conseguido salvar Kitty não diminuíram sua coragem.
- 12:14O que importa é que Sofia tentou, correu para a cena do
- 12:18crime. sem nem pensar na própria segurança.
- 12:21Gritou por ajuda, ofereceu conforto.
- 12:23Ela se importou. É o que os heróis fazem.
- 12:30Não teremos sucesso sempre, mas precisamos tentar.
- 12:35Não podemos endurecer nosso coração nem aumentar o volume da
- 12:37televisão. Não precisamos esperar por algum
- 12:39momento gigantesco. O que importa é o que façamos
- 12:43todos os dias, por nós mesmos e pelas outras pessoas.
- 12:47Isso é foda. Isso aqui, inclusive, é um...
- 12:49Acho que é uma inserção interessante pro Money Heroes,
- 12:53né? Que é um evento, assim, com essa
- 12:56provocação dos heróis do dinheiro, né?
- 12:58A gente tem essa brincadeira do salvo investidor e tal.
- 13:00E é que... Pô, o que importa é que ela
- 13:04ofereceu conforto, se importou, é o que heróis fazem.
- 13:07Não teremos sucesso sempre, mas precisamos tentar.
- 13:11Não podemos... Endurecer nosso coração nem
- 13:15aumentar o volume da televisão. Não precisamos esperar por algum
- 13:18momento gigantesco. O que importa é o que façamos
- 13:21todos os dias. Por nós mesmos e pelas outras
- 13:23pessoas. Tenho orgulho de ter decidido
- 13:26logo no começo, declarou Varlam Shalamov sobre a provação que
- 13:30viveu na Gulag, que eu nunca seria um capataz se minha
- 13:34liberdade pudesse resultar na morte de um outro homem, se
- 13:37minha liberdade servisse para que chefes oprimissem outras
- 13:40pessoas, prisioneiros como eu. Tanto minha força física quanto
- 13:44minha força espiritual acabaram se revelando maiores do que eu
- 13:48imaginava naquela grande provação e tenho orgulho de
- 13:50nunca ter vendido ninguém. de nunca ter enviado ninguém para a
- 13:53morte, nem para outra sentença, e de nunca ter denunciado
- 13:57ninguém. Pois bem, a liberdade do mundo
- 14:00moderno e a liberdade do sucesso não significam que temos a
- 14:04liberdade para não nos importar. Não são uma permissão para ser
- 14:07indiferente. Sim, você tem muitas coisas com
- 14:10as quais precisa lidar. Sim, grande parte do mal que
- 14:12existe no mundo não é culpa sua. Ainda assim, você não pode tapar
- 14:16os ouvidos para os gritos de alguém inocente por perto.
- 14:21A vizinha de Anne, Frank, Miep Geis, mais ou menos da mesma
- 14:25idade de Sofia, arriscara-se durante meses para proteger e
- 14:29fornecer suprimentos para a família judia escondida no
- 14:32sótão. Hoje também sabemos como essa
- 14:34história terminou. O vizinho as ou se traiu, mas
- 14:39precisamos nos concentrar nas pessoas que se esforçaram com
- 14:41valentia para evitar que isso ocorresse.
- 14:43Como a Geis explica, precisamos ter coragem para ajudar, mesmo
- 14:47que se trate de uma batalha sem esperança de vitória.
- 14:50Qualquer tentativa de ação é melhor do que a inação, refletiu
- 14:54ela anos depois. Uma tentativa pode dar errado,
- 14:57mas a inação inevitavelmente resulta em fracasso.
- 15:00Devemos tentar, porque se não fizermos isso, quem o fará?
- 15:05Não podemos simplesmente nos queixar da escuridão em que o
- 15:08mundo em que vivemos está mergulhado.
- 15:10Precisamos procurar a luz, precisamos ser a luz para os
- 15:13nossos vizinhos mais próximos, uns para os outros.
- 15:17Duas coisas, uma coisa inteligente e uma coisa que eu
- 15:19gosto muito desse capítulo. Inteligente é para abordar um
- 15:23tema que o autor considera relevante, ele usar uma história
- 15:26tão forte. Inevitavelmente você presta
- 15:29atenção aqui, porque a história é muito forte.
- 15:33E o que eu gosto assim, velho, é que ele conta grandes feitos e
- 15:38tal, mas ele sempre traz para... o leitor numa posição de
- 15:43protagonista. Então assim, foda-se tudo, mas
- 15:47devemos tentar. Você tem que tentar.
- 15:49Traz muito pra você. Então isso me agrada aqui.
- 15:54Brunão, comentários. Eu vi que você tá com um trecho
- 15:57marcado aí, né? Eu gostei dele ter usado uma
- 16:00história de pessoas comuns, né? Não pessoas famosas e tal.
- 16:04Isso foi legal. E também uma história que meio
- 16:07que deu errado, né? Afinal das contas, a mulher
- 16:09morreu. Mas ele trouxe aqui a lição, né?
- 16:14De tentar mesmo dando errado. Tentar.
- 16:16Por que não tentar? Porque a...
- 16:19A inação vai resultar em fracasso.
- 16:22Então, por que não agir? Por que não tentar evitar esse
- 16:26fracasso? Eu gosto dessa visão.
- 16:29Muito bom. Realmente muito bom.
- 16:31Os dois comentários muito bons. E eu acho que a gente está aqui
- 16:35com o dezessete. A gente pode avançar aqui para a
- 16:37ousadia e a imprudência. Pois bem, vamos seguir aqui com
- 16:42a leitura. Ser ousado não é ser imprudente.
- 16:46Um homem corajoso vale por uma multidão.
- 16:48Isso é inspirador, também é perigoso.
- 16:51E se o homem estiver errado? E se for um egomaníaco?
- 16:55E se a causa for injusta? É assim que déspotas surgem e
- 16:59regimes assassinos são construídos.
- 17:01É assim que seitas religiosas se tornam cultos apocalípticos.
- 17:06Um homem pode, com muita facilidade, levar a si mesmo e
- 17:09uma multidão a saltar de um penhasco.
- 17:12Portanto, é importante que compreendamos que a coragem,
- 17:15como a virtude, deve ser colocada na balança com outra
- 17:19virtude igualmente importante, a moderação.
- 17:23Na verdade, Aristóteles usava a coragem para ilustrar o conceito
- 17:30de moderação. Coragem, dizia ele, era o meio
- 17:33termo entre dois vícios, a covardia, o vício mais
- 17:36conhecido, e a imprudência, igualmente perigosa.
- 17:41Então é aquele equilíbrio ali, que nem covarde nem imprudente
- 17:46no meio do caminho tem a coragem.
- 17:48Em relação à carga da Brigada Ligeira, foi dito que Lord
- 17:52Lucan, que deu a ordem, era um idiota cauteloso ao extremo,
- 17:57enquanto Lord Cardigan, que liderou a carga suicida sem
- 18:00questioná-la, era um idiota imprudente.
- 18:03Ambas as características são ruins, mas tendemos a repreender
- 18:07a primeira mais do que a segunda."
- 18:10Então, repreender a primeira, que é a cautela, mais do que a
- 18:17segunda, que é a imprudência. Pois bem, é um erro.
- 18:21O medo, pelo menos, pode proteger uma pessoa.
- 18:24O destemor completo é uma receita para a ruína.
- 18:29Até usamos aqui a expressão do risco da ruína.
- 18:32Marco Aurélio se empenhava em ser nem imprudente nem
- 18:34hesitante, tampouco confuso ou perdido, não obsequioso,
- 18:38tampouco agressivo ou paranoico. O líder, assim como o
- 18:41adolescente que sai por aí arrumando briga, acabará sendo
- 18:44superado e perderá provavelmente mais do que somente o orgulho.
- 18:48Pior ainda, quem sabe quem mais pode ser arrastado a pagar por
- 18:53sua arrogância. Existe uma história sobre um
- 18:56soldado espartano reconhecido pela bravura quase sobre-humana
- 18:59em uma guerra contra Tebas. Contudo, depois da luta, os
- 19:02governantes da polis chamaram sua atenção por lutar sem
- 19:05armadura, uma vez que o homem estava colocando
- 19:08desnecessariamente em risco um bem espartano, ele próprio.
- 19:12Coragem não tem a ver com quem é mais bem dotado ou de bravatas.
- 19:15Coragem não significa não usar um capacete quando está andando
- 19:18de moto, porque você se considera invencível.
- 19:21Coragem tem a ver com correr riscos, mas somente riscos
- 19:23necessários. Riscos ponderados com cuidado.
- 19:27Isso aqui é foda, né? Porque aqui é a entrevista de
- 19:30emprego, né? Não, eu gosto de correr risco,
- 19:33mas riscos calculados, né? Pô...
- 19:36Como é que tu calcula risco? Eu não estou falando de
- 19:38investimentos não, estou falando assim, na vida real.
- 19:44Pedido de demissão, abrir um novo negócio, como é que você
- 19:49atribui para dizer que o risco é calculado ou não?
- 19:51Não estou dizendo que você não pode avaliar, sob a sua
- 19:54perspectiva de mundo, que esse risco eu posso correr.
- 19:58Só estou colocando que esse é um conceito bonito de se falar, mas
- 20:01que na prática é muito difícil se traduzir.
- 20:05Porque é um conceito subjetivo para a maioria das oportunidades
- 20:08e das pessoas. Voltando à leitura do livro, um
- 20:11trecho que está destacado aqui por mim é É por isso que as
- 20:15pessoas corajosas de verdade costumam ser bastante quietas.
- 20:19Não tem tempo nem interesse de se vangloriar.
- 20:22Além disso, sabem que se vangloriar as torna um alvo.
- 20:25E qual o benefício disso? Não significa que sejam tímidas
- 20:30nem modestas. Mais uma vez, como Aristóteles
- 20:33destaca, objetividade é o meio termo entre o exagero e a
- 20:37depreciação. Quando você sabe, você sabe.
- 20:42Siga na leitura. Quando encontra a coragem
- 20:44verdadeira, você sente sua intensidade antes de vê-la.
- 20:47Ela não se manifestará em uma caricatura do caçador de emoções
- 20:50ou do aventureiro. Como já foi dito, os corajosos
- 20:54não andam por aí dispostos a entrar em qualquer briga.
- 20:57Não são burros e, portanto, não buscam conflitos sem sentido.
- 21:00Mesmo com toda a ousadia que possuem, permanecerão contidos a
- 21:05menos que você, por acaso, depare com eles em algum
- 21:09daqueles raros momentos decisivos em que devem invocar a
- 21:12coragem. E, ainda assim, quando entram em
- 21:15ação, os corajosos são calmos, metódicos e comedidos.
- 21:20Ao ver a coragem vindo à tona dessa maneira, ela se parecerá
- 21:24um pouco com a descrição de Magalhães feita por Stefan
- 21:27Zweig, o explorador cuja coragem era inquestionável.
- 21:33Aqui é necessário insistir mais uma vez que, em Magalhães, a
- 21:38audácia e a ousadia invariavelmente assumiam uma
- 21:42compleição peculiar. Agir de modo ousado, no caso
- 21:46dele, não significava ser levado por impulso, mas elaborar seus
- 21:50planos astutamente, fazer algo perigoso com o máximo de cautela
- 21:54e depois de uma reflexão cuidadosa.
- 21:57Suas maquinações mais ousadas eram, como bom aço, forjadas no
- 22:02fogo e depois endurecidas no gelo.
- 22:06Nosso modelo de coragem não é a pessoa esquentada, mas a que tem
- 22:10sangue frio. Graça sob pressão também é
- 22:13expressa como frieza sob pressão por um motivo.
- 22:16Cautela e cuidado não são antônimos de coragem, mas
- 22:18complementos. Asegure-se de combiná-los.
- 22:22Com frequência temos motivos para nos arrependermos de nossa
- 22:26impetuosidade. Mas da coragem nunca nos
- 22:32arrependemos dela. Então, temos uma distinção aqui
- 22:35entre coragem e imprudência, que talvez um bom wrap-up, uma boa
- 22:42amarração aqui é que cautela e cuidado não são antônimos de
- 22:47coragem, mas complementos. Com isso, Brunão, vamos para a
- 22:51frase do episódio para fechar com chave de ouro.
- 22:54Esse capítulo aqui, tem alguns trechos que eu gostei, que eu
- 22:58achei legal. Quando ele traz aqui uma visão
- 23:02do Aristóteles, que ele dizia que a coragem era o meio termo
- 23:05entre dois vícios, a covardia e a imprudência.
- 23:08Então, nem é você ser covarde, nem é você ser imprudente.
- 23:11Entre um e o outro e tal. É legal.
- 23:13Mas eu acho que esse capítulo foi meio que um...
- 23:16Quase que um seguro aqui contra críticas, né?
- 23:17Que o autor fez, porque, assim...
- 23:20Inclusive críticas que a gente fez aqui ao longo dos últimos
- 23:22episódios, né? Pra tudo que ele fala sobre
- 23:25coragem. E é meio como uma forma de se
- 23:27isentar caso alguém tenha um ato corajoso e que dê errado e, ó...
- 23:31Mas aí você foi imprudente, né? Não era pra ter sido imprudente
- 23:34também. Era pra ter sido entre covarde e
- 23:35imprudente. Não precisava ter ido tão além.
- 23:37Enfim. Então tem essa coisa aqui.
- 23:40Mas eu acho que faz parte, né? Dentro de um livro aqui, o autor
- 23:44tem que tentar ao máximo evitar mais interpretações e ter uma
- 23:51certa responsabilidade sobre o que ele tá falando.
- 23:52Então é isso. Eu gostei desse trecho aqui.
- 23:56A coragem é o meio termo entre a covardia e a imprudência.
- 24:00Muito difícil De saber qual é o limite Até onde é coragem Até
- 24:06que ponto começa a imprudência Mas é legal De saber disso
- 24:12Comentários pro Bruno Maia Soares Assina embaixo aí, Bruno
- 24:15Com isso temos um episódio Temos um episódio O próximo, pra onde
- 24:20que a gente vai? Já dá um spoiler aí Qual é o
- 24:23título do próximo que abre aí o nosso próximo episódio?
- 24:26Livre-arbítrio é tomado, não dado.
- 24:29Vamos entender isso no próximo episódio aqui no nosso querido
- 24:31Clube do Livro. Muito obrigado pelo seu tempo e
- 24:33sua companhia. Espero que tenha agregado valor
- 24:35para você. Esse conteúdo do episódio de
- 24:38hoje espero encontrar com você também no próximo episódio.
- 24:41Beijos e abraços e até a próxima.