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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Materiais Avançados. Pequenos robôs se sincronizam sozinhos e formam um cristal do tempo mecânico. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 15 de outubro de 2026. Pense numa plateia que começa a aplaudir de forma desencontrada. Aos poucos, sem que ninguém combine nada, as palmas se acertam e todo mundo bate no mesmo compasso. Um grupo de cientistas conseguiu algo parecido com um material feito de pequenos robôs. Cada peça começa vibrando por conta própria, e no fim a estrutura inteira pulsa junta, num ritmo só. O trabalho reúne pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e da Universidade de Amsterdã, nos Países Baixos. O estudo saiu na revista científica Nature. A pesquisa faz parte de uma área chamada matéria viva. A ideia não é criar seres vivos. É criar materiais sem vida que se adaptam e se organizam sozinhos, sem um cérebro central dando ordens, de um jeito que lembra a natureza. O material da equipe funciona como um cristal do tempo. Um cristal comum, como o sal de cozinha, tem átomos arrumados num padrão que se repete no espaço. Num cristal do tempo, o padrão se repete no tempo: as partes se movem sem parar, em ciclos regulares. Normalmente, essas partes são átomos ou partículas de luz. Aqui, são robôs bem simples trabalhando em grupo, no que se chama de robótica de enxame. Cada robozinho junta uma estrutura elástica, sensores, circuitos eletrônicos e um mecanismo que gera movimento. Os vizinhos influenciam uns aos outros. O segredo está num detalhe: essa influência não é recíproca. Ou seja, a forma como uma peça reage à vizinha não precisa ser igual à forma como a vizinha reage a ela. É essa assimetria que faz surgir as vibrações. No começo, aparecem ondinhas curtas e rápidas pelo material. Com o tempo, elas ficam mais longas, mais lentas e mais intensas. As ondas se fundem até formar um movimento único, sincronizado em toda a estrutura. No primeiro teste, os pesquisadores montaram trinta e sete unidades num formato de favo de mel. Com energia suficiente, cada uma passou a oscilar cerca de trinta vezes por segundo. Pouco a pouco, as ondas mais longas tomaram conta, até o conjunto vibrar junto. Num segundo teste, usaram um anel elástico com vinte e quatro unidades motorizadas. De novo, padrões pequenos e rápidos foram se juntando, até o anel se acomodar num ciclo coletivo lento. O professor Jack Binysh, de Birmingham, compara o processo a músicos que, aos poucos, encontram o mesmo ritmo. Um resultado chamou atenção: perturbações aleatórias não desmancham essa ordem, mesmo quando o material fica maior. O padrão se mostrou muito estável. Para Jonas Veenstra, da Universidade de Amsterdã, isso pode levar a robôs simples e, ao mesmo tempo, capazes de fazer várias coisas. Em vez de projetar uma estrutura diferente para cada tarefa, a ideia é aproveitar os vários modos de vibração de um mesmo material. A meta, segundo ele, é uma robótica inspirada na biologia, em que a coordenação nasce da interação entre as peças, e não de um controlador central. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.