Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões #22: Edilson Ventureli | A transformação social pela música no Instituto Baccarelli
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- 0:04Olá, bem-vindo a mais, esse episódio do ABC cast conexões é
- 0:07um grande prazer recebê lo um grande prazer recebê la todas as
- 0:11semanas estamos aqui com uma história nova que mostra uma
- 0:14forma de conectar a sua vida com um assunto dos mais variados
- 0:18possíveis que nós encontramos aqui e trazemos pra vocês com
- 0:21exclusividade. Então hoje, como não é diferente
- 0:25sempre com. Uma personalidade ou uma marca
- 0:29convidada é assim como 11 entrevistadora convidada também
- 0:34e para mim é uma honra receber nesta mesa hoje a minha querida
- 0:37amiga egli Munhoz egli. Muito obrigada Tiago, sou eu
- 0:41quem agradece. Obrigado a todos que nos
- 0:44acompanham, independente do horário do dia, porque o
- 0:47programa é gravado. Uma honra aceitar o seu convite,
- 0:50uma honra estar com vocês, uma honra recebê lo poder conhecer
- 0:54do seu trabalho. Muito obrigada.
- 0:56Só para dar um pouco de contexto a vocês, a egli é uma pessoa
- 1:00assim, múltipla, né? Ela É Ela, se ela se quando eu
- 1:04conhecia ela se anunciava como uma comunicóloga, né?
- 1:08Porque ela já é. Ela é radialista ou já foi, né?
- 1:12Radialista, já foi instrutora, me deu aula de autoescola, né?
- 1:16É tanta história que a gente tem junto, já trabalhamos juntos, já
- 1:19revisou muitos materiais que eu produzi, enfim, a egli.
- 1:23Dentro da história da comunicação, especialmente lá em
- 1:26Ribeirão Pires, ela é uma marca, né?
- 1:28Uma personalidade. E aí, hoje a egre é uma
- 1:31advogada, é mestre em em em direito, políticas públicas,
- 1:37políticas. A egre é assim, ela está, está
- 1:38nas alturas e eu tenho que correr muito para chegar perto
- 1:41dela. Imagina como é bom ter amigos,
- 1:44né? Muito.
- 1:45Bom. E do lado de cá, nós temos o
- 1:47Edilson venturelli, que hoje é o CEO do instituto bacarelli.
- 1:52E o regente da orquestra também, né?
- 1:54Então a gente vai bater esse papo.
- 1:56Vamos falar hoje sobre música, sobre cultura, vamos falar sobre
- 2:00ações sociais, sobre crianças e especialmente sobre como a gente
- 2:05faz. É da arte, da cultura e da
- 2:07música um instrumento de ascensão social.
- 2:10Então vamos vamos falar um pouquinho sobre isso, mas assim,
- 2:14a nossa conversa, ela sempre começa de uma forma muito mais
- 2:16tranquila. O Edilson, então eu só queria
- 2:19entender um ponto, né? É como que você foi parar nesse
- 2:23ambiente de música e dali a gente segue essa conversa.
- 2:28Cara, eu fui parar no ambiente da música por quereres dos meus
- 2:33pais, né? Meus pais já eram cantores de
- 2:35coral, então aos 5 anos de idade eu comecei a música.
- 2:40Eu venho de uma família bem humilde.
- 2:42Aos 13 anos, comecei a trabalhar no coral bacarelli e meus pais
- 2:46eram cantores do coral profissional do mestre
- 2:47bacarelli. Naquela época não existia o ECA,
- 2:49então a gente podia começar a trabalhar mais cedinho, né?
- 2:51Então eu fui trabalhar no coral, cantar casamentos, cantar no
- 2:55coral dele pra gerar receita pra minha casa.
- 2:57E daí a vida foi foi conduzindo. Mas eu te confesso que eu não
- 3:03queria estudar piano não, eu queria jogar bola.
- 3:05Né? Mas graças ao senhor, bom Deus,
- 3:08meu pai e minha mãe falaram, não, o caminho é aqui, ó.
- 3:11Tá? Então vamos, vamos, vamos pra
- 3:13partir pra um lado assim, para as pessoas conhecerem o que é o
- 3:15instituto bacarelli e o que faz é, esse ano o instituto
- 3:19completou 29 anos, né? Desses 2926, você tá lá dentro.
- 3:24Pelo menos é o que a gente andou pesquisando aqui.
- 3:26É um pouquinho mais. É, então eu queria só que você
- 3:30tentasse resumir pra gente a história do instituto, né?
- 3:33Nesses 29 anos, o que de mais importante aconteceu e quais
- 3:36foram as grandes transformações que o instituto trouxe na vida
- 3:39das pessoas? É.
- 3:41A gente tem 2 momentos, né? Tem um momento onde a ação
- 3:45começou com uma ação de um homem só, do mestre Silvio bacarelli,
- 3:49meu segundo pai, trabalho com ele desde os 13 anos de idade.
- 3:54Em 1996, houve um grande incêndio na favela de
- 3:56Heliópolis. O maestro assistiu pela
- 3:58televisão esse incêndio. Maestro bacarelli, na sua
- 4:00Juventude foi padre. Na Igreja São José do Ipiranga,
- 4:08que é o bairro vizinho, a favela de Heliópolis.
- 4:11Então ele tinha uma obrigação emocional com essa região.
- 4:15E ali eu digo que ele deixou o grande exemplo que ele tinha
- 4:19para nós todos, que foi a sua capacidade de de passar da
- 4:23indignação para ação. Eu falo sempre que eu tenho
- 4:26certeza que todo mundo que está ouvindo a nossa conversa agora.
- 4:29Quando passa numa rua E vê hoje famílias morando na rua, né?
- 4:33Porque depois, até antes da pandemia, as estatísticas
- 4:36mostram que você tinha predominantemente homens morando
- 4:39na rua. Da pandemia para cá, você passou
- 4:41a ter famílias inteiras morando na rua porque perderam a
- 4:44capacidade econômica. Tenho certeza que todo mundo se
- 4:48sensibiliza, se emociona, mas a gente para na fase da
- 4:52indignação, da sensibilização, porque a gente se sente
- 4:54pequenininho para transformar aquela realidade.
- 4:57Ele foi para ação e resolveu ensinar música para 30 crianças
- 5:01lá em Heliópolis, que era a forma que ele falou, tem que
- 5:03ajudar essa comunidade que que eu sei fazer música, então eu
- 5:06vou ensinar música. Naquela época, ele procurou a
- 5:10primeira escola pública que ele encontrou subindo a estrada de
- 5:13lágrimas. Naquela época, vindo do
- 5:15Ipiranga, a primeira escola pública que tinha, ele parou.
- 5:19Eu digo a ele que o projeto já nasceu para dar certo.
- 5:22Porque essa escola tem como patrono o Luiz Gonzaga do
- 5:24nascimento Júnior, o nosso Gonzaguinha.
- 5:26Então ele parou numa escola que já tinha um músico como patrono.
- 5:29Não foi simples, ele demorou uns 4 meses para convencer a
- 5:33coordenadora pedagógica, diretora da escola, de que ele
- 5:35tava, que as intenções dele eram sérias.
- 5:38E falaram, cara, você quer ensinar música clássica para
- 5:40criança da favela tocar violino? Tá de Brincadeira, né?
- 5:45Mas ele conseguiu e aí começou o instituto bacarelli como pessoa
- 5:50jurídica. É, surgiu em 2000.
- 5:53Na época eu era aluno de direito, eu fui fazer uma
- 5:56faculdade de uma graduação em direito, um pouco mais velho é,
- 6:00eu comecei a ajudá lo nesse projeto, eu trabalhava com ele e
- 6:03eu vi que a gente teria uma dificuldade, né?
- 6:06Tinha, já existia a nossa famosa e tão querida lei Rouanet.
- 6:11Só que se até hoje ela funciona dessa forma, você como pessoa
- 6:14física, pode propor um projeto, só que todos os bens
- 6:18patrimoniais que você adquirir com dinheiro.
- 6:21Da lei Rouanet como pessoa física.
- 6:22Ao final do seu projeto, ou você manda para uma instituição sem
- 6:25fins lucrativos ou você devolve para o governo.
- 6:28Falei, cara, se a gente propor o projeto de lei Rouanet em nome
- 6:31do maestro, todo ano a gente vai buscar dinheiro para comprar o
- 6:33mesmo violino, né? E nós tínhamos na prateleira da
- 6:37da empresa comercial do maestro uma pessoa jurídica sem fins
- 6:40lucrativos que tinha sido usado lá nos anos 80 para para fazer
- 6:45concertos pela lei então lei Sarney.
- 6:48Como eu tava lá na estudando faculdade de direito, lendo
- 6:52muito, fazendo muito, eu resolvi colocar essa instituição de pé
- 6:55de novo. Fiz toda atualização
- 6:57estatutária, coloquei contabilidade em ordem, tudo e
- 7:00propus o nosso primeiro projeto de lei Rouanet.
- 7:02Então, o instituto bacarelli surge em 2000 a ação do mestre
- 7:06bacarelli, em 1900. E 91, pouco mais antigo.
- 7:09É nasceu com 11, ação de um homem só.
- 7:12E hoje é um sonho, né? Compartilhado por um time
- 7:16bastante grande e apaixonado. Sim, mas hoje o instituto não
- 7:19está só dentro da Heliópolis, né?
- 7:21Ele tem ações em outras regiões de São Paulo.
- 7:25Instituto cresceu, né? Perto da desses 29 anos, né?
- 7:29É, a gente aprendeu bastante. E o sonho de toda instituição do
- 7:33terceiro setor é de se tornar política pública.
- 7:36Então, mais uma vez a gente mexeu no estatuto, se
- 7:39qualificou. Preencher os requisitos, né?
- 7:41Pra gente poder se qualificar como uma organização social, de
- 7:45cultura, uma ou uma organização da sociedade civil.
- 7:49E no ano 2021, a Secretaria municipal de educação de São
- 7:56Paulo soltou um edital pra gestão de 12 CEOs na cidade de
- 7:59São Paulo. Nós nos habilitamos.
- 8:01Eram 44 blocos. Ganhamos os 4.
- 8:04Para o meu desespero na época, né?
- 8:06A gente tinha uma sede em um sábado de manhã.
- 8:08Eu acordei com o diário oficial dizendo para nós que nós
- 8:11tínhamos 13 sedes a partir daquele dia.
- 8:13Imagina, né? E tinha gente para para tocar
- 8:16tudo isso aí. E instrumento?
- 8:18E instrumento? Não ali, pior que ali.
- 8:20Ali a coisa é muito maior do que a música, né?
- 8:22Lá a gente faz desde a gestão predial, desde desde a de cuidar
- 8:26de toda a gestão de de de limpeza.
- 8:28É manutenção predial. E mais quase 700 horas por
- 8:32semana de atividades de cultura e esporte.
- 8:35Então é é um negócio bem mais parrudo, mas tá gostoso.
- 8:39Foi foi desesperador no início, mas a cura de aprendizado tá bem
- 8:44legal e queira ou não queira, hoje o bacarelli pode dizer que
- 8:47ele está em 13 regiões da cidade.
- 8:49Desses 12 céu, 88 estão dentro de área de favelas.
- 8:53Então é uma forma também onde a gente pode é exponenciar o nosso
- 8:58know how. E como instituição, AA nossa
- 9:01capacidade de interferir na sociedade e melhorar a
- 9:04sociedade. Sim, mas aí AA forma de
- 9:08trabalho, embora em alguns momentos você tá usando
- 9:11instrumento musical e outros momentos você tá usando outros
- 9:14elementos da cultura, né? Do esporte, tudo mais.
- 9:17Você usa esse tipo de formação, vamos dizer assim, cultural como
- 9:22uma forma da pessoa ter uma. Inclusão social ou então uma
- 9:27melhora da perspectiva de vida? É assim que funciona o
- 9:30instituto. O nosso DNA a gente nunca vai
- 9:32perder, né? É o nós nascemos pra fazer a
- 9:35diferença na vida das pessoas. Então, independente de onde a
- 9:39gente esteja hoje, onde, onde, onde a gente possa estar no
- 9:42futuro próximo, esse DNA a gente não perde, né?
- 9:46O nosso core é o que a gente faz em Heliópolis e todo.
- 9:52O conhecimento que a gente adquiriu lá, todo o respeito que
- 9:55a sociedade tem pela gente, pelo trabalho que o bacarelli faz em
- 9:58Heliópolis, a gente não pode perder.
- 10:00Então eu não posso ir para outros territórios, para outras
- 10:03outras frentes, não carregando todos os valores que a nossa
- 10:08marca tem. É, e vocês pensam em expandir
- 10:11isso para outras cidades que hoje o núcleo está em São Paulo,
- 10:14né? E eu fico pensando assim, o
- 10:16vamos trazer para o lado do ABC aqui, né?
- 10:19Egli, é aqui, a gente também tem muitas comunidades, talvez com a
- 10:22mesma carência de Heliópolis. Assim, a carência é a mesma em
- 10:26todos os lugares, né? Mas com uma carência de cultura,
- 10:30com a carência de educação, uma carência de música e música de
- 10:33qualidade é, você tem um olhar assim para essa região também.
- 10:37A gente sempre teve, mas que que acontece, por exemplo?
- 10:41AO crescimento para os céus. Ele é uma parceria público
- 10:45privada. Então a gente chega para fazer
- 10:48política pública, mas com tendo financiamento da prefeitura de
- 10:52São Paulo para fazer Heliópolis, a gente corre atrás do dinheiro.
- 10:56Eu não tenho financiamento público.
- 10:58A gente tem benefícios das leis de incentivo à cultura, mas a
- 11:01gente tem que ir atrás de buscar os patrocinadores e as empresas
- 11:04que queiram estar com com a gente nessa missão.
- 11:08É não é uma tarefa fácil. Eu te diria que a gente ainda
- 11:13está em fase, apesar de 29 anos, a gente ainda está em fase de
- 11:16consolidação desse trabalho em Heliópolis.
- 11:19A gente vai inaugurar agora, daqui a pouquinho tempo, o nosso
- 11:22teatro, né? Que aí, assim como estrutura
- 11:25física, a gente fecha a nossa sede.
- 11:27Então, para que a gente possa vir para outras regiões, ainda
- 11:31que próximas de Heliópolis, a gente, eu entendo que a gente
- 11:34tem que primeiro consolidar esse grande passo que a gente deu com
- 11:37a gestão dos céus. Entender que que está fazendo
- 11:40bem para depois dar um novo passo de crescimento, suportar
- 11:44um novo crescimento. E para ações como a gente faz em
- 11:47Heliópolis, a gente tem que estruturar um plano de negócio
- 11:51muito legal, porque depende de financiamento e não é uma ação
- 11:54de curto prazo. Eu não assim, hoje de manhã tava
- 11:58no instituto recebendo visitas. Lá você vai no coral nosso de
- 12:02pessoas de 14 anos de idade, que já estão há 10 anos conosco.
- 12:07Você entendeu? Então assim, eu não posso fazer
- 12:10um modelo de negócio, um plano de negócio onde o financiamento
- 12:13dure pouco tempo, porque eu não posso acender um desejo numa
- 12:17criança e daí alguns meses falar para ela, sabe?
- 12:20O seu sonho acabou. Não tem continuidade.
- 12:24Né? Formar alguém musicalmente ou
- 12:26através da música, formar um cidadão é um trabalho de médio e
- 12:30longo prazo, não é tiro curto. Uhum e no caso dessas parcerias
- 12:35com a prefeitura, ela tem qual é a vigência dela?
- 12:38Ela é renovável de forma. Esse contrato que a gente está
- 12:42hoje é um contrato de 5 anos, renováveis por mais 5.
- 12:45É um período para, né? É, dá para desenvolver, né?
- 12:50Dá, dá para dá para aprender. Sim.
- 12:53E começar a trabalhar bem. Sim.
- 12:55Né? E realmente transformar, fazer
- 12:57parte na fazer a diferença na vida das pessoas.
- 12:59Sim, porque às vezes o tempo, se ele é muito curto, quando você
- 13:03começa a implementar EE, começa a ter algum resultado, ela
- 13:06termina uhum e às vezes pode chegar um outro que nem dê
- 13:09continuidade naquilo, né? Que não siga com aquilo que foi
- 13:12plantado, com aquilo que foi conduzido.
- 13:14Sim. 10 anos é um bom tempo. Sim, mas você vê, tem algumas
- 13:17ações culturais que acontecem inclusive aqui na região.
- 13:20Que elas trazem bons resultados, né?
- 13:22Elas vão se consolidando. Por exemplo, a gente já trouxe
- 13:25nesse programa aqui, numa das primeiras entrevistas nossas, um
- 13:28grupo de hip hop de Mauá que começou assim também, com uma
- 13:32aula simples, a pessoa tinha um bom talento e ela decidiu
- 13:35ensinar um grupo de crianças. É o hip hop da dança da rua E
- 13:40não só o hip hop Oo dançar, né? Mas é escrever hip hop, é cantar
- 13:46hip hop, é, é vestir hip hop, né?
- 13:48É toda. A parte cultural ligada a esse
- 13:51movimento. E hoje eles estão ganhando
- 13:53títulos internacionais, inclusive nos Estados Unidos.
- 13:56Então, levando as crianças que estão lá naquele interiorzinho
- 13:59de Mauá para um país de primeiro mundo, ganhando títulos,
- 14:03disputando com pessoas do mundo inteiro, né?
- 14:05E aí eu fico pensando, que Oo instituto bacarelli tem uma
- 14:08história, acho que parecida também de ascensão assim, de
- 14:12Conquista de territórios, que culmina agora com a construção
- 14:16de um. O primeiro teatro anfiteatro
- 14:19dentro de uma favela, né? É OOO.
- 14:24Edilson pode contar um pouquinho pra gente hoje como que está é
- 14:27essa nova fase do teatro bacarelli expectativas é como
- 14:33que tá sendo viver essa experiência com o teatro dentro
- 14:37de Heliópolis. Na realidade, é um pouco mais
- 14:41que um teatro, é uma sala de concertos e isso faz dele único
- 14:45no território de favela. A gente tem outras comunidades
- 14:48que têm um teatro pequenininho, um teatro mais simples.
- 14:51Qual a diferença de um teatro para uma sala de concertos?
- 14:53Para quem está ouvindo, o nosso podcast é o tratamento acústico.
- 14:58Como é que o som caminha por dentro desse espaço?
- 15:01Então, em um teatro normal, se você coloca um violão no palco,
- 15:04você precisa amplificar. Se não, as pessoas não vão
- 15:07ouvir. Em uma sala de concertos como a
- 15:09nossa, você põe o violão sozinho no palco, sem nenhum microfone,
- 15:13e pela sala inteira vai se ouvir esse violão tocando e com
- 15:17perfeição. Então o tratamento do som é o
- 15:20que diferencia, é no bacarelli. A gente sempre acreditou e a
- 15:25gente sempre defendeu que pra quem tem menos você tem que
- 15:29oferecer ou mais. Então a gente sempre fez questão
- 15:32de ter professores. De altíssimo nível, porque eu
- 15:34quero profissionais muito bem sucedidos na sua carreira pra
- 15:38que ele possa inspirar as crianças, né?
- 15:41Pra criança, encontra ali um músico feliz com a sua carreira,
- 15:44com o que faz, com a sua vida. Quando ele fala quero ser igual
- 15:47você, ele falava, vem, ó, estuda, acredita no que eu estou
- 15:49te falando e vem comigo que você tem talento.
- 15:53No teatro não está sendo diferente.
- 15:54A gente poderia estar fazendo um teatro muito mais simples, não
- 15:58é? Mas a gente está fazendo uma
- 16:00sala de concertos no teatro. Que ele está com uma elegância
- 16:04que ele poderia estar em qualquer bairro da cidade de São
- 16:06Paulo. Ele poderia estar lá no Jardim
- 16:08América, que ele estava bem. Ele IA cair bem naquele bairro.
- 16:10Mas ele está numa favela, né? É novamente, a gente vai na
- 16:18contramão. Até alguns colegas meus da
- 16:20música clássica ainda preconceituosos.
- 16:24Ficam com talvez o mesmo preconceito que tiveram quando
- 16:27quando o nosso movimento nasceu, né?
- 16:29Eu ouvi de colegas lá em 1998 97 de que nós estávamos querendo
- 16:32fazer a música de concerto virar coisa de favela de uma forma
- 16:35pejorativa, né? Como se a favela não pudesse ter
- 16:40direito ao a música clássica. Né?
- 16:41Você entendeu viver isso. E agora a com a inauguração do
- 16:45nosso, da nossa sala de concertos, do nosso teatro,
- 16:48definitivamente a música clássica se torna coisa de
- 16:50favela. Né?
- 16:52Porque além dos nossos grupos artísticos, a gente vai receber
- 16:56grupos oficiais. A própria orquestra Sinfônica de
- 16:59Santo André, que é do meu querido maestro amigo.
- 17:01O maestro Abel rocha já manifestou interesse em ter uma
- 17:05temporada fixa da orquestra de Santo André lá com a gente.
- 17:07E aí vai por diante. Só que aí de novo, a gente dá
- 17:10uma pancada, porque é uma sala de concertos, é mas que vai
- 17:14receber o funk e o rap e o trep, que vai receber a dança de rua,
- 17:17que vai receber o teatro de Heliópolis, que tem uma
- 17:19companhia de teatro linda lá em Heliópolis.
- 17:22Vai receber as outras linguagens.
- 17:24Eu quero que o menino do funk, eu quero que o menino do trep
- 17:27possam estar em um teatro como o nosso, com as características do
- 17:30nosso, pisando naquele palco que vai trocar malha, mas que também
- 17:34vai fazer funk, também vai fazer rap.
- 17:36Então a gente de novo mostra caminhos.
- 17:39Se você pegar nesse momento que a gente vive, onde com a
- 17:43tragédia que aconteceu no Rio de Janeiro, é de uma forma errada.
- 17:50Novamente assim, as favelas são colocadas pela mídia como
- 17:54território de bandido, como território de criminalidade,
- 17:58quando na realidade, favela é lugar de gente potente, é lugar
- 18:01de gente solidária, é lugar de gente trabalhadora, é novamente
- 18:07o bacarelli vem e aponta um caminho, aponta uma solução.
- 18:11Eu tenho certeza que as 1650 crianças que a gente cuida não
- 18:14vão pegar um fuzil na mão, porque hoje elas têm dignidade.
- 18:19Elas se veem inseridas Na Na sociedade civil de uma outra
- 18:23forma, e isso é um é é 11 ponto muito legal assim da gente como
- 18:29sociedade refletir, né? Nós queremos uma sociedade mais
- 18:32segura. A gente quer sair na rua sem ter
- 18:36medo de ser assaltado. Agora, enquanto a gente tiver
- 18:41uma galera que tudo tem uma. Pequena parte da sociedade que
- 18:46tudo tem e uma grande massa que nada tem.
- 18:50A gente não vai ter esse mundo, né?
- 18:53Como é que assim você cresce, né?
- 18:57Eu sou formado em direito. Você, numa aula de direito
- 19:02penal, estava se discutindo pena de morte.
- 19:06Olha essa, essa discussão aqui, pode ir longe que essa aqui é
- 19:08uma advogada. Tipo, estou olhando para ela,
- 19:11meu professor chegou e falou. Quem é que consegue em uma
- 19:14maternidade, pegar 2 recém nascidos e falar, esse aqui
- 19:16nasceu para ser do bem, esse aqui nasceu para ser do mal.
- 19:19Então a gente, a gente acaba sendo o fruto dos repertórios,
- 19:23das experiências que a gente vai vivendo.
- 19:26Você pega um menino na favela que cresce vendo o companheiro
- 19:30da mãe dele, que nem sempre é o seu pai, batendo nela,
- 19:35violentando sua irmã, violentando fisicamente a ele.
- 19:40Ele cresce nesse ambiente, quando ele virar um adulto, ele
- 19:42Ah, ele vai ser como ele. Reproduz.
- 19:44Tendência repetir? Ele, ele, ninguém faz aquilo que
- 19:47não conhece. E ninguém dá aquilo que não tem.
- 19:50E ninguém dá aquilo que não tem, né?
- 19:52Então, se a gente, como sociedade, realmente não
- 19:55trabalhar nessas áreas mais vulneráveis, é, a gente nunca
- 19:59vai conseguir vencer. Então, de novo, o bacarelli tá
- 20:02mostrando um caminho, uma possibilidade de uma inserção
- 20:07social. Nenhuma comunidade, nenhum CEP
- 20:10desfavorecido onde a gente pode construir uma sociedade melhor.
- 20:13Ô Edilson, mas eu fico pensando assim, né?
- 20:15É o instituto. Bem, vamos, vamos lá, é o
- 20:19morador hoje, a pessoa que está lá dentro do Heliópolis, que vai
- 20:23buscar alguma coisa dentro do do instituto.
- 20:25Ele tá lá atrás de aprender um instrumento musical, a ter 11
- 20:30vivência nessa área da cultura e tudo mais.
- 20:33Só que eu imagino que não é todo mundo da população ali que se
- 20:36interessa. Por música, por arte, por o que
- 20:40quer que seja, né? Eu não vou lá, eu não não tenho
- 20:43aptidão nem para tocar um pandeiro, eu vou tocar 11,
- 20:45violino, como, né? É o instituto bacarelli.
- 20:49Olha também para os outros lados que envolvem a
- 20:52profissionalização de pessoas, mesmo no ambiente musical, mas
- 20:55sem envolver o instrumento musical, por exemplo, AA
- 20:59produção, AE tudo aquilo que vai em volta, né?
- 21:03Desde a parte, basicamente de construção de.
- 21:06De um teatro até sei lá. Vamos lá, meu coordenador de
- 21:10palco, meu coordenador técnico, aluno fundador do instituto,
- 21:16minha coordenadora do acervo musical hoje, mestre em
- 21:19biblioteconomia pela USP, fundadora do instituto, aluna de
- 21:23violino. Minha coordenadora de eventos
- 21:26está há 25 anos com a gente. As minhas 2 assistentes da área
- 21:30de eventos nasceram lá no bacaré desde os 4 anos de idade e hoje
- 21:33são produtoras incríveis. A minha assistente pessoal de
- 21:38diretoria nasceu no bacarelli e hoje é uma baita executivo.
- 21:43Tá do meu lado ali. O meu analista de ouvidoria
- 21:46nasceu no bacarelli, tá lá com a gente uma, né?
- 21:50Uma das minhas analistas de indicadores de prestação de
- 21:53contas nasceu no bacarelli, né? Então a gente já faz isso e
- 21:57vários professores da nossa base de de instrumentos são ex alunos
- 22:01nossos. Só que agora, com a inauguração
- 22:03do nosso teatro, a gente vai abrir uma nova frente.
- 22:06Que é que eu estou chamando de artes do palco, que são as artes
- 22:10que acontecem para que nós, artistas possamos estar no
- 22:13palco. É a nossa sala.
- 22:15Está preparada para streaming? Não é?
- 22:18Não tem hoje como você abrir um teatro que não esteja preparado
- 22:20para transmitir o que acontece lá dentro.
- 22:23E eu vou começar a formar engenheiro de som.
- 22:26Isso muito. Legal, né?
- 22:26Porque eu tenho meus meninos que estão lá desde os 2 anos de
- 22:29meninas, né? Não é a nossa garotada.
- 22:31Que está desde os 2 anos de idade sendo treinada, com a sua
- 22:34audição sendo treinada, que sabem ler partitura, né?
- 22:37Eu vou treinar câmera, mãe, por exemplo, a gente sofre muito, é
- 22:43quando eu não estou regendo que eu vou pra televisão, que eu não
- 22:45estou regendo, eu vou pra ilha da edição, né?
- 22:47A gente vai pro diretor e fala, ó, precisa de uma câmera no
- 22:49fagote, até ele fazer o câmera, entender o que é um fagote, vai
- 22:53pra outra cena que já a cena que era do fagote já foi embora, né?
- 22:57E aí você tem a TV Cultura em São Paulo.
- 23:00Que tem um time que grava bem concertos.
- 23:02O ano passado eles foram à Minas Gerais gravar um concerto nosso
- 23:05na sala Minas Gerais e almoçando com o diretor deles, eu virei e
- 23:08falei, Marcão, o teu time é o que melhor grava.
- 23:10Ele falou, maestro, realmente o meu time aqui é, mas uma vez
- 23:14viajando eu tava. Fui assistir Na Na filarmony uma
- 23:19gravação da Filarmônica de Viena e a hora que eu olhei, o
- 23:23cameraman tem uma tela do lar com a partitura.
- 23:26Então, digamos assim, eu como câmera eu tenho numa orquestra
- 23:29Sinfônica, eu vou pegar meu quadro, é o campo, quanto
- 23:31direito, violas, violoncelos contra baixos, diretor, não
- 23:34precisa falar pra onde eu vou, porque eu estou acompanhando
- 23:36pela partitura, o que eles fazem, e eu e eu sei pra onde eu
- 23:39vou. Na hora que ele falou isso, eu
- 23:41falei, eu tenho essa mão de obra, eu posso formar esse
- 23:45câmera que não existe no Brasil, vamos fazê lo, vamos formar
- 23:51produtor de áudio, vídeo. Iliminação, né tudo.
- 23:54Técnico de iliminação. Camareira sim, camareira.
- 23:57É uma arte que está em extinção no Brasil.
- 24:00Figurinista. Figurinista, cenógrafo?
- 24:04É a gente. No nosso teatro, está levando
- 24:06também um, em uma parceria com a prefeitura de São Paulo, o
- 24:08circuito SP Cine de cinema, para ter cinema de graça, para
- 24:12favela, favela, não tem dinheiro para ir no numa sala de cinema e
- 24:16pagar 50 BRL o ticket +60 AA pipoca.
- 24:21Verdade, né? Conversando com AAO pessoal da
- 24:24SP Cine, eles falaram que todas as redes de de de cinema estão
- 24:27com dificuldade hoje para progestionista, porque hoje em
- 24:31dia é tudo digital, EOA, turma mais antiga não se atualizou.
- 24:35Eu falei, eu vou ter o circuito de SP Cine aqui, eu posso formar
- 24:38essa mão de obra. Então a gente, a partir de
- 24:41fevereiro do ano que vem, entra com uma nova frente de cursos,
- 24:46buscando realmente profissionalizar os nossos
- 24:49jovens. Na arte, não na música, né?
- 24:53E mesmo para aqueles que quiserem ser músicos hoje, hoje,
- 24:55cada dia mais a gente tem que saber se produzir, né?
- 24:57A gente tem que saber se vender, então eles precisam entender de
- 25:02gravação. Ele tem que conseguir se gravar,
- 25:04ele tem que conseguir gravar um bom vídeo, gravar um bom áudio.
- 25:07Então a gente se preocupa assim, já atua e se preocupa para fazer
- 25:11ainda melhor. Em ampliar.
- 25:13E aí você acaba gerando emprego e na região, tudo dentro desse
- 25:18circuito do instituto. É hoje, se você for ao entorno
- 25:21do instituto, já já está muito legal, né?
- 25:24Você tem uma sodiedo na frente do instituto, né?
- 25:28Você tem uma doce corado, que é uma loja de doces ali de uma
- 25:31pessoa da favela, que é mais legal que a sodier, né?
- 25:35Você tem o barbeiro que tá ali na frente, você tem a coxinha, o
- 25:39Salgadinho que tá ali na frente. A gente já criou meio que 11
- 25:42ecossistema. No entorno da gente em relação a
- 25:45isso e. Se alimenta do próprio
- 25:47instituto, né? Durante?
- 25:48A pandemia a gente contribuiu muito com doação de cesta básica
- 25:52para as nossas famílias. A gente comprava nos mercados da
- 25:54região, a gente comprava os alimentos lá e montava as cestas
- 25:57básicas, né? A gente tem que gerar renda onde
- 26:00a gente está, né? E Eu Acredito muito no
- 26:04empoderamento dessas dessas comunidades, né?
- 26:09Mais vulneráveis? É o que a gente puder fazer por
- 26:13Heliópolis. A gente vai estar sempre fazendo
- 26:15isso em Heliópolis. Mas hoje a gente está em parque
- 26:18Novo Mundo, a gente está em cidade de Tiradentes, que é o
- 26:20pior IDH de São Paulo. A gente está em outras, em
- 26:24outras regiões muito vulneráveis de São Paulo e com o mesmo DNA,
- 26:28buscando o que que a gente pode fazer para melhorar a vida
- 26:30dessas comunidades. Oo Edilson e o instituto bacari,
- 26:33ele está sendo um trampolim para as pessoas saírem da favela ou
- 26:37ou assim não sair necessariamente.
- 26:39Não precisa mudar de lá, né? Fisicamente, mas elas estão
- 26:42saindo da favela e chegando onde?
- 26:45Você que acompanhou talvez a história dessas crianças que se
- 26:50cresceram e viraram hoje pessoas muito boas aí dentro da sua
- 26:54estrutura. Mas onde mais elas estão indo?
- 26:57Elas estão indo, os músicos, por exemplo, estão se apresentando
- 26:59onde hoje? Vamos lá?
- 27:01Falando de músico, primeiro trompa da orquestra nacional do
- 27:04Chile. Nosso uma menina, nossa, preta,
- 27:08periférica, como o primeiro Trombone de uma orquestra na
- 27:10Dinamarca. Por que eu falo isso?
- 27:12Porque no mundo da música clássica, o naipe dos metais, os
- 27:15instrumentos de metais, é um mundo ainda muito masculinizado.
- 27:19Então, pra uma menina preta ser chefe do naipe de trombones na
- 27:24Dinamarca, que é um país de branquelos.
- 27:26Olha o tanto de Barreiras que essa mulher vencer esse ano.
- 27:30Um dos nossos alunos foi aprovado na orquestra de Lyon,
- 27:33na França, o chefe de violas da da orquestra de Lucerna, na
- 27:37Suíça, e daí vai indo. Eu tenho uma aluna nossa que tá
- 27:41nos Estados Unidos com flauta, tem um montão, mas ao mesmo
- 27:44tempo a gente tem uma aluna fundadora que foi da pá virada,
- 27:47me deu muito trabalho, né? Ao ponto de 1 dia eu trancar a
- 27:50nossa sala e falar, ó, eu te mando embora, ou a gente se
- 27:52entende ou eu peço demissão. A gente se entende, né?
- 27:55Uma menina com uma vida muito sofrida.
- 27:58Ela não tem o dedo no pé do pé que eu te arranco com uma
- 28:00marreta, por exemplo, para reduzir um pouquinho.
- 28:03Não é o mais grave não, tá? Hoje ela é advogada.
- 28:07Há 9 anos atrás, quando a gente fez a festa de 20 anos na Sala
- 28:10São Paulo, eu tava no foie da sala.
- 28:13Um homem meio me cumprimento, falou, mas o senhor lembra de
- 28:17mim? Falei, desculpa, não.
- 28:21Falou eu era o spa da primeira orquestrinha da em 96 e
- 28:24começamos a conversar. Eu falei, como é que está a tua
- 28:26vida hoje? Eu sou chefe de compras no
- 28:27metrô, você entendeu? Então assim é, eu não tenho
- 28:33dúvidas de que o trabalho que a gente faz lá em Heliópolis é
- 28:38para que as pessoas conquistem o mundo.
- 28:40Nós não somos uma escola de música, a música é a ferramenta
- 28:44que a gente utiliza. Para promover o crescimento e a
- 28:49transformação social dessa garotada, ela é uma ferramenta
- 28:53poderosíssima na questão da autoestima.
- 28:56É, talvez tenham pessoas que estão nos assistindo agora e que
- 29:01durante essa semana não ganharam um bom dia no último mês, talvez
- 29:05não tenham ganho um obrigado. E alguns que talvez em toda sua
- 29:10jornada de trabalho nunca ganharam parabéns pelo que
- 29:12fazem. Nós, músicos, subimos ao palco,
- 29:15seja o palco, uma sala de aula ou o palco de um grande teatro.
- 29:20A gente canta, a gente toca, as pessoas aplaudem o nosso,
- 29:24reconhecem o nosso esforço, reconhecem o que nós fizemos.
- 29:29Cara, se eu posso estar sendo aplaudido, eu posso acreditar no
- 29:33meu potencial, na minha capacidade.
- 29:35Eu posso sonhar, eu posso desejar e eu posso passo a
- 29:40acreditar que eu posso ser aquilo que eu quiser ser na
- 29:43minha vida. Acho que isso é o maior
- 29:45benefício que a gente tenta trazer para cada uma das
- 29:47crianças que estão conosco. Em qualquer espaço, né?
- 29:50Não necessariamente na música. No que quiser ser.
- 29:53Eu imagino que a música, sobretudo, exija muita
- 29:55disciplina. Então, se você tem disciplinas,
- 29:59você tem foco, concentração, você é muito mais fácil, né?
- 30:03Você seguir um objetivo, perseguir um objetivo e ocupar
- 30:08qualquer outro espaço, como um gerente de compras ou como um
- 30:10advogado, como qualquer coisa que quiser ser.
- 30:13Fora da música? Tem umas coisas malucas, né?
- 30:16É qual o principal sentido que a gente trabalha na música?
- 30:20O ouvir não é o ouvir mais, mas é ouvir com maior qualidade.
- 30:27A gente cria memória auditiva porque a gente tem que decorar.
- 30:30Eu decoro uma sinfonia de 1 hora eu reajo sem eu reajo sem apoio
- 30:34de partitura. Quando eu me formei em direito,
- 30:37eu fui o melhor aluno da minha turma no ano 2002, na faculdade
- 30:41que eu que eu me formei. É, eu tinha vindo de uma
- 30:44falência, então eu não fui na faculdade de brincar, então eu
- 30:49assistia muito bem as aulas, com muita atenção.
- 30:52E como eu tenho memória auditiva, chegava na prova.
- 30:56Não é que eu lembrava da matéria.
- 30:58Eu ouvia o professor falando por causa da minha memória auditiva.
- 31:03Então através da música Lino, a gente vai desenvolvendo isso com
- 31:07a criança. Ela vai pra escola e começa a
- 31:08ouvir melhor o que o professor passa de informação e começa a
- 31:11ser melhor. Você vai ler uma partitura
- 31:13musical. Ela é um exercício de lógica
- 31:16matemática o tempo inteiro. É uma nota que você tem um
- 31:19pontinho na frente, você só você acresce metade do valor, você
- 31:23tem um ponto embaixo dela, você subtrai metade do valor, se ela
- 31:26tá ligada com a nota da frente, você soma o valor de uma com
- 31:29outra. Então, o tempo inteiro você tá
- 31:31fazendo exercício de raciocínio lógico matemático sem perceber,
- 31:35mas tá treinando. Mas na escola começa aí melhor.
- 31:39Então, AA arte, a música, ela traz benefícios que são reais,
- 31:45que são verdadeiros. Da música?
- 31:49É mais que isso, vamos dizer assim.
- 31:50Você pega hoje em qualquer grande empresa, em qualquer
- 31:54empresa, não em qualquer grande empresa.
- 31:56Aqui no teu time que faz esse podcast com você.
- 32:00Você quer o que? Pessoas que saibam trabalhar em
- 32:02time, né? Todo mundo junto.
- 32:05A gente faz mais que isso. A gente produz pessoas que
- 32:08sabem, passam a saber trabalhar para o time, não em time.
- 32:13Eu com aqui tô tocando, eu vou oferecer o meu melhor som para
- 32:17que o seu solo brilhe, para que você brilhe.
- 32:20Daqui a pouco vai inverter os papéis e você vai ter oferecer o
- 32:23que você tem de melhor para que eu brilhe, né?
- 32:27É, é uma coisa muito maluca é. Eu costumo sempre falar, né,
- 32:32quando a gente vai para o interior.
- 32:34Que aqui na nas grandes cidades a gente tem a iluminação de rua
- 32:37que não nos permite, mas você olha para o céu e tem estrelas,
- 32:41qual o céu que você para para olhar quando tem uma Estrela
- 32:43brilhando ou quando tem uma Estrela brilhando?
- 32:46Certamente. Até porque o meu brilho vai para
- 32:47o teu, que vai pro dele, que volta para mim e a gente vai
- 32:49trocando eu brilho mais. Se eu tenho você brilhando do
- 32:52meu lado e a gente faz isso? A música, a música é isso e a
- 32:55favela é isso, né? Favela, ninguém solta a mão do
- 32:58outro, né? Eu falo sempre também é.
- 33:01Ninguém sabe o verdadeiro significado do verbo ajudar.
- 33:06Mais do que quem já precisou ser ajudado um dia na vida, quem já
- 33:10precisou de ajuda sabe a importância de ajudar.
- 33:12É o que tem lá. Então, assim, a gente através
- 33:15desse trabalho, a gente traz ferramentas socioemocionais
- 33:21cognitivas muito interessantes para realmente formar
- 33:25profissionais de ponta no que eles quiserem ser, inclusive na
- 33:28música, se assim o quiserem. É, e a beleza tá em todo lugar,
- 33:32né? É como você tem falado aí, é a
- 33:35favela, ela não é a assim, a mídia retrata a favela de um
- 33:40jeito, né? É o local da violência, é o
- 33:43local da droga, é o local, é de uma série de problemas, mas não
- 33:48consegue pensar as vezes que é é de dentro da favela que sai
- 33:50algumas grandes Maravilhas, né? Só um exemplo pra pra ilustrar,
- 33:54aqui perto de nós temos um shopping muito chique aqui em
- 33:58São Caetano do Sul, né? E o Jardim daquele shopping é
- 34:01impecável. O jardineiro que toma conta
- 34:04daquele shopping é de uma favelinha aqui de Santo André,
- 34:06que ele sai todo dia de casa de bicicleta e vai até lá, suja as
- 34:11mãos, trabalha do jeito que ele pode e deixa aquele Jardim
- 34:15impecável. As algumas pessoas passam e se
- 34:18admiram. A maioria passa e não não repara
- 34:21em nada, né? Mas o Jardim lá é impecável e é
- 34:23fruto da favela. Né?
- 34:26E a gente não vai valorizar isso.
- 34:28Vai achar que ali é fruto de uma grande marca que estampa o logo
- 34:32do shopping center, né? Essa?
- 34:33Você falou que favela é confundido com humanidade, né?
- 34:36É, vamos fazer uma reflexão, será que é o pessoal da favela
- 34:43que entende de infraestrutura, aéreo, portuária pra fazer
- 34:47entrar os grandes carregamentos de arma e droga no país?
- 34:51Eu tenho certeza que não. Então, talvez os grandes
- 34:55bandidos são pessoas que a gente chame de senhor, que a gente
- 34:59reverencie, que a gente fala, olha que cara bacana, né?
- 35:04Então eu tenho, é isso. Eu tenho minhas ressalvas, eu
- 35:07tenho uma forma diferente de pensar.
- 35:09Muito bem com isso, com essa reflexão, a gente fazer um
- 35:12rápido intervalo para vocês pensarem muito sobre o que a
- 35:14gente falou e a gente já volta com mais conteúdo sobre
- 35:18instituto bacarelli, sobre OA vida do Edilson e a participação
- 35:21especial da. É que a gente já volta em um
- 35:23minutinho só. Olá, essa é para vocês que estão
- 35:27assistindo OABC conexões? Sim, vocês, nossos ouvintes.
- 35:32Eu sou o João Pedro Melo e agora eu estou na bancada do ABC cast.
- 35:36Sala, pessoal, você já vai vim ter ouvido a minha voz.
- 35:39Se você não ouviu, eu sou a Susana Rezende, a apresentadora
- 35:42do ABC cast e eu venho aqui para gente fazer um convite muito
- 35:45especial. O nosso encontro está marcado de
- 35:48segunda a sexta, às 18:00, lá no ABC cast.
- 35:52E lá nós falamos sobre tudo que impacta o seu dia a dia, desde o
- 35:55grande ABC até a região metropolitana de São Paulo.
- 35:59A gente fala sobre o Brasil, sobre o mundo, pra te manter
- 36:02sempre bem informado. Sem Rodeio, sem drama e sem
- 36:05perder mais o seu tempo bom, talvez só um pouquinho de drama.
- 36:10Não, não tem desculpa. Nos siga na sua plataforma
- 36:13preferida. Então tem o Deezer, o Spotify, o
- 36:16Apple boot fashion, o Amazon Music, até o YouTube.
- 36:19É só escolher sobre preferida no seguir e dar o play.
- 36:22Então já nem perde tempo. E segue a gente lá no Instagram,
- 36:26é arroba ABC do ABC, underline oficial, porque é lá que a gente
- 36:31avisa, provoca, comenta, ri e chora e às vezes até descola uma
- 36:37treta, então. Bora lá?
- 36:40Então, pode dar o play. Obrigado por ouvir esse recado.
- 36:44Vamos agora para os nossos quadros especiais.
- 36:46O primeiro deles é o contraponto.
- 36:50Contraponto. Aqui é Edilson.
- 36:55O contraponto funciona assim, todo esse episódio a gente
- 36:59roteiriza, a gente conversa com a assessoria e tudo mais.
- 37:02A gente tenta trazer os assuntos que são importantes e cruciais
- 37:05para quem está. Vindo nos dar essa entrevista.
- 37:09Só que no contraponto, eu convido um jornalista, uma
- 37:12pessoa convidada para cá, justamente para ela poder trazer
- 37:15as suas perguntas e eu não sei nem o que ela vai perguntar.
- 37:18Então, boa sorte para você para responder a hegri que a hegri é
- 37:21uma pessoa. Ela é uma pessoa espetacular,
- 37:23mas ela sabe fazer pergunta boa, né?
- 37:25Então boa sorte aí para você. Vai lá, hegri.
- 37:28Então tá bom, obrigada pela palavra e pela confiança, né,
- 37:32Edilson? Eu gostaria de entender.
- 37:35Eu. O senhor já explicou, ó lá, que
- 37:37aos 13 anos é, mas é do é do trato direito.
- 37:40Faz isso com a gente, né? Aos 13 anos, chegou No No
- 37:44instituto e cresceu dentro do instituto.
- 37:47Como que você se tornou maestro? Aos 13 anos, eu cheguei na
- 37:50empresa do maestro bacarelli. O instituto surgiu isso bem mais
- 37:55para frente. É aos 13 anos.
- 37:59Eu entrei no coral bacarelli cantando.
- 38:01Meus pais já cantavam, como eu falei.
- 38:04Eu precisava trabalhar, precisava levar dinheiro para
- 38:07mim na minha casa. Aos 15 anos, eu fui trabalhar na
- 38:10empresa comercial do mestre bacarelli, como funcionário da
- 38:12empresa e com muito orgulho, meu primeiro registro em carteira de
- 38:16montador de orquestra. Eu era o cara que IA lá colocar
- 38:18a cadeira e enchente para os músicos tocarem.
- 38:21Logo depois eu fui promovido a arquivista.
- 38:24Já era mais legal, né? Já mexia com as partituras, não
- 38:26mais pondo cadeira, estante e aos 18 eu já era O Mestre
- 38:30preparador do coral dele. Do coral bacarelli profissional.
- 38:34E aí a vida foi seguindo. Ele foi meu grande professor de
- 38:37Regência coral. Depois disso, estudei Regência
- 38:42orquestral com 3 grandes mestres, maestro Roberto viri
- 38:44Sá, maestro aleving e o maior maestro que o Brasil tem vivo
- 38:48até hoje, que é o maestro sakharab chevski, que é o meu
- 38:51grande, meu grande modelo, meu grande mestre, né?
- 38:55Então, AA Regência, né? Entrou na minha vida.
- 39:01Como consequência, não foi algo que eu planejei, não.
- 39:04Te confesso até que eu não queria ser músico, como eu já
- 39:06falei, né? Eu queria jogar bola no meio do
- 39:09caminho. Eu resolvi que eu IA ser militar
- 39:12com a graça do bom Deus. Não fui, desisti.
- 39:15Mas assim ele te preparou, ele te direcionou, ele te te fez 11
- 39:21molde do que ele gostaria que fosse e existiam outros que
- 39:24pudessem ir no mesmo caminho. Que fossem também que pudessem
- 39:29alcançar também esse cargo de regente.
- 39:31Ou ou ele te fez, ele te moldou do daquilo que ele precisava.
- 39:35Ele é acessível essa carreira, ele é acessível a todos.
- 39:38Hum. Né?
- 39:40Só que ela é uma carreira muito restrita, porque as
- 39:43oportunidades são muito pequenas.
- 39:45Hoje você tem centenas de jovens estudando Regência nas
- 39:50faculdades, nas universidades. Pouquíssimos vão vingar, porque
- 39:56é um. Um é um universo muito pequeno.
- 39:58Quantas orquestras tem aqui no ABC?
- 40:01Santo André, fundação das artes de São Caetano, tinha uma
- 40:05orquestra pequena. Nós estamos falando de 3 grandes
- 40:08cidades, 4 mundial, tem ciência, no ABCD tem uma orquestra, você
- 40:13tem capitais do país que não tem nenhuma, é enquanto de uma
- 40:17orquestra você tem 100 instrumentistas, você tem um
- 40:19maestro e quem entra no sai? E é uma carreira muito exigente,
- 40:26ela é muito difícil e ela é muito além da música, né, porque
- 40:30é uma carreira de relações humanas, é uma orquestra,
- 40:34escolhe um maestro, passa um determinado momento, a orquestra
- 40:39não quer mais ele, que é outro. Por quê?
- 40:42Porque ele piorou musicalmente, não, ele ganhou mais experiência
- 40:47como músico, eu tenho certeza que ele tá melhor, mas a relação
- 40:50humana desgastou, né? É qual é a minha função como
- 40:54maestro conseguidos 80 grandes artistas que estão comigo ali, o
- 40:59melhor que eles podem oferecer. Eu só sou um motivador, só sou o
- 41:04cara que vai lá provocar cada um a oferecer o seu melhor.
- 41:08Agora, isso é fácil, não é fácil.
- 41:11Então, assim, o maestro bacarelli foi importante na
- 41:13minha vida, é, me deu muito embasamento, porque eu sou hoje
- 41:18como ser humano, mas. Eu te diria que ninguém me
- 41:22moldou. Eu fui buscar, né?
- 41:26E eu nunca quis ser o que o meu professor é, né?
- 41:30Eu não quero ser cópia de ninguém, eu quero ser eu com as
- 41:34influências de todos os meus professores, né?
- 41:38Mas nem tudo que um professor me ensina me capne, até na
- 41:40Regência, porque é gestual, muita coisa.
- 41:44Um dos meus maestros, quando os meus professores, por exemplo,
- 41:47ele era mais baixinho, menorzinho que eu, então
- 41:49precisava ter movimentos maiores do que o meu.
- 41:52Você entende? Então, de repente, um movimento,
- 41:54um gesto que com ele fica bem, funciona comigo não vai
- 41:58funcionar, né? E você hoje tem esse olhar
- 42:03apurado também para perceber entre as tuas crianças ali quem
- 42:07o não moldar, né? Como você disse, não moldar.
- 42:11Mas esse tem um tino diferenciado.
- 42:14Esse já existe hoje, essa. Esse preparo seu, inclusive
- 42:18depois que a gente assumiu AA gestão dos céus.
- 42:21Que eu me afastei bastante da Regência, né?
- 42:24Meu instituto funcionava redondinho, até antes do Celso.
- 42:28Eu tinha uma equipe que trabalhava muito bem, então a
- 42:30minha necessidade de estar sentado na cadeira de CEO, ela
- 42:34era muito pequena, então eu podia estar fazendo ensaios em 2
- 42:37orquestras, de manhã em uma, à tarde em outra.
- 42:40Quando a gente cresceu e assumiu 11 outro negócio, que são os
- 42:44Celso, onde a gente não fazia nem ideia do que era, a gente
- 42:46tinha que aprender tudo. Eu saí da Regência e.
- 42:50E de executivo, e eu trouxe para me substituir 11 ex aluno nosso,
- 42:56que já tinha se profissionalizado como
- 42:57violinista, eu vi que ele estava estudando Regência e esse garoto
- 43:02que é o Paulo Galvão, ele vai ser um dos grandes, mais que o
- 43:04Brasil vai ter no futuro. Ele tem um talento incrível,
- 43:08então esse é, por exemplo, é um dos que eu tô cuidando.
- 43:11Entendi, né? Entendi também, eu gostaria de
- 43:15te perguntar. Eu venho devagarzinho.
- 43:19É o instituto, está? Inserido em terreno.
- 43:23De comunidade e nós, eu, Paulistana, que sou em breve, há
- 43:2860 anos, a Heliópolis. Heliópolis.
- 43:33É favela, a é lugar perigoso, a é lugar onde nós não iríamos.
- 43:39Como quebrar isso inclusive agora, né, com a chegada desse
- 43:43dessa sala de concertos, né? Para que a população queira
- 43:47visitar, vá com confiança. Como é que vocês trabalham isso?
- 43:52Você diz que tem meninas lá que acham que devem cuidar da da
- 43:55parte de comunicação, de publicidade, de como quebrar
- 43:58essa coisa, de que as pessoas têm essa essa mácula.
- 44:01Já quando se fala em Heliópolis e você vivencia isso há quantos
- 44:05anos, ó primeiro que assim. Heliópolis é a maior favela.
- 44:10De São Paulo. 220000 moradores tem a população do complexo da
- 44:14maré. Só que o complexo da maré é um
- 44:16complexo de favelas. São várias favelas reunidas.
- 44:19Heliópolis é sozinha. Só que.
- 44:22A. Maior parte das vezes que a
- 44:26gente toma contato com a realidade da favela é por causa
- 44:30de alguma. Matéria negativa.
- 44:33Né, São Paulo você tem 2? Grandes favelas.
- 44:37Heliópolis e Paraisópolis. De vez em quando.
- 44:41Você vê ações policiais em? Paraisópolis irem parar na nos
- 44:44jornais. Você lembra de ter visto algumas
- 44:47de Heliópolis nos últimos anos? Não.
- 44:51Porque não tem, é uma. É uma favela.
- 44:54Extremamente segura. Né?
- 44:56A gente não fala comunidade. A gente fala favela mesmo, mas
- 44:59não favela, no sentido pejorativo.
- 45:01Favela com muito orgulho. Você tem a comunidade que mora
- 45:04na favela de Heliópolis, mas o local é assim, a favela de
- 45:07Heliópolis. É uma favela extremamente
- 45:10segura, extremamente organizado. Tem crime lá dentro?
- 45:12Tem. Tem aqui fora e certamente quem
- 45:17está. Lá dentro cuida.
- 45:18Do bacarelli também, porque reconhece o trabalho que é feito
- 45:21para todas as crianças que ali estão.
- 45:23A gente nunca teve um instrumento nosso.
- 45:25Roubado? A gente nunca teve um traficante
- 45:26na nossa porta, sim, porque eles sabem o valor que tem isso lá
- 45:29dentro. Mas eu digo para quem olha de
- 45:31fora que nunca passou. Pela comunidade ou pela favela?
- 45:35Como venceu o estigma, né? Como eu vou vender?
- 45:38Esse produto? Para que essas pessoas se
- 45:40aproximem, para que essas pessoas venham, porque você
- 45:43também, eu imagino que não faça o instituto não exista para
- 45:46servir apenas a quem vive na favela.
- 45:49Não. Hoje eu quero atrair quem está
- 45:51sei. Lá no Morumbi.
- 45:52No Paraíso, no Ipiranga, em ribeiros, a gente tem alunos de
- 45:56outras realidades. Hoje a gente tem alunos que vem
- 45:58de outros países para estudar com a gente lá não é nem de
- 46:01outras regiões de são. Paulo.
- 46:03É gente de outros países. Mauá está cheio de uma galera de
- 46:06Mauá enorme lá com a gente, né? Eu acho que a gente já trabalha
- 46:10isso, né? A gente está direto, pô, a gente
- 46:13está em altas horas, a gente está fazendo detal, a gente está
- 46:16fazendo Rock In Rio, Rock In Rio, aí está aparecendo em
- 46:18Jornal Nacional. Em SPT.
- 46:20V em jornal da Band não sei o quê e sempre com mensagens
- 46:22positivas, sim. Sempre que o bacarelli vai para
- 46:25a mídia, o bacarelli vai mostrando realizações positivas,
- 46:29nunca negativas. Então eu penso que a gente já
- 46:32vem trabalhando para quebrar esse estigma, para quebrar essa
- 46:36ideia de que favela é lugar de gente perigosa.
- 46:39Só que é uma, é um, é uma formiguinha lutando contra um
- 46:42Golias, porque aí você acontece. Como foi agora a tragédia lá do
- 46:46Rio de Janeiro, onde quem assistiu aquilo?
- 46:49128 mortos, né? Imagina o quê?
- 46:52Que só tem. Bandido na favela.
- 46:55Agora, quantas pessoas moram lá? 220000.
- 47:00Certamente infinitamente. Mais pessoas do bem do que
- 47:03aqueles que foram abatidos, né? Você entendeu?
- 47:05EE, vocês têm algum acompanhamento?
- 47:08Por exemplo, você citou o altas horas e eu já os vi incontáveis
- 47:12vezes o Serginho Groisman, aliás, ele abre espaço para
- 47:15música, para quem tá fora da mídia e para quem tá na crista.
- 47:20Ele é maravilhoso. Vocês têm algum acompanhamento?
- 47:22Por exemplo, quando vocês vão ao programa é sobe o número de.
- 47:28De pessoas que curtem o Instagram ou que acompanham
- 47:31vocês por conta daquele procura por cursos, né?
- 47:34Daqueles. Minutos que vocês se.
- 47:36Apresentam quanto isso projetam? Eu normalmente, eu como pessoa.
- 47:40Física, cada vez que eu vou no altas horas, meu número de
- 47:43seguidores cresce, 200, 300 pessoas.
- 47:46Assim, no dia seguinte, no baca, no baca também.
- 47:50Mas o que mais me orgulho é o que é eu estar passando pelo
- 47:52instituto, pelas, pelas, pelos nossos corredores.
- 47:56E vinha um pitoquinha, uma pitoquinha olhar para ele,
- 47:59falou, diretor, eu lhe vi na televisão.
- 48:01Ah, que legal, mas com o sentimento.
- 48:04De orgulho porque dá. Para mim, uhum, ela viu o
- 48:06bacarelli. Ela viu a favela de Heliópolis.
- 48:09A favela de Heliópolis, na televisão é o pertencimento, né?
- 48:13A gente. Eu falo para você.
- 48:15Que eu tenho memória auditiva, né?
- 48:182005 foi a primeira grande exposição de mídia que nós
- 48:22tivemos, que foi quando O Mestre zub meta nos visitou.
- 48:25Até então, a gente não não existia pra mídia, mas como um
- 48:28dos grandes maestros do mundo apareceu lá e falou que o que a
- 48:31gente fazia era era legal. Da partir daquele dia a gente
- 48:33ficou legal. Entendi, né?
- 48:36Em uma reunião. Pedagógica.
- 48:37Meses depois, uma mãe que é educadora virou pra mim e falou,
- 48:42mestre, eu tô muito feliz porque Heliópolis continua.
- 48:45Nas páginas de. Jornais, só que agora não na
- 48:49página policial, mas na página de cultura.
- 48:52Não mais falando da mazela dos nossos filhos, mas não mais
- 48:56favela, falando da mazela da nossa comunidade, mas da Riqueza
- 49:00e do talento dos nossos filhos, não é então?
- 49:05Isso eu? Penso que já vai quebrando esse
- 49:07estigma, não tem nem como mensurar o valor de um.
- 49:10Comentário, agora sim, eu quero muito.
- 49:13Receber pessoas de todas as regiões de São Paulo, do Brasil
- 49:16e do mundo no nosso teatro. Quero mesmo, né?
- 49:20Só que ele. Foi feito para favela?
- 49:22O que eu vou trabalhar? Para acontecer.
- 49:25É que as pessoas da favela eu frequentem 11 tempo atrás, um
- 49:28mês e pouco atrás, em um sábado pela manhã, eu fui até o
- 49:31instituto para dar uma acompanhada na obra, que é a
- 49:34minha razão de existência. Hoje, meu foco é entregar esse
- 49:36teatro previsto para quando? Novembro, agora estamos?
- 49:41Na reta final, para o meu desespero, e estava.
- 49:47Tendo um sarau. Literário.
- 49:49Uma ação promovida pelo nosso serviço social em parceria com
- 49:52uma pequena editora de Heliópolis.
- 49:54Tinham lá 8 pessoas dessa ONG de Heliópolis, né?
- 49:57Eu nunca tinha levado ninguém da comunidade lá dentro, não tinha
- 50:00nem poltrona ainda, estava meio na fase cinza da obra ainda eu
- 50:04me dei um insight, eu falei, então vou convidar essa turma
- 50:06para ir lá. Na hora que acabou o sarau,
- 50:08falei, vocês não querem conhecer o teatro, vem comigo.
- 50:10Levei todo mundo, se emocionou, mas um senhor começou a chorar
- 50:13muito a hora que ele se equilibrou.
- 50:16Ele virou para mim e. Falou, mas você me desculpe?
- 50:19Falei, mas é que faz pelo menos 30 anos que eu ando no centro da
- 50:24casa da cidade de São Paulo e eu passo em frente ao teatro
- 50:27municipal. Eu olho, desejo e nunca tive
- 50:29coragem de entrar. Falo, agora a minha quebrada vai
- 50:33ter um teatro. Olha que orgulho é.
- 50:36Pertencimento não tem isso, essas pessoas ao.
- 50:39Começarem a frequentar o nosso teatro, elas vão ver que elas
- 50:42podem sim ir ao teatro municipal.
- 50:45E quando a gente fala isso, é chato.
- 50:48Pega na memória de vocês e busca aí um filme que você assistiu,
- 50:52que tinha uma orquestra no palco de um teatro.
- 50:54Busca nessa memória agora de vez de olhar.
- 50:57Para o palco, olha para a plateia.
- 50:59Ver como as pessoas estão vestidas.
- 51:02As mulheres estão de longo, os homens estão.
- 51:04De fraque, de smoking? Como é que a pessoa da favela
- 51:08que recebe essas influências pela televisão vai se sentir com
- 51:13dignidade para entrar? Nas nossas reuniões pedagógicas
- 51:16eu sempre chamo essa AAA turma pra ir dia Dezesseis de Novembro
- 51:19mesmo. A gente tem concerto no teatro
- 51:21municipal de São Paulo, então vem assistir.
- 51:24Todas as vezes alguém levanta na mão e fala, mas, mas como?
- 51:27Tem que ir vestir? Ele falou, ó, eu vou de tênis,
- 51:31calça jeans e camiseta, aí você vê.
- 51:34Como você quer ir vestir porque porque na?
- 51:36Cabeça deles é isso, a mulher tem que pôr longo e o homem tem
- 51:39que pôr um smoking fraque. É porque nós vivemos num mundo
- 51:41em que os ambientes têm. Esse esse dress code, né?
- 51:45E você, pra se se situar, você precisa estar naquele formato,
- 51:50mas ele acaba sendo exclusivo, né?
- 51:53Ele exclui as pessoas mais humildes, as pessoas mais
- 51:55simples. E houve algum momento que vocês?
- 51:59É, perceberam que a música clássica que é conhecida para
- 52:03alguns e não para todos, houve essa, essa mescla, houve essa
- 52:10quebra. De que qualquer um pode, de qual
- 52:13é acessível, tanto para ouvir quanto para tocar, quanto para
- 52:17pertencer àquela orquestra. Houve algum momento que vocês
- 52:20perceberam realmente aqui nós quebramos esse paradigma?
- 52:25E é, eu posso até acrescentar, né?
- 52:27Qual foi o momento? Em que você percebeu que isso é
- 52:3011? Foco da sua vida, né?
- 52:33Porque o todo o discurso que você traz aqui, Edilson, é, é,
- 52:36fica muito claro que você olha AA pobreza, você olha.
- 52:41AA favela com aquele olho humano, né?
- 52:45De não exclusão, mas sim de inclusão.
- 52:48Então, então, em que momento da sua vida isso se tornou uma
- 52:52pauta que você tomou para si e disse, qualquer coisa que eu vou
- 52:56fazer, isso tem que estar dentro, né?
- 52:59É a questão da música. Ser acessível.
- 53:02Eu sou fruto dela, né? Eu venho de uma família muito
- 53:04pobre e comecei a estudar piano com 5 anos.
- 53:08Quando nós tivemos a primeira? Casa que a gente?
- 53:10Conseguiu construir. Meu pai IA trabalhar a pé porque
- 53:14não dava para pagar o ônibus que manteve a mim, ao meu irmão no
- 53:17conservatório, estudando piano. Ele preferia pagar o nosso
- 53:19conservatório do que pagar o ônibus dele para ir trabalhar.
- 53:23Só que assim eu tive a Felicidade de ter um pai e uma
- 53:26mãe que entendiam o que o melhor que podiam fazer por nós era a
- 53:30educação. Meu pai sempre falou, olha, eu
- 53:32tenho que te educar. Dali para frente eu fiz a minha
- 53:35parte, a tua vida é tua, eu te dei o ferramental.
- 53:38Aí você vai estrelhar os seus caminhos.
- 53:40Então eu nunca consegui enxergar a música clássica como algo de
- 53:44elite, porque eu não vim da elite.
- 53:47Eu venho de uma família muito humilde, meus pais sempre
- 53:50gostaram de música clássica. Eu sempre convivi num meio de
- 53:52pessoas do coral que meu pai cantava primeiro no coral da
- 53:56igreja da Vila Bela e daí por diante, mas eram sempre pessoas
- 53:59humildes. Entrei no bacarelli, os cantores
- 54:01do coral eram todas as pessoas humildes.
- 54:03Você vai numa orquestra Sinfônica?
- 54:0690% é classe média baixa, até porque quem tem grana, quem é
- 54:11rico, até estuda a música, mas não vai trabalhar com música
- 54:14porque não dá dinheiro. Ele vai continuar o negócio da
- 54:16família dele lá, né? Então, quem exerce
- 54:20profissionalmente a música? A grande maioria vem de família
- 54:23de classe média para baixo, então eu nunca consegui ver a
- 54:26música como algo de elite. A gente tem uma falsa impressão
- 54:30que ela é complicada, né, que ela é difícil.
- 54:33Não, ela só não tem. Ela só não é acessível porque
- 54:36não se dá acesso. Pega nos grandes veículos de
- 54:39comunicação, nos grandes veículos de massa, de
- 54:41comunicação de massa. Quando você ouve música
- 54:43clássica, não ouve. Como é que você vai gostar de
- 54:45algo que você não tem acesso, né?
- 54:48E tá aqui o baca. Assim, há 30.
- 54:50Anos, basicamente entramos No No nosso 29 por 30 ensinando música
- 54:54clássica na favela. Como eu falei para vocês, tem.
- 54:58Criança lá de 14. Anos que tá há 10 anos com a
- 55:00gente, que começou com 4. Fazendo música clássica, seja no
- 55:03coro, seja na orquestra, então a música primeiro ela não é
- 55:07difícil, é é um conhecimento que você tem que adquirir, que você
- 55:11tem que estudar como qualquer outra coisa difícil.
- 55:13Eu acho, a carreira de um médico, falei isso essa semana
- 55:17para o meu médico, ele me passou uma medicação, eu falei, doutor,
- 55:19não sei como vocês decoram esses nomes aí, viu?
- 55:21Eu consigo decorar uma sinfonia de 1 hora, mas eu, ele ele
- 55:25chegou e falou aí qual eu estou tomando?
- 55:27Um antibiótico. Eu tive uma prostatite esses
- 55:29dias e começou a me dar um. Uma queimação no estômago.
- 55:32Eu liguei pra perfeito, doutor, será que é efeito do
- 55:34antibiótico? Falou.
- 55:36Qual é o qual é o antibiótico que você está tomando na minha
- 55:38frente? Doutor, não me faça essa
- 55:39pergunta, não faço a menor ideia do nome, eu não consigo guardar,
- 55:43mas acho que são habilidades, né?
- 55:45Eu eu imagino que também não é toda criança que chegou querendo
- 55:49aprender um instrumento e que falou, isso é pra mim?
- 55:53De repente a criança pode ter Descoberto, aprendido.
- 55:56Como você disse, todos podem aprender, sim, mas a criança
- 55:59chegar e dizer. Acho que não vai dar.
- 56:03Acho que isso não vai deve ter acontecido.
- 56:05Certamente deve ter acontecido. Não acontece.
- 56:07E que bom que aconteça, porque não existe.
- 56:08Mercado de trabalho para as 1650 crianças que a gente tá que
- 56:11estão estudando música com a gente.
- 56:13Não tem orquestra para isso tudo, né?
- 56:15Então, como eu volto a dizer para vocês, nós não somos uma
- 56:18escola de música. A gente, a música é a ferramenta
- 56:21que a gente usa para promover a transformação social, a inclusão
- 56:25social dessa garotada toda, agora sim, que todo mundo é
- 56:28capaz de aprender. É, né?
- 56:32Desde que, como em qualquer coisa, você se permita passar
- 56:36pelo processo de aprendizagem, né?
- 56:39A pessoa? Fala para mim, Ah.
- 56:41Tem que ter talento. Tudo na vida tem.
- 56:44Só que talento eu te levo até um determinado ponto do caminho,
- 56:48sem esforço, você não passa dali.
- 56:49Eu, por exemplo, é. Eu tive um talento enorme para
- 56:55tocar piano. Só que eu usei esse talento
- 56:59contra mim. Porque como era fácil para eu
- 57:02tocar piano, eu não estudava Hum quando criança, eu queria jogar
- 57:06bola. Então eu chegava na aula.
- 57:08É muito. Parecido com meu filho.
- 57:09O Arthur é assim. Arthur chegava, ele se descobriu
- 57:12no baixo, agora no piano. Ele tocava, fazia tudo muito
- 57:16bem, mas desistiu para ir tocar baixo, entendeu?
- 57:19Então, assim, se eu tivesse. Usado o meu talento a meu favor
- 57:22e tivesse feito a ralação, tivesse feito o estudo como
- 57:25qualquer pessoa tem que fazer. Talvez eu tivesse sido um grande
- 57:27pianista uhum. Me tornei um pianista mediano,
- 57:31né? Não além do mediano.
- 57:33Por quê? Porque eu não fiz o esforço.
- 57:36Então eu falo no baca, eu prefiro investir em um aluno
- 57:40dedicado do que num aluno talentoso, porque Oo.
- 57:44Dedicado em qualquer. Coisa, né?
- 57:46Ele vai dar bem, ele vai bem, pega no direito, pega um cara
- 57:51que estuda pra caramba, ele vai bem.
- 57:55Só que se você pegar aquele cara que já tem a habilidade de
- 57:58falar, de fazer relacionamento, de convencer pessoas, se ele
- 58:04estudar pra caramba, ele vai ser um grande advogado,
- 58:06provavelmente ele vai explodir. Diferente, né?
- 58:10É, mas o talento. Não substitui o esforço muito
- 58:14bem. Eu vou encerrando, posso só?
- 58:16A gente tá bom, vai lá, vai lá, vai lá é que.
- 58:18Vai lá até onde seus pais acompanharam?
- 58:20Essa você os tem ainda, até onde eles falaram, poxa.
- 58:24Eu tenho minha mãe e não é que deu certo?
- 58:26Eu tenho minha mamãe. Meu pai foi.
- 58:28Embora há 6 anos. Ah, então ele viu muito do seu?
- 58:32Crescimento do seu desenvolvimento viu tudo e eu
- 58:34sempre fiz muito para. Honrá Los porque eu sei o
- 58:38tamanho do. Sacrifício que eles?
- 58:39Fizeram para que eu estudasse. Eu sei o tamanho da insistência
- 58:44que eles tiveram comigo. Eu fui dar pra virado.
- 58:47Eu não fui um. Eu não fui um filho fácil.
- 58:50Né? Eu falo até você pelo você
- 58:51também é pai, né? Aham, eu falo que eu adoraria
- 58:54voltar a ser filho depois de saber o que é ser pai.
- 58:56É exatamente queria ser o filho, pensa a mesma coisa.
- 58:58Então eu agradeço. Muito AA.
- 59:00A universo assim, por ter nessa vida, vindo de uma família que
- 59:05soube me educar, né? É, eu cresci com os meus primos.
- 59:10Eu venho de família muito pobre. Eu cresci com os meus filhos.
- 59:14Pode falar uma sacanagenzinha? Eu cresci com os meus.
- 59:18Filhos me chamando de viadinho. Por quê?
- 59:20Porque eu não fumava maconha, eu não roubava e eu tocava piano.
- 59:25A maioria dos meus primos já morreram e eu estou aqui.
- 59:29É isso aí, feliz que a mãe acompanhe ainda.
- 59:33Selo é de verdade? Muito bem, muito pessoal a
- 59:39gente, por conta do tempo. A gente precisa.
- 59:40Caminhar para o encerramento eu gostaria de chamar só um último
- 59:43bloco, que é uma participação aqui do nosso produtor, o Ed.
- 59:47É, durante essa conversa a gente falou sobre várias informações e
- 59:51agora é o momento em que o Ed diz e valida se as coisas foram
- 59:55ditas corretamente, porque ele ficou acompanhando tudo e
- 59:57verificando se os dados estão corretos.
- 59:59Oba. Ed, eu te pergunto, essa
- 1:00:01conversa foi de verdade? Temos o selo é de verdade, então
- 1:00:05foram mencionados dados. Muito expressivos e importantes
- 1:00:08aqui durante essa conversa. Eu, particularmente, quero citar
- 1:00:12alguns, né? São mais de 1500 crianças e
- 1:00:14jovens atendidos em 13 regiões diferentes aqui de São Paulo,
- 1:00:18recebendo aulas gratuitas e diárias, né?
- 1:00:22Nesses e nessas quase 3 décadas de atuação do instituto
- 1:00:26bacarelli, tem artistas agora formados que estão trabalhando
- 1:00:30aí por todo mundo, né? Brasil, América Latina, Europa,
- 1:00:33tudo isso é fato e também é símbolo, né?
- 1:00:38Então o selo é de verdade, ele está garantido.
- 1:00:42E Edilson, assim, a gente costuma utilizar esse momento
- 1:00:45para trazer alguma outra reflexão.
- 1:00:48E eu, particularmente, tenho uma atuação.
- 1:00:50Eu iniciei no jornalismo cobrindo favela.
- 1:00:53Eu participava de um veículo do Rio que chamava agência de
- 1:00:56notícias das favelas. Então eu estava lá no Rock In
- 1:00:58Rio, por exemplo, quando vocês estavam tocando lá.
- 1:01:03E eu só me peguei pensando, né? É?
- 1:01:08Iniciativas como bacarelli costumam transformar comunidades
- 1:01:12inteiras. E a gente está vendo agora, você
- 1:01:15chegando no ápice de estar construindo um teatro, uma sala
- 1:01:18de concerto dentro da favela. E eu só me peguei pensando, por
- 1:01:22que que iniciativas como essa dependem muito mais hoje do
- 1:01:26terceiro setor do que efetivamente de políticas
- 1:01:29públicas? O que poderia acontecer se fosse
- 1:01:31diferente? O que que falta para ser
- 1:01:33diferente? Eu penso.
- 1:01:35Que AO terceiro setor ele surge e ele existe justamente para
- 1:01:41cumprir o papel do estado. Onde o estado não chega, onde o
- 1:01:45estado não é eficiente, né? É?
- 1:01:48Nós temos uma capilaridade muito maior.
- 1:01:51Nós temos uma capacidade de interagir com a comunidade muito
- 1:01:56maior, né? Então eu penso que o que o
- 1:01:58baccarelli faz hoje é política pública.
- 1:02:01E se a gente for parar para pensar?
- 1:02:04Como no bacarelli você pode investir você pessoa jurídica
- 1:02:07que está assistindo a gente, você pode pegar 4% do seu
- 1:02:09imposto de renda que você iria pagar para o governo federal e
- 1:02:11mandar para nós patrocinar o nosso projeto é, não deixa de
- 1:02:16ser política pública, porque apesar de eu dizer que a gente
- 1:02:19não tem vínculo com nenhum governo, no bacarelli
- 1:02:22Heliópolis, eu sou financiado pela lei Rouanet.
- 1:02:24Então eu sou financiado por recursos públicos, ainda que não
- 1:02:28de forma direta. Eu tenho que convencer cada
- 1:02:30empresa a investir na gente. Mas é recurso público que eu
- 1:02:33estou utilizando, então eu vejo o bacarelli cumprindo, sim,
- 1:02:37política pública. Só que Ed, a gente vive em um
- 1:02:40país que é um continente com realidades muito distintas.
- 1:02:46Pega a cidade de São Paulo. Eu fico pensando, como é que o
- 1:02:49poder público, como é que a prefeitura faz uma política
- 1:02:52pública pros jardins e pra cidade Tiradentes?
- 1:02:55São realidades. É sociais tão distintas que é
- 1:02:59muito difícil fazer. Eu não critico, não.
- 1:03:02Eu acho que os os governos, eles existem para ser uma extensão da
- 1:03:05sociedade. O governo nada é mais do que o
- 1:03:08nosso representante. A responsabilidade de construir
- 1:03:12uma sociedade mais justa e igualitária não é de governo, é
- 1:03:15nossa. É cada um de nós fazendo uma
- 1:03:18pequena ação no seu entorno, porque se a gente muda o
- 1:03:22entorno, a gente muda o bairro. Se a gente muda o bairro, a
- 1:03:24gente muda a cidade, se a gente muda a cidade, a gente muda o
- 1:03:27país, se a gente muda o país, a gente muda o mundo.
- 1:03:30Então vamos parar de esperar que alguém decida a nossa vida pela
- 1:03:33gente. Vamos a gente arregaçar as
- 1:03:34mangas e construir aí muito bem. Obrigado, Ed, pela pela.
- 1:03:38Participação é o tempo mesmo. É apertado, a gente precisa
- 1:03:42encerrar. Eu gostaria de fazer uma última
- 1:03:44pergunta, só aqui pro Edilson. É uma pessoa hoje que queira
- 1:03:49colocar o filho pra estudar? É usufruir do, do, do que o
- 1:03:53instituto tem a oferecer, ou mesmo se a própria pessoa que
- 1:03:56não é criança, mas é um pouco mais velha que é.
- 1:03:59Quer ver o que está acontecendo no instituto?
- 1:04:00Qual é o caminho? Como que chega até lá?
- 1:04:02Então, em Heliópolis não chega. A gente está vocacionado para
- 1:04:06atender Heliópolis. Aham, né?
- 1:04:09É, eu ouvi de um amigo 11 tempo seguinte, né?
- 1:04:12Eu não sou rico o suficiente para pagar uma escola de música
- 1:04:15para o meu filho e não sou pobre o suficiente para que uma
- 1:04:18instituição como bacarelli me acolha.
- 1:04:20Mas é a realidade. Então, ali a gente tem uma
- 1:04:23missão que atender AA favela de Heliópolis.
- 1:04:25Né? Temos pessoas de outras
- 1:04:27realidades? Temos.
- 1:04:28Mas é 3% da nossa, do nosso atendimento e está lá na
- 1:04:32pontinha da pirâmide. São que são é pessoas que chegam
- 1:04:35para nossa orquestra principal quando tem alguma vaga que eu
- 1:04:38não consegui suprir dentro da própria da.
- 1:04:40Mas quem está dentro da da Heliópolis, chega lá.
- 1:04:44Tendência de espera estamos lá com 2000.
- 1:04:45Pessoas aguardando uma oportunidade.
- 1:04:47Uau. Ó galera, ajuda a gente aí, ó
- 1:04:50arrepiou 2000 pessoas esperando. Investe, me ajuda, vamos?
- 1:04:55Financiar o bacarelli? A gente consegue atender mais
- 1:04:57gente pessoal, o bacaré já foi. Objeto de algum trabalho?
- 1:05:01De. Conclusão de curso ou de
- 1:05:02mestrado de alguém, porque é uma baita política pública.
- 1:05:06Como o senhor colocou, né? A gente tem sim, tem.
- 1:05:09Nesse momento mesmo, acho que são mais de mais de 10 sendo
- 1:05:13feitos lá. Muito legal.
- 1:05:14A gente inspira muita gente, muito legal.
- 1:05:16Muito bem, essa foi uma mais. Uma das histórias que a gente
- 1:05:20traz aqui pra vocês que estão nos acompanhando e mostrar que
- 1:05:24todo o assunto do mais variado possível se conecta de alguma
- 1:05:28forma com a sua vida, né? A gente já falou aqui egli sobre
- 1:05:31educação anti racista, crianças aprendendo a importância de
- 1:05:36olhar o outro como um igual, mas a gente também já trouxe aqui.
- 1:05:40É o pneu. Como que a indústria de pneus
- 1:05:43aqui do ABC tem feito a diferença na vida das pessoas,
- 1:05:47seja na geração de emprego ou em projetos sociais.
- 1:05:50A gente já trouxe aqui 11 médica pediatra que falou da
- 1:05:54importância do cuidado de pessoas com síndrome de down e
- 1:05:58como que os pais trabalham com isso, né?
- 1:06:01Assim como a gente já trouxe aqui uma empresária é que veio
- 1:06:05falar sobre a importância do empreendedorismo feminino.
- 1:06:09Né? Então são assuntos dos mais
- 1:06:11variados possíveis que as pessoas encontram aqui no ABC
- 1:06:14cast, conexões e cada vez é uma conexão nova.
- 1:06:17Eu espero que o episódio de hoje a gente tenha conseguido unir
- 1:06:20música, o interesse social, né? AA cultura e o coração, né?
- 1:06:25Porque acho que Oo eu posso resumir que o trabalho do
- 1:06:28instituto bacarelli, ele está mais associado ao coração, ao
- 1:06:33órgão coração, do que aos ouvidos, né?
- 1:06:36AAOO triunfo daquela orquestra tocando harmoniosamente.
- 1:06:41É maravilhoso aos olhos e ao ouvido, mas o que acontece atrás
- 1:06:45da orquestra até o momento da apresentação é o que toca o
- 1:06:49coração de todo mundo, né? E o que aquece, o que faz a
- 1:06:51gente ser humano de verdade. Então, com isso, eu gostaria de
- 1:06:54agradecer a presença de vocês 2. Primeiro a você, agri, por ter
- 1:06:58participado a você. Nos permitiu estender aí o
- 1:07:02contraponto bastante tempo, porque essas perguntas
- 1:07:05maravilhosas. E quer dar um recado final para
- 1:07:07o pessoal? É alguma coisa assim, ó, essa
- 1:07:09câmera. Ela está lá para você agradecer
- 1:07:12o convite, dizer que estou à. Disposição quando precisar.
- 1:07:14Me fez lembrar dos meus tempos de de Rádio Pérola da Serra, que
- 1:07:18foram maravilhosos. Agradecer por tanta informação,
- 1:07:22né? Por abrir para nós tanto
- 1:07:24conhecimento que não é. Confesso que não é do meu dia a
- 1:07:28dia, né? Não era da minha.
- 1:07:30No meu conhecimento, mesmo ignorante.
- 1:07:32Completamente. Nesse nessa Seara então muito
- 1:07:35obrigada, desejo infinito sucesso para vocês, viu?
- 1:07:37Amém. E quem quiser conhecer um
- 1:07:39pouquinho mais me encontrar aí nas redes sociais, só jogar egli
- 1:07:42Munhoz ali no Google que tem lá, Facebook, LinkedIn, Instagram,
- 1:07:46enfim, quer dizer que foi um prazer.
- 1:07:47Espero que vocês gostem tanto quanto nós.
- 1:07:49Curtimos aqui fazer essa entrevista muito bem e eu
- 1:07:52agradeço também a presença do Edilson.
- 1:07:54Venturelli. Hoje CEO do instituto bacarelli
- 1:07:56o regente da da orquestra e que estamos aqui para ouvir o seu
- 1:08:00recado final. Edilson pode, se quiser, olhar
- 1:08:03para aquela câmera e passar o recado, o tempo é seu, eu penso
- 1:08:07que a. O meu recado vem No No
- 1:08:10ensinamento do Márcio bacarelli, né?
- 1:08:12Tenha coragem de passar da indignação e ir para ação.
- 1:08:16É, a gente acha que para mudar a vida de alguém tem que fazer uma
- 1:08:19grande ação, mas ou muitas vezes um sorriso que se dê para
- 1:08:23alguém. Muda o dia dela.
- 1:08:24Um abraço. Talvez mude a semana inteira,
- 1:08:27né? 5 minutos de escuta ativa para
- 1:08:29alguém que tá precisando falar pode mudar a vida dessa pessoa,
- 1:08:33então se abre assim, assume seu papel aí de de agente
- 1:08:36transformador desse mundo e vamos juntos construir cada dia
- 1:08:39uma sociedade mais justa, mais igualitária, um mundo bem
- 1:08:42melhor. Muito bem.
- 1:08:45Obrigado, pessoal, obrigado. Por nos acompanhar se você está
- 1:08:48nos assistindo no YouTube, não esqueça de curtir.
- 1:08:51É avaliar se você está no Spotify também, avalia.
- 1:08:54Dá 5 estrelas. Cada ferramenta tem um jeito
- 1:08:57certo de poder avaliar e fazer o engajamento, né?
- 1:09:00Então escolha onde você está assistindo e faça aquilo que tem
- 1:09:03que ser feito, porque a gente está distribuído em.
- 1:09:06Apple podcast, Deezer, Amazon, YouTube, enfim, está em todas as
- 1:09:10plataformas e a gente se encontra lá e compartilhe, né?
- 1:09:14Compartilhe isso. Faz chegar, né?
- 1:09:16Né? É esse episódio.
- 1:09:18Também vai gerar uma matéria especial no portal, então nós
- 1:09:22vamos ter 111 matéria produzida aqui pelo nosso querido é de
- 1:09:27baroni. Ele vai trazer mais informações
- 1:09:29de bastidores e tudo mais, então acompanha lá no
- 1:09:33portalabcdoabc.com.br. E se você ficou com alguma
- 1:09:36dúvida sobre o que foi discutido aqui?
- 1:09:38Quer mandar uma pergunta pro Edilson?
- 1:09:40Quer mandar uma pergunta pra égle?
- 1:09:42Fique à vontade, conversa com a gente por meio do
- 1:09:44contato@abcdoabc.com.br, manda esse e-mail para nós.
- 1:09:48E a gente se vê no próximo episódio com outro assunto
- 1:09:51diferente que vai gerar uma conexão com a sua vida.
- 1:09:54Muito obrigado e até a próxima apresentação.
- 1:09:58Thiago Quirino, jornalista convidada, egle Munhoz
- 1:10:02entrevistado, Edilson venturelli edição.
- 1:10:06Rodrigo Rodrigues captação de áudio e vídeo estúdio da Sisa
- 1:10:11associação comercial e industrial de Santo André.
- 1:10:14Produção, Ed baroni. Checagem, Ed baroni assistência
- 1:10:20de produção, Susana Rezende e João Pedro Melo direção, Thiago
- 1:10:25Quirino. Direção geral, Alex faria.
- 1:10:28Este programa é um produto do portal ABC do ABC.
- 1:10:32As opiniões manifestadas pelos entrevistados não refletem
- 1:10:36necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC.
- 1:10:40Para se manter informado sobre tudo o que acontece na região,
- 1:10:43acesse www.abcdoabc.com.br.