Latest / Na Mesa com Well / Ravenhill: O Profeta no Castelo e o Deserto Urbano
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el lugar, para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:08dia a dia. E este é o nosso novo episódio
- 0:10do dossiê da série legado de unção.
- 0:13Leonard reven Hill, o profeta do secreto e do Avivamento.
- 0:19Imagina só a seguinte cena, um britânico refinado.
- 0:22Vestindo um terno assim impecável.
- 0:25Certo. Com aquele sotaque clássico, né?
- 0:27Bem polido do interior da Inglaterra.
- 0:30E ele tá de pé no meio de um gueto no Brooklyn, Nova Iorque.
- 0:34Nossa, isso no início dos anos 60.
- 0:37E ele tá cercado por membros de gangues jovens destruídos pelo
- 0:41vício uhum. E o detalhe é, ele não tenta
- 0:44usar gírias. Pois é.
- 0:46Ele, ele não tenta parecer descolado com a galera, sabe,
- 0:50mas quando ele abre a boca. Aquele sotaque britânico
- 0:53ríspido, simplesmente incute um terror absoluto, um terror
- 0:58reverente naquele jovem. Então, nesse nosso mergulho de
- 1:02hoje nas Fontes, a gente vai rastrear exatamente isso.
- 1:05Como o Leonard reven Hill deixou de ser apenas aquela voz nas
- 1:09grandes campanhas na Europa para se tornar essa essa força
- 1:13silenciosa, mas implacável nos bastidores da América.
- 1:18É, e o que torna? É essa transição tão fascinante
- 1:22é que ela contraria, tipo, quase todas as regras modernas que a
- 1:25gente tem sobre crescimento de influência, né?
- 1:28Com certeza. Porque, geralmente, quando
- 1:30alguém alcança o topo do sucesso ministerial, o caminho natural é
- 1:34o que é buscar palcos ainda maiores.
- 1:36Sim, arenas maiores, né? Exato, arenas maiores, mas essa
- 1:39reconfiguração geográfica e espiritual do Raven Hill,
- 1:44especialmente ali a partir de 1958.
- 1:47Nos mostra um homem que fez literalmente o caminho inverso.
- 1:50Ele, ele andou na contramão. Totalmente na contramão, ele
- 1:54abraçou o isolamento. Pra poder falar mais alto e pra
- 1:58gente entender bem esse mergulho, a gente precisa
- 2:00estabelecer uns 3 conceitos base aqui.
- 2:04Manda bala. Tá primeiro, a confrontação
- 2:07profética, urbana, que é esse encontro, né?
- 2:09Da teologia dele, com a urgência das ruas.
- 2:13Segundo, a reclusão profética. Que é o isolamento voluntário em
- 2:18locais remotos para lapidar textos, né?
- 2:21Textos urgentes, certo? E o terceiro é o que a gente
- 2:24pode chamar de mentoria por epístolas, que é a transição
- 2:27desses grandes palcos para uma influência muito profunda e
- 2:31individual através de cartas. Cartas.
- 2:34Isso é muito interessante, mas vamos voltar um pouco.
- 2:38Vamos para entender como ele foi parar nos Estados Unidos.
- 2:41Em primeiro lugar, né? Porque na nossa última imersão
- 2:44nessas Fontes. A gente viu que ele passou para
- 2:46um moedor de carne literal e metafólico.
- 2:49Nossa, sim. O terrível acidente depois do
- 2:52incêndio em Chicago, ele foi quebrado fisicamente e as Fontes
- 2:57apontam para uma data específica no dia 12/07/1958.
- 3:02Exatamente 12 de julho. Que é o momento decisivo em que
- 3:05ele AA esposa Marta e os 3 filhos, né?
- 3:08O Paul, o David e o Felipe. Eles cruzam o oceano e se
- 3:12instalam de vez nos Estados Unidos e.
- 3:14E olha, o destino inicial deles diz muito sobre o estado de
- 3:18espírito da família, por que eles não vão para uma metrópole
- 3:22badalada? Não vão para Nova Iorque direto.
- 3:24Não, de jeito nenhum. Nem para o centro do mercado
- 3:27editorial cristão eles são acolhidos na bethany fallochip.
- 3:30Bethany fallochip, onde fica isso?
- 3:32Fica em Minneapolis, lá no meio Oeste americano era uma
- 3:36comunidade liderada pelo Ted regry.
- 3:38E tinha uma forte influência da teologia do Norman group, certo?
- 3:43Ah, vamos desvendar isso aqui porque eu preciso entender a
- 3:46mecânica dessa situação, tá bom, como que um pregador britânico
- 3:50famoso que estava acostumado a arrastar multidões lá na
- 3:52Inglaterra e no país de Gales? Sim, como ele aterriça no meio
- 3:56Oeste americano e simplesmente se encaixa numa comunidade
- 4:00missionária? Pois é, tipo, isso para mim soa
- 4:03como é colocar um motor de Ferrari num trator agrícola.
- 4:08Sabe qual era a dinâmica real do dia a dia deles lá?
- 4:12Hã? O que é fascinante aqui é que a
- 4:15dinâmica era de um enraizamento brutal.
- 4:17A bethany fellowship, ela funcionava como uma verdadeira
- 4:21estufa. Sabe uma incubadora teológica?
- 4:24Uma incubadora? Isso ele não chegou lá com
- 4:27aquele status de celebridade intocável.
- 4:29Ah, entendi. A influência dele foi forjada na
- 4:33convivência diária. Só pra você ter uma ideia, o
- 4:36contraste é enorme enquanto ele viajava.
- 4:39Por pelo meio Oeste, pregando sobre uma tenda gigantesca.
- 4:42Uma tenda? Sim, uma tenda enorme que
- 4:44comportava 1000 pessoas. Caramba.
- 4:47E ele passava horas editando a revista do Ministério, a day
- 4:51Spring uhum. Mas enquanto ele fazia isso
- 4:53tudo, a esposa dele, a Marta, ela estava ativamente servindo
- 4:57na cozinha da bethany, na cozinha, na cozinha, ajudando a
- 5:00alimentar centenas de estudantes e missionários no campus.
- 5:03Isso, olha, eu fico chocado com isso.
- 5:06Porque hoje a gente está tão acostumado com a ideia do do
- 5:10palestrante, né, que chega de jatinho?
- 5:12Nossa, sim. Vai direto pro palco exato, vai
- 5:15do hotel pro palco, faz o discurso e vai embora
- 5:19sintrocrático 2 palavras com a equipe da limpeza, sabe?
- 5:23É, não fala com ninguém. E você está me dizendo que a
- 5:25base da influência dele na América começou com a esposa
- 5:30dele descascando batatas? EE ele tomando café com
- 5:35estudantes comuns. É exatamente esse ponto.
- 5:37A bethany fallow, chap expandiu a visão do próprio Raven Hill
- 5:42sobre o que é um discipulado profundo, né?
- 5:45E sobre comunhão. Ele, ele convivia com as dores
- 5:49daquelas pessoas, as dúvidas, as alegrias.
- 5:52Ele tava no meio do povo. No meio do povo, a autoridade
- 5:56dele não vinha do cartaz, que tinha o nome dele gigante lá na
- 5:59frente. Vinha do fato de que ele vivia o
- 6:02que pregava no dia a dia. Fantástico.
- 6:05Então essa fase lá em Minneapolis foi mesmo uma
- 6:07incubadora? Preparou ele pro que tava por
- 6:10vir, porque o meio Oeste, ele era bem pacífico, mas a missão
- 6:14que aguardava ele era essencialmente um campo de
- 6:17Batalha. E aí que a tranquilidade de
- 6:19Minneapolis sofre uma rutura, né?
- 6:21Uma rutura quase que violenta. A paz da incubadora é trocada
- 6:25pelo caos absoluto de Nova Iorque.
- 6:27Sim, o caos do Brooklyn. Porque as Fontes revelam um
- 6:30convite de ninguém menos que o David Wilkerson.
- 6:34O próprio. Que tinha acabado de estourar.
- 6:37Tipo, ele fez um sucesso absurdo com o impacto do livro a Cruz e
- 6:41o punhal, né? E ele chama o Leonard para se
- 6:43juntar ao Tim challenge, ao desafio jovem.
- 6:47Exato. E aí a família reven Hill
- 6:49empacota tudo e se muda para um apartamento.
- 6:53No segundo andar, na avenida Clinton, bem no coração do
- 6:56Brooklyn. E é aqui que a gente observa o
- 6:59que a gente chamou, no começo, de uma autêntica, confrontação,
- 7:03profética, urbana, uhum, ele deixa o ambiente rural e
- 7:06controlado. E vai pra guerra.
- 7:08Vai pra guerra, ele colide de frente com a urgência brutal ali
- 7:13das ruas. Mas olha que interessante, o
- 7:15método dele no brooklin é muito revelador.
- 7:18O que ele fazia? Ele assume o papel de capelão do
- 7:20Ministério e, mais importante, bastidores.
- 7:27Sempre o secreto, né? Sempre todas as terças e quintas
- 7:31feiras de manhã. O foco dele era puramente
- 7:34equipar a equipe é de funcionários e ensinar os jovens
- 7:38que tinham sido recém resgatados das gangues.
- 7:41E aqui é exatamente aqui que a gente volta para aquela imagem
- 7:43mental lá do começo da nossa conversa, um britânico formal no
- 7:47brooklin dos anos 60, lendo as Fontes.
- 7:50A primeira coisa que eu pensei foi tipo, nossa, isso é uma
- 7:53receita para o desastre cultural.
- 7:55Parece, né? Parece porque os membros de
- 7:57gangues dariam ouvidos a ele como essa comunicação funcionou
- 8:01na prática? Porque assim, do ponto de vista
- 8:03psicológico, parece que tem um abismo aí, né?
- 8:06Intransponível. É se a gente pensar com a lógica
- 8:08Moderna do marketing. Diriam que ele precisava se
- 8:12adaptar à cultura. Sim, colocar uma jaqueta de
- 8:14couro, talvez. Usar as roupas deles, né?
- 8:17Adotar os maneirismos, usar as gírias da rua para forçar uma
- 8:21proximidade. E ele fez isso.
- 8:22O ravenill fez o oposto absoluto disso.
- 8:25A autoridade dele provinha de uma autenticidade inegociável.
- 8:31E do que aqueles jovens percebiam como o poder genuíno
- 8:35do Espírito Santo? Mesmo o contraste entre a
- 8:37formalidade britânica dele e a crueza ali do Brooklyn era era
- 8:42tão chocante que quebrava as defesas cínicas dos rapazes.
- 8:45Eles não tinham como rebater, né?
- 8:47Não tinham. Eles não viam ali um homem
- 8:49tentando ser legalzinho ou jovem.
- 8:51Eles viam um homem que acreditava tão piamente no que
- 8:54estava dizendo. Que isso os aterrorizava, no bom
- 8:58sentido, sabe? Tem um relato nas Fontes que é
- 9:02feito pelo dongdettert. Ele era um dos jovens da equipe
- 9:06na época. E olha, eu fiquei chocado quando
- 9:10eu lia. Esse relato é impressionante.
- 9:11Ele conta que o Leonard pregou pra eles por 6 semanas inteiras.
- 9:166 semanas. Foram 12 sermões no total, e
- 9:20adivinha o tema? Conta pro pessoal?
- 9:22Um único versículo, Mateus 53. Bem aventurados os pobres em
- 9:27espírito. Gente, 12 cultos inteiros
- 9:31falando sobre a pobreza de espírito para pessoas que
- 9:35materialmente e socialmente já viviam na pobreza, na
- 9:39marginalidade. Exato, como que você segura a
- 9:41atenção de dezenas de jovens ex viciados no meio do Brooklyn
- 9:47falando a mesma frase ou o mesmo conceito?
- 9:5012 vezes seguidas. É um mistério.
- 9:53Porque especificamente, esse versículo quebrou essas pessoas.
- 9:57Se a gente analisar a psicologia de um membro de gangue, qual é a
- 10:01única moeda de troca que ele tem para sobreviver na rua?
- 10:05O respeito amarra. Amarra é o orgulho.
- 10:08É a recusa total em demonstrar fraqueza quando o ravinho passa
- 10:1312 sessões martelando essa ideia de bem aventurados os pobres em
- 10:17espírito. Ele não está falando de falta de
- 10:18dinheiro no bolso? Claro que não.
- 10:20Ele está desmontando cirurgicamente, camada por
- 10:24camada, aquela armadura de arrogância, a autossuficiência
- 10:28que aqueles jovens usavam como escudo, né?
- 10:31Para não serem mortos no gueto. Faz todo sentido.
- 10:35O derzecht mesmo relata que ninguém olhava para o relógio
- 10:38tipo reven Hill levava aquelas equipes inteiras as lágrimas,
- 10:41porque a convicção dele transcendia a Barreira cultural.
- 10:45Iria direto na alma. Direto, ele não oferecia
- 10:48entretenimento para ele, sabe? Ele oferecia diagnóstico e cura.
- 10:52Uau mas assim você não pode despejar esse nível de
- 10:58intensidade de energia. Num ambiente como Nova Iorque?
- 11:02É pesado. É muito pesado e você não pode
- 11:04fazer isso sem esvaziar completamente o seu próprio
- 11:07tanque. Com certeza.
- 11:08A metrópole cobra o seu preço da alma humana.
- 11:12Cobra mesmo. E para um homem cuja força vital
- 11:16dependia da oração silenciosa da solidão, o barulho constante
- 11:21ali, o peso daquelas tragédias urbanas.
- 11:24Tudo isso começou a sufocar o cara.
- 11:26Começou ele precisava escapar. E é aí que as Fontes nos levam
- 11:30pra uma direção bem inesperada. Sim, e esse movimento de fuga
- 11:33nos leva ao que a gente definiu como reclusão profética.
- 11:37Reclusão profética. Isso, mas olha, diferente de um
- 11:41retiro de férias, né? Pra Descanso físico.
- 11:44Essa era uma retirada voluntária e muito estratégica, tá?
- 11:48Era um isolamento bem drástico para jejuar interceder e colocar
- 11:53no papel algumas verdades teológicas que estavam queimando
- 11:56na mente dele. E assim.
- 11:58Os locais que ele escolheu para fazer isso são no mínimo
- 12:02inusitados. Inusitados.
- 12:04É um eufimismo, sim. Espera aí.
- 12:05Aqui é que a coisa fica realmente interessante.
- 12:08Eu vou bancar o Advogado do Diabo agora?
- 12:09Vá em frente. As Fontes relatam que ele foi
- 12:12passar uma temporada de reclusão na Dark Island, que também é
- 12:17conhecida como o Castello Singer, nas 1000 ilhas lá no
- 12:21estado de Nova Iorque. Isso.
- 12:23E nós não estamos falando de uma cabaninha de madeira isolada na
- 12:26floresta. Não mesmo.
- 12:28É um castelo literal. 42 quartos, 18 banheiros, passagens
- 12:33secretas que eram usadas na antiga Rota de Fuga de escravos
- 12:37uhum. À noite, os grandes navios
- 12:40oceânicos passavam e iluminavam o castelo com holofotes.
- 12:45Era uma visão cinematográfica. Totalmente.
- 12:49Então você está me dizendo que o homem que acabou de passar 12
- 12:52semanas pregando bem aventurados os pobres em espírito pra
- 12:56gangues no gueto? Sim, ele foi se isolar num
- 12:59castelo digno de um bilionário excêntrico.
- 13:02Eu que parece, né? Como que as Fontes justificam
- 13:05isso? Porque, olhando de fora, parece
- 13:07uma hipocrisia gigantesca. É uma reação?
- 13:09Assim, perfeitamente natural pensar assim.
- 13:12A justa posição contraste é bizarro total.
- 13:15Mas as Fontes fornecem um contexto muito crucial para
- 13:18entender essa decisão. O rei vem Rio não alugou o
- 13:22castelo com o dinheiro do Ministério para viver como um
- 13:25rei? Ah, tá, ele não pagou por isso?
- 13:28Não, ele foi convidado por um homem chamado doutor Harold
- 13:31Martin uhum, que era um homem muito influente, e ele queria
- 13:35que o Leonard. Pregasse para as pessoas ricas e
- 13:38famosas que passavam o verão lá naquelas Índias.
- 13:41Entendi. Mas o que realmente importa aqui
- 13:44é a postura interna do rei. Vem Rio diante de todo esse luxo
- 13:49babilônico, digamos assim. E qual foi a reação dele na
- 13:52prática? Ele, sei lá, aproveitou a
- 13:54piscina do castelo. Muito pelo contrário, ele
- 13:56ignorou o glamour. Tem uma carta muito famosa que
- 13:59ele escreveu durante essa estadia lá no castelo, onde ele
- 14:02faz uma. Uma observação cirúrgica, o.
- 14:05Que ele diz? Ele diz assim, não é mais fácil
- 14:07orar em um castelo que em uma cabana?
- 14:10Uau, não é mais fácil orar em castelo que em uma cabana?
- 14:14Exatamente porque, para ele, a arquitetura ali ao redor era
- 14:18irrelevante. O objetivo dele não era ficar
- 14:21confortável fisicamente. O objetivo era o silêncio
- 14:25absoluto. O silêncio.
- 14:26É, ele rejeitou o tal do luxo espiritual, sabe?
- 14:30De se sentir acomodado. E ele usou o isolamento
- 14:33monumental daquele lugar enorme como uma tipo, uma Câmara de
- 14:37privação sensorial, sabe, para focar um único e exclusivamente
- 14:40em Deus. Isso é fascinante, porque nós
- 14:42vemos hoje CEOs modernos lá no vale do Silício, pagando
- 14:47fortunas para fazer retiros de silêncio absolutos.
- 14:52Sim, os famosos jejuns de dopamina.
- 14:54Isso, jejuns de dopamina focados só em aumentar a produtividade e
- 14:58otimizar o cérebro. Para o trabalho aham e o Raven
- 15:01Hill já estava utilizando esses mecanismos de reclusão drástica,
- 15:05mas o objetivo dele não era produtividade financeira, era
- 15:09santidade, era pureza espiritual e interseção.
- 15:12Exato. E as circunstâncias externas não
- 15:15mudavam, tipo a fome interna que ele tinha.
- 15:18EE, essa prática de reclusão continuou ao longo da vida dele.
- 15:22Aonde mais ele IA? Após 1968, através de uma
- 15:25amizade que ele fez com a família Russel.
- 15:29Ele estabeleceu um refúgio anual durante o inverno lá nas
- 15:33Bahamas. Bahamas mais um cenário terrível
- 15:37para se passar o inverno, né? Super difícil, né?
- 15:40Um cenário paradisíaco. Mas, de novo, ele tinha acesso
- 15:44aos confortos ali providenciados pelos anfitriões.
- 15:47Só que ele se trancava para orar e para escrever.
- 15:50O foco dele não mudava. Não.
- 15:52E quando ele pregava por lá, não era para estádios lotados, sabe?
- 15:56Era ali, na sala de estar da casa dos Russell, para um grupo
- 15:59íntimo, umas 3040 pessoas, no máximo uhum.
- 16:03Ele trocou deliberadamente o volume das massas, o barulho,
- 16:07né? Pelo microfone do silêncio.
- 16:10E aí que entra, eu acho, a grande virada dessa história que
- 16:13a gente está analisando, sim, o que sai de dentro?
- 16:16Desse silêncio. Essa é a grande pergunta.
- 16:18Qual é o produto prático dessas temporadas nas Bahamas?
- 16:22Porque, né, ele obviamente não estava de férias, não estava
- 16:26longe do barulho de Nova Iorque. A voz pública dele meio que se
- 16:30apaga temporariamente, mas a voz escrita dele se transforma numa
- 16:34explosão. Verdade, foi lá nas Bahamas que
- 16:37ele afiou a caneta dele. Ou como a gente tem chamado
- 16:40aqui. A sua pluma de fogo, a sua pluma
- 16:43incisiva. Então, o que isso tudo
- 16:46significa? Qual foi o fruto visível dessa
- 16:50reclusão nas Bahamas? Sem dúvida, o fruto mais visível
- 16:53foi a consolidação e a publicação dos textos dele, que
- 16:58vai culminar na obra mais famosa que ele lançou em 1971, Sodoma
- 17:01não tinha bíblia. Nossa, esse título por si só já
- 17:07é um soco no estômago, né? Sodoma não tinha bíblia.
- 17:11O que exatamente ele argumenta nesse livro que o tornou uma
- 17:14obra tão, tão marcante? O argumento central ali é um
- 17:18diagnóstico impiedoso, sabe e muito lógico sobre a
- 17:23responsabilidade moral estando afastado daquela urgência
- 17:26imediata do brooklin, do aconselhamento cara a cara, ele
- 17:29pode olhar para o Panorama histórico todo do ocidente e da
- 17:31igreja. Ele ganhou perspectiva.
- 17:33Isso perspectiva, o raciocínio dele no livro é super direto.
- 17:36Ele disse, se Deus julgou com fogo as cidades de Sodoma e
- 17:39gomorra, que eram sociedades que não possuíam as escrituras, não
- 17:43tinham profetas e nem a revelação da graça.
- 17:45Sim, qual será o peso do julgamento sobre uma nação
- 17:49Moderna que tem bíblias em cada gaveta de quarto de hotel, tem
- 17:52acesso ilimitado a teologia e ainda assim escolhe ativamente
- 17:56viver na moridão moral e na corrupção?
- 17:58Uau. É um exercício de lógica
- 18:00teológica. Assim inescapável.
- 18:03Você não tem como fugir desse argumento.
- 18:05Não tem? Ele usa o isolamento justamente
- 18:07para enxergar a floresta inteira, e não apenas a árvore
- 18:10que estava ali na frente dele. E concebeu um livro com com esse
- 18:13peso. Exige um processo intelectual
- 18:16agonizante, né? Muito denso?
- 18:18Algo que é simplesmente impossível de se fazer no meio
- 18:21do trânsito do Brooklyn ou pulando de cruzada em cruzada.
- 18:25Perfeita. Exatamente isso.
- 18:26Apenas esse silêncio profundo permitia que ele digerisse e
- 18:31articulasse a massagem com esse rigor, com essa fúria profética
- 18:34que ele tinha. Mas sabe de uma coisa o quê?
- 18:37Os livros publicados não foram a única ferramenta e talvez nem a
- 18:41principal arma que ele forjou no silêncio.
- 18:45E aqui a gente chega num ponto que altera completamente a forma
- 18:48como nós entendemos a influência dele a.
- 18:55Longo prazo? Eu confesso que essa foi a parte
- 18:59que mais alugou um triplex da minha cabeça quando eu li essas
- 19:01Fontes. Eu também fico impressionada.
- 19:04Porque pensa bem, hoje a gente reclama se tem que responder 5 e
- 19:08mails ou se a gente recebe um áudio de 3 minutos no WhatsApp,
- 19:12a gente já quer colocar no 2 x. Né?
- 19:13Nossa, sim, dá até preguiça. Dá muita preguiça e as Fontes
- 19:18indicam que, sem computador, sem ter uma máquina de escrever
- 19:22elétrica, sentado ali numa mesa com uma caneta.
- 19:25O Raven Hill chegava a escrever cerca de 70 cartas por semana.
- 19:3070 cartas. 70 a mão nós estamos falando da construção braçal,
- 19:35né? De uma rede social analógica,
- 19:37ali de discipulado, denso. E se você calcular o tempo, sabe
- 19:42o esforço físico e o esforço mental para redigir 70 cartas
- 19:47semanais. Abordando ali dilemas pastorais,
- 19:50profundos crises de fé, direcionamento teológico.
- 19:54Você entende o tamanho, o peso desse Ministério?
- 19:56Sim, ele mudou o vetor, sabe? Em vez de ficar só no palco
- 20:00atirando com aquele canhão de dispersão para milhares de
- 20:04rostos anônimos na multidão, ele pegou um rifle de precisão.
- 20:08Ele começou a usar o correio para pastorear e confrontar
- 20:11líderes individuais, um por um. EE olha, tem um detalhe nas
- 20:16Fontes incrivelmente tocante. Sobre como ele tratava essas
- 20:20correspondências? Sim, ele não fazia aceção de
- 20:22pessoas. Exatamente.
- 20:23Ele não filtrava por status. Ele pegava a carta de um
- 20:27adolescente confuso, sabe alguém sem nenhuma relevância no mundo
- 20:31religioso e respondia com a exata mesma profundidade, a
- 20:35mesma urgência que ele usava para responder a carta de um
- 20:39presidente de denominação ou de um empregador famoso.
- 20:42Isso é lindo demais. Para ele, não existia público
- 20:44alvo b, sabe? Cada envelope era um Ministério
- 20:47definitivo, Ministério de verdade, e essa?
- 20:50Ausência de distinção validava tudo o que ele pregava em
- 20:54público, né? Total.
- 20:55E ele deixava uma marca registrada quase como 11 selo de
- 21:00autenticidade espiritual na assinatura dessas cartas.
- 21:03Ele não colocava só aquele Atenciosamente ou abraços.
- 21:06Não, não. Ele frequentemente encerrava a
- 21:10correspondência citando efésios 6 19.
- 21:13Efésios, 6, 19. Me refresca a memória, porque
- 21:17esse versículo específico, qual que é a tática por trás dessa
- 21:20escolha do revenil? Olha, esse é o momento bíblico
- 21:23em que o apóstolo Paulo, mesmo sendo ali a maior autoridade do
- 21:27cristianismo da época, ele se torna vulnerável e pede oração
- 21:31para a igreja. Ele disse, orem por mim para
- 21:34que, quando eu abrir a minha boca, me seja dada a palavra
- 21:37para tornar conhecido, com ousadia, o mistério do
- 21:41evangelho. Uau.
- 21:42Então, ao colocar isso no fim das cartas, o Raven Hill fazia 2
- 21:47coisas simultaneamente. Quais?
- 21:48Primeiro, ele instruía e confrontava o destinatário ali
- 21:52com autoridade. Ele era firme, sim, mas segundo
- 21:56ele, ele se nivelava por baixo, admitindo a sua própria
- 21:59dependência e meio que suplicando por favor.
- 22:03Interceda por mim, então ele mentoriava encorajando.
- 22:06Ele cobrava integridade, mas ao mesmo tempo ele pedia ajuda.
- 22:10Ele precisava de oração. Cara, é de uma genialidade
- 22:15pastoral imensa, porque ele criava um vínculo de dependência
- 22:19mútua, né? Exato.
- 22:20Não era uma relação fria, distante, de guru e seguidor.
- 22:24Cego, ele construiu um legado invisível a olho nu que ficava
- 22:28trafegando em envelopes pelos Correios do mundo todo.
- 22:31E tudo isso forjado naquelas mesas solitárias nas Bahamas ou
- 22:35lá no castelo, no norte do estado de Nova Iorque.
- 22:37É verdade. E se conectarmos isso ao cenário
- 22:40maior, a grande tese que emerge da vida dele nessa fase fica
- 22:44muito clara. E qual é o isolamento?
- 22:48Quando ele é abraçado por um homem ou uma mulher em
- 22:52obediência, ele não é uma fuga da responsabilidade.
- 22:55O isolamento é exatamente o que confere a clareza e a autoridade
- 23:01moral que são necessárias para confrontar o caos de uma nação,
- 23:06sabe? Ele precisou sair.
- 23:07Precisou o Raven Rio precisou sair daquelas tendas lotadas do
- 23:11meio Oeste, passar por aquele laboratório bruto do Brooklyn e
- 23:15aí se trancar na solidão pra conseguir ouvir e depois ecoar
- 23:19uma mensagem que de fato sobreviveria à sua própria
- 23:22época? Pois é.
- 23:23EE, olha, isso nos empurra contra a parede hoje, né?
- 23:27Nos traz a um questionamento super provocativo e prático para
- 23:31quem está nos ouvindo agora, sei lá, no fone de ouvido, no
- 23:34trânsito, limpando a casa? Com certeza.
- 23:36O reven Hill percebeu que precisava fugir da agitação e
- 23:39buscar refúgio no silêncio rigoroso para conseguir ouvir a
- 23:43Deus de forma mais clara. Gente, presta atenção.
- 23:46Ele fez isso no final dos anos 60, início dos anos 70.
- 23:50Uma época bem mais tranquila. Uma era infinitamente menos
- 23:54barulhenta que a nossa, tipo não havia uma tela brilhante no
- 23:57bolso dele, vibrando a cada 10 minutos com notificações.
- 24:00Não havia essa métrica da ansiedade Moderna que a gente
- 24:03tem, né? Aquele bombardeio interrupto de
- 24:05manchetes, a necessidade de reagir a tudo o que acontece no
- 24:09mundo, o tempo inteiro, em tempo real.
- 24:11Pois é, a nossa realidade hoje é um ruído constante, então, na
- 24:16nossa era atual de hiperconexão e de informações instantâneas.
- 24:20Onde a atenção é a moeda mais disputada do planeta, a pergunta
- 24:23que fica é, onde está a sua Dark Island?
- 24:26Fica a reflexão. Onde fica o seu castelo de
- 24:29silêncio ou seu recanto secreto para ouvir a voz de Deus sem
- 24:34todas essas distrações da metrópole tecnológica que a
- 24:37gente vive? É, não tem como não pensar
- 24:40nisso. Disse o Raven Hill, que tinha
- 24:43toda aquela disciplina e fogo, precisou dessa reclusão severa
- 24:47para afiar a mente e o espírito. Como que nós podemos esperar
- 24:50sobreviver espiritualmente se a gente fica só consumindo o
- 24:54barulho o dia inteiro? Concluímos este episódio
- 24:57compreendendo que Deus frequentemente isola seus
- 25:00mensageiros nas ilhas do silêncio para lhes conferir a
- 25:03clareza e a autoridade necessárias para confrontar as
- 25:06nações. A transição de Leonard Raven
- 25:08Hill para os Estados Unidos e sua reclusão nas ilhas mostram
- 25:12que a verdadeira profecia nasce longe dos holofotes, na solidão
- 25:16de um homem quebrantado diante de Deus.
- 25:18Que possamos aprender a valorizar o recanto secreto da
- 25:21oração até o próximo episódio. Se você curte nosso conteúdo,
- 25:24segue a gente e deixa uma avaliação aqui na plataforma em
- 25:27que você está ouvindo e fala, o que te marcou nesse episódio até
- 25:31mais.