Latest / Elas na Escrita / #21 Mas o que eu escrevo?
Transcript
- 0:00Oi, gente, sejam bem-vindas. Bem-vindos ao podcast elas na
- 0:04escrita, conta tia no lazarotto e.
- 0:07Isabela de Andrade. Hoje a gente está aqui com 2
- 0:11convidadas muito especiais para a gente, para a nossa história,
- 0:14e eu vou pedir para ela se apresentarem agora, mas antes eu
- 0:18vou dizer qual é o episódio de hoje?
- 0:20A gente vai falar, mas o que eu escrevo?
- 0:23Uma troca de ideias sobre gêneros, estou aqui com Maria
- 0:27Victória, com Jerusa zéones bem-vindas e eu queria que vocês
- 0:31começassem se apresentando, contando um pouco do trabalho de
- 0:34vocês. O que vocês fazem para os
- 0:36nossos, para as nossas ouvintes e telespectadores?
- 0:41Quem quer começar? Bom, muito obrigada pelo
- 0:44convite, meninas, eu sou a Maria Vitória.
- 0:46Sou escritora, empresária de. Por mais de 10 anos na área da
- 0:51escrita, eu tenho uma empresa na verdade, né?
- 0:53De comunicação, que oferece soluções de escrita e conteúdo
- 0:56para marcas e empresas. Comecei muito a minha trajetória
- 0:59na literatura e hoje em dia eu não escrevo literatura como uma
- 1:02profissão, mas ainda mais como hobby.
- 1:05Mas eu vim desse espaço e vivo da minha escrita há mais de 10
- 1:08anos e hoje acho que vai ser um bate-papo bem legal para falar
- 1:10sobre isso e abranger outras áreas da escrita que a gente
- 1:12pode realmente viver e se solidificar.
- 1:15Bom. Demais?
- 1:18Bom, eu sou a Jerusa zeunnes, né?
- 1:19Vocês já fui professora de vocês, né?
- 1:22Eu sou é escritora, eu sou poeta, pois a gente vai falar de
- 1:26gêneros, né? Então eu me considero poeta é,
- 1:30sou professora de escrita criativa, mas também sou
- 1:32professora universitária, trabalho com teoria literária e.
- 1:37Criei um curso que chama escrita curativa, que acho que é o que
- 1:40as pessoas mais me conhecem, que tem 10 anos.
- 1:42Já esse curso e assim como a minha amiga, graças a Deus eu
- 1:46vivo da escrita. A literatura.
- 1:49Que ótimo, Jerusa. Eu fui minha professora lá no
- 1:51clipe clipe, curso livre, curso livre de preparação do escritor,
- 1:56gente da casa das rosas, gente que o mais legal é que a gente
- 1:58passa por um Monte de professores lá e que super
- 2:01dialoga isso com o nosso papo de hoje, porque cada professor
- 2:04trazia uma coisa muito diferente, a gente pensando
- 2:06nisso sobre géneros, eu lembro que uma coisa que me impactou
- 2:09muito lá no clipe era que a gente IA pensar de escrita e a
- 2:12gente ficava pensando muito nisso, tá, qual será que o jeito
- 2:14certo? O que é que eu faço?
- 2:15A gente achava que IA ter muito essa fórmula e cada professor
- 2:18trazia uma visão completamente diferente, com exercícios de
- 2:22estímulos completamente, completamente, completamente,
- 2:24completamente, então acho que isso foi bem bacana, até para
- 2:27entender como é amplo esse espaço.
- 2:28Né? E a gente está trazendo aqui.
- 2:30Muita gente que faz parte da nossa história.
- 2:32Jerusa está sendo minha professora de escrita curativa e
- 2:37está sendo muito legal a experiência e eu trabalho com a
- 2:40Maria. Então assim é uma é uma
- 2:41panelinha gente. Então eu tô brincando.
- 2:44A gente tem aqui pessoas que a gente admira muito e que a gente
- 2:47quer é conversar sobre escrita, principalmente com escritores
- 2:51independentes. É?
- 2:54E esse episódio, ele surgiu de uma questão assim que a gente vê
- 2:58muito, né? Quando a gente conversa com
- 3:00escritoras, mulheres, que é a mulher, principalmente num
- 3:03estágio em que ela tá se assumindo escritora, ela dizia,
- 3:05eu não sei o que eu escrevo. Eu não sei se eu escrevo poesia,
- 3:08eu não sei se eu escrevo crônicas, se é conto.
- 3:11Eu não sei se eu estou fazendo realmente uma história.
- 3:14Eu não sei que se o que eu faço é literatura, e aí a gente quis
- 3:18falar sobre gêneros com 2 mulheres que trabalham com a
- 3:21palavra de uma forma tão distinta, mas ao mesmo tempo tão
- 3:23complementar para entender um pouco o que vocês acham?
- 3:26Essa pergunta a gente não precisa responder, a gente está
- 3:30trazendo, a gente está trazendo episódios com com muita
- 3:33reflexão, assim, eu acho que esse vai ser mais um de.
- 3:36Explodir a cabeça? A Tati me falou muito isso,
- 3:41falou, olha, a gente vai. Explodir esse episódio vai
- 3:43explodir a cabeça e aí a gente queria começar perguntando um
- 3:48pouco dessa experiência pessoal com o gênero, né?
- 3:50Maria Vitória falou um pouquinho.
- 3:52Já sobre essa transição, né? Da literatura, mas não deixa de
- 3:55escrever literatura, porque ela acabou de escrever um conto para
- 3:58a nossa coletânea. Assim como a Michelle, que
- 4:01estava no episódio anterior, assim como a Gerusa, que também
- 4:04vai participar do nosso coletânea.
- 4:06Então eu queria entender um pouco com vocês, assim como foi
- 4:10essa transição entre o gênio. Se algum momento vocês
- 4:12perguntaram o que, que gênero vocês estavam escrevendo?
- 4:16Se isso é importante e. Aí?
- 4:19Show, vou começar aqui então, desculpa.
- 4:21Dia Bye Bye Bye Bye é. Eu tinha muito essa questão de
- 4:25saber o que de fato eu escrevia porque eu não tinha muito
- 4:28direcionamento de ninguém. A gente cresce num ambiente
- 4:31assim que a gente não tem o fomento de fato, que a gente
- 4:33pode ser escritora. Então, demorei muito para me
- 4:35aceitar de fato, que eu era escritora, que eu poderia ser
- 4:38uma escritora um dia que a gente cresce.
- 4:40Acostumada, você tem que virar médica, doutora, isso e aquilo e
- 4:42nunca se pode ser escritora. É uma coisa viável.
- 4:45Então, como eu escrevia muito, principalmente na época da
- 4:48escola, naquele caderno do governo a lápis.
- 4:51Muita. Eu lia muito livro de poeminha
- 4:53aquelas que vende na banca de jornal, muita frase, muita coisa
- 4:56e, principalmente, letra de música.
- 4:58Eu comecei muito fomentar minha literatura através de letras de
- 5:01música, principalmente letras de músicas de rock Internacional.
- 5:05Então eu vi muito desse espaço. Falei, ó, não sei o que eu faço,
- 5:07mas eu sei que eu faço, né? Então acho que quando a gente
- 5:10começa a escrever muito disso, a gente não tem o norte, não tem
- 5:12uma coisa certa do que é, a gente tenta e né, se modelando
- 5:16para depois a gente. Ah, beleza, aqui eu faço
- 5:17literatura que eu faço, conta que eu faço qualquer outro
- 5:20gênero para ir se diversificando ao longo do tempo, mas eu
- 5:23comecei muito. Frase, letra de música para
- 5:26depois eu comecei a entender, acho que isso daqui que eu estou
- 5:28fazendo agora, nesse momento da minha vida um pouco maior, eu
- 5:32acho que é poesia. E aí que eu tenho.
- 5:34Comecei muito na literatura, escrevendo poesia e depois
- 5:37falei, acho que eu não quero mais tanto isso eu quero, né?
- 5:40Falar. Mas o pai mais um pouco do
- 5:41cotidiano que eu faço, que eu sinto todos os medos, angústias
- 5:45e eu acho que transformar isso, por exemplo, em crónica, seja
- 5:48uma coisa mais interessante. Então, eu sempre falo que eu
- 5:50faço esse jogo. Eu comecei escrevendo muita
- 5:52poesia e depois eu versei muito para a crônica da.
- 5:56Depois falar, talvez eu não seja mais nada disso.
- 5:59É só um texto, sabe desapegar. Eu acho que fazer esse processo
- 6:01de desapego também foi mais fácil para mim, porque eu não
- 6:04fico dentro de caixinha. Aí eu tenho que só escrever
- 6:06isso, só escrever aquilo. Eu posso escrever sobre tudo e
- 6:08está tudo bem, sabe? É exatamente isso, não é?
- 6:11E acho que é muito legal que você ainda fala disso.
- 6:12Ah, comecei com música, beleza, fui para não sei onde, mas hoje
- 6:15você trabalha com a escrita de outras formas, então ainda é
- 6:17muito legal que você trouxe isso da literatura para esse outro
- 6:19tipo de trabalho, sim. Depois a gente pode até ir um
- 6:21pouquinho mais a fundo nisso. Hum-hum, e vocês olha, eu acho
- 6:27que eu. Eu acho que eu comecei a
- 6:30escrever no redação. Mas é um bom começo.
- 6:35Mas a eu, eu acho que eu nunca pensei muito sobre isso, né?
- 6:39Eu sempre escrevia o que me vinha na cabeça, mas eu, eu, eu.
- 6:44Eu comecei como pesquisadora, né?
- 6:46Então eu sou pesquisadora também, então a questão da
- 6:48pesquisa você fica com gêneros muito, é muito estanques, né?
- 6:53Então eu escrevi artigo, era pesquisador, escrevia artigo,
- 6:56dissertação, monografias, a tipo de coisa, e eu acho que eu
- 6:59comecei a pensar mais a questão do género.
- 7:03Não, porque eu fui buscar um gênero é, mas porque no meu
- 7:07doutorado a minha tese meio que escorreu, né?
- 7:11Então, ela escorreu pelos dedos tanto minha, a minha tese de
- 7:13doutorado é eu, eu entrei pra pra estudar literatura líquida e
- 7:18aí eu até o tema da tese foi mudando o porquê.
- 7:20Daí ela virou era assim, ó, por uma literatura líquida.
- 7:24E ela virou sedu, meus dedos escorresse uma tese.
- 7:27Boa, olha só. Acho que nesse processo de
- 7:29escrever a tese e, claro, atravessada de vida, quando eu
- 7:32deixei a vida atravessada, a literatura.
- 7:35Aí eu acho que é os limites de um gênero imposto que era AA
- 7:41tese de doutorado, né? Um gênero?
- 7:43Ele, ele. Ele começou a ficar mais fluído,
- 7:45né? Então foi entrando poesia.
- 7:47Foi entrando micro narrativa, foi entrando outras coisas ali
- 7:52e. E aí os os géneros se explodiram
- 7:55mesmo, né? EE aí é todo um estudo, né?
- 7:59Em cima disso porque foi isso que me despertou assim, um olhar
- 8:02pra pra essas caxinhas, como a Maria falou, né?
- 8:05Pra essas caxinhas, pra. Para essa é configuração mais é
- 8:10fechada de gênero, né? Então, entender o que?
- 8:12Que é que essa configuração também está está promovendo, né?
- 8:18Uhum, promovendo essa essas divisões estanques de gênero.
- 8:22Então hoje eu escrevo, vamos dizer literatura, né?
- 8:24Escrevo. Literatura e você, muito legal
- 8:27que você falou da escrita académica, que muitas mulheres
- 8:29também na academia sentem. Isso não é esse desconforto.
- 8:32Eu já ouvi e muitas já ouviram ai o seu texto é muito
- 8:36literário, né? Por.
- 8:38A gente tem essa. Essa obrigação da enfim, de
- 8:44todos os. Todos os processos, né?
- 8:45Que envolvem uma metodologia de pesquisa, a gente tem total
- 8:48consciência disso, mas não existe também uma objetividade,
- 8:51né? A gente escreve com o nosso
- 8:52corpo, com a nossa vivência, então é muito difícil escrever
- 8:56algo muito objetivo, muito imparcial, né?
- 9:00Achei muito legal isso que você falou e também essa ideia de que
- 9:03a gente escreve literatura e aí eu queria emendar com, com uma
- 9:07reflexão, que eu tenho feito, que até veio No No coletivo
- 9:11literário que que eu estudei, né?
- 9:13Que eu já comentei em outros episódios sobre isso, que.
- 9:16Às vezes, as mulheres chegavam lá com essa, com essa, quando
- 9:19iam se apresentar e achava que tinha que dizer o nome.
- 9:22Caravana de onde? Uhum e o que que eu escrevo e
- 9:25não sabiam? E aí eu eu fiz essa reflexão até
- 9:29na dissertação de que as mulheres às vezes não não sabem
- 9:32o que elas escrevem, porque esses gêneros não foram criados
- 9:35por mulheres e nem para mulheres, não é?
- 9:37Então dentro dessas caxinhas tão estanques de Ah, tem que ter
- 9:41estrutura x tem que as mulheres escrevem gêneros muito mais
- 9:44híbridos, né? E eu vou citar a Glória anzal 2,
- 9:46já vou adiantar as dicas, mas leiam a Glória anzal 2, porque
- 9:50eu acho que ela fala muito sobre essa questão disruptiva do
- 9:53gênero, né? De não escrever uma coisa só EE
- 9:56de escrever sem Fronteiras, que eu acho que é um pouco um pouco
- 9:59isso, né? A escrita de mulheres que que
- 10:02vocês acham? Eu acho que quanto mais amarra
- 10:05realmente a gente coloca, mais difícil é da gente aproveitar o
- 10:09processo. Acho que muita gente tem a
- 10:11dificuldade de dar continuidade, de começar na escrita, porque
- 10:13pensa muito no que pode se tornar e não curte realmente o
- 10:16processo e a eu quero trabalhar com isso ou não.
- 10:20Eu quero realmente só escrever pra me expressar ou pra contar
- 10:23alguma coisa de mim que o mundo ninguém vai saber, sabe?
- 10:27Mas quando a gente vive mais o processo e não pensa realmente
- 10:29no que isso pode se tornar lá pra frente e ficar muito mais
- 10:32fácil a gente transitar por gêneros ou não de fato, pensar
- 10:35no gênero também é só realmente deixar a escrita, nos levar como
- 10:39se fosse algo que realmente transborda.
- 10:41Eu gosto muito dessa perspectiva.
- 10:43Deixa realmente desabar? Eu comecei escrevendo muito
- 10:45também, porque eu usava a escrita como válvula de escape,
- 10:48né? Eu vim da academia também.
- 10:50Por mais que eu tinha uma escrita mais acadêmica, eu fiz
- 10:52serviço social, processo de propaganda, tecnology marketing
- 10:55e tal. Mas pra além disso, eu sempre
- 10:58usei a escrita como válvula de escape, porque eu pensava muito.
- 11:00Eu sentia muito, então a gente IA todas outras, né?
- 11:03Questões sociais estava para longe de mim, 11, mulher negra,
- 11:07lésbica e et cetera. Então isso tudo também é a minha
- 11:11escrita, né? Eu, nesse processo de escrever e
- 11:14me colocar perante o mundo, e como eu começar a nascer dali e
- 11:18depois me colocar para o mundo? A partir disso?
- 11:20É uma coisa extremamente poderosa, sabe?
- 11:22Então, realmente aproveitar esse movimento foi o que me trouxe
- 11:25aqui hoje. Ah, que demais.
- 11:27Uhum, é eu. Eu concordo com você.
- 11:30Eu acho que que essas amarras, elas são péssimas, e pra mim,
- 11:34sempre essa reflexão, ela me vem também do das minhas alunas, né?
- 11:38Porque é muito parecido com o que você falou, tá?
- 11:40Uhum. É muitos alunos, não só as
- 11:42mulheres, mas os homens mesmo, né?
- 11:44O que que eu tô escrevendo, né? Até porque é eu acho que os o
- 11:48nosso tempo vai modificando as as, as escritas dos homens
- 11:51também, né? Hum-hum, então vai sendo
- 11:53atravessados por outros poéticas, por outras
- 11:56subjetividades, então isso sempre foi uma coisa que parecia
- 11:59que tinha que ser. Explicado, né?
- 12:02Olha esse género, essa poesia, ou isso é crónico ou isso é é?
- 12:05E isso me fez pensar muito essa relação entre género e a relação
- 12:10entre corpo, né? Porque a gente vem de géneros
- 12:13que começaram binários, começo era tragédia e comédia.
- 12:17Depois é esses gêneros, eles foram é encontrando outros, né?
- 12:21EEE, isso é muito, se assemelha muito ao ao corpo, né?
- 12:26A essa divisão binária masculina e feminino e porque é um texto é
- 12:30um corpo, né? Então essa é a minha pesquisa,
- 12:32tem sido a minha pesquisa, né? Então quando eu penso gênero que
- 12:34é a mesma raiz da palavra pra tanto pra gênero.
- 12:37É sexual quanto pra gênero de texto é, eu penso que é 11 texto
- 12:42é sempre um corpo no papel, é muito difícil, mas é muito
- 12:45importante a gente saber, né? Porque se não alguém vai contar
- 12:48pra gente qual é o nosso gênero, né?
- 12:49Então é melhor que a gente saiba, então, que a gente
- 12:51observe essas coisas. E eu é, mas eu trabalho muito
- 12:55com essa ideia de começar com a pura expressão, né?
- 12:58Com a Liberdade e a gente vai escrevendo e.
- 13:01Mas é um lugar de conhecimento, porque depois você não trabalha
- 13:04com um gênero, mas você trabalha com os limites do gênero.
- 13:07Isso que é o legal, porque é com quais gêneros eu faço Fronteira,
- 13:13né? Eu me faço Fronteira.
- 13:14Eu acho que isso é ter os gêneros.
- 13:16É. É algo que tá aí, tá dado, né?
- 13:20Tá dado desde sempre. A literatura É Ela é 11 invenção
- 13:23à escrita, uma invenção masculina, né?
- 13:24Como você diz os gêneros e tudo mais, as formas que a gente tem
- 13:28hoje fixadas é uma inversão masculina, mas a gente e a gente
- 13:31tem que lidar com isso, então como é?
- 13:32Como que a gente vai é é ampliando esses limites, né?
- 13:36É perfurando esses limites e criando coisas novas.
- 13:40Que não têm que ser uma coisa ou outra?
- 13:41E é muito legal pensar nessas Fronteiras pensando numa
- 13:44experiência pessoal que eu estava tentando refletir um
- 13:47pouco disso sobre gêneros e tudo.
- 13:49Por exemplo, eu mesma sempre tive isso de ler mais romance,
- 13:52ler mais romances do que contas e numa época estava tentando
- 13:55escrever conto. Eu queria muito escrever mais
- 13:56conto e todas as vezes que eu começava a escrever alguns
- 13:59contos sobre o mesmo tema, isso virava um romance e eu fiquei
- 14:02gente mesmo, o que está acontecendo?
- 14:03Será que então eu não sei escrever contos?
- 14:05Sou do romance, existe uma Fronteira entre eles que
- 14:07aconteceu mais de uma vez, de eu começar a escrever um conjunto
- 14:09de contos e aí eu falava, não é um romance esse personagem que
- 14:13está indo em todos os contos da mesma forma, então acho que a
- 14:15gente pensa, essas Fronteiras como você falou, pode ser um
- 14:17diferencial até de entender, tá, mas em que ponto ele teria que
- 14:21ser um romance ou não? Em que ponto fui eu que levei ou
- 14:23eu podia deixar ele ali? Eu fiquei tentando entender um
- 14:25pouco essa experiência a partir de não tem uma resposta, acho
- 14:28que eu acabo gostando muito de escrever romance, até pela pela
- 14:32expansão do texto, pelo limite do texto ser maior, mas eu
- 14:35queria perguntar para vocês, como vocês encontraram esse
- 14:38espaço de vocês na literatura se?
- 14:40Já encontraram, e se vocês se sentiram assim, mais confortável
- 14:44com algum ponto, Ah, eu escrevi aqui.
- 14:46Tem algum espaço que eu comecei que eu senti que ele era o meu
- 14:48espaço? Ele era um lugar que eu gostava
- 14:50muito, que era confortável. Vocês tiveram essa experiência?
- 14:53Olha, acho que eu tive mais essa experiência com poesia,
- 14:56realmente, porque é uma coisa mais fácil de sair.
- 14:58Um bom interessante, que eu tenho uma dificuldade tremenda
- 15:01de escrever em terceira pessoa. Tudo o que eu escrevo tem sai a
- 15:04partir da primeira pessoa, porque a minha visão de mundo,
- 15:06realmente com relação as coisas, então a poesia se torna muito
- 15:09mais fácil. Eu lembro quando eu voltava da
- 15:11faculdade de serviço social, por exemplo, a última que eu fiz e
- 15:14voltando. No metrô, eu escrevi-se lá uns
- 15:168, 10 poemas, umas 2 crônicas. Voltando, ficava até meia-noite
- 15:20no meio do hotel, a hora de fechar realmente sentar no
- 15:22banquinho escrevendo para depois ir para casa, porque eu
- 15:25precisava, tipo, maturar tudo o que tinha acontecido durante o
- 15:28dia, então tudo que tinha acontecido na faculdade, indo
- 15:30voltando, porque todas as expressões sociais é uma coisa
- 15:34que realmente está muito latente dentro dos meus textos e essa é
- 15:37uma coisa realmente uma impressão digital que eu quero
- 15:38deixar realmente. Eu trabalho muito numa
- 15:40perspectiva de deixar no legado do mundo através das palavras,
- 15:43né? Então tudo o que eu publico,
- 15:45principalmente poesia, se torna muito mais fácil de fazer de
- 15:48contar. Depois uma poesia, acho que isto
- 15:50aqui pode estender mais um pouquinho e transformar em outra
- 15:53coisa, mas dificilmente vai ser um personagem inventado, uhum,
- 15:57ou a partir de mim eu vou criar um outro personagem paralelo.
- 15:59Eu não consigo agora, nesse momento, ainda não consegui.
- 16:03Com 32 anos, ainda não consegui fazer essa transição, talvez
- 16:06mais pra frente, mas agora eu tô muito confortável no lugar do
- 16:08que eu estou escrevendo dessa forma, sabe?
- 16:10Eu acho que, para além dos romances, dos contos e de todas
- 16:13as histórias em terceira pessoa, a gente tem que aprender a
- 16:15contar também as nossas próprias histórias, na sua própria visão
- 16:17de mundo. Isso é uma dificuldade que muita
- 16:19gente que escreve e tem, né? Ah, eu vou escrever em terceira
- 16:22pessoa que é mais fácil de não realmente me colocar nesses
- 16:25espaços que eu não quero é que ninguém me veja que é um lado de
- 16:27mim, que meu Deus, me dá medo de eu conhecer, que as pessoas
- 16:30vejam também eu já sou o contrário, eu quero realmente
- 16:32mostrar esse lugar pra que outras pessoas falam, nossa, eu
- 16:35também posso a partir daí, sabe, eu também posso ser eu e tá tudo
- 16:37bem escrever dessa forma me ex. Desse jeito e viver o mundo e
- 16:41ser realmente realmente quem eu sou, então escrever essas
- 16:44histórias pessoais é muito mais fácil para mim do que inventar o
- 16:46mundos fantástico, sabe? Isso que a Maria falou é
- 16:49interessante, porque é não dá para.
- 16:53Muito para a gente fugir do que a gente, não do que a gente é,
- 16:55mas do que a gente está, porque eu acho que gênero fala disso,
- 16:58fala de mim nesse momento, não é?
- 17:00Quando você está falando, eu escrevo, começo a escrever um
- 17:03conto, mas depois, quando eu vejo, eu transbordo, né?
- 17:06É um corpo que se expande, né? E você quer é?
- 17:09É acompanhar esse limite desse corpo, não é?
- 17:11Então você vai dando vazão para isso, vai dando vazão, então é
- 17:14um corpo grande, não é? Vamos dizer uma pessoa que que
- 17:18escreve um romance, não que os nossos não seja porque com a
- 17:21poesia, mas que talvez a gente precisa mais de.
- 17:24De Liberdade pra não fazer sentido, pra fazer tanto
- 17:27sentido, e talvez você goste de encadear os fatos.
- 17:31Então é, é, eu acho que a literatura, essa expressão
- 17:35literária, quando a gente escreve é não, não dá muito pra
- 17:38pra você esconder. Mesmo quando você quer esconder,
- 17:41né? Um quer mostrar o que você é.
- 17:43Se você olhar para as marcas do texto, para esse corpus, para
- 17:46esse corpo textual, que que aparece, você vai ver coisas que
- 17:50nem você nem a própria autora percebe do texto, não é?
- 17:54Então, por exemplo, eu já dei aula assim, é?
- 17:57Para para menina trans, não é a menina trans.
- 18:01Ela vai falar, e ela está militando, não é o corpo e ela
- 18:04vai escrever um texto que fala eu sou mulher com pinto.
- 18:08Não sou mulher com pinto, e aí ela vai trazer e fala da
- 18:12Liberdade e tudo mais. Ela vai trazer isso.
- 18:14Ela traz às vezes num soneto, né?
- 18:17Um soneto apertado, tentando EE com muita dificuldade.
- 18:22Ela está tudo bem ali, com o corpo dela, mas na hora de
- 18:24escrever o texto AA armadilha do papel que o papel é opressor,
- 18:28né? Ela te coloca num lugar, você
- 18:30vai, ela quer fazer a rima certinha quando você percebe a
- 18:34própria pessoa, ela está se aprisionando, né?
- 18:37Uhum. Ela, ela, ela se sente, ela, ela
- 18:40mesmo é coloca uma amarra opressiva nela, então é.
- 18:45Eu acho que para mim, a literatura sempre foi muito
- 18:48livre, porque eu sempre é imaginei que eu, eu nunca quis
- 18:53escrever algo, alguma coisa, vou dizer, Ah, eu quero escrever um
- 18:56poema e nem eu quero escrever 111 quantidade de coisas.
- 19:01Eu escrevo quando eu sou atravessada de uma inspiração, e
- 19:04aí é a inspiração, é um ela, ela, como AO acontecimento, me
- 19:09afeta, que vai gerar um tipo de corpo entre nós.
- 19:14E um corpo que vai ser o gênero, né?
- 19:16Então, de repente, um acontecimento, ele me provoca de
- 19:19uma maneira que aquilo que sai é um poema, não tem como não ser,
- 19:24mas geralmente algo me atravessa e vai sair um ensaio.
- 19:28É um texto ensaístico, teórico, né?
- 19:30É, é porque eu gosto desse mundo da teoria e.
- 19:35E outras vezes, por exemplo, sai coisas meio malucas, porque eu
- 19:38acho que eu, eu já, eu tenho prosa poética publicada, conto,
- 19:42tenho romance que eu considero romance, mas que algumas pessoas
- 19:45consideram livro de poema, porque é um romance escrito.
- 19:48Inversa, de forma diferente. De forma inversa, né?
- 19:50Ele é escrito, cada capítulo é um.
- 19:52É um poema, mas eu considero ele um romance, né?
- 19:57Porque eu vejo a linha do romance acontecendo, os
- 19:59personagens indo pra lá, então ele é 111, poema virtualizado e
- 20:07um romance virtual acontece ali, né?
- 20:09Então vai depender muito de com que cor, em que corpo o meu
- 20:13corpo se esfrega, o corpo se esfrega, tem ali um.
- 20:18Pouco vuco, com algum afeto, e aí ele vai originar 11.
- 20:23Um produto em corpos ali, que era o meu corpo naquele
- 20:27instante, né? Naquele momento, depois eu vou
- 20:29ser outro, né? E aí, quando você pega todo esse
- 20:32material que você tem, aí você pode se olhar, olhar, analisar,
- 20:36falar. Nossa, olha como transformei.
- 20:38Olha como fui eu. Era o que que eu sou agora?
- 20:42Então, para mim, é mais ou menos por aí que eu.
- 20:44Vou ser muito legal. Eu falei que IA explodir, mas
- 20:47esse. Esse a gente, estava tudo aqui.
- 20:50Esse lance da dos géneros muito me atravessa também, porque é.
- 20:54Eu acho que na prosa, se a gente pensar numa estrutura, é básica.
- 20:59A prosa é mais fácil de identificar o romance e o conto,
- 21:01né? O conto é uma narrativa breve.
- 21:03O romance mais longo assim, mas eu acho que realmente tem, tem
- 21:07muitas outras imbricações do gênero, né?
- 21:10E eu gostei muito disso que você falou, porque tem coisas que eu
- 21:13tento escrever é, e eu acho que isso também tem a ver com o
- 21:17processo criativo. Tem coisas que eu tento
- 21:19escrever, que saem na poesia, eu não me considero poeta, eu
- 21:22nunca, nunca, jamais, diria que que era poeta, acho meus poemas
- 21:25ruins. Tão difícil.
- 21:26Eu acho difícil, eu acho assim, 11, dar a cara a tapa que eu não
- 21:30não tô disposta, sabe? Eu não consigo.
- 21:32É 11 questão, mas no curso que eu estou fazendo Cazuza.
- 21:36Essa sardinha, todos os textos são.
- 21:38São poemas e eu escrevo alguns poemas que que nascem dessa
- 21:42forma. Eu vou dar um exemplo assim, eu.
- 21:45Eu tive uma obsessão em encontrar um nome de uma bisavó
- 21:49minha que não existia, ela ela não e não, não existiu o nome
- 21:52dela, ninguém sabia o nome dessa bisavó e aí eu comecei a
- 21:56percorrer essa história e ligar para várias pessoas e procurar a
- 21:59certidão de nascimento. Só que a minha avó materna é
- 22:02bisavó materna, né? A minha avó materna morreu muito
- 22:05jovem, então os documentos da e assim o meu avô casou com outra
- 22:09mulher, então. Era uma coisa assim muito
- 22:11difícil, e eu fiquei numa investigação mesmo desse nome.
- 22:14E aí No No dia que eu descobri esse nome, eu sonhei que
- 22:18encontrei com ela que eu nós nos encontramos em sonho e eu fui
- 22:22escrever sobre isso e saiu uma poesia.
- 22:24Uma narrativa. Sim, é uma história contada, mas
- 22:27em versos com com todas as. As cadentes que todas, não, né?
- 22:30A gente. Mas assim com com cadência, com
- 22:32ritmo, é de uma poesia. Então eu sempre falo assim, Ah,
- 22:37eu não escrevo poesia, mas eu tenho poema e legal e tem coisas
- 22:41que nascem assim. É o meu romance.
- 22:44É em prosa poética também e às vezes as pessoas falam assim,
- 22:47Ah, eu gosto muito do seu livro, porque é muito poético e ai eu
- 22:51estou louca para ler outro livro seu e eu fico assim, anjo, como
- 22:55que eu vou te explicar que o próximo não vai ser assim?
- 22:58Porque talvez a poesia foi o jeito que eu encontrei de falar
- 23:01de um sentimento de, né, de falar sobre o luto, de falar
- 23:03sobre a morte, mas os outros, pode ser que o que é um pouco o
- 23:06que você falou, né? Pode ser que eu vá para outro
- 23:08lugar e está tudo bem. Hum-hum.
- 23:11Exato, e eu tenho gostado muito também de pensar como que a
- 23:15gente pode talvez experimentar vocês, que já passaram por
- 23:18géneros tão diferentes que já passaram por escritas e
- 23:20trajetórias tão diferentes. Vocês acham que tem assim um
- 23:22caminho para a gente experimentar isso?
- 23:24Gerusa, que fala muito disso, Maria Victória, que já tentou em
- 23:26vários lugares, por exemplo, eu que falo, tenho essa mania de
- 23:29falar, eu escrevo romance, o restante eu não sei, não sei
- 23:31escrever. Quando você escrever poema, eu
- 23:33sei escrever romance, será que caminhos que a gente pode usar,
- 23:35então para experimentar para falar como que eu posso então
- 23:37ficar mais livre nesse pensar o gênero para eu mesma não me não
- 23:41me encaixotar, num tipo específico?
- 23:45Olha, eu gosto muito de pensar em processos de aprendizagem,
- 23:48por exemplo, fazer um curso, né? Com a professora assim, sempre
- 23:50dá, dá bom. Eu queria.
- 23:52Às vezes eu me pego, eu falei, nossa, eu queria explorar outras
- 23:54coisas diferentes, né? Com relação a minha própria
- 23:56escrita, porque eu tenho uma mania muito feia de às vezes
- 23:59escrever e jogar, né? Não refazer o processo de
- 24:02revisitar. Nossa, eu tô aprendendo tanto
- 24:04sobre isso esse ano. Nossa, e é muito louco a gente
- 24:07ver porquê, porque pode passar Oo tempo que for?
- 24:09Quando a gente revisita, a gente fala, cara, sim, olha que
- 24:12loucura. Como que eu já era antes e tudo
- 24:15que eu escrevi antes, eu tou escrevendo agora de forma.
- 24:17Diferente, mas ainda é a mesma coisa sobre as mesmas pautas que
- 24:20eu tô levantando e trazendo. Eu estava fazendo.
- 24:23Acho que 2 semanas atrás, num processo de revisitar tava
- 24:25lendo, por exemplo, o bukowski, que eu gosto muito e depois
- 24:29lendo algumas coisas minhas e tem muito cara, tem muito peso e
- 24:33falou, mas esse peso é bonito, tem muito sofrimento, é uma
- 24:36dureza assim. Eu falei, cara, mas é bonito eu
- 24:38chorando rolhas assim, Lena? Porquê o processo de revisitar?
- 24:41E acho que esses processos de experimentação eu queria, né?
- 24:44Por exemplo, o clube de escrita puta mulheres é uma outra
- 24:48processo também. Quando eu comecei participar eu
- 24:49falei, nossa outras formas de explorar é o que eu fazia,
- 24:51porque eu escrevia muito de forma solitária, né?
- 24:54Eu, a minha gavetinha escura, colocava ali abandonava e
- 24:57acabou. Não tinha essa troca com outras
- 24:58mulheres que escrevem, por exemplo.
- 25:00É um processo muito importante pra gente se descobrir como
- 25:03escritora, porque eu lembro quando eu participei do clube, o
- 25:05primeiro dia, acho que até teatro estava lá, não, mas eu
- 25:08sou qualquer outra coisa, menos ninguém se afirmava enquanto
- 25:10escritora. Ah, eu escrevo uma coisinha ou
- 25:12outra naquela época já estava num processo externo, eu já sou
- 25:14escritora, mas eu não tinha expressado, vou revisitar porque
- 25:17um dia eu quero transformar isso em alguma coisa ou testar no.
- 25:20Testar formatos diferentes e hoje em dia eu tô muito mais
- 25:22aberta pra explorar nos nossos formatos.
- 25:24Ainda bem que a gente tá aqui, né?
- 25:25Depois a gente troca um, faz um network, curso, uma coisa, né
- 25:28diferente que é muito legal. Acho que quando a gente se
- 25:31aceita realmente eu posso explorar outras coisas, não
- 25:33preciso ficar só nesse gênero, é uma coisa muito legal, porque
- 25:36sai coisas que você não descobre sobre si mesmo, você fala,
- 25:38nossa, olha que eu, né? Outras possibilidades sobre mim
- 25:40que eu não sabia é que nem fazer terapia, por exemplo, né?
- 25:44Cada sessão você vai trazer uma vertente sua, uma história
- 25:46diferente, você fala, caraca, é isso, eu estou fazendo terapia
- 25:49agora. Uma psicanalista, eu fiz 3 anos
- 25:52com uma psicóloga e agora eu tô com uma psicanalista.
- 25:54É uma vertente diferente e cada a cada 7 dias você me brinco com
- 25:58ela. Ah, beleza, ela joga uma bomba e
- 26:00fala, não, beleza, tenho 7 dias pra descobrir como, né, cortar o
- 26:03fio dessa bomba. E aí quando a gente volta na
- 26:05outra semana, eu falei, é cada descoberta, cada coisinha e a
- 26:08gente entendeu descontinua na última sessão, que era tudo
- 26:11fragmentos, eu falei, mulher, você acredita que eu tinha até
- 26:14uma? Eu dei um outro design também
- 26:15nessa literatura, mas autoral, e eu tinha um, eu tenho uma usina
- 26:21que chama eufragmentada, que é muito isso, né?
- 26:23São textos mais autobiográficos, mas que é super fragmento de
- 26:27coisas que foi juntando até realmente dar toda essa bomba,
- 26:30Maria Vitória. Se embarrar estranhamente e tudo
- 26:32mais eu falei, mas é isso, é fragmento que a gente vai
- 26:35explorando, resolve a cada 7 dias de terapia ou de escrita,
- 26:38também de processos de revisitar, sabe?
- 26:40A gente é legal. A gente riu no meio porque a
- 26:42gente tem uma campanha. A gente tem uma questão.
- 26:45Que é Isabela? Faz a terapia, gente, eu não.
- 26:47Eu nunca fiz terapia e aí a nossa terapia, todos os meus
- 26:49amigos falam, faz terapia e a cada dia de gravação alguém fala
- 26:52da terapia. Eu to mas.
- 26:53É como a indireta. Vamos acompanhar.
- 26:55Então, se até o fim das gravações eu vou estar fazendo
- 26:57terapia, Hein? A gente vai dizendo por aqui,
- 27:01bom, eu sou. Esquizonalista, né gente?
- 27:03Olha, já tem um terapeuta aqui. Ó, é então o que que a gente
- 27:10deve fazer pra gente? É, é se permitir, se permitir
- 27:13experimentar é tudo, tudo. Como a Maria falou, só que aí eu
- 27:17venho pro corpo, né? Porque a minha questão é sempre
- 27:20pegar a literatura e falar de corpo, então pra mim é você tem
- 27:24que experimentar o corpo, você tem que fazer corpo, né?
- 27:27Tem 11 psicólogo que chama ruma e ele fala de fazer alma, é
- 27:31bonito, 11 conceito lindo dele que ele fala de fazer alma, você
- 27:34está presente em tudo, fazer todo esse momento, por exemplo,
- 27:37agora ser único. Na nossa vida e a gente está
- 27:39totalmente presente, mas a minha ideia um pouquinho claro, bebo
- 27:43ali, né? Mas é fazer corpo.
- 27:45Então a gente precisa experimentar o corpo, porque é
- 27:48muito o que a Tati falou. É aquela situação.
- 27:53Requereu, requereu, sei lá. Fala nenhum verbo aí um corpo
- 27:57estranho Pra Ela, né? Naquele contato com essa, com
- 28:00essa avó, a avó, bisavó, né? Uhum com essa bisavó aí, esse
- 28:04afeto, esse afeto que parte do maior de um segredo, né?
- 28:08Porque era uma coisa impalpável ali.
- 28:11Então você precisou entrar nesse corpo a corpo?
- 28:12Pareceu algo diferente, né? Algo novo apareceu, mas a gente
- 28:17precisa experimentar esse corpo, né?
- 28:19A gente experimentar quando eu digo é, é corpo mesmo, é é
- 28:23transe, é bebida, é beijar na boca, é ficar, sentir muita dor,
- 28:28ficar em silêncio. A gente precisa ter esse esse
- 28:32mergulho no nosso corpo para que a gente possa ver como é que sai
- 28:35isso, mas sabe, sem direcionar e para poder entrar em estados de
- 28:39dever. Então eu gosto muito dessa ideia
- 28:41de um, de um devir, outra coisa em vez de.
- 28:44Pensar, eu vou escrever um poema, tá?
- 28:47Então eu vou aguentar indevir com aquela árvore.
- 28:50Eu vou escrever um gênero árvore, né?
- 28:52Como é que vai sair um gênero? 11 gênero pétala, né?
- 28:56É esses dias eu estava nadando, né?
- 28:57Porque eu gosto de nadar, gosto, não faço natação por causa da
- 29:00minha coluna, então é, estava lá na piscina, eu tive uma puta
- 29:05experiência assim que eu, em um momento pensei que era um
- 29:08tubarão, na verdade, uma dor na coluna que eu virei, assim como
- 29:11se eu fosse um tubarão, aí falei, nossa, a gente, como é
- 29:13que eu vou escrever essa experiência de de vir tubarão e
- 29:16que gênero isso vai acabar? Sem gênero, né?
- 29:19Na hora, mas é um pouco isso, sabe?
- 29:21É entrar em contato, dá tempo de falar uma coisinha com.
- 29:25Certeza, dá pra ficar horas ouvindo.
- 29:27Eu tô no passando um processo assim dificílimo, porque eu tô
- 29:30com problemas na articulação, então eu tô tomando remédio,
- 29:33então eu tô meu campo de pesquisa é meu corpo, então já
- 29:35tô fazendo um Monte de pesquisa sobre dor e tal, um Monte de
- 29:38coisa, mas até acho que eu já falei, né, pra vocês, não sei se
- 29:41eu falei Na Na pra no grupo seu, mas é essa dor me fez, me fez
- 29:48pensar porquê? Eu tenho 48 anos, né, gente?
- 29:51Então eu já sei mais ou menos qual vai ser, meus problemas
- 29:53futuros e o meu problema vai ser com a articulação, porque eu já
- 29:56tive burrice, tenho dores, dói minhas juntas, sabe?
- 29:59Tive vários tipos de dores e eu acho que isso vai, vai.
- 30:02Vai me perseguir aí? No entanto, quando eu estava
- 30:05pensando sobre AO meu ponto forte o meu ponto forte é ser
- 30:10articulada. Eu sou muito bem articulada, eu
- 30:12articulo bem assim com pessoas, sabe?
- 30:15Eu faço muitas ligações, converso com converso com outro,
- 30:17junto as coisas e tal. EEE.
- 30:19Aí eu falei assim, nossa, mas se é o meu ponto forte,
- 30:22provavelmente, mas é o meu ponto fraco, porque as coisas elas são
- 30:26assim, elas não são únicas, né? Eu uso muito, então no corpo se
- 30:30manifesta como ponto fraco. Aí eu comecei a reparar porque
- 30:36eu estava escrevendo 111 livro aí esses dias EE.
- 30:39Eu estava escrevendo uns poemas, era um.
- 30:41É um livro lindo assim, nossa, é vai ser.
- 30:44Ele é todo são desenhos da Raquel matsushita e ela me pediu
- 30:48para escrever os poemas em cima dos desenhos dela.
- 30:50E são 19 poemas assim muito bonitos e quando eu estava
- 30:53escrevendo e Equador na no corpo, eu comecei a prestar
- 30:58atenção numa coisa que é meu, uma marca autoral que sempre
- 31:01esteve ali, mas nunca prestei tanta atenção que é um.
- 31:04Quebra que eu faço? Na articulação entre um verso e
- 31:07outro naquele pontinho, Luiz Jungle eu faço uma quebra
- 31:11específica que muitas vezes eu corto a palavra no meio e ponho
- 31:14111 traço como se eu tivesse separando na escola e coloco
- 31:18aqui o resto da palavra forma 2 sentidos.
- 31:21Então, na minha leitura da minha poesia, ela é uma leitura
- 31:24quebradinha, assim ó, ela pára assim, quando eu leio em voz
- 31:28alta que eu falei, nossa, está aí.
- 31:31Então eu tenho que mexer nisso. Eu vou começar a mexer nisso,
- 31:35né? Porque eu, eu vou começar a
- 31:37juntar, vou começar a prestar atenção e cuidar do meu corpo.
- 31:42Texto, porque se eu, se eu cuidar do meu corpo texto, eu
- 31:47cuido do meu corpo corpo. Essa é uma pesquisa que eu tenho
- 31:51feito faz tempo, né? 10 anos de pesquisa e que é
- 31:54construir uma espécie de uma sintomatologia do texto.
- 31:57Como é que o texto a atua diretamente no meu corpo?
- 32:01Porque o que a psicologia, né? Já estudou muito, é como o meu
- 32:05estado de espírito. Vai.
- 32:07Eu vou escrever um texto e eu vou descobrir alguma coisa só
- 32:10sobre o meu corpo lá, alguma coisa que já está aqui e vai
- 32:13aparecer no texto, mas que o texto modifica o nosso corpo.
- 32:18Se eu modificar esse texto, isso ainda não foi falado, foi
- 32:21fenomenal. Toda a minha pesquisa, não
- 32:22encontrei nada, sou eu que falo, se eu mudar a vírgula, se eu me
- 32:26da forma, eu vou ser a primeira a consumir aquele novo corpo
- 32:30transformado, então. Também vou me transformar,
- 32:34então, por isso, falar de gênero, como vocês estão falando
- 32:36junto com literatura, é algo fundamental que a gente está
- 32:39falando de saúde. Nossa.
- 32:43Eu falei que IA explodir a. Cabeça 2.
- 32:45Ah, é muito louco, só complementando o dela, por
- 32:47exemplo, eu tenho esse processo para escrever.
- 32:50Eu preciso realmente colocar alguma coisa para dentro do
- 32:52corpo, então, tipo, álcool, alguma coisa assim para sair, se
- 32:55não, não sai, fica truncado. Eu leio aqui, eu falo, nossa,
- 32:58que bosta, que isso que eu estou escrevendo isso daqui não
- 33:00presta, joga massa fora, mas quando eu faço esse processo de
- 33:03ingerir coisas para dentro do corpo, sai muito mais
- 33:05naturalmente eu conversando com a minha terapeuta sobre isso, eu
- 33:08falei, nossa, porque que eu fico me castigando, né?
- 33:10Uhum, colocando coisas para dentro do corpo, lembrar até uma
- 33:12vez, por exemplo. Eu estava na cozinha, eu falei,
- 33:14eu preciso escrever, eu preciso escrever, mas não saía.
- 33:16Aí eu vi um cigarro da minha mãe, assim eu não fumo, né?
- 33:19E aí eu lembro que eu fumei assim, escrevi, parece um Chico
- 33:22Xavier. Aí eu falei, nossa, por que que
- 33:24eu tenho que fazer esse processo de castigar o corpo pra depois
- 33:27sair algo pra olhar pra aquilo e falar, Ah, entendi, porque que
- 33:30eu tô sentindo isso no corpo e agora tá transparecendo aqui no
- 33:33papel muito louco assim, processo.
- 33:35Legal, isso que você me trouxeram.
- 33:37Vocês trouxeram um espaço até da gente sair um pouco da escrita.
- 33:39Fica pensando só enquanto papel e da escrita.
- 33:42Eu lembro que o Marcelino falava um pouco isso do escritor sai do
- 33:44sofá. Que a gente às vezes vai pensar
- 33:46na escrita e a gente pensa nesses processos de inspiração
- 33:49só a partir da leitura, eu, sentado no sofá eu refletindo,
- 33:52sendo reflexiva, e vocês estão trazendo muito isso da escrita.
- 33:55Enquanto uma inspiração que também é movimento.
- 33:58Que parte desse encontro do corpo.
- 33:59Eu sei que a Maria Victória fala muito que às vezes gosta de
- 34:01estar na cidade, de ir pro bar, de ir para algum lugar, escrever
- 34:04Jerusa está trazendo isso tudo, Ah, a experiência dela ali.
- 34:07Então na natação, uma é uma dor, algo nas costas, como é para
- 34:10vocês então buscar essa experiência externa a partir do
- 34:13movimento onde vocês encontram esse tipo de impulso para
- 34:16escrever? Olha, eu.
- 34:18Você me vê na rua? Assim, por exemplo, assim estava
- 34:21no metrô no horário de rush. Tipo, parece loucura, mas não é.
- 34:26Às vezes eu faço, fazia muito mais isso antes do que agora,
- 34:28quando eu tinha mais tempo, mas às vezes tipo sem tal tipo
- 34:31fervilhando ao mundo, a vida e tirar um caderno sempre no
- 34:35caderninho e caneta na bolsa e tal, e sentar no meio do metrô
- 34:38assim de cantinho, olhar para tudo aquilo, falar agora,
- 34:41cheguei no meu escritório, agora cheguei no meu escritório, eu
- 34:44vou aceitar bonitinho aqui e escrever e escrevendo sobre
- 34:47qualquer coisa, sabe? Precisava sair esse processo de
- 34:49movimento. Eu gosto.
- 34:51Muito de no viaduto do chá, por exemplo, no horário de rush.
- 34:54Assim também olhar para aquela Bandeira, assim, sem ficar bem
- 34:56no meio do do viaduto. Olhando assim para a Bandeira do
- 34:59Brasil recheada e chorar horrores, né?
- 35:01Porque eu sei que é um processo que eu preciso.
- 35:03Quando eu vou lá. É um processo que eu preciso me
- 35:04reencontrar. Aí eu vou, choro horrores que eu
- 35:07sempre ando com um lencinho de velho no bolso, né, pra enxugar
- 35:09lágrima e tal. Aí eu choro.
- 35:11Depois que eu termino de chorar, eu saco o caderninho e escrevo e
- 35:15às vezes, para um passa tipo, vira e mexe passa.
- 35:16Moradores de rua, por exemplo, e a gente começou a trocar ideia.
- 35:19Ele quis sair escrevendo, Ah, eu estou escutando sobre isso, pô,
- 35:21você acredita que eu sempre quis ser escritor e a gente começa a
- 35:25bater o maior papo e tal que não sei o que que você quer que a
- 35:27vida me derrubou? Aconteceu tal tal coisa?
- 35:29Eu falei, é, cara, essa crise que eu sou assistente, né?
- 35:31Me permanece assistência social e tal.
- 35:33Aí ele, pô, você tem cara mesmo, mas é muito mais escritora do
- 35:35que assistente social, né? E aí a gente vai bater no meu
- 35:38papo, mas está na cidade, nesse movimento, no metrô, na hora de
- 35:40rush, eu gosto tipo de embuteco também, sabe, aqueles em boteco
- 35:44risca a faca, não aquela coisa, guru meio bonitinho é, eu
- 35:46preciso realmente ir naquele risca a faca, um barulho, um
- 35:49caos, porque aqui eu me coloco realmente no aquário em silêncio
- 35:52e é muito mais fácil de sair se eu for num lugar bonitinho e uma
- 35:55biblioteca, uma coisa silenciosa, tudo bonitinho, não,
- 35:58não vai. Sair, eu preciso realmente estar
- 36:01no meio do caos, a minha escrita, ela precisa surgir no
- 36:03meio do caos, porque ali é onde que eu sou, onde que eu
- 36:05realmente fluo mais naturalmente, se eu tentar ir
- 36:08para outros espaços e. Muito mais calmo, tranquilo,
- 36:11gonetizado não vai sair nada. Esse sair vai ser muito ruim.
- 36:14Vai ser uma coisa forçada que eu não sou, então estar na cidade,
- 36:17no movimento. Realmente, quanto mais no meio
- 36:19do caos e falar com pessoas diferentes e sair da minha zona
- 36:22de conforto, muito quando a gente tem essa perspectiva
- 36:25também. Ah, pra você ser escritor tem
- 36:27que ser aquele, né? Canal, senhor branco, uma casa,
- 36:30um Chalé no meio do campo, tá naquele processo bonitinho pra
- 36:33depois sair um romance. Não, eu preciso estar no meio do
- 36:35caos porque aqui dá pra sair um romance muito incrível, uma
- 36:37poesia, uma crônica, um ponto, o que quer que seja, mas é no caos
- 36:41realmente que a minha escrita e a minha literatura floresce.
- 36:43Mas você falou só antes da gente falar, você falou que é estarem
- 36:48fora do do seu conforto. Talvez seja o seu lugar de
- 36:51conforto, né? A gente não sabe qual é, OOO
- 36:54conforto às vezes é. Eu achei muito engraçado também,
- 36:57né? Conhecendo mulheres escritoras
- 36:59que muitas falam assim, Ah, é, é?
- 37:02Eu. Eu vim aqui escrever às vezes
- 37:05vai para um coletivo, vai fazer, eu vim aqui escrever para sair
- 37:07da zona de conforto, mas elas estão justamente entrando num
- 37:11lugar confortável, porque se elas estão buscando escrita, é
- 37:14um lugar confortável. Eu costumo falar.
- 37:16Lugar quentinho, a literatura é o meu lugar quentinho.
- 37:18Seja ela é de que gênero for, mas eu acho que tem a ver com
- 37:22isso, né? A gente às vezes olha e acha que
- 37:24comumente é um lugar de desconforto, mas é o seu lugar
- 37:27de conforto, né? E é o seu processo também.
- 37:30Mas e aí, gê, como esse estar no mundo te afeta?
- 37:34Olha, eu tenho uma coisa que eu eu não tenho caderninho, sabia?
- 37:38Nunca tive cada vez não, não tem caderninho.
- 37:42Eu fujo da escrita como o diabo foge da Cruz, porque quando
- 37:45alguma coisa me pega, Ah, eu eu até leio pouco hoje, né não?
- 37:49Não que eu leio pouco, leio muito porque eu trabalho com
- 37:51isso, né? Mas quando alguma coisa me pega
- 37:54eu falo, ai meu Deus, o seu livro ou o livro não é muito
- 37:57bom, eu deixo ele ou o livro, ele é ótimo e ele vai me fazer o
- 38:00abandoná-lo, porque eu vou querer escrever, então
- 38:02geralmente é. O que me pega é 11 imagem que,
- 38:08de algum modo, caia aqui na em mim dentro.
- 38:12EEE se conecta com alguma experiência minha significativa,
- 38:16né? Então tem algumas experiências
- 38:17significativas, algumas vivências minhas e de repente,
- 38:21aquilo é. É como se fosse uma semente.
- 38:24Assim que um passarinho lança ali e geralmente é, é coisa
- 38:28dolorosa, é meio dor, não era muito bom, mas também sou da
- 38:32igual a você risca a faca. Eu gosto muito mais disso, então
- 38:36é, é. Mas não dá pra prever.
- 38:39E eu também não. Não quero, sabe?
- 38:42Na verdade, eu, eu por mim não, não gostaria.
- 38:44De não quer saber? É, não, eu também não gostaria
- 38:47de ficar escrevendo, porque na verdade, eu gostaria de estar
- 38:49vivendo muito mais. Se alguma coisa me pega, eu vou
- 38:53ter que parar tudo e ficar lindo.
- 38:55Uma solidão tomando vinho e escrevendo até aquele negócio
- 38:59sair, né? Então verdade, é o meio
- 39:01angustiante pra mim. No meu caso eu prefiro mais, tá?
- 39:05Trabalhando, sei lá, ganhando dinheiro, conversando com meus
- 39:09amigos e tal, mas aí eu vou e fico escrevendo, então tem.
- 39:14É geralmente é isso. Acontece quando algo assim olha,
- 39:17ontem eu estava, por exemplo, lendo um livro.
- 39:20Que é o livro da Djamila Jamila Pereira sabe, uhum.
- 39:25Jamila Pereira, uhum. Ela escreve, tem um livro que
- 39:28chama visão das plantas, né? Um romance lindo.
- 39:30Mas eu estava lendo um livro dela que chama o que é ser uma
- 39:34escritora negra? Hoje, de acordo comigo, nome do
- 39:38livro, um livro de ensaios, você conhece?
- 39:40Esse ainda não. Esse é maravilhoso, é.
- 39:43E aí ela trouxe uma imagem assim, uma imagem incrível que
- 39:48quando ela está num trem. EE um cara chama ela de puta,
- 39:52porque ela está com o namorado dela, que é um branco, e aí ai
- 39:58falar. Silvio, se eu falar isso, eu vou
- 40:00chorar. Eu já falei isso.
- 40:01Já li esse texto hoje para os alunos, estava dando aula agora
- 40:04há pouco e eu não aguentei e chorei na hora, porque porque
- 40:07isto está ficou, sabe? Então ela diz assim, que.
- 40:10Tudo o que ela escreve, ela está correndo.
- 40:13Ela está correndo desse homem. Ela está correndo dessas
- 40:16palavras, desse homem que ela escuta ele o tempo inteiro
- 40:19berrando atrás delas. Essas palavras, puta.
- 40:23Nossa, eu e eu, roto, eu estou arrepiada, né?
- 40:26Isso caiu aqui e tocou em algum lugar que eu já sei onde é que
- 40:31tocou pá. Então vai ficar.
- 40:34Não tem um caderninho não, não anoto nada.
- 40:37Mas isso aqui vai ficar maturando, maturando, vai vir
- 40:39uma palavra, daqui a pouco vem uma palavra e aí essa palavra
- 40:42vai juntar a outra, vai juntar, vai vir uma frase em algum
- 40:45momento vai vim não sei quando a hora que vim também eu não vou
- 40:49esquecer essa frase aí vai passar tempo, talvez eu fale
- 40:53não, não quero mexer com isso agora tal vai passar um ano aí?
- 40:56Vai, ela vai descer em algum momento e aí eu vou escrever um
- 41:01livro. Então já sei, sabe, é assim que
- 41:03funciona, ele vem, ele fica, parece um vírus, sabe?
- 41:07Maturando ali, né? Eu não, maturando, maturando.
- 41:09Quando vem vem tudo de uma vez. Uhum.
- 41:12Uma psicografia quase, né? Quase uma.
- 41:14Psicografia, eu achei muito legal que vocês falaram do
- 41:18corpo, porque eu tive um insight numa aula de ioga.
- 41:21Eu sou uma ótima aluna de primeiras aulas de ioga, não
- 41:24consegui muito adiante, né iogur?
- 41:26Mas eu sempre estou fazendo ioga.
- 41:27Que nem eu no inglês do verbo To Be.
- 41:30Exatamente. Tudo aí está ótimo, mas eu
- 41:33estava uma vez numa aula que eu eu ganho uma aula.
- 41:36É muito engraçada e eu ganhei uma vez uma aula, uma série de
- 41:39aulas. Eu estava fazendo essa aula e eu
- 41:40estava lá tentando fazer o meu Asana e aí a professora era uma
- 41:44aula particular e a professora falou assim, lembre-se que um
- 41:47corpo flexível é resultado de uma mente flexível, e o meu
- 41:51problema na yoga é a flexibilidade.
- 41:53Eu sou ótima com equilíbrio, fico nas posições de equilíbrio,
- 41:57uma maravilha, mas flexibilidade é péssima.
- 41:59E aí eu comecei e Sério, isso explodiu minha cabeça porque eu
- 42:02falei, gente, ela não tá falando.
- 42:04Do Arsenal, ela está falando de mim e da minha vida e da minha
- 42:07escrita, e eu já estava no processo de escrita do livro e
- 42:11eu entendi que eu estava muito inflexível com o que eu estava
- 42:14escrevendo com os meus processos e tudo mais.
- 42:17E aí eu falei, eu, mais ou menos o teu pensamento, se eu me
- 42:21flexibilizar, né? A mente AO meu corpo também vai
- 42:25ficar mais flexível, né? Dentro desse processo e, enfim,
- 42:29foi 11 lance que eu comecei a pensar e aí eu comecei a
- 42:32refletir sobre isso. Eu falei, claro, mas eu trabalho
- 42:34com preparação de texto, com revisão, é uma coisa que é uma
- 42:37regra. Eu tenho que colocar ali, mas.
- 42:40Queria que vocês falassem um pouco sobre como ter.
- 42:44Eu acho que a GE já falou em algum momento, mas e queria que
- 42:47vocês falassem um pouco mais. Como a gente se sente
- 42:50atravessado pela experiência, mas não se sente consumido Por
- 42:53Ela também, né? Porque é um pouco isso.
- 42:55Eu trabalho com revisão, mas os meus textos não precisam ser
- 42:58inflexíveis ou né reduzidos limitados.
- 43:02Vocês acham que tem algumas saídas?
- 43:05Sim. Se eu, por exemplo, eu escrevi
- 43:07um texto de um livro inteiro de luto, eu não.
- 43:09Eu escrevi esse livro chorando, uhum.
- 43:11Eu encontrei formas de sair dessa dor EE acessar a dor e às
- 43:16vezes sair dela para escrever como que é isso para vocês?
- 43:19É antes de vocês seguirem, deixa eu só completar enquanto vocês
- 43:21pensam, olha como as experiências são diferentes.
- 43:23Você falou disso de Ah, o corpo flexível a partir de uma mente
- 43:26flexível. Eu sou muito flexível, mas eu
- 43:29tive uma flexibilidade imposta. Eu fiz ballet desde 4 anos de
- 43:32idade e era uma flexibilidade. Assim.
- 43:34Pôs a perna aqui, a professora ficava com um cigarro aqui em
- 43:37baixo. Se você soltar a mão e a perna
- 43:40descer, vai no cigarro. Eu espero que ela esteja preso.
- 43:44Era. Eram esses Mini terrorismos e
- 43:46você realmente sustentava tá a perna não vai caindo, vai ficar
- 43:49aqui e aí, hoje eu sou muito flexível, só que não é.
- 43:51Não foi uma flexibilidade tão interna.
- 43:53Ela Foi. Adquirida aí eu fiquei pensando
- 43:57nisso, nas experiências, como, como que a gente chega nas
- 44:00experiências de formas diferentes, né?
- 44:01Até flexibilidade, ó, a gente tem flexibilidade a partir de
- 44:04outros pontos de partida, né? Isso é um terrorismo.
- 44:09Já dá dor com esse método? Parece que eu sei que o.
- 44:12Pessoal, vai usar o. Livro, daqui a pouquinho eu
- 44:13estou só no aguardo na. Dia 18 de novembro.
- 44:17Não sei quando vocês vão ouvir esse episódio, gente, mas se
- 44:19houver ter sido lançado, ou você vai ser antes ou depois, mas aí,
- 44:22olha baixo Paraíso. Eu vou lançar esse ano pela.
- 44:25Adiantaria, né? Estou sabendo tudo.
- 44:28Então vamos ver como que essa flexibilidade se inscreve na sua
- 44:32narrativa. Ai, meu Deus.
- 44:34Imposta ou não, é? É isso.
- 44:39Mas. Olha essa questão.
- 44:40Ah, texto. Do corpo de de ser atravessado
- 44:44por uma experiência, mas não deixar ela, porque assim também
- 44:47se a gente ser atravessado, for atravessado por uma experiência
- 44:51EE ficar nelas. A gente escreve, a gente não sai
- 44:54dali, né? Nem nesse momento em que a
- 44:56inspiração inteira vem e que vocês pensam disso?
- 44:59Olha, massando pra esse lado assim eu, eu.
- 45:03Eu vejo nos meus textos, por exemplo, mais literários que
- 45:07eles têm muito uma repetição, às vezes de cenários e situações.
- 45:11Como que eu escrevo muito a partir de contextos sociais?
- 45:13Por ser uma mulher negra, né, de?
- 45:15Sociedade cinza, por exemplo, eu vejo que tem muita dessas
- 45:18assimulações sempre, tipo perspectivas, eu encontro uma
- 45:21mulher negra transitando pela cidade, mas também outras
- 45:23pessoas negras, né? Nos contextos diferentes e como
- 45:26isso se repete dentro do texto, todos os processos de violência,
- 45:30de racismo e não sei o quê, não sei o quê, não sei que lá, mas
- 45:32às vezes eu tento fugir um pouco disso, porque isso é muito
- 45:36cansativo. Né?
- 45:37Sempre se colocar nesse, estar nesse lugar e sempre ser sofrer
- 45:41violência por esses espaços, por pessoas e, et cetera, et cetera.
- 45:44Isso é muito cansativo. Eu conversando com o mitorado
- 45:46meu ontem, por exemplo, eu falei, ó beleza, eu sou uma
- 45:49mulher negra, sou escritora, mas eu não quero só falar,
- 45:52trabalhar, pautar todo o meu trabalho, toda a minha escrita
- 45:54em cima disso, né? As pessoas chega em novembro.
- 45:56Eu nem Ah, porque você não fala disso, você não fala aquilo
- 45:58porque eu não quero, entende? Eu não quero pautar toda a minha
- 46:00vida, toda a minha escrita só em cima disso.
- 46:02Tudo bem, todo mundo já tá vendo que eu sou uma mulher negra, eu
- 46:04não quero sempre estar falando sobre isso, fazendo a reforma
- 46:07reafirmações ou sempre, só tipo questões de militância, porque
- 46:10militar cansa. E se vira uma prisão também.
- 46:12Exato. Eu acordar já é um processo
- 46:14realmente, tipo de militância realmente estar viva já é um
- 46:16processo subversivo, sabe chegar onde eu cheguei?
- 46:19Eu olhar nesses espaços e não ver outras escritoras pretas
- 46:22como eu, sabe não ver outras mulheres negras, tipo, tendo sua
- 46:24própria empresa, nem estreiamente ou está em outros
- 46:27espaços e eventos. Quando eu fazia muito oficina de
- 46:30escrita, por exemplo, eu sempre me chateava que eu era a única
- 46:33mulher negra naqueles espaços, escrevendo literatura.
- 46:36Isso me deixava muito puta. Eu falei, pô, já faz muito tempo
- 46:39e ainda se permanece nisso, né? E eu gosto, às vezes, de tentar
- 46:43fugir disso. Eu falei, pô, beleza, foi o
- 46:46lugar que me colocaram, mas eu não tenho que ficar aqui, eu
- 46:48posso ir para outros cantos e fazer outras coisas, por isso
- 46:51que eu comecei muito também. Escrever na literatura porque eu
- 46:54queria me explorar de formas diferentes para entender,
- 46:57beleza? Se eu for tentar vir verde
- 46:59literatura, eu vou ser não, ó, vamos falar um comordar mais a
- 47:02Vitória para falar da escrita dela.
- 47:03Encontro uma mulher negra aqui escreve, uhum.
- 47:06Eu não quero só isso, eu não sou só uma mulher negra que escreve,
- 47:08entende? Eu quero estar nessas Vitória,
- 47:11que é bem sucedida na escrita que vive da sua própria escrita,
- 47:13que tem a sua própria empresa, né?
- 47:15E que tem as pessoas que trabalham com ela e não sei o
- 47:17quê que ela tá transformando vidas construindo o legado dela
- 47:19com outras perspectivas. Então eu fui muito também fugir
- 47:23desses espaços que me colocaram e tirar só novos rumos e falar
- 47:26eu posso ser outras coisas além disso que falado que eu deveria
- 47:29ser, sabe? Então acho que é escrita,
- 47:30reverbera muito também nesse espaço e quando eu fugi um
- 47:33pouquinho disso eu falo, eu não preciso estar nessas.
- 47:35Zona de conforto ou não estar em lugar nenhum desincomodados eu
- 47:39posso explorar outras possibilidades para além do que
- 47:41as pessoas falam que eu não deveria explorar, sabe?
- 47:44Sim, e ainda assim com a escrita, né?
- 47:46Exato, nossa, tô ouvindo e nossa, tô seguindo você ali.
- 47:52Nada com você, porque é isso. A gente precisa encontrar EE
- 47:55você diz que encontrou isso não escrevendo só literatura, né?
- 47:58Escrevendo outros tipos de texto também.
- 48:00EE eu tive uma experiência assim logo depois que quando eu
- 48:04comecei a escrever pensando em escrever alguma coisa de
- 48:07literatura e hoje para mim tudo é literatura, tá, gente?
- 48:10Quando eu falo, escrevo literatura, é tudo, tudo, até
- 48:12isso aqui. Assim porque é vida, né?
- 48:14A vida é AA construção da da vida, como o maior vale de arte,
- 48:17né? Hum-hum é o lema, né?
- 48:19EE eu comecei a escrever artigos científicos e mandar para
- 48:24revistas, né, e. Só que os artigos já estavam
- 48:28diferentes do que eu mandava antes, então, tipo, estava lá,
- 48:31de repente, uma quebra. Capítulo lá não sei lá o quê.
- 48:36O silêncio deixa página em branco então e isso foi foi
- 48:41difícil no começo, né? Foi difícil porque as pessoas
- 48:43não, mas isso aqui não não está nas regras, né?
- 48:46Nas regras da BNT, só que é você.
- 48:50Insisti, né? Que eu acho que encontrar esse
- 48:52lugar é você insistir você insistir, então também me renda
- 48:56um pouco aqui, faço um jogo aqui porque tem que fazer o jogo.
- 49:00A gente tem que fazer o jogo para estar nos lugares e quanto
- 49:02mais você vai se apropriando e ocupando lugares, mais a sua voz
- 49:06vai sendo ouvida. E quando você vê, você está no
- 49:09momento que você está fazendo o que está fazendo e está bem ali,
- 49:12não é? Isso é para falar que me veio
- 49:16quando você estava lendo quando estava falando, mas quando a
- 49:20Tati pergunta, né, o que fazer para não sucumbir a página, né?
- 49:23Não sucumbir? Então, aí é a questão da
- 49:25literatura para mim. A literatura como esse, esse
- 49:29fármaco, né, que eu chamo de veneno e remédio, né?
- 49:33Porque ela pode tanto nos é nos salvar, como pode nos matar, né?
- 49:37Porque a literatura, ao mesmo tempo que você pode ali colocar
- 49:41as suas suas dores e você conseguir sair daquilo através
- 49:44da escrita de um texto, você pode se fixar também se fixar
- 49:48num personagem. Vítima, né?
- 49:50Quando quando a gente escreve diário, às vezes a gente fica lá
- 49:53se fixando naquele personagem, se fixar num super-herói e aí
- 49:57você carregar o peso do mundo nas costas.
- 49:59É a militância, como você está dizendo, então ela também.
- 50:03Ela tem essa porção de veneno, né?
- 50:05Mas a literatura tem 2 antídotos assim maravilhosos, que é a
- 50:11ficção e a poesia. Então, quando você vai para o
- 50:14texto, mesmo que você vai falar de uma experiência pessoal, né?
- 50:17Como tudo é, tudo passa pela experiência pessoal, né?
- 50:20A imaginação é um processo aqui que que você vai flexibilizando
- 50:26questões que são fixadas no seu corpo, mas quando você está no
- 50:30papel e. Escrevendo e fala assim, nossa,
- 50:34é ficcional, isso aqui eu posso trabalhar com a ficção aí.
- 50:38Você tem Liberdade, você não precisa ser coerente com aquilo
- 50:42que aconteceu. Você pode agenciar da do seu
- 50:45modo aquela situação. Então você, se você vê que você
- 50:48está caindo no fundo do poço e que não precisa ser, não é o
- 50:52confissionário. Não é o consultório de
- 50:54terapeuta, né? Então essa é a grande mágica da
- 50:58da escrita criativa, escrita curativa.
- 51:00Como eu vejo, não. Não é confessionário, não é o.
- 51:06Oo consultório de psicalista que foucault vai dizer que essas
- 51:10coisas são meio meio parecidas, né?
- 51:12Ele vai, ele vai colocar na história de sexualidade o
- 51:14bordel. Que deu origem, né?
- 51:17Vamos dizer assim, numa linha do tempo primeiro bordel, onde você
- 51:20vai falar os segredos sujos ali e tal, confessar seus desejos
- 51:24íntimos, depois o confessionário e depois o consultório do tempo.
- 51:30Psicanalista, né? Um terapeuta, então, e até o
- 51:32divã tem, né? Até o divã do bordel.
- 51:34Ele, ele, ele, vem, então é você pensa, tá, a página não é nada
- 51:40disso, a página é um por fazer corpo é um é um, é um lugar
- 51:44novo, né? É uma nova história que se que
- 51:47se processa aqui, então pra mim. É.
- 51:50É um pouco isso. Não, não se deixar sucumbir a
- 51:53saber que eu posso agarrar na mão da ficção, agarrar na mão da
- 51:56poesia e respirar mais forte, né?
- 52:00Não sei se se relacionam de alguma forma.
- 52:01Por exemplo, eu sou do teatro também.
- 52:03Eu escrevo, sou do teatro. Acho que isso dialoga um pouco
- 52:05com o trabalho da tua. O trabalho de ator, ele vai
- 52:07trabalhar o personagem e mostrar que ela é emoção.
- 52:10Ele vai trazer aquilo no corpo, mas ao mesmo tempo ele não vai
- 52:12poder sucumbir, a gente não vai. Imagina assim quando você está
- 52:15fazendo um trabalho de ator nos ensaios e nos dias de
- 52:17apresentação do espetáculo, você for sucumbir a uma experiência
- 52:21pessoal sua que você trouxe, por exemplo, para chorar, vou
- 52:24reviver um luto a cada vez que eu for ter que chorar para fazer
- 52:27aquele papel, você não vai aguentar, vai ser um desastre
- 52:29para o, para o ator, você está ali naquele, naqueles meses de
- 52:31ensaio, meses de espetáculo, então você tem que descobrir
- 52:34essas outras formas de conhecer o personagem, conhecer esses
- 52:37espaços que vão ao redor dele para trazer isso ali para o
- 52:40corpo, para a cena, sem sucumbir, sem dentro.
- 52:43Está dentro daquilo de vez, mas teve algo muito legal que você
- 52:45falou que você falou da gente se fixar em personagens.
- 52:48Eu acho que a gente às vezes faz isso na própria vida.
- 52:50A gente cria personagens para a gente, nem só na ficção.
- 52:53Quando você está escrevendo o texto, você cria esses esses
- 52:56personagens para si, né? Por exemplo, ai não sei, Ah, eu
- 52:59sou AAA, pessoa esquecida e avoada, e quanto mais eu crio
- 53:04isso, as pessoas me reforçam isso.
- 53:05Vocês fixa nesse personagem, isso vai virando um sofrimento,
- 53:09então talvez entendesse o lado na literatura, isto pode ajudar
- 53:11a gente, até a entender como se se desfixar desses personagens
- 53:15na, na realidade, fiquei discutando é que agora e
- 53:18pensando nossa vou pegar pra mim aqui várias coisas EE.
- 53:20Isso é pior à medida que a gente vai ficando um ótimo escritor.
- 53:24Que vai encontrando reconhecimento, a gente vai
- 53:27fixando o mesmo personagem porque olha, ela é a escritora
- 53:31que fala da causa social e aí você fala nossa e ela fala bem,
- 53:34então eu vou falar mais da causa social, é a minha voz, né?
- 53:37Você quando vê, você vira só isso e vão reforçando e meu
- 53:40Deus, é cada. Vez, eu acho que a escritora é
- 53:42uma persona, né? A gente é uma personagem
- 53:45editora, e eu falava disso muito com uma amiga minha que escreveu
- 53:49um livro sobre solidão das mulheres lésbicas, né?
- 53:51A Gabriela soutello e eu estava escrevendo um livro sobre a
- 53:54morte e aí ela falou assim, ai, a gente tem que cuidar para eu
- 53:57não ser AA sapatão sozinha. E você a?
- 54:01A, né? Aqui só fala de morte, porque
- 54:04assim o meu o eu percebo isso. O meu segundo livro que eu estou
- 54:06escrevendo não tem nada de morte, ninguém morre quase.
- 54:10Muito. Fácil.
- 54:11Mostre uma história longa, alguém tem que morrer, mas assim
- 54:14não toca nisso, né? Não?
- 54:16Foca no luto também. Eu acho que tem essa coisa da da
- 54:20da escritora ser uma persona. Eu, como escritora, não sou
- 54:23igual, eu sou na minha casa e tal.
- 54:25Tem um. Né?
- 54:25Você sobe num palco para fazer um evento literal, você já é
- 54:28outra pessoa, né? Você está assumindo ali, mas
- 54:30também de não cair nessa fixidez associação é fixação dos
- 54:36personagens da né? Dos temas dos gêneros, né?
- 54:40Já que a gente tá falando de gêneros, né?
- 54:43Uma eu acho muito bonito assim, quando um escritor tem uma obra
- 54:47em prosa, ele lança um livro de poemas, eu quero ler esse livro
- 54:51porque eu falo, cara, ele tá escrevendo um poema e nunca
- 54:53escreveu. E o que que tá ali, o que que
- 54:55não foi dito, né? Nesses livros anteriores que
- 54:59não. Ocupou espaço, não ocupou corpo
- 55:01dentro desse dessa prosa e que foi pra poesia?
- 55:05E aí eu IA. Terminar, porque ele se permite
- 55:08também, né? Ele se permite.
- 55:09Que é uma Liberdade não só da da literatura, mas a gente tem
- 55:12pensado até uma Liberdade de ser outras pessoas, ser quem se
- 55:15experimentar de outras formas. Em relação à idade também, né?
- 55:18Porque eu fico pensando nisso? Tudo isso que a gente tá
- 55:21falando, eu acho que tem uma questão da maturidade, né, da
- 55:24gente olhar para o próprio corpo, olhar para o próprio
- 55:26processo, ouvir uma coisa e associar isso à escrita.
- 55:30Então, às vezes, depois de muito tempo escrevendo alguma coisa,
- 55:32você quer escrever outra? É um processo de
- 55:34autoconhecimento, né? Sobre tudo assim, de
- 55:37desconhecimento, eu falo de desconhecimento.
- 55:39Desconhecimento porque a gente fica lá, autoconhecimento,
- 55:41autoconhecimento, a gente. Tem 1 hora que a gente tem que
- 55:43se desconhecer, eu só. Literatura esse esse do se
- 55:46desconhecerem, acho que é. Muito sinside, aquele dialoga
- 55:50muito comigo, por exemplo, vindo para São Paulo que eu senti.
- 55:53Se eu era uma pessoa em Brasília e que já tinha uma pessoa que
- 55:56que também é aquilo que a gente estava conversando, alimentava
- 55:58muito isso aí você muda de cidade, você pode partir de um,
- 56:01de uma premissa de não. Eu não preciso ser aquela
- 56:04pessoa. Ninguém me conhece aqui, então
- 56:06eu posso me desconhecer e inventar aqui que experimentar
- 56:09quem eu quiser. Ter um outro nome, se você
- 56:11quiser, e é uma, é uma outra vida.
- 56:14EE realmente assim, né? Eu acho que eu sou muito a favor
- 56:17do desconhecimento, muito a favor, assim eu quero me
- 56:20desconhecer e é isso. Mas eu queria entender com vocês
- 56:24como que, como que essa relação com quem está lendo, porque a
- 56:28gente escreve para ser lida, né? E como que essa questão dos
- 56:31géneros e da escrita é é, quer dizer, a recepção desses gêneros
- 56:36e dessa escrita é chega lá na frente, vocês pensam no leitor,
- 56:41enquanto vocês estão lendo, vocês pensam em subverter essas
- 56:44linguagens e pensar, Ah, mas isso vai ser lido, isso não vai,
- 56:47isso vai ser entendido ou não vai ou não, isso é totalmente
- 56:50descolado. Olha, quando eu escrevia mais
- 56:53literatura, eu pensava muito nisso, né?
- 56:55Que a gente tem esse anseio. Eu quero ser lida e tipo, como
- 56:58isso vai revernar, né reverberar no outro e tal, e aí lá eu acho
- 57:01que eu vou tentar descrever desse jeito, porque vai ser mais
- 57:03aceitável, né? Se eu realmente ser eu assim,
- 57:07pode ser que as pessoas estranham e não queiram ler,
- 57:08porque puta, o Brasil ninguém lê e fica nessa nessas neuras sem
- 57:12necessidades, né? E aí eu descolei muito isso de
- 57:14novo, quando eu vim para anão literatura, porque a gente tem
- 57:17outros objetivos, né? É muito pensar, porque que eu
- 57:20quero realmente, qual que é a minha intenção com esse texto?
- 57:22Eu quero, sei lá, chocar, eu quero fazer sofrer, eu quero o
- 57:26que que eu quero? Qual que é o processo de
- 57:27transformação ou de destruição que eu quero causar com esse
- 57:31texto? E quando eu vim para um processo
- 57:33de não literatura, eu comecei a colocar mais isso realmente, eu
- 57:35vou ter essa intenção, qualquer intenção de chocar, beleza, eu
- 57:39vou explorar essa vertente, eu tenho a intenção de dermar
- 57:42lágrimas, eu vou fazer isso, porque quanto mais eu faço isso,
- 57:45mais boa eu vou me tornando, né? Uma escritora muito melhor,
- 57:48porque eu sei versar sobre outros tipos de escrita, eu
- 57:51consigo me explorar de forma diferente.
- 57:53Mas quando eu escrevi a literatura, não.
- 57:54Eu ficava muito preso numa caixinha, então o poema, né?
- 57:58Aí tem que ser uma coisa rimada, né?
- 57:59Ah, um poema de amorzinho bonitinho, rimado.
- 58:02Eu sempre via por que que o poema tem que falar sempre sobre
- 58:04amor, sobre romance, por que que ele não pode ser coisa feia, né?
- 58:07Coisa triste, suja, suja, pervertida, por que que ele não
- 58:11pode ser isso? Então eu vim quebrando muito
- 58:13isso. Eu lembro de um quando eu
- 58:15escrevia muito no blog, por exemplo, eu sempre, tipo eu lia
- 58:19muita coisa, 2 linhas, falei não, a pessoa não está sendo
- 58:22sincera. Nessas 2 primeiras paradas, ela
- 58:24tipo, não É Ela sabe e eu abandono muito o livro muito
- 58:27texto, porque cada isso daqui não está, não é você ainda você
- 58:31não quis dizer isso, você está, porque você está dentro desses
- 58:34moldes, porque aí você está pensando no leitor, porque aí
- 58:36você Ah, você escrever para o outro, eu vou conseguir tipo
- 58:38vender esse livro, fazer tal coisa, isso me irrita muito,
- 58:42tinha um texto no meu blog, eu falava tipo, me deixa queimar o
- 58:44arroz no fundo da panela? Eu quero ler alguma coisa.
- 58:47Que tipo o arroz tá no fogo e aquilo vai se queimar porque
- 58:49isso aqui tá muito bom, isso aqui realmente tá me devastando
- 58:51de um jeito, mas tá me trazendo insights ou tá me destruindo ou
- 58:55me modificando. Eu preciso disso, isso é muito
- 58:57mais real, acho que é por isso também a minha escrita é muito
- 59:00impactada. A partir desse momento, porque
- 59:02tudo que eu escrevo tem que ser a partir dessa coisa crua, nua e
- 59:05crua, é muito mais real, então eu tenho muito processo de
- 59:08abandono, tipo tanto livro, texto, qualquer coisinha de
- 59:11internet também, eu vou abandonando porque eu não
- 59:13consigo dar continuidade em uma coisa que eu vejo que a pessoa
- 59:15não tá sendo ela mesma, sabe? A gente identifica.
- 59:18Faz mais de 10 anos fazendo isso daqui, escrevendo, então a gente
- 59:20consegue fazer esse processo de identificação, mas quando eu
- 59:23saio um pouquinho da da literatura eu falo, Ah,
- 59:26independente de quem vai reverberar, qual que é o meu
- 59:28objetivo com esse texto? Sei lá, é vender, é comunicar, é
- 59:31atrair o que que eu quero com isso?
- 59:33E aí eu fui me tornando muito boa nisso e por isso que eu só
- 59:36tô onde eu tô, porque eu fui explorando outras formas de
- 59:38escrita e lei de pensar ai meu Deus, como que eu quero que esse
- 59:41leitor olhe e eu preciso muito ser lida?
- 59:44Eu tinha muito esse processo quando eu decidi não ficar, aí
- 59:49dinamizar com a literatura, mas eu lembro que eu escrevia,
- 59:51sempre postava no Facebook, né, que eu sou tipo de Orkut.
- 59:54EICQMSN. Eu sempre vim escrever muito na
- 59:57internet, mas uma vez em específico, eu escrevi um texto,
- 1:00:00achei que IA dar super Mano um texto literário.
- 1:00:02Agora vou me descobrir agora acompanhando as letras.
- 1:00:06E agora vai surgir. E tal interesse fica, todo mundo
- 1:00:09vem. Eu postei no Facebook, tipo, deu
- 1:00:112 likes em 1 hora eu falei, cara, eu sou uma péssima
- 1:00:14escritora, é, eu tenho que desistir realmente da escrita
- 1:00:16porque ninguém tem interesse no que eu tenho a dizer.
- 1:00:19E a partir daquele dia eu fiquei tão bravo de realmente não ter
- 1:00:22acompanhado das letras não surgir na minha vida, né?
- 1:00:25E aí, que. Você fez a sua companhia, é.
- 1:00:28Aí eu falei não, beleza, agora eu vou fazer todos os meios
- 1:00:31possível pesquisar qual forma realmente que eu posso ser lida.
- 1:00:34Então, em vez de só escrever e deixar no mundo, não, eu vou
- 1:00:37realmente encontrar caminhos e percursos para ser lida.
- 1:00:40Eu vou realmente entrar na mente, na vida das pessoas, me
- 1:00:43tornar a primeira opção quando as pessoas pensarem em escrita e
- 1:00:46conteúdo. Hoje em dia mais, mas eu vou ser
- 1:00:48a primeira opção na mente das pessoas para não postar e tipo,
- 1:00:51fica 1 hora esperando ter 2 likes e achar que eu nunca mais
- 1:00:53posso ser uma escritora porque ninguém me leu, sabe?
- 1:00:56Então é muito esse processo de subverter, realmente vai.
- 1:00:59A bolsa lida, sim, independente de como vai ser, mas eu vou ser
- 1:01:02lida, sabe? Enquanto viva porque a gente tem
- 1:01:04muito esse processo, né? A maioria das escritoras ai
- 1:01:06super sucesso era incrível, mas a verdade está morta que você
- 1:01:09está falando? Não, eu estou construindo meu
- 1:01:10legado aqui. Encontro viva, entende?
- 1:01:14Legal. Que legal, né?
- 1:01:15Nossa, que bonita. Olha, eu é.
- 1:01:19Se você fosse. Se você me pergunta se eu sei,
- 1:01:21Ah, você é escritora. Eu, eu não falo muito que eu sou
- 1:01:24escritora. Pra mim eu sou professora, então
- 1:01:26essa é a primeira. AA minha, o meu.
- 1:01:28Primeiro, poucos livros lançados.
- 1:01:32São 12. Eles são. 12 livros.
- 1:01:35É, mas fora os que estão ali já pro mundo, né?
- 1:01:38É, mas assim eu falo que eu sou professora porque é o lugar onde
- 1:01:43eu me sinto muito à vontade em ser professora.
- 1:01:45Então, quando eu escrevo literatura, eu penso que eu não
- 1:01:49vou ser lida em vida. Então eu penso que não tem
- 1:01:53garantia. Eu não espero mesmo a leitura
- 1:01:56assim, não é uma expectativa minha, porque eu tenho, vamos
- 1:02:00dizer, um lugar onde eu falo que essa anão é sala de aula, não é?
- 1:02:05Computador, sei lá nos lugares, mas assim eu tenho um púlpito,
- 1:02:08então esse lugar para mim está preenchido.
- 1:02:10Pela, pela minha profissão de professora, então eu sinto que
- 1:02:14eu falo, eu sinto que reverbera é oralmente.
- 1:02:18Eu sei que que a coisa chega, né?
- 1:02:20Chega e eu posso trocar com as pessoas.
- 1:02:22Como a gente está fazendo aqui nos livros.
- 1:02:24Eu não penso nisso, então vai parecer meio egocêntrico a falar
- 1:02:27porque quando eu escrevo alguma coisa.
- 1:02:31Meio que eu escrevo para mim, sabe porque é como se assim se
- 1:02:35meu, se eu escrever 11 texto erótico, esse texto tem que me
- 1:02:38seduzir, eu tenho que ficar erotizada.
- 1:02:40Eu tenho que sentir tesão lendo esse texto, então é.
- 1:02:43É se eu. Se eu escrevo um livro infantil,
- 1:02:45tem livro infantil também, então se eu escrevo o livro infantil.
- 1:02:48Não é só portaria. Não é só portaria.
- 1:02:52Tem também livro de infância e eu trabalho, né?
- 1:02:55Sou aula numa, é numa pós de literatura para crianças e
- 1:02:58jovens do Vera Cruz. Então eu trabalho com isso.
- 1:03:01Eu sei que tem ali um público receptor, mas eu não penso na
- 1:03:04criança, porque se eu pensar na criança, vai virar pedagógico,
- 1:03:08né? Vai ficar em cima alguma coisa,
- 1:03:10o que eu penso assim é ter um devir criança.
- 1:03:13É como se eu tivesse escrevendo algo, porque pra mim, indevir
- 1:03:17criança EE isso iria me mexer. Com a minha cabeça, então eu
- 1:03:23estou sempre escrevendo textos que me satisfaçam, sabe que eles
- 1:03:27voltem. Eu.
- 1:03:28Eu sou a primeira. A gente é o primeiro.
- 1:03:29Leitor, né? Então eu acho que é meio que por
- 1:03:33aí. E aí, o que vem depois é lucro,
- 1:03:35né? Porque eu acho que as pessoas,
- 1:03:36elas vêm pelos meus textos, não, não, também não.
- 1:03:39Tô em grandes editoras, né? Mas é pela pelas pessoas me
- 1:03:45conhecem primeiro e depois vão lendo o livro.
- 1:03:47Depois acontece uma coisa assim, mas e aí, um dia?
- 1:03:52Os ETs quando os ETs chegarem, né?
- 1:03:54Aí vou estar sendo unida pelos ETs daqui.
- 1:03:56Olá. Eu sou a Mari mayanti,
- 1:03:59escritora, poeta com um livro publicado pela editora penalux
- 1:04:05em maio de 22. É?
- 1:04:09Nos poros do espelho é o nome do livro e.
- 1:04:14Eu posso dizer que a minha maior fluidez na escrita sempre
- 1:04:17aconteceu através da poesia, mesmo quando eu ainda era uma
- 1:04:22menina. E quando a escrita ainda estava
- 1:04:26muito embrionária dentro de mim. Porém, parte do que eu escrevo
- 1:04:31ou eu diria, a sua totalidade, vem da observação do cotidiano e
- 1:04:38das percepções que eu crio a partir disso.
- 1:04:40Então, a escrita, mesmo sendo poética, ela tem uma pitada de
- 1:04:45crônica, é muitas vezes ali de conto também.
- 1:04:50Então eu sempre estive nesse limiar da prosa, da crónica e da
- 1:04:54poesia. Eu sinto que, nesse momento,
- 1:04:58como escritora, eu tenho muita história para contar.
- 1:05:01E eu resolvi que o meu próximo livro vai ser um romance em
- 1:05:06versos, uma prosa poética mesmo porque na prosa poética, eu
- 1:05:12encontrei um caminho mais aberto para eu construir, conectar
- 1:05:16personagens de uma maneira que eu pudesse criar.
- 1:05:20É marcações de tempo para a história, que na poesia é sem
- 1:05:26sendo uma estrutura de prosa, fica um pouco mais complexa.
- 1:05:31Então, muitas vezes eu me pergunto também se o livro ele é
- 1:05:37um romance ou são contos inversos, mas isso eu ainda
- 1:05:42estou descobrindo. Isso faz parte do meu processo
- 1:05:44de escrita, de não definir. De início, é aonde eu estou me
- 1:05:50lançando e. Eu não perco dessa forma, não é
- 1:05:56através da prosa essa referência poética.
- 1:06:00Que é uma marca muito minha, assim como escritor e por ser um
- 1:06:04livro bastante psicológico, tem sido uma jornada de muita
- 1:06:08descoberta, porque com essa forma de escrita eu me sinto
- 1:06:13muito livre para brincar. Eu também é, considero a
- 1:06:17Liberdade algo muito importante no meu processo de escrita e nem
- 1:06:23tudo são flores. Então, se eu fosse pontuar um
- 1:06:26desafio, eu preciso conseguir não perder aquele fio da meada.
- 1:06:33A minha cabeça de poeta, tudo faz sentido.
- 1:06:36E a pergunta que eu estou atenta sempre responder durante esse
- 1:06:39processo de escrita do romance é para a pessoa leitora, está
- 1:06:44fazendo sentido esses versos? Contando uma história, estão
- 1:06:49fazendo sentido quando conectados.
- 1:06:51Eu Acredito muito que o impalpável e o metafórico da
- 1:06:55poesia, eles precisam dialogar com romance o tempo todo e dessa
- 1:07:01forma ele vai ser conciso. Nos versos?
- 1:07:05Eu vou ter a história de 3 personagens que são bastante
- 1:07:08forte e marcantes, né? É?
- 1:07:10Essas personagens são Fortes e marcantes e o transbordo da
- 1:07:14relação delas vai ser muito bem representado através da poesia.
- 1:07:19Com certeza e aproveitando só para fechar, é a gente queria
- 1:07:24que vocês contassem um pouco onde que a gente pode encontrar
- 1:07:26o trabalho de vocês. Os livros na internet, onde
- 1:07:30vocês estão? Pode começar a fazer?
- 1:07:33Bom, eu tenho livros espalhados, editoras, né?
- 1:07:35É, eu tenho na patoah tem que tá na patoah na 8 e meio na quase 8
- 1:07:43os últimos livros que eu lancei estão na fábrica de cânones, que
- 1:07:46é onde eu lancei o último livro meu de poesia.
- 1:07:49Que chama atracados aos pés da cama e também lancei o os
- 1:07:54escrita curativa, a parte um, a parte 2, a escrita curativa
- 1:07:57estão lá. Então hoje é uma editora que eu
- 1:07:59trabalho mais rente com ela, porque por causa da do livro da
- 1:08:02escrita curativa, né? Então a gente divulga bastante,
- 1:08:06já foi vendido o meu livro. Fala tudo.
- 1:08:09Bem, e o ano que vem vai ser muito legal, porque vai fazer 10
- 1:08:12anos da escrita coletiva que eu criei esse curso.
- 1:08:14Então a gente vai trabalhar mais um pouquinho em cima disso, mas
- 1:08:17tem um Monte de coisa, gente saindo, muita coisa boa.
- 1:08:21Muito bom. E no Instagram, Instagram.
- 1:08:23Eu tô lá, né? Zeus com y, com y zenes com YE,
- 1:08:27também tem o escrita curativa. Ponto GZ é outro legal.
- 1:08:31Outro perfil que eu tô lá. Maravilhoso.
- 1:08:34Que todo mundo pode me encontrar, só jogar.
- 1:08:36Há estranhamente no Google que você vai achar uma imensidão de
- 1:08:39coisas, Instagram, sites de LinkedIn, tudo com relação a mim
- 1:08:43e ao meu trabalho. Só jogar estriamente.com aí que
- 1:08:46vocês acham tudo. Eu tenho um livro também que
- 1:08:49chama guia de carreira para profissionais da escrita que
- 1:08:51ensina realmente como as pessoas que escrevem podem ganhar
- 1:08:54dinheiro e viver da sua escrita, né?
- 1:08:56Eu sei de cor. Então?
- 1:08:59Eu no LinkedIn também, que eu tenho uma audiência maior, está
- 1:09:01como escritora. Maria Vitória no LinkedIn, então
- 1:09:04já vem para subverter isso numa rede social mais profissional,
- 1:09:07né? E vocês podem me controlar?
- 1:09:08LinkedIn, Instagram, tudo é só colocar estranhamente que vocês
- 1:09:11encontram um novo universo, realmente.
- 1:09:13Maravilha, gente, muito legal que demos um episódio foi
- 1:09:16demais. Acho que antes a gente encerra
- 1:09:18rapidinho. Eu vou só falar aqui dos livros
- 1:09:19que estão com a gente. A gente sempre traz outras
- 1:09:21alturas também de outras formas e hoje eu vou escolher então,
- 1:09:24indicar aqui 3 escritores, outras 3 livros que eu gosto
- 1:09:26muito, que eu vou deixar de dicas.
- 1:09:28O primeiro é, se Deus me chamar no voo que é da Mariana Carrara,
- 1:09:31estou aqui mostrando para a Câmera, gente para quem está
- 1:09:33assistindo. Eu adoro esse livro aqui, é na
- 1:09:35perspectiva de uma criança e eu achei super divertido, uma
- 1:09:38delícia de ler um livro pequenininho, bom demais.
- 1:09:41Eu trouxe também de dica que o Descanso da Rafaela riera o se
- 1:09:44Deus me chamar novo é da editora nossa, da Mariana Carrara.
- 1:09:47O Descanso da Rafaela riera é da penalux, mas é Dulce la auroras,
- 1:09:51que publica só mulheres, e a Rafa foi minha colega de de toca
- 1:09:55literária, e esse primeiro livro dela foi finalista do Jabuti na
- 1:09:58categoria de romance entretenimento.
- 1:10:00Também fica de dica para vocês conhecerem e trouxe outro, que
- 1:10:03eu adoro, que eu achei da minha estante hoje falei, Ah, vou
- 1:10:06levar comigo, chama todos nós adorávamos cowboys, o da Carol
- 1:10:08bensimon, porque isso é da companhia das letras e, mas eu
- 1:10:12adoro esse livro também é tipo um roadbook em lugares de de
- 1:10:16road movie. Ele é um livro de viagem, tem 2
- 1:10:18personagens que eu adoro acompanhar essas.
- 1:10:20São minhas dicas desse episódio. Eu trouxe um só porque a mochila
- 1:10:23estava pesada é, eu trouxe e esse deixa a mochila muito
- 1:10:26pesada que chama. Ninguém quis ver da poeta Bruno.
- 1:10:29Treino pela companhia também a Bruna é uma poeta muito é
- 1:10:35incisiva, eu diria, muito cirúrgica.
- 1:10:37Ela escreve da periferia do Rio de Janeiro, é um livro que eu
- 1:10:40recomendo muito. É, eu tenho certeza que você não
- 1:10:43vai sair o mesmo depois desse livro.
- 1:10:46Ele é incrível nesse livro. Muito bom.
- 1:10:48Obrigada, gê. Obrigada, Maria.
- 1:10:52Antes de encerrar, vocês querem deixar uma diquinha de uma série
- 1:10:55livro, algum filme que vocês viram recentemente?
- 1:10:57Eu quero. Sei lá.
- 1:11:00Ontem eu vi um filme maravilhoso que chama Pérola, uhum.
- 1:11:03Com a direção do Murilo Benício. Nossa, esse filme tá?
- 1:11:07Com quadrrica Moraes. Né?
- 1:11:08Morais? Ela tá maravilhosa, excelente
- 1:11:10gente, é maravilhoso, porque o filme ele é assim, ele tem.
- 1:11:14Tudo de difícil que pode existir numa vida.
- 1:11:17Só que ela vai falando de um jeito que a gente vai vendo.
- 1:11:21Só aquela camada da Alegria que as coisas vão passando muito
- 1:11:24rápido, mas tem assim buracos profundos assim, histórias
- 1:11:29profundas, mesmo abismos no livro é maravilhoso.
- 1:11:32O livro, não No No filme. Tá no cinema?
- 1:11:34Ainda tá no cinema? Uhum.
- 1:11:36Legal, eu vou assistir. Mas de quem é super rápido?
- 1:11:38Do último livro que eu li, que chama a polorofobia que alguém
- 1:11:40na companhia das letras, que é um livro infanto-juvanil que é
- 1:11:43muito bom, que você não sabe o que é, mas é.
- 1:11:46Você não sabe o nome, mas ela existe, que fala sobre a questão
- 1:11:49social de pessoas que moram em situação de rua, que a gente
- 1:11:51está sempre desprezando, não sabe como chamar essas pessoas.
- 1:11:54A gente sempre está passando por cima, mas não sabe que nome dar
- 1:11:57a essas pessoas que estão nessa questão de vulnerabilidade.
- 1:11:59Chama a poldofobia e é muito bom o livro infanto-juvenil, que se
- 1:12:02lê tipo, super rapidinho, super ilustrado, que é muito massa,
- 1:12:05super. Indique também.
- 1:12:06É legal, muito bom, gente, super obrigada mesmo pelo episódio.
- 1:12:10Por terem vindo, obrigado pela reflexões.
- 1:12:14Obrigada demais. Ainda unimos 2 mulheres
- 1:12:17maravilhosas que estão na nossa coletânea.
- 1:12:19Cabe lembrar, para finalizar que estão aqui na nossa coletânea
- 1:12:22elas na escrita, imagens de coragem, obrigada.
- 1:12:25Esse gente, obrigada. Quem eu vi até aqui e até o
- 1:12:27próximo episódio. Próximo episódio, tchau, tchau.
- 1:12:34A gravação desse episódio foi realizada por meio do edital de
- 1:12:38ocupação do estúdio da biblioteca parque Villa-Lobos,
- 1:12:41promovido pela bibliom. A biblioteca digital gratuita de
- 1:12:44São Paulo, sob gestão da SP leituras para a Secretaria de
- 1:12:48cultura, economia e indústria criativa do estado de São Paulo.
- 1:12:55Temos. Temos.
- 1:12:57É bom que a gente lê no celular. E aí?