Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 11 de dezembro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:05ondas do rádio. Sete horas e vinte e nove
- 0:10minutos. A gente tá no ar pra se
- 0:22informar, saber o que é que há, pra se ajudar.
- 0:26A gente tá no ar pra se comunicar.
- 0:27A gente tá no ar pra se divertir, pra falar e ouvir, pra
- 0:31dançar e rir, pra ficar feliz, pra ser livre.
- 0:34Rádio Livre. Rádio Livre.
- 0:45E aà Os destaques do Rádio Livre
- 1:12desta quarta-feira, onze de dezembro de dois mil e vinte e
- 1:16quatro. Senado aprova regras para
- 1:20inteligência artificial no Brasil com identificação
- 1:24biométrica para auxiliar até mesmo em prisões.
- 1:30A Câmara começa a analisar o pacote da segurança pública em
- 1:33projetos que incluem cadastro de facções e regras para acesso a
- 1:37armas. O Conselho Nacional de Justiça
- 1:41determina que cartórios devem registrar responsabilidade do
- 1:45Estado em certidões de mortos e desaparecidos da ditadura.
- 1:52A SÃria após a queda da ditadura.
- 1:55Quais os rumos do paÃs e quais as possibilidades de o povo
- 1:59sÃrio finalmente viver em paz? Este é o tema do comentário do
- 2:04cientista polÃtico, professor da Universidade Federal da ParaÃba,
- 2:07Vico Melo, aqui no Rádio Livre. Também vamos ter uma entrevista
- 2:13sobre uma investigação britânica que descobriu, sabe o quê?
- 2:17Uma rede internacional chamada de racismo cientÃfico.
- 2:24Este é o tema da entrevista de hoje com o sociólogo e
- 2:26radialista Pedro Vitor Mendes aqui no Rádio Livre.
- 2:36Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 2:42Bom dia, estamos começando ao vivo na Universidade FM mais um
- 2:45Rádio Livre. Agradecemos a você que nos
- 2:48acompanha aqui ao vivo todos os dias e também a você que nos
- 2:51acompanha no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 3:00O plenário do Senado aprovou ontem um projeto que regulamenta
- 3:04o uso de inteligência artificial no Brasil.
- 3:06O texto vai precisar passar ainda pela Câmara dos Deputados,
- 3:11para poder depois virar lei. A proposta serve para definir
- 3:15tanto os limites quanto as permissões para o uso... da
- 3:19inteligência artificial no paÃs. A ferramenta tem várias
- 3:22aplicações cotidianas, como pesquisas em páginas de busca,
- 3:26redação e ajuste em textos ou uso de assistentes em redes
- 3:31sociais que respondem a perguntas e criam imagens a
- 3:35pedido. O texto aborda ainda outros
- 3:38usos, como, por exemplo, a realização de serviços de
- 3:41infraestrutura, como controle de trânsito, abastecimento de água,
- 3:45de energia, por exemplo. Ah, também é aplicada na
- 3:49segurança, na identificação de padrões comportamentais,
- 3:53prevenção de crimes, etc. Não tem um limite assim
- 3:56estabelecido. O que a lei vai fazer é
- 3:58exatamente isso. O projeto foi apresentado em
- 4:00dois mil e vinte e três pelo presidente do Senado, Rodrigo
- 4:03Pacheco, e é uma das pautas que o senador trabalhou para tentar
- 4:07aprovar durante o mandato dele, que termina agora, em fevereiro,
- 4:10em primeiro de fevereiro. O relatório desse projeto é do
- 4:15senador Eduardo Gomes, do PL do Tocantins.
- 4:19Vamos ver o que vai sair dessa tentativa de regulamentação da
- 4:23inteligência artificial no paÃs. A tentativa de regulamentação
- 4:27das Big Techs foi derrotada, apesar de ser muito bem
- 4:32estruturada, muito debatida, foi derrotada para as pressões das
- 4:36Big Techs, para dizer o mÃnimo. O governo publicou ontem no
- 4:42Diário Oficial da União uma portaria que viabiliza o
- 4:45pagamento de emendas parlamentares até o fim deste
- 4:48ano. A portaria é uma estratégia do
- 4:50governo para garantir segurança jurÃdica aos repasses, buscando
- 4:54respeitar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal
- 4:58para o pagamento de emendas e, ao mesmo tempo, não desagradar
- 5:02uma parte do Congresso Nacional. Isso porque alguns pontos da
- 5:05decisão do Supremo não foram bem recebidos por alguns
- 5:11parlamentares, alguns muitos parlamentares.
- 5:13DaÃ, então, a portaria. Tem deputado e senador que
- 5:17considerou a decisão do Supremo uma intervenção?
- 5:19Não foi. Como era a emenda PIX?
- 5:24Deputado ou senador repassava o dinheiro, não se sabia quem
- 5:28repassava, para onde repassava, como ia ser aplicado e o
- 5:32resultado da aplicação. Vocês acham isso razoável?
- 5:35Pois isso foi levado para o Supremo Tribunal Federal, a quem
- 5:38compete tomar decisões sobre questões desse tipo, que tem a
- 5:41ver com a aplicação da lei maior à Constituição e as regras
- 5:46inferiores e infraconstitucionais.
- 5:49Aà tem parlamento dizendo, ah, mas esse negócio de identificar
- 5:51o deputado que pegou na grana pública e mandou para a emenda,
- 5:55ou essa história de fazer um plano de trabalho para dizer o
- 5:58que vai ser feito com o dinheiro público, espera aÃ, não dá para
- 6:02convencer o paÃs de que isso é razoável.
- 6:05Então foi isso que o Supremo, a decisão do Supremo foi só isso.
- 6:09Claro que a Câmara e o Senado fizeram umas regras lá, mas as
- 6:11regras não atenderam ao que vem sendo determinado há dois anos.
- 6:18Finalizou agora nas mãos do ministro Flávio Dino, que levou
- 6:20inclusive para o plenário a decisão e foi aprovado por
- 6:22unanimidade. Mas já vem de antes.
- 6:25A ação não é nova. A ação vem ainda da... passou
- 6:29pelas mãos do ministro que já está até aposentado, aposentada.
- 6:34Então, está aÃ. Agora...
- 6:39à difÃcil trabalhar com informação quando você realmente
- 6:42busca as informações. Um deputado de muita influência
- 6:46no Congresso Nacional, sabe o que ele disse?
- 6:49Ele deu uma entrevista e disse o seguinte, a gente só vai votar o
- 6:54pacote de corte que o governo fez, que eles impõem o corte, E
- 6:58impõe as condições para votar o corte.
- 7:00Agora, o corte no orçamento, a gente só vai votar o pacote
- 7:03quando a grana estiver na conta com o comprovante do depósito,
- 7:08lá no final. Precisa dizer mais alguma coisa?
- 7:14Talvez não, né? Mas eu vou lembrar de novo aqui
- 7:18na... exigência de um plano de trabalho, demonstrativo de como
- 7:23o dinheiro ia ser aplicado, quem é o deputado ou senador que está
- 7:26transferindo o dinheiro, para onde vai, chamaram isso de
- 7:30interferência do judiciário. Na verdade o nome disso é
- 7:34transparência, obrigatória, rastreabilidade, para onde é que
- 7:39vão levar o nosso dinheiro, o que é que vão fazer dele?
- 7:42Só isso. Qualquer coisa em contrário,
- 7:45agora, para votar os projetos que o governo mandou para lá,
- 7:49orçamento, pacote de corte, etc., etc., suas excelências
- 7:55exigem, e o governo fez uma portaria tentando dar uma
- 7:59arrumada para cumprir o que o Supremo Tribunal Federal
- 8:02determinou, que é para a Câmara dos Deputados, mas também que é
- 8:05para o Executivo, que é quem, de fato, executa o orçamento, né?
- 8:12O Brasil é uma exceção nessa história de orçamento, né?
- 8:16Tem mais notÃcia aqui? Tem.
- 8:17O CNJ, por unanimidade, o Conselho Nacional de Justiça,
- 8:20por unanimidade, aprovou uma resolução que determina que os
- 8:23cartórios estão obrigados a reconhecer as mortes ocorridas
- 8:27durante a ditadura militar e a retificar, corrigir certidões
- 8:33para constar que a causa real da morte não foi natural e sim
- 8:38causada pelo Estado brasileiro. O Conselho Nacional de Justiça
- 8:42analisou uma proposta apresentada pelo Ministério
- 8:44Público Público Federal dos Direitos Humanos e da Cidadania
- 8:48e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
- 8:51PolÃticos. Uma lei de mil novecentos e
- 8:53noventa e cinco já prevê a possibilidade de familiares
- 8:56requererem um registro de óbito de pessoas desaparecidas durante
- 9:00a ditadura por participação polÃtica.
- 9:02Mas a medida não foi considerada suficiente.
- 9:06Foi preciso regulamentar, determinar que agora o Estado
- 9:09brasileiro que matou por intermédio dos que tomaram conta
- 9:15do Estado de estabelecer uma ditadura, vai assumir
- 9:19formalmente a responsabilidade pelas mortes.
- 9:31O Senado aprovou três indicações do presidente Lula para a
- 9:35diretoria do Banco Central. Nilton Davi, Isabela Corrêa e
- 9:39Gilney Vivam foram aprovados. indicados pelo presidente Lula
- 9:44em novembro. Eles foram sabatinados na
- 9:46Comissão de Assuntos Econômicos ontem pela manhã e foram
- 9:50aprovados em plenário. Com o aval dos parlamentares, os
- 9:53três assumem os novos cargos a partir de janeiro.
- 9:56A diretoria do Banco Central compõe o Comitê de PolÃtica
- 10:00Monetária, colegiado, que define a taxa básica de juros do paÃs.
- 10:05E é composto por nove diretores, sendo um deles presidente.
- 10:09O presidente do Banco Central, a partir de janeiro, é Gabriel
- 10:13GalÃpolo, indicado por Lula, já aprovado pelo Senado, que vai
- 10:17assumir, após terminar o mandato do bolsonarista Roberto Campos
- 10:21Neto, como presidente atual do Banco Central.
- 10:27Foi com o Roberto Campos Neto que os juros...
- 10:30Dispararam e gerou uma polêmica com o governo que entende que a
- 10:36taxa alta de juros barra os investimentos.
- 10:39Porque juros altos, especulação financeira e fim de papo.
- 10:44Só que a justificativa é outra. A justificativa é segurar a
- 10:48inflação. Parece que não segurou não, né?
- 10:52Parece que não segurou. Não tem sido eficiente para
- 10:54segurar a inflação. Tem segurado os investimentos,
- 10:57isso com certeza. E tem piorado a situação dos
- 10:59brasileiros que têm que comprar alguma coisa ou fazer algum tipo
- 11:02de empréstimo. à isso.
- 11:06Agora são sete e trinta e nove. E a situação da SÃria com a
- 11:15queda de Bachar Al-Assad, o ditador?
- 11:18Como é que vai ficar? Esse é o tema do comentário que
- 11:23nós vamos ouvir agora. à um comentário feito pelo
- 11:26cientista polÃtico, professor da Universidade Federal da ParaÃba,
- 11:31Vico Mello. Eu perguntei para ele, afinal de
- 11:34contas, como vai ficar a SÃria? O povo sÃrio vai finalmente ter
- 11:39condições de viver em paz? Vamos ouvir agora o comentário
- 11:45do professor Vico Mello, especial aqui para o programa
- 11:48Rádio Livre. Bom dia, Nonato.
- 11:55Para mim é um prazer novamente estar aqui participando desse
- 11:58programa, esse programa magnÃfico.
- 12:00Eu fico muito feliz de estar de volta aqui, ainda mais para
- 12:04falar de um tema tão impactante, que agora ressurgiu mais uma vez
- 12:10nos meios de comunicação. Eu acho que primeiro de tudo é a
- 12:16gente falar sobre o que leva, o que resultou a essa deposição do
- 12:23Bachar Al-Assad. Primeiro de tudo é a gente falar
- 12:27sobre a Primavera Ãrabe. Eu acho que muitos nem se
- 12:31recordam desse acontecimento de quase quatorze anos atrás, que
- 12:39se deu em dois mil e onze. que foi um movimento que se alastrou
- 12:45com bastante força, teve ali inÃcio, uma eclosão na TunÃsia,
- 12:51e ela foi tomando um volume tanto na região da Ãfrica do
- 12:58Norte e foi se alastrando para o Oriente Médio, levou a mudanças
- 13:02de regime na TunÃsia, a pedidos de abertura polÃtica maior no
- 13:07Marrocos, a queda da ditadura no Egito, E também há processos de
- 13:14movimentos polÃticos, sociais em vários outros paÃses, como foi
- 13:21no Egito, na LÃbia, na SÃria. Mas também nesses processos
- 13:25aconteceram os chamados movimentos de repressão e também
- 13:33de intervenções estrangeiras e muito mais significativamente em
- 13:38três paÃses. Um foi no Egito, com a repressão
- 13:42e o golpe de Estado que foi dado depois que a Irmandade Muçulmana
- 13:47havia ganhado a eleição no Egito.
- 13:49E aà os militares, com o apoio dos Estados Unidos, conseguem
- 13:53dar novamente um golpe de Estado.
- 13:56Estão lá até hoje governando o Egito.
- 14:01E sufocaram, né, todo o movimento lá da Primavera Ãrabe.
- 14:06O caso da LÃbia, né, que a OTAN, ela aproveitou para fazer a
- 14:13deposição do Gaddafi, né, Muammar Gaddafi, bombardeou,
- 14:19destruiu toda a infraestrutura civil e militar, né.
- 14:22Hoje em dia a LÃbia não tem nenhum governo ou estado
- 14:26constituÃdo, né, Em algumas palavras, que eu não gosto muito
- 14:31desse termo, seria considerado quanto um Estado falido.
- 14:35E o caso da SÃria, que acabou sendo envolvida depois de uma
- 14:41repressão feroz do Bashar al-Assad.
- 14:45Ela foi ali envolvida também por uma geopolÃtica ferrenha das
- 14:50grandes potências, com a intervenção militar dos Estados
- 14:53Unidos, com a intervenção também da Rússia e de potências
- 14:57regionais que vão ali ver seus interesses também sendo
- 15:01representados. O caso da Turquia, o caso do
- 15:05Irã, que vão estar ali se interessando.
- 15:07Isso leva... A SÃria, há um contexto que é
- 15:10gravÃssimo, que são mais de meio milhão de pessoas que vão ser
- 15:15mortas nessa guerra civil. Se a gente está falando de mais
- 15:19de meio milhão, mais de quinhentas mil pessoas mortas,
- 15:23mais de doze milhões são dados oficiais que são forçadas a
- 15:29fugir de suas casas, de alguma forma, deslocamento interno ou
- 15:32externo. Sendo que cinco milhões, e são
- 15:35dados que são colocados, eles são refugiados ou requerentes de
- 15:40asilo no exterior. E desses cinco milhões, pelo
- 15:43menos três estão na Turquia, né? E é isso que a gente vai
- 15:46entender o porquê que a Turquia tem um peso tão grande nessa
- 15:51geopolÃtica regional, né? O que levou a isso, né?
- 15:55Que fatores mudaram essa balança de poder?
- 15:59O que levou a essa deposição, a esse choque à comunidade
- 16:03internacional de uma queda tão rápida do ditador sÃrio Bashar
- 16:07al-Assad? à necessário a gente compreender
- 16:12que também... mudou a dinâmica principalmente regional nesse
- 16:22contexto onde a SÃria está por causa do envolvimento na guerra
- 16:28entre Israel, Hezbollah e o Irã, que eles estão ali em vias de
- 16:37conflito. E esse apoio que a SÃria tinha,
- 16:41ela vai ter diminuÃda. E a Rússia que está em guerra
- 16:44direta com a Ucrânia, né? Que retira grande parte do seu
- 16:48apoio à SÃria. E também a gente leva aqui a um
- 16:53cansaço da população e do próprio exército sÃrio de anos,
- 16:56né? A gente está falando de treze a
- 16:58quatorze anos de guerra civil, né?
- 17:00De corrupção, de um esfacelamento, né?
- 17:07do estado e do espÃrito dessa população com o conflito em
- 17:10aberto. Então isso é importante para a
- 17:14gente ter uma compreensão do que leva a essa queda e também uma
- 17:21participação de como a Turquia vai agindo nesses bastidores
- 17:27também no incentivo e de parte também do financiamento a
- 17:35determinados grupos rebeldes contra o governo sÃrio, com o
- 17:39interesse também dessa derrubada do governo sÃrio.
- 17:45Então, fica essa outra pergunta que você me colocou e aà eu já
- 17:50indo para o final. Esse conflito armado vai dar
- 17:54lugar à s negociações ou a possÃvel solução que garanta a
- 17:58paz ao povo sÃrio ou se ainda há muita incerteza?
- 18:03A minha resposta acho que ainda é muita incerteza.
- 18:07Um, porque a geopolÃtica na região ainda vai continuar
- 18:11crescendo extremamente complexa e ainda muito caudalosa no
- 18:16sentido desses conflitos, a guerra Israel contra o povo
- 18:22palestino, com ocupação, com bombardeamento, os crimes de
- 18:28guerra, até o mandado de prisão contra Netanyahu, seu
- 18:31ex-ministro de defesa, o Yoav Galante. continuam em aberto
- 18:36pela corte internacional, pelos crimes contra a humanidade.
- 18:40Israel continua em guerra contra o Hezbollah no LÃbano, o
- 18:44bombardeio, atingindo a população civil.
- 18:49Há uma tensão em aberto. em relação ao Irã, há uma
- 18:56perspectiva do que isso também persistirá em relação à SÃria.
- 19:02A gente não sabe o que isso conduzirá.
- 19:06A gente está falando também de diversos grupos que estão ali
- 19:10Agora, a dividir esse poder na SÃria.
- 19:14A gente está falando de pelo menos cinco grupos fortes, que
- 19:20seria esse HTS, o Hayat, a Tarih al-Sham, para os Estados
- 19:27Unidos... União Europeia, alguns paÃses da
- 19:31comunidade internacional consideram como uma entidade
- 19:35terrorista, que era ligada à Al-Qaeda, mas depois ela se
- 19:38afasta. Grupos como alauÃtas, os drusos
- 19:42e os curdos. Os curdos, lembrando que eles
- 19:47têm... eles são considerados como inimigos da Turquia.
- 19:52A Turquia os consideram como grupos terroristas, mas são
- 19:57apoiados pelos Estados Unidos, pela comunidade internacional.
- 20:02Mas a Turquia o vê com maus olhos porque eles têm movimentos
- 20:07independentistas. Eles têm um movimento também
- 20:10dentro da Turquia que pede maior autonomia e mais direitos.
- 20:14E a Turquia... Ela utiliza meios altamente
- 20:17repressivos, tanto na Turquia como dentro do território sÃrio,
- 20:22né? Com bombardeios, com
- 20:24intervenções militares dentro da região norte da SÃria.
- 20:29Então, acho que ainda é cedo de a gente dizer como será, né?
- 20:33como esses grupos vão se reunir, como é que eles vão dialogar
- 20:39frente a isso. Mas é algo para a gente estar
- 20:42bem atento e também como essas grandes potências vão, e não só
- 20:48as grandes potências, as potências regionais, como elas
- 20:50vão lidar com essa nova situação.
- 20:54O grande problema que eu sempre vejo é como as potências sempre
- 20:59interferem também nos assuntos domésticos, então é como os
- 21:04Estados Unidos, como Israel, Israel já bombardeou hoje várias
- 21:12infraestruturas na SÃria, como a Rússia, como a Turquia, eles vão
- 21:19lidar com essa nova situação que vai se dando na SÃria.
- 21:25E aà a gente espera porque quem sofre sempre nesse lado é a
- 21:30população civil. E aà a população civil é quem
- 21:33sempre vai, é essa corda mais fraca, né?
- 21:36Então vamos esperar, aguardar um pouco para ver como vai se
- 21:41desenrolar, vai se desenvolver essa situação.
- 21:45E agradecer mais uma vez, Nonato, um prazer enorme.
- 21:49Quero deixar um grande abraço para você e um grande abraço
- 21:53também para todos e todas as espectadoras.
- 21:56Um abração. Obrigado, professor Vico Mello.
- 21:59Um abraço. Em quinze segundos nós temos a
- 22:12entrevista de hoje. Toda quarta-feira a gente tem,
- 22:14né? Entrevista com o pesquisador,
- 22:18sociólogo Pedro Vitor Mendes, falando sobre a temática
- 22:22antirracista. Em quinze segundos.
- 22:33Vamos conversar agora no programa Rádio Livre com o
- 22:35sociólogo Pedro Vitor Mendes. Bom dia, Pedro.
- 22:39Bom dia, professor. Bom dia a todos os ouvintes.
- 22:41à sempre um prazer conversar sobre um tema tão importante
- 22:44para a compreensão da realidade brasileira.
- 22:46Ã Pedro, para as nossas conversas antirracistas de hoje,
- 22:50eu estou trazendo um tema que para mim é uma surpresa, né?
- 22:54A descoberta de uma, vamos chamar assim, uma comunidade
- 23:00cientÃfica se organizando em torno do racismo e tratando o
- 23:05racismo como algo cientÃfico e aplicável à sociedade.
- 23:10O que você tem de detalhe sobre essa situação?
- 23:14Bom, professor, isso foi resultado de uma investigação na
- 23:18Inglaterra, descobriram essa rede internacional de divulgação
- 23:22de pseudociência. Porque cabe destacar que essas
- 23:28teorias que estão sendo ressuscitadas para legitimar o
- 23:34racismo são teorias de uma época em que a ciência era tão
- 23:39incipiente que utilizava até a BÃblia. como uma fonte
- 23:46cientÃfica. Não que a BÃblia não possa ser
- 23:50usada, mas hoje, no sentido muito mais crÃtico, você não vai
- 23:55aceitar o que está dito na BÃblia, cientificamente, tal
- 24:01como está. Você vai cruzar com fenômenos
- 24:06históricos, com grandes acontecimentos históricos, com o
- 24:11contexto da época para poder entender como as pessoas que
- 24:15escreveram a BÃblia, uma visão secular sobre a BÃblia, como
- 24:19aquilo ali aconteceu. Então, só para trazer um pouco
- 24:23dessa noção de como essa visão eugenista ela é uma visão
- 24:31cientificamente precária. E chama a atenção, isso está
- 24:36ressurgindo... junto com outros fenômenos igualmente arcaicos,
- 24:43como a ideia, e anticientÃficos, igualmente anticientÃficos, como
- 24:47o movimento antivacina, como a ideia de que a Terra é plana,
- 24:52não é uma Terra redonda. Então, assim, isso são ecos de
- 24:57um mesmo fenômeno. Antigamente, uma pessoa que
- 25:01tivesse um pensamento anticientÃfico, ela ficava
- 25:05isolada, cercada por pessoas que concordam ou são humildes
- 25:12perante o conhecimento cientÃfico.
- 25:14Não, eu não entendo tão bem, mas eu reconheço que tem pessoas
- 25:17muito mais estudiosas do que eu, etc.
- 25:19Enfim... Hoje em dia, essas pessoas não
- 25:24passam mais por esse filtro que antes acontecia, que antes
- 25:31funcionava muito bem, porque elas vão direto para a internet
- 25:33e encontram pessoas que pensam igual a elas.
- 25:36à só a confirmação. Exatamente.
- 25:39E é justamente isso que o senhor falou agora.
- 25:41Isso é muito importante para entender a dinâmica da ciência.
- 25:44Ã muito raro um cientista, quando vai estudar qualquer
- 25:48coisa, Não se deparar com o contraditório.
- 25:52Eu pensava que era assim e é assado.
- 25:54E eu vi, através do método cientÃfico, que não é assim, é
- 25:58assado. E isso é a cara da ciência.
- 26:01à muito difÃcil não acontecer na ciência.
- 26:03Quando a pessoa pensa assim, e eu quero que a ciência me diga
- 26:08que o assim é assim, isso não é ciência.
- 26:11Então você faz o caminho cientÃfico contrário, você parte
- 26:16das conclusões para depois definir o método que vai chegar
- 26:21à conclusão que você já sabe. Isso não é ciência.
- 26:23Pois é, agora o que me chama a atenção neste caso é porque há
- 26:28pessoas que, digamos assim, têm uma base, uma formação
- 26:32cientÃfica, Atuando anti-ciência?
- 26:35Anti-cientificamente, é isso? Ã, porque a ciência é diversa.
- 26:42Então, existem diferentes áreas. E tem pessoas, por exemplo, que
- 26:47podem ter muito conhecimento acumulado sobre o funcionamento,
- 26:52por exemplo, de células. Mas não entendem bem o fenômeno
- 26:56social, que é um outro fenômeno, né?
- 27:00Ã uma outra maneira de como a realidade se expressa.
- 27:03Para você entender o fenômeno social, você precisa de uma
- 27:06pessoa da sociologia, uma pessoa da história, né?
- 27:11Então, o fato de você ser especialista no lado da
- 27:15ciência... não te garante como um defensor da ciência no
- 27:21sentido lato, no espectro mais amplo.
- 27:25Infelizmente isso acontece. A gente viu agora mesmo na
- 27:28pandemia pessoas que eram especialistas nas suas áreas
- 27:33entrando no negacionismo contra a infectologia. por conta de uma
- 27:37perspectiva polÃtica, negando tudo o que se sabe sobre o
- 27:42conhecimento cientÃfico acumulado no que diz respeito Ã
- 27:45infecção de doenças. Pois é.
- 27:47Agora, esse grupo que foi flagrado em investigação
- 27:50policial, de atuação tentando tornar o racismo algo
- 27:56cientÃfico, é para aplicação na sociedade?
- 28:00Ou se trataria de mecanismos de, digamos, de propaganda polÃtica
- 28:04ideológica? Eu acredito que seja muito mais
- 28:07um mecanismo de propaganda polÃtica ideológica, professor.
- 28:12Porque, assim, não dá para você entender o racismo sem você
- 28:18entender isso dentro de um processo histórico.
- 28:22Dentro da perspectiva de que o racismo está relacionado Ã
- 28:27exclusão. Se você não entende isso, se
- 28:31você não concebe isso... Como é que você vai olhar, por
- 28:36exemplo, para as carreiras que são consideradas mais
- 28:42interessantes na sociedade e ver muitas pessoas brancas?
- 28:46E você vai, por exemplo, olhar para comunidades pobres e ver
- 28:49que a maioria das pessoas lá são negras.
- 28:51Se você não entende o racismo como exclusão, é muito provável
- 28:56que você vá cair numa perspectiva anticientÃfica de
- 29:00entender o racismo como incapacidade. você vai achar que
- 29:05as pessoas, a maioria das pessoas pobres são negras porque
- 29:08são incapazes de subir na vida. Você vai acreditar nisso se não
- 29:13entender o racismo de fato. Se você não entender como o
- 29:16racismo opera excluindo as pessoas na mais terridade, desde
- 29:21que são criancinhas, no jardim de infância, as pessoas negras
- 29:25no Brasil já sentem os efeitos do racismo na pele.
- 29:30Elas já vão sentindo até mesmo no comportamento de algumas
- 29:33professoras, no comportamento dos coleguinhas, que muitas
- 29:36vezes as crianças reproduzem o comportamento dos adultos.
- 29:39E isso a vida escolar inteira. Depois, no mercado de trabalho.
- 29:45Nos ambientes sociais isso se expressa.
- 29:48Se o jovem resolve simplesmente ir para uma festa ali nas
- 29:50imediações do Dragão do Mar, ele, sendo negro, a chance dele
- 29:54sofrer baculejo e ser humilhado na frente, por exemplo...
- 29:57Como é o baculejo? O baculejo que é ser, no caso,
- 30:02um policial, chegar e render a pessoa e constranger a pessoa a
- 30:09uma revista. A revista mais rigorosa.
- 30:13Exatamente. Então, isso são mecanismos de
- 30:16expulsão das pessoas, por exemplo.
- 30:18Como é que você expulsa as pessoas negras daquelas
- 30:22imediações do dragão, daquelas festas, do dragão do mar e de
- 30:25outros espaços? Com um mecanismo desse, por
- 30:28exemplo. A polÃcia chegando e abordando,
- 30:30preferencialmente, pessoas negras.
- 30:32A pessoa vai ligar aquilo a má experiência, a uma experiência
- 30:35desagradável, e vai, paulatinamente, deixando de
- 30:39frequentar aqueles espaços. Pedro, agora eu vou lhe fazer
- 30:41uma pergunta que é complicada em termos de resposta, mas é
- 30:45necessário a gente pensar. Boa parte dessas pessoas que
- 30:49agem com a pseudociência, digamos assim, com essa
- 30:54tentativa que foi descoberta na Inglaterra, mas que a gente sabe
- 30:56que pelo mundo afora tem pessoas com conhecimento cientÃfico
- 31:01agindo contra a ciência, como é que o cidadão comum, o leigo,
- 31:05pode se defender, por exemplo, diante de mensagens ditas
- 31:11cientÃficas, que na verdade não são cientÃficas, mas que vem à s
- 31:14vezes de alguém que teve até formação acadêmica?
- 31:17Olha, procure, por favor, especialistas na área.
- 31:23Não adianta a pessoa, por exemplo, ser especialista em
- 31:28estudo de micro-organismos e dizer que sabe tudo sobre
- 31:34racismo, por exemplo. Não adianta, porque são áreas
- 31:38diferentes. Então, na ciência, nós
- 31:41respeitamos muito a área de cada colega.
- 31:44Por exemplo, na sociologia, de onde eu venho, na sociologia eu
- 31:47trabalho muito mais essa questão racial, os debates em torno do
- 31:52racismo e das questões dessa visão social sobre raça.
- 31:59Mas dentro da sociologia tem outras áreas.
- 32:01Então, por exemplo, tem um amigo meu que é especialista em...
- 32:08Interdisciplinariedade. Tem uma amiga minha que é
- 32:11especialista em cultivo de orgânicos e dinâmicas de cultivo
- 32:16no meio rural. Eu não vou chegar a dizer, não,
- 32:19eu sou sociólogo, eu sei disso também.
- 32:20Não, cada um tem a sua especialidade, a gente se
- 32:23respeita. Claro que a gente sabe um
- 32:25pouquinho de cada área, não é o suficiente para poder falar um
- 32:28pouco a respeito, mas nós temos nossa área de concentração e
- 32:31assim também é na ciência no sentido geral. é importante como
- 32:37a pessoa pode se defender. Ã importante que a pessoa busque
- 32:41as grandes guardiãs da ciência, que são as universidades.
- 32:46O que os professores universitários, os pesquisadores
- 32:49estão falando sobre isso? Isso é muito importante.
- 32:51Não adianta a pessoa chegar e dizer que já escreveu dez livros
- 32:55sobre esse assunto. A pessoa pode escrever dez
- 32:57livros sobre nada, se ela quiser.
- 32:59E isso não quer dizer nada. Ah, mas é uma pessoa muito
- 33:03articulada, é chamada para vários podcasts.
- 33:05Ela pode ter uma ótima influência, uma ótima teia de
- 33:09contatos e conhecidos que impulsionam ela para esses
- 33:13espaços. Mas isso não vai servir para ela
- 33:18ser uma pessoa reconhecida como um cientista que faça, de fato,
- 33:23ciência. Para isso acontecer, essa pessoa
- 33:27tende a ser reconhecida pela universidade e pelas bancas
- 33:31universitárias, pelas publicações universitárias.
- 33:34Então, olhem para os nossos defensores da ciência.
- 33:38Por exemplo, no Brasil, são as universidades.
- 33:41E tem, na vida comum, no cotidiano, diante de mensagens,
- 33:45por exemplo, que chegam pelas várias redes sociais, é um ponto
- 33:51importante que a gente percebe, muitas vezes, pessoas que se
- 33:55engajam até em campanhas, né? Não, é muito importante você
- 33:59entender, pelo menos saber a fonte.
- 34:01Mesmo que a fonte seja uma mentira, mesmo que seja um
- 34:05instituto que alguém resolveu criar na sua cabeça, mas você
- 34:10perguntar a fonte, a pessoa já se sente no compromisso de te
- 34:15dizer qual é. E aà você dá uma pesquisada na
- 34:18internet, vê se essa instituição de fato existe, vai atrás do
- 34:22estudo. A gente precisa ser um pouco
- 34:24mais proativo. O tempo demanda isso da gente.
- 34:28Antigamente a gente podia receber uma coisa e ser mais
- 34:30passivo, mas hoje em dia a gente tem que ser mais proativo e
- 34:33questionar. Mesmo que seja um familiar
- 34:35querido, uma pessoa bem intencionada.
- 34:37Sabemos que pessoas queridas são bem intencionadas e podem, sem
- 34:40querer, ficar reproduzindo fake news.
- 34:42Então... Vamos ajudar essas pessoas a
- 34:44trazê-las para a realidade e perguntar as fontes.
- 34:47E, de preferência, fontes ligadas à universidade e
- 34:50institutos da universidade. Sociólogo Pedro Vitor Mendes,
- 34:53muito obrigado pela participação.
- 34:55Bom dia. Até a próxima quarta, né?
- 34:57Até a próxima quarta, professor. Um abraço a todos os ouvintes.
- 35:00Ã sempre um prazer estar aqui conversando com o senhor.
- 35:04Chegamos ao final do Rádio Livre.
- 35:05Bom dia e obrigado pela audiência.
- 35:07Amanhã a gente volta, às sete e meia, ao vivo e no podcast Rádio
- 35:10Livre com Nonato Lima. A Universitária FM apresentou
- 35:18Rádio Livre.