Latest / Café com Dungeon / Oil Fantasy vs OSR #0022
Transcript
- 0:00Eu respeito muito quem caga a regra. Eu
- 0:03sempre respeitei. Eu sempre preferi consumir
- 0:06material de colonista, por exemplo, do que notícia
- 0:09imparcial, ou pretençamente imparcial. Eu
- 0:12sou fã pra caramba do jornalismo Gonzo. Eu
- 0:15às vezes acredito, inclusive, que a gente ser
- 0:18franco em relação à nossa arbitrariedade de análise
- 0:21exime a gente da culpa de não buscar uma
- 0:26imparcialidade idealizada. Essa
- 0:29busca por ser justo e acima de qualquer suspeito.
- 0:34Não, cara, bate no peito e fala
- 0:35de onde você vem, de onde vem sua análise. Isso
- 0:38é muito mais honesto, na minha opinião. Obviamente,
- 0:41isso não quer dizer que a gente precisa viver nesse
- 0:43império da opinião. Essa coisa meio monarquia de
- 0:45falar, pô, mas essa é minha opinião. E,
- 0:48no fundo, essa opinião meio que querer suplantar, querer
- 0:52eclipsar qualquer ciência, técnica, dogma, filosofia,
- 0:56porque é a minha opinião. Não
- 0:58é por aí. A minha defesa é que a minha
- 1:00opinião bem fundamentada e dada de forma responsável
- 1:03ajuda a gente a processar qualquer conteúdo científico,
- 1:08filosófico, técnico, até mesmo conteúdo dogmático.
- 1:12Ajuda a gente a ter crítica.
- 1:14Claro que, no caso do
- 1:14conhecimento dogmático, crítica atrapalha. Mas
- 1:18isso é outro assunto. O fato é que o RPG tende ao
- 1:22conhecimento dogmático, às vezes, no jeito de
- 1:25processar as coisas e as discussões. Tende
- 1:28a abrir mão da crítica, muitas vezes. As
- 1:32opiniões prevalecem em um nível muito imediato. É
- 1:36aquela coisa do, ah, tanto faz, desde que o meu grupo
- 1:39ache divertido, ou faz do jeito que você quiser, com
- 1:42o quanto você se divirta. Se
- 1:45o meu grupo achar divertido, tá bom. E
- 1:47se funciona, pra gente não tem o que discutir. Até
- 1:51aquele papo de, ah, será que vem a polícia do RPG
- 1:54na minha casa, porque eu tô jogando errado? Bom,
- 1:58dizer que alguém tá jogando errado, esse é o pecado
- 2:02capital do RPG. Você nunca vai ver tanto sangue
- 2:06derramado quanto quando alguém chega numa
- 2:09comunidade, num grupo, e fala assim, cara, talvez
- 2:12essa aqui não seja a melhor forma de jogar, ou
- 2:15talvez não seja a melhor forma de usar essa regra,
- 2:18ou talvez não seja a melhor forma de conduzir
- 2:20uma interação. Cara, você vai ver sangue. De
- 2:24certa forma, isso é até legal, porque é fruto de
- 2:27uma obvia pluralidade do RPG, e dos seus modos de
- 2:32jogar. E, cara, eu meio que sempre
- 2:35fico curioso com isso, né? Que
- 2:37esse universo particular de cada mesa, de como seu
- 2:41vizinho joga, sabe? Eu sempre gostei de ver isso.
- 2:44Por outro lado, isso cria
- 2:45certas bolhas, que muitas vezes não se comunicam
- 2:48entre si, e que tornam esses grupos, essas
- 2:51comunidades, meio reacionárias, a ideias
- 2:55diferentes. Acaba que, torna muito difícil e
- 2:59custoso um intercâmbio saudável de 10, porque para
- 3:03isso acontecer, a gente tem que admitir um espaço de
- 3:06troca, de debate, e nesse espaço, as suas ideias vão
- 3:11ser confrontadas. Isso não quer dizer que a
- 3:14polícia do RPG vai na sua casa. Obviamente
- 3:16não vai, né? Mas a gente dizer que
- 3:20determinada prática pode ser ruim para a sua mesa é
- 3:24uma coisa que é importante ser dita às vezes. Mesmo
- 3:27que seja uma opinião, essa opinião esteja errada, mesmo
- 3:30que você possa ir contra essa opinião, mas que essa
- 3:33opinião possa te fazer refletir. Eu
- 3:35entendo que, nas comunidades, esse debate
- 3:38ocorra de forma apaixonada, e eventualmente as pessoas
- 3:42caem em briga, em sangue, né? E,
- 3:47cara, grupos robistas são fanáticos por na natureza,
- 3:51mas acaba que é muito custoso debater RPG com
- 3:55profundidade por conta disso. Eu
- 3:58já fui mais rato de comunidade de OSR e de
- 4:00RPG, eu já frequentei mais esses espaços, eu já
- 4:05participei muito nesses espaços nas redes sociais,
- 4:08em grupos de WhatsApp e tudo mais, e grande parte
- 4:11das vezes as minhas opiniões eram mal recebidas.
- 4:15E eu não estou dizendo aqui
- 4:16que eu estou livre de ter imosia, de volatilidade e
- 4:19tudo mais, né? Então, assim, muitas vezes eu me
- 4:22entreguei a debates tóxicos, e cheio de rancor, sim,
- 4:27mas eu posso dizer com tranquilidade que eu jamais
- 4:29fiz isso sem abrir espaço para que eu tivesse as
- 4:34minhas posições criticadas ou eventualmente melhoradas
- 4:38por mudar. Eu sempre tive aberto a
- 4:42mudança. Por mais apaixonado que eu
- 4:45tivesse debatido, acho que faz parte essa temosia, eu
- 4:47nunca vende barato minhas posições, mas elas estavam
- 4:51a venda, sim. Se alguém chegasse com um
- 4:53argumento melhor, eventualmente eu mudava de
- 4:55ideia. Algumas pessoas aprendem, inclusive,
- 5:00melhor debatendo do que lendo ou refletindo ou
- 5:03ensinando, né? Eu acho que eu sou dessas
- 5:05pessoas. Muitas coisas, eu entendo melhor
- 5:10quando eu debato, seja reforçando uma posição ou
- 5:13seja mudando ela dali para frente. E
- 5:15eu acho que é importante que haja esse espaço de
- 5:17debate. Inclusive, é importante a gente
- 5:20entender que muitas vezes ele não vai ser lá tão
- 5:23sadio, mas que ele é necessário. Eu
- 5:26aprendi muito no meio de farpe e de bravata,
- 5:30principalmente nas comunidades de OSR. Eu
- 5:33confesso também que eu militei muito errado nesse
- 5:35meio. Eu acreditava, como muita gente
- 5:38ainda acredita, que haja um jeito certo de jogar jogos
- 5:41ou escurros. E depois que eu entrei em
- 5:43contato com ideias incríveis de muitos autores e
- 5:46produtores de conteúdo desse meio, eu comecei a ter a
- 5:49ideia para mim de que tinha uma forma ideal de
- 5:53se aproveitar jogos ou escurros. E
- 5:56eu passei a discutir muito em torno disso. Eu
- 5:59pesquisei muitos d &d clássicos, o Quick Primer,
- 6:02o Bloco do Diogo Nogueira, o material do Hague no
- 6:05Lamentations of the Sun Princes, o pessoal do DCC.
- 6:09Participei intensamente daquela
- 6:11comunidade do Google +, e também das comunidades
- 6:15nacionais de OSR, que curtiam esse rolê. Eu
- 6:20participei disso intensamente. Quanto
- 6:22mais eu pesquisava, investigava e debatia, mais
- 6:25eu aprofundava e fundamentava bem as minhas
- 6:29posições. E sem falsa modeste, eu
- 6:33acabei sentindo que talvez eu soubesse usar os jogos
- 6:38ou o escurro melhor do que a maioria das pessoas que
- 6:40estavam ali debatendo e que defendiam práticas que,
- 6:44tecnicamente, para mim, era evidente que levariam a
- 6:47problemas à mesa. Fosse causando ruído em jogo,
- 6:51fosse sobrecarregando o mestre, possivelmente as
- 6:54duas coisas. E eu tinha entendido, na
- 6:58minha cabeça, o estilo OSR melhor do que qualquer
- 7:01pessoa. Quem discutia comigo, ou estava
- 7:05deixando de lado o estilo, e aí, vindo com o
- 7:08Invencionice, misturando o outro escurro com o PBTA,
- 7:12com o Fate, etc., e aquilo, para mim, não dava
- 7:14certo jamais. Ou então estava buscando o
- 7:16Chansellem em frases soltas dos véis do Geigex, do
- 7:20Metser, e de manuais antigos para validar as
- 7:24boas práticas que a pessoa tinha em mesa. E
- 7:27aquilo me irritava. Já eu e minha pesquisa, minha
- 7:31galera, a gente estava muito avançado, muito
- 7:33evoluído. Estão evoluído que, depois do D
- 7:36&D Muleque, o estilo ganhou até um nome, Oil Fantasy,
- 7:41o que a gente via dentro do outro escurro, fazia
- 7:43tudo muito sentido. E a gente ainda estava
- 7:47associado ao OSR, então, aquilo trouxe muita
- 7:51discussão sem fim nas comunidades. A
- 7:55gente defendendo um estilo que aquilo ali era melhor,
- 7:58e sendo rechaçado por cada vez mais gente que olhava,
- 8:02principalmente para mim, apontava o dedo e falava
- 8:05assim, cara, você tá cagando regra, sai daqui.
- 8:08Quer saber? Essa
- 8:09galera estava certa, o tempo todo. Oil
- 8:12Fantasy sempre foi no fundo sobre cagação de regra. Pô,
- 8:17na verdade, qualquer manual de estilo é alguém cagando
- 8:20regra, é alguém dizendo para os outros que acha
- 8:23melhor jogar de determinada forma. É
- 8:26opinião, é uma posição arbitrária, é necessariamente
- 8:29excludente, porque elimina diversidade de pensamentos
- 8:33que desviam disso. Se você acha que isso aqui é
- 8:35melhor, logo outra coisa é pior. Você
- 8:38pode até ser político e falar, não, não acho que é
- 8:41melhor, pelo menos para mim, assim que funciona e
- 8:43tal. Mas, pô, se você for franco, é
- 8:46porque você acha melhor jogar de determinada maneira
- 8:49e nada mais natural. As pessoas não deviam ver
- 8:52problema nisso, né? Se ser franco e falar, cara,
- 8:54eu acho que jogar assim é pior. Só
- 8:57que a OSR não é sobre estilo de jogo, o melhor,
- 9:01pode ser também. Há quem vá peneirar ali as
- 9:05toneladas de dicas de RPG que tem na OSR, ou os
- 9:10postes de blog com boas práticas e tal, há quem
- 9:14vai resgatar somente a arte ou a estética visual do
- 9:17discurso. Tem a galera que só quer se
- 9:21sentir parte do movimento, que se identifica de
- 9:24repente com a Lysergia Gonzo do DCC, ou que
- 9:28aderiu a ideia do Old Dragon e passou a fazer
- 9:32parte da comunidade desse jogo, ou que chegou por
- 9:35nostalgia na Caixa Preta do D &D, ou algum desses
- 9:38livros antigos e tal, e curtiu essa nostalgia. Cara,
- 9:44a quem vai idealizar o jogo e dizer que é assim
- 9:47que se jogava antigamente, misturar isso com jogos
- 9:51novos também, tem pra todos os gostos. Tem
- 9:54quem vai abraçar os procedurais e o RPG solo,
- 9:58e quem vai adaptar a coisa de videogame. É
- 10:01infinito, a OSR é plural. O
- 10:05fato é que se a gente pode dizer que tem uma
- 10:07coisa comum em toda a OSR, é que ela sobretudo é um
- 10:11movimento e faz parte desse movimento quem quiser. A
- 10:16única coisa que não pode é cagar a regra, é dizer que
- 10:19há um jeito certo e que há outro jeito errado. Eu
- 10:23fui percebendo aos poucos, até aquele famoso post lá
- 10:27da Marcia B, no blog dela que é o OSR Tem Que
- 10:29Morrer, que era muito difícil não fazer parte da
- 10:35OSR, ao contrário, fazer parte é muito fácil. Talvez
- 10:40eu tivesse descoberto uma das únicas maneiras de não
- 10:44fazer parte da OSR, que é dizer que determinada forma
- 10:47de jogar é melhor do que outra, ou que algo não é
- 10:51o OSR o suficiente, ou algo assim. Inclusive,
- 10:54eu peço desculpas publicamente aqui ao Bruno
- 10:56Prosaico, que certa vez publicou no grupo lá de
- 10:59OSR, que o OSR era sob nostalgia e eu briguei com
- 11:04ele dizendo que aquilo era um, que o OSR era sob
- 11:07estilo de jogo, que aquilo que ele estava dizendo era
- 11:09um serviço. Peço desculpas também para o
- 11:12pessoal aí do D30, que disse que, uma vez lá,
- 11:16disse que Dungeon World era o OSR e eu achei aquilo
- 11:19pura desinformação. Peço desculpas até para o Rafael
- 11:23Beltrame, que é um cara que eu constantemente
- 11:25encurralava nas discussões ali, quando ele defendia,
- 11:29essa lá, dice fudding e outras práticas discutíveis
- 11:32que eu acho até hoje. Mas cara, quem há a dizer que
- 11:36aquilo ali não era OSR, não era o Desculpa que era
- 11:39pior? No contexto da OSR a gente
- 11:42não pode dizer que uma coisa é pior do que outra.
- 11:45Errado, no fundo, tava eu. E
- 11:48se tudo pode ser OSR, não é lá que eu quero estar.
- 11:53Porque eu sou a favor sim da
- 11:55função social, da cagação de regra. Portanto,
- 11:59vida longa ao Oil Fantasy. Que
- 12:03café? Café com o que, meu bom homem?
- 12:07Café com Dungeon! Bom
- 12:15dia, amigos do Café com Dungeon. Estamos
- 12:18aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 12:20favorito, trazendo sempre muito RPG. Meu
- 12:23nome é Rafael Balbi e hoje o meu café é o Coral da
- 12:27Ovelha Negra que eu fiz aqui na prensa francesa
- 12:29para preservar o óleo dos grãos e dar aquela
- 12:33encorpada gostosa no café. Se
- 12:36você quer experimentar essa delícia e qualidade de vida
- 12:39na sua manhã, vá lá em ovelhanegracafés .com e use
- 12:43o cupom CCD, tudo minuto, que é o cupom Prusolvintus,
- 12:47então você consegue um desconto. Se
- 12:49você é assinante e você tem cupons com descontos
- 12:51progressivos, já pôs do seu nível de apoio. Então
- 12:55consulta lá no apoia .se .cafécomdungeon que você vai
- 13:02ter ali o teu cupom especial. Além
- 13:05disso, assinando o café, você participa de sorteio
- 13:09de quase 2 quilos de café ovelha negra que a gente
- 13:12sorteia e também de outros materiais dos nossos
- 13:16parceiros, como editora de RPG e tudo mais. Então
- 13:21apoia .sebarcafécomdungeon e participa disso aí com a
- 13:25gente e receba também conteúdo extra que a gente
- 13:29produz. Inclusive o tema de hoje é sobre
- 13:32conteúdo extra que a gente passou na comunidade. Mas
- 13:35antes de cair no episódio de hoje, eu vou fazer a
- 13:38leitura da enquete do episódio anterior. O
- 13:41episódio anterior foi sobre o Corspring, que é um jogo
- 13:46que tem bastante política inclusive, e eu trouxe aqui
- 13:49uma pergunta. Você gosta de trabalhar política
- 13:53no RPG? E cara, o primeiro voto foi
- 13:56dizendo que não. Então fiquei meio desesperado
- 13:58achando que ia ser uma hegemonia ou pelo menos se
- 14:01equilibrado aí, que é meio estranho. E
- 14:04no final das contas, acabei ficando tranquilo, porque eu
- 14:07vi que 91 ,7 % das pessoas disse que sim, que gosta
- 14:11de trabalhar política no RPG, porque é um grande
- 14:14alívio. Eu acho que quem não admite
- 14:17trabalhar política no RPG, no mínimo está perdendo um
- 14:22jogo muito interessante, porque todo o RPG tem essa
- 14:25porção política e a gente admitir e entender como
- 14:29trabalhar isso faz o jogo ficar muito mais gostoso. E
- 14:32a pergunta por extenso que eu trouxe foi, e aí, como
- 14:37é que você vivencia política no RPG e qual RPG
- 14:41você recomenda? O Marcos Consalves falou que
- 14:44para vivenciar a politicagem de dentro ele curte o
- 14:47crônicas RPG. Mas para um jogo onde o tema
- 14:49central é abordar a política em si, o melhor é
- 14:53o Deloial, sem dúvidas. O Mario Bros falou que um
- 14:57dos jogos que ele mais gosta de trabalhar o tema
- 14:59político é Loobsomem. Como é um jogo com PJs muito
- 15:03poderosos, os melhores desafios tem a ver com a
- 15:06relação entre as tribos e o apocalipse capitalista. E
- 15:10o Daniel Gata falou que o melhor para política, sem
- 15:13dúvida, é o Deloial do Valparso. Olha
- 15:15o Deloial aí, sendo bem trazido pela galera, é
- 15:19natural, né? Bom, é isso, galera. Vamos
- 15:22cair no episódio de hoje? GearGotem
- 16:10é uma campanha de Hexcrawl aperta e gratuita, de RPGs
- 16:15com um jogo que é um jogo que é um jogo que é um
- 16:15jogo no estilo Oil Fantasy, com sessões episódicas em
- 16:19um mundo permanente, com centenas de jogadores e
- 16:22quatro destemidos mestres, Balbicob, João Boulamac e
- 16:27Márcio Loureiro. Além dos hermos, repletos de
- 16:31monstros e tesouros, comunidade explora um estilo
- 16:34de jogo forjado a partir das reflexões dos mil
- 16:36episódios, a primeira temporada do Café com
- 16:39Dungeon e outros experimentos como O
- 16:41Liglória, Day The Mulek e outros. Descubra
- 16:45o paradeiro do mago que ficou louco ao ouvir os
- 16:48impropérios de uma cabeça falante espetada na ponta
- 16:52de uma lança. Entenda como derrotar a Salamanda
- 16:55de Fogo, que toma conta da Chapada dos Queimados em
- 16:59seu covil, cheio de rubiz do tamanho de um crânio
- 17:03humano, em frente dos bandidos da unha de
- 17:05navalhas, especialistas em geometria sagrada, que
- 17:09apavoram a vila da fresqueta e escoam os seus
- 17:12tesouros do jazíbo do Titã Caverna, aprisionado pelo
- 17:17Deus Tétris em sua entrencada estrutura de
- 17:20cordas nois e tendões que sustentam o Monte -Kip.
- 17:26Tomar da biergotem e sair
- 17:28alucinado pelos hermos parece arriscado, mas a
- 17:32cerveja abre um canal direto com os Titãs e com
- 17:36seus poderes primordiais podem imbuir os aventureiros
- 17:39de asas, de vigor incansável, no dialeto das
- 17:42plantas, ou mesmo com a força perpétua de um rio,
- 17:47na esperança de serem libertados pelos bravos
- 17:50inconsequentes caçadores de ouro, ganho XP com ouro
- 17:53resgatado, mas também com descobertas nos hermos e
- 17:56com rumores compartilhados com os demais aventureiros.
- 17:59E aí, topo o desafio? Unmonte
- 18:02o seu grupo e procura um dos mestres em nosso grupo
- 18:05de Telegram que a gente tenta atender os seus
- 18:07horários. Se você não tiver grupo, você
- 18:09pode sempre chegar e conhecer outros aventureiros
- 18:12precisando de companheiros por mim em corção. Então,
- 18:15segue o link aí na descrição do episódio e
- 18:18vamos explorar biergotem! Bom,
- 18:39vamos lá. O episódio de hoje foi
- 18:42provocado pela comunidade do Café Grande -Ângel dentro do
- 18:47contexto do treinamento de Oil Fantasy, que é um dos
- 18:50níveis de apoio. E o Fabrício Neype trouxe a
- 18:54pergunta qual a diferença de OSR para a Oil Fantasy?
- 18:59E eu pude abordar isso num
- 19:02vídeo, uma live de perguntas e respostas que
- 19:06eu costumo fazer para a galera do apoio, desse
- 19:09nível de apoio. E aí, cara, eu pude escrever
- 19:11a respeito para poder deixar público isso, deixar
- 19:15essa pergunta e respostas aí público e também trazer
- 19:20para cá porque eu sei que é um tema que a galera
- 19:23pergunta muito. Qual a diferença, cara? E
- 19:26bom, de cara a gente pode dizer, Oil Fantasy é
- 19:29cagação de regra. OSR é o contrário da cagação
- 19:32de regra. OSR tem que ser plural e cagar
- 19:35regra. OSR é de extremo mal gosto,
- 19:38porque justamente ela prima pela pluralidade de estilos
- 19:46ou de qualquer coisa. A OSR já, a Oil Fantasy,
- 19:51não. A Oil Fantasy é uma proposta
- 19:53de estilo. E se você quer propor estilo,
- 19:56é natural que você esteja ali cagando regra, que você
- 20:01esteja dizendo que, bom, essa aqui é minha opinião
- 20:04da melhor forma de jogar isso aqui. Você
- 20:07pode até ser muito humilde e falar, não quer dizer
- 20:10que a minha forma seja melhor, eu acredito que
- 20:12tenha várias formas e todas elas são legais, mas eu
- 20:15duvido um pouco, acho que isso é um pouco buscar
- 20:18aquela pretensa isenção, aquela pretensa
- 20:22imparcialidade que, sei lá, os jornalistas às vezes
- 20:26fingem ter, sabe? No fundo, todo mundo acha que
- 20:30tem uma forma melhor de resolver as coisas e todo
- 20:33mundo que quer melhorar acaba buscando isso. Então,
- 20:36eu acho que é natural, uma evolução natural, quando
- 20:40você busca um estilo, você busca aprofundar, que você
- 20:44começa a cagar regra e nesse ponto, me parece
- 20:47natural também você construir alguma coisa que
- 20:50seja dentro da OSR, mas que se estiver dentro do
- 20:53contexto da OSR, você está indo contra um pouco ali
- 20:56uma etiqueta da comunidade, daquele grupo, daquele
- 20:59movimento. Não é à toa que a gente viu
- 21:02surgir manual de estilo e proposta de estilo dentro
- 21:05da OSR com bastante naturalidade, né? Surgiu
- 21:10o Quick Primer for Woods School Game do Fint, que
- 21:12foi o primeiro marco da OSR, tá traduzido pelo Café
- 21:16com Dungeon, um manual rápido para jogos old
- 21:20school, né? Vou deixar linkado aí todo esse
- 21:22material que eu vou citar agora no discreetivo do
- 21:24episódio, mas o fato é que o Fint trouxe o Quick
- 21:27Primer e mesmo o Quick Primer, muita gente torceu
- 21:30na RIS, falou que não é bem assim, que isso não é
- 21:33a melhor forma de jogar. Ele,
- 21:35no fundo, estava querendo explicar para jogadores da
- 21:373ª edição e da 4ª edição do D &D como jogar o jogo
- 21:41deles, o World's End Wizard, que era um retro
- 21:43-chrone do D &D Zero. Então, o objetivo dele não foi de
- 21:48cagar regra tanto assim, mas foi de explicar o jogo
- 21:51dele, né? De qualquer forma, você vai
- 21:56ver que houve um momento delicado ali das pessoas
- 21:59falando que isso aqui não é bem o que não me
- 22:04representa no jeito de jogar, não representa muito
- 22:07bem como se jogava antigamente, cada um com a
- 22:10sua ideia, porque é muito plural. E
- 22:13aí, você vai ver que até no texto do Quick Primer
- 22:17ou do Príncipe Apócrita, que é um manual de estilo
- 22:19que surgiu depois, tem muito espaço para os
- 22:22autores meio que já se desculpando diante mão por
- 22:25estarem cagando regra, sabe? Ah,
- 22:27não deixe ninguém dizer como é melhor jogar para
- 22:30você, o seu grupo, etc. Isso
- 22:33é um traço, isso para mim é uma característica de
- 22:36gente que está elaborando um manual de estilo num
- 22:39lugar que é quase, sei lá, de maltom, cagar regra, né?
- 22:48O Príncipe Apócrita, assim
- 22:50como o Primer foi para jogadores de D &D 3 .0, 3
- 22:54.5 ou 4 .0, o Príncipe Apócrita foi um material
- 23:00vindo da comunidade do Google +, para ensinar o
- 23:03jogo Old School para jogadores que vinham do
- 23:06PBTA de jogos mais modernos dessa escola, para assim
- 23:10dizer. E também cagar regra, um
- 23:14jeito ou outro, esse pessoal está dizendo que
- 23:16acha melhor que Old School seja jogado assim e não
- 23:20assado. Fora isso, a gente pode ver que
- 23:23o manual de livro, os manuais dos livros básicos
- 23:28dos sistemas de Old School e de OCR, de forma geral,
- 23:32eles versam sobre como utilizar o jogo. Por
- 23:36conta da natureza do RPG clássico, que é modular,
- 23:40que é lacunária, então sempre teve esse espaço
- 23:43para manuais de mestre, do ADD, do DCC, do
- 23:46Lamentations of the Fiend Princess, do Cayenne, que
- 23:49tem ótimos apontamentos de como utilizar o jogo. Mas
- 23:53aos poucos a gente vai vendo que os manuais de
- 23:56estilo que vão surgindo já não vão se dizendo do
- 24:01movimento OCR. A gente vai ver o Muster aí
- 24:04do Erum Tovinem. Ele até cita o OCR, se
- 24:09localiza a partir da OCR, mas ele não se coloca
- 24:11dentro da OCR. A gente, pelo menos que eu
- 24:14lembre, ele não se coloca, ele não se situa na OCR,
- 24:18ele não se diz um manual OCR. O
- 24:20novo simalacionismo do Sorensen, que foi episódio
- 24:23do Café com o Dungeon, alguns episódios atrás, aqui
- 24:25algumas edições atrás. Mas também ele não se diz o
- 24:29OCR, que eu lembre, mas ele é uma proposta de se
- 24:33utilizar já os outros cu, a partir de uma visão
- 24:35simulacionista, que não é exatamente o mesmo
- 24:38simulacionismo do Ron Edwards, da GNS, é uma
- 24:42nova proposta, e ele também meio que se destaca no meu
- 24:46entender da OCR. E a gente tem o próprio
- 24:50Fentaz, que é um manual estilo que naturalmente
- 24:53acabou saindo da OCR, conforme foi sendo rechaçado
- 24:58ali quando trazia uma ideia do que era melhor para se
- 25:02jogar RPG clássico. Ou seja, a gente já começa aí
- 25:06uma grande diferença. Olha, o Fentaz é cagação de
- 25:09regra. O OCR não pode ter cagação
- 25:12de regra. E, bom, a gente teve essa
- 25:17live de perguntas e respostas aí, que foi muito
- 25:19legal, e ali eu pude sintetizar muito algumas
- 25:21diferenças mais práticas entre o OCR e o Oil
- 25:25Fantasy. E aí eu vou abordar elas
- 25:29aqui. E aí, a primeira diferença
- 25:33que eu queria trazer é muito decorrente disso tudo
- 25:37que eu falei. A pluralidade é essencial para
- 25:42o OCR, e com efeito, ela se torna uma grande colcha
- 25:46de retalhos. Muitas vezes, as ideias que estão
- 25:51costuradas nesse grande movimento da OCR são até
- 25:54antagônicas entre si. Algumas
- 25:57regras não funcionam em conjunto. Elas
- 26:00não geram uma coesão de estilo, de como jogar
- 26:05aquilo. Na verdade, você vai ter uma
- 26:08coleção imensa, infinita, de gente dizendo que é melhor
- 26:12assim, que é melhor jogar assado. Só
- 26:15que isso dificilmente cria um corpo que você possa
- 26:18seguir. Você vai ter que peneirar, vai
- 26:20ter que conhecer bastante, vai ter que ficar ali
- 26:22apostando o seu estilo pessoal, nunca partir de
- 26:26uma proposta mais sólida de alguém. O
- 26:29seu estilo de mesa pessoal, ele vai surgir somente de
- 26:32você fazendo esse filtro, exercendo a sua crítica de
- 26:37alguma forma. E se você não tem tempo de
- 26:40se aprofundar, ou se você talvez não seja muito bom
- 26:44em amarrar todas essas ideias, tem gente que não
- 26:49é boa disso mesmo, ou que não curte até perder tempo
- 26:53com isso, quer pegar uma coisa mais pronta, uma
- 26:55ideia mais trabalhada já, vai ter problemas em ver
- 27:00isso, e vai ter ali uma coleção infinita de gente
- 27:02falando assim que se faz, ou é assado, que se faz,
- 27:05e que não chega às vezes em algum lugar. Então
- 27:08você tem essa grande colcha de retalho de ideias
- 27:11diferentes, que é ao mesmo tempo lindo e tem também
- 27:15seus problemas. É também um dos grandes
- 27:17valores da OSR que você vai encontrar de
- 27:20absolutamente tudo ali dentro. Já
- 27:23Oil Fantasy é o contrário disso. Ela
- 27:27é uma organização ampla de pensamentos. Os
- 27:31pensamentos ali são amarrados, seguindo
- 27:33princípios e organizando as boas práticas em posturas
- 27:38de jogo. Então a gente pode dizer que Oil
- 27:41Fantasy traz uma principologia muito bem
- 27:44definida que ajuda a expandir e aprofundar o
- 27:48estilo. E isso faz com que nem todas
- 27:50as ideias caibam aqui. Não é uma colcha de retalhos,
- 27:54é um fio de pensamento. Muita
- 27:58coisa a gente vai olhar e falar, cara, isso não é
- 28:00uma boa prática para Oil Fantasy, isso aqui dentro
- 28:02de Oil Fantasy não é um pensamento que caiba. Por
- 28:06outro lado, outras coisas a gente consegue encaixar, a
- 28:08gente consegue agregar o estilo, a gente consegue
- 28:10aprofundar. Outra coisa também é que a gente
- 28:15vai organizando essa principologia e essas boas
- 28:18práticas em posturas de jogo e isso vai dando para
- 28:21a gente jargão e nomenclatura. Vai
- 28:24construindo essa linguagem comum que a gente consegue
- 28:27usar para debater com mais profundidade e mais
- 28:30eficiência. Essa eficiência também transborda
- 28:33para a experimentação, a gente experimenta isso em
- 28:36jogo, a gente faz testes específicos em cima desses
- 28:40conceitos e dessas lentes que a gente utiliza e a
- 28:44gente consegue ter feedbacks mais profundos com mais
- 28:47facilidade na nossa comunidade. Então,
- 28:50ao longo do tempo, conforme a gente foi consolidando as
- 28:56ideias de Oil Fantasy, esse espaço de experimentação e
- 29:01de teste foi ficando cada vez mais eficiente, mais
- 29:05interessante e trazendo mais resultados. Outra
- 29:10coisa importante de trazer aqui de diferença é sobre
- 29:14como a gente joga isso, qual o fundamento do nosso
- 29:18jogo e a gente pode trocar em miúdos isso e dizer que
- 29:23a gente está falando aqui sobre a agenda principal do
- 29:26jogo, trazendo o termo agenda da GNS, talvez no
- 29:30sentido da forge, que a forge utilizava. A
- 29:34agenda principal é como você, de forma geral, vai
- 29:37decidir as coisas no jogo, sendo jogador ou sendo
- 29:40mestre. Na OCR, a gente tem uma
- 29:42pluralidade de visões, o que é natural, né? Vai
- 29:45ter gente dizendo que joga para contar uma história e
- 29:49que a agenda dessa pessoa vai ser tomada em decisões
- 29:52de acordo com o que fica melhor para a história. Vai
- 29:54ter gente que vai dizer que não, que joga de
- 29:57acordo com o que o personagem faria, vai ter
- 29:59gente que não, que diz que joga de acordo com o que
- 30:02é melhor para superar o desafio, enfim. Como
- 30:05a OCR é absolutamente plural, você não tem uma
- 30:09clareza do que é a agenda principal do jogo. O
- 30:12mais comum, a gente pode dizer que é hegemonico, é
- 30:15que é um jogo de contar história, o jogo do school
- 30:18é um jogo de contar história, partir de
- 30:21desafios, ou seja, os jogadores vão tentar superar
- 30:24os desafios do mestre e que, conforme eles fazem
- 30:28isso, a gente tem uma narrativa emergente. E
- 30:31o jogo, de certa forma, não traz esse ferramental
- 30:33para se contar história, mas traz o ferramental para
- 30:35os desafios, então eles tentam agregar isso nessa
- 30:38ideia de jogo. Por outro lado, isso é meio
- 30:42que não perceber qual a própria agenda, exatamente,
- 30:46né? Porque você dizer, ah não, a
- 30:48gente joga um jogo para contar história, mas a
- 30:50gente não tem o ferramental de contar história, a gente
- 30:53tem o ferramental de desafio, meio que deixa
- 30:56boiando um pouco essa ideia de como seguir com a sua
- 30:59agenda. Que agenda que eu estou
- 31:00seguindo no final das contras, né? E
- 31:02aí a gente vai ver que tem muitos debates que eu
- 31:05vejo no meio da OSR, que é justamente por falta de
- 31:08clareza, e por falta de clareza não se chega um
- 31:11veredito. Uma outra coisa interessante que
- 31:13a gente pode ver aí, é que dentro da OSR, essa
- 31:17falta de clareza a respeito de qual a agenda que está
- 31:21em curso ali, do que a gente está trabalhando
- 31:24quando a gente joga um jogo OSR, vai fazer com
- 31:29que a gente não consiga utilizar às vezes a própria
- 31:33ferramenta bem. Isso fica claro, na prática,
- 31:37quando a gente pega já, no, sei lá, o próprio jogo
- 31:41old school, em si, antes da OSR, né? Eu
- 31:43estou falando do jogo lá nos anos 80. A
- 31:45gente pega o Menser, que está querendo explicar no D
- 31:48&D Backm, né? No Basic do Backm, ele está
- 31:51querendo explicar a melhor forma de jogar, né? Está
- 31:54falando de dinâmica de jogo. E
- 31:55ele diz que você pode ignorar o resultado do dado
- 31:59para preservar a vida de um personagem de um
- 32:03jogador, que no caso ele está encarando ali como um
- 32:06protagonista, ou seja, uma noção de história. Nesse
- 32:09caso, o protagonismo do personagem do jogador no
- 32:13RPG, ele vira uma coisa ali que começa a afetar
- 32:18aquelas ferramentas de desafio que o jogo traz. E
- 32:21a gente começa a ver em passes muito complexos que
- 32:23seguem até hoje no D &D Quinta -Edição. Já
- 32:26a OSR tenta resolver essa agenda principal do jogo,
- 32:30com muitos efeitos. Em primeiro lugar, a agenda
- 32:33principal do jogo, ela é enxugada, né? Se
- 32:37a gente tem um jogo que traz ferramentas de desafio,
- 32:40vamos entender que para o Oil Fantasy, o jogo Old
- 32:45School, né? Afinal de contas, o Oil Fantasy é
- 32:47trabalhado a partir do D &D Basic de 81, né? A
- 32:51gente está falando do Basic aí, do BX. O
- 32:54Oil Fantasy diz que se a gente tem ferramentas de
- 32:58construção e superação de desafio no jogo, esse jogo
- 33:02é sobre desafio. A agenda principal do jogo
- 33:07Oil Fantasy, do segundo Oil Fantasy, é desafio. Isso
- 33:14vai informar absolutamente tudo. Isso
- 33:16é o princípio do jogo Oil Fantasy. Completamente
- 33:19diferente do que a gente vê na OSR, que tem toda
- 33:21essa discussão. Ainda que haja pessoas dentro da
- 33:24OSR que encarem que o jogo Old School é um jogo de
- 33:27desafio, a gente transformou isso na principal agenda e
- 33:31transformou isso no princípio do estilo. E
- 33:35tudo irradia a partir daqui.
- 34:00Aventureiros numa busca por mais
- 34:02episódios na semana, te convidam a fazer parte do
- 34:05grupo de Telegram, participar de sorteios e
- 34:08enriquecer seu jogo. Esquente
- 34:13a água, mola os grãos e pegue os dados. Apoia
- 34:22.se. Barca, fé com dângio. Contamos
- 34:30com você. A
- 34:42gente pode botar aqui na prática a primeira coisa
- 34:44que a gente vai ver, que recebe esse princípio de
- 34:49que o jogo é pautado em desafio, isso é a agenda
- 34:54principal do jogo, a gente tem o desenho de um papel.
- 34:56Um papel do pés, o papel do
- 34:58mestre, o papel dos jogadores. Como
- 35:00é que é o papel do mestre na OSR? No
- 35:03OSR o papel do mestre é o cara que conduz a história,
- 35:06através dos desafios que ele propõe, então ele tem
- 35:09um ferramental de desafio, mas uma vontade de contar
- 35:12a história emergente com os jogadores ali. Ele
- 35:16tem que meio que compor em cima disso. E
- 35:19ele também é o hábito desse mundo que ele cria.
- 35:23Ele cria o mundo, ele controla
- 35:26os NPCs, ele arbitra as regras desse mundo, desse
- 35:31jogo, ele que tem a palavra final, o respeito
- 35:34do uso das regras, e ele é esse cara que ao mesmo
- 35:38tempo desafia e conduza a história. Esse
- 35:40é o mestre na OSR. Claro que você vai ter visões
- 35:44diferentes a respeito disso, às vezes puxando um
- 35:47elemento ou outro, mas de forma geral a gente tem
- 35:50até uma quase unanimidade na OSR, eu não lembro,
- 35:54inclusive quem diz que não é assim. O
- 35:56mestre como o hábito imparcial do jogo, me
- 36:00parece ser uma máxima. A gente tem o mestre com o
- 36:03hábito imparcial do jogo, quando ele conduz o jogo,
- 36:07e ele faz isso ali querendo contar uma história
- 36:11a partir de um desafio. Muitas
- 36:13pessoas ali vão dizer que não tem essa de contar
- 36:15história, outras pessoas vão dizer que sim, algumas
- 36:18pessoas vão botar que essa história é emergente, também
- 36:20é um grosso, o da OSR dizendo que essa história é
- 36:22emergente, que não há uma agenda em relação a isso,
- 36:25mas tudo isso está em discussão. Até
- 36:27porque no old school, no RPG antigo mesmo, isso já
- 36:31era uma multiplicidade, a gente tem o Greenwoods, a
- 36:35gente tem o Barker, dizendo que era um jogo de contar
- 36:37história. A gente tem, antigamente, o
- 36:41Teamcast, que é o primeiro funcionário da TES, dizendo
- 36:43que era um jogo de problem solving, de resolver
- 36:46problemas, de superar desafios, o Gagax também
- 36:49fala isso. Então a gente tem aí uma
- 36:51pudurais de visões que vem do old school e que chega
- 36:54na OSR sim também. Já o Oil Fantasy é diferente.
- 36:58O Master em Oil Fantasy, a
- 37:00gente assumindo o princípio de que a agenda do jogo
- 37:04de Oil Fantasy é desafio, o Master é o desafiante.
- 37:09Ele não é um hábito imparcial,
- 37:11ele até tem propostas de arbitragem, ele faz
- 37:14propostas de arbitragem, os jogadores vão negociar,
- 37:18então essa proposta é negocial, o resultado dessa
- 37:22arbitragem é negocial, e o Master não é um hábito
- 37:25imparcial, quando ele propõe arbitragens, ele está sempre
- 37:29ali com uma intenção, que é o melhor desafio. Esse
- 37:33melhor desafio faz com que o Master inclusive não
- 37:36tenha de se preocupar com justiça, com pegar leve,
- 37:39pegar pesado, em conduzir a história, em tentar ser o
- 37:43mais divertido possível, tentar ser o mais legal
- 37:47possível, nada disso. Ele só tem uma coisa na cabeça
- 37:50dele, ele vai tentar fazer o pior dele, ele tem que
- 37:53morder o mais doloroso possível para os jogadores,
- 37:57ele vai de fato ser antagonista dos jogadores
- 38:00nesse ponto. O Master é desafiante, ele só
- 38:05é, por outro lado, limitado em algumas coisas, a sua
- 38:09atuação é limitada pelo que o Iofrentes desenha como o
- 38:13bom desafio. E essas limitações dizem
- 38:16respeito de forma geral, a gente tem na prática esses
- 38:19limites estabelecidos, mas eles dizem de forma geral,
- 38:25respeito à agência do jogador limitando a atuação
- 38:28do Master, e à verossimilhança, um controle
- 38:31de verossimilhança que é feito de forma difusa por
- 38:34todo o grupo, assim como a arbitragem é feito de forma
- 38:37negocial por todo o grupo. Então,
- 38:40a gente tem esses limites para a atuação do Master,
- 38:43agora dentro desses limites o Master vai fazer o seu
- 38:45pior. É quase como essa dinâmica, é
- 38:49quase como aquela coisa que a gente tem ali com a
- 38:54Ancili Córdice, a Corte Não Boba, costumbo brincar nas
- 39:01das fadas. A Corte Ancili, normalmente,
- 39:04ela tem um pacto que o Oberon fez, que é o
- 39:07seguinte, a gente quer fazer mal aos humanos, só
- 39:09que por pacto a gente não pode atacá -los fisicamente,
- 39:12então a gente começa a obrar em torno desses
- 39:15limites para tentar fazer mal por eles indiretamente,
- 39:18é mais ou menos isso que o Master vai fazer. O
- 39:20Master tem que respeitar a agência do jogador e a
- 39:22verossimilhança, e isso limita a sua atuação, mas
- 39:25dentro do que ele é permitido ele vai fazer o
- 39:28seu pior. Isso estabelece um jogo
- 39:30interessante a partir do princípio fundamental do
- 39:34jogo, da agenda principal do jogo ser desafio. E
- 39:37o papel dos jogadores? Bom, os jogadores na OCR de
- 39:43forma geral, eles controlam o seu personagem. Não
- 39:48fica claro, assim como é uma crise em toda OCR de
- 39:51forma geral, não fica claro se o jogador deve tomar
- 39:56seus decisões de acudo com o que é melhor para a
- 39:57história, ou de acordo com o que é melhor na
- 40:00superação do desafio. Muita gente vai dizer que é para
- 40:03o jogador decidir com o que é melhor para a
- 40:05superação do desafio. Algumas
- 40:07pessoas vão dizer que é para o jogador decidir de
- 40:09acordo com o que o seu personagem faria, de que
- 40:12ele tem que interpretar, deixar o meta jogo de
- 40:14lado. Outro que pessoas vão dizer que
- 40:16o jogador pode, já vai em conta o que é melhor para
- 40:18a história, isso é indefinido. Acho
- 40:21que as correntes mais centradas dizem que é para
- 40:25o jogador definir de acordo com a superação do desafio,
- 40:28as suas ações, mas isso não é claro. O
- 40:32fato é que o jogador tem poderes de declarar ações
- 40:35pelo seu personagem e isso é o que se limita dentro
- 40:40da sua atuação. Às vezes se fala em jogador
- 40:45fazer um background, dizer um pouco do mundo relativo
- 40:48ao seu próprio personagem quando ele cria um
- 40:50antecedente, alguma coisa assim, mas isso até aparece
- 40:54em alguns jogos, algumas propostas, não é a regra
- 40:58do que faz o jogador num jogo o TSCOO, o jogo OSR.
- 41:05Outra coisa que a gente pode ver
- 41:07do jogador de forma geral é que ele vai seguir ali
- 41:12mais ou menos o que o mestre está propondo para o
- 41:15jogo porque o mestre é quem constrói o mundo e os
- 41:18NPCs e os jogadores reagem a isso. Os
- 41:22jogadores de certa forma acabam propondo pouco, salvo
- 41:25nas propostas mais sandbox. Nesse
- 41:29ponto o mestre começa a querer dar mais liberdade
- 41:32para os jogadores investigarem esse mundo que
- 41:34ele construiu, mas essa divisão é muito clara. Já
- 41:38no Oil Fantasy isso não acontece, o jogador só tem
- 41:41uma missão que é superar o desafio. Nessa
- 41:44superação do desafio, eventualmente, ele vai
- 41:48tentar decidir até coisas sobre o mundo e os NPCs.
- 41:53E o mestre, dependendo do que
- 41:55for, não tem o poder de vetar o que o jogador está
- 41:59construindo, ver o similhança daquele mundo, o
- 42:02que ele está construindo de verdade. Então
- 42:05acaba que a primeira instância de jogo no Oil
- 42:09Fantasy é justamente nessas reivindicações ficcionais,
- 42:13quem reivindica o que, quem traz o que para o jogo. O
- 42:17mestre vai ter poderes sobre o mundo e sobre os
- 42:20NPCs quando ele estiver construindo, quando usando
- 42:23um desafio. Quando ele não estiver nessa
- 42:26função, ele vai adotar uma postura diferente. Ele
- 42:30vai adotar uma postura que não é mais o desafiante,
- 42:34mas ele vai começar a provocar os jogadores a
- 42:37construir em cenário e dizerem que os NPCs estão
- 42:41fazendo. Por quê? Porque
- 42:42os jogadores assim enriquecem a ficção até que
- 42:46o mestre possa perceber na ficção tudo o que ele
- 42:49precisa para entregar novamente um desafio e
- 42:51quando ele perceber isso acontecendo, ele vai poder
- 42:54exercer novamente seus poderes. Esses
- 42:56parâmetros estão desenhados no Oil Fantasy e
- 42:59normalmente tem a ver com a agência do jogador e o
- 43:03controle de ver o similhança. Existe
- 43:05uma postura também do mestre no Oil Fantasy que
- 43:07é a postura minimalista. Postura
- 43:09minimalista dentro do Oil Fantasy é justamente para
- 43:12provocar o jogador, mesmo quando o mestre está no
- 43:16controle do desafio, ele provoca o jogador a fazer
- 43:19perguntas e essas perguntas que levam o mestre a
- 43:22aprofundar a ficção. Nunca o mestre aprofunda a ficção
- 43:25de acordo com seu fíate. Ele
- 43:27vai sempre ser minimalista. A
- 43:30não ser de fato quando haja uma postura diferente,
- 43:32por exemplo, uma postura de ruído. O
- 43:34personagem ficou bêbado. Então
- 43:36o mestre, nesse ponto, pode desafiar melhor o jogador
- 43:41descrevendo o que seu personagem veria com ruídos
- 43:45e aí já não é mais uma discussão minimalista. Mas
- 43:48essas dinâmicas de postura do mestre, elas atendem
- 43:51justamente a agência do jogador potencializada. Por
- 43:56quê? Porque o jogador consegue assim
- 43:58batalhar na ficção, pela ficção, conforme ele tenta
- 44:02superar os desafios que o mestre lhes traz. Então
- 44:06isso já traz um jogador que controla o próprio
- 44:09ritmo do jogo. Conforme ele faz a gestão de risco,
- 44:12etc. A gente costuma dizer,
- 44:16inclusive, que o jogador só tem a ficção para ele
- 44:18garantir o jogo. As garantias do jogo vêm
- 44:21através da ficção. Nunca pelo meta -jogo, nunca pelas
- 44:24mecânicas. Por quê? Porque
- 44:26as mecânicas, inclusive, são utilizadas de maneira
- 44:29ferramental a partir da ficção. E
- 44:32isso compreende um uso todo especial das regras que a
- 44:35gente vai ver daqui a pouco. O
- 44:48que é o uso de regras? Isso
- 44:48leva a esse tópico agora, que é justamente o uso de
- 44:50regras. Como é que é o uso de regras
- 44:53na OCR? A gente tem na OCR, de forma
- 44:56geral, as regras sendo usadas como escritas ali.
- 45:00Tem muita gente que joga raw,
- 45:02inclusive, que prega que o jogo deve ser jogado raw.
- 45:04Essa galera tem um movimento
- 45:05gringo chamado Bro SR, que pega muito por isso, fala
- 45:09que o ADID tem que ser jogado raw. Tem
- 45:12muita gente que também fala, não, vamos jogar o
- 45:14jogo como está aqui descrito. Não
- 45:17tem uma interpretação, não tem nada. E
- 45:21aí tenta seguir as regras como elas estão ali. O
- 45:25que vai às vezes até contra o que o próprio
- 45:27Gagax diz e tudo mais. Então,
- 45:29uma visão que eu acho até meio suigêndries, uma visão
- 45:34um pouco complexa, mas de forma geral no OCR, existe
- 45:38essa visão concorrendo com outras. Eu
- 45:41acho que dentro da OCR, a visão mais comum é a visão
- 45:45do primer, do quick primer for school gaming, que é a
- 45:48visão do rulings, not rules, que é a ideia de
- 45:51arbitragens em vez de usar regras. Quase
- 45:55uma visão, se vou fazer uma tração paralela,
- 46:00jurídica, para assim dizer, é quase como a diferença
- 46:03entre a lei romana e a common law. A
- 46:08lei romana que a gente usa aqui, que é essa lei que
- 46:11a gente tem tudo positivado, todas as leis
- 46:15estão escritas, em contraste com a common law, que é a
- 46:20lei anglo -saxã, que é um sistema legal em que as
- 46:23regras, as leis não são todas escritas, mas a gente
- 46:27vai decidindo caso a caso, e isso vai gerando uma
- 46:30jurisprudência que informa a gente. Então,
- 46:33a ideia do fint, do rules, de que as arbitragens vão
- 46:40sendo feitas, então a gente usa as regras de maneira
- 46:44ferramental, de acordo com o que a gente vê no jogo,
- 46:47a gente pode utilizar uma regra, ou utiliza outra, ou
- 46:50muda essa regra aqui, etc. Muitas
- 46:54vezes essa abordagem das arbitragens, em vez de
- 46:58regras, ela leva um espaço infacionário de regras, ou
- 47:04seja, cada vez mais você vai acumulando uma
- 47:07jurisprudência, essa jurisprudência vai engordando
- 47:11o espaço de regras, então cada vez mais você tem
- 47:14mais coisa para lembrar de como se resolve dentro do
- 47:17seu jogo, porque você foi criando regra da casa, você
- 47:19foi criando entendês, você foi criando formas
- 47:23específicas de lidar com o termo das regras, e aí
- 47:26você vai consolidando esse corpo imenso de regras, que
- 47:31é mais ou menos o que o Gag X fez com a ADD, a
- 47:33partir do ADD básico, do ADD clássico, o ADD deixou
- 47:38de ser uma caixa de ferramentas nas regras,
- 47:41regras modulares e tudo mais, para ser um quartinho
- 47:43de ferramentas, eventualmente um palácio cheio de
- 47:47ferramentas. Tenta ferramentas que você nem
- 47:49sabe, às vezes, qual que você vai usar, onde que
- 47:54está, você nem lembra que existe aquela ferramenta.
- 47:56Mas tem uma coisa muito
- 47:58interessante, que essa abordagem do fint, das
- 48:01arbitragens, em vez de regras proporciona, que é
- 48:04justamente você poder analisar em primeiro lugar
- 48:07a ficção, e a partir disso você busca um tratamento
- 48:13mecânico para aquela situação, para aquele
- 48:17impasse ficcional. Tudo bem que o fint tem um
- 48:20problema, o fint não dá um parâmetro muito claro para
- 48:26decidir esse tipo de coisa. Então
- 48:29ele até fala que, em muitos casos, o mestre vai
- 48:33até abrir mão de pedir rolagens, de acionar
- 48:36mecânicas do jogo, porque os jogadores resolveram na
- 48:39ficção aquilo. Isso traz uma textura gostosa,
- 48:42que é você justamente resolver os problemas na
- 48:44ficção antes das mecânicas. Por
- 48:47outro lado, a falta de parâmetro em relação a
- 48:50isso, é um processo problemático. Então
- 48:52ele às vezes fala em mestre abrir mão de pedir
- 48:56uma rolagem, porque pelo que é mais divertido. Então
- 48:59isso cria um espaço de subjetividade ali, que meio
- 49:03que nebula um pouco, com as coisas sendo tocadas
- 49:06naquele jogo. Então essa ideia de rulings, not
- 49:09rules, fica um pouco prejudicada. Por
- 49:12outro lado, a gente traz um elfante, porque a gente
- 49:15tem essa ideia de que você pode abrir mão de uma
- 49:20rolagem, de um acionamento mecânico, simplesmente quando
- 49:24não for acionado nenhum risco, e o risco é o
- 49:28balizador dessa análise do mestre. O
- 49:32jogo só vai ter um tipo de gatilho para acionamento
- 49:36mecânico de forma geral, que é o risco. Então
- 49:39se os jogadores fizerem uma gestão de risco, eles não
- 49:44vão acionar as mecânicas diretamente. Isso
- 49:47não quer dizer que é um abandono das mecânicas. A
- 49:49gente tem que lembrar que os jogadores engajam nos
- 49:52jogos através do espaço dinâmico, e o espaço
- 49:55dinâmico é influenciado pelas mecânicas mesmo quando
- 49:58elas não estão sendo diretamente acionadas, ou
- 50:01seja, eles são influenciados pela mecânica mesmo quando
- 50:05elas não estão funcionando diretamente. Então
- 50:10isso não é negar a mecânica, mas é conseguir
- 50:14passar ao largo dela, só que com muito mais clareza,
- 50:19que é a análise de risco que se faz dentro do
- 50:21Iofentis, em que a gente coloca ali como o balizador
- 50:25dessa dinâmica, tanto do mestre quanto do jogo, e
- 50:30que vai indicar uma arbitragem. E
- 50:33aí essa arbitragem é feita a partir de um set
- 50:35definido de ferramentas. A gente também vai pelo Ruins
- 50:39Not Ruins, nesse caso parte do Finch dentro do
- 50:44Iofentis, só que a gente tem uma diferença. A
- 50:47gente, em vez de propor uma lógica e infacionária
- 50:51do espaço de regras, a gente tenta ser econômico.
- 50:55A gente tenta pegar o set
- 50:56inicial de regras, no caso do Day The Basic, e tenta
- 51:01utilizar essas regras como um canivete suíço. Nesse
- 51:05ponto é uma diferença entre o SR e o Iofentis. O
- 51:09Iofentis a gente diz que a gente vai tentar utilizar
- 51:12aquele set de ferramentas limitado, original do jogo,
- 51:16e tentar utilizar aquelas ferramentas mesmo fora de
- 51:19função para fazer os Ruins, para fazer as arbitragens.
- 51:23Mas a gente não vai
- 51:24inflacionar, a gente não vai criar novas ferramentas,
- 51:28salva uma grande necessidade, atendendo à
- 51:31postura geral, é que a gente não vai inflacionar
- 51:34esse espaço. Isso cumpre uma função muito
- 51:37interessante, que a primeira é a gente justamente ficar
- 51:42com esse espaço limitado para conhecer melhor, para
- 51:45ter uma previsibilidade melhor, uma consistência
- 51:48melhor nos arbitragens, mas isso cumpre também uma
- 51:51tarefa de transparência, porque fica mais fácil para
- 51:53os jogadores entenderem o que o mestre está propondo
- 51:55na arbitragem e negociarem em cima. Então
- 51:59tem consistência e transparência envolvido
- 52:02nisso. Lembra que eu falei que o mestre
- 52:03não é o árbitro do jogo? A
- 52:05arbitragem é feita de forma negocial por todos os
- 52:08participantes. Então, se a gente utiliza um set
- 52:12limitado de ferramentas, todos podem debater mais
- 52:14facilmente em torno disso, de como traduzir a ficção
- 52:18da melhor forma nessas mecânicas. Como
- 52:21a gente consegue, dessa forma, atingir um espaço
- 52:25negocial melhor, o mestre se fica desafogado dessa
- 52:28responsabilidade de seu árbitro geral. Fora
- 52:31isso, a gente consegue também uma amplitude maior
- 52:35na análise da ficção para traduzir isso para a
- 52:39mecânica. Por quê? Porque
- 52:40a gente não fica construindo mecânicas novas
- 52:44e ferramentas novas e sedimentando -as em cortes
- 52:47de abstração cedo. A gente se permite investigar
- 52:50mais a ficção para que a gente chegue, finalmente, em
- 52:54um gatilho de uso mecânico dentro das ferramentas que
- 52:57a gente já conhece. Então, isso já é uma diferença
- 53:00também entre a OSR e a OEL Fantasy. E
- 53:05isso traz, como falei, como a gente vai investigando
- 53:08mais a fundo da ficção, isso me traz de volta ao
- 53:11ponto da batalha pela ficção, que eu já esbocei
- 53:14anteriormente e que eu vou aprofundar um pouco mais
- 53:16agora. Lembra que eu falei que na ficção
- 53:28de forma geral o mestre é quem tem poder no OSR, de
- 53:36criar o mundo e os NPCs e os jogadores têm o poder
- 53:40de criar as coisas relativas a seus
- 53:42personagens? Então, no segundo OEL Fantasy, a
- 53:45gente vê assim também, originalmente. Porém,
- 53:49o mestre tem essa exclusividade sobre a
- 53:51criação do mundo e dos NPCs somente quando ele
- 53:55está atuando em desafio, ou seja, com um desafio
- 53:59pautado, tracionado, por assim dizer. Quando
- 54:02o mestre não tem um desafio tracionado, ele
- 54:05precisa ver os requisitos ali do bom desafio
- 54:08aparecendo na ficção para que ele possa tracionar
- 54:11novamente o desafio. E como isso acontece? Eu
- 54:14vou dar um exemplo para vocês. Um
- 54:16exemplo claro do D &D Mulek, que é, eu tinha uma
- 54:19dungeon, que era Lost City. Os
- 54:22jogadores entraram e engajaram com a dungeon lá
- 54:24dentro. Eu era exclusivamente quem
- 54:27dizia, quem controlava a criação do ambiente e dos
- 54:31NPCs. Obviamente que em alguns momentos os
- 54:34jogadores podiam trazer alguma coisa relativa ao
- 54:37ambiente, se fosse ver o símio e se não atrapalhasse
- 54:42o meu desafio de alguma forma. Por
- 54:44exemplo, eles dizerem que a gente encontrou a passagem
- 54:48secreta que leva até o maior tesouro do ambiente.
- 54:53Não, isso aqui não, isso aqui é
- 54:55o veto. O mestre tem esse poder de
- 54:57veto quando ele estiver no exercício do desafio, por
- 55:00conta desse princípio. Por outro lado, se for ver o
- 55:04símio e não for nada que vá atrapalhar, a condução
- 55:08do seu desafio ele pode permitir. Como
- 55:10o jogador falar que está na taverna, tem uma garrafa
- 55:12em cima da mesa. Mas o fato é que quando os
- 55:14jogadores saíram da dungeon do D &D Molec, eles queriam
- 55:19resolver no Proma Cidade. Eu
- 55:20não tinha mais como mestre o meu desafio tracionado.
- 55:24Eu olhei em volta e falei,
- 55:25não tenho nenhum desafio para botar aqui. Então,
- 55:28qual é o meu papel agora? Meu
- 55:30papel agora é fazer com que os jogadores, eu
- 55:33estimular com que os jogadores possam trazer,
- 55:36enriquecer a ficção suficiente para que eu
- 55:39tenha elementos suficiente para imprimir um novo
- 55:42desafio. Então, nesse ponto, eu comecei a
- 55:44perguntar para eles, como vocês estão passando pelo
- 55:46deserto, o que está acontecendo aqui, o que
- 55:49vocês encontraram no caminho, qual a oportunidade
- 55:51que vocês viram. Então, eles começam a dizer o que
- 55:55eles estão encontrando pela frente, o que eles estão
- 55:57vendo, buscando, obviamente, se preparar melhor para
- 56:01voltar para a dungeon, para superar o desafio, mas
- 56:03nesse ponto eles começam a trazer elementos para a
- 56:06ficção. E aí, quando eu vejo que há
- 56:08elementos suficientes na ficção, eu busco apertar de
- 56:12novo o desafio e aí eu vou morder da pior forma
- 56:14possível, que eu vou exercer novamente os meus
- 56:16poderes e aí nesse caso eu volto a controlar o mundo
- 56:20e os NPCs. No caso do D &D, o que
- 56:22aconteceu foi que eles, de fato, encontraram a cidade
- 56:25que eles queriam e eu fui descrevendo, fui estimulando
- 56:29eles a descreverem também como é que era a cidade,
- 56:31o que eles encontraram, a caravana que eles
- 56:33encontraram, eles queriam encontrar um tatuador,
- 56:36queriam encontrar um seu quê. Todos
- 56:38esses encontros, eles foram alimentando a ficção e até
- 56:42em determinado momento eu percebi que eles tinham
- 56:44espalhado bastante a notícia de que eles estavam ricos
- 56:47naquela cidade, aquela cidade era uma cidade
- 56:50perigosa, então comecei a imprimir um desafio relativo
- 56:54a isso, eles estavam com o ouro e com bastante posse
- 56:57dentro de uma cidade garanciosa. Então,
- 57:00eu pude fazer o cerco deles naquela cidade e para
- 57:03isso eu comecei a controlar novamente um ambiente dos
- 57:07NPCs. Nesse caso a gente vai ver que
- 57:10tem essa oscilação, justamente nisso aí a gente
- 57:13vai ver que tem uma negociação e que negociação
- 57:16é essa? É justamente os jogadores se
- 57:18posicionando, gerindo riscos, buscando trazer na ficção
- 57:23elementos que os permita controlar o que vai
- 57:28acontecer dali para frente e aí controlando o que vai
- 57:31acontecer dali para frente eles não assumem riscos e
- 57:34não morrem, não tem problemas e conseguem ir
- 57:36resolvendo tudo que eles precisam. Logo
- 57:38a gente pode dizer que Oil Fantasy estabelece o jogo
- 57:43justamente nessa disputa pela ficção. Um
- 57:45exemplo claro que a gente pode dar é o seguinte, o
- 57:48jogador pode chegar e perguntar para o mestre, o
- 57:53guarda que eu estou vendo, ele tem bastante ouro, tem
- 57:58cordão de ouro, anel de ouro, ele tem ostenta
- 58:03coisas assim, ele está perguntando para o mestre.
- 58:06Vamos dizer que está traicionado
- 58:08o desafio, o desafio está traicionado porque o desafio
- 58:12é justamente entrar numa cidade dela que esse guarda
- 58:14faz parte. O mestre fala, ele tem uma
- 58:18corrente de ouro, ele tem um baracelete de ouro, você
- 58:20vê que é um cara que tem grana. Nesse
- 58:23ponto o jogador pode entender que esse guarda é
- 58:26ganancioso e pode tentar subornar esse guarda. O
- 58:31que o jogador provocou no mestre? O
- 58:34mestre tem uma postura minimalista descritiva dentro
- 58:37do Oil Fantasy e ele só falou que tem um guarda
- 58:40ali, mas o jogador pergunta isso provocando o mestre a
- 58:43reivindicar aquela ficção. Quando
- 58:46o mestre reivindicou, o jogador vai se aproveitar
- 58:50do fato de ele ter descrito um guarda
- 58:53potencialmente, provavelmente ambicioso e aí vai falar,
- 58:57vou tentar subornar esse guarda. E
- 58:59aí o mestre já se comprometeu com essa ficção,
- 59:04já se comprometeu com essa verdade da ficção. O
- 59:07jogador pode até investigar mais para tentar levar ao
- 59:10mestre a se comprometer mais ainda com essa ficção
- 59:12de que o guarda é ganancioso. E
- 59:15aí o jogador manda a braba, então vou subornar
- 59:20ele. Agora, se o jogador de repente
- 59:22assume o risco, não investiga essa ficção e
- 59:27leva para o mestre que vai tentar subornar aquele
- 59:31guarda, o mestre pode simplesmente determinar, esse
- 59:35guarda é super certinho e vai ficar puto com o fato
- 59:40de você estar tentando subornar. Nesse
- 59:42caso o mestre está fazendo o seu pior, ele está
- 59:46mordendo o jogador naquele ponto e aí o descuido do
- 59:49jogador, ou a falta de provocar o mestre, fabricar
- 59:54aquela realidade confortável para ele, o jogador, ele
- 59:58abriu essa chance, ele abriu esse risco. Isso
- 1:00:01é uma dinâmica muito interessante de acontecer. É
- 1:00:04claro, a gente pode analisar um pouco mais essa
- 1:00:06postura do mestre. Existe uma ferramenta dentro do
- 1:00:09jogo que é o teste de reação. Nesse
- 1:00:13ponto, o teste de reação, o mestre pode usar como
- 1:00:16ferramenta para dar ver o similhança a esse momento.
- 1:00:21Em vez do mestre definir que
- 1:00:24o jogador não investigou nenhum indício do guarda
- 1:00:28ser ambicioso, mas ele pode ser, e o jogador pode
- 1:00:31tentar negociar e falar ''Pô mestre, mas ele pode
- 1:00:33ser ambicioso, será que não vale rolar uma reação
- 1:00:37aqui?'' E aí, como você tem essa
- 1:00:39ferramenta de reação, você joga a 2D6 e tem uma
- 1:00:42tabela para ver qual é a reação, o mestre pode falar
- 1:00:45''Bom, beleza, vou fazer o seguinte, a gente vai rolar
- 1:00:48a reação se a gente tirar um resultado baixo, que
- 1:00:51quer dizer que ele é ganancioso, ele vai aceitar,
- 1:00:55se a gente tirar o resultado alto, quer dizer
- 1:00:56que ele não é ganancioso. E
- 1:00:58aí, nesse caso, o que o mestre está fazendo? Ele
- 1:01:00está buscando uma estrutura, o que é uma boa prática,
- 1:01:03ele está buscando uma estrutura de ver o
- 1:01:04similhança para aquele encontro. Ainda
- 1:01:07assim, isso é uma decisão do mestre, que vai levar o
- 1:01:09estilo pessoal dele, o mestre está liberado nesse
- 1:01:11ponto em decidir o que é pior para o jogador, quer
- 1:01:14dizer que aquele personagem ali, ele é ambicioso.
- 1:01:18Inclusive, ele pode determinar que a
- 1:01:20maioria dos soldados e dos guardas naquela cidade são
- 1:01:23ambiciosos, que aquilo é um traço daquele local. O
- 1:01:26que começa a ficar estranho é assim, em absolutamente
- 1:01:28todos os lugares, todos os guardas, forem, de fato,
- 1:01:32ambiciosos, aceitar em suborno. E
- 1:01:35aí isso fica em vero símil. Então,
- 1:01:37nesse ponto, o mestre vai ter que tomar cuidados para
- 1:01:40que ele não caia em falta de ver o similhança. Nesse
- 1:01:45ponto, os próprios jogadores podem reclamar disso e
- 1:01:48fazer o controle da vero similhança. Nesse
- 1:01:50caso, um resguardo do mestre começar a dotar,
- 1:01:53como boa prática, algumas estruturas de ver o
- 1:01:55similhança para ele. É um resguardo para ele. De
- 1:02:00toda forma, o que a gente tem aí é justamente uma
- 1:02:03disputa da ficção. E essa disputa da ficção
- 1:02:07ocorre de um jeito infra -mecânico. Ela
- 1:02:10não está seguindo exatamente regras e tanques de
- 1:02:15funcionamento. É uma dinâmica de jogo geral,
- 1:02:17que passa ali por um desenho solto de
- 1:02:20competências na hora de fazer reivindicações
- 1:02:22ficcionais. Isso traz, inclusive, uma cor
- 1:02:25muito interessante por uma parte que todo mundo gosta
- 1:02:29muito, normalmente, que é o combate. E,
- 1:02:32inclusive, vou fazer agora uma análise do combate na
- 1:02:36OECR, de forma geral, uma análise do combate no Quick
- 1:02:41Primer, na OECR de acordo com o Quick Primer. E,
- 1:02:44finalmente, uma análise do combate no Elphanta Fantasy,
- 1:02:49que a gente está começando a chamar de combate do
- 1:02:52para diferenciar do combate full, porque já tem muita
- 1:02:55diferença. Poxa, eu fico ouvindo esses
- 1:03:04podcasts, maneiros e toda essa garotada legal falando
- 1:03:08de jogos adcais e seus isários incríveis, mas eu
- 1:03:12nunca sei de encontrar. Ei, psst, quer um joguinho
- 1:03:17diferente? Quero, mas não é pirata? Fica
- 1:03:23tranquilo, os tiras não querem nada com a gente,
- 1:03:26nós somos... independentes. Cola com a gente que eu
- 1:03:32te mostro as novidades. Venha
- 1:03:33aqui no Daily Indie e RPG News, que uma vez por dia
- 1:03:37tem uma notícia sobre jogos indie. Já
- 1:03:40mencionamos o Against the Wind, o Capacly, os mortos
- 1:03:43estão chegando do Diogo Nogueira, o nomadis
- 1:03:46primordial do Marcelo Colar e, claro, o Skyfall do
- 1:03:51mestre Pedroca. Que beleza! Mas
- 1:03:55agora trata de falar mal de Day Day em toda a
- 1:03:57conversa, compram a hostar verde e conseguem logo sua
- 1:04:00carteirinha da igreja mecanicista da experiência
- 1:04:03sagrada. Beleza? O Daily Indie RPG News é
- 1:04:10um grupo no Telegram que você pode entrar pelo link
- 1:04:14que vai ter na descrição do episódio e acompanhar os
- 1:04:16lançamentos indie, sempre um por dia, explicado lá e
- 1:04:21cheio de links. Então é só seguir que você vai
- 1:04:24chegar nesses jogos radicais e seus designers incríveis.
- 1:04:35Bom, como é o combate
- 1:04:37normalmente no old school e no D &D da OSR? Bom,
- 1:04:42de forma geral, o combate cai naquele problema
- 1:04:45clássico, vamos lá, vou atacar qual o taco, qual a
- 1:04:51classe de armadura da criatura, a gente vê quanto
- 1:04:53precisa tirar, a gente joga o dado e vê se acertou ou
- 1:04:57se errou. Muitas vezes, em vez baixo, a
- 1:05:00gente vai ficar naquele errei, errei, errei, errei,
- 1:05:03o mestre é radicar, o jogador é radilar, quando
- 1:05:06acerta a gente joga o dano e tá ali. Normalmente
- 1:05:09o combate segue o procedural, segue aquele
- 1:05:12procedimento clássico do combate conforme a regra. E
- 1:05:16por ser um momento muito arriscado, com muita chance
- 1:05:19de morte, muito risco assumido, muita gente encara
- 1:05:23como um fail state do jogo, isso é feito com
- 1:05:26muito cuidado. Então é mais difícil que as
- 1:05:28pessoas não sigam esse procedimento, que normalmente
- 1:05:30começa ali com analisar a surpresa, ver se algum
- 1:05:34grupo tá surpreso, depois ver se algum grupo vai
- 1:05:37tentar bater em retirada, depois jogar inicia ativa,
- 1:05:40aí o lado que venceu começa, começa a contar que
- 1:05:44é a distância, depois mili, depois com magia e assim
- 1:05:48vai. Esse procedimento é bem stank,
- 1:05:52não SR, mas a gente tem ali uma galera que começa
- 1:05:55a ver o combate de uma forma um pouquinho mais
- 1:05:57criativa. Isso normalmente vem a partir da
- 1:06:00visão do Finch no Quick Primer for School Game, que
- 1:06:03ele começa a falar sobre o combate full. O
- 1:06:06combate full vem da ideia do Vaso Ming que ele traz,
- 1:06:09de que se a gente tem uma cena e essa cena tem
- 1:06:12alguma coisa em jogo, a gente precisa botar essas
- 1:06:15coisas em jogo aparecendo na ação. Se
- 1:06:19o grupo tá ali numa sala que tem um Vaso Ming, esse
- 1:06:22Vaso Ming tem que ser passível de quebra, tem que
- 1:06:24estar rolando pelo chão, tem que estar em jogo, tem
- 1:06:27que enriquecer essa ficção desse combate. Isso
- 1:06:30é uma ideia interessante, mas ele trata isso com o
- 1:06:34combate full de uma forma muito simples. Ele
- 1:06:36diz que se a gente tem essas coisas em jogo,
- 1:06:40dentro de uma cena de combate no Old School, é
- 1:06:44importante, ou você pode aproveitar esse fato e
- 1:06:49fazer com que uma rolagem de dado de ataque não
- 1:06:52permita que alguma coisa especial em relação ao
- 1:06:57ambiente aconteça somente numa jogada de 1 ou numa
- 1:07:00jogada de 20, ou seja, num fumble ou num acerto
- 1:07:04crítico, que é o que normalmente acontece. As
- 1:07:06pessoas falam, 20, então você conseguiu derrubar o
- 1:07:10cara da ponte além de estocar a barriga dele com
- 1:07:13a faca, você tirou 1, então você caiu da ponte,
- 1:07:17sabe essa coisa? Ele diz que você não precisa
- 1:07:18se ater a 1 e a 20, você pode usar toda granularidade
- 1:07:23do D20 pra jogar com o cenário, com o que está em
- 1:07:27jogo, com o Vasomingue que está ali, então você pode
- 1:07:30aproveitar essa granularidade do D20 pra gerar
- 1:07:34arbitragens mais interessantes pro jogo. Com
- 1:07:37a Elfentes a gente partiu disso. Então
- 1:07:40nesse ponto a gente tem muita similaridade, a gente
- 1:07:42usa muito a granularidade do D20, mas a gente
- 1:07:44resolveu aprofundar e a gente foi aprofundando
- 1:07:47bastante. Principalmente quando a gente começa a
- 1:07:51juntar isso com essa batalha da ficção que eu
- 1:07:54descrevi há pouco tempo atrás, a gente começa a
- 1:07:57ver muitas possibilidades de jogo. A
- 1:07:59primeira delas é que o uso que a gente propõe das
- 1:08:04regras no Oil Fantasy ela é ferramental, lembra? E
- 1:08:08a regra como Canivette Suíça, envolve também por a
- 1:08:10gente abrir mão de todo procedimento, então no
- 1:08:14combate a gente também não usa procedimentos. A
- 1:08:18gente ousou nesse ponto porque de fato é um
- 1:08:20momento de muito risco. Por outro lado, como a gente
- 1:08:24analisa toda a ficção em todo o jogo, não somente
- 1:08:27no combate a partir do risco, a gente consegue
- 1:08:31naturalmente tratar o combate como a gente trata
- 1:08:33todas as outras interações do jogo através da análise
- 1:08:37de risco. E essa análise de risco é
- 1:08:40que vai trazer uma ferramenta pra jogo. Logo,
- 1:08:43pode ser que a gente entendendo qual o risco da
- 1:08:45ficção que a gente não use uma jogada de ataque, pode
- 1:08:48ser que a gente puxe pro dano direto, ou pode ser
- 1:08:50que a gente não jogue uma jogada de dano, que a
- 1:08:52gente usa só a jogada de ataque pra resolver alguma
- 1:08:55coisa. Pode ser que a gente defina que
- 1:08:58de um a três aconteça alguma coisa, de 18 a 20
- 1:09:02aconteça outra, a gente pode usar isso como espaço
- 1:09:05de arbitragem, a gente pode de repente não usar nem
- 1:09:09dano, nem ataque, a gente pode simplesmente resolver
- 1:09:12um combate inteiro por quem agiu primeiro, jogando o
- 1:09:16iniciativo. O fato é que a gente
- 1:09:19consegue analisar os riscos do combate, analisar essa
- 1:09:24luta pela ficção e entender onde a gente pode
- 1:09:27simplesmente jogar um dado pra resolver, usar uma
- 1:09:31ferramenta de modo pontual, botando muita coisa em
- 1:09:35jogo. Inclusive, a gente começa a entender
- 1:09:38que o jogo não precisa seguir esse procedural,
- 1:09:40então o ataque não precisa ser genérico. O
- 1:09:44ataque do combate do, a gente começa a utilizar o
- 1:09:48ataque perguntando onde você vai acertar com a sua
- 1:09:51espada no monstro, na cabeça, você vai tentar dar
- 1:09:55uma estocada geral no corpo dele, você vai tentar
- 1:09:58cortar as pernas, você vai tentar dar uma marretada na
- 1:10:01cabeça dessa estátua, o que você vai fazer? E
- 1:10:04como a gente tá tentando fazer isso, a gente começa
- 1:10:06a botar toda a interação em jogo. Ah,
- 1:10:09olha só, você vai tentar cortar o rabo de escorpião,
- 1:10:12mas pra isso você vai precisar se arriscar um
- 1:10:15pouco mais em relação às garras dele. Então
- 1:10:19vamos fazer o seguinte, vamos negociar, você vai
- 1:10:21conseguir fazer um ataque ao rabo de escorpião, se
- 1:10:24você acertar ideia, sei lá, cinco ou mais de dano com
- 1:10:28a sua espada, você consegue decepá -lo do escorpião,
- 1:10:31beleza? Por outro lado, você vai se
- 1:10:34expor aos ataques da garras, e eu não vou nem
- 1:10:36rolar o ataque, vou rolar o dano direto, porque você
- 1:10:40tá colocando suas canelas na frente, beleza? O
- 1:10:43jogador pode falar, cara, eu sou um guerreiro,
- 1:10:45aguento bastante, pode mandar ver, mando dano nas
- 1:10:49minhas canelas, por outro lado, de decepê -lo o rabo
- 1:10:52de escorpião, e tirei de jogo já o veneno dele.
- 1:10:55Agora o grupo cai em cima do
- 1:10:57resto do escorpião, e tenta acabar com ele. Esse
- 1:11:00tipo de negociação pode acontecer o tempo todo, e
- 1:11:03justamente porque a gente desenlaçou o procedimento do
- 1:11:10jogo, liberou as ferramentas e trabalha a ficção sem
- 1:11:14amarras, e trabalha com o jogo da ficção, a gente
- 1:11:19coloca a ficção em jogo, com uma gestão de risco
- 1:11:22por parte do jogador e uma discussão minimalista por
- 1:11:24parte do mestre, a gente consegue chegar nesse tipo
- 1:11:27de coisa na negociação. O jogo fica muito
- 1:11:30interessante, o combate fica desamarrado, fica sem
- 1:11:33costura, você não vê aquele momento que a gente fala,
- 1:11:37o combate começou, o combate terminou, vamos
- 1:11:39voltar ao normal, não tem isso, é o jogo, é a
- 1:11:42ficção tratada como ela toda, independente de ser
- 1:11:45um combate ou não, a diferença é que o combate
- 1:11:47costuma ser mais arriscado mesmo, e os jogadores vão
- 1:11:50assumindo mais riscos de forma geral, então ele é
- 1:11:53mais dramático, mas até pelo jeito que se negocia
- 1:11:57dentro do combate do, a gente consegue ver ele
- 1:12:01evoluindo para um combate mais rápido, mais furioso,
- 1:12:05que resolve de uma forma mais fuminante normalmente,
- 1:12:09você coloca mais coisa em risco, mas você também sume
- 1:12:13mais riscos. Isso fica muito interessante, a
- 1:12:15gente conseguiu isso com boas práticas, com várias
- 1:12:18coleções, boas práticas, com várias posturas e com
- 1:12:21várias ideias de como fazer isso, testando isso à
- 1:12:24exaustão, e é sobre esses testes que eu vou falar
- 1:12:27agora. A gente não tem como negar
- 1:12:36que eu é o fantasy veio da OSR, a gente fazia
- 1:12:39parte da OSR, do movimento da OSR, a gente estava ali
- 1:12:42dentro, a gente estava bebendo das fontes da OSR,
- 1:12:44todas elas, algumas de forma crítica, outras
- 1:12:47aceitando melhor, outras deixando de lado mesmo sem
- 1:12:51engajar, porque claramente não era o que a gente
- 1:12:54queria, mas o fato é que a gente veio construindo o
- 1:12:57oil fantasy a partir da OSR, mas a partir de certo
- 1:13:01momento essas ideias do oil fantasy foram se emancipando
- 1:13:06e foram virando um jeito de jogar, como eu falei, é
- 1:13:09contra a etiqueta da OSR a gente propor um playstyle
- 1:13:14muito marcado, muito amarrado, porque meio que
- 1:13:17fala para os outros que se isso aqui é a melhor forma
- 1:13:20de se jogar, a gente acha que essas outras práticas
- 1:13:23não são exatamente boas práticas. Então
- 1:13:27a gente meio que se viu se emancipando, como eu
- 1:13:31falei, o combat foo tem ideias muito específicas de
- 1:13:34acordo com o fint, e até bem inicial, bem delimitado,
- 1:13:39ali numa discussão inicial sobre granularidade do
- 1:13:43devint. A gente aprofundou tanto isso
- 1:13:46que quando a gente falava de combat foo e falava de
- 1:13:48tudo que a gente veio pesquisando, tudo que a
- 1:13:50gente veio trabalhando, ia muito, muito, muito além do
- 1:13:55que o fint os trazia. Então
- 1:13:56era até injusto de a gente dizer que isso era combat
- 1:13:58foo, porque quem estava atrás do que é combat foo
- 1:14:02de fato ia entrar em contato com uma coisa que
- 1:14:05estava muito além. Então, sabe, isso gera uma
- 1:14:09proposta. Você pode fazer muitas outras
- 1:14:11coisas diferentes do que a gente faz com o combat do
- 1:14:13atualmente, o que a gente faz com o combat do a
- 1:14:16partir do combat foo, mas obviamente a gente faz do
- 1:14:19jeito que a gente acha melhor, traz melhores
- 1:14:22resultados na nossa percepção. Essa
- 1:14:24proposta veio se aprofundando muito, e essa
- 1:14:27proposta do combat foo virar combat do acho que é
- 1:14:29um bom símbolo disso. E isso veio por conta da
- 1:14:33comunidade que a gente veio trabalhando, com muito
- 1:14:35teste, muito... Tipo, a gente trabalhou
- 1:14:38exaustivamente em Arcaia, veio evoluindo a partir de
- 1:14:42Arcaia com o Trêter de Porto Príncipe, depois agora
- 1:14:47com Birgoten, são centenas e centenas de sessões,
- 1:14:51muitos mestres envolvidos, muito feedback de todo
- 1:14:54mundo, então a gente veio trabalhando isso com muita
- 1:14:56profundidade. A ponto que a gente olhou e
- 1:15:00fala, de fato a gente está emancipado, não faz sentido
- 1:15:03a gente estar dentro do OECR por tudo isso que a
- 1:15:05gente trouxe até agora. O fato é que a gente está
- 1:15:08chegando num ponto muito interessante do Oil Fantasy,
- 1:15:11em que a gente já tem uma maturidade muito maior, para
- 1:15:14voltar a trabalhar o Caves and Haxes, com o nosso
- 1:15:17Retroclone, só que agora não mais um Retroclone,
- 1:15:20agora um jogo que tenta traduzir, se traduzir da
- 1:15:23melhor forma possível, para se aproveitar todos esses
- 1:15:27conceitos mais profundos da Oil Fantasy, que para a
- 1:15:30galera da OECR, pode muitas vezes parecer cagação de
- 1:15:33regra e é, mas para quem quer engajar com essa
- 1:15:36cagação de regra, quem acha que da forma que a gente
- 1:15:39colocou faz sentido, todos esses testes e todas essas
- 1:15:43experiências, para muita gente vão fazer sentido e
- 1:15:46vai ser legal a gente ter você engrossando esse caudo
- 1:15:49e entrando na comunidade junto com a gente, então
- 1:15:51isso é um convite para que você venha experimentar o
- 1:15:54Oil Fantasy junto com a gente. Beleza?
- 1:15:56Então, estão aí, acho que tem outras diferenças de
- 1:16:01Oil Fantasy para OECR, mas de forma geral são essas,
- 1:16:07a gente vende a OECR, a gente não nega isso, mas a
- 1:16:10gente tem outras influências também, mas assim como
- 1:16:12outros manuais de estilo da nossa geração, a gente não
- 1:16:15se encontra mais exatamente no seio da OECR, a gente
- 1:16:19vende lá, mas não se identifica mais dessa forma.
- 1:16:23E aí eu vou deixar uma
- 1:16:24enquete para vocês aí, para vocês responderem, você é a
- 1:16:27favor da cagação de regra no RPG? Sim
- 1:16:30ou não? Por último, eu queria ver como
- 1:16:33você definiria o seu estilo pessoal de jogo, ou se por
- 1:16:36acaso você tem algum manual de estilo que a gente não
- 1:16:39conhece, que a gente gostaria de conhecer, pode
- 1:16:41deixar aí para a gente, beleza? Então,
- 1:16:44participa da enquete, lembrando que para
- 1:16:46participar da enquete, você tem que ir lá no Spotify,
- 1:16:48no aplicativo do celular, e aí se aproveita e dê aí a
- 1:16:53sua avaliação para o Café com Dungeon de uma 5
- 1:16:55estrelas que a gente agradece imensamente, beleza?
- 1:16:59Então é isso, galera, muito
- 1:17:00obrigado aí para você que ficou ouvindo a gente até
- 1:17:03agora, lembrando que você vai ter aí no dictativo do
- 1:17:06episódio os links dos nossos spots, dos nossos
- 1:17:10anúncios, e também os links citados no episódio, o link
- 1:17:13para o Quick Primer for Old School Gaming, na
- 1:17:16tradução do Café com Dungeon, o princípio
- 1:17:18Apocrypha, na tradução aí pessoal do geração Cherox,
- 1:17:22o manual do mestre do ADD, o DCC, o referi -book do
- 1:17:27The Lamentations of the Flim Princes, o Caern, o
- 1:17:31Muster e o novo Semolacionismo do Sorensen.
- 1:17:35Então, sigam os links. No
- 1:17:37mais, muito obrigado aí, se você quiser apoiar o Café
- 1:17:41com Dungeon para que ele volte a ter 5 episódios
- 1:17:43semanais, considere integrar aí o nosso apoia .se -café
- 1:17:49-com -dungeon e além de você apoiar a gente, você recebe
- 1:17:54conteúdo extra, participa de sorteios dos nossos
- 1:17:57parceiros e tem acesso a cupons de desconto. Então,
- 1:18:01só vantagens, galera. apoia .se -café -com -dungeon. Se
- 1:18:05você gostou especialmente do Café com Dungeon de hoje,
- 1:18:08deixa para a gente uma gorjeta, envia o seu PIX
- 1:18:10aí de qualquer valor para café -com -dungeon ou rouba
- 1:18:13gmail .com. A gente conta com você. Se
- 1:18:16você tem uma empresa ou uma marca que quer ter um
- 1:18:19dia da semana no Café com Dungeon, você pode financiar
- 1:18:22esse episódio semanal no podcast e fazer alegria da
- 1:18:25massa arrepegista. Consulta a gente lá no café -com
- 1:18:28-dungeonrouba .com para a gente ter uma proposta
- 1:18:30especial para você. Você pode também consultar a
- 1:18:33gente sobre parcerias e anúncios. Então,
- 1:18:35a gente tem aí spots de anúncios e tudo mais que
- 1:18:38você pode utilizar esse espaço aí também nas nossas
- 1:18:41redes sociais e outros meios de comunicação. A
- 1:18:45gente trabalha não só com marca de arrepegia, mas
- 1:18:47também com outros ramos, como café, jogos, tecnologia
- 1:18:49e mídia. Se você quiser colaborar com a
- 1:18:52gente, aí é um produtor de conteúdo, um game designer
- 1:18:55dependente, acadêmico ou fã, né? E
- 1:18:58quer participar do nosso projeto, você pode contar
- 1:19:00um pouquinho sobre vocês, sobre as suas ideias aí,
- 1:19:03mandando e -mail para café -com -dungeonrouba .com.
- 1:19:06Beleza? Por mais agradecimentos para
- 1:19:08os nossos assinantes, se a galera que torna possível
- 1:19:10essa aventura. Então, valeu a galera aí do
- 1:19:12incentivo, incluindo aí o Bruno Cavalcanti e Andrade.
- 1:19:16Valeu demais ao pessoal do nível
- 1:19:18de apoio comunidade, incluindo aí o Chico
- 1:19:20Sequeira, inclusive o sucesso com a Laserhead aí,
- 1:19:23o Chico. Um abraço ao Caio Palma e ao
- 1:19:26Lucas da Uptown Enclave. Valeu,
- 1:19:29galera. Um salvo especial para os
- 1:19:31assinantes do nível RPG dojo. De
- 1:19:33entre eles o Léo Morais, o Rafael Garote, o Vinicius
- 1:19:35Caldas, o Léo Morais e o Dênis Oliveira. Muito
- 1:19:38obrigado. Valeu também, um grande abraço aí
- 1:19:41para o pessoal do treinamento ao Hellfendes, e
- 1:19:43aí o Rafael Machado Bardal. Inclusive,
- 1:19:46muito obrigado por ajudar a gente a alpar novamente os
- 1:19:48sites do Caves, Bardal Brigadaço mesmo. Valeu
- 1:19:52Daniel Aidar, autista e arrepejista Fabrício, que
- 1:19:55trouxe a pergunta aí, que inspirou o episódio. O
- 1:19:58Diego Cestito, César Machado, Abirio Jr. e
- 1:20:01o Léo Gasparuto Menini. Um abraço especial também, é
- 1:20:04um assinante Café -Cumbal, Bilti -Água Augusto. Muito
- 1:20:07obrigado por o apoio de vocês. Um
- 1:20:10abraço e até a próxima. Legendas
- 1:20:37pela comunidade de Amara .org