Latest / Café com Dungeon / Simular, Emular e Phillip K. Dick #0063
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- 0:01Um romancista carrega consigo constantemente o que a maioria
- 0:04das mulheres leva em grandes bolsas, muitas coisas inúteis,
- 0:10alguns itens absolutamente essenciais e para completar,
- 0:15alguma grande quantidade de coisas que ficam nesse meio
- 0:18termo. Mas o romancista não transporta
- 0:21esses itens fisicamente, porque seu Tesouro de posses é mental.
- 0:25De vez em quando ele adiciona uma ideia nova e completamente
- 0:29inútil. De vez em quando, ele limpa o
- 0:31lixo com relutância, ideias obviamente sem valor e com
- 0:36algumas lágrimas sentimentais, as descarta.
- 0:39No entanto, ocasionalmente ele encontra por acaso uma ideia
- 0:43totalmente surpreendente, nova para ele, que espera ser nova
- 0:48para todos os outros também essa última categoria que dignifica
- 0:53sua existência, mas tais ideias verdadeiramente preciosas.
- 0:58Talvez durante toda a sua vida ele consiga adquirir apenas
- 1:02algumas poucas, mas isso já é suficiente.
- 1:06Por meio delas, ele justifica a sua existência para si mesmo e
- 1:09para seu Deus. Um aspecto curioso dessas ideias
- 1:13raras e extraordinárias que me intriga é o seu manto misterioso
- 1:17de eu diria, obviedade. Com isso, eu quero dizer que uma
- 1:22vez que a ideia surgiu, ou apareceu ou nasceu.
- 1:26Seja qual for o modo pelo qual as novas ideias possam existir,
- 1:30o romancista diz assim mesmo, mas é claro, por que que eu não
- 1:34percebi isso antes? Mas notem, a palavra percebi,
- 1:41ela é a palavra chave. Aqui ele encontrou algo novo que
- 1:44ao mesmo tempo estava lá em algum lugar o tempo todo.
- 1:49Na verdade, simplesmente ela veio à tona, sempre esteve lá.
- 1:53Ele não inventou ou sequer a encontrou.
- 1:56Em um sentido muito real, foi a ideia que encontrou ele.
- 1:59E isso é um pouco assustador de se contemplar.
- 2:04Ele não inventou a ideia, ao contrário, foi a ideia que o
- 2:09inventou. É como se a ideia o tivesse
- 2:12criado para seus próprios propósitos.
- 2:17Primeiras falas do famoso discurso de Philip K.
- 2:19Dick no Mats, em 1977, seminal pro mundo da ficção científica.
- 2:25Se você acha esse mundo ruim, deveria ver alguns dos outros.
- 2:31O Philip é uma das figuras mais interessantes das artes.
- 2:34Pra mim, ele tinha suas loucuras, mas essas loucuras
- 2:37eram cheias de iluminação. Muitas dessas ideias de que não
- 2:42é você que inventa a ideia, mas ela que te inventa não me pegava
- 2:48não. Essa ideia.
- 2:49Sei lá, eu torci o nariz, mas refletindo aqui pra esse
- 2:53episódio de hoje. Ela fez todo o sentido.
- 2:56Isso é de alguma forma, assustador.
- 3:01Oi quer café? Café com o quê?
- 3:05Café com Philip K. Dick bom dia, amigos do café com
- 3:15dados. Estamos aqui para mais um
- 3:17episódio do seu podcast matinal favorito, trazendo sempre muito
- 3:21RPG. Meu nome é Gabriel balbi e hoje
- 3:23eu fiz meu café. Na prensa e tá delicioso porque
- 3:27não tem nenhuma impureza. É o café cabra Mansa.
- 3:31E se você quer participar de sorteios para ganhar um café
- 3:34especial como esse sem impurezas, considere apoiar
- 3:38nosso podcast em apoia ponto s barra café com dados.
- 3:42Vamos para o episódio, mas antes eu queria fazer uma leitura da
- 3:46enquete, né? Eu deixei aqui no último
- 3:48episódio sobre mesa aberta multimestre a pergunta se.
- 3:52A galera já tinha jogado ou não uma mesa aberta e em comparação
- 3:56com a outra vez que eu perguntei isso, a gente teve um
- 3:58crescimento da galera que jogou efetivamente 61,5% das pessoas
- 4:03que ouvem o café com dângelo pelo menos atrás que responderam
- 4:06a enquete é disseram que sim, já jogaram mesas abertas.
- 4:11Isso é muito legal, né? É, já é uma evolução aqui, então
- 4:15acredito que a galera tenha se empolgado com a ideia ao longo
- 4:18dos episódios. E fiz uma pergunta aqui, eu abri
- 4:21espaço pra galera comentar a respeito dessas mesas abertas,
- 4:25né? E aí a Nina, fantasma grande,
- 4:27Nina falou que Siri krowing trema, é uma delícia, ela ama o
- 4:31jogo político entre as facções, os npcs se relacionam, as
- 4:34relações evoluem, é um mundo delicioso de vivenciar.
- 4:38Obrigado a baubo porque esse é uma ofenta, esse trema não seria
- 4:41o que é e obrigado a assistir tudo Dani pelo World Golden mais
- 4:44brilhante que já que eu já vi. Obrigado a comunidade de trema
- 4:47pelas dezenas de horas brincando juntos de faz de conta, muito
- 4:50legal. Nina trema realmente é muito, é
- 4:52muito legal. Eu eu participei de uma sessão,
- 4:55foi muito interessante e quero jogar mais, então recomendo a
- 4:58todo mundo. Valeu pela participação.
- 5:01O André Neves falou que ele começou.
- 5:02Comecei a mestrar uma mesa semiaberta de City Kroll no
- 5:06cenário do cyberpunk 2077, junto com outro mestre no nosso
- 5:10estilo, muito tocado por oyle findesy.
- 5:13Experiência incrível. Vale a pena demais esse tipo de
- 5:16mesa. Digo semiaberta porque os
- 5:18jogadores estão limitados a um grupo de 12 pessoas e a gente já
- 5:21conhecia anteriormente. Esse episódio vai ser bem útil
- 5:24para repensar a forma como a gente se organiza.
- 5:27Agradeço demais aos convidados e ao balbi, estamos junto.
- 5:30André, muito legal saber que você está experimentando com a
- 5:32well fantasy inspirado pelos pensamentos de well fantasy, né?
- 5:36E levando isso. Para outras frentes?
- 5:38Aí depois relata para gente, como é que está sendo?
- 5:40Como é que está sendo esse cyberpunk 2000 EE 77, inspirado
- 5:45em wolfendes aí valeu. O Marcos Gonçalves falou que
- 5:48antes do café, ele nunca, nunca se imaginou jogando com pessoas
- 5:52de fora do grupo, mas deu o braço a torcer e se juntar as
- 5:55mesas da comunidade. Foi 11, excelente escolha.
- 5:58Pô, muito legal, Marcos, você faz parte do dojô, faz parte do
- 6:01café. E essas comunidades, elas surgem
- 6:04assim, né? E são comunidades com gente tão
- 6:06engajada com a RPG quanto a quanto nós, né?
- 6:09Quanto nós mesmos. E muitas vezes nos grupos
- 6:12domésticos, a gente não encontra isso, diz aí eu pelo menos é
- 6:15hoje em dia, né? Se eu fosse eu mantivesse o meu
- 6:17grupo doméstico, certamente eu estaria num nível de engajamento
- 6:20com RPG que meu grupo não teria. E quando a gente encontra outras
- 6:24pessoas com o mesmo grau de interesse.
- 6:27As coisas andam de outra de outra forma, né?
- 6:29Contei, mas vamos lá, vamos pro episódio.
- 6:37Boa noite meus cachaceiros queridos, minhas pinguças
- 6:40queridas e boa noite pra você também, dona Dora, que é quem
- 6:43paga o meu cachê. Hoje vou contar pra vocês uma
- 6:46história verid. Eu tinha sido convidado pelo meu
- 6:49amigo mãozinha aí eu pegar no Tesouro que ele havia encontrado
- 6:52lá no largo da cepi albina. Muito, mas muito lá no alto,
- 6:56muito além do forte da luneta, que já está nas alturas.
- 6:59Só que aí, meus camaradas, a gente estava lá no meio da
- 7:02subida. Percebemos 3 coisas, que o tempo
- 7:05estava fechando, que a gente não sabia muito bem o caminho lá pro
- 7:08topo e que a gente não tinha levado tanto de corda que
- 7:10precisava. Eu sei que essa altura vocês já
- 7:13cansaram de ouvir que eu quase morri, mas eu juro que é
- 7:15verdade. De tanto que a brisa me chama
- 7:18para jornadas de quase morte e os testamentos estão cada vez
- 7:21mais alojados. O último deles, inclusive eu fiz
- 7:23até em versos decassílabos. Mas, pois então, como lilinha
- 7:27sobreviveu para vir calles contar essa história?
- 7:30Um sonho horas, um sonho, como não um sonho de Beer Golden lá
- 7:36de cima do mundo, eu e os meus desaventurados amigos, demos as
- 7:39mãos uns para os outros e juntos tentamos chamar um sonho.
- 7:43O sonho que tínhamos tido pela manhã, quando bebemos a cerveja
- 7:46dos Titãs, foi quando uma escadaria de rochas surgiu
- 7:49diante dos nossos olhos, degrau por degrau, serpentindo abraçar
- 7:53das serras até o topo. Chegando lá em cima, encontramos
- 7:56um Tesouro meio chinfrim. Pra ser sincero, pra variar, o
- 8:00mãozinha tinha dado uma exagerada, até tinha um escudo
- 8:03brilhoso lá pra dentro, mas tava muito difícil de pegar.
- 8:06E como eu havia dito, o tempo não estava pra brincadeira.
- 8:09Voltamos de lá com o Putin maketreff.
- 8:11Mas vou falar para vocês, o maior Tesouro que tive nessa
- 8:15jornada, além de sobreviver, é claro, a despeito dos esforços
- 8:19contrários da dona brisa, foi a vista de lá de cima.
- 8:23Meus amigos, esse mundão é lindo demais da conta.
- 8:30Esse tantos outros são rumores vindos do jogo do mundo aberto
- 8:35de Beer goten se você quiser explorar aventuras como essa.
- 8:40Pode entrar inteiramente de graça no nosso grupo.
- 8:43Siga o link lá no descritivo do episódio e jogue beergoden com a
- 8:48gente. Vamos explorar beergoden.
- 9:11Como será que a gente toma as nossas decisões enquanto
- 9:14jogadores de RPG dentro do jogo? Eu queria aprofundar um pouco
- 9:19esse papo que a gente teve lá no episódio de 61, né?
- 9:22Em que a gente investiga o jogador, que só faz o que seu
- 9:26personagem faria, que acaba trazendo problemas para o jogo.
- 9:31Eu situei um pouco o debate em cima da ideia de simulação e do
- 9:35problema da simulação como uma agenda em si.
- 9:39Né? E em algum.eu, tracei
- 9:41rapidamente a diferença entre simular e emular.
- 9:43Eu acho que a partir disso, dessa diferença, a gente pode
- 9:47investigar um pouco melhor, né? E que essa investigação pode
- 9:50trazer bastante impedimento para essa questão das agendas de jogo
- 9:55e de como a gente joga RPG efetivamente a partir dessas
- 9:59agendas criativas. Para isso, usando como fio
- 10:03condutor o discurso do Philip K. Dick.
- 10:06Eu vou deixar aí no descritivo do episódio lincado, né?
- 10:10Que eu traduzi não precisa de revisão, porque eu traduzia a
- 10:13parte de inteligência artificial, mas a gente revisa e
- 10:16vai melhorando, mas vai estar lá o link pro blog do café com
- 10:20dange, onde onde vai estar esse texto?
- 10:22Beleza, é, mas vamos lá, vamos investigar isso.
- 10:27Permita me apresentar uma metáfora, digamos que existe um
- 10:31patrono muito rico das artes. Todos os dias, na parede de sua
- 10:36sala de estar, acima da lareira, seus empregados penduram uma
- 10:39nova pintura. Cada dia uma obra prima
- 10:42diferente. Dia após dia, mês após mês,
- 10:45todos os dias a pintura usada é removida e substituída por uma
- 10:49nova diferente. Vou chamar esse processo de
- 10:52mudança ao longo do eixo linear. Agora suponho que os empregados
- 10:57temporariamente fiquem sem novas pinturas de substituição.
- 11:01O que devem fazer nesse meio tempo?
- 11:04Eles não podem simplesmente deixar a pintura atual
- 11:07pendurada. Seu empregador decretou que a
- 11:09substituição perpétua, isso é a mudança das pinturas, deve
- 11:13continuar sempre. Então eles não deixam a atual no
- 11:17lugar nem a substituem por uma nova.
- 11:20Em vez disso, fazem algo muito astuto.
- 11:23Quando o empregador não está olhando, os empregados alteram
- 11:25sutilmente a pintura já pendurada na parede.
- 11:28Eles apagam uma árvore aqui, então uma menina ali.
- 11:32Adicionam isso, eliminam aquilo, fazem a mesma pintura para ser
- 11:36diferente, em certo sentido, nova.
- 11:39Mas como você pode perceber, não é nova no sentido de
- 11:43substituição. O empregador entra em sua sala
- 11:47de estar após o jantar, senta se de frente para a lareira e
- 11:52contempla o que deveria ser segundo suas expectativas, uma
- 11:55nova pintura. E o que ele vê, certamente.
- 11:59Não é o que ele viu anteriormente, mas também de
- 12:02algum modo, e aqui precisamos ser simpáticos a esse homem,
- 12:05talvez um tanto obtuso, porque podemos virtualmente ver seus
- 12:10circuitos cerebrais tentando entender o que tá acontecendo,
- 12:14né? Os seus circuitos cerebrais
- 12:15estão dizendo sim, é uma nova pintura, não é a mesma de ontem,
- 12:20mas também é a mesma, eu acho. Eu sinto em algum nível profundo
- 12:27e intuitivo. Que é mesmo e não é ao mesmo
- 12:30tempo, eu sinto que de alguma forma, já vi ela antes.
- 12:35Parece que eu lembro de uma árvore, no entanto, e não há
- 12:38nenhuma árvore ali. Trecho do famoso discurso do
- 12:44match do Philip K. Dick na parábola, o empregador
- 12:48precisa se manter iludido, achando que há sempre uma
- 12:51pintura nova em sua sala de estar.
- 12:53Ele não sabe, é o certo. Sei que ele está sendo enganado
- 12:57e ele não consegue entender racionalmente o motivo, mas tem
- 13:01esse sentimento de que tem alguma coisa errada ali, né?
- 13:04Lá no fundo, num eventuitivo, né, como como é dito ali, então
- 13:11ele já viu aquela pintura, só que está diferente, né?
- 13:14Isso mexe com ele, é o deja vi do Matrix.
- 13:19Quando a gente está jogando, por outro lado, a gente sabe que a
- 13:23gente está vivenciando. Um espaço distinto segregado,
- 13:27né? Identificado pelo ruizinga como
- 13:30uma atividade livre, nunca imposta, né?
- 13:34Esse círculo mágico, esse círculo mágico, ele não deve ser
- 13:38vida real, né? E ele tem como premissa ser um
- 13:40intervalo do cotidiano em seu ambiente.
- 13:44As leis e os costumes do dia a dia perdem a validade porque no
- 13:47universo lúdico, nós somos diferentes, fazemos coisas
- 13:51diferentes, vivemos sobre outras regras.
- 13:55O jogo deve possuir limite de tempo e de espaço, tendo sentido
- 13:58próprio foco aqui, tendo sentido próprio, dotado de tensão,
- 14:04excelência e acaso, com regras que determinam o que vale dentro
- 14:08desse contexto. O que acontece ali dentro do
- 14:11círculo mágico é alto contido, mas nem por isso deixa de
- 14:15significar algo para aqueles que participam da experiência fora
- 14:19dele. Acredito que possamos falar que.
- 14:22Tanto o círculo mágico no RPG quanto é eventual simulação do
- 14:26Philip K. Dick em que viveríamos, né?
- 14:29Eles bebem da mesma água como fonte de validade.
- 14:33Que é esse sentimento de verossimilhança de que a coisa
- 14:36existe, ainda que tenha essa nesga de desconfiança, ora aqui,
- 14:41ora ali, verossimilhança é esse sentimento da realidade de que
- 14:46aquele espaço é real, de que ele existe.
- 14:49No RPG tradicional, isso vem da lógica interna e da coerência do
- 14:53repertório ficcional que se cria conforme a gente joga no mundo
- 14:57simulado. Isso viria do Nosso Sentimento
- 15:00de realismo vivenciando os fatos, a vida cotidiana, né?
- 15:04Com consistência, com realismo. Ainda assim, em um dos momentos,
- 15:08em ambos os casos, a gente duvida desse sentimento de real.
- 15:12Como eu disse no jogo, quando isso ocorre, a gente lembra do
- 15:17que tem fora. Do círculo mágico, né?
- 15:20A gente lembra que a gente tá ali jogando, né?
- 15:22Que a gente tá curtindo um espaço de fruição e a gente tá
- 15:25se divertindo com os obstáculos que a gente mesmo colocou ali
- 15:29voluntariamente a nossa frente. E por mais que a gente busque
- 15:33imersão, se você conseguir em algum momento esquecer
- 15:37completamente que você não é o seu personagem, a gente tem um
- 15:40problema aqui de saúde mental. A gente de forma geral, se a
- 15:44gente for sadio, a gente nunca vai esquecer.
- 15:46Que a gente tá jogando, né? Por mais que a gente consiga
- 15:51emergir na vida do dia a dia, porém, eventualmente uma
- 15:56simulação, né? É o insólito e algumas
- 15:59estranhezas que quebram esse sentimento do real e nos leva a
- 16:02duvidar de que a gente tá vivendo mesmo esse mundo que a
- 16:05gente acredita viver. Que leva a gente a entender que
- 16:09talvez haja algo por trás, né? Que no fundo, isso aqui não é o
- 16:14que parece. Se você for no YouTube, tem
- 16:16gente fazendo experimento com laser pra tentar ver as linhas
- 16:20da programação da matriz e tem gente chegando a conclusões com
- 16:24isso. É muito doido a gente ver as
- 16:26pessoas se incomodam com o sentimento de realidade e que
- 16:29tem uma pulga atrás da orelha em relação a isso.
- 16:32O Philip K. Dick aponta situações em que a
- 16:34gente se depara com esse sentimento.
- 16:36E que muito disso viria desses momentos em que o repertório da
- 16:41simulação é alterado. Contrastado com uma
- 16:45familiaridade do Nosso Sentimento de real com algo que
- 16:49parece ter mudado, né? Que parece não ser consistente,
- 16:53né? Com os elementos que de repente
- 16:55são adicionados, mudados ou deixam de existir dentro do que
- 17:00a gente tá acostumado a viver, dentro dessa ilusão no jogo.
- 17:05A gente busca imersão e perder a noção de que tem vida aqui fora.
- 17:09A gente busca isso, né? Já na simulação do Philip K.
- 17:12Dick, a Quest é por emergir, né? Por tomar consciência de que tem
- 17:17algo além do mundo simulado. Seriam vetores de desejos
- 17:21diferentes, né? O iludido tentando quebrar a
- 17:23ilusão. E a gente que sabe que o jogo é
- 17:26uma ilusão, a gente tenta é vivenciar essa ilusão ao máximo,
- 17:30né? Mas provavelmente o mundo
- 17:35matriz, aquele com o verdadeiro núcleo de existência, é
- 17:38determinado pelo programador, ele ou ela articula, imprime,
- 17:44por assim dizer, a escolha da matriz e afunde com a substância
- 17:49real, o núcleo ou essência da realidade, aquilo que a recebe o
- 17:55atinge e em que grau está dentro da competência do programador.
- 18:00E esta seleção e resseleção? Fazem parte da criatividade
- 18:04geral da construção de mundos que parece ser a sua tarefa.
- 18:10Esse processo de solução de problemas por meio de
- 18:14reprogramação de variáveis ao longo do eixo do tempo linear do
- 18:18nosso universo gera assim mundos laterais derivados.
- 18:23Me lembro a metáfora do do Tabuleiro de xadrez, frente ao
- 18:27programador reprogramador está um.
- 18:31Uma contra entidade que Joseph Campbell chama de o jogador
- 18:36Sombrio. Deus programador reprogramador
- 18:41não está fazendo seus movimentos de melhoria contra uma matéria
- 18:44inerte. Ele está lidando com o oponente
- 18:47astuto. Vamos supor que no Tabuleiro de
- 18:50jogo, nosso universo no espaço tempo, o jogador Sombrio faz um
- 18:54movimento, ele cria uma situação de realidade.
- 18:59Sendo esse jogador Sombrio o resultado de seus desejos, isso
- 19:03constitui o que experimentamos como mal, a estagnação, o poder
- 19:08da mentira, a morte e a decadência das formas, a prisão
- 19:12da causa e efeitos imutáveis. O que experimentamos como
- 19:18eventos históricos é o resultado desse embate dialético, tese e
- 19:22antítese, enquanto as forças de 2 jogadores se misturam.
- 19:28Mais um trecho do Philip K. Dick no discurso do Max, o OK
- 19:34Dick aqui invoca essas ideias de narrativas universais, né?
- 19:38E de jornada do herói do Campbell e concebe esse
- 19:41programador, né? Que é uma espécie de Deus, esse
- 19:44criador da Matrix, da simulação, né?
- 19:46Mas ele não tá ali sozinho. Ele enfrenta uma sombra, uma
- 19:50espécie de diabo que seria seu oponente.
- 19:53Isso estabelece a simulação como um jogo de alguma forma, né?
- 19:57E aqui a gente reforça esse paralelo que eu faço aqui nesse
- 20:00episódio, né? O Philip K.
- 20:01Dick, ele caminha para um lado de enfrentamento, o que me
- 20:05parece natural falando de jogos, porque os jogos precisam de
- 20:08conflito, ainda que não necessariamente advindo da
- 20:13presença de mais jogadores. Pode ser um jogo cooperativo,
- 20:16pode ser um jogo de uma pessoa só, mas algum conflito existe,
- 20:20tem de existir. A simulação como resultado da
- 20:23dialética desse conflito é muito o que eu trago no estilo owell
- 20:27fantasy, né? Que entende que o mundo de jogo
- 20:33ele não passa de um repertório instável e impermanente que vem
- 20:41dessa dialética, né? Vem desse enfrentamento entre O
- 20:43Mestre desafiante e os jogadores desafiados, né?
- 20:48Só que aqui é importante a gente.
- 20:51Pensar uma diferença nesse paralelo entre mundos simulados
- 20:55como ilusão, né? E os mundos paralelos que a
- 20:58gente cria com os nossos jogos é, em 11 dos casos, a gente é.
- 21:05Nós somos os agentes da simulação, né?
- 21:07No caso dos jogos, só que no caso dos mundos do Philip K.
- 21:12Dick, a gente não saberia exatamente quem simula.
- 21:16Como simula, né? Nós não seríamos agente.
- 21:20Que seríamos os simuladores, né? A gente viveria dentro de uma
- 21:24simulação e a gente não sabia, não saberia, então, qual a
- 21:27natureza dessa simulação. Nós seríamos, a princípio,
- 21:31inconsciente do que acontece, né?
- 21:35Na Matrix, que deriva dos pensamentos do Philip k zick, as
- 21:39pessoas, de modo geral, são ignorantes e vivem passivamente
- 21:43a simulação. Elas sentem o gosto da carne que
- 21:46nem o cypher lá no filme, né? Eles experimentam os prazeres e
- 21:50se entregam em sentimento de real.
- 21:52Se apegam a isso, as pessoas se acostumam tanto que se tornam
- 21:57dispostas a lutar por essa ilusão, para se manterem
- 22:01iludidas pelo status quo, confortáveis em sua
- 22:05verossimilhança. Por que quebrar isso cria um
- 22:07terror existencial, um terror cósmico?
- 22:10Isso, inclusive, é o fundamento. Da da própria, do próprio
- 22:15paradoxo, lá no jogo do mago, ascensão do storyteller, né?
- 22:20Quando o mago tenta alterar a realidade e toma ali é na
- 22:25cabeça, porque a realidade consensual falou contra ele.
- 22:30O terror que mora no que pensa o Philip K.
- 22:34Dick está no fato de que a gente vive uma ilusão, né?
- 22:38Só que tem algo dentro da gente. Que confirma que é uma ilusão,
- 22:43né? Que não é uma realidade.
- 22:46Há uma nesga de desconfiança na verossimilhança do nosso existir
- 22:50nesse tempo e espaço do planeta Terra 2025 ouvindo esse podcast,
- 22:57não me parece que nessa simulação do Philip K.
- 23:00Dick nós somos os jogadores. Não parece que a gente faz parte
- 23:06dessa simulação, não, não parece que a gente é consciente e que a
- 23:09gente. Entende o que tem fora, né?
- 23:14A gente pode estar buscando isso, né?
- 23:15Os filósofos, os cientistas, os físicos, né?
- 23:18Cada vez mais considerando ser isso possível e tentando
- 23:21investigar isso, né? Mas diferente, diferente disso,
- 23:26nos nossos jogos, a gente entra no círculo mágico com a plena
- 23:30consciência de que a gente existe aqui fora e que a gente
- 23:33pode entrar e sair do espaço simulado conforme nossa nossa
- 23:37vontade é. Nessa Matrix, né?
- 23:42Nessa simulação do Philip K. Dick, a gente teria alguma
- 23:46autonomia. Mas seria autonomia somente o
- 23:48suficiente para manter a ilusão viva, para manter esse verniz
- 23:54que cria esse sentimento do real, né?
- 23:57Mas, no fundo, somos materializados pelas ideias
- 24:02conforme elas nos usam. Nós somos função sem saber, em
- 24:07função de que existimos. A gente goza de agência e a em
- 24:14relação às regras do jogo, somente.
- 24:17A gente mora num ambiente ilusório, impermanente e dele a
- 24:23gente não sai. Nossas decisões por serem
- 24:26circunscritas ao funcionamento interno desse espaço, elas
- 24:31apenas reforçam a verossimilhança desse espaço que
- 24:35a gente existe. Mas será que isso é tudo a que
- 24:38se presta, a nossa existência nessa simulação?
- 24:43Será que essa simulação é um epg que a gente vive?
- 24:47Será que a gente vive num ambiente feito sem a gente
- 24:51saber, pra simular a experiência de seres pensantes conforme se
- 24:56organizam em civilizações que se erguem e voltam ao pó
- 25:01sucessivamente? Até que.
- 25:03Encontre a própria obsolescência ou a própria destruição.
- 25:08Será que temos a ilusão de memória somente como uma
- 25:13construção de nós mesmos, do nosso ego, do Nosso Sentimento
- 25:19de que a gente existe? Será que tudo que existe a nossa
- 25:23volta é somente uma ilusão de que teria algo para além de um
- 25:28momento específico de tudo isso que a gente experiencia?
- 25:33Que daria sentido pra essa simulação, mas que a gente não
- 25:36sabe. Será que eu sou somente um
- 25:38bonequinho dentro de uma simulação que se presta a
- 25:42simular um acidente de avião? Ou, de repente, o resultado de
- 25:47uma eleição presidencial? Será possível jogar sem entender
- 25:54o sentido de tudo que tem e de que acontece a nossa volta?
- 25:59Será que. Existir somente como expressão
- 26:02dessa simulação para reforçar a verossimilhança é ter agência.
- 26:09Porque num RPG ou num jogo de Tabuleiro, a gente não fala de
- 26:14agência do personagem, agência de um vilão.
- 26:19A gente fala em agência do jogador, a gente fala em espaço
- 26:24de arbitrariedade do mestre. Né?
- 26:27A gente fala do das decisões do mestre.
- 26:29A gente não fala das decisões que os personagens do mestre
- 26:34tomam. A agência pressupõe o que tá
- 26:38fora do círculo mágico. A agência pressupõe a
- 26:42consciência de que nós somos jogadores controlando esses
- 26:47entes dentro do espaço simulado. Eles em si não possuem agência,
- 26:53eles só precisam ser repertório coerente.
- 26:57Que gere verossimilhança. Isso é algo que eu estou
- 27:03percebendo melhor agora, mas que em algum nível eu já estava
- 27:07arranhando ao longo desses episódios todos.
- 27:09Aí que eu falei em que o mundo de jogo não existe, né?
- 27:14Ou que eu falei de simulação ou de interpretação de personagem.
- 27:17Eu vou deixar tudo. Eu vou deixar esses episódios
- 27:19linkados no descritivo do episódio, dentro de uma
- 27:22playlist. Né?
- 27:24É uma investigação interessante, mas aos aos poucos veio me
- 27:28trazendo essa noção, né? De que a agência pressupõe o
- 27:35metajogo. O nosso espaço de agência só
- 27:39existe por conta do metajogo e, portanto, a vida de um cidadão
- 27:44funcional da matriz da simulação, lá do Philip K.
- 27:49Dick. É desprovida, no fundo, de livre
- 27:52arbítrio, porque não alcança o real sentido da realidade.
- 27:58Ele não existe de forma autônoma por si só, porque não consegue
- 28:01entender o real sentido da simulação.
- 28:04Ele só é simulado. Todos já ouviram as lendas do
- 28:12norte, mas ninguém sabe o certo o que tem lá.
- 28:16Maldições, criaturas terríveis, tesouros mágicos e quintas
- 28:19esquecidas é o que as histórias contam depois da grande muralha
- 28:26nas tavernas. Dizem que a companhia dos
- 28:28beutres se instalou nos limites do mundo, está financiando
- 28:31aventureiros para explorar essa Terra maldita.
- 28:35Já vai fazer um ano ou Malaquias que muitos partiram para o
- 28:37norte, deixando o Valentim e viajando 7 dias por esses erros?
- 28:43Bom. O Maia do Sol eu também estou
- 28:45partindo. Eu cansei dessa vida de merda,
- 28:47meu amigo mas então Malaquias me fala, você vai vim também ou vai
- 28:52passar o resto dessa tua vida patética batendo carteiras?
- 28:56Eu não sei você, mas eu quero morrer rico, meu amigo, fala
- 29:00galera do café, aqui é o Ícaro e eu queria fazer um convite pra
- 29:03vocês. Fins Terra é uma mesa de Rex
- 29:05Kroll, que usa o caven Rex inspirada no best de 81 que todo
- 29:09mundo ama. E é uma campanha que acontece no
- 29:11estilo mais aberto, é o que se a gente, qualquer um pode colar e
- 29:13jogar com a gente, são sessões episódicas, quem pode jogar no
- 29:16dia? A gente monta um time e esse
- 29:17time sai pra explorar. Então eu queria fazer esse
- 29:20convite pra vocês virem explorar esses erros malditos, descobrir
- 29:23os segredos de castelos abandonados, atravessar espelhos
- 29:26mágicos, encarar as brumas prateadas, tomar o chá da meia
- 29:30Estrela e vir buscar esses tesouros que foram esquecidos
- 29:33pelo tempo infina externa. Essa mesa também, galera usa.
- 29:37O estilo de jogo, olha o fantasy que quem é o 20 do café está
- 29:40ligado? Que eu sei, então espero vocês
- 29:43lá e valeu, bomber. Vocês já devem ter visto o filme
- 30:01ruber se não viram. Eu acho que vale a pena ver.
- 30:05Eu vou deixar o trailer. No descritivo do episódio, o
- 30:09ruber conta a história de um pneu que toma a vida e tudo mais
- 30:13se desenrola a partir disso. O filme tem uma pegada
- 30:16existencial e, em momentos de metalinguagem, ele se pergunta,
- 30:20por que esse pneu tomou vida? O texto em si, convenhamos, não
- 30:24é tão bom assim, mas o sentido do que ele fala é interessante.
- 30:29Muitas vezes as coisas ocorrem sem nenhum motivo for no reason,
- 30:35ele diz. As coisas na vida simplesmente
- 30:38acontecem sem que a gente encontre necessariamente um
- 30:41significado Pra Elas. Pelo menos é como eu sinto.
- 30:46E eu sei que isso é uma visão bastante pós Moderna e de alguma
- 30:49forma faz parte da crise da civilização, porque na história
- 30:53da humanidade, de forma geral, as pessoas sempre acreditaram em
- 30:56alguma coisa, em algum sentido maior.
- 30:59Mas eu, produto desse mundo pós moderno, sou um tanto niilista.
- 31:05Não enxergar sentido nas coisas, mesmo que no fundo,
- 31:08provavelmente não haja sentido mesmo é um problema nesse mar de
- 31:12niilismo e cronoplastia e vazio existencial.
- 31:16Cultos irresponsáveis, igrejas gananciosas, ideologias
- 31:20maliciosas encontram muita força quando se escoram em quem sob os
- 31:26céus? Enuncia eu sou a verdade e assim
- 31:31acaba trazendo o sentido para nossa vida.
- 31:35O Philip k dzick traz a ideia do programador como um Deus e ele
- 31:41invoca No No, no texto dele, o próprio Cristo quando ele fala
- 31:45no Reino de Deus enquanto o sentido da vida, se você seguir
- 31:49os seus ensinamentos dentro das inúmeras realidades laterais que
- 31:54compreendem as possibilidades da simulação.
- 31:57Você persiste em existir, você não é abandonado junto das
- 32:02realidades paralelas, que não servem ao criador, ao
- 32:07programador ou qualquer coisa. Assim você acompanha o sentido
- 32:11que lhe dá e assim você se mantém existindo.
- 32:15O Philip K. Dick disse, Cristo não apenas
- 32:18falou de diferentes maneiras de subjetivamente perceber um único
- 32:22mundo, ele se referia ao Reino como um lugar real.
- 32:25Situado em um extremo oposto de um contínuo que começa com a
- 32:29escravidão em sofrimento absoluto, ele não apenas relatou
- 32:33o que havia lá, ele ensinou o método de como chegar até lá,
- 32:38mas tragicamente, esse segredo foi perdido.
- 32:40O inimigo, a autoridade romana, o destruiu e, portanto, não o
- 32:45temos mais. No entanto, talvez possamos
- 32:48redescobri lo, já que sabemos que tal segredo existiu.
- 32:53Isso explicaria. As aparentes contradições sobre
- 32:58se o Reino justo será estabelecido aqui na Terra ou se
- 33:02ele é um lugar, um estado, para onde vamos após a morte.
- 33:06Eu não preciso dizer que essa questão tem sido fundamental e
- 33:10não resolvida ao longo da história do cristianismo.
- 33:14Cristo e Paulo parecem dizer enfaticamente que haverá uma
- 33:18ruptura no tempo em nosso mundo pela chegada dos exércitos de
- 33:23Deus. Após algum drama emocionante, um
- 33:27Paraíso de 1000 anos, um Reino justo será estabelecido, pelo
- 33:31menos pra aqueles que fizeram as suas tarefas e prestaram
- 33:35atenção, né? Como uma parábola coloca pra
- 33:38aqueles que não foram dormir, somos repetidamente advertidos
- 33:43no novo testamento a sermos vigilantes porque pro cristão é
- 33:48sempre dia a sempre luz, luz pela qual ele.
- 33:53Poderá enxergar esse evento quando ele vier.
- 33:58Isso implica que muitas pessoas que estão de alguma forma
- 34:02adormecidas ou cegas, ou que não são vigilantes, não enxergarão
- 34:11esse Reino quando ele ocorrer. Considere o significado que pode
- 34:17ser atribuído a essas noções. O Reino virá aqui de forma
- 34:21inesperada. E isso é sempre enfatizado.
- 34:24Os fiéis justos vão vê lo, porque para eles é sempre dia,
- 34:30mas para os outros, Hum. O que parece ser expresso aqui é
- 34:35a ideia paradoxal, mas fascinante, de que o Reino, se
- 34:40fosse estabelecido aqui, não seria visível para aqueles fora
- 34:45dele. Ouçam isso e reflitam isso.
- 34:51Não quer dizer que haja um sentido da vida, mas certamente
- 34:56o Philip K. Dick está falando sobre o
- 34:57sentido da simulação, pelo menos dentro do que ele pretende.
- 35:01Dentro do que ele desenha, né? Do que ele deseja é enquanto
- 35:07programador, né? Do do que o programador
- 35:09desejaria para essa simulação, né?
- 35:12E no que é contestado pela sua sombra.
- 35:16O Philip K. Dick sente, portanto, que é um
- 35:18sentido na realidade. Que a gente vive dentro de uma
- 35:22simulação. E, na verdade, toda a simulação
- 35:26tem um sentido. Toda a simulação é uma
- 35:28construção que traz uma experiência de realidade, sem,
- 35:32no entanto, ter o mesmo funcionamento dessa realidade.
- 35:38E um simulador de avião? Você não vai recriar o mundo
- 35:42inteiro pra ver o que acontece dentro do avião.
- 35:45Você vai. Ter um modelo você vai ter
- 35:48provavelmente uma experiência muito próxima de voar num avião,
- 35:52mas ele vai se prestar a sua diversão ali, né?
- 35:56Ou, de repente, o aprendizado das ferramentas de um avião ou o
- 36:00teste de certas condições de voo pro equipamento de um avião.
- 36:04Mas há sempre um recorte na simulação, um simulador cujo
- 36:10sentido é treinar piloto. Dificilmente você vai ter que
- 36:13lidar com alguma confusão do voo.
- 36:16Porque 11 terrorista invadiu a cabine para sequestrar o avião?
- 36:20Não. Essa simulação vai ter um
- 36:22recorte. Esse recorte provavelmente vai
- 36:24ter a ver com as ferramentas que o avião tem ali.
- 36:27A gente pode simular as probabilidades de clima e de
- 36:31condições de temperatura e pressão atmosféricas de repente,
- 36:36mas não tem, porque a gente não tem nem como a gente calcular na
- 36:39simulação. O ciclone tropical causado pelo
- 36:43bater de asas de uma borboleta no norte da China.
- 36:48Simular é reproduzir certas coisas, atendendo um sentido, um
- 36:53recorte. Você sabe o que você está
- 36:57reproduzindo, você sabe o sentido que você está dando para
- 37:01além da própria reprodução, se você cresceu como eu nos anos
- 37:0892000. Jogando Atari, master system,
- 37:11mega drive, super Nintendo em termos de 64, PlayStation, um
- 37:16PlayStation 2 e muitos jogos de computador, certamente você
- 37:21aproveitou as facilidades de um emulador, anão ser que você seja
- 37:25colecionador de console, ou seja, zero saudosista.
- 37:29Provavelmente você quis jogar por pura nostalgia os jogos de
- 37:34outrora, que fazendo sucesso em outros momentos.
- 37:37Seja os jogos antigos tipo leningues ou o primeiro Pence of
- 37:41persia ou algum fóssil da Lucas artes, né dos Adventure games,
- 37:46ou ou seja, o cookshot, o shinobi ou isswats do mega
- 37:50drive, né? Esses jogos que ficaram pra
- 37:53trás, em algum momento você quis resgatar eles?
- 37:56E a solução? Qual foi?
- 37:58E mular, se você não tem o console, você reproduz o
- 38:03funcionamento desse console. Um emulador, ele reconstrói
- 38:07virtualmente na sua máquina o funcionamento exato de um super
- 38:12Nintendo pra você jogar o super Mario World.
- 38:15O esforço de emular é tentar reconstruir o funcionamento
- 38:19perfeito de algo. Muita gente, quando pensa que a
- 38:22gente vive num mundo simulado, alega que pra gente ter esse
- 38:27mundo simulado é a gente teria que gastar o mesmo tanto de
- 38:30energia que teve o Big Bang. Para reconstruir uma realidade
- 38:34igual ou até mais? Se a gente leva em conta as
- 38:37eventuais ineficiências do sistema.
- 38:41E que para isso seria necessário um computador quântico
- 38:44extremamente eficiente, né? Para comportar uma realidade que
- 38:48funciona exatamente igual a nossa, com 8 bilhões de pessoas
- 38:52vivendo, fazendo escolhas, experimentando.
- 38:55Um mundo é simultaneamente, né? Um mundo que faz parte de um
- 39:00Sistema Solar que tem um sol. Que vive próximo a um buraco
- 39:04negro que tá em expansão nesse universo e etcétera etcétera
- 39:09muita gente. Quando pensa que isso aqui não é
- 39:12uma simulação, usa esses argumentos.
- 39:16Mas isso não seria uma simulação.
- 39:19Isso seria emular a realidade perfeitamente.
- 39:24Seria reproduzir todos os seus aspectos de funcionamento e
- 39:27deixar ela rodando ali. Evoluindo, né?
- 39:29Com seus elementos conforme eles interagem.
- 39:32Mas simulação não é assim. A simulação não vai reconstruir
- 39:368 bilhões de seres humanos autônomos, um livre arbíbio, nem
- 39:41todos os ambientes externos e internos da Terra como um modelo
- 39:44completo e perfeito do universo, com os buracos negros e tudo
- 39:49mais, né? É de como seria pretensamente a
- 39:53nossa realidade material de verdade.
- 39:56Valendo, né? O mundo simulado não faria nada
- 39:58disso. Jogos ensinam que, uma vez
- 40:02imersos, a gente consegue experimentar sensações de
- 40:06verossimilhança fortíssimas e uma realidade simulada.
- 40:10Ela não precisa funcionar como a realidade, como no emulador, ela
- 40:15só precisa ser verossímil. Ou seja, ela só precisa nos
- 40:18passar o sentimento de realidade.
- 40:21Os indivíduos de uma simulação, eles não precisam ter livre
- 40:24arbítrio. Eles não precisam tomar
- 40:26decisões, eles não precisam ter Liberdade para isso.
- 40:29Eles só precisam sentir como se estivessem tendo Liberdade de
- 40:34decidir. Ou melhor, eles só precisam
- 40:37parecer que tem escolha perante quem eventualmente, de fato
- 40:41venha. Caso um jogador experimenta esse
- 40:45mundo simulado experienciar essa realidade simulada, esses entes
- 40:51eles só existem para reforçar a verossimilhança.
- 40:55De quem experimenta. E eles vão fazer de tudo para
- 40:58manter isso, porque é tudo que eles conseguem fazer.
- 41:01Eles não têm agência. Dessa forma, uma realidade
- 41:07simulada não precisaria da energia de um Big Bang ou de uma
- 41:10capacidade de processamento quântico inalcançável.
- 41:13Nada disso. Ela precisa só precisa ser bem
- 41:16construída o suficiente para que ela seja verossímil, mas isso
- 41:21pressupõe. Escolher o que que entra e o que
- 41:25não entra na simulação. Como disse o Philip k dzick, em
- 41:30termos mais modernos, alguns de nós viajarão lateralmente para
- 41:36aquele melhor mundo, o Reino de Deus, enquanto outros não.
- 41:41Estes permanecerão presos no eixo lateral, o que significa
- 41:45que para eles o Reino não chegou não em seu mundo alternativo e,
- 41:52no entanto. Enquanto isso, ele chegou ao
- 41:55nosso, então ele vem e ao mesmo tempo não vem.
- 42:00Incrível, não é mesmo? Esse recorte da simulação,
- 42:07portanto, é intencional. Emular é reproduzir por
- 42:11reproduzir, mas simular não. Simular nunca é simular por
- 42:16simular, simular pede intencionalidade.
- 42:19Ela pede abstração, ela pede esse recorte, assim como um
- 42:24simulador de voo que se volta a ensinar um piloto iniciante ou
- 42:28ferramental do avião. É, não vai trazer uma Na Na sua
- 42:32simulação, um sequestro terrorista pra cabine, né?
- 42:35E o decorrente desespero dos passageiros?
- 42:38Não, ele vai deixar isso de fora da simulação, porque não faz
- 42:41sentido, não é isso que ele tá querendo simular.
- 42:46Por outro lado, você pode ter um jogo.
- 42:49Em que a gente joga com o piloto e ele tem que resistir a um
- 42:53ataque terrorista. E nesse caso, a gente vai trazer
- 42:55isso, vai simular exatamente isso.
- 42:57E provavelmente a gente vai deixar de fora vários detalhes
- 43:01do maquinário do avião, né? A gente vai focar nessa ação.
- 43:07A simulação, portanto, não é um mundo perfeito, ainda que a
- 43:12gente possa sentir assim, ainda que a gente possa sentir o
- 43:16impacto da verossimilhança. Por isso, em ao fantasy, eu
- 43:20entendi a verossimilinança como fundamento de mídia do RPG
- 43:24advindo como se como a gente sente esse repertório ficcional
- 43:29evoluindo, né? Como a gente sente esse
- 43:32repertório ficcional servindo como repertório lúdico também
- 43:36Como Ele É gamificado conforme a gente joga mestre, desafiante e
- 43:41jogadores desafiados nessa dialética criativa que gera.
- 43:45Esse espaço simulado e que tem um sentido, no caso, o próprio
- 43:50desafio. E disse o Philip K.
- 43:53Dick, em termos mais modernos, o que isso significa é que alguns
- 43:58de nós viajarão lateralmente para aquele melhor mundo,
- 44:01enquanto outros não. Olha que doideira.
- 44:07Todos os nossos planos, os backgrounds, os personagens, a
- 44:11PrEP do mestre, todas as ideias. Que temos de que do que a gente
- 44:16quer para o jogo. São realidades laterais,
- 44:19paralelas, possibilidades que em algum momento elas serão o que
- 44:24de fato vai ser experienciado na simulação na matriz, ou então
- 44:30elas vão continuar em realidades paralelas deixadas de lado.
- 44:34Segundo Felipe, quede que o programador sempre vence a sua
- 44:37sombra a sua contraparte. Mas a construção dessa simulação
- 44:41passa necessariamente pela dialética entre os que se
- 44:44enfrentam ali e não há uma linearidade de tempo.
- 44:48Ou seja, cada retrato dessa simulação é como as coisas são.
- 44:53E o que foi experienciado no passado vira apenas uma ilusão
- 44:58que também reforma essa essa verossimilhança, uma ilusão de
- 45:01memória. E é assim que acontece com Oo
- 45:04repertório lúdico percebido, não é o fantasy.
- 45:07Ele pode ser invocado e aí ele importa no presente.
- 45:11Mas fora desse momento ele não existe de fato, né?
- 45:16Ele é no máximo trazido de volta como repertório e ele vai
- 45:20evoluindo. Ele pode ser, inclusive
- 45:22esquecido. E tudo bem se todo mundo
- 45:24esquecer. Ele simplesmente passa a ser
- 45:27deixado de lado. O mundo não existe para além
- 45:30desse sentimento de verossimilhança, mas nem o
- 45:33próprio repertório lúdico é sólido a ponto de figurar a
- 45:37realidade. E a prova disso é aquele
- 45:39ritainer que tava de repente ali com o grupo na jornada, mas que
- 45:44todo mundo esqueceu quando entrou na danjel e que
- 45:46certamente ele também não ficou do lado de fora sozinho.
- 45:49Ele simplesmente entrou num limbo.
- 45:51Ele foi esquecido, ele ficou numa realidade paralela que nem
- 45:54as pessoas que não ouviram. O evangelho segundo o que pensa
- 45:58o Philip K. Dick as coisas existem no
- 46:01sentido do que o programador quer e no sentido do que a sua
- 46:05sombra contesta dentro de suas vontades.
- 46:08As coisas existem como verossimilhança formada para um
- 46:12fim com sentido, que no caso, é o desafio, como a gente viu e
- 46:18aí, como eu disse lá no episódio sobre a interpretação 61.
- 46:22Eu Acredito que haja disputa em cima dessa ideia, né?
- 46:27Que tem na GNS que tem no mundo de RPG de agendas criativas,
- 46:33enquanto lá Na Na teoria, né? Do do room Wedding, a Forge e
- 46:38tudo mais. Enquanto alguns encaram que as
- 46:41agendas criativas passam mais pelos canais pessoais dos
- 46:44jogadores, né? Do que eles buscam em jogos.
- 46:48Eu encarei isso como uma busca. Pela diversão ou uma busca pela
- 46:52Felicidade que cada jogador tem ali em relação aos canais
- 46:55lúdicos que ele joga, que ele usa no jogo.
- 46:59Mas me parece um me parece um pouco difícil cravar, né?
- 47:02É é quais são os tipos de diversão?
- 47:06E que a gente saiba imprimir todos esses tipos de diversão em
- 47:09jogo e categorizar as pessoas dentro disso e atender a todos
- 47:13esses esses desejos, né? E em vez do game designer e O
- 47:17Mestre se preocuparem em ficar nesse malabarismo tenso de ter
- 47:21que atender todas essas vontades pessoais dos jogadores, me
- 47:24parece mais sadio que eles foquem em criar um espaço de
- 47:27fruição sadio, né? Dentro do jogo, para que a gente
- 47:31busque cada um a sua diversão em jogo, né?
- 47:34E me parece que para isso acontecer, para que esse espaço
- 47:38exista, né? No ciclo mágico a gente entender
- 47:41bem qual a agenda lúdica. Ou seja.
- 47:44Qual a agenda em comum que a gente tem naquele jogo?
- 47:47Dentro do ciclo mágico, isso faz muito mais sentido.
- 47:50É mais ou menos o que se fala ali No No livro Terry of fun,
- 47:54né? De que a gente constrói o espaço
- 47:57no qual a gente vai buscar se divertir.
- 48:01Eu disputo então essa noção de que agendas criativas sejam o
- 48:05que busca cada tipo de jogador, de acordo com cada tipo de
- 48:08diversão. Eu prefiro me ater a agenda
- 48:10criativa como um tipo de de de decisão.
- 48:13A forma de decidir que cada jogo contempla em suas ferramentas,
- 48:17em suas estruturas, e que eventualmente ele vai premiar, é
- 48:22como no dayd old School, né? A gente pode dizer que
- 48:25claramente as ferramentas que ele tem são de construção de
- 48:28desafio, né? Através da verossimilhança que
- 48:31ele propõe, do mundo que ele propõe, né?
- 48:34É da construção de mundo que ele propõe.
- 48:37E a gente tem regras ali que estimulam os jogadores a
- 48:39superarem desafios, principalmente quando esses
- 48:42desafios trazem ouro. E aí a gente vai delimitando, a
- 48:46gente vai construindo essa agenda criativa, né, que é uma
- 48:50agenda lúdica comum. É um espaço comum no qual a
- 48:53gente vai buscar se divertir. O room Edwards percebe as
- 48:58agendas, como o narrativismo, né?
- 49:00Que é quando um jogador toma uma, toma as suas decisões.
- 49:03Visando o que que ele julga ser melhor pra história?
- 49:06O gaynismo quando o jogador decide de acordo com a melhor
- 49:09performance perante o desafio, né?
- 49:12E o simulacionismo, quando o jogador decide de acordo com o
- 49:15que o seu personagem faria. E o e o simulacionismo aqui me
- 49:20pega, né? E aqui eu invoco tudo que a
- 49:22gente viu até agora. Sobre simulação, diferente da
- 49:27simulação do Philip k zick, quando a gente joga, a gente
- 49:30embarca num espaço simulado. Que a gente experiencia
- 49:34criativamente através da interface dos personagens que a
- 49:38gente cria, né? É com essa ficção que também vai
- 49:42sendo criada, mas que a gente sabe que é impermanente, né?
- 49:47Que a gente sabe que não é real. Que a gente pode emergir e
- 49:50emergir conforme a gente deseja. Quando a gente fala que as
- 49:54regras do RPG simulam as a física e as regras natural do
- 49:58mundo, ou ao menos as probabilidades do universo, esse
- 50:02tipo de coisa, a gente tá caindo no erro de tomar a simulação
- 50:07pela própria simulação, e é muita pretensão a gente achar
- 50:11que a gente vai recriar perfeitamente qualquer mundo.
- 50:14Levando em conta todas as suas leis que o governam, né?
- 50:17Se é que existe essa totalidade e se é que um dia a gente vai
- 50:21conseguir perceber essa totalidade, né?
- 50:24Como um sistema em sua integralidade, é impossível a
- 50:28gente, com as regras do RPG, simular a física, simular,
- 50:33simular as regras natural do mundo ou quiçá as probabilidades
- 50:36do universo ou de todos os fatores que merecem ser
- 50:39atendidos. Quando a gente joga, a gente
- 50:43cria uma simulação e, ao contrário da emulação, a gente
- 50:47deixa de lado as mecânicas do mundo como são.
- 50:51E a gente cria um recorte para simular a impressão da realidade
- 50:55que a gente quer, com o sentido que a gente quer.
- 50:58E a gente traz abstrações funcionais para esse sentido,
- 51:05esse recorte, portanto. Ele é intencional e é feito
- 51:09dentro de um contexto de metajogo consciente de que a
- 51:12gente está simulando, né? Não é como se a gente fosse npc
- 51:18dentro do mundo de jogo, né? Nós somos npc de videogame, né?
- 51:23Não, a gente não é código, a gente é mestre jogador.
- 51:27Nós somos os agentes criadores desse espaço em disputa, nós
- 51:33somos. O programador e a sombra do
- 51:37Philip, Kate ZIP, por assim dizer.
- 51:39A gente tá se desafiando, né? E dessa dialética que se cria a
- 51:45verossimilhança, essa é a mídia do jogo, a simulação ao mesmo
- 51:48tempo palco e resultado dessa interação com o repertório
- 51:52impermanente, como as pinturas na parede do magnata, na
- 51:56parábola do do Philip Ka ZIP. E, ao contrário dos npcs no
- 52:00videogame, nossos personagens lá dentro são interface nossa.
- 52:04São parte de nós dotados de agência porque pisam fora do
- 52:09círculo mágico através da gente. Nós somos, é, somos nós que
- 52:14promovemos esse recorte da simulação.
- 52:17Somos nós que decidimos o que vamos simular usando o exemplo
- 52:23que é que que AA Rai, do Farol do Leo corn, trouxe no episódio
- 52:27que ela participou aqui recentemente, é O Mestre.
- 52:31Ele, ele prenderia. Por que que O Mestre?
- 52:34Prenderia os personagens no engarrafamento se isso não
- 52:38tivesse no tipo de conflito que ele resolveu imprimir, né?
- 52:43Se esse engarrafamento não cumpre um papel dentro da agenda
- 52:45de jogo, é que a gente tá que a gente escolheu comumente aqui,
- 52:51né? Dentro da agenda criativa que o
- 52:53jogo promove, né? É tanto O Mestre imprimindo o
- 52:56seu desafio ou ou construindo uma narrativa específica.
- 53:00É, e os jogadores respondendo a isso.
- 53:02Por que que a gente vai trazer esse engarrafamento?
- 53:04A gente só traz esse engarrafamento se ele cumpre um
- 53:06papel. Dentro disso, simular, diferente
- 53:10de emular, é uma visão, é uma intenção.
- 53:16Nós sabemos o sentido real da simulação e nossos personagens
- 53:22são nossa expressão dentro de um espaço diante.
- 53:26Cujo o único propósito é reforçar a verossimilhança e que
- 53:30serão utilizados pelas ideias que decorrem da nossa agenda de
- 53:34jogo, da nossa intencionalidade, enquanto jogadores, dentro da
- 53:39agenda criativa do jogo, você e seu personagem são como Jesus,
- 53:44Uno, um Deus é como um nio do Matrix.
- 53:48É como um iluminado, dotado de agência, porque representa
- 53:51alguém que tá lá e ao mesmo tempo aqui.
- 53:56Que faz a ponte como Hermes trimegisto, que entende o
- 54:00sentido das coisas, logo um espaço simulado, além da sua
- 54:05própria mídia, expressa um sentido.
- 54:08E em respeito a esse sentido, jogamos mais de 1000 episódios
- 54:18na primeira temporada. Um podcast premiado por suas
- 54:22reflexões sobre o jogo, entrevistas e convidados em uma
- 54:27nova temporada com muito a oferecer, a comunidade do RPG
- 54:36aventureiros, numa busca por mais episódios na semana, te
- 54:39convidam a fazer parte do grupo de Telegram, participar de
- 54:43sorteios e enriquecer seu jogo. Esquente a água, moa os grãos e
- 54:52pegue os dados. Apoia.se barra café com danjo
- 55:05contamos com você ao final, é isso que espero.
- 55:19E possamos encontrar novamente esse Paraíso onde a Harmonia, a
- 55:25beleza e a paz reinem de forma absoluta.
- 55:30Assim disse Philip K. Dick, uma agenda criativa de
- 55:35simular como no sentido próprio de simular não se sustenta, como
- 55:41defende o Ron adwards, a simulação não existe por si só,
- 55:45ela já é um recorte. E assim.
- 55:48A gente consegue entender que ela não é agenda criativa, ela é
- 55:52mídia verossimilhança, é o atributo da simulação e já
- 55:56interpretamos os nossos personagens e todo jogo de RPG
- 56:00não tem jeito, porque eles são a nossa interface criativa dentro
- 56:04do círculo mágico. Simulação pra gente é mídia,
- 56:08mídia de jogo. E o jogo é é é compreendido por
- 56:13agendas criativas que instruem sua abstração, seu recorte.
- 56:18Em torno do que opera essa ilusão de verdade.
- 56:21Por isso falamos em agência do jogador e não agência de um
- 56:24personagem. Ele existe no sentido que você
- 56:27der a ele. O personagem existe no recorte
- 56:30que você der. E fora desse sentido, ele
- 56:33simplesmente não existe. Ele é deixado para trás.
- 56:37Ele vira aquele no IPC contratado, abandonado numa tela
- 56:41de realidade que virou outra coisa descartada.
- 56:45Que foi reaproveitada ali na sala de estar do ricaço RPG.
- 56:49É um jogo no qual a criação desse espaço é ludificado.
- 56:53Essa criação é o jogo e constrói uma simulação dentro do espaço
- 56:57lúdico. Se a gente tiver jogando fiasco,
- 57:02tome decisões que vão construir a melhor história para o seu
- 57:05personagem, com a consciência de que isso está sendo ludificado e
- 57:10compreende um desafio lançado a outros jogadores com a mesma
- 57:13tarefa. E que disputarão recursos
- 57:16narrativos nesse sentido. Essa é a agenda criativa do
- 57:19fiasco. Se a gente tiver jogando awell
- 57:21fantasy, tome suas decisões de acordo com o que sua personagem
- 57:24faria, mas que seja o melhor para superar um desafio, porque
- 57:30essa é a agenda do jogo awell fantasy.
- 57:33Em cima dessas agendas que os playbooks do fiasco são criados,
- 57:38a gente cria um playbook de fiasco pensando nisso, nesse
- 57:42sentido da simulação. Ou é assim que os hexágonos de
- 57:46beergotten são montados por hex Kroll?
- 57:49Eles trazem um recorte e a intencionalidade da simulação.
- 57:54No RPG somos nós, jogadores e mestres, o programador e sua
- 57:58sombra em uma dialética intensa, lutando pela realidade dentro do
- 58:03sentido que concordamos em seguir.
- 58:06E dessa dialética, criamos uma simulação dotada de sentimento
- 58:09de verdade, mas que não passa de uma divertida ilusão.
- 58:17É isso. Espero que tenham curtido aqui,
- 58:19mas vou deixar uma enquete pra vocês perguntando, e aí, vocês
- 58:22acham que eu fui longe demais dessa viagem?
- 58:25Recomenda aí uma no nos comentários também uma obra de
- 58:29ficção científica. Algum texto falando sobre
- 58:32simulação pra ver se a gente continua nessa viagem ou não?
- 58:35Beleza, é, vamos encerrando aqui, eu vou deixar é os links,
- 58:39né? É lá no descritivo do episódio,
- 58:42então vou deixar aí o link dos anúncios, né?
- 58:44E vou deixar também os links do episódio, né?
- 58:47A transcrição do discurso do Mats, do Philip K.
- 58:49Dick, no blog do café com dângel um link para teoria GNS lá na
- 58:53Ford a gente sempre linka, né? Vou deixar a playlist também do
- 58:58café com dângel, em que a gente aborda esses assuntos de
- 59:00simulação, é e toda essa investigação.
- 59:04Que a gente faz. Vou deixar também o link pro
- 59:06trailer do ruber, o filme que eu citei aqui.
- 59:09Enfim, é isso. Espero que tenha curtido.
- 59:11No mais é se você quer apoiar o café com dângel e ajudar a gente
- 59:16a voltar a ter 5 episódios semanais, considere é ajudar a
- 59:20gente lá no apoia.se barra, café com dângel e aí você garante
- 59:24conteúdo extra, é, participa de sorteio dos nossos parceiros,
- 59:27recebe cupons, participa do nosso corpo de Telegram, que tem
- 59:30muita discussão interessante, então cola com a gente.
- 59:34Se você gostou especialmente do café de hoje, deixa para gente
- 59:36uma gorjeta. Manda o seu Pix de qualquer
- 59:39valor para cafecomdangio@gmail.com a gente
- 59:42conta com você. Se você tem uma empresa ou uma
- 59:45marca e quer ter um dia da semana no café com dângio,
- 59:48financie mais um episódio semanal do podcast e faça a
- 59:51Alegria da Márcia rpgista consulta a gente lá no e-mail
- 59:54cafecomdanjon@gmail.com que a gente tem uma proposta especial
- 59:58para você. Mesma coisa, se você quiser
- 59:59colaborar, manda OE mail para gente.
- 1:00:03Por último, queria agradecer a galera que torna possível essa
- 1:00:06aventura aqui. Então ao pessoal aí do nível de
- 1:00:10apoio incentivo, incluindo aí o Jefferson Antunes, valeu demais.
- 1:00:15O pessoal do nível de apoio comunidade, incluindo aí o
- 1:00:18Gustavo muradi, o lian kerlopes e o Renan cretelli, e um salvo
- 1:00:22especial dos assinantes do nível RPG do Jô, dentre eles o Luiz
- 1:00:24Guilherme dias de Souza, Pedro Borges, Vitor Hugo Martins.
- 1:00:28Vinícius Caldas e o Leonardo dos Santos Ferreira também.
- 1:00:32Um abraço aos membros do treinamento.
- 1:00:34É o fantasy que são Abílio Júnior, César Machado, Daniel
- 1:00:38Haidar, Diego cestito, Douglas bahense, Leo gasparuto, Marcos
- 1:00:41Gonçalves, Mateus piqueira, Rafael bardal, Bruno cobre, João
- 1:00:45burla, Marc Gui providelo e um grande agradecimento ao nosso
- 1:00:50membro. Café com balbi, Thiago Augusto,
- 1:00:52que foi lá. Comigo e com Diogo Nogueira no
- 1:00:55show do zumbi do espaço. Foi incrível, cara.
- 1:00:58Valeu um abraço e até a próxima.