Latest / Na Mesa com Well / Jesus Movement: O que a Igreja Atual pode Aprender?
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com el o podcast para quem ama bons
- 0:03livros, a história real da igreja contemporânea,
- 0:06documentários que expõem a verdade e teologia com
- 0:09profundidade e clareza, e este é o dossiê Jesus movement, o
- 0:14Avivamento hippie. Nossa, e que imersão a gente
- 0:17preparou pra hoje, Hein? Nem me fale, é o nosso episódio
- 0:21bônus, o grande encerramento desse dossiê.
- 0:24E a nossa missão aqui é extrair as lições práticas de toda essa
- 0:28jornada histórica fantástica. Sim, analisar com aquele rigor
- 0:32teológico e pastoral que quem nos escuta já conhece.
- 0:36Vamos olhar para os acertos, os erros e, claro, os legados que
- 0:40essa galera dos anos 60 e 70 deixou para a igreja de hoje.
- 0:43Exato. Nós estamos dissecando um artigo
- 0:47muito fascinante do pesquisador shon David Young.
- 0:51O texto se chama música apocalíptica.
- 0:54Reflexões sobre a influência cristã contracultural e tipo, a
- 0:59gente quer entender como uma geração que misturou uma
- 1:01estética visual de rebeldia pura com uma fé super conservadora
- 1:06moldou a cultura pop. E a política também, né?
- 1:10Como a política e a religião se misturam até os dias de hoje,
- 1:14porque pra quem tá ouvindo entender as tensões que a gente
- 1:17vê no noticiário hoje, exige olhar lá pro passado, pra aquela
- 1:21semente, plantadas nas praias da Califórnia.
- 1:24Com certeza, mas antes de mergulhar nas nossas 4 grandes
- 1:28lições de hoje, acho bom a gente introduzir uns conceitos chave
- 1:32que vão aparecer muito na nossa análise.
- 1:34Ah, fundamental é o nosso glossário teológico rápido.
- 1:38Tem 2 termos que a gente precisa ter em mente.
- 1:40O primeiro é o sacerdócio universal de todos os crentes
- 1:44que. É um conceito que o movimento
- 1:46resgatou com muita força, certo? Exatamente.
- 1:49É a ideia bíblica de que pessoas comuns, sem credenciais,
- 1:53clericais, sem ser padre ou pastor ordenado, tem acesso
- 1:58direto a Deus e podem liderar e servir no corpo de Cristo.
- 2:03Sem precisar daquela casta clerical intermediária, aquela
- 2:07burocracia toda. Isso e o segundo conceito é o
- 2:10que o texto chama de modernidade de superfície.
- 2:13Esse eu acho fascinante. Explica um pouco pra gente.
- 2:16É basicamente o perigo de adotar estéticas e comportamentos super
- 2:20modernos, tipo usar o visual hippie ou tocar rock pesado, mas
- 2:25usar isso apenas para atrair o público.
- 2:27Enquanto as estruturas antigas continuam ali, intactas.
- 2:30Aham o conservadorismo cego, o controle de poder fica tudo
- 2:34igual nos bastidores. É só uma casca.
- 2:37Certo, vamos desvendar isso, o que nos leva direto para nossa
- 2:40primeira lição. A redescoberta do sacerdócio de
- 2:44todos os crentes. Bom, o movimento começou no
- 2:47final dos anos 60, no sul da Califórnia, e o autor do texto
- 2:51até cita o historiador Donald jam Miller, que compara o Jesus
- 2:55movement a uma segunda reforma. Caramba, uma segunda reforma é
- 3:01um peso histórico gigante. É pra você ver um impacto.
- 3:04A gente tem que lembrar que essa Juventude estava exausta.
- 3:07Eles tinham mergulhado no movimento de direitos civis.
- 3:10Nos protestos contra a guerra do Vietnã.
- 3:13E no uso de psicodélicos também, buscando aquela expansão de
- 3:16consciência. Exato, mas isso terminou num
- 3:19vazio niilista muito doloroso. E quando eles encontram a fé
- 3:23cristã, eles não encontram uma religião do establishment, eles
- 3:26simplesmente assumem a liderança.
- 3:28Tipo jovens recém saídos das ruas, do caos, das drogas, sem
- 3:32nenhum treinamento teológico formal?
- 3:34Sim. Garotos batizando dezenas de
- 3:36pessoas no oceano pacífico, rejeitando totalmente a religião
- 3:40engessada. O vigor tava todo ali, na base,
- 3:44nas pessoas comuns. Sabe que eu acho muito louco?
- 3:47É como observar uma startup orgânica e totalmente
- 3:51desorganizada revolucionando um mercado que era dominado por
- 3:55corporações engessadas e burocráticas.
- 3:58A energia vinha do chão de fábrica mesmo.
- 4:00É uma ótima analogia, só que como todo startup.
- 4:04Eles precisavam de um capital de credibilidade pra não serem
- 4:08esmagados pelo mercado tradicional.
- 4:10E aí entra uma figura crucial pra legitimar essa galera
- 4:14perante a igreja institucional. O Billy Grand, né?
- 4:17E isso mesmo, a Billy Grand. Ele serviu como essa ponte.
- 4:20Sem ele, a igreja tradicional talvez tivesse simplesmente
- 4:23rejeitado todos esses Jesus freaks de cabelo comprido.
- 4:27Isso levanta uma questão importante, sabe toda essa
- 4:30energia focada na espiritualidade, com tanta força
- 4:33nas ruas? Como é que eles lidaram com os
- 4:36problemas reais do mundo bom? Isso nos leva a segunda lição, o
- 4:40perigo oculto da apatia ativa. Apatia ativa só o termo já soa
- 4:45como um baita de um paradoxo. E é porque a visão de mundo
- 4:49dessa galera passou a ser totalmente focada no apocalipse,
- 4:53eles tinham uma atração magnética pelas profecias do fim
- 4:57dos tempos. Ah, sim, o texto até menciona
- 5:01aquele livro super famoso do Raul Lindsay.
- 5:03O the late great Planet, né? Nossa, esse livro foi um
- 5:07fenômeno e teve a música também. Músicas como Eve of Destruction,
- 5:11do Barry Maguire, e aquela i Wish with all be in ready, do
- 5:15Larry Norman, era uma expectativa de um arrebatamento
- 5:19a qualquer minuto. E aqui entra minha dúvida, mas
- 5:22esperar o fim do mundo não costuma deixar as pessoas
- 5:25frenéticas e hiperativas. Como essa urgência toda se
- 5:29transformou em cruzar os braços para problemas como pobreza ao
- 5:32meio ambiente? É que a gente precisa olhar para
- 5:34o determinismo religioso que movia eles na cabeça de grande
- 5:38parte do movimento. O fim do mundo não era algo para
- 5:41ser evitado. Era o roteiro Divino.
- 5:43Ah, entendi então se o mundo vai acabar porque Deus quer, porque
- 5:47consertá lo. Exatamente, tentar consertar os
- 5:50problemas sociais ou ambientais era, na visão deles, interferir
- 5:55no plano de Deus. Isso gerou essa apatia ativa, a
- 5:59inação se tornou uma escolha militante e teológica.
- 6:03Tipo, se o navio está afundando, não perde tempo consertando o
- 6:07casco, só coloca as pessoas no bote, salva vidas.
- 6:09Perfeito e o texto traz um detalhe memorável e assustador
- 6:14sobre o impacto disso lá na frente, o caso do Richard sisic.
- 6:18Que atuava na associação nacional de evangélicos, certo?
- 6:21Sim, ele era vice presidente. E ele quase foi expulso da
- 6:25organização depois de sofrer uma pressão absurda de líderes
- 6:29conservadores, como James dobson.
- 6:31E por que ele quase foi expulso? Qual foi o grande crime dele?
- 6:34Simplesmente por afirmar publicamente que o aquecimento
- 6:37global era real e que os cristãos deviam cuidar do meio
- 6:41ambiente. Sério, só por isso defender o
- 6:45planeta virou ofensa. Virou porque, na lógica daquela
- 6:48escatologia de fuga, tentar salvar A Terra é atrasar o
- 6:52relógio do apocalipse. Dedicar recursos para o
- 6:55ambientalismo era ir contra a urgência do arrebatamento?
- 6:58Caramba, é uma teologia privatizada ao extremo.
- 7:03Mas olha aqui que a coisa fica realmente interessante, porque
- 7:07eles não ficaram só esperando o fim do mundo em silêncio.
- 7:10Eles criaram a trilha sonora para ele, o que nos leva para
- 7:14terceira lição. Inculturação versus assimilação
- 7:17superficial. Exato.
- 7:19Como a gente falou antes, a linguagem visual e sonora, eles
- 7:23cooptaram o rock e o heavy metal, que eram a linguagem da
- 7:26Juventude, sim. Bandas como striper e blood
- 7:30good, eles pegaram toda aquela estética de rebeldia, o caos, as
- 7:35guitarras altíssimas. Elementos que tradicionalmente
- 7:38simbolizavam o dionisíaco no rock secular.
- 7:41E transformaram isso em batalhas espirituais contra o diabo.
- 7:45Ah, usaram vernáculo cultural como ferramenta de evangelismo,
- 7:50mas aí entra o grande risco que a historiadora ele anlou aponta
- 7:54no texto. O tal do perigo da modernidade
- 7:57de superfície. Isso em vez de formar discípulos
- 8:01radicais que vivessem uma contracultura genuína.
- 8:05A música cristã e a estética jovem serviram para outra coisa.
- 8:08Para reintegrar esses jovens ao sistema, né?
- 8:11Exatamente, A Rebelião foi esvaziada.
- 8:15O jovem tinha cabelo comprido e escutava guitarra distorcida,
- 8:19mas a mensagem embutida ali ensinava apenas a obediência à
- 8:22autoridade e uma resistência conservadora ao mundo exterior.
- 8:26Eles eram rebeldes só na aparência.
- 8:29No fim das contas, a mente continuava moldada pelos valores
- 8:32do establishment e se. Conectarmos isso com o quadro
- 8:35geral, a gente nota que a contracultura cristã perdeu
- 8:39totalmente a sua essência marginal, especialmente quando
- 8:42se alinhou politicamente com A direita religiosa durante a
- 8:45chamada era Reagan. É uma domesticação total do
- 8:48movimento, e isso deságua perfeitamente na nossa quarta
- 8:53lição, que é o grande debate final do texto.
- 8:57Autenticidade profética contra o marketing religioso.
- 9:00É quando a gente vê a transição daquele movimento puramente
- 9:04orgânico, nascido nas praias, para a criação de uma gigantesca
- 9:08prateleira religiosa, um verdadeiro nicho de mercado, a.
- 9:12Ascensão do ccm, a música cristã contemporânea, tudo centralizado
- 9:17lá em Nashville, com estruturas de gravadoras milionárias.
- 9:20E os eventos de massa? O texto descreve cruzadas
- 9:23enormes como a harvest crusade, de 98, lá no Anna heim Stadium.
- 9:29A fé virou cultura de consumo. Adesivos de para choque,
- 9:33ingressos caros, estética de parte de diversões e, no meio
- 9:37disso, o evento corporativo sufocou a coinonia.
- 9:40Sufocou aquela comunhão autêntica um de a dor do outro é
- 9:44realmente compartilhada? O foco passou a ser o palco e a
- 9:48mercadoria. Sabe?
- 9:50É exatamente o dilema daquela banda indie visceral que assinam
- 9:54com 1 MB gravadora, eles passam a lotar estádios do dia para a
- 9:58noite, mas correm o risco mortal de perder a alma que os fez
- 10:01brilhantes lá na garagem suja. É bem isso mesmo, a
- 10:05espiritualidade mercantilizada, mas o artigo do Jung é muito
- 10:09justo ao apontar A Exceção. O lado do movimento que resistiu
- 10:13com unhas e dentes a essa corporatização a galera.
- 10:17Lá de Chicago, né? AJPUSAO Jesus, people US.
- 10:21A eles são um detalhe memorável dessa história.
- 10:24Eles representam o que o texto chama de esquerda evangélica.
- 10:28Imagina uma comunidade misturando hippies,
- 10:31envelhecidos, punks, metaleiros? Tudo vivendo junto no esquema de
- 10:36bolsa comum, dividindo as finanças comunitariamente.
- 10:39Resistindo ao hipercapitalismo. Aham e totalmente focados em
- 10:43justiça social, no nível mais visceral da cidade, alimentando
- 10:47os pobres, cuidando de pessoas na rua, eles rejeitaram a Patis
- 10:51catológica e o marketing vazio, e ainda por cima fundaram o
- 10:55cornerstone music festival. Que festival absurdo de
- 10:59importante era um evento ecumênico multicultural que
- 11:04desafiava a indústria de nashvil.
- 11:07Eles colocavam a fúria do punk, do rock a serviço das pautas de
- 11:11solidariedade. Maravilhoso.
- 11:14Então, olhando pra tudo isso, o que tudo isso significa pra quem
- 11:18acompanha a igreja contemporânea hoje?
- 11:21O texto deixa muito claro que o apelo das Fontes é por um
- 11:24retorno à autenticidade, o resgate da verdadeira justiça
- 11:28social e do compromisso radical com o Reino.
- 11:32Viver uma fé que tenha coragem de sair desses holofotes
- 11:36gigantescos, dessa ideia de mercadoria religiosa e abrace de
- 11:41verdade o chão da dor humana real, né?
- 11:44Com certeza. E vale notar que o texto
- 11:47reconhece mudanças positivas recentes.
- 11:50Algumas bandas modernas, como o Jars Of Clay, que o autor cita,
- 11:54abandonaram aquele pânico escatológico do fim do mundo.
- 11:57Eles passaram a focar mais no humanitarismo prático.
- 12:00No cuidado com o próximo a longo prazo.
- 12:03Sim, compaixão e justiça, mas isso deixa a gente com
- 12:07pensamento final super provocativo, baseado na
- 12:10pesquisa. Pode mandar.
- 12:12Se o Avivamento hippie precisou daquela urgência, daquele medo
- 12:16alucinante do apocalipse iminente para explodir com tanta
- 12:21força, será? Que a igreja contemporânea
- 12:25consegue manter se mesmo fogo e paixão por transformação,
- 12:29operando apenas pela lente da justiça social e da compaixão a
- 12:33longo prazo, sem o relógio do juízo final batendo ao fundo.
- 12:37Uau. É uma pergunta que mexe muito
- 12:39com a gente. Precisamos do medo do amanhã ou
- 12:42o amor pelo presente é combustível suficiente para
- 12:45manter o Avivamento aceso? Fica essa reflexão pesada e
- 12:48necessária para quem nos escuta. E com isso a gente encerra essa
- 12:52imersão de hoje. Muito obrigado pela companhia
- 12:55até o próximo dossiê.