Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #382 Zé Rodrix no Papo de Músico com Toninho Spessoto (2009/Rádio USP)
Transcript
- 0:01Essas rádios você tem sintonia com rádio?
- 0:10Olá, tudo bem? Eu sou o Marcelo abud, seu
- 0:14podcaster radiofônico, e estou de volta com nossas peças raras.
- 0:20Esta edição é muito especial e uma forma de te presentear com
- 0:25mais uma daquelas peças raras que você só ouve aqui no nosso
- 0:30podcast. E eu aproveito o áudio de hoje
- 0:33para prestar uma homenagem mais do que merecida ao Toninho
- 0:38espessoto, que nasceu em 25 de janeiro.
- 0:42De 1958 e faleceu muito jovem, com apenas 52 anos de idade,
- 0:47numa véspera aí de Natal, em 23/12/2010, portanto estamos aí
- 0:51lembrando. Os 15 anos de morte do
- 1:01jornalista, radialista, crítico musical, o Toninho spessoto, que
- 1:07fez muita história com a música, também produzindo eventos.
- 1:12Bom em memória. Então, aos 15 anos de morte do
- 1:15Toninho spessoto, eu compartilho com você um áudio que foi
- 1:19conseguido a partir de mensagem deixada por um de nossos
- 1:23ouvintes no Spotify. Eu estou falando.
- 1:27Do Felipe a vocalista da banda cavalo motor, de Governador
- 1:32Valadares, em Minas Gerais. O Felipe encontrou um áudio
- 1:38muito antigo ali no nosso podcast de peças raras no
- 1:41Spotify e nos mandou a seguinte mensagem, muito bom ouvir o Zé
- 1:47falando sobre a carreira dele. Não teria essa entrevista dele
- 1:51na íntegra. O Zé, no caso, é o Zé Rodrigues
- 1:55que em um. Episódio antigo do nosso
- 1:58podcast, ele fala sobre a criação de jingles, a
- 2:02importância dessas músicas publicitárias na carreira dele e
- 2:06canta alguns desses jingles que a gente vai ouvir novamente
- 2:10nesta edição, numa entrevista completa.
- 2:12Sim, então essa entrevista Ela Foi é concedida ao Toninho
- 2:18espessoto no programa papo de músico e nós vamos resgatá la
- 2:23aqui hoje. Eu respondi ao Felipe que não
- 2:27tinha entrevista na íntegra, mas que IA atrás, né, desse
- 2:31material. E ele chegou a dizer também ali
- 2:34no Spotify, na nossa troca de mensagens, que havia entrado em
- 2:37contato com a Rádio USP, mas que a emissora não tinha esse áudio
- 2:41em arquivo. E ele ainda comenta que no blog
- 2:45no blog, no caso do papo de músico, do Toninho espessotto, é
- 2:49citado que são 3 episódios de entrevista com o Zé Rodrigues.
- 2:54E na biografia do Zé, essa entrevista é citada muitas
- 2:58vezes. Segundo o Felipe, a vocalista da
- 3:01banda cavalo motor, ele ficou muito curioso em ouvir o
- 3:05material completo. Bom, nós fizemos essa busca há
- 3:08uma semana, estamos atrás deste material.
- 3:11Comecei acionando a Júlia Rodrigues, a viúva, né?
- 3:15Do Zé Rodrigues, e que durante muito tempo foi parceira aí em
- 3:19produções de shows. Produções.
- 3:23Artísticas é junto com o Zé Rodrigues, né?
- 3:27É hoje tem a Bárbara Rodrigues, a filha, que tá aí cantando
- 3:30lindamente. Bom, falei com a Júlia.
- 3:32A Júlia não tinha esse material, mas o Bessa, Reinaldo Bessa, meu
- 3:38amigo, meu irmão também acionou ali a Júlia pra de repente
- 3:43investigar quem que poderia ter essa entrevista.
- 3:46E a Júlia nos é, indicou o soneca compositor também aí?
- 3:52É que fez parceria com o Zé Rodrigues no finalzinho ali de
- 3:57carreira. E o soneca?
- 3:59Sim, o soneca guarda esse material, guarda muito bem e
- 4:04graças a ele a gente vai ouvir A Entrevista na íntegra aqui.
- 4:08Na verdade, os 3 episódios com o Zé Rodrigues.
- 4:13Então vamos primeiro ouvir o soneca, que deixou uma mensagem
- 4:17para nós aqui no peças raras. Marcelo, aqui é o soneca amigo
- 4:21do Zé Rodrigues, e eu tava lá com eles na gravação desse
- 4:24especial, né, que foram 3 programas com o Zé Rodrigues,
- 4:26era gravado ali no conservatório Souza Lima e eu tava lá, tava
- 4:29sempre com o Zé. E é um importante documento
- 4:31histórico, né? Porque foi um pouco antes do do
- 4:34Zé falecer, né? Partir para para outras esferas
- 4:37e ele conta a vida toda dele aí, né?
- 4:38Então é um documento histórico fundamental esse papo de músico
- 4:41com torinhas pessoa que também já partiu.
- 4:44Então espero que as pessoas curtam demais esse programa,
- 4:46porque o Zé foi um dos maiores gênios da música brasileira e
- 4:49ele tava gestando uma ogiva antes de morrer.
- 4:51A gente IA fazer muita coisa mesmo.
- 4:52Espero que as pessoas ouçam e entendam quem foi o Zé
- 4:54Rodrigues. Valeu, esse é o soneca que nos
- 4:58fala sobre esse papo de músico, o programa que era levado ao ar
- 5:02pela Rádio USP FM, produzido e apresentado pelo saudoso
- 5:07jornalista Toninho spessoto, que nos deixou a 15 anos.
- 5:12Esta foi a última grande entrevista concedida pelo Zé
- 5:16Rodrigues, 2 meses antes de sua morte, em 22/05/2009, né?
- 5:23E A Entrevista foi veiculada nos dias 8, 15 e 22 de março.
- 5:29Então, 2 meses antes, foi veiculado o terceiro episódio
- 5:33desse dessa série com o Zé Rodrigues no programa papo de
- 5:37músico. O primeiro capítulo, na verdade,
- 5:40a abertura do primeiro episódio, ela se perdeu e aí a gente vai
- 5:45ouvir o soneca mais uma vez, só citando o que que trazia essa
- 5:49abertura. O primeiro programa ele conta
- 5:52mais a infância. Dele que ele.
- 5:54Foi aprender acordeon, mas para provocar o pai dele mesmo de
- 5:57falar, o pai dele era maestro de banda, né?
- 5:59Ele falava que acordonista não era músico.
- 6:01E ele fez os 9 anos de acordeon. Meio de birra assim, de pirraça
- 6:05com o pai. Daí ele conta do do começo dele
- 6:06com Ricardo vilas. É que eles montaram um momento
- 6:0841. Momento 4 foi o quarteto vocal
- 6:10que acompanhou o Pedro lobo em monteio, naquele lendário
- 6:13festival de 67. E agora sim, o momento mais
- 6:17esperado. Esse áudio raríssimo que foi
- 6:21resgatado justamente foi guardado, né?
- 6:24Pelo soneca e que nos permite agora acompanhar aqui no peças
- 6:28raras. E nesse papo de músico que nós
- 6:31vamos ouvir, o Zé Rodrigues fala desde a infância, os primeiros
- 6:36sons, o momento 4. Depois ele vai falar sobre a
- 6:40filosofia hippie. O som imaginário é com muitas
- 6:44músicas interpretadas ao vivo pelo Zé, né?
- 6:47Os festivais casa no campo, né? Que foi gravada pela Elis, dele
- 6:52e do tavito. Grande sucesso é das composições
- 6:56do Zé Rodrigues. A era do Sá Rodrigues e
- 6:59Guarabira é muita coisa interessante nessa entrevista,
- 7:03né? A gente vai ouvir aí também essa
- 7:05coisa do rock rural que o Sá Rodrigues e Guarabira encarnaram
- 7:09muito bem aqui no Brasil, né? Então a gente vai até o momento
- 7:14da carreira solo, quando ele começa também a gravar jingles
- 7:18pela a voz do Brasil, uma produtora que se tornou
- 7:22referência a fase em que participou do joelho de porco.
- 7:26Enfim, uma entrevista que traz aí toda a trajetória do Zé
- 7:33Rodrigues para o nosso amigo Felipe.
- 7:36AE para você que conheceu o Zé Rodrigues ou que agora vai
- 7:41então? É acompanhar a trajetória de um
- 7:44dos maiores compositores e músicos da nossa história aqui
- 7:49no Brasil, o Zé Rodrigues, inclusive um dos maiores
- 7:53jinglistas de todos os tempos, compositor de músicas
- 7:56publicitárias. E também intérprete de uma
- 7:58delas, que a gente vai ouvir tudo nessa entrevista com o
- 8:01Toninho espessotto, a nossa homenagem a esse jornalista e
- 8:05crítico musical que nos deixou a 15 anos em 23/12/2010.
- 8:13Vamos lá então, Boa Viagem pra você no tempo.
- 8:16De volta pela USP FM o papo de músico recebendo hoje Zé
- 8:20Rodrigues no disco do som imaginário que você participou?
- 8:24Você acabou sendo o porta-voz de uma canção do Beto Guedes que se
- 8:27transformou num clássico que é feira Moderna, você pode lembrar
- 8:31para nós. Lembro a gente cantou ela
- 8:33inclusive no festival, no festival em 1970.
- 8:37O ator é o que eles olham. Velha chaga, seu sorriso é o que
- 8:46eles temem, medo, medo. Feira Moderna, um convite
- 8:58sensual, ó telefonista, se a distância já morreu o meu
- 9:05coração. Não é velho.
- 9:10O meu coração é moço e eu nem li os jornais nessa caverna.
- 9:26O convite é sempre igual, ó, telefonista, se a palavra já
- 9:32morreu, Independência. Forte descanse em berço forte, a
- 9:44paz na pega bem. Passado Oo período do som
- 10:05imaginário 1971 festival de Juiz de Fora Hum, você e seu Otávio é
- 10:09essa? Foi uma canção que a gente fez.
- 10:13A gente ainda estava no som imaginário.
- 10:15Só que como o Milton tinha ido para o Estados Unidos gravar
- 10:19aquele disco dele com Wendy shotter, foi o imaginário que
- 10:21ficou sem tempo que tocar. E tivemos uma oferta, olha, gal
- 10:24vai fazer um show e quer trabalhar com vocês.
- 10:26Imediatamente vamos embora e começamos a trabalhar.
- 10:29E nós fizemos 11111 excursão razoável, viajamos bastante
- 10:33lugares do Brasil com ela, porque nessa época a gente
- 10:37viajava pouco, mas fazia longas temporadas em teatros.
- 10:40Nós fizemos temporada no teatro opinião 2 vezes, viemos a São
- 10:44Paulo, fizemos teatro Vereda, que foi muito interessante, e
- 10:47fizemos algumas viagens. Uma dessas viagens foi Brasília
- 10:50e Goiânia. Nós passamos umas 11 semana em
- 10:54Brasília e mais 2 dias em Goiânia.
- 10:57Se eu não me lembro, não me, não me.
- 10:59Engano. E aí nessa ida de Brasília para
- 11:04Goiânia, nós fomos de ônibus. É uma, é uma situação que eu
- 11:09conto hoje, as pessoas não acreditam, mas isso é é no tempo
- 11:12que é. O pessoal ainda não conhecia os
- 11:14contratos dos Rolling Stones, então não tinha negócio de
- 11:17pedito. Olha monogramada água perrier,
- 11:19aquelas bobagens, você IA normalmente.
- 11:21Eu me lembro que nós saímos do hotel, pegamos um táxi e fomos
- 11:25até a Rodoviária de Brasília. Cada um comprou a sua passagem
- 11:29num ônibus de linha, Gal Costa, inclusive Gal Costa, Paulinho
- 11:33Lima, que era o empresário dela na época.
- 11:34Compramos, cada um comprou sua passagem, entramos num ônibus,
- 11:38um ônibus que não tinha nem banheiro e enfrentamos 6 horas
- 11:41de estrada até Goiânia. Até é de Brasília para Goiânia,
- 11:466 horas. É isso.
- 11:48Depois de ter passado numa na noite anterior, ter ido conhecer
- 11:52o pessoal de um festival de música, onde a gente fez o show
- 11:55em Brasília. É entre essas pessoas.
- 11:57Tinha um cara que tinha ganho esse festival com uma canção
- 11:59chamada Mucuripe. Estava lá em Brasília e acabou
- 12:03vindo pro Rio de Janeiro. Depois, por recomendação nossa,
- 12:07qual deles? Raimundo ou Antônio Carlos
- 12:08Fagner que a música é do Fagner, com Belchior, né?
- 12:13Antônio Carlos. Antônio.
- 12:14Carlos e Raimundo é? Eu sempre chamo Belchior de
- 12:16Antônio Carlos e ele raramente responde, ele não lembra.
- 12:20E nós indo pra pra Goiânia? Eu me recordo que eu estava
- 12:25escrevendo uma carta e eu tenho até hoje a folha de papel,
- 12:27aqueles blocos de carta fininha, né?
- 12:30Papel cebola. Eu estava escrevendo assim e
- 12:32comecei a olhar a paisagem e tive uma ideia, virei a página e
- 12:35escrevi a letra do caso no campo inteirinho assim, ela não tem
- 12:38uma correção, ela saiu, fluiu inteira.
- 12:41Quando chegou no hotel em Goiânia, eu mostrei para o
- 12:43David, nós estamos no mesmo quarto, eu, o David e o Paulinho
- 12:45do som, e aí o David, tu botou a coisa assim, você sentou numa
- 12:48cama, botou a letra na outra, assim tocou nós.
- 12:51Mesmo que fizemos uma música, não fica muito satisfeitos com a
- 12:54segunda parte dela, mas acabamos dizendo, não, tudo bem, depois a
- 12:58gente arruma, eu saí do som imaginário, mas a gente continua
- 13:02trabalhando. E aí quando eu eu comecei a
- 13:05fazer um trabalho com os meninos do grupo faia junto com o Sá.
- 13:10Nós estamos começando a montar uma dupla chamada Sá e Rodrigues
- 13:13para trabalhar com esse pessoal. Estamos começando porque eu e o
- 13:15Sá vinhamos compondo com muita regularidade.
- 13:18E aí teve a oportunidade de festival de Juiz de Fora.
- 13:20Eu levei a música música inexplicavelmente para mim,
- 13:24ganhou o festival e um dos prêmios era participar do
- 13:27festival da canção de 71. Aquele teve aquela encrenca com
- 13:31a censura. E eu, que não tinha nada a ver
- 13:33com isso, acabei tendo até que me explicar na censura, porque
- 13:37todo mundo disse, olha, ou todas as músicas estão liberadas.
- 13:39O nhoma foi um negócio, mas enfim, aquele aquele momento.
- 13:45Engraçado inventado por gutember Guarabira, que era o diretor do
- 13:48festival. Mas o festival de 71, onde você
- 13:51concorreu com casa no campo, você e o Davi, foi o que teve
- 13:53também. Troca de júri?
- 13:55Sim, teve aquele que teve. Teve troca de júri, troca de
- 13:57músicas, porque sim, AOOO Guarabira inventou o seguinte,
- 13:59com a gente dar 111, fazer um enfrentamento legal.
- 14:02Vamos fazer as canções com o festival, por tradição, não
- 14:05tinha censura, né? Era uma coisa assim.
- 14:08Então vamos fazer as canções mais.
- 14:11Pegou, foi uma coisa, não foi na escolhida, ó, você faz assim,
- 14:13você faz assim, pegou só o pessoal que era muito ativo.
- 14:17Chico Gonzaga é é Ivan, a turma toda que estava muito ativa.
- 14:23Vamos pegar uma série de músicas e vamos fazer canções para fazer
- 14:29um enfrentamento com a ditadura. E quando essas canções chegaram
- 14:32e bater nessas buscadas, disseram, não podemos liberar,
- 14:33não, é o festival da Globo. Era.
- 14:35Para criar uma. Celeuma, né?
- 14:37O pessoal da Globo, inclusive aquele cara chamado Paulo César
- 14:40Ferreira, que era 11, agente do governo dentro da Globo, fez um
- 14:44movimento enorme de ir buscar outras canções dentro das
- 14:47canções que que que já tinham sido não escolhidas ou
- 14:52encomendando outras pessoas porque o festival IA acontecer
- 14:55de qualquer maneira. No final, acabou amaciando tudo,
- 14:58fora aquelas canções mesmo, e não teve problema.
- 15:01Mas durante um bom tempo, a censura e a polícia incomodaram
- 15:05muito. Eu que não tinha nada com isso,
- 15:06só porque eu acabei estando na, na, na lista das canções que iam
- 15:11ser tocadas. E eu caí lá por acaso porque
- 15:14tinha ganho festival de Juiz de Fora e ainda tive que ir lá Na
- 15:18Na Na rua da relação, conversar com o cara que inexplicavelmente
- 15:21tinha um dossiê meu que era a coisa mais fantástica, um
- 15:23arquivo sobre a minha vida. Que incluía tudo que eu fiz
- 15:27desde o ginásio, era fascinante. Eu pedi uma cópia, mas ele não
- 15:29me deu, é e aí o casa no campo nesse dia, no dia que eu estava
- 15:35ensaiando, era um sábado que eu IA me apresentar no festival, eu
- 15:37estava, eu terminei de ensaiar quando eu desci assim, aí Elis
- 15:41me segurou pelo braço e falou, Ah, eu quero gravar essa sua
- 15:42música, adorei coisa e tal, você tem mais, tem mais coisa, e tem.
- 15:46AI ela me deu o endereço do casa do César Mariano, que era só o
- 15:48maestro dela, ela estava namorando o Nelsinho Motta, que
- 15:51IA produzir o disco dela. E falou, leva as canções.
- 15:56Eu me lembro que eu peguei uma fita cassete e gravei um Monte
- 15:57de coisa e ela acabou ficando com casa no campo.
- 16:00E o e o olhos abertos, que é uma canção que eu fiz com Guarabira
- 16:04em casa, que é. Maravilhosa também, muito bonita
- 16:07aquele. Disco dela, de?
- 16:0872 também, né, esse disco? É um disco muito bonito?
- 16:11É. E a canção só tomou o formato
- 16:13mesmo depois que ela gravou, porque até ela gravar, isso eu
- 16:17vi acontecer com casa no campo. O bêbado é equilibrista para
- 16:20trás da porta, com uma série de canções que chegavam na mão
- 16:24dela, assim, sem forma, quase que desformes, e ela dava uma
- 16:29arrumada, perfeita, e aquilo, ela dava forma final a tudo.
- 16:33E aí daí em diante, a música era o que era e todo mundo só
- 16:36conseguia cantar daquele jeito quando o.
- 16:37Tavic esteve no nosso programa. Ele disse exatamente isso.
- 16:39Ele passou a entender casa no campo depois que eles cantou.
- 16:43Ela, ela deu o formato, a música.
- 17:06Eu quero uma casa no campo. Onde eu possa compor muitos
- 17:15rotes rurais e tenha somente a certeza dos amigos do peito e
- 17:30nada mais. Eu quero uma casa no campo.
- 17:42Onde eu possa ficar do tamanho da paz e tenha somente a certeza
- 17:56dos limites do corpo e nada mais.
- 18:05Eu quero carneiros e cabras bastando solenes no meu Jardim.
- 18:15Eu quero silêncio das línguas cansadas.
- 18:24Eu quero a Esperança de óculos e um filho de cu galegão.
- 18:34Eu quero plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal.
- 18:50Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal.
- 18:57Pau a pique, sabe? Onde eu possa plantar meus
- 19:07amigos, meus discos, meus livros.
- 19:17Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros
- 19:28e nada mais. Rua.
- 19:45Alberto de Campos, 111, apartamento um.
- 19:49Nesse lugar moravam 3 pessoas, gutember Guarabira e os 2
- 19:56jornalistas tuninho Neves. Hoje eu acho que ele está aqui
- 20:00na Bandeirantes fazendo. Direção do jornalismo esportivo,
- 20:04e José Trajano, diretor da ESPN Brasil.
- 20:08E aí, o Guarabira estava morando lá com eles, né?
- 20:10É um apartamento que tinha 3 quartos.
- 20:12E aí o Sassi separou da mulher, da Leila?
- 20:15Ficou solteiro, ela ficou com o apartamento, ele pegou as coisas
- 20:19dele, tinha um bug, ela deixou uma caminha muito Estreito com
- 20:22ele, botou assim e estava andando por Ipanema, tentando
- 20:25descobrir para onde ir. Guarabira, ouviu Na Na Na praça,
- 20:28ô, ele falou, Ah, eu não tenho onde vamos morar lá em casa,
- 20:30você fica no meu quarto, e aí botou a cama dele no quarto do
- 20:34Guarabira e o Sá foi morar lá. Como eu e o Sá estavam
- 20:36trabalhando, fazendo essa dupla, eu comecei a ir lá toda a tarde
- 20:40para a gente trabalhar. Eu e o Guarabira já éramos
- 20:43parceiros, já tínhamos algumas canções, inclusive uma canção.
- 20:46Que foi um sucesso maravilhoso na numa novela da da Globo, uma
- 20:49pessoa chamada o que que houve? O que que há?
- 20:51Que foi um hit na época. E aí a gente começou a ir lá
- 20:57ensaiar. O Guarabira sentava.
- 20:58Quando a gente viu, nós estávamos trabalhando juntos,
- 21:02fazendo juntos, compondo juntos, cantando juntos.
- 21:04E aí nós, os 3, éramos contratados da Odeon, Guarabira
- 21:08era contratado da Odeon, eu era contratado da Odeon.
- 21:10E o Sá tinha acabado de preparar um compacto duplo dele que
- 21:15estava para sair. E aí o pessoal começou aí,
- 21:19nossos amigos Júlio Hungria, que era cronista e colunista musical
- 21:24do jornal do Brasil, um dos mais importantes que tinha no Brasil
- 21:26na época, mariozinho rocha, que era nosso grande amigo e era
- 21:30nosso produtor. Não deu um produtor de cada um
- 21:32dos 3. E aí nós começamos a cantar umas
- 21:35coisas. O Guarabira lembrou que o
- 21:37Guarabira tinha pouca experiência da música urbana
- 21:40carioca, que era a experiência que eu e o Sá tínhamos.
- 21:43Mas ele tinha muita experiência da música que se tocava lá Na
- 21:47Na, nas barrancas do Rio São Francisco.
- 21:49E quando nós começamos a misturar essas coisas, a gente
- 21:52percebeu que ali tinha um veio muito grande.
- 21:54A gente se sentia muito feliz em fazer essa essa mistura.
- 21:58Apesar. Da gente saber que IA ser
- 22:00problemático, porque nessa época, no Brasil, esse tipo de
- 22:03música era considerado era lixo, Baião, forró, essas coisas.
- 22:06Isso era lixo. As pessoas consideravam pior.
- 22:09Quer dizer, havia um preconceito tão grande contra esse tipo de
- 22:12música quanto se havia contra. Quanto a hoje, contra o axé, o
- 22:15sertanejo, oOoOO, pagode. Era.
- 22:19Era um negócio assim que as pessoas consideravam, lixo é
- 22:21lixo. É, é.
- 22:23E para nós, misturar essas coisas com uma música urbana que
- 22:26a gente fazia? É, foi um risco muito grande que
- 22:29a gente correu, mas a gente tinha certeza de que aquilo
- 22:30dava, dava caldo. O Júlio Hungria tentou nos
- 22:35chamar de um Monte de coisas, disse que nós éramos caipiras,
- 22:38progressivos e depois, por causa da música casa no campo, eles
- 22:43acabaram chamando a gente de o que a gente fazia de rock rural.
- 22:47Porque aí o mariozinho um dia foi ver o ensaio nosso.
- 22:50Quer dizer, ele já tinha ido ver a gente cantar num num show que
- 22:54teve no colégio sacrocare, ali em Copacabana.
- 22:57E nós cantamos uma série de coisas, inclusive nós cantamos a
- 23:00música, que foi a música que fez a nossa, a nossa, que foi o
- 23:03cimento que nos uniu. Essa canção era um hino Batista,
- 23:07que o que Oo gutenberg cantava desde pequeno, porque ele é
- 23:11filho de pastor missionário Batista.
- 23:13E a gente cantou que foi uma coisa muito legal.
- 23:16E isso a gente chegou até a cantar no programa do Flávio
- 23:18Cavalcanti, se eu não me engano, esse esse um pouco antes do do
- 23:21do trio acontecer o desejos de sair da escuridão.
- 23:34Abre, pois, de para em paz teu coração e deixa a luz do céu
- 23:44entrar. Deixa.
- 23:48A luz do. Céu entrar, deixa a luz do céu
- 23:57entrar, abrir bem as portas do teu.
- 24:04Oração e deixa a luz do céu entra.
- 24:15Me deixa, me deixa a luz do céu entrar.
- 24:20Me deixa, deixa, me deixa a luz do céu entrar abre bem as portas
- 24:31do teu coração e deixa e deixa a luz do céu entrar, irmã e deixa
- 24:38a luz do céu. Foi ótimo.
- 24:43Isso a deve haver ainda na Odeon.
- 24:46Lá naqueles arquivos, alguém precisa mexer naqueles arquivos
- 24:48e encontrar. Tem isso, o compacto que nós
- 24:50fizemos e essa canção do outro lado, Swan River, uma versão
- 24:54também com letra, com letra de nário.
- 24:58Protestante e era. Assim da lhe da Terra estou MUI
- 25:04longe, eu estou, eu tenho de Jesus saudade.
- 25:13Quando será que vou? E na época, a gente não pode
- 25:17lançar, porque as igrejas batistas proibiram que gente
- 25:21profana. Cantar essas canções, mas.
- 25:24Apesar disso, eu deixo a luz do céu entrar.
- 25:26Vocês chegaram a cantar em colégio protestante, em colégio
- 25:29católico? Cantávamos em todo lugar, porque
- 25:31era um negócio que a gente fazia e eram.
- 25:33A plateia ficava alucinada com essa canção, era muito
- 25:35engraçado. E aí nós acabamos fazendo o
- 25:38nosso disco. O primeiro disco, que é O
- 25:40Presente passado, futuro foi um disco muito interessante,
- 25:43inclusive O Presente passado, futuro tem uma canção que é hoje
- 25:46é dia de rock e que foi feito um videoclipe.
- 25:50É, foi talvez um dos primeiros videoclipes que tenham sido
- 25:52feitos no Brasil. Odeon fez videoclipes pessoal,
- 25:55foi o Paulo Magalhães, que foi o diretor, fez com o Milton, fez
- 26:00com a gente, fez com um Monte de gente, uma série de videoclipes
- 26:03que a Odeon usou para fazer. É, é, é divulgação disso, isso
- 26:08que está perdido em algum lugar, mas existem a gente.
- 26:11Eu me lembro que a gente usava esse vídeo, a gente passava no
- 26:14show antes de começar o segundo ato do show que nós fomos fazer
- 26:17na no teatro. É opinião o trio e que foi um
- 26:23sucesso. A gente ficou 6 meses fazendo
- 26:24show lá, casa cheia. Foi muito interessante já já.
- 26:28Tinha já, já já havia material feito especificamente.
- 26:31Podia fazer coisas junto, né? Especificamente pro trio,
- 26:34praticamente tudo o que está ali já é o se, não é na tendência
- 26:38que o trio a. Acabou revelando, foi feito para
- 26:41se aproveitar desse formato de das 3 pessoas e que acabou se
- 26:45aprimorando no Terra, claro, e no Terra.
- 26:48Foi aí no Terra. A gente fez tudo especificamente
- 26:50para o Terra. O Terra tem canções que são
- 26:53feitas individualmente ou em dupla, mas nós fizemos um
- 26:56acordo, é, é é técnico para que todo mundo assinasse tudo nesse
- 27:00disco. Mas tem canções que você olha e
- 27:03ouve, olha, essa é de fulano, essa é de sicrano.
- 27:05A gente sabe claramente quem fez o quê.
- 27:08E esse foi um trabalho muito interessante.
- 27:09Quer dizer, é, é o trabalho do presente, passado, futuro.
- 27:12E a gente tem que dizer assim, AAAAA, tranquilidade, que era
- 27:16você poder gravar um disco e deixar esse disco para ser
- 27:19mixado pelo produtor, que no caso era o marizinho rocha e que
- 27:21conhecia perfeitamente bem esse trabalho e fazia isso com 11
- 27:25categoria. Impressionante é a essa
- 27:28competência. É uma coisa que a gente não,
- 27:30não, não, não pode negar. O cara era da maior competência
- 27:33para fazer esse tipo de coisa, então foi.
- 27:36Um trabalho que quando bateu nas rádios e quando aconteceu, foi
- 27:40um susto naquele Rio de Janeiro. E nós ficamos 6 meses no teatro
- 27:43para opinião. De quarta a domingo, sábado a
- 27:46gente fazia 2 sessões, casa cheia.
- 27:49Nós vivemos de fazer música em teatro, o que é uma coisa
- 27:52maravilhosa que as pessoas têm que começar de novo.
- 27:54A voltar a fazer música em teatro, fazer show com temporada
- 27:59normal. Porque?
- 28:01O teatro ainda é o melhor lugar para se ouvir música, ouvir
- 28:03música em barzinho, um garçom passando com aquele
- 28:07liquidificador no meio da moça, ih, fazendo um suco de laranja.
- 28:09Aquilo é um horror, bicho. A marca de café é um horror.
- 28:12Eu acho que a gente tem que ir para o teatro para as pessoas
- 28:14poderem sentar e desistirem de participar, ser em público, ou
- 28:19novamente sentar e ouvir o que os artistas estão fazendo.
- 28:22Porque eu acho que essa coisa de você abrir o mundo para essa
- 28:27esse conceito do karaokê coletivo.
- 28:30Acabou destroçando muito a música e dando as pessoas a
- 28:34impressão de que qualquer um pode ser artista, ao que não é
- 28:36verdade, mostra. Para nós, hoje ainda é dias de
- 28:38rock. Eu descobri, acho que foi a
- 29:30tempo. Eu tô doidinho por um pianinho.
- 29:48Mãe e pai com cachalelli amplificador.
- 29:52Vai eu poder tocar lá na cidade, mãe e pai, um rockzinho para o
- 29:57meu amor, depois for para a minha eletrobada.
- 30:07Eu descobri. E nós vamos.
- 30:44Apresentar agora, Zé? Para você e para os nossos
- 30:47ouvintes, a releitura que o tavito fez de hoje ainda é dia
- 30:51de rock, que está no seu novo disco tudo, produção
- 30:53independente agora de 2009. Portanto, tavito, hoje ainda é
- 30:57dia de rock. Pra eu poder tocar lá na cidade.
- 31:18Mãe, pai, esse meu grupo de Minas Gerais e o meu cabelo é
- 31:25pelado. Alabama, mesmo que eu toque uma
- 31:29vezinha só eu descobri. Acho que foi há tempo, mãe, que
- 31:37hoje ainda é dia de hobby, que hoje ainda é dia de rock.
- 31:44E hoje ainda é de aniva. Eu descobri olhando um milho
- 31:51verde. Mãe e pai de hoje
- 32:11ainda é de anivar. Pra eu poder tocá la na cidade
- 32:19para o meu amor, depois roubar a minha eletropandar e vai deixar
- 32:29as outras do Gogó? Eu acho que foi atento.
- 32:43E hoje ainda é dia e hoje ainda é dia de lá eu descobri Vila
- 32:51bula preta. Uma outra canção desse disco,
- 33:50primeira. Canção da estrada é tua e do
- 34:01saco. Uma carona que me leve pelo
- 34:06menos a cidade mais próxima, onde ninguém vai me olhar de
- 34:14frente quando eu tocar na velha guitarra, as canções que eu
- 34:23conheço. Tinha apenas 17 anos.
- 34:30O dia que saí de casa e não fazem mais de 4 semanas que eu
- 34:37estou na estrada, mas encontrei tantas pessoas tristes
- 34:46desaprender como conversar que parece que eu estou carregando.
- 35:04Os pecados do mundo. Aí tem uma coisa engraçada que
- 35:27aconteceu 30 anos depois. Eu tava lendo um estado de São
- 35:34Paulo e tinha uma matéria que dizia, o que tava matéria tava
- 35:37no caderno 2. Onde andam os velhos hippies
- 35:39daquele tempo? Uma coisa assim, eu quando
- 35:41peguei, vi a fotografia, tinha um cara de barba branca, cabelo
- 35:45branco grande, sem camisa. Tocando.
- 35:48Uma flauta de bambu numa estrada de São Tomé das Letras.
- 35:51Aí eu fui ler a matéria e descobri que.
- 35:53Que era esse personagem da primeira canção da estrada, 30 e
- 35:56tantos anos depois? Vivendo.
- 35:59De um jeito que parecia mais irreal ainda, porque o.
- 36:03Mundo. Tinha andado e ele não tinha
- 36:04percebido. E foi engraçado que eu peguei.
- 36:07Exatamente a matéria, as declarações dele na entrevista
- 36:10que deu. E fiz.
- 36:11A canção que se chama penúltima canção da estrada.
- 36:15Que é essa aqui? Vou pra onde?
- 36:19Qualquer carona me levar. Se eu chegar?
- 36:24Por lá já vou ficando, porque nada mais me prende a nenhum
- 36:29lugar, baba branca, roupa churrada, flauta de bambu.
- 36:38Eu vivo assim, faz mais de. 30 anos.
- 36:41Sou feliz porque não faço planos.
- 36:46A guitarra já vende faz tempo e come 2 meses com o que me
- 36:51rendeu. Mas.
- 36:53Tava nela hoje ainda é meu, porque o sonho que eu sonhava
- 36:57ainda sei sonhar. Quantos filhos eu gotei no mundo
- 37:03e o mundo se encarregou de criar?
- 37:06Cada um deles é mais velho do que eu.
- 37:09Nunca fui preocupados mais com o lucro que com o luar, dizendo
- 37:15que o mundo não precisa mais mudar ou não.
- 37:18Só eu sigo o vento pra onde o vento me soprar cada Estrela é
- 37:25uma velha amiga me fazendo companhia onde eu me deitar
- 37:33qualquer que eu chegue ao derradeiro.
- 37:37O gato mandou pra viver eternamente sem pecado soprando
- 37:42a falta de banco. Eu tenho feito no show
- 37:58exatamente como eu fiz aqui, o meu show solo.
- 38:01Eu canto e faço essa ponte, canto a primeira canção da
- 38:04estrada e canto o penúltima. E é muito interessante porque eu
- 38:08acho que as pessoas têm a mesma sensação que eu tive quando eu
- 38:10peguei e disse, meu Deus, o cara tá vivo, ele existe.
- 38:13Era um personagem que existia. Eu não imaginava.
- 38:16A gente tinha a sensação naquela época.
- 38:18Eu sai depois do Guarabira. Quando a gente começou a fazer
- 38:20essas canções para a geração da estrada, o pessoal que botou
- 38:23mochila nas costas e saiu, a gente tinha a sensação de que
- 38:26eles eram reais, que a gente os conhecia.
- 38:28A gente era um pouco assim, mas eu nunca imaginei que eles
- 38:31tivessem sido preservados na natureza em condições reais
- 38:36durante tanto tempo. E.
- 38:37Essa canção, a penúltima canção da estrada por acaso, entrou no
- 38:40repertório do trio. Não, não entrou.
- 38:42A gente tinha coisas bem melhores, com certeza.
- 38:46Nós temos canções muito, muito, muito, muito interessante para
- 38:50esse trabalho novo. Eu me lembro.
- 38:51Que você faz um tempo que você me deu uma demo do trio é é que
- 38:54tem esquecido, só que inclusive tem material que não entrou
- 38:57daquela demo. Nenhuma delas entrou.
- 38:59Pois é, esse demo foi feito uns 2 anos depois, lá para 2003 ou
- 39:032000, e foi em 2. 1003 2003. É a gente, quando se juntou e
- 39:08fez o disco de 2001, fez um disco com canções velhas e
- 39:13também com um Monte de coisa nova que a gente fez, o que foi
- 39:15a grande vantagem uhum que talvez tenha sido o único CD de
- 39:19de retorno de grupo que tenha tocado no rádio, exatamente por
- 39:22causa das canções novas. As pessoas não percebem isso.
- 39:25As pessoas quando vão tocar uma música na rádio ou querem ouvir
- 39:30uma música na rádio, elas querem ouvir a canção.
- 39:31Como a canção foi feita, como a canção está dentro delas?
- 39:34Não adianta você fazer uma versão nova se tiver que ouvir
- 39:36uma música velha numa versão nova, ela ouve a versão velha
- 39:39porque é aquela que ela gosta, é uma, é uma obra completa para
- 39:42justificar a existência de um grupo de um retorno.
- 39:45Ele tem que fazer canções novas e as pessoas raramente se
- 39:48arriscam a isso, não é? Até por causa da estrutura de
- 39:50gravadoras na época que ainda existia e não permitia.
- 39:53Nós brigamos muito para fazer isso, o que foi uma grande
- 39:56vantagem para você ver Oo outra vez na estrada continua vivo até
- 40:00hoje, praticamente 8 anos depois.
- 40:02E foi. Lançado também em Portugal, com
- 40:04sucesso. Com sucesso.
- 40:05Ele tá indo muito bem ainda vai muito bem.
- 40:08E aí agora nós resolvemos fazer esse disco novo, que tá muito
- 40:11interessante. É um disco que tem raízes muito
- 40:15claras e muito definidas no presente passado, futuro e no
- 40:20Terra. Você reconhece que ele é 11
- 40:24Salto a partir daquele trampolim desses 2 LPs da gente.
- 40:28Com coisas muito novas, muito diferentes, coisas absolutamente
- 40:32inesperadas. É é porque eu acho que só vale a
- 40:36pena você fazer música ou fazer arte hoje no mundo.
- 40:40Se você se arriscar, você tem que correr o risco.
- 40:43Se você quiser segurança, vai fazer outra coisa, vai trabalhar
- 40:46no comércio, vai vender pão de queijo, vai fazer qualquer
- 40:49coisa. Mas não faz arte porque a arte
- 40:51exige o risco. Se você não tiver disposto a se
- 40:54arriscar pulando no abismo, não vai fazer.
- 40:56Você vai fazer bobagem, você vai repetir o que os outros já
- 40:58fizeram, você vai simplesmente reiterar aquilo que já existe.
- 41:01E isso é de uma inutilidade a toda prova.
- 41:03Olha esse. Papo com o Zé Rodrigues está tão
- 41:05bom, mas tão bom, tão rico em termos de informação e de música
- 41:08que nós vamos conversar com ele por mais 2 programas.
- 41:11Portanto, na semana que vem teremos novamente Zé Rodrigues
- 41:14aqui no papo de músico. Este foi o papo de músico,
- 41:16espero que vocês tenham gostado do programa, produção,
- 41:19apresentação e edição, fórum de Tony em espessoa, captação de
- 41:22áudio ao vivo de gcebento, trabalhos técnicos e Cido
- 41:25Tavares. Boa tarde no ar pela uspfm.
- 41:27Mais um papo de músico. O programa é que todos os
- 41:29domingos, das 14 às 15:00, traz sempre gente que tenha o que
- 41:32cantar, gente que tenha o que contar, gente que tenha o que
- 41:35mostrar. O melhor da música brasileira
- 41:37através de uma conversa descontraída, bem humorada, com
- 41:40grandes nomes e novos talentos. E hoje continuaremos o nosso
- 41:43papo com o Zé Rodrigues. Ele que está contando histórias
- 41:46divertidíssimas da sua carreira, histórias curiosíssimas e
- 41:48relembrando grandes canções. Zé 1973 Terra, segundo disco do
- 41:52trio Sá, Rodrigues e Guarabira. Com várias canções que estão até
- 42:00hoje No No repertório do do de shows do trio é que a gente.
- 42:04Não consegue deixar de Cantá la as?
- 42:05Conceições de vocês, é? Exatamente porque eu acho que é
- 42:08maravilhoso quando você faz isso e a gente descobre sempre.
- 42:13No nosso caso do trigo, é é é uma coisa muito especial, porque
- 42:17a gente chega nos shows hoje em dia e percebe que são 3 gerações
- 42:22no público. Os nossos fãs originais, os
- 42:25filhos, os nossos fãs originais e os netos, os nossos fãs
- 42:28originais, que já estão indo levar um LP com 2 autógrafos,
- 42:33vão pegar o terceiro. Então, 3 gerações, você
- 42:37conseguir tocar e falar com 3 gerações é uma sensação muito
- 42:40interessante, porque eu acho que isso nasce exatamente de quando
- 42:46você fala honestamente, pratica honestamente a tua arte.
- 42:51Uma coisa que a gente sempre fez, nós sempre fizemos.
- 42:53É, é, é mesmo. Depois, quando a gente se
- 42:56separou, e aí os OOO sie Gucci fizeram a dupla e eles também
- 43:00continuaram perseguindo. A gente sempre perseguiu essa
- 43:02coisa e diz assim, faça a arte e a música que você acha que deve
- 43:07fazer. Os conceitos comerciais, os
- 43:09conceitos é, é mercadológicos, não são problema do artista, não
- 43:14são verdadeiramente, por mais que a indústria tenha tentado
- 43:17nesses anos todos nos vender. É um padrão de comportamento de
- 43:22sucesso como sendo a exigência essencial da arte.
- 43:25Ela não é isso, é uma mentira. E é exatamente por causa dessa
- 43:30exigência, desse padrão, que a situação da música no mundo
- 43:33chegou a esse ponto ridículo em que está, onde a música não tem
- 43:37mais a menor importância e não vale mais nada para ninguém.
- 43:40O Zé antes. Da gente entrar especificamente
- 43:42no caso do do Terra. Eu me lembro que você uma vez
- 43:46disse uma coisa bastante curiosa, que você e o Sá no
- 43:49começo do trio, vocês enfiaram muito o crossme strils and na
- 43:53cabeça do Gucci, como é que foi? Isso?
- 43:54É a gente. Fazia houve aqui porque ele não
- 43:56conhecia. E a gente mostrou ele também.
- 43:58Friou na cabeça da gente uma série de coisas, como eu te
- 44:00falei que a gente não conhecia e que são coisas fascinantes.
- 44:04Porque uma das coisas que mais chamou a atenção da gente, a mim
- 44:07sempre me chamou, que é uma imagem rigorosamente marcante, é
- 44:12chegar na beira do Rio São Francisco.
- 44:14E de repente, olhar para o gaiola e descobrir que você está
- 44:17na beira do Mississipi, olhando para um para um navio do
- 44:20Mississipi, porque são os mesmos navios, os mesmos, as mesmas
- 44:23embarcações fazem os 2 rios e a e a ligação musical que essas
- 44:29regiões têm, eu não sei porquê, mas é muito parecido.
- 44:34É tudo muito igual aquele rock que se faz no sul dos Estados
- 44:38Unidos, nas beiras do Mississipi ou nas beiras do do centro Luis.
- 44:42É, é, é. É muito parecido com toda essa
- 44:46música que se faz nessas barrancas todas do São
- 44:49Francisco, essa região. E a região é muito parecida.
- 44:53E é. Então quando a gente começou a
- 44:55ouvir as coisas e começou a perceber que havia soluções
- 44:58musicais, que havia projetos de criatividade muito parecidos nas
- 45:022 regiões, a gente se sentiu muito à vontade para fazer essa
- 45:06troca, trocar, né? Misturar o rock com o Baião e
- 45:09com o xote. EEEE aquela coisa daquela aquela
- 45:13música a 3 que se faz em Minas, né?
- 45:16Que depois o pessoal do, do do Beto Guedes e lobote fizeram
- 45:19muito. Eu acho que nós tivemos uma
- 45:22grande vantagem. Talvez nós tenhamos sido os
- 45:23primeiros a ter coragem de misturar essa coisa, de pegar o
- 45:27que era lixo, EEEE transformar em alguma coisa válida, porque
- 45:31com isso nós certamente abrimos uma porta muito grande para um
- 45:34Monte de gente. O pessoal do Ceará veio Na Na
- 45:37cola, o pessoal de Minas veio muita gente na cola.
- 45:40É, eu acho que isso é um negócio muito legal, você poder
- 45:44perceber, dizer assim, Ah, tem uma possibilidade.
- 45:47E foi, por exemplo, o cara que a gente admira e tem paixão.
- 45:50Eu adoro ele desde o tempo, inclusive que era jogador de
- 45:52futebol, que é o Zé Geraldo. Zé Geraldo é um camarada que
- 45:56leva até mais radicalmente do que a gente.
- 45:59A proposta de de de rock rural adiante há muitos anos e tem a
- 46:03sua vida e sua carreira. Então tem gente desse tipo que
- 46:06eu tenho grande admiração, Zé Geraldo, Paulinho Pedra Azul,
- 46:09que é um camarada de de TCP 2, não conhece, vive há 30 anos de
- 46:13música, vende disco que nem um louco e é um compositor
- 46:16fabuloso, compositor fabuloso, gente muito boa e que você vai
- 46:20percebendo. E aí você percebe isso nas
- 46:22viagens que o Brasil é muitos brasis e que você precisa
- 46:26entender exatamente essa diversidade.
- 46:29É, é para mim, por exemplo, quando eu fui a primeira vez a
- 46:33Belém. E eu vi o 2 fenômenos, o
- 46:35fenômeno da Banda Calypso e o fenômeno do tecnobrega.
- 46:39Eu fiquei fascinado. Para mim, foi tão violentamente
- 46:43fascinante quanto a primeira vez que eu pisei em Salvador e de
- 46:47longe eu ouvi o Olodum tocando que eu não imaginava que aquilo
- 46:50existia. Eu caí num buraco, eu fui
- 46:51correndo em direção, só caí num buraco.
- 46:53É porque eu acho que a gente precisa entender que o Brasil é
- 46:56muitos Brasil. O Brasil tem, como dizia Rogério
- 46:59Duprat. O Brasil tem milhões de formas
- 47:02de fazer música e eu prefiro todas, porque é a única maneira
- 47:05de você viver essa coisa, de você começar a fazer
- 47:08reducionismo. Não só isso é bom, isso é ruim.
- 47:10Não é ficar, por exemplo, fazendo essa tentativa de dizer
- 47:12que a música brasileira é o samba, a música brasileira é o
- 47:15samba, onde é o samba onde não é, não é?
- 47:17E aquele negócio de dizer não, mas o verdadeiro samba é a bossa
- 47:20nova. Nos Estados Unidos é provável,
- 47:21no Japão também, mas aqui não. Eu acho que todos esses
- 47:24reducionismos que são, na verdade, tentativas de preservar
- 47:27territórios de poder prejudicam muito a evolução da música
- 47:31brasileira, prejudicam muito o nosso trabalho.
- 47:33A gente não tem Liberdade para poder botar para frente aquilo
- 47:36que quer fazer. Você fica sendo limitado, olha,
- 47:38tem que fazer isso, não pode fazer isso.
- 47:40Eu vejo muito filho de amigo passando por isso, né?
- 47:42Os pais criam eles dentro de limitações tão terríveis,
- 47:46proibindo de ouvir certas coisas às vezes.
- 47:49Só exigindo que ouçam outro ou que só façam aquilo que você
- 47:52chega e começa a achar pessoas que são artistas de menor porte
- 47:55do que poderiam ser, porque eles estão num universo limitado,
- 47:58foram impedidos de se desenvolver.
- 48:00E eu acho que isso acontece com a música no Brasil também.
- 48:02E entra naquele conceito que você combate há muitos anos.
- 48:06Aliás, sempre combateu, que é aquela história do gosto de
- 48:08criança. Alugados exatamente.
- 48:10Quer dizer, a gente passa o tempo todo.
- 48:13No Brasil, tendo o nosso gosto e nossa crença alugado.
- 48:16Quer dizer, alguém diz, diz, diz e você devem dizer, quer saber?
- 48:19É o que o cara está dizendo. E você começa a defender aquilo
- 48:21sem nenhuma solidez, sem que aquilo tenha nenhuma verdade
- 48:24dentro de você. É, então, a.
- 48:25História do imprima você é a lenda, né?
- 48:26Exatamente. Você tem uma lenda e uma
- 48:28verdade. Imprime a lenda, porque a lenda
- 48:30é mais interessante. Então aquele negócio, por
- 48:32exemplo, eu tenho visto nesse ano de 2008, a gente viu muito
- 48:35isso. É a.
- 48:37Aquelas mesmas pessoas, os mesmos perpetuadores de dogmas e
- 48:41indo para a televisão, darem a mesma entrevista, querendo
- 48:43convencer o público de que a bossa nova foi ela desceu dos
- 48:47céus, entendeu? Deus concedeu a humanidade e a
- 48:50bossa nova como uma benesse e que aquilo ali é a coisa mais
- 48:54importante do universo, não é? Foi importante naquele momento.
- 48:57É importante como um estilo de você fazer música ainda
- 49:01preservado lá No No nos Estados Unidos, onde aquilo é chamado de
- 49:05Brazilian jazz, uhum, aquilo é. Let's her some Brazilian jazz,
- 49:10você vai lá é para ouvir bossa nova?
- 49:11Agora é uma coisa tão absurda que justamente esses
- 49:15perpetuadores desses dogmas tem a seguinte mania, né?
- 49:18São radicais. A bossa nova nasceu com João
- 49:22Gilberto. Aí você vai dizer para alguém
- 49:24que em 1952? Johnny Alves escreveu uma canção
- 49:28chamada rapaz de bem você. Vai ver antes, na década 4647,
- 49:33OOOO Radamés e o grupo dele já fazendo coisas naquele sentido
- 49:38por causa das harmonias. Você vai descobrir que aquela
- 49:40batida do João Gilberto, o João Donato, já tinha, já fazia no
- 49:43acordeon muitos anos antes. Exatamente.
- 49:45Entende? Então o seguinte, você quer
- 49:47definir as coisas? Eu.
- 49:49Pra mim, tenho uma grande, a maior de todas as crueldades do
- 49:53negócio, dos perpetuadores de dogmas na bossa nova é não
- 49:56reconhecerem a importância de um cara chamado Ed Lincoln na
- 50:01estruturação daquele tipo de música.
- 50:03Então ele é um camarada. Eu tenho a obra completa dele,
- 50:05que você vai ouvir, diz assim, mas ele já fazia a bossa nova há
- 50:07muitos anos antes. Com grande qualidade.
- 50:10Ele só não foi reconhecido porque ele era um cara da
- 50:12Tijuca, do subúrbio. Ele não era da zona sul, você
- 50:15está entendendo? Tem todo 111 arcabouço de
- 50:19preconceito nessa história aí, que eu acho muito perigosa.
- 50:22E acho que arte e preconceito são 2 coisas que não se casam.
- 50:25Inclusive o Ed Lincoln é um cara tão importante que ele,
- 50:29praticamente sozinho, manteve uma das gravadoras mais sólidas
- 50:32do final dos anos 50. Começo dos anos 60, que era
- 50:34musedisc musedisc, exatamente. Não ele e depois dele era o
- 50:37orlandivo, o Orlando. E o Silvio César?
- 50:40Começou ele, Nilo Sérgio. Depois ele ficou sozinho, depois
- 50:43o Orlando Ivo, Silvio César. Foi maravilhoso.
- 50:45Que Oo Nilo. Sérgio já tinha vindo de uma
- 50:46outra experiência bem sucedida, que era toda América.
- 50:48Exatamente. Quer dizer, eram.
- 50:50Gravadoras que se sustentavam com grandes volumes de vendas e
- 50:53os músicos eram discriminados da mesma forma, é exato.
- 50:55É exato, mas talvez exatamente por causa disso.
- 50:59Eu tenho muita pena porque a arte no Brasil, e não é só na
- 51:01música. A arte no Brasil é sempre feita
- 51:03a partir dos preconceitos, sempre estabelecida a partir dos
- 51:06preconceitos. E os preconceitos são sempre
- 51:09insustentáveis, mas eles satisfazem de tal maneira a alma
- 51:13do brasileiro que se tornam verdades absolutas, né?
- 51:16É aquele negócio. AAO tom dizia isso, o sucesso
- 51:21dos outros é uma ofensa pessoal, se se o brasileiro se sente
- 51:25ofendido com sucesso alheio. Enfim, que a gente.
- 51:27Pode fazer, Zé. Os arranjos vocais do trio eles
- 51:31eram de certa forma ou ainda são.
- 51:33Tem muito de intuitivo, né? Não eles?
- 51:35São puramente intuitivos. A gente raramente, raramente diz
- 51:40assim, ó, você faz essa voz, você faz essa.
- 51:41Não é assim. A gente mais ou menos é, vamos
- 51:43cantar, vamos cantar, a gente começa a cantar e aquilo vai se
- 51:46estruturando da mesma maneira que a gente trabalhava no som
- 51:49imaginário. A gente trabalha no trio, a
- 51:50gente vai fazendo. Eu, de certa maneira, até por
- 51:54ter uma lida de música por escrever coisa e tal, acabo
- 51:57anotando essas coisas, escrevendo, servindo um pouco de
- 52:02é, é intermediário dessa criatividade do trio para com os
- 52:06outros músicos. Aí eu vou, faço o arranjo,
- 52:08anoto, escrevo as cifras, tenho feito eu nesse disco que a gente
- 52:12fez agora, eu não queria fazer nenhum arranjo, eu queria, mas
- 52:15acabei tendo que fazer vários, porque aquelas coisas que você
- 52:18conhece tão bem que eles acabam saindo.
- 52:21E é um disco que tem coisas muito interessantes.
- 52:22Além disso, nós temos arranjos do Paulinho, 2 arranjos do
- 52:25Paulinho Calazans e 2 arranjos do eduardinho Souto neto.
- 52:29Em cima das coisas que a gente estruturou de base, eles fizeram
- 52:33as coisas cordas, EEE. Olha, ficou muito interessante.
- 52:37É um disco que tem grande criatividade e muitas novidades.
- 52:40Eu quero, inclusive ver se o mais rápido possível, havendo a
- 52:45possibilidade. Eu quero colocar na sua mão para
- 52:48que você possa mostrar para as pessoas coisas maravilhosas que
- 52:51tem. Aliás, eu quero dar um
- 52:53testemunho aqui de uma coisa que eu presenciei.
- 52:54Uma vez, em 2002, eu produzi um show de 2 cantoras cariocas,
- 53:00amigas nossas, Mariana, belê, porrais, cacalla Carvalho aqui
- 53:02em São Paulo. E esse show tinha participação
- 53:04do Zé muito bem. E o Zé IA cantar porque a
- 53:08cacalla tinha gravado. Hoje ainda é dia de rock e no
- 53:11fim resolveram fazer mestre Jonas.
- 53:14O Zé pegou. Uma partitura em 5 minutos se
- 53:17escreveu a mão, a partitura inteira para a banda tirar na
- 53:21hora, e ficou um espetáculo em 5 minutos contados no relógio, no
- 53:23teatro clone Plaza. Então você foi muito engraçado
- 53:26que por causa dessa partitura, o meu arranjo, o pessoal, o
- 53:30arranjo do meu show solo, seja o meu show solo com com um grupo
- 53:34pequeno, seja com a big Band de Santos.
- 53:37É baseado exatamente nesse arranjo, nesse arranjo.
- 53:40E a gente? Cantou lá.
- 53:41Eu falei, Ah, aqui tem uma boa solução para O Mestre de Jonas,
- 53:43porque ele pegou muito legal. Ele pegou o arranjo, o pessoal
- 53:46tirou o xerox, tocou na hora, depois ele pegou e guardou o
- 53:48arranjo. Levou e transformou.
- 53:50É, foi muito legal. A baleia mora?
- 54:11Desde que completou a maioridade, a baleia, sua casa,
- 54:20sua cidade e ele diz que se chama.
- 54:34Esquece no papel que vai manter o preso na baleia até o fim da
- 54:40vida. Até o fim da vida, quando tempo
- 54:53é barra tempestade ficar de fora.
- 54:57A baleia é mais segura que o grande navio e ele diz que se
- 55:01chama Jonas. Diz que é um Santo homem.
- 56:47Baleia é mais segura que um grande navio?
- 56:51E ele diz que se chama Jonas e diz que é um certo pônei.
- 56:56Diz que mora dentro da baleia própria.
- 56:59E ele diz que está comprometido. Esquece novo papel.
- 57:04Vai manter o preso na baleia até o fim da vida?
- 57:07Até o fim da vida. Esse disco, inclusive o Terra,
- 57:42ele tem uma coisa que eu acho muito legal que você teve um
- 57:45privilégio de ver uma canção tua gravada.
- 57:49Praticamente. Na mesma época, por um ícone da
- 57:51música brasileira, um mito que é a seli Campelo, Ah.
- 57:54Com certeza ela gravou uma canção nossa que é o anos 60,
- 57:59exatamente. Fez um sucesso, trabalhamos.
- 58:00Muito com com a seli. Nessa época a gente ficou muito
- 58:03amigo dela. Nós, inclusive no festival de
- 58:0572, nós levamos a seli, o festival de Juiz de Fora.
- 58:10Nós levamos a seli Campelo ao festival de Juiz de Fora e ela
- 58:13fez um show da final. Um show da final em que.
- 58:17Todo mundo que estava lá, todo mundo participou, subiu no
- 58:20palco, montou uma big Band para tocar com a Celi capelo, que foi
- 58:24um sonho, né? 20 guitarristas, 4 baixista, 5
- 58:29tecladistas aí daqueles negócios assim gigantesco.
- 58:31E daí nasceu esse disco da Selic.
- 58:33É o disco que ela gravou anos 60, né?
- 58:36É uma pessoa maravilhosa, uma pessoa genial de.
- 58:39Uma. Simplicidade, sim, uma pessoa.
- 58:41Legal ela e o Tony, que são pessoas.
- 58:44Fenomenais o Tony foi um cara muito engraçado.
- 58:46Depois eu falei Pra Ele, eu conheci o Tony quando eu ainda
- 58:49não era músico. Em 61, a primeira vez que eu vim
- 58:51a São Paulo, eu vim pra um campeonato de judô.
- 58:54E aí eu fui pra casa do meu primo ali na Cantareira, na rua
- 58:59Cantareira, rua Pedro Alves Cabral, transversal da rua
- 59:01Cantareira. E quando eu cheguei lá é que eu
- 59:03descobri que esse meu primo era o Jurandir, baterista de uma
- 59:07banda chamada jetblex, que era um conjunto de sucesso, um
- 59:10ventures que tinha na época. Eu fiquei Encantado com aquilo.
- 59:12E eu estava lá meio aquele negócio, ouvindo ele contar as
- 59:16histórias. De repente, alguém tocou
- 59:17campainha e subiu as escadas. Era o Toni Campelo.
- 59:19Eu vi o Toni Campelo assim, na de cara assim primeiro.
- 59:23Chegou o topete, né? Chegou aquele.
- 59:25Topetão que era o ZAP de bota. Quer dizer, foi no sábado e eu
- 59:28fui ver uma gravação da Ceni Campelo, que foi ele foi acertar
- 59:32Ceni Campelo. Jet blex bolão de de de de
- 59:35saxofone. Titulares do ritmo fazendo coro.
- 59:38Produção do Toni Campelo na RGE, naquele antigo estúdio que é o
- 59:42estúdio do escateno, onde mais tarde o momento 4 gravou o seu
- 59:45disco para mim poder ver isso. Inclusive, eu lembro de um fato
- 59:48engraçado, o som da caixa não tava bom, precisa abafar,
- 59:50precisa abafar essa caixa. E o Jurandir pegou, botou a
- 59:52gravata Na Na caixa e tocou o som.
- 59:56Quando ele botou a gravata, ficou o som perfeito.
- 59:58Essas coisas que você diz assim nunca vão sair da cabeça.
- 1:00:01Coisas que nunca vão sair da cabeça.
- 1:00:03Assim. Como nunca saiu da minha cabeça,
- 1:00:04particularmente um show do trio Sá Rodrigues e Guarabira No No
- 1:00:07teatro do Mackenzie 1973. Isso esse show foi o penúltimo
- 1:00:11show. Foi nós fizemos 22 ou 3 dias
- 1:00:13depois nós fizemos no Tuca. Que foi o nosso último show
- 1:00:18juntos, inclusive, onde a gente avisou que o trio tinha
- 1:00:20terminado e foi um show delicioso de fazer.
- 1:00:23Éramos nós. Nós 3, Magrão, que era nosso
- 1:00:26contrabaixista, Luiz Moreno, que era nosso baterista, e um naipe
- 1:00:30de metais chamado naipe Manga rosa, onde tinha os músicos mais
- 1:00:35de paiolletti, felpudo, Irã, aqueles grandes amigos com quem
- 1:00:39depois eu trabalhei muito aqui, e que vocês.
- 1:00:42Reavivaram em 2001 é quando? Nós fizemos o último tem mais ou
- 1:00:47menos o mesmo sabor, né? Se ver que a gente tem mais
- 1:00:51gente ali, foi uma banda razoavelmente grande, inclusive
- 1:00:54tem 2 caras de cordas que foi delicioso fazer recriar esse
- 1:00:58esse esse universo da gente. Quando a gente fez o outra vez
- 1:01:02na estrada ao vivo, para nós foi muito importante, porque a gente
- 1:01:07precisava recuperar essa Mística do trio para nós mesmos.
- 1:01:11A gente passou algum tempo trabalhando, recuperando a
- 1:01:13mítica do trio. Para nós e para mim foi um
- 1:01:16negócio muito importante. Eu passei 20 e tantos anos
- 1:01:18trabalhando em publicidade. É é trabalhando basicamente com
- 1:01:22computador, mexendo com com mais, com tecnologia, qualquer
- 1:01:26outra coisa. Então, para mim foi um enorme
- 1:01:28prazer poder sentar, botar uma folha de música na frente e
- 1:01:31voltar a escrever arranjos com com com papel e lápis, entendeu?
- 1:01:35Eu deveria estar fazendo com papel e caneta, mas eu não sou
- 1:01:37tão competente assim. Então eu faço com lápis.
- 1:01:39Se eu errar, eu apago. E isso verdadeiramente traz toda
- 1:01:44uma nova concepção, todo um novo jeito de você pensar a canção,
- 1:01:47pensar a música, que eu acho que é o que a gente precisa fazer de
- 1:01:50novo, repensar a música a partir da da recuperação da canção, que
- 1:01:56é talvez a coisa mais importante que a gente tem e que foi
- 1:01:59perdida a canção como como objeto, como objeto artístico.
- 1:02:04Oo Stephen sonyheiner diz que a canção popular é a forma de
- 1:02:08artística mais perfeita que o século 20.
- 1:02:11Gerou, não tem nada mais perfeito que a canção popular em
- 1:02:14matéria de formato artístico. Eu concordo com ele e eu acho
- 1:02:16que a gente, na década de 80 em diante, a gente começou a jogar
- 1:02:20a canção fora para começar a servir a parâmetros comerciais
- 1:02:24da indústria. E a gente jogou a canção fora.
- 1:02:26E a gente precisa recuperá la novamente, porque a canção
- 1:02:29verdadeiramente é o que interessa às pessoas.
- 1:02:32Nós vamos. Para um rápido intervalo já já
- 1:02:34voltamos com mais Zé Rodrigues no papo de músico de volta pela
- 1:02:37USPFMO papo de músico recebendo hoje, mais uma vez, Zé
- 1:02:40Rodrigues. No show e No No CDE, no DVD,
- 1:02:44outra vez na estrada, você fez uma junção de anos 60 com blue
- 1:02:47Riviera. É que, inclusive sintetiza a
- 1:02:50amarra, digamos assim, o conceito do disco Terra.
- 1:03:04Faz muito tempo que eu não vinha no clube, mas as pessoas
- 1:03:07permanecem as mesmas. Parecem personagens de saída de
- 1:03:11uma balada de 1000 seda no começo dos anos 60, no começo
- 1:03:18dos anos 60, no começo dos anos 60.
- 1:03:25Só falta agora. A gente já era uma barra no
- 1:04:04tempo do rock no blog Viera a gente já era o rock do blog
- 1:04:14Viera você com. Seu rabinho de cavalo.
- 1:04:22Me contando o que a sua mãe? Não lhe deixava sair na garupa
- 1:04:29da lambreta pra dançar no blue Viera a gente sacudia ossos o
- 1:04:42tempo do rock no blue Viera a. Gente.
- 1:04:47Sacudia no rock do blue Viera. Com toda essa moçada da pesada,
- 1:05:01que hoje tem 70 anos ou mais e já não deixa cair, como no tempo
- 1:05:08da lambreta sem saia? Nos meus olhos e ouvidos da
- 1:05:27sala, enfumaçada por onde foram meus amigos queridos, eu digo, o
- 1:05:37pão, a carne, o sangue e o Pinho.
- 1:05:51O fim do trio?
- 1:06:11E eu lembro que no documentário que acompanha ODVD outra vez na
- 1:06:15estrada, você disse que houve uma série de pensamentos
- 1:06:18errados. Você disse textualmente, eu tava
- 1:06:20pensando errado. É eu, eu, Eu Acredito que eu
- 1:06:24tava pensando errado, porque eu. Depois.
- 1:06:27Eu soube. Eu percebi que eu poderia.
- 1:06:29Tudo o que eu queria fazer. Eu poderia ter feito junto com o
- 1:06:31trio de uma outra maneira, mas acabaria fazendo.
- 1:06:34Mas eu efetivamente precisava passar pela experiência do
- 1:06:37trabalho solo. Da.
- 1:06:40Tentativa do trabalho solo, da empenho do trabalho solo, do
- 1:06:43sucesso do trabalho solo, e. Do fracasso do.
- 1:06:46Trabalho solo é uma coisa que eu precisava passar.
- 1:06:49É, e eu tenho sorte, inclusive, que esse fracasso foi.
- 1:06:52Eu percebi ele antes que ele acontecesse e tirei meu time
- 1:06:57antes que ele acontecesse para não ter que fracassar.
- 1:06:59Fragorosamente, né? Eu sempre digo assim, antes que
- 1:07:02me puxasse o tapete, eu fui lá de noite e esfreguei as
- 1:07:04sachinha, enrolei o tapete e botei debaixo do braço, fui
- 1:07:06embora. Mas o trabalho solo foi um
- 1:07:09trabalho muito importante que eu tive que fazer.
- 1:07:11É, e eu tinha que fazê lo, né? Eu tinha uma série de de de
- 1:07:16questionamentos e necessidades artísticas minhas pessoais, que
- 1:07:19eu precisava colocar para fora. É.
- 1:07:21E naquele momento eu achei que a melhor forma era essa.
- 1:07:24A grande vantagem é que nós nunca perdemos o contato.
- 1:07:27Nós nunca perdemos o contato. Eu estive junto com eles no show
- 1:07:30de 10 anos, no tri, eu tive no de 15, no de 20, no disco de 20,
- 1:07:34no disco de 25 e depois quando deu 20 e tantos anos, 28 anos,
- 1:07:38se eu não me engano, a gente é é acabou fazendo essa volta que
- 1:07:42foi maravilhosa e que. Nasceu no aniversário do Ricardo
- 1:07:45vilas. Exatamente.
- 1:07:47Que propiciou a apresentação de vocês no Rock In Rio 3?
- 1:07:49Exatamente. Nós tínhamos o Ricardo vilas,
- 1:07:52veio fazer o show dele aqui no dia do aniversário e nesse dia
- 1:07:55tinham feito o convite para a gente, é o que vocês querem?
- 1:07:59Colocaram no Rock In Rio, nós dissemos sim e naquele dia nós
- 1:08:02fomos lá, porque nós tínhamos nos juntado para cantar uma
- 1:08:04canção no disco dele. Aí nós fomos cantar junto com
- 1:08:06ele e aproveitamos avisamos a todo mundo no antigo blen, blen
- 1:08:10o Zé, como é que a publicidade entrou na tua vida?
- 1:08:13A publicidade entrou na minha vida, ela já vinha, eu, eu
- 1:08:16sempre mexi com publicidade, mesmo no Rio de Janeiro eu mexi
- 1:08:19com publicidade, é o momento 4 fez muita publicidade.
- 1:08:23Eu esporadicamente fazer publicidade.
- 1:08:25Quando nós nos mudamos para São Paulo, o trio mudou para São
- 1:08:27Paulo. Nós viemos fazer publicidade no
- 1:08:30estúdio do Rogério Duprat. Acho que nós somos os primeiros
- 1:08:32caras ativos no mercado de música que vieram também fazer
- 1:08:37publicidade, até para mudar o Panorama, né?
- 1:08:40O Rogério, que é um cara muito importante na nossa vida, buscou
- 1:08:43a gente para fazer isso. É, depois eu fiquei fazendo
- 1:08:48publicidade. Quando o trio terminou, eu
- 1:08:49continuei em São Paulo ainda um tempo fazendo publicidade junto
- 1:08:52com o tavito na prova uhum. Depois eu voltei para o Rio, fiz
- 1:08:56publicidade mais algumas vezes. Esporadicamente trabalhei na
- 1:08:59Tape spot do Jorginho abicalio, que é um dos estúdios mais
- 1:09:01antigos do Brasil. Ainda existe.
- 1:09:03O Jorge não tá mais lá, mas fiz coisas muito.
- 1:09:05Era eles, Zezé Gonzaga e o maestro Cipó, que eram os donos.
- 1:09:09E. Depois, quando eu conheci o Tico
- 1:09:11tertins aqui em São Paulo. Em 78 a gente começou AA se
- 1:09:17aventurar, ficou amigo, começou a fazer coisas juntos.
- 1:09:20O Tico tinha terminado, tinha acabado com OOOO, joelho de
- 1:09:24porco, tava sem ter o que fazer. Eu também já tava achando que
- 1:09:27que a minha carreira dava, já tinha dado para o meu gosto, já
- 1:09:31tinha dado. Tava começando a ficar
- 1:09:32complicado porque. Aqueles pilantra, que naquela
- 1:09:36época eram todos amadores, estavam começando a se
- 1:09:39profissionalizar. E é difícil você lidar com
- 1:09:42pilantra profissional. Eu já estava de saco meio cheio,
- 1:09:44estava vendo a situação ficar embaraçosa.
- 1:09:47Nós começamos a trabalhar, eu comecei a cada vez mais vim a
- 1:09:50São Paulo e a gente começou a tentar criar uma produtora de
- 1:09:53publicidade que virou áudio patrulha, que depois se
- 1:09:56transformou na voz do Brasil, preservando aquela aquele
- 1:10:00potencial criativo. Que a gente.
- 1:10:02Tinha que o joelho representava muito bem.
- 1:10:04Quando a gente fez um disco em 81, foi maravilhoso nesse
- 1:10:07sentido que foi o disco saqueando a cidade, que para nós
- 1:10:11nos garantiu pelo menos 10 anos de publicidade por causa daquele
- 1:10:14disco. É.
- 1:10:16E a gente lidou com isso quando chegou em 82, exatamente no dia
- 1:10:19em que a Elis morreu. 19 de janeiro foi o dia que eu
- 1:10:23cancelei a minha, a minha carreira artística.
- 1:10:25Cancelei em definitivo, disse. Não quero mais, acabou.
- 1:10:28Não tenho mais paciência. Desmarquei eu tinha show marcado
- 1:10:32o disco para fazer aquelas coisas.
- 1:10:33Eu falei assim, acabou, não tem mais.
- 1:10:35Acabou, Zé Rodrigues, acabou é nessa época.
- 1:10:38Você estava contratado da RCA, Vitor, né, é?
- 1:10:40Que foi um da boa parte. Foi um equívoco ter ido para lá.
- 1:10:44Mas é que eu tinha brigado na Odeon e era muito difícil
- 1:10:47permanecer lá dentro. Estava muito complicado você.
- 1:10:50Criou um dos mais belos jingles da história da propaganda
- 1:10:54brasileira e que é considerado por por muita gente a tua obra
- 1:10:58prima. Ah, sim, não.
- 1:10:59O campo das é 88, ele foi criado em 87 e para servir a linha
- 1:11:04888888 do do, do, do, do Chevrolet, né?
- 1:11:08Que é o. É no.
- 1:11:17Silêncio de um Chevrolet que o meu coração bate mais alto
- 1:11:29enquanto o mundo perde a forma. Eu me encontro em mim e é aqui
- 1:11:39que eu. Sempre vou seguir, meu coração
- 1:11:51bate mais alto dentro de um livro.
- 1:12:03Bate mais alto dentro de um cheiro.
- 1:12:16De e esse jingle tem uma história curiosa da troca da
- 1:12:20letra na última hora. É do do alto pelo forte, aquela
- 1:12:24época do forte pelo alto, eles tinham feito a campanha OOOO.
- 1:12:28O slogan era meu coração bate mais forte dentro de um
- 1:12:31Chevrolet, eles tinham esquecido que forte é Ford, falava forte,
- 1:12:35sempre esteve ligada com a Ford e nós mudamos na hora o Tico, eu
- 1:12:38estava com o Tico, falou forte, não pode, não pode, e aí falou,
- 1:12:41bota alto, e aí eu botei alto, mas isso foi um dia que foi
- 1:12:44feito. Eles me pediram às 11:30 da
- 1:12:46manhã, às 2:30 da tarde eu entreguei, nossa, foi assim, e o
- 1:12:49que eu fiz nesse espaço de tempo foi exatamente o que foi para o
- 1:12:52ar e foi muito interessante fazer e foi, garante.
- 1:12:56Até hoje onde eu chego. Eu, no ano passado, eu fiz o
- 1:13:00lançamento do prisma, um espetáculo fechado.
- 1:13:03Eu escrevi um musical, os moldes da Broadway, para lançar o
- 1:13:07automóvel prisma teve 2 récitas, uma para jornalistas
- 1:13:11especializados e uma para os revendedores Chevrolet, em que
- 1:13:15eu compus um musical inteiro. A história de um camarada que
- 1:13:18acaba chegando depois de Viver A Vida inteira.
- 1:13:20Ele acaba chegando no carro que ele sempre quis.
- 1:13:23E uma das coisas que eles me exigiram é que na hora que o
- 1:13:25Carmo entrasse e eu usasse essa música.
- 1:13:27Olha só, e foi maravilha você descobrir que dentro da própria
- 1:13:30GM existe ainda Mística desse desse jingle que é para mim é
- 1:13:33muito satisfatório. Você tem ideia de.
- 1:13:35Quantos jingles você já criou até hoje?
- 1:13:37AI, Toninho. Olha, é muito difícil calcular
- 1:13:40na fase mais ativa no Na Na voz do Brasil, a gente fazia uma
- 1:13:46média de 2 a 3 jingles por dia. Nós começamos a fase mais ativa,
- 1:13:50durou, digamos, de 80 até 98. Então a gente trabalhando 5 dias
- 1:13:56por semana, bota aí uns de 12 a 15.
- 1:13:58Jingles por semana é muita coisa.
- 1:14:01Jingles, trilhas, tudo isso. Fizemos coisas maravilhosas,
- 1:14:04coisas que estão aí até hoje que são para mim, 11 Glória, uma
- 1:14:09Vitória, você saber coisas assim como.
- 1:14:13Por exemplo, assim. Essa aqui é sua.
- 1:14:19Vida faz a nossa vida, pernambucanas.
- 1:14:24Isso é maravilhoso poder dizer assim, eu fui eu que fiz, né?
- 1:14:28E é genial. Você quer ver, por exemplo, uma
- 1:14:30que é toca toda semana? Quem disse que não dá, não?
- 1:14:45Precisa documento? Não precisa confusão.
- 1:14:48Rapidinho, rapidinho. O dinheiro tá na mão.
- 1:14:51Eu não desse meu show que eu faço com a orquestra da
- 1:14:59associação dos artistas de Santos, que é um show delicioso.
- 1:15:03Tem 1 hora que eles fazem um POT pourri de todos os meus jingos e
- 1:15:08eu entro no final para cantar o jingle da Chevrolet, porque ele
- 1:15:11é todo um tempo, né? Uma banda.
- 1:15:12Eles tocando uma leitura jazzística de jingle e as
- 1:15:15pessoas começam a ficar tão movidas quando elas começam a
- 1:15:17reconhecer aquelas canções. E eu digo para elas são as
- 1:15:19minhas canções de maior sucesso. São verdadeiramente as que mais
- 1:15:23tocaram, as que mais as pessoas ouviram, as que mais elas
- 1:15:25conhecem. São essas que permaneceram
- 1:15:27durante mais tempo. Mas tem 11 jingle que não é seu,
- 1:15:31mas tem uma ligação com você, que é o jingle do tavito de
- 1:15:35cremogema, cuja voz infantil é a.
- 1:15:38Maria, minha filha mais velha, que aliás, eu.
- 1:15:41Eu tenho a sorte de ter 2 filhas, que são rigorosamente
- 1:15:46muito competentes na música. Uma delas é a mais velha, que é
- 1:15:48a Maria bravo, que é atriz e cantora.
- 1:15:51E tenho também a Bárbara, que é minha mais nova, que acabou de
- 1:15:54fazer o disco dela e é também compositora e cantora.
- 1:15:58E eu sou muito satisfeito, né, porque eu sou uma pessoa muito
- 1:16:01crítica, muito exigente, e eu sempre falei, ó, se tiver
- 1:16:05fazendo porcaria, o papai vai dizer, Hein, papai não tem esse
- 1:16:07negócio de ficar protegendo, aí é filha, papai não passa a mão
- 1:16:10na cabeça não. Então eu efetivamente só só
- 1:16:15digo, por exemplo, eu tenho outros 4 filhos que não tem
- 1:16:17talento musical, é? E eu falei, ó, não te mete nisso
- 1:16:21não, que isso não é para você, vai fazer outra coisa.
- 1:16:24É porque eu acho que tem que fazer isso, eu acho que essa.
- 1:16:27Essa obrigatoriedade do pedigree recordes que se inventou no
- 1:16:31Brasil, filho de fulano, filho de fulano não se sustenta se o
- 1:16:35filho não tiver verdadeiramente talento.
- 1:16:37Eu tenho visto muita gente sem talento que fica tentando se
- 1:16:40preservar no mercado simplesmente porque é filho
- 1:16:42desse ou filho daquele. Eu acho que pedigree não
- 1:16:45resolve. Pedigree só é bom em exposição
- 1:16:47de cachorro, mas em matéria de arte não resolve.
- 1:16:50Certo tua carreira solo 74 sai o teu primeiro disco é.
- 1:16:55Primeiro ato. Primeiro ato, que é um disco
- 1:16:58interessante, confessionalíssimo e.
- 1:17:01Teve 2 canções de muito sucesso, que foram Cadillac 52 e casca de
- 1:17:04Caracol, casca de? Caracol, que é aqui é uma música
- 1:17:07muito interessante, é e produção do ta Vito, produção do ta Vito,
- 1:17:11é meu produtor, produtor, arranjador.
- 1:17:13Fizemos canções muito bonitas nesse disco, inclusive é, eu fiz
- 1:17:17esse disco em 75, eu faço um outro.
- 1:17:20Chamado quem sabe sabe, quem não sabe, não precisa saber que José
- 1:17:23Rodrigues. Ser agência de mágica, agência
- 1:17:24de mágicos. Uma banda olha a primeira vez
- 1:17:26que alguém fez uma banda de rock com metais, coisa e tal.
- 1:17:29Um disco? Muito interessante também que
- 1:17:30tem canções muito legais. É a estreia da Maria da minha
- 1:17:35filha mais velha em disco. No final ela canta comigo a
- 1:17:38Roupa Nova do rei. Ela canta a canção dos a rima
- 1:17:41dos 10 negrinhos e dos teleroíndias.
- 1:17:44Ela canta em inglês no final que é.
- 1:17:47Maravilhoso nesse? Disco tem uma canção que é uma
- 1:17:50das coisas mais bonitas que você fez e que foi gravada também
- 1:17:53pela Marisa gata Mansa, que é cadeira vazia no Ah É?
- 1:17:56Bonita é tua. Com sai e com Gucci é?
- 1:17:58A música, na verdade, é minha, mas ela é.
- 1:18:01É daquela fase em que nós tomamos o compromisso de tudo
- 1:18:03que a gente fizesse os 3 assinarem.
- 1:18:05Lennon e. McCarthy é Lennon e McCarthy.
- 1:18:06Mas é, quer dizer, é Roberto e Erasmo, uhum ninguém.
- 1:18:09Ficou sabendo ainda por que é que as pessoas se amam?
- 1:18:18Se é que as pessoas se amam como fazem crer, porque se não se
- 1:18:29amam, onde é que está escondido o tal do amor pro qual eu tinha
- 1:18:38me guardado? 20.
- 1:18:41E 5 anos. Eu tenho dentro de mim umas
- 1:18:49vontades estranhas que às vezes são de chorar e outras que
- 1:19:01rasgar o meu coração, e é Nessas Horas que eu canto um.
- 1:19:10Velho. Samba canção.
- 1:19:14Estragado por pessoas que o ouviram da maneira errada.
- 1:19:25O dia que eu ficar sabendo que o campo de trigo secou, se é que
- 1:19:35alguma vez floresceu como fazia crer.
- 1:19:44Porque se floresceu, onde é que está escondido o tal do pão que
- 1:19:52dizem que se faz com a farinha? Eu tenho dentro de mim uma
- 1:20:05certeza absurda. Que às vezes me faz chorar e
- 1:20:16outras vezes guardar o meu coração.
- 1:20:22E o velho samba canção te diz para você voltar, eu olhar aqui
- 1:20:32na minha mesa. Tua cadeira sempre está vazia,
- 1:20:40sempre vazia. 1976 soy Latino americano o
- 1:20:58disco história é se surpreendeu o sucesso daquele disco?
- 1:21:02Não, na verdade, eu tinha tomado uma decisão.
- 1:21:05Quer dizer, eu vou explicar exatamente a história, como é
- 1:21:07que está. E eu tinha voltado AAAAAA ser
- 1:21:11organizado em partido político. Eu.
- 1:21:13Tinha sido do PCB, depois fui para OPC do b, aí me afastei e
- 1:21:19aí eu volto para OPC do b, mas já numa dissidência que depois
- 1:21:23virou uma dissidência que depois virou uma dissidência que acabou
- 1:21:26virando OOO perréco, do qual eu já não participei mais.
- 1:21:30E eu era um camarada que tinha um artista popular e que tinha
- 1:21:33uma visão de eu achava que havia certas coisas que você precisava
- 1:21:37falar popularmente, você tinha que falar com as pessoas, com o
- 1:21:41povo. Não era ficar fazendo música
- 1:21:43naquele nosso nível burguês. Vamos, eu vou usar o jargão da
- 1:21:47época, né? E aí eu achava que tinha coisas
- 1:21:50que você precisava fazer, e eu decidi então fazer até um pouco
- 1:21:54por causa das discussões com os companheiros de partido.
- 1:21:56É ter uma carreira eminentemente popular.
- 1:22:00Nessa época, eu era estava na Odeon, no casting do do Miguel
- 1:22:03plops, que que era o Miguel dos fivers, que era um camarada do
- 1:22:08era o casting mais popular da Odeon, né?
- 1:22:11E aí ele me apresentou um grande cara, que era um argentino
- 1:22:14maravilhoso chamado Robert live, e disse, o releev vai ser seu
- 1:22:17produtor. E eu e o livre conversamos muito
- 1:22:19sobre isso, eu sem as questões, sem as razões políticas, mas eu
- 1:22:23passei para o livre o que eu queria fazer.
- 1:22:25O livre achou que era exatamente isso, e eu comecei a buscar
- 1:22:27minhas canções, a forma de fazer.
- 1:22:30E uma das? Canções que eu fiz, foi só
- 1:22:32Latino americano, que é uma música que eu fiz com uma
- 1:22:34intenção rigorosamente crítica. Olha, vamos mostrar como é que
- 1:22:37os caras são babaca desse brasileiro que, pô, faz tudo
- 1:22:40errado e acha que tá certo, né? Ela tinha uma intenção crítica,
- 1:22:44mas Ela Foi uma música, tão, uma fotografia tão perfeita, que os
- 1:22:47caras se reconheceram e se reconheceram com orgulho nela.
- 1:22:50E a música estourou, estourou por causa disso e também
- 1:22:54estourou porque o livre foi uma pessoa de, de, de.
- 1:22:56Ele sempre foi um cara de manobras excepcionais.
- 1:22:59Eu quando peguei a capa do disco que eu olhei, assim, eu olhei,
- 1:23:01eu tinha parceiro em todas as pessoas.
- 1:23:04Eu falei, livre, o que que é isso?
- 1:23:05Ele falou, fica tranquilo porque cada um desses homens que é teu
- 1:23:10parceiro é um disc joker, programador de uma rádio
- 1:23:14importante, ele vai tocar a música dele, em vez de pagar
- 1:23:17diabá, ele vai ser seu parceiro, ele vai receber é cargo, fica
- 1:23:21tranquilo que isso vai dar certo.
- 1:23:23E deu o disco, tocou inteiro. Eu achei essa jogada tão
- 1:23:26perfeita que no disco seguinte eu já fiz sozinho.
- 1:23:28Eu não precisei do livro, eu já fui.
- 1:23:29Ó, tem mais um disco aqui, porque eu acho que isso é uma
- 1:23:32questão absolutamente tranquila. As pessoas ficam gritando contra
- 1:23:37o jabá, mas não há ninguém no Brasil, ninguém no Brasil que
- 1:23:40tenha feito sucesso, que não tenha recorrido ao expediente do
- 1:23:43jabá. Até mesmo quem chega e diz, sou
- 1:23:46contra o jabá. Quando fez sucesso, teve jabá.
- 1:23:49Da sua parte, da parte da sua gravadora, da sua editora, o
- 1:23:52jabá é uma instituição nacional, desde o tempo que se chamava
- 1:23:55catituagem, na década de 20 do século 20.
- 1:23:58Tá, então usar isso não é privilégio de ninguém e não é
- 1:24:04coisa que você só faz com a chamada música ruim.
- 1:24:07Quer dizer, isso não é só o axé, o sertanejo ou o pagode, não o
- 1:24:11samba tradicional. Todas essas meninas da, da, da,
- 1:24:14da, da fase é de pedofilia, brejeira que a gente tem tido no
- 1:24:18Brasil nos últimos 10 anos. 2 anos todas elas estão apelando
- 1:24:22para o jabá, não existe de maneira nenhuma rádio, hoje em
- 1:24:25dia toca alguém porque acha que deve tocar, tá?
- 1:24:28Tem sempre uma jogada, alguma jogada você tem que fazer.
- 1:24:30Por exemplo, se a Rodrigues, Guarabira, quando nós fizemos o
- 1:24:33nosso disco, a gente disse assim, nós vamos precisar que
- 1:24:36alguma música toque. E a gente escolheu Jesus numa
- 1:24:38moto. Eu fui até a Rádio Nova, a nova
- 1:24:44FME, falei para ele, olha, jabá, eu não tenho, mas a gente quer
- 1:24:47fazer a jogada com vocês. Eu te dou 25 DVDA, gente faz uma
- 1:24:53promoção e. Para.
- 1:24:55Premiar 25 artistas, 25 ouvintes.
- 1:24:59Eles saem, vão jantar com a gente, vão ver o show e ganham.
- 1:25:02Cada um ganha um DVD. Topa o Marcelo na época, topou.
- 1:25:05Nós fizemos e a música tocou na nova.
- 1:25:08Ela tocou e ela se tornou uma coisa tão importante que hoje
- 1:25:10ela continua tocando na nova mesmo depois dos 3 meses que a
- 1:25:13gente tinha Combinado com ele, que foi o que durou a promoção,
- 1:25:15porque as pessoas telefonam e pedem, e lá se?
- 1:25:17Vão 7 anos já. Lá se vão 7 anos e eu fico
- 1:25:20impressionado. Porque quando a gente.
- 1:25:23Chega nos shows hoje em dia, a gente começa a tocar as músicas
- 1:25:26da outra vez na estrada. O público sabe essas canções
- 1:25:29todas e eu fico impressionado. Mas eles sabem.
- 1:25:32Até acho que não tocaram na rádio.
- 1:25:34Isso é uma coisa que a mim me impressiona.
- 1:25:35Eu cada dia fico, acho mais curioso porque as pessoas hoje
- 1:25:40em dia tem acesso às canções, não depende mais da rádio, o
- 1:25:44acesso às canções. A rádio.
- 1:25:46Hoje o poder dela é muito pequeno, talvez seja menor do
- 1:25:50que alguma vez foi, assim como o das gravadoras, é nenhum.
- 1:25:55O único poder que existe hoje é o poder da canção que interessa
- 1:25:59a uma pessoa, e se a pessoa se interessa por aquela canção, ela
- 1:26:01arruma um jeito de ouvir. Sabe na internet?
- 1:26:05Pede um amigo. Não importa.
- 1:26:07Mas ela vai ouvir aquela canção de alguma maneira, porque se
- 1:26:10aquilo lhe interessar e a canção passa a ser parte dela.
- 1:26:24Mas não fico preocupada. Muita gente me censura e acha
- 1:26:32que eu estou errado. Deus ajuda a queimaduga, mas
- 1:26:39dormir não é pecado o apressado comigo.
- 1:26:45E eu como mais descansado. Foi Latino americano e nunca me
- 1:26:53engano. E nunca me engano foi Latino
- 1:26:58americano e nunca me engano no me engano.
- 1:27:05O meu caminho pro trabalho é um pouco mais comprido.
- 1:27:12Eu vou sempre pela praia. Que é muito.
- 1:27:17Mais divertido? Chego sempre atrasado, mas eu
- 1:27:24não corro perigo. Quem devia dar o exemplo?
- 1:27:30Chega atrasado comigo e diz, foi Latino americano.
- 1:27:42Foi Latino americano. E nunca
- 1:27:57é legal voltar pra casa, mas eu não volto sofrendo.
- 1:28:05Quem tem pressa de ir embora no transporte vai morrendo.
- 1:28:12E eu que não me apresso nunca. Pro meu bar eu vou correndo e
- 1:28:20encontro a minha turma toda sentada na mesa dizendo assim,
- 1:28:27foi Latino americano e nunca me engano e nunca me engano quando
- 1:28:42eu abro a minha porta. Muita gente está juntando quando
- 1:28:50eu ponho a minha mesa, muita gente está deitando, muita gente
- 1:29:06que trabalha e. Quando a situação na América
- 1:29:29Latina começou a ficar ridícula, né?
- 1:29:31Eu comecei a cantar ela assim e as pessoas ficam desesperadas.
- 1:29:41Aí. Você faz exatamente em 1977 um
- 1:29:44outro disco de muito sucesso, que é quando será é?
- 1:29:48Esse, na verdade, é o meu melhor disco solo.
- 1:29:50Na minha, na minha maneira de ver, é o disco mais onde essa
- 1:29:55ideia ficou rigorosamente perfeita.
- 1:29:58Ela tá toda bem acabadinha. O disco é muito bem feito.
- 1:30:02Arranjos de um genial Miguel cidraça.
- 1:30:06Que foi arranjador do Raul Seixas e que tava o uruguaio
- 1:30:09excepcional, um sujeito maravilhoso, que conhecia muito
- 1:30:12bem a música Latina que eu tava perseguindo.
- 1:30:15Esse disco também tem ainda tem produção do live, né?
- 1:30:20O live já tinha inventado o Sidney Magal, tava muito bem, o
- 1:30:24Sidney Magal, ele tava louco, querendo um cantor.
- 1:30:27Foi muito engraçado, né? E eu falei para ele, olha, eu
- 1:30:29conheço um cara genial e eu tenho aqui umas gravações, ele
- 1:30:32gravou. Para o filme, Greta garbo, quem
- 1:30:36diria, acabou no Irajá, que foi direção do imperial.
- 1:30:38E eu fiz a música, ele gravou umas músicas para gente.
- 1:30:42Eu conheci ele era um cara genial.
- 1:30:43Ele IA fazer um espetáculo de teatro com a gente, um musical
- 1:30:46que a gente chegou a começar a montar e depois não saiu, que
- 1:30:49esse é um grande cara, o cara de muita importância na minha vida.
- 1:30:52O caras imperial é um sujeito que.
- 1:30:54A biografia dele está saindo aí agora e vale a pena pessoas
- 1:30:57conhecerem o verdadeiro Carlos imperial, inclusive no.
- 1:31:00YouTube existe um vídeo seu cantando e dando programa
- 1:31:03imperial na TVs? Exatamente.
- 1:31:07E. Aí ele OOO, Livinho falou, não,
- 1:31:10eu estou querendo inventar um cantor, porque tem.
- 1:31:13Está na hora de termos um novo cauby.
- 1:31:15Temos que ter um cara importante, um cara diferente,
- 1:31:19meio cigano, coisa e tal. Eu pensei, fazer com você, mas
- 1:31:22você Sério demais. Fica fazendo essas música séria
- 1:31:26e acho livro era um sujeito genial.
- 1:31:29Eu falei com ele a semana passada está em Miami.
- 1:31:31E que hoje? É produtor do ingleses, entre
- 1:31:33outras coisas, muito bem. Ele.
- 1:31:35E aí eu falei para ele, olha, eu conheço um garoto muito legal,
- 1:31:38um estampa maravilhosa, um sujeito genial.
- 1:31:41Ele está fazendo um daqueles espetáculos de de de de turista
- 1:31:45no escala. E foi muito engraçado que eu
- 1:31:48cheguei lá, quem fazia o espetáculo nos caras era o
- 1:31:50Sidney Magal e a Claudinha Teles.
- 1:31:52Eles inclusive estavam namorando na época e eu levei o livro para
- 1:31:55conhecer Oo Sidney Magal, e eles ficaram super amigos.
- 1:31:58E aí o Magal topou virar o Sidney Magal, o grande, O Grande
- 1:32:02Herói cigano da música brasileira.
- 1:32:05E foi maravilhoso. E nessa época do quando será o
- 1:32:08livre? Já estava com o Magal a toda a
- 1:32:09prova, estava muito bem, foi foi um tempo muito bom.
- 1:32:14Ele, o livro era empresário do Magal, o meu empresário também.
- 1:32:17Foi uma época que se trabalhou muito, eu fiz muito show,
- 1:32:20trabalhei muito. Foi uma época de muito trabalho,
- 1:32:23infelizmente, de pouca consciência do que isso
- 1:32:25significa, né? Porque a gente sempre tem.
- 1:32:29Quando você alcança o sucesso e esse chamado sucesso nacional,
- 1:32:32sucesso popular, aquele que te rasgam na rua E não é figura de
- 1:32:36linguagem, é de ser rasgado na rua mesmo, é verdade.
- 1:32:40Isso é uma coisa que acontece. Aí é, você tem a sensação
- 1:32:45enganosa e ilusória de que aquilo é para sempre, não é?
- 1:32:48Não há sucesso permanente para sempre não há.
- 1:32:50Você vai ter altos e baixos, vai ter.
- 1:32:53E você precisa saber aquilo. Porque se você confunde o seu
- 1:32:58valor pessoal com o valor que o povo, o público ou o mercado
- 1:33:02estão te dando momentaneamente. O dia que eles não te derem esse
- 1:33:06valor, você vai se sentir como se você não valesse nada.
- 1:33:08E o teu valor pessoal é intrínseco, é teu, você vale o
- 1:33:11que você vale, o valor que estão te dando é outra coisa.
- 1:33:15A gente se engana muito com isso.
- 1:33:16Essa época foi uma época muito fértil, muito interessante pra
- 1:33:21mim, mas uma época muito complicada, complicada pra
- 1:33:26cabeça, porque você acha que você tá mandando legal?
- 1:33:32De cheguei, bati a cabeça no teto.
- 1:33:34Daqui não saio, daqui ninguém me tira.
- 1:33:36E não é verdade. Não é verdade, porque AA única
- 1:33:40coisa permanente no universo é a mudança, né?
- 1:33:43E a mudança é garantida. Dá.
- 1:33:44Para você lembrar o quando será para nós?
- 1:33:56Quando será o dia da minha sorte?
- 1:34:00Sei que antes da minha morte eu sei que esse dia chegará.
- 1:34:04Mas quando será? Quando será o dia da minha
- 1:34:08sorte? Sei que antes da minha morte eu
- 1:34:11sei que esse dia chegará quando eu estava na barriga da minha.
- 1:34:18Mãezinha sonhava com um berço de ouro, calda de florzinha, mas eu
- 1:34:23não sabia dos problemas que a família tinha morando apertada
- 1:34:29no barraco, na beirada, linha. Minha mamãe olhou e disse.
- 1:34:35Como vamos sustentar? Mas meu pai respondeu Pra Ela a.
- 1:34:40Sorte. Do menino vai mudar.
- 1:34:42Mas quando será? Quando será o dia da minha
- 1:34:46sorte? Sei que antes da minha morte eu
- 1:34:49sei que esse dia chegará. Mas quando será?
- 1:34:53Quando será o dia da minha sorte?
- 1:34:56Sei que antes da minha morte eu sei que esse dia chegará.
- 1:35:01Fui. Crescendo com mais.
- 1:35:04Que um mestre sala, muito samba, muita bola e pouca escola.
- 1:35:10E o meu tio me dizia que eu tinha Estrela e que eu não me
- 1:35:16preocupasse. Que a vida é Bela.
- 1:35:19Só que a sorte que eu queria custava muito a chegar.
- 1:35:24Mas Vovó quer uma Santa, dizia. Mas.
- 1:35:28Quando será? Quando será o dia da minha
- 1:35:33sorte? Sei que antes da minha morte eu
- 1:35:35sei que esse dia chegará. Mas quando será?
- 1:35:39Quando será o dia da minha sorte?
- 1:35:43Sei que antes da minha. Morte, eu sei que.
- 1:35:45Esse dia chegará? Fui garçom, chofer de praça, fui
- 1:35:50marinheiro, vendedor de loteria e biscateiro.
- 1:35:56Quis ser muitas outras coisas. É, mas tive medo e cada emprego
- 1:36:02que arranjava ganhava menos. Procurei uma cigana para me
- 1:36:08aconselhar. Ela leu minha mão e me disse,
- 1:36:12bom dia, seu sorte vai mudar. Mas quando será?
- 1:36:16Quando será dia da minha sorte? Sei que antes da minha morte eu
- 1:36:22sei que esse dia chegará. Mas quando será?
- 1:36:25Quando será o dia da minha sorte?
- 1:36:29Sei que antes da minha morte eu sei que esse dia chegará 8 anos
- 1:36:35de namoro. Sonhos.
- 1:36:37E planos, 7 anos de casado, sonhos e planos de noite nós 2
- 1:36:44na cama, sonhos e planos. Mas quando nascem os filhos, nos
- 1:36:51preocupamos. A mulher sempre pergunta, como
- 1:36:55vamos sustentar? E como meu pai, eu respondo, a
- 1:36:59sorte dos meninos vai mudar, mas quando será?
- 1:37:03Quando? Será o dia da minha sorte.
- 1:37:06Sei que antes da minha morte eu sei que esse dia chegará.
- 1:37:10Mas quando será? Quando será o dia da minha
- 1:37:15sorte? Sei que antes da minha morte eu
- 1:37:17sei que esse dia chegará. A parceria com Paulo Coelho, a.
- 1:37:34Parceria com Paulo Coelho é fenomenal.
- 1:37:37Foi nesse foi na passagem deste disco para o terceiro próximo,
- 1:37:41que é o hora extra, que é um disco muito importante.
- 1:37:44Foi um disco que eu fiz Na Na Na Odeon.
- 1:37:46Foi o terceiro dessa fase muito popular e que foi o primeiro
- 1:37:51disco totalmente arranjado por um maestro que estava aparecendo
- 1:37:55chamado Lincoln olivetti. É muito interessante, é um disco
- 1:37:59muito interessante. Canções muito legais, é, e nesse
- 1:38:03disco, oOoOO livre, me pôs em contato com o Paulo Coelho.
- 1:38:08O Paulo Coelho tinha parado de trabalhar com o com o Raul, não
- 1:38:12sei, eu não sei bem os motivos também nunca perguntei.
- 1:38:15E eu já conhecia o Paulo. Eu era amigo do Paulo dos tempos
- 1:38:17de teatro amador, quando ele trabalhou No No grupo do
- 1:38:20cachorro, que era um diretor que tinha no Rio de Janeiro, numa
- 1:38:23peça chamada o Chapeuzinho Vermelho, se eu não me engano,
- 1:38:26que ele fazia um personagem chamado do Batatinha.
- 1:38:27Eu, aliás, o chamo de Batatinha até hoje, né?
- 1:38:30Era muito, é muito legal. Ele trabalhou como ator e aí ele
- 1:38:36nós nos encontramos e lembramos. Tinha muitas coisas que
- 1:38:39começamos a fazer. O Paulo na época já tinha se
- 1:38:40transformado, já era um letrista profissional, tinha tava
- 1:38:43trabalhando com a Rita, com a Rita, tava fazendo letra para um
- 1:38:46Monte de gente. E nós fizemos algumas canções
- 1:38:48muito interessantes para esse disco do hora extra, canções
- 1:38:51muito legais, coisas muito boas, coisas muito Fortes, ficamos
- 1:38:56muito amigos. Nessa, nessa, nesse fim desse
- 1:39:00ano, foi quando eu estava para me me me para sair da Odeon e
- 1:39:05tava para ir para ARCAE. Aí eu fui convidado para ser
- 1:39:09diretor artístico na CBS, que depois virou Sônia Colômbia,
- 1:39:15CBS, né? E aí eu falei, olha, desculpe,
- 1:39:18eu tenho minha carreira artística, coisa e tal, eu não
- 1:39:20tenho, mas eu tenho um cara legal para ser, que é o Paulo
- 1:39:23Coelho. Aí eu fui e levei o Paulo.
- 1:39:27Porque aí se montou aquele esquema de de castings, né,
- 1:39:29ficou vários castings, Oo Fagner ficou com o pessoal do Ceará, um
- 1:39:33Monte de gente, castings separados.
- 1:39:35Eu fiquei com o casting, que era um casting maluco.
- 1:39:38Eu fiz o primeiro disco da Fafy Siqueira, eu produzi o primeiro.
- 1:39:41Tem a produção minha, que é um disco lindíssimo chamado posso
- 1:39:44falar, um disco muito legal, ela é uma compositora excepcional,
- 1:39:49fiz alguns discos com algumas pessoas lá, uma banda louca
- 1:39:52chamada zazabi Circus. Não fiz o disco da Vânia
- 1:39:56Carvalho, inclusive, porque eu tinha um pedido da direção para
- 1:40:00pedir a ela para sair, porque eles não estavam afim de fazer o
- 1:40:03disco. A Vânia Carvalho é a irmã da
- 1:40:04Beth Carvalho, é, e foi a coisa mais engraçada do mundo, porque
- 1:40:092 meses depois que eu era diretor de casting na coisa, o
- 1:40:12Paulo me chamou lá e me te pediu, disse que não tá dando
- 1:40:15certo e eu achei muito engraçado, né?
- 1:40:18Mas nós continuamos trabalhando. É aí eu fui para rcear, fiz esse
- 1:40:22disco, o disco sempre livre. Que foi a nossa última
- 1:40:25colaboração, porque parou porque nós tínhamos uma música para
- 1:40:28fazer chamada, não, não, não, e ele se recusou a fazer.
- 1:40:32Ele disse, eu não faço letra para uma música que tem não no
- 1:40:34título. Eu falei, Ah, Paulo, você está
- 1:40:35levando esse transtorno obsessivo compulsivo.
- 1:40:38Linha Roberto Carlos longe demais, né?
- 1:40:40E aí nós paramos de trabalhar juntos, mas nos mantivemos
- 1:40:42amigos durante muito tempo. Ainda somos a gente quando se
- 1:40:45encontra tem é sempre um prazer o encontro, né?
- 1:40:49Eu tenho grande admiração pelo Paulo, inclusive pelo que ele
- 1:40:52conseguiu. Porque o Paulo é um sujeito que
- 1:40:55tem grande determinação e eu sempre me reconheci como isso.
- 1:41:00O Paulo é exatamente isso na literatura.
- 1:41:02Ele é o camarada que despertou um Monte de gente para ler, um
- 1:41:05Monte de gente que começou nos livros do Paulo e hoje está
- 1:41:07lendo de tudo. Porque eu acho que a coisa mais
- 1:41:10fantástica que tem é as pessoas lerem.
- 1:41:12É preciso ler. Quer dizer, eu quero é que leia
- 1:41:15pior do que qualquer coisa, pior do que como diz aí.
- 1:41:18Mas é um horror ler Paulo Coelho pior que ler Paulo Coelho é não
- 1:41:21ler. Tem que ler, tem que ler de
- 1:41:23tudo, ler de tudo. O camarada decide é a mesma
- 1:41:26coisa com a música, deixa a pessoa decidir o que ela quer,
- 1:41:28não fica tentando impor padrões a ela, padrões estéticos,
- 1:41:32padrões é, é, é ideológico, padrões políticos, padrões de
- 1:41:36igreja, de crença, deixa o cara a vontade e ele decide, porque
- 1:41:40eu acho que essa é a grande Liberdade, sabe?
- 1:41:42Você tentar estabelecer um cânone, é, é, é uma coisa
- 1:41:45estúpida, e então eu tenho grande admiração pelo Paulo.
- 1:41:48As pessoas dizem assim, Ah, mas você você escreve na mesma linha
- 1:41:52que ele é, é, é. Mas eu falei, olha, não é na
- 1:41:55mesma linha, o Paulo faz uma coisa, vai, o Paulo é um
- 1:41:58escritor, um místico cristão. Eu não tenho nada de cristão, eu
- 1:42:01estou lidando com outro tipo de material e acho maravilhoso.
- 1:42:05Quem me dera que o que aconteceu com o Paulo acontecesse comigo,
- 1:42:07com a minha literatura, que está indo bem, está indo agora sendo
- 1:42:10lançada no exterior, vai ser muito legal.
- 1:42:13Mas eu não tenho nenhuma pretensão a ser Paulo Coelho,
- 1:42:16até porque eu escrevo de uma outra maneira.
- 1:42:20Hora. Extra é com ele, hora extra é
- 1:42:21com ele. Meu querido amigo, eu vou lhe
- 1:42:38contar toda a minha vida. Eu trabalho tanto e não tem
- 1:42:43remédio. Sem Saída, a.
- 1:42:45Minha mulher já não quer nem mais me dizer bom dia e a vida
- 1:42:49que eu levo tá me botando numa fria.
- 1:42:52Meu filho mais moço, eu nem vi crescer, já virou, rapaz.
- 1:42:56E tenho. A impressão de que ele não me
- 1:42:58conhece mais ao me. Ver dormindo, evite da mãe
- 1:43:02sempre reclama. Tem um homem estranho na sua
- 1:43:06cama, pega, dobra, aperta livre e sacode pra valer, leva atrás.
- 1:43:14Não deixa endurecer. Pois a hora este, em vez de
- 1:43:18pagar meu aluguel, vai me estudando sempre pra dentro do
- 1:43:22pneu, pega a dobra, aperta, gira e sacode pra valer, leva atrás,
- 1:43:28carrega abaixo e não deixa endurecer, pois a hora este, em
- 1:43:33vez de vai aumentar meu capital, paga minha Cove, o meu funeral.
- 1:43:43O maior orgulho que eu tenho dessa música foi que no ano de
- 1:43:4679 teve uma enorme paralisação, uma greve imensa dos motoristas
- 1:43:53de ônibus no Rio de Janeiro e eu por acaso tava indo fazer um
- 1:43:56negócio ali. Eu passei na frente do sindicato
- 1:43:58deles e eles estavam cantando esta canção.
- 1:44:00Isso são os caras que mais sofriam com hora extra, os
- 1:44:02motoristas de ônibus. Eu fiquei tão contente e dizer
- 1:44:04assim. Era isso.
- 1:44:05É isso que precisa, né? Aquele objetivo de chegar e
- 1:44:09falar as coisas que as pessoas vão fazendo.
- 1:44:11Eu estava vagarosamente levando para frente e conseguindo.
- 1:44:14Era muito legal, gente. Conforme eu disse semana
- 1:44:16passada, esse papo com o Zé Rodrigues está rendendo tanto
- 1:44:18que teremos mais um programa com ele.
- 1:44:20Estamos fazendo assim, estabelecendo uma cronologia da
- 1:44:24vida e da carreira do Zé Rodrigues.
- 1:44:25O próximo programa ele falará dos seus trabalhos mais
- 1:44:28recentes. Estamos hoje apresentando para
- 1:44:30vocês a terceira e última parte do papo de músico com Zé
- 1:44:33Rodrigues. Uma conversa sensacional que
- 1:44:36está rendendo histórias divertidíssimas.
- 1:44:39E vocês estão tendo a chance de ouvir ou recordar ou conhecer
- 1:44:43canções primorosas, Zé, os velhinhos de Miami.
- 1:44:48Os velhinhos de Miami. Foi uma tentativa que a gente
- 1:44:50fez quando nós estávamos no, no, no.
- 1:44:54O estúdio, a gente já com o estúdio, o produtor, toda a
- 1:44:56condição de trabalho, pô, estava na hora.
- 1:44:59Se a gente fizer um disco interessante, moderno, novo,
- 1:45:01diferente, vai chamar a atenção dos publicitários para a gente.
- 1:45:05O citado está sempre antenado, né?
- 1:45:07Nessas coisas que está acontecendo.
- 1:45:09E nós estávamos fazendo um trabalho eminentemente musical
- 1:45:11na publicidade. Quer dizer, nós começamos a usar
- 1:45:14todas as coisas que a música do mundo tinha dentro da
- 1:45:16publicidade, fazendo um link entre a música que tocava no
- 1:45:19rádio e a publicidade tão legal que foi o que chamou atenção,
- 1:45:23além da nossa loucura e maluquice, a ousadia que a gente
- 1:45:26cometia quando tava fazendo essas coisas.
- 1:45:29Aí nós. Ficamos tentando inventar.
- 1:45:31Vamos fazer o quê? Aí tinha um conjunto que
- 1:45:32inventaram que era o Tico e o e o.
- 1:45:35E o Ricardo petralha chamava se careca e penteado era muito
- 1:45:39interessante, careca era o Ricardo petralha, penteado era o
- 1:45:42Tico, aí não deu coisa e tal. Aí nós inventamos os velhinhos
- 1:45:45de Miami. É AA única vez que a gente foi
- 1:45:48cantar, que o velhinho Maia foi cantar, foi numa festa na casa
- 1:45:50do Kim, esteve lá naquela casa dele, uma festa de fim de ano,
- 1:45:54aquela festa de fim de ano que ele fazia na chácara flora, e
- 1:45:58foi onde estreou também o mulheres negras nessa festa.
- 1:46:01E a gente acabou não cantando, foi embora sem cantar.
- 1:46:03E depois com você, aquele negócio, vamos fazer.
- 1:46:05Eu falei, Tico, olha, desculpa, eu acho que a melhor, a melhor
- 1:46:09grife tá na mão, tá disponível, que é o joelho de porco.
- 1:46:11Vamos revitalizar o joelho, vamos fazer de novo, então
- 1:46:13vamos. Aí, inventamos, chamamos o
- 1:46:14próspero e mais eu, e aí juntamos uma turma legal, Vânia
- 1:46:19Bastos, faísca, Franklin Paulino, Pedro Ivo, de baixo,
- 1:46:25Cida Moreira, e fomos juntando o Roberto Sion, fomos juntando um
- 1:46:29pessoal que trabalhava e fizemos um disco que é um disco muito
- 1:46:32conceitual, um disco. New Wave, todo new Wave, apesar
- 1:46:36de ter toda coisa no rock, um disco que é todo
- 1:46:39cinematográfico, que você vai ler AAAA ficha dele.
- 1:46:43Ele é um disco todo escrito como se fosse um roteiro de cinema.
- 1:46:48É muito interessante. EEE, que faz um levantamento,
- 1:46:52além de fazer um levantamento da música que a gente tava fazendo
- 1:46:54na época e de temas da época, é um disco que é todo pontuado por
- 1:46:59tudo aquilo que fez a nossa cabeça na infância.
- 1:47:03As músicas da nossa infância, os dingles da nossa infância, os
- 1:47:06temas de televisão, isso tudo vai servindo como vinheta,
- 1:47:09ligando o disco. O disco é muito legal que é o.
- 1:47:11Saqueando a cidade a. Cidade que curiosamente tem 2
- 1:47:15canções proibidas. Uma delas era uma canção chamada
- 1:47:18toda a noite Roberto, que é a história de um homem se
- 1:47:20declarando ao outro. Eles já moram juntos há muitos
- 1:47:24anos e a outra canção é a canção saqueando a cidade.
- 1:47:26Que exatamente a gente fez que a história de um casal que se
- 1:47:29apaixona. E só se encontra em saques de
- 1:47:31supermercados, que na época estava na moda.
- 1:47:33E a censura achou que efetivamente você não podia
- 1:47:36falar disso, né? Imagina dar força ao saque do
- 1:47:38supermercado. E tinha.
- 1:47:39Uma canção censura na. Época não, e tinha uma.
- 1:47:41Canção que vocês cantavam com uma letra no disco e nos shows
- 1:47:44eram outra, Ah, que era o vai fundo, vai fundo, vai.
- 1:47:46Fundo a gente falava dos ministros todos.
- 1:47:50Do Delfim, do do, do, do, do, do langoni, né?
- 1:47:54Mas no disco a gente não podia, não pode gravar, então a gente
- 1:47:57cortou o nome deles. Eu me lembro como é exatamente?
- 1:48:02É e Zé, eu me lembro exatamente do de um, de um dos shows, do
- 1:48:06saqueando a cidade. Foi no pool music, how
- 1:48:08engenheiros. Que era um happening?
- 1:48:10Aquele show, vocês se divertiam muito, né?
- 1:48:12Muito. Porque o barato era o seguinte,
- 1:48:14vamos fazer, vamos fazer. Vamos dar uma ajoelhada?
- 1:48:16A gente dizia o seguinte. Vamos dar uma joelhada, vamos.
- 1:48:18Juntava aquela turma, juntava, vamos lá, gente, todo mundo
- 1:48:20botava um smoking e era e era um show que começava, tinha muito
- 1:48:24de Spike Jones, aquela coisa, alguém apitava e todo mundo era
- 1:48:30circo, era circo. A gente fazia um circo há muito
- 1:48:33tempo, tava tocando as músicas e se divertia muito, as pessoas
- 1:48:36muito engraçadas. Todo mundo tava ali para se
- 1:48:39divertir e a gente fez isso enquanto durou.
- 1:48:42Nós. Fomos fazer um show na pool, EOO
- 1:48:45Zé, o Zé Vitor oliva adorou tanto o show da gente que quis
- 1:48:48que a gente fizesse em 84 o réveillon do gallery.
- 1:48:54Eu lembro disso, eu falei. Zé, pois é, Zé Vitor, isso não
- 1:48:57vai dar certo. É outro público não, vocês vão
- 1:48:59fazer aí. Nós subimos no réveillon do
- 1:49:01gallery, os cara pagavam uma Fortuna, 1000 USD por pessoa
- 1:49:04para tomar uma champanhe, chegar lá e chega aqueles camarada lá e
- 1:49:07dizer, o papa chupa, o papa também chupa.
- 1:49:11Eles não suportaram, começaram a jogar gelo e coisa.
- 1:49:13A gente acabou o show rapidinho. Aí o Zé Vitor falou, pô, os
- 1:49:17caras jogaram o gelo, falou, pois é, jogaram o gelo, lata de
- 1:49:19cerveja. Ele disse assim, não, mas nós
- 1:49:21vamos fazer um show na pool. Eu falei assim, olha só, faço
- 1:49:24show na PUC se tiver 1111 tela de galinheiro na frente do
- 1:49:28palco, porque a gente não está afim de tomar gelo, gelo, nem
- 1:49:31cerveja, falou. Não tem problema, eu boto.
- 1:49:33Quando a gente viu que ele tinha posto, mas nós contratamos os
- 1:49:36caras para jogar gelo e cerveja, todos os amigos, e ele foi
- 1:49:40maravilhoso. Fizemos vários shows na PUC, era
- 1:49:44uma casa muito interessante na rua Pinheiro.
- 1:49:45Começou é porque. Nós é que fizemos AAAO jingle
- 1:49:48dela de deu, que era maravilhoso.
- 1:49:53A gente trabalhou muito durante muito tempo e fez coisas
- 1:49:57interessantes. Nós fizemos 2 discos do joelho
- 1:49:59quando estávamos no meio do terceiro.
- 1:50:02Nessa formação, o Tico morreu e aí isso ficou lá pendurado.
- 1:50:06A gente tem esse disco ainda pendurado.
- 1:50:09A gente tentou fazer. É provável que saia atributo ao
- 1:50:12Tico, EEEEEO joelho em que a gente.
- 1:50:15Vá lançar alguma coisa dessa que ficou, mas nós estamos esperando
- 1:50:18para ver e do. Saqueando a cidade.
- 1:50:20O que que você pode mostrar para nós?
- 1:50:21Ah, eu vou mostrar. Uma que eu já tinha feito é, é.
- 1:50:24E que a gente gravou que é o rock do Relógio, outra volta do
- 1:50:37Relógio quando já tiver passado ajudante o tempo.
- 1:50:46Nós vamos nos encontrar, que nós vamos nos divertir à beça vindo
- 1:50:55de tudo isso que a gente vive agora o relógio nunca para que
- 1:51:04por certo vai por lugas na nossa cara, como, pois, na dos nossos
- 1:51:13pais e. Nós vamos nos divertir a beça
- 1:51:19rindo de tudo isso, conversando na sala escura, vendo os filhos
- 1:51:29sair pra rua pra fazer sem tirar nem por tudo o que nós todos
- 1:51:38fazemos agora e nós vamos ficar sorrindo?
- 1:51:45Acordando o nosso passado e dizendo de vez em quando o nosso
- 1:51:54tempo é que era bom, o relógio na parede vai marcando 100 para
- 1:52:05todo o nosso tempo e o tempo dos nossos filhos e nós vamos nos
- 1:52:14divertir. 18 anos. Sem sucesso, foi um disco.
- 1:52:37Muito interessante que a gente fez também na mesma estrutura,
- 1:52:40um disco muito maluco que a gente teve, o grande prazer de
- 1:52:43recuperar um arranjador. Maravilhoso.
- 1:52:46Um homem da maior importância na música feita no Brasil e que era
- 1:52:50um camarada desqualificado por todos os os.
- 1:52:54Os, os artistas brasileiros que eram o maestro portinho, os
- 1:52:58maestros que trabalharam sempre com os artistas mais populares
- 1:53:02eram rejeitados e desqualificados.
- 1:53:04EE diminuídos, portinho, pachequinho, esses caras que
- 1:53:09trabalhavam com os artistas populares eram considerados
- 1:53:11lixos. E ele era um cara maravilhoso,
- 1:53:13então a gente pegou EEE, disse portinho vai fazer esse disco e
- 1:53:17ele fez um trabalho excepcional. O disco foi inclusive premiado,
- 1:53:20ganhou um prêmio Sharp de melhor arranjo, o disco melhor
- 1:53:23arranjado. Ele recebeu o prêmio de melhor
- 1:53:25arranjador no prêmio Sharp desse ano.
- 1:53:27Foi uma festa maravilhosa, a gente tava no Rio de Janeiro, eu
- 1:53:30me recordo, nós ficamos sentados na mesma fila, eu, a Júlia e o
- 1:53:33Tim Maia, e o Tim foi espremendo, a Júlia aqui assim,
- 1:53:36foi muito engraçado. Passar uma festa dessa com o
- 1:53:39timaia, ouvindo os comentários que ele fazia e aí, do meio do
- 1:53:42show para o fim, ele começou a fazer os comentários alto e a
- 1:53:44plateia interovia. Foi maravilhoso.
- 1:53:46Foi nesse show que ele dizia, eu gostaria de agradecer a Sharp
- 1:53:49AAAATVATV Sharp gordo do prêmio. A minha gradiente é muito
- 1:53:54melhor, mas eu gosto da ele fez uma esculhambação da Tim Maia.
- 1:53:58Tim Maia foi maravilhoso. Agora.
- 1:54:00Esse disco ele saiu pelo Eldorado, mas ele foi gravado na
- 1:54:03foi gravado. Lá na voz do Brasil, no todos
- 1:54:05nós gravamos nos nossos estúdios.
- 1:54:07O primeiro, que é o saqueê na cidade, foi gravado ainda nos
- 1:54:10estúdios da audiopatrulha, na rua Barão de Tatuí.
- 1:54:12Esse segundo já foi gravado na lá na rua Lisboa, na sede da voz
- 1:54:18do Brasil, né? E nós estávamos gravando esse
- 1:54:20terceiro, que é um disco muito interessante, que a gente
- 1:54:23atrasou ele quando surgiram os Mamonas.
- 1:54:26O que nós estávamos fazendo, um disco que recuperava todas as
- 1:54:29músicas de sacanagem da nossa infância, além das canções que a
- 1:54:32gente fez, as canções, aquelas músicas de sacanagem, aquelas
- 1:54:35bobagens que a gente cantava quando era criança, né?
- 1:54:38Comprei um pinico para José, meu Mano ficou pequeno porque houve
- 1:54:41engano. Eu não sabia que o tal fulano
- 1:54:43tinha o cu tão grande tipo americano.
- 1:54:47As bobagens que a gente cantava assim é, sonhei com a imagem
- 1:54:50tua, paguei na cami, joguei na rua, que é a música do Quarto
- 1:54:54Centenário, a gente fez com arranjo a banda mesmo, fizemos
- 1:54:57para valer, e aí os Mamonas apareceram e falou, espera aí,
- 1:55:00ó, segura um pouquinho, vamos terminar esse disco, vamos
- 1:55:02esperar para a gente não entrar na onda deles, a gente entrar na
- 1:55:05nossa. E aí em junho de de de 98, o
- 1:55:09Tico morreu. A gente ficou meio meio sem, sem
- 1:55:14motivação para isso. Mais 2 anos depois, em 2000,
- 1:55:17morreu o David zinger, que já era membro oficial.
- 1:55:21E aí a gente perdeu completamente o pique.
- 1:55:23Eu, em 2000, vendi minha página produtora, EEEE.
- 1:55:27Parei de trabalhar com publicidade por um tempo,
- 1:55:29mantive o meu contato com meus clientes.
- 1:55:32Do coração para os quais eu trabalho internamente, eu hoje
- 1:55:35trabalho mais internamente, mais belodeline, mais no Endo
- 1:55:40marketing do Que Fora, apesar de ter muitos clientes no exterior
- 1:55:43que eu faço questão de não divulgar nada do que eu faço,
- 1:55:47porque o grande problema do nosso meio, como no meio
- 1:55:50artístico, é inveja. Os caras sabem que você está
- 1:55:52fazendo um negócio, vão correr atrás para tentar fazer naquele
- 1:55:54lugar. Então eu não digo que é quais
- 1:55:56são os clientes que eu estou trabalhando.
- 1:55:57Quero é que eles fiquem satisfeitos cada vez que eu faço
- 1:55:59e ficam satisfeitos. Eu estou com meu dever cumprido
- 1:56:03no. 18 anos, sem sucesso. Você falando dessas canções de
- 1:56:06infância, me lembrou de uma outra coisa que não era uma
- 1:56:09canção de infância, mas aquela história prosaica daquelas 2 é.
- 1:56:14Ah, sim, mariquinho maricó exatamente.
- 1:56:18Isso foi? 11 Calypso que a gente fez,
- 1:56:41viajam todo ano. Las dos conos em todo o ele.
- 1:57:07Mundo. Nota, a canhota é muito.
- 1:57:24Gravamos flipper com a letra assim, eu sou o flipper,
- 1:57:29golfinho legal, amigo de todos os peixinho.
- 1:57:33Leal é mamífero. Eu sou o fliper.
- 1:57:36Nós vamos ao programa da Angélica para o programa da Mara
- 1:57:39Maravilha. Cantar o fliper foi maravilhoso.
- 1:57:41Na época ótima, não? E esse?
- 1:57:43Disco tinha também uma versão genial de really Gotha rodon,
- 1:57:46middusmoke Robinson, que era sensacional enquanto você pisa
- 1:57:50em mim, era. Maravilhoso é muito.
- 1:57:55Bom, vamos chegar aqui a fase mais atual.
- 1:57:59Eu queria que você falasse um pouco da tua relação com os
- 1:58:02novos autores, a tua experiência com o pessoal do clube.
- 1:58:05Caiibi, Ah, sim, eu, eu. Por causa daquele daquela lista
- 1:58:11de de internet da qual nós 2 participamos.
- 1:58:13Quer dizer, você ainda está e eu não estou mais.
- 1:58:15Eu conheci muitas pessoas e algumas pessoas foram pessoas
- 1:58:20que me chamaram a atenção porque era gente que você percebia que
- 1:58:23tinha uma visão aberta do mundo, uma visão criativa.
- 1:58:26Não estavam interessados em conservar nem em preservar nada,
- 1:58:29nenhum território de poder que iriam fazer.
- 1:58:31Um desses caras que eu conheci foi o soneca, que é um sujeito
- 1:58:34excepcional, um grande autor, um grande criativo, um sujeito,
- 1:58:39além de ser uma das pessoas que mais entende de internet e
- 1:58:43processos de internet no mundo. Aí o soneca falou assim, Ah, nós
- 1:58:47nos encontramos numa festa. Ele falou assim, Ah, eu sou de
- 1:58:49um clube de compositores, você não quer ir lá?
- 1:58:51A gente quer te prestar uma homenagem.
- 1:58:53Clube de compositor já sei como é, vou chegar lá aqueles caras
- 1:58:56que com compositor é assim, o cara sobe e diz assim, por que
- 1:58:58eu estou há 40 anos tentando fazer sucesso?
- 1:59:01Mas aí ele escolhe um inimigo, o axé, o samba, o pagode, o isso,
- 1:59:04aquilo, jabá não me permitem, é você diz, pô, coitado, aí ele
- 1:59:08vai tocar é uma bosta, né? Ele nunca teve que dizer é o
- 1:59:10cara que você tem que dizer assim, meu filho, acho que você
- 1:59:13tá mal aí é porque você é ruim se o público não te quer 40
- 1:59:17anos, muda, muda de de de ramo. O problema é em você, não é no
- 1:59:21público. Mas enfim, aí eu já fui assim,
- 1:59:24não é? Vou dizer, vou ter que aturar
- 1:59:25esses caras. Fui lá, sentei num lugar, um
- 1:59:28boteco infecto na rua, caiubi 420, e aí, durante 2 horas na
- 1:59:34minha vida, aconteceu um negócio que eu não esperava que
- 1:59:36acontecesse. Eu, durante 2 horas, ouvi
- 1:59:39canções autorais, novas, vivas, originais e individuais
- 1:59:46singulares. De me despertar o maior
- 1:59:49interesse. E eu fiquei, gente, eu não
- 1:59:51imaginava que isso acontecia porque todos os que eu IA era um
- 1:59:54saco. Esse era genial, pessoas
- 1:59:56maravilhosas, com esse soneca, Vlado Lima, Zé, Edu Camargo,
- 2:00:00Ricardo Soares, Liz Rodrigues, mas gente da melhor qualidade.
- 2:00:05E aí eu comecei a frequentar, comecei a frequentar, comecei a
- 2:00:09discutir com eles, olha, é assim, a casa é assim, a arte.
- 2:00:12Começamos a ter as discussões sobre arte e música.
- 2:00:15E eu acabei de certa forma assumindo a posição de curador
- 2:00:19deste, deste movimento musical, que para mim era claramente um
- 2:00:23movimento musical absolutamente livre e durante 5 anos eu eu fiz
- 2:00:28esse papel de curador lá para eles, para o clube caiubi.
- 2:00:31Além. De fazer enormes amigos, amigos
- 2:00:34da melhor qualidade, conhecer autores de uma qualidade imensa.
- 2:00:38Poder fazer parte de um movimento como esse, que tem 111
- 2:00:41qualidade EEEE, lenta, muito lentamente, lenta e
- 2:00:44gradualmente, mas seguramente está começando a se tornar
- 2:00:47conhecido, porque esses processos hoje são muito lentos.
- 2:00:49Hoje em dia. O clube kio bi tem um dos sites
- 2:00:52mais é acessados da internet, tem mais de 1600 autores lá com
- 2:00:58suas canções disponíveis, já estão disponíveis, inclusive
- 2:01:00para venda. O soneca montou uma estrutura
- 2:01:03excecional? O clube se reúne todas as
- 2:01:08segundas feiras na rua Teodoro Sampaio, 1229, na parte de cima,
- 2:01:12onde é hoje o villadio café, o villadio café.
- 2:01:14Toda segunda-feira lá se reúne o clube caiubi e é uma experiência
- 2:01:19maravilhosa. Eu não tenho ido porque eu estou
- 2:01:22assoberbado com a com a gravação do disco novo do trio, mas é um
- 2:01:26lugar maravilhoso, está Victor, eu também levei para lá está
- 2:01:28Victor, é frequentador, um Monte de gente, se tornou
- 2:01:31frequentadora. E o clube está muito vivo, muito
- 2:01:36atuante. E a grande vantagem para mim foi
- 2:01:39que eu conheci uma série de parceiros.
- 2:01:42É parceiros com que eu comecei a fazer algumas canções que a mim
- 2:01:46me satisfazem muito. A outra grande Alegria é que
- 2:01:49nesse clube caiu bi inesperadamente para mim.
- 2:01:52A minha filha Bárbara, que na época tinha 12 anos, um Belo dia
- 2:01:57subiu no palco e começou a cantar as músicas dela e eu
- 2:01:59fiquei espantado, não é? E Ela Foi indo, ela passou
- 2:02:05daquela menina tímida que fazia assim.
- 2:02:06Hoje ela tem a maior segurança, já gravou o disco dela.
- 2:02:10Eu fui o produtor executivo do disco e fui o cara mais
- 2:02:14obediente do mundo. Eu só fiz o que ela queria,
- 2:02:17porque eu acho que esse é o papel de um produtor.
- 2:02:19Ele tem que estar lá para fazer com que a ideia do artista
- 2:02:22aconteça. E para mim foi muito bom poder
- 2:02:24fazer com que a ideia dela aconteça, porque a ideia dela é
- 2:02:26muito boa. Ela ela tem uma visão muito
- 2:02:28correta da música. Ela está indo, ela é uma menina
- 2:02:31de 18 anos agora que está indo exatamente na contramão das da
- 2:02:35da pedofilia brejeira que assola o mercado de cantoras
- 2:02:38brasileiro. Zé tua da tua parceria com
- 2:02:41soneca, nunca senti. Tanto medo de ser feliz.
- 2:02:44Essa foi uma canção que eu escrevi.
- 2:02:46Eu fui a Brasília no o trio foi fazer um show em Brasília na
- 2:02:49caixa, e aí eu fui a uma festa dos nossos amigos do m música de
- 2:02:53Brasília. E nessa festa eu encontrei muita
- 2:02:56gente que é assim do primeiríssimo escalão do
- 2:02:58governo. Isso em 2003, isso era agosto de
- 2:03:032003, nós vamos fazer. E esses caras contaram para mim
- 2:03:07umas histórias, negócio de umas malas de dinheiro que saía do
- 2:03:10gabinete do Zé Dirceu e IA para e aí de negócio de uma de uma
- 2:03:14mesada que eles pagavam todo mês.
- 2:03:16Era um negócio escandaloso. Eu fiquei assoberbado com
- 2:03:20aquilo. Chegou 1 hora que eu pedi, não
- 2:03:22me conta mais gente de lá de dentro, né?
- 2:03:25Eu cheguei em São Paulo, falei com a Júlia, minha mulher,
- 2:03:28contei a história para ela, ela falou, é uma coisa terrível, os
- 2:03:31caras estão matando nosso sonho. E eu peguei essa frase dela e
- 2:03:35fiz uma letra, mandei para um Monte de gente, as pessoas
- 2:03:38passaram batido, não sabiam do que eu tava falando, né?
- 2:03:42E aí o soneca acabou fazendo, não me dá aqui que eu vou fazer.
- 2:03:44Fez uma Bela canção que quando chegou em maio de 2004, quando
- 2:03:47explodiu a história do mensalão, aí as pessoas perceberam que era
- 2:03:51uma canção é, é, é quase que profética.
- 2:04:09Antigamente. Eu até sonhava.
- 2:04:14Mas hoje nem durmo mais camarada, desde que pegaram meu
- 2:04:20lindo sonho. E transformaram em menos que
- 2:04:24nada. Acreditei quando me disseram,
- 2:04:30agora é que vai ser bom, camarada.
- 2:04:35Pisei firme e forte na estrada e pensei, pois pegaram meu sonho,
- 2:04:47mataram meu sonho. Gravaram.
- 2:04:50Meu sonho de bala dispersaram meu sonho, picaram meu sonho.
- 2:04:59Jogaram meu sonho na vala e me deram em troca.
- 2:05:04TV colorida gritando no meio da sala.
- 2:05:10E me deram em troca, TV colorida gritando no meio da sala, e hoje
- 2:05:20que eu vejo esse olhar de cobiça na cara de todo o país.
- 2:05:28É que. Entendo que nunca senti tanto
- 2:05:31medo. De ser feliz, ainda assim, a
- 2:05:38Esperança acordando no peito, você já me diz?
- 2:05:45Vai. Pagando para ver, pois um dia
- 2:05:48ainda vai ser como a gente quis, camarada, pois pegaram meu
- 2:05:57sonho, mataram meu sonho. Gravaram meu sonho de bala,
- 2:06:04destroçaram meu sonho, picaram meu sonho.
- 2:06:10Jogaram meu sonho na vala e me deram em troca.
- 2:06:15TV colorida gritando no meio da sala.
- 2:06:21Cantar isso em Brasília foi uma das experiências mais
- 2:06:33alucinantes da minha vida, as pessoas.
- 2:06:49Ficaram. É porque é duro você encontrar
- 2:06:53pessoas que dizem o que tem que ser dito, né?
- 2:06:56Mas eu? Acho que é isso.
- 2:06:57Toninho eu acho que hoje em dia, na música, o grande problema é
- 2:07:00que você vai ouvir as canções e as pessoas não estão se
- 2:07:04revelando. Elas estão fazendo, como muitos
- 2:07:07desses compositores que a gente conhece, que são amigos,
- 2:07:09companheiros, mas que criam um personagem e botam na frente de
- 2:07:13si mesmo, inventando uma emoção substituta para não ter que
- 2:07:16abrir a si próprio, não ter que revelar se a si mesmo.
- 2:07:21Eu acho que a função do artista hoje, mais do que nunca, é ter a
- 2:07:24coragem de mergulhar no abismo do seu próprio eu para trazer lá
- 2:07:27de dentro alguma coisa que possa servir de alento ou de solução,
- 2:07:31ou de ideia ou de proposta para quem te ouve.
- 2:07:35Ou você tem que trazer. Não adianta você ficar cantando
- 2:07:37coisas institucionais, dizendo a mesma coisa que todo mundo já
- 2:07:40disse, clonando canções que já foram feitas, repetindo o que já
- 2:07:43foi feito, ou então recorrendo ao ao que eles chamam de não
- 2:07:47precisamos resgatar a música, mas como resgatar a música
- 2:07:50brasileira se ela nunca foi sequestrada?
- 2:07:52Em todo lugar que você entra, elas estão lá cantando aquela
- 2:07:54mesma coisa, não, porque o resgate não resgate de nada.
- 2:07:57Conversa fiada vocês estão querendo é preservar territórios
- 2:08:00de poder em vez. De dizer coisas.
- 2:08:03As pessoas precisam ouvir coisas, precisam que você faça
- 2:08:07ideias, não os cara. Gosta de música velha?
- 2:08:09Mentira, dá música nova para eles, que você vai ver como eles
- 2:08:12reagem bem. Essas coisas são fenomenadas.
- 2:08:14A gente tem a experiência e sabe que isso é verdade, sabe o
- 2:08:18quanto isso representa, sabe o quantas pessoas estão atrás de
- 2:08:20ideias novas, de músicas diferentes, originais,
- 2:08:23singulares, em vez de ficar nesse hamerão repetitivo de
- 2:08:26tudo. Uma das próprias que eu tive com
- 2:08:28isso foi a música que a gente fez, que eu fiz pro pro pro trio
- 2:08:31Jesus numa moto. Foi uma canção absolutamente
- 2:08:35extemporânea e que onde você chega, as pessoas cantam.
- 2:08:38E tem mais, ela virou hoje hino de é é é escuderias de de
- 2:08:43motoqueiros que os caras. OPA, alguém fez uma música que
- 2:08:48fala o que a gente sente. Que deixa claro, mostra
- 2:08:51claramente quem nós somos, porque é só isso.
- 2:08:53É só a capacidade de você pensar alguma coisa e dizer para essas
- 2:08:57pessoas, nós, nesse disco novo que o trio acabou de fazer, uma
- 2:09:00das preocupações foi exatamente essa, a gente começar e buscar
- 2:09:04dentro da gente coisas que nunca tinham sido ditas, ou pelo menos
- 2:09:07que nunca tinham sido ditas daquela maneira, ou pelo menos
- 2:09:10que estavam sendo, estavam sendo olhadas de uma outra forma, por
- 2:09:14um outro ponto de vista e que. Geraram obras belíssimas,
- 2:09:19canções belíssimas, Fortes, ricas, interessantes, que eu
- 2:09:22acho que é exatamente a nossa obrigação.
- 2:09:25Jesus. Numa moto?
- 2:09:42Preso nesta cela? De ossos, cara e sangue dando
- 2:09:51ordens a quem não sabe, obedecendo a quem tem.
- 2:09:58Só espero a hora em que o mundo Estanque pra me aproveitar do
- 2:10:07conforto de não ser mais ninguém.
- 2:10:11E eu vou virar a própria mesa. Quero.
- 2:10:17Vou meter um malumbrado nas ideias e sai por aí.
- 2:10:27Vai ser Jesus numa moto, chega embora dos acostamentos, Bob
- 2:10:35dila numa antiga foto que antes nos trata.
- 2:10:41Medos. Nada no
- 2:11:08passado, tudo no futuro. Espalhando que já está morto pro
- 2:11:18que é vivo crescer sob a luz da lua.
- 2:11:28Mesmo com o Sol, claro, não importa preço que eu pague o meu
- 2:11:34negócio é te ver. Eu vou virar a própria pesa,
- 2:11:40quero ir dar uma nova alcateia pra ser Jesus.
- 2:11:56Chegue Vara dos acostamentos, Bob Dylan, numa antiga forma,
- 2:12:03Cassius Clay antes dos tratamentos, jogadores das
- 2:12:16letras apagadas e arranjo, Gabriel, sem apocalipse.
- 2:12:33Sob a luz da lua, mesmo com sol, claro.
- 2:12:48Eu. Fiz essa música movido por uma
- 2:12:57ideia. Eu não encontrei ninguém hoje,
- 2:13:00até hoje, que tenha entendido essa música como eu a fiz.
- 2:13:04Cada um entende de um jeito. São versões as mais alucinadas,
- 2:13:08mas uma coisa que eu percebi é que eu falo de cela.
- 2:13:11E quando eu falo de cela, é cela prisão.
- 2:13:13Cela de prisão. Quer dizer, porque eu acho que
- 2:13:15nós todos somos do momento em que a gente nasce, estão onde
- 2:13:18que a gente morre e a gente está prisioneiro de uma cela de
- 2:13:21ossos, carne e sangue, que é uma prisão, uma solitária, né?
- 2:13:25Que a gente precisa fazer dela o melhor possível.
- 2:13:28E as pessoas todas entendem. Cela de cavalo é engraçado,
- 2:13:31muito interessante. Mas ele é bom, é bom isso, é
- 2:13:33muito rico você. Teve uma canção em parceria com
- 2:13:36o Reinaldo Bessa, gravada pelo ira.
- 2:13:39Inclusive, o mais curioso é que o ira gravou de um jeito o beça
- 2:13:43canta de um e você de outro, totalmente diferente.
- 2:13:46Foi feita de de de outra forma. É.
- 2:13:49Eu acho maravilhoso ter podido passar por isso.
- 2:13:52Essa experiência com ira foi muito legal porque eu fui lá,
- 2:13:55levei algumas canções e foi engraçado que a gente tem do
- 2:13:58ira. Eu pelo menos tinha do ira uma
- 2:13:59visão muito diferente do que eles têm deles mesmo.
- 2:14:03Eu levei várias canções Fortes, pesadas, coisa e tal.
- 2:14:06E eles estavam procurando canções românticas, e eles
- 2:14:09ficaram exatamente com o por amor, mas o Nasi?
- 2:14:14Que estava? Preparando um disco solo dele,
- 2:14:16pegou uma das canções mais barra pesada que eu já fiz na vida,
- 2:14:20que é uma canção chamada onde os Anjos não ousam pisar, com letra
- 2:14:24da Ethel frota, e gravou no disco solo dele.
- 2:14:27E é uma música que ele canta nos shows dele e diz que a plateia
- 2:14:31fica. Derrubada no chão quando ele
- 2:14:34canta. E é.
- 2:14:35Foi uma experiência muito interessante, porque eu acho que
- 2:14:38é é é essa capacidade que você tem que ter de fazer canções que
- 2:14:44possam ser usadas para significar alguma coisa para o
- 2:14:48público. Não adianta você fazer canções
- 2:14:50simplesmente para ocupar o tempo ou para, sabe, botar, botar,
- 2:14:55botar a sua cara na televisão. Não é um isso mais.
- 2:14:58Dizer alguma coisa. As pessoas estão procurando
- 2:15:01todas elas. Ouvir alguma coisa, diga alguma
- 2:15:04coisa realmente importante para elas.
- 2:15:07Eu acho que essa vazieza que a gente se se permitiu.
- 2:15:12Por. Ter aceitado o projeto puramente
- 2:15:17comercial da indústria. E isso aconteceu com todo mundo,
- 2:15:19todos os artistas brasileiros aceitaram isso.
- 2:15:23Até os próprios independentes você vai ouvir os discos deles,
- 2:15:25e eles estão fazendo discos no padrão da indústria, porque o
- 2:15:28sonho deles é ser assimilado pela indústria na primeira
- 2:15:31oportunidade. Então eu acho que não é isso.
- 2:15:33Eu acho que vai lá e faz a tua arte.
- 2:15:35Eu, a melhor coisa que você pode fazer é essa, com coragem,
- 2:15:38arrisca a tua alma, é, é, arrisca o sustento, arrisca a
- 2:15:42herança dos teus filhos, mas faz a tua arte, porque eu acho que
- 2:15:45não, não, não tem sentido se não for assim, onde os Anjos não
- 2:15:48ousam pisar. Noite cerrada, ferro fogo,
- 2:16:19batismo. Anjo nenhum vai conseguir me
- 2:16:24escorar. Vai com açúcar ou prefere
- 2:16:29adoçante? Anjo da guarda não se arrisca a
- 2:16:33provar. Nada perder, nada ganhar,
- 2:16:41enlouquecer o delirás e eu ainda insisto em mandar onde os Anjos
- 2:16:51não ousam pisar. Na.
- 2:17:01Matinê, morro de tiro ou de tédio.
- 2:17:06Se Deus morreu, quem é que vai me enterrar?
- 2:17:11Prefiro o brilho do meu próprio remédio.
- 2:17:16Anjo da guarda não se arrisca a olhar a camisinha você trouxe
- 2:17:23meu bem? Deixa, meu anjo, que eu não vou
- 2:17:27gozar. Nada a Perder, nada a ganhar e
- 2:17:38eu ainda insisto em andar. A alma vazia vem de todos os
- 2:18:04móveis. Levei na troca.
- 2:18:20Molhado o asfalto das esquinas de mim, abandonado por meu
- 2:18:31próprio destino, buscando um rumo para seguir, sem pensar
- 2:18:38dentro do peito, agonizando o menino que se perdeu porque não
- 2:18:46soube chorar. Se não tem cura, eu toco um
- 2:18:50tanto argentino olhando o anjo que não sabe dançar.
- 2:19:09Eu ainda insisto em andar onde os Anjos não usam Pina.
- 2:19:49Onde eu passo sem ter que pensar, nenhum anjo consegue
- 2:19:59voar? Eu quero que você mostre uma
- 2:20:16canção para nós que você fez muito sabiamente com a letra de
- 2:20:20um advogado. Ah, sim.
- 2:20:23É bom, é bom poder trabalhar com ele.
- 2:20:25Ele é um é uma pessoa interessante.
- 2:20:27Eu descobri o letrista dentro desse advogado, ele lá no Caio
- 2:20:31bi, porque Caio bi é o seguinte, as pessoas vão se reunindo, vão
- 2:20:33aparecendo. EE, aquele ambiente começa a
- 2:20:36despertar OOO pedaço, o osso criativo que as pessoas têm, né?
- 2:20:42E esse cara, de repente um dia estava lá igual o Zé Edu Camargo
- 2:20:45escrevendo letras. Só que ele escreve no palmi Zé
- 2:20:48Edu escreve nos guardanapos, ele escreve no palmi, né?
- 2:20:51Pessoa Moderna. E aí ele me mandou essa lei.
- 2:20:54Ele começou a fazer letras, fizemos um Monte de coisa
- 2:20:56juntos. É ele é 11 dos parceiros mais
- 2:20:58constantes da Bárbara, minha filha, com quem ele tem feito
- 2:21:01canções excepcionais, que é o nosso querido amigo Hélder
- 2:21:03Braga, doutor Hélder Braga e essa é uma canção chamada boa
- 2:21:07noite, Cinderela. A sua cintura não é mais aquela
- 2:21:31boa noite, Cinderela. Eu acho que você exagerou na
- 2:21:38mortadela. Devolve o silicone que eu te
- 2:21:41dei. Ele tá aí dentro que eu sei.
- 2:21:47Devolve o silicone que eu te dei.
- 2:21:51E ele tá aí dentro que eu sei, os sapatos de cristal
- 2:22:05embrulhados no jornal rememoram passado com muito menos assado.
- 2:22:16E o vestido? Da.
- 2:22:18Festa tão em? Bolorado a testa que, depois de
- 2:22:25tantos anos, precisaria mais pano?
- 2:22:32Ou a noite Cinderela, a sua cintura não é mais aquela.
- 2:22:40Ou a noite Cinderela. Eu acho que você exagerou na
- 2:22:45mortadela. Devolve o silicone que eu te
- 2:22:49dei. Ele tá aí dentro que eu sei.
- 2:22:54Devolve o silicone que eu te dei.
- 2:23:08As curvas dos teus quadris que um dia tanto quis depois de
- 2:23:17tanta cerveja, hoje ninguém vai desejar tentar ali por ação.
- 2:23:27Já não. É mais solução até.
- 2:23:32Teus lábios carnudos ficaram reconstrudos.
- 2:23:38E a noite Cinderela a sua cintura não é mais aquela boa
- 2:23:47noite Cinderela. Eu acho que você exagerou na
- 2:23:52moca dela. Devolve o silicone que eu te
- 2:23:56dei. Ele tá aí dentro que eu sei,
- 2:24:01devolve o silicone que eu te dei.
- 2:24:05Ele tá aí dentro que eu sei. Boa noite, cinderel a sua
- 2:24:20cintura. Não é mais aquela boa noite,
- 2:24:24Cinderella. Eu acho que você.
- 2:24:28Exagero na mortadela? Zé, projetos literários em
- 2:24:32vista, eu terminei. A trilogia do tempo que eu
- 2:24:34estava escrevendo, estou escrevendo desde 88.
- 2:24:37Ela saiu em 89, o primeiro volume, que já está na 12ª
- 2:24:41edição. Em 2005, eu fiz o segundo.
- 2:24:45O primeiro volume, chama se joaben diário de um construtor
- 2:24:47do templo, já está na 12ª edição.
- 2:24:49Hino 2005 saiu zorobabel reconstruindo o templo, que já
- 2:24:52está indo para sexta. E agora, em 2007, ano passado,
- 2:25:00eu lancei o terceiro, que é o skinde florak o fim do tempo,
- 2:25:04que é o livro que conta a verdadeira ligação entre
- 2:25:07templários de Maçonaria, revelando algumas verdades que
- 2:25:11ficaram ocultas durante muito tempo.
- 2:25:13E aí, a trilogia do tempo está pronta?
- 2:25:15Está nas lojas, inclusive numa caixa especial feita para os 3
- 2:25:19volumes, que vai ser 11, objeto de desejo muito importante.
- 2:25:22Esses 3 livros estão sendo negociados para sair no
- 2:25:25exterior, provavelmente Portugal e Espanha a partir de 2009.
- 2:25:29As negociações estão sendo feitas com muito cuidado, que
- 2:25:32vale a pena você lá fora. Você tem que trabalhar com muito
- 2:25:35cuidado para saber exatamente o que está fazendo.
- 2:25:37Mas eu não parei de escrever. Eu, inclusive, nesse tempo todo
- 2:25:41eu percebi que se eu tivesse começado a escrever mais cedo,
- 2:25:43eu não teria feito outra coisa, porque é talvez Oo hábito de
- 2:25:48maior prazer que eu tenho na vida.
- 2:25:49Eu escrevo todos os dias. Por exemplo, hoje eu acordei de
- 2:25:51manhã. Como eu tinha que vir para cá,
- 2:25:53eu acordei mais cedo para poder escrever e sempre aproveito
- 2:25:56alguma coisa. Eu estou começando uma nova
- 2:25:59trilogia, que é que vai contar a história da Maçonaria no Brasil.
- 2:26:02Então, esse primeiro volume que eu já estou escrevendo chama, se
- 2:26:05o cozinheiro do rei, eu estou quase chegando, a metade dele é.
- 2:26:10É um livro que conta o Brasil do final do período colonial até
- 2:26:14logo depois da Independência, mostrando como é que os maçons.
- 2:26:19Agiram depois? Como é que a Maçonaria agiu em
- 2:26:22relação a isso? É, ao mesmo tempo também estou
- 2:26:24contando a história da formação da cozinha brasileira, que é uma
- 2:26:27coisa que me interessa muito, porque essa esse verdadeiramente
- 2:26:29é o meu, é o meu hobby mais constante, que é o de cozinhar,
- 2:26:33eu cozinho todos os dias e cozinha.
- 2:26:35Bem que eu sou testemunha, é? Assim, né?
- 2:26:36Eu estou daqui a pouco eu estou indo para casa para fazer o
- 2:26:38jantar, né? Já fiz o almoço e vim pra cá,
- 2:26:41antes de vir pra cá eu fiz o almoço, dona Júlia.
- 2:26:43É uma mulher quem cozinha melhor.
- 2:26:44Você é a Júlia. Ela.
- 2:26:45Faz doces muito bem. Ela.
- 2:26:47Ela é a doceira da casa. Eu não tenho paciência para
- 2:26:49fazer doces não, mas eu gosto de cozinhar e ela aprendeu depois
- 2:26:52de um tempo aprendeu. Ela fica me me recriminando
- 2:26:55agora dizendo não cozinhem tão bem, não cozinhei tão bem.
- 2:26:57Nós estamos engordando, não faça comida tão boa, mas não tem
- 2:27:00jeito, né? Você ouviu aí?
- 2:27:05As 3 partes da entrevista de Zé Rodrigues altonin espessoto na
- 2:27:10Rádio USP, em março de 2009, 2 meses antes da morte do Zé
- 2:27:18Rodrigues, né? Bom, é.
- 2:27:20Você ficou com mais de 2 horas desse material riquíssimo
- 2:27:26cantando e contando a sua história.
- 2:27:28O Zé Rodrigues aqui para nós. Aliás, o soneca disse que havia
- 2:27:32até um plano de transformar esse material no audiobook na época,
- 2:27:36né? Enfim, e agora a gente
- 2:27:37compartilha aqui para você no peças raras.
- 2:27:40Espero que você tenha gostado, tenha se emocionado, tenha
- 2:27:43lembrado de bons momentos ou é conhecido, né?
- 2:27:47Para você que não viveu essas histórias, uma parte dos
- 2:27:50capítulos da música popular brasileira escritos pelo Zé
- 2:27:54Rodrigues e também da publicidade no Brasil, tá bom,
- 2:27:57um grande abraço e até a próxima.
- 2:28:00Ah, quando eu volto com mais peças raras para você, Salomão
- 2:28:10sper no processo de interação, o rádio entra com o áudio e o
- 2:28:15ouvinte com a imagem. José Paulo de Andrade é
- 2:28:18impressionante como a voz é reveladora.
- 2:28:22Eli Correa, por. Isso que eu digo, rádio é um
- 2:28:25grande companheiro, é a melhor companhia que alguém pode ter.
- 2:28:29Vanessa. Rabelo, o que me?
- 2:28:31Encanta no rádio. É ser companhia de tanta gente
- 2:28:35legal. Todos os dias as pessoas
- 2:28:37carregarem a gente no banco do lado, né?
- 2:28:40Quando estão no carro ou então em casa, respondeu.
- 2:28:43Nosso bom dia. Joseval Peixoto pois o que eu?
- 2:28:47Posso dizer é que. Eu sou muito, mas eu tenho muito
- 2:28:49orgulho de ser radialista. Micolau thuma radialista é a
- 2:28:55simbiose de rádio com idealista hélio Ribeiro.
- 2:29:00Meu Nome é Rádio. Eu eu não envelheço, me atualizo
- 2:29:05essas rádios. Você tem sintonia com rádio?