Latest / Na Mesa com Well / O Avivamento da Rua Azusa - O Fogo que Acendeu o Pentecostalismo Moderno
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o well, o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:07dia a dia. Existem movimentos que moldaram
- 0:09a história da fé e existem chamas que mudaram os rumos de
- 0:13gerações. Na nossa série avivamentos a
- 0:16história por trás dos grandes despertares.
- 0:18Nós abrimos os registros para investigar o fogo, os excessos e
- 0:22as marcas deixadas pelos grandes movimentos do espírito neste
- 0:26episódio da nossa série avivamentos.
- 0:28A história por trás dos grandes despertares, e esse é o dossiê o
- 0:32Avivamento da rua Azusa, o fogo que acendeu o pentecostalismo
- 0:36moderno. Muito bom começar essa
- 0:38investigação. É e olha para quem nos ouve.
- 0:41Imaginem a seguinte cena, um líder religioso, ele é convidado
- 0:44para assumir o púlpito de uma congregação, certo?
- 0:47O padrão? Isso aí ele prega no domingo de
- 0:50manhã, vai embora e quando ele retorna para o culto da noite.
- 0:54Ele descobre que a porta da igreja foi literalmente trancada
- 0:57com um cadeado de aço. Nossa.
- 0:58E, tipo, quem colocou o cadeado lá, as exatas, pessoas que o
- 1:02haviam convidado? Pois é uma rejeição brutal.
- 1:05É com esse nível, assim, de tensão absoluta que a nossa
- 1:08investigação de hoje começa. E sabe essa imagem do cadeado?
- 1:12Ela é simplesmente perfeita para ilustrar o clima daquela época,
- 1:16porque a história que vamos analisar nesse dossiê é
- 1:19justamente sobre portas trancadas.
- 1:22Sim, total. E sobre as formas muitas vezes
- 1:24radicais, que as pessoas encontraram pra Arromba?
- 1:27Las, a nossa missão hoje é mergulhar nessa Montanha de
- 1:30registros históricos e acadêmicos.
- 1:32Pra entender como isso explodiu, né?
- 1:34Exatamente como um grupo de indivíduos completamente
- 1:37marginalizados ali, no início do século 20, conseguiu iniciar um
- 1:41movimento orgânico que hoje, olha só, abrange mais de
- 1:45600000000 de fiéis no mundo todo.
- 1:47Caramba, 600000000? É muita coisa.
- 1:51E nós faremos uma análise nua e crua.
- 1:53Aqui vamos separar os fatos históricos das romantizações,
- 1:56olhando de verdade para as luzes e também para as sombras desse
- 2:00fenômeno. Certo?
- 2:01Vamos desimpacotar isso para que a nossa audiência entenda o que
- 2:04foi a rua Azusa. A gente precisa voltar um pouco
- 2:07no tempo. Com certeza.
- 2:08Precisamos analisar o tecido social ali no final do século 19
- 2:11e o comecinho do século 20. Mais especificamente, entre 1900
- 2:15e 1906. E olha, para quem estuda a
- 2:17sociedade daquela época, o cenário era de uma fratura
- 2:20profunda. De um lado, a gente observa a
- 2:23revolução industrial gerando o tipo um abismo gigantesco entre
- 2:26magnatas super ricos e uma classe trabalhadora empobrecida.
- 2:31Uma desigualdade absurda. E do outro lado, havia uma sede
- 2:35espiritual imensa que simplesmente não estava sendo
- 2:38saciada. As igrejas tradicionais norte
- 2:40Americanas, como as metodistas, as batistas.
- 2:43Que eram as maiores na? Época exato, elas estavam
- 2:46passando por uma crise de identidade.
- 2:48Elas se tornavam cada vez mais formais, rígidas e
- 2:52excessivamente focadas em bens materiais, em status social.
- 2:55O que é fascinante aqui é que o que a gente vê é um cenário de
- 2:58dupla exclusão. A população marginalizada, ela
- 3:01estava sendo deixada de fora tanto da promessa de
- 3:04prosperidade econômica quanto dos espaços tradicionais de
- 3:07adoração. Verdade.
- 3:08Essas grandes denominações, elas tinham se distanciado
- 3:11drasticamente daquela simplicidade visceral, sabe?
- 3:14Daquele fervor, né? Isso do fervor da igreja
- 3:17primitiva, aquela mesma que a gente lê no livro bíblico de
- 3:20atos. Sim, virou algo muito elitista.
- 3:22Totalmente. E pra tornar o quadro ainda mais
- 3:25opressivo, a gente não pode esquecer que estamos falando dos
- 3:27Estados Unidos sob o peso esmagador da segregação racial.
- 3:31Nossa, sim, mas leis Jim Crow? Exato, sustentadas por lei.
- 3:35Essas leis infames garantiam que brancos e negros não pudessem,
- 3:39em hipótese alguma, compartilhar os mesmos espaços públicos, e
- 3:43isso tragicamente incluía os bancos das igrejas.
- 3:46A linha de cor era uma Barreira assim, intransponível.
- 3:50Então, se fossemos usar uma analogia para quem nos ouve,
- 3:53essas igrejas tradicionais da época funcionavam quase como
- 3:56clubes VIPs exclusivos, onde a taxa de entrada era literalmente
- 4:00a sua cor de pele e a sua conta bancária.
- 4:03E uma definição dura, mas muito precisa.
- 4:06E é exatamente no meio dessa panela de pressão sociológica
- 4:09que surge uma alternativa, um movimento de base conhecido como
- 4:13movimento de santidade ou holliness.
- 4:16Sim, o movimento holliness já estava ali fervendo.
- 4:19E as nossas Fontes indicam que é simplesmente impossível entender
- 4:22essa faísca inicial sem olhar para a figura de um homem
- 4:25chamado Charles poran, lá em toupica, no Kansas.
- 4:28O que ele fez de tão diferente? Olha, o movimento já pregava uma
- 4:33vida de santificação profunda, uma busca por pureza, mas o
- 4:37parran, ele adicionou um elemento teológico radical.
- 4:40Essa mistura qual ele começou a ensinar a necessidade de uma
- 4:43segunda bênção. Que seria o batismo no Espírito
- 4:46Santo, certo? Mas a grande inovação do parman,
- 4:49a virada de chave, foi atrelar essa experiência espiritual a
- 4:52uma evidência física que fosse inegável.
- 4:55Que seria o falar em línguas. A glosolaria exatamente.
- 4:58Ele argumentava que se alguém realmente recebesse essa infusão
- 5:01divina, a prova material indiscutível seria falar em um
- 5:05idioma desconhecido, exatamente como relatado lá nos textos
- 5:09bíblicos originais do Pentecostes.
- 5:11Cara, isso muda completamente o jogo, muda tudo, porque, tipo,
- 5:14cria uma evidência que não depende de você ter um diploma
- 5:17universitário, não depende de ordenação formal do clero, sabe?
- 5:21É uma experiência direta e palpável do fiel com o Divino.
- 5:24Sem intermediários burocráticos. Exato.
- 5:27E o par começou a formar alunos, começou a abrir escolas bíblicas
- 5:31para espalhar essa doutrina. Mas as estruturas profundamente
- 5:35racistas da época acabaram forçando a busca por espaços
- 5:38alternativos. E é aqui.
- 5:40Eu acho que entra o personagem mais cativante dos nossos
- 5:43documentos. William j Simon.
- 5:45Ele mesmo. Quem era o Simon?
- 5:48O Simon? É uma figura histórica,
- 5:49simplesmente formidável. Ele era um homem negro cego de
- 5:53um olho e filho de pais que haviam sofrido diretamente as
- 5:56atrocidades da escravidão. Uma bagagem pesadíssima?
- 6:00E ele tinha uma fome assim, imensa por teologia, ele queria
- 6:03muito estudar nessa escola bíblica que o Charles parran
- 6:06tinha estabelecido em Houston, no Texas.
- 6:08Mas aí entra o racismo das leis, né?
- 6:11Exatamente devido às leis de segregação, o semor era
- 6:15terminantemente proibido de sentar na mesma sala que os.
- 6:18Alunos brancos, os registros. Da época, narram.
- 6:22E isso corta o coração que o semor assistia as aulas sentado
- 6:25no corredor. Ele ficava ouvindo os
- 6:27ensinamentos ali pela porta, entre aberta.
- 6:30É de uma resiliência que sinceramente desafia a lógica.
- 6:33Ele absorveu toda a teologia pentecostal do parham sob
- 6:36condições de uma humilhação sistêmica diária.
- 6:39Uma submissão incrível em nome do aprendizado.
- 6:42E foi através dessa rede de Contatos que o Simon recebeu um
- 6:46convite, uma mulher chamada nily Terry convidou ele para viajar
- 6:50até Los Angeles e pregar numa pequena igreja local.
- 6:53E o parran, mesmo com a segregação na escola, ajudou a
- 6:56financiar essa viagem do Simon. Sim, ele dá esse suporte.
- 6:59Aí o Simon atravessa o país, chega em Los Angeles.
- 7:03Prega o seu primeiro sermão no domingo de manhã, focando exata
- 7:07e unicamente na doutrina de atos 2 e indo falar em línguas.
- 7:11E aí chegamos na cena do cadeado.
- 7:13Exato, é aí que acontece o episódio que eu narrei lá na
- 7:16abertura, a rejeição imediata e absoluta.
- 7:19A liderança daquela igreja achou a mensagem do senhor estranha e
- 7:23radical demais para eles. Atualmente fora da caixinha
- 7:26deles. Quando ele voltou para o culto
- 7:28noturno, a porta estava lá, trancada com o cadeado.
- 7:31Ele foi expurgado do sistema de forma sumária, mas essa rejeição
- 7:36foi o catalisador que eles precisavam.
- 7:39Sem um prédio oficial, sem mor, não desistiu.
- 7:41Ele continuou, né? Ele começou a realizar grupos de
- 7:44oração na casa de um simpatizante, ali na rua boni
- 7:46Brey. E aqui a mecânica do movimento
- 7:50começa a mudar, porque olha os registros.
- 7:53O crescimento nessa casa da rua boni Brey foi explosivo.
- 7:56É como? Fazendo uma analogia, é como uma
- 7:59startup que lança um produto genial e os servidores quebram
- 8:03por excesso de tráfego, sabe? É, o sistema não aguentou.
- 8:05Os documentos narram que a multidão tomava conta do Jardim.
- 8:09Eles invadiam o quintal dos vizinhos.
- 8:11A coisa ficou tão louca que paralisava o trânsito das
- 8:14carruagens na rua. E as manifestações eram físicas
- 8:17intensas, pessoas caindo pelo poder do que eles acreditavam,
- 8:20seu Espírito Santo, ali mesmo, na calçada, no meio da rua.
- 8:24Né? A fome espiritual daquela galera
- 8:26era tão densa, tão física, que o peso literal da multidão fez com
- 8:31que a varanda da casa desabasse. Foi um colapso estrutural.
- 8:35Ninguém se feriu gravemente, mas ficou óbvio para todo mundo que
- 8:38o espaço doméstico não IA mais suportar aquele fenômeno.
- 8:42E se conectarmos isso a um Panorama maior?
- 8:45A busca por esse novo local revela muito sobre a alma desse
- 8:48movimento. Eles precisavam de espaço
- 8:50urgente e acabaram alugando o número 312 da rua Zuza.
- 8:54E não era nenhum Palácio. Passava longe disso.
- 8:57Não era uma catedral no centro comercial, era um prédio
- 8:59retangular de madeira caindo aos pedaços, que ficava localizado
- 9:03num bairro industrial totalmente decadente.
- 9:05Eu li que já tinha sido até uma igreja antes, né?
- 9:08Sim, no passado tinha brigado uma congregação Metodista
- 9:11africana, mas na época em que eles alugaram, estava sendo
- 9:14usado como um estábulo para cavalos.
- 9:16Era um depósito de feno e sucata de construção.
- 9:19Chão de Terra, imagina? Chão de Terra batida.
- 9:21Eles tiveram que cobrir com serragem para absorver a
- 9:24umidade, a sujeira, o cheiro e foi no meio desse cenário
- 9:27absolutamente rústico e improvável que o semon liderava.
- 9:31Essa é uma ironia visual maravilhosa que os nossos
- 9:34documentos entregam. Eu fico maravilhado porque o
- 9:37centro de um terremoto espiritual, que, poxa, a balaria
- 9:40o mundo inteiro, era basicamente um galpão sujo, com cheiro de
- 9:44cavalo. Pois é.
- 9:45E a postura do próprio semon reflete muito isso.
- 9:47Os cronistas relatam algo muito peculiar.
- 9:50Ele frequentemente pregava e orava com a cabeça enfiada
- 9:53dentro de 2 caixas de sapato vazias.
- 9:55Uma imagem no mínimo curiosa para um líder, né?
- 9:57E ele fazia isso de propósito. Ele fazia para esconder o
- 10:00próprio rosto, garantindo assim que nenhum traço de orgulho
- 10:03pessoal tomasse conta da liderança dele e para que o foco
- 10:06das pessoas ficassem inteiramente na manifestação
- 10:08divina, não no homem que estava lá no púlpito.
- 10:10Ele se anulava. Sim, é fascinante pensar como
- 10:14essa total ausência de recursos de promoção pessoal.
- 10:17Foram, na verdade, a verdadeira alavanca para o sucesso
- 10:20autêntico deles. Exatamente a escolha do estábulo
- 10:23ali na rua. Azusa é uma declaração teológica
- 10:26viva. Traz a ideia de que o Divino
- 10:28ignora completamente as arquiteturas humanas de poder de
- 10:31status total. Eles simplesmente destruíram a
- 10:34premissa de que a sacralidade precisa de mármore e vitrais
- 10:38coloridos para se manifestar. O poder não estava na estrutura
- 10:41física de jeito nenhum. Estava na atitude.
- 10:44Residia na profunda dependência daquelas pessoas.
- 10:47E nessa humildade visceral do sêmen como líder?
- 10:50Mais claro, a revolução não estava só nessa estética de
- 10:53Terra batida, estava fundamentalmente na teologia que
- 10:56estava sendo vivida ali dentro todo dia.
- 10:58Uma teologia é muito clara, aliás.
- 11:00Sim, a mensagem que atraia essas multidões.
- 11:03Ela se baseava em 5 crenças fundamentais, a salvação pela
- 11:07fé, a santificação da vida, a cura divina, o retorno iminente
- 11:13de Cristo e o grande diferencial.
- 11:15O batismo no Espírito Santo, evidenciado pelo falar em
- 11:18línguas. E a aplicação dessas 5 crenças
- 11:21na prática gerou um ambiente que os cronistas da época
- 11:24descreveram como o extraordinário irrompendo no
- 11:27cotidiano. Tem um cronista específico, né?
- 11:29Sim, o Frank bartham. Ele foi jornalista e intercessor
- 11:33do movimento e documentou tudo isso.
- 11:35E olha aqui, a gente precisa separar as lendas urbanas dos
- 11:39fatos documentados de verdade. Fundamental.
- 11:42Não estamos falando de mitos. Estamos falando de registros
- 11:45concretos que descrevem, por exemplo, cultos contínuos.
- 11:48As reuniões em ASUS aconteciam em 3 turnos diários, 7 dias por
- 11:53semana. O tempo todo.
- 11:54Sem interrupção nenhuma por cerca de 3 anos seguidos.
- 11:58Nossa, é muito tempo de dedicação intensa.
- 12:00E nesses cultos, homens super orgulhosos eram vistos caindo de
- 12:04joelhos na serragem, chorando, num arrependimento profundo,
- 12:08enquanto do outro lado da sala. Crianças pequenas profetizavam
- 12:11com uma autoridade, uma maturidade que deixava teólogos
- 12:15veteranos absolutamente perplexos.
- 12:17Aqui é onde a coisa fica realmente interessante pra nossa
- 12:20análise, porque se a gente pensar bem, o maior milagre que
- 12:24aconteceu na rua Zuza não foi apenas espiritual.
- 12:27Não foi? Foi um milagre sociológico sem
- 12:29precedentes, imagina no auge das leis de segregação?
- 12:33Onde brancos e negros não podiam beber no mesmo Bebedouro.
- 12:36Exato. E lá dentro, brancos, negros,
- 12:39latinos. Imigrantes extremamente pobres.
- 12:42Todos estavam lado a lado. Eles estavam chorando juntos,
- 12:45adorando juntos. Eles basicamente subverteram e
- 12:48esmagaram toda a ordem racial dos Estados Unidos dentro
- 12:51daquele galpão velho. Uma quebra de Barreiras.
- 12:53Impressionante. E tem mais a história oficial,
- 12:56quando ela é contada de uma forma meio preguiçosa, ela
- 12:59costuma focar apenas na figura dos homens.
- 13:01Sempre, né? Mas os documentos da nossa
- 13:03investigação, eles provam, sem sombra de dúvida.
- 13:06Que a liderança feminina foi um Pilar gigante de sustentação a
- 13:09linhas usa? Sem dúvida alguma, as mulheres
- 13:12não eram apenas espectadoras ou participantes passivas, elas
- 13:16eram verdadeiras co líderes ativas no processo.
- 13:18Quem são os grandes nomes femininos ali?
- 13:21Bom, nós temos figuras notáveis como a Jenny Moore, que mais
- 13:24tarde, inclusive, se casaria com o próprio senhor.
- 13:26Ela atuava ativamente na música e na liderança da congregação.
- 13:31Temos também a figura fundamental da Luci ferrell, uma
- 13:34mulher negra ex escravizada, que foi a verdadeira ponte para
- 13:38trazer essa experiência pentecostal lá de Houston direto
- 13:41para Los Angeles. A influência dela foi enorme,
- 13:44né? Enorme era através da imposição
- 13:47das mãos dela que muitas pessoas relatavam, recebeu batismo no
- 13:50espírito. E temos ainda a Florence
- 13:53Crawford, que se tornou uma força evangelística poderosa no
- 13:56noroeste americano. E a clara lam, que foi nada
- 13:59menos que a coeditora do jornal do movimento?
- 14:02É de explodir a mente, porque para e pensa isso é uma
- 14:05subversão radical da dinâmica de poder do início dos anos 1900,
- 14:08mulheres negras e imigrantes brancas assumindo a linha de
- 14:12frente, a vanguarda de um movimento que logo teria impacto
- 14:15global. Como que isso foi sequer
- 14:17permitido numa época que era assim tão rigidamente
- 14:19patriarcal? E isso levanta uma questão
- 14:22importantíssima sobre como o grupo enxergava o conceito de
- 14:26autoridade. Qual era a base deles?
- 14:28A resposta está na raiz teológica deles.
- 14:31Eles acreditavam, de forma absolutamente inegociável, que o
- 14:35único líder real do movimento era o Espírito Santo.
- 14:38Tá, entendi. Os seres humanos, fossem quem
- 14:41fossem, eram vistos como meros vasos, apenas canais temporários
- 14:45para ação divina. E isso nivela todo mundo.
- 14:48Perfeito. Essa mentalidade permitiu uma
- 14:50descentralização radical, tanto de gênero quanto de raça.
- 14:54Se a comunidade toda acreditava que o espírito tinha escolhido
- 14:57falar, digamos, através de um homem negro com olho cego ou de
- 15:01uma mulher que nasceu escravizada, a congregação não
- 15:04questionava. Eles apenas acatavam eles.
- 15:06Simplesmente aceitavam e se submetiam aquela voz, a
- 15:10autoridade para eles não derivava do estado civil, do
- 15:13dinheiro ou do gênero, derivava puramente da convicção da
- 15:16presença divina operando ali. Mas, logicamente, essa utopia de
- 15:21igualdade radical. Ela começou a colocar um alvo
- 15:24gigante nas costas deles, o sistema político e religioso da
- 15:28época. Tipo, não olhou para o
- 15:30cruzamento de raças em asuza e achou a Coisa Mais Linda do
- 15:33mundo, né? Pelo contrário, eles se sentiram
- 15:36em choque. Sim, eles se sentiram
- 15:38socialmente ameaçados de verdade, e isso nos leva a
- 15:41examinar as sombras, as fraturas profundas que começaram a cercar
- 15:45e a se infiltrar nessa missão. Na oposição externa, os
- 15:49registros mostram, foi implacável.
- 15:51A mídia não perdoou. O jornal Los Angeles times, um
- 15:54gigante da época, publicou matérias de capa com o objetivo
- 15:58explícito de destruir a credibilidade do movimento.
- 16:01Eles usavam termos terríveis como Babel de línguas estranhas.
- 16:05Chamavam eles de seita fanática e cara.
- 16:08Usavam uma linguagem explicitamente racista.
- 16:11Muito violenta, descrevendo os cultos como selvageria negra.
- 16:15Um ataque absurdo. E essa cobertura secular da
- 16:18imprensa era um reflexo bem direto do pânico que a elite
- 16:21branca da época tava sentindo, mas olha, os ataques não vieram
- 16:25só de fora da sociedade secular. É o meio cristão também não
- 16:28curtiu muito. Exato.
- 16:30Os ataques vieram também de dentro da estrutura cristã
- 16:32estabelecida. Diversas igrejas protestantes
- 16:35tradicionais bombardearam a rua Azusa com críticas muito
- 16:38severas. Qual era o argumento deles?
- 16:40O principal argumento teológico deles era que o movimento
- 16:44inhazuza tinha mergulhado num hiperemocionalismo doentio.
- 16:47Eles alertavam que toda aquela excitação constante, os
- 16:50desmaios, a gritaria e essa ênfase excessiva nos dons
- 16:54carismáticos estavam fazendo com que os fiéis perdessem o foco
- 16:57central. Que seria Cristo?
- 16:58Sim, eles argumentavam que o evangelho deveria ser centrado
- 17:01na Cruz e na figura de Cristo, e não apenas nessa busca
- 17:04desenfreada por êxtase espiritual e sinais do Espírito
- 17:08Santo. E olha.
- 17:09Se o ataque de fora já era pesado, a implosão interna foi o
- 17:13que realmente começou a deixar marcas permanentes.
- 17:16O racismo que eles bravamente tentaram deixar na porta do
- 17:19galpão acabou invadindo o altar deles.
- 17:22De uma forma muito. Triste lembra do Charles parman,
- 17:26o mentor que ensinou o sêmur lá no corredor, no Texas?
- 17:29Lembro o criador da doutrina. Pois é, o parham foi visitar a
- 17:33missão de Azusa alguns meses depois do início desse
- 17:36Avivamento todo. E quando ele chegou lá e viu a
- 17:40congregação, ele não comemorou. Os registros mostram que ele
- 17:43ficou totalmente enojado ao ver negros e brancos misturados
- 17:47adorando no mesmo espaço. Ele rejeitou o próprio fruto.
- 17:51Ele criticou o movimento publicamente e ainda tentou
- 17:54tomar o controle da situação, mas espera um pouco, eu preciso
- 17:57pontuar. Isso com quem nos ouve.
- 17:59Soa como uma contradição insustentável.
- 18:02É uma dissonância enorme. Se o porram ensinava que o
- 18:05Espírito Santo não podia ser controlado pelo homem?
- 18:08Não podia ser enquadrado. Como é que ele entra em pânico e
- 18:12repulsa quando esse mesmo espírito supostamente destrói
- 18:15uma Barreira social humana? Como um mentor pode ser tão cego
- 18:18assim? Olha, é uma análise cirúrgica
- 18:21sua. Isso evidencia a dissonância
- 18:23cognitiva humana na sua forma mais trágica, sabe?
- 18:26Incoerência total. Tem uma revelação teológica
- 18:29inovadora, não torna ninguém magicamente imune às cegueiras
- 18:33Morais e sociais da sua própria geração.
- 18:36O parran queria, sim, uma revolução espiritual, ele queria
- 18:39o fogo. Mas nos termos dele.
- 18:42Exatamente, ele queria que essa revolução acontecesse dentro das
- 18:46Fronteiras seguras, confortáveis e organizadas da hierarquia
- 18:50racial, que ele conhecia e aceitava.
- 18:52Que loucura. Ele simplesmente não conseguiu
- 18:55suportar a ideia de que a teologia, que ele mesmo ajudou a
- 18:58formular, exigiria, na prática, o colapso da ordem social
- 19:02segregacionista. O desmantelamento do Jim Crow
- 19:05dentro da igreja. Esse choque mostra, de um jeito
- 19:07muito claro, como os preconceitos muito arraigados
- 19:11frequentemente sufocam o avanço orgânico de movimentos
- 19:13espirituais. E olha, infelizmente, o racismo
- 19:17do parham não foi o único fator de fragmentação em as usa.
- 19:20Tive racha de ideias também, né? Tivemos um racha teológico muito
- 19:24profundo logo depois. É a crise que foi provocada pela
- 19:27chegada do William doran, certo? Ele mesmo.
- 19:30Ele era um pregador super influente que veio lá de Chicago
- 19:32para Los Angeles, trazendo uma interpretação teológica bem
- 19:36particular, o que ele chamou de a obra consumada do calvário.
- 19:40Exato, e para entender a gravidade disso, a gente precisa
- 19:44olhar para mecânica da crença que eles tinham.
- 19:47Como funcionava? Pro Simon e para toda a tradição
- 19:50do movimento hollins. A santificação era uma segunda
- 19:53bênção instantânea. Era uma experiência de crise no
- 19:57momento exato onde Deus purificava o coração do fiel de
- 20:00uma só vez, erradicando a própria raiz do pecado lá
- 20:03dentro. Tá, entendi como se fosse uma
- 20:06cirurgia espiritual de emergência, que resolve o
- 20:08problema na hora, num estalo. Perfeitamente uma cirurgia
- 20:12imediata. Mas o durran chegou lá com uma
- 20:15proposta totalmente diferente, pra congregação qual ele ensinou
- 20:19que a santificação havia sim sido consumada na Cruz por
- 20:23Cristo, mas que na vida prática e diária do crente, ela era um
- 20:27processo. Um passo de cada vez.
- 20:29Isso um processo contínuo e gradual.
- 20:32Não existia esse choque elétrico, purificador
- 20:34instantâneo. Havia uma caminhada de longo
- 20:37prazo de erros e acertos. Olha pra quem escuta lá isso
- 20:41hoje, no século 21. Pode parecer um mero detalhe
- 20:44acadêmico, uma semântica boba, mas por que essa diferença
- 20:48teológica gerou uma guerra tão intensa a ponto de dividir a
- 20:51igreja no meio? Porque, na prática, ela alterava
- 20:54a base de como aquelas pessoas mediam a própria pureza e a
- 20:58pureza dos irmãos ao redor. Ah, o julgamento.
- 21:01Pensa bem, se a santificação é instantânea, você acaba
- 21:05dividindo o mundo e a igreja entre os que são puros e os que
- 21:08ainda são impuros. Os que tem a experiência?
- 21:12E os que não tem isso? Agora, se essa santificação é um
- 21:15processo, como o durren dizia, então todos estão em construção
- 21:19o tempo todo. Acontece que o durren começou a
- 21:22atrair multidões em as usa com essa nova visão de processo,
- 21:25justamente num período em que o Simon tava viajando para
- 21:28divulgar a missão. Ixi enquanto o Simon tava fora.
- 21:32Sim, e a congregação começou a se polarizar rapidamente entre
- 21:35as 2 visões. E atenção, ela escalou de tal
- 21:38maneira que os registros mostram que o Simon precisou voltar às
- 21:41pressas da viagem dele. E a ironia da história é
- 21:44simplesmente implacável aqui. O ciclo se fecha, né?
- 21:47Se fecha o homem que foi expulso de sua primeira igreja, lá em
- 21:51Los Angeles, com um cadeado, o que ele faz?
- 21:53Ele compra um cadeado. Ele compra um cadeado e tranca a
- 21:57porta da missão da rua Azusa para impedir que o William dohan
- 22:00entre no prédio para pregar. É uma inversão de papéis
- 22:03dolorosa. A unidade inicial começou a se
- 22:05fragmentar sobre esse peso do orgulho teológico, disputas de
- 22:09liderança e, claro, o racismo sistêmico que já rondava.
- 22:12E o Simon? Ele acabou passando os últimos
- 22:14anos de vida dele, pastoreando uma congregação muito, mas muito
- 22:18menor. Assistindo ao declínio daquela
- 22:20chama, sim. Um declínio bem melancólico
- 22:23daquela unidade original que chocou o mundo.
- 22:25E essa é uma transição dolorosa, porém muito documentada na
- 22:28história da religião como um todo.
- 22:30Acontece com frequência? Sim, o grande desafio de
- 22:33qualquer despertar não é exatamente como ele começa, mas
- 22:36como ele sobrevive ao próprio sucesso.
- 22:39Como manter o fogo aceso sem queimar a casa?
- 22:43A missão ali no estábulo era um organismo vivo, era pulsante,
- 22:48era descentralizado, caótico até.
- 22:50Aos poucos, conforme as pessoas tentaram engarrafar esse
- 22:53organismo vivo em organizações burocráticas, sabe?
- 22:57Colocar regras, cargos? Com Placas, donos e hierarquias
- 23:01rígidas, isso quase sempre acaba asfixiando o movimento original.
- 23:06Então, o que tudo isso significa no longo prazo para nós hoje?
- 23:11Porque, tipo, apesar de todas essas fraturas horríveis, a
- 23:15semente da rua asuza. O fogo já havia sido lançado ao
- 23:18vento. Já tinha se espalhado.
- 23:21Como que um grupo marginalizado, que não tinha acesso à internet,
- 23:25não tinha um departamento de marketing corporativo por trás,
- 23:28conseguiu globalizar uma ideia a partir de um estábulo sujo no
- 23:32início do século 20? A resposta para isso,
- 23:35incrivelmente, é mídia orgânica e impressa.
- 23:39Como assim? Lembra da clara, Lu?
- 23:41Ela e o senhor editavam um jornal impresso que eles
- 23:44chamaram de a fé Apostólica. Ah, o jornalzinho.
- 23:48O jornalzinho. Que eles imprimiam e enviavam
- 23:51cerca de 50000 cópias gratuitas. 50000.
- 23:55Sim, por todos os Estados Unidos e além.
- 23:57As pessoas Liam os relatos de coras maravilhosas, Liam sobre a
- 24:01reconciliação racial, ficavam encantadas e simplesmente
- 24:04passavam o jornal adiante. Viralizou no mundo analógico.
- 24:08O poder dessa publicação foi fenomenal, operou como se fosse
- 24:11o verdadeiro sistema nervoso do movimento, conectando pessoas
- 24:14globalmente. Em um período incrivelmente
- 24:17curto, de cerca de 2 anos, os ecos daquela mensagem
- 24:20pentecostal já haviam chegado a mais de 50 nações.
- 24:23É muito rápido. E o impacto disso, para quem nos
- 24:26ouve aqui do Brasil, é muito direto e palpável.
- 24:28Como que isso desembarcou aqui? Bom, 2 missionários suecos, o
- 24:32gunar vingren e o Daniel Berg eles estavam nos Estados Unidos
- 24:35na época. Eles foram profundamente
- 24:38impactados pelos ecos e publicações desse Avivamento e
- 24:41sentiram um chamado Divino para viajar à América do sul.
- 24:45E vieram para o Brasil. Eles desembarcaram lá no estado
- 24:48do Pará, no norte do Brasil, e começaram a pregar a mensagem
- 24:51pentecostal, e ali eles fundaram a congregação que cresceria anos
- 24:55depois para se tornar a gigantesca assembleia de Deus no
- 24:59Brasil. Cara, e a proporção que isso
- 25:01tomou globalmente hoje em dia é astronômica.
- 25:05É monumental. A gente tá falando de um
- 25:08movimento que começou num chão, que teve que ser forrado com
- 25:11serragem porque tinha cheiro de cavalo em 1906.
- 25:14Com pessoas que a sociedade inteira desprezava ativamente,
- 25:18cuspia nelas e hoje? As estimativas mostram que o
- 25:21pentecostalismo global engloba mais de 600000000 de adeptos.
- 25:26É um número que muda a demografia de qualquer lugar.
- 25:28E não se trata apenas de dados demográficos no papel, quando a
- 25:31gente analisa os estudos sociológicos modernos, a gente
- 25:35vê um impacto palpável na transformação estrutural de
- 25:37áreas periféricas nas favelas. Se o impacto social é
- 25:41fortíssimo? Com a recuperação em massa de
- 25:44dependentes químicos, restauração de famílias
- 25:46destruídas, a construção de redes de apoio gigantescas
- 25:49nesses bairros mais vulneráveis ao longo de todo o século 20 e
- 25:53entrando no 21. As igrejas pentecostais operam
- 25:56muitas vezes onde o estado não chega.
- 25:58Exatamente. Mas diante dessa Montanha de
- 26:02dados, de luzes e de sombras, como que a gente faz uma
- 26:06avaliação justa de tudo isso nesses registros?
- 26:09O que que dessa história deve ser resgatado?
- 26:11O que deve ser evitado a todo custo pela igreja e o que não
- 26:14podemos nem tentar falsificar hoje em dia?
- 26:17Essa é a síntese crucial de toda a nossa análise de hoje.
- 26:20O que nós precisamos urgentemente recuperar e
- 26:23celebrar é a humildade visceral do líder do senber.
- 26:26As caixas de sapato. Sim, a recusa em se promover
- 26:30aprofunda a dependência da oração e aquela coragem absurda
- 26:34de viver, aquela igualdade radical entre raças, entre
- 26:38gêneros e entre classes sociais e, claro.
- 26:41A centralidade do evangelho também precisa ser resgatada
- 26:44sempre. Focar no alvo certo?
- 26:46A ideia firme de que os 12 e as manifestações espirituais eles
- 26:50devem existir para apontar para Cristo e não para ofuscar a
- 26:53mensagem central de Redenção. E na outra ponta da balança, o
- 26:57que entra na lista do que devemos rejeitar baseados no
- 27:00declínio deles? Nós precisamos rejeitar
- 27:03ativamente o divisionismo carnal.
- 27:06A história de Azusa nos mostra, de maneira dura, que o
- 27:09preconceito humano e aquele orgulho teológico de quem se
- 27:12acha dono da verdade são os maiores e mais letais inimigos
- 27:16de um despertar espiritual. Matam o movimento de dentro para
- 27:19fora. O isolamento burocrático, essa
- 27:22institucionalização rígida que tenta controlar através de
- 27:25cadeados, quem pertence e quem não pertence.
- 27:28Isso acaba sempre destruindo a vitalidade do organismo que era
- 27:31vivo. E isso me leva ao nosso último
- 27:34ponto de avaliação. Perigo gigantesco da replicação
- 27:38artificial Ah. Isso é comum?
- 27:40É a fórmula do Avivamento. Ela não está na estética da
- 27:44coisa, não se cria um mover genuíno do espírito simplesmente
- 27:48alugando um depósito sujo e espalhando serragem no chão.
- 27:51Moderno pra aparecer humilde, sabe?
- 27:54Seria só teatro? Da mesma forma, pressionar
- 27:57psicologicamente pessoas em cultos a forjarem o falar em
- 28:00línguas de uma forma mecânica ensaiada.
- 28:04Apenas para validar uma doutrina local, isso esvazia todo o
- 28:07propósito original de Liberdade. Perfeito, o despertar autêntico,
- 28:12ele sempre responde a fome real de um contexto específico.
- 28:16E a única fórmula entre aspas documentada aqui nesse dossiê
- 28:20foi o quebrantamento genuíno e A Entrega total daquelas pessoas
- 28:24em abandonar as velhas estruturas opressivas.
- 28:27Fica muito claro para nós que a história da rua Azusa passa
- 28:30longe de ser um conto de fadas religioso, perfeitinho e
- 28:33higienizado. Muito longe.
- 28:35É uma crônica cheia de falhas humanas que chegam a ser
- 28:38assustadoras, com rachaduras profundas que os destruíram
- 28:42internamente. Mas ela também foi sustentada
- 28:45por uma beleza divina inegável. Uma beleza que, no fim das
- 28:50contas, transformou a demografia global de uma forma que a gente
- 28:54sente até hoje. E isso me deixa com um último
- 28:57pensamento para reflexão, assim, algo para todos nós levarmos
- 29:01adiante. Qual seria?
- 29:02Seu maior abalo espiritual e sociológico do século 20 nasceu
- 29:06no meio de um estábulo escuro liderado por um homem negro com
- 29:10visão parcial, em uma época que tentava ativamente silenciá lo e
- 29:14apagá lo da história. Onde será que a próxima grande
- 29:18revolução do pensamento, da igualdade e da fé já está
- 29:21acontecendo, agora silenciosamente?
- 29:25Escondida aos olhos dos grandes especialistas da nossa própria
- 29:28geração, compreender os avivamentos do passado nos ajuda
- 29:33a caminhar com discernimento do presente.
- 29:36Série avivamentos a história por trás dos grandes despertares uma
- 29:42série na mesa com o el. Se você curte o nosso conteúdo,
- 29:46segue a gente. Deixa sua avaliação na
- 29:48plataforma e continua com a gente nos próximos episódios da
- 29:51nossa série de avivamentos. Até a próxima.