Latest / Na Mesa com Well / O Sangue dos Santos Ep. 6: Triunfo sob o Fogo
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el e esse é o dossiê sobre o sangue
- 0:04dos Santos. É um tema bem forte para hoje,
- 0:08né? Nossa, muito forte.
- 0:10Hoje a gente vai falar sobre 11 paradoxo que é quase impossível
- 0:14de acreditar uhum. Total.
- 0:16Como que um grupo de pessoas sabe submetido a tortura, fome,
- 0:20ameaça de morte constante? Pressão Extrema mesmo?
- 0:23Exato, como esse grupo consegue não só sobreviver?
- 0:27Mas, tipo, crescer e se multiplicar muito mais rápido do
- 0:30que grupos que vivem com total Liberdade e conforto.
- 0:33Cara, essa é uma daquelas perguntas que desafiam toda a
- 0:37lógica humana, sabe? Com certeza.
- 0:39E a urgência de entender isso hoje vem de um clamor que é
- 0:42muito real, não é tipo uma teoria acadêmica.
- 0:45Uhum não é de livro. Não é uma súplica que chega até
- 0:50a gente de celas escuras, de florestas remotas.
- 0:54A mensagem principal deles, o grito dessas pessoas, é
- 0:58simplesmente, não nos esqueçam, não nos risquem do mapa.
- 1:03Que peso, cara. E bom pra quem tá chegando agora
- 1:07e quer entender de onde a gente tá tirando esses relatos, né?
- 1:10Nós mergulhamos num material bem pesado.
- 1:13Muito denso, mas muito necessário.
- 1:15Sim, profundamente necessário. A gente analisou desde
- 1:19entrevistas comissionários da linha de frente.
- 1:23Como Luiz Renato Maia sabe? Ah, sim, que trabalha com a
- 1:26missão é maesse, né? Isso exatamente.
- 1:28Missão é maesse em áreas de opressão Extrema, até programas
- 1:32de TV tipo Brasil cristão, que discutiu toda aquela resistência
- 1:36milenar do rito, maronita a história de são charbel mas a
- 1:40grande âncora da nossa conversa hoje é um livro autobiográfico
- 1:43que, olha, sinceramente, muda a forma como a gente enxerga o
- 1:47mundo. Muda tudo?
- 1:48Chama torturado por amor a Cristo.
- 1:51Foi escrito pelo pastor Richard von brend.
- 1:54Ele passou 14 anos cara definhando em prisões de
- 1:57confinamento solitário e trabalho forçado.
- 2:00É e antes da gente continuar e entrar nos detalhes mesmo do
- 2:07livro do worm, brendt, acho que é muito importante deixar algo
- 2:10claro para quem está escutando a gente.
- 2:12Ah, sim, o aviso. Por favor.
- 2:14É fundamental o livro e os relatos citam bastante o
- 2:18comunismo, regimes ditatoriais, o marxismo.
- 2:22Tudo isso por conta do contexto histórico da guerra fria, né?
- 2:26De onde essas prisões ficavam? A cortina de ferro.
- 2:30Exato, mas o nosso objetivo aqui hoje não é tomar nenhum partido
- 2:34político. Seja de esquerda, seja de
- 2:36direita, sabe? Nós estamos olhando puramente
- 2:39para a história humana e espiritual.
- 2:41Perfeito. A intenção é relatar dor física,
- 2:44resistência psicológica e a fé inabalável dessas pessoas de
- 2:48forma totalmente imparcial. Não é um debate político, é tipo
- 2:53uma imersão na capacidade do espírito humano.
- 2:56Ok, vamos desempacotar isso porque, bom, com essa base
- 3:00estabelecida, a gente precisa adotar uma postura de muito
- 3:03respeito para lidar com essas histórias.
- 3:05Com certeza. É uma perspetiva muito teológica
- 3:09e de um quebrantamento enorme, sabe?
- 3:11A nossa missão nesse dossiê é. Um olhar para esse espelho e
- 3:17confrontar a apatia, que tipo muitas vezes toma conta do
- 3:21ocidente? Uhum.
- 3:22E isso me faz pensar, como é que é o dia a dia dessas pessoas?
- 3:27Porque assim, uma coisa é a perseguição na teoria, né?
- 3:31Outra coisa é o que Luiz Renato Maia chama de paradoxo do
- 3:34crescimento. Sim, na prática a coisa muda.
- 3:37Como isso funciona, cara? O que é fascinante aqui é a
- 3:42total inversão de expectativas. Pela lógica comum, sabe de
- 3:47qualquer sociólogo, se uma organização sofre uma pressão
- 3:51brutal tipo confisco de bens, prisão, morte, ela encolhe.
- 3:56Faz sentido, as pessoas fogem, né?
- 3:58Exato, as pessoas se escondem. O movimento some, mas os relatos
- 4:02mostram exatamente o oposto, a igreja, sob perseguição Extrema,
- 4:07cresce e floresce num ritmo muito mais acelerado do que a
- 4:11igreja. Livre.
- 4:13Qual é O Mecanismo por trás disso?
- 4:15Como que a pressão gera crescimento?
- 4:18É porque a perseguição atua como um fogo purificador, sabe?
- 4:22Um fogo gigantesco. Pensa comigo quando professar a
- 4:27fé custa o seu emprego, a segurança da sua família ou a
- 4:30sua própria vida? A.
- 4:32Brincadeira acaba? Né?
- 4:33Exatamente. Não sobra espaço para o fiel de
- 4:36conveniência. Aquela burocracia, o status
- 4:39social, a religião, como tipo um acessório de fim de semana, isso
- 4:54tudo. É queimado?
- 4:56Ou você crê com cada célula do seu corpo, ou você desiste.
- 5:00Sabe, ouvindo você falar isso, me vem uma analogia na cabeça.
- 5:04É Hum, como se a vivência da fé num país livre fosse uma ida a
- 5:09um supermercado gigante. Como assim um supermercado?
- 5:12Tipo assim, a pessoa entra, tem ar-condicionado, tem corredores
- 5:16e mais corredores de opções. Ela escolhe o que quer consumir
- 5:20na prateleira. Ah, entendi.
- 5:22Que tipo de música prefere no culto?
- 5:24Qual o estilo de mensagem faz com que ela se sinta melhor e
- 5:28cara? Se o produto não agrada, ela
- 5:30simplesmente deixa ali, vai para o outro corredor ou troca de
- 5:34supermercado? É sabe totalmente baseado no
- 5:37consumo. Nossa, essa imagem perfeita da
- 5:40nossa realidade ocidental. Mas a fé de quem é perseguido
- 5:43lendo esses relatos, cara, parece que é como tentar
- 5:46sobreviver num deserto implacável.
- 5:49E no deserto não tem prateleira. Não tem opção de escolha, né?
- 5:53Nenhuma. A água, que seria a fé, é a
- 5:56única coisa que mantém a pessoa respirando.
- 5:59Não é uma questão de estética, de gostar da embalagem.
- 6:02É a única coisa que impede a morte.
- 6:05É a sobrevivência pura. E quando a gente vê como eram os
- 6:08cultos clandestinos que o on branding descreve, isso fica
- 6:11tipo muito palpável. Fica mesmo.
- 6:14Ele relata cultos da igreja subterrânea que não tinham nada
- 6:17daquelas arquiteturas grandiosas.
- 6:19Sabe? Som de última geração, vitrais,
- 6:22nada disso. Tudo no meio Do Nada?
- 6:24Eles precisavam se reunir no meio de florestas remotos e olha
- 6:28o relato dele, tem uma beleza trágica.
- 6:30O céu aberto era o teto. Uau.
- 6:33O canto dos pássaros camuflava as vozes deles para não serem
- 6:37descobertos e tipo no lugar de vestimentas sagradas.
- 6:41Os paramentos mais honrados do culto eram as roupas rasgadas,
- 6:45manchadas de sangue de algum mártir que tinha acabado de sair
- 6:49de um interrogatório. Isso muda completamente, cara, o
- 6:52peso do que a gente considera sagrado.
- 6:54É de arrepiar. Mas, tipo, nessas condições
- 6:57isolados em florestas, como que eles conseguiam expandir?
- 7:01Como alguém prega num ambiente onde abrir a boca pode
- 7:04significar tomar um tiro? Aí é que entra a genialidade
- 7:07forjada na necessidade Extrema, sabe?
- 7:10Eles não esperavam as condições ideais, eles usavam a própria
- 7:14diversidade como ferramenta. Dá um exemplo disso?
- 7:17Tem um caso inacreditável do livro envolvendo soldados russos
- 7:21que invadiram a região. Esses soldados vinham de um
- 7:25contexto de muita escassez e ficaram simplesmente obcecados
- 7:30por relógios. Relógios de pulso.
- 7:32Isso eles roubavam os relógios de todo o mundo e andavam com os
- 7:36braços, tipo, cheios deles. Tá, e o que o pessoal da igreja
- 7:41subterrânea fez com isso? Eles começaram a entrar nos
- 7:44acampamentos militares russos fingindo que queriam comprar
- 7:48relógios. Mentira.
- 7:49Sério? O womberg relata um dia
- 7:52específico, no dia de São Pedro e São Paulo, que ele se
- 7:55infiltrou no acampamento. Ele se aproximou de um grupo de
- 7:58soldados, fingindo examinar as mercadorias.
- 8:02E aí aí, no meio da negociação, ele perguntou, bem casualmente,
- 8:07se alguém ali se chamava Pedro ou Paulo.
- 8:10Os soldados falaram que não e perguntaram quem eram esses
- 8:14caras, não. Acredito, ele usou isso de
- 8:15gancho. Usou?
- 8:17Foi ali, disfarçado de comprador, examinando o relógio
- 8:20roubado, que ele começou a pregar sobre quem foram os
- 8:24apóstolos. Meu Deus.
- 8:25Dentro do acampamento inimigo, cara, sim, lá dentro.
- 8:30E o mais impressionante, O Mecanismo de fuga deles já
- 8:34estava armado. Se um oficial de alta patente ou
- 8:38alguém suspeito chegasse perto. Eles disfarçavam.
- 8:41Imediatamente mudavam de assunto, começavam a pechinchar
- 8:45o preço e agir como contrabandistas.
- 8:48Isso é brilhante. A pressão não destruiu a
- 8:51inteligência deles, só tipo deixou eles mais criativos.
- 8:54Exatamente. A mente deles encontrou uma
- 8:57lógica. Além da simples sobrevivência
- 8:59física, tem outro exemplo rápido de um casal de escultores
- 9:03russos. Que foram educados a vida
- 9:06inteira naquele ateísmo imposto pelo estado.
- 9:10Uhum, sem religião nenhuma. Nenhuma.
- 9:12Um dia a esposa estava esculpindo uma estátua do
- 9:16Stalin. Ela parou, olhou para o polegar
- 9:20da estátua e começou a raciocinar sobre a mecânica de
- 9:24um polegar humano. O polegar.
- 9:26É, ela falou para o marido que sem o polegar não existiriam
- 9:31ferramentas. Não teria a agricultura, a
- 9:34civilização seria impossível, sabe?
- 9:37Certo? E a conclusão lógica dela foi
- 9:39bom, mesmo que o estado ensine que ninguém mora no céu, esse
- 9:44ninguém que projetou uma engenharia tão perfeita quanto o
- 9:47polegar merece ser adorado. Caramba, pelo dedo.
- 9:50Pelo dedo quando o embreno encontrou os 2 e finalmente deu
- 9:54o nome de Deus a esse ninguém, eles se converteram na mesma
- 9:59hora. Impressionante.
- 10:00A busca pelo transcendente não morre, ela se agarra qualquer,
- 10:04sabe fio de luz disponível. É uma pureza tipo visceral e é
- 10:08justamente por causa dessa pureza que acontece aquele
- 10:11choque tremenando na biografia do ROM brand, né?
- 10:13Ah, sim, a libertação dele. A gente acompanha a história, vê
- 10:16os 14 anos de sofrimento absurdo do cara e pensamos, nossa,
- 10:21quando ele for solto e for para o acidente, a dor vai acabar e
- 10:25ele vai finalmente descansar. E não foi bem assim.
- 10:30Nenhum pouco. Aqui é que a coisa fica
- 10:33realmente interessante, porque os relatos mostram que depois de
- 10:36pagarem um resgate altíssimo para libertar ele, ele foi
- 10:41procedente, livre e tipo, fico frustrado.
- 10:44Ele confessa, com muita tristeza, que sofreu quase
- 10:48tanto, ou talvez de uma forma até mais aguda.
- 10:53Vendo a realidade do cristianismo ocidental do que
- 10:56nas solitárias? Cara, como que alguém sofre mais
- 11:00livre do que preso? O que ele viu que machucou tanto
- 11:03ele? Ele viu a decadência espiritual
- 11:06pura e simples, ele via líderes religiosos, teólogos em
- 11:10conferências naqueles hotéis luxuosos.
- 11:13Sabe gastando horas e recursos debatendo trivialidades
- 11:17absolutas? Tipo quê?
- 11:19Tipo, enquanto 1/3 do mundo estava atrás da cortina de
- 11:22ferro, sendo trucidado pela fé, esses teólogos livres.
- 11:27Debatiam coisas como a cor exata dos olhos da virgem Maria.
- 11:31Você está de brincadeira? A cor dos olhos?
- 11:33É inacreditável. Cara, é uma desconexão completa
- 11:41da realidade. Total eu.
- 11:43Equivalente a você tipo discutir a paleta de cores das cortinas
- 11:47da sala enquanto estrutura da casa inteira está pegando fogo e
- 11:51as pessoas estão presas lá dentro?
- 11:52A perceção de perigo desaparece, o conforto anestesia.
- 12:00Com certeza, como que a gente, no meio das nossas rotinas hiper
- 12:04seguras, redescobre o verdadeiro peso da Cruz?
- 12:07A saída que os relatos apontam assim, de forma unânime, o
- 12:11antídoto contra essa mornidão toda é a reconexão vital com o
- 12:15corpo que sofre. Uhum olhar para quem está
- 12:17sangrando. Isso.
- 12:19É impossível você continuar discutindo, sei lá, o sexo dos
- 12:24Anjos quando você é confrontado com o custo real da fé.
- 12:28A gente é obrigado a olhar sem desviar os olhos pro preço do
- 12:33sangue que foi e ainda é derramado.
- 12:35E a gente precisa ser muito, muito honesto sobre esse preço,
- 12:39sabe? A gente fala de perseguição, mas
- 12:42tipo o que isso significava na prática, quando as portas
- 12:46daquelas prisões fechavam? O que o livro conta de fato?
- 12:50Olha, é pesado. A gente não pode tentar
- 12:53higienizar. História World narra casos que
- 12:57mostram, assim, o limite da crueldade humana.
- 13:00Uhum. Ele fala do pastor floresco, por
- 13:02exemplo. Ele foi torturado com Ferros em
- 13:05brasa, jogado numa cela infestada de ratos famintos.
- 13:09Nossa ratos. Sim, ele não podia dormir porque
- 13:13precisava lutar contra os ratos para não ser comido vivo.
- 13:17Mas a pior parte, a tortura psicológica mais devastadora,
- 13:21foi quando os guardas viram que a dor física não IA quebrar ele.
- 13:25O que eles fizeram? Eles trouxeram o filho dele, o
- 13:28Alexandre, um menino de apenas 14 anos.
- 13:33Meu Deus, o próprio filho, cara. O próprio filho, eles espancaram
- 13:38o menino selvagemente na frente do pai.
- 13:42Exigindo que o pastor entregasse os nomes da igreja subterrânea.
- 13:46A pressão era, sabe para que o amor de paz superasse a lealdade
- 13:50a Deus. Isso é desolador, como é que um
- 13:53ser humano suporta um negócio desses?
- 13:55E que aconteceu em seguida, desafia qualquer compreensão
- 13:58nossa. O menino, sangrando, prestes a
- 14:01morrer sobre os golpes, olhou para o pai e implorou para que
- 14:04ele não traísse os irmãos. Ele pediu para o pai aguentar,
- 14:08sim. As últimas palavras do garoto
- 14:11foram, Jesus é a minha pátria. Ele preferiu ser espancado até a
- 14:16morte. A ver o pai.
- 14:17CD. Cara, eu fico chocado com a
- 14:19força de um menino de 14 anos. Além disso, humm tem os relatos
- 14:25das famosas celas refrigerantes. Como era isso?
- 14:28Os cristãos eram jogados nessas celas quase sem roupa, e o
- 14:32ambiente era resfriado até eles ficarem à beira da morte por
- 14:36congelamento. Daí os guardas aqueciam a cela
- 14:40um pouco só para evitar a morte, e começavam o ciclo de
- 14:43congelamento, tudo de novo, esticavam a agonia por dias.
- 14:48Uma tortura sem fim. E temos o registro trágico do
- 14:51Ivan, Moisés e também um jovem militar que foi assassinado com
- 14:55facas aquecidas direto no coração, simplesmente porque não
- 14:59quis abandonar a fé. É Hum, é de revirar o estômago
- 15:04ouvir tudo isso e sabe? A reação natural a histórias
- 15:09assim de um sadismo tão grande seria o ódio, né?
- 15:12Com certeza. Se eu fosse trancado numa cela e
- 15:15torturado desse jeito, eu viraria uma fera encurralada.
- 15:18Eu odiaria meus captores com todas as minhas forças.
- 15:21Como que a mente deles não quebrou pra insanidade ou pra
- 15:24esse ódio profundo? Se conectarmos isso a um
- 15:27Panorama maior, a gente descobre que o verdadeiro poder da igreja
- 15:31subterrânea não estava na força física de aguentar a pancada.
- 15:35O poder estava numa manifestação de amor que é literalmente
- 15:40desumana amor naquele lugar. Sim.
- 15:43Tem um relato que talvez seja o mais comovente de todo esse
- 15:47material, que é o dízimo da prisão.
- 15:50Pera aí, dízimo, como que você paga dízimo numa prisão onde
- 15:53trabalho forçado, onde confiscaram tudo que você tem?
- 15:56Pagavam com a própria vida, eles recebiam uma ração de fome e uma
- 16:00fatia bem rala de pão que mal mantinha eles de pé.
- 16:04A matemática era cruel, sabe? Se não comesse tudo, morria de
- 16:08demissão, uhum. Pura sobrevivência.
- 16:10Mesmo assim, um grupo de cristãos decidiu que IA dar o
- 16:17dízimo daquela comida, demorava umas 10 semanas para que esses
- 16:26pedacinhos formassem uma única fatia inteira.
- 16:29E quando finalmente completava essa fatia, eles davam em
- 16:33segredo para o prisioneiro mais fraco e doente da cela, só para
- 16:37ele viver mais 1 dia. Cara, isso é incompreensível pra
- 16:40gente. Você demorar 10 semanas passando
- 16:43fome de verdade pra dar um pedaço de pão pra outra pessoa é
- 16:47literalmente abrir mão da sua chance de viver por amor.
- 16:50É o sacrifício supremo, não tem outra palavra e não parava por
- 16:54aí. O livro também relata a história
- 16:56do mate vice, um rapaz de 18 anos, nos estágios finais de
- 17:01tuberculose lá dentro. Nossa tuberculose na prisão é
- 17:04sentença de morte. Sim, mas a família dele
- 17:07conseguiu contrabandear 100 tubos de antibiótico para dentro
- 17:10do complexo, só que o oficial chefe interceptou os remédios.
- 17:14Ah, não? E ele foi até a cela do rapaz e
- 17:18fez a proposta, óbvia, né? Você pode ter todos os
- 17:21antibióticos e se curar, se virar um informante e entregar
- 17:25os outros líderes. Uma escolha terrível para um
- 17:28garoto de 18 anos, cara. Só queria viver, né?
- 17:31Mas ele não hesitou. Ele olhou para oficial e
- 17:34recusou. Na hora, falou que preferia a
- 17:37morte a ter que se olhar no espelho e ver um traidor.
- 17:40Ele rejeitou os remédios e morreu poucos dias depois,
- 17:44louvando a Deus em voz alca na cela.
- 17:46E qual era o efeito desse tipo de comportamento, que era desse
- 17:49amor radical nas pessoas que faziam a tortura?
- 17:52Porque os soldados e os oficiais estavam ali assistindo a tudo
- 17:55isso de camarote? O impacto era avassalador, tipo
- 17:59destruir as defesas deles. O materialismo do estado tinha
- 18:03resposta pronta para argumento teológico, sabe?
- 18:06Mas eles não tinham defesa nenhuma contra esse tipo de amor
- 18:09na prática. Ninguém está preparado para
- 18:11isso, né? Ninguém.
- 18:12O Uber conta que prisioneiros perdoavam e abraçavam os guardas
- 18:18que tinham acabado de espancar eles.
- 18:21Ele menciona a varia, uma jovem do partido comunista que se
- 18:25converteu e foi presa na mesma hora.
- 18:27E o que aconteceu com ela? Quando Ela Foi enviada para o
- 18:30gullag, para o campo de trabalho forçado, ela não foi chorando ou
- 18:34xingando. Ela fez a viagem inteira, tipo
- 18:37cantando hinos de Alegria. Num trem para um gulag.
- 18:40Isso e lá de dentro do campo de escravidão, ela contrabandeava
- 18:45cartas dizendo o quanto estava grata por ter encontrado a
- 18:49salvação. Ela transformou o inferno na
- 18:52Terra, num campo missionário. E como os guardas reagiam?
- 18:56Os guardas de alta patente, que eram homens treinados para não
- 19:00sentir nada, simplesmente desabavam.
- 19:03Tem relatos de oficiais que choravam, se ajoelhavam naquelas
- 19:07celas sujas e entregavam suas vidas ali, mesmo sabendo que no
- 19:11dia seguinte eles virariam prisioneiros também.
- 19:13Mas isso é profundamente confrontador.
- 19:16Mas sabe, tudo isso gera uma responsabilidade gigantesca para
- 19:20gente que está livre aqui fora. E o vinho?
- 19:22Bran deixa um alerta muito Sério sobre isso no material.
- 19:25Não deixa. Deixa é o coração do manifesto
- 19:28dele. O alerta pastoral definitivo é
- 19:31que a maior traição que a gente pode cometer não é um fraquejar
- 19:36sob tortura, porque a carne é fraca.
- 19:38A traição imperdoável é o silêncio de quem é livre diante
- 19:43da dor deles. O silêncio.
- 19:46A igreja subterrânea manda um recado muito claro, eles não
- 19:49imploram para que exércitos de fora invadam e salvem eles.
- 19:54Não pedem para sair do campo de Batalha?
- 19:56Eles pedem o que então? Eles pedem ferramentas para
- 19:59lutar. Eles pedem freneticamente
- 20:02bíblias impressas, literatura que ajude a rebater
- 20:05intelectualmente o guia do ateu, que era o manual do estado,
- 20:09usado para fazer lavagem cerebral nas crianças desde o
- 20:11Jardim de infância. Eles querem lutar, mas não de
- 20:14mãos vazias. Então, o que isso tudo significa
- 20:18na nossa prática diária? Porque eu imagino alguém ouvindo
- 20:21isso agora, se ela preso no trânsito, lavando a louça,
- 20:24correndo na esteira, é muito fácil essa pessoa se sentir
- 20:27esmagada por uma culpa que paralisa.
- 20:29É a culpa paralisa mesmo? Ela olha para a própria vida, vê
- 20:33a bíblia pegando pó na estante, Liberdade para ir na igreja e
- 20:36pensa, nossa, eu não faço nada. Minha vida é fácil demais.
- 20:40Como que a gente impede que esse choque vire só tipo uma tristeza
- 20:44estéril? O que a gente faz amanhã de
- 20:46manhã? A resposta prática tem que ser
- 20:48imediata, sabe? Essa bravura toda exige uma
- 20:52reação com você, disse. A culpa paralisa, mas o amor
- 20:56movimenta. Exato.
- 20:57A primeira ação prática é transformar essa patia em
- 21:01interseção fervorosa. Orar com a urgência de quem sabe
- 21:05que tem um irmão no corredor da morte hoje e no nível material.
- 21:10Significa pesquisar e contribuir de verdade com missões sérias,
- 21:14organizações clandestinas que enviam ajuda concreta.
- 21:18Exatamente grupos que. Financiam esse contrabando
- 21:24arriscado de bíblias que sustentam viúvas e órfãos dos
- 21:28mártires, porque eles ficam marcados pelo estado, são
- 21:32proibidos de trabalhar ou de comprar comida, sabe?
- 21:35Certo. E no nível pessoal?
- 21:38No nível pessoal, no nosso ambiente confortável, a ação é
- 21:42gerar um testemunho irrepreensível.
- 21:44É assumir a Cruz no trabalho, na faculdade, em casa, sem esconder
- 21:48a fé por vergonha. É viver com o mesmo foco deles,
- 21:52custe o que custar. Isso levanta uma questão
- 21:55importante, sabe algo que eu queria que cada pessoa que está
- 21:58escutando a gente levasse para refletir profundamente?
- 22:01Uhum. Acho válido.
- 22:03Pensa aqui comigo se a fé de homens e mulheres que estavam
- 22:06acorrentados, morrendo de fome, congelando em celas imundas, que
- 22:11não tinham uma única bíblia impressa na mão, conseguiu não
- 22:14só sobreviver, mas derrubar fortalezas e se multiplicar
- 22:18dentro dos piores regimes da história Moderna com.
- 22:21Todo o sistema contra eles. Sim, o que aconteceria se a
- 22:25nossa igreja livre com bilhões de recursos financeiros,
- 22:28tecnologia instantânea, total Liberdade?
- 22:31Decidisse viver com apenas 10% dessa intensidade e amor
- 22:35radical. O mundo que a gente conhece
- 22:37ainda seria o mesmo? Seria completamente diferente?
- 22:40Pensa bem se você não tá trocando o deserto implacável,
- 22:43onde a única água traz vida eterna pelas prateleiras hiper
- 22:47confortáveis de um supermercado que te deixam morrer de sede
- 22:50distraído, sem nem perceber. É um choque de realidade para
- 22:54todos nós. Até o próximo episódio.