Latest / Café com Dungeon / A Ansiedade do Desafio #0054
Transcript
- 0:02Taí, uma coisa que eu gostava de fazer quando era moleque era
- 0:13desenhar labirinto e encher esse labirinto de enigma.
- 0:18Eu era muito fã de história de pirata e gostava daquele filme
- 0:21também, o labirinto, lembra dele?
- 0:24com a Jennifer Connelly e com o David Bowie?
- 0:26Então, eu gostava dessa ideia de labirinto, desses enigmas, e
- 0:31também era influenciado pelos labirintos dos almanacões de
- 0:34férias da Turma da Mônica e daquelas revistas de passatempo
- 0:37que tinha. Eu adorava desenhar esses
- 0:39labirintos e dar pros meus amigos desenharem em cima ali e
- 0:42tentarem solucionar aquele labirinto que eu tinha dado pra
- 0:45eles. junto com aquelas coleções de livro-jogo, isso era, sei lá,
- 0:51o que talvez tinha mais me influenciado antes ali, em
- 0:54termos de criatividade, até eu chegar em D&D, quando eu conheci
- 0:59ali o D&D da Caixa Preta, né? E, bom, essa dimensão narrativa
- 1:06do livro-jogo, ela existia, mas era um pouco empalidecida em
- 1:11mim, eu não aprofundava muito, eu gostava mesmo desse lado
- 1:14desafio, de poder trabalhar um pouquinho essa dinâmica de ser o
- 1:20antagonista, aquele que chegava e falava, eu quero ver se você
- 1:22consegue resolver isso aqui. Enfim, eu me identificava talvez
- 1:26mais com o cara que desenhava o labirinto do que com aquela
- 1:29função de solucionar o labirinto naquele momento.
- 1:33Eu queria desafiar, eu queria ser esse cara que desafiava, e
- 1:36quando eu ganhei o D&D, eu levei muito para esse lado, Então eu
- 1:41botava ali, pra todos os meus amigos que topavam ali, eu
- 1:43falava, pô, tem um jogo maneiro aqui, vamos jogar e tal, botava
- 1:46o D&D e desafiava eles, eu ia muito por esse caminho.
- 1:49Usava ali o labirinto que tinha ali do Zanzer, né, do mago
- 1:53Zanzer, e tentava, enfim, de alguma forma, desafiar eles o
- 1:56máximo possível. Mas logo no início, eu comecei a
- 2:00me sentir mal, assim, que eu meti o meu primeiro TPK.
- 2:06Na verdade, eram dois jogadores, só o meu amigo e a irmã dele, Pô
- 2:11cara, foi meio chato assim, eles nem voltaram a jogar mais,
- 2:14acharam que era um porre aquele jogo.
- 2:16E de fato, eu pesei um pouco a mão.
- 2:19E aquilo ali me acompanha até hoje, pra ser sincero.
- 2:23De certa forma, a partir daquele momento, eu comecei a adotar até
- 2:26algumas marmeladas assim, descaradas mesmo.
- 2:29No início, eu não queria fazer de forma descarada.
- 2:33Mas foi tão descarado que eu resolvi adotar aquilo ali.
- 2:37Eu lembro que o grupo todo morreu na sala da minha casa
- 2:40ali, todos os personagens tinham morrido.
- 2:42Os jogadores se olhando, eu também meio assim, falando que
- 2:45deu merda. E ali eu fiz com que aparecesse
- 2:49uma caveira perambulando pelo corredor da dungeon e ela tava
- 2:53carregando uma poção. E aí do nada ela chegou,
- 2:57tropeçou no corpo de um dos personagens ali e deixou cair a
- 3:01poção logo em cima da boca do clérigo que pôde depois
- 3:04ressuscitar os outros ali com uma simples magia de cura.
- 3:08Porque sim, resolvi que ia deixar o grupo voltar à vida ali
- 3:12e continuar o jogo como se nada tivesse acontecido, né?
- 3:15Bom, a gente meio que deu uma gargalhada logo em seguida,
- 3:18assim, né? Todo mundo se olhou e começou a
- 3:20rir. E acabou que eu curtiu, né?
- 3:22Então a gente meio que começou a entrar numa vibes de marmelada
- 3:28mesmo, né? Tipo, da próxima vez que o grupo
- 3:30todo cair, a gente vai ver qual a marmelada que a gente vai
- 3:32inventar ali. Uma coisa quase Monty Python,
- 3:35assim, meio que uma comédia assumida em cima da situação.
- 3:39Mas o fato é que o D&D não te ensina muito bem a trabalhar o
- 3:42desafio. ele acaba trazendo pra gente uma coisa que é, você,
- 3:47mestre de jogo, tem que trilhar o caminho da justiça, com esse
- 3:51poder quase inesgotável que você tem em mãos.
- 3:55E esse caminho da justiça, no fundo, ele acaba indo quase por
- 3:59um caminho da misericórdia. E nada pior do que ter a
- 4:03misericórdia do mestre. O D&D moderno tentou informar o
- 4:09desafio com equilíbrio matemático.
- 4:12Saber construir um desafio, por mais que você conheça os limites
- 4:17matemáticos, entenda mais ou menos, tenha como parâmetro o
- 4:21CR, o coeficiente do desafio e tudo mais, fazer isso é muito
- 4:26difícil. Em primeiro lugar, fazer esse
- 4:28equilíbrio matemático é muito difícil.
- 4:30Principalmente quando o RPG é uma mídia que tem tantos fatores
- 4:34que construam, ao mesmo tempo do equilíbrio matemático, esse
- 4:38estado do desafio. E por mais que o mestre seja
- 4:42experiente, ele vai ter que trabalhar com todos esses
- 4:46elementos, para além do próprio coeficiente matemático do
- 4:50desafio, os CR, dos D&D modernos, vai ter que trabalhar
- 4:54quase num jogo de bocha, trazendo aqui a analogia que o
- 4:57Márcio Moreira curtiu usar, né? que você vai tentar desafiar ao
- 5:01máximo, mas você causa a morte por conta de um desafio de um
- 5:07poder muito elevado e que, de alguma forma, levou os jogadores
- 5:11a toparem e deu merda. Então, eu faço aquela pergunta,
- 5:16o equilíbrio matemático é suficiente?
- 5:18Como se equilibra para tantos outros fatores, se você
- 5:22considerar que ele não é suficiente, como eu considero?
- 5:28Lê o Quick Primer do For Old School Gaming do Finch, que a
- 5:31gente traduziu aí. Vou deixar no descritivo do
- 5:35episódio, mais uma vez, o manual traduzido.
- 5:38O Finch mostrou para a gente como o desequilíbrio talvez, na
- 5:41verdade, seja o único caminho possível para o mestre
- 5:44sobrecarregado em dosar essa justiça do desafio que ele
- 5:47trilhe. Por quê?
- 5:49Porque se você assume que é desequilibrado e isso é um
- 5:52partido de jogo, os jogadores não vão contar com esse
- 5:55equilíbrio. E aí, já que é desequilibrado,
- 5:58os jogadores vão tomar cuidado com isso, já vão pro combate, já
- 6:01vão pro desafio sabendo que pode ser que eles tenham que fugir.
- 6:05E aí você não se fia no equilíbrio matemático.
- 6:09Na verdade, isso torna o jogo mais claro.
- 6:12Mas será que isso também se basta para você botar o desafio?
- 6:16Quando eu resolvi aprofundar em cima do Quick Primer e no
- 6:19trabalho do Finch, eu vim percebendo que, além do
- 6:22equilíbrio matemático ser só um fator dentre muitos, meio que o
- 6:27fato de você ter que ser esse mestre justo que a gente tem no
- 6:31old school e que tem até hoje essa ideia do mestre justo, A
- 6:35gente tem que voltar para tudo que orbita em torno do jogo
- 6:39estabelecido em nível mecânico. E a gente sabe que isso é coisa
- 6:43pra caralho. Então a justiça passa...
- 6:47Por mais que você possa até adotar ou não adotar essa parte
- 6:52mecânica, esse equilíbrio mecânico, existem muitos outros
- 6:55fatores que esse mestre justo vai ter que lidar para poder
- 6:59construir isso. Esse desafio de forma
- 7:02interessante, justa, que funcione de fato, sem que se
- 7:06permita ceifar a vida dos personagens de forma injusta.
- 7:10Então, desde o cenário do combate, o cenário em que ele
- 7:14está acontecendo, até como estão os jogadores depois de um dia
- 7:19exaustivo de trabalho, tudo isso impacta.
- 7:23Se o desafio funcionasse, independente de todos esses
- 7:27tantos fatores, para além do próprio desafio matemático, Isso
- 7:32está claro que a gente estaria deixando de lado a agência dos
- 7:35jogadores, que é a alma dos jogos como mídia.
- 7:38Afinal de contas, se independe dos jogadores, a gente já está
- 7:42aqui falando de falta de agência.
- 7:46É para depender dos jogadores, então eles são talvez o
- 7:50principal elemento que a gente tem que levar em conta quando a
- 7:53gente está construindo um desafio.
- 7:55E assim eu vim me aproximando do que é o EO Fantasy.
- 7:59Eu entendi que o jogo de RPG, principalmente o D&D clássico,
- 8:02ele traz ferramentas de desafio mediante a construção da ficção.
- 8:08E também da interação dos jogadores com essa ficção.
- 8:12Essas são as ferramentas que o D&D clássico trazia.
- 8:15Essas são as ferramentas que ele dá pra você construir aquele
- 8:18labirinto cheio de enigmas que eu construía quando eu era
- 8:21moleque. E eu resolvi, no Wild Fantasy,
- 8:24ajustar a agenda de jogo pra dar vazão a esse D&D labirinto que o
- 8:30pequeno Balby tanto queria. Então resolvi trabalhar essa
- 8:34agenda, o desafio. Como fazer isso funcionar?
- 8:38Isso passa no desenho do papel do mestre, claro.
- 8:42Não somente entender as estatísticas do jogo, mas
- 8:45principalmente entender como ele lida com essa construção da
- 8:48ficção, as suas limitações de atuação e a compreensão do
- 8:53sentido que a gente vai dar ao diálogo ficcional criativo ali.
- 8:57Essa conversa que eu considero ser a mídia do RPG dentro da
- 9:01mesa tradicional. Oil Fantasy se baseia no D&D
- 9:05Basic e Expert. E dentro dele, dentro desse
- 9:09jogo, não do Oil Fantasy que é estilo, mas dentro do jogo, do
- 9:13sistema que é colocado ali, o papel do mestre é ser justo.
- 9:17Como definir justiça em jogos? Pode até ser que alguém crie um
- 9:21estilo, crie parâmetros para isso, mas a gente sabe que isso
- 9:24é muito difícil e eu ainda não vi parâmetros que eu olho e
- 9:26falo, bom, se eu seguir isso aqui eu vou ser justo.
- 9:30Eu resolvi tirar isso das costas do mestre em Oil Fantasy,
- 9:33permitir que o mestre só se preocupe em desafiar.
- 9:36Ele vai desafiar brabo mesmo. Que ele foque nisso, nessa
- 9:40construção. E aí eu trouxe a máxima dele dar
- 9:43o seu pior para os jogadores darem o seu melhor.
- 9:47Em Oil Fantasy, o mestre é limitado por alguns fatores,
- 9:52como agência e verossimilhança. Mas dentro disso, ele toca o
- 9:55zaralho com o melhor desafio que ele puder pensar.
- 10:00Fazer o seu pior para os jogadores darem o seu melhor é
- 10:03um bold statement, é uma bravata importante.
- 10:07Isso serve para que a gente entendesse ali que a gente tem
- 10:13um partido, a gente tem uma ideia que deve ser seguida em
- 10:16contraste às ideias hegemônicas que a gente vê dentro do estilo
- 10:20de jogo que a gente estava trabalhando.
- 10:22A gente vai ver bold statements, a gente vai ver essas bravatas
- 10:26no mundo do RPG o tempo todo. Ah, isso aqui é um jogo de
- 10:29narrativa compartilhada, como a galera do PBTA gosta de dizer.
- 10:34Bom, qual jogo de RPG não é um jogo de narrativa compartilhada?
- 10:38Ah, a galera do OSR fala, a gente vai desafiar o jogador e
- 10:41não a ficha. Bom, qual o jogo de RPG que não
- 10:44desafia o jogador? A gente vai ver esse tipo de
- 10:47bravata o tempo todo nos jogos de RPG.
- 10:52Essa do Hell Fantasy é mais uma delas.
- 10:55A comunidade engajada com o Hell Fantasy, com o ICR, que conheceu
- 11:00o Hell Fantasy e gostou, num primeiro momento comprou essa
- 11:03ideia. E começou aos poucos a
- 11:06experimentar. E aos poucos começou a ficar
- 11:09confusa. Começou a rolar um sentimento de
- 11:12que, de alguma forma, sempre o seu pior vai empobrecer a
- 11:18ficção. De que fazer o seu pior limita o
- 11:21número de opções do próprio mestre.
- 11:24Isso gera uma certa ansiedade também em se imprimir o desafio,
- 11:29um nervosismo de morder, sempre que pode levar o mestre a ficar
- 11:34inseguro com a sua própria atuação.
- 11:37Isso faz com que ele busque controle, isso leva a ele o medo
- 11:41de ser julgado, de desafiar fofo, em vez de desafiar pesado.
- 11:47Isso ficou claro até quando saiu da comunidade engajada do Café
- 11:50com Dungeon para o mundo, e o pessoal ficou um pouco
- 11:52horrorizado, principalmente no café aqui, quando eu trouxe os
- 11:56exemplos do mafioso do torneiro mecânico, lá no episódio do Ogro
- 11:59de Schrödinger, ou quando eu falei no jogo da disputa pela
- 12:04ficção ali na construção de um mundo que ainda não existe, Eu
- 12:07falei ali da porta com a trava, com o episódio do Ícaro, que eu
- 12:12vou abordar mais à frente, mas que de certa forma permite que o
- 12:15mestre utilize o estado quântico de uma porta ainda não descrita
- 12:19para imprimir o pior desafio. Isso deixou a galera bem receosa
- 12:23com essa história de dar o seu pior.
- 12:26Mas esse, no fundo, é o efeito da bravata, principalmente se
- 12:30explorado nesses casos limítrofes. nesses casos mais
- 12:35extremos que estressam ao máximo isso.
- 12:37E eu achei importante trabalhar nesse limite.
- 12:40Mas isso é bom sinal. Vocês que estão desafiando ao
- 12:44máximo e abriram mão de ser justos no jogo, porque entendem,
- 12:49assim como eu, que Oil Fantasy traz uma solução que tira você a
- 12:53responsabilidade de ser justo e deixa outras frentes para a
- 12:56gente trabalhar esse tipo de sentimento em mesa, e que
- 13:00trabalharam o desafio em primeiro lugar em comparação a
- 13:03outras agendas, quer dizer que vocês, de certa forma, já
- 13:07experimentaram isso e estão chegando num refinamento.
- 13:11Vocês entenderam, lá dentro do buraco do coelho, onde essas
- 13:16questões avançam. É chegado, então, o momento de
- 13:20desconstruir um pouco essa bravata e entender a ansiedade
- 13:25do desafio em Oil Fantasy. Eu te desafio para um café.
- 13:31Ah é? Café com o quê?
- 13:33Café com Dungeon. Bom dia, amigos do Café com
- 13:44Dungeons. Estamos aqui para mais um
- 13:45episódio do seu podcast matinal favorito, trazendo sempre muito
- 13:48RPG. Meu nome é Rafael Balbi e hoje o
- 13:51meu café pode estar envenenado. Um sabotador esteve em minha
- 13:55casa e deixaram um bilhete anônimo.
- 13:57Por outro lado, eu não posso deixar de tomar esse café da
- 13:59ovelha negra delicioso. Se eu beber agora, sem
- 14:03investigar, o mestre vai fazer o seu pior e eu vou morrer
- 14:07envenenado. Então eu tenho que provocar o
- 14:10mestre a se comprometer na ficção de que esse bilhete é
- 14:14falso. E o café é bom.
- 14:17Como fazer isso? Bom, enquanto a gente pensa
- 14:21nisso, eu vou comprando aqui um pacote novo de café ovelha
- 14:25negra, purinho, purinho, certamente sem veneno.
- 14:27Se você quer tomar um café ovelha negra também delicioso
- 14:31para ouvir esse podcast matinal, bebendo um café especial...
- 14:35Vá lá em ovelha.fé na internet, no site da Ovelha Negra, e
- 14:40utilize o cupom CCD. Tudo minúsculo.
- 14:44Assim, você vai ter um acesso a um abatimento, a um desconto
- 14:47para comprar o seu café Ovelha Negra, beleza?
- 14:50Bom, se você quiser cupons melhores, você pode se tornar um
- 14:52assinante do Café com Dungeon. Vá lá em apoia.se barra café com
- 14:56dungeon e torne-se um assinante. E quanto maior for o seu apoio,
- 14:59maior vai ser o seu desconto. Além disso, você ajuda a gente a
- 15:04voltar a ter cinco episódios semanais, que é a nossa meta.
- 15:07Fora isso, você recebe conteúdo extra, participa de sorteios dos
- 15:10nossos parceiros, inclusive do Ovelha Negra, e recebe outros
- 15:14cupons também. Além disso, participa de um
- 15:16grupo de Telegram que debate feroz, dando o seu pior. pra
- 15:21gente poder chegar no nosso melhor aí, ter sínteses
- 15:24interessantíssimas. Inclusive, esse episódio aqui,
- 15:27obviamente, é fruto de bastante debate que acontece nessa
- 15:30comunidade. Por mais apaixonada que seja,
- 15:33traz sempre muita coisa interessante pra gente abordar.
- 15:37Então, vamos lá, vamos começar o episódio.
- 15:39Antes, lembrando que esse episódio aqui, de terça,
- 15:43acontece graças ao financiamento da galera do RPG Dojo, um grupo
- 15:47que a gente tem em paralelo, aqui é o Café com Dungeon, um
- 15:50grupo... Que tem muitas pessoas em
- 15:51comum... Tocado pelo Cobb...
- 15:54Pela Nina... Pelo Bardal...
- 15:57Pelo Marcos Gonçalves... Uma galera grande aí...
- 15:59Que tá nesse grupo... E que toca...
- 16:02Esse... Ambiente de estudos...
- 16:04Em RPG... Que tá trabalhando atualmente...
- 16:06O ciclo de mistérios... Então...
- 16:08Foi por isso que a gente trabalhou bastante mistério
- 16:10aqui. Se você quiser chegar lá, tem
- 16:11muitas práticas, tem muitos estudos, discussões, muitos
- 16:15pontos de vista diferentes, então é muito interessante você
- 16:18poder fazer parte aí. Pode seguir o link no descritivo
- 16:20do episódio e fazer parte dessa comunidade.
- 16:26Vamos lá, antes da gente começar o episódio, eu vou fazer a
- 16:28leitura da enquete, né? Que foi no episódio Birgotem à
- 16:31Luz de Blorb. Eu perguntei aqui se a galera
- 16:35curtiu essa mudança que eu propus no Blorb, né?
- 16:38Porque eu fiz alguns ajustes ali.
- 16:40E eu venci dessa vez! E setenta e dois por cento das
- 16:44pessoas disseram que sim, que concordam aqui com essa mudança
- 16:47que eu propus no Blorb, no episódio em que eu analisei
- 16:51Birgotten à luz dos princípios Blorb.
- 16:53Eu fiz, eu dei um espaço aqui pra galera responder, né, por
- 16:57escrito, e o Renan, acho que é o Renanzinho, né, Renanzinho que
- 17:01jogava Birgotten aí com o meu Varavalli, ele falou assim,
- 17:05salve Balbi, eu acho esse assunto muito maneiro.
- 17:08Quero deixar aqui indicado para gerar um texto no qual a autora
- 17:11do Blob explica a visão dela, diferente do Regra da Mesa.
- 17:15Ele acha que conversa bastante com esses dois episódios
- 17:17abordando o Blob. É doideira, tem realismo
- 17:20filosófico, idealismo filosófico e várias outras paradas.
- 17:23Tem até um ideograma que menciona o termo mimeses. penso
- 17:26que o mais radical da teoria do RPG vão curtir a viagem.
- 17:29Aí ele deixa o link aí que eu vou deixar no intuitivo do
- 17:32episódio pra vocês. Eu já olhei também, acho que tem
- 17:35uma certa viagem, não concordo com o uso de mimeses que ela
- 17:38faz. A gente discutiu lá no grupo, a
- 17:40gente já tinha lido esse... Esse artigo aí, discutido lá no
- 17:44grupo, né? Acho que foi o Ícaro que linkou.
- 17:46Mas é interessante, né? A autora do blog é muito
- 17:49prolífica, ela tem muitos textos no blog dela que abordam o
- 17:52próprio blog, né? Mas é isso aí, tamo junto, cara.
- 17:56O Thiago Abreu falou que ele tá num hiato de jogo, mas em
- 17:59constante processo de coleta e construção de mundo e ter a
- 18:03biosfera de flora, fauna e clima pré-definida ele acha
- 18:06fundamental. Como eu teria dito no episódio,
- 18:09fazer a limpeza de uma área ou mapear covis é o que acontece em
- 18:12jogo. Esse ajuste do Blob deu muito
- 18:14mais segurança e mais realidade para a dinâmica da narrativa.
- 18:17Refletir ideias e ter com quem trocar é como moldar metal.
- 18:21Pode-se criar ferramentas bem úteis.
- 18:23Legal, Thiago. Fico muito feliz que você tenha
- 18:25curtido essa construção em cima do Blob.
- 18:28Eu acho que a gente poder trabalhar ele de uma forma
- 18:31talvez mais congruente com o que de fato acontece mesmo é muito
- 18:34importante. E aí o comentário do Bruno
- 18:37brilha, esse tema é muito bom, não vejo a hora de conseguir
- 18:39jogar a mesa em Birgotem. Pô Bruno, na próxima vai rolar
- 18:42cara, o Bruno foi jogar uma sessão que eu tive que cancelar,
- 18:45eu recebi uma notícia muito ruim, não fiquei no clima de
- 18:47jogar, tive que cancelar com a galera, mas na próxima vai
- 18:50rolar. Certamente tem muita gente
- 18:52começando em Birgotem agora, então oportunidade aí pra galera
- 18:55jogar não só com veteranos, mas com outros iniciantes também,
- 18:58então vambora jogar Birgotem. Sempre que víamos ogros nas
- 19:10terras de meu pai, terminávamos por mandar a nossos guardas, que
- 19:14chacoalhando suas lanças, os afugentavam.
- 19:18Pena que dessa vez eu me perdi na mata da seringueta sem uma
- 19:22lança para chacoalhar para William.
- 19:25William? Você me pergunta.
- 19:27Sim, William foi o ogro que me sequestrou.
- 19:32Eu estava me levando lá para o lar da Serpia Albina, o pico
- 19:35mais alto. da Serra da Luneta, escalando os morros no dente.
- 19:41Me amordaçou ainda. Mas obviamente fugi.
- 19:45Como estaria então escrevendo isso aqui se eu não tivesse
- 19:49fugido, não é mesmo? Bom, nunca se deixa uma bruxa
- 19:53prisioneira sem mortaça. William agora é meu melhor
- 19:57amigo, um bom garoto. Me disse para visitar sua casa e
- 20:00sua família lá na ravina do Menestrel, que fica no vale
- 20:06entre o pico mais alto da Serra da Luneta e a muralha.
- 20:11Eu obviamente vou cedo ou tarde. Meu maior defeito, como podem
- 20:16perceber pelas minhas histórias, é a curiosidade.
- 20:21Diário da Bruxa Elza, de Rosa e Cruz.
- 20:26Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo do mundo aberto
- 20:31de Biergotten. Se você quiser explorar
- 20:34aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 20:39grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 20:41episódio e jogue Biergotten com a gente.
- 20:46Vamos explorar Biergotten Eu te desafio para um café.
- 21:08E aí? Vamos falar de desafio, né?
- 21:11E essa ideia de fazer o seu pior, né?
- 21:14E ansiedade do desafio. Pra começar, eu vou começar
- 21:18falando aqui que todo jogo tem desafio.
- 21:21Desafio dentro do espaço ficcional é o que dá sentido ao
- 21:25jogo do oil fantasy. Em nível de meta-jogo, a gente
- 21:29vai tentar entender o que o jogo traz pra gente de ferramental
- 21:33pra imprimir desafio. Então em nível meta mesmo, o que
- 21:37o jogo impulsiona e traz de ferramenta pra você?
- 21:41Quando o jogo versa sobre contar uma história, A gente vai ter um
- 21:45jogo como Fiasco ali, ou Avatar, ou City of Myths.
- 21:48Ele vai trazer mecânicas que, de certa forma, vão imprimir
- 21:52justamente alguns conflitos na história que vão levar você a
- 21:57tentar contar a melhor história. O seu desafio é meio que no meta
- 22:01mesmo. É no nível meta, ele acontece
- 22:03justamente nesse contar de história.
- 22:06A ficção é uma coisa que é enriquecida, que dialoga com
- 22:10esses impulsos que a mecânica dá.
- 22:13Então a mecânica vai impulsionar onde ela entende que é uma
- 22:18ficção que ela deve impulsionar. Então deve existir nesse ponto
- 22:23uma congruência entre a ficção que está sendo trabalhada e a
- 22:26mecânica. E para isso a gente meio que
- 22:29encerra o jogo numa experiência mais fechada.
- 22:33Esses jogos de foco mais narrativista, eles encerram o
- 22:38jogo em um set mecânico que impulsiona essa narrativa
- 22:41específica. Então nesse ponto, né, a gente
- 22:44vai entender que o desafio ele tá justamente nesse uso mecânico
- 22:48das coisas, né, e em como traduzir aquilo pra ficção.
- 22:52É claro que existe o desafio do fiasco e no PBTA, que são, por
- 22:57exemplo, né, ou, sei lá, nos, sei lá, esses jogos tipo Burning
- 23:01Wheel, esse tipo de coisa, que é uma dimensão gamificada, né,
- 23:05ludificada dessa própria construção de história, né, E aí
- 23:11a ficção entra como elemento de dentro dessa esfera mecânica,
- 23:18que vai trazer ali conflitos, personagens, vai enriquecer esse
- 23:23desafio que reside ali na ficção da coisa.
- 23:26Um exemplo, né? Pra ficar mais claro, né?
- 23:29Em Seed of Mist, a gente tem ali o seu personagem oscilando, né?
- 23:34Entre quem ele é na história, né?
- 23:38Entre quem ele é no mito e quem ele é como um ser humano ali,
- 23:44como uma pessoa ordinária. Ele vai oscilar dentro disso.
- 23:48A gente tem também esse Ying Yang ali dentro do próprio
- 23:52Avatar Legends, né? É...
- 23:55Ou a gente tem, às vezes, dentro do outro BBTA que eu posso
- 23:58citar, que é tipo o Pasión de las Pasiones, a gente tem ali o
- 24:03trajeto de meltdown dos personagens conforme eles vão
- 24:06entrando, vão adensando a sua participação naquela história de
- 24:11drama, de novela mexicana. Então eles vão chegando próximos
- 24:14de um meltdown. A gente tem esse tipo de tensão
- 24:19mecânica sendo criado para traduzir uma tensão ficcional.
- 24:24Já em jogos em que a gente tem ali como, sei lá, Pathfinder, a
- 24:29gente tem ali o desafio passando por a gente gerir poderes e
- 24:32escolhas táticas. E isso também imprime uma
- 24:35ficção. Mas quando a gente fala em que,
- 24:39por exemplo, Day The Classical, a gente fala que a gente está
- 24:42trabalhando num desafio da ficção, a gente está falando
- 24:45justamente no desafio que está não na esfera mecânica ainda.
- 24:49Tem muito desafio ali na esfera ficcional.
- 24:53A gente está falando que o jogo do Day Day é um jogo de problem
- 24:56solving, nas palavras do Tim Kask, o primeiro funcionário da
- 24:59TCR, é porque a ficção se apresenta com um problema e
- 25:04nosso objetivo é solucionar esse problema dentro da ficção, na
- 25:07própria ficção. Então, nesse ponto, esse desafio
- 25:11não percorre necessariamente a esfera mecânica.
- 25:15A esfera mecânica passa só a traduzir esse desafio ficcional.
- 25:21então a ordem é um pouco diferente das coisas e aqui ela
- 25:26liga uma certa luzinha muito importante da gente trabalhar
- 25:29quando a gente trabalha com esse tipo de desafio porque ele não
- 25:34está encerrado numa esfera mais abstrata, mais mecânica ele se
- 25:39encerra nessa esfera mais concreta e nessa esfera concreta
- 25:44no D&D clássico o mestre tem muito poder E ele não é limitado
- 25:51na esfera mecânica, por isso, muito.
- 25:53Isso é o último D&D clássico. Aos poucos, a gente vê que o D&D
- 25:58vem tentando informar essa atuação do mestre,
- 26:03principalmente quando ela começa a construir as capacidades dos
- 26:07personagens. a centralidade dos testes de atributo, etc.
- 26:11Por quê? Isso passa a figurar como
- 26:13direito do jogador. Tudo é possível, deixa eu
- 26:16tentar, deixa eu rolar, meu personagem pode conseguir isso
- 26:19aqui de repente. Então você vai, você leva o jogo
- 26:23para essa esfera mecânica para tentar garantir alguns direitos
- 26:25dos jogadores, mas ainda assim o mestre é muito poderoso.
- 26:28Então isso tudo começou com problemas clássicos do D&D,
- 26:32porque a gente está falando de superar desafios que estão
- 26:35concretos na ficção mas que nessa ficção na geração dessa
- 26:40ficção o mestre tem muito poder quase desproporcional, é quase
- 26:44exacerbado é quase um deus ali no jogo ele é esse demiurgo o
- 26:51mestre não tem um registro de atuação muito claro no D&D
- 26:54clássico se fala ali no mestre ser justo ser um árbitro
- 26:59imparcial, mas como isso se traduz em jogo?
- 27:02como é que você vai garantir isso?
- 27:04Entender o que é justo envolve você entender o que todos os
- 27:08outros acham justo. Você ser imparcial envolve uma
- 27:13tarefa quase impossível de ser neutro.
- 27:15Como ser neutro se você é o cara que está trazendo o desafio?
- 27:18Você é o cara que tem que imprimir esse desafio, que é
- 27:21responsável por isso. o Blorb, o Principles que a gente viu nos
- 27:26últimos dois episódios ele fala em preparar o desafio querendo o
- 27:30matar mas preparar o desafio é diferente de executá-lo e que
- 27:34executá-lo você executa de forma imparcial aí você pode ser justo
- 27:39e aí ele fala que isso acontece só que justamente o problema
- 27:42acontece nesse surgimento da ficção que muitas vezes não está
- 27:48informado pela preparação A autora coloca ali uma camada
- 27:53terceira, esse momento da emergência ficcional não
- 27:57preparada. Ela coloca como uma camada
- 27:59terceira de ficção, mas ela é talvez das mais presentes no
- 28:02jogo. Eu falei sobre isso nos últimos
- 28:05episódios. E aí ela simplesmente diz que
- 28:08nesse momento, quando a coisa estiver surgindo nessa camada
- 28:13não preparada e tudo mais, o mestre tem que atuar ali de uma
- 28:16forma borrada. Não dá pra entender muito bem
- 28:18onde ela quer chegar. Na verdade, ela não quer chegar
- 28:21em lugar nenhum. Ela não deixa a intencionalidade
- 28:24do mestre clara nesse momento em que ele não tem preparação e não
- 28:27tem uma estrutura pra agir. Então o mestre fica na banguela
- 28:32nesse sentido. ser justo nesse momento pra ela é você deixar de
- 28:38lado qualquer decisão que possa ajudar ou prejudicar os
- 28:41jogadores você tem que ficar numa massa morfa, numa coisa que
- 28:45você não vai tentar exercer arbitrariedade, você vai
- 28:50simplesmente tentar deixar o jogo seguir Sem imprimir nada...
- 28:54E isso é uma coisa um pouco complicada de acontecer...
- 28:57Por quê? Porque ela dá muito controle
- 28:58para você... Para buscar sempre...
- 29:01A ficção que já está... Já estaria...
- 29:03Porque na minha concepção é impossível...
- 29:06Fazer isso de prep... Mas que já estaria determinada a
- 29:08sua prep... Então, enfim, eu convido você a
- 29:12ouvir o episódio de Blob depois, mas o fato é que me parece claro
- 29:17que a gente precisa da intencionalidade do mestre.
- 29:20A gente precisa delimitar e entender o espaço onde é pra ele
- 29:23ser arbitrário. Onde é pra ele determinar as
- 29:27coisas, né? Em vez dele ficar com essa culpa
- 29:29quase cristã de decidir. Não, aqui eu vou tentar ser
- 29:33neutro, eu vou tentar não atrapalhar, mas também não
- 29:36favorecer. O que é isso, cara?
- 29:39Será que é atingível isso? Não é melhor a gente determinar
- 29:43como agir e em qual espaço, quando a gente deve agir?
- 29:48Existe essa culpa cristã associada a esse papel do mestre
- 29:53demiurgo, esse mestre clássico do D&D, que ele tem poderes mal
- 29:58desenhados e que tendem ao total, ao poder total.
- 30:04Ele gera lacunas e uma modularidade que acabam sendo
- 30:08preenchidas por ele mesmo. no jogo clássico.
- 30:12O mestre se torna responsável por resolver as lacunas, por
- 30:16resolver a modularidade do jogo, por resolver a arbitragem, por
- 30:20construir a ficção, seja na prep, seja na hora,
- 30:24improvisando, ele é responsável por tudo.
- 30:27Então isso acaba que, bom... Se esse mestre é responsável por
- 30:31tudo, dentro desse desenho do D&D clássico, ele fica refém do
- 30:37próprio senso de justiça, ou do senso de justiça da mesa, ou do
- 30:41que seria uma boa história de contar, se for um jogo de contar
- 30:44história, porque nem isso fica claro, ou se é um jogo para
- 30:47buscar o que é mais legal dentro do jogo, para divertir aqueles à
- 30:50mesa. Ele não tem esse registro.
- 30:52A gente não sabe para onde esse mestre atua.
- 30:56Então ele fica perdido ali e fica meio que flanando entre de
- 31:00repente aumentar os hit points dos bonecos pra imprimir mais
- 31:05desafio, porque muitas vezes o mestre ele fica, pô cara, mas
- 31:08foi fácil demais pros jogadores. Às vezes não é, mas ele acha que
- 31:12foi. Às vezes os jogadores estão
- 31:13super empolgados porque resolveram alguma coisa, mas o
- 31:15mestre fica, não, eles estão vencendo, então eu vou botar
- 31:18mais HP no bicho. Vou botar o Goblin com mais HP.
- 31:22Ele usa o HP flutuante. Ele bufa a estatística do bicho
- 31:26ali e fala, porra, esse bicho aqui tá muito fracote, tá
- 31:28apanhando, então eu vou aumentar a classe de armadura.
- 31:31Às vezes o jogador pega, às vezes não pega.
- 31:34Nerfar também uma criatura on the fly, ele vê que o grupo tá
- 31:37se dando mal, então ele começa a nerfar a criatura ali, fazendo
- 31:40ajustes que o grupo às vezes não percebe, mas às vezes percebe
- 31:43também. Mas o fato é que ele começa a
- 31:45abrir mão dessas coisas quando ele vê que a prep dele, por
- 31:48exemplo, não deu certo. E aí, você segue com a sua prep
- 31:51e vai... Porra, já que você é o
- 31:54Todo-Poderoso, você vai assumir que as consequências de um TPK
- 31:57que foi um erro de cálculo teu...
- 31:58Ou tu vai parar o jogo e falar, gente, calculei errado aqui.
- 32:02Enfim, tudo parece que a emenda sai pior que o soneto.
- 32:06Às vezes o mestre mesmo, ele olha e fala, bom, vocês fizeram
- 32:09tal coisa, eu vou tacar um meteoro na cabeça do grupo.
- 32:12Às vezes, cara, se você parar pra pensar...
- 32:15Vai que o mestre entrou numa pilha errada e ele acha que isso
- 32:17aí é o mais justo, ou ele acha que isso aí é uma melhor
- 32:20história. Ah, vocês se condenaram quando
- 32:23acionaram o Deus fulano, e agora ele castiga vocês com um meteoro
- 32:27na cabeça, acabou, próximo. Sim, eu sei, né?
- 32:32É uma coisa que eu tô caricaturando aqui.
- 32:33Eu corro o mesmo risco do Finch aqui, que... no Quick Primer,
- 32:39que é criar uma caricatura que a galera vai desengajar.
- 32:42Mas pensa o seguinte, se você amansar um pouquinho essa
- 32:46caricatura, você vai ver que muitas vezes você já fez isso.
- 32:49Não é um meteoro na cabeça do grupo, mas você não tem
- 32:52registro, você não sabe o que fazer, você não sabe medir se
- 32:54você está desafiando o suficiente o grupo, e você acaba
- 32:57pesando a mão ali, às vezes tirando, enfim, não fica claro
- 33:01para você como atuar. Um exemplo disso é você ir
- 33:05aumentando o número de inimigos que chegam numa cena, num
- 33:08encontro, até o grupo falhar. Se você, mestre, acha que é hora
- 33:12do grupo ser capturado. Ou o grupo acabou com o
- 33:16Tarrasque, aí você coloca o pai do Tarrasque, depois a avó do
- 33:19Tarrasque. Não tem limite pra você fazer
- 33:21isso. Você pode, de repente, achar que
- 33:24os jogadores merecem ficar mais poderosos por algum motivo.
- 33:27Então você começa a colocar recursos e poderes na frente do
- 33:30grupo pra bombar o grupo, pro grupo poder enfrentar, de
- 33:33repente, uma criatura muito poderosa que você quer botar.
- 33:36Mas olha o tanto de coisa que você tá fazendo aqui por Fiat
- 33:42sem entender muito bem onde você quer chegar.
- 33:46E sem segurança de que isso aqui... de que o grupo está
- 33:49bombado o suficiente ou não. Será que o cálculo de CR vai ser
- 33:53suficiente? Será que ser desequilibrado vai
- 33:56ser o suficiente? Construir uma dungeon, de
- 34:00repente, feita só para tirar os itens dos personagens que agora
- 34:03ficaram muito poderosos. resguardar protagonismo dos
- 34:07personagens também, caso eles corram o risco de morrer numa
- 34:11luta que você julgou não ter sentido de acontecer.
- 34:14Isso acontece tanto que o próprio mentor no D&D, Beckman,
- 34:18ele fala que você pode jogar um dado e em vez de matar o
- 34:22personagem, você fala que tirou um de dano só.
- 34:25E aí, cara? Essa coisa é tão entranhada no
- 34:29D&D que começa a virar instrução de jogo.
- 34:33Sem te informar ainda assim como imprimir esse desafio.
- 34:38Você vai resguardar o protagonismo do personagem.
- 34:41Poxa, protagonismo não é uma ideia de história?
- 34:44Será que isso é um jogo de contar história, então?
- 34:47Ou será que você não quer matar porque você está sendo bondoso?
- 34:50E quando é a hora de ser bondoso e quando não é?
- 34:53Será que os jogadores querem ficar dependendo da sua bondade?
- 34:58Ficar inventando somente coisas irrelevantes dentro de uma
- 35:04dungeon, como o Blorb fala, no caso que você não tenha nada
- 35:08preparado, ele chama de papel de parede.
- 35:10Será que se você não tiver nada preparado, você vai ficar só
- 35:14botando coisas insignificantes ali?
- 35:16Só botando perfumaria? É uma coisa um pouco estranha,
- 35:21né? Parece que essa ideia do blob
- 35:25parece aquelas ideias de PBTA, que o jogo só vai impulsionar se
- 35:30você engajar com a narrativa que o sistema contempla.
- 35:34Senão, você vai ficar distracionado, você vai ficar na
- 35:36banguela. É a mesma coisa, se o jogador
- 35:39não engaja com a tua prep, você vai ficar ali botando aquela
- 35:43perfumaria só. O jogo não vai andar de verdade,
- 35:46ele só vai andar quando o jogador engajar com a sua prep.
- 35:49Ou você vai ficar ali esperando, não sei.
- 35:52Parece uma coisa desengajada o suficiente pra ser problemática
- 35:54ali na hora de tocar o jogo. Me parece que dá pouco
- 35:57ferramental. Sonegar também detalhes da
- 36:01ficção pra limitar as informações do grupo.
- 36:06Pra você poder mais tarde acionar esse problema.
- 36:11Ou explodir a cabeça deles, né? Ou seja, você...
- 36:16Não dá informação para o grupo aqui, mesmo que o grupo busque
- 36:18determinada informação e depois você fala, ah, tinha isso aqui.
- 36:22Ah, vocês não tinham percebido, mas vocês estavam andando esse
- 36:25tempo todo com um doppelganger. Você fala, pô, mas eu não tive
- 36:28nenhuma chance de perceber que aquele sujeito era um
- 36:30doppelganger. É, o mestre escondeu, cara.
- 36:35Será que isso é um bom desafio? Será que sonegar detalhes é um
- 36:38bom desafio? Será que é válido explodir
- 36:40cabeças? O que diz na regra do D&D
- 36:43clássico que explodir cabeças e direcionar o jogo para esse lado
- 36:48é ruim? Não parece ter muita coisa no
- 36:52jogo dizendo que isso é ruim. Nem direcionando a tua atuação.
- 36:57É o famoso exemplo do grupo portando um ovo de dragão que,
- 37:01na cabeça do mestre, na preparação dele, esse ovo só
- 37:04pode ser descoberto quando o grupo chega no local da luta
- 37:08final, onde o ovo vai romper a casca e nascer o dragão.
- 37:14Proibir o jogador de dizer... Algo sobre o mundo.
- 37:19Quando ele pergunta, por exemplo, se na taverna teria uma
- 37:22garrafa para ele usar para dar na cabeça do comerciante que
- 37:25está abusando da sorte. O mestre pode dizer que não,
- 37:28simplesmente. Por quê?
- 37:29Porque ele gosta desse NPC e ele acha que não é o momento de
- 37:32acontecer uma briga. Então ele fala não só que não
- 37:34tem as garrafas, mas que tem dois guarda-costas atrás dele.
- 37:39Aí é suficiente para ele desestimular o jogador a agir no
- 37:42jogo, seguir o caminho que ele está pensando na sua preparação
- 37:46ou na sua ideia de jogo, etc. Bom, a gente tem aí o mestre
- 37:54podendo desrespeitar... qualquer linha específica de atuação,
- 38:00simplesmente atuando na esfera mecânica.
- 38:04Ele chega lá e faz um dice fudge, joga o dado escondido e
- 38:08mente o resultado, ou ele muda o HP, como eu falei lá atrás,
- 38:12também na esfera mecânica. Os exemplos que eu dei aqui, do
- 38:16mestre chegar e ficar botando o pai do Tarrasque, depois o filho
- 38:20do Tarrasque, depois a avó do Tarrasque, isso é o mestre
- 38:22atuando na esfera dinâmica, sem limites.
- 38:25O mestre também atua na mídia do jogo, no diálogo ficcional,
- 38:29quando o mestre simplesmente chega ali e fala que não, você
- 38:32não pode pegar uma garrafa, por incrível que pareça, não tem
- 38:37nenhuma garrafa, amostra ali, que você possa usar na cabeça do
- 38:40comerciante nessa taverna. Pô cara, não era natural que
- 38:44tivesse uma garrafa nessa taverna?
- 38:46Por que você não deixa o jogador fazer isso?
- 38:48É uma coisa um pouco estranha quando a gente vê isso
- 38:50acontecendo no diálogo ficcional mesmo.
- 38:53Por quê? Porque o desafio da ficção é
- 38:55concreto nesse ponto, então o jogo tem que dar espaço nesse
- 39:01nível concreto dos jogadores atuarem.
- 39:04Se não der, o TPK inclusive é algo que é um erro de cálculo
- 39:08seu ou algo que você decidiu, na melhor das hipóteses, como um
- 39:12risco assumido pelo grupo numa situação que você desenhou
- 39:15especialmente para gerar algo tão drástico, provavelmente
- 39:18encurtando o espaço de decisão dos jogadores, que provavelmente
- 39:24poderia ser maior. Por que estaria na mão do grupo
- 39:28poder resolver uma situação sem chegar nesse ponto, se você não
- 39:33tivesse pegado pesado para chegar ali?
- 39:36Mas o que determina se você vai pegar pesado ou não?
- 39:38Um bom mestre, na cabeça do senso comum, é um cara que vai
- 39:43levar você para esse extremo de TPK ou nada.
- 39:47E aí você fica nessa parada e quando rola o TPK ele fala, ah,
- 39:49tá vendo só? Mas ele levou você até lá.
- 39:52O caminho todo ele construiu. Ele tem plenos poderes na ficção
- 39:56pra construir essa ficção que te leva a esse momento.
- 40:00Se pegar leve ou pesado é uma decisão a se tomar, no caso
- 40:04aqui, pegar pesado pra levar você, o grupo, ao extremo da
- 40:08decisão do TPK ou não, é porque você já tá determinando o
- 40:12fracasso e sucesso, no fundo. Usar dos seus poderes vai ser de
- 40:16uma tremenda responsabilidade na experiência do grupo todo.
- 40:20Por quê? Porque são muitos poderes, dos
- 40:23mais diversos, sem um registro de atuação.
- 40:27E isso acaba gerando naturalmente uma aversão ao
- 40:31próprio poder, porque ele é um poder desgraçado, ele é um poder
- 40:35amaldiçoado na sua mão. E aí ou você faz como o Blob,
- 40:40que tenta dizer que o desafio tá no seu eu lírico que construiu a
- 40:44aventura lá na prep. Não é você, não fui eu.
- 40:48Fui eu dizer. Quando eu tava desafiando vocês
- 40:51lá na prep ontem de noite, agora eu sou o bonzinho.
- 40:54Eu tô aqui só... executando como árbitro imparcial.
- 41:00A gente sabe, cara. Você, pra conseguir fazer com
- 41:04que um desafio rode na ficção, você precisa ser parcial também.
- 41:08Não adianta você ser... Essa pretensa isenção não
- 41:11existe. A gente sabe disso.
- 41:13E aí você fica naquela lá de julgar, pô, mas será que é a
- 41:17hora? Será que não é?
- 41:18Será que eu tô imprimindo muito? Será que eu tô imprimindo pouco?
- 41:20E aí você começa a buscar subterfúgios como oráculos,
- 41:24tabelas, como se elas não fossem instrumentos escolhidos
- 41:28arbitrariamente por você, de modo geral, para decidir uma
- 41:32coisa. Não é que os dados estão
- 41:35decidindo, eles estão decidindo porque você apontou aqui que é o
- 41:39momento dos dados decidirem. O que impede você de botar os
- 41:42dados para decidir o tempo todo? O que determina as chances ali?
- 41:48No fundo, a configuração da própria ficção no diálogo
- 41:52ficcional ali é muito mais relevante do que essa arbitragem
- 41:56que você está botando como se não fosse você decidindo.
- 42:00De fato, você buscar ali a chance, a aleatoriedade, pode
- 42:04até atenuar uma decisão sua. mas é muito mais uma impressão de
- 42:10que você não está exercendo o seu poder de mestre, mas tá,
- 42:14você levou até lá, você levou até essa situação, você está
- 42:18decidindo usar um oráculo X e não Y, a pergunta que você está
- 42:21fazendo para o oráculo já é evada de intencionalidade, então
- 42:26a construção do jogo todo está na sua mão, principalmente na
- 42:30ficção. Se tem uma coisa que eu sei, é
- 42:45que subestimar o desconhecido pode ser fatal.
- 42:49A tempestade que viemos investigar no litoral de Santa
- 42:51Catarina não é nada do que eu imaginava.
- 42:53Naufragamos logo na primeira noite.
- 42:55Minha garganta queimava, o sal correndo cada gota de ar que eu
- 42:59tentava respirar. Eu tragava uma dor cruel a cada
- 43:02afogamento. Um desespero esmagador.
- 43:05Eu quase apaguei, quase não saí dessa.
- 43:08Acordei na costa de um cemitério de naufrágios, debaixo de uma
- 43:11chuva torrencial, com a minha visão embaçada pela areia e pelo
- 43:15sol. O som do mar se misturando aos
- 43:17ecos e estralos dos destroços fantasmagóricos.
- 43:21Um aviso das profundezas que tentamos desafiar.
- 43:24Cada pedaço de fuselagem é uma história de desespero.
- 43:28Esse lugar, essa ilha perdida, guarda mistérios que podem ser
- 43:33mais sombrios que qualquer coisa que eu já enfrentei.
- 43:36Aqui é Laura Muniz de Moura, e esse é o relato do início da
- 43:39minha investigação dos mitos de Atlântida.
- 43:53E aí, sobrevivente, está preparado para o maior desafio
- 43:57de RPG que você já enfrentou na sua vida?
- 44:01Boas-vindas à temporada beta de Mythos de Atlântida, um jogo
- 44:05experimental de horror e sobrevivência em sessões
- 44:08episódicas, onde o foco aqui é o desafio e a imersão total.
- 44:13Você busca desafios intensos, né?
- 44:15Você acabou de encontrar o Everest do RPG.
- 44:18E a temporada beta chega com mudanças incríveis pra gente aí.
- 44:22Regras mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticadas.
- 44:25A gente dá mais liberdade pra ficção sem se preocupar tanto
- 44:28com mecânica. Aplicação de arquétipos, né, que
- 44:31seriam as cartilhas de jogo aí, os playbooks.
- 44:34E a evolução dos personagens sem uso de nível de personagem.
- 44:37A gente tá fazendo evolução por fato ficcional.
- 44:40Pela primeira vez a gente vai ter Myths of Atlantis.
- 44:43A primeira campanha de Oil Fantasy inteiramente mestrada e
- 44:46jogada em inglês. Um marco aí pra expandir a nossa
- 44:49comunidade, a nossa forma de jogar.
- 44:51E pra quem não tem tempo pras sessões de voz, né, não se
- 44:53preocupa não, porque a gente tá implementando um sistema
- 44:56assíncrono de jogo aí, via Telegram, você pode investigar
- 44:59os mitos, a aventura tá sempre ao seu alcance.
- 45:02A temporada aberta de Mitos de Atlântida já começou, e eu quero
- 45:05saber se você tá pronta, se você tá pronto pra enfrentar o
- 45:08desconhecido. Junte-se a nós aí, prove que
- 45:11você é capaz de sobreviver ao maior desafio Wild Fantasy de
- 45:14todos. Investiga os mitos, venha pra
- 45:17Mitos de Atlântida. Eu te desafio para um café.
- 45:53E como o Wild Fantasy resolve isso?
- 45:56A gente percebe aqui que os ilusionistas mais
- 45:58sofisticados... Eles tiram a escolha dos
- 46:02jogadores justamente nesse nível concreto do desafio.
- 46:07Que é no diálogo ficcional. Então eles acenam opções,
- 46:12dilemas e decisões em outros níveis...
- 46:16Mas não onde importa. Eles vão dar decisões para
- 46:19vocês, para os jogadores, no caso, na esfera quase de uma
- 46:24perfumaria. Mas onde importa mesmo, ele já
- 46:29decidiu, ou ele está, de certa forma, decidindo, ele sufoca. a
- 46:35sua decisão onde realmente importa.
- 46:37Às vezes isso na esfera mecânica, a gente no oil fantasy
- 46:41combate isso trazendo a máxima do OSR que é o rule is not
- 46:44rules, que é de você utilizar arbitragens em vez de regras.
- 46:49porque a gente consegue comportar melhor a ficção.
- 46:52E isso abre um pouco o jogo para a gente debater em como a gente
- 46:56vai traduzir esse desafio ficcional na mecânica.
- 47:02Isso ajuda a gente. Principalmente se for feito de
- 47:05forma transparente, como a gente prega em All Fantasy.
- 47:07Ou seja, você vai sempre dizer a mecânica que você está apontando
- 47:11e vai dizer para os jogadores... Por que você está propondo essa
- 47:15arbitragem dessa forma? E outra coisa é que você abre
- 47:18isso à negociação também da própria mecânica, mas não só
- 47:20isso, da própria ficção. A ficção é onde começa essa
- 47:24negociação. Por quê?
- 47:25Porque afinal de contas, se é o seu desafio concreto que vai
- 47:31apontar a mecânica, essa negociação começa lá no desafio
- 47:36concreto. É você se posicionando
- 47:39ficcionalmente com o mestre, entendendo com ele, fazendo suas
- 47:42reivindicações ali e tudo mais. Mas na esfera mecânica, você
- 47:46abre a negociação também. E isso vai ditar de volta a
- 47:50ficção. Na esfera dinâmica, isso tem a
- 47:53ver com respeito à agência do jogador e a verossimilhança.
- 47:57No Oil Fantasy, o bom desafio, ele respeita essas duas coisas,
- 48:01principalmente. Isso acontece por meio de veto e
- 48:05por meio de autoanálise, ou da análise dos jogadores em
- 48:09momentos de feedback, ou até mesmo durante o jogo a gente
- 48:11fala, peraí, mas aqui eu tô sentindo que eu não tenho
- 48:14impacto na minha ação, ou não tenho liberdade na minha ação,
- 48:18ou... Eu estou sentindo que eu não
- 48:19tenho aqui informação suficiente para poder tomar minha decisão.
- 48:24Preciso entender melhor. E aí você pergunta e o mestre
- 48:28tem que responder para você tomar...
- 48:29Ele não pode sonegar a informação, né?
- 48:32Então, na esfera dinâmica, a gente tem o respeito à agência
- 48:35do jogador e a verossimilhança que eu vou abordar mais à
- 48:37frente. Na esfera criativa, a gente tem
- 48:40essa ideia de que o mestre vai atuar dando o seu pior e
- 48:45alternando as suas posturas entre o desafiante e o
- 48:48provocador em relação ao uso dos seus poderes, né?
- 48:53E seguindo também estruturas de desafio que o ajudem a exercer
- 48:57seus poderes de uma forma clara e que dê espaço para os
- 49:00jogadores agirem também. Então, como diabos é o bom
- 49:04desafio segundo o Oil Fantasy? Bom, no blog tem um pedaço
- 49:08imenso sobre isso. Isso é a parte onde a gente mais
- 49:10trabalha o bom desafio. Por quê?
- 49:12Porque em Oil Fantasy... O mestre, os poderes do mestre
- 49:19são informados pelo melhor desafio.
- 49:22E o melhor desafio, em teoria, ele é limitado pela
- 49:25verossimilhança e pela agência, como eu falei.
- 49:29Esses são os dois principais nortes de desenho desse bom
- 49:34desafio. E entender que você vai sempre
- 49:37atuar buscando o melhor desafio direciona a sua atuação como
- 49:42mestre. Em vez de você ser o mais justo,
- 49:45em vez de você buscar o que é mais divertido, em vez de você
- 49:47buscar com o seu quê, a gente tenta botar uma coisa que a
- 49:49gente discute melhor em cima, que a gente parametriza melhor
- 49:53dentro do estilo oil fantasy e aí a gente consegue entender
- 49:56melhor a sua atuação. Porém, esse bold statement de
- 50:02faça o seu pior, vamos lá, vamos tentar buscar o pior desafio que
- 50:06você puder pensar para os jogadores darem o seu melhor
- 50:08para superar, construir o melhor desafio e tudo mais.
- 50:12Esse bold statement, essa bravata, ela leva a uma certa
- 50:18ansiedade. O jogador fala, pô, eu tenho que
- 50:21morder. Eu tenho que ser esse mestre que
- 50:24vai trazer sempre ali um risco de morte pros jogadores.
- 50:28Sempre um mestre que vai atuar com a maior força possível.
- 50:32Que vai sempre trazer um meteoro na cabeça dos jogadores.
- 50:36Quando morder? Então isso leva um jogo que...
- 50:41simplesmente uma velhinha te oferecer água leva você a
- 50:45pensar, cara, se eu não der essa água pro rato beber e provar se
- 50:49tá envenenado ou não, eu vou honrar pro veneno.
- 50:53Será que isso é desejável? É aquele caso que, cara, você
- 50:56fala, cara, somente de eu andar em pé num terreno baldio já vai
- 51:01fazer com que eu tome um tiro de sniper.
- 51:03Afinal de contas, o mestre vai fazer o pior dele.
- 51:06Mesmo... Que, pô, eu tô andando, né?
- 51:09Eu tenho um terreno baldio. Eu vou perguntar sempre, e aí,
- 51:11mestre? Eu vou olhar em volta.
- 51:13Na pior das hipóteses, o personagem vai atuar na ficção
- 51:15como um sujeito extremamente paranoico o tempo todo.
- 51:17Por quê? Porque sempre o mestre vai
- 51:19chover morte em cima dos jogadores, né?
- 51:24E esse exemplo aqui, eu acho que ele ficou muito estressado
- 51:28quando a gente trouxe aquela ideia do Wild Fantasy
- 51:31trabalhando na esfera quântica, né?
- 51:34Eu trouxe aqui a ideia de que o ogro quântico não acontece por
- 51:39má fé. Ele acontece naturalmente na
- 51:41mídia do RPG tradicional. Por quê?
- 51:44Porque se o ogro ainda não apareceu, ele pode estar nos
- 51:47dois caminhos. E isso vai acontecer de qualquer
- 51:51forma. Por quê?
- 51:52Porque não é a PrEP que vai resolver isso.
- 51:55Inclusive, a prep pode levar o mestre a quebrar a agência do
- 52:00jogador. Por quê?
- 52:01Porque você simplesmente não deu informação para os jogadores,
- 52:04não deu a eles opção de escolha, não deu nada, mas os jogadores
- 52:07tomaram o desafio e, independente da opção deles,
- 52:09você botou o ogro, porque aparecer o ogro estava na sua
- 52:13preparação. Aí você vai falar, mas eu podia
- 52:14preparar melhor, dizendo que o ogro estava no caminho A, não no
- 52:17caminho B. Beleza, vamos dizer que você
- 52:20troca as bolas na hora, descreve para os jogadores que os
- 52:24indícios do Ogro estão no caminho B e não no caminho A.
- 52:28Mas na sua prep o Ogro está no caminho A.
- 52:30E aí? Você vai se apegar à sua prep?
- 52:32Ah, mas é um erro técnico porque eu estou seguindo a minha prep
- 52:36aqui. Eu tenho que falar, gente,
- 52:37errei. Não é melhor você seguir com o
- 52:40Ogro no caminho B, então? Isso é comprovação, já foi
- 52:44discutido aqui nos últimos episódios, mas isso é
- 52:46comprovação de que, de forma geral... esse espaço quântico,
- 52:51ele existe até ele ser registrado na ficção.
- 52:54Ou seja, ele existe até que o ogro apareça como indício à
- 52:59frente dos jogadores e os jogadores possam levar o mestre
- 53:01a descrever o suficiente a se comprometer com a existência do
- 53:04ogro ali. Aí sim o jogador provoca a
- 53:07abertura da caixa onde está o ogro de Schrodinger, por assim
- 53:11dizer, que foi o resumo do episódio anterior.
- 53:15E esse exemplo deixou, galera, esse tipo de exemplo também do
- 53:18torneiro mecânico e do gangster. Tipo, se o culpado de um
- 53:23assassinato, que o grupo quer se vingar, não foi determinado
- 53:28ainda na ficção do jogo, entre um torneiro mecânico e um
- 53:32gangster, mas eles são as últimas duas suspeitas
- 53:36possíveis, o mestre vai fazer o seu pior... e aí ele vai
- 53:41escolher entre A e B, de acordo com o que ele acha.
- 53:44Então se o grupo, vamos supor, se o mestre acha que o melhor
- 53:47desafio é que o grupo tenha que se vingar de um gangster, ele
- 53:51vai falar, não, então o assassino é o gangster.
- 53:54E o mestre pode se aproveitar desse espaço quântico
- 53:56independente do que ele tem. Na sua preparação, ele não tem
- 53:59porque gerar esse compromisso com a preparação, uma vez que os
- 54:02jogadores não provocaram que ele se comprometesse com essa
- 54:05preparação, com o que tivesse lá, com qualquer ideia de
- 54:08assassino possível. Então o quântico, quem quebra é
- 54:10o jogador, isso tá dentro da sua agência, mas é necessário que o
- 54:14jogador possa quebrar esse quântico.
- 54:18E isso deixou a galera muito confusa.
- 54:21Parece que é muito próximo da regra do legal, e eu concordo.
- 54:25O quântico assusta, mas a gente entender que é melhor para o
- 54:29jogador se fiar justamente na ficção que ele pode provocar do
- 54:34que se fiar na boa vontade do mestre, ou no que é mais justo,
- 54:37ou na prep que ele não pode conferir, ou na ideia que tem na
- 54:40cabeça do mestre que ele também não pode conferir, a gente
- 54:43entende que, na verdade, o que a gente está dizendo aqui é que há
- 54:46um registro de atuação para o mestre, e que o mestre pode
- 54:49levar esse registro de atuação às últimas consequências.
- 54:52Ainda que, de forma geral, ele vá conseguir seguir sua prep, ou
- 54:57seguir a ideia que tem na sua cabeça, porque isso vai fazer
- 54:59com que ele enriqueça a ficção nesse sentido.
- 55:02E o bom desafio é justamente essa ficção rica, que não
- 55:06depende da preparação para acontecer, mas que normalmente
- 55:10acontece no sentido da preparação, porque a preparação
- 55:13ajuda. ou uma boa ideia do que aconteceu.
- 55:17Então vamos lá. Vamos analisar o Bom Desafio de
- 55:21uma forma mais simples do que tem no blog do Oil Fantasy.
- 55:26A gente, de forma geral, aqui eu vou encapsular essa discussão em
- 55:30duas coisas. Eu trouxe até agora aqui os
- 55:34problemas, e trouxe uma análise do problema da própria bravata,
- 55:40do faça o seu pior. Então agora eu vou começar a
- 55:43esmiuçar um pouquinho isso, a desmontar um pouquinho essa
- 55:46ideia do bom desafio, de acordo com o que a gente tem no blog,
- 55:50só que mais simples. Vamos analisar os limites do
- 55:54mestre em atuar para o bom desafio.
- 55:57Dentro do seu registro, dentro do seu espaço.
- 55:59Ou seja, você vai atuar sempre buscando o melhor desafio.
- 56:03Ou seja, dando o seu pior dentro do que a gente diz da bravata.
- 56:07O que isso significa? Significa que você vai atuar
- 56:10dentro desse registro, dentro desse norte de atuação, com
- 56:15alguns limites. O primeiro limite é o dever ou
- 56:17semelhança. Nesse ponto...
- 56:20Não cabe a gente pensar se uma coisa é mais verossímil ou menos
- 56:24verossímil, etc. Cabe a gente pensar se é
- 56:27verossímil. Se for verossímil, está valendo.
- 56:32O mestre, dentro de Royal Fantasy, e todo jogador, na
- 56:36verdade, eles são responsáveis, todos os participantes, são
- 56:40responsáveis pelo controle da verossimilhança.
- 56:44E, portanto, eles podem vetar. uma descrição do mundo, uma
- 56:50descrição que aconteça no jogo, uma reivindicação ficcional.
- 56:54Qualquer um pode vetar se não for verossímil.
- 56:58Então, o mestre, de forma geral, pode atuar com tranquilidade,
- 57:01porque se em algum momento não for verossímil, isso vai,
- 57:05provavelmente, trazer algum incômodo e algum veto.
- 57:09Por outro lado, você com o mestre, é importante que, e os
- 57:15jogadores também, que se evite vetar. a gente pode sempre
- 57:19perguntar como. Como que isso se dá?
- 57:22Como que você vê isso acontecer? Como é que pra você isso é
- 57:25verossímil? E muitas vezes a gente
- 57:28perguntando como, a outra pessoa vai elaborando e aí a gente vai
- 57:32entender que pedaço dessa ideia que essa pessoa tá trazendo
- 57:36parece não encaixar com o mundo de aventura ou a gente pode
- 57:39ficar surpreso e entender que aquela ideia de fato é possível.
- 57:42Muitas vezes o jogador pode surpreender e falar, cara, mas
- 57:45olha só essa magia em combinação com essa, você acha que não é
- 57:47possível? De repente você fala, é
- 57:49possível. Ou de repente o jogador fala, e
- 57:51se eu juntar Lé com Cré, será que não acontece?
- 57:54Fora do espectro mágico mesmo? Você vai falar, é verdade, isso
- 57:57aqui pode acontecer de fato. Então, perguntar como e tentar
- 58:03evitar um veto logo de cara na verossimilhança é interessante.
- 58:07Mas é possível vetar. Isso é uma segurança pra toda
- 58:10mesa sobre o desafio do mestre. Então, se o mestre resolve do
- 58:13nada trazer um cometa pra cabeça dos jogadores, isso é uma coisa
- 58:17que já pode ser... Pô, cara, qual o sentido disso,
- 58:22né? Isso parece verossímil, mas você
- 58:25não acha verossímil ver um cometa estraçalhar todo mundo?
- 58:29Aí entra a segunda parte. Por mais que eventualmente possa
- 58:32ser verossímil esse tipo de coisa, ainda tem uma questão
- 58:35importante que é o contexto. E aqui eu vou trazer, vou
- 58:41encapsular algumas outras coisas que tem no blog.
- 58:44A gente pode chamar de contexto. Quando você tiver um desafio, e
- 58:49esse desafio está preparado pelo mestre, e aí eu vou dar um
- 58:52exemplo de uma dungeon, por exemplo, Cria o contexto dessa
- 58:55dungeon. Então, cria, de repente, o mapa
- 58:58dela. O mapa é um ótimo contexto.
- 59:01O entorno dela, como ela se relaciona com o ambiente, o que
- 59:03acontece ali dentro. Quem ocupa essa dungeon?
- 59:06Por que ocupa? O que essas pessoas fazem?
- 59:10De repente, pensando isso e delineando amplamente isso, de
- 59:13uma forma geral, talvez você já tenha elementos suficientes para
- 59:17trabalhar. essa dungeon e isso já vai provavelmente apontar pra
- 59:23um espaço de jogo em que tanto o mestre quanto os jogadores vão
- 59:26começar a enriquecer essa ficção de acordo com esse contexto que
- 59:30você trouxe e aí nesse ponto a gente pode a gente tá falando de
- 59:33um desafio Que você já construiu...
- 59:37Que você pensou nesse desafio... A gente chama isso de desafio
- 59:40tracionado... Quando o grupo chega nessa
- 59:42dungeon... Você já construiu aquele desafio
- 59:44ali... Você já entendeu mais ou
- 59:45menos... Como você quer desafiar o
- 59:48grupo... E nesse ponto...
- 59:50Você obviamente vai direcionar...
- 59:53Essa construção que você está fazendo...
- 59:55Dessa ficção... Para dar contexto para os
- 59:58jogadores... Você pode até...
- 1:00:03Nesse ponto... vetar uma contribuição que o jogador dê na
- 1:00:07ficção para você poder imprimir o seu desafio.
- 1:00:12Isso faz parte do seu poder quando o desafio está
- 1:00:15reconhecidamente tracionado. Nesse ponto, não é interessante
- 1:00:21sempre vetar, mas só vetar quando for essencial.
- 1:00:25Um exemplo que eu vou dar. Você já colocou uma bruxa nessa
- 1:00:28ficção, tá? Essa ficção dessa bruxa você já
- 1:00:31imprimiu o suficiente, mas o jogador vem com uma coisa que
- 1:00:33ainda é quântico em relação a essa bruxa.
- 1:00:36Por exemplo, o jogador chega e fala Ah, mas quando a gente
- 1:00:39chega na casa da bruxa, ela recebe a gente e diz que ama a
- 1:00:44gente porque ela vê, ela acompanha a nossa vida na bola
- 1:00:46de cristal e ela vai deixar a gente ir embora com um monte de
- 1:00:49tesouro e com um monte de coisa que ela quer dar de presente pra
- 1:00:53gente e acabou. Você pode vetar nesse ponto.
- 1:00:57Você pode falar, não, olha só, nesse ponto aqui não é assim,
- 1:01:01esse ponto aqui acontece da seguinte forma, a bruxa recebe
- 1:01:05vocês, ela está oferecendo um chá, vocês vão entrar ou não?
- 1:01:10Nesse ponto, o que você está impedindo?
- 1:01:12Você está impedindo que o jogador impeça você de desafiar.
- 1:01:19Ou seja, é uma questão funcional.
- 1:01:22Ainda assim, a gente pode botar como uma regra geral que é
- 1:01:27importante, de certa forma, você se permitir aproveitar isso.
- 1:01:36Mas deixa eu trazer os exemplos mais claros de uma preparação
- 1:01:40que você fez para o seu desafio e que de alguma forma você vai
- 1:01:46fazer com que você tenha supremacia para determinar como
- 1:01:52a ficção vai ser reivindicada porque você está imprimindo o
- 1:01:55seu desafio. A gente parte do princípio que a
- 1:02:01sua preparação não existe no mundo de jogo, essa é a lei da
- 1:02:05mesa. Ela precisa existir dentro do
- 1:02:08mundo de jogo. você precisa poder reivindicar aquela ficção
- 1:02:14que está na sua prep dentro do jogo de determinada maneira,
- 1:02:17para que ela aconteça. Quando a gente tem um
- 1:02:21hackscroll, por exemplo, é muito comum, dentro da fórmula que a
- 1:02:24gente prega, inclusive, de hackscroll, você vai começar com
- 1:02:28um mapa que os jogadores não conhecem.
- 1:02:30Em teoria, esse mapa é cheio de espaços que são quânticos, não
- 1:02:35reivindicados. Mas quando você imprime essa
- 1:02:40ficção... Normalmente os jogadores vão
- 1:02:42perguntando pra você na dinâmica do jogo, então, o que eu vejo
- 1:02:45quando eu olho pra frente, quando eu saio da vila da
- 1:02:48frasqueta? Eu prontamente respondo.
- 1:02:51Você tá vendo um campo à sua frente, de plantio, com um leve
- 1:02:56declive, um terreno bastante regular com as suas plantações.
- 1:03:02Lá no horizonte, você percebe à sua esquerda uma formação
- 1:03:06rochosa íngreme, um formato meio quadrado, meio retangular, se
- 1:03:12estendendo para a sua esquerda, e à sua direita, bem aberto,
- 1:03:15você vê uma silhueta de um quibe, como se fosse de um kibe,
- 1:03:19de uma montanha ou algo assim, um formato de um kibe com a
- 1:03:22ponta mordida. Esse é o formato que você vê,
- 1:03:25mas bem longe, lá no horizonte, uma cor bem dessaturada.
- 1:03:29Eu descrevi isso para você. Esses pontos existiam ali.
- 1:03:35Eles existiam a partir do momento que eu descrevi para
- 1:03:37você. Ele estava na minha preparação e
- 1:03:41ele precisou entrar em jogo. Se eu não tivesse descrito isso
- 1:03:46para você... vamos dizer, porque está nublado.
- 1:03:51E você fala, ah não, mas para lá, depois dessa névoa aqui, tem
- 1:03:56um maciço que vai de leste a oeste que impede a gente de
- 1:04:00andar. Espera aí, eu já tenho aqui
- 1:04:04determinado o desafio da exploração no jogo.
- 1:04:08Isso é um desafio que eu estou construindo.
- 1:04:12Eu sou o mestre aplicando esse desafio.
- 1:04:14Logo, eu preciso reivindicar, eu tenho que ter o poder de
- 1:04:18reivindicar esse desafio. Então, enquanto o desafio está
- 1:04:21tracionado dentro de uma coisa que eu concebi anteriormente,
- 1:04:25que é o meu desafio, eu vou tendo a certeza de que eu
- 1:04:30consigo botar ele em jogo. Eu preciso botar esse desafio em
- 1:04:33jogo. Então eu preciso ter essa...
- 1:04:36Supremacia é uma palavra horrível, né?
- 1:04:39Mas eu preciso ter essa primazia e eu preciso poder botar para o
- 1:04:43jogador caso ele essencialmente desfaça o meu desafio, por
- 1:04:48exemplo, dizendo que tem uma cordilheira cortando a nossa
- 1:04:51frente, quando na verdade não é isso que eu preciso imprimir ali
- 1:04:56para poder trazer o meu desafio, eu posso vetar.
- 1:05:01Ainda assim, é bom a gente ser leniente, por assim dizer, é bom
- 1:05:07a gente ser bem aberto em relação a isso e evitar esse
- 1:05:10veto. Um outro exemplo que eu vou dar
- 1:05:12é quando a gente tava caminhando pra construção do desafio.
- 1:05:16Imagina só que o grupo trouxe essa ideia da velha.
- 1:05:20E aí o grupo chega e fala, não, mas quando a gente chegou ali a
- 1:05:23bruxa recebeu muito bem a gente e resolveu dar pra gente um
- 1:05:28tesouro dela e falar pra gente ir embora porque ela adora a
- 1:05:31gente, não sei o que. Eu posso utilizar isso de
- 1:05:33repente. Não era de repente o que eu
- 1:05:36tinha em mente ali para imprimir o meu desafio, o que eu
- 1:05:39precisava em teoria para imprimir o meu desafio, mas eu
- 1:05:42posso ir contra a minha prep, a minha prep não é sagrada nesse
- 1:05:45ponto, ela nem foi reivindicada ainda, então eu posso dizer que
- 1:05:48a bruxa de fato é um... Faz sentido.
- 1:05:51Ela observou o grupo pela bola de cristal.
- 1:05:54Vocês estão vendo ali na frente dela uma bola de cristal.
- 1:05:56Ela recebe vocês muito bem e dá um tesouro na mão de vocês.
- 1:06:00Mas quem sabe, né? Eu não posso, de repente,
- 1:06:02aproveitar aqui e botar aqui. Bom, dentro desse tesouro tem
- 1:06:05uma peça amaldiçoada que vai, de repente, deixar o grupo comendo
- 1:06:09na mão delas. Da bruxa, né?
- 1:06:12Ou de repente até, pode ser que esse tesouro não seja dela.
- 1:06:15Ela tava querendo dar um fim pra esse tesouro, mas esse tesouro é
- 1:06:17uma coisa que, porra, no fim é uma maldição também.
- 1:06:19Eu posso tentar utilizar isso como um desafio.
- 1:06:22Eu posso entender isso como elemento do desafio.
- 1:06:25Contexto, quando eu falo de contexto, é que a gente vai
- 1:06:28deixando que os jogadores enriqueçam a ficção.
- 1:06:32Que você também vai enriquecer a ficção.
- 1:06:34Todos no sentido, no caso do mestre, de imprimir o desafio.
- 1:06:38Ele enriquece a ficção no sentido de imprimir o melhor
- 1:06:41desafio. E os jogadores enriquecem a
- 1:06:44ficção no sentido de superar. os desafios propostos.
- 1:06:49Nessa dialética, a gente vai construindo essa ficção que a
- 1:06:52gente vai usando como bagagem. Você, às vezes, usando o que os
- 1:06:55jogadores reivindicaram e vice-versa, o tempo todo.
- 1:06:58Então, não tem porque a gente se limitar tanto.
- 1:07:01Isso fica muito claro quando o mestre não tem um desafio que
- 1:07:05ele queira imprimir. Vamos dizer, nesse ponto, é um
- 1:07:09registro. O mestre vai atuar dentro desse
- 1:07:13registro. Se ele tem uma dungeon preparada
- 1:07:15num local e o grupo chega nesse local, ele vai reivindicar o que
- 1:07:19é necessário pra imprimir essa dungeon.
- 1:07:22Por outro lado, se ele não tem um desafio e o grupo vai pra um
- 1:07:25lado onde você não tem nada preparado, onde não há desafio,
- 1:07:29Você pode simplesmente chegar e deixar que os jogadores
- 1:07:32enriqueçam a ficção conforme eles buscam fazer o que eles
- 1:07:35precisam fazer. Então, vamos supor, os jogadores
- 1:07:38querem trocar o dinheiro deles na cidade.
- 1:07:40Você deixa que eles comecem a trocar o dinheiro na cidade,
- 1:07:42deixa que eles vão reivindicando.
- 1:07:45Bom, vocês querem trocar em que tipo de...
- 1:07:48De... Com quem que vocês querem
- 1:07:51trocar? Não tem comerciantes aí?
- 1:07:52Ah, tem. Vocês veem que tem uma guilda de
- 1:07:54comerciantes. Vocês podem começar...
- 1:07:55Você pode deixar com os jogadores fazendo as perguntas
- 1:07:58deles, que eles dizem que isso é uma ficção.
- 1:07:59Vai dizendo sim, tem isso. Ou, pô, tem gente que não gosta
- 1:08:04muito, mas você pode até falar, não, cara, tem sim.
- 1:08:07Que tipo de comerciante que você tá atrás?
- 1:08:09Ou quem é o comerciante que você encontrou?
- 1:08:11Ou, se você não quiser, você pode até... somente responder
- 1:08:16provocado pelos jogadores você pode dar corda pra eles é o que
- 1:08:19a gente diz em Oil Fantasy é a postura do provocador você
- 1:08:23começa a fazer com que os jogadores enriqueçam mais
- 1:08:26constantemente a ficção até que haja elementos ali suficientes
- 1:08:31pra você imprimir um desafio Por isso que o meteoro é um desafio
- 1:08:35ruim. Ele precisa ter informações em
- 1:08:39torno dele, ele precisa ter contexto.
- 1:08:41Se o meteoro tem contexto, tem informação, ele foi, de certa
- 1:08:45forma, ele é investigável, os jogadores puderam topar com a
- 1:08:49ideia desse meteoro vindo anteriormente.
- 1:08:53Se, de repente, isso tudo faz parte de um maior, de um
- 1:08:56contexto maior, provavelmente esse meteoro vai ser um bom
- 1:08:59desafio. Essa ficção precisa ser
- 1:09:03enriquecida. E é justamente o que você vai
- 1:09:05fazer, que é trabalhar no enriquecimento dessa ficção de
- 1:09:08forma mais coletiva possível, quando você não tem um desafio
- 1:09:12na mão. Isso é uma coisa muito
- 1:09:14importante. Um exemplo disso é quando a
- 1:09:18gente estava jogando Bear Gotham. lá no sítio do Vini,
- 1:09:22inclusive do Vini Caldas, e eu tava jogando com o Naomi, com o
- 1:09:29filho dele, com o Danilo, com o pessoal lá.
- 1:09:33E a criança que tava jogando com a gente falou que quando eles
- 1:09:37estavam atravessando o rio, ele falou, ah, eu vou procurar pra
- 1:09:39ver se tem algum diamante, alguma coisa assim.
- 1:09:43Olha só, eu podia ter falado que não.
- 1:09:45Por quê? Porque a gente tá falando de
- 1:09:47ouro, de dinheiro, de recursos. Isso faz parte do principal
- 1:09:51desafio que existe em Bergotem, que é você pegar dinheiro, pegar
- 1:09:56ouro, trazer de volta pra civilização e ganhar XP.
- 1:09:59E existe toda uma distribuição pelos hexágonos desse tesouro,
- 1:10:03né? uma estrutura, esse desafio é
- 1:10:06bem estruturado ali pra que eu possa imprimir isso de uma forma
- 1:10:10coerente, até porque se tem XP de mais ou de menos, isso vai
- 1:10:13impactar no jogo então, quando ele falou isso, eu podia ter
- 1:10:17falado não, não tem nenhum diamante aqui, por quê?
- 1:10:19porque de forma geral eu tenho mapeado os diamantes do jogo
- 1:10:25alguma parte deles mas quando ele fez isso eu falei, bom, tem,
- 1:10:32tem um diamante aqui. E eu pensei que, bom, isso aqui
- 1:10:36pode ser um diamante que está sendo usado como isca por um
- 1:10:40bando dos bandidos da navalha que estão ocupando a região,
- 1:10:44isso era um fato conhecido. Então eu juntei essas coisas,
- 1:10:47criei esse contexto, antecipei esse risco, botei o diamante
- 1:10:52colocado de uma maneira estratégica, muito clara, muito
- 1:10:54evidente, E aí o grupo até entendeu que podia ter alguma
- 1:10:58coisa errada ali e tal, mas de forma geral caiu na emboscada
- 1:11:02dos bandidos e foi um desafio claro, um desafio emergente e
- 1:11:09bem colocado ali. Os jogadores entenderam que
- 1:11:12tinha prenúncio deles, que tinha desantecipação dele, os
- 1:11:15jogadores entenderam que aquilo ali tinha contexto e foi um bom
- 1:11:20desafio colocado. Mas eu poderia negar, por quê?
- 1:11:24Porque faz parte do desafio ouro XP da campanha, né?
- 1:11:29E que eu tenho uma estrutura pra isso, né?
- 1:11:33Mas de qualquer forma, eu olhei e falei, bom, nesse momento aqui
- 1:11:36eu vou deixar, eu vou fazer com que aconteça, né?
- 1:11:40Ele me deu praticamente um desafio pronto.
- 1:11:42É a mesma coisa de um jogador chegar e falar, não, eu acabei
- 1:11:45de encontrar aqui um tesouro no meio da mata.
- 1:11:47Eu falo, é, você encontrou um tesouro e cinco corpos
- 1:11:51decapitados do lado. Eu estou enriquecendo a ficção,
- 1:11:55eles também. Eles já estão sentindo que
- 1:11:58aquele contexto está enriquecendo a ponto de ter um
- 1:12:00desafio. Quando eu falo de contexto...
- 1:12:06Eu estou trazendo aqui bastante elemento para a ficção que
- 1:12:11garanta liberdade para o jogador agir. dentro do diálogo
- 1:12:19ficcional, trazendo criações para o diálogo ficcional,
- 1:12:23fazendo reivindicações, provocando o mestre a
- 1:12:26reivindicar e o mestre também provocando o jogador a
- 1:12:29reivindicar. E nesse xadrez da ficção e dos
- 1:12:33compromissos que a gente assume quando algo vira verdade na
- 1:12:36ficção é que a gente constrói esse melhor desafio.
- 1:12:39Então o contexto é o que vai trazer, que vai garantir a
- 1:12:42agência nesse ponto aí. E quando a gente fala nessas
- 1:12:48posturas do mestre, a postura do desafiante, quando ele tem um
- 1:12:52desafio acionado, e a postura do provocador, quando ele quer
- 1:12:58provocar ao máximo os jogadores a enriquecerem a ficção, a gente
- 1:13:03já está fazendo com que essa situação do torneiro mecânico,
- 1:13:07por exemplo, e do gangster, ela apareça cheia de contexto.
- 1:13:12Então qualquer uma das opções que botar vão fazer sentido na
- 1:13:16ficção. Elas não vão pegar os jogadores
- 1:13:18de calça curta e não vão tirar a agência.
- 1:13:20O que está acontecendo é que você está entendendo que um
- 1:13:23deles vai levar para o desafio que você está entendendo ser
- 1:13:26melhor. E não há nem garantia de como
- 1:13:28você vai enxergar esse desafio. Mas o fato é que você, dentro
- 1:13:32dessa postura e dentro dessas limitações de mestre, você vai
- 1:13:36levar o desafio a esse ponto, quer ele esteja preparado ou
- 1:13:39não. E essa alternância de posturas
- 1:13:43acontece até de uma forma mais fractal, até menos marcada.
- 1:13:49Eu falando assim que a postura muda, parece que é uma coisa que
- 1:13:52não acontece a todo momento, mas acontece.
- 1:13:55Durante o seu desafio mesmo, vamos supor que você está dentro
- 1:13:57da dungeon, e você não preparou, por exemplo, se tem limo ou não
- 1:14:02na dungeon, e um cara que está jogando de mago pergunta se tem
- 1:14:05limo, Cara, você talvez pode dizer que sim.
- 1:14:10Faz todo sentido do mundo que tem a limo ali.
- 1:14:12O jogador tá cocriando. E você pode até provocar, cara.
- 1:14:16Falar... Tá, tem um limo ali e...
- 1:14:19Pra que você quer esse limo? Ele fala...
- 1:14:21Eu quero rapar esse limo pra levar pra longe.
- 1:14:24E de repente você sabe... E cara, tem aranhas nesse
- 1:14:28local... De repente você pode
- 1:14:29aproveitar... Que ele vai tentar raspar o
- 1:14:31limo... E dizer que quando ele sobe
- 1:14:33ali... Num pedaço ali da dungeon...
- 1:14:35Para raspar esse limo... Ele percebe ali que tem uns
- 1:14:37fios... De teia de aranha...
- 1:14:39E você começa a aproveitar essas coisas...
- 1:14:41E enriquecer esse diálogo... É meio que construir um em cima
- 1:14:46do outro... Isso vai dando amplitude de
- 1:14:49soluções... Dentro do jogo...
- 1:14:51Isso vai dando impacto também... Para o que os jogadores vão
- 1:14:54jogando... para as decisões dos jogadores, isso vai...
- 1:14:58Enfim, isso dá agência, o contexto dá agência para o
- 1:15:02jogador. E dentro dessa fluidez, dessas
- 1:15:06posturas de você provocar, deixar que os jogadores
- 1:15:10reivindiquem, mesmo quando você tem um desafio tracionado.
- 1:15:13Você só vai vetar, de fato, quando for uma coisa essencial
- 1:15:17para o desafio que você precisa reivindicar na ficção.
- 1:15:22Mas e quanto a fazer o seu pior? O que significa fazer o seu pior
- 1:15:27na construção do desafio? Significa que a gente está dando
- 1:15:30um registro para você atuar. A gente está dando uma linha de
- 1:15:32ação. É um norte.
- 1:15:35Dentro disso, enquanto você estiver perseguindo isso,
- 1:15:39enquanto você estiver, de fato, deixando de lado os outros
- 1:15:42julgamentos, isso é mais legal, se você está pegando o level
- 1:15:45pesado, se está divertido. Não, pensa no que vai montar o
- 1:15:50melhor desafio. Enquanto você estiver
- 1:15:52perseguindo isso, você está legítimo dentro do oil fantasy,
- 1:15:56você está fazendo o que é correto dentro do estilo.
- 1:16:00Isso é só um registro de como agir, inclusive é uma coisa que
- 1:16:03está mais para um grid de um game designer do que para uma
- 1:16:07lei. de um burocrata, como já até falei sobre outros exemplos.
- 1:16:12Você pode até escorregar, ou você pode até, principalmente, o
- 1:16:16mais importante, é você quebrar conscientemente, eventualmente.
- 1:16:20Mas é legal você poder seguir ao máximo para criar essa
- 1:16:22constância, para você poder ter a segurança, e a segurança é a
- 1:16:26constância da relação lúdica proposta pelo estilo.
- 1:16:32O objetivo dessa frase... fazer o seu pior, morder sempre que
- 1:16:37possível, etc, etc, o objetivo dela é fazer com que se
- 1:16:42reconheça em que espaço de jogo você como mestre tem liberdade e
- 1:16:48deve imprimir o desafio de acordo com as suas decisões.
- 1:16:52Nesse ponto, é legal você se sentir confortável em exercer os
- 1:16:58seus poderes. Tirar essa culpa cristã,
- 1:17:02praticamente, que o mestre tem de exercer o seu poder.
- 1:17:05Por quê? Porque a gente tenta fazer com
- 1:17:07que esse poder não seja amaldiçoado para você.
- 1:17:10Ele seja claro para todo mundo à mesa para que fique tranquilo de
- 1:17:13você exercer. Nesse ponto, a gente tem que
- 1:17:18deixar claro, inclusive, que construir desafio não é a mesma
- 1:17:24coisa que imprimir risco. risco é diferente de desafio isso é
- 1:17:30uma confusão que muita gente faz não quer dizer que tipo cara,
- 1:17:34quando você constrói uma região, por exemplo, dentro de um
- 1:17:38hexcrawl, você diz que tem uma floresta aquela floresta é
- 1:17:40perigosa por quê? aí você faz, vamos supor que
- 1:17:43você faz ali a ideia de que tem lobos amaldiçoados naquela
- 1:17:48floresta, e eles são lobos muito perigosos, são wargs são lobos
- 1:17:53atrozes eles são violentos eles são muito perigosos Você quer
- 1:17:58imprimir esse desafio... Mas será que toda vez que o
- 1:18:02grupo passar por essa floresta...
- 1:18:04Ele cruzar com lobos atrozes... Que estão dispostos a lutar até
- 1:18:09a morte... É um bom desafio?
- 1:18:12Talvez seja um bom risco... Mas será que imprimir sempre
- 1:18:16esse risco mais acentuado... é o melhor desafio?
- 1:18:20Será que a letalidade, será que o risco de morte é sempre o
- 1:18:25melhor desafio? Será que isso sempre constrói o
- 1:18:27melhor desafio? Se você pensar um pouquinho mais
- 1:18:30profundamente, você vai saber que não.
- 1:18:32Nem sempre imprimir o maior risco vai ser construir o melhor
- 1:18:37desafio. Nesse caso, você poder construir
- 1:18:41essa região perigosa que tem orgs, etc., quer dizer que você
- 1:18:45vai, inclusive, criar espaço para que os jogadores...
- 1:18:48Desfrutem dessa ficção... Entrem em contato com o contexto
- 1:18:52dessa floresta... Que eles percebam...
- 1:18:55Que essa floresta é perigosa... Que eles se embrenhem nela...
- 1:18:59Que eventualmente eles possam até se embrenhar...
- 1:19:01Ver que ela é possivelmente perigosa...
- 1:19:03Mas até não encontrarem o lobo atroz ainda...
- 1:19:06Porque de repente eles voltam lá...
- 1:19:08Ou de repente eles chegam em uma situação ainda mais perigosa...
- 1:19:10De repente nessa situação perigosa...
- 1:19:13Perigosíssima... Aí você coloca o lobo atroz...
- 1:19:17Ou de repente você está até querendo associar esse lobo
- 1:19:20atroz a um mago próximo que está aos poucos construindo ali um
- 1:19:25pequeno exército desses lobos atrozes e que está se
- 1:19:28comunicando com eles. Será que botar sempre um lobo
- 1:19:32atroz atacando até a morte vai fazer com que essa ficção seja
- 1:19:37facilmente enriquecida? Dificilmente.
- 1:19:40Inclusive a possibilidade, de repente, de um lobo atroz estar
- 1:19:43precisando de ajuda, estar ferido por algum motivo, etc.,
- 1:19:47pode ser muito interessante para a ficção. então abrir a
- 1:19:52possibilidade de que nem todo combate seja até a morte que nem
- 1:19:55todo NPC esteja querendo matar o grupo a todo momento e tudo
- 1:19:59mais, isso é, constrói verossimilhança, constrói também
- 1:20:03ambiente, isso é, todo mundo querer matar o grupo o tempo
- 1:20:06todo é inverossímil pra cacete Existem várias dimensões no Bom
- 1:20:11Desafio, mas todas elas passam em criar esse contexto,
- 1:20:14enriquecer essa ficção o suficiente para que o desafio
- 1:20:17seja profundo, para que o desafio seja esse melhor
- 1:20:21desafio, não seja simplesmente uma sucessão de pequenos riscos
- 1:20:25fodidos que os jogadores estão correndo a todo momento, que no
- 1:20:27fundo vai trazer uma aventura muito unidimensional.
- 1:20:33A letalidade extrema, a densidade do desafio, dos
- 1:20:37riscos, nem sempre é o mais interessante.
- 1:20:39Então, entender como a gente pode exercer esse desafio, como
- 1:20:44a gente pode programar esse desafio, como a gente pode se
- 1:20:48organizar em torno dessa construção do melhor desafio, é
- 1:20:52muito interessante. E aí, nesse ponto, entram duas
- 1:20:55técnicas aqui que eu quero trazer, que são duas técnicas de
- 1:20:57controle da ação do mestre. Eu já pude falar um pouco disso
- 1:21:02no episódio anterior, em que eu abordei Biergotten à luz do
- 1:21:05Bloorb. Eu falei como eu faço isso em
- 1:21:07Biergotten. Para que servem essas técnicas
- 1:21:10de controle? Elas servem até para alívio
- 1:21:13dessa função do mestre, até para deixar você menos ansioso em
- 1:21:17relação à hora de imprimir esse desafio, à hora de morder.
- 1:21:22E se você tiver calma... e seguir essas estruturas que você
- 1:21:26cria e tudo mais, você vai morder quando realmente for mais
- 1:21:30interessante morder, quando for realmente melhor para o desafio.
- 1:21:34A gente pode dizer então que essas técnicas que eu vou passar
- 1:21:36aqui, de controle, elas são alívio de jogo para o mestre.
- 1:21:40Você consegue imprimir o seu desafio com tranquilidade de que
- 1:21:43você não vai esbarrar nos seus limites.
- 1:21:46Então, em primeiro lugar, tem ali alguns elementos que vão
- 1:21:50ajudar você a tomar suas decisões.
- 1:21:52São os controles de verossimilhança.
- 1:21:57De forma geral, esses controles de verossimilhança, eles ajudam
- 1:22:00você a decidir como é esse desafio sendo impresso.
- 1:22:06Então eu vou dar um exemplo de um controle de verossimilhança
- 1:22:08que eu dei até agora. Você tem a floresta.
- 1:22:11Naquela floresta tem orcs, que são lobos atrozes,
- 1:22:14perigosíssimos. Mas seria verossímil que só
- 1:22:17tivesse esses lobos ali? Que não tivesse uma fauna, uma
- 1:22:20flora? Que essa floresta, tudo que
- 1:22:23acontece ali quando os jogadores passam a encontrar lobo?
- 1:22:26Então como é que a gente cria a verossimilhança disso aí?
- 1:22:30A gente constrói um controle de verossimilhança.
- 1:22:33A gente pode fazer uma tabela de encontro aleatório com várias
- 1:22:37criaturas que existem nessa floresta.
- 1:22:40E aí nesse ponto a gente vai botar que eventualmente o grupo
- 1:22:43não vai encontrar um lobo atroz, mas ele pode encontrar de
- 1:22:46repente alguns, de repente alguns, sei lá, alguns servos
- 1:22:51fugindo pelo meio da floresta, como se alguma coisa estivesse
- 1:22:54os perseguindo. Você não precisa nem botar o
- 1:22:56lobo atroz ali. Já é o suficiente.
- 1:22:58Esse encontro aleatório às vezes já é suficiente.
- 1:23:00Pode ser que sim. Pode ser que o grupo de repente
- 1:23:02vai tentar descobrir o que está espantando aquelas criaturas
- 1:23:05ali. Pode ser que eles cheguem no
- 1:23:07Lobo Atroz e aí você imprime o desafio naturalmente, mas pode
- 1:23:10ser que não, pode ser que o grupo tenha passado pelos
- 1:23:12indícios do Lobo Atroz ali, pode ser que o grupo tenha encontrado
- 1:23:15um predador inimigo do Lobo Atroz e você vê que ele já
- 1:23:18passou por brigas selvagens dadas as... as marcas corporais
- 1:23:24dessa criatura, as cicatrizes que essa criatura tem, e de
- 1:23:28repente até você pode fazer um, o grupo pode fazer um falar com
- 1:23:31animais e descobrir que essa criatura não briga entre si, que
- 1:23:35aqueles ferimentos foram feitos por um grande inimigo dessas
- 1:23:38criaturas que ainda está meio nebuloso.
- 1:23:41Isso é muito interessante, não é?
- 1:23:43Você tá construindo esse desafio.
- 1:23:46Não é porque eles encontraram com um cervo que esse cervo vai
- 1:23:48estar indo no caminho de atropelar o grupo e lutar com
- 1:23:51galhada. Você nem se cervo tem galhada.
- 1:23:53Tem, né? Vai lutar com suas galhadas pra
- 1:23:55cima do grupo. Outra coisa.
- 1:23:59Uma tabela, de repente, de reação.
- 1:24:01Será que sempre que o grupo encontra um bicho na selva,
- 1:24:07sempre que o grupo encontra um bando de bandidos, eles estão
- 1:24:09hostis e querendo matar o grupo? Será que se eu ver o símio...
- 1:24:13Não é, né? Como é que você pode garantir,
- 1:24:17sem se preocupar em seguir a verossimilhança sempre, sem ter
- 1:24:22que ficar pensando nisso? Faz uma tabela nesse ponto.
- 1:24:26Essa tabela vai ajudar você a decidir.
- 1:24:29Tem uma questão delicada em relação a isso, que é o lance do
- 1:24:32oráculo. Oráculo, será que o grupo
- 1:24:34encontrou algum risco na floresta?
- 1:24:37Sim. Aí você pode perguntar isso
- 1:24:39quantas vezes. Você pode perguntar isso de que
- 1:24:43formas, né? Será que o grupo encontrou lobos
- 1:24:45atrozes? Não.
- 1:24:46Será que o grupo encontrou servos malucos?
- 1:24:48Não. Será que o grupo encontrou magos
- 1:24:50doidos? Não.
- 1:24:51Você pode ficar perguntando efetivamente pra sempre pro
- 1:24:54oráculo. Então entender quando fazer as
- 1:24:56perguntas e estruturar legal, né?
- 1:24:59Com clareza. O motivo dessa verossimilhança
- 1:25:04que você tá trazendo e desses auxiliares de decisão que você
- 1:25:07tá trazendo é muito importante. Então...
- 1:25:11Você quando constrói esses mecanismos de verossimilância
- 1:25:15como tabelas de reação, tabela, sei lá, moral, né?
- 1:25:20Nem todo mundo luta até a morte. Alguns mais, outros menos.
- 1:25:24Mas você tem sempre um teste de moral que você pode fazer pra
- 1:25:26ver se aquele indivíduo ali ou aquele grupo vai continuar
- 1:25:30lutando. De repente o grupo resolve
- 1:25:32fugir. Ótimo.
- 1:25:34Então, isso aí são técnicas de controle de verossimilhança.
- 1:25:40Você usa ferramentas de verossimilhança pra poder atuar
- 1:25:44com tranquilidade sem o risco de botar sempre lobo atroz.
- 1:25:47Se você não tiver uma tabela dessa, você pode fazer ainda
- 1:25:49pelo seu Fiat. Mas você vai ter que ficar
- 1:25:51lembrando, pelo menos, ou anotando, pô...
- 1:25:53Já foram cinco vezes que o grupo cruzou com lubos atrozes o tempo
- 1:25:57todo. De repente eu vou botar aqui
- 1:25:58mais três vezes com outras coisas para equilibrar.
- 1:26:01Você não tem que ficar se preocupando com isso?
- 1:26:03Use uma tabela. Ela te ajuda a decidir dentro da
- 1:26:05verossimilhança. Outra coisa importante é o
- 1:26:08controle de liberdade de desafiar.
- 1:26:12Nesse caso você vai construir algumas amarras para a sua
- 1:26:16atuação. E aí nesse ponto, vale por
- 1:26:19exemplo você falar, olha só, eu vou rolar encontros aleatórios
- 1:26:23uma vez a cada seis milhas que o grupo passar aqui dentro do
- 1:26:27HackScroll. E aí você coloca que quando sair
- 1:26:31o encontro aleatório, aí sim você atua. ou quando o grupo
- 1:26:35entrar em uma região onde haja um desafio que você já tem
- 1:26:40tracionado ali para imprimir para eles.
- 1:26:42Então, quando o grupo começa a entrar em uma região que tem uma
- 1:26:44dungeon, aí você começa a trazer a ficção, o contexto dessa
- 1:26:49dungeon, e aí eles entram em um pedaço da estrutura do jogo, uma
- 1:26:53por hexágono ali dentro do Hexcrawl de Birgotten, por
- 1:26:56exemplo, Onde tem uma dungeon, ou um assentamento de gnolls, ou
- 1:27:04sei lá o que. E aí você imprime o seu desafio.
- 1:27:07Ou uma região de magia morta, ou uma região de fantasmas.
- 1:27:12Aí você traz o desafio. Ou, quando sai um encontro
- 1:27:15aleatório, você traz um elemento de ficção ali pra atuar em cima
- 1:27:20disso e construindo essa ficção. Nesse ponto, você está
- 1:27:24construindo o quê? Você está construindo alguns
- 1:27:27momentos de você atuar enquanto desafiador.
- 1:27:33Nesse ponto, o que acontece? Eu sei e os jogadores sabem que
- 1:27:36em Bear Gotham os desafios vão acontecer quando eles chegam em
- 1:27:39um espaço de desafio ou quando eles enfrentam um encontro
- 1:27:45aleatório e aí eu tenho liberdade de imprimir desafio.
- 1:27:50Ou quando eles enriquecem a ficção o suficiente para que um
- 1:27:55desafio esteja claro para eu imprimir.
- 1:27:58E aí eu tenho que imprimir esse desafio.
- 1:28:02A minha função é essa. Se eu não fizer isso, eu estou
- 1:28:05pegando leve com eles. Mas dentro do imprimir o desafio
- 1:28:08tem muita coisa interessante que a gente pode fazer.
- 1:28:11E o que tem de interessante em se limitar dentro disso?
- 1:28:17Você cria vontade dos jogadores comprarem os seus desafios e
- 1:28:21engajarem o mundo de jogo, né? Porque, afinal de contas, se
- 1:28:26você coloca uma dungeon e logo de cara o grupo vê trezentas mil
- 1:28:29armadilhas, o grupo fala, ah, foda-se, não tem nada a ganhar
- 1:28:32ali dentro, não vi nada interessante ali, né?
- 1:28:36Se você coloca ali, de repente, toda vez que a gente passa
- 1:28:40naquela floresta tem lobo atroz e vem pra cima da gente pra
- 1:28:43matar, os jogadores simplesmente não vão mais por ali.
- 1:28:46Eles falam, pô, mas eles nunca engajaram com a dungeon que tem
- 1:28:49lá dentro, onde tem um mago que tá reunindo os lobos.
- 1:28:53É, cara, eles nunca vão engajar com isso, porque eles estão
- 1:28:56medindo risco e recompensa e não compensa ir pra lá.
- 1:29:00Esse desafio não dá espaço para os jogadores, não tem porque os
- 1:29:06jogadores comprarem esse desafio.
- 1:29:09O bom desafio sinaliza inclusive as suas oportunidades, ou seja,
- 1:29:13contexto. Também, você fazer o controle da
- 1:29:18sua liberdade de desafio dá espaço para os jogadores
- 1:29:20reivindicarem e enriquecerem a ficção.
- 1:29:25Isso é uma discussão que eu tenho, por exemplo, com o Kobe,
- 1:29:26no mito de Atlântida. Ele fez uma estrutura ali em
- 1:29:31que, em primeiro lugar, ele fez muitos hexágonos pequenos com
- 1:29:34muitos desafios. Um desafio para hexágono, mas o
- 1:29:36espaço era muito pequeno. Eu olhei e falei, cara, o que
- 1:29:39está acontecendo aqui é que não há lugar onde os jogadores
- 1:29:42passem, praticamente, onde eles não estejam no contexto de um
- 1:29:45desafio que você preparou. Então, o que acontece é que você
- 1:29:49está o tempo todo... exercendo seus poderes máximos ali,
- 1:29:53inclusive de reivindicação e de poder vetar a reivindicação para
- 1:29:56imprimir o seu desafio. Logo, eles têm pouco espaço de
- 1:29:59reivindicação. Isso não quer dizer que
- 1:30:01necessariamente o COBE vá cair em quebra de agência.
- 1:30:06Mas certamente o espaço... dos jogadores fazerem reivindicações
- 1:30:11ficcionais e jogarem esse xadrez de construir a ficção.
- 1:30:17É um espaço tão justo, é um espaço tão pequeno, que eles vão
- 1:30:22estar sempre no fio da navalha entre quebrar a agência ou não.
- 1:30:29Então é um espaço pouco confortável pro mestre.
- 1:30:32Mas o Cobb é um puta mestre, então ele consegue, de certa
- 1:30:35forma, tocar isso lá sem quebrar a agência.
- 1:30:37Mas é um extremo, né? Tanto que ele fala que é o
- 1:30:41Everest do RPG, do Wild Fantasy. E aí nesse ponto é importante,
- 1:30:48na minha percepção, é importante dar espaço para os jogadores
- 1:30:51reivindicarem e enriquecerem a ficção.
- 1:30:54Por quê? Porque você, mestre, quer que os
- 1:30:56jogadores enriqueçam a ficção. Isso normalmente joga a teu
- 1:31:00favor, então evita ficar bloqueando.
- 1:31:04Trazer ferramentas de controle da sua própria liberdade ajuda
- 1:31:07você a se observar nesses momentos.
- 1:31:10Outra coisa é que isso ajuda a evitar o ilusionismo também de
- 1:31:14dar aos jogadores apenas decisões inócuas ou meramente de
- 1:31:18ordem de perfumaria, estética no nível perfumaria, faz com que
- 1:31:24eles só avancem quando você, mestre, abre uma brechazinha ali
- 1:31:29no seu desafio. Uma única brechinha.
- 1:31:33É um jeito que você pode encontrar de criar ilusionismo
- 1:31:37dentro do oil fantasy. Então é importante que haja esse
- 1:31:40respiro. É aquilo que eu falo no blog de
- 1:31:44oil fantasy mesmo. Se o desafio está sempre
- 1:31:46tracionado, você está adotando uma postura de muito controle.
- 1:31:52E essa postura de muito controle leva muito facilmente à quebra
- 1:31:54de agência. E se você fica ali nessa quebra
- 1:31:59de agência, mas dando a impressão para os jogadores de
- 1:32:02que eles estão fazendo escolhas, você vai cair num ilusionismo.
- 1:32:05O bom é que a gente prega uma transparência que não demora
- 1:32:10muito e os jogadores vão perceber, dentro do estilo oil
- 1:32:12fantasy, que você está fazendo isso.
- 1:32:15Cedo ou tarde, vai cair. E aí, nesse caso, eu acho que
- 1:32:21tem alguns exemplos práticos aqui que a gente pode trabalhar.
- 1:32:26O primeiro deles é o exemplo do ovo de dragão.
- 1:32:29O seu desafio é o grupo vai pegar um ovo de dragão que um
- 1:32:33mago está dando para eles, mas eles não vão saber que é um ovo
- 1:32:36de dragão. E eles vão ter que levar até
- 1:32:38determinado local. Quando chega lá, o ovo de dragão
- 1:32:40vai eclodir e aí eles vão enfrentar o boss final do jogo.
- 1:32:44Só que eles não podem descobrir que eles estão carregando um ovo
- 1:32:48de dragão. E aí o que você faz?
- 1:32:49Você não deixa que a ficção em torno da carga seja enriquecida.
- 1:32:55Nem os jogadores dizendo e você sonegando.
- 1:32:59Nesse ponto, você está deixando a ficção pouco rica a ponto dos
- 1:33:03jogadores caírem num erro de agência.
- 1:33:05Ou seja, se você quer... fazer com que essa aventura funcione,
- 1:33:09do Ovo do Dragão, você tem que, obrigatoriamente, para respeitar
- 1:33:13a agência do jogador, dar informações a eles e permitir
- 1:33:17que o contexto seja rico o suficiente para eles perceberem,
- 1:33:21eventualmente, que tem algo ali. Mesmo que isso vá contra a sua
- 1:33:24preparação ideal, a sua ideia de jogo, que era que o ovo
- 1:33:28eclodisse lá. Não, de repente os jogadores
- 1:33:29podem descobrir antes e ficar com um problema
- 1:33:31interessantíssimo em mãos, que é, o que a gente vai fazer com
- 1:33:34esse ovo? Né?
- 1:33:37Outro exemplo, a Bruxa do Pântano.
- 1:33:40O grupo chega lá, você está descrevendo o ambiente da Bruxa
- 1:33:43do Pântano, está enriquecendo a ficção de uma preparação que
- 1:33:46você já tem a respeito de um desafio.
- 1:33:52E aí o grupo chega e fala, não, essa bruxa aí está dando para a
- 1:33:54gente um tesouro e falando para a gente ir embora.
- 1:33:59Beleza, você pode deixar que eles enriqueçam sua ficção.
- 1:34:04Claro, pode ser que você tenha uma prep ali, que essa prep
- 1:34:08desse desafio seja uma coisa já que isso aí acabaria com o teu
- 1:34:13desafio. Se isso acabar com o teu
- 1:34:15desafio, beleza. Veta isso e fala, não, quando
- 1:34:19vocês chegam lá, é uma bruxa que não tem tesouro nenhum,
- 1:34:21aparentemente, mas ela tem, pelo contrário, uma bola de cristal
- 1:34:27incrível. e ela está usando, de repente você começa a dar um
- 1:34:32veto. Você fala, não, não é isso que
- 1:34:35você está falando, não. Ela não está amistosa, não.
- 1:34:37Ela está compenetrada na bola. O que vocês vão fazer?
- 1:34:40É possível que você faça isso. Por quê?
- 1:34:42Porque você está guardando o seu espaço de reivindicar a ficção
- 1:34:46relativa àquele desafio que você preparou.
- 1:34:50Por outro lado... Você pode ter surpresas
- 1:34:53agradabilíssimas e grandes desafios surgindo a partir do
- 1:34:59momento que você topa o que o jogador falou.
- 1:35:01Não, de fato, ela está recebendo muito bem vocês e está
- 1:35:04oferecendo um tesouro para vocês irem embora.
- 1:35:06O que vocês fazem? Sabe-se lá se a bruxa vai fazer
- 1:35:09com que vocês agora tenham que trafegar pelo pântano cheio de
- 1:35:13tesouro? Ela manda o ogro dela atrás de
- 1:35:15vocês para matar todo mundo. Interessante.
- 1:35:17É um desafio muito interessante. Pode ser.
- 1:35:20Vamos lá. Topou.
- 1:35:21Vamos nessa. Tá vendo que os jogadores às
- 1:35:24vezes trazem o próprio contexto e às vezes a própria antecipação
- 1:35:28do desafio? Outro exemplo aqui, o exemplo
- 1:35:31que aconteceu na mesa de trema, que é uma mesa aberta que tem
- 1:35:36aqui no grupo do Café, do Diego Sestito e do Dunks, do Daniel,
- 1:35:43que aconteceu numa mesa que o Diego estava mestrando e que o
- 1:35:45Marcos Gonçalves também, que é aqui do Café, estava jogando.
- 1:35:50E era um city crawl com facções, NPCs já construídos em desafio.
- 1:35:55E aí teve um momento que o grupo tava interpelando esse mago,
- 1:35:59esse mago é todo poderoso. O olho dele brilha dourado, ele
- 1:36:03se comunica com os jogadores pela mente.
- 1:36:08Cara, ele mostra ser quase um deus ali, um mago deus
- 1:36:12praticamente, né? Desses que destala o dedo e
- 1:36:14pulveriza alguém. E aí ele vem na cabeça de um
- 1:36:17personagem do jogador e fala, guarde sua espada.
- 1:36:21O jogador não guarda a espada, insiste e hostiliza o mago.
- 1:36:26Parece que o grupo ainda fez uma menção a atacar o mago com uma
- 1:36:31magia e tal. E ele chegou simplesmente e
- 1:36:35pulverizou o cara da espada. Mas o Diego ficou se culpando,
- 1:36:42aliás, nem foi o Diego que ficou se culpando, mas eles comentaram
- 1:36:45que talvez ali o mais correto fosse dar o TPK, porque afinal
- 1:36:48de contas aquilo seria o melhor desafio.
- 1:36:51Seria o melhor desafio mesmo? A gente discutiu isso.
- 1:36:55Morder nesse momento seria o mais interessante?
- 1:36:59E aí uma coisa legal da gente discutir, afinal de contas, esse
- 1:37:03mago faz parte de um desafio maior, ele faz parte de um city
- 1:37:06crawl, de uma guerra de facções. O que significa, na ficção e no
- 1:37:11jogo, esse mago matar todo mundo, num grupo, ou seja, sete
- 1:37:16cabeças, ele matar sete pessoas porque um deles não entregou a
- 1:37:20espada? Como é que seria a melhor forma
- 1:37:23de resolver isso? Se o mestre decidir que é o TPK,
- 1:37:27beleza. Mas isso vai ficar marcado
- 1:37:29agora, pra toda a mesa aberta, inclusive, toda a campanha, que
- 1:37:32esse mago é um cara cruel no mínimo.
- 1:37:35Ele topa matar sete por conta de ação de um deles.
- 1:37:41Mas, beleza, é possível. Por outro lado, pode ser que ele
- 1:37:47tenha na cabeça que esse mago é um cara que, dentro da guerra de
- 1:37:50facções, é um cara super justo. Ele é muito justo.
- 1:37:55Isso é a característica dele na guerra de facções.
- 1:37:57Isso pode inclusive ser uma pedra, um sapato dos jogadores
- 1:38:00dali pra frente. Isso pode dar muito desafio, por
- 1:38:03exemplo, que pareça. Então você, pra levar pra frente
- 1:38:07essa ficção que você tá trabalhando, enriquecendo, você
- 1:38:10faz que ele não. Ele mata somente aquele que
- 1:38:14teimou em embaixar a espada quando o grupo faz merda. ou
- 1:38:19quando ele fez merda, na verdade, ele poupa os demais e
- 1:38:22fala, agora vamos conversar. Ou pode ser que você, de
- 1:38:25repente, fale, olha só, vocês assumiram um risco aqui.
- 1:38:28Qual o risco? Vocês assumiram o risco de que
- 1:38:30esse mago, de repente esse cara, esse mago, ele é mau, mas ele
- 1:38:35paga de bonzinho, por exemplo. E o fato dele pagar de bonzinho
- 1:38:38para toda a cidade pode ser essencial para ele.
- 1:38:41Então ele de repente vai matar o cara que não abandona a espada,
- 1:38:46mas aí o mestre fala, olha só, vou jogar aqui na tabela de
- 1:38:50reação. vamos dizer que saiu na reação que ele tirou lá igual a
- 1:38:55Monster Attack. Então ele chegou à conclusão de
- 1:38:57que, por paralelo, esse mago vai pulverizar todo o grupo.
- 1:39:02E aí ele pode dizer, não, esse mago aqui perde o controle
- 1:39:05completamente e pulveriza o grupo.
- 1:39:08Ou não, pode ser que ele tire ali na tabela de reação que ele
- 1:39:11ficou super amistoso, mas ele mata o cara que tem a espada na
- 1:39:17mão, Ou, sei lá, coloca ele em um stasis temporal, ou faz
- 1:39:21alguma coisa assim. É importante que o jogador sinta
- 1:39:25esse impacto, claro. Eu acho que esse jogador da
- 1:39:27espada tinha que sentir esse impacto mesmo.
- 1:39:30Mas... Porque senão até quebra de
- 1:39:33agência, né? Mas pode ser que o mago se
- 1:39:37controle. E aí o mestre descreva até,
- 1:39:40aproveitando esse momento para enriquecer a ficção, e fala que
- 1:39:42os olhos do mago ardem em fúria. E você vê que essa fúria dele se
- 1:39:48estende a todos os presentes, mas ele pulveriza um deles para
- 1:39:51dar exemplo. Pode parecer um mago justo para
- 1:39:55muitos. A cidade vai continuar achando
- 1:39:57que ele é bonzinho, de repente, e que ele só está mostrando ali
- 1:40:00quem manda. Afinal de contas, o jogador lá
- 1:40:05foi abusado. O personagem ali assumiu esse
- 1:40:08risco e pagou para ver. Mas o mestre, de certa forma,
- 1:40:13garantiu a verossimilhança da situação ali e garantiu que
- 1:40:17pudesse ter um impacto se estendendo para todos os outros
- 1:40:21jogadores. O que importa é que qualquer
- 1:40:23dessas decisões são válidas dentro do melhor desafio.
- 1:40:26Você está entendendo como trabalhar o seu melhor desafio.
- 1:40:30eventualmente buscando oráculos ou tabelas ou usando recursos de
- 1:40:34verossimilhança ou recursos de controle da sua atuação enquanto
- 1:40:38desafiante mas que você está enriquecendo a ficção gerando
- 1:40:42contexto, que traz amplitude de soluções, que traz liberdade
- 1:40:45para os jogadores reivindicarem, enfim isso é construir o melhor
- 1:40:49desafio e não necessariamente aplicar o que é mais arriscado,
- 1:40:52porque se você fosse olhar o risco de forma isolada você
- 1:40:56daria um TPK e acabou O Mago chegou lá e deu o TPK em todo
- 1:41:00mundo. Isso também rola na questão
- 1:41:06que... que aconteceu lá no Birgotem, no golpe.
- 1:41:11Os jogadores estavam querendo trocar o dinheiro deles.
- 1:41:13Eles estavam no Burgo cheio de estrangeiros, cheio de gente ali
- 1:41:16estranha. Eu já tinha descrito para eles
- 1:41:18que a parte do mercado no Burgo estava meio estranha.
- 1:41:21Tinha um evento acontecendo e tinha gente andando para cima e
- 1:41:24para baixo. Tinha uma coisa meio...
- 1:41:26Sei lá, tinha gente ali muito malandra no meio e tal.
- 1:41:30Mas o grupo estava procurando nobres.
- 1:41:32Eu descrevi um cara que parecia um grande nobre ali. com coisas
- 1:41:36chamativas, uma banquinha ali cheia de coisas interessantes, e
- 1:41:39ele fazia câmbio. E o grupo foi trocando, foi
- 1:41:42trocando, e eu fui dando, enriquecendo a ficção a partir
- 1:41:45do que eles queriam, porque eu não tinha esse desafio pronto.
- 1:41:48Eles falaram, não, a gente quer um nobre, alguém que pareça meio
- 1:41:51nobre, meio ricão. Eu falei, claro, tem sim, tem
- 1:41:54assim, foi descrevendo, fui junto com eles, sendo provocado
- 1:41:58a enriquecer a ficção, e deixando que eles enriquecessem
- 1:42:01também a ficção. Até o ponto... que eles se deram
- 1:42:06conta que esse cara aí possivelmente era um ladrão.
- 1:42:10Quando alguém olhou e falou, hum, essa moeda aqui que vocês
- 1:42:12estão é falsa. Eles trocaram as joias por
- 1:42:15dinheiro, mas o dinheiro era falsificado.
- 1:42:17E aí, a aventura passou a ser eles passando pra frente o
- 1:42:22dinheiro falsificado. Foi muito interessante, foi uma
- 1:42:25aventura muito interessante. Eu deixei eles enriquecerem a
- 1:42:27ponto de eles olharem pra trás e falarem, puta, tava na cara que
- 1:42:30esse maluco era um sete e um. Isso só é possível porque houve
- 1:42:35contexto. Eles olharam para trás e ficou
- 1:42:37claro. Esse é o limiar.
- 1:42:43Outra coisa importante, a porta do Ícaro, lá no jogo do
- 1:42:47Finisterra, que é um exemplo que eu dei anteriormente.
- 1:42:52Claro que a gente pegando o exemplo isoladamente, é assim
- 1:42:56que o mestre que vai fazer o seu pior age.
- 1:42:59Enquanto a ficção da porta, ou seja, como essa porta não foi
- 1:43:04reivindicada no mundo, ou seja, não foi dita, expressa no jogo,
- 1:43:09Ela é de qualquer maneira. E se ela é de qualquer jeito, se
- 1:43:12essa porta ainda é amorfa na ficção, se ela não tem uma cara
- 1:43:16ainda, eu, mestre, vou falar que ela é da pior forma que eu
- 1:43:19quero. Eu vou falar que ela é...
- 1:43:22Os jogadores levaram uma barra pra trancar, afiar essa porta.
- 1:43:27E eu falei, não, cara, essa porta...
- 1:43:28Quer dizer, no caso foi o que o Ícaro falou, mas não foi muito
- 1:43:31por conta disso, mas no exemplo, né?
- 1:43:33Vamos pegar o exemplo. Eu falo, gente, vocês levaram
- 1:43:35uma barra pra trancar essa porta e poder lutear a sala, mas
- 1:43:39quando vocês veem, essa porta não é de barrar por aí.
- 1:43:41Essa porta, ela é de correr. Eu pude determinar isso.
- 1:43:46Por outro lado, já pensou se, de repente...
- 1:43:49Para o desafio que eu estou imprimindo, eles passarem para
- 1:43:52essa porta adentro leva eles para mais próximo de onde o
- 1:43:55desafio realmente morde. Por que eu faria isso?
- 1:43:59Por que de repente o pior desafio tem que ser sempre eu
- 1:44:03desabonar o que o jogador está fazendo?
- 1:44:05Nem sempre. Não é tão determinante assim se
- 1:44:08você passa a olhar essa porta dentro de um contexto, entende?
- 1:44:12Então isso vai desfazendo essa bravata que a gente construiu em
- 1:44:16torno disso. Essa bravata foi importante num
- 1:44:20momento. ela foi importante quando a gente quis desconstruir
- 1:44:25esse mestre que atua para a diversão do grupo que atua sendo
- 1:44:29justo não, o mestre precisa morder, fazer o seu pior mas
- 1:44:33isso é uma bravata ele precisa atuar construindo o melhor
- 1:44:37desafio e essa construção do desafio ela vai acontecer com
- 1:44:41esse contexto com toda essa construção em torno com a
- 1:44:45participação dos jogadores com todos esses limites que o estilo
- 1:44:49traz Então isso vai fazer com que você possa jogar muito
- 1:44:53tranquilamente, principalmente se você entende como utilizar
- 1:44:56ferramentas de verossimilhança, ferramentas de controle da sua
- 1:44:59própria atuação enquanto desafiador, enquanto desafiante.
- 1:45:04Enfim, acho que isso aí versa bastante sobre o desafio, acho
- 1:45:09que deixa mais claro essa ansiedade que a gente não
- 1:45:12precisa ter a respeito do desafio.
- 1:45:14Muito pelo contrário. Como eu falei, cozinhar o
- 1:45:21desafio em fogo baixo é o que vai fazer você ter mais tempo de
- 1:45:25enriquecer a ficção. Você não precisa morder no
- 1:45:27primeiro risco que aparece. Você pode ir trabalhando os
- 1:45:31riscos para justamente poder construir esse melhor desafio.
- 1:45:36Esse desafio, de forma geral, não quer dizer letalidade
- 1:45:38máxima. normalmente, ele permite que você construa ele ao longo
- 1:45:45do tempo, que você crie interesse em torno desse
- 1:45:47desafio. Você faz com que os jogadores
- 1:45:50entrem na dungeon até o ponto em que eles se sentem encalacrados
- 1:45:53na hora de sair até. Já pensou um desafio que
- 1:45:56acontece não para obter o tesouro, mas na hora de sair com
- 1:46:00o tesouro? Isso é muito interessante.
- 1:46:01Por que você precisa fazer esse desafio logo na porta da
- 1:46:04dungeon? Como bem nota o Hag no Refree
- 1:46:09Book do Lamentations of a Thin Princess.
- 1:46:11Você pode deixar que os jogadores entrem mais na dungeon
- 1:46:14para imprimir o desafio? De repente esse desafio é mais
- 1:46:17interessante do que o risco logo na porta. então, cozinhe em fogo
- 1:46:21baixo se possível em banho-maria deixa que o desafio fique mais
- 1:46:25claro deixa que o contexto enriqueça siga ali o que os
- 1:46:30jogadores estão trazendo pra ficção também, aproveite ao
- 1:46:33máximo Siga também os seus próprios controles de desafio,
- 1:46:37seus controles de verossimilhança.
- 1:46:40Saiba utilizar, mas seja confortável em exercer as suas
- 1:46:44decisões com clareza, porque você está ali para imprimir
- 1:46:48desafio mesmo. Não tenha medo de exercer a sua
- 1:46:50arbitrariedade dentro do espaço em que é para você exercer.
- 1:46:54Morda quando tiver que morder, mas isso não quer dizer morder
- 1:46:58sempre. No fundo, normalmente não é tão
- 1:47:01óbvio quando a gente tem que morder.
- 1:47:03É muito difícil que seja tão claro exatamente o que é o seu
- 1:47:07pior desafio. Ele é um registro de decisão
- 1:47:10importante, um norte, normalmente aplicável num grande
- 1:47:14número de possibilidades dentro da ficção, dentro do que a gente
- 1:47:18encara no estilo. Ter um registro de ação, fazer o
- 1:47:22seu pior, permite a gente olhar para trás, inclusive depois da
- 1:47:25sessão, e pensar, da próxima vez eu vou tentar fazer dessa outra
- 1:47:29forma. Aqui eu poderia utilizar um
- 1:47:32controle de verossimilhança. Da próxima vez eu acho que eu
- 1:47:35nem precisava utilizar um controle de verossimilhança.
- 1:47:38Isso já é um avanço imenso em relação ao papel de mestre
- 1:47:41delimitado no D&D clássico. É um guia de como a gente pode
- 1:47:47morder melhor. Às vezes, na ansiedade de
- 1:47:52imprimir um desafio, risco a risco, imprimir o pior que você
- 1:47:58pode, em qualquer oportunidade, você vai ficando ansioso.
- 1:48:03Essa ansiedade vai te levar às vezes a errar. a de respeitar o
- 1:48:07tempo do desafio, para ele enriquecer a ficção o suficiente
- 1:48:11para ser impresso. Ou você vai imprimir ele achando
- 1:48:15que os jogadores já deram o elemento suficiente, mas no
- 1:48:18fundo não deram, você estava só com pressa de imprimir o
- 1:48:21desafio. Ou de repente saiu um
- 1:48:23incontrolatório e você não entendeu muito bem como
- 1:48:25encaixar, mas botou qualquer coisa às pressas.
- 1:48:29É melhor você perder uma mordida agora para construir um desafio
- 1:48:32em breve ou a longo prazo do que você morder toda vez.
- 1:48:39Se isso for o caso, deixa passar, deixa quebrar esse grid,
- 1:48:44deixa quebrar esse registro um pouco, mas depois você volta.
- 1:48:49Se cair um encontro aleatório ali, até na tua tabela, que
- 1:48:52naquela hora não pareceu fazer sentido para você morder,
- 1:48:58Constrói a mordida, deixa essa ficção rodando, deixa os
- 1:49:02jogadores enriquecendo, deixa virar rumor.
- 1:49:07Isso tudo vai fazer com que aquilo vire alguma coisa mais à
- 1:49:10frente. Quando você entender isso, essa
- 1:49:14ansiedade vai diminuindo. Você vai deixando as coisas
- 1:49:17cozinharem em banho-maria, em fogo baixo.
- 1:49:20Você vai deixar a ficção se enriquecer naturalmente.
- 1:49:24Você vai trazer e aproveitar melhor as coisas que os
- 1:49:26jogadores trouxerem. Você vai entender que o que
- 1:49:30importa é que você esteja olhando para esse melhor desafio
- 1:49:33possível e que você faça o seu melhor dentro disso.
- 1:49:37Muitas vezes... Não vai parecer, não vai ficar
- 1:49:41tão claro para todo mundo ali que você fez o seu pior, mas vê
- 1:49:45se você está fazendo. O importante é você entender que
- 1:49:49isso é um registro para você atuar.
- 1:49:51Isso não é uma demanda necessária que as pessoas vão te
- 1:49:54julgar por isso, ou pelo menos não deveriam.
- 1:49:57É importante que você possa, obviamente, entender o que você
- 1:50:00está fazendo dentro do desafio, por que você ainda não mordeu,
- 1:50:05onde você pode morder mais. Se você em algum momento decidiu
- 1:50:10que você ia ser mais justo, ou que você ia, de repente, fazer
- 1:50:14aquilo porque ia ser mais divertido para o grupo, aí sim
- 1:50:17você saiu do registro de uma forma que provavelmente vai te
- 1:50:20prejudicar. Porque você vai perder
- 1:50:22consistência, você vai ficar confuso quando você for agir de
- 1:50:26novo. Mas se você tá agindo ali de
- 1:50:29acordo com o registro, caso você não consiga morder agora, pelo
- 1:50:33menos pensa no desafio a longo prazo.
- 1:50:35Pensa o que você pode tirar de proveito.
- 1:50:37Pensa que se você não quiser morder agora, se você não puder
- 1:50:40morder agora, enriquece a ficção.
- 1:50:42Vai trabalhando isso. Leva pra onde der.
- 1:50:45Isso vai te dar mais tranquilidade pra jogar.
- 1:50:48Então não fica ansioso, não. Eu te desafio para um café!
- 1:50:57E aí, encerrando aqui, eu vou trazer uma enquete, uma pergunta
- 1:50:59pra você. Você acha melhor o mestre dar o
- 1:51:01seu pior ou você acha melhor o mestre buscar ser justo no D&D
- 1:51:07clássico e nos jogos tradicionais?
- 1:51:11E responda pra gente aí o que você acha de Oil Fantasy até
- 1:51:14agora, sobre o que você conheceu aqui no nosso blog.
- 1:51:18Beleza? Participa aí, deixa seu
- 1:51:20comentário no Spotify, eu agradeço demais.
- 1:51:23Eu vou deixar os links citados no episódio pra vocês, no título
- 1:51:27do episódio, e gostaria de lembrar que se você quiser que o
- 1:51:30Café com Dungeon volte a ter cinco episódios semanais, você
- 1:51:33pode considerar apoiar o projeto e sua expansão lá em apoia.se
- 1:51:36barra café com dungeon. agradecendo desde já o nosso
- 1:51:40parceiro aqui, o RPG Dojo, que torna possíveis as aventuras de
- 1:51:45terça aqui no nosso podcast. Se você gostou especialmente do
- 1:51:50Café com Dungeon de hoje, deixa pra gente uma gorjeta, manda o
- 1:51:53seu pix em qualquer valor pra cafécomdungeon.com A gente conta
- 1:51:56com você. Se você tem uma empresa ou uma
- 1:51:59marca, assim como o RPG do Ojo e quer ter um dia da semana no
- 1:52:02Café com Dungeon, financie mais um episódio semanal e faça
- 1:52:06alegria da massa RPGista. Consulta a gente em
- 1:52:08cafécomdungeon.com e a gente tem uma proposta especial para você.
- 1:52:12Consulta também a gente sobre parcerias e anúncios.
- 1:52:15A gente trabalha com marcas de RPG e também com outros ramos,
- 1:52:17como café, jogos, tecnologia, mídia e etc., Quer colaborar?
- 1:52:21Se você é um produtor de conteúdo, game designer,
- 1:52:24independente, acadêmico ou fã e quer participar do projeto,
- 1:52:27conta com a gente e manda um e-mail aqui em café.com.br e
- 1:52:31conta pra gente o que você pretende fazer.
- 1:52:34No mais, obrigado aí a galera que torna possível essa
- 1:52:36aventura, os nossos assinantes. o Enéas Suzuki, dentro aqui dos
- 1:52:40apoiadores do nível incentivo, a galera do nível comunidade,
- 1:52:43incluindo aí o Gustavo Murad, o Pedro Zloboda e o Léo Paixão, um
- 1:52:47salvo especial para os assinantes RPG Dojo, dentre eles
- 1:52:49o Marcos Vinícius Onelas, o Luiz Guilherme Dias de Souza, o Pedro
- 1:52:53Borges, o Vinícius Cabras e o Felipe Scostegui, E um abraço
- 1:52:56aos membros do treinamento Oil Fantasy, o Abílio Júnior, César
- 1:52:59Machado, Daniel Aydar, Diego Sertito, Douglas Baense, Léo
- 1:53:02Gasparotto, Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Cobb, João
- 1:53:06Burlamaque, Gui Providello e o Marcos Gonçalves.
- 1:53:11No mais, um abraço aí ao nosso membro Café com Bálbia, o grande
- 1:53:15Thiago Augusto. Cara, muito obrigado pelo teu
- 1:53:17apoio. Galera, é isso.
- 1:53:19Valeu e até a próxima. Tchau, tchau.