Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dr. Igor Paploski: O que Precisamos Saber sobre a PRRS | Ep. 291
Transcript
- 0:05Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:10Suinocast. Entender esses padrões de
- 0:12diversificação genética ao longo do tempo podem ajudar a gente a
- 0:15compreender um pouco por que é tão difícil controlar a perda
- 0:19aqui nos Estados Unidos. Siga-nos nas redes sociais,
- 0:23YouTube e Spotify para ter acesso a conteúdo técnico atual,
- 0:27de qualidade, irreverente e gratuito.
- 0:32O Suinocast só é possível através do apoio de empresas
- 0:36inovadoras e que apoiam a educação continuada na
- 0:39suinocultura brasileira. TopGen, onde você encontra as
- 0:43matrizes mais completas do mercado.
- 0:46A excelência está no nosso DNA. Alga Prime DHA da Corbin, o
- 0:50ômega-tres de algas para a nutrição suína.
- 0:59Olá pessoal, sejam todos muito bem-vindos a mais este episódio
- 1:04do SuínoCast. Eu sou Geraldo Alberton e hoje
- 1:08vou entrevistar o Dr. Igor Paplovski.
- 1:12Vamos conversar sobre a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos
- 1:17Suínos. O Dr. Igor é formado em Medicina
- 1:20Veterinária pela UFPR, tem residência em Planejamento de
- 1:25Saúde Animal e Saúde Pública na Unesp mestrado na Fiocruz,
- 1:30Bahia, e doutorado na Universidade Federal da Bahia,
- 1:35ambos em saúde pública. Trabalha com epidemiologia de
- 1:38doenças infecciosas em suínos desde dois mil e dezoito na
- 1:42Universidade de Minnesota. Igor, boa tarde, tudo bem
- 1:47contigo? Boa tarde, tudo jóia, é um
- 1:50prazer conversar com o pessoal aí que tá assistindo ou ouvindo
- 1:54ao ao podcast e contigo, afinal de contas você foi meu professor
- 1:58na época de graduação, então sempre é bom rever o pessoal aí.
- 2:03Muita satisfação revê-lo e ter a oportunidade de te entrevistar
- 2:07em um momento aí da tua carreira tão especial fazendo esse
- 2:11trabalho diferenciado aí na Universidade de Minnesota.
- 2:16Igor, para a gente começar a nossa conversa, me conte como é
- 2:19que você foi parar aí nos Estados Unidos depois dessa
- 2:22carreira acadêmica aqui no Brasil?
- 2:25Eu caminhei um pouco, eu turistei um pouco por aí.
- 2:30Como o professor comentou aí no começo, me formei na Federal do
- 2:32Paraná em dois mil e dez, fiz minha residência em Botucatu, em
- 2:36São Paulo, na Unesp. Fiquei lá por um ano, trabalhei
- 2:38com planejamento de saúde animal e saúde pública, mas
- 2:41principalmente com saúde animal lá na época.
- 2:43Trabalhava com vacinação de cães e gatos, com vacinação para
- 2:48raiva, né? E nessa época, durante minha
- 2:50residência, eu conheci um... um pesquisador médico que
- 2:56trabalhava com pesquisa na Bahia, ele trabalhava com
- 2:59leptospirose em humanos, mas tinha alguns trabalhos que tem
- 3:03com leptospirose em cães, fui conversar com o indivíduo, com a
- 3:06pessoa, Guilherme Ribeiro, chamei ele para trabalhar na
- 3:09Bahia até hoje, e falei, posso tentar fazer meu mestrado com
- 3:14vocês, eles tinham trabalhos bem legais com leptospirose em
- 3:17humanos, assim vem, apresentei a seleção, fui aceito, fui para a
- 3:21Bahia, trabalhei lá por seis anos, no começo com leptospirose
- 3:25em humanos, meu mestrado foi nesse tópico, depois comecei a
- 3:28trabalhar com arboviroses, com dengue, zika e chikungunya.
- 3:33Primeiro comecei a trabalhar com dengue no meu doutorado, comecei
- 3:36meu doutorado em dois mil e treze, e daí em dois mil e
- 3:38quinte a gente teve a epidemia de zika aí no Brasil, e eu
- 3:42estava trabalhando já com dengue, zika era transmitido
- 3:45pelo mesmo inseto, então uma série dos experimentos e os
- 3:50trabalhos de vigilância de ocorrência de doenças, febris em
- 3:53humanos que a gente tinha desenvolvido para a Dengue, eles
- 3:57foram muito importantes para essa descrição inicial do
- 4:00trabalho de, para entender a epidemiologia da ocorrência de
- 4:03Zika no Brasil, nos anos de dois mil e cinco, dois mil e
- 4:06dezesseis. Então eu trabalhei, fiz isso
- 4:09durante o meu doutorado, quando eu terminei o meu doutorado eu
- 4:11retornei para Curitiba, em dois mil e dezessete, apliquei em
- 4:15vagas em Curitiba, não consegui nenhuma vaga na época, não tinha
- 4:18muitas vagas abrindo, foi logo depois do impeachment isso.
- 4:21E eu comecei a aplicar para vagas no exterior como
- 4:23epidemiologista, não necessariamente como trabalho
- 4:26com doença A ou doença B. E daí, nessa oportunidade,
- 4:29apareceu uma vaga que era epidemiologia de doenças
- 4:31infecciosas em suínos nos Estados Unidos.
- 4:33Falei, ah, vou aplicar. E me chamaram.
- 4:36E desde então eu estou trabalhando com doenças
- 4:38infecciosas de suínos. Quando eu cheguei aqui,
- 4:40conversando com a minha supervisora, vamos trabalhar com
- 4:43PIRS e com PEDS, que são as duas principais doenças que eu
- 4:47trabalho hoje em dia. A gente não tem no Brasil, ainda
- 4:49bem. Mas é, essa é um pouco da minha
- 4:51história, o caminho que eu trilhei para chegar aqui.
- 4:56A DSM Firmeniche pode ajudá-lo a preparar, proteger e apoiar a
- 5:01resiliência dos seus leitões, fornecendo experiência local em
- 5:05suínos e soluções completas e personalizadas para ajudá-lo a
- 5:09concretizar a sua visão. A DSM Firmeniche está moldando o
- 5:13futuro dos cuidados com suínos. Que legal!
- 5:19Talvez lá na época que você era meu aluno na disciplina de
- 5:22doenças dos suínos, não tinha o encantamento com a espécie, né?
- 5:27Você que estava mais voltado à saúde pública.
- 5:30E acabou agora se dedicando quase que exclusivamente com
- 5:33isso, né? Eu acho que, na verdade, a
- 5:35epidemiologia tem mais uma forma de você encarar problemas.
- 5:40Então, eu acho que o conhecimento epidemiológico, ele
- 5:43traduz para diferentes doenças de forma bastante fácil.
- 5:45Óbvio que tem particularidades das doenças que, Enfim, quando
- 5:49você passa a trabalhar com doença A, você tem que estar
- 5:52familiarizado com aquilo. Mas essa é uma adaptação que é
- 5:54relativamente mais simples. Então, mudar de campo nunca foi
- 5:58um problema. Mudar de campo enquanto doença
- 5:59nunca foi um problema para mim, desde que eu terminei a
- 6:03graduação. E o que mais fiz foi mudar de
- 6:05campo. Mas agora, suínos é o campo que
- 6:08eu tenho trabalhado por mais tempo.
- 6:10Estou trabalhando com suínos faz quase sete anos agora.
- 6:13E desde então, sempre aqui em Minnesota, na Universidade de
- 6:15Minnesota. Legal.
- 6:18Bom, Epidemiologia é o grande segredo do entendimento de uma
- 6:23doença, e você lidando com a PIRS, que não é uma doença muito
- 6:28antiga, pensar que no início da década de noventa ela
- 6:32iniciou-se, mas já aí transcorreram-se vários anos,
- 6:38mais de trinta anos, e ainda a gente não pegou o jeito de
- 6:45controlá-la, apesar de todo o conhecimento epidemiológico.
- 6:50Com relação ao teu trabalho, o que você tem feito no teu dia a
- 6:53dia, conte-nos um pouco o que você faz e de que maneira isso
- 6:57pode trazer alguma perspectiva para melhorar o entendimento
- 7:03dessa doença ou quem sabe no futuro o controle dela.
- 7:07Não, o PIRS é uma doença muito desafiadora.
- 7:12Como você comentou ali, ela foi primeiro identificada aqui nos
- 7:15Estados Unidos. Primeiro na Europa, depois lá
- 7:17nos Estados Unidos no começo dos anos noventa.
- 7:20O tipo viral que é mais prevalente, que é mais
- 7:24frequentemente encontrado na Europa, e é diferente daquele
- 7:27que é encontrado mais frequentemente aqui nos Estados
- 7:29Unidos. Então é o tipo viral que se
- 7:31encontra na Europa, dá-se o nome de PIRS tipo um, e aquele que se
- 7:35encontra aqui nos Estados Unidos. dá-se o grande nome de
- 7:38PERS tipo II, ou PERS europeia e PERS norte-americana.
- 7:43Apesar do nome, aqui nos Estados Unidos existe a circulação de
- 7:47PERS europeia, PERS tipo I, muito embora com prevalência
- 7:49mais baixa. É restrito em algumas regiões do
- 7:52país, em alguns rebanhos apenas. De forma análoga, também tem a
- 7:56circulação de PERS tipo II na Europa, principalmente devido ao
- 7:59uso vacinal de vacinas desenvolvidas com PERS tipo II
- 8:04nos rebanhos suínos europeus, principalmente na Dinamarca,
- 8:10Holanda. Na Ásia também tem bastante
- 8:15PERS, principalmente PERS tipo II.
- 8:18Então, na China, Coreia do Sul, Tailândia, Vietnã, Sudeste
- 8:23Asiático como um todo. Em relação à tua pergunta sobre
- 8:27como tem sido o meu trabalho aqui, eu acho que uma das coisas
- 8:30mais relevantes para a discussão aqui Acho que é um pouco de
- 8:36estar associado com a gente tentar fazer o uso de bancos de
- 8:40dados que existem e como a gente pode formar esses bancos de
- 8:43dados para gerar informação que é útil para produtores, para
- 8:47tentar mudar um pouco a realidade da indústria.
- 8:49Um exemplo que eu gosto de citar é um pouco da minha história
- 8:52aqui fazendo pesquisa com peers. Quando eu cheguei aqui e
- 8:55conversei com a minha supervisora, podia trabalhar
- 8:57com... dados de ocorrência de doenças em suínos que o
- 9:01laboratório de diagnóstico aqui da universidade, o Veterinary
- 9:05Diagnostic Lab, o laboratório de diagnóstico veterinário aqui,
- 9:08tem acesso. Então a gente entrou em contato
- 9:11com o pessoal do laboratório veterinário aqui e, enfim,
- 9:15através de parcerias, a gente conseguiu ter acesso às
- 9:18sequências, todas as sequências de peers que eles já haviam
- 9:21detectado aqui no laboratório ao longo dos últimos vinte, vinte e
- 9:24cinco anos. E nessa época, isso foi começo
- 9:28de dezoito, a classificação de PERS no mundo, ela chegava no
- 9:33que se referia como sendo linhagem.
- 9:37Então, dentro de cada tipo de PERS, em especial de PERS tipo
- 9:39II, a PERS norte-americana, você tinha linhagem, diferentes
- 9:43linhagens de PERS. Então, quando eu peguei, parei e
- 9:46classifiquei as sequências aqui da universidade, de acordo com
- 9:49linhagens, eu cheguei à conclusão que oitenta, setenta e
- 9:53cinco, oitenta por cento de todas as sequências de PERS que
- 9:56a gente tinha aqui, elas pretendiam o que se chamava de
- 9:59linhagem um. Isso é legal, é interessante,
- 10:01mas como epidemiologista, se alguém vira para mim e fala,
- 10:05olha, oitenta por cento dos vírus que estão presentes em um
- 10:08país são iguais. Dos dois, um, ou essa informação
- 10:13não me diz muita coisa, ou é uma introdução muito recente, que
- 10:16não deu tempo para esse vírus se diversificar, sabe?
- 10:19O que não era a história de PERS.
- 10:20Então... A gente pegou, parou, a gente
- 10:22construiu árvores filogenéticas, a gente tentou entender a
- 10:24relação genética entre esses vírus que a gente estava
- 10:27encontrando aqui no Laboratório Veterinário da Universidade.
- 10:29E a gente viu que apesar de a gente botar oitenta por cento
- 10:33desses vírus dentro de uma sacola só, dentro de um balaio
- 10:36só, existe uma diferenciação genética grande entre esses
- 10:40vírus. Então o primeiro trabalho que eu
- 10:44fiz aqui foi tentar destrinchar um pouco melhor o que é que está
- 10:48presente dentro dessa linhagem um de PERS norte-americano.
- 10:53E esse foi um trabalho que eu publiquei em dois mil e
- 10:55dezenove, com um segundo trabalho publicado em dois mil e
- 10:57vinte e um, no qual a gente descreveu a ocorrência de
- 10:59sublinhagens. São grupos dentro dessa linhagem
- 11:02um. E, tudo bem, grande coisa, no
- 11:05que isso ajuda o dia a dia, no que isso pode contribuir para a
- 11:08indústria como um todo. A partir do momento que a gente
- 11:13começou a descrever esses vírus de sublinhagens, a gente passou
- 11:17a ser capaz de enxergar alguns padrões epidemiológicos que não
- 11:20eram tão óbvios antes. Então, para exemplificar um
- 11:23pouco isso, a gente conseguiu identificar que novas
- 11:27sublinhagens de PERS aqui nos Estados Unidos, elas emergem,
- 11:31elas aparecem no campo em média uma vez a cada um a cinco anos.
- 11:35E o tempo que leva entre a emergência de uma sublinhagem e
- 11:39ela se tornar a sublinhagem dominante dentro do campo aqui
- 11:41nos Estados Unidos é em torno de três anos e meio a quatro anos.
- 11:45Então isso permite a gente entender alguns padrões de
- 11:48ocorrência da doença que não é tão óbvio no começo.
- 11:52E daí a gente começa a se perguntar, ok, será que isso não
- 11:55está contribuindo para as dificuldades, como você comentou
- 11:57no começo, professor, para as dificuldades que a gente tem em
- 12:00controlar a PERS nesses trinta e poucos anos que ela está
- 12:03circulando, ou que a gente sabe que ela está circulando aqui no
- 12:05rebanho americano? Porque, sim, o seu ponto é
- 12:09perfeito, eu acho que você está extremamente correto.
- 12:11A doença está aqui faz uns trinta e cinco anos e o sucesso
- 12:15no controle que a gente tem aqui nos Estados Unidos é, no mínimo,
- 12:18questionável. E é fácil você fazer um ponto de
- 12:21que a gente não tem sucesso no controle da doença.
- 12:24Então, entender esses padrões de diversificação genética ao longo
- 12:27do tempo podem ajudar a gente a compreender um pouco por que tem
- 12:31sido tão difícil controlar a PERS aqui nos Estados Unidos.
- 12:35Tá. Aí, com relação à questão de
- 12:38proteção, né... se você tem um rebanho que já é positivo, já
- 12:44passou aquela fase de surto, ou mesmo que aquele rebanho que
- 12:48está fechado, que é uma das estratégias de controle da
- 12:52enfermidade, essa imunidade passiva que a porca vai
- 12:58transferir aos leitões, ela não seria protetora caso haja um
- 13:05vírus diferente, uma linhagem diferente infectando o rebanho,
- 13:09Ou mesmo que seja homóloga, a proteção também não vai ser de
- 13:15sucesso? É uma ótima pergunta.
- 13:18PERS é um vírus que é desafiador.
- 13:22Ele infecta células do sistema imune, principalmente macrófagos
- 13:25que estão presentes no pulmão. Então, ela... consequência da
- 13:31infecção, a resposta imune do animal fica um pouco
- 13:34prejudicada. Então, quando a gente pensa em
- 13:36uma resposta imune que um animal monta, desenvolve após uma
- 13:40infecção, para a PERS, essa resposta não vai ser muito boa,
- 13:44não vai ser muito forte, não vai ser muito duradoura.
- 13:47Então, essas estratégias de controle da doença ou de
- 13:52controle de virulência, manifestação de sinais que se
- 13:55baseiam em imunidade, de maneira geral, para a PERS, elas têm
- 13:58sucesso limitado. Não é que elas não funcionam.
- 14:00Existem vacinas comercialmente disponíveis para coisas aqui nos
- 14:03Estados Unidos que elas funcionam, se a sua definição de
- 14:06funcionar é fazer os animais morrerem menos, terem uma
- 14:10manifestação clínica menos severa.
- 14:12Então, nesse aspecto, as vacinas funcionam.
- 14:14Mas mesmo animais vacinados, eles continuam suscetíveis a
- 14:18infecções por vírus vacinais, desculpa, por vírus não
- 14:22vacinais. Então, tem um aspecto de
- 14:24controle da doença que normalmente a gente tenta
- 14:27alcançar, utilizar a vacina, que no caso de PIRS a gente não
- 14:32consegue fazer. Essa imunidade homóloga não
- 14:35existe, as vacinas existem de forma muito, muito fraca.
- 14:39As vacinas que são principalmente utilizadas nos
- 14:42Estados Unidos não são particularmente próximas às...
- 14:47aos vírus selvagens que estão circulando no rebanho, mas mesmo
- 14:51que fosse devido à forma como a infecção de Pierce dá, mesmo se
- 14:57você infecta animais com um vírus selvagem e daqui a alguns
- 15:00meses você tenta reinfectar ele, esse animal vai ser reinfectado.
- 15:04A resposta imune do que o animal monta não é forte, ela não
- 15:07consegue prevenir a infecção. Então, tudo isso acaba
- 15:11possibilitando, gera mais possibilidade do vírus mutar, do
- 15:15vírus se diferenciar ao longo do tempo, que, de novo, volta
- 15:17naquele ponto que a gente já havia discutido anteriormente,
- 15:20de tentar entender a diversidade viral no rebanho americano.
- 15:23E, de novo, por que o vírus permanece aqui há tanto tempo e
- 15:27por que o nosso sucesso... o controle da doença é tão
- 15:30limitado. Interessante, né?
- 15:34Isso talvez explique a dificuldade do controle, né?
- 15:38Você tem um vírus que o hospedeiro não vai ter uma
- 15:43resposta imunológica efetiva para reinfecções e a vacina
- 15:49também tem a sua limitação, né? E é uma vacina viva atenuada,
- 15:53né? Isto é um problema, Igor?
- 15:55É, definitivamente. É uma situação complicada dizer
- 16:00que isso é um problema, mas isso tem claras desvantagens.
- 16:04Eu tento ser cauteloso porque é muito fácil eu acabar colocando
- 16:07as assínias como sendo o vilão nessa história.
- 16:10Muito embora eu acho que há margem para discussão, mas eu
- 16:14preciso ser claro também quando a gente tem esse tipo de
- 16:18conversa, no sentido de que As vacinas funcionam, de novo,
- 16:22depende um pouco da sua definição do que é funcionar.
- 16:24Se o teu objetivo é fazer com que, se o teu rebanho for
- 16:27desafiado por um vírus selvagem de PIRS, mais tarde, por
- 16:32exemplo, você está numa região densa, tem muitos suínos ao
- 16:36redor de ti, tem muitas fazendas ao redor de ti, a densidade
- 16:39populacional é elevada, a densidade de fazendas é elevada,
- 16:42é uma região muito contaminada, no sentido de que tem vários dos
- 16:45teus vizinhos, eles têm desafios de PIRS, Então, você vacinar o
- 16:49seu rebanho, ele vai trazer benefícios no sentido de que
- 16:51você vai ter uma menor mortalidade, você vai ter uma
- 16:53menor produção, sua conversão alimentar não vai ser tão baixa
- 16:58como ela seria caso o seu rebanho não fosse vacinado.
- 17:01Então, nesse sentido, a vacinação é uma ferramenta que
- 17:04ajuda a você produzir mais animais dado num contexto
- 17:07epidemiológico complicado, distinto.
- 17:11Isso dito, o fato de ser uma vacina com vírus vivo também
- 17:15representa desafios. com frequência a gente encontra, eu
- 17:20mencionei anteriormente que oitenta por cento dos vírus que
- 17:22a gente encontrava nos Estados Unidos eram o que a gente chama
- 17:24de linhagem um. Isso é verdade.
- 17:27Dos outros vinte por cento, oitenta por cento desses vinte,
- 17:30ou seja, quinze por cento do total, eles são o que a gente
- 17:33chama de linhagem cinco, que é um vírus vacinal.
- 17:36Então, sabe, noventa e cinco por cento dos vírus aqui nos Estados
- 17:40Unidos, ou eles pertencem a uma família viral, ou são vírus
- 17:42derivados de vacina. Então, esse é o risco de você
- 17:47utilizar vacinas com vírus atenuado, em especial no caso de
- 17:51PERS. É muito frequente você ver essa
- 17:55situação de que o vírus vacinal se readapta ao suíno, e muito
- 18:01embora nem sempre ele cause uma manifestação clínica muito
- 18:03severa, ele passa a circular meio que de forma endêmica
- 18:06naquele rebanho. E ao longo de um, dois, três
- 18:09anos, às vezes você começa a enxergar a manifestação clínica
- 18:11voltando a aparecer no seu rebanho.
- 18:14Então, com frequência, a gente enxerga aqui produtores que
- 18:17decidiram vacinar o rebanho deles três anos atrás, e agora,
- 18:20três anos depois, eles começam a encontrar aborto, começam a
- 18:23encontrar manifestação clínica, vão tentar identificar qual é o
- 18:26vírus que está ali dentro, porque eles encontram um vírus
- 18:28derivado de vacina, com alguns pontos percentuais ali distintos
- 18:33do inóculo original da vacina, mas claramente é um vírus
- 18:38vacinal, que já diferenciou ao longo do tempo, mas é vírus
- 18:41vacinal. Barbaridade.
- 18:44Então, se não bastasse o fato do vírus ser um grande problema, a
- 18:49estratégia de controle, que seja com a vacina, que é viva,
- 18:53atenuada, pode também trazer um problema.
- 18:58Mas é claro, você enfatizou, é uma ferramenta boa, mas ela tem
- 19:02suas limitações. É uma situação complicada e
- 19:06quando a gente fala de PIRS, um dos mecanismos de diferenciação
- 19:11viral que o vírus usa é o que a gente chama de recombinação.
- 19:15Isso ocorre quando você tem dois vírus, vírus de diferentes
- 19:21origens, linhagem, no caso PIRS, por exemplo, infectando o mesmo
- 19:24animal, existe uma probabilidade de que duas partículas virais,
- 19:27dois virions, infectam a mesma célula animal.
- 19:29E se isso ocorrer, você tem uma probabilidade de que o material
- 19:33genético do vírus A e do vírus B se misturem e você produza um
- 19:37vírus que é um recombinante entre esses.
- 19:39Então, nesse caso em que você tem essas vacinas com vírus
- 19:43atenuado que permanecem circulando no rebanho por um
- 19:46tempo prolongado, isso pode representar um desafio, porque,
- 19:50de novo, se você... Dá para entender por que vacinas
- 19:55são utilizadas, mas um efeito colateral do uso de vacinas é a
- 19:58circulação viral no seu rebanho. Então, você ter um vírus
- 20:01circulando no seu rebanho aumenta a probabilidade de, caso
- 20:04você tenha uma introdução de um vírus selvagem, de PERS, uma
- 20:07forma selvagem de PERS, você ter esses eventos de recombinação
- 20:10que podem contribuir com a emergência de novas linhagens,
- 20:13sublinhagens e variantes virais de PERS.
- 20:16Então, é um problema muito complicado.
- 20:19Esse controle imunológico para PERS, ele não...
- 20:21Ele é, de novo, volto a repetir, ele funciona do ponto de vista
- 20:25produtivo, do ponto de vista de diminuir as suas perdas.
- 20:28Mas existem consequências que você não imaginaria ter que
- 20:33ocorrem com o PERS e que estão associadas ou contribuem para
- 20:38essa diversificação de PERS e, em última análise, estão
- 20:40contribuindo para o vírus permanecer no rebanho americano
- 20:44há trinta, quarenta anos. Aham.
- 20:48Igor, você falou lá do macrófago, principalmente os
- 20:52macrófagos alveolares, e o vírus tem lá um, não sei se é
- 20:58predileção ou exclusividade, mas como porta de entrada aos
- 21:02macrófagos que tem ali um receptor que seria aquele CD-LB.
- 21:09O que existe, ou se é que existe já alguma informação pudesse
- 21:18trabalhar o animal para ele expressar menos essa proteína,
- 21:25quer seja trabalhando microbiota, dieta, alguma coisa,
- 21:29ou aditivo, ou mesmo, como já existe, a edição gênica.
- 21:35Com qual desses mundos você já teve contato e o que você acha
- 21:38que isso tem de perspectiva para, de repente, até ter um
- 21:41animal que não expresse essa proteína?
- 21:45Não, é uma pergunta bem interessante e dá muita margem
- 21:48para discussão. De fato, um dos receptores que o
- 21:52vírus utiliza para entrar nas células do hospedeiro, nas
- 21:55células do porco, no caso, os macrófagos alveolares pulmonares
- 21:59desses suínos, é o receptor que se chama
- 22:01CD-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-Cd-C em placas, nos quais os
- 22:11pesquisadores eles editaram linhagens de macrófagos para
- 22:16remover esse receptor, e eles expuseram essas linhagens
- 22:20celulares ao vírus, e a conclusão deles foi que se você
- 22:24remove esse receptor CD-A-C-D-A-C dessas células, o
- 22:28vírus não consegue infectar as células.
- 22:31E obviamente que a indústria como um todo, a indústria
- 22:34farmacêutica, a indústria genética, prestou atenção nesses
- 22:37trabalhos, porque tem um potencial muito óbvio da
- 22:40utilização disso. Se você consegue editar animais
- 22:43de uma forma tal que eles não expressem essa proteína viral,
- 22:46desculpa, essa proteína que você receptou dentro dos macrófagos,
- 22:50então você conseguiria, na teoria, produzir animais que são
- 22:54não suscetíveis à infecção por PERS.
- 22:56Se eles foram desafiados a vírus de PERS, o vírus não vai
- 23:02conseguir infectar as células desses animais e com isso não
- 23:05vai conseguir estabelecer a infecção, multiplicação, não vai
- 23:08ter sinal clínico. Esses trabalhos foram publicados
- 23:11em dois mil e dezenove, dois mil e vinte, vinte e vinte e um e
- 23:15tem, existem empresas genéticas aqui nos Estados Unidos que elas
- 23:17têm hoje em dia rebanhos suínos aqui nos Estados Unidos que eles
- 23:21são editados pra não expressarem justamente essa essa proteína CD
- 23:25cento e sessenta e três dos macrófagos alveolares.
- 23:28E Eu não falo para essas empresas, não trabalho com eles,
- 23:33mas não estou envolvido muito no desenvolvimento da tecnologia,
- 23:38mas o contato que eu tenho com eles e o que eles me reportam é
- 23:42que esses animais, quando desafiados em experimentos
- 23:45internos deles, quando desafiados a vírus depois, eles
- 23:47efetivamente não se infectam. sugerindo que a tecnologia, de
- 23:53fato, funciona. De novo, preciso ser cauteloso
- 23:55porque estou reportando o que indivíduos da empresa me
- 24:01falaram. Essa é uma tecnologia nova,
- 24:04embora existam artigos de forma pública que relatam esses
- 24:10experimentos em vitro, essa parte em vivo tem uma parte de
- 24:14propriedade intelectual que é mais difícil de você conseguir
- 24:18testar de forma independente. Não duvido da tecnologia, mas
- 24:21também não é algo que é tão simples de testar de forma
- 24:25pública. Está tudo na mão das empresas,
- 24:27por enquanto. Mas é uma tecnologia promissora.
- 24:30Você para para pensar, aqui nos Estados Unidos, o impacto anual
- 24:36que somente PIRS causa entre o número de animais que abortam, o
- 24:41número de animais que morrem, perdas de produção por
- 24:45mortalidade, perdas de produção por alimento, ração que você
- 24:50forneceu aos animais, e os animais acabaram morrendo antes
- 24:53de você conseguir enviar os animais para o abate.
- 24:59Tudo isso representa perdas econômicas que a doença traz.
- 25:02Então, a estimativa mais atualizada que o pessoal da
- 25:05Universidade de Iowa fez esse ano é que a perda anual por PERS
- 25:11nos Estados Unidos é na casa de um ponto um, um ponto dois
- 25:15bilhão com B de dólares por ano. Então isso seria cinco ou seis
- 25:22bilhões com B de reais por ano aqui nos Estados Unidos, que é
- 25:27algo absurdo, é algo absurdo. A gente está tentando, a
- 25:32estimativa é brincar ali, são quase quarenta dólares por
- 25:37segundo que a gente a indústria americana perde por causa de
- 25:40PERS. Então, assim, o potencial que
- 25:44essa tecnologia de edição genética dos animais tem é
- 25:47justamente reverter esse tipo de quadro.
- 25:49Então você começa a discutir, você entra em discussões sobre a
- 25:53eficiência da indústria, quanto você está ganhando de conversão
- 25:55alimentar. Tem outros tópicos que são
- 25:57interessantes de discutir ali, sabe?
- 25:58Se você tem uma menor mortalidade do teu rebanho, qual
- 26:01que é a tua pegada de carbono do teu rebanho?
- 26:03Cada vez mais essa discussão a respeito do impacto das
- 26:08diferentes indústrias, mas no caso aqui da indústria de
- 26:10produção animal, especificamente a indústria suína, tem na
- 26:13produção de gases que contribuem ao efeito estupro de forma
- 26:17direta ou indireta. Então, se você tem uma menor
- 26:19mortalidade de animais, se tem uma melhor conversão alimentar,
- 26:23tudo isso gera um menor impacto ambiental, no sentido de que
- 26:25você consegue produzir mais quantidade de proteínas dado o
- 26:33tanto de insumo que você entra na sua cadeia.
- 26:36Então, tem um potencial muito grande dessa tecnologia de mudar
- 26:40essa cara da indústria, de trazer benefícios.
- 26:45Agora, o desafio que eu enxergo aqui nos Estados Unidos é mais
- 26:49relacionado à aceitação do consumidor.
- 26:51Hoje em dia, a utilização desses animais não está autorizada
- 26:54pelos órgãos regulatórios americanos, A expectativa dessas
- 26:58empresas aí é que nos próximos um, dois anos esse aspecto legal
- 27:03vá por terra, que eles consigam ter a autorização para a
- 27:05utilização desses rebanhos, para a comercialização desses
- 27:09rebanhos, ou dessa genética. Mas tem um outro aspecto ali,
- 27:14que é o aspecto do consumidor, né?
- 27:16E entra numa outra discussão ali que é difícil.
- 27:21Sim, é geneticamente modificado. É que nem a história aqui da
- 27:25soja no Brasil. é do milho, eu não quero geneticamente
- 27:29modificado, não sabe muitas vezes nem porquê.
- 27:32Às vezes está poupando o planeta, mas mesmo assim a
- 27:37pessoa não quer porque acha que é uma agressão à biodiversidade.
- 27:41Mas o consumidor é que decide se ele vai comprar ou não.
- 27:46É um tópico muito complicado. E a sensação que dá aqui para a
- 27:50gente é que E, de novo, isso agora também é tudo sensação no
- 27:55sentido de que é ponto de conversa, de corredor.
- 28:00A gente não tem dado para suportar isso.
- 28:03Mas a sensação que dá é que vai ter nicho de mercado para
- 28:05diferentes tipos de produtos. Então, como você tem carnes com
- 28:08diferentes padrões de qualidade, porque foi alimentado de forma
- 28:11A, B ou C, ou porque o animal foi mantido da forma A, B ou C,
- 28:14talvez você tenha nicho de mercado para esse animal é
- 28:20editado geneticamente ou não. Então, talvez vai estar
- 28:24associado com diferentes custos de produção.
- 28:26A ideia, o que se imagina, o que se espera é que os custos de
- 28:30produção caiam, você está removendo uma doença tão custosa
- 28:33quanto essa, você tem os ganhos de conversão, efetividade,
- 28:36eficiência, tudo isso, na teoria, deveria levar a uma
- 28:40queda de preço, mas talvez você tenha gente que esteja disposta
- 28:43a pagar um valor mais elevado para consumir um produto que a
- 28:48percepção deles é melhor. Enfim, não vou entrar na
- 28:51discussão de percepção, porque aí cada cada cabeça uma
- 28:54sentença, mas a sensação que dá é que talvez tenha diferentes
- 28:57nichos de mercado, diferentes formas de você explorar esses
- 29:01animais de formas diferentes, para consumidores diferentes.
- 29:06Igor, eu sei que a tua realidade, você trabalha muito
- 29:10mais no laboratório, mas você conhece a doença com bastante
- 29:16clareza. Então, vamos ver se eu posso
- 29:19explorar aqui uma informação com relação ao comportamento da
- 29:24doença, porque como ela é imunossupressora, esse um
- 29:28bilhão, um bilhão e meio que se fala não é só por causa dela,
- 29:32são das outras que aproveitam o embalo da PIRS para se
- 29:37manifestar com mais severidade no rebanho.
- 29:41Se eu comparo um rebanho sem ou uma região com ou sem, tem uma
- 29:44diferença muito gritante com relação a outras enfermidades,
- 29:48como o micoplasma, o PCV-II ou qualquer outra enfermidade
- 29:55respiratória, principalmente? O principal problema é que a
- 29:59gente não tem regiões onde você não tem perda aqui nos Estados
- 30:02Unidos. Você tem alguns sistemas,
- 30:04algumas empresas que conseguem manter manter-se um pouco mais
- 30:07limpas ou menos limpas, dependendo um pouco da região
- 30:10que eles estão. Depende muito também da forma
- 30:14como a empresa opta por gerenciar seus animais.
- 30:17Tem empresas aqui que mesmo, eles decidem manter terns
- 30:22circulando dentro do rebanho, mesmo terns selvagens.
- 30:26Então eles fazem todo o manejo deles.
- 30:29Tem empresas aqui, tem fazendas aqui que eles fazem o que eles
- 30:31chamam de Em inglês é LVI, seria inoculação com vírus vivo.
- 30:37Então seria uma forma de você fazer uma auto-vacinação.
- 30:40Você encontrou o vírus na sua fazenda, você isola aquele
- 30:43vírus, você coleta soro do animal infectado, você dilui e
- 30:46reinfecta a sua fazenda com aquele vírus.
- 30:49Na ideia de você tentar meio que homogenizar a exposição, expor
- 30:52todos os animais ao mesmo tempo. E essa resposta imune, que mesmo
- 30:56ela sendo falha, fraca e insuficiente, a ideia, a
- 31:01expectativa é que você, ok, vou expor todo mundo ao mesmo tempo,
- 31:03com sorte eu consigo ter alguma resposta do município rebanho
- 31:06como um todo que gera algum nível de proteção populacional
- 31:10ali dentro. Então tem sistemas que optam por
- 31:13esse tipo de estratégia e eles nunca, nem tentam se livrar de
- 31:16perda. E ainda são sistemas que são
- 31:18economicamente viáveis aqui nos Estados Unidos.
- 31:21Tem uma discussão que você pode levantar e, ah, mas estão
- 31:24deixando dinheiro na mesa, poderiam estar fazendo mais
- 31:26dinheiro. Talvez.
- 31:28Mas ainda assim, no final do mês, a conta é positiva, mesmo
- 31:32gerenciando os rebanhos dessa forma.
- 31:35Então, apesar desses problemas, existem vários rebanhos em que a
- 31:39opção deles é manter com o poder circulando, porque preferem
- 31:45fazer dessa forma. Se eu tentar isolar, se eu
- 31:47tentar... eliminar o meu rebanho, vou repovoar minha
- 31:52fazenda com um rebanho negativo, só que todos os teus vizinhos
- 31:55são positivos, então daqui a meio ano você vai positivar
- 31:57novamente. Então todo o custo de
- 31:59repovoamento que você teve acaba indo para água abaixo de
- 32:02qualquer forma, é difícil. Então você não tem essas áreas
- 32:08dos Estados Unidos que são generalmente negativas.
- 32:11Tem alguns sistemas, alguns que conseguem manejar de uma forma
- 32:14diferente aqui e ali, mas não é tão claro. no que tange o
- 32:18prevalente de outras doenças, você tem razão também,
- 32:20professor. Grande parte da perda econômica
- 32:23que é atribuída à PERS, de certa forma, é causada por infecções
- 32:26secundárias, infecções bacterianas, mas essas infecções
- 32:30não existiriam, não ocorreriam se não fosse a PERS.
- 32:33Então, sim, você tem razão. Muito desse número ali é, de
- 32:38certa forma, inflacionado por impacto de agentes patogênicos
- 32:43que não são PERS, mas, de novo, volta naquele ponto que se não
- 32:46fosse a PERS, Esses agentes não se manifestariam da forma que
- 32:49eles se manifestam, de qualquer forma.
- 32:56Igor, assim, ele é um arteriovírus, não é envelopado.
- 33:03E mesmo assim, você diz aí, muito bem falou, tem pessoas que
- 33:10têm a receia de erradicar, de fazer despovoamento, daí
- 33:15repovoar e dali a pouco estar positivo novamente.
- 33:20Mesmo ele sendo envelopado mais sensível no ambiente, ele deve
- 33:25ter uma dinâmica de distribuição, quer seja por
- 33:30ventos, por vetores, aí tem a questão do frio que facilitaria.
- 33:36O que é considerado o maior fator de risco para reinfecção,
- 33:40além da densidade de suínos nessa região do centro-oeste
- 33:43americano? É um pouco de tudo, é um pouco
- 33:44de tudo. É um pouco de tudo.
- 33:48Eu tenho trabalhos que eu fiz que eu demonstro que alguns
- 33:56eventos climáticos eles levam a uma maior incidência de PERS e
- 34:00PED algumas semanas após a ocorrência do evento climático.
- 34:04E os eventos que eu estou me referindo aqui de forma
- 34:06particular são ventos de grande magnitude, ventos fortes e
- 34:12ocorrência de alagamentos. Então...
- 34:15O que eu fiz foi, eu mensurei se nos condados, seria análogo aos
- 34:18municípios, né? Se nos municípios ocorreram
- 34:22esses eventos climáticos e daí eu fui mensurar se a incidência
- 34:25dessas doenças mudava X semanas depois da ocorrência desses
- 34:29eventos climáticos. De fato, eu encontrei.
- 34:31A incidência aumenta um pouquinho, sugerindo que tem
- 34:32alguma coisa que esses eventos climáticos fazem que leva a uma
- 34:36ocorrência um pouco maior dessas doenças.
- 34:38O trabalho que eu fiz, eu não estudei a parte mecanística, mas
- 34:41a gente pode especular um pouco a respeito, né?
- 34:44Então, por exemplo, esses ventos.
- 34:45De que forma que o vento poderia acarretar essa maior incidência?
- 34:50Provavelmente está associado com você ter partículas virais sendo
- 34:53eliminadas de fazendas e sendo mais facilmente carreadas para
- 34:56as fazendas vizinhas. Essa é a forma como a gente
- 34:58imagina. No que tange alagamento... forma
- 35:03como a gente imagina que o alagamento pode contribuir a
- 35:07esse aumento de incidência dessas doenças, é principalmente
- 35:10devido ao alagamento dessas lagoas de estoque de fezes, de
- 35:17animais. As esterqueiras?
- 35:19Isso. Então, grande parte dos vírus
- 35:24são eliminados pelas fezes, o PED também, são eliminados pelas
- 35:28fezes, acabam parando nessas esterqueiras e quando você tem o
- 35:31alagamento desse tipo de estrutura, essa água com fezes,
- 35:37enfim, e vírus também, acaba parando em estradas, acaba
- 35:40parando, enfim, onde você dirige, e tudo isso acaba
- 35:45tornando o desafio de você manter um nível adequado de
- 35:48biossegurança na sua fazenda mais difícil.
- 35:51Então, a gente imagina que isso pode estar contribuindo para
- 35:54esse risco. Outra forma que você...
- 35:57Outro fator de risco que você comentou ali é a temperatura.
- 36:00A gente percebe uma grande diferença na incidência de FERS
- 36:04e PID associada com a expansão do ano.
- 36:06A incidência dessas doenças é maior durante o inverno do que
- 36:09durante o verão. Provavelmente está associado com
- 36:12incidência de raios ultravioleta, com temperatura,
- 36:14que tudo isso degrada uma partícula viral, torna...
- 36:18inativa o vírus de certa forma, então durante o verão isso joga
- 36:22a nosso favor, durante o inverno menos.
- 36:25Tem outras coisas que a gente pode comentar também, a questão
- 36:27de biossegurança. As fazendas aqui nos Estados
- 36:30Unidos, as condições de biossegurança não são
- 36:34necessariamente sempre muito, muito ideais.
- 36:38E às vezes você até consegue entender, quando está fazendo
- 36:42menos trinta ali fora, fala para o funcionário tomar banho para
- 36:44entrar na fazenda, é De novo, é fácil a gente falar, mas também
- 36:51é fácil você imaginar contextos em que isso acaba não ocorrendo
- 36:54da forma como deveria ocorrer, porque é difícil, é frio, a
- 36:58gente não tem noção do que é menos trinta, a gente não sabe o
- 37:00que é menos trinta aí no Brasil, mas acontece, sabemos aqui,
- 37:04menos trinta é fichinha, passam duas semanas por ano com menos
- 37:07trinta. Acho que nem meu freezer está
- 37:10dando menos trinta. Sabe, é difícil, é difícil.
- 37:14Então, toda uma outra questão, sabe?
- 37:16Ah, um outro trabalho que eu fiz aqui foi de remoção de
- 37:19mortalidade desses fazendas. Então, os animais morrem dentro
- 37:23desses fazendas e precisam ser removidos e processados de
- 37:25alguma forma. Aqui no meio oeste americano, no
- 37:28Minnesota, Iowa, existem duas ou três formas principais de você
- 37:31processar essas carcaças de animais que morrem nas fazendas,
- 37:35que são... que eles chamam de rendering, que eu não sei ao
- 37:39certo como traduz para português, que de certa forma é
- 37:42reciclagem de carcaça, reciclagem industrial de
- 37:44carcaça. Uma outra forma é compostagem,
- 37:47que faz mistura com... Maravalha, né?
- 37:53Maravalha, isso. Muito obrigado.
- 37:55E faz uma razão, uma certa proporção de carcaça para
- 38:00maravalha, carcaça para maravalha, e deixa essa pilha
- 38:03decompor ao longo do tempo e aquilo vira solo,
- 38:05essencialmente, se é bem feito. E mais raramente tem algumas
- 38:09fazendas que fazem incineração de animais.
- 38:12Só que é mais caro, porque você gasta gás, metano, propano, para
- 38:18você incinera esses animais. Então, a gente também consegue
- 38:23enxergar uma diferença na incidência de doenças de acordo
- 38:26com a forma como a fazenda lida com a sua mortalidade.
- 38:31A incidência de PERS e PED é maior em fazendas que fazem essa
- 38:35reciclagem industrial de carcaças. e a gente tenta
- 38:40entender o porquê disso, com frequência, esse é um serviço
- 38:43que é prestado por empresas terceirizadas, então é um
- 38:47caminhão que você contrata, que ele vai na fazenda, ele remove
- 38:50os animais mortos da sua fazenda, às vezes ele vai para a
- 38:55próxima fazenda, remove os animais mortos dessa próxima
- 38:57fazenda, só que se na primeira fazenda você tinha uma situação,
- 39:00você tinha a presença de algum agente patogênico, Daqui a pouco
- 39:04você está expondo a sua próxima fazenda, esse agente patogênico
- 39:07que estava presente na primeira fazenda.
- 39:09Então, tem desafios de biossegurança que são bastante
- 39:12difíceis de você lidar, porque tudo isso envolve custos, e às
- 39:17vezes você quer terceirizar esse serviço, porque você mantém um
- 39:19caminhão desse, é custoso, tem todo um tempo que a máquina fica
- 39:23ociosa, que tudo isso é custo, é dinheiro, tem que ter gente
- 39:25treinada para dar manutenção nisso, não é fácil.
- 39:28Só que daí quando você cai num serviço terceirizado, você cai
- 39:32em outros problemas de você garantir com que a biossegurança
- 39:35que você quer estabelecer de fato ocorre.
- 39:37Então, não é tão simples. Geralmente é um problema
- 39:41complicado. Igor, isso que você está
- 39:45comentando dos caminhões com a retirada de carcaças, são
- 39:50trabalhos que estão publicados ou é uma observação sua que não
- 39:57é científica? Eu pergunto porque ela é
- 40:00científica, já está tabulado e tal, porque aqui no Brasil tem
- 40:04essa discussão, né? Já esteve mais acirrada no
- 40:08passado, mas ainda ela não está resolvida, que é a questão das
- 40:12mortalidades, né? que é um problema sério de
- 40:15bem-estar do funcionário, é um problema ambiental, com taxas
- 40:20cada vez mais altas no Brasil, a gente tem aí um número parecido
- 40:24com o americano, de doze por cento de taxa de mortalidade de
- 40:27matriz, de leitões morre menos, né, mas matriz nós estamos aí
- 40:33muito parecido com vocês, né, e E os funcionários não dão conta
- 40:40disso. Então, uma forma de minimizar
- 40:42esse trabalho seria a retirada dessas carcaças.
- 40:45Mas aí, cai nesse problema que você está mencionando.
- 40:49É difícil. Então, para tocar no primeiro
- 40:52comentário que você fez, professor, ele é um trabalho
- 40:54científico no sentido de que, sim, eu tenho dados que dão
- 40:56suporte ao que eu estou afirmando aqui.
- 40:59Esses dados não estão publicados ainda.
- 41:01Esse é o detalhe. Eu estou na fase de escrever
- 41:04esses resultados. Já apresentei em conferências.
- 41:06Então, tem resumos de competências que você consegue
- 41:10encontrar e que apresentam eles. E eu espero que nos próximos,
- 41:14sei lá, seis meses, meio ano, eu tenha o artigo disso.
- 41:18Quando tiver, eu encaminho para ti, sem problemas.
- 41:20E para quem está escutando o podcast, se você estiver
- 41:24escutando a partir de maio ou junho de dois mil e vinte e
- 41:27cinco e tiver interesse nisso, manda um e-mail para o Geraldo
- 41:30Alberto, ele vai falar o e-mail dele daqui a pouco e pede para
- 41:33ele encaminhar esse artigo para você.
- 41:35Eu vou mandar para ele e ele encaminha isso para todo mundo.
- 41:39Então, assim, um ponto que eu gosto de levantar também é que
- 41:43nem toda essa forma de remoção de mortalidade, esse rendering,
- 41:49essa reciclagem industrial, nem toda reciclagem industrial é
- 41:53feita da mesma forma. Então, o que eu quero dizer com
- 41:56isso é que existem diferentes formas de você fazer uma mesma
- 41:58atividade ela vai representar riscos distintos.
- 42:02Então, quando a gente joga a reciclagem industrial, as
- 42:07fazendas que fazem reciclagem industrial de carcaça, elas têm
- 42:09uma incidência maior de PER. De novo, isso é verdade do ponto
- 42:12de vista de dados. Agora, isso não quer dizer que
- 42:15toda fazenda que faz reciclagem de carcaça faz ela da mesma
- 42:23forma. Então existem, talvez existam
- 42:25maneiras de você fazer a remoção de carcaça para reciclagem
- 42:28industrial de uma forma que seja biossegura, que você não
- 42:31represente isso para a tua ou para as fazendas ao redor de ti.
- 42:34Então essa é uma discussão que a gente tem tido aqui nos Estados
- 42:36Unidos também, de tentar estabelecer aquilo que nos
- 42:40Estados Unidos eles chamam de dead boxes, que vai me falhar a
- 42:44terminologia em português, que é, o animal morreu dentro da
- 42:48fazenda, você coloca o animal para o lado externo da fazenda,
- 42:51e daí você, usando um trator, um maquinário, você carrega esse
- 42:56animal para uma caixa, idealmente de concreto, às vezes
- 43:00de metal, que fica próxima da estrada que dá acesso à fazenda.
- 43:05E, na teoria, o caminhão de remoção de carcaça somente
- 43:08deveria ter acesso a essa caixa, e não à fazenda em si.
- 43:11A maior parte das vezes, aqui nos Estados Unidos, fazendo o
- 43:14que eu visitei, de fato é isso que ocorre.
- 43:16Agora, o que ocorre é que essas caixas onde esses animais mortos
- 43:20são estocados até a chegada do caminhão, na beira da estrada,
- 43:24nem sempre elas são vedadas de forma adequada.
- 43:29Às vezes essa estrutura que era para ser de ferro enferrujou,
- 43:32porque a caixa já está lá faz uns cinco, seis, dez anos.
- 43:35Então, um pouco desse chorume, desse líquido de decomposição
- 43:38dos animais, mesmo fezes, urina, acaba escorrendo para fora e às
- 43:43vezes isso escorre para o para a estrada em que os funcionários
- 43:46estão dirigindo para acessar a fazenda, que eu estou indo na
- 43:49fazenda como visitante, que o veterinário está indo lá para
- 43:52verificar o problema de produção na fazenda.
- 43:55Então, talvez existam formas de a gente fazer esse processo de
- 43:59remoção de carcaça que represente um risco menor.
- 44:01Então, o foco que eu tenho tentado ter no meu trabalho aqui
- 44:06vai um pouco nisso. Eu não quero demonizar a remoção
- 44:08de carcaça. essa reciclagem industrial de carcaça.
- 44:11Inclusive, eu acho que, com frequência, ela é uma ferramenta
- 44:14extremamente útil. Quando a gente tem um surto de
- 44:16PERS aqui em fazenda, daqui a pouco você não tem mais uma ou
- 44:20duas porcas morrendo por dia. Você tem trezentas morrendo por
- 44:23dia. E aí, como é que você vai fazer
- 44:25compostagem de trezentas animais por dia?
- 44:26Não tem como. Não tem como.
- 44:30Você não consegue. Vai incinerar trezentas
- 44:32carcaças. Não consegue também.
- 44:35É difícil. Aí você tem...
- 44:37Ok, então eu tenho incineração na minha fazenda.
- 44:39Aí o maquinário que faz incineração quebra.
- 44:42Eu vou ficar uma semana dando manutenção e as carcaças vão
- 44:44ficar o quê? Apodrecendo em algum lugar?
- 44:46Então você tem que ter uma forma de você fazer essa remoção de
- 44:49carcaças das suas fazendas que seja biossegura.
- 44:52Eu acho que esse é o desafio. Então, o ponto que eu tenho
- 44:55tentado levantar não é, ah, vamos deixar de fazer essa forma
- 44:58de remoção de animais, mas sim, vamos tentar pensar em
- 45:02estratégias que a gente faça da remoção de uma forma que não
- 45:04represente risco para a gente. Eu acho que esse é o principal
- 45:07problema. Correto.
- 45:09É, não dá para generalizar, né? Nada, né?
- 45:14É pensar e fazer de um jeito que sejam traçadas rotas e normas de
- 45:20biossegurança que tornem esse processo eficaz, porque também,
- 45:26de certa forma, uma composteira também representa perigo.
- 45:31Eu vejo aqui na região que nós estamos, o oeste do Paraná, onde
- 45:35tem várias integrações diferentes, cooperativas
- 45:39diferentes, agroindústria diferente, e os vizinhos têm
- 45:43suas composteiras, uma do lado da composteira do outro.
- 45:46Às vezes a composteira não é telada, às vezes... a quantidade
- 45:50de maravalha que ele usa para colocar sobre as carcaças não é
- 45:53adequada. Tem o churume.
- 45:55Então, também, apesar de ele não estar tirando a carcaça da
- 45:59propriedade, ele está contribuindo com a disseminação,
- 46:03porque o rato, o urubu, o cachorro, os bichos que vão lá,
- 46:10são atraídos por essa carcaça. Ele vai levar essas
- 46:14enfermidades, o mosquito. E pensando no mosquito...
- 46:18Deixa eu te contar uma história rapidinho aí nessa questão de
- 46:21animais silvestres e esses carcaços aí.
- 46:24Então, carcaços de animais mortos nesse tipo de estrutura.
- 46:27Então, nesse trabalho que eu fiz, eu visitei fazendas e eu
- 46:30conversava com os gerentes, enfim.
- 46:33O pessoal das fazendas dizia, ah, você enxerga um animal
- 46:37silvestre nesse tipo de estrutura?
- 46:40Não teve uma fazenda que eu visitei e que a resposta foi,
- 46:43não, eu não enxergo. então todo mundo enxergava seja nessas
- 46:48estruturas que os caminhões para reciclagem industrial visitavam,
- 46:52mas mesmo as fazendas que faziam compostagem de animais eles
- 46:57também reportavam, não, eu enxergo águia eu enxergo coiote,
- 47:00lobo guaxinim diz o nome do animal e a resposta vai ser sim
- 47:06eles enxergavam de tudo carregando esses animais para
- 47:09fora, então eu fiz um trabalho em que eu visitava essas
- 47:12estruturas Eu identificava carcaças do lado de fora dessas
- 47:15estruturas e eu amostrava essas carcaças.
- 47:18Às vezes a carcaça de leitão já está seca, já esturricou lá.
- 47:23Eu pegava, enfim, fazia uma amostragem dessa carcaça,
- 47:26passava de forma bem grosseira, passava um paninho nela e
- 47:31mandava essa amostra para ser testada no laboratório.
- 47:34E eu encontrei partículas virais nesse tipo de amostra.
- 47:37Então, o teu ponto é muito bom também.
- 47:41Então, assim... Por fazer compostagem, talvez
- 47:45você reduza algum risco? Sim, talvez.
- 47:47Agora, a gente tem que estar sempre em cima e prestando
- 47:50atenção nesses processos, porque não é o fato de você fazer
- 47:53compostagem que garante que você não está exposto a risco.
- 47:56De novo, existem formas e formas de você fazer esse mesmo
- 48:00processo. Se você não está utilizando uma
- 48:02razão adequada, uma razão adequada de maravalha para
- 48:06carcaça, a temperatura que você vai atingir dentro da sua
- 48:10compostagem não vai ser alta o suficiente para você garantir a
- 48:13inativação desses vírus. Talvez você vai ter um monte de
- 48:16resto de animais, ossos, pele, que não conseguiu decompor, por
- 48:23a temperatura não ter sido tão alta, às vezes pode inclusive
- 48:26ter partícula viral ali. E aí, ah, estou fazendo
- 48:28compostagem, não estou melhor. Depende muito de como você está
- 48:32fazendo isso. Então, acho que sempre é
- 48:34importante um recado aí para... quem estiver ouvindo, e fique em
- 48:38cima de como você faz o teu processo e não somente qual
- 48:42processo você faz. Porque o diabo está no detalhe.
- 48:46Você prestar atenção ali de como você está fazendo aquilo que
- 48:50você diz que está fazendo é aquilo que vai fazer a diferença
- 48:53para ti. E aí vocês têm o problema do
- 48:57inverno, né? Como vai fazer uma compostagem
- 48:59no inverno? Não faz, né?
- 49:01O pessoal faz, o pessoal faz. Mesmo no inverno não consegue
- 49:04chegar a temperaturas adequadas, é que são pilhas maiores.
- 49:06Então, sim, talvez o primeiro trinta, quarenta, cinquenta
- 49:08centímetros ali, de fato, a temperatura fica mais baixa do
- 49:11que deveria, mas no centro da pilha a temperatura ainda sobe e
- 49:15chega, enfim, funciona. Você tem que revirar ela mais
- 49:18vezes, mas você consegue fazer também.
- 49:20Por incrível que pareça, o inverno não é um desafio no que
- 49:25está de comportagem. Não é um problema.
- 49:26Se você fizer ela bem feita, se você, sabe, segue a receita e a
- 49:30a forma de maneira apropriada. E com relação à mosca, você tem
- 49:36feito alguma pesquisa com relação à participação da mosca,
- 49:39na distribuição da doença, manutenção?
- 49:42Poxa, esse é um trabalho que eu nunca fiz, não.
- 49:45É um tópico que eu não explorei. A gente já teve discussões aqui
- 49:49no departamento para tentar entrar nessa área, Tem
- 49:55oportunidades ali. A gente não entende muito bem a
- 49:57dinâmica da doença dentro do rebanho.
- 49:59De maneira geral, a unidade de análise que a gente usa são
- 50:01fazendas e não animal. Só que, no entanto, o que se
- 50:05infecta é um animal. A gente tende a tratar a fazenda
- 50:09positiva, a fazenda negativa, mas, no fundo, a unidade
- 50:12biológica que efetivamente está sendo infectada é um animal.
- 50:15Então, como que ocorre? Como é que se dá essa dinâmica?
- 50:19dentro de uma fazenda quando um vírus é introduzido.
- 50:22Como é que esse vírus é transmitido de um animal para o
- 50:24outro? Será que é só contato
- 50:25nariz-nariz? Será que é por saliva?
- 50:27Será que é por funcionário que caminha de um galpão para o
- 50:29outro? Será que é mosca?
- 50:32Então, tem perguntas interessantes a serem
- 50:35respondidas ali que eu não tenho a resposta.
- 50:37Mas o noctitano de mosca, em especial, acho que é um tópico
- 50:40muito interessante. Vale a pena procurar.
- 50:44Legal. Igor, já estamos com...
- 50:47Cinquenta minutos. Eu sei que você tem compromisso
- 50:50daqui a pouco. Então, caminhando aqui para o
- 50:53encerramento... Rapidinho, professor.
- 50:56Antes de você encerrar... Mas eu vou fazer a pergunta
- 50:58antes ainda. Não, tá bom.
- 51:00Só porque a gente está falando de mortalidade, deixa eu só
- 51:03fazer uma propaganda aqui. No momento, eu estou com uma
- 51:06vaga de mestrado aberta para trabalhar com um projeto de
- 51:13remoção de mortalidade em fazendas americanas.
- 51:16Se alguém tiver interesse nisso, hoje o dia do dato da entrevista
- 51:19é dia onze de outubro, não sei quando que vai pro ar, mas se
- 51:22você ouvir isso ainda em outubro, mesmo em novembro de
- 51:26dois mil e vinte e quatro, se você tiver interessado em fazer
- 51:29pesquisa, trabalhar ou ter um mestrado em medicina
- 51:33veterinária, nessa área de suinocultura, em especial no que
- 51:36é biosegurança, entra em contato comigo.
- 51:39Meu e-mail é ipaplosk, i-p-a-p-l-o-s-k, arroba,
- 51:44unn.edu. Entra em contato comigo,
- 51:46escreve, pô, Igor, escutei teu podcast, tenho interesse, vamos
- 51:49conversar. Tenho interesse em conversar com
- 51:51você. Se você estiver ouvindo isso, eu
- 51:53quero conversar contigo. Olha, que legal.
- 51:56Tomara que dê tempo aí. Já pensou em estar no top um por
- 51:59cento da suinocultura? Acesse academiasuina.com.br e
- 52:04invista no seu conhecimento. O Suinocast só é possível
- 52:09através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 52:12educação continuada na suinocultura brasileira.
- 52:16Seva, sempre com você, além da saúde animal.
- 52:20DSM Firmenich, moldando o futuro dos cuidados com suínos.
- 52:25Polinutri Nutrição Animal, juntos vamos mais longe.
- 52:30Igor, pensando no nosso encaminhamento, Poxa, a gente
- 52:33conversou aí vários aspectos importantes, uma doença causando
- 52:37um prejuízo bilionário para os Estados Unidos.
- 52:44Você fazendo um trabalho de identificação muito legal,
- 52:47conhecendo as linhagens que estão infectando o rebanho.
- 52:51E a questão de vacinas que são problemáticas, a doença não...
- 52:59não mudou muito desde que entrou.
- 53:03Entrou não, talvez, desde que ela começou a se manifestar.
- 53:08Mas a pergunta que eu te faço para deixar uma reflexão final.
- 53:13Você enxerga, pensando em prognóstico, não é só
- 53:17diagnóstico, a gente tem que falar de prognóstico.
- 53:20Sei lá, para os próximos dez anos, cinco anos, alguma coisa
- 53:24de nova que possa amenizar o impacto financeiro dessa doença.
- 53:33Você já mencionou um pouquinho sobre a edição gênica, mas
- 53:37alguma outra novidade que você tenha ouvido falar?
- 53:41Existem trabalhos de pessoal que tem tentado desenvolver formas
- 53:46de você produzir uma resposta imune nesses animais, talvez não
- 53:49necessariamente por uma infecção natural, mas que seria uma
- 53:53resposta imune que espera-se que ela seja mais protetora do que
- 53:58aquela que a resposta vem a partir de uma infecção natural
- 54:03então existe algum potencial desse tipo de tecnologia gerar
- 54:07alguma coisa que mude de forma mais drástica a distribuição da
- 54:13doença no campo se eu acho que isso vai acontecer ou não eu
- 54:19queria poder ter uma resposta melhor porque eu aproveitava e
- 54:21jogava na mega cena é difícil dizer é difícil dizer Eu acho
- 54:27que a gente tem, assim, apesar dos erros e tropeços aqui e ali,
- 54:31eu acho que, de certa forma, a indústria americana, assim, não
- 54:35é uma indústria muito resiliente.
- 54:36Ela, apesar de perda, é uma indústria economicamente viável.
- 54:40Ela continua, apesar desses desafios absurdos, ela continua
- 54:44produzindo animais, continua exportando carne, continua
- 54:47empregando gente aqui. Então, tem algo a se dizer de
- 54:51que, apesar do desafio, a indústria... levanta o queixo e
- 54:56continua caminhando. Então existem discussões a
- 54:59respeito de como a gente pode melhorar a biossegurança, o que
- 55:02a gente pode continuar melhorando para tentar diminuir
- 55:05a incidência das doenças. Um outro exemplo que eu dou são
- 55:09fazendas que fazem filtração a ar.
- 55:10Isso também acaba sendo comum aqui nos Estados Unidos.
- 55:13As fazendas instalam filtros de ar ou na entrada de ar na
- 55:17fazenda ou na saída do ar da fazenda.
- 55:18Depende da tecnologia que eles optam em uma determinada
- 55:23fazenda. a gente observa que a incidência de PERS e PID nessas
- 55:27fazendas é menor. Só que a gente sempre, de
- 55:29maneira geral, os comentários são, é, mas tem que tomar
- 55:31cuidado para não atribuir esse benefício exclusivamente à
- 55:34filtração. Porque essas máquinas que fazem
- 55:39a filtração são muito caras, é muito difícil você instalar
- 55:43isso. Então, dado que você gastou cem,
- 55:46duzentos e cinquenta mil dólares para instalar esses sistemas de
- 55:50filtração na sua fazenda, o cuidado que você tem com
- 55:52biossegurança é muito maior. Então você tem ganhos de
- 55:56biossegurança que você acaba só tendo em fazendas que fazem
- 56:01filtração porque o dinheiro que você investiu lá é maior.
- 56:03Mas a pergunta que eu faço é por que a gente não consegue fazer
- 56:07esses cuidados de biossegurança em fazendas em que a gente não
- 56:10tem filtração? O que a gente está fazendo de
- 56:11diferente ali nessas fazendas? Então isso também é um campo que
- 56:15eu acho que tem área, dá para a gente explorar isso, para a
- 56:18gente tentar... entender um pouco melhor o mecanismo por
- 56:20trás dessa queda na incidência em fazendas filtradas e tentar
- 56:24usar esse conhecimento para melhorar a condição para outras
- 56:27fazendas e quem sabe mudar um pouco do cenário aí.
- 56:30Eu acho, assim, tirando esses animais geneticamente
- 56:33modificados do cenário, não vejo a situação mudando de forma
- 56:38absurdamente drástica nos próximos dez anos, cinco, dez
- 56:41anos. De novo, quem sou eu para dizer,
- 56:43não tem bola de cristal, mas Tomara que mude, a indústria
- 56:48precisa de mudança, a gente precisa ser capaz de produzir
- 56:50animais de forma mais saudável, de forma mais economicamente
- 56:53válida, com menor pegada de carbono.
- 56:55E também, enquanto indústria, a gente precisa garantir que a
- 57:00sociedade enxergue a gente com olhos bons, com uma visão
- 57:04positiva da indústria. E se a gente tem animais
- 57:08morrendo por doenças, é mais difícil você ter essa imagem
- 57:11positiva. Então, quanto menos desafios,
- 57:14quanto melhor a gente conseguir fazer o nosso serviço, mais
- 57:16positiva vai ser a imagem da indústria para a sociedade.
- 57:19Então, eu torço para que tenha coisas surgindo aí no horizonte,
- 57:23eu torço para que tenha mais pesquisadores vindo trabalhar
- 57:26com isso, porque lugar para pesquisa tem, espaço para
- 57:30trabalhar com isso, para desenvolver esse tipo de
- 57:32tecnologia, buscar esse tipo de solução tem.
- 57:35A gente precisa de gente, precisa de botar o cérebro para
- 57:39pensar. Show de bola.
- 57:42Igor, fantástica a tua participação aqui nesse podcast,
- 57:46informações muito legais, não é algo que você abre um livro e
- 57:51encontra essa informação, são coisas diferentes, uma percepção
- 57:55sua como pesquisador, numa região dos Estados Unidos que
- 58:01tem a suinocultura expoente, numa universidade que tem no seu
- 58:05DNA a pesquisa na área de suínos.
- 58:08Te agradeço muito por compartilhar conosco essas
- 58:11informações e espero, quem sabe no futuro, a gente contar
- 58:16contigo num novo episódio. Queremos conversar sobre PED
- 58:22ainda, não hoje, mas quem sabe num outro episódio.
- 58:27Estamos aí, é um prazer conversar com todo mundo, de
- 58:29novo, me coloco à disposição aí, fiz piadinha ali comentando de
- 58:33entrar em contato com o professor, que eu pedi o artigo
- 58:35para ele, de certa forma é uma piada, mas também é algo
- 58:39genuíno, entra em contato, não só com o professor Geraldo, mas
- 58:41entra em contato comigo, mencionei meu e-mail mais cedo,
- 58:44eu posso colocar meu e-mail ali depois também para o professor,
- 58:47o professor põe de alguma forma aí no podcast, entra em contato
- 58:50comigo, se você tem interesse em trabalhar com esse tipo de
- 58:52coisa... discutir mais, trocar uma ideia.
- 58:55A gente nunca sabe de onde a inspiração vai aparecer.
- 58:59Então, estou à disposição dos ouvintes, estou à disposição de
- 59:01você também, professor Geraldo, no que puder ajudar.
- 59:04Portas abertas. Acho que também isso é um pouco
- 59:06do... De novo, tive aula contigo no
- 59:09primeiro universidade no qual você trabalhava.
- 59:12Acho que é um pouco da missão também que a gente tem.
- 59:15Tentar aumentar o conhecimento como um todo, não só para... a
- 59:20população americana, hoje em dia eu estou sendo pago pelos
- 59:22Estados Unidos, mas eu sou brasileiro, enfim, estamos aí,
- 59:25contem comigo. Legal, muito obrigado, um forte
- 59:31abraço para você e para todos os nossos ouvintes.
- 59:35Obrigado, para todo mundo também.