Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 10 de maio de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre conversando nas
- 0:05ondas do rádio. A
- 0:30gente está no ar pra se divertir, pra falar e
- 0:33ouvir, pra dançar e rir, pra ficar feliz, pra ser
- 0:36livre. Rádio Livre, Rádio Livre.
- 1:01Rádio Livre, Rádio Livre. Outro
- 1:09estáquios do Rádio Livre desta sexta -feira, 10 de
- 1:14maio de 2024. Tribunal Superior Eleitoral já tem
- 1:23nova data para decidir se caça ou não. O
- 1:26mandato do senador Sérgio Moro. Procuradoria
- 1:31Geral da República revela porque milicianos do Rio de
- 1:34Janeiro tramaram a morte e assassinaram a vereadora do
- 1:38pessoal Marielle Franco. O governo Lula anuncia novas
- 1:43medidas de apoio à população do Rio Grande do
- 1:46Sul, que está em estado de calamidade. Vamos
- 1:51falar no programa de hoje sobre racismo contra
- 1:54nordestinos em São Paulo, esse tema de Antéses
- 1:58doutorado do sociólogo Pedro Vitor Mendes, que vai
- 2:01conversar com a gente aqui no programa Rádio Livre.
- 2:05Rádio Livre, Rádio Livre. A
- 2:10apresentação no Nato Lima. Bom
- 2:15dia, estamos começando ao vivo da Universidade FM o
- 2:18Rádio Livre. Você acompanha também o Rádio
- 2:20Livre no podcast Rádio Livre, com o Nato Lima nas
- 2:24principais plataformas de podcast. Obrigado
- 2:27a você que nos acompanha ao vivo aqui diariamente ou
- 2:30no podcast. Um abraço. O
- 2:37Tribunal Superior Eleitoral marcou para os dias 16 e
- 2:4221 de maio o julgamento dos recursos que pedem a
- 2:46caçação do mandato do senador Sergio Mour do
- 2:49União Brasil do Paraná e juiz da operação Lava Jato.
- 2:55O Tribunal vai julgar recursos
- 2:57do PL Partido Liberal e do Partido dos Trabalhadores
- 3:02contra uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral
- 3:05do Paraná que rejeitou pedido de caçação de Sergio
- 3:09Mour no mês passado. Sergio Mour é acusado pelos dois
- 3:13partidos de realizar gastos irregulares no perÃodo de
- 3:17precampanha. No final do 2021 Mouro estava
- 3:23no Podemos Partido Podemos e realizou atos de
- 3:29precampanha à presidência da República. De
- 3:32acordo com a acusação houve desvantagem ilÃcita em favor
- 3:37dos demais concorrentes ao cargo de senador diante dos
- 3:44altos investimentos financeiros realizados antes
- 3:50por Sergio Mouro. Nós devemos deixar o Podemos.
- 3:57Esse entendimento dos partidos
- 3:59que houve gastou dinheiro demais na precampanha fora
- 4:05da legislação Eleitoral. Aà deixou o Podemos foi para
- 4:12o União Brasil de acordo com o Ministério Público
- 4:16foram gastos dois milhões de reais do fundo
- 4:20partidário. Só com a evento de filiação
- 4:24de Sergio Mouro o Podemos e também com a contratação
- 4:28da produção de um vÃdeo ou de vÃdeos para a promoção
- 4:31pessoal de Sergio Mouro. Além
- 4:34de consultorias eleitorais o PL apontou supostos gastos
- 4:39irregulares de 7 milhões de reais. O
- 4:43PT na acusação fala em 21 milhões de reais. Olha
- 4:50o Sergio Mouro quando ele depois que ele saiu da
- 4:53Operação Monsúrges entrou com vontade na polÃtica
- 4:57ultraconservadora. Deu nisso. Tudo
- 5:03que ele condenava como juiz parece que anda arranhando
- 5:10a imagem dele e o projeto polÃtico dele. Eu
- 5:15digo parece porque a acusação persisto né. Terria
- 5:20do Paraná deixou para lá agora vai para o TSE
- 5:25Tribunal Superior Eleitoral. Os
- 5:31advogados de Sergio Mouro defenderam a manutenção do
- 5:35mandato e negaram as irregularidades na
- 5:37precampanha. De acordo com os advogados
- 5:41Mouro não se elegeu no Paraná pela precampanha mais
- 5:47robusta conforme acusam as legendas. Vamos
- 5:53ver né. No que vai dar isso. Se
- 5:57vai dar alguma coisa também né. 737. Rádio
- 6:03Livre Rádio Livre Rádio Livre Rádio Livre a
- 6:09apresentação no Nato Lima. Olha
- 6:14o número de desabrigados e desalojados no Rio Grande
- 6:18do Sul dobrou em 24 horas. Passou
- 6:22de 163 mil para 327 mil. Ontem
- 6:29quinta -feira o número de desalojados no Rio Grande
- 6:34do Sul segundo dados da Defesa Civil Estadual.
- 6:38Devogados ontem no final da tarde.
- 6:41São as pessoas que tiveram em
- 6:44algum momento de deixar as casas e buscar abrigo nas
- 6:47residências de parentes amigos ou em abrigos
- 6:49públicos. No total 1 milhão 740 mil
- 6:53pessoas no Rio Grande do Sul já foram afetadas de
- 6:58alguma forma pelas enchentes. Perderam
- 7:02casas estão sem energia elétrica sem água sem
- 7:05comida sem acesso a determinados lugares e por
- 7:08aà vai. Em relação aos municÃpios
- 7:10atingidos o número chega a 431 isso é que vale a 80
- 7:15% dos municÃpios do estado do Rio Grande do Sul. As
- 7:19mortes causadas por esse desastre lá no Rio Grande
- 7:22do Sul já chegam a 107 mas ainda 134 pessoas
- 7:29desaparecidas e o número de feridos sumiu para sete
- 7:34cento e cinquenta e quatro pessoas. 738 A apresentação
- 7:53no Nato Lima. . . . . . . . . . . .
- 8:13. . . Olha, é muito bom. O
- 8:26Brasil é muito bom, né? Para
- 8:27uma émeia dos indigentes, principalmente. Aqueles
- 8:31que têm poder econômico e poder polÃtico de pressão
- 8:34sobre os governos. A gente está vendo aà a luta
- 8:38dos trabalhadores do serviço público federal, desde o
- 8:41ano passado. Primeiro para ser incluÃdo no
- 8:44orçamento, não foi, né? Nosso
- 8:46amênter esse ano, ignorou -se os servidores do Pro
- 8:50Federal, tanto que está lá, zero reajuste, reajuste,
- 8:52zero. Depois, diante disso, desde janeiro,
- 8:57há uma tentativa de negociação com o governo
- 8:59para reconhecer que houve perda salarial, claro. E
- 9:04as negociações andam bem devagarinho, né? Ontem
- 9:09lá no CINSEF, uma pessoa lÃder sindical me relatou a
- 9:15lista das reuniões de negociação das mesas
- 9:20especÃficas canceladas pelo Ministério da Gestão e
- 9:24Inovação. Marca -se a reunião, cancela. Não
- 9:29sei quantas, tá? Ela me deu uns números, mas eu
- 9:31não me lembro. Mas foram várias, várias
- 9:33reuniões canceladas. E aÃ, claro, que sequer rola
- 9:40a discussão. Agora, quando é o poder econômico
- 9:45que está em jogo, aà tem todo um jogo de poder, né?
- 9:51Um exemplo, aliás, um mau
- 9:53exemplo, é o caso da desoneração da folha de
- 9:57pagamento. A cobrança normal de
- 10:00previdência é 20 % sobre a folha de pagamento, 20 %
- 10:05para o INSS, que é dinheiro que vai como
- 10:08reserva para aposentar a doria do trabalhador. O
- 10:12trabalhador entra com a contribuição 8, 8, 6 % e
- 10:14qualquer coisa assim. E agora até os aposentados
- 10:17pagam para a evidência. Pois
- 10:19muito bem. Lá por volta de 2012, a
- 10:24presidenta Dilma Rousseff tomou uma decisão
- 10:25provisória, passageira, para garantir a manutenção do
- 10:31emprego, que era desoneração da folha, para enxugar os
- 10:36custos das empresas para manter os empregos. AÃ
- 10:40teve empresa que ficou zero de contribuição, muitas
- 10:42delas, outras ficaram 1 % do que eles declaram, do
- 10:51que eles declaram como a recadação da receita bruta.
- 11:01Eu estou dizendo o que eles
- 11:02declaram, porque a gente sabe, né? Você
- 11:06sabe, né? O que declara nem sempre é o
- 11:09que é, né? O lugar que você chega, como
- 11:12eu falei aqui na segunda -feira na entrevista com o
- 11:15Fabio Sobral, explicando a questão da tributação, você
- 11:20chega na empresa e o sujeito não emita a nota
- 11:21fiscal. Ali é imposto que vai para o
- 11:25bolso da empresa. Naturalmente
- 11:28se não emita a nota fiscal e se embolsou o imposto,
- 11:34ele não vai aparecer na receita bruta, né? Ele
- 11:38vai aparecer no bolso do dono, dos donos, dos
- 11:41acionistas, dos sócios, etc. Pois
- 11:44bem, quando foi feita a desoneração era para
- 11:46garantir o emprego, nem isso foi garantido. Ãs
- 11:5010 demissões continuaram soltas, desembestadas na
- 11:56buraquia. E era uma decisão provisória.
- 12:02Nós estamos em 2024, mais de
- 12:0410 anos depois, lá estão 17 setores da economia
- 12:09beneficiados com a desoneração da folha de
- 12:14pagamento. E aà gerou uma polêmica entre
- 12:18governo e congresso nacional. O
- 12:22congresso nacional, naturalmente que, em sua
- 12:25maioria, identificado com os interesses econômicos das
- 12:29elites, tem que fazer, prorrogou no ano passado
- 12:33facilmente a mesma tal desoneração da folha, que
- 12:37vem de lá para cá com essa história. São
- 12:40setores que mais empregam, empregam 10 milhões de
- 12:43pessoas, é assim. Não importa quanto se empregam,
- 12:46importa se mantém o emprego. Agora,
- 12:51há dentro desses 17 setores, setores que dizem
- 12:56que empregam, mas exige que o trabalhador vem de
- 12:59empregado, vire um PJ, pessoa jurÃdica, isso não é
- 13:03emprego. Existe dentro desses, seguimenta
- 13:06aÃ, demissão em massa, a empresa tem a desoneração
- 13:10da folha e demite em massa. AÃ,
- 13:14bom, o que que ocorreu? O congresso aprovou, facinho,
- 13:17facinho, a prorrogação até 2028 do... desse
- 13:27tal desoneração da folha, certo? Mas
- 13:33piorou, criou um mecanismo mais absurdo ainda. Todos
- 13:39os municÃpios, com a população abaixo de 156 mil
- 13:43habitantes, também tiram a redução na contribuição
- 13:51previdenciária, uma redução de 20 para 8, 12 pontos
- 13:57percentuais a menos. Isso significa mais de 5 mil
- 14:01municÃpios reduzindo a contribuição para a
- 14:04previdência. No entanto, gerando a
- 14:09expectativa futura de aposentadoria. E,
- 14:13portanto, a conta vai ficando lá. AÃ,
- 14:17claro, o que é resultado em quê? Ou
- 14:20vai resultar em quê? Essas reformas que tiram do
- 14:24trabalhador o dinheiro que vai para o bolso de
- 14:28segmentos priviligiados da sociedade brasileira. Pois
- 14:34bem, o Congresso aprovou, o presidente vetou, o
- 14:39Congresso derrubou, porque o Congresso é rápido quando
- 14:43se trata dessas questões. AÃ
- 14:45o governo federal ajuizou a ação junto ao Supremo
- 14:50Tribunal Federal que concedeu a eliminar,
- 14:53suspendendo os efeitos dessa catastrófica decisão de
- 14:57desoneração da folha. E aÃ, o quê que o Supremo
- 15:03Tribunal agendou? Uma negociação, uma tentativa de
- 15:08conciliar para ver o que anse do julgamento. Ã
- 15:14evidente. Mas a razão pela qual a
- 15:17questão foi judicializada é porque as suas excelências
- 15:21deputadas e senadores decidiram, simplesmente
- 15:26decidiram, fazer essa generosidade subtraindo,
- 15:32portanto, bilhões de reais da previdência, sem dizer
- 15:38como era que ia ser a previdência depois. Quem
- 15:44vai pagar por essa generosidade com dinheiro da
- 15:49previdência? Como eles não disseram e eles
- 15:55são obrigados a dizer, aà saiu uma liminar favorável
- 16:01ao governo e depois viria o julgamento. AÃ
- 16:05o que aconteceu? Bom, aconteceu um acordo entre o
- 16:09governo e o Congresso Nacional e representantes do
- 16:1417 setor da economia. Então não foi assim, 17 mesas
- 16:18especÃficas como de trabalhadores não. Foram
- 16:2117 setores da economia, se juntaram lá no seu lobby e
- 16:26foram negociar. Congresso, os tais de 17 setores da
- 16:31economia e o governo federal para discutir essa
- 16:35questão. E aÃ, o que vai acontecer?
- 16:38Uma pequena rodada de negociação
- 16:41ali, facilmente saiu o acordo. A
- 16:45folha de pagamento para esses tais de 17 setores
- 16:48que mais empregam, continuará desonerada por
- 16:52todo o ano de 2024. Aà já se vão 20, 30 bilhões
- 16:57de reais, se não for mais. AÃ
- 17:01a partir de 2025, vai haver a oneração da folha,
- 17:05ré oneração da folha. Mas olha aqui o acordo como
- 17:10foi. O próprio ministro da Fazenda,
- 17:13Fernanda Dade, detalhou o acordo nessa reunião dele
- 17:18com Pachecão e Lirão. Presidente
- 17:27Senado, não, aqui não está falando do Lira, mas passou
- 17:30por ele certamente. Uma discussão tem sido com
- 17:34Senado, mas envolve, claro, a Câmara, porque quem
- 17:42derruba veto é o Congresso. E
- 17:44o Pachec é o presidente do Congresso, a reunião das
- 17:47duas casas. Pois bem, também estava nessa
- 17:50reunião, o Senador Randolph Rodrigues, lÃder do governo
- 17:55no Senado. Pois bem, a partir do próximo
- 17:58ano, aà volta a onerar a folha de pagamento desses
- 18:0217 setores em relação ao pagamento da previdência.
- 18:06Agora deixa ele mostrar aqui como
- 18:07é. 2024, zero, zero contribuição, continua lá a
- 18:12desoneração. A moleza, 2025, uma lÃquida
- 18:19de 5 % da folha de pagamento. AÃ
- 18:23já vão em economia de 15, era 20 antigamente. 2026,
- 18:28sobra para 10, 2027, sobra para 15, só em 2028, é
- 18:34que volta a contribuição dos 28 % sobre a folha de
- 18:39pagamento. Aà é o fim da desoneração. AÃ
- 18:44a gente pergunta, é o fim da desoneração? E
- 18:49é também o fim da previdência social? Quantas
- 18:53reformas farão daqui até 2028? E
- 18:57essa é a questão. Não existe tirar dinheiro de um
- 19:01canto e não botar nada no lugar. Previdência
- 19:04principalmente. Todos os trabalhadores dessas
- 19:07empresas aà pagam integralmente o seu
- 19:11percentual, 8, 8, 6 % integralmente. A
- 19:15desoneração é das empresas, não é do trabalhador. O
- 19:18trabalhador vai continuar pagando lá os seus 8%, 8,
- 19:216%, qualquer coisa assim. Como
- 19:23os aposentados vão continuar pagando a previdência? Como
- 19:28os servidores públicos, já há muito tempo que está
- 19:30decidido, não tem mais aposentador integral. Ã
- 19:35até o limite da previdência privada. E
- 19:40por aà vão os... Quem vai pagar por isso? Ã
- 19:45só esperar. à só esperar. Depois
- 19:50vem as manchetes da televisão. Rombo
- 19:53na previdência. Os jornais. Rombo
- 19:56na previdência. Os jornalistas de modo geral.
- 19:59Rombo na previdência. Para
- 20:00onde foi o dinheiro? Ninguém
- 20:01vai falar para onde foi o dinheiro. Ninguém
- 20:04vai lembrar disso aqui que eu estou tratando. As
- 20:10empresas não deixam de gerar emprego, não é por
- 20:12causa da previdência não. As
- 20:14razões são bem outras. E a pergunta é, durante esse
- 20:20perÃodo aqui, durante esse perÃodo aqui, 2024, com
- 20:26zero, a zero de contribuição para esses
- 20:34setores, 2025, só 5%, faltam 15 % para 20%, 2026,
- 20:42etc., etc. Que garantias o empresariado
- 20:47desses setores está dando em troca desse benefÃcio? O
- 20:52presidente Luda deu uma entrevista antes de ontem,
- 20:55e dizia, não, mas nós pedimos na justiça uma
- 21:00solução porque o Congresso desoneu a folha até 2028
- 21:07sem dizer de onde é que vai tirar o dinheiro.
- 21:14Certo? AÃ o que aconteceu? Dois
- 21:17dias depois, um acordo. Do próprio governo. Ã
- 21:19o mesmo governo Lula. O ministro Adade da Fazenda
- 21:22fechou um acordo desse tipo com o Congresso Nacional.
- 21:28Por que que não esperou o
- 21:30julgamento? Ah, porque tem que manter os
- 21:35acordos de convivência polÃtica com o Congresso
- 21:39Nacional. Neste caso, há essa preocupação.
- 21:43Agora, e os trabalhadores? Ah,
- 21:44não interessa. O trabalhador da educação, que
- 21:47importância tem. Deixa aÃ, agregue, né? Não,
- 21:53o presidente disse que é muito importante, agreve e
- 21:56respeita, assim, perfeitamente. Deixa
- 21:59a greve rolando. Cadê uma solução adequada para o
- 22:05problema? Com toda certeza, eu só não
- 22:09vou lidar os números agora porque eu não gosto de
- 22:11inventar números. Eu já vi isso. Um
- 22:17prefeitor do interior que o prefeitor comendou a
- 22:19campanha e tinha muitos números. E
- 22:24aà eu perguntei a pessoa, encarregassem, esses números
- 22:29estão assim, tão precisos, estão... Isso
- 22:33aà é só retórica mesmo. Ele
- 22:36pensa o número, bota lá e está valendo a campanha. Ã
- 22:39campanha mesmo, né? Bom, mas é preciso, inclusive em
- 22:43campanha, né? Inclusive na publicidade é preciso,
- 22:47ética, honestidade, sinceridade, falar a
- 22:51verdade. Mas olha, com toda certeza essa
- 22:57desoneração de fulho aqui, só a deste ano, é com
- 23:07certeza muito mais do que o governo precisaria para
- 23:12uma negociação decente, concevidores públicos
- 23:15federais, em greve. E o que eu estou chamando
- 23:18negociação decente é só simplesmente reconhecer que
- 23:22o salário está em defasagem e cobrir a defasagem. Já
- 23:28que nós estamos os trabalhadores contribuindo
- 23:32para manter o equilÃbrio fiscal com o confisco via
- 23:36imposto de renda, né? Pelo menos, em certas decisões,
- 23:45deveria ter um pouquinho mais de cuidado. Ã
- 23:50um acordo politicamente importante, econômicamente
- 23:55desastroso. Mas não tem problema. Se
- 23:59tiver dificuldade financeira, faz uma campanha de mÃdia
- 24:04e pega esses jornalistas, analistas de economia, que
- 24:09já tem os discursos prontos e mostra o desastre que é
- 24:12a previdência, o rombo na previdência e faz uma
- 24:16reforma. E manda a conta para nós de
- 24:18novo. 755. O Banco Nacional de
- 24:37Desenvolvimento Econômico e Social registrou um lucro
- 24:40recorrente. O que é isso? Vou
- 24:43terminar com a ideia do que seja. De
- 24:452 bilhões e 700 milhões de reais no primeiro trimestre
- 24:49deste ano. Ã um aumento de 58 ,82 % em
- 24:54comparação com o mesmo perÃodo do ano passado, os
- 24:593 primeiros meses. A instituição também ampliou
- 25:01sua carteira de crédito e patrimônio lÃquido e chegou
- 25:05a 150 bilhões. à um aumento de 17 ,39
- 25:09bilhões de reais durante o mesmo perÃodo do ano
- 25:14passado. Esses dados foram apresentados no
- 25:17Rio de Janeiro pelo diretor financeiro de crédito do
- 25:21Banco, do BNDS. Então está aÃ, o Banco... o
- 25:30Brasil é o paraÃso dos banqueiros, né? O
- 25:33paraÃso do Juro Alto, o paraÃso dos banqueiros. Os
- 25:39bancos brasileiros... Nadam em lucros, em lucratividade.
- 25:57A procuradora general da
- 26:00República concluiu que o assassinato da vereadora
- 26:03Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes
- 26:07ocorrido em 2018. E só agora, esclarecido sobre
- 26:13a autoria, autoria, quem panejou, quem matou, quem
- 26:19atrapalhou a investigação etc., etc. Pois
- 26:22bem, a conclusão da procuradoria geral da
- 26:25República é que Marielle e Anderson foram mortos e o
- 26:31objetivo do assassinato era proteger interesses
- 26:35econômicos de milÃcias. MilÃcias
- 26:38que tinham lá, os irmãos brazão envolvidos, né?
- 26:46Desembargador do Tribunal... do
- 26:49Tribunal Conselheiro, né? Conselheiro
- 26:51do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro,
- 26:53deputado estadual por, não sei quantas, legislatura, e
- 26:58o outro deputado federal, atual. Pois
- 27:02eram dois motivos, interesses econômicos das
- 27:07milÃcias e eliminar a oposição polÃtica. Era
- 27:14esse o projeto, estava por trás do assassinato da
- 27:20Marielle e Anderson, sendo que este caso está num
- 27:25conjunto de ações semelhantes. Há
- 27:28estudos da Universidade Federal Fluminense que
- 27:30mostra isso, né? Como era que, como agem, como
- 27:33agir, por como continuar agindo, não sei, as
- 27:37milÃcias lá no Rio de Janeiro. Essa
- 27:39conclusão dos interesses econômicos e da tentativa
- 27:44de desencorajar e eliminar a oposição polÃtica, essa
- 27:47conclusão está na denúncia apresentada ao Supremo
- 27:51Tribunal Federal contra os irmãos brazão. Preços
- 27:56em março deste ano, eles são acusados de serem
- 27:59mandantes do crime. Durante as investigações, o ex
- 28:03-policial, Rony Lessa, assinou a cor de indelação
- 28:06premiada e assumiu ter cometido os assassinatos. E
- 28:11também, na indelação, revelou os nomes dos demais
- 28:17envolvidos. No inÃcio da noite de ontem,
- 28:20o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no
- 28:24Supremo, retirou o sigÃlio do documento. Na
- 28:29denúncia, o vice procurador -geral da República,
- 28:32Indemburgo Chateaubriand, denunciou o Domingos Brazão,
- 28:37conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro,
- 28:39chiquinho brazão deputado federal do União Brasil do
- 28:42Rio de Janeiro por homicÃdio e organização
- 28:46criminosa. Para a procuradoria -geral da
- 28:49República, o assassinato ocorreu por motivo torpe e
- 28:52mediante emboscada para dificultar a defesa de
- 28:56Marielle e Anderson. O documento também aponta que
- 29:00o trabalho da vereadora, a favor da regularização de
- 29:03terras para pessoas de menor renda, provocou a ira
- 29:08dos irmãos Brazão, que fazem parte, agora se sabe,
- 29:15de um grupo, de um esquema de milÃcias do Rio de
- 29:19Janeiro. Essas áreas estavam em terrenos
- 29:25dominados por milÃcias no Rio de Janeiro. A
- 29:28regularização seria nessas áreas que as milÃcias
- 29:31estavam tomando e utilizando. A
- 29:33denúncia também destaca que o ex -chefe de polÃcia do
- 29:36Rio de Janeiro, rival do Barbosa preso por ordem do
- 29:40Supremo Tribunal Federal, deu orientações para a
- 29:45realização dos disparos, dos crimes do assassinato. Ele
- 29:53era delegado de polÃcia civil, virou chefe da
- 29:57polÃcia civil e era um dos mentores do assassinato de
- 30:06Marielle e Anderson. Foram denunciadas também pela
- 30:11procuradoria -geral da República por homicÃdio,
- 30:13Ronald Paulo de Alves Pereira, conhecido por Major
- 30:17Ronald. Ele é acusado de realizar o
- 30:20trabalho de monitoramento da rotina de Marielle antes do
- 30:23crime. Também é denunciado o policial
- 30:28militar, Robson Calisto Fonseca, assessor de domingo
- 30:32Brazão, no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.
- 30:37Esse Robson Calisto responde por
- 30:41organização criminosa. Esses dois foram presos ontem,
- 30:46Major Ronald e o ex -policial Robson Calisto. Os
- 30:54acusados também vão responder pela tentativa de
- 30:58assassinato de Fernanda Chaves, assessora de
- 31:01Marielle, que estava no mesmo carro e escapou dos
- 31:05tiros. Ele estava no carro com a
- 31:08vereadora e conseguiu sobreviver. Oito
- 31:15horas. A apresentação, Nonato Lima. O
- 31:25governo federal anunciou mais medidas de socorro ao
- 31:29estado do Rio Grande do Sul. Entre
- 31:32as medidas estão antecipação de pagamento do Bolsa
- 31:35FamÃlia, do AuxÃlio Gáez e da restituição do Imposto
- 31:38de Renda para moradores do Estado. O
- 31:42Estado foi devastado agora pelas enchentes e
- 31:44inundações. As medidas econômicas foram
- 31:47anunciadas pelo ministro da Fazenda Federal da Dada em
- 31:49cerimônia com a presença do presidente Lula, do
- 31:52presidente do Supremo Tribunal Federal, LuÃs
- 31:55Roberto Barroso e do presidente da Câmara Artur
- 31:57Lira e outros ministros do governo. A
- 32:02lista de ações também inclui a facilitação ao
- 32:05crédito para famÃlias, empresas e pequenos
- 32:07agricultores do Estado Rio Grande do Sul. Segundo
- 32:10a previsão da Equipe Econômica, serão em torno
- 32:15de 7 ,7 bilhões de reais do governo federal
- 32:20destinados a essas iniciativas. O
- 32:23ministro Ruicosta da Casa Civil detalhou que o
- 32:26governo deve publicar três medidas provisórias para
- 32:29viabilizar esses primeiros anúncios de suporte ao Rio
- 32:32Grande do Sul. Uma outra medida provisória
- 32:35tratará do dinheiro que será repassada aos fundos
- 32:37garantidores. A compra de arroz para
- 32:48garantir o estoque regular de arroz no paÃs. Já
- 32:53tem gente falando que o arroz vai subir ou vai
- 32:55oscilar por causa das perdas. O
- 33:01nome disso é especulação. Houve
- 33:06a perda da safra? Houve. O Estado Rio Grande do Sul
- 33:09é responsável por 70 % da produção? Sim,
- 33:12os dados que tem mostram isso. No
- 33:14entanto, o governo está adquirindo mais de um
- 33:18milhão de toneladas de arroz para garantir que não
- 33:22vai faltar arroz no paÃs. Então
- 33:28especuladores têm um pouquinho de pouquimentos de
- 33:33cara de pau. E é bom também que certos
- 33:37setores da imprensa não fiquem alimentando isso. Não
- 33:40há motivo para subir preço de arroz, não. Exatamente
- 33:44por causa desse risco. E aqui vai haver a compra de
- 33:48arroz. Aliás, há uma expectativa até de
- 33:53que o arroz baixa o preço. Se
- 33:56compra arroz mais barato neste momento. Para
- 34:00garantir o estoque regulador no paÃs. O
- 34:06presidente Lula, durante o anúncio dessas medidas
- 34:08todas, ele disse que essas medidas anunciadas até agora
- 34:11são as primeiras. E vai esperar o desdobramento
- 34:18da situação lá. Por exemplo, quando as águas
- 34:20baixarem, aà é que se vai saber exatamente o que tem
- 34:24que fazer. Por exemplo, as imóveis que
- 34:28estão em pé agora ficarão em pé. Estradas,
- 34:34ruas, estruturas, infraestruturas das cidades,
- 34:38tudo isso. Só vai ser possÃvel saber
- 34:41exatamente como vai ficar depois que as águas
- 34:44baixarem. AÃ vem os projetos de
- 34:47reconstrução. E aà entra, de novo, o
- 34:52compromisso firmado entre os prefeituras do Rio Grande
- 34:57do Sul, governos do Estado do Rio Grande do Sul e
- 35:00governo federal. Compromisso que envolve inclusive os
- 35:06três poderes. Bem diferente do que havia de
- 35:102019 a 2022, né? Bem diferente. E
- 35:16não é nenhuma gentileza do governo atual não, é o
- 35:19dever mesmo, né? Quem governa tem o dever de,
- 35:22nestas situações, cumprir com o que está previsto
- 35:28para quem assume a gestão pública. Em
- 35:37situações de catástrofe, de crise, etc., etc., cabe o
- 35:42que? Articulação dos governos e investimentos
- 35:46os mais urgentes e suficientes para socorrer as
- 35:53populações nessa situação. Oito
- 36:06horas e sete minutos. Rádio
- 36:28Livre, entrevista. A nossa entrevista de hoje no
- 36:32programa Rádio Livre é com o sociólogo radialista,
- 36:35inclusive aqui da Rádio Universitária, Pedro Vitor
- 36:38Mendes. E nós vamos tratar de um
- 36:41tema que certamente deveria ser objeto de discussão,
- 36:47estudo e debate diário por todo o paÃs, que é o
- 36:52racismo. Não vamos superar o racismo sem
- 36:57o debate, sem a compreensão do que significa e sem
- 37:02ações de superação. Por isso nós convidamos o Pedro
- 37:05Vitor, que é autor de uma tese defendida em 2021 na
- 37:09Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chamada
- 37:11Racialização dos Nordestinos em São Paulo. Bom
- 37:16dia, Pedro Vitor. Bom dia, professor. Bom
- 37:18dia, ouvintes. Ã um prazer estar aqui
- 37:20conversando sobre esse tema com o senhor. Ã
- 37:22Pedro, antes de entrar no tema especÃfico relacionado
- 37:25aos Nordestinos, eu queria te falar sobre o que é a
- 37:27racialização, pra gente compreender bem esse tema.
- 37:30Bom, quando nos referimos aos
- 37:33outros, né, ao grupo que não é o nosso, a gente se
- 37:39refere a alguns elementos simbólicos, alguns sÃmbolos
- 37:43que aquele povo, a gente identifica como fazendo
- 37:50parte da identidade dele. Essa
- 37:52construção entre a gente e os outros, entre as
- 37:55diferentes etnias, ela acontece naturalmente e ela
- 37:58não é um problema em si. O
- 38:00problema é quando a gente insere aà uma relação de
- 38:03poder em que um grupo tem poder de dizer o que o
- 38:09outro pode fazer, quando ele pode fazer e até onde
- 38:14ele pode fazer. No caso, por exemplo, da
- 38:18população negra, você tem, historicamente, um processo
- 38:22em que a população branca, ela acumulou o poder e
- 38:28define até onde a população negra pode acender. Não
- 38:32é atoa que mesmo pessoas pobres, né, brancas, elas
- 38:39têm uma chance de ascensão social, os estudos apontam
- 38:42isso. Muito maior que pessoas negras,
- 38:45na mesma situação social. Então,
- 38:47trazendo, então, para o conceito de racialização, o
- 38:53que é racialização? à você pegar um grupo e
- 38:56dizer, esse grupo tem essas caracterÃsticas, ele
- 39:02contempla essas pessoas com essas caracterÃsticas e esse
- 39:06grupo tem capacidades que vão até ali. Quando
- 39:10a gente aborda, por exemplo, a questão da
- 39:12racialização do Nordestino, não importa se você é
- 39:16ciarense, se você se vê como uma pessoa diferente
- 39:19do Maranhense, se você se entende como diferente do
- 39:23Pernambucano, do Baiano, não importa. Você
- 39:25chega em São Paulo, os locais, os paulistanos, e
- 39:31isso não é um fenômeno atual, é um fenômeno que
- 39:34vem através de um processo, um processo, o pai dos
- 39:37atuais paulistanos, avós também faziam isso, definem
- 39:42que aqueles ali, todos nós, Maranhense, Ciarense,
- 39:45Pernambucano, Baiano, somos todos Nordestinos, ou
- 39:49pejorativamente falando, Baianos, como somos chamados
- 39:53em São Paulo. Certo, agora você, além de todos
- 39:55os estudos bibliográficos, laboratórios e tal, você
- 40:00foi fazer a pesquisa em São Paulo. E
- 40:05qual foi a principal, o que mais me impressionou
- 40:08dessa experiência de pesquisa em São Paulo? Em
- 40:13relação a essa questão aà que você cita da
- 40:15racialização do Nordestino? Bom,
- 40:18o que mais me impressionou, eu posso dizer, a depender
- 40:25de como eu me reconheço, porque no primeiro momento,
- 40:29como pessoa, antes mesmo de me voltar ao estudo da
- 40:36racialização do Nordestino, eu já estudava racismo, mas
- 40:41eu aqui no Ceará sou lido como uma pessoa branca.
- 40:46Quando eu cheguei em São Paulo e
- 40:49me vi como objeto do processo de racismo,
- 40:54vivenciando situações de racismo, foi um impacto
- 41:00muito grande, muito mais do que imaginaria que seria,
- 41:05porque eu já imaginei que houvesse algum tipo de
- 41:07preconceito, só que não tinha ideia da dimensão
- 41:11desse preconceito. Então, de fato, no primeiro
- 41:14momento, como pessoa, me impactou muito, porque são
- 41:20situações extremamente constrangedoras e que te
- 41:23pegam por assalto. Você está numa situação, por
- 41:26exemplo, comum, fazendo compras, numa feira, ao ar
- 41:30livre, ou então numa conversa despretenciosa com
- 41:33uma pessoa que você acabou de conhecer e do nada, a
- 41:36pessoa faz uma afirmação racista sobre você e sobre
- 41:39seu povo. E você, às vezes, por não
- 41:42ter refletido muito a respeito, você não tem
- 41:47nenhuma resposta na ponta da lÃngua. Ã
- 41:49isso mesmo que eu estou ouvindo, você fica
- 41:51impactado. Mas, como cientista, quando já
- 41:56estudando racismo e pesquisando, investigando,
- 42:00uma coisa que me admirou muito, é que os
- 42:05entrevistados, que eu tive a oportunidade de
- 42:09entrevistar, que, no meu caso, foram pessoas idosas,
- 42:13me voltei para os idosos porque era mais fácil de
- 42:16conseguir entrevistar com eles, porque os mais novos,
- 42:20eles não tinham tempo. Então,
- 42:22eu estava trabalhando, eu estava nas festas, sem
- 42:24tempo nenhum para a entrevista. Então,
- 42:27assim, eu consegui entrevistar as pessoas
- 42:29idosas. E o que me chamou a atenção
- 42:32é elas não perceberem situações flagrantes de
- 42:36racismo como racismo, situações flagrantes de
- 42:40preconceito como preconceito. Então,
- 42:43isso me chamou muito a atenção, porque, de fato,
- 42:45nos indica que você perceber que está sendo
- 42:49alvo de um processo de racismo, ou de preconceito,
- 42:54isso está muito relacionado ao fato de você estar
- 42:58treinado, estar... estar... ter se educado para se
- 43:02atentar a isso. Hoje, na sociedade, felizmente,
- 43:06está cada vez mais comum e popularizada a ideia de que
- 43:10as pessoas negras que sofrem racismo merecem se
- 43:14defender, merecem contra -atacar e merecem processar
- 43:18quando, no caso, forem vÃtimas e etc. e
- 43:21também demandar polÃticas públicas para mudar essa
- 43:24situação estrutural, de racismo estrutural. Então,
- 43:27as pessoas, quando você fala em preconceito, falem
- 43:29de racismo, as pessoas pensam às vezes, assim, de
- 43:32racismo, pensam no racismo antin negro, no preconceito
- 43:36contra as pessoas negras, etc. Quando
- 43:38você fala em preconceito também, as pessoas até
- 43:40ligam a homofobia, já tem esse imaginário. Mas,
- 43:46como esse imaginário ainda é muito incipiente em
- 43:49relação aos nordestinos, os próprios nordestinos não
- 43:52entendiam que estavam sendo vÃtimas de um processo
- 43:55coletivo de racismo, de construção de racismo contra
- 43:59eles. Certo, agora, quando você fez a
- 44:01pesquisa, não tinha acontecido ainda a eleição
- 44:04de 22, em que o eleitorado nordestino foi decisivo para
- 44:13o resultado. Qual era a percepção que você
- 44:19identificou entre os seus entrevistados nessa questão
- 44:24polÃtica mesmo? Ou não havia, ou não era um
- 44:27aspecto que interessava o que foi discutido? Não,
- 44:30de fato, muitos fizeram menção, principalmente os
- 44:36que estavam mais atentos, nem todo mundo acompanha o
- 44:41noticiário, como, por exemplo, eu, o senhor,
- 44:48costumamos acompanhar. Mas, assim, os que eram mais
- 44:53atentos ao noticiário, eles fizeram menção às situações
- 44:58de outras eleições, de fato, principalmente quando
- 45:01o PT ganhou para dizer que a culpa era dos
- 45:03nordestinos. Ah, e aà você tem várias
- 45:06situações que aconteceram desde a eleição da primeira
- 45:11eleição do Lula, e depois, em consequência, você vai
- 45:15ter a reeleição, você vai ter várias situações em que
- 45:18você vai ter, principalmente no processo de popularização
- 45:23das redes sociais, você vai ter ali um espaço para as
- 45:27pessoas acharem que estão na terra sem lei, e ali
- 45:30elas tratam o comprador quase como confecionário,
- 45:36né, confecionário, que onde elas acham que não vão ser
- 45:40identificadas nem vão ser culpabilizadas pelo que está
- 45:43sendo dito. Então, eles identificavam sim, que,
- 45:47ah, hoje em dia não é mais, muitos identificavam
- 45:51esse processo, de que hoje em dia o racismo contra
- 45:55nós, as vivências de preconceito, né, eles não
- 45:59usavam termo racismo, mas isso já é uma questão
- 46:03sociológica, de que você identifica que eles viviam
- 46:06o racismo, isso já é uma questão sociológica, mas
- 46:08eles identificavam esses processos de discriminação
- 46:12contra eles, eles identificavam o que
- 46:15antigamente era mais escancarado, no cara a
- 46:19cara, as pessoas faziam isso de maneira mais
- 46:21flagrante mesmo, mas na contemporaneidade eles
- 46:27identificavam uma certa dissimulação, e, por outro
- 46:31lado, identificavam que esse processo escancarado estava
- 46:34se manifestando nas redes sociais, então eles
- 46:39percebiam isso, por outro lado, essas manifestações,
- 46:44professor, elas dialogam muito, como uma visão de
- 46:49que o Nordeste é dependente de polÃticas públicas, de
- 46:53uma forma quase crônica, e isso tem muito a ver com
- 46:59a construção de que o Nordeste é doente, de que
- 47:03o Nordeste é necessitado, de que o Nordeste precisa
- 47:06o tempo todo de polÃticas públicas, como se no
- 47:09Sudeste não tivesse polÃticas públicas para
- 47:11eles. E também, Pedro, como se não
- 47:15tivesse um Nordeste inteiro lá trabalhando, produzindo
- 47:18riqueza, em São Paulo, isso é um outro aspecto também.
- 47:22Isso é muito presente, porque eu
- 47:25me voltei a duas metodologias, uma foi
- 47:28entrevistar as pessoas idosas, a outra foi me
- 47:30voltar para os jornais da década de 50. Pronto,
- 47:33esse é o ponto que eu gostaria que você falasse,
- 47:35o que você identificou dessa questão da
- 47:38racialização do Nordeste em São Paulo a partir da
- 47:43imprensa dos anos 50? Então,
- 47:45na década de 50 você vai ter uma construção muito
- 47:48forte do Nordeste nessa vertente de perigosos, são
- 47:54perigosos, não só pelo comportamento, mas também
- 47:58porque são perigosos como risco sanitário, às vezes
- 48:01você tinha reportagens e que não havia nenhuma
- 48:05evidência de que surtos de doenças que existia no São
- 48:09Paulo, tinha conexão com o Nordeste, mas essa bola
- 48:12sempre era levantada, possivelmente isso é por
- 48:16conta da presença dos migrantes nordestinos, que
- 48:18trouxeram essa, seja o que for, a epidemia de piolho,
- 48:23epidemia de Dunes -Seuquê, de vario, tudo era por
- 48:27causa dos nordestinos, tudo seria inconsequência da
- 48:31presença de nordestinos. Então,
- 48:33você já tem essa construção de que os nordestinos são
- 48:36sujos, não são higiénicos, são pessoas extremamente
- 48:41pobres e por isso também são perigosas, o Nordeste
- 48:45também é levantado, ele é caracterizado e esse perigo
- 48:48é sempre atualizado, no certo momento ele é um
- 48:52perigo com caracterÃsticas criminosas, em outro momento
- 48:58ele é um perigo polÃtico, porque o Nordeste é aquela
- 49:01região que tem mais chance de se tornar uma nação
- 49:03vermelha, apoiada pela União Soviética, você vê como
- 49:09infelizmente muita coisa não mudou, então dentro dos
- 49:14jornais todos esses elementos e até mesmo a
- 49:17forçação de barra para uma ideia de um tipo fÃsico
- 49:23nordestino, isso é muito presente nos jornais, os
- 49:27nordestinos, uma visão também, como é muito
- 49:30frequente no racismo, uma infantilização do
- 49:33nordesteino, se ele é brigão, ao mesmo tempo ele
- 49:37é doce, ele é amável, ele é inocente, então essa
- 49:42construção do nordesteino, ela é muito tÃpica de um
- 49:46certo racismo brasileiro. Pedro
- 49:48Vito, agora que jornal de você examinou? Eu
- 49:53me voltei para o Correio Paulistano, eu trabalhei com
- 49:58o Correio Paulistano, por ser um jornal com certa
- 50:02estabilidade, por ser um jornal em que eu consegui,
- 50:07durante a década de 50, todas as edições através da
- 50:10hemoroteca, então eu pude fazer uma busca em todas
- 50:14essas edições na década de 50, no jornal diário, e
- 50:18por isso e também de consumo muito frequente pela
- 50:22classe média, a classe média Paulistana, uma
- 50:27estabilidade grande, na venda de o jornal ele
- 50:31tinha uma venda constante, não era um jornal com
- 50:35muitos altos e baixos, então todos esses elementos
- 50:39me fizeram voltar a minha análise para o Correio
- 50:43Paulistano. Agora, eu não sei se faz parte
- 50:46do seu estudo, mas me interessa muito um aspecto
- 50:49que observa há anos, o nordesteino vai para São
- 50:52Paulo e em pouco tempo ele busca, não sei porquê, mas
- 50:57ele busca falar como se fosse um Paulistano, ou
- 51:02como se fosse um Paulista, Ã s vezes eu cheguei a ver
- 51:05pessoa, passou um ano em São Paulo, volta para o
- 51:08Ceará falando como se fosse um Paulista, esse aspecto
- 51:13da lÃngua, conta nessa sua observação sobre a
- 51:19racialização do nordesteino em São Paulo? Com
- 51:23certeza, até porque no Brasil quando a gente pensa
- 51:27em racismo, a gente pensa logo no racismo mais forte
- 51:32e evidente que a gente tem contato, que é o racismo
- 51:36contra pessoas negras, e o racismo contra pessoas
- 51:40negras no Brasil ele vai se construir de uma forma
- 51:43muito relacionada às marcas do corpo dessa pessoa,
- 51:47então se essa pessoa tem traços africanos, quanto
- 51:52mais traços africanos essa pessoa vem a ter, mas ela
- 51:55está passiva de sofrer racismo. Já
- 51:59o nordesteino, por mais, assim, quando eu perguntava
- 52:03para os meus entrevistados como eles faziam para
- 52:06reconhecer o nordesteino, existiam vários elementos
- 52:09que eram, como eu posso dizer, performaria, eram
- 52:15elementos de a, a cor da roupa, o jeito de ser, o
- 52:19formato da cabeça, o jeito de andar, tudo isso na
- 52:25prática, pelo que eles me diziam, pelos relatos deles,
- 52:29não era o principal, o principal elemento para
- 52:34identificar o nordesteino em São Paulo é o sotaque. O
- 52:38sotaque, tanto é que, agora falando como um indivÃduo,
- 52:43não como cientista, mas como um indivÃduo, várias
- 52:45vezes eu ouvia falas preconceituosas contra o
- 52:49nordesteino, porque eu não era reconhecido como
- 52:52nordesteino, eu não estava dentro do que eles imaginam
- 52:56como é um traço, o corpo de o nordesteino. Então
- 53:00muitas vezes eu ficava só calado e eu, eu, eu
- 53:04flagrava falas racistas contra o nordesteino, isso
- 53:09como um indivÃduo, mas isso não é um método cientÃfico,
- 53:11então eu me voltei para o método cientÃfico que
- 53:14pudesse ser mais objetivo, que pudesse filtrar e
- 53:18esquematizar as falas e referências dos meus
- 53:21entrevistados e também dos jornais. E
- 53:25eu não tenho dúvidas, professor, que da mesma
- 53:27forma, como historicamente, em diferentes tipos de
- 53:32racismo, não só no Brasil, mas no racismo vivido em
- 53:36outras sociedades, por outras pessoas, há sempre
- 53:40uma, uma, a busca por uma rota de escape, por uma
- 53:46rota de fuga daquela situação de vivenciar o
- 53:49racismo. Há essa busca coletiva, as
- 53:54pessoas se mobilizam, protestam, pautam
- 53:58mediaticamente as situações e também há uma busca
- 54:02individual. Então se você, por exemplo,
- 54:06consegue disfarçar os elementos da sua negritude
- 54:10para talvez, em algumas situações, ser lido como
- 54:14uma pessoa branca mais escura, algumas pessoas
- 54:19podem tentar fazer isso, por exemplo, no racismo
- 54:21antin negro. Já no racismo contra o
- 54:23nordesteino, qual seria a estratégia individual que
- 54:26algumas pessoas podem, no caso, ter? Ã
- 54:30justamente disfarçar a fala, tentar disfarçar o máximo,
- 54:33a própria fala, o próprio sotaque. Inclusive,
- 54:35nas entrevistas, eu encontrei pessoas que
- 54:38repreendiam isso. Como é que pode a pessoa querer
- 54:41disfarçar que não adora o nordesteino? Qual
- 54:43é o problema dessa pessoa? Tem
- 54:44vergonha de ser nordesteina? Sabe
- 54:46assim, existe também constrangimento moral
- 54:49daqueles que se valiam dessa estratégia. Ok,
- 54:54aqui agradeço, então, ao Pedro Vitor Méndez pela
- 54:57participação aqui no programa. E
- 54:59eu quero dizer que nós queremos que você volte
- 55:01outras vezes para a gente tratar dessa questão do
- 55:04racismo, que é um tema que, no meu ponto de
- 55:09vista, deveria estar mais presente nos debates diários
- 55:13da sociedade para superar, combater essa injustiça que
- 55:19se dá no cotidiano. Estruturalmente,
- 55:23na sociedade brasileira. Obrigado,
- 55:25Pedro. Eu que agradeço, professor,
- 55:27muito obrigado, muito obrigado, Vintes, pela
- 55:29oportunidade. E vou ter o maior prazer em
- 55:31retornar para a gente continuar a se bate -papo.
- 55:33Aà foi o Pedro Vitor Méndez,
- 55:35doutor em Sociologia, autor da Tese Racialização dos
- 55:39Nordestinos, em São Paulo, defendido em 2021 na
- 55:43Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pedro
- 55:45Vitor é nosso colega aqui, radialista da Rádio
- 55:48Universitária FM. A apresentação, Nonato Lima. E
- 55:59vamos à s últimas notÃcias do Rádio Livre de hoje. A
- 56:02Defesa Civil do Estado do Maranhão informou que chegar
- 56:05a 30, o número de municÃpios no Estado em
- 56:08situação de emergência, em reação de chuvas, ao todo
- 56:111 .031 famÃlias estão desabrigadas e quase 3 .000
- 56:16desalojadas. Uma pessoa morreu, até o
- 56:20momento, segunda defesa civil do Maranhão. O
- 56:22municÃpio de Santa Inês é o único em estado de
- 56:27calamidade pública. As fortes chuvas que atingem
- 56:30todo o estado do Maranhão, desde abril, tem provocado
- 56:34cheia em rios no estado. Conforme
- 56:38a defesa civil, as famÃlias atingidas estão recebendo
- 56:42apoio da defesa civil dos municÃpios do Estado. A
- 56:49outra informação da Defesa Civil é de que está sendo
- 56:53providenciada a retirada de pessoas que estão em áreas
- 56:56de risco e que o governo do Maranhão tem fornecido
- 56:59refeições através da rede de restaurantes populares.
- 57:05Rio Grande do Sul, parte do
- 57:07Maranhão, no passado foi Minas Gerais, as mudanças
- 57:14climáticas de um lado e em algumas situações, a falta
- 57:22de ações preventivas do outro e alertam para
- 57:27necessidade de mudança na sociedade. Uma
- 57:31das mudanças climáticas que principalmente os paÃses
- 57:38industrializados não estão a fim de contribuir, não só
- 57:43com a contribuição financeira, inclusive foi
- 57:46acordada e até hoje não pagaram não. Ã
- 57:49pior. Ã o desejo de manter o mesmo
- 57:56sistema de exploração do planeta que vem destruindo
- 57:59o planeta. Então, nenhum lugar do mundo hoje
- 58:04está livre dessas situações que estão ocorrendo no Rio
- 58:09Grande do Sul. No entanto, é possÃvel fazer
- 58:12algumas, tomar algumas iniciativas, algumas medidas
- 58:15preventivas. A China, que muita gente só
- 58:19olha de forma atravessada por causa do comunismo, o
- 58:26que é um olhar meio, é um olhar para conceituos e
- 58:30ignorados. A China tem um exemplo lá do
- 58:33que fazer preventivamente em relação a questões de
- 58:40inudações, arragamento, etc. E
- 58:43não é de hoje não. Tem uma experiência de cidades
- 58:46lá com mecanismos de prevenção de enchentes que
- 58:51deveriam ser olhados pelo resto do mundo. Mas
- 58:54antes que você diga, mas a China também ataca e, sim,
- 58:59com toda certeza, o processo de indústria da
- 59:01China também é altamente prejudicial, o mundo como é
- 59:05o americano, como é o europeu, é parte brasileira,
- 59:08etc., etc. Mas o fato é que algo também
- 59:14na linha preventiva precisa ser feito. No
- 59:18Brasil já é uma lamentável tradição, os pobres serem
- 59:26desabrigados com a chuva de 20 milÃmetros, 30
- 59:28milÃmetros, 50 milÃmetros. Por
- 59:30quê? Porque de um modo geral, os
- 59:33periféricos da economia estão nas beiras de
- 59:38riachos, rios, lugares onde rico, classe média e quem
- 59:44tem algum tipo de condição não mora. AÃ
- 59:47eles vão morar em lugares de risco. Nesse
- 59:53aspecto, uma boa parte da população já poderia ser
- 59:56preventivamente retirada e colocada em lugar adequado,
- 1:00:01seguro e digno. Mas aà nós estamos falando de
- 1:00:05uma outra sociedade, de mudança radical na
- 1:00:10sociedade. De qualquer modo, as mudanças
- 1:00:13climáticas prosseguem e se não houver uma ação
- 1:00:19diferenciada, o adiamento do fim da Terra, do fim do
- 1:00:25planeta não vai funcionar. Agora
- 1:00:30são 8 ,31, a última informação do Radio Livre
- 1:00:33de hoje. O Cinticep, sindicato dos
- 1:00:35trabalhadores no serviço do público federal, escolheu o
- 1:00:38dia de hoje na TV Hápita do Dia das Mães para
- 1:00:42comemorar o dia das Mães. A
- 1:00:43série do sindicato hoje tem um espaço lá bem grande
- 1:00:46reservado para as mães sósias do sindicato,
- 1:00:51servidoras públicas federais, associadas do sindicato. Ao
- 1:00:57longo do dia, elas podem chegar e terão uma série
- 1:01:00de atividades, dentre as quais o dia da beleza,
- 1:01:06tratamento de beleza mesmo. O
- 1:01:08sindicato é relacionado com a vida, tem as lutas
- 1:01:13salariais, lutas sindicais, lutas polÃticas, mas também
- 1:01:16tem as preocupações humanas, com as pessoas, com o dia
- 1:01:23a dia das pessoas, com o bem -estar das pessoas, isso
- 1:01:27faz parte também do conjunto das ações, pelo
- 1:01:32menos no caso do sindicato. Então
- 1:01:34as mães associadas do sindicato tem o dia inteiro
- 1:01:37para as atividades comemorativas do dia das
- 1:01:41mães. à ao longo do dia, vai
- 1:01:43chegando e vai participando lá, claro que tem uma
- 1:01:46sequência de atendimento em algumas atividades e tal.
- 1:01:49Chegamos ao final, cumprimentamos já
- 1:01:51antecipadamente as mães que estão nos ouvindo pelo dia
- 1:01:57que é comemorado no próximo domingo. Parabéns,
- 1:02:01tudo de bom para vocês. Chegamos
- 1:02:03ao final do rádio livre que tem apoio do sindicef
- 1:02:06Ciaral, sindicato dos trabalhadores, no serviço
- 1:02:09público federal, bom final de semana e até segunda
- 1:02:13-feira. Assis Lima e eu voltamos com
- 1:02:15mais um rádio livre. Obrigado.
- 1:02:18A Universitaria FM apresentou Rádio Livre.