Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dr. Charles Novinski: O Resgate do Porco Moura | Ep. 296
Transcript
- 0:00Quando elas têm a oportunidade de experimentar novamente essa
- 0:03carne, eu falo, nossa, mas isso me lembrou a minha infância,
- 0:06quando eu estava lá no sítio do meu avô, ou esse é muito
- 0:11parecido com a carne que eu experimentava.
- 0:15Então esse resgate, ele é muito mais amplo, não é só o resgate
- 0:18da raça ou de um sistema de produção, ele é o resgate de uma
- 0:21história que ao longo do tempo ele veio se perdendo.
- 0:26Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:30Suinocast. O Suinocast só é possível
- 0:36através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 0:40educação continuada na suinocultura brasileira.
- 0:44DSM Firmenich, moldando o futuro dos cuidados com suínos.
- 0:50Top Gen, onde você encontra as matrizes mais completas do
- 0:53mercado. A excelência está no nosso DNA.
- 0:58PoliNutri Nutrição Animal, juntos vamos mais longe.
- 1:03Alga Prime DHA da Corbin, o ômega-tres de algas para a
- 1:07nutrição suína. Seva, sempre com você, além da
- 1:13saúde animal. Olá, sejam todos muito
- 1:16bem-vindos para mais uma edição do nosso Suinocast.
- 1:20O meu nome é Guilherme Brandt e hoje eu tenho um convidado
- 1:23especial aqui, o Charles Ortiz Nowinski.
- 1:27Charles, seja muito bem-vindo ao nosso programa.
- 1:30E eu sempre digo que é um programa aberto, um programa
- 1:33dinâmico e leve, e feito para quem é especificamente da nossa
- 1:38área. E quando eu falo da nossa área,
- 1:41não é tão específico. São os produtores, são os
- 1:45futuros produtores, a gente fala aí dos filhos dos produtores de
- 1:48uma sucessão, São os professores, toda a academia,
- 1:52professores, alunos e quem se apropria desse material para
- 1:59entender um pouco mais da cadeia da suinocultura. e
- 2:03importantíssimo também os consumidores e os nossos não
- 2:06consumidores. A gente sempre fala de uma
- 2:09responsabilidade grande que a gente tem de expor a nossa
- 2:12cadeia, que é uma cadeia maravilhosa.
- 2:15Eu tenho certeza que o programa hoje vai dar mais uma abordagem
- 2:19diferente do que a gente vem dando, que hoje a gente vai
- 2:23falar sobre o sistema produtor de alto valor agregado, e o
- 2:28sistema de produção das raças brasileiras, especialmente da
- 2:32raça Moro, do porco Moro. Charles Ortiz, Charles, seja
- 2:37muito bem-vindo. Eu sempre falo que essa aqui é
- 2:41uma leitura, eu nem fiz a leitura do teu currículo, então
- 2:45o Charles, ele é azotecrista com mestrado e doutorado na área de
- 2:51produção, e atualmente ele está na Universidade Federal do
- 2:55Paraná e também com consultoria. Essa é uma descrição fria da
- 3:02pessoa, e eu peço aqui e já abro o microfone para ti, para você
- 3:07apresentar quem é o Charles Ortiz Nowinski, de onde veio, de
- 3:11onde surgiu essa vontade da zootecnia e o que faz atualmente
- 3:20A palavra está contigo, Charles. Seja muito bem-vindo.
- 3:23Perfeito, Guilherme. Agradeço a oportunidade,
- 3:27agradeço o convite e cumprimento a todos que nos assistem.
- 3:33E é sempre uma grande oportunidade falar e poder ter
- 3:38esse espaço. Mais uma vez, eu agradeço a
- 3:41abertura desse espaço para a gente debater um pouco mais,
- 3:46trazer uma outra visão, quem sabe chamar a atenção do
- 3:52produtor para alguns pontos que, na correria do dia a dia,
- 3:57naquela pressão que a gente... sabe muito bem como é, o
- 4:03produtor, às vezes, não percebe algumas oportunidades.
- 4:07E eu acho que é uma ótima conversa que a gente pode ter e
- 4:14alertar. Bom, a respeito da minha vida
- 4:18profissional, do meu currículo, é muito...
- 4:21De maneira bem resumida, como você falou, eu sou zootecnista,
- 4:25eu tenho mestrado e doutorado pela Universidade Federal do
- 4:27Paraná. Eu fiz o período de
- 4:30pós-doutorado no projeto onde iniciou o resgate da raça do
- 4:34porco-moura, que é o projeto do porco-moura coordenado pelo
- 4:37professor Márcio Marpechowski. E, a partir dali, foi onde teve
- 4:44o início, o start para... trabalhar nessa área de produção
- 4:53de suínos com alto valor agregado em sistemas
- 4:58alternativos ou sistemas diferenciados.
- 5:01E, obviamente, com isso, as raças brasileiras, as raças
- 5:05nativas, vieram fazendo parte dessa pesquisa e desse modelo de
- 5:16produção. A CEVA é um dos principais
- 5:21players no mercado de saúde animal, atuando com inovação e
- 5:25responsabilidade, buscando soluções de saúde inovadoras
- 5:29para todos os animais, contribuindo para o futuro de
- 5:32nosso diverso planeta, moldando cada solução de acordo com as
- 5:36necessidades e desafios do mercado consumidor e
- 5:40compartilhando conhecimentos de alta qualidade.
- 5:43Para não perder nenhuma novidade, siga a Seva Saúde
- 5:46Animal no Instagram, arroba Seva Suínos Brasil.
- 5:53Peguei três pontos específicos aqui só na tua apresentação, e
- 6:01lembrei do começo da minha carreira de veterinário.
- 6:05Quando tu fala em sistemas alternativos, o valor agregado e
- 6:11resgate de raças brasileiras, Eu comecei a minha atividade como
- 6:17veterinário no interior do Mato Grosso do Sul, em Bonito.
- 6:23E a primeira, eu lembro, a primeira foto que eu tenho com a
- 6:27suinocultura, como profissional da suinocultura, eu estou do
- 6:31lado de um cachaço faixa branca, que não é exatamente raça
- 6:37brasileira, porque era um Vessex com um Hampshire, mas criado no
- 6:41sistema, que na época era um sistema, já na época era um
- 6:46sistema alternativo, num pasto de grama bermuda com leucena
- 6:51como proteína, a árvore leucena, era um sistema um pouco mais
- 6:56difícil, mas ali era um programa de uma cooperativa, que era do
- 7:01interior do Rio Grande do Sul, que tinha uma extensão lá, e de
- 7:08pequenas propriedades ou pequenos produtores produzindo o
- 7:12seu sustento nesse modelo de produção.
- 7:17E aí eu já te pergunto, de bato pronto aqui, esses três temas, o
- 7:24que é um sistema de alto valor agregado, quais são as raças
- 7:30brasileiras aí de... o resgate, vamos dizer assim, e o que é o
- 7:38sistema, o que é exatamente o sistema da profissão.
- 7:42Aí tem um caldo bom, né? Que ideia, então.
- 7:49Aí abriu vários temas que a gente tem horas e horas de
- 7:55conversa, né? Mas você começou muito bem com a
- 7:59tua... com a tua pergunta, e é a partir dali que eu vou tentar
- 8:07explicar um pouco melhor o que é.
- 8:11Quando eu abordei esses assuntos, você automaticamente
- 8:16já remeteu ao teu passado, ao teu início.
- 8:21E quando a gente fala dessas questões, a ideia... para a
- 8:27gente resgatar, não é só a raça, não é só o sistema, são as
- 8:31histórias e as tradições. Porque quando eu falar de uma
- 8:36raça brasileira, as pessoas mais antigas que tiveram a
- 8:39oportunidade de conhecer e experimentar essa carne desses
- 8:42animais antigos, das raças nativas, quando elas têm a
- 8:47oportunidade de experimentar novamente essa carne, eu falo,
- 8:49nossa, mas isso me lembrou a minha infância, quando eu estava
- 8:53lá na... no sítio do meu avô, ou esse é muito parecido com a
- 8:58carne que eu experimentava. Então esse resgate, ele é muito
- 9:03mais amplo, não é só o resgate da raça ou de um sistema de
- 9:06produção, ele é o resgate de uma história que ao longo do tempo
- 9:09ele veio se perdendo. E isso é um atributo que não tem
- 9:17valor. Então resgatar uma história,
- 9:21resgatar uma tradição, E quando a gente fala em história e
- 9:25tradição, isso para o consumidor desperta muito interesse.
- 9:29E ele fica curioso em experimentar esse produto.
- 9:32E é aí que nós começamos a agregar valor.
- 9:37Porque é uma oportunidade que ele está tendo, e é uma história
- 9:41que aquele produto que o consumidor vai experimentar, Ele
- 9:46vai receber, então ele vai entender o que é uma raça
- 9:50brasileira, ele vai entender como é produzido, quem é aquele
- 9:54produtor, porque isso desperta interesse, isso desperta a
- 9:57curiosidade do consumidor. E ele vem querendo esse produto.
- 10:04Então dentro das raças que esse projeto e esse mercado vem
- 10:11trabalhando, o Moura ganhou destaque porque foi um trabalho
- 10:18iniciado em mil novecentos e oitenta e nove, mil novecentos e
- 10:21oitenta e seis, oitenta e nove, pelo professor Narciso na
- 10:25Universidade Federal, que ele resgatou a raça Moura.
- 10:28E a ideia do professor na época era utilizar esse animal num
- 10:33cruzamento dentro do sistema industrial.
- 10:36Então, a história do Moro não é agora, ela já vem lá desde a
- 10:39década de oitenta. E, obviamente, que por conta
- 10:44disso, ele foi a raça mais trabalhada, foi uma raça que,
- 10:53por conta também disso, foi inserida no banco genético da
- 10:59Embrapa, ou seja, ele ainda faz parte de animais que estão no
- 11:09plantel da Embrapa, ou seja, são animais que estão em granjas de
- 11:13RSC. Outras raças acabaram saindo,
- 11:18como era o caso do Piau, A Embrapa mantinha o rebanho
- 11:21eripial até meados do início da década de noventa, daí esse
- 11:25rebanho foi, se eu não me engano, esse rebanho foi
- 11:28encerrado. E, ou seja, então o Moro é a
- 11:32única raça nativa, a única raça brasileira que seguiu dentro de
- 11:39um sistema de produção. As outras, como o caruncho, como
- 11:43o nilocanastra, canastrão, pirapitinga, todas essas raças
- 11:49acabaram sendo esquecidas e ficaram restritas apenas aos
- 11:54produtores de subsistência. Ali dentro desses produtores,
- 11:58essas raças foram cruzadas, se perdeu o controle genético
- 12:02desses animais. O Moura não.
- 12:05Então o Moura nós temos todo o histórico genético dele.
- 12:08Então nós temos a raça pura ainda.
- 12:11Dos outros, das outras raças, o Piau, pelo trabalho feito na
- 12:16Universidade de Minas Gerais, ainda também tem rebanhos, tem
- 12:19um plantel de animais puros. As outras estão miscigenadas e
- 12:22aí precisa de um trabalho maior para que se resgate e faça um
- 12:29trabalho novamente desde o início.
- 12:33E do Moura, pela região sul aonde nós estamos, eu falo do
- 12:37Paraná, Permanecendo com esses produtores de subsistência,
- 12:45muitos deles ainda mantinham esses animais dentro de um
- 12:50modelo de produção que os seus antepassados faziam.
- 12:54Ou seja, eram animais criados em um sistema extensivo, se
- 12:59alimentavam de produtos da própria propriedade, batata
- 13:04doce, pastagens, frutas, soro do leite, que essas propriedades
- 13:11acabavam produzindo um pouco de queijo e essa alimentação ia
- 13:15para esses animais. Então, esse modelo, essa forma
- 13:19de criação ainda, e as raças fazendo parte desse modelo, foi
- 13:24mantido. E aí, teve uma... uma fase que
- 13:33se parou de trabalhar com Moura depois aqui da universidade,
- 13:36porque o professor Narciso acabou se aposentando, o
- 13:40departamento não tinha mais interesse, isso já nos anos dois
- 13:46mil, esse rebanho então foi encerrado, foi enviado para
- 13:48Embrapa, onde a Embrapa manteve essa genética, e aí
- 13:52recentemente, em dois mil e quatorze, foi quando teve o
- 13:55recomeço dessa história, que por conta do professor Março, ele
- 14:02resolveu trazer essa genética novamente para a universidade e
- 14:06aí sim, começar a trabalhar no sistema, resgatar esse sistema
- 14:10antigo de produção, no entanto, resgatando e aplicando técnicas
- 14:16modernas dentro desse sistema, mas sem perder sua essência.
- 14:19Então, sem perder a criação do animal solto, essas alimentações
- 14:27alternativas, E aí, então, iniciou esse trabalho de
- 14:32pesquisa e adaptação e melhoramento do sistema.
- 14:38Então, quando eu falo que esse animal é criado de uma maneira
- 14:41extensiva ou esse animal é criado de uma forma alternativa,
- 14:48não quer dizer que nós não aplicamos técnicas Por exemplo,
- 14:55quando eu falo esse animal é criado solto, ele é criado
- 14:57solto, mas dentro do espaço dele.
- 14:59Ele não vai compartilhar esse espaço com nenhuma outra espécie
- 15:02animal. Esse animal é criado solto, mas
- 15:05ele não fica perangulando pela propriedade.
- 15:08Ele é criado solto dentro do piquete e esse piquete tem
- 15:13barreiras para evitar que esse animal saia e que outros animais
- 15:17entrem. Então são essas adaptações que
- 15:22foram feitas. E quando eu trago esse sistema,
- 15:25automaticamente está embutido alguns conceitos, como por
- 15:30exemplo, o bem-estar animal. Então como esse animal está
- 15:33criado solto, ele tem a oportunidade de expressar todo o
- 15:36seu comportamento. Quando eu ofereço essas dietas
- 15:41alternativas, esse animal tem a opção e a escolha de comer
- 15:46aquilo que eu estou oferecendo, não é uma dieta única.
- 15:50E para esse consumidor hoje que vem buscando conhecer a origem
- 15:55do seu alimento, isso agrega o valor.
- 16:00Porque ele entende que esse animal é criado com alto grau de
- 16:03bem-estar. Esse animal é criado se
- 16:06alimentando com uma diversidade de alimentos.
- 16:11E aí entra o que o consumidor vem buscando, conhecer a origem
- 16:16e conhecer a história do seu produto ou daquele produto que
- 16:18ele está tendo a oportunidade de experimentar.
- 16:21E aí nós vamos embutindo e colocando valores.
- 16:26Deixa eu fazer uma pausa aqui, porque já deu um monte de
- 16:29perguntas aqui. Quando tu fala aí de oitenta e
- 16:35seis, oitenta e nove, e eu falei da minha história, era oitenta e
- 16:38oito, a minha história. Então é uma linha bem
- 16:43interessante mesmo. E eram piquetes hoje.
- 16:47Mas vamos lá, deixa eu pegar algumas coisas que tu comentasse
- 16:51aqui. Quando a gente fala de...
- 16:54Bom, vamos lá. Eu ia ter perguntado as raças
- 16:58aí, mas tu já esclareceu bastante, vamos dizer que ficou
- 17:01essa parte da garantia do banco genético, que hoje está na
- 17:07Embrapa, né? E a questão dos piquetes.
- 17:11Hoje o pessoal, hoje não, a gente tem uma preocupação muito
- 17:16grande com a questão da biosseguridade, né?
- 17:19Tu foi muito claro nessa questão, cada raça, cada
- 17:24espécie, na sua produção, mesmo extensiva.
- 17:29Isso é importantíssimo. E a questão do bem-estar.
- 17:34Quando a gente fala de alto grau de bem-estar, que tu falou, e
- 17:41hoje isso é uma... Não existe uma categorização de
- 17:48bem-estar, é bem-estar ou tem uma diferenciação aí?
- 17:53Hoje nós estamos falando de animais criados essencialmente
- 17:56soltos, mas existem granjas que estão com o Moura num sistema,
- 18:02vamos dizer, intensivo. Sim, sim.
- 18:07Então, só para a gente pegar um pouco dessa questão da
- 18:09biosseguridade do bem-estar, e outro ponto que eu acho
- 18:12interessante comentar seria os dados, os indicadores da
- 18:20produção. Perfeito.
- 18:23A respeito, então, da... dessa categorização do bem-estar.
- 18:28No sistema industrial, quando a gente fala em bem-estar, a gente
- 18:33aplica o máximo bem-estar, o máximo conforto para aquele
- 18:39animal. E tem certificadoras hoje,
- 18:44inclusive tem uma que se chama Produtor do Bem, em São Paulo.
- 18:48Eu conversei com eles há um tempo atrás.
- 18:55E ali eles criaram diferentes níveis de bem-estar.
- 19:03Não de bem-estar, mas diferentes certificações de bem-estar.
- 19:08Então, dentro do sistema industrial, essa certificadora
- 19:12tem todas as normas e regras para determinar o bem-estar
- 19:18dentro de uma granja. E aí eles criaram uma categoria
- 19:21à parte para esses sistemas que mantêm esse animal solto. que
- 19:25ali ele vai ter a oportunidade de expressar outros
- 19:28comportamentos. E além disso, por exemplo, a
- 19:33questão das matrizes, se elas ficam em uma fase nas gaiolas ou
- 19:37elas ficam toda a fase de amamentação livre.
- 19:42Então eles definiram alguns critérios justamente para
- 19:44diferenciar esse bem-estar. Então já existe, e é essa
- 19:52certificadora, produtora do bem. Então, dentro dessa
- 19:55categorização, essa é a única, Guilherme, que eu lembro, que eu
- 20:04tive a oportunidade de conversar, que realmente
- 20:06categorizou em relação ao bem-estar.
- 20:16A outra pergunta foi sobre... Bioseguridade e indicadores.
- 20:21Beleza. Então, sobre a bioseguridade.
- 20:26De fato, existe uma preocupação muito grande com esses animais
- 20:31criados ao ar livre. E por conta disso, nós aqui no
- 20:39Paraná já estamos discutindo junto com o órgão de vigilância
- 20:44agropecuária, aqui a ADAPAR, estabelecer novas regras ou
- 20:52aprimorar as regras de biossegurança para esses
- 20:55sistemas. Porque nós não podemos negar que
- 20:59não existem animais criados de maneira extensiva ou animais
- 21:03soltos. Essa é uma questão que nós
- 21:08precisamos discutir e debater. Hoje, boa parte desses micro
- 21:14produtores, eles estão trabalhando de maneira informal.
- 21:20Os órgãos de vigilância, esses produtores não estão no radar
- 21:26dos órgãos de vigilância agropecuária.
- 21:30E a gente sabe disso, não tem como negar.
- 21:34Então, o que é melhor? A gente estabelecer regras para
- 21:37esses produtores, que a gente chama de produtores de
- 21:42subsistência, e aí sim ter um controle e saber realmente o que
- 21:46está acontecendo, que eu acho que se fizer de conta que esse
- 21:50problema não existe, tem um risco muito maior.
- 21:53Então, aqui no Paraná, nós estamos discutindo junto com a
- 21:56DAPAR e estabelecer regras dentro desse sistema, desse
- 22:02modelo, para garantir o máximo de segurança na bioseguridade
- 22:08desses rebanhos. E as conversas avançaram e nós
- 22:11temos já... uns critérios muito claros do que fazer. essa
- 22:26condição. Para evitar, obviamente, que
- 22:30isso é importantíssimo, porque nós temos a suinocultura
- 22:36brasileira, ela é gigante e nós não devemos de maneira nenhuma
- 22:41colocar isso em risco. Pelo contrário, é garantir a
- 22:45maior segurança para a suinocultura industrial.
- 22:51Em relação a indicadores, Os indicadores zootécnicos, o que
- 22:56nós temos? O número de produtores aqui no
- 23:02Paraná, ele vem crescendo ano após ano, porque houve uma
- 23:07divulgação muito grande, várias reportagens, tanto na parte
- 23:12técnica, na parte gastronômica, muitos chefes de cozinha
- 23:20conheceram o produto colocaram esse produto no cardápio, ou
- 23:27seja, então teve uma divulgação muito ampla, e obviamente que
- 23:32isso despertou interesse de muitos produtores, muitos
- 23:35criadores, e o número de criadores vem aumentando.
- 23:41Oficialmente nós não temos esses números ainda, eu uso
- 23:46informações da Universidade Federal do Paraná, da equipe lá
- 23:51do projeto Procúmula do professor Marson, E até o dado
- 23:55atualizado, em dois mil e dezenove, nós tínhamos
- 23:59quatrocentos e oitenta matrizes que tinham sido monitoradas pelo
- 24:07projeto. Esse dado é de dois mil e
- 24:09dezenove. Matrizes somente, esse número só
- 24:12de matrizes. No entanto, de lá para cá, teve
- 24:15um crescimento maior. Porque além da Embrapa, como eu
- 24:20mencionei, que mantém esse animal no rebanho e acaba
- 24:26trabalhando com essa genética, Recentemente, uma outra empresa
- 24:31de genética, a Biribas, ela também trouxe esse animal para o
- 24:36plantel e está trabalhando de maneira comercial com o morro.
- 24:41E isso também ajudou a difundir mais ainda essa raça.
- 24:47Então, precisamente... em relação aos índices
- 25:04produtivos desses animais. Dos produtores que eu atendo,
- 25:09nós temos um número de leitões nascidos alto em relação às
- 25:16informações que existem na literatura.
- 25:19Nós estamos aí com uma média de dez animais, mas eu tive
- 25:22produtores já que teve número de nascimento de dezoito.
- 25:26Desmamados, dezesseis. Mas, na prática, o que nós vemos
- 25:33é um índice de nascimento mais baixo, em torno de sete a oito.
- 25:39E aí tem alguns fatores que nós já identificamos o que pode
- 25:41estar acontecendo. Um deles, principalmente, o alto
- 25:45nível de consanguinidade, porque foram animais que estavam quase
- 25:51extintos, né? Então, o nível, o grau de
- 25:55consanguinidade estava muito alto.
- 25:58E sobraram poucos indivíduos ainda.
- 25:59As famílias que tem, que nós temos aí, são muito próximas.
- 26:05E esse é um efeito direto da consanguinidade.
- 26:12Deixa eu só fazer um parêntese aqui, Charles.
- 26:16Esses dias, um amigo meu... O Valnei, lá do Rio Grande do
- 26:22Sul, ele é professor lá do Rio Grande do Sul, ele me mandou um
- 26:27fax claro que ele não mandou o fax, ele mandou uma foto do fax,
- 26:32que nós éramos colegas lá no Mato Grosso do Sul, um fax meu,
- 26:38dizendo que eu tinha um cachaço à disposição, que já não tinha
- 26:42mais, eu já não poderia utilizá-lo por consanguinidade,
- 26:47então a gente já estava fazendo genética naquela época, mas era
- 26:50o cachaço mais velho, e foi vendido, de fato foi vendido,
- 26:55com GTA, tudo certinho, por a questão da genética, ou do
- 27:04atraso, aí já era atraso genético para mim, para o meu
- 27:08pequeno rebanho. E quando tu fala desses teus,
- 27:14desse pessoal que tu dá assistência, esses rebanhos são
- 27:18de que tamanho, mais ou menos? Então, essa é uma característica
- 27:24hoje, nesse momento, dos produtores.
- 27:26Eu tenho produtores que têm três animais, três matrizes, um
- 27:32cachaço, e eu tenho produtores que têm dez matrizes, o máximo,
- 27:39o produtor que tem mais matrizes, trinta matrizes.
- 27:42Trinta. Trinta matrizes.
- 27:46É... E por que esse número, quando a
- 27:52gente compara com a suinocultura industrial, esse número chega a
- 27:57ser micro, pequeníssima escala. Mas uma característica desse
- 28:07nicho de mercado é controlar o número de matriz ou o número de
- 28:14animais por conta da demanda. Então, nós estamos crescendo o
- 28:20rebanho conforme a demanda. Por enquanto, a gente consegue
- 28:24controlar. E, obviamente, que isso controla
- 28:28o preço, lá no final, lá na ponta da cadeia.
- 28:32Então, a questão da oferta e da demanda.
- 28:37Porque não adianta eu aumentar muito o rebanho, sendo que eu
- 28:41não tenho aonde escoar essa produção.
- 28:45Que aí entra uma outra característica do negócio. para
- 28:50que mercado eu vou direcionar essa produção?
- 28:54Qual o tamanho desse mercado? Então, tudo isso é muito novo.
- 28:57Quando a gente fala em qualidade de carne ou esses conceitos de
- 29:03produto com suíno, carne suína com alto valor agregado.
- 29:09Então, esse mercado ainda está em desenvolvimento e a gente vem
- 29:14controlando uma maneira de controlar é reduzindo o número
- 29:18de matrizes. Hoje, hoje, hoje tu tem a... o
- 29:26número ou percentual do que é consumo próprio, claro, a pessoa
- 29:32com três, mesmo com três matrizes, mas o que é consumo
- 29:37próprio e o que é mercado, vamos dizer, garantido ou fluxo já de
- 29:41mercado com uma logística, até questão de, e aí já emendo a
- 29:46pergunta de abate, de locais de abate, Tu tem esse diferencial
- 29:52do que é só consumo interno e o que é mercado?
- 29:57Sim, sim. Desses produtores que eu venho
- 29:59acompanhando, eu posso dizer que oitenta por cento da produção é
- 30:07mercado. Oitenta por cento da produção já
- 30:10está sendo colocada no mercado. Dados do ano passado de um
- 30:18produtor um produtor, nós conseguimos uma comercialização
- 30:25de cem animais durante o ano, de um produtor, tá?
- 30:32Somente para o mercado, para colocar essa carne no mercado.
- 30:36Esse ano teve um crescimento, a gente não fechou ainda, não
- 30:41fechamos o balanço, mas praticamente dobrou a produção.
- 30:47É... Então, nós estamos realmente
- 30:53conseguindo acessar mercado de maneira legal.
- 30:57Em relação ao abate, sempre, toda a vida, e essa é uma
- 31:03premissa básica, o produtor está dentro de toda a legislação para
- 31:10fazer o abate legalizado. E para que ele consiga fazer
- 31:14esse abate legalizado, a primeira coisa que esse produtor
- 31:23aqui no caso da APAR, que é o órgão de vigilância
- 31:26agropecuária. O que ele precisa fazer?
- 31:28Ok, então nós olhamos todos a documentação e ele vai se
- 31:34cadastrar ou cadastrar seu rebanho na agência.
- 31:38Porque sem isso, eu não consigo emitir uma GTA.
- 31:40E se eu não conseguir emitir uma GTA, como que eu vou entrar com
- 31:43esse animal no abatedouro? Então, esse é o ponto de
- 31:46partida. Primeira coisa, registrar seu
- 31:49rebanho suíno na agência. Perfeito.
- 31:56Posto isso, o próximo passo é buscar qual mercado esse produto
- 32:04vai ser colocado. Então, primeiro nós vendemos o
- 32:07produto para depois voltar a produzir.
- 32:10Acabei a inversa. Então, se esse produtor está com
- 32:15os animais prontos para o abate e aí ele resolve buscar um
- 32:19mercado para colocar esse produto, é um desastre, porque
- 32:23esses animais vão ficar muito mais tempo na propriedade, ou
- 32:27seja, comendo todo dia, fazendo uma deposição maior no tecido
- 32:35adiposo, porque são animais que têm uma tendência a deposição
- 32:38maior de gordura, e isso causa um péssimo rendimento de carcaça
- 32:44lá no final. Então eu vou ter carcaças com um
- 32:48alto teor de gordura, muito tolcinho, e baixo rendimento de
- 32:52carne. Além de comprometer o
- 32:55diferencial dele, que é o apelo gastronômico.
- 32:59Exato, exato. Então, antes de colocar esses
- 33:07animais para engorda, nós vamos buscar a legalização desse
- 33:11produtor, o mercado e o local de abate.
- 33:15Então, onde esses animais serão abatidos?
- 33:17E como eles serão processados? Ou a planta frigorífica vai
- 33:21processar, ou vai vender para um frigorífico, para o frigorífico
- 33:25trabalhar essa carne, ou o produtor vai fazer a
- 33:27verticalização. Ele mesmo vai trabalhar com a
- 33:30marca da carne dele. Então, tudo isso a gente discute
- 33:36previamente para que, então, todos esses detalhes prontos, aí
- 33:41sim a gente acesse o mercado. Então, aí, esses pontos
- 33:47fechados, local de abate, como eu disse, a gente busca
- 33:50frigoríficos próximos desse produtor, porque o volume de
- 33:53abate é pequeno. Então, tem o abate de cinco
- 33:55animais por semana, três animais por semana.
- 33:58Então, não adianta eu colocar... esses animais para rodarem uma
- 34:04distância muito longa até chegar num frigorífico.
- 34:05Então, a gente vai buscar frigoríficos mais próximos para
- 34:10daí fazer o abate lá. Hoje, eu tenho produtores aqui
- 34:15próximo de Curitiba, de onde eu falo.
- 34:19Esses animais são abatidos nesses frigoríficos monitorados
- 34:22e as carcaças são direcionadas para Curitiba, onde é feita a
- 34:25desossa. Numa empresa, numa indústria em
- 34:27Curitiba, onde nós fazemos o processamento.
- 34:32Qual que é o peso de abate normal que o pessoal está
- 34:37utilizando? O peso de abate para carne,
- 34:40quando a gente fala em carnes cortes nobres, o peso varia
- 34:44entre cem a cento e vinte quilos de peso vivo.
- 34:48Certo. Para a charcutaria, que esse é
- 34:52um outro mercado que está sendo desenvolvido, por exemplo, para
- 34:55a produção do pernil curado, o mais famoso que nós temos aí é o
- 34:59pata negra, o ramon. Então, para esse tipo de
- 35:02produto, a gente aumenta um pouco mais o peso vivo, vai até
- 35:05R&D. Então, depende do mercado.
- 35:10Para mercado de cortes, E carnes nobres, até cento e vinte quilos
- 35:15de peso vivo. Pra charcutaria, a gente estende
- 35:19um pouco mais, pode ser até cento e cinquenta.
- 35:24Eu tive a oportunidade em maio desse ano, eu tive numa empresa
- 35:30na Espanha, que resgatou o porco lanado.
- 35:35Até eu me esqueci do nome dele. Magalitza.
- 35:39Do Magalitza, da raça. Impressionante.
- 35:46As histórias, elas meio que... A história é a mesma.
- 35:50É um resgate, é um animal, é um diferencial.
- 35:54E esses pesos elevados de abacos, E aí, uma outra pergunta
- 35:59a respeito dessa questão da charcutaria.
- 36:02Quanto desse volume hoje está sendo drenado para a charcutaria
- 36:10desses cento e cinquenta quilos, desse animal bem mais pesado?
- 36:18Boa pergunta, Guilherme. Esse é artesanal mesmo, né?
- 36:24Aí é uma coisa... Exato, ele é artesanal, no
- 36:32entanto, essa é uma outra questão, esse pessoal que vem
- 36:37nos procurar, que trabalha com a charcutaria, uma orientação que
- 36:43a gente faz é, ok, mantenha a sua, o seu padrão de produção
- 36:52artesanal, no entanto, Se algum desses não é legalizado, a gente
- 36:59fala, mas você precisa se legalizar, porque como que a
- 37:01gente vai acessar mercado? Como que a gente vai crescer?
- 37:06E aí, surgiram várias charcutarias querendo essa
- 37:14matéria-prima. Então, eu atendo uma charcutaria
- 37:18em Florianópolis, que é a Duca Charcutaria.
- 37:21Foi a primeira que eu comecei a atender em dois mil e vinte. e
- 37:25ele já tinha o SIN, Inspeção Municipal, e aí em dois mil e
- 37:30vinte e um, vinte e dois, ele conseguiu o selo Arte, que aí
- 37:36também foi uma outra situação que favoreceu a produção
- 37:42artesanal. Então não se perdeu a essência
- 37:45da produção, ou seja, você já vem com uma matéria-prima
- 37:48diferenciada, o seu processo de produção é diferenciado e no
- 37:51final você tem um produto completamente diferente.
- 37:55Então, hoje, eu vou te dizer que, assim, cinco por cento,
- 38:00três por cento do produto está sendo para charcutaria ainda,
- 38:04mas é um mercado que nós temos inteiro para crescer, porque o
- 38:08Brasil não tem a cultura da charcutaria.
- 38:11Nós temos a salumeria, então, a cultura italiana, por exemplo,
- 38:15come salame, uma copa curada, mas esses produtos de cura
- 38:22maturados, o Brasil não tem essa cultura.
- 38:26Então, assim, qual é o tamanho desse mercado?
- 38:29É todo, né? Essa era uma pergunta que eu
- 38:35tinha preparado, né? Qual é o tamanho da
- 38:38oportunidade? Está respondida.
- 38:41E a outra questão, eu também moro em Curitiba, estou em
- 38:44Curitiba, E a outra questão que eu ia te perguntar é que, mas tu
- 38:51já... Os quarenta minutos aqui já foi
- 38:54a resposta, né? Que hoje ainda é um produto...
- 38:59A carne suína está aumentando o consumo no Brasil.
- 39:04Os chefes descobriram efetivamente, né?
- 39:07o uso dela na gastronomia, vamos dizer, na gastronomia normal, a
- 39:15do dia a dia, e numa gastronomia de alto nível também.
- 39:19E eu ia te perguntar, esse nível mais alto, a diferenciação de
- 39:25preço é bem mais alta ainda. Mas a resposta está aí, nesses
- 39:31volumes que toda a tua explicação leva a isso aí.
- 39:38Mas existe esse nível, e aí é um mercado nichado mesmo.
- 39:43Existe toda essa oportunidade. E é legal ver que a nossa
- 39:49suinocultura, que a gente fala sempre de um produto commodity,
- 39:53de um produto de exportação, uma suinocultura industrial, que ela
- 39:57é gigante e rápida, veloz. A gente fala que o suíno é uma
- 40:03cadeia longa e complexa. Nessa cadeia mais, não vou dizer
- 40:11artesanal, mas mais... desresgate aí a essas raças ela
- 40:16é bem mais lenta também e produtividade que são
- 40:21produtividades especificamente para produto final diferenciado
- 40:26de uma agregação de valor. É legal ter esse conhecimento e
- 40:32essas oportunidades. E aqui também a gente fala que
- 40:35existem oportunidades É mais uma grande oportunidade dessa
- 40:40cadeia, todo direcionamento industrial, mas também tem um
- 40:45direcionamento que é profissional dentro de uma
- 40:49categoria mais artesanal, vamos dizer assim, de produção. todo
- 40:57indivíduo vale, especificamente aí vale muito mais.
- 41:00Isso mesmo, é bem isso, Guilherme, porque assim, eu
- 41:06estou na indústria também, então eu acompanho o animal do
- 41:08nascimento à entrega para o consumidor, então eu estou desde
- 41:12o produtor, faço acompanhamento na criação, faço acompanhamento
- 41:17logístico de abate, faço acompanhamento na desossa e na
- 41:20venda do produto. E às vezes chega um animal que,
- 41:24por exemplo, a pessoa foi descarregada do caminhão na
- 41:29carcaça e dobrou a carcaça e quebrou o lombo ali.
- 41:33É uma fratura que tem ali no descarregamento já da carcaça.
- 41:38Isso faz falta, porque aquele lombo eu não tenho uma outra
- 41:41peça de substituição, porque são indivíduos, como você falou, eu
- 41:45valorizo o indivíduo, aquele animal.
- 41:48Eu não tenho mais vinte, trinta carcaças para substituir naquele
- 41:52momento, não. É aquele.
- 41:54E eu já tenho um chefe de cozinha, ou eu já tenho um
- 41:56consumidor esperando aquela peça.
- 41:59Então, ele é muito sensível ainda.
- 42:02São vários detalhes que às vezes a gente não percebe, mas é isso,
- 42:06isso que você falou, a gente valoriza a PoliNutri.
- 42:12Há trinta e cinco anos desenvolvendo soluções e
- 42:15produtos voltados para a nutrição e saúde animal.
- 42:19Pautados pela inovação e pela busca incessante de resultados
- 42:22zootécnicos que impulsionam a rentabilidade de nossos
- 42:26clientes. PoliNutri.
- 42:28Juntos vamos mais longe. E deixa eu te perguntar, qual
- 42:35que é o ciclo hoje da produção? Eu sempre digo que na
- 42:39suinicultura industrial, a gente pega uma fêmea que está sendo
- 42:43inseminada agora, vai virar um produto no gancho lá daqui a
- 42:47duzentos e noventa dias, mais ou menos, todo ciclo.
- 42:52Hoje, um ciclo desse animal, ele dá quanto mais ou menos?
- 42:56Ele é bem mais longo, a gente pode dizer que é praticamente o
- 42:59dobro do tempo. Então, por exemplo, animais de
- 43:02terminação, eles estão atingindo esse peso de abate, indo para o
- 43:07abate com onze, doze meses. Entendi.
- 43:13Então, do nascimento até o abate, para atingir esses cento
- 43:16e vinte quilos, em torno de onze meses.
- 43:22É claro, depende muito do nível de intensificação que a gente
- 43:26quer fazer. Se eu uso dietas mais
- 43:29concentradas e eu desafio mais esse animal, eu consigo até
- 43:33reduzir mais esse tempo. Mas aí nós temos que nos
- 43:37preocupar com essa curva de deposição de tecido.
- 43:40Se eu acelero muito essa dieta, principalmente na dieta
- 43:43energética, eu acabo tendo um acúmulo um pouco maior de
- 43:48gordura. Então, a gente tem que ir
- 43:50controlando. Em média, hoje, na prática de
- 43:53campo, é isso, onze meses. Na universidade, nós já tivemos
- 43:58animais atingindo esse peso com oito meses.
- 44:02Em situações, em condições mais controladas, onde nós temos
- 44:05dietas mais balanceadas, a gente consegue encurtar esse tempo.
- 44:08Tem potencial para reduzir. E hoje tu tá com quantos animais
- 44:12na universidade? A universidade hoje tem um
- 44:15rebanho total de em torno de cento e vinte animais, rebanho
- 44:18total, né? Na Universidade Federal.
- 44:21Aí temos outros parceiros. Mas matrizes, eu digo, matrizes.
- 44:27Ah, matrizes tem cinco matrizes. Sim.
- 44:32E são inseminados ou é monta? Tudo monta natural.
- 44:35Tudo monta. Tudo monta natural.
- 44:39Tá legal. O nosso tempo foi aqui.
- 44:45A gente começou em oitenta e oito e chegamos em dois mil e
- 44:48vinte e quatro. Dois mil e vinte e quatro, é.
- 44:51Essa é a questão, né? Assunto que a gente gosta de
- 44:54falar, duas pessoas que gostam e trabalham nessa área, não tem
- 44:57fim, né? E passa muito rápido.
- 44:59Nem parece que já passaram quarenta e cinco minutos.
- 45:02Mas legal, Charles. Obrigado pela tua explicação aí.
- 45:07E deixa eu te fazer uma pergunta, qual que tu acha o
- 45:11grande desafio aí, hoje o grande desafio, pelo que eu entendi, é
- 45:17o fluxo e mercado, né? São vários os desafios.
- 45:26Se a gente fracionar, se a gente categorizar, dentro de cada fase
- 45:31de produção, os desafios são enormes.
- 45:36Mas o que eu posso, de maneira geral, o que eu posso dizer, o
- 45:40maior desafio hoje é o processamento.
- 45:45É trabalhar essa carne. Porque como são cortes
- 45:50diferenciados, fogem completamente da desossa padrão
- 45:54ou da desossa que a indústria vem fazendo.
- 46:00E aí muitas indústrias não querem trabalhar com esse animal
- 46:02justamente por isso, porque acaba atrasando a linha de
- 46:04produção. Porque é um outro conceito, não
- 46:08é volume. Então não é quanto mais eu
- 46:10produzi nessa escala. E a dificuldade que eu tive foi
- 46:17essa, encontrar uma indústria que eu pudesse fazer a desossa
- 46:23dentro desse novo conceito. E aí, sem comprometer,
- 46:26obviamente, a logística dentro da indústria.
- 46:29Então, hoje, realmente, o maior gargalo que eu vejo é o
- 46:34processamento, por conta desse novo conceito.
- 46:40Tá legal. E uma pergunta particular agora
- 46:44para o Charles, qual que é o teu hobby, o que tu faz nas tuas
- 46:51horas vagas? Eu faço cerveja.
- 46:54Opa! Então, dá para alinhar bem a
- 46:58gastronomia completa. Exatamente, é isso.
- 47:02A minha paixão é a cerveja artesanal.
- 47:04Então, eu sou cervejeiro de panela desde dois mil e
- 47:08quatorze, dez anos já, comemorando esse ano, dez anos
- 47:11que eu faço cerveja em panela. E só mais uma, rapidamente aqui,
- 47:18Guilherme, só para contextualizar o porquê da
- 47:20cerveja, durante o mestrado e doutorado eu trabalhava com
- 47:24conservação de forragens, eu trabalhava com produção de
- 47:26silagem. E lá dentro da conservação,
- 47:31principalmente na silagem de milho, um dos grandes inimigos
- 47:35que nós temos são as leveduras. E ali a gente estudava ela e
- 47:40olhava ela como um inimigo. No entanto, depois que eu
- 47:43conheci a cerveja, eu falei, não, a levedura não é nossa
- 47:47inimiga, a levedura é nossa amiga.
- 47:50E foi aí que me despertou a curiosidade e foi isso que eu
- 47:54entrei nesse mundo da cerveja artesanal.
- 47:58Que legal! Bom, está bem alinhado.
- 48:01Então, fecha o círculo todo aí da produção e consumo.
- 48:09Charles, muito obrigado pela tua aula sobre uma suinicultura
- 48:15diferente. Te agradeço.
- 48:17E deixo aqui para o comentário final para os nossos ouvintes.
- 48:22Perfeito, Guilherme. Mais uma vez, eu agradeço... o
- 48:27convite, a oportunidade. É muito valioso isso para nós,
- 48:34conversar, esclarecer e trazer informação correta, até para
- 48:38tirar alguns mitos e desmistificar algumas coisas.
- 48:41Então, isso para nós é muito importante e por isso eu sou
- 48:43muito grato a você e a toda a sua equipe pelo convite.
- 48:48Espero realmente ter contribuído com esse tema. permaneça à
- 48:54disposição para qualquer esclarecimento, para qualquer
- 48:57conversa, para qualquer situação.
- 49:00E como mensagem final para todos os nossos ouvintes, procurem e
- 49:09gerem essa demanda dessa carne diferenciada, questionem no
- 49:15açougue, E promovam o consumo da carne suína como um todo.
- 49:21Vamos sempre buscar aumentar esse consumo.
- 49:27Se for num churrasco e não tiver carne suína, fala aí, por que
- 49:30não tem carne de porco nesse churrasco?
- 49:32Então, a mensagem que eu deixo é essa.
- 49:35Vamos estimular esse consumo como um todo, que a cadeia vai
- 49:38se fortalecer. E o consumo com certeza aumenta.
- 49:44Legal. Muito obrigado, Charles.
- 49:45Um grande abraço e a gente se vê aí no mundo da suinocultura.
- 49:49Um grande abraço a todos e obrigado mais uma vez.