Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 20 de junho de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre conversando nas
- 0:05ondas do rádio. 7 horas 27 minutos.
- 0:30A gente está no ar, dá -se
- 0:31divertir, pra falar e ouvir, pra dançar e pra
- 0:34ficar feliz, pra ser livre. Rádio
- 0:38Livre, Rádio Livre. Rádio
- 1:11Livre, Rádio Livre. Os destaques do Rádio Livre
- 1:12desta quinta -feira, 20 de junho de 2024. O
- 1:19governo federal anunciou 1 bilhão e 600 milhões para
- 1:22o setor audiovisual. Cinti Sérfico, voca assembleia
- 1:26geral para amanhã, pra decidir sobre o indicativo
- 1:32de greve no IBAMA. Docentes e técnicos em greve vão à s
- 1:39ruas. Excepcionar o presidente Lula, em ato
- 1:43chamado Lula. Volta pra base, a educação te
- 1:47chama. Elação entre colonialismo e
- 1:51racismo. Ã tema de entrevista de hoje
- 1:53com o sociólogo e radialista Pedro Vitor
- 1:56Mendez. Apresentação no Nato Lima. Bom
- 2:08dia a você que nos acompanha aqui ao vivo na
- 2:11Universitária FM. Todos os dias e neste momento.
- 2:14Obrigado pela audiência. E
- 2:16os nossos cumprimentos também a você que nos
- 2:18acompanha no podcast Rádio Livre com o Nato Lima. Nas
- 2:23principais plataformas de podcast. Eu
- 2:30queria aproveitar esse momento para cumprimentar
- 2:33duas pessoas ou 26 de alho do programa Rádio Livre. A
- 2:38professora Sulamita Vieira e o professor Luiz Gonzaga,
- 2:43aqui da UFC. Obrigado a vocês pela audiência e
- 2:46também pelas sugestões e pelas ideias que trocamos
- 2:50de vez em quando nos encontros na universidade.
- 3:03O sindicato dos trabalhadores
- 3:06no serviço público federal, CINCEF, está convocando o
- 3:09Assembleia Geral. Para amanhã dia 21 de junho,
- 3:17sexta -feira, portanto, às 9h30 da manhã, em primeira
- 3:20convocação, 10 horas em segunda convocação. Esse
- 3:24Assembleia do CINCEF para deliberar sobre três, quatro
- 3:29pontos. O primeiro ponto é a posição
- 3:32e estratégias de continuidade da luta pelo
- 3:35plano de cargos e carreiras do meio ambiente dos
- 3:38servidores ambientais federais. Para
- 3:41subsidiar uma forma de agir da Associação Nacional dos
- 3:45Servidores da área ambiental. O
- 3:47segundo item é indicativo de data de greve dos
- 3:50servidores ambientais no Ceará. Estão
- 3:53aptos a botar todos os associados do sindicato
- 3:56conforme o estatuto e a Assembleia será aberta a
- 4:00servidores não associados em eventual votação ou
- 4:03deliberação que vem a ocorrer com votos sendo
- 4:07tomados em separado, assim como a notação de presença.
- 4:11Essa Assembleia vai ser da
- 4:12auditoria do IBAMA, mas ela também terá um link pelo
- 4:16Google Meet para os associados participarem. Ã
- 4:20uma Assembleia extraordinária, de forma
- 4:23também virtual. A outra informação do CINCEF
- 4:28é que o governo federal fechou acordo com mais duas
- 4:30categorias de servidores ativos e inativos do
- 4:34serviço público federal. Esses
- 4:36acordos vão beneficiar 345 mil trabalhadores ligados ao
- 4:41plano geral de cargos do Poder Executivo, o PGPE e
- 4:45os planos correlatos e da Previdência Social e Saúde.
- 4:50Com isso, esses trabalhadores e
- 4:53aposentados deverão ter reajustos salariais e
- 4:56reestruturação de carreiras a partir do próximo ano de
- 5:002025. Os acordos foram assinados na
- 5:03segunda -feira entre representantes do governo
- 5:05federal e da CONCEF, a Confederação dos Servidores
- 5:09Públicos Federais. Confederação
- 5:11é ligada a essas duas categorias de trabalho do
- 5:14serviço público federal. A CONCEF segue cobrando
- 5:19reestruturação de carreiras. Eu
- 5:23já citei aqui esse ponto importante demais porque de
- 5:272016 para 2022 foi o processo de desestruturação
- 5:32das carreiras, além das defasagens e dos problemas
- 5:35que já tinham de perÃodos anteriores. Os
- 5:39planos de carreira do serviço público federal e
- 5:41do modalho geral já são antigos. Antigos
- 5:44no sentido da atualidade do mundo do trabalho, das
- 5:49mudanças que ocorreram. E há equivocos que precisam
- 5:52ser corrigidos, equivocos que prejudicam ao servidor
- 5:57e ao serviço público. Por isso a CONCEF vai continuar
- 6:00na luta para reestruturação de carreiras, para adequar
- 6:03as carreiras a realidade cotidiana do serviço público
- 6:07federal e as demandas sociais pelo serviço público
- 6:11federal. O governo federal vai investir
- 6:191 bilhão e 600 milhões no setor audiovisual com foco
- 6:23na produção de filmes e séries nacionais. O
- 6:27anúncio foi feito em evento no Rio de Janeiro,
- 6:30celebrando o Dia Nacional do Cinema. A
- 6:33data é uma referência às primeiras imagens
- 6:35cinematográficas registradas no paÃs, que foi 19 de
- 6:39junho de 1898 pelo cineasta Afonso Segreto. Na
- 6:46cerimônia o presidente Lula assinou o decreto que
- 6:49regulamenta a cota de tela em cinema, uma luta antiga
- 6:53do pessoal do cinema que tem a ver com os
- 6:57interesses da cultura nacional. A
- 6:59lei 14 .814 de 2024 foi sancionada em janeiro deste
- 7:03ano e determina que salas de cinema devem exibir uma
- 7:07cota comercial de obras cinematográficas brasileiras
- 7:11até 31 de dezembro de 2033. Segundo
- 7:15o governo, o objetivo é promover a valorização do
- 7:18cinema nacional. A agência nacional do cinema,
- 7:21ANSINE, terá responsabilidade de fiscalizar o cumprimento
- 7:24da lei com a exibição dos filmes de forma proporcional
- 7:28durante o ano. Pois é, agora no momento em que
- 7:42foi feito este evento, que o presidente Lula sancionou
- 7:47a lei que determina a cota de tela para o cinema
- 7:51brasileiro, porque nos cinemas do paÃs, nas salas
- 7:53de exibição do paÃs, é porque as salas de exibição
- 7:57de cinema brasileiro são brasileiras das salas, mas
- 8:00a cota destinada ao cinema brasileiro é mÃnima. O
- 8:07objetivo da lei é ampliar para o paÃs conhecer a
- 8:13riqueza, a pluralidade e a produção cinematográfica
- 8:19brasileira. Pois bem, mas nesse mesmo ato,
- 8:23o presidente Lula aproveitou para pedir a regulamentação
- 8:26do streaming, discussão que está no Congresso e prever
- 8:30taxação de plataformas digitais para cobrar a
- 8:34valorização também de produções audiovisuais
- 8:36brasileiras. Durante a cerimônia, o presidente
- 8:39do BNDES, a Luiz Mercadanta anunciou uma linha de
- 8:43crédito direcionada especialmente para a
- 8:45indústria audiovisual. Essa linha foi desenvolvida em
- 8:50conjunto com a Iniciativa Cultura e a ANSIN, o
- 8:53orçamento inicial é de 400 milhões, com recursos do
- 8:56fundo setorial do audiovisual. O
- 9:00público principal são empresas de controle
- 9:02nacional, o objetivo é aprovar projetos com o
- 9:06valor mÃnimo de 10 milhões em curso financeiro básico.
- 9:11Projeções de menor porte terão apoio
- 9:13através do Banco Regional de desenvolvimento do
- 9:16extremo sul. A Luiz Mercadanta disse que o
- 9:20objetivo principal é investir nos principais
- 9:22gargalos de produção e exibição, infraestrutural de
- 9:25visual, inovação e acessibilidade. Agora,
- 9:29voltando aqui à regulamentação do setor do
- 9:32streaming, é discussão que depende do Congresso, né? O
- 9:37Congresso que abriu mão da soberania nacional na hora
- 9:41de discutir, na hora de discutir uma regulação
- 9:46mÃnima que fosse para as Big Techs, as poderosas Big
- 9:51Techs. Aà essa luta aà é bem mais
- 9:55complexa, né? Precisaria muito povo na rua, muita
- 10:00mobilização social, muita pressão e talvez um
- 10:05Congresso novo, né? Ou seja, tem que esperar mais
- 10:07dois anos para ver se o Congresso melhora, para ver
- 10:10se sai alguma coisa de fato positiva nesse aspecto.
- 10:17Porque o Congresso se ajoelhou
- 10:19diante das Big Techs, ninguém sabe qual era o
- 10:23teor da promessa, porque a promessa é uma coisa
- 10:25secreta, né? Mas se ajoelhou e as Big Techs
- 10:29bailaram em cima da soberania nacional e
- 10:34continuam aà a fazer o que bem entendem no Brasil, né?
- 10:39Porque outros paÃses já... Não
- 10:43é que resolveram o problema, mas já fizeram
- 10:46valer algumas normas, mÃnimas que sejam, para
- 10:51garantir o interesse, não só interesse nacional, mas
- 10:54objetivos minimamente éticos, objetivos que não sejam só
- 11:01cliques e grana no bolso, lucro. 7 .38
- 11:18O plenário do Senado aprovou ontem a proposta
- 11:22polêmica de reforma do ensino médio no paÃs. O
- 11:27substitutivo apresentado pela assinadora Dólinha Ceabra,
- 11:30do União, do Tocantins, já havia sido aprovado na
- 11:33manhã da terça -feira, na Comissão de Educação, e
- 11:41voltará a análise da Câmara dos Deputados agora, porque
- 11:44o texto amplia a carga horária mÃnima, total,
- 11:48destinada à formação geral básica das atuais 1 .800
- 11:51horas, a carga vai para 2 .400 horas. Nos
- 11:55cursos técnicos e profissionais, a formação
- 11:57geral básica poderia ter carga horária mÃnima de 2
- 11:59.200 horas até 2028. A 200 horas restantes deverão
- 12:04ser implantadas a partir de 2029. A
- 12:08carga horária mÃnima, anual do ensino médio, passa de
- 12:11800 para 1 .000 horas distribuÃdas em 200 dias
- 12:14letivos. Essa regra poderia ser ampliada
- 12:17de forma progressiva para 1 .400 horas, respeitando uma
- 12:21distribuição de 70 % para a formação geral básica e 30
- 12:26% para itinerários formativos. O
- 12:29texto está aprovado para ver a inclusão da lÃngua
- 12:31espanhola como componente curricular obrigatório, além
- 12:34do inglês. Outros idiomas poderão ser
- 12:37ofertados em localidades com influências de paÃses cujas
- 12:41lÃnguas oficiais sejam outras.
- 12:55O Conselho Nacional de Justiça
- 12:57assinou um acordo de cooperação com a plataforma
- 13:03Uber para combater a violência contra as mulheres
- 13:06durante as viagens promovidas pelos motoristas
- 13:09de aplicativo, de acordo com esses termos firmados
- 13:16entre o Conselho Nacional de Justiça e a Uber. A
- 13:21plataforma implantará o programa Sinal Vermelho
- 13:24lançado em 2021, em que as mulheres poderão denunciar a
- 13:28situação de violência com o sinal de um X desenhado na
- 13:34pala da mão, pintado com batom ou tinta de caneta.
- 13:38As vÃtimas poderão sinalizar a
- 13:40situação de vulnerabilidade e pedir ajuda de maneira
- 13:43discreta aos motoristas que poderão acionar a polÃcia.
- 13:48Até o momento, mais de 15 mil
- 13:49estabelecimentos comerciais e órgãos públicos são
- 13:53parceiros desse programa. Em 2021, uma lei garantiu a
- 13:57expansão do programa para todo o paÃs. A
- 13:59iniciativa foi implantada inicialmente pela associação
- 14:02dos magistrados brasileiros. Todo
- 14:06qualquer iniciativa que possa contribuir para
- 14:09reduzir a violência contra a mulher é bem -vinda. Essa
- 14:13é uma das formas, né? Essa é uma das formas. Espera
- 14:18-se que agora tente também ter acesso a um sistema de
- 14:25segurança eficiente. Botar a mão com o X, se não
- 14:28tiver outra forma de garantir a segurança de
- 14:34forma rápida, em muitas situações vai ser um pouco
- 14:37complicado. Mas é preciso que se faça, né?
- 14:40Porque não pode e não fazer nada.
- 14:42Vou fazer pouco. O
- 14:51que não pode é tornar em projeto de lei uma
- 14:54violência, né? Como agora a Câmara resolveu
- 14:58acelerar uma discussão. Aà teve um evento teatral no
- 15:03Senado, liderado pelo senador Eduardo Badirão,
- 15:09para enfatizar o projeto da Câmara. E
- 15:13claro que as ruas, as mulheres sobretudo foram as
- 15:19ruas na semana passada e deixaram bem clara a
- 15:23situação. Depois veio um parecer da OAB
- 15:27dizendo claramente que o projeto é inconstitucional.
- 15:30à aquele projeto lá do
- 15:32estupro, né? Da criminalização das vÃtimas
- 15:37do estupro. Então, é algo que está nesse
- 15:43contexto de violência contra a mulher. Mas
- 15:45que a Câmara, sob o mando de Arthur Lira, em 26
- 15:53segundos, tornou urgente. Pegou
- 15:57mal, o presidente Senado vai colocar em discussão. E
- 16:02agora Arthur Lira, Arthur Lira era o grande cineasta
- 16:07da Rádio Universitária. Arthur
- 16:11Lira resolveu que o assunto vai ser debatido. O
- 16:17projeto vai ser debatido no segundo semestre. Tem
- 16:22que ser debatido mesmo em profundidade. E
- 16:25vamos acabar com essa história de pauta, de
- 16:26costumes. Não é questão de costume, não,
- 16:28é questão de direito. Direitos
- 16:31fundamentais. Alguém vai falar pauta de
- 16:34costumes. Até mesmo gente da base do
- 16:37governo foi falar em pauta de costume, pauta de
- 16:39costume, não. à questão de direito, direito
- 16:43fundamental da pessoa humana que precisa ser debatida.
- 16:46Com seriedade. Não
- 16:49é criminalizando a mulher, mantendo de algum modo uma
- 16:55postura que por outro lado privilegia estupradores que
- 16:59se vai resolver o problema. Pelo
- 17:03contrário, é preciso de fato encarar todas as
- 17:07violências, inclusive essa proposta na Câmara dos
- 17:10Deputados. 7 horas, 44 minutos.
- 17:30A Advocacia -Geral da União
- 17:34enviou ao Supremo Tribunal Federal que terá um parecer
- 17:37pela inconstitucionalidade da resolução aprovada pelo
- 17:42Conselho Federal de Medicina para proibir a realização
- 17:45da chamada Assistolia Fetal para interrupção de
- 17:48gravidez. O procedimento é usado pela
- 17:50medicina nos casos de aborto previstos em lei,
- 17:54como por exemplo, caso de gravidez resultante de
- 17:58estupro. A Manifestação faz parte da
- 18:01ação onde o pessoal questiona a validade dessa
- 18:04norma do Conselho Federal de Medicina que foi
- 18:07suspensa no mês passado pelo ministro Alexandre de
- 18:10Morais. O próximo passo é o
- 18:12julgamento definitivo no plenário. O
- 18:16ministro Alexandre de Morais considerou que houve abuso
- 18:19de poder regulamentador do Conselho Federal de Medicina
- 18:22ao fixar uma regra não prevista em lei para
- 18:26impedir a realização de Assistolia Fetal em casos
- 18:29de gravidez resultantes de estupro. Para
- 18:33a advocacia geral da União, o Conselho não tem
- 18:37atribuição legal para restringir as normas legais
- 18:39sobre o aborto. Nós falamos isso aqui ontem,
- 18:43não tem. O Conselho Federal de Medicina
- 18:47não pode fazer lei e não pode modificar lei. O
- 18:51Conselho Federal de Medicina, eu, a SÃrlima
- 18:54aqui e todos os demais brasileiros, tem que cumprir
- 18:56as leis. Quem faz lei, muda lei, ou
- 19:01interpreta lei em casos de dúvida, é o Supremo de
- 19:05Medicina Federal e no caso quem faz a lei é o
- 19:08Congresso Nacional, Câmara e Senado. Mal
- 19:12feito ou bem feito, tem que ir de lá. A
- 19:14norma do Conselho Federal de Medicina agora está
- 19:16reconhecida. Pelo decisão ainda monocrática,
- 19:20mas que vai ser decidida no mérito pelo Supremo e
- 19:26agora tem o parecer da advocacia geral da União e
- 19:34a advocacia geral da União resaltou que a Constituição
- 19:37determina a proteção de grupos vulneráveis contra
- 19:40toda a forma de violência. E
- 19:43esse é a proposta do presidente do Conselho
- 19:48Federal de Medicina. Rompe com isso, rompe com a
- 19:51ciência. O ministro Alexandre Morais
- 19:53deu um prazo de 48 horas para cinco hospitais de São
- 19:57Paulo comprovarem o cumprimento da decisão que
- 20:01liberou a realização da assistoria fetal para
- 20:05interrupção de gravidez. Tem uma outra observação aqui
- 20:14da AGIL que é o seguinte, diz lá no parecer
- 20:18encaminhado, no pronunciamento encaminhado,
- 20:20uma manifestação encaminhada ao Supremo. A
- 20:23proibição prevista pela resolução e exame impacta
- 20:27de forma significativa grupos vulneráveis como
- 20:29crianças e adolescentes e mulheres pretas e pobres
- 20:33desconsiderando as dificuldades que ela tem
- 20:35para acessar o procedimento, o que muitas vezes gera
- 20:37necessidade de interrupção de gestações em estágios
- 20:41mais avançados. Isso nós trouxemos aqui em
- 20:44várias informações, informações da área da
- 20:50saúde, informações do ponto de vista legal, que é
- 20:55isso, o acesso. Tem uma questão que antecede a
- 21:01toda e qualquer questão de atendimento de saúde, que é
- 21:05a criança ou adolescente, a vÃtima do estupro, o
- 21:09momento para ela de algum modo descobrir a gravidez,
- 21:14revelar a gravidez, buscar um caminho para a gravidez,
- 21:17buscar apoio familiar fora da famÃlia. Isso
- 21:20é um processo que às vezes demora, mas demora às vezes
- 21:23muito tempo. E aà não pode a Câmara
- 21:26desconhecer esse aspecto. Isso
- 21:29é público, notório, conhecido, registrado, e
- 21:34precisa ser levado em conta. Agora,
- 21:37depois de deixar uma reunião com o ministro
- 21:39Alexandre de Moraes, o presidente do Conselho
- 21:42Federal de Medicina, José Irã da Silva Galo, disse
- 21:47que a assistolia fetal é uma crueldade como método
- 21:52de interrupção da gravidez. Então
- 21:56ele sugeriu a indução ao parto, após 22 semanas de
- 22:00gestação, disse que podia ser utilizada para
- 22:03substituir o procedimento, indo contra a recomendação
- 22:08da Organização Mundial da Saúde, que tem por base
- 22:10estudos técnicos cientÃficos. A
- 22:13OMS nunca faz uma recomendação com base no
- 22:17que acha. As recomendações da OMS são
- 22:21sempre técnicas, e houve normalmente os pesquisadores,
- 22:27os estudiosos do assunto, as pessoas envolvidas
- 22:31diretamente, que têm contribuição cientÃfica e
- 22:34técnica a dar. Então, aÃ, essa posição do
- 22:40presidente do Conselho Federal de Medicina,
- 22:42tentando fazer valer a resolução que já caiu pela
- 22:45decisão do Supremo, e a sugestão dele é tentar
- 22:49impor um parto à s vÃtimas de estupro. Basicamente
- 22:54é isso que está, ignorando a Constituição Federal, a
- 22:59lei que trata das três formas de aborto legal no
- 23:05paÃs, e, claro, repetir desnecessário, nenhum
- 23:10conselho, nenhum sindicato, nenhuma entidade tem poder
- 23:14de legislação no paÃs a não ser. O
- 23:17Congresso Nacional, Câmara e Senado. E
- 23:21mesmo o Câmara e Senado não podem fazer nada fora
- 23:24dos limites da Constituição, porque se é
- 23:28inconstitucional, vai para o Supremo derrubar. Que
- 23:33é o que aconteceu com essa decisão do Conselho Federal
- 23:35de Medicina, e é o que vai acontecer com esse
- 23:40projeto de lei, que o Lira acelerou, Arthur Lira
- 23:45acelerou, se ele chegar a ser aprovado na Câmara, já
- 23:50tem parecer jurÃdico mostrando que é
- 23:54inconstitucional. Tem que acabar com esse
- 23:58negócio, se é inconstitucional rasga a
- 24:00Constituição, tem que acabar com isso. Ainda
- 24:03mais saem de dentro da casa, que a casa nasce a
- 24:09Constituição, embora a Constituição tenha nascido
- 24:11de uma Constituinte, e os constituintes que fizeram a
- 24:17Constituição foram eleitos pelo povo brasileiro, para
- 24:19fazer a Constituição. Então não pode, eu não gosto, eu
- 24:23não respeito, não é assim não. A
- 24:25Constituição para ser mudada tem regras. Está
- 24:29certo que ela vem sendo mudada de forma bastante
- 24:32aleatória nos últimos tempos, mas tem regras.
- 24:38Agora são sete horas, cinquenta e
- 24:41dois minutos. Rádio Livre, Rádio Livre Rádio
- 24:48Livre, apresentação no Nato Lima Rádio Livre, entrevista
- 24:55A relação entre colonialismo e racismo é tema da nossa
- 24:59entrevista, hoje com o sociólogo e radialista Pedro
- 25:02Vitor Mendes. Bom dia Pedro Vitor. Bom
- 25:05dia professor, bom dia a todos os ouvintes, é sempre
- 25:07um prazer estar aqui conversando com o senhor e
- 25:11refletindo um pouco sobre o lugar do racismo e também
- 25:14a importância da sociologia para entender o nosso dia
- 25:17a dia. à Pedro, as questões do
- 25:20colonialismo e também claro do contra -colonialismo, do
- 25:24anti -colonialismo, tem ganhado relevância na
- 25:27atualidade, sobretudo no âmbito da pesquisa
- 25:29acadêmica, mas você acrescenta aà a essa
- 25:32questão do colonialismo, uma relação com o racismo. Qual
- 25:36é a relação que existe hoje entre colonialismo e
- 25:40racismo e de que colonialismo estamos falando?
- 25:44Quando pensamos em racismo, uma
- 25:47definição assim né, mais direta e simples de
- 25:50racismo, é o poder de um grupo étnico sobre outro. E
- 25:55aà quando você envolve dois grupos étnicos, um com
- 25:59poder sobre outro, você também acaba desenvolvendo o
- 26:03poder daquele grupo étnico de dizer o que o outro é,
- 26:08o que o outro pode fazer e também materializar isso
- 26:12em oportunidades, que espaços, que empregos o
- 26:17outro grupo étnico pode ter acesso. Então
- 26:22racismo está muito relacionado a esse processo
- 26:25de dominação. Todo racismo, todo racismo vende
- 26:34uma relação colonial? Não. Temos exemplos históricos,
- 26:39né, que por exemplo, anti -semitismo, que é basicamente
- 26:44o racismo contra os semitas, de maneira mais
- 26:47evidente o que aconteceu contra os judeus no século
- 26:50passado, na Europa e no regime nazista. Não
- 26:56vende uma relação de colonialidade, ninguém foi
- 26:58para um paÃs onde os judeus viviam e escravizou
- 27:03os judeus, não, isso não aconteceu, né. Então
- 27:07você, e daà os judeus passaram a sofrer racismo?
- 27:10Não, uma relação que estabeleceu
- 27:12de outra forma. Mas é quase uma norma que uma
- 27:18relação colonial vai desembocar em uma relação
- 27:21racista, em um padrão de relação entre grupos
- 27:26étnicos, onde um grupo domina o outro. E
- 27:30se aplica então, por exemplo, ao caso do Brasil?
- 27:33Sim, se aplica ao caso do
- 27:34Brasil, por quê? Porque no Brasil, à medida em que
- 27:39se dominou, que os europeus dominaram povos indÃgenas e
- 27:46povos africanos, os europeus reproduziram nas gerações
- 27:52que vieram essa concentração de poder dentro do grupo
- 27:58designado como o branco. E aà esse grupo passou a
- 28:04reproduzir essa relação de racismo, de definir o que
- 28:10o outro grupo pode fazer, ou de dizer o que aquele
- 28:15grupo, que realizações aquele grupo é passÃvel de
- 28:21concretizar ou não. Isso se concretizou no caso do
- 28:27Brasil, inicialmente pela força, né? Sim,
- 28:29se concretizou pela força. E
- 28:33tem um segundo momento, professor, que é muito
- 28:36importante para a gente entender essa relação,
- 28:37porque se há essa relação de uma maneira muito forte,
- 28:43então eu posso concluir que acabou o colonialismo,
- 28:45acabou o racismo, né? E o que acontece é que
- 28:50vários estudiosos constroem a ideia de colonialidade, o
- 28:57que é que são padrões de comportamento que passam,
- 29:02que continuam numa sociedade mesmo com o fim do
- 29:07colonialismo. Então o racismo se estabelece, no
- 29:12caso do Brasil, o racismo antinegro, o racismo contra
- 29:16as pessoas negras, ele se estabelece no Brasil como
- 29:19uma permanência colonial, uma colonialidade das
- 29:23relações sociais. E por que é difÃcil superar
- 29:28isso? Isso não aparece normalmente, é
- 29:32algo que só se detecta em estudos, pesquisas. No
- 29:36cotidiano a gente não pode perceber? Eu
- 29:39diria que tem duas dificuldades, assim, a
- 29:43primeira vista, eu diria que tem duas dificuldades
- 29:45muito grandes. A primeira é que há
- 29:48mecanismos de reprodução. O racismo ele não existe na
- 29:53nossa sociedade como um carro que você dá partido,
- 29:57ele anda sozinho, existe o motor, motor que faz esse
- 30:02carro andar. E esse motor são os
- 30:05mecanismos de reprodução, os mecanismos de reprodução
- 30:09racial. Então, por exemplo, você tem o
- 30:15hábito, você tem todo um processo de ensinar as
- 30:20novas gerações a serem racistas. E
- 30:23isso acontece de uma maneira consciente, em
- 30:27alguns casos, mas em outros casos inconsciente. Tem
- 30:31famÃlias que, por exemplo, vem uma pessoa negra
- 30:38andando na rua e a pessoa branca muda de calçada. O
- 30:46que isso significa? Não precisa falar, por exemplo,
- 30:48que a criança tiver acompanhado de uma criança,
- 30:50eu estou mudando de calçada porque aquela pessoa negra
- 30:53me gera desconfiança. A criança simplesmente aprende
- 30:56aquilo, é um hábito que se aprende, e isso vai sendo
- 30:59reproduzido. Esse é um primeiro caso do
- 31:03porquê que é tão difÃcil você quebrar. Você
- 31:08simplesmente... vamos dar um basta. Ã
- 31:13necessário que haja uma ações para quebrar esse
- 31:15ciclo de reprodução do racismo. O
- 31:19outro ponto que me vem a cabeça imediatamente é que
- 31:23o racismo brasileiro, diferentemente de alguns
- 31:28racismos europeus, ele é um racismo que aprendeu a ser
- 31:37mais difÃcil de ser detectado, porque você cobre
- 31:41o presente no cotidiano com um discurso bonito de
- 31:46mestizagem, de boas relações raciais, de dizer que,
- 31:51olha, a gente tem problemas, mas são isolados.
- 31:56Você compara com os Estados
- 31:57Unidos, onde tem cúculos clã, etc., muito pior.
- 32:01Então aqui é de uma de boa.
- 32:03Então você constrói, você nega o
- 32:06tempo todo que o racismo esteja presente nas pessoas.
- 32:11Você tem ideia, professor? Tem
- 32:12um dado antigo, se não me engano, no final da década
- 32:16de 90, que perguntou para as pessoas se elas
- 32:19concordavam que existia racismo no Brasil. Então,
- 32:2397 % mais ou menos, disseram, concordavam com
- 32:28essa afirmação. Sim, existe racismo no Brasil.
- 32:31Agora, quando perguntadas se elas
- 32:34eram racistas ou tinham práticas racistas, 95 %
- 32:39negaram. Onde é que está o racismo se
- 32:41não tem racista? Contraditório.
- 32:44Contraditório. à importante que a gente faça
- 32:46uma autoanálise também. Essa é uma questão pessoal
- 32:50importante da gente poder refletir e identificar na
- 32:54gente e nos outros o racismo. Agora,
- 32:57existem mecanismos de superação disso. Por
- 33:02exemplo, as escolas e fora das escolas, os meios de
- 33:07comunicação, por exemplo, porque muitas vezes, por
- 33:11exemplo, quando veio a questão das cotas raciais,
- 33:14as pessoas, e agora vai reafirmar o racismo. O
- 33:17Brasil não é racista. Falava
- 33:19-se ainda daquele conceito já bem convalido de
- 33:22democracia racial. Que caminhos, ou são percorridos
- 33:28ou deveriam ser para superar essa questão? Bom,
- 33:33é muito interessante isso porque a reação das cotas
- 33:36raciais, ela tem tudo a ver com a maneira como
- 33:40tradicionalmente a gente reproduz o racismo. O
- 33:45racismo, ele reproduz no dito e no não dito, do
- 33:50que é falado e no silêncios também. O
- 33:55senhor, é um especialista no discurso, sabe que o
- 33:58silêncio também pode ser muito elocoente. Silêncio
- 34:01fala às vezes mais do que a palavra. Exatamente.
- 34:04E, por exemplo, um lugar onde o silêncio fala muito
- 34:07que o silêncio grita e foi necessário uma lei para
- 34:10poder quebrar isso. Ensino de história nas escolas.
- 34:15Temos gigantescos impérios
- 34:17africanos. Temos uma história riquÃssima no
- 34:22continente africano, mas quando você fala em
- 34:25africanos no estudo de história, em geral, as
- 34:28pessoas vão pensar logo nas pessoas escravizadas,
- 34:32torturadas, que vieram ao Brasil. Isso
- 34:36quando se diz que elas se rebelavam, porque até isso,
- 34:39infelizmente, é raro. A construção mais comum é que
- 34:43eram meras vÃtimas, enquanto que estiveram sim muita
- 34:46agência e lutaram contra aquele sistema o tempo
- 34:49todo. O tempo todo estiveram
- 34:51lutando. Então, essa ausência que foi
- 34:54construÃda sob história africana, a gente se
- 34:57aprofunda, sabe até os nomes dos ministros, etc.,
- 35:01historicamente, marquejo de pombal, etc., tudo lá da
- 35:04Europa, e da Ãfrica não sabe nada. Isso
- 35:07é um silêncio alocuente. Você
- 35:09está dizendo para aquelas pessoas que enquanto pessoas
- 35:11loiras e brancas são descendentes de grandes
- 35:14reis, as pessoas negras são descendentes apenas das
- 35:18pessoas escravizadas. E isso é um erro brutal.
- 35:23Isso interfere até na
- 35:25subjetividade dessas pessoas. E
- 35:29é por isso que é importante você ensinar a
- 35:32história africana, consolidar essa lei para dar as
- 35:36pessoas a consciência de que elas pertencem sim
- 35:39pessoas negras e brancas, porque vale ressaltar a
- 35:44descendência africana não está só nas pessoas negras.
- 35:48Somos de fato um paÃs mestizo.
- 35:51Essa mestizagem não foi feita
- 35:53por consenso. Nossas mitocôndrias, que são
- 35:59passadas para a descendência apenas pelas mulheres, são
- 36:04essencialmente mitocôndrias indÃgenas e negras. Então
- 36:07você sabe da violência com que foi feita essa
- 36:11mestizagem, do homem branco com as mulheres indÃgenas e
- 36:14negras. No entanto, somos descendentes,
- 36:18é provavelmente a maior parte dos brasileiros é
- 36:25descendente de africanas. Então
- 36:28também somos descendentes desse povo e é importante
- 36:30brancos e negros terem orgulho, não orgulho vazio
- 36:34dizer, ah não, eu sou orgulho, mas um orgulho que
- 36:37não tem conteúdo, um orgulho com conteúdo e
- 36:40solidez, assim como é de que somos descendentes de
- 36:44povos africanos. Ã muito importante. Isso
- 36:48é um dos mecanismos. Existem
- 36:51vários, que também passam pelo que o senhor falou,
- 36:56de ter consciência de que o racismo no Brasil temos
- 37:00dados cientÃficos, temos inúmeros estudos, temos todo
- 37:05um processo histórico. O Brasil é um dos paÃses da
- 37:08América Latina, é um dos poucos paÃses da América
- 37:11Latina que com frequência, durante todo o século
- 37:14passado, pegou dados raciais, colheu dados
- 37:18raciais para saber quanto de população negra e branca
- 37:21existia. Isso é um privilégio, porque se
- 37:26você comparou outros paÃses da América Latina, alguns
- 37:28começam a fazer isso agora. E
- 37:30os dados do IBGE mostram que as pessoas se assumiram
- 37:34mais na condição de negro e indÃgena. Sim,
- 37:38a medida em que você percebe que essas ações
- 37:43afirmativas, nome já diz, afirmação, a medida que
- 37:48essas ações afirmativas passam até efeito na
- 37:52sociedade, você passa a ter cada vez mais vÃnculo com
- 37:57aquela identidade que até certa altura da nossa
- 38:01história só trazia prejuÃzo para as pessoas. As
- 38:03pessoas só vivenciavam coisas negativas. A
- 38:06partir do momento em que você tem polÃticas que vale
- 38:10ressaltar, são polÃticas de representação. Elas
- 38:15visam redistribuir o poder. Racismo
- 38:20é relação de poder. Não adianta nada você ter uma
- 38:23sociedade brasileira com um discurso bonito, de
- 38:26miscigenação, de que nossa cultura é fruto da Europeia
- 38:29com a africana e temos elementos indÃgenas e temos
- 38:33elementos dos três lugares. Se
- 38:36o poder não está redistribuÃdo, as pessoas
- 38:40pretas no poder. Isso é importante para você
- 38:44acabar com o racismo. Então é uma questão polÃtica, é
- 38:50uma questão também de educação e educação no
- 38:54sentido mais amplo, né? Exatamente.
- 38:56Todas as instâncias sociais. Não
- 38:57só dentro das escolas, como eu usei aqui o exemplo da
- 39:00história africana, mas a educação, a gente tem muita
- 39:03essa visão de que é só nas escolas, mas a educação
- 39:05também está no dia a dia. A
- 39:06gente aprende dentro de casa, com a famÃlia, a
- 39:09gente aprende em outros lugares, em outros
- 39:12ambientes, né? Infelizmente nós não aprendemos só
- 39:16coisas boas, né? Na escola e fora dela
- 39:19aprendemos também o racismo. As
- 39:20crianças negras sabem disso. As
- 39:22crianças negras vivenciam isso e os dados colhidos
- 39:26indicam a maior evasão de crianças negras. Mas
- 39:29por quê? Porque elas já vivenciam o racismo
- 39:32dentro da sala de aula. Pedro
- 39:34Vitor Mendes, muito obrigado pela sua participação e até
- 39:36a próxima quinta -feira, né? Eu
- 39:38que agradeço o professor. Até
- 39:39a próxima quinta -feira. Sempre
- 39:41um prazer estar conversando sobre um tema tão
- 39:42importante e caro para a realidade social brasileira.
- 39:48Oito horas e sete minutos.
- 39:51Queria agradecer aqui ao professor
- 39:52Henrique Beltrão, nosso colega aqui também de rádio
- 39:56com os programas Todos os Sentidos apresentado na
- 40:04quarta -feira. E companheiro de rádio há
- 40:09muitos anos que acabou de nos ligar aqui fazendo
- 40:15referências, boas referências em entrevista com o Pedro
- 40:17e meu nome e nome do Pedro aqui. Nós
- 40:19agradecemos pelas suas observações e isso ajuda a
- 40:27gente a manter a linha, essa linha do programa que
- 40:33busca trazer essas questões para a discussão e busca
- 40:39contribuir para o debate público, né? Diversas
- 40:44questões de relevante interesse social histórico
- 40:48do povo brasileiro. Música Eu falei aqui no Todos os
- 41:13Sentidos, o programa da quarta -feira, mas tem
- 41:15também o programa SEM FRONTEIROES, que é o
- 41:16programa no sábado, né? Apresentado
- 41:18pelo Henrique Beltrão, aqui na Universitária FM.
- 41:23Obrigado Henrique. Música
- 41:26O Supremo Timo Federal suspendeu ontem o julgamento
- 41:33de 13 ações que contestam pontos da reforma da
- 41:37Previdência aprovada em 2019 durante o governo, aquele,
- 41:43né? Terminou em 2022. O
- 41:46julgamento foi suspenso por um pedido de vista feito
- 41:49pelo ministro Gilmar Mendes. Esse
- 41:52pedido de vista é um mecanismo que prevê, está
- 41:55previsto no Regimento Interno do Supremo Timo
- 41:57Federal, que permite que um dos membros peça para parar
- 42:02o processo de julgamento para analisar melhor, ler,
- 42:05reler, avaliar antes de votar. Não
- 42:09há data para retomada do julgamento, mas se sabe que
- 42:13agora o pedido de vista não é mais como
- 42:14antigamente. O pedido de vista poderia
- 42:16durar uma semana, duas meses, anos, agora não, tem
- 42:20um limite, mas isso acaba demorando um pouco mais o
- 42:27julgamento. Até o momento, o Supremo Timo
- 42:29Federal tem maioria de votos para derrubar pelo
- 42:31menos três pontos da reforma da Previdência. Mas
- 42:35a suspensão ainda não estava além de porquê?
- 42:37Porque depende da finalização do
- 42:38julgamento. E quando não conclui o
- 42:40julgamento, a mudança não pode ser implementada. A
- 42:44maioria dos ministros já votou contra o mecanismo,
- 42:47que autoriza contribuições extraordinárias e aposentadas
- 42:50e pensionistas, quando ocorrer déficit atuarial das
- 42:54contas da Previdência. Déficit
- 42:58da Previdência manda a conta para o aposentado e
- 43:00pensionista. à isso que está previsto e
- 43:02os ministros já derrubaram. Derrubaram
- 43:05assim. A votação até agora derruba,
- 43:08mas precisa concluir para poder entrar em vigor na
- 43:14prática. Certo? Ah, também votos para
- 43:18impedir a anulação de aposentadoria do regime
- 43:21próprio de Previdência, a Previdência dos Sividores
- 43:24Públicos, que utilizarem contagem do regime geral de
- 43:28Previdência destinado aos trabalhadores e seletistas,
- 43:32sem o pagamento de contribuições correspondentes.
- 43:34A maioria dos ministros também
- 43:36está derrubando a regra que diferencia o tempo de
- 43:39contribuição para a aposentadoria entre mulheres
- 43:41do regime próprio e do regime geral. Nos
- 43:45dois regimes, a aposentadoria de mulheres
- 43:47pode ocorrer aos 62 anos, mas no regime geral, o
- 43:52tempo mÃnimo de contribuição é de 15 anos, enquanto no
- 43:55regime próprio é de 25 anos. As
- 43:59ações foram protocoladas na Corte por associações que
- 44:02representam diversas categorias de servidores
- 44:05públicos. à aquela história que falando
- 44:07aqui mesmo do déficit, né? Agora
- 44:09mesmo o Congresso deu e o Executivo assinou embaixo a
- 44:16desoneração da folha. Desoneração
- 44:19da folha significa desidratação das finanças da
- 44:25Previdência. E quando o rombo chegar, para
- 44:30onde vai a conta? Já se fala até uma nova
- 44:34reforma para pagar essa mudança aà que aconteceu
- 44:41já, né? Uma desoneração que era para
- 44:45gerar emprego lá em 2012, virou um presente eterno ou
- 44:49quase para o empresariado. Então
- 44:53esses pontos aà da reforma vai ser, sem contar com
- 44:56outros desastres que a reforma trouxe, esses aà já
- 45:00são mais ou menos consensuais porque já existe
- 45:04maioria de votos para derrubar. Como
- 45:07pode um regime próprio de Previdência exigir 10 anos
- 45:11a mais do que o regime geral de Previdência? Se
- 45:14todo mundo agora foi de certo modo encaixado no
- 45:18regime geral. Porque mesmo os servidores
- 45:20públicos, os mais recentes depois dessas reformas, as
- 45:25duas outras reformas, deixaram de ter aposentador
- 45:29integral. O limite agora é o teto da
- 45:32Previdência. Ora, se serve o teto para
- 45:35garotear a aposentadoria, por que então a mesma
- 45:41regra não é válida para o tempo mÃnimo de
- 45:44contribuição? Que é de 15 anos no regime
- 45:47geral, aà vê um regime especial, não é especial,
- 45:53um regime próprio, tipo essas Previdências de
- 45:57Estado, municÃpio etc. E o próprio Previdência
- 45:59Federal. AÃ vem exigir 25 anos, 10
- 46:03anos a mais, é bem estranho sendo no mesmo
- 46:06paÃs, embora não surpreenda, não surpreende, porque aos
- 46:12poucos ou aos muitos, o Brasil vai se distanciando
- 46:17do conceito fundamental de Previdência Social, que tem
- 46:24a ver com solidariedade, né? Cada
- 46:27vez menos esse conceito funciona para a Previdência
- 46:32Social. O
- 47:08Senado Federal aprovou, bom, tem um texto principal, do
- 47:12projeto que cria uma polÃtica para incentivar a
- 47:15energia limpa no Brasil a partir do combustÃvel de
- 47:19hidrogênio, com baixa emissão de carbono. O
- 47:22objetivo da proposta é inserir de forma competitiva
- 47:25o chamado hidrogênio verde na matriz energética
- 47:29brasileira. Ele vai servir para substituir
- 47:32combustÃveis fósseis para abastecer, por exemplo,
- 47:36veÃculos pesados como trens e aviões. A
- 47:39votação ainda não foi concluÃda. O
- 47:42Plenário do Senado precisa analisar a sugestão de
- 47:45mudança ao projeto, que deve ficar para a próxima
- 47:48sessão. Como os senadores mudaram o
- 47:50conteúdo do texto, precisa o projeto voltar para a
- 47:55Câmara para discutir as mudanças, aprovar ou não,
- 48:01aà depois vira lei, se virar, né?
- 48:26O Comitê de PolÃtica
- 48:27Monetária, Copom, do Banco Central, decidiu manter a
- 48:32taxa básica de juros em 10 ,50 % ao ano. A
- 48:36decisão foi unânime, ou seja, todos os membros do
- 48:39Copom e o presidente do Banco, Roberto Campos Neto,
- 48:43votaram para manter a Selic no atual patamar. Isso
- 48:47também significa que os quatro integrantes do Copom,
- 48:51indicados por Luiz e Nácio Lula da Silva, votaram de
- 48:54forma diferente do que pensa o presidente, porque
- 48:58nos últimos dias tem feito crÃticas ao Banco Central
- 49:00que vem defendendo os juros altos. Então
- 49:06nem mesmo os quatro integrantes do Banco
- 49:08Central, indicados pelo governo, votaram a favor de
- 49:12mais uma queda, a taxa do juros vinha caindo, e agora
- 49:20suspenderam a redução da taxa de juros e suspenderam
- 49:24no momento polÃtico, né? O presidente fez crÃticas ao
- 49:29Roberto Campos Neto, porque o Banco Central foi
- 49:35considerado legalmente independente. O
- 49:40presidente questionou essa independência por um ato
- 49:44polÃtico do próprio Roberto Campos Neto. Ele
- 49:48foi a um jantar em sua homenagem, homenagem a ele,
- 49:52conflicida pelo governador de São Paulo, governador
- 49:57bolsonarista de taxas de freitas. E
- 50:00consta que nesse jantar, Roberto Campos Neto
- 50:04emocionado, agradeceu pela homenagem e disse que
- 50:07poderia até ser ministro de taxas de freitas, não é
- 50:12eventual governo de taxas de freitas. E
- 50:17aà Lula perguntou, cadê a independência? A
- 50:20independência é assim que se faz independência do
- 50:22Banco Central, mas aà o resultado dessa crÃtica que
- 50:30parece adequada, né? Não sei se adequada para o
- 50:35presidente da República, mas isso é o presidente da
- 50:37República, eu vou dizer. O que que aconteceu? O
- 50:40Banco Central, o Copom, comitê de polÃtica
- 50:44monetária, votou por 9 a 0 pela manutenção da taxa de
- 50:49juros no limite de estar. Inclusive
- 50:50os quatro integrantes do Copom indicados pelo
- 50:54presidente Lula. DifÃcil entender esse processo, né?
- 51:01Complicado, né? Bem
- 51:03complicado. à mais fácil entender esse
- 51:06simulacro de independência do Banco Central, né? Toda
- 51:11semana saiu boletim, focos, se inspira em quem? No
- 51:18mercado financeiro. Então o Banco Central pergunta ao
- 51:21mercado financeiro o que é que o tal mercado acha?
- 51:25Sente que no mercado financeiro
- 51:26você sabe, né? São as fintexas, as financeiras,
- 51:30os bancos, sobretudo os banqueiros. Ã
- 51:34o povo do dinheiro que decide. Boa
- 51:38parte de atentores da dÃvida interna brasileira,
- 51:41então eles decidem sobre a taxa de juros. E
- 51:46cada vez que mantém ou que bota 1 % de juros na
- 51:51Selic, 40 bilhões vão -se embora do dinheiro público
- 51:56para pagar juros da dÃvida. Isso
- 51:59tem sido dito e reafirmado aqui pelo professor Fábio
- 52:03Sobral. Toda segunda -feira nós estamos
- 52:04conversando aqui. Nessa segunda -feira passada já
- 52:07falou nisso, né? 1%. Então agora o mercado
- 52:12financeiro, claro que é o homenageio. Roberto
- 52:14Campos e o Banco Central por manter a taxa de
- 52:16juros. Porque mantém também o ganho a
- 52:19mais. Eu falei da dÃvida pública,
- 52:23mas a dÃvida pública é uma parte disso, né? Isso
- 52:27tem repercussão geral em tudo que se faz no paÃs.
- 52:33Nas compras no crediário, nos
- 52:35cartões de crédito, nos empréstimos, tem impacto
- 52:39geral para a população. E um impacto muito positivo
- 52:43para o povo que vive da especulação financeira. Que
- 52:48às vezes, o que a gente chama de investidor, né?
- 52:52Não puder dizer outro nome, a
- 52:54gente chama de investidor mesmo, né? Está
- 52:56escrito. Essa semana eu falei aqui, a
- 53:00notÃcia que uma entidade tinha entrado com uma ação
- 53:06no Supremo Tribunal Federal para derrubar um processo
- 53:09que tramita na justiça do Reino Unido contra as
- 53:17mineradoras responsáveis pelo desastre de Mariana em
- 53:22Minas Gerais. Pois bem, os advogados da Vale
- 53:25e da mineradora BHP são eles que entraram com uma
- 53:31ação agora no Supremo na segunda -feira. Pedindo
- 53:34a proibição de municÃpios brasileiros de recorrer Ã
- 53:37justiça em outros paÃses. O pedido foi protocolado em
- 53:41nome do Instituto Brasileiro de Mineração e Brã, e não
- 53:44em nome das duas empresas interessadas no assunto. A
- 53:47relatoria da ação está com o ministro Cristiano Zanin.
- 53:50A ação foi protocolada no
- 53:52Supremo com o objetivo de acabar com o processo
- 53:56judicial do municÃpio de Mariana contra a Vale e a
- 53:59BHP na justiça do Reino Unido. Os
- 54:03mesmos advogados que representam as empresas do
- 54:05exterior foram os que pediram a proibição ao
- 54:08Supremo em nome do Ibram. Pois
- 54:13o processo de andamento no Reino Unido está relacionado
- 54:17ao colapso da barragem da mineradora Samarco em 2015,
- 54:22e não deve ser finalizado antes de 2027. A
- 54:27Vale e a BHP temem sanções internacionais a seus
- 54:30negócios. à porque aqui no Brasil está
- 54:32andando bem devagarinho, né? Vai
- 54:34que lá o processo vai mais fundo e vai mais longe e
- 54:39vai mais rápido. Eles estão tentando se prevenir
- 54:42contra isso. Enquanto isso, o povo, não é a
- 54:47prefeitura de Mariana, o povo de Mariana, o povo da
- 54:49região vÃtima desses desastres pela atuação
- 54:55dessas empresas, fica na luta para garantir coisas
- 55:01mÃnimas, reparações mÃnimas, já que as vidas não
- 55:04voltarão. Agora o Ibram, Instituto da
- 55:12Mineradoras de Mineração, tentou explicar porque essa
- 55:17coincidência diz que o escritório, esse escritório
- 55:20responsável pela ação que defende a Vale e a BHP na
- 55:26ação do Reino Unido, é porque é associado dessa
- 55:30instituição e presta serviço para todo o setor mineral.
- 55:34Então tudo converge para o mesmo
- 55:36lugar. Entendeu o jogo? O
- 55:39perigo é as vÃtimas virarem culpadas no rumo que vai,
- 55:46e o tempo que faz, que as ações tramitam, 9 anos, sem
- 55:52uma solução definitiva, é bem complicado. O
- 56:00estudo Atlas da Violência, de 2024, publicado ontem
- 56:04pelo IPA, Instituto de Pesquisa Econômica, aplicado
- 56:06pelo Fórum Brasileira de Segurança Pública, aponta
- 56:08que do inÃcio de janeiro de 2012, até o fim de
- 56:142022, uma pessoa negra foi vÃtima de homicÃdio a cada
- 56:1912 minutos. No Brasil, no mesmo perÃodo,
- 56:24445 mil, 442 pessoas negras foram assassinadas, número
- 56:32que é mais de três vezes maior do que entre a
- 56:35população não negra. O estudo mostra que houve uma
- 56:40diminuição da taxa de homicÃdios de negros a
- 56:43partir de 2017, mas em 2022 essa população ainda
- 56:48correspondia a 76 ,5 % de todos os homicÃdios no
- 56:53paÃs, vÃtimas de homicÃdios. A
- 56:55taxa de homicÃdios era 43 ,1 % a cada 100 mil
- 57:03habitantes, entre negros e foi a 27 ,9 homicÃdios a
- 57:12cada, a 29 ,7 homicÃdios a cada 100 mil, entre os não
- 57:18negros. Já a taxa de homicÃdios de
- 57:20pessoas brancas, indÃgenas e amarelas, conforme a
- 57:22classificação do IBGE, teve para tomar muito menor ao
- 57:26longo desse perÃodo. Na verdade, eu corrigi na
- 57:30equipe, foi 16 ,1 homicÃdios a cada 100 mil habitantes
- 57:34em 2017, aà veio para 10 ,8, 5 anos depois. Eu
- 57:40vou retomar aqui a informação anterior, o
- 57:44estudo mostra que houve uma diminuição da taxa de
- 57:46homicÃdios contra negros a partir de 2017. Em
- 57:492022, os negros correspondiam a 75 % de
- 57:56todos os homicÃdios no paÃs, vÃtimas de homicÃdios.
- 58:00A taxa de homicÃdios era 43
- 58:02,1 homicÃdios a cada 100 mil em 2017, em 2022 foi
- 58:10para 29 ,7 homicÃdios a cada 100 mil. Isso
- 58:17quer dizer o quê? Que o risco de uma pessoa
- 58:20negra ser vÃtima de homicÃdio no Brasil, é 2 ,8
- 58:24vezes maior, em média, em relação a não negros. A
- 58:30cor da pele é uma das caracterÃsticas preponderantes
- 58:35para a maior parte das vÃtimas de homicÃdio no
- 58:38paÃs. A outra é a idade, o atlas
- 58:43mórticas é quase metade, 49 ,2 % dos homicÃdios
- 58:46registrados, em 2022 tem como vÃtimas pessoas de 15
- 58:50a 29 anos, jovens e adultos jovens. São
- 58:5662 mortes violentas de jovens nessa faixa etária
- 58:59por dia no paÃs em média. Esses
- 59:05dados estão no atlas da violência.
- 59:17Nesta quinta, o FES está previsto
- 59:19uma visita do presidente Lula à Fortaleza, ao Ceará.
- 59:24E está vendo uma convocação
- 59:26dos sindicatos de trabalhadores da área da
- 59:30educação para um ato. Já se chamou de uma recepção
- 59:35ao presidente Lula nas imediações do Palácio da
- 59:38Abolição. E o nome do ato é Lula,
- 59:42volta para a base, a educação te chama. A
- 59:46ideia é fortalecer a greve com faixa, bandeiras e
- 59:50palavras de ordem. O movimento pretende reforçar
- 59:57a luta em defesa de negociação. Agora,
- 1:00:03a dosso está convocando uma Assembleia Geral
- 1:00:06extraordinária para amanhã sexta -feira, nos Jardins da
- 1:00:11Reitoria, que da UFC, e nos Campes do Interior. A
- 1:00:16primeira convocação, 8 da manhã, a segunda, 9 da
- 1:00:18manhã. Qual é a pauta? Análise
- 1:00:20da conjuntura e a avaliação da greve. E
- 1:00:23as questões levantadas pelo Comando Nacional de Greve
- 1:00:26para as Assembleias Gerais sobre a proposta do
- 1:00:30governo, possibilidade de assinatura de acordo e
- 1:00:33continuidade, ou não, da greve e construção de uma
- 1:00:37saÃda coletiva da greve, se for o caso. Portanto,
- 1:00:44a greve, tem gente que fala, a greve acabou, a
- 1:00:47greve acabou no IFC, a greve acabou nos técnicos,
- 1:00:51a greve não acabou, o que está em discussão é nas
- 1:00:55Assembleias. Qual é a posição das bases, das
- 1:00:59Assembleias Gerais de Servidores e Lidoocentes
- 1:01:01sobre o que o governo está propondo como acordo, se as
- 1:01:04bases vão concordar ou não com os termos dos acordos
- 1:01:07que estão sendo propostos e uma vez aprovado pela
- 1:01:12maioria das bases, se for aprovado o acordo, aà vai
- 1:01:18ao Comando Nacional que vai encaminhar assinatura do
- 1:01:21acordo. Só depois de firmar o acordo,
- 1:01:25se for firmado o acordo, é que volta para as
- 1:01:28Assembleias Gerais de Servidores e Lidoocentes
- 1:01:31para deliberar sobre o final da greve. Continua
- 1:01:35valendo a mesma regra, só os trabalhadores encerram a
- 1:01:39greve, nem a imprensa, nem o presidente da república
- 1:01:42pode encerrar a greve, nem o negociador da presidência,
- 1:01:48nada, nem as palavras deselegantes contra os
- 1:01:52trabalhadores e suas lideranças, nada disso
- 1:01:54encerra uma greve. A greve, instrumento legÃtimo
- 1:01:58dos trabalhadores, é para abertura de negociação e
- 1:02:02diálogo. Essa negociação e diálogo tem
- 1:02:07limites, às vezes nem há o diálogo, nem a negociação,
- 1:02:10às vezes há mesmo um processo de imposição, mas
- 1:02:16são os trabalhadores que dá libero, não é a imprensa,
- 1:02:20nem é o governo, não é o patrão, nem a imprensa
- 1:02:24identificada com o pensamento do patrão, que
- 1:02:29acaba com a greve. A greve continua na UFC, no
- 1:02:34IFCE, na Federal do Carili, na UNILAB, porque não houve
- 1:02:42ainda uma decisão final sobre a greve. Claro
- 1:02:45que houve um anúncio, aquele anúncio de Suiça
- 1:02:50-lêncio, o presidente Lula, que vai ser recepcionador
- 1:02:53hoje com esse ato, que criou uma situação
- 1:02:58complicada por processo de negociação. E
- 1:03:02eu repito, não precisava daquele discurso. O
- 1:03:05presidente da república, como é isso, indicalista,
- 1:03:07tem competência, capacidade polÃtica de estabelecer um
- 1:03:16diálogo com os servidores, inclusive para dizer não,
- 1:03:21para mostrar porque não. Mas
- 1:03:27o que ocorreu não foi isso. Os
- 1:03:29negociadores do governo nas mesas, há testemunhas e
- 1:03:33números que estiveram nas mesas de negociação. Eu
- 1:03:38comecei com algumas que ficarem impressionadas com a
- 1:03:42forma deselegante, autoritária, arrogante de
- 1:03:47alguns negociadores do governo nas mesas de
- 1:03:49negociação. E não precisa disso. Pelo
- 1:03:52menos um governo que tem suas origens na classe
- 1:03:57trabalhadora, ele não é obrigado a atender a tudo
- 1:04:01que os trabalhadores querem. Ele
- 1:04:03não é obrigado a atender em nada. Ele
- 1:04:06tem que se limitar às condições financeiras,
- 1:04:09econômicas, à s regras mÃnimas de gestão. Uma
- 1:04:14série de questões, ele tem que cumprir isso. Todo
- 1:04:16mundo reconhece. Tem que se limitar também aos
- 1:04:19acordos polÃticos, com a base aliada no Congresso
- 1:04:22Nacional, que talvez seja o pior momento do Congresso
- 1:04:26Nacional, seja esse, pelo menos da República, o
- 1:04:29perÃodo republicano, mas é possÃvel, é necessário, é
- 1:04:37fundamental. O tÃtulo desse ato é uma
- 1:04:42espécie de alerta para o governo. Lula,
- 1:04:45volta para a base. A educação te chama. O
- 1:04:48presidente Lula tem no seu discurso reconhecido a
- 1:04:51importância e a relevância da educação para o povo
- 1:04:55Bradileiro. Mas ele não pode fazer esse
- 1:04:59discurso e, ao mesmo tempo, no momento crÃtico da
- 1:05:02educação federal, fazer um pronunciamento daquele. Não
- 1:05:05pode? Pode. Mas não combina com ele.
- 1:05:10E, claro, as pessoas que
- 1:05:12pensam na educação Bradileira, na relevância da
- 1:05:15educação Bradileira para o povo Bradileiro, como pensa
- 1:05:18o presidente, acham estranho que o governo não tenha
- 1:05:22desenvolvido um processo negocial minimamente
- 1:05:29dialogado, falando, ouvindo, discutindo, atendendo ou não
- 1:05:35atendendo reivindicações, mas sem perder a elegância, sem
- 1:05:41partir para o discurso violento. Ã
- 1:05:46isso. Olha aà na história, quando foi
- 1:05:49que a educação federal Bradileira fez uma greve
- 1:05:53unificada das universidades, dos institutos federais, dos
- 1:05:57CFETs, das escolas federais em geral, quando, se isso
- 1:06:02aconteceu, não foi um evento aleatório, não foi
- 1:06:05uma invenção de um outro sindicato ao comando de
- 1:06:10greve. Ã algo muito maior. Tem
- 1:06:12raiz históricas, econômicas e sociais que não podem
- 1:06:16ser desconsiderados pelos analistas e conselheiros do
- 1:06:22governo, ou pelo próprio governo. Isso
- 1:06:26não pode ser ignorado. O governo precisa ensaiar uma
- 1:06:30forma de conversar com os trabalhadores, idêntica ao
- 1:06:35que aplica nas negociações com o empresariado, com os
- 1:06:39banqueiros, com os detentores da dÃvida
- 1:06:43interna. Simples assim. Chegamos
- 1:06:49ao final do rádio livre, que tem apoio do Cinti
- 1:06:51Cerf Será, o Cili Cato dos Saberadores, no serviço
- 1:06:54público federal. Obrigado. Bom dia. Você
- 1:06:57que nos acompanha, o que é o Vivo, abraço, você que
- 1:06:59nos acompanha no podcast Rádio Livre, com o Nato
- 1:07:03Lima, nas principais plataformas de podcast.
- 1:07:05Amanhã, assa a Lima e eu estaremos
- 1:07:06de volta com mais um Rádio Livre. Obrigado.
- 1:07:09A Universitaria FM apresentou o Rádio Livre.