Latest / Na Mesa com Well / Jesus Movement: Tons do Demônio: A Maquinaria Gospel foi Ligada
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el, o podcast para quem ama bons
- 0:04livros, a história real da igreja contemporânea,
- 0:08documentários que expõem a verdade e teologia com
- 0:11profundidade e clareza, e este é o dossiê Jesus movement, o
- 0:17Avivamento hippie. Isso aí.
- 0:19E para mergulhar nesse dossiê incrível, hoje eu estou aqui
- 0:23pronto para analisar as Fontes desse capítulo fenomenal que é o
- 0:27som da fé. Do carro de som à indústria
- 0:30gospel. Exatamente aqui é sua
- 0:33apresentadora de sempre, com a visão de quem ama e vive a
- 0:36igreja. E hoje o nosso foco, examinar
- 0:40com o crivo histórico e cultural bem rigoroso, como rolou essa
- 0:44audaciosa revolução musical, né? Com certeza, aquela revolução
- 0:48que tipo arrancou as guitarras das mãos da contracultura e
- 0:52transformou num instrumento de adoração.
- 0:54E rompeu Fronteiras até desembarcar aqui no Brasil.
- 0:57Mas antes da gente pular de cabeça nessa história, acho
- 1:01super importante a gente alinhar 2 termos teológicos que aparecem
- 1:05o tempo todo no material fonte pra quem tá ouvindo não se
- 1:08perder, sabe? Excelente ideia, qual é o
- 1:10primeiro? É a sigla CCM, que significa
- 1:14música cristã contemporânea. Em resumo, as Fontes definem
- 1:17ACCM como aquele gênero musical estruturado ali na segunda
- 1:21metade do século 20, que pega os ritmos, os sintetizadores.
- 1:26E a linguagem da música pop secular e usa isso para
- 1:29comunicar fé. Uhum é a base da indústria
- 1:32gospel Moderna, praticamente. Isso e o segundo termo é o
- 1:36hibridismo cultural, que é um conceito maravilhoso,
- 1:41basicamente é o processo onde elementos de culturas diferentes
- 1:45se cruzam e criam uma coisa nova, uma expressão.
- 1:48Nova. É pegar a essência intacta do
- 1:52evangelho e plantar um solo idiomático e rítmico totalmente
- 1:56diferente, né? Perfeito?
- 1:58É exatamente isso. Então, com esses conceitos na
- 2:01mesa, a gente já pode entrar no cenário da época porque, olha, a
- 2:04maioria das pessoas que a gente conhece pensa que o Jesus
- 2:08movimente foi impulsionado por aqueles grandes sermões de
- 2:11pastores tradicionais. Pois é, mas quando a gente
- 2:15analisa o cenário real dos anos 60 e 70?
- 2:18A história é bem outra. Quem construiu o alicerce dessa
- 2:22igreja contemporânea não foi um discurso refinado.
- 2:26Foram acordes de guitarra altamente distorcidos.
- 2:29É uma loucura pensar nisso. A gente costuma olhar para a
- 2:32música na igreja hoje, como? Sei lá, um aquecimento para o
- 2:36momento da pregação. Exato, como uma trilha sonora de
- 2:39fundo. Mas para aquela Juventude
- 2:41Americana da época, que estava super desiludida com a guerra do
- 2:44Vietnã, envolvida com drogas, a música foi verdadeiro motor.
- 2:49O que atraiu milhares de jovens não foi debate teológico.
- 2:52Foi uma estética sonora que batia de frente com tudo que era
- 2:56considerado sagrado. E para quem está ouvindo
- 2:58entender o tamanho desse terremoto?
- 3:00A gente precisa desenhar como eram as igrejas antes dos
- 3:04hippies chegarem. Nossa devia ser um ambiente
- 3:06super engessado. Muito.
- 3:09A estética era rígida. Domingo era dia de terno e
- 3:12gravata, mulheres com os melhores vestidos, tapete
- 3:16vermelho e um silêncio absoluto. E o som principal era o órgão de
- 3:21tubos. Que imponência, né?
- 3:23Demais e teologicamente. As Fontes apontam que o órgão
- 3:27não era só um instrumento musical.
- 3:29Ele representava ordem, controle, irreverência.
- 3:33E aí, de 1 hora para outra, as portas abrem e entra uma
- 3:36multidão de jovens descalços. Cabelo no ombro, cheirando a
- 3:41incenso, roupa rasgada. E arrastando guitarra, baixo
- 3:44elétrico e bateria para dentro do santuário.
- 3:47O choque cultural foi violento. A liderança tradicional
- 3:50simplesmente olhou para aquilo e viu uma ameaça direta à
- 3:53santidade da igreja. Não foi nada pacífico.
- 3:56A fonte detalha uma verdadeira guerra cultural interna.
- 4:00Críticos da época, tipo Bob Larson, começaram uma cruzada
- 4:05contra essa música. O Bob Larson pegava pesado, né?
- 4:08Muito. Ele argumentava que o rock não
- 4:11era só uma questão de gosto. Ele dizia que a batida era uma
- 4:15força sensual, fisicamente estimulante e ligada a rituais
- 4:19pagãos. Ele literalmente rotulava os
- 4:21acordes de rock, como os tons do demônio os.
- 4:24Tons do demônio. Caramba, mas me explica uma
- 4:29coisa com base na teologia da época, porque tanto pavor de uma
- 4:33simples batida de bateria é? Que a teologia deles era muito
- 4:36moldada pelo iluminismo, ou seja, a fé era um exercício
- 4:40quase 100% intelectual, a mente era o sagrado e o corpo era a
- 4:45carne perigosa. Ah, entendi.
- 4:48Então, a bateria e o ritmo do rock apelavam pro corpo faziam o
- 4:52jovem querer balançar, dançar. E qualquer movimento físico
- 4:57intenso parecia uma perda de controle para o pecado.
- 5:00E é aqui que fica realmente interessante, porque esses
- 5:04jovens convertidos, os chamados Jesus freaks, eles não recuam,
- 5:09eles não escrevem livros de teologia para rebater.
- 5:12Eles respondem com arte. E a gente tem que falar do
- 5:17Larry, norma. O grande pioneiro, né?
- 5:19O padrinho do rock cristão, sim. Ele olhou para toda essa parede
- 5:23de conservadorismo. E soltou a famosa frase que
- 5:27virou música, porque o diabo deveria ter toda a boa música.
- 5:31Essa sacada foi genial. O argumento dele, que as Fontes
- 5:35destacam bem, desconstruiu a liderança conservadora.
- 5:38De um jeito simples, ele dizia que o diabo não cria nada.
- 5:42O mal não é dono de nenhuma nota musical.
- 5:45Deus criou a música e o inimigo sequestrou, é isso?
- 5:48Exatamente o papel daquele jovem cristão era resgatar guitarra e
- 5:51devolver para o criador. O Norman subia no palco com
- 5:55calça boca de sino, tocava rock pesado, mas com o dedo indicador
- 5:59apontado para cima. Aquele gesto do one way, né?
- 6:02Um caminho só apontando que a Glória IA pro alto, não pro
- 6:07artista. Esse gesto marcou o Jesus
- 6:10movimento visualmente. Marcou demais.
- 6:13E o Marco Zero dessa virada toda acontece no lançamento do álbum
- 6:17the ever lasting leven Jesus music concert.
- 6:20Em 1971. E detalhe, financiado por uma
- 6:23igreja, a kelver chaple do Chuck Smith, é como se eles tivessem
- 6:28criado um cavalo de Troia sonoro, saca?
- 6:31Como assim um cavalo de Troia? Tipo, por fora, era uma banda de
- 6:35rock, parecia uma estrutura profana e barulhenta do mundo,
- 6:39mas por dentro eles tinham escondido uma mensagem de
- 6:41salvação e a liderança tradicional deixou esse cavalo
- 6:45entrar. Excelente analogia.
- 6:47E o pastor Chuck Smith deixou entrar porque ele percebeu uma
- 6:50coisa vital, a igreja estava perdendo uma geração inteira.
- 6:53A geração que buscava experiências transcendentes nas
- 6:56drogas, né? Isso a tese acadêmica que
- 6:59analisamos chama isso de mudança da teologia intelectual do
- 7:03iluminismo para uma teologia fenomenológica e experiencial.
- 7:08O jovem precisava sentir a fé fisicamente.
- 7:11Experimentar o Divino no corpo, vibrando com o baixo e a
- 7:15bateria. Certo?
- 7:16Vamos empacotar isso para entrar no nosso segundo segmento.
- 7:19A Batalha estética estava ganha dentro daquelas igrejas
- 7:22pioneiras, mas o som orgânico, aquelas rodas de violão na praia
- 7:26de corona del mar, tinha um limite geográfico.
- 7:30E aí a paixão encontra o capitalismo.
- 7:32É, é inevitável, né? Para sair da Areia da praia e ir
- 7:36para o mundo, você precisa de infraestrutura.
- 7:38Precisa de logística de mercado? E aí é aí que nasce o selo
- 7:42maranata music, também em 71, pelo mesmo Chuck Smith.
- 7:47O que era só a oferta voluntária que eles chamavam de love of
- 7:50aprens nas ruas vira a semente de uma das maiores indústrias da
- 7:54música ACCM. E as Fontes trazem uma análise
- 7:58sociológica fascinante sobre isso.
- 8:01Tem um paradoxo bizarro aí. Tem uma ironia gigante?
- 8:05Pensa bem, essa galera hippie fugia do sistema corporativo,
- 8:09não é? Eles odiavam o consumismo
- 8:12americano, iam morar em comunas, rejeitavam o lucro.
- 8:17Como é que eles acabam criando um mercado de consumo bilionário
- 8:20só para crentes? Pois é, as Fontes citam até
- 8:23estudos do Simon frief para explicar isso de forma neutra.
- 8:27A questão é que, para uma mensagem se espalhar em massa na
- 8:30modernidade, ela tem que adotar os mecanismos da mídia de massa.
- 8:33Não tem jeito. E isso significa estúdio,
- 8:36marketing, distribuição. Exato.
- 8:39O som acústico de garagem precisava virar um produto de
- 8:42prateleira. Houve uma transição dolorosa do
- 8:45que eles chamam de valor de uso, que é o louvor gratuito para o
- 8:49valor de troca, ou seja, o disco vendido.
- 8:52Deve ter dado uma briga interna feia.
- 8:55Muita briga. As Fontes mencionam a
- 8:58resistência de músicos como o kef green.
- 9:01Ele era totalmente contra bilheterias pagas.
- 9:04Ele achava que transformar o Jesus movement em indústria era
- 9:08mercantilizar o evangelho. Mas independentemente dessa
- 9:12resistência do kef green, a máquina já tava rodando a 1000
- 9:16por hora. E aí a gente chega no nosso
- 9:18terceiro ponto, a travessia continental.
- 9:22Essa máquina musical e cultural não IA ficar presa na
- 9:24Califórnia. E ela desembarcou no Brasil.
- 9:27E desembarcou com força, mas não foi um pulo direto.
- 9:31As Fontes históricas mostram que organizações missionárias norte
- 9:35Americanas como a palavra da vida, jovens da verdade e a
- 9:39Mocidade para Cristo fizeram essa ponte.
- 9:42Desde os anos 50 eles já traziam aqueles acampamentos de jovens
- 9:46informais, né? Isso a roda de violão na
- 9:49fogueira, a informalidade começaram a traduzir os corinhos
- 9:53do folk americano pro português. Mas aí acontece o hibridismo
- 9:57cultural na prática. Porque a missão Vencedores Por
- 9:59Cristo sob a liderança do Jaime Camp, eles não quiseram só
- 10:03traduzir o folk enlatado, eles fundiram o disas movimento com o
- 10:08nosso DNA. Sim, eles revolucionaram.
- 10:10É maravilhoso. Eles colocaram a Harmonia
- 10:13complexa da bossa nova e o ritmo do Baião dentro da música Sacra.
- 10:17Foi uma audácia, eles tiraram o violão lá de trás, onde ele
- 10:21ficava escondidinho, e botaram na linha de frente, liderando o
- 10:25louvor do brasileiro. O evangelho continuou o mesmo,
- 10:28mas agora com o nosso ritmo. E foi isso que preparou o
- 10:31terreno para explosão e evolução da identidade gospel Moderna no
- 10:35Brasil. Pega, por exemplo, a década de
- 10:3780, a banda rebanhão. Nosso rebanhão com janeles
- 10:40chocou todo mundo. Chocou as Fontes relatam eles
- 10:44tocando rock pesado com guitarra e baixo com eslep em eventos
- 10:48abertos, tipo na Quinta da Boa Vista, eles romperam de vez com
- 10:52aquela inódia clássica europeia. Nos anos 90, igrejas como a
- 10:56Renascer em Cristo abraçaram de tudo, rap, funk, rock, samba.
- 11:02O termo gospel engoliu a cultura brasileira.
- 11:05Sim, a música não era mais só o acompanhamento para o pastor
- 11:09andar até o púlpito. Ela se tornou o principal
- 11:12veículo da experiência religiosa.
- 11:14Ela traduziu a alma do Avivamento para o brasileiro.
- 11:17Fazendo um apanhado de tudo que a gente cobriu hoje.
- 11:21Começamos com a resistência aos tons do demônio, passamos pelas
- 11:24praias californianas, vimos o choque contra o sistema virar
- 11:28uma indústria ccm trilionária e, por fim, o desembarque desse DNA
- 11:33no nosso hibridismo cultural, misturando com Baião e rap.
- 11:37E a grande conclusão que o material fonte nos dá é uma
- 11:40lição pastoral e teológica profunda, a teologia rígida
- 11:45falhou em dialogar com aquela Juventude machucada da época.
- 11:49Deus precisou usar a música, a arte dos jovens, para destrancar
- 11:53corações que o institucionalismo não alcançava.
- 11:56A criatividade como reflexo do criador.
- 11:59Exatamente feita primariamente para o resgate.
- 12:03Lindo. E isso me leva a provocação
- 12:06final para quem tá ouvindo uma pulga na orelha, daquelas bem
- 12:09grandes, se o Jesus moviment revolucionou a igreja adotando o
- 12:13rock e o pop? Que eram exatamente os ritmos
- 12:17que os líderes chamavam de mundanos e demoníacos.
- 12:20Qual é o som rejeitado hoje que a igreja estará cantando nos
- 12:24cultos daqui a 50 anos? É uma pergunta que dá muito pano
- 12:28para Manga, viu? Dá mesmo.
- 12:30Muito obrigada pela companhia incrível de quem ficou com a
- 12:33gente em mais essa investigação profunda.
- 12:36Foi demais desbravar esses documentos.
- 12:38Obrigado também foi um mergulho fascinante.
- 12:41Até o nosso próximo dossiê pessoal, tchau, tchau.