Latest / InovaTec Update / Teoria unificada revela que o calor guarda uma espécie de memória em escalas minúsculas
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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Mecânica. Teoria unificada revela que o calor guarda uma espécie de memória em escalas minúsculas. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 28 de setembro de 2026. Deixe uma xícara de café em cima da mesa e ela vai esfriar, sem nenhuma surpresa. O calor sai do café, que está mais quente, e vai para o ambiente, que está mais frio. Na escala de uma cozinha, essa regra simples funciona muito bem. Mas no tamanho de um chip, ou em trilionésimos de segundo, o calor se comporta de um jeito curioso. Ele parece guardar uma espécie de memória. Essa é a conclusão de um trabalho teórico dos pesquisadores Yi Zeng e Jianjun Dong, publicado na revista Physical Review B. Dong é professor da Universidade Auburn, nos Estados Unidos. Há cerca de duzentos anos, a condução do calor é descrita pela chamada lei de Fourier. Por essa lei, o fluxo de calor em um ponto responde na hora à diferença de temperatura naquele mesmo ponto. Tudo acontece aqui e agora. Só que nos sólidos cristalinos o calor costuma viajar como vibrações coletivas dos átomos, chamadas fônons. Em grande escala, uma multidão de fônons se esbarra o tempo todo, e o resultado é o espalhamento suave previsto por Fourier. Em distâncias e tempos muito curtos, porém, alguns fônons percorrem um bom trecho antes de se desviar. Aí o calor pode se comportar de várias maneiras, inclusive como uma onda. Até agora, cada um desses comportamentos tinha sua própria equação. Zeng e Dong reuniram todos eles, pela primeira vez, em uma única descrição matemática. E nessa teoria apareceu, de forma consistente, o efeito de memória. O calor que flui agora pode carregar a influência de uma variação de temperatura que aconteceu antes, ou em outro ponto do material. Dong esclarece que não é uma memória como a nossa. Segundo ele, essa lembrança fica guardada no movimento microscópico do próprio material. No centro da teoria está uma espécie de mapa de resposta térmica. Ele mostra quanto uma diferença de temperatura, em outro lugar e em outro momento, ainda pesa no fluxo de calor aqui e agora. O tempo revela quanto dura essa influência. O espaço revela até onde ela chega. Uma boa comparação é o trânsito. Um engarrafamento que começou mais cedo, em outro trecho da via, pode continuar afetando os carros bem longe dali. Na prática, isso significa que a condutividade térmica, o número que indica a facilidade com que um material conduz calor, deixa de contar toda a história nessas escalas minúsculas. E isso importa porque os chips estão cada vez menores e mais rápidos. Neles, o calor pode não se dissipar do jeito previsível que os modelos atuais assumem. A nova descrição pode ajudar a avaliar materiais, formatos de componentes e o que acontece na fronteira entre dois materiais. O trabalho é teórico, mas trata de questões bem práticas. O calor não lembra de rostos, mas, em escalas minúsculas, carrega vestígios de onde esteve. E esses vestígios podem ganhar importância nas tecnologias do futuro. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.