Latest / Café com Dungeon / Conversando sobre RPG #0036
Transcript
- 0:05Eu vou dar um aviso pra vocês sobre a maior obviedade que eu
- 0:09jamais disse nesse podcast aqui. Eu falo bastante sobre RPG.
- 0:16Não somente eu falo aqui no Café com Dungeon, mas eu falo sobre
- 0:19RPG no grupo de assinantes do Café com Dungeon o dia todo.
- 0:23Eu converso sobre RPG no final das sessões.
- 0:25Às vezes eu saio pra beber com a galera...
- 0:28Pra falar de RPG, eu vou incluir inclusive aqui o mais legal que
- 0:32existe nos eventos de RPG, que é justamente a gente encontrar ali
- 0:35os produtores de conteúdo, game designers, editores, autores e
- 0:40tudo mais e falar sobre RPG. Além de ouvir, além de ler sobre
- 0:45RPG, pra mim também faz parte. Mas teve uma época que isso pra
- 0:50mim tava absolutamente fora de controle.
- 0:53Hoje eu sei separar, eu sei separar melhor ali, mas teve um
- 0:56tempo que qualquer pessoa que tivesse o mínimo contato comigo
- 1:00ia me ouvir falar muito sobre RPG.
- 1:02Quando eu estava no meio dos meus principais amigos então a
- 1:06coisa piorava, eles também jogavam, então aquele papo
- 1:10chegava a ser opressor. Se a pessoa não sabia nada sobre
- 1:13RPG, não tivesse uma mínima familiaridade, ela ia ficar
- 1:17perdida, fatalmente. Quantas vezes a gente tava no
- 1:21Empório, num bar lá no Rio, em Ipanema, bem na orla, assim, e a
- 1:25gente tava ali trocando ideia e de repente aparece alguém comum
- 1:29ali da gente, num circo de amizades, né, e que essa pessoa
- 1:32não jogava RPG, tentava entrar na nossa conversa ali,
- 1:36continuava ali, mas a gente continuava falando de RPG sem
- 1:40qualquer tato social. Porque, bem, era o nosso ritual
- 1:45de todo domingo. A gente jogava RPG, depois a
- 1:48gente saía pra beber e falar do que tinha acabado de acontecer.
- 1:53As reações variavam, né? Tinha gente que odiava a gente
- 1:56por isso, principalmente na época do colégio.
- 1:59Mas tinha gente que achava divertido, que engajava de
- 2:02alguma forma com curiosidade com a gente e tal.
- 2:05E a galera que sabia que a gente jogava e que falava sobre isso.
- 2:10Tinha gente que acabava se juntando até, e que
- 2:12eventualmente virava jogador, jogadora, e tinha a maioria que
- 2:17olhava pra gente e dava de ombros.
- 2:19Tipo, aqueles nerds lá, melhor ignorar.
- 2:23Bom, era melhor do que os bullying, né, porque sempre
- 2:26tinha galera que vinha fazer bullying em cima da gente, mas
- 2:30principalmente como era um meio dominado por meninos, o meio do
- 2:33RPG, principalmente nos anos noventa e tal, eu não preciso
- 2:37nem dizer que falar de RPG não era nada popular entre as
- 2:41garotas. O tempo passou e hoje em dia eu
- 2:44não falo de RPG sem contexto de forma geral.
- 2:48Mas eu continuo adorando falar de RPG e eu acho que não preciso
- 2:51nem me esforçar em provar o quanto que eu gosto.
- 2:54O lance é que eu arrumo contexto o tempo todo.
- 2:57Esse podcast, ou de repente eu vou lá e publico alguma coisa
- 3:00nas redes sociais, ou comento em publicação alheia, debato, chamo
- 3:05pro debate. Se der mole, eu apareço no teu
- 3:08inbox perguntando, e aí, o que é RPG pra você?
- 3:11E não é que eu não saiba a resposta, não é que eu saiba
- 3:15também, às vezes eu acho que sei, às vezes eu acho que não
- 3:18sei, mas eu gosto de arrastar as coisas assim, na dúvida.
- 3:22Eu gosto que as pessoas me contem o que é RPG, porque esse
- 3:28é um terreno pantanoso mesmo. E a gente não vai entender nunca
- 3:32a forma geral disso que a gente chama de RPG, eu acho.
- 3:37Mas vai dar pra ver as suas pegadas ali por cima.
- 3:41Eventualmente, vai dar pra ver a sua bota afundando no lodo e
- 3:46deixando uma marca ali. Trocando em miúdos, quando eu
- 3:49pergunto pra alguém o que é RPG, de modo geral, eu não quero
- 3:53saber qual a essência desse jogo tão complexo ou algo assim.
- 3:56Eu quero saber a sua visão sobre ele.
- 4:00E diferente do que eu vi certa vez no Reddit, eu não acho que,
- 4:04por a gente estar nos anos vinte já, os autores devam deixar de
- 4:07lado aquela sessão clássica dos manuais dizendo o que é RPG.
- 4:12E não é só porque a gente tem vídeo no YouTube com gameplay,
- 4:15porque a gente tem gameplay no podcast, porque a gente tem
- 4:18internet com todas as suas definições, o Google, e tem as
- 4:22redes sociais aí cheias de sabichão que amam enterrar
- 4:26qualquer discussão interessante sobre RPG, trazendo alguma
- 4:30certeza tão frágil. E, no fundo, eu amo quando o
- 4:34autor de RPG começa dizendo para o leitor o que é RPG, do que se
- 4:39trata. porque dessa forma eu consigo olhar o jogo através da
- 4:43sua lente, muito provavelmente trazendo uma definição que
- 4:47dificilmente vai ser universal, e que não vai funcionar muito
- 4:52provavelmente para o próximo RPG que você for ler, mas que é
- 4:56quase certo que vai revelar bastante sobre a ótica que esse
- 5:01autor ou essa autora construiu para desenhar aquele jogo
- 5:04específico. Através dessa definição a gente
- 5:07consegue ver pegada que ele deixou com a bota ali no
- 5:12pântano. E isso é verdade a respeito de
- 5:15tudo. Da nossa ideia sobre a última
- 5:17sessão que a gente jogou, sobre a nossa ideia sobre como se
- 5:22passa o tempo no RPG, sobre como se desencadeiam as cenas e
- 5:26encontros, sobre o que são combates e como eles são mais
- 5:31interessantes ou menos interessantes. uma análise de
- 5:35uma mecânica, um cenário e tudo mais.
- 5:38E por mais que normalmente as conversas tendam ao D&D,
- 5:42certamente elas vão trazer algum insight que serve para outro RPG
- 5:46também. E vice-versa.
- 5:48Por conta das tretas de mil que eu arrumo na internet afora
- 5:52sobre RPG, volta e meia vem alguém dizendo de forma passiva
- 5:55ou agressiva assim Ah, melhor que falar sobre RPG é jogar RPG,
- 6:00né? Tem também a galera que, uma vez
- 6:04provocada, vira pro povo e fala assim, ah, é melhor a gente nem
- 6:11aprofundar muito, RPG é uma coisa simples, pra que
- 6:14aprofundar? Aprofundar, ficar pensando sobre
- 6:18RPG é achar pelo em ovo, é dourar a pílula, não precisa de
- 6:21nada disso. Mas eu digo aqui,
- 6:24categoricamente, depois de tantos anos, que falar sobre RPG
- 6:30não impede ninguém de jogar. Pelo contrário, estimula.
- 6:35E faz você jogar ainda melhor. principalmente se você aprende a
- 6:40direcionar o papo e aproveitar alguns insights dessas conversas
- 6:44para levar direto para a mesa. Por isso eu costumo deixar um
- 6:47recado quando eu assino uma cópia do Mestre Cafeinado para
- 6:52alguém, eu deixo ali normalmente uma dedicatória falando assim,
- 6:56eu não espero que você concorde comigo, mas que de alguma forma
- 7:00eu tenha ajudado a melhorar a sua jogatina, dividindo as
- 7:04minhas ideias. E é um pouco isso que eu busco
- 7:06quando eu converso sobre RPG. e quando vem a crise do impostor
- 7:10acho que é uma coisa que todo produtor de conteúdo tem por
- 7:15conta das pedras que jogam na gente e aí de repente eu me
- 7:19lembro de tanta gente que melhorou a qualidade do jogo
- 7:21depois de trocar a ideia comigo e vem me agradecer depois e aí
- 7:26passa essa crise do impostor e eu tenho certeza, tenho muito
- 7:30pra agradecer as pessoas que conversam comigo também porque
- 7:32eu aprendo muito com elas bora então falar de RPG e mais Falar
- 7:39sobre falar sobre RPG no episódio do Café com Dungeon de
- 7:43hoje. Vamos?
- 7:44Partiu, então. Bora conversar de RPG e tomar um
- 7:50café. Café com quem?
- 7:54Café com Dungeon, mestre dos sortilégios.
- 8:01Bom dia, amigos do Café com Dungeon.
- 8:02Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 8:05favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 8:08Meu nome é Rafael Balbi e hoje o meu café está servido aqui na
- 8:12mesa da cozinha com um bolinho de cenoura com cobertura de
- 8:16chocolate. pra gente acordar e levar uma horinha de prosa sobre
- 8:20RPG. E o café não podia ser outro.
- 8:23Um café cheiroso, especial, purinho, torra média, o amarelo,
- 8:29hoje aqui, o amarelo da ovelha negra, que é delicioso.
- 8:32Se você quiser acordar com qualidade de vida, assim, pra
- 8:35ouvir o podcast, vá lá em ovelhanegracafés.com, utiliza o
- 8:39cupom CCD, tudo minúsculo, que é o cupom dos ouvintes.
- 8:44Se você for um assinante, você ainda tem cupons melhores,
- 8:47progressivos, de acordo com o seu nível de apoio.
- 8:51E, bom, além disso, você participa de sorteios sendo
- 8:54assinante. E aí a gente sorteia quase dois
- 8:56quilos de café Ovilha Negra, o que é muito delicioso, né?
- 8:59Então, se você quiser se tornar um assinante, pode ir lá em
- 9:02apoia.se barra café com dungeon. e escolher o plano que melhor
- 9:07reflete aí o teu perfil. Certamente aí você ainda vai
- 9:10participar de outros sorteios, não só de café, mas de sorteios
- 9:13dos nossos outros parceiros. Vai ter outros cupons e ainda
- 9:16vai ter conteúdo extra pra você. Inclusive um conteúdo que eu vou
- 9:20anunciar hoje, aqui no Café com Dungeon, daqui a pouco.
- 9:24Então fica ligado, fica ligada. Antes da gente ir pro episódio,
- 9:28porém, vamos fazer a leitura da enquete do último episódio, que
- 9:31é o episódio trinta e cinco aqui do Café com Dungeon. falando o
- 9:35seu mundo de RPG não existe e a gente fez uma pergunta
- 9:41quantitativa ali né querendo saber na enquete se você
- 9:47concorda que o mundo de RPG não existe ou se você acha que
- 9:51existe, e foi das votações mais apertadas aqui.
- 9:55Porque cinquenta e nove vírgula um por cento falam que não, esse
- 9:58mundo não existe. Então, uma maioria muito, muito
- 10:03inexpressiva, assim, quase empatando, mas ainda assim, uma
- 10:06maioria disse que concorda comigo no episódio aí, que não
- 10:10existe esse mundo de aventura, o que me deixou muito surpreso,
- 10:13porque é um ponto dificílimo de defender. mas achei legal, acho
- 10:16que trouxe bastante insight pra jogo, principalmente
- 10:19relacionando a lei da mesa, né, e aí a galera pode comentar, né,
- 10:23trazer comentários aqui pro podcast, eu vou ler alguns deles
- 10:25já desde já agradecendo a galera aí que participou né, que
- 10:32comentou no episódio então, valeu aí o Marcos Martins o
- 10:38Caio, grande Caio o Adriel Marcos Gonçalves e o Vinicius
- 10:44Souza, que comentaram aí, mas eu vou ler alguns dos outros
- 10:47comentários, então separei aqui pra gente conversar em cima, o
- 10:52primeiro foi o do Tom o Tom falou que fazer o mundo sair da
- 10:56minha cabeça e existir de fato é o principal motivo de eu ter
- 11:00voltado pra RPG além de passar tempo de qualidade com amigos, é
- 11:04claro Além disso, eu uso o jogo para provar o mundo e me poupar
- 11:09de imaginar absolutamente tudo que existe nele.
- 11:12O input dos jogadores é essencial, evita uma trabalheira
- 11:16danada. Muito legal, Tom.
- 11:19Essa coisa de povoar o mundo e transformar ele em uma coisa
- 11:23maior, é aquele sentimento da verossimilhança que eu cometei
- 11:27no episódio. Esse lance do mundo sair da sua
- 11:30cabeça eu acho que é um pouco ilusão, porque ele não sai da
- 11:33sua cabeça. Por mais que se aproxime muito
- 11:36em determinados momentos e conflua, o mundo da sua
- 11:39imaginação vai ser sempre diferente do mundo da imaginação
- 11:42do outro. Mesmo que você coloque handout,
- 11:44mesmo que você coloque mapa e tudo...
- 11:47O mundo imaginário durante o jogo vai sempre se expressar de
- 11:51uma forma muito fluida, quase onírica na cabeça de cada
- 11:53pessoa. E a gente acaba confluindo o
- 11:56repertório, mas o mundo eu ainda discordo que ele se materialize
- 11:59dessa forma. Mas eu concordo, esse sentimento
- 12:02de sentir ele existindo, saindo da nossa cabeça e tudo mais... é
- 12:07muito gostoso. E isso acontece, esse sentimento
- 12:09de fato eu concordo que ele existe.
- 12:12Obrigado pela tua participação, Tom.
- 12:14O Ricardo Matte falou, aliás, Ricardo Matte e o Rafael Bacelar
- 12:17comentaram sobre a lei da mesa do IO Fantasy, que eu citei no
- 12:21episódio, e o Ricardo Matte falou, me incomodou o nível do
- 12:24mestre Toxic que deixou um plano todo mirabolante e complexo dos
- 12:28jogadores e até o fim, para chegar no final e contar que a
- 12:31porta era de correr. ele dá uma risada, mas sobre o episódio ele
- 12:36diz mais, ele não existe nem da mesma maneira na cabeça de cada
- 12:41um dos jogadores incluindo o mestre Bom, muito interessante,
- 12:46Mat, eu concordo contigo sobre essa coisa dele não existir, né?
- 12:50Como eu acabei de falar, ele não existe na mente das pessoas da
- 12:53mesma maneira nunca. A gente conflui no máximo o
- 12:55repertório mesmo. Quanto ao mestre tóxico, ali no
- 13:00exemplo da trave de madeira, aquilo ali não chega a ser
- 13:03tóxico porque é do jogo, é da proposta lúdica do Final
- 13:06Fantasy, né? A ideia é que a realidade é um
- 13:10xadrez, praticamente. A gente vai reivindicando, a
- 13:14gente vai provocando reivindicações sobre essa
- 13:17realidade, vai gerando esse repertório.
- 13:19E a ideia é que a gente vá cilando algumas ideias no mundo
- 13:23que a gente possa usar de repertório.
- 13:24E o fato ali é que o Bestram foi tóxico.
- 13:28O jogador, para fazer aquele plano todo mirabolante
- 13:31funcionar, ele devia ter lembrado de um dos detalhes mais
- 13:34fundamentais, que era como é que era aquela porta.
- 13:36E isso é uma coisa que dificilmente a gente pode ver
- 13:39acontecer no RPG, porque a gente esquece um pouco desse lado,
- 13:43dessa batalha pela ficção. E aconteceria na vida real, né?
- 13:48Quantas vezes você não fez um plano e esqueceu de um detalhe
- 13:50como esse? Até Monty Python brinca com
- 13:52isso, né? Com o coelho de Troia, né?
- 13:55Então, cara, eu acho muito curioso isso, que é uma dinâmica
- 13:58interessante que a gente estabeleceu dentro de Royal
- 14:00Fenris, então como é transparente e é colocado ali no
- 14:04acordo do jogo, não chega a ser tóxico.
- 14:07Mas é bem engraçado, né, cara? Deixar o... e a gente estimula
- 14:12que o mestre faça isso mesmo, que o mestre decorda ao máximo,
- 14:15e aí quando chegar lá, a gente deixa ele agir, né?
- 14:19E aí ele morde o jogador. Valeu Mat, um abraço.
- 14:23O Rafael Bacelá trouxe, até concordo com boa parte da lei da
- 14:26mesa, mas pra mim a preparação do DM já é jogo desafio
- 14:30proposto, então já é um fato, mesmo que desconhecido dos
- 14:33jogadores. O exemplo da porta é bom pra
- 14:35mostrar onde eu discordo da proposta do DM do Oil Fantasy, o
- 14:38DM pode morder ao estragar o plano dos jogadores por não ter
- 14:41definido e ninguém perguntado como era a porta anteriormente.
- 14:44E pra ele, isso é anti-jogo. Uma postura mais neutra seria
- 14:48deixar para o dado aberto decidir, colocando probabilidade
- 14:52de acordo com a narrativa. Parcelar.
- 14:55Uma coisa, cara. O mestre de WoW Fantasy não é
- 14:57neutro. Ele é parcial.
- 14:59Ele quer morder. E o jogo se estabelece tudo em
- 15:02cima disso, como eu falei pro Mati.
- 15:04Então, o jogo está estabelecido, não é anti-jogo, portanto.
- 15:09Os jogadores sabem disso e eles sabem o que é jogar oil fantasy,
- 15:13que é justamente você se preocupar com esse tipo de
- 15:15detalhe e você eventualmente até provocar o mestre a estabelecer
- 15:18aquilo para que você possa usar aquilo a seu favor ou contra
- 15:22você, ou possa evitar que seja usado contra você.
- 15:26Então a ideia é muito mais essa. E com isso a gente impede,
- 15:30inclusive, que o mestre tenha que ficar se preocupando em ser
- 15:33neutro ao mesmo tempo que ele morde, que é a nossa proposta.
- 15:36Então nesse ponto, decidir esse tipo de coisa, ele vai decidir
- 15:41de acordo com o pior. Ele vai fazer o que for mais
- 15:44desafiador para os jogadores. E aí nesse ponto ele não estraga
- 15:48o plano dos jogadores, né? A bem dizer, o que aconteceu ali
- 15:51foi que ele trouxe uma dificuldade pro plano dos
- 15:54jogadores, que era, no fim das contas, tirar o tesouro ali sem
- 15:58enfrentar o cavaleiro. E acabou que eu, com o meu
- 16:01personagem ali, eu fiquei tentando fazer um combate ali de
- 16:04agarrar o braço da criatura que tava tentando sair pela porta,
- 16:08que eu acabei tentando barrar de um outro jeito a porta. o
- 16:12cavaleiro tentou sair eu tentei puxar o braço dele não sei o
- 16:16que, acabei me dando mal, morri com o personagem mas foi uma
- 16:19cena incrível porque o plano só ficou mais complicado e isso aí
- 16:25faz parte da postura do mestre morder e isso é planamente
- 16:28estabelecido dentro do jogo e facilita o mestre, porque ele
- 16:31não precisa ficar pensando em como ser justo ou se ele pegou
- 16:34pesado, se ele pegou leve, não a resposta é, você vai pegar
- 16:37pesado sempre, enquanto mestre o mais pesado possível, né?
- 16:41Se você quiser saber mais sobre isso, tem um episódio ali,
- 16:44Mestre Contra Jogadores, que a gente analisa isso com mais
- 16:48profundidade, aqui no Café com Deus, na segunda temporada já,
- 16:51beleza? Então, valeu pela tua
- 16:53participação, Marcelo, sempre aí, cara, um grande abraço.
- 16:56E Yuri Tavares Pacheco comentou o seguinte...
- 17:00É interessante como isso alivia o mestre de criar cada detalhe
- 17:04minucioso, que muitas vezes nem será explorado.
- 17:08Além disso, elimina aquele lore extenso que os jogadores
- 17:11geralmente esquecem. Esse método torna o jogo mais
- 17:14orgânico. Quando relembramos uma sessão de
- 17:16RPG, geralmente nos lembramos das ações dos jogadores, como
- 17:21lembra quando você fez isso ou aconteceu aquilo?
- 17:24E quase nunca nos recordamos da lore em si.
- 17:28Quando o DM cria uma lore prévia, aquilo tem que ser
- 17:31básico. E o resto se cria no jogo.
- 17:35Yuri, eu concordo bastante com isso, cara.
- 17:37É isso que eu falo, né? Não adianta a gente estabelecer
- 17:40nada na preparação. Não adianta a gente estabelecer
- 17:42nada previamente, né? Nem como mestre, nem como
- 17:46jogador. Porque se não aparece na mesa,
- 17:47não existiu de fato. Isso é um fato do jogo, né?
- 17:51Você pode botar ali na sua preparação que tem um cavaleiro
- 17:54imenso... muito poderoso, mas se não teve a oportunidade dele
- 17:59aparecer, ele não existiu. Se você deu indícios sobre ele,
- 18:04os indícios existiram, ele não. Isso é muito interessante porque
- 18:08de fato facilita, diminui o load, diminui a carga nas costas
- 18:12do mestre. E permite que o jogo reconheça
- 18:18facilmente quando todo mundo falha em trazer um repertório
- 18:22para o jogo. Por quê?
- 18:23Porque é do jogo, acontece, não tem problema nenhum.
- 18:26É um metajogo, a gente sabe. Ah, o que aconteceu com o...
- 18:30O contratado, que todo mundo esqueceu que ele estava
- 18:33acompanhando o grupo. O que aconteceu com aquele
- 18:36hacker que estava acompanhando a gente no Shadowrun?
- 18:40O que aconteceu com o hacker? A gente esqueceu dele.
- 18:42Ah, cara, esqueceu. E passou, a aventura passou.
- 18:45A gente pode até fazer um retcon, mas o fato é que é do
- 18:48meta desse tipo de jogo aqui que a gente possa esquecer o
- 18:52repertório que a gente está jogando.
- 18:53E tudo bem, a gente toca em frente.
- 18:56Bom, é isso. Obrigado, gente, pela
- 18:58participação aí. Vamos cair no episódio?
- 19:20Esse é um episódio um pouco mais água com açúcar, por assim
- 19:23dizer. Depois de uns episódios aí
- 19:24fritando mais fundo sobre RPG, falando sobre regra, sobre mundo
- 19:29de jogo, simulação, etc, etc. Esse episódio vai ser sobre
- 19:33conversa. De forma geral, a gente pode
- 19:35dizer que conversar faz parte do RPG em muitos níveis.
- 19:38No nível do jogo em si, porque o RPG é uma conversa, A mídia do
- 19:43RPG é uma conversa, mas também a respeito de RPG.
- 19:48Conversar a respeito do RPG é muito gostoso e engrandece o
- 19:51jogo, como eu já coloquei na introdução.
- 19:56Só que tem um detalhe aqui que eu queria trazer.
- 19:59A gente pode conversar e é muito legal conversar sobre o jogo.
- 20:02Eu acho que qualquer conversa sobre o jogo vai, de certa
- 20:04forma, fazer o nosso jogo melhorar.
- 20:08Mas tem algumas formas da gente focar um pouco nisso, da gente
- 20:11trazer um pouco mais uma forma da gente conversar sobre o jogo,
- 20:15aproveitando melhor isso na mesa.
- 20:19E a gente pode dizer que naturalmente isso ocorre, mas a
- 20:23gente pode, obviamente, potencializar isso e é o que eu
- 20:26quero abordar nesse episódio aqui.
- 20:29E, assim, se a gente for elencar, a gente pode dizer
- 20:32algumas formas em que conversar sobre RPG vai melhorar seu jogo,
- 20:37como se fosse o TikTok. Formas... conversar sobre RPG
- 20:43que vão melhorar a sua mesa de jogo só que isso numa velocidade
- 20:46vezes vinte é como as pessoas tem falado no TikTok então
- 20:50primeira coisa a gente conversar sobre o jogo cria um reforço do
- 20:57grupo e das suas relações sociais outra forma é que falar
- 21:03sobre o jogo reforça a proposta dele e o que está nas regras Em
- 21:10terceiro lugar, conversar sobre o jogo leva a gente a elucubrar
- 21:16sobre o melhor uso das regras e do espaço dinâmico, o espaço de
- 21:20estilo do jogo. A gente pode dizer também que
- 21:25conversar sobre o jogo funciona como reforço da aventura, dos
- 21:29feitos que acabaram de acontecer, daquela ficção,
- 21:33daquela narrativa. E além de gerar hype para o
- 21:37próximo jogo, ela reforça esse repertório criado durante a
- 21:42sessão, o que deixa isso fresco na nossa cabeça para as
- 21:45próximas. Outro efeito, conversar sobre
- 21:50RPG ajuda a gente a entender as diferenças e construções de
- 21:54estilo entre os diferentes jogadores e suas próprias visões
- 22:00de jogo, como eu falei. Leva a gente a olhar como os
- 22:04outros mestres e os outros jogadores caminham sobre esse
- 22:08lodo, sobre esse pântano e ver a marcação da bota, as pegadas que
- 22:13eles deixam ali. E por último, falar sobre o jogo
- 22:22leva a gente a filosofar e refletir sobre o jogo, o que
- 22:25traz reflexo para a mesa. E são esses tópicos que eu vou
- 22:30abordar, essas formas em que a conversa do RPG ajuda o jogo em
- 22:36si, é o que eu vou abordar aqui no episódio.
- 22:38A começar pela coesão social. Eu costumo falar que os
- 22:44problemas que a gente costuma ver no RPG, tanto na nossa vida
- 22:49enquanto RPGista, quanto nos fóruns e Facebooks e nesses
- 22:53muros de lamentação virtual que a gente tem por aí, é que os
- 22:56problemas do RPG são de duas ordens.
- 22:58Uma normalmente é de ordem social, né?
- 23:01Tem a ver com o relacionamento entre os participantes, né?
- 23:05E o outro tipo de problema é de ordem lúdica.
- 23:09São os problemas que ocorrem dentro do círculo mágico, dentro
- 23:12do jogo mesmo, e que dizem respeito ao relacionamento das
- 23:15pessoas dentro desses valores, regras e dinâmicas propostas
- 23:20pelo jogo. Então são dois espaços de
- 23:23problema, só que uma coisa irradia na outra fatalmente,
- 23:27então se interrelacionam esses âmbitos, é claro.
- 23:32Mas a gente pode dividir um pouquinho aqui a análise, eu
- 23:35acho que problemas sociais dentro do RPG, eles podem
- 23:40interferir na ordem lúdica do jogo, quando trazem
- 23:45favorecimento ou desfavorecimento.
- 23:48Quem não lembra daqueles casos, o mestre estava favorecendo o
- 23:54namorado em tudo, ou o mestre odiava aquele cara e aquele cara
- 23:58apareceu para jogar e o mestre sacaneou o personagem dele.
- 24:02Ou um personagem sacaneando o personagem do outro porque tinha
- 24:06alguma rusga entre os jogadores, alguma treta entre eles.
- 24:13Mas também tem ali problemas, eu acho, de relações entre os
- 24:18participantes que acabam sangrando para dentro do jogo.
- 24:22Então a gente pode dizer que esses problemas sociais
- 24:25interferem na ordem lúdica do jogo, certamente.
- 24:28Mas também os problemas lúdicos podem interferir na ordem social
- 24:32do grupo. Não só no RPG, obviamente, se
- 24:35você pegar War, pegar o Cards Against Humanity, pegar o
- 24:39Munchkin, ou o RPG mesmo, que tem a PVP, os jogadores podem
- 24:44entrar ali numa bad trip imensa e começar a brigar a respeito
- 24:47porque os ânimos se afloram dentro do jogo.
- 24:51E em algum nível a gente sabe que a gente não está dentro do
- 24:53jogo, existe um nível de metajogo ali que a gente sabe
- 24:57que a gente está jogando e a gente meio que fica puto porque
- 25:01o outro está jogando dessa forma, etc. tem também essa bad
- 25:06trip de representação dentro do RPG que é muito clássico que um
- 25:09jogador esquece desse metajogo saudável, de saber que é um jogo
- 25:13e aí o jogador resolve fazer o que o seu personagem faria até
- 25:17deixar todo mundo puto às vezes é por querer às vezes não é por
- 25:21querer, mas o fato é que isso é são problemas lúdicos problemas
- 25:27típicos do jogo, da relação lúdica que o jogo propõe e que
- 25:30acabam interferindo na ordem social do grupo Mas uma coisa é
- 25:35certa, uma boa interação social das pessoas envolvidas no grupo
- 25:40pode resolver problemas lúdicos, problemas do jogo.
- 25:45Então os grupos podem jogar com regras ruins, com dinâmicas
- 25:53nocivas, com mais práticas. Só que se a parte social desse
- 25:58grupo for muito bem trabalhada, se for gente que já se conhece
- 26:00bastante, tem bastante sensibilidade um com o outro,
- 26:05esses problemas do jogo não se desenvolvam por outro lado eu
- 26:12nunca vi o jogo ou seja, a relação lúdica proposta resolver
- 26:18problemas sociais eu mesmo nunca vi É possível que aconteça?
- 26:24É possível, né? Tipo, de repente você passa a
- 26:26simpatizar melhor com outro jogador porque seus personagens
- 26:29se aproximaram, vocês tiveram interações legais ali.
- 26:32Beleza, eu acho que funciona. Mas é menos marcante isso, né?
- 26:38Eu acho que o contrário é muito mais nítido em termos de
- 26:41problema, né? A gente vê muito claramente
- 26:44quando... uma boa interação social resolve problemas
- 26:48lúdicos, mas é mais difícil ver uma proposta lúdica resolver
- 26:52problemas sociais. Então conversar sobre as
- 26:56dinâmicas sociais do grupo ajuda a gente a ter um diálogo
- 27:00ficcional melhor dentro do RPG, ajuda a gente a conversar melhor
- 27:04dentro do jogo também, a bater bola melhor, a buscar a própria
- 27:10diversão, mas também construindo um espaço sadio para que todo
- 27:14mundo busque. Então isso reforça esse lado
- 27:16social que eventualmente facilita o jogo como um todo. o
- 27:21RPG de forma geral a não ser quando é solo, ele é um jogo
- 27:24social, então a gente azeitar essa máquina social que todo
- 27:27grupo tem é muito importante isso me traz um outro ponto, que
- 27:33é o seguinte a gente através do jogo, a gente resolvendo essa
- 27:38parte social, a gente azeitando essa parte social fica mais
- 27:41fácil até a gente trabalhar com as regras, com mais segurança.
- 27:46Por quê? Porque mesmo que ela quebre,
- 27:48mesmo que a regra a gente não entenda muito bem, não dá em
- 27:51briga, não dá em um jogo ruim. A gente resolve isso, a gente
- 27:54tem uma coesão social que sustenta um pouco melhor essa
- 27:58experimentação com as regras. Então a gente pode dizer que
- 28:01essa segunda utilidade da conversa sobre RPG é deixar mais
- 28:06clara a proposta de jogo e as regras num entendimento conjunto
- 28:11das pessoas que estão jogando. Com licença, meus caros.
- 28:18Terei eu ouvido direito? Vocês estão em busca de ouro e
- 28:21glória? Pois eu posso lhes ajudar.
- 28:24Meu nome é Almir Cego e eu estou nessa taverna há algum tempo,
- 28:28ouvindo histórias de bravura e coragem de aventureiros que
- 28:31passam por aqui. Eu posso lhes falar sobre o que
- 28:34está para além da gaiola, as ruínas deixadas pelos antigos,
- 28:38as planícies de nuvens negras, a floresta do vento infinito, a
- 28:42lenda do messias élfico ou até mesmo o que está aqui dentro.
- 28:46Os mistérios sobre as sombras das torres douradas sobre as
- 28:49nossas cabeças. Meu preço?
- 28:53Ora, eu só peço para que, ao retornarem, vocês contem suas
- 28:56histórias para mim. É a forma que eu tenho de ver o
- 29:00mundo novamente, pelas histórias de aventureiros valorosos como
- 29:03vocês. Trema, a gaiola dourada, é um
- 29:12jogo de RPG de mesa aberta, no sistema Caves Hexes, usando o
- 29:15estilo oil fantasy e o modelo Arslud.
- 29:18Vem explorar os ermos corrompidos pela estranheza,
- 29:21cheios de tesouros e oportunidades.
- 29:23Ou venha caminhar pelas ruas de Trema, cheias de perigos e de
- 29:26segredos. Os habitantes da última cidade
- 29:29do mundo aguardam por você. Que tal ver o que tem para além
- 29:33da gaiola? Não, mas isso aí nem jogo de RPG
- 29:50direito é, cara. Quando o grupo conversa sobre as
- 29:54regras, ou não necessariamente só o grupo, mas pessoas que
- 29:58jogam o mesmo jogo, conversam sobre as regras desse jogo, isso
- 30:02torna essas pessoas mais conscientes do jogo em si e das
- 30:06propostas que as regras trazem. De certa forma, quando um jogo é
- 30:11desenhado, as regras têm uma intencionalidade.
- 30:14Muitas vezes não fica claro, às vezes fica, mas às vezes não
- 30:17fica. A gente poder conversar a
- 30:19respeito facilita a gente entender quando não está claro e
- 30:24quando está claro facilita a gente entender como chegar lá.
- 30:27Isso acontece com pessoas que jogam o mesmo jogo, mas
- 30:30principalmente com pessoas que estão jogando no mesmo grupo,
- 30:33que estão jogando as mesmas sessões de jogo.
- 30:38Esse grupo, não somente o mestre, mas o grupo todo vai se
- 30:41tornando mais consciente da proposta lúdica comum a todos
- 30:46ali, da agenda de jogo no sentido de o que amarra todo
- 30:51mundo ali, o que amarra todo mundo numa vontade de jogar ali.
- 30:55A gente sabe, o RPG não é tão dependente de regra como outros
- 31:00jogos. E o RPG passa por essa
- 31:02curadoria, de forma geral, essa curadoria da experiência pelo
- 31:07grupo. Então o grupo conversar sobre as
- 31:10regras do jogo permite selecionar melhor o que ele quer
- 31:14utilizar das regras, se ele quer alterar alguma coisa, se ele
- 31:18quer construir uma regra da casa.
- 31:22Leva o grupo a entender melhor o que encaixa e o que não encaixa
- 31:26para o que o grupo quer jogar. então isso facilita essa
- 31:31dimensão artesanal do jogo inclusive tem aí um episódio do
- 31:37Café que eu vou deixar linkado aqui no descritivo do episódio
- 31:40que é logo o segundo episódio da temporada que pergunta todo
- 31:44mestre de RPG é um game designer e a gente aborda essa natureza
- 31:48artesanal do RPG que é reforçada agora recentemente nessa
- 31:51discussão sobre Regas Eliden nas palavras do Gui o grupo do Gui
- 31:56Providello né O grupo de RPG faz uma curadoria da própria
- 32:00experiência e muito disso passa por entender as regras que estão
- 32:06presentes no jogo, a proposta do jogo e saber alterar isso, saber
- 32:10brincar com isso, saber mexer. Então é natural que com o
- 32:14tempo... principalmente quando o grupo joga muito junto, uma
- 32:18campanha, alguma coisa assim, o jogo vai deixando de ser aquele
- 32:22jogo que está ali no livro e vai sendo cada vez mais a
- 32:25experiência escolhida pelo grupo versus a experiência proposta
- 32:29pelo game designer. Por melhor que seja o jogo, ele
- 32:32vai se aproximando mais de uma curadoria pessoal daquele grupo,
- 32:37em vez de se ater a um produto, a uma vontade de produto, uma
- 32:42vontade de replicar a experiência, que é muito típica
- 32:46do game designer, do editor, etc, etc.
- 32:49Mas que o grupo vai mexer fatalmente com isso.
- 32:53Então, no final das contas, o jogo vai ser esse jogo... cheio
- 32:59de nuances que o grupo trouxe, cheio de regras da casa, cheio
- 33:03de exclusões pontuais de regras, remendos e tudo mais.
- 33:08Essa é a natureza artesanal do RPG e a gente faz esse
- 33:11artesanato sempre. Então conversar sobre o jogo,
- 33:15sobre as regras, facilita isso. Torna até o grupo mais
- 33:19autoconsciente sobre essas mudanças e mais tranquilo para
- 33:23conversar a respeito. Mas não somente isso, a partir
- 33:28do momento que a gente entende melhor esse espaço de regras do
- 33:31jogo e a proposta do jogo como vem do game designer, a gente
- 33:35começa a entender melhor como usar as regras nas dinâmicas do
- 33:40jogo, ali durante a sessão mesmo, como interpretar essa
- 33:44regra, como aplicar essa regra e como... trabalhar com essa regra
- 33:48em conjunto com tudo mais que tem dentro do RPG.
- 33:52Então a gente pode dizer que uma outra utilidade da gente
- 33:57conversar sobre RPG é a gente entender melhor o uso das regras
- 34:02e as dinâmicas de jogo que a gente quer pra gente.
- 34:07Todo jogo tem um espaço dinâmico construído ali onde os jogadores
- 34:12tomam suas decisões, onde os jogadores executam sua agência.
- 34:17Esse espaço dinâmico é construído e delimitado por
- 34:20vários fatores dentro do RPG. Dentre eles tem os fatores
- 34:25sociais, os fatores de mídia do jogo e o seu repertório,
- 34:30incluindo o cenário do jogo. Os motivos e trejeitos e
- 34:36características pessoais dos jogadores, os aspectos
- 34:40cognitivos de como eles percebem o jogo.
- 34:43E as regras talvez sejam os principais desses fatores, mas é
- 34:48mais um fator. Entender não somente as regras,
- 34:52mas como elas são utilizadas, ou como a gente vai utilizar, ou
- 34:56como a gente deve utilizar, e como todos esses fatores
- 35:01mencionados se relacionam entre si. são uma parte considerável
- 35:07da nossa experiência do jogo e dessa curadoria da experiência
- 35:11que a gente faz na nossa mesa. Se você pega o D&D e pede um
- 35:16teste de furtividade para o ladrão, assim que ele declara
- 35:19que ele vai tentar roubar a coroa do rei, pode ser que você
- 35:22queira rolar o dado escondido como mestre para que o jogador
- 35:26não saiba o resultado até que ele se dê mal de fato.
- 35:31Caso contrário, o jogador poderia mudar a sua atitude para
- 35:34não se dar tão mal assim, porque afinal de contas ele sabe que
- 35:37ele vai se dar mal, então ele não vai se meter naquela
- 35:40enrascada daquele tamanho. E aí você jogando escondido, ele
- 35:43não sabe se ele se deu bem ou se ele se deu mal, então ele vai
- 35:47tocando ali a infiltração dele para roubar a coroa do rei.
- 35:51Porém, se você esperar e der corda para o jogador, para ele
- 35:56ir com o seu personagem ali, até chegar no momento mais tenso e
- 35:59dramático, para só então você pedir a rolagem de
- 36:03furtividade... você consegue rolar o dado às claras.
- 36:07Você não precisa esconder. Por quê?
- 36:08Porque você já construiu ali, dramaticamente, o que está em
- 36:11jogo e o que vai dar ruim daquela falha.
- 36:15Você levou aquilo até o extremo. Que é essa postura que o Fantasy
- 36:18recomenda, que eu comentei na enquete, que é de morder.
- 36:23É justamente você deixar para que a rolagem seja feita no
- 36:26momento mais significativo do jogo.
- 36:28E aí, além de ter um drama acumulado, você não precisa nem
- 36:31rolar escondido. Então vê como uma simples
- 36:36conversa aqui, encapsulada dentro do episódio do café, já
- 36:41tem muito deságua em mesa. A gente entendeu uma regra, a
- 36:45gente não mudou a regra, a gente só está entendendo em que
- 36:48momento do jogo utilizar. E isso é uma questão de dinâmica
- 36:52de jogo, não de regra, não de mecânica.
- 36:55Então isso impacta não somente em como a gente trata aquela
- 37:00ficção do ladrão indo tentar roubar uma coroa, mas impacta
- 37:04até na cerimônia do jogo, que é jogar o dado aberto ou jogar o
- 37:07dado à escondida. Isso é muito relevante, a gente
- 37:11conversar sobre isso permite que a gente...
- 37:15Pense em como seria melhor executada aquela cena, aquela
- 37:19interação, aquele encontro. Como é que teria sido melhor
- 37:22construído? Será que eu podia ter esperado
- 37:25pra rolar depois? O que você acha?
- 37:27A gente conversa a respeito disso e a gente vai ganhando em
- 37:30qualidade no nosso jogo quando a gente faz isso.
- 37:33E o mesmo vale, por exemplo, se a gente pegar o Apocalypse
- 37:37World, que tem ali o pior movimento dele, que eu acho que
- 37:40é o sacar uma situação. Que é o que você rola pra você
- 37:44entender... o que está rolando na cena, né?
- 37:47E aí tem uma lista de perguntas que o jogador pode fazer com
- 37:50esse teste, caso ele se dê mal, até caso ele se dê bem, até se
- 37:53ele se der mal e tem direito a uma pergunta, mas o fato é que a
- 37:56lista de perguntas, sei lá, é meio desconjuntada, assim, não é
- 38:00tão maneira essa lista. E eu nunca vi os jogadores
- 38:04usarem somente as perguntas que estão ali naquela lista, né?
- 38:09Então eu vejo uma expansão natural dessa lista durante o
- 38:13jogo para a adequação dessa mecânica à ficção do jogo.
- 38:17Então não chega a ser uma alteração de regra, mas é uma
- 38:20enchida na forma de usar ela ali.
- 38:23O Apocalypse World tenta modular um pouco essa interação, mas
- 38:27acaba que... Parece que o repertório que ele
- 38:31cria ali de perguntas não é tão interessante assim.
- 38:35Mas também não vi o jogo quebrado a gente mudar isso,
- 38:38então é só o jeito de utilizar. Enfim, já que eu falei de
- 38:42repertório, vou falar aqui do repertório da ficção.
- 38:44Mas uma outra utilidade para essa conversa sobre o RPG é a
- 38:50utilidade dela reforçar o repertório ficcional criado
- 38:57durante a sessão. Ou seja, quando a gente...
- 38:59Como eu fazia lá, né? Eu juntava com o meu grupo,
- 39:03sempre, todo domingo a gente jogava, a gente saía do jogo, a
- 39:06gente ia beber na orla do rio ali, ouvindo o mar, vendo a
- 39:12areia ali de noite, trocando uma ideia e falando sobre a sessão
- 39:15que acabou de acontecer. Sobre os feitos, sobre os erros,
- 39:18sobre os improvisos. sobre as tensões que rolaram na sessão,
- 39:23sobre as percepções de como as coisas aconteceram.
- 39:26E esse papo sobre a ficção do jogo ajuda a gente a reforçar
- 39:32esse repertório criado durante o jogo.
- 39:34Esse repertório eu estou fazendo menção a esse mundo de
- 39:37aventuras. Se você for ver de acordo com o
- 39:40último episódio, esse mundo de aventuras não existe de verdade.
- 39:43Afinal de contas, se um fato da ficção não for evocado, não há
- 39:47uma realidade simulada objetiva que garanta o seu aparecimento.
- 39:51Então ele não existe. Eu vou deixar linkado o episódio
- 39:54passado, o trinta e cinco, se o mundo de aventuras não existe.
- 39:58Mas... Falar sobre o jogo é reforçar as
- 40:02lembranças do que aconteceu. E isso reforça o nosso
- 40:06repertório que a gente vai trazer para jogo nas próximas
- 40:09sessões. Fica bem mais fácil da gente
- 40:12guardar e trazer uma sessão futura sobre um talismã que um
- 40:17xamã cibernético usou em Shadowrun, por exemplo, numa
- 40:20sessão. Se a gente conversa a respeito
- 40:23desse talismã, se a gente fala... pô, mas e aquele
- 40:26talismã, hein? E se a gente divide entre a
- 40:29gente o espanto, né? Falar, cara, aquele talismã
- 40:31parece muito maneiro, parece muito doido, deve fazer alguma
- 40:34coisa muito braba, né? A gente divide a curiosidade a
- 40:37respeito dele, de como ele funciona e do que ele faz, de
- 40:41qual o papel dele naquela ficção, naquela aventura.
- 40:46E isso é muito legal de a gente poder falar a respeito, porque
- 40:50vai solidificando os fatos da ficção na nossa cabeça e a gente
- 40:53traz de volta naturalmente Então falar é reforçar a lembrança
- 40:59dessas coisas. Acho que facilita esse jogo, que
- 41:02é esse debate sobre a realidade que a gente tem quando a gente
- 41:05joga RPG. E eu estou falando aqui de
- 41:09Guerra da Realidade, que é muito a proposta que a gente tem com a
- 41:13Hell Fantasy, que é um estilo de jogo.
- 41:15E a gente pode dizer que uma utilidade de conversar sobre o
- 41:20jogo é justamente a gente entender melhor e reforçar um
- 41:24estilo. Seja um estilo de jogo proposto
- 41:27para a comunidade, para... para os jogadores e tudo mais, ou
- 41:32seja para um estilo pessoal, uma auto-percepção de como você faz
- 41:37as coisas. Quando a gente fala de um
- 41:39estilo, como o Ego Fantasy é, a gente está falando de como a
- 41:43gente pode conversar em cima de um registro das nossas decisões.
- 41:50Usando de como a gente usa as regras, de como a gente entende
- 41:55o que são boas práticas, o que a gente entende que é a melhor
- 41:59forma de atuar. frente a esse estilo proposto.
- 42:02Normalmente um estilo de jogo amarra as técnicas, ele amarra
- 42:07princípios, ele amarra o que é melhor fazer em determinadas
- 42:12situações e isso, de certa forma, cria ali uma expectativa
- 42:15que a gente consegue discutir em torno.
- 42:18Por exemplo, quando a gente está falando em Oil Fantasy, a gente
- 42:20está falando de um mestre que a gente espera que ele encontre o
- 42:24melhor momento de morder, de desafiar o jogador.
- 42:28Então isso pode ser um tema de conversa, falar, pô mestre, você
- 42:31podia ter esperado um pouquinho mais que ia ter mais drama na
- 42:34hora de morder. Ou se a gente está falando ali
- 42:36de um PBTA, a gente pode falar, pô mestre, eu acho que você
- 42:40acionou o movimento no momento equivocado, você podia ter
- 42:45utilizado melhor o gatilho em outro momento.
- 42:47Então a gente pode conversar a respeito dessas decisões de
- 42:51estilo. Principalmente quando tem o
- 42:53manual, se a gente pegar o Quick Primer, o Fold School Game, ele
- 42:56vai ter ali algumas diretrizes de estilo.
- 43:00Então, quando todo mundo sabe de um estilo que a gente está
- 43:03seguindo, a gente acaba conseguindo conversar melhor a
- 43:07respeito desses registros que esse estilo traz.
- 43:11E isso faz muito bem pro jogo. Isso é um experimento que eu
- 43:14tenho em Bear Gotham, a gente tinha em Arcaia, mas em Bear
- 43:18Gotham é muito maduro isso, porque o Oil Fantasy tá mais
- 43:20maduro hoje em dia como estilo. E a gente termina toda a sessão,
- 43:24a gente jogou centenas de sessões em Bear Gotham, em
- 43:27grupos diferentes, centenas de jogadores, e sempre a gente tem
- 43:30uma conversa, a gente tem um feedback.
- 43:33E esse feedback rende muito. Por quê?
- 43:35Porque a gente consegue esse registro sobre o qual a gente
- 43:40vai conversar sobre a nossa atuação como mestre e como
- 43:43jogadores. Então ter esse registro facilita
- 43:46a gente entender nossas práticas e onde a gente pode melhorar
- 43:49dentro dessa proposta de estilo. Quem quiser entender mais sobre
- 43:53o Oil Fantasy, inclusive eu vou deixar linkado no descritivo do
- 43:55episódio, um episódio da segunda temporada em que eu contrasto o
- 44:00estilo Oil Fantasy com o que o pessoal entende de OSR, de jogos
- 44:06old school, já que a gente está falando do mesmo suporte de
- 44:08regras. Mas uma das coisas que eu mais
- 44:12gosto do Oil Fantasy é que ele promove uma...
- 44:17Ele promove o estilo pessoal dos jogadores e do mestre.
- 44:20O que eu quero dizer com isso? Para além desse estilo que ele
- 44:23propõe em Oil Fantasy, a gente consegue perceber que há sempre
- 44:27um toque pessoal dentro desse estilo. que dentro dessas boas
- 44:32práticas, das posturas, dos princípios que a gente traz com
- 44:36o Hell Fantasy, os jogadores podem ter um jogo de cintura ali
- 44:39para construir seu próprio estilo.
- 44:42Isso acontece em qualquer jogo, adotando um estilo, um manual de
- 44:47estilo, um guia de estilo externo ou não.
- 44:50Isso você vai ver com cada mestre, cada mestre vai
- 44:52desenvolver seu estilo pessoal e cada jogador também.
- 44:56E a gente conversar a respeito disso vai gerando uma
- 44:59auto-percepção que leva a gente a entender nossos próprios
- 45:02princípios, nossos princípios particulares, nossas boas
- 45:07práticas particulares, as nossas crenças sobre o jogar
- 45:11particulares. É muito legal isso, né?
- 45:14Eu sempre fui considerado pelo meu grupo um mestre opressor,
- 45:17meticuloso, aquele mestre enxadrista que vai cercando o
- 45:23grupo, sabe? E que sempre tá ali massacrando.
- 45:27Isso é uma coisa que historicamente minha atuação
- 45:30sempre era essa. Eu não era um mestre...
- 45:33O pessoal gostava, né? Sempre, tipo, sei lá, o feedback
- 45:36que eu tive de forma geral era bom.
- 45:38A gente tinha momentos de debate, de discordância, mas de
- 45:42forma geral... as aventuras ali, o grupo todo gostava muito.
- 45:45Eu gostava de mestrar, o grupo gostava de jogar.
- 45:47Quando eu trocava de mestre no grupo, a gente também conseguia
- 45:50perceber as diferenças de mestre pra mestre e debater a respeito.
- 45:54Isso era muito gostoso. Você se entende, você entende o
- 45:57seu lugar como mestre ou como jogador.
- 46:00Você entende o que é ser um mestre ou pessoa.
- 46:03Qual o lado bom disso? Qual o lado ruim disso?
- 46:06O que o pessoal gosta, que deriva de eu ser um mestre em
- 46:10xadrista, de eu ser um mestre mexe estrategicamente com a
- 46:14ficção ali para desafiar os jogadores.
- 46:18E o que é, de repente, quais são as qualidades do Kobe, do Bruno
- 46:22Kobe, que é um mestre profissional reconhecidíssimo aí
- 46:25na comunidade, um sujeito que já treinou um número imenso de
- 46:30mestres para mestrarem profissionalmente até...
- 46:36O que o Kobe tem de qualidade? Qual o estilo pessoal dele?
- 46:39Mesmo vale para o Carlinhos, que eu costumo dizer que é o Sir
- 46:43Galahad do Royal Fantasy. É um cara que mestra o Royal
- 46:46Fantasy ali da forma mais pura que tem.
- 46:49Tem o João Burlamaki, o Daniel Rosa, o Diego Seixito, o Ícaro,
- 46:53todo mundo ali... Mestra Oil Fantasy, mas dentro
- 46:56disso você vai ver essa emergência de estilos pessoais e
- 47:00é muito legal quando o próprio jogador, o próprio mestre, o
- 47:03próprio participante vai entendendo qual o seu estilo e
- 47:07como isso imprime jogo. Isso é muito gostoso de ver.
- 47:12Então entender suas qualidades, seus pontos fortes, onde você
- 47:16precisa se policiar, onde você pode melhorar, onde você pode
- 47:20investigar melhor a sua atuação e como fazer melhor, isso tudo
- 47:24você consegue dialogando a respeito.
- 47:27Durante o jogo você claramente vai ter muito insight, mas
- 47:29depois do jogo também. E nisso eu posso dizer que, de
- 47:34forma geral, você ter transparência no jogo, na
- 47:38relação lúdica proposta, ajuda essa conversa.
- 47:40Eu vou citar novamente aqui um sujeito lá no Instagram, um
- 47:44sujeito esquisitíssimo, inclusive, que depois de
- 47:47conversar muito, do nada falou, pô, vai ver se eu tô lá na
- 47:50esquina, não sei o que aconteceu, mas o fato é que lá
- 47:53para as tantas, eu até citei isso aqui num outro episódio, o
- 47:55cara chegou e falou, cara, eu não tenho como conversar com o
- 47:59meu grupo sobre o que eu faço enquanto mestre porque tem muita
- 48:04ilusão ali tem muita coisa que eu não posso revelar E o quão
- 48:10triste e isolado é isso, a gente poder conversar a respeito com
- 48:15os nossos jogadores é uma coisa muito importante, é uma coisa
- 48:18que permite uma melhora e principalmente permite que a
- 48:21gente entenda sobre o que a gente está falando.
- 48:23Por outro lado, a gente esconder isso, a gente está se isolando e
- 48:26a gente fica refém da própria percepção sem entender jamais o
- 48:30olhar que o outro tem. e isso é muito interessante a gente poder
- 48:34fazer não somente pra gente ver como os outros enxergam a gente
- 48:38mas pra gente enxergar os outros também obviamente aprender com
- 48:41as pegadas que eles deixam no pântano todos já ouviram as
- 48:46lendas do norte mas ninguém sabe o certo que tem lá maldições
- 48:52criaturas terríveis, tesouros mágicos riquezas esquecidas é o
- 48:56que as histórias contam depois da grande muralha nas tavernas.
- 49:02Dizem que a Companhia dos Biltres se instalou nos limites
- 49:05do mundo e a gente tá financiando aventureiros pra
- 49:07explorar essa terra maldita. Já vai fazer um ano, ô
- 49:10Malaquias, que muitos partiram para o norte, deixando o valetim
- 49:14e viajando sete dias por esses rios.
- 49:17Bom, num raiar do sol eu também tô partindo.
- 49:21Eu cansei dessa vida de merda, meu amigo.
- 49:23Mas então, ô Malaquias, me fala. Você vai vir também ou vai
- 49:27passar o resto dessa tua vida patética batendo carteiras?
- 49:30Eu não sei você, mas eu quero morrer rico, meu amigo.
- 49:35Fala, galera do Café. Aqui é o Ícaro e eu queria fazer
- 49:37um convite pra vocês. Finisterra é uma mesa de
- 49:40Hexcrawl, que usa o Caves and Hex, inspirado no Bestie de
- 49:43oitenta e um, que todo mundo ama.
- 49:44E é uma campanha que acontece no estilo mesa aberta, o que
- 49:47significa que qualquer um pode colar e jogar com a gente.
- 49:48São sessões episódicas. Quem pode jogar no dia, a gente
- 49:51monta um time e esse time sai pra explorar.
- 49:54Então eu queria fazer esse convite pra vocês virem explorar
- 49:56esses irmãos malditos, descobrir os segredos de castelos
- 49:59abandonados, atravessar espelhos mágicos, encarar as brumas
- 50:03prateadas, tomar o chá da minha estrela e vir buscar esses
- 50:06tesouros que foram esquecidos pelo tempo em Finisterra.
- 50:10Essa mesa também, galera, usa o estilo de jogo Oil Fantasy, que
- 50:14quem é ouvinte do café tá ligado que eu sei.
- 50:17Então, espero vocês lá e valeu, balbe!
- 50:31Para além disso, acho que a gente percebendo ali como outras
- 50:37pessoas percebem o jogo e como eles solucionam o jogo, a gente
- 50:41consegue até entrar em esferas um pouco mais profundas, como eu
- 50:45costumo fazer aqui no Café, que é de filosofar e refletir com
- 50:50profundidade sobre o jogo. Eu lembro que teve um cara no
- 50:55Grupo do Café que trouxe que jogo é convencimento.
- 50:58Isso é uma coisa que a gente vai ver por aí o tempo todo.
- 51:02As pessoas falando que jogar bem RPG é você conseguir convencer o
- 51:05mestre e os outros de que a sua solução ali é melhor.
- 51:09De que a sua ação é muito boa, de que é a melhor forma de
- 51:14resolver alguma coisa e aí você ganha um bônus ou o mestre
- 51:17ignora a necessidade de rolar o dado, etc.
- 51:20Basta convencer legal. E eu já pensei assim, pra mim
- 51:24RPG era muito isso, era convencimento e tudo mais.
- 51:27Mas dentro de oil fantasy, quando eu vim trabalhar o estilo
- 51:30oil fantasy, pra dar um exemplo, eu resolvi trocar isso tudo pela
- 51:33ideia de que a ficção do jogo é como um xadrez, aquilo que eu
- 51:37citei ali atrás. A ficção é um terreno em disputa
- 51:41e os participantes vão moldando esse repertório da ficção Ele
- 51:47vai sendo criado e vai sendo mexido ali, conforme o mundo de
- 51:51aventuras vai evoluindo. E a gente vai utilizando essa
- 51:55ficção um para encurralar o outro e fazer que o jogo
- 51:58aconteça a sua maneira. Então não é exatamente um... um
- 52:02trabalho de convencimento, mas é um trabalho da gente ir
- 52:06provocando e construindo, provocando a construção e
- 52:11construindo a ficção do jeito que é mais conveniente para onde
- 52:16a gente quer chegar dentro daquele jogo.
- 52:19Seja pra contar uma história, seja pra superar um desafio,
- 52:22seja pra lá o que for. O importante é a gente conseguir
- 52:25entender essa batalha por essa ficção que não existe e vai
- 52:30sendo moldada conforme a gente joga.
- 52:33Bom, mas isso é só uma visão. Não quer dizer que todo jogo vai
- 52:38funcionar assim. Beleza, eu acho que em algum
- 52:42nível todo jogo de RPG tem isso, tem essa batalha pela ficção em
- 52:45algum nível. Mas certos jogos vão deixar isso
- 52:49mais evidente que outros, como os jogos dentro da proposta Oil
- 52:52Fantasy. Já outros jogos não vão
- 52:55ressaltar esses pontos, talvez isso seja até bem mais
- 52:58irrelevante, até a ponto do seu autor, o autor desse jogo,
- 53:03descrever o RPG de forma geral de uma maneira distinta do que
- 53:08eu vou descrever o RPG. Então tem aí até esse exemplo,
- 53:13né, esse episódio que eu comentei até lá na enquete com o
- 53:16Marcelar, né, que é o episódio do Oil Fantasy em contraste com
- 53:21OSR, né, que mostra visões diferentes de jogo, né,
- 53:25filosoficamente falando. Quais são os princípios do jogo,
- 53:29quais são as agendas do jogo, como a gente se guia, como isso
- 53:33se traduz em posturas de jogo e boas práticas, né.
- 53:38Um exemplo que eu posso dar sobre isso, de como isso vai
- 53:41fundo na filosofia, mas traz também para a esfera prática, é
- 53:46toda a discussão a respeito de agência do jogador.
- 53:50A gente tem uma visão da Janet Murray, por exemplo, do livro
- 53:56Hamlet on the Holodeck, que ela trabalha a ideia de que agência
- 54:01do jogador, e é uma ideia bem... da narratologia, de que a
- 54:06agência do jogador ou o poder do jogador impactar na narrativa
- 54:10que o jogo produz. E isso vai funcionar, essa noção
- 54:14de agência do jogador vai funcionar para vários sistemas e
- 54:17várias propostas de jogo. Como, por exemplo, Dungeon World
- 54:21ou como Apocalypse World. Por que funciona para esse tipo
- 54:25de jogo? Porque se você chegar lá e
- 54:28analisar que o jogador declarou determinada ação Ele entendeu o
- 54:34que está em risco, o que está em jogo, e ele optou por agir de
- 54:38determinada forma. Dentro desse tipo de jogo,
- 54:42Dungeon World ou Apocalypse, se ele falhar... o mestre vai poder
- 54:48agir trazendo uma dificuldade para o jogador, trazendo um
- 54:51problema, ou arrasando com algum recurso do jogador, ou até dando
- 54:57dano ou alguma coisa assim no personagem do jogador.
- 54:59O fato é que não necessariamente o resultado da falha precisa ter
- 55:06a ver com o que foi declarado concretamente pelo jogador em
- 55:11termos de risco assumido. Então se o jogador disser que
- 55:14ele vai pular um precipício e falha, mas ainda a percepção
- 55:19geral é de que não está na hora desse personagem do jogador
- 55:23morrer, a falha não pode significar essencialmente que o
- 55:28personagem caiu no buraco. Pode até dizer que ele caiu, mas
- 55:33se segurou pela borda e agora tem que levantar, ou pode ser
- 55:36que caiu algum item importante lá embaixo, ele tem uma escolha
- 55:39difícil para fazer, mas o fato é que você pode até deixar que o
- 55:43jogador pule, o precipício ele conseguiu para que o jogo
- 55:48continue para que a narrativa seja impulsionada de acordo com
- 55:52o que o jogador queria mas agora o mestre vai botar um desafio a
- 55:55mais, então de repente desse precipício começam a brotar
- 55:59demônios que estavam saindo dali, o mestre é autorizado a
- 56:03fazer isso e incluir essa ficção no jogo ali por conta da falha
- 56:07do jogador Então, nesse ponto, a agência do jogador está
- 56:12plenamente respeitada. Por quê?
- 56:14Porque o jogo respeitou o seu input criativo, o jogador deu
- 56:20impacto à sua decisão dentro do jogo, deu impacto narrativo.
- 56:25Porém, se a gente analisar essa mesma interação a partir de uma
- 56:29lente de oil fantasy, que vem do D&D clássico, A análise de
- 56:34agência é bem diferente. Por quê?
- 56:37Porque nesse ponto, se o jogador fala que vai pular um buraco, eu
- 56:41peço algum tipo de teste, o jogador falha, não existe uma
- 56:45mecânica e não existe a noção, nesse tipo de jogo aqui, de
- 56:48forma geral, de que a gente vai deixar o jogador pular ainda
- 56:52assim e a gente vai inserir uma complicação, uma dificuldade, ou
- 56:56vai, enfim, trazer algum problema... pesado, mas que não
- 57:02necessariamente tem a ver com o posicionamento ficcional que ele
- 57:04trouxe, com a declaração e com o risco que ele assumiu.
- 57:07Não, nesse D&D clássico, de forma geral, se você resolveu
- 57:11acionar uma armadilha e você falhou, a armadilha vai te
- 57:15matar, possivelmente. porque é mais desse tipo de jogo que ele
- 57:20propõe. É um jogo mais que traz
- 57:22ferramentas de desafio mesmo, focado no desafio específico
- 57:27dentro da ficção. Então, se o jogador resolveu
- 57:30assumir um risco e falhou, aquele risco assumido acontece
- 57:34daquela forma. Isso levou a gente a desenhar a
- 57:38noção de agência do jogador a partir de uma lente de oil
- 57:41fantasy em três níveis. Um é o nível informação.
- 57:46O jogador tem que ter informação suficiente ou poder se informar.
- 57:51o suficiente para tomar uma decisão informada, uma decisão
- 57:55ponderada. Então existe um pilar da agência
- 57:58do jogador em All Fantasy que é a informação, que abarca
- 58:01inclusive a necessidade da antecipação de um risco para que
- 58:05o jogador consiga jogar o D&D clássico.
- 58:09Um outro pilar é liberdade, o mestre tem que respeitar a
- 58:12liberdade do jogador agir, ele não pode tolher a liberdade do
- 58:16jogador agir a troco de nada. Em terceiro lugar, o impacto.
- 58:21O impacto da ação do jogador tem que surtir efeitos, tem que
- 58:27surtir um impacto proporcional e concreto em relação ao risco
- 58:31assumido. Então, segundo a lente da
- 58:35agência do jogador, segundo a Oil Fantasy, Essa mecânica do
- 58:39Dungeon Worlds, de a gente poder desvincular o risco assumido
- 58:45pelo jogador quando declarou a ação e o problema da falha, isso
- 58:50em Wild Fantasy é considerado uma quebra de agência do
- 58:53jogador. Então não faria sentido eu
- 58:57analisar Agência do Jogador num jogo que não usa essa lente.
- 59:02Mas olha como duas visões filosóficas sobre um tema tão,
- 59:07às vezes, etéreo quanto Agência do Jogador, desabam em mesa de
- 59:11uma forma muito clara. Então a gente pensar sobre o
- 59:15jogo traz bastante matéria de mesa. deságua muito pro nosso
- 59:20jogar. Daí, então, eu posso concluir,
- 59:23pra gente encerrar aqui esse episódio, que falar sobre o jogo
- 59:29engrandece o RPG. Não somente dá pilha pra gente
- 59:34jogar, deixa gente no hype, alinha a gente, mas promove o
- 59:38jogo da melhor forma possível. RPG, como eu falo, pode até ser
- 59:42fácil pra algumas pessoas e em alguns contextos, mas ele é por
- 59:46essência complexo. Não é a mesma coisa.
- 59:50Não são antônimos complexos. e fácil, mas complexo ele é.
- 59:57E o fato de ter essa complexidade faz com que falar
- 1:00:00sobre o jogo não somente estimule a gente a encarar essa
- 1:00:03curva de aprendizado, mas traz muita lição, traz muita reflexão
- 1:00:09e acaba trazendo do mundo das ideias alguns debates que acabam
- 1:00:13gerando o jogo. Então é isso, joguem RPG, mas
- 1:00:17também falem sobre RPG. E se você não está podendo jogar
- 1:00:22RPG e só está podendo falar de RPG, fale de RPG.
- 1:00:26Igualmente, mal não vai fazer. Mas, certamente, vai ter mais
- 1:00:30lastro se você jogar e falar. Então, almeje isso.
- 1:00:34Fale e jogue. As duas coisas costumam se
- 1:00:36complementar. Deixa de lado esse
- 1:00:38comentáriozinho meio passivo-agressivo de ''Ah, está
- 1:00:41falando aí de RPG?'' Podia estar jogando.
- 1:00:44E deixa de lado também essa ideia de que aprofundar os temas
- 1:00:47não contribui com o jogo em si. Acho que tudo facilita, tudo
- 1:00:52melhora, tudo se promove a partir do momento que a gente
- 1:00:56conversa a respeito. E RPG não seria diferente.
- 1:00:59E a gente pode dizer que RPG nesse caso tem até mais deságua
- 1:01:05do que em outras atividades. Muitas vezes por quê?
- 1:01:07Porque precisa disso, precisa dessa confluência, precisa desse
- 1:01:11diálogo, precisa desse momento em que a gente alinha as coisas,
- 1:01:15em que a gente provoca, em que a gente reestabelece, enfim.
- 1:01:21Falar de RPG é muito bom. Mais de mil episódios na
- 1:01:28primeira temporada. Um podcast premiado por suas
- 1:01:33reflexões sobre o jogo, entrevistas e convidados.
- 1:01:37Em uma nova temporada com muito a oferecer à comunidade do RPG.
- 1:01:46Aventureiros numa busca por mais episódios na semana te convidam
- 1:01:51a fazer parte do grupo de Telegram, participar de sorteios
- 1:01:55e enriquecer seu jogo. Esquente a água, moa os grãos e
- 1:02:02pegue os dados. apoia.se barra café com danjo.
- 1:02:16Contamos com você. Aquele cara era um mestre muito
- 1:02:26foda. É isso, valeu galera.
- 1:02:33Eu vou deixar aqui uma pergunta para a nossa enquete, que é o
- 1:02:37seguinte, não tem a ver com o episódio de hoje, mas é uma
- 1:02:40pergunta sobre o podcast. Você prefere a capinha do
- 1:02:44episódio com o título escrito grandão, com letras grandes ali
- 1:02:49sobre o fundo azul? Ou você prefere, como a gente
- 1:02:52tem feito atualmente, que tem um selinho com o número do episódio
- 1:02:56e só uma imagem no fundo? O que você prefere?
- 1:02:59Essa é a pergunta que eu vou deixar na enquete.
- 1:03:01Lembrando que você pode deixar comentários livremente, não
- 1:03:04somente sobre a pergunta da enquete, mas sobre o próprio
- 1:03:07episódio. Inclusive, eu vou deixar uma
- 1:03:09pergunta sobre o episódio, caso você queira responder.
- 1:03:12Eu quero saber se você tem algum ritual... com seu grupo de jogo,
- 1:03:16para abrir espaço para essa conversa?
- 1:03:18Assim como eu tenho o Biergarten, assim como relatei
- 1:03:21aqui algumas coisas que eu costumo fazer para conversar a
- 1:03:23respeito, qual é o teu ritual com o teu grupo?
- 1:03:26Ou será que não tem? Responde aí para a gente, vamos
- 1:03:30encarar essa conversa, beleza? Então é isso, lembrando que eu
- 1:03:35vou deixar aí no descritivo do episódio alguns links, eu vou
- 1:03:38deixar o... O link do grupo de Biergotten,
- 1:03:43onde a gente vai fazer agora na quinta-feira, hoje, a leitura do
- 1:03:48capítulo um do Grasshopper, uma leitura comentada desse livro do
- 1:03:54Bernard Sulz, o Grasshopper Life, Games and Utopia.
- 1:04:00A gente vai conversar a respeito disso em português.
- 1:04:03O livro é em inglês, mas a gente vai comentar em português.
- 1:04:06Então, se você quiser cair dentro, esse primeiro encontro é
- 1:04:11liberado para todo mundo que estiver ali no Telegram do
- 1:04:14Biergotten. Os outros encontros, para a
- 1:04:16gente ler o Grasshopper, aí vai ser exclusivo dos membros do RPG
- 1:04:20Dojo. Mas se você quiser sacar ali
- 1:04:23como é que a gente faz e começar a leitura ali, de repente
- 1:04:25engajar, mesmo que não não seja com a gente engajar nessa
- 1:04:29leitura, eu acho muito interessante, então cola aí com
- 1:04:32a gente é grátis, é só colar aí no grupo de Telegram do Pierre
- 1:04:36Goten que a gente vai fazer hoje às dezenove horas a leitura
- 1:04:40coletiva e os comentários do primeiro capítulo do Grasshopper
- 1:04:45Beleza? Vou deixar também os links pros
- 1:04:48episódios trinta e cinco, Seu Mundo de Jogo Não Existe, o
- 1:04:51episódio trinta e três, Oil Fantasy vs OSR, episódio
- 1:04:55dezessete, Reflexões sobre a Agência do Jogador, episódio
- 1:05:00sete, A Disputa pela Ficção no RPG, e episódio dois, Todo
- 1:05:05Mestre é Game Designer são episódios dessa segunda
- 1:05:08temporada do Café com Dungeon que eu deixei durante o
- 1:05:13episódio, que eu mencionei durante o episódio, então tá
- 1:05:15aqui no descritivo pra você clicar e seguir e ouvir em
- 1:05:19seguida. Beleza?
- 1:05:21No mais, deixar o link aí também pro Finisterra e pro Trema, caso
- 1:05:26vocês queiram jogar mesas abertas da comunidade do Café
- 1:05:29com Dungeon também, livre, de graça, pode jogar com a gente.
- 1:05:33E lembrar que você pode apoiar o Café com Dungeon, participar
- 1:05:39desse tipo de estudo e muitos outros, e ajudar a gente a
- 1:05:43voltar a ter cinco episódios semanais.
- 1:05:44Então, além desse conteúdo extra que você acessa, você recebe
- 1:05:48cupons dos nossos parceiros, participa de sorteios.
- 1:05:50Então, gente, é win-win. Chega aí, apoia.se barra Café
- 1:05:56com Dungeon. Se você gostou especialmente do
- 1:05:59Café com Dungeon de hoje, deixa pra gente uma gorjeta.
- 1:06:03Envie o seu pix de qualquer valor pra cafécomdungeon.com A
- 1:06:08gente tá contando contigo, contando com o seu apoio.
- 1:06:11Se você tem uma empresa ou uma marca e quer ter um dia da
- 1:06:14semana no Café com Dungeon, você pode financiar mais um episódio
- 1:06:18semanal do seu podcast matinal favorito e fazer a alegria da
- 1:06:23massa RPGística. Consulta a gente em
- 1:06:24cafécomdungeon.com e a gente tem uma proposta especial para você.
- 1:06:30Você pode consultar a gente também sobre parcerias e
- 1:06:32anúncios, e a gente não trabalha só com RPG, a gente trabalha
- 1:06:35também com outros ramos, como cafés, jogos, alimentos,
- 1:06:39tecnologia, mídia, educação, etc.
- 1:06:43Manda aí a tua proposta. Quer colaborar com a gente?
- 1:06:46De repente você é produtor de conteúdo, game designer
- 1:06:49independente, acadêmico ou fã e quer participar aqui do Café com
- 1:06:53Dungeon, conta pra gente sobre você e a respeito de como a
- 1:06:57gente pode fazer pra colaborar. Manda pro mesmo e-mail, beleza?
- 1:07:01Finalizando aqui com agradecimentos pra galera que
- 1:07:04torna possível essa aventura, os nossos assinantes.
- 1:07:07Então, Obrigado a galera que apoiou com um incentivo,
- 1:07:11incluindo aí o Lúcio Pimentel. Valeu, grande Lúcio.
- 1:07:15Obrigado demais ao pessoal do nível de apoio comunidade,
- 1:07:19incluindo o Márcio Loureiro, o Chico Siqueira e o Denis
- 1:07:24Carvalho, nosso novo assinante. Obrigado demais, Denis.
- 1:07:28Um salve especial para os assinantes do nível RPG Dojo.
- 1:07:32Entre eles, Matheus Coleto, Pedro Werly, Marcos Vinícius
- 1:07:36Ornelas, Pedro Oblizineri, Felipe Skosteg.
- 1:07:40Muito obrigado pelo apoio. Um abraço aos membros do
- 1:07:43treinamento Oil Fantasy, Abílio Júnior, César Machado, Daniel
- 1:07:47Aydar, Diego Sextito, Douglas Baiense, Léo Gasparotto, Matheus
- 1:07:51Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Cobb, João Burlamacchi, Gui
- 1:07:55Providello. Um imenso agradecimento ao nosso
- 1:07:58membro Café com Balbi, Thiago Augusto.
- 1:08:01Muito, muito obrigado pelo teu apoio, cara.
- 1:08:03É muito importante pra gente. Então, galera, é isso.
- 1:08:07Muito obrigado e até a próxima. Ah, vocês nunca jogaram RPG?
- 1:08:29Ah, então peraí. Eu vou botar uma mesa pra nós e
- 1:08:33vocês vão ficar apaixonados por isso.