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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Eletrônica. Componente que sente e memoriza a umidade imita sinapses do cérebro. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 27 de outubro de 2026. Imagine um componente eletrônico que reage quando você aproxima o dedo, sem encostar nele, e que depois ainda se lembra disso. Um grupo internacional de pesquisadores chegou a esse resultado usando um gatilho bem simples: a umidade. O trabalho é de Mahesh Chougale e colegas de instituições da Austrália, da Coreia do Sul e da Índia. Os resultados foram publicados na revista científica eScience. Para entender a novidade, é preciso conhecer o memoristor. Ele funciona como um resistor, uma peça que controla a passagem da corrente elétrica. A diferença é que tem memória: o estado dele depende do que aconteceu antes. Esse comportamento lembra as sinapses, que são os pontos de ligação entre os neurônios do cérebro. Por isso, os memoristores são uma aposta da chamada computação neuromórfica. Ela tenta imitar o cérebro e promete gastar menos energia e trabalhar mais rápido que os computadores atuais. Só que ainda existe um obstáculo. Tem sido difícil reunir, numa mesma peça, a capacidade de sentir o ambiente e a de guardar memória. Quando as duas funções ficam separadas, as ligações entre elas distorcem a intensidade do sinal e deixam a resposta mais lenta. Assim, boa parte da vantagem se perde. A equipe atacou esse problema juntando as duas funções num só componente. Ele é feito de uma camada finíssima de pirofosfato de níquel, um material cheio de poros minúsculos. Quando moléculas de água do ar se prendem a esse material, a estrutura eletrônica dele muda. Com isso, ele passa a conduzir eletricidade com mais facilidade. Essa resposta não é do tipo liga e desliga. O componente assume vários níveis intermediários, que mudam conforme a umidade do ar. É parecido com uma sinapse, que pode ficar mais forte ou mais fraca. Num teste simples, bastou a umidade natural de um dedo humano, sem nenhum toque, para provocar essas respostas. Segundo os autores, o mais animador é que o dispositivo não só percebe a umidade, mas também a memoriza. Como a mudança é reversível, a própria umidade pode servir para programar o componente. E, por dispensar contato físico, ele poderia ser útil em ambientes estéreis, em embalagens ou em futuras peles eletrônicas. Os pesquisadores citam outras aplicações possíveis, como controles sem toque, monitoramento de saúde, redes de sensores ambientais e robôs flexíveis. Se forem combinados com aprendizado de máquina, sensores desse tipo poderiam servir de base para pequenos aparelhos conectados que percebem o ambiente e aprendem com ele. Por enquanto, porém, o componente é um candidato promissor, e não uma tecnologia pronta. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.