Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 5 - E QUANDO TUDO MUDA? Chá de coragem, com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Eu achava que o envelhecimento IA me trazer assim, muitas
- 0:05certezas sobre mim, sobre o outro, sobre a vida.
- 0:09Mas o que os 40 me trouxeram de verdade foi a paz, tá?
- 0:12A paz é um pouco forte a ausência de briga com as minhas
- 0:16dúvidas. Aceita o chá de coragem?
- 0:32Então, minha gente, o episódio de hoje é para falar de um
- 0:35assunto que tem mexido comigo, que eu tenho pesquisado, que eu
- 0:39tenho estudado, que tem sido foco de um Monte de conversa
- 0:44minha. Sei nem se eu vou conseguir
- 0:46organizar minha cabeça direito para falar sobre esse assunto,
- 0:49que é o que climatério envelhecimento.
- 0:54Agora, aos 40 anos, o meu corpo, ele resolveu que ele vai trazer
- 0:58mais dúvidas que eu sempre tive com ele.
- 1:01Preciso dizer que eu sempre busquei certezas, que eu sou uma
- 1:04pessoa que ama a previsibilidade e vamos saber o que vai
- 1:09acontecer. Eu acho que previsibilidade é um
- 1:11cobertor quentinho, traz segurança, sabe?
- 1:15Me deixa pensar o que eu vou fazer e saber o que eu vou
- 1:17fazer. É bom demais, gente.
- 1:20Então eu sempre tive muita, muito apego a previsibilidade.
- 1:24E senti uma coisa na minha vida que era previsível desde os meus
- 1:2811 anos. Era o que a minha menstruação,
- 1:31ela sempre foi absurdamente previsível.
- 1:34O ciclo sempre foi certinho, maravilhoso, tudo certo, um
- 1:39relógio. Ela só atrasou quando estava
- 1:42grávida e eu tive desconfiança de gravidez pouquíssimas vezes
- 1:45na vida. Então, assim, ela sempre foi
- 1:47muito certa. Aí vieram os 40 anos e ela.
- 1:52Que sempre norteou parte da minha vida.
- 1:55Resolveu brincar com a minha cara.
- 1:58E aí eu entendi que eu não vou chegar lá, que eu não vou chegar
- 2:04num lugar em que eu vou saber tudo.
- 2:07De tudo que eu realmente acreditei que esse lugar
- 2:09existia, eu realmente achei chega a uma idade, um momento da
- 2:14vida em que a gente não IA ser assaltada.
- 2:18Pelas dúvidas da vida, sabe que a gente IA estar assim, pura
- 2:21segurança. Por muito tempo eu acreditei
- 2:24nisso. E aí a medida que eu estou me
- 2:26envelhecendo, eu estou percebendo que esse momento não
- 2:29vai chegar e eu acho que o climatério ele veio me dando um
- 2:32sacode disso, vou te contar mais ou menos como é a minha história
- 2:35com o climatério. Eu não estou assim totalmente no
- 2:40climatério, estou entrando no climatério e eu demorei de
- 2:44perceber isso. Quais foram os sinais?
- 2:47Primeiro eu comecei a reclamar da minha pele.
- 2:50Eu sou uma pessoa que ama hidratantes.
- 2:53Eu tomo um banho de hidratante e tem uma questão racial bem forte
- 2:56aí, né? Pessoas negras costumam ser
- 2:59banhadas por olhos hidratantes com as das famílias desde muito
- 3:02pequenas assim. Minha mãe vivia com olhinho de
- 3:04lavanda, passando pra não ficar com a perna fubazenta, que era
- 3:07como ela falava quando eu era criança.
- 3:09Então eu sou uma pessoa que toma muito banho de hidratante, tomo
- 3:11banho e tomo banho de hidratante, meu segundo banho.
- 3:15Só que eu comecei há uns 6 meses.
- 3:18Reclamar de todos os hidratantes e aí não interessa a marca que
- 3:22eu usava, eu IA lá e trocava de hidratante.
- 3:24Quando eu estava achando que ele estava fraco, comecei a brigar,
- 3:27falando, nossa, mas estão mudando a fórmula de todos os
- 3:30hidratantes porque não é possível.
- 3:31Nenhum hidratante está dando certo, mas na minha pele, a
- 3:33minha pele está ficando ressecada, eu passo o dedo assim
- 3:36e fica risco. Aí, depois de um tempo não junto
- 3:39com isso, eu estava reclamando de quê?
- 3:41Do sono. Meu sono começou a ficar picado.
- 3:45Acordar várias vezes durante a noite eu tenho insônia.
- 3:47Eu nunca fui uma pessoa da insônia, gente, eu sempre fui
- 3:49uma pessoa que dorme muito bem, que dorme demais até insônia.
- 3:53Fui pra onde? Pra psiquiatra, estava olhando
- 3:55cada coisa de um jeito. Aí a minha menstruação começou a
- 3:59atrasar. Na realidade, ela começou a
- 4:01variar o ciclo, então o ciclo que sempre foi de 25 dias, entre
- 4:0525 e 7 dias, começou a ficar 23, depois de 35, depois 21.
- 4:12Depois 40, ela começou a fazer vamos adivinhar quando é que ela
- 4:16chega hoje? Mistério.
- 4:18Posso fazer um bolão para saber quando ela vai chegar.
- 4:21E aí quando ela atrasou e adiantou e atrasou e adiantou,
- 4:27foi quando eu parei para enxergar.
- 4:28Caramba, eu acho que é o climatério.
- 4:33E olha que interessante. Eu vinha lendo sobre o
- 4:36climatério, porque tem uma certa tendência e ansiedade.
- 4:42Pequeno, pequeno, tem uma certa tendência e ansiedade.
- 4:46Então se já que IA chegar em algum momento eu queria entender
- 4:49tudo sobre o cliotério e aí eu já estava sabendo mais ou menos
- 4:52como é que ele acontece. Mas eu não achei que IA
- 4:55acontecer comigo agora, aos 40 anos.
- 4:58E olha que interessante. Assim, a gente conversa pouco
- 5:00com outras mulheres sobre o nosso corpo.
- 5:03Vocês já repararam isso? Quando a minha menstruação
- 5:06chegou, eu tinha 11 anos. E eu não me recordo de ter
- 5:13trocado com amigas sobre a menstruação, eu não me lembro de
- 5:18ter falado com elas, como foi a minha primeira menstruação, como
- 5:21é que eu tava me sentindo? Tinha uma vergonha assim, pedi
- 5:25um absorvente. Ah, você tem uma absorvente aí
- 5:28era um negócio assim, surrado, sabe, com vergonha.
- 5:32E aí eu percebi que a gente fala muito pouco na vida adulta dessa
- 5:36ilha, dessa despedida da menstruação.
- 5:39E esses dias eu conversei com uma amiga, ela tem alguns anos,
- 5:42há mais que eu, ela tem 47, e a gente falava sobre climatério e
- 5:48eu falei, nossa, a pele. Eu estou sentindo que está
- 5:50chegando. E eu essa inconstância não saber
- 5:54quando a minha menstruação vai chegar.
- 5:56Foi um susto pra mim. E eu falei, nossa, sempre usei.
- 5:59Coletor menstrual, eu não estou conseguindo, ela está
- 6:01impaciente, eu fizer, não tenho paciência para colocar ela.
- 6:04Ah, isso também aconteceu comigo, meus hormônios não
- 6:07apareciam caindo no exame, agora está aparecendo e conversando
- 6:11com ela. Sabe aquelas aquela sensação de
- 6:14nossa, ela também viveu isso e ela também vê isso assim, gente,
- 6:18coisa melhor que eu ver também que a gente conversa pouco com
- 6:21outras mulheres e por ter 40 anos, como assim você está cheio
- 6:25de dúvida ainda sobre a menstruação?
- 6:29E veio com dúvidas, com incertezas.
- 6:32Eu uso coletor menstrual há sei lá quantos anos.
- 6:35Eu não estou mais com paciência para usar, estou em paciente, eu
- 6:37olho para ele e falo AI, não quero o que era a certeza para
- 6:41mim. Começou a virar uma dúvida.
- 6:44E tem algo de interessante nessa história da climatéria, que você
- 6:47não sabe o tempo que ele vai durar.
- 6:49Então você não sabe quanto tempo dessa dessa primeira brincadeira
- 6:52da sua, da menstruação com a sua cara.
- 6:54Até quando ela vai embora de vez?
- 6:56Você não sabe quanto tempo isso vai durar.
- 6:58Então tem mulheres que passam 2 anos assim, tem mulheres que
- 7:01passam 10 anos assim. É uma imprevisibilidade enorme
- 7:07que foi tema de terapia, minha gente, porque assim
- 7:09imprevisibilidade é um negócio que me dá hiperventilação,
- 7:13taquicardia e eu fui conversando com a terapeuta sobre o susto
- 7:18que era agora não saber algo que é muito.
- 7:24Próprio de mim, que é o meu corpo.
- 7:27Quando eu falo com pais de adolescentes, eu sempre digo que
- 7:30a adolescência, ela é muito angustiante, porque você mora
- 7:34num corpo que você não conhece, que ele é muito imprevisível.
- 7:38Então você, quando você é adolescente, você mora num corpo
- 7:41que você não sabe amanhã qual que vai estar.
- 7:43A gravidade da tua voz. Você não sabe qual é o tamanho
- 7:47do seu seio. Com a tua mãe, que vai ser o seu
- 7:50seio, ou o seu pé ou sua altura, é um corpo que ele muda numa
- 7:54velocidade muito assustadora, muito assim, gente, Miguel saiu,
- 8:00Miguel, meu filho, saiu do 41 do sapato 41 para o sapato 43, numa
- 8:05velocidade que eu não me lembro. Eu só sei que um dia eu comprei
- 8:08a sandália 41 e juro que foi coisa de 2 ou 3 meses.
- 8:10Ele, mãe, sandália que você comprou não tá cabendo a mais,
- 8:13como assim não tá cabendo, filho, ela é 41, como não tá
- 8:15cabendo, ele calçou. Não cabe.
- 8:18E eu fiquei olhando para aquele pé e pensando, meu Deus, como
- 8:21isso muda? E eu sempre disse que acho a
- 8:24adolescência muito angustiante por isso.
- 8:27E aí, enquanto os meus filhos estão vivendo essa angústia
- 8:29desse corpo mudando na adolescência, eu estou vivendo
- 8:32novas perguntas, como meu corpo? Eu estou encarando esse corpo
- 8:36que está com a pele, que está diferente, que está com sono,
- 8:40que está diferente, que eu estou com humor, que está diferente?
- 8:45Que a menstruação que me acompanha há quase 30 anos, que
- 8:51era uma certeza, também tá diferente.
- 8:54E aí o fluxo às vezes tá fraquinho, às vezes ele tá forte
- 8:57de um jeito que eu nunca tinha visto na minha vida.
- 9:01E o quanto para mim, essa mudança do do corpo, que era uma
- 9:05certeza, ela simbolizou muita coisa na chegada nos 40 anos,
- 9:10sabe? Eu levei para terapia, essa
- 9:13inconstância. Essa instabilidade e essa
- 9:18sensação de que as coisas ainda mudam muito, inclusive nesse
- 9:23corpo. E como certeza é coisa de gente
- 9:26jovem OKA medida que você envelhece o corpo, ele não te
- 9:30traz certezas e tem sido um exercício para essa lizama super
- 9:38controladora, essa lizama que quer saber os detalhes de tudo.
- 9:42Essa lizama que quer se precaver de tudo.
- 9:45Aprender a lidar com. Pois é, querida, não vai chegar
- 9:49esse momento de você saber tudo, esse momento de você ter só
- 9:51certezas, esse momento em que você não vai ser humana.
- 9:56E cada um de nós, cada uma de nós, tem os seus motivos, sabe?
- 10:01Para ter esse desejo de certeza, de segurança, de estabilidade.
- 10:07Ser humano é uma condição muito grande de desamparo.
- 10:13O Freud dizia muito isso, que nós somos genuinamente
- 10:16desamparados, né? A gente precisa do outro para
- 10:20tudo. A nossa gestação, a gestação do
- 10:23ser humano é deveria ser muito maior para desenvolver o cérebro
- 10:28da forma que deveria se desenvolver.
- 10:31Só que a barriga de uma mãe não IA acabar, então a gente sai bem
- 10:35despreparado. Nós somos os mamíferos que
- 10:38nascem e que não sai caminhando com pouco tempo.
- 10:40A gente até mora um tempo, um ano, gente.
- 10:43Um ano você demora para você conseguir se locomover.
- 10:46É o nível de desamparo muito grande.
- 10:48A gente precisa do outro o tempo inteiro.
- 10:51Não existe a chance de você não precisar do outro.
- 10:54Você já parou para pensar nisso? Que essa ideia de que você vai
- 11:00ser absurdamente independente, que você não quer precisar de
- 11:03ninguém, ela é uma farsa, que você só está aqui porque alguém
- 11:08cuidou de você e que você vai precisar do outro o tempo
- 11:11inteiro. O winnicott, ele trazia a ideia
- 11:15da Independência, que é uma Independência relativa, que é a
- 11:20gente nasce completamente independente e a gente vai
- 11:23construindo relações em que a gente é.
- 11:27Vai depender do outro, que nós somos interdependentes e que é
- 11:30seguro fazer isso. A relação saudável é aquela
- 11:32relação e que eu posso contar com outro, em que eu posso, sim,
- 11:36delegar algo para você e que eu sei que você vai estar ali para
- 11:40mim. E que eu vou estar aqui para,
- 11:42você sabe, essa troca. Mas para a maioria de nós, essa
- 11:46busca por saber o que vai acontecer é um jeitinho que a
- 11:50gente tem de fugir da dependência, do desamparo, da
- 11:58sensação de que nossa, amanhã tudo pode mudar, tudo pode
- 12:01acontecer. Quando nós éramos crianças, nós
- 12:05somos educados e educadas, sobretudo as mulheres.
- 12:08Para aprender que se a gente for certinho, boazinho, se comportar
- 12:12bem, a gente vai ter da vida só as coisas boas.
- 12:16Então, se você se comportar bem, a mamãe e o papai, você sempre
- 12:19pacientes e fofos com você. Toda vez que você recebeu a
- 12:23bronca foi porque você fez alguma coisa.
- 12:25Mas isso é uma mentira. Mamãe e papai são humanos.
- 12:29A vida ela é imprevisível e por mais que você se comporte muito,
- 12:33muito, muito bem, coisas difíceis ainda podem acontecer
- 12:37com você. Eu acho que os 40 anos tem me
- 12:41trazido a paz em relação a coisas difíceis podem acontecer
- 12:47e a certeza de que eu preciso construir relações que me ajudam
- 12:53a lidar com o desconhecido, a lidar com as inconstâncias
- 12:59relações que me ajudam a lidar com as minhas dúvidas que estão
- 13:03mudando, que estão se transformando.
- 13:05Porque não tem resposta, gente. Não tem manual na no último
- 13:10atraso da minha menstruação. Eu falei, amor, compra um teste
- 13:13de gravidez. Vi, ele ficou olhando na minha
- 13:15cara. Eu falei, gente, amor, eu sei
- 13:16que isso aqui é o climatério, mas se eu não fizer o teste eu
- 13:20vou ficar muito ansiosa. Então deixa eu fazer.
- 13:23Já estava com, sei lá, 35 dias de atraso da menstruação.
- 13:27E aí eu fiz o teste e fiquei olhando e pensando, meu Deus, 40
- 13:32anos. Eu estou aqui fazendo teste de
- 13:34gravidez com filho adolescente. Sabendo que eu não estou
- 13:38grávida. Por que isso?
- 13:39Porque a vida ela é essa surpresa, sabe?
- 13:44A vida ela é essa incerteza, essa inconstância.
- 13:50O Freud contava uma história que eu eu não sei direito qual era o
- 13:55nome do poeta que ele encontrou, eu realmente não vou me lembrar
- 13:58e que eles estavam vendo passeando um Jardim, que ele viu
- 14:03uma flor e o poeta lamentou. Que a flor era tão efêmera.
- 14:09Que a flor ela morria tão fácil. E aí o Freud falou que a gente
- 14:14só acha a flor tão incrível e tão bonita e só percebe aquela
- 14:18flor EEE se encanta com essa flor da forma que a gente se
- 14:22encanta por saber que ela é efêmera e ela vai embora por
- 14:27saber da transitoridade dela. É a falta que faz a gente
- 14:32desejar, que faz a gente querer mais.
- 14:36Eu tenho aprendido a fazer as pazes com a falta, com a falta
- 14:40da certeza, com a falta do 100% de segurança.
- 14:44Eu tenho aprendido que a falta me faz me mover e a falta da
- 14:51certeza sobre o meu corpo está me fazendo criar um conteúdo
- 14:54aqui para você ir conversar sobre essa falta da certeza
- 14:56sobre o meu corpo, sabe? É o envelhecimento.
- 15:00Ele está me trazendo a paz com as minhas dúvidas.
- 15:05É, você pensa, 11 Tabuleiro de resta um, sabe daquele joguinho?
- 15:11Se ele for todo completo, não tiver faltando um pininho, você
- 15:14não consegue jogar, não tem uma vida completa, sacou?
- 15:18É as é, são as ausências que fazem, fazem a gente conseguir
- 15:22brincar com os pininhos e trocar de lugar.
- 15:26E eu acho que uma coisa muito jovem, muito imatura, é a gente
- 15:31achar que a gente precisa do Tabuleiro completo.
- 15:36Eu, eu tenho feito as pazes com o Tabuleiro incompleto e
- 15:40entendido que essa falta, essa ausência, essa dúvida, ela me
- 15:46ensina muito sobre mim, ela me ensina muito sobre a vida e ela
- 15:51vai fazer parte de mim. E gente, isso está me trazendo
- 15:55uma paz. Sério que eu nem achei que era
- 15:58possível sentir tendo dúvidas? Porque eu achava que a paz.
- 16:02Ela era completamente diretamente associada a ter
- 16:05certezas. E eu estou tão em paz assim, tão
- 16:09tranquila com as minhas dúvidas e tão tranquila com os meus
- 16:13pertencimentos e não pertencimentos.
- 16:17Eu dou palestra, um Monte de lugar e eu tenho um jeito de
- 16:21falar que eu faço piada. Eu, eu, eu, eu sou sarcástica,
- 16:26eu, eu não vim. Do berço, da intelectualidade,
- 16:30das pessoas, sabe? Eu nasci no povão e aqui eu sou.
- 16:36E hoje eu transito em lugares em que se espera da intelectual uma
- 16:42outra postura, talvez uma outra forma de se vestir, uma outra
- 16:45forma de falar. E por um tempo, gente, por um
- 16:49tempo eu tentei muito me encaixar, por um tempo eu tentei
- 16:53muito fazer parte. E os 40?
- 16:58Me trouxeram a paz com não me encaixar, sabe?
- 17:03Eu tô tão eu tô tão feliz com as minhas esquisitices, eu tô tão
- 17:08de boa com elas, eu tô tão defendendo as minhas
- 17:12esquisitices, eu tô tão é isso, gente?
- 17:15Pois é, eu sou essa pessoa completamente estranha e um
- 17:18Monte de coisas e que bom a paz com essas.
- 17:24Com essa versão minha hoje e com as versões que eu fui, ela tem
- 17:30me mostrado, tem me trazido uma leveza na vida que não é essa
- 17:34leveza que se propaga aí de você ser só rude, só legal, não é
- 17:38isso é um tá tudo bem, tá tudo bem.
- 17:41Ser se amontoado de incertezas, de dúvidas, de angústias.
- 17:49Ninguém vai ser só feliz. Você não vai ser só feliz.
- 17:53E aí a conversa corajosa de hoje é o quanto a gente precisa ir
- 18:00aprendendo a fazer as pazes com as nossas versões, que são
- 18:04várias gente. Eu olho para trás e tem coisas
- 18:08que eu vivi que parecem, que foi outra vida, que foi outra lisama
- 18:11e foi. Foi uma outra vida e foi uma
- 18:13outra lisama, que viveu aquela relação que viveu, aquela
- 18:16situação que esteve naquele trabalho, que pensava aquilo,
- 18:19que hoje eu olho para trás e por isso, que vergonha.
- 18:21Meu Deus, eu já falei isso. Deixa eu me esconder aqui um
- 18:23pouquinho. Pois é, mas aquela dali fui eu
- 18:26também que e quem sabe, quem me garante que é a lisão, daqui a
- 18:3110 anos não vai olhar para esse vídeo aqui e falar, nossa, ela
- 18:34teve coragem de sentar ali e falar aquilo e eu vou respeitar
- 18:41todas essas elisamas, sabe? É porque é como a corrida de
- 18:46bastão. Cada versão sua vai passando
- 18:50bastão para outra versão sua, para outra versão sua.
- 18:52E quando você cruzar a linha de chegada, não foi só a versão que
- 18:58tá lá com o melhor tênis e super preparada que cruzou a linha de
- 19:04chegada, entendeu? Foram todas as outras.
- 19:08Foi o bastão que todas passaram nessa corrida, que é de junta,
- 19:13que é de equipe. Foi um trabalho de equipe.
- 19:16De quem você é hoje? E de todas as outras que você já
- 19:19foi. Eu tenho feito as pazes com não
- 19:23saber quem eu vou ser daqui a um ano, 2 a 3 com sonhar, mas saber
- 19:28que amanhã, o sonho de hoje, ele pode já não fazer tanto sentido
- 19:32e que eu posso mudar de ideia. Eu posso descobrir coisas que me
- 19:36fazem querer novos caminhos amanhã e eu vou fazer as pazes
- 19:43com isso. E isso para mim é ser
- 19:46concorrente e respeitosa com a minha história, com as minhas
- 19:50expectativas, com os meus sentimentos, com o meu
- 19:54amadurecimento. Amadurecer para mim tem sido
- 19:58fazer as pazes com todas as elisamas que eu já fui e que eu
- 20:06sei que vou ser um dia. Então é isso.
- 20:10Espero que à medida que o tempo passe.
- 20:13Você vai encontrando em você a paz com suas dúvidas.
- 20:18Por muito tempo achei que as dúvidas era um sinal de
- 20:21incompetência, de que eu ainda não tinha chegado lá.
- 20:25Mas nós não vamos chegar lá. Então pega tuas dúvidas aí no
- 20:29meio do caminho, abraça todo mundo e só vamos, vamos que é,
- 20:34com dúvida mesmo, com medo mesmo, com incerteza mesmo,
- 20:38porque vai ser assim 40 com 50, com 60, com 70, porque isso faz
- 20:41parte da vida. Está bom?
- 20:44Pega esse episódio e manda para aquela amiga, aquela que está
- 20:49precisando ouvir sobre isso. O que você quer conversar sobre
- 20:53isso, sacou? Você manda para a pessoa falar.
- 20:56Ouve que a gente precisa se encontrar depois para falar
- 20:58sobre isso aqui. Está bom até o próximo episódio.