Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 18 de outubro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:06ondas do rádio. Sete horas e trinta e três
- 0:14minutos. A gente tá no ar pra se informar
- 0:24Saber o que é que há pra se ajudar A gente tá no ar pra se
- 0:28comunicar A gente tá no ar pra se divertir Pra falar e ouvir,
- 0:33pra dançar e rir Pra ficar feliz, pra ser livre Rádio livre
- 0:36Rádio livre Os destaques do Rádio Livre
- 1:12desta sexta-feira, dia de outubro de dois mil e vinte e
- 1:16quatro. IndÃgenas avaguarani são
- 1:22atacados com caminhões, tratores e pauladas no Paraná.
- 1:28O genocÃdio amplia-se no Oriente Médio.
- 1:33A entrevista de hoje, na série Quarenta e Três Anos da Rádio
- 1:37Universitária, é com as jornalistas Lúcia Helena Pierre
- 1:41e Fátima Leite. Rádio Livre, Rádio Livre.
- 1:48Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 1:54Bom dia, estamos começando Rádio Livre ao vivo aqui na
- 1:57Universidade FM e você, nossos cumprimentos também a você que
- 2:02nos acompanha no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 2:05Um cumprimento especial hoje às médicas e aos médicos que estão
- 2:10nos acompanhando no Rádio Livre. Hoje é o dia do médico, parabéns
- 2:14para vocês e obrigado pela audiência.
- 2:22Bom, daqui a pouco, Ã s oito horas, as entrevistas do
- 2:25programa de hoje, eu falei com a jornalista Lúcia Helena Pierre,
- 2:27que é coordenadora de jornalismo da Rádio Universitária FM, e
- 2:31Fátima Leite, também jornalista da Rádio Universitária FM, ambas
- 2:34integrantes da equipe de fundação da Rádio Universitária
- 2:37FM. A comunidade avaguarani,
- 2:47localizada na terra indÃgena, Tecorra Guaçu Guavira, em
- 2:53GuaÃra, oeste do Paraná, foi algo de mais um ataque violento
- 2:58por parte de fazendeiros. Fazendeiros, vamos chamar de
- 3:04fazendeiros porque o noticiário está dizendo, mas não é
- 3:07comportamento de fazendeiro, né? Pois é, os fazendeiros atacaram
- 3:12na manhã de ontem a comunidade avaguarani dentro da terra
- 3:16indÃgena, é bom que se diga. O conflito deixou dois indÃgenas
- 3:21feridos, um após ser atropelado por uma caminhonete e o outro
- 3:27golpeado a pauladas por homens identificados como funcionários
- 3:31de uma propriedade rural da região.
- 3:34Segundo relatos de moradores da comunidade, um caminhão e quatro
- 3:40tratores carregados de veneno avançaram sobre a comunidade
- 3:46dentro da terra indÃgena, por volta das dez da manhã de ontem.
- 3:52Eles alegavam que estavam a mando de um fazendeiro que
- 3:55reivindica a expulsão dos indÃgenas da terra indÃgena.
- 4:00A Força Nacional de Segurança Pública foi acionada para
- 4:03intervir e as vÃtimas foram levadas para o hospital de
- 4:07GuaÃra. Segundo a Comissão Guarani, a
- 4:12Unidade Ava Guarani vive em constante tensão devido à s
- 4:16investidas de proprietários rurais contra os territórios
- 4:20indÃgenas em processo de regularização.
- 4:23Então é terra indÃgena em processo de regularização, mas
- 4:26os ditos fazendeiros, supostos fazendeiros, usando inclusive os
- 4:32carros como arma, atacam os indÃgenas na terra indÃgena.
- 4:37Um dos fazendeiros da região aceitou negociar a venda de suas
- 4:41terras para a demarcação da terra indÃgena, enquanto o outro
- 4:44optou por violentamente agredir os indÃgenas e não negociar,
- 4:52gerando uma escalada de conflitos.
- 4:57Esse ataque é parte de uma série de agressões que vem ocorrendo
- 5:00nos últimos meses. Desde pelo menos o mês de junho,
- 5:04julho, a gente anuncia que quase toda semana agressões, neste
- 5:08caso aqui, lá no Paraná, mas em outros, no Mato Grosso, Mato
- 5:12Grosso do Sul, principalmente. Não é que não ocorra conflitos e
- 5:17agressões em outras áreas. Mas essas três áreas aà estão,
- 5:20neste momento, sob fogo de... Jagunços e chefes de jagunços.
- 5:32A matéria não fala assim, mas um fazendeiro que junta um bando de
- 5:35jagunços pega os carros e vai agredir uma comunidade, é o quê?
- 5:42O que você acha? Agressão à comunidade numa terra
- 5:47indÃgena. Esses ataques...
- 5:56Eu disse que começaram... Começaram não, se intensificaram
- 6:00de junho para julho. Agora, desde o último domingo, a
- 6:07aldeia Iovir, também em GuaÃra, foi alvejada a tiros disparados
- 6:14de uma fazenda vizinha, após um carro suspeito ter circulado
- 6:20pela área filmando as lideranças indÃgenas.
- 6:23Filmando para quê? Filmagem acompanhada de tiros.
- 6:29Embora ninguém tenha se ferido nesse tiroteio do domingo, dia
- 6:35treze, o clima de insegurança persiste.
- 6:39A comunidade sendo agredida sistematicamente, claro que a
- 6:43insegurança persiste. A comunidade emitiu um
- 6:49comunicado pedindo a intervenção das autoridades federais para
- 6:53garantir a segurança às comunidades avaguarani, além de
- 6:58cobrar investigações rigorosas para responsabilização dos que
- 7:03atacaram com armas e carros os indÃgenas.
- 7:08A situação na terra indÃgena Tekorra-Guassu-Guavira é
- 7:13considerada crÃtica, com uma escalada de violência que expõe
- 7:18as famÃlias indÃgenas a riscos iminentes.
- 7:21à o projeto genocida que a colonização trouxe.
- 7:25Mil e quinhentos, que persiste, continua, impune, é bom que se
- 7:30diga. Ã, porque o recente julgamento
- 7:33sobre essa questão da terra indÃgena, o que foi aprovado foi
- 7:37indenizar os invasores para tentar a pacificação.
- 7:41Ainda assim, eles não querem. E quando é que vai chegar a hora
- 7:44de usar a força policial também contra os que cometem violência
- 7:47contra os indÃgenas? Porque contra os indÃgenas a
- 7:50gente vem com a notÃcia aqui. Violência contra indÃgenas.
- 7:54Violência, inclusive, do Estado. Quando é que o Estado vai agir
- 7:58contra fazendeiros, ditos fazendeiros, que reúnem jagunços
- 8:04e vão invadir terras indÃgenas e matar indÃgenas e ferir
- 8:06indÃgenas, como estava acontecendo agora?
- 8:10Se nem com dinheiro eles se conformam, é ou não é um projeto
- 8:14de genocida? Ã a tentativa de extinguir o que
- 8:19sobrou das nossas raÃzes indÃgenas.
- 8:25Isso não é em nada compatÃvel com uma sociedade democrática.
- 8:35Sete e quarenta e dois. A deputada federal, Carol
- 8:46D'Artora, do PT do Paraná, tem sido alvo de uma série de
- 8:51ataques racistas e misóginos que chegam através de e-mail
- 8:55institucional, do e-mail dela de deputada.
- 8:58As mensagens incluem ameaças de violência fÃsica, incitação ao
- 9:03suicÃdio e à morte de mulheres negras, evidenciando uma
- 9:07tentativa de intimidá-la e de fragilizar o seu mandato
- 9:11parlamentar. Carol D'Artora afirmou que
- 9:14durante sua trajetória como vereadora e agora como a
- 9:17deputada federal negra do Paraná, convive diariamente com
- 9:21o racismo e a misoginia profundamente enraizados nas
- 9:25nossas estruturas. Mesmo com os avanços nas pautas
- 9:30antirracistas, a sociedade ainda mantém à margem ou busca certos
- 9:37setores sociais antirracistas. mantendo à margem exatamente a
- 9:42maior parte da população. As legislações aprovadas são
- 9:47importantes, diz a deputada, mas esbarram em uma resistência
- 9:50histórica que se manifesta de forma brutal.
- 9:55Ã assim, porque tem segmentos que nem a lei respeita.
- 9:59Pior, consegue-se dar bem à margem da lei.
- 10:05Poder econômico, poder polÃtico, tudo isso conta.
- 10:09E o sujeito vai mantendo a ação criminosa e a impunidade tudo
- 10:15junto. Nas eleições do ano passado, o
- 10:19Brasil elegeu um número recorde de mulheres negras para a Câmara
- 10:23dos Deputados. Em dois mil e vinte e dois, né?
- 10:27Noventa e um parlamentares. à a maior representação da
- 10:31história. Mas anda longe de representar o
- 10:34conjunto mesmo da população negra, pretos e pardos.
- 10:42Esse grupo ainda representa oito por cento do Congresso Nacional.
- 10:49Mas o Brasil tem cinquenta e seis por cento da população
- 10:53autodeclarada preta ou parda. E essa população precisa ser
- 10:59representada de verdade. em número suficiente.
- 11:04Os que estão lá já representam, mas são poucos diante de uma
- 11:09sociedade estruturalmente racista.
- 11:13Bom, mas esse é tema para a nossa próxima semana.
- 11:18Nós temos comentário, sociólogo, radialista, companheiro aqui da
- 11:22Rádio Universitária, Pedro Vitor Mendes.
- 11:26Toda quarta-feira está aqui. Com a gente trazendo o seu
- 11:30conhecimento de pesquisador, de cientista, para a gente
- 11:34compreender o problema do racismo e para a gente combater
- 11:38o racismo. Você está convidado.
- 11:41Quarta-feira. Agora, se você não ouviu as
- 11:45entrevistas anteriores, está lá no podcast Rádio Livre com
- 11:48Donato Lima. Você pode pegar o programa da
- 11:51quarta-feira. Todas as quartas-feiras para
- 11:52trás. Desde junho que a gente está
- 11:54fazendo... Essa série de entrevistas sobre
- 11:57racismo e combate ao racismo. Luta antirracista.
- 12:04Ãs sete e quarenta e cinco, Rádio Livre.
- 12:13O Exército de Israel ordenou ontem que a população civil
- 12:17libanesa abandone uma parte do Vale do Becá.
- 12:24Esse vale que eu disse incompleto lá no começo do
- 12:28programa, o Vale do Becá. Na região leste do LÃbano.
- 12:35Agora, Israel justifica que vai atacar alvos do movimento
- 12:38Hezbollah na região do Vale do Becá.
- 12:43Aà toda a população vira alvo de Israel.
- 12:46A intensificação dos ataques ao LÃbano em setembro. levou o Vale
- 12:52do Becá a passar a ser alvo de ofensiva israelense.
- 12:56Apesar da justificativa de que está atacando o Hezbollah,
- 13:01autoridades libanesas afirmam claramente que os ataques
- 13:04atingem regiões densamente povoadas, vitimando centenas de
- 13:09civis. Entre as mortes causadas por
- 13:12Israel no Vale do Becá estão a de um adolescente brasileiro e o
- 13:17pai dele, Na cidade de Kelia, a poucos quilômetros da fronteira
- 13:25com a SÃria, estima-se que oito mil brasileiros moram, ou
- 13:30moravam, porque desde os ataques aà ninguém sabe mais quantos
- 13:34estão por lá ainda. Oito mil brasileiros.
- 13:39Certamente que esses brasileiros, inclusive os que
- 13:41foram mortos, eles não são do relato.
- 13:46E ainda que fosse, os conflitos internacionais não podem ser
- 13:50resolvidos dessa forma. Israel definiu qual é a lei
- 13:54dele. A ONU faz vista grossa e os
- 14:00Estados Unidos, junto com França, Alemanha, a tal OTAN,
- 14:06bancam o resto, bancam o crime. Há poucos quilômetros da
- 14:13fronteira com a SÃria, eu já falei que tem oito mil
- 14:15brasileiros morando nessa região.
- 14:17O Vale do Becá contém quase metade das terras cultiváveis do
- 14:21LÃbano e mantém locais históricos, com ruÃnas de
- 14:25diferentes civilizações que habitaram a região desde os
- 14:28antigos fenÃcios a romanos e otomanos.
- 14:31O professor Fábio Sobral já tinha falado para a gente isso
- 14:33aqui em uma das análises recentes.
- 14:35à sobre essa situação lá do Oriente Médio.
- 14:37O Vale do Becá, um dos objetivos de Israel, não é combater o
- 14:43Hezbollah, não. Ã, na verdade, botar a mão e o
- 14:45pé sujo de sangue no Vale do Becá, pela riqueza que o
- 14:51território oferece. Então, o que parece ser um
- 14:55combate ao Hezbollah, não é. à também, porque o Hezbollah
- 15:01representa a resistência humana ao domÃnio israelense sobre o
- 15:04Oriente Médio. à aliado dos palestinos.
- 15:08Como o mundo civilizado, se a gente pode chamar esse nome
- 15:11assim ainda, acha que não deve haver um genocÃdio na Palestina,
- 15:16que Palestina deve ser um Estado livre e independente, do mesmo
- 15:21jeito que Israel chama a si esse direito.
- 15:26Aliás, tem um acordo internacional lá do final dos
- 15:29anos quarenta, exatamente dizendo isso. que a paz naquela
- 15:34região passaria pela instituição de dois estados, independentes,
- 15:40livres, etc., etc., soberanos. O que aconteceu?
- 15:45Fizeram Israel e Israel avança sobre o território palestino e a
- 15:49Palestina não conseguiu exercer o seu direito no acordo
- 15:54internacional que está escrito, que a Palestina está ocupada por
- 16:00colonos israelenses. Bom, esse processo de genocÃdio
- 16:07está meio naturalizado no mundo. Israel pode tudo, sob mando do
- 16:18tirano Netanyahu, que se chama primeiro-ministro lá, e do
- 16:23patrão dele, o Biden. E, claro, eu falei aqui, alguns
- 16:27lÃderes europeus também. Curiosamente, ontem, Israel
- 16:33disse que assassinou o principal lÃder do Hamas em Gaza.
- 16:40Já destruiu quase toda Gaza, não é?
- 16:43E aparecem os lÃderes felizes. E a mÃdia internacional,
- 16:48comercial, aliada desse genocÃdio, comemorando.
- 16:55Israel mentindo, não é? Mentindo, porque...
- 17:01No projeto não é acabar com o Hezbollah.
- 17:04O projeto está em andamento, já está demonstrado.
- 17:06à tomar o território palestino e varrer do território o povo
- 17:12palestino. Ã genocÃdio.
- 17:15à isso. Aliás, Netanyahu disse isso.
- 17:18Não agora. Ele agora está executando o
- 17:20plano. Mas quando ele tomou posse da
- 17:22última vez... Ele anunciou isso.
- 17:26Quando estava para cair de novo, porque ele tem uns processos por
- 17:30corrupção, ia cair, aà ocorreu esse evento lá, de uma invasão
- 17:40do Hamas, inédita, ao longo da história do conflito, do sete de
- 17:45outubro, e Israel resolveu então extinguir a Palestina, extinguir
- 17:52os palestinos. E quem está por lá, né?
- 17:56Os funcionários da ONU, por exemplo, estão sendo mortos lá
- 18:01também. Aliás, a ONU está sendo
- 18:04assassinada por esse projeto de genocÃdio lá em Israel.
- 18:09Não vai sobrar nada. Ou por outro, vai sobrar o que
- 18:12ela é mesmo hoje, né? Um lugar burocrático de
- 18:16favorecimento ao eixo liderado por Joe Biden.
- 18:25IOTAM e Nathaniar e companhia. Rádio Livre O Supremo Tribunal
- 18:50Federal... Concluiu ontem o julgamento
- 18:53sobre as medidas para garantir o atendimento em saúde de pessoas
- 18:57transexuais e travestis de acordo com o gênero com o qual a
- 19:02pessoa se identifica. Em ambiente virtual, o Supremo
- 19:06havia definido que o poder público deve tomar uma série de
- 19:10providências. Na sessão de ontem, os ministros
- 19:14detalharam o que deve ser feito. O Ministério da Saúde deve
- 19:17adaptar os sistemas de informação SUS, de forma a
- 19:21garantir a marcação de exames e consultas em todas as
- 19:24especialidades, independentemente do registro do
- 19:27sexo biológico da pessoa. As alterações vão ser feitas em
- 19:32todos os sistemas do SUS. não apenas os de consulta, para que
- 19:37a população trans tenha acesso pleno à saúde em condições de
- 19:40igualdade. O Ministério da Saúde deve
- 19:43também informar as mudanças às secretarias estaduais e
- 19:46municipais e ajudar as gestões locais na adaptação dos seus
- 19:51sistemas públicos de saúde. O Ministério da Saúde deverá
- 19:56alterar o formato da declaração de nascido vivo para incluir as
- 19:59categorias parturiente, mãe, de preenchimento obrigatório, e
- 20:06responsável legal, pai, de preenchimento facultativo.
- 20:11A declaração de nascidos vivos é o primeiro documento que
- 20:14identifica o recém-nascido. O entendimento da corte foi
- 20:19firmado em uma ação de cura do Partido dos Trabalhadores, que
- 20:24foi feita durante o governo passado, e o partido alegou que
- 20:27as pessoas trans não conseguiam ter acesso aos serviços públicos
- 20:32de saúde após a alteração do registro civil.
- 20:36Então isso agora está resolvido, infelizmente resolvido, no
- 20:40âmbito do judiciário. Eu digo infelizmente por quê?
- 20:44Porque era uma coisa que deveria ser medida polÃtica do Estado
- 20:50brasileiro. Agora vai ser.
- 20:52Depois vem Suas Excelências, os senadores e deputados, reclamar
- 20:56de ativismo judicial. Ora, mas o Supremo tem muita
- 21:00coisa a fazer e uma ação como essa foi necessária e foi feita,
- 21:05porém, poderiam os nobres deputados e senadores se
- 21:11preocupar com essas coisas e ir fazendo, produzindo a legislação
- 21:16necessária, adaptando a legislação brasileira Ã
- 21:19atualidade, né? Poderia, deveria, em vez de
- 21:23ficar choramingando por causa de... que chamam ativismo
- 21:30judicial. Isso existe?
- 21:32Existe, em algum momento existe. Mas este caso pode ser chamado
- 21:35assim? Não.
- 21:36E outra coisa, só um esclarecimento que eu acho
- 21:38importante. O Supremo Tribunal Federal não
- 21:41inventa ação. Ele não pode, ele mesmo está
- 21:45fazendo, tomando decisões, não. Ele toma decisões em cima de
- 21:49questionamentos que chegam lá. Normalmente, claro... tratando
- 21:57da questão constitucional. Esta é uma delas.
- 22:04Sete e cinquenta e cinco. Eu estou dizendo isso porque nós
- 22:06acabamos de ter uma eleição aà para vereador.
- 22:08Vereador é para fazer a legislação municipal.
- 22:10Deputado estadual faz a legislação estadual.
- 22:13Deputado federal, senador, legislação federal.
- 22:18Cobre do seu deputado, da sua deputada, do seu vereador, da
- 22:21sua vereadora, O trabalho para o qual eles foram eleitos.
- 22:27Né? à pra isso que eles foram
- 22:29eleitos. De preferência que busquem
- 22:32legislações dentro da Constituição, né?
- 22:34Pra não fazer como fizeram com o Marco Temporal.
- 22:38Uma proposta genocida que chegou ao Congresso e virou lei.
- 22:43Foi vetada pelo presidente da República.
- 22:47Foi considerado inconstitucional pelo Supremo, ainda assim está
- 22:50valendo a lei. Bom, mas aà para implementar a
- 22:53decisão do Supremo agora é um negócio...
- 22:56Esse também me deixa um pouco encabulado, envergonhado,
- 22:59chateado e outras coisas mais. Que é o seguinte, o Supremo toma
- 23:03a decisão, decisão judicial, cumpra-se, é só assim.
- 23:09Depois você recolhe se estiver recrutado, mas tem que cumprir.
- 23:12Não, tem uma comissão negociando o cumprimento do que o Supremo
- 23:17Tribunal já decidiu. Recentemente, para atenuar a
- 23:22criminalidade de grileiros, fazendeiros, pistoleiros lá no
- 23:25Mato Grosso do Sul, houve um acordo.
- 23:27Mais de cem milhões vão ser pagos em indenizações a
- 23:31invasores de terras. Essa questão precisa ser pensada
- 23:37por todos nós. mas também pelo próprio Supremo.
- 23:41à esse o caminho? A pacificação, a negociação é
- 23:46muito importante, sempre é muito importante.
- 23:48Mas isso é para acontecer? à antes do julgamento.
- 23:52Mas o que o Congresso fez, claro, com a força dos
- 23:57ruralistas e companhia, foi uma afronta à Constituição, ao
- 24:02próprio Supremo Tribunal Federal, ao Poder Executivo, e,
- 24:06sobretudo, uma ameaça aos povos indÃgenas.
- 24:09Isso é o marco temporal. Só lembrando que os
- 24:12congressistas acharam, inspirados lá numa legislação
- 24:17fascista de Santa Catarina, eles acharam que indÃgenas que não
- 24:21estavam na terra em oito de... cinco, né?
- 24:24Cinco de outubro de oitenta e oito, dia da promulgação da
- 24:28Constituição atual, Não tirei mais direito da terra.
- 24:31Só esquecer um pequeno detalhe. Os indÃgenas são os povos
- 24:34originários. Eles estavam aqui já em mil e
- 24:36quinhentos, quando houve a invasão portuguesa, dentre
- 24:39outras, porque houve a holandesa também, etc.
- 24:41E mais, muitos dos que estão fora da terra foram expulsos.
- 24:46Por isso que não estão na terra. Vamos a um breve intervalo.
- 24:51Ah, mas tem uma informação aqui que eu queria ainda destacar.
- 24:56O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo emitiu um alerta sobre
- 25:00falsas mensagens de e-mail que utilizam o nome da Justiça
- 25:04Eleitoral para fazer convocações fictÃcias de mesários para o
- 25:08segundo turno das eleições municipais.
- 25:10De acordo com o Tribunal Regional de São Paulo, Tribunal
- 25:12Regional Eleitoral, as mensagens pretendem captar dados pessoais
- 25:19das vÃtimas para realizar golpes.
- 25:23Como nós estamos... como nós estamos fazendo, vamos ter o
- 25:28segundo turno aqui, e golpista é golpista, está em todo canto, é
- 25:34importante ficar atento, não cair em armadilhas, em golpes,
- 25:38em fraudes eleitorais. Se você recebeu alguma coisa que
- 25:42você desconfia, acione a Justiça Eleitoral, acione uma delegacia
- 25:47de polÃcia, acione o Ministério Público Eleitoral, mas não caia
- 25:52em armadilhas, que são muitas que aparecem em perÃodo
- 25:57eleitoral. O eleitor tem que ter o direito
- 25:59de livre escolha, dentro das limitações.
- 26:02O eleitor é livre para escolher dentro do que os partidos já
- 26:05decidiram desde o primeiro turno.
- 26:08Mas é isso, está na lei, é a base da democracia
- 26:14representativa e a gente tem que contribuir para que o eleitor
- 26:19seja livre com seu pensamento crÃtico, para analisar as opções
- 26:24em todas as cidades onde tem segundo turno no Brasil.
- 26:27Aqui nós temos duas, Fortaleza e Calcaia.
- 26:31Para o eleitor, então, decidir a partir do seu próprio
- 26:34julgamento, com conhecimento. Agora sim, vamos ao intervalo?
- 26:41Depois a gente volta com o programa Rádio Livre e hoje nós
- 26:44temos entrevista com duas companheiras de trabalho aqui.
- 26:48A jornalista Lúcia Helena Pierre e a jornalista Fátima Gonçalves
- 26:52Leite. Agora são oito horas e três
- 27:07minutos. Nós estamos na semana de
- 27:10comemoração dos quarenta e três anos.
- 27:12Claro que daqui o ano inteiro vai ter comemoração, mas essa é
- 27:15uma semana que foi definida aqui pela Rádio Universitária como
- 27:19comemorativa dos quarenta e três anos da Rádio Universitária FM.
- 27:24E nós, essa semana, resolvemos fazer um resgate de memória,
- 27:27pensar um pouco sobre a história, alguns aspectos,
- 27:31porque não se conta a história em poucos minutos, né?
- 27:34mas alguns aspectos relevantes da história dessa emissora da
- 27:39Universidade Federal do Ceará, que é, no caso do UFM, pioneira
- 27:45em jornalismo, para começo de conversa.
- 27:48E nós convidamos, então, a Fátima Leite, jornalista da
- 27:51Rádio Universitária, coordenou o jornalismo por uma época, e tem
- 27:55toda uma história, não vou detalhar agora, porque senão
- 27:57antecipa muita coisa, não posso antecipar nada agora.
- 28:00E convidamos também a Lúcia Helena Pierre, que é jornalista
- 28:03aqui da Rádio Universitária, coordenadora do jornalismo, e as
- 28:06duas, a Fátima Leite e a Lúcia Helena Pierre, estão aqui como,
- 28:10desde a equipe que fundou, fundadora em mil novecentos e
- 28:15oitenta e um. A história do jornalismo da
- 28:18Universidade da UFM passa necessariamente por essas duas
- 28:20profissionais. A emissora, digamos assim,
- 28:23escandalizou o mundo radiofônico quando chegou tocando música
- 28:28brasileira, com ênfase na produção musical de artistas da
- 28:32região nordeste do Ceará. E, na época, a moda era cantar
- 28:36em inglês. Parecia uma rádio americana.
- 28:41As rádios estavam muito focadas, as FM estavam surgindo
- 28:44fortemente. tocando música em inglês, ou brasileiros cantando
- 28:47em inglês. Muitos tiveram nome em inglês,
- 28:50cantaram em inglês para não morrer de fome, porque tinham
- 28:52que sobreviver, então tinham que fazer isso.
- 28:56Era precisamente inglês americano do norte.
- 29:01Sobre a América, a nossa programação trouxe outras
- 29:05Américas, a do sul e a central, com sua música, sua cultura.
- 29:11Tinha programas especÃficos dedicados à América Latina.
- 29:16Bom, meus companheiros de rádio na época, de vez em quando a
- 29:20gente se encontrava em algum lugar, eles diziam, vem cá, me
- 29:25explica uma coisa, como é que uma rádio FM está cheia de
- 29:31noticiários, cheia de fala, isso é coisa de AM.
- 29:37A conversa era essa. Agora, a questão é a seguinte,
- 29:41confundiam tecnologia... com programação, com conteúdo, com
- 29:46estratégia de atuação de emissões de rádio.
- 29:48Uma confusão que ainda hoje a gente vê.
- 29:52Mas não é isso. A tecnologia não define o que
- 29:55você vai dizer. Com a tecnologia você decide o
- 29:58que você quer fazer. Foi isso que a universidade fez.
- 30:01E é sobre isso que nós vamos conversar agora.
- 30:05Vamos começar pelo começo. A Lúcia Helena e a Fátima Leite
- 30:11foram formadas aqui no curso de jornalismo na Universidade
- 30:14Federal de Ceará, que na época era curso de comunicação com
- 30:16habilitação em jornalismo. Na verdade, eram várias
- 30:18habilitações, não é? Várias, bem sim.
- 30:20Nós três aqui somos rainhas do tempo das habilitações todas.
- 30:22Nós somos polivalentes. Polivalentes, não é?
- 30:24TV, rádio, relações públicas... Ou seja, nós somos um pacote da
- 30:30ciência. Ou consequência dela.
- 30:33Inclusive, foi o último ano da polivalência, foi o ano que nós
- 30:37entramos, eu e a Lúcia, no curso de comunicação.
- 30:42Depois ficou jornalismo, depois...
- 30:45Hoje em dia tem também... Qual é a outra?
- 30:48Mais recentemente, dividiram o curso em dois, na verdade.
- 30:53à publicidade, é isso mesmo? Não existe, passou a ser curso
- 30:57de publicidade e curso de jornalismo.
- 31:02Bom, mas assim, quando foi o momento em que vocês definiram
- 31:07que queriam trabalhar no rádio? Alguma coisa estava no caminho
- 31:12que trouxeram vocês para a rádio?
- 31:13Vocês gostaram, pelo jeito, não é?
- 31:17Não, eu discordo de você. Não gostamos, adoramos.
- 31:22Ã tanto que continuamos aqui na emissora.
- 31:24à sempre possÃvel melhorar. Eu vou fazer aqui um rápido
- 31:28relato. Eu estava já concluindo o curso
- 31:33e estava devendo estágios. Eu tinha feito um estágio de
- 31:37televisão, que eu fiz na TVE, outro estágio, não me lembro os
- 31:42curriculares, e estava precisando de um estágio para
- 31:46completar minha carga horária. Aà eu escolhi fazer em relações
- 31:50públicas. Eu digo fazer em relações
- 31:52públicas. Onde é que a gente pode fazer?
- 31:55Isso a gente pode fazer lá na assessoria de comunicação.
- 32:00Aà peguei meu papelzinho de estágio, aà cheguei lá, bom dia,
- 32:04quem me atendeu foi a Eliane Gugel, eu não sabia que a rádio
- 32:08funcionava lá, foi uma coisa muito nova.
- 32:11Ela me atendeu, pegou meu papel de currÃculo e olhou para o
- 32:14Chico Lima, o Chico Lima acho que ele era, porque nesse tempo
- 32:17não era coordenadora, era assessoria, eu acho que ele era
- 32:20o assessor. Eu sei que ela...
- 32:22Era assessor de comunicação. Ã, ele me apresentou...
- 32:25E a coisa era misturada. A rádio estava misturada com a
- 32:29assessoria de comunicação. Aà ela me apresentou ao Chico
- 32:33Lima. AÃ ele olhou, ele falava assim,
- 32:35assim, olhou para mim e disse assim...
- 32:38Ah, está fazendo estágio em relações públicas, não é?
- 32:42Minha filha, sente ali naquela máquina e escreva essas
- 32:44notÃcias. Eu não pensava em fazer rádio,
- 32:47nada. AÃ tinha feito uma cadeira, mas
- 32:51é uma cadeira muito genérica, até com a professora Ivonette
- 32:54Maia. Aà disse, sente ali e faça essas
- 32:56notÃcias. Eu não sei como eu fiz, mas eu
- 33:00sentei e fiz. E continuo sentada aqui na
- 33:05universitária por opção. A Ivone Atmar, que você citou
- 33:08agora, depois veio ser diretora da rádio.
- 33:11Foi, foi diretora da rádio por um tempo.
- 33:14Mais adiante. Inclusive, na administração
- 33:17dela, eu fiquei um ano também coordenando a programação da
- 33:22rádio geral. Já tinha experiência do
- 33:24jornalismo e fiquei um ano colaborando com a administração
- 33:28dela. Lúcia Helena, e a sua chegada ao
- 33:31rádio? Eu entrei no rádio, eu era
- 33:32estudante, aà tinha uma prima minha que trabalhava no
- 33:35gabinete, aà ela disse, Lúcia Helena, vai abrir um rádio na
- 33:39UFC, porque você não vai ver se tem algum estágio lá.
- 33:42AÃ eu fui e falei com o Everardo, acho, o Guilherme
- 33:45Neto, que foi o primeiro coordenador.
- 33:50Ã, aà fiquei estágio voluntário, pouco tempo depois fiquei
- 33:54bolsista da UFC, aà no final do ano a rádio foi inaugurada, aÃ
- 34:00eu já estava aqui, e depois de profissional fiquei.
- 34:04Aà eu só gostaria de dizer que eu não pude nem passar pelo
- 34:07estágio de bolsista. porque eu colei grau logo no começo, acho
- 34:13que foi no final, em oitenta e dois, eu colei grau, não fiquei
- 34:16nem bolsista. Eu terminei o estágio, fiquei
- 34:20por aqui, tinha um projeto assim, Red, aà ainda fiquei uns
- 34:25dois anos assim, como profissional, e colaborando com
- 34:29a emissora. Não passei nem pelo estágio
- 34:33bolsista. Quase todo mundo que passou pela
- 34:35emissora ou que está chegou como bolsista.
- 34:38Mas, assim, só reiterando, nunca tinha pensado em fazer rádio.
- 34:43Eu tinha ouvido falar da rádio, porque nós tÃnhamos...
- 34:45A minha turma, no primeiro semestre, ainda que tinha o
- 34:50profissional nessa época, tinha o básico que chamava, que era o
- 34:54primeiro ano e o profissional. Nós, ousados, fizemos...
- 34:59elaboramos e montamos o jornal Calo.
- 35:02Era o slogan, Calo, o jornal que vai dar o que falar.
- 35:06Porque o pessoal do profissional não tinha nenhum jornal e nós
- 35:14entramos ainda no básico e lançamos esse jornal.
- 35:18E, então, eu tinha ouvido falar, porque o Nilton Almeida, que foi
- 35:24secretário de Cultura, que está no Banco do Nordeste, o Nilton
- 35:28Almeida tinha uma reportagem com o professor Marcondes,
- 35:31cutucando, como estudante de jornal Calo, cutucando o
- 35:36professor Marcondes sobre o projeto.
- 35:38Foi só o que eu tinha ouvido falar da Rádio Universitária.
- 35:42Eu cheguei mais ou menos nessa época, nós somos contemporâneos
- 35:45nesse perÃodo de fundação, mas eu não tive a bolsa, eu passei
- 35:50seis meses trabalhando de graça, aà depois eu fui contratado.
- 35:54Fiquei muito feliz com isso, porque houve um erro
- 35:56burocrático. Você não fala em remuneração,
- 35:59não. O CINRED era uma rede de
- 36:02emissoras educativas e universitárias.
- 36:05Era um cinema nacional. Era um cinema nacional que
- 36:07vigorou por muito tempo. E, então, no final do ano, o
- 36:12CINRED mandava uma coisinha do convênio.
- 36:17Nós que estávamos por ali recebÃamos um pouquinho.
- 36:21Mas, assim mesmo, foi por amor, porque isso é como um
- 36:25embriaguez. Você chega... se vicia agora é
- 36:30quando você chega quando chegamos na época para fazer o
- 36:33jornalismo da rádio mensal eu eu pessoalmente me surpreendi
- 36:35porque eu vim de uma rádio privada com a estrutura é
- 36:39poderosa em rede em uma rede estadual de rádio quando eu
- 36:43cheguei Eu me surpreendi com a estrutura que foi montada, né?
- 36:48Tinha a assinatura das agências nacionais e internacionais de
- 36:52notÃcias com os teletipos, né? Telex.
- 36:55Telex, etc. e tal, recebendo informação em tempo real.
- 37:01Era algo assim muito... Além da estrutura mesmo de
- 37:05estúdio, né? Fiz, que era um estúdio bem
- 37:07montado, tudo lá no gabinete. E eu já tinha antecipado aqui um
- 37:11pouco, e um bocado de programa de jornalismo, né?
- 37:14vamos falar um pouco disso né porque se nós estávamos saindo a
- 37:19ditadura ainda era ditadura ainda é ainda tinha censura de
- 37:23uma série de controles né não é não podia falar de tudo de
- 37:26qualquer jeito que acabava de acontecer a mistura o retorno
- 37:30dos exilados que foi setenta e nove nem a rádio começou a se
- 37:33formar oitenta e um Inaugurada em oitenta e dois.
- 37:37Essa era a questão que eu incluÃ.
- 37:38Vamos falar logo, não é? A rádio era no prédio da
- 37:42reitoria, né? Sim.
- 37:43E virou um lugar, assim, permanente de trânsito,
- 37:46exatamente dessas pessoas que estavam voltando, anistiados,
- 37:49saindo da prisão. Eu lembro de alguns, muito dos
- 37:54primeiros chegando, tipo Chico Lopes, que foi deputado.
- 37:59Depois o Oswaldo Barroso, que também tinha sido preso,
- 38:05torturado. Passou a ir à rádio, colaborava.
- 38:10E depois alguns nomes nacionais, né?
- 38:12Luiz Carlos Prestes, por exemplo, depois apareceu na
- 38:14rádio. No dia do Luiz Carlos...
- 38:15Grande lÃder comunista. Não, e o Luiz Carlos Prestes era
- 38:18assim, sabe, assim, em minha boca, eu estou de...
- 38:21Viu Luiz Carlos Prestes, viu Luiz Carlos Prestes.
- 38:25Ã, ainda era nessa época, ele foi dar entrevista lá na rádio
- 38:29ao Ricardo Guilherme à noite. Foi à noite, era gravado nessa
- 38:33época, com o gravador rolo, ainda nessa época.
- 38:36Celso Furtado, estou lembrando aqui agora, foi um nome...
- 38:40E o Celso Furtado inspirou muita coisa no paÃs, mas inspirou,
- 38:43inclusive, muito da programação da Rádio Universitária nesse
- 38:46sentido das ideias que ele tinha sobre o Nordeste, sobre
- 38:50fortalecimento das regiões. Lembro-me não só da presença
- 38:55dele, mas da repercussão disso, da repercussão dessa...
- 39:00Tinha aquele programa Opinião que fez história, era só gente
- 39:05grande que era entrevistada. Vamos entrar na programação,
- 39:08tinha o centro de debates, que era semanal, um debate de hora e
- 39:12meia. Debate, era um debate.
- 39:14Era um debate mesmo, às vezes até bem tenso.
- 39:20E tinha o programa Opinião, que era diário, meia hora por dia,
- 39:23uma entrevista, que a Fátima Leite fez por...
- 39:26Fiz a produção executiva há muito tempo.
- 39:28Eu fazia a produção... Apresentava pelo Ricardo
- 39:30Guilherme. Não, por um tempo eu fazia a
- 39:31produção executiva para o Ricardo Guilherme.
- 39:34E depois, por um perÃodo, eu fiquei mesma, eu fazia a
- 39:37produção e apresentava tanto o programa Opinião como...
- 39:42O rádio debate. Centro de debate.
- 39:46Ã o centro de debate. O centro de debate.
- 39:51Você apresentava os dois por um tempo, produzia, fazia produção
- 39:54executiva e apresentava. Mas essa questão de você...
- 40:01colocar a fala do rádio fm no caso da rádio universitária que
- 40:05a gente acompanhou ela enriqueceu muito o ouvinte
- 40:10fortalecer se não é que você começou a trazer por rádio as
- 40:16personalidades a academia né você trouxe isso enriqueceu
- 40:21muito a cidade, o ouvinte de rádio, e nós, profissionais, que
- 40:27não conhecÃamos. Você chega, recebe artistas,
- 40:32quando você está assim, aquele artista que você nunca pensou
- 40:36que vinha, entra na rádio universitária, pede para
- 40:39divulgar alguma coisa. Os artistas, inclusive, não só
- 40:41passaram a tocar aqui a música deles, como eles eram presenças
- 40:45constantes. Presenças. presença tudo é
- 40:47batendo ainda são né é evidente que ficou é né mas na época era
- 40:51muito mais intenso isso porque não viu só falar de música eles
- 40:55viam eles viviam no processo viviam né eles ficavam e hoje a
- 40:59informação roda muito na internet naquele tempo não eles
- 41:03viam presencialmente aqui viam muito mais circulavam muito mais
- 41:06gente na área se não viesse diferente de hoje na época não
- 41:09vinha não saia nada hoje a gente tem acesso pela internet né e em
- 41:13dia desse nós fizemos aqui um programa especial de um artista
- 41:17norte-riograndense que morou na Itália há muitos anos.
- 41:20Ele mandou todo o material, depois mandou o material de
- 41:23entrevista. Como era que a gente faria isso
- 41:25na época? Não dava.
- 41:27Tinha que mandar o quê? Um CD.
- 41:28Não tinha CD ainda, né? Tinha.
- 41:30CD veio depois, mais intensamente.
- 41:32à mais ou menos nessa época o CD.
- 41:34Um pouquinho depois, né? Era LP mesmo, né?
- 41:37LP, começou LP, era. E com dificuldade imensa para
- 41:39conseguir, porque tinha que comprar.
- 41:42As gravadoras não gostavam muito de entregar...
- 41:45LPs para a rádio, porque a rádio escolhia o que tocar.
- 41:48Eles tinham que determinar o que tocar.
- 41:50A rádio não se submetia. A rádio fez esse aprendizado de
- 41:56tocar o LP todo. Tocava as duas falas.
- 42:01Não tinha só a faixa de trabalho, como se chama.
- 42:04Não era a rádio. E, por exemplo, nós pegamos...
- 42:09Peguei muito o Falcão abrindo a porta lá da rádio, querendo
- 42:12divulgar alguma coisinha de humor, ainda muito começando.
- 42:17Acho que ele era ainda estudante de arquitetura.
- 42:19Você sabe que nós criamos aqui, o TarcÃsio Matos, parceiro dele,
- 42:25a gente estudou junto e tal, e aà eu cheguei para o TarcÃsio,
- 42:28TarcÃsio, vamos fazer um pagode de humor aqui, vocês estão
- 42:30fazendo humor por aÃ, por todo canto, e aà nós criamos um
- 42:32pagode, o que der na venta. Não deu, até hoje.
- 42:38Mas depois o Falcão acabou vindo com o TarcÃsio.
- 42:41Quando a gente criou o Rádio Bancários, aà eles participaram
- 42:44do... Inicialmente era numa rádio
- 42:46comercial, depois a gente veio para cá e manteve a colaboração
- 42:51deles por um tempo. Depois do Falcão não pôde mais
- 42:54porque... Ficou famoso.
- 42:56Famoso viajava com o Matheus e viaja muito, né?
- 43:00E não pôde mais participar. Mas eu queria lembrar ainda uma
- 43:02coisa aqui. Eu falei da carga forte de
- 43:05jornalismo que a rádio tinha, que é o nosso foco aqui.
- 43:10Nós tÃnhamos um programa chamado Rádio Almanac, Sim, sete da
- 43:13manhã. NotÃcia de hora em hora, sete da
- 43:14manhã, né? à o horário que eu estou aqui
- 43:17hoje, né? à sete e meia, né?
- 43:18Mas era sete, sete às oito, né? Era uma hora de programa.
- 43:22Meu dia de notÃcias... Que se transformou em jornal da
- 43:26Universitária. E que ia ao ar aos sábados, que
- 43:30nós vÃamos da plantão. A gente vinha da plantão, não
- 43:34tinha expediente, mas nós vÃamos da plantão.
- 43:37Toda semana era um que vinha colocar o jornal no ar e... o
- 43:42jornal a gente chegava cedinho e já pegava tudo do dia,
- 43:46atualizava. Nós tÃnhamos uma programação
- 43:52jornalÃstica muito grande, mas nós éramos poucos.
- 43:58Sim, era um grupo pequeno. Um grupo pequeno.
- 44:02E alguns estudantes. Os estudantes sempre foram muito
- 44:06importantes na programação da rádio universitária.
- 44:08Muito importantes. Eles colaboravam, saÃram daqui
- 44:11radialistas. Teve perÃodos em que não tinha
- 44:14participação de estudantes, por opção, cada gestor faz suas
- 44:17opções. Mas, em boa parte, a gente tinha
- 44:20e tem. Como sempre teve, continua tendo
- 44:24colaboração dos estudantes. que trazem para a gente ideias,
- 44:27energia, interação e a formação, porque isso é muito importante.
- 44:31Mas eu queria lembrar, tinha um jornal também, às onze e meia da
- 44:34noite, que eu só saÃa daqui depois que ele terminava,
- 44:37meia-noite. Vocês lembram disso?
- 44:40Era um negócio, era um desafio mesmo fazer jornalismo dessa
- 44:45forma, era uma demanda muito alta.
- 44:46Fazer mais pela vontade de fazer.
- 44:49E a gente novato pegou essa... Essa caçarola fervendo.
- 44:57E a emissora construiu muito a nossa formação profissional.
- 45:06A gente era novato, incipiente com o ser, começando ali, e a
- 45:11gente já tinha que fazer tudo. Noticiário, jornal, jornal,
- 45:16Rádio Monarca. E a gente fazia tudo e conseguiu
- 45:20construir... ajudar a construir, como continuamos agora,
- 45:25colaborando com a emissora. E, comparando com hoje, era
- 45:27quase artesanal, não é? Era quase não.
- 45:31Duas folhas de carbono, não sei o quê, as fitas cassete para
- 45:36editar aquele trabalho. Hoje em dia, se você for
- 45:38comparar, é tudo muito mais simples de fazer.
- 45:41Ã, ainda tinha que aprumar o carbono entre as duas folhas.
- 45:44Eu estou lembrando aqui agora, Fátima, de um material que você
- 45:47fez, do ponto de vista de conhecimento é interessante o
- 45:52dia que morreu a Elisa Regina a Fátima fez uma matéria muito boa
- 45:57entrevistou várias pessoas mas teve um detalhe foi preciso
- 46:01inverter a sequência porque estava tudo em cassete e tinha
- 46:05que rodar o que nós fizemos? Tesouro e cola.
- 46:10Corta os roteiros, porque senão ia ter que dar a fotografia tudo
- 46:14de novo, porque não existia computador.
- 46:17Aà nós recortamos, colamos na outra sequência e assim foi para
- 46:22a matéria. E até a fita cassete também na
- 46:25edição, às vezes cortava e colocava um durex, lembra o
- 46:29frasão? E nós fizemos a matéria juntas.
- 46:33Foi a primeira grande reportagem que eu fiz na emissora.
- 46:37A rádio foi inaugurada em outubro de nº.
- 46:41E a Elis Regina morreu em janeiro.
- 46:43A gente estava começando, aprendendo o rádio, porque o
- 46:48curso de comunicação, ele tinha cadeira de rádio, coisa e tal,
- 46:51mas a gente aprendia mesmo a ser jornalista, era o jornalismo,
- 46:55era centrado no jornalismo. Prioridade era o impresso.
- 46:57Era o jornalismo. E a gente está aprendendo.
- 47:00E, nessa época, passou um tempo na rádio, eu acho que foi, não
- 47:04era nem como bolsista, que ela já tinha formado, acho que era
- 47:08como colaboradora alguma coisa, a Elisabeth Chaguaribe.
- 47:10Sim, sim. que hoje está no Porto das Artes.
- 47:15E saÃmos nós duas. Nos deram um carro, era o
- 47:19professor Paulo EupÃdio ainda, o reitor fundador, era o sonho do
- 47:25professor Paulo EupÃdio. Eu disse até isso em uma
- 47:28reportagem que fiz essa semana, que era o sonho do reitor.
- 47:32Ele tinha o sonho de ter a emissora, E nós saÃmos.
- 47:36Eu lembro que, de artista, nós ouvimos os irmãos do Ednardo.
- 47:42Eram dois irmãos, saÃmos ouvindo e fizemos essa reportagem.
- 47:47A primeira grande reportagem de cobertura que eu fiz foi a morte
- 47:52da Elis Regina. Um garrido danado, carro, fumo,
- 47:56procurava. Eu sei que a gente fez uma
- 47:58grande matéria, uma matéria bem especial sobre a morte da Elis
- 48:05Regina. Aprendizado, aprendendo, nunca
- 48:08tinha feito cobertura, nada, nada, mas a gente aprende com a
- 48:14boa vontade. E com o que a rádio era, até me
- 48:17sendo para a gente, um desafio. E ainda é.
- 48:21Continua sendo. A rádio é sempre um desafio.
- 48:25Eu lembro, eu sempre... Eu digo algumas coisas,
- 48:28inclusive nas aulas, não exagero para também não assombrar os
- 48:31meus companheiros que nos formam de analisar.
- 48:34Você faz um programa excelente hoje, parabéns, amanhã você tem
- 48:36que fazer outro. Pode até não ser excelente, mas
- 48:39não pode ser muito abaixo do excelente.
- 48:41Pode até não ser ótimo, mas não pode ser muito abaixo do ótimo.
- 48:43Você tem que manter um padrão, que é isso que a Rádio
- 48:46Universitária conseguiu, consolidou.
- 48:50à uma rádio que tem uma história, tem um projeto muito
- 48:54bonito e muito consistente. E, ao longo da história, ela vai
- 49:00se aperfeiçoando nesse projeto. Porque, afinal de contas, é uma
- 49:02rádio educativa da Universidade Federal do Ceará.
- 49:05Eu não consigo desvincular, e nem me esforço para isso, de
- 49:09desvincular a rádio da Universidade Federal do Ceará,
- 49:12nem da Fundação Centro de Pesquisa e Cultura, que é a
- 49:14nossa fundação. à isso que dá um perfil
- 49:16diferente, estar dentro da universidade e ter uma fundação
- 49:21que é ligada à universidade como nossa mantenedora.
- 49:26Trabalhar na rádio universitária é estar dentro da universidade
- 49:30sem ser aluna nem professora, mas você está dentro da
- 49:33universidade, está convivendo com a academia, está convivendo
- 49:37com toda essa riqueza de conhecimento que a universidade
- 49:41nos oferece. E você falou aà que a gente...
- 49:46ia produzindo coisa e tal, fazÃamos um ótimo hoje, temos
- 49:50que fazer amanhã. E, às vezes, fazia alguma coisa
- 49:53e ficava chateada. E o Guilherme Neto, que fez
- 49:56parte da equipe, foi convidado pelo professor Paulo Pidio como
- 50:00funcionário especial, ele era o diretor de programação.
- 50:04Aà eu ficava chateada, porque não tinha feito o jeito que eu
- 50:06queria. AÃ ele olhava para mim e
- 50:08dizia... Leite, não podemos ser
- 50:13maravilhosos todos os dias, mas vamos tentar amanhecer.
- 50:18Guilherme Neto era um professor de rádio e televisão, era
- 50:21cantor. Contava muita história, era
- 50:23muito bom conversar com ele. Contador de história é
- 50:25fantástico. Gostava muito de conversar, não
- 50:28é? E a gente aprendeu muito com
- 50:30ele. E a matriz dessa programação tem
- 50:32muito com isso. O Guilherme Neto e o Marcondes.
- 50:35O Marcondes, o Roger Rogério e o professor Clóvis, que era o
- 50:42executivo. O Marcondes era o editorialista,
- 50:45não é? Tem um tempo que ele fazia
- 50:48comentário diário. Todos os dias, meio-dia, tinha
- 50:51um comentário. De Marcondes Rosa de Souza.
- 50:56O Almir Pérez Este foi o comentário do professor
- 50:59Marcondes Rosa de Souza, da UFC e da UFSC.
- 51:03O texto era esse. O professor Marcondes era o
- 51:08autor do desafio, porque ele ligava lá para a rádio e dizia
- 51:12assim, Fátima, estou mandando o ministro tal para você
- 51:16entrevistar. Não tinha jeito.
- 51:19Você pegava, nem sempre o Ricardo Guilherme estava, ainda
- 51:21quando eu não apresentava, não tinha jeito.
- 51:24Levava para o estúdio e tinha que sair.
- 51:27E saÃa. Uma coisa importante que o
- 51:29jornalismo da rádio conquistou, nós temos poucos minutos, mas eu
- 51:32queria lembrar isso, é um jornalismo que sempre foi muito
- 51:35respeitado, muito considerado pelo público ouvinte e por todos
- 51:40os segmentos sociais. Exatamente, eu acho, pela
- 51:43dimensão educativa, democrática que se manteve.
- 51:47Mas eu queria que vocês falassem um pouco, esse jornalismo da
- 51:50rádio talvez seja o jornalismo mais premiado do rádio cearense,
- 51:54porque trouxe a reportagem de volta para o rádio e eu não sei
- 51:58nem se dá para contar quantas vezes já foi premiado, até eu
- 52:00fui premiado na época. Fale um pouquinho disso, nós
- 52:03temos dois minutos, mas eu gostaria que vocês comentassem
- 52:05as duas para a gente encerrar. Acho que em quase todos os
- 52:09concursos que a gente participou ganhou algum prêmio, primeiro,
- 52:12segundo, sempre. Agora, eu acho que essa situação
- 52:15da rádio ser da UFC e ter a fundação é que faz que o nosso
- 52:19jornalismo seja diferenciado, porque a gente não tem a
- 52:22obrigação de noticiar aquela tragédia do dia, só jogar na
- 52:26cara da população a desgraça, sem explicar o quê, porque foi a
- 52:31solução, e a gente prioriza a educação, a divulgação da
- 52:34ciência, a garantia dos direitos da população, ao mesmo tempo em
- 52:39que tem... Tenta passar as pesquisas da UFC
- 52:43e alguma informação que possa ser útil na vida de quem está
- 52:46ouvindo naquele dia. E o jornalismo da universitária
- 52:50cresceu muito. A Confederação Nacional do
- 52:53Transporte lançou um concurso. sobre alguma coisa de
- 52:57transporte. Eu tinha participado de um, você
- 53:01participou sobre o menor, logo no começo.
- 53:04AÃ eu disse, vamos escrever, vou fazer.
- 53:07Peguei o gravador grandão, fui ali para o ponto do ônibus,
- 53:11fiquei entrevistando coisa e tal e escrevi.
- 53:14E era um concurso nacional. As grandes emissoras.
- 53:18à tanto que, quando nós conquistamos o prêmio, a gente
- 53:23dividiu com repórter da Globo, do Fantástico, coisa e tal, e a
- 53:27rádio universitária conquistou esse prêmio, um prêmio nacional.
- 53:33e que teve uma visibilidade muito grande.
- 53:37A gente saiu em revista e tudo, conquistado pela Rádio
- 53:39Universitária, em oitenta e poucos.
- 53:42Fátima Leite, a repórter premiada.
- 53:45E eu gosto sempre de dizer três coisas.
- 53:48Eu era a única... profissional de rádio educativo, eu era a
- 53:56única mulher e a única nordestina.
- 54:00AÃ, então, foi faz uma leite, a rádio universitária, meu amor,
- 54:04porque eu sempre costumo dizer que a minha história
- 54:07profissional se confunde com a história da rádio universitária.
- 54:13Onde é que a gente pegou toda essa bagagem?
- 54:19Foi fazendo rádio, na rádio universitária, na qual eu
- 54:24continuo trabalhando com tesão. Continuo... apurando, fazendo a
- 54:29reportagem com vontade, eu continuo do mesmo jeito.
- 54:33Então, o rádio e a rádio universitária me mantêm muito
- 54:36ativa nesse sentido. Eu não estou aqui por
- 54:39coincidência, eu já podia ter saÃdo da universidade, mas optei
- 54:45por não, porque me dá prazer estar produzindo aqui para a
- 54:49rádio universitária e o ambiente da rádio universitária.
- 54:52Queria agradecer, então, muito pela presença da jornalista
- 54:56Fatma Leite, da jornalista Lúcia Helena Pierre, pela contribuição
- 55:01para a gente pensar um pouco a memória da rádio, cumprimentar
- 55:03vocês e extensivamente a toda a equipe da rádio, os que já
- 55:08vieram de lá, de oitenta e um até aqui, e os que estão aqui
- 55:11agora tocando para a frente. Eu gostaria de agradecer o
- 55:16convite e ter a oportunidade de falar um pouquinho da Rádio
- 55:20Universitária nos seus primórdios, que nós, nós três
- 55:24que estamos aqui, ajudamos a construir.
- 55:28Obrigada, foi ótimo. Obrigado, tudo de bom.
- 55:31Bom dia. Assis Lima.
- 55:34Terminou. Bom final de semana para vocês.
- 55:37Segunda-feira a gente se encontra aqui de novo às sete e
- 55:39meia com mais um Rádio Livre. Um abraço.
- 55:43Até lá. Bom fim de semana.
- 55:45A Universitária FM apresentou Rádio Livre.