Latest / História pros brother / Trambicagens na história do Brasil
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- 0:00agência de podcast .com .br Pessoal, a gente tá
- 0:06querendo avisar todo mundo aí, os ouvintes, que tá
- 0:09rolando uma campanha na vaquinha .com .br Tem uma
- 0:12campanha que é sobre a maior campanha solidária do
- 0:16Rio Grande do Sul, né? Todo
- 0:18mundo sabe que tá acontecendo lá, uma
- 0:19tragédia, infelizmente. E aí a gente quer que, pô,
- 0:22enfim, o pessoal da audiência chegue junto. Tem
- 0:24um PIX que você pode ajudar, é uma campanha bem
- 0:27grande, tá? Pode conferir aí que a gente
- 0:29falou. O nome dela é esse, é a
- 0:31maior campanha solidária do RS. E
- 0:34aí você pode doar com o PIX, vai ter também aqui
- 0:36na descrição do episódio o link pra vaquinha pra você
- 0:39ver. Mas tem o PIX, anota aí que o
- 0:41PIX, ele é, enfim, acho que é a forma mais fácil
- 0:44de você ajudar, que é enchentesarrobavaquinha .com
- 0:49.br, é vaquinha com K, enchentesarrobavaquinha .com
- 0:53.br E é isso. É, a gente vai deixar esse
- 0:56PIX também na descrição do episódio. Isso.
- 0:58E é isso, pessoal, ajuda aí porque vai ser pós -água
- 1:02baixar, que ainda, imagino que vai demorar um pouco,
- 1:04depois vai ser uma longa jornada de reconstrução. E
- 1:08é isso aí, ajuda aí, tá bom? Beijo.
- 1:10Quanto história aí, brother? Trambicagem
- 1:12na história do Brasil? Vamos
- 1:13lá! Trambicagem, Alexandre. Esqueminha,
- 1:23Alexandre. Treta, mutreta, coisinha ali, por
- 1:27fora, vários nomes. Tem vários nomes pra explicar
- 1:30essa prática que é demonizada, mas vamos ser
- 1:33sincero, que é útil pra caralho a gente saber jogar
- 1:36o jogo e às vezes burlar o jogo, Alexandre. Tá,
- 1:39tu tá falando, eu não quero ser um cara que tá
- 1:42te julgando por onde tu tá, mas tem uma carga Rio
- 1:44de Janeiro aí, eu não tenho. Ah,
- 1:46vai falar o adivinho DDD, vai mandar. Não,
- 1:50não. Eu só tô perguntando, não tô
- 1:52acusando. Perfeito, tem porque eu tenho essa
- 1:56impressão, inclusive quando eu vou a São Paulo, que a
- 1:59galera é muito cabaço, me dá um pouquinho de nervoso.
- 2:03Que não te corram 30 % do
- 2:05restaurante, é por isso. Não,
- 2:08eu só não me diga ser tanto, só acho que a
- 2:10galera é muito, como é que eu posso dizer, as pessoas
- 2:12fazem o que é certo muitas vezes, não porque elas
- 2:15acham que é certo, e sim porque elas não conseguem
- 2:17fazer o que é errado. Entendeu,
- 2:19eu sinto isso um pouco, e aí eu acho que você tem
- 2:22que entender a parada, para depois você escolher, não
- 2:26vou desrespeitar, não vou burlar as regras e tal, ou
- 2:29burlar as regras também, porque eu vou falar hoje
- 2:31de alguns momentos. Primeiro que assim, eu quis fazer
- 2:34um bagulho mais histórico no sentido de pegar
- 2:36momentos históricos diferentes da história do
- 2:38Brasil. Vai ter bagulho do início da
- 2:40colonização e vai ter bagulho dos últimos 5 anos,
- 2:42mais ou menos. Sabe, eu tento tá, peguei, fazer
- 2:45esse range histórico aí. Ah,
- 2:47tá bom, é bem espaçado. Bem
- 2:49espaçado, também falei de trambicagens de áreas bem
- 2:52diferentes, tá bom, vou falar aqui durante o
- 2:54episódio, e mais importante, eu vou falar de trambicagem
- 2:57do mal e trambicagem do bem, tá? Ah,
- 3:00trambicagem do bem, mas não é trambicagem, justiça, né?
- 3:03Perfeito, pode chamar assim se você
- 3:05quiser. Justiça, tá. Mas
- 3:06é, assim, é trambicagem, mas a trambicagem não pode
- 3:09ser demonizada, isso eu quero dizer, porque às
- 3:11vezes a regra, o correto, é injusto também, tá
- 3:17ligado? Não é porque tá na lei, tá
- 3:19ligado? Que necessariamente vai ser
- 3:22correto, a escravidão já esteve dando a lei. Então
- 3:24tem coisa errada aí, que com o tempo, o tempo sim,
- 3:28Galecha Brunhetti. Isso é foda de usar, né? O
- 3:30Senhor da razão, ele que vai definir se foi por uma
- 3:34trambicagem do bem ou do mal. Fez
- 3:35sentido que eu falei? Foi lá, tu roubou um carro,
- 3:39foi preso, daí tu fala, pô, escravidão também já
- 3:42foi... O tempo de ir lá, se foi
- 3:44aí. Tipo, é foda, e daí tu joga
- 3:47escravidão, que o cara nunca tem como defender,
- 3:49né? Tipo, a escravidão também tá na
- 3:51lei. Então tu acha certo? Não,
- 3:54perfeito. Show? Show, vai, que aconteceu?
- 3:57Bele, Xandre, eu acho que assim,
- 3:59eu vou falar de trambicagem do bem e do mal, como eu
- 4:00falei com você. E tem uma trambicagem que é
- 4:02muito curiosa, que é a trambicagem, podemos dizer,
- 4:05já no contato dos portugueses e dos indígenas.
- 4:09Algumas trambicagens aconteceram
- 4:11nesse período. Primeiro, eu acho que a gente pode
- 4:13já explicar desde o começo, que quando os portugueses
- 4:16chegaram aqui na nossa terra, em Pindorama, como
- 4:19alguns povos chamavam, no Brasil na época, quando
- 4:22chegaram aqui em Pindorama. Porra,
- 4:24nome bonzão, velho. Se eu não me engano, o povo
- 4:27os povos da árvore Tupigorani, chamavam de
- 4:31Pindorama. Eu não sei se é só Tupi ou
- 4:33só Guaran... Eu voltaria, cara, Pindorama.
- 4:36Acho que é bom o nome mesmo. E
- 4:39aí, quando eles chegaram aqui em Pindorama, os
- 4:42portugueses chegaram todos, em milinguíduos, em tudo
- 4:44ferrado, tá ligado? Todos, tipo assim, com muito
- 4:47problema, por meses de viagem. E
- 4:49a primeira coisa que os portugueses receberam dos
- 4:51indígenas foi afeto, foi um bom host. Eles
- 4:56chegaram e foram tratados bem. Todos
- 4:58os registros que nós temos são registros de... Os
- 5:01portugueses foram bem recebidos pelos povos da
- 5:03costa brasileira. Mas como? Então
- 5:06eles deviam receber mais gente, né, cara, pela
- 5:08costa? Porque eles têm o costume de...
- 5:10Pela costa, não? Porque
- 5:11como é que eles é assim, receber com uma pessoa tão
- 5:14diferente, com tanto... Eles só eram as pessoas boas?
- 5:17Cara, não, a pessoa boa é forte,
- 5:18mas o povo da costa era um povo que, cara, eu
- 5:23posso estar falando besteira agora, está? A
- 5:24historiografia indígena é uma área que eu não
- 5:25domino. Mas pelo pouco que eu sei, os
- 5:28povos indígenas, Tupi e Guaraní, eles estavam com
- 5:30muito tempo de paz, assim. Tá
- 5:32ligado? E quando os portugueses
- 5:34chegaram, eles não estavam numa época de guerra,
- 5:36então, pelo menos não muito, né? Então
- 5:37eles foram... Até uma historiografia mais
- 5:39ultrapassada, fala que eles eram os indígenas menos
- 5:44agressivos. Sabe? O que até foi muito
- 5:47conveniente para os portugueses, tá ligado?
- 5:49Então quando chegou, eles foram
- 5:52bem tratados, chegaram junto, deram moral e não
- 5:54demoram muito tempo para começar a escravidar a
- 5:56indígena, tá ligado? Então é foda, os portugueses não
- 5:59demoraram muito tempo, para foi ainda no século 16, no
- 6:02mil e quinhentos e pouco, que já temos registros de
- 6:04indígenas sendo transformados em propriedade. E...
- 6:07Cara, obrigado por esse prato de comida, vem aqui,
- 6:11eu quero lá. Falando nisso? Falando
- 6:13nisso, tem escravizado, falando isso. Exatamente,
- 6:17exatamente. Bom, a outra coisa também que...
- 6:19Mas aí é mais discutível, que
- 6:20o pau Brasil valia muito mais do que os produtos
- 6:23manufaturados, né? Então os portugueses ofereciam
- 6:27alguns produtos manufaturados de Portugal para os
- 6:29indígenas e os indígenas não sabendo o valor
- 6:31daquelas coisas, né? Tipo, pelo menos, né? Enfim,
- 6:34eles não sabiam o valor do pau Brasil para eles, eles
- 6:38iam lá, pegavam o pau Brasil e trocavam para os
- 6:40produtos manufaturados. Então,
- 6:41também rolou um esquema de grana, né? Tá
- 6:44isso como os produtos, que tipo de produtos? Cara,
- 6:47produtos manufaturados, um espelho, um pentezinho,
- 6:50esses bagulhos assim, que os portugueses tinham e
- 6:53valia pouca grana e os indígenas não conheciam, tá
- 6:56ligado? Então, óbvio que esse é mais
- 6:59discutível. Tá chamado de uma troca tão
- 7:00ruim assim, tu não vai fazer nada com esse pau
- 7:02Brasil lá, tem um monte. Não,
- 7:03então exatamente, essa é mais discutível, exatamente
- 7:05por esse motivo. Porque eles não tinham, né?
- 7:07Escasseis. Espelho irado, de chão, bem
- 7:10ali, chão. A cara, esse que vai do chão
- 7:11até o... É cara, com a mudura, daí
- 7:14dá. Aí vai mais mil reais. Não
- 7:16era esse, cara, não era esse, não era esse. Tu
- 7:18comprou um grandão, né, na tua casa agora, né? Irado
- 7:20ou não? Irado demais, irado demais.
- 7:23Isso... Foi caro pra caralho, né?
- 7:25Não, não foi, não foi tão caro,
- 7:26nunca. Foi mais barato... Você
- 7:29está com vergonha de falar? Foi,
- 7:30não foi. Foi mais barato que vir esse
- 7:31povo de dente. Casi, você vai abrir esse
- 7:34presidente, vou falar. Não, não vou falar disso, mas
- 7:36estou dizendo que foi caro, mas não foi mais barato
- 7:38que vir sobre dente. Pra você extrema noção, o Nico
- 7:41nunca falou isso pra mim, mas ele falou assim, cara,
- 7:42não vamos falar do preço do meu escovo de dente no
- 7:44podcast, não? Eu fiz de tanta vergonha. Acho
- 7:47que foi a primeira vez que eu falei, não, vamos tocar
- 7:49nesse assunto, assim. É, foi a primeira vez, foi a
- 7:51primeira vez. Então, tá bom, né, em respeito
- 7:54aí, meu co -host. Não vou falar, não. Mas,
- 7:58Alexandre, teve um caso específico de um golpe, que
- 8:01você viu que, né, os portugueses dão um golpe
- 8:03indígena, mas teve um caso específico de alemão dando
- 8:06um golpe indígena. E esse me magoa. É
- 8:09importante lembrar que o caso que eu vou contar
- 8:11aqui agora, é, tá num livro, um livro bem
- 8:13conhecido, chamado Duas Viagens ao Brasil. É
- 8:16um livro do século 16, tá bem antigo. E
- 8:18esse livro foi escrito pelo próprio cara que deu golpe.
- 8:21Então, podemos duvidar também se
- 8:23ele era tão fodao assim, né? Ele
- 8:25que tá contando a história. Então,
- 8:27a gente pode duvidar, sim. Eu
- 8:28tô falando da história do Hans Staden. É
- 8:30o do Hades Canibal? É, do Scani -Bal. Exatamente.
- 8:34O que aconteceu? O Hans Staden, ele viajou pro
- 8:36Brasil. E nessa época, os europeus,
- 8:39ele tinha uma visão muito romantizada. Da
- 8:41América. Eles costumavam falar que tipo
- 8:44assim, um dia eu vou pra América, vou fazer a minha
- 8:46vida, a expressão é mais ou menos essa, fazer a
- 8:49minha vida e aí voltar pra Carrico. Voltar
- 8:51pra Europa, né? Era essa a visão deles, né? E
- 8:54aí, isso fez com que a galera fizesse o seguinte,
- 8:56cara. Quando vier pro Brasil, na verdade
- 8:59o navio dele vai afundar. Não
- 9:01foi meio que intencional não. O
- 9:03navio vai afundar perto da ilha de Santa Catarina, uma
- 9:06ilhazinha ali. E um certo dia ele vai ser
- 9:09capturado, né? Indígenas que sim, são canibais. Eu
- 9:14tô falando estupinambás. Cães
- 9:16estupinambás. É, estupinambás é um termo que
- 9:18a gente, enfim, queixona bastante porque era como os
- 9:22indígenas estupiguaní se referiam aos inimigos.
- 9:26Então, estupinambás, sabe? Tipo,
- 9:28ah, do mal, enfim. E aí isso, e os estupinambás,
- 9:31né? Eu acho que vale a pena
- 9:32também lembrar, eles tinham uma crença que vai ser
- 9:35muito importante pra essa história de agora que tô
- 9:37contando, que é a crença que eu já expliquei em
- 9:39outro episódio na real, que é o seguinte. Se
- 9:41você tem o cara mais rápido ali do povoado, e
- 9:45aí você ganha dele e come a carne dele, você adquire
- 9:48aquela velocidade, aquelas características, tá ligado?
- 9:51Tipo, Mega Man, você mata o
- 9:52chefão e ganha o poder dele. Irado.
- 9:54Isso não tem comprovação, né? Científico.
- 9:57É, Dico. Obrigado, eu deixei o outro claro
- 9:59aí. Mas tem comprovação que não
- 10:01funciona? Tem. Eu gostaria de ter estudos
- 10:07pareados, eu gostaria de ir. Acho
- 10:09que não, não, estudo não tem, desculpa. Acho
- 10:11que ninguém perdeu tempo com a pergunta tão
- 10:12estúpida. Será que... Tá,
- 10:17vamos, vamos, tão, tão que a gente tá fazendo é um
- 10:19pulo de fé que eles chamam, né? De
- 10:21acrescentar aqui mesmo. É, ele é aí exatamente. Tudo
- 10:23bem. Beleza? Estamos na minha página. É
- 10:25que eu quero esculparecer porque tem gente que talvez
- 10:27alçaima. Show. Show. Obrigado,
- 10:30Nica. É, o que acontece, né cara?
- 10:32Ele foi capturado e aí, cara,
- 10:34ele foi capturado com mais gente, né? E
- 10:36aí, ele percebeu essa lógica entre os tupinambais
- 10:39de ganhar característica do cara, assim. E
- 10:43aí, ele não explica muito bem como, mas assim, ele
- 10:44falou, cara, eu percebi isso, que eles tinham, eles
- 10:48queriam pegar, eles disputavam pra comer a
- 10:50carne da pessoa que eles consideravam mais forte,
- 10:52enfim. E aí, ele, ele, eu acho que
- 10:55explica isso até, né? Que uma das formas que ele
- 10:58descobriu isso foi que ele chegou chorando muito. Ele
- 11:01foi, tipo, chorou muito, muito, muito. E
- 11:02ele foi colocado em último, assim, na fila. Tá
- 11:05ligado? E aí, ele, hum, ligado?
- 11:07Peraí, o que aconteceu? Primeiro
- 11:09que ele conseguiu enganar os cara, que ele era
- 11:11francês. E os franceses, eles eram
- 11:14aliados dos tupinambais, contra os portugueses. Tá
- 11:17ligado? Então isso já deu uma moralzinha
- 11:19pra ele, mas ainda foi, tipo, questionando. Quando
- 11:21ele começou a chorar, que nem maluco, os indígenas
- 11:23não estavam querendo comer a carne dele. E
- 11:25aí, ele falou, cara, eu vou ser o homem mais
- 11:28covarde do mundo. E aí, ele enganou os
- 11:30tupinambais por 9 meses, um período muito grande, assim.
- 11:34Ele, com certeza, seria comido
- 11:35antes. Todos os amigos dele foram comido
- 11:36antes. Mas como ele foi muito covarde,
- 11:39ele chorou muito, mas, ele conseguiu escapar depois
- 11:42desses 9 meses, passou um espirata francês, assim,
- 11:45passou ele perto, e ele conseguiu desenrolar com os
- 11:47cara, assim. Que lição, que lição. Então
- 11:49tomamos um golpe. Mas que lição ser covarde te
- 11:52salva. Alvo a vida. É
- 11:54verdade. Mas aí, os cara, mas será que
- 11:569 meses eles não notaram que o cara estava dando
- 11:59uma enrolada, assim? É, cara, e como eu falei, o
- 12:02livro, tem até aqui o livro aqui atrás, esse
- 12:04livro ele foi escrito pelo próprio irmão de Staten.
- 12:07Então, né, de repente, o bagulho
- 12:08foi humilhante, ele não vai contar o bagulho que ele
- 12:10julgue. Isso tu acha que é uma
- 12:12trambicagem, mentir para não ser comido? Sim.
- 12:14Ah. Tu não acha, tu não julga
- 12:16trambicagem, fazer o que é certo entre aspas, né? Mas
- 12:21fora da lei. Trambicagem é fora da lei, não é
- 12:23certo errado. Eu acho que trambicagem seria
- 12:25se ele tivesse trocado a liberdade dele por, sei lá,
- 12:29uns passaportes francês que não existissem. Eu
- 12:31acho que aí seria uma trambicagem, não? Acho
- 12:34que não, também seria. Mas eu acho que o cara ia
- 12:38enganar os outros para não ser comido. Tá.
- 12:40Tu não acha, tu não julga? Não,
- 12:42não, não julgo. Eu não acho, ah, tu só
- 12:44fazendo trambicagem para não ser comido? Eu
- 12:46não acho que eu não xingaria assim. Você
- 12:48fez uma trambicagem com os indígenas? Aqui
- 12:50eu me vejo como indígena, né? Nessa
- 12:52situação. Eu estou me xingando, cara,
- 12:55tipo, ah, agora eu vou te passar, filha da puta, que
- 12:58é assim que o indígena... Me
- 13:01der essa panturrilha aí, vou te passar, palmeco.
- 13:04Agora meu nome é sempre pequeno,
- 13:05o indígena, eu falo, né? É,
- 13:07eu não... Porque eu não ia falar, porque tu
- 13:08fez trambicagem comigo se fazendo de cagalhão. Eu
- 13:11ia falar porque você tentou me enganar, mas que tu
- 13:14tava... Não sei, trambicagem...
- 13:16Trambicagem, é que trambicagem me
- 13:17parece... Trocas, tipo, financeiras, golpes.
- 13:22Me parece, me lembra isso. Mas
- 13:24posso estar errado. Perfeito,
- 13:27Lechanda. Talvez é uma discussão semântica
- 13:29da palavra trambique, mas... E
- 13:32aí eu dou outro, atribuo um outro significado pra
- 13:34ela e você outro, né? Mas eu vou entender, né? Mas
- 13:36o... A gente não tem como saber o
- 13:39que é real nessa história, né? Como
- 13:41eu falei, a única fonte é o próprio cara. Aí,
- 13:44no mínimo, a gente fica... É
- 13:45tipo, eu vou quando te conto as coisas, assim...
- 13:48Exatamente. Você não dá pra considerar
- 13:51muito. Quando você conta, tipo assim,
- 13:53tava dirigindo uma madrugada e aí viu uma seita. Isso
- 13:57é verdade? Ah, não é verdade. É
- 13:59no Rio Grande do Sul, é no Rio Grande do Sul. É,
- 14:01isso, no Rio Grande do Sul. Cachoeirinha,
- 14:03uma seita... umas 30 pessoas de capuz
- 14:05fogueira, eu não lembro a história exatamente se não
- 14:08fosse verdade. Fogueira tava... Eu
- 14:10não tava sozinho, eu não tava sozinho, inclusive.
- 14:12Ahn... Tem provas. Cara,
- 14:14tem uma seita lá, não sei o que que é. Perfeito.
- 14:18Bem, Alexandre, é... Eu quero contar uma outra
- 14:20história aqui, uma outra tramacagem, e essa aqui,
- 14:23acho que todo mundo concorda que... Tramacagem
- 14:25do bem. Esqueminha do bem. Enganou,
- 14:28mas fez certo, sabe? Que é o caso do Chico Rei.
- 14:33Inclusive, é que a loja de roupa é
- 14:34uma ilumidade dele. Ah, não sabia. É,
- 14:36o Chico Rei, ele era uma pessoa escravizada, onde
- 14:39fica hoje Uro Preto. E aí, o que acontece? É
- 14:43óbvio que é questionável essas informações, mas
- 14:45provavelmente o Chico Rei tinha até esse nome, porque
- 14:48ele era um antigo rei de uma sociedade lá no Congo.
- 14:51Tá ligado? E
- 14:52foi escravizado, né? No Congo teve uma
- 14:54descravização. O que ele fez, cara? Esse
- 14:57período é o período do ciclo do ouro no Brasil. O
- 14:59Brasil vai ter o século XVII, o século XVIII
- 15:02inteiro, na verdade, vai ser um período de 100
- 15:05anos, onde todo o ouro do Brasil, que fica
- 15:08especialmente focado em Minas Gerais ali, todo esse
- 15:11ouro vai ser levado para Portugal, para a Europa. E
- 15:13nesses 100 anos, assim, o Brasil inteiro vai trabalhar
- 15:16em volta do ouro. Sabe? Toda a economia do país é
- 15:19aquele ouro, ouro, ouro, ouro. E
- 15:21aí, para as pessoas escravizadas, que antes
- 15:23trabalhavam em fazendas, elas em sua boa parte
- 15:26delas vão ser levadas para Minas Gerais, para as
- 15:29regiões ali em volta, que tem muito ouro. E
- 15:31é o caso do Chico Rei. Ele
- 15:32vai ser pegado ali e galera vai colocar ele
- 15:35dentro de algumas minas, lá em ouro preto. E
- 15:37aí, Alexandre, não é só o caso dele, mas era muito
- 15:40comum que a galera emburacasse... Essa
- 15:44expressão é muito carioca, né? A
- 15:46galera emburacasse algumas pedrinhas de ouro. Emburacar
- 15:50é tipo botando bolso, né? Arranjar
- 15:52um esquema de esconder. Ele especificamente tinha a
- 15:55prática de colocar no cabelo. Ele
- 15:57tinha um cabelo grande, e ele colocava dentro do
- 15:59cabelo, e ele ia saindo sempre com uma pepitinha
- 16:01mais. Por anos, anos, anos, um dia,
- 16:04ele chegou lá para o senhor dele, explicou para
- 16:08o senhor, tipo assim, eu tenho feitos trabalhos e
- 16:10tal, assim, por fora, porque o Brasil teve uma
- 16:13escravidão muito complexa, né? Tinha,
- 16:16em alguns momentos, umas pessoas escravizadas que
- 16:18trabalhavam depois de expediente, conseguiam juntar
- 16:20uma grana, dependendo do momento, enfim. E
- 16:22aí, ele falou que foi mais ou menos isso que ele fez,
- 16:24e ele conseguiu dinheiro para comprar a alforria
- 16:27dele, a carta de alforria, que é liberdade. E
- 16:29aí, ele foi lá e comprou, e aí ele, caraca, todo
- 16:31mundo ficou muito feliz, tal. Aí
- 16:33ele, então, mas eu tenho mais dinheiro, eu queria
- 16:35comprar a liberdade dos outros, e tal. Então
- 16:37aqui, as outras pessoas estão sendo escravizadas. E
- 16:40aí, o senhor, caralho, esse dinheiro todo tem. E
- 16:42aí, beleza, comprou liberdade para todo mundo,
- 16:44todo mundo feliz. E aí, nossa, que incrível! E
- 16:47aí ele, mas eu tenho mais dinheiro ainda. Eu
- 16:50queria comprar a mina. E aí, ele comprou, cara. Ele
- 16:54foi dona da mina e ganhou uma grana do suberto.
- 16:57Porra, o cara, esse aí, o que
- 16:59ele pegou de oro no cabelo, né? O
- 17:01que ele levou, cara, para comprar uma mina, véi. É,
- 17:04o cara ganhou um mundo dinheiro. O
- 17:06Brasil, no começo do ciclo do ouro, tinha... É
- 17:09muito fácil você encontrar ouro, tá ligado? Em
- 17:11minas, né, e tudo mais. Aí,
- 17:14para o final, vai ficando cada vez mais escasso.
- 17:15Porque o ouro, o ciclo do ouro
- 17:17acabou no Brasil porque o ouro acabou. O
- 17:19ouro é finito, né? Então chegou até o fim. E
- 17:22aí, o ouro vai, como eu posso dizer, ficando mais
- 17:25difícil você pegar. E também, né, cara, eu acho
- 17:27que até fazendo uma pequena menção honrosa, a história
- 17:31do Santo do Paoco, né? Que muitas pessoas, inclusive
- 17:34pessoas escravizadas, elas tinham um santo, né? Porque
- 17:38nessa época, onde o catolicismo, ele estava
- 17:42tentando ainda entrar como religião da maioria das
- 17:46pessoas escravizadas, né? Porque
- 17:48como via muita pessoa da África, os africanos
- 17:50chegavam aqui no Brasil escravizados, com a religião
- 17:53deles, né? Então, assim, existia esse conflito
- 17:55de, porra, você querer catequisar os caras.
- 17:59Obviamente, né, com muita violência, eu
- 18:01não vou nem explicar essa parte, mas tá óbvio, né? E
- 18:03aí, o Santo do Paoco era uma tática, que muitas
- 18:07pessoas, incluindo pessoas escravizadas, faziam que era
- 18:10pegar um santo e andar na rua com esse santo aqui
- 18:13assim. E aí, a galera falava, olha
- 18:15aí, o cara virou católico mesmo, né? O
- 18:18cara abandonou a Fedê lá da África e virou católico.
- 18:21Só que dentro do Santo, fi, e
- 18:23buracar do ouro pra caralho, filho. E
- 18:25ele conseguia, por isso que é Santo do Paoco, que é a
- 18:28expressão que é famosa, né? Sim,
- 18:29é sim, é sim. E é porque dentro do Santo,
- 18:32que é um santinho de madeira, uma imagem de
- 18:34santo, de madeira, dentro da imagem do Santo tava
- 18:36oco, cheio de ouro. Foda. E esse Chico Rei depois,
- 18:40ele, tipo, sabe como é que foi a história dele, ele
- 18:43conseguiu... Cara, eu não sei exatamente como
- 18:45é que foi a história dele, mas eu sei que é um lance
- 18:48que mistura até um pouco de mitologia, assim. Se
- 18:50foi exatamente isso ou não. Isso
- 18:51era um episódio legal de fazer, né, cara? É,
- 18:53vale a pena, vale a pena eu dar uma pesquisa de
- 18:55porquê que, as vertentes que estudam o Chico Rei,
- 18:58assim, que ele é o trabalho de muita gente.
- 19:00Mas enfim, a gente teve também,
- 19:02né, e já entrando no começo do período
- 19:04republicano da história do Brasil, um clássico, né? Um
- 19:08clássico, um esqueminha clássico que com o tempo,
- 19:11muita gente vai fazer e muita gente vai ganhar
- 19:12dinheiro. O Brasil, quando ele se torna
- 19:15uma república, que ano, você lembra? Não.
- 19:18Nem a risca, né? Não, mas é 1883. Ah,
- 19:221889, cara. Mas eu tô bem perto. Eu
- 19:24tô bem perto. É, tá bom. Em
- 19:271889, o Deodoro da Fonseca, ele que é um militar, ele
- 19:30vai dar um golpe e tirar o Dom Pedro II do poder.
- 19:33E aí, o Brasil começa o
- 19:34período republicano. Nesse momento, o Brasil, ele tem
- 19:38como uma hora de modernizar. O
- 19:40Brasil tem que ir pra frente, o Brasil tá muito
- 19:41ultrapassado. O Brasil foi o último país
- 19:43aqui da América Latina a ter ainda rei, tal, né?
- 19:46Então, tipo assim, não, a gente
- 19:48tem que pegar o modelo europeu, tem que imitar
- 19:51esses caras, sabe? A gente tá pra trás. E
- 19:53aí, o Rui Barbosa era ministro da Fazenda da
- 19:56época, que vale a Ministro da Economia, né, hoje em
- 19:58dia, que inclusive é parente da Mariana Barbosa.
- 20:02Que é louco, né? É
- 20:03louco, é. Ela pegou o nome do cara,
- 20:06assim. Ele chegou e ele falou, cara,
- 20:07sabe o que tá acontecendo lá na Europa? É,
- 20:10é, é, instímulo as empresas através de empréstimos
- 20:14bancários. O cara vem com uma ideia boa
- 20:17e o Estado brasileiro ajuda esse empresário e vai lá e
- 20:21dá dinheiro pra ele e ele constrói o negócio dele e
- 20:24paga conjuros pra gente. Então,
- 20:26não só a indústria avança, como a gente até recebe,
- 20:29engrana mesmo diretamente e volta esse dinheiro. Legal,
- 20:32né? Pô. BNDS, basicamente o BNDS.
- 20:34É, tudo bem. Aí
- 20:35tem o Véi Davan que pega o comprovião pra ele. Mas
- 20:38tudo bem. Exatamente, aí depois a gente fala o
- 20:40Véi Davan, pague até a entrada aqui. Mas
- 20:42o, o, a lógica é essa. A lógica do BNDS, né?
- 20:47Acontece que o Brasil nunca tinha
- 20:48feito isso. E aí, Alexandre? Os
- 20:50golpistas, eles não estavam no radar. Então,
- 20:54o que teve de empresa falsa, escrita num
- 20:57papelzinho, o que fez a galera criada, não, eu vou
- 21:01abrir uma loja de picolé. Foda
- 21:03-se, vai, pô, picolé pra Brasil, o nome da nossa
- 21:05campanha. E aí, o que teve esse tipo
- 21:07de loja, nossa, foi muito. E
- 21:09o Brasil, não por não ter esse normal, né, por ter
- 21:12essa experiência, acabou tomando absurdamente uma
- 21:16série de golpes que vai ser um dos principais
- 21:18causadores de uma crise econômica que é conhecida
- 21:20como crise do ensinamento. Crise
- 21:22do ensinamento, porque você ensilhar um cavalo, você
- 21:25preparar o cavalo, né? Colocar
- 21:26a sela, preparar o cavalo é você ensilhar, né? E
- 21:29aí o Brasil, o, o, aqui as charges de jornal
- 21:32diziam, né, o jornal diziam na época, era que o Brasil
- 21:34ensilhou o cavalo de geral e isso, ó, parou por aí.
- 21:38O Brasil só deu dinheiro,
- 21:39preparou, né, a grana pra, pra as empresas e virou a
- 21:42Escote, foi embora. Então o Brasil entra numa crise,
- 21:45chamada crise do ensinamento, por conta de
- 21:47golpistas. Oh, cara, e, e também não
- 21:50tinha, certamente não era interligada a questão da,
- 21:53da informação, né? Tipo, deveria, deveria ser muito
- 21:56fácil pegar um empréstimo em um lugar, em outro e...
- 21:59É isso. Cara.
- 22:01É, por hoje em dia você tem internet, né, que, que,
- 22:03junta tudo e tal. Mas até, não faz muito tempo
- 22:06que as paradas de, sei lá, de ficha criminal não eram
- 22:09interligadas, né? Não faz muito tempo assim.
- 22:11Então imagina, imagina isso, essas
- 22:14questões assim, que tinha de cara que abriria três
- 22:16empresas em cada estado assim de... Não,
- 22:18é absurdo. Ah, não peguei essa época. Essa
- 22:21aí. É, época boa. Essa
- 22:23aqui era boa, essa é a época boa. Tê
- 22:24de empresa. Ah. Alexandre, também tiveram
- 22:29momentos na nossa história onde alguns grupos de
- 22:33resistência foram enganados, como por exemplo o próprio
- 22:35quilombo dos Palmares. O quilombo dos Palmares, ele
- 22:38vai cair, né, vai, enfim, vai... O
- 22:40quilombo que vai existir durante 100 anos, dezenas
- 22:43de milhares de pessoas vão existir ali, e era um
- 22:45lugar meio que, tipo assim, que, óbvio, né, não seguia
- 22:47as regras do Império Brasileiro. Porque
- 22:49era feito principalmente de pessoas que fugiam de
- 22:52fazendas, né, iam lá e montavam a sua resistência
- 22:55e entraram pro quilombo. E aí, o quilombo dos
- 22:57Palmares, durante muito tempo, esse quilombo, ele
- 22:59vai... Que, na verdade, uma junção de
- 23:00vários quilombos diferentes, o quilombo dos Palmares,
- 23:03ele vai ser visto como o maior inimigo, assim, do
- 23:06Império Brasileiro. E aí, o que aconteceu? Teve
- 23:09um líder do quilombo dos Palmares, antes do Zumbi
- 23:12dos Palmares, que nós temos registro. Que
- 23:14é o Ganga Zumba. Inclusive, eu só uma curiosidade sobre
- 23:17o Ganga Zumba. Muitos acham que o nome Zumbi é
- 23:20um erro de tradução, enfim. Que
- 23:22provavelmente era Zumba, o nome dele, porque Zumba é
- 23:25o título de líder. E tem a droga dança, será?
- 23:29Não sei. Minha
- 23:30ideia. Tá alguma ligação com a Smart
- 23:31Fit, talvez? Eu também acho que não. A
- 23:34Smart Fit tem quase batendo a martela aqui do C.
- 23:39Então, assim, enfim, só uma
- 23:40curiosidade. Mas o ponto é, os portugueses
- 23:42conseguiram capturar alguns familiares do Ganga Zumba.
- 23:46Tá ligado? E...
- 23:48Lembrando que os registros que nós temos sobre esses
- 23:51eventos, eles são registros muito escassos, porque
- 23:54principalmente, cara, são registros de holandeses, né?
- 23:57Já falei isso pra você, né? O
- 23:58Brasil, ele foi invadido por holandeses, né?
- 24:01Principalmente no Nordeste Brasileiro. E
- 24:03ali, os portugueses, eles não só destruíram o
- 24:07quilômetro dos Palmares fisicamente, como destruíram
- 24:09todas as documentações sobre ele. Porque
- 24:10eles tinham medo de inspirar, né? O
- 24:13que aconteceu no Haiti, isso gerou medo, a
- 24:16Revolução Haitiana, né? Gerou
- 24:17medo de um negócio chamado Haitianismo. E
- 24:20aí, então, era parecido que o quilômetro dos Palmares...
- 24:24Tipo os escravos se organizar e
- 24:26tomar conta, se matar geral e ficar livre. Tomar
- 24:30poder, né? Exatamente. E aí, então, a gente sabe
- 24:33muito pouco. O que a gente sabe é através
- 24:34dos registros dos holandeses sobre o quilômetro dos
- 24:37Palmares. Tá ligado? Talvez,
- 24:39se não fosse o holandês, a gente não saberia nada
- 24:42sobre o quilômetro dos Palmares. Vai,
- 24:44beleza. E aí, o que aconteceu?
- 24:45Sequestraram os familiares do Ganga
- 24:46Zumba, desse líder, né? Que é, provavelmente, tio dos
- 24:50zumbis dos Palmares. E aí, o acordo era o
- 24:52seguinte. Ó, vamos fazer o seguinte.
- 24:54Primeiro, se você quiser, os seus
- 24:57familiares de volta, se você quiser que a gente
- 24:59pare de atacar o quilômetro dos Palmares, primeiro
- 25:01ponto, você vai ter que parar de aceitar, vai ter
- 25:05que parar de atacar também, né? Porque
- 25:06era uma guerra, e você vai ter que parar de aceitar
- 25:10novas pessoas escravizadas, porque era muito comum que
- 25:13alguma pessoa escravizada ali de alguma fazenda
- 25:15próxima fugisse para o quilômetro dos Palmares, e
- 25:18você vai ter que entregar os últimos fugitivos aí que
- 25:21chegaram. Tá ligado? O
- 25:24Ganga Zumba, ele teria aceitado isso, por causa
- 25:28dos familiares, mas algumas fontes dizem que os caras
- 25:31foram lá e mataram os familiares deles, assim.
- 25:33Tanto que os zumbis dos Palmares
- 25:34coputam com esse... com esse... com
- 25:36ele ter aceitado, brigou com ele. É
- 25:38possível que nesse momento, nessa briga, o zumbi tenha
- 25:40matado o Ganga Zumba, e a partir dali, o zumbi
- 25:43assumiu liderança. E é justamente por ele ser
- 25:45esse cara que não aceita, não aceitou esse acordo,
- 25:49né, de entregar as pessoas escravizadas, de... de...
- 25:53de parar de aceitar as pessoas novas, que ele é
- 25:55considerado o primeiro líder do movimento negro do
- 25:58Brasil, sabe, porque um cara que não é de papinho,
- 26:00tu vai liberar todo mundo ou a gente vai continuar
- 26:03na guerra. Então, enganaram Ganga Zumba e o
- 26:05quilômetro dos Palmares também. Mais
- 26:06um trambi que aí... Ah, esse aí é foda, né, tipo,
- 26:09o sequestro que os caras não... não
- 26:11devolve a pessoa... Aí vai lá e mata, de qualquer
- 26:14jeito. Tem que ser muito filha da
- 26:15puta. Ah, fi. Porque
- 26:18tem nesse episódio essa caralho. Bem,
- 26:20um outro caso, Alexandre Nique, meu querido
- 26:22companheiro aqui de podcast, é o caso da lei pra
- 26:26inglês ver. Você já ouviu falar sobre isso,
- 26:27né? Lei pra inglês ver? Não,
- 26:30nunca vi. Nunca vi essa expressão? Não.
- 26:33Ah, porra, eu tô, pode ser uma coisa aqui do Rio
- 26:34também, né. Mas eu acho que, enfim, quando
- 26:37alguém fala, esse aí é pra inglês ver, é tipo, que é
- 26:40sua fachada, tipo, não é de verdade, é só algo
- 26:42falso. E aí que acontece, da onde
- 26:44que vê essa expressão pra inglês ver? Ela
- 26:47vem da... da... Ela fazia que enganava o
- 26:55Reino Unido. Tipo assim, cara, desde mil...
- 26:57No começo do século 19, 1810,
- 26:59ali mais ou menos, o Brasil já prometia pro
- 27:02Reino Unido que ia acabar com a escravidão. 1810. Ela
- 27:06acabou em 1888. Ah, não falou que era de uma
- 27:09hora pra outra, tá vendo? É,
- 27:11é. Não, mas realmente em 1810 ele
- 27:13falava, nós vamos acabar, mas vamos vendo. Vamos
- 27:16lá, vamos vendo aí direitinho. E
- 27:18aí que acontece, porque o Reino Unido tinha acabado
- 27:20em 1807, com a escravidão, e aí desde então eles
- 27:23falaram, não, vamos acabar geral aí. Por
- 27:25que que é... tá, mas por que que o Reino
- 27:26Unido... Acabou. Não, não. Não
- 27:29porque isso acabou, mas por que que era importante pra
- 27:31eles não ter escravidão no Brasil? Não
- 27:33era uma questão moral, né? Então,
- 27:36é... não dá pra... calcular,
- 27:38né, se era uma questão moral ou não, porque não
- 27:39tem como, né, a gente... saber
- 27:41as intenções, porque o discurso era moral. Sim.
- 27:44Mas na prática, a gente não sabe. O
- 27:45que provavelmente, que tudo indica, era que quanto mais
- 27:49pessoas escravizadas estivessem livres, elas
- 27:52receberiam mais salário e poderiam comprar produtos
- 27:54manufaturados que, na sua grande maioria, vinha na
- 27:56Inglaterra. Então era transformar o mercado...
- 27:59Que aquecer, porque aquecer a
- 28:01economia, né? E, tipo assim, do nada,
- 28:03imagina um país que tem milhões de pessoas
- 28:05escravizadas, do nada, milhões de consumidores. E
- 28:08nessa época, a Inglaterra, pô, vendia produtos tudo no
- 28:11Brasil e na Inglaterra, sabe? Eu
- 28:13até poderia explicar que tem a ver com a fuga da
- 28:15família real, mas enfim, isso é um outro papo, não
- 28:17fugir tanto do tema. Vai pra Inglaterra, bom, que a
- 28:20escravidão acabasse. Financiamente.
- 28:22Sim. E aí o Brasil mandou um...
- 28:24Tô indo. É,
- 28:26vai na frente. Eu famoso, vai na frente. O
- 28:28Brasil, ele veio com esse papo, né? Tipo
- 28:30assim, não, a gente vai acabar, com certeza. E
- 28:32aí o Brasil passou por uma série de leis prometendo.
- 28:35Não, não, eu vou... Eu
- 28:36vou acabar com a escravidão brincadeira. Já
- 28:39tô acabando, se já não... É
- 28:40questão de... Vai em banheiro ali, volta e
- 28:43vai ter que acabar. É, foda -se, o cara realmente
- 28:45tem que ver esses papos. E aí, durante muito tempo, é,
- 28:48é, é... O Brasil passou por isso, né?
- 28:51Prometendo e tal, tem até uma lei,
- 28:52uma coisa curiosa, que é a lei Feijó. É
- 28:55uma lei que prometia... Não,
- 28:57o Brasil vai acabar com a escravidão. Tipo,
- 28:59e era mais uma lei, em 1831. Só
- 29:01que por ser mais uma, ela vai ganhar esse nome de...
- 29:03Ah, lei pra inglês ver, né?
- 29:06Porque todo mundo... O
- 29:07povo sabia, o povo brasileiro sabia que era...
- 29:09Enfim, um golpe, né? E
- 29:11aí, o que acontece? O Brasil, ele... Depois
- 29:14de lei pra inglês ver, os ingleses cobravam, mas
- 29:16também não cobravam, como se fosse, né? Não
- 29:18é tão importante assim, entendo? É,
- 29:20não é, mano? Exatamente, não era uma... Obrigação,
- 29:23obrigação. Mas em 1844, o Brasil vai
- 29:26criar um negócio chamado Tarifa ao Visbranco. Isso
- 29:28aqui, inclusive, é uma tela de vestibulanha, rapazes. A
- 29:30Tarifa ao Visbranco, ela foi uma lei que... Uma
- 29:33tarifa, né? Que aumentava os impostos dos
- 29:36produtos que vinham de fora. E
- 29:38priorizava os produtos internos, os produtos de
- 29:40Portugal, enfim. É... Isso fez com que, olha que
- 29:43curioso, né? A Tarifa ao Visbranco fez com
- 29:46que os ingleses falassem, Ah, não, você quer me
- 29:48fuder? Então eu vou cobrar aquela lei
- 29:50lá que você tá me prometendo a maior tempão.
- 29:52No ano seguinte, a Inglaterra
- 29:54vai ser um negócio chamado Bilaberdin, que é uma lei
- 29:57de 1845, que permitia a prisão de navios brasileiros
- 30:01e negreiros. Tipo assim, eu não cobrava, mas
- 30:04agora tu meteu um imposto em mim? Ah,
- 30:06então eu vou cobrar aquela lei que tu fez lá, filha
- 30:07da puta. E aí, eles criaram o
- 30:09Bilaberdin. Depois do Bilaberdin, aí, de fato,
- 30:12o Brasil começa a caminhar, né? No
- 30:14fim, tem que pesar o bolso. O
- 30:15Brasil em 1850 cria a lei Eusebio de Queiroz, que
- 30:19acaba com o tráfico negreiro. Então,
- 30:21tipo assim, a escravidão ainda existia, mas só de
- 30:23pessoas do Brasil. É o que tem aqui, é o que
- 30:25tem aqui, não é? É o que tem aí do trabalho
- 30:27com o que tem aí, exatamente. E
- 30:29aí, em 1871, veio a lei do Ventre Livre, que era
- 30:32todas as pessoas, a partir da data daquela lei, que
- 30:34nascessem, né, filhos de pessoas escravizadas, seriam
- 30:37livres. E a lei do Sexo de Janeiro,
- 30:40em 1885... Essa é cruel, essa é cruel. ...
- 30:44pessoas escravizadas com mais de 65
- 30:46anos, era livre. Pô, mas praticamente nenhum,
- 30:48praticamente é forte, mas a grande maioria não passava
- 30:51dessa idade. Mas não demorou muito, três
- 30:53anos depois dessa lei, vai ter a lei Áurea, que aí
- 30:56acaba com a escravidão mesmo bonitinho. Então,
- 30:58né, estamos falando do Estado brasileiro metendo o
- 31:01esqueminha. A trambicade... Então,
- 31:04esse aí é esqueminha mesmo, né? Esse
- 31:06aí é tio novo. Vai e vai indo ali. É
- 31:08verdade. Vai indo que eu já estou indo.
- 31:10Bem, Alexandre, nós temos também
- 31:11um outro esqueminha chamado Plano Coen. Você
- 31:14sabe alguma coisa do Plano Coen? Me
- 31:16dá o início que eu vou... Eu
- 31:17sigo do... Gêdole Vargas. Grande,
- 31:19Tulio. Mas vai continuar daqui, daí
- 31:21depois eu vou... Dá só mais um pouquinho.
- 31:24Explica como se eu tivesse cinco
- 31:25anos. Plano Coen foi um esquema que
- 31:29acontece. O Vargas entrou no Brasil,
- 31:32deu um golpe, né, em 1930, na Revolução de 1930. E
- 31:37a partir dali, ele tirou os presidentes do Poder,
- 31:39que tinham antes, né, enfim, o esquema e tal. E
- 31:41ele tomou e meteu, tipo, assim, um governo onde
- 31:43quatro anos depois, ele seria oficialmente o
- 31:47presidente. E aí, em 1938, teriam novas
- 31:50eleições e ele não poderia mais concorrer. Isso
- 31:52seria o correto, né, o dentro da lei. Só
- 31:56que em 1937, que é no mesmo período da ascensão
- 32:00do nazismo, do fascismo, e tal, e tal, inclusive
- 32:02Vargas mandava várias cartinhas por Hitler. Eles
- 32:05eram bem bródeas, assim, é bizarra essa parte, né?
- 32:07Mas, enfim, nesse período, em
- 32:101937, rolou um esquema que foi o seguinte,
- 32:13supostamente, chegou do nada em 1937, um ano antes da
- 32:17eleição, né? 37, o Vargas, ele leu um
- 32:20documento, falou, ó, os comunistas são incríveis.
- 32:23Ele, generalmente, queriam tomar
- 32:24o poder. A nossa inteligência militar,
- 32:27depois de muito esmero, muita luta, conseguiu
- 32:30encontrar um plano comunista chamado Plano Coen. Opa,
- 32:34como é que era o plano? Matar
- 32:35uma quantidade específica no mesmo dia de deputados que
- 32:39eram contra comunismo, tal, que não eram alinhados, e
- 32:42tomar uma série de capitais do Brasil ao mesmo tempo,
- 32:45no mesmo dia. Esse era o plano. E
- 32:47aí, ele fala, rapaziada, eu não queria fazer isso. Mas
- 32:51eu vou ter que iniciar um estado de sítio. O
- 32:53Brasil, vamos ter que parar as eleições, infelizmente, e
- 32:57vamos ter que meter um estado de sítio para a
- 32:58gente acabar com a coragem comunista do Brasil. Depois
- 33:02segue? Depois de eleições, depois a gente
- 33:05continua bonitinho. E aí, o Brasil entra numa
- 33:08ditadura, a ditadura conhecida como Estado Novo,
- 33:10e o Brasil fica de 37 a 45, e, enfim, depois desse
- 33:14período todo, em 1945, o Olímpio morou um filho, que
- 33:19era a chefe da ação integralista brasileira, ele,
- 33:23na verdade, a gente vai descobrir que ele inventou
- 33:25esse plano, não era um plano de verdade, o general
- 33:28Góes Monteiro, que depois foi assim, importante, até
- 33:31na ditadura, ele que veio à público, falou, então,
- 33:33rapaziada, sabe aquele negócio que a gente falou?
- 33:35Então, não é verdade não. Upsi.
- 33:41Não era verdade não, o plano Coen nunca existiu, e
- 33:43o Brasil viu uma ditadura por conta disso. Um
- 33:46golpe, um golpe inventado, e, novamente, a gente vai
- 33:48ver isso durante todo o estado do Brasil, que
- 33:50usaram os comunistas como o Bode Espeatório. É,
- 33:52o outro também foi isso, né? É,
- 33:55pra caralho. Eu só botei ela aqui porque a
- 33:57história é parecida, tá ligado? Então
- 33:59ia ser meio nada a ver assim. Mas
- 34:01em 64 foi isso? É, porque eu acho que essa é
- 34:03mais escancarada ainda, talvez, também porque tem
- 34:05um lance do plano Coen, talvez seja mais... O
- 34:07quê? Não, acho que é mais claro. Ah,
- 34:11tá, tá, tá. Não, mas foi bem parecido, mas
- 34:13foi bem parecido, sim. O medo, o João Goulart, que
- 34:16era o presidente da época em 64, ele não era
- 34:18comunista, tá ligado? Ele era centro esquerdo,
- 34:21esquerda, trabalhista, ele, enfim. Ele
- 34:23continuou o legado político do Vargas, e o próprio
- 34:26Vargas que casou comunista, tá ligado? Mas
- 34:28não era parado ele tinha umas fotos com, sei lá,
- 34:31com o Che Guevara, da Vídeo de Chaspé. Sim,
- 34:33eu... Eu... Eu estava falando é o
- 34:34Jânio Quadros, que é o presidente que tava... É
- 34:36porque quando o Jânio Quadros, quando decora o
- 34:38Che Guevara, porque o que que o argumento do Jânio
- 34:41Quadros era, eu vou jogar durante a Guerra Fria, eu
- 34:44vou jogar nos dois lados, pro Brasil sair ganhando
- 34:46com isso daí, que foi o que o Vargas fez na
- 34:49Segunda Guerra Mundial, nesse outro papo. E
- 34:50aí, só que depois que ele tirou essa foto, ele
- 34:52renunciou, né, provavelmente por pressão, né, e o Jango
- 34:56tava na China, que já era comunista. E
- 34:59aí o Jango voltou e aí, enfim, pra ele não ser
- 35:02presidente, é, e o pessoal, ele até se tornou
- 35:05presidente de uma época, não durou muito tempo, e
- 35:07aí rolou golpe assim, atribuindo, aí o povo foi
- 35:09pra rua, o Brasil não vai virar Cuba, tá ligado? Mas
- 35:12é, basicamente isso mesmo, assim, usaram o comunismo,
- 35:15como o Bode Espeatório também em 64. Um
- 35:18outro caso curioso que eu trouxe aqui, que é um caso
- 35:21de bem de filha da puta, tem a ver com a
- 35:24Farroupilha. Ei! É? Mudou
- 35:27na hora, tá o sorrindo, né? Não,
- 35:30não, não. Ah, eu sei, aos lanceiros.
- 35:33Exatamente, cara, isso é muito caro,
- 35:35isso é surreal. É, isso aí, esse aí é ruim,
- 35:38né, cara? Esse aí é ruim, né, cara? Cara,
- 35:42é maldade, assim, e hoje não é tratado, né, tipo
- 35:45assim, a história oficial meio que negligencia essa
- 35:47parte, porque realmente é uma atitude muito cusona,
- 35:51né? Basicamente, não vou resumir aqui, teve
- 35:52a Revolução Farroupilha. Ei! E aí tudo certo. E
- 35:57aí, tudo certo. E aí, o que acontece? Que
- 36:00era basicamente um conflito entre a elite gaúcha contra
- 36:03o Império Brasileiro, era uma revolta separatista,
- 36:06porque eles diziam que o Império Brasileiro estava
- 36:08prejudicando os gaúchos, com muito imposto, isso fala,
- 36:13cara, com muito imposto, enfim, outras coisas. Mas
- 36:16principalmente imposto, sobretudo sobre o Shark,
- 36:19porque o Shark argentino estava chegando mais barato
- 36:22no Brasil do que o Shark gaúcho. Não
- 36:24é essa canagem? Ai, vira o bagunço. Não
- 36:25é essa canagem aí também. Porra!
- 36:27Beleza. E aí, o que acontece? Durante
- 36:30a Revolução Farroupilha, eles não usaram as pessoas
- 36:33que eram escravizadas por eles, tá? O
- 36:35deles deixaram quieto, os fazendeiros, tá ligado, que
- 36:38lutaram aí, né? Eles não, não, os nossos deixam
- 36:40lá porque tem que trabalhar e eles precisam de
- 36:42dinheiro. Já começa aí, filha da puta,
- 36:44mas tudo bem. Eles viraram o seguinte, eles
- 36:45lutaram muito contra tropas do Império Brasileiro, né?
- 36:49E aí, lutando com essas
- 36:49tropas do Império Brasileiro, muitos deles,
- 36:52eles invadiam fazendas dessa galera. E
- 36:54aí, lá tinham pessoas escravizadas, e aí eles
- 36:56falaram pra muitas dessas pessoas escravizadas. Se
- 36:59vocês lutarem com a gente do lado da Revolução
- 37:02Farroupilha, no final, tu vai ser livre, mano. Quem
- 37:05tá com a gente, tá com a gente, né? Exatamente,
- 37:07aí, meu irmão, eu não vou vacilar contigo. Tu
- 37:09lutou pela Farroupilha, tu vai ser liberto no final
- 37:11da guerra. E aí, obviamente, né? Que
- 37:13essa galera negra que era escravizada pelo Império,
- 37:16vendo uma oportunidade de acabar com a sua escravidão
- 37:20ali, eles lutaram assim desesperadamente, inclusive
- 37:23foram muito importantes, tá ligado? Eles
- 37:26foram tipo assim, se não me engano, eram 10, tá
- 37:28notado, 10 mil pessoas no total lutaram ao lado das
- 37:33Farroupilhas, que era só dessa galera, que era
- 37:35escravizada, que eles estavam pegando. E
- 37:36era, eles usavam lança? Sim,
- 37:39então, boa parte deles, eles eram em fantares, eles
- 37:43iam na frente. E na época, essa era a
- 37:45principal arma da infantaria. Já
- 37:46é foda, né? Já comer, é outro ponto,
- 37:48enfim, é. Vai na frente. Vai
- 37:50na frente que é bem melhor que tu descobre as coisas
- 37:52aí. É, você já sai do outro lado
- 37:54livre. E aí, a galera ia com a
- 37:57lança na frente, e aí, vão ficar conhecidos como os
- 37:59Lanseiros Negros, tá ligado? Então,
- 38:02os Lanseiros Negros, eles lutaram muito pela
- 38:06Farroupilha, foram assim fundamentais para a vitória
- 38:09dos Farroupilhas, os Farroupilhas vão perder,
- 38:11entre aspas, porque o Dom Pedro II vai fazer um
- 38:13acordo com eles, tanto que os Fazendeiros vão ficar de
- 38:16boa. Não vai acontecer os
- 38:17revolucionários, Fazendeiros, não vai acontecer nada com
- 38:19eles. Mas as vitórias dos
- 38:21Farroupilhas, em sua grande parte, eram a mérito dos
- 38:23Lanseiros Negros. E aí, enquanto o governo
- 38:26imperial estava desenrolando essa anistia que eu falei,
- 38:30né, se perdão, com os generais, principalmente com
- 38:34Davi Canabarro, que vai ser o cara principal aí, o
- 38:37governo falou o seguinte, olha, o negócio seguinte,
- 38:39se você entregar de volta essa galera, que era
- 38:43escravizada, eu acho que a gente pode, sim, conversar
- 38:47sobre um perdão coletivo e tal. E
- 38:49aí, o Davi Canabarro fez o seguinte, cara, em Porongos,
- 38:52no Cerro dos Porongos, que fica hoje em Pinheiro
- 38:54Machado, até eu notei aqui, no dia 14 de novembro de
- 38:571854, esse, um esquadrão com muitos Lanseiros Negros
- 39:01estava acampado, ele estava acampado bonitinho, e aí,
- 39:03do nada, e assim, é que vai evoluindo o nível de
- 39:07filha da putas, né. O Davi Canabarro falou o
- 39:09seguinte, rapaziada, então tem como vocês, um dia
- 39:11antes, me entrega as armas aí, porque a gente está
- 39:13com arma nova, aí amanhã de manhã é a primeira
- 39:15coisa que eu vou fazer trazer para vocês. E
- 39:17vai vir, vai levar uma lança, que vai vir? Só
- 39:20uma lança absurda, é. E aí, muito filha da puta, e
- 39:23aí os caras entregaram e ficarem desarmados. Ele
- 39:26falou, oh, você tem que você ficar exatamente nesse
- 39:27lugar aqui, nesse ponto no mapa aqui onde botem um X
- 39:30aqui, tem como? Os caras ficaram no lugar. E
- 39:33aí, aconteceu isso, né cara, as tropas brasileiras
- 39:36do Império, eles vão naquele lugar, os Lanseiros
- 39:39Negros estavam, sem nenhuma defesa, mas de 100 homens
- 39:43foram assassinados naquele dia, muitos escaparam para
- 39:47Uruguai, muitos escaparam para Quilombos, mas muitos
- 39:50foram capturados também, e modificaram na Corte do Rio
- 39:53de Janeiro, presos, ou até foram escravizados novamente,
- 39:57muito também, até o fim da escravidão assim, e a
- 40:00maioria morreu, porque a escravidão demorou mais de
- 40:0240 anos para acabar. Então isso é o famoso Massacre
- 40:05de Porongos. Esse aí é foda, né? Pô
- 40:09cara, o Davica Nabarro, em general dos farrupilhas,
- 40:12esse massacre e outros, enfim, esse acordo do
- 40:17Império com as farrupilhas, foi o que fez, foi um dos
- 40:20principais pontos para que o governo imperial
- 40:22perdoasse. Tá ligado? Então
- 40:24não foi somente uma traição e tal, assim, ah, só traí,
- 40:28usou os caras como uma forma de eles sair. Moedas
- 40:30de troca, sim. Moedas de troca, exatamente. E
- 40:34bem, o cara morreu sem nunca ter pagado, assim,
- 40:37cara, óbvio, nessa época era só filha da puta,
- 40:40muitas pessoas dizem que no dia, na manhã, que estava
- 40:43acontecendo isso, ele estava com a mulher, que tinha
- 40:45pegado ali perto, e aí... Levou
- 40:47a mina para o trampo. É, e estava lá, se pegando
- 40:50com a mulher, enquanto os caras estavam morrendo,
- 40:52assim. Então, ao mesmo tempo. E
- 40:54é foda. É. E aí hoje, né, óbvio que,
- 40:57pô, a gente pode, eu entendo que Rio Grande do
- 40:59Sul enxerga a Revolução Farrupilha como... ou
- 41:03a revolta, enfim, como um movimento, tipo assim, de
- 41:06exaltação local e tudo mais, mas a realidade é
- 41:09que extraíram um monte de pessoas escravizadas, assim,
- 41:11em grandes números, assim, para avisar. Erramos
- 41:14um pouco. Será? Será? Mas
- 41:17não é uma parada que tu não... Mas
- 41:19eu não aprendi na escola, assim, sabe? Não
- 41:21aprendi. Não aprendi. É,
- 41:22eu aprendi, sei lá, eu vi que um cara postou assim...
- 41:25Sério? Tipo, depois de velho? É,
- 41:27tipo, ano passado, no retrasado, assim. Caralho.
- 41:30Não é um lance falado, assim, pelo menos eu não
- 41:33tive acesso, assim, a essa informação, de forma
- 41:36natural. Doideira demais, né, cara? É,
- 41:38porque, pô, é meio tratado como... como
- 41:40é que eu posso dizer? É meio que diminui, né,
- 41:44aquele evento, né, tipo, ou na traição feia, né? É,
- 41:47porque a pressão lance lindo, né? É,
- 41:50doideira demais, né, cara? Mas,
- 41:51enfim, e por último, Alexandre e Niki, eu vou
- 41:53contar a história de um golpista recente. Um
- 41:57golpista que é assim, Alexandre. Tu
- 41:59vá mais cara. A realidade é uma só. Se
- 42:02tu não é mais cara, eu sou um pedaço de papel,
- 42:04absurdo. Começou! O quê? A
- 42:08felicidade, saco! Fala, Cato! Esse
- 42:11episódio, ele é patrocinado pela Cato. Niki,
- 42:14o que que é Cato? Sete aposta. Saco!
- 42:17O Niki tá de saco cheio hoje. É.
- 42:20E você pode me falar um pouquinho melhor. O
- 42:22que que eles apostam em quê? Várias
- 42:23coisas. Por exemplo, dá um liga. Oh,
- 42:25o skate. Futebol, basquete, aqui é mais. E
- 42:29Neferral. E Neferral, por exemplo, e
- 42:31muitos outros. Alexandre Nieto, mais... Eu
- 42:34não sei o que eu vou fazer, mas eu não tenho
- 42:35controle de raiva. Eu tô pensando. Mas
- 42:38se você quiser postar ali, nesse site, que aposta no
- 42:41Estoura para os Bradas é muito sábio, é mais
- 42:43importante, você tá com dúvida. O
- 42:45que você faz com essas dúvidas? Com
- 42:48essas dúvidas? Vocês não arece as. Tá
- 42:52bom, muito obrigado, Niki. No
- 42:54Instagram, viu? Quase falei. No
- 42:57Instagram, você vai no Catão Underline Brasil e
- 42:59pergunta, por quê? Me sentam só. Como
- 43:02é que é uma odd? Então, a pessoa que tá com dúvida
- 43:04pode perguntar no Instagram, no Catão, para tirar
- 43:07dúvida. Porque a Gau, o esporte, a gente
- 43:09falou que tem tudo, né? Muito,
- 43:11falo. Fácil de colocar o dinheiro,
- 43:12fácil de tirar o dinheiro. PIX,
- 43:14no tempo do mistério. O pessoal gosta da comunicação
- 43:18da Catã. O Twitter dele é legal. O
- 43:20Twitter, isso é legal. O Instagram também pode ser
- 43:22bastante no Instagram, essas coisas do Twitter. Mas
- 43:23o Twitter, em especial, ele se comunica com a gente.
- 43:26Fala com o povo. É
- 43:28isso, é bom demais. É bom demais. Então,
- 43:30tem o cupomzinho de Fribet, HPB20, que na sua primeira
- 43:34aposta, você ganha 20 % do santo. Você
- 43:36tem o cupomzinho lá, você botou 50 reais, você vai
- 43:39ficar com 60, botou 100, fica com 120. Para
- 43:42você apostar lá, no que está vindo nos campeonatos
- 43:45brasileiros, sei lá, no NFL, no basquete, no
- 43:48esporte, se você... O Sibelo, o estado do Sibelo.
- 43:52Quem é que vai apostar na
- 43:53Sibelo? A Pein, né? A
- 43:54senhora sempre aposta na Pein. Não
- 43:56é uma dica, né? Porque a gente não vai dar...
- 43:59Dica é se divirta. Se
- 44:01divirta -se. Se divirta -se. Cato
- 44:03.com, Cato .com, Cato .com. Esse
- 44:07cara é o Marcelo Nascimento da Rocha, mais conhecido
- 44:11como Marcelo Vip. Marcelo Vip nunca vai falar dele.
- 44:14Cara, acho que um pouco, mas
- 44:16vai. Marcelo Vip nasceu no Paraná, em
- 44:191976, e desde pequeno, ele dava golpe em todo o
- 44:24mundo. Desde pequeno, ele, por exemplo,
- 44:27um dos golpes mais comuns que ele dava, era chegar
- 44:31nas companhias de ônibus, falar que era filho do
- 44:33dono, viajar de graça e ficar hospedado nos lugares,
- 44:37assim, do ônibus, assim. O motorista, por exemplo,
- 44:39ficava hospedado no lugar, ele desenrolava, ele ficava
- 44:42hospedado junto. Criança, menos de 8 anos. Tava
- 44:45dando golpe em geral. Ele...
- 44:47Uma coisa interessante, que ele... aos
- 44:5116 anos, importantíssimo isso, essa informação, ele
- 44:55começou a frequentar a delegacia da polícia, tá
- 44:58ligado? Pra meio que, tipo, ser um
- 45:00assessor de vários policiais. E
- 45:02os policiais achavam legalzinho, ah, tá ajudando,
- 45:04né? Ajudar o moleque, né? Passava
- 45:06de moleque humilde, né? Enfim.
- 45:08E aí, não, vamos ver beleza. E
- 45:09aí, ele falou que nesse período, ele aprendeu uma
- 45:11das coisas mais importantes pra toda a vida dele de
- 45:14golpes, que é usar jargão, usar termo técnico. Tá
- 45:17ligado? Usar a linguagem que se espera
- 45:19de alguém entendido ali, né? Então,
- 45:21tipo assim, quando ele fala que ele faz o procedimento,
- 45:25chega falando assim, parece que é alguém, realmente,
- 45:27que dá área, assim. Então, ele usava os termos da
- 45:31parada, assim. E ele vai seguir isso pra
- 45:32carreira delitória, carreira como enquanto golpista. Uma
- 45:34coisa interessante, é que ele, por exemplo, 16 anos,
- 45:38tá? Botando, já se clara. Ele
- 45:40ficou hospedado alguns dias numa praia em... O
- 45:43nome do negócio é Ipanema, só que é uma cidade em
- 45:46Paraná. Pelo que eu entendi isso mesmo,
- 45:48né? Você se conhece. Não,
- 45:49eu não conheço. Aparentemente,
- 45:51é, o que eu pensei que era no Rio, na Ipanema,
- 45:52enfim. E aí, o que acontece? Ele
- 45:54chegou nesse lugar falando que era um policial do
- 45:59grupo de operações Tigre, que é os caras que não
- 46:02pô... Que era até a trouxa, que era
- 46:03o bataelão de operações especiais táticas da Polícia
- 46:05Civil do Paraná. Que não... Que
- 46:07é a paisana, que não pode falar que é, tá ligado?
- 46:10Ele, então, não pode falar que
- 46:11eu sou um pro Tigre, e tal. E
- 46:13aí, cara, ele conseguiu... Ele
- 46:16saía prendendo os outros, hein? Ah,
- 46:19isso, isso. E os outros policiais seguiam
- 46:22as ordens dele... Policial, cara. Porque
- 46:24ele era de... Tá ligado? É
- 46:25um bataelão especial. E durante alguns dias, ele
- 46:28fez abordagens, prisões, fazia churrasco com o
- 46:31policial, porque ele era... Inclusive,
- 46:33o nome VIP dele, é porque ele gostava muito de fazer
- 46:37festa nesses rolês, tá ligado? E
- 46:39aí, fez vários churrascos com a galera e tal, tudo
- 46:41mais com o memorandre e tudo mais. E
- 46:43aí, ele ficou por dias fazendo isso, nesse esquema,
- 46:46há 16 anos. E aí, só que ele tinha cara
- 46:48de velho, né? E aí, ele foi descoberto por
- 46:50um integrante do bataelão verdadeiro, assim. Que
- 46:53ele tava usando a alcunha de um cara chamado
- 46:54Malucheli. E aí, o Malucheli não era
- 46:57ele. Eu conheço o Malucheli. Não
- 46:59é você, ele é. É, há 16 anos, o Malucheli.
- 47:01Exatamente. Aí, ele ficou sobre
- 47:03custódia, só que era menor de idade. Então,
- 47:0418 anos, já saiu. Ao 18 anos, cara... É
- 47:07muita cara de pau, velho. Nossa,
- 47:09cara... Eu não sei como é... Eu
- 47:10não sei como é que consegue, eu acho admirável
- 47:12mesmo assim. Cara, eu tô falando... Cara,
- 47:14você vai gostar... A coisa piora bastante, que
- 47:16isso não dá em menino. Ao 18 anos, ele se reviu no
- 47:19exército, né? Algo comum, né? Pra
- 47:22idade. E aí, ele tinha que fazer
- 47:24muitas exercícios... Muitas exercícios militares. E
- 47:27ele foi o que eu não gostava de fazer. E
- 47:29aí, ele conseguiu convencer o comandante dessa companhia
- 47:32que ele tava, que ele era campeão de jiu -jitsu. E
- 47:34aí, ele fosse, cara, então... De
- 47:37acordo com o órgão e tal, eu não posso fazer
- 47:40exercícios, porque me sobrecarrega. E
- 47:42aí, ele realmente não fez exercícios militares lá no
- 47:45exército, porque ele era campeão de jiu -jitsu. Entre
- 47:46aspas, tá aí. Ah! Que foda! Fora
- 47:49que... Tá tudo certo, agora tá tudo
- 47:51certo, né? Como assim? Não,
- 47:52ele não faz nada de errado. Calma,
- 47:55mas calma, deixa quieto. Vai
- 47:56ouvir a história. Até agora, tá tudo bem. Então,
- 47:58agora tá tudo bem. Tá, tudo bem. Enfim...
- 48:02Esse filho da puta, inclusive ele tinha uma
- 48:05prática muito comum dentro do exército, tá? 18
- 48:07anos. De vender motos que pertenciam
- 48:11a polícia do exército. Ele vende de bagalinha e ganha
- 48:13o dinheiro. Com certeza, ele sabia onde
- 48:17ficava, disse ele desrombar da chave, e ele vendeu
- 48:20muita moto, ele conta. Vendeu
- 48:22muita moto do exército pra rapaziada, assim. E
- 48:24ganhou muito dinheiro nessa época. Cara,
- 48:27a história que eu vou contar, e que tem coisas
- 48:29que parece que não é real, assim, primeiro é que ele
- 48:31se passou por repórter de televisão diversas vezes,
- 48:34DJ, tá ligado? Toda hora ele era DJ, e ele
- 48:38dava entrevista nas emissoras, ele falou, não,
- 48:40eu sou DJ e tal, e contava a carreira dele
- 48:42toda, assim. Tem até entrevista que tem aqui
- 48:44ao vivo, assim, depois vou te mandar, que é muito
- 48:46incrível, aquela de pau do filho da puta. Parece
- 48:49muito que é verdade, mas é mentira. E
- 48:51aí, beleza, uma época, em 1995, especificamente, ele
- 48:55trabalhava numa van, e meio que conduzia a banda, né,
- 49:00dirigeira, dirigia pra algumas bandas, e teve um
- 49:02festival que ele conheceu o pessoal do engenheiro da
- 49:04VAI. E aí, ele dirigiu com os
- 49:05cara, né, só que ele dirigindo com os cara, ele
- 49:07fez o seguinte, assim, vou ficar amigo desses cara
- 49:09aqui, que eu vou sair ganhando alguma coisa, ficou
- 49:11muito amigo dos cara, sabia tocar a guitarra, e aí
- 49:15falou pro cara, não, vim cá, vamos desenrolar aqui,
- 49:16aí tirava foto com os cara, tinha vídeo dele
- 49:19tocando com a galera do engenheiro da VAI, e
- 49:22obviamente ele passou a falar que ele era Ricardo
- 49:25Horn, o guitarrista do engenheiro da VAI. Que
- 49:28do caralho? Ele deu vários golpes falando
- 49:30que ele era Ricardo Horn, tá ligado, que era do
- 49:32engenheiro da VAI, enganou todo mundo, enganou a
- 49:34própria banda também, né, diversas vezes, e entrava
- 49:37nas festas usando a identidade dele, né. Mas
- 49:40assim, evolui muito mais essa história. Ele,
- 49:44por exemplo, em 1994, ele se passou por um olheiro
- 49:48da Seleção Brasileira. Aí é foda. E
- 49:52aí ele conseguiu entrar em vários espaços vipes de
- 49:56festa e tudo mais, com alimentação, transporte, tudo
- 49:59pago, porque ele trabalhava pra Seleção Brasileira em
- 50:0394. Então, porra, tinha muita moral.
- 50:06Quando ele já era maior de idade,
- 50:08ele foi morar em Curitiba, e em Curitiba tinha o
- 50:12aeroporto de Bacacheri, e ali ele aprendeu a voar,
- 50:16velho, pilotar avião. E aí ele fez curso, tudo
- 50:19mais, assim, e ele rapidamente falou, cara, eu
- 50:22preciso pegar o brevete, brevete, assim, a licença.
- 50:27É brevê, tem esse... Pode
- 50:28ser brevê, pode ser brevê. Que
- 50:30era a... Carteirinha. Enfim, a carteirinha,
- 50:34licença, né. O que ele fez, cara? Ele
- 50:36entrou em contato contraficante do Paraguai,
- 50:38falou assim, quando eu pegar esse brevê, essa
- 50:40carteirinha, a gente pode trabalhar junto. E
- 50:43os caras pagaram o brevê, que ele não tinha dinheiro
- 50:45pra pagar, né, pagaram o brevê dele, e ele passou
- 50:47alguns anos da vida dele, transportando armas, bebidas,
- 50:51drogas pra caralho, torpecentes, do Paraná pro
- 50:54Paraguai. Direto. Só aviãozinho, só...
- 50:57Exatamente, transportando. E
- 50:59aí ele até fala, tipo assim, o cara, o dono lá,
- 51:02que ele não fala quem é, né, mas o cara que pagou
- 51:05o brevê é o meu mentor. Ele
- 51:07elogia, esse cara, o cara que me ensinou tudo, esse
- 51:10também deve ser outro, né, o cara fora. E
- 51:13aí o que acontece, em 1990, ele chegou até um
- 51:15caso, que ele conta, que ele participou do Vilela,
- 51:17cara. Esse cara, tem um entrevista no
- 51:18Vilela, surpreendente essa entrevista, inclusive. E...
- 51:23Mas o que ele alegra? O que ele alegra? Uma
- 51:25parada que ele curtia, tava vivendo? Não,
- 51:26é, não. É, tipo assim, ele fala que,
- 51:29até o psicólogo dele, se não me engano, falou o
- 51:31seguinte, você não pode ficar precisando de nada. É
- 51:34dessa forma que você não vai cometer nada de errado,
- 51:37porque tu sabe fazer tudo. Então,
- 51:38se tu precisar de dinheiro, precisar de uma moral, uma
- 51:41ajuda, tu vai dar um golpe. Ele
- 51:43é viciado da golpe, eu sei, não consegue. E
- 51:45aí ele fala por isso que hoje eu tento, né, porque
- 51:47ele pagou tudo já, foi preso, já pagou tudo. Tipo,
- 51:49por isso que ele pode falar isso publicamente, né.
- 51:52E aí, como eu tava falando,
- 51:53nesse esquema, tinha uma área entre o Paraguai e o
- 51:56Paraguai, que tava com um policiamento muito grande da
- 51:58DEIA, que é a organização dos Estados Unidos. E
- 52:02aí ele fez o seguinte, e já sei, vou pegar o meu
- 52:03jato, tinha um jato que tinha acesso, ele colocou
- 52:07uns combustíveis diferentes, gente, eu não sei como é
- 52:09que faz, mas o barulho parecia barulho de jato
- 52:12militar. Ele pintou como um jato militar
- 52:14e começou a fazer manobra muito perto do aeroporto da
- 52:18DEIA. E aí o que a galera da DEIA
- 52:20falou? Fudeu, os traficantes estão com
- 52:22armamento militar, então libera, não façam operações
- 52:26pelos próximos meses assim. E
- 52:28aí durante vários meses a droga vendeu pra caralho
- 52:31ali, porque ele botou medo em geral. E
- 52:33ele que pilotava, tá, ele que era o piloto mesmo
- 52:35assim. E aí cara, o momento, o
- 52:37ápice da história dele agora, quando em 2001, em
- 52:43Recife, aconteceu um evento chamado Recifolia. Recifolia
- 52:48era um carnaval fora de época, tipo em cinco dias
- 52:51de festa, cara, esse momento da entrevista é
- 52:54maravilhoso, porque ele conta, ah, eu tava lá e
- 52:58tal, ele tava com grana por conta desses bagulhos.
- 53:01Ele já tava procurado aqui pela
- 53:02polícia, tá? O rosto dele, o GX em
- 53:04cartaz, assim. Mas pelo lance de transportar
- 53:07drogas. Isso, é exatamente por isso. Os
- 53:09outros não deu muita coisa não, mas esse aí pegaram o
- 53:11nome, tiraram foto e viram quem ele era. E
- 53:14aí estavam procurando ele. Mas
- 53:15aí ele tava com muita grana, ele foi pra Recife,
- 53:17pegou um hotel rico, tava com muita grana e ficou
- 53:20nesse hotel curtinho e tal. Beleza,
- 53:22tem aí, tudo bem. O cara, ele diz que ele
- 53:26soube minutos antes de tentar entrar, ele soube do
- 53:28Recifolia. Ele, ah, tem um negócio aqui,
- 53:31ah, acho que eu vou, né? Vou
- 53:33lá curtir também, é festa, gostava de festa, como
- 53:35falei, né? Chegou lá e falou com a tendente,
- 53:37oi, tudo bom, então, eu queria entrar aí, quero
- 53:39comprar o ingresso, o convite, sei lá. Aí
- 53:42ela falou, não, o senhor, desculpa, não vende. Isso
- 53:46aqui é VIP mesmo, assim. Isso
- 53:48aqui, é, por cima noção, acabou de chegar um avião
- 53:51fretado da Gol com um montão de ator da Globo. E
- 53:55aí, quando ele fala, entrei a vista, quando eu via a
- 53:57palavra Gol, eu já sabia o que ia fazer. Aí
- 54:01ele saiu de lá, ele conseguiu o telefone da
- 54:04organização do evento, chegou o telefone e falou
- 54:07assim, oi, tudo bom, aqui é Juliano, que já era uma
- 54:08identidade falsa dele, né? Que
- 54:10ele tá fugindo da polícia, né? Oi,
- 54:12tudo bom, aqui é Juliano, eu trabalho pro senhor
- 54:14Henrique Constantino, ele pesquisou qual era o nome
- 54:17do dono da Gol. Eu trabalho o senhor Henrique
- 54:20Constantino, ele tá em Recif, ele quer ir no
- 54:22Recifolia. E aí, na hora, a música com
- 54:25medo, né? Porque ela tem a tendente meio
- 54:26que tipo, secretária, né? Será?
- 54:28Não, não, com certeza qual o hotel que ele tá, no
- 54:31Hotel Tal, que era o hotel mais caro da região e
- 54:34fazia sentido que eles vésseis pedados ali. Não,
- 54:38tudo bem, o que eu faço então? Posso
- 54:39deixar no hotel? Sim, deixa no meu nome Juliano.
- 54:42Beleza, ele foi lá com o convite,
- 54:45foi lá no hotel que ele tava, ah, tem uma coisa
- 54:47pra Juliano aí, tem, obrigado. Ele
- 54:48saiu de lá e botou abadar, né, aquela roupinha, e
- 54:51entrou na Recifolia de Boa, assim. E
- 54:54ficou lá, aí cara, essa parte muito foda. Ele
- 54:57entrou e aí, beleza, né, tô lá dentro. Ele
- 54:59falou que quando ele chegou, ninguém ia demorar
- 55:01pra ele. Óbvio, né, não conheci um cara e
- 55:03tal. Só que ele falou assim, tipo,
- 55:04eu vou ganhar moral aqui dentro. E
- 55:06aí ele começou a falar, tipo assim, tudo certo na
- 55:08viagem? Tudo correto? Precisando?
- 55:12A gente desenrouar um jato aqui agora. Começou
- 55:14a falar e aí, pensou pra ir perguntando, não tô, não
- 55:16dá gol, Henrique Constantino prazer. E
- 55:18aí foi trocando a ideia, cara, chegou um ponto do
- 55:20Amor e Júnior. Tem as entrevistas no YouTube,
- 55:23é muito foda. O Amor e Júnior foi
- 55:25entrevistá -lo. Tipo assim, o que você tá
- 55:27achando e tal? Parabéns no Organização de Eventos.
- 55:31Tem esse vídeo muito foda.
- 55:32Parabéns no Organização de Eventos,
- 55:33tá de parabéns. E aí o Amor e Júnior fez
- 55:35uma seguinte pergunta. E, pô, essa crise acontecendo,
- 55:38mas a gol tá por cima, né? Não
- 55:40tá havendo essa crise. E você pode dizer pra gente
- 55:42o segredo? Mano, eu juro, cara, é... Você,
- 55:45claramente, sabe que ele não tava preparado pra essa
- 55:47pergunta. Mas a forma que ele fala é...
- 55:50É arte, velho. É
- 55:51arte, você vai lá que não é arte, pudeu. Ele
- 55:53falando, na verdade a gente não tem, né? Nenhum
- 55:55grande segredo. Só que a gente opera com os
- 55:58aviões próprios. A gente não trabalha com
- 56:00Lizen. Ele conhece até os termos,
- 56:02entendeu? Lizen é tipo empréstimo. A
- 56:04gente não trabalha com Lizen. E
- 56:05no começo foi mais difícil, mas hoje a gente cole tudo
- 56:08que a gente plantou ali no passado. Cara,
- 56:09mas assim, é no tom de voz mais tranquilo do
- 56:12mundo. É surpreendente. E,
- 56:15cara, é bizarro que foi em rede nacional isso. Então,
- 56:18é verdade? E ele foi lá de boa. É
- 56:19muito frio, muito frio lá. Cara,
- 56:21é bizarro. Cara, eu acho que o cara quando
- 56:24mente, assim, tem que acreditar, né? Você
- 56:25tem que acreditar na parada agora que tá falando. Não
- 56:27sei, mano. Eu não consigo, né? Ele
- 56:30até conta, não via ler uma história. Que
- 56:33é muito curioso, que ele fala assim, tipo, e aí...
- 56:35Lá tinham várias mulheres e
- 56:37tal, as mulheres mais lindas do Brasil naquela
- 56:38época que tava lá, que ele conta. E
- 56:40aí ele falou que saiu com a mina. Ele
- 56:42não falou o nome, mas a mulher conhecida. Ele
- 56:44falou até assim, é uma morena. Só
- 56:46esse que eu posso falar. E aí, provavelmente a triste
- 56:49da Globi, tal. Ele saiu com ela e aí saiu
- 56:52com outra mina, curtindo. E aí ele fala o seguinte,
- 56:55pô, eu tava com a mina e a mina falou comigo assim,
- 56:57pô, não, eu tenho que ir embora mais cedo porque
- 56:58amanhã eu tenho um evento pra fazer. Aí
- 57:00na hora ele falou o seguinte, quando você vai
- 57:02ganhar de caixinha nesse evento? Aí
- 57:03ela ganha 5 mil, aí ele pegou um cheque, assinou
- 57:08como o Henrique Constantino, botou lá 8 mil, então toma
- 57:118 mil e você fica comigo. Aí
- 57:12ela falou, ela falou, te espero no quarto então. E
- 57:16já saiu grandão, saiu com a mulher, aí da entrevista
- 57:18ele fala assim pro Vilela. Entrando
- 57:20aquela noite, os 5 mais os 8 que não caiu, ela perdeu
- 57:2313 mil reais comigo. É muita filha da puta, cara.
- 57:28Esse cara é muito filha da
- 57:29puta, velho. Não, ele conta coisa pior, tipo
- 57:31assim, que a galera queria, no meio da conversa, porque
- 57:34foram vários dias de festa, né? E
- 57:36aí ele fala que por isso enrolou, tipo, os outros
- 57:39empresários, pô, ele era um mega empresário, né? E
- 57:42os empresários da região de Recife mesmo, que estavam
- 57:44na festa, falavam assim, ó, precisando de helicóptero,
- 57:47só falar ele, pô, na verdade eu preciso de um
- 57:49sim. Prisso de um helicóptero assim e
- 57:52tal. Aí eu vou pegar um piloto,
- 57:53ele não, eu sei pilotar, óbvio, né? Dá
- 57:55pra entender aqui, né? Óbvio,
- 57:56é o cara da Goul, tá ligado? E
- 57:58aí ele fala o seguinte, pô, naquele dia eu vi o
- 58:01Luciano Rook chegando de Vann e eu chegando de
- 58:03helicóptero. Ele é muito foda, cara. Ah,
- 58:08cara, isso deve ser, deve, deve... Não
- 58:10tem como ficar muito bravo, né? Não,
- 58:12não tem, não, não tem. Não tem. É
- 58:14impossível ficar muito bravo. Até
- 58:15agora tá só engraçada. E aí ele fala, tipo assim,
- 58:18que lá dentro a mina precisava de um... Perdeu
- 58:22o voo, precisava de voar pra algum lugar e Javi era
- 58:24falar com ele. Aí na hora de vir ela fala,
- 58:27você não ficou com medo, não, né? Porque
- 58:28você não era de verdade, do Dagole. Não,
- 58:30não, na hora desenrolei. Aí ele fala que pegou o
- 58:32telefone da mesma tendente, liga lá, olha só, você
- 58:35separa o banco OS, que eu acho que é tipo bagulho
- 58:38de... É um termo pra um banco que
- 58:40fica dentro da cabine pra despachar os bagulhos assim.
- 58:43Você para o banco do OS aqui,
- 58:44porque eu tô aqui, preciso dar fulano de tal e tal,
- 58:47e tal lugar. Você pode falar com o comandante
- 58:48Machado, que ele conheceu o nome do comandante. Que
- 58:50é, né? Bagulho de voo, né? Fala
- 58:51comandante Machado, ele fala, não, não, sim senhor,
- 58:53aqui. Enganou, enganou algumas vezes, tá
- 58:56ligado, durante o bagulho assim, a gol. E
- 58:59aí ele saiu um livro sobre ele, um livro em 2005, se
- 59:02não me engano. E aí nesse livro ele fala
- 59:04que... Ele enganou a jornalista, que
- 59:08escreveu o livro pra ele, né? Que
- 59:09é de Cunz -Royalt. Ele fala, tipo assim, que...
- 59:13Ele chegou pra ela, assim, não,
- 59:14eu tô realmente pensando, mas poxa, o Roberto e o
- 59:17Reginaldo Faria, que é cara de outra editora, né? Que
- 59:19ele já pesquisou o dono de uma outra grande editora,
- 59:22falou, o Roberto e o Reginaldo. E
- 59:24ele já vira com a proposta um pouco melhor e tal. E
- 59:27aí ele falou que é a moço com nervosa na hora. E
- 59:30aí, já na hora, ela falou assim, não, beleza, então,
- 59:32tido. Eu cedo mais Royalt, eu
- 59:34aumentou a porcenta de Royalt pra ele, não. E
- 59:36aí na mesma entrevista, alguns minutos depois, ela
- 59:38falou, como é que você faz pra enganar essas pessoas?
- 59:40E aí na entrevista ele fala,
- 59:41é, acabei de enganar, foi desse jeito mesmo. Ele
- 59:45é muito escroto, cara. Cara,
- 59:47mas é um talento, né? Não, é um talento, e a gente...
- 59:50Como eu te falei, tipo, se a
- 59:51gente tem raiva, porque... Enfim,
- 59:55as armas não duram muito tempo. Raiva?
- 59:57Não, a gente começa com raiva, né? Pô,
- 1:00:00o cara enganou todo mundo, aí ele vai contra a
- 1:00:02história, esse caralho, ele é foda. Ele
- 1:00:03já foi, já sumiu 16 identidade falsas. Golpista,
- 1:00:07se passou policial, o Olheiro da Seleção, produtor
- 1:00:10do Domingão no Faustão, líder do PCC. Fá.
- 1:00:14Ele fugiu na prisão, ele foi, ele é preso, por
- 1:00:17conta desse bagulho mesmo assim, que a polícia
- 1:00:18encontra ele, que ele faz um voo no Rio de Janeiro,
- 1:00:21e ele fala que a cara da Carolina Dickman, quando ela
- 1:00:24descobriu que ele não era, é impagável, assim, ele
- 1:00:27falou que ela estava até careca na época da novela.
- 1:00:29O foda é careca, parece que
- 1:00:30às vezes você pensa, porque o cara não está mentindo
- 1:00:32pra mim, não. As vezes ele está,
- 1:00:34provavelmente ele está assim, então eles exageram,
- 1:00:35lá. Mas enfim, ele foi preso, fugiu
- 1:00:38da prisão, ele diz que arquitetou a fuga, da
- 1:00:41prisão junto com os presos, depois ele vai ser preso
- 1:00:43de novo, mas depois de velho, isso não me engano,
- 1:00:45depois de 2014, ele conhece uma mulher que muda a vida
- 1:00:48dele, e aí a mulher... Ele até falou que a minha
- 1:00:50mulher me conheceu por outro nome. Aí
- 1:00:52eu fui preso, e aí ela me... Meu
- 1:00:55verdadeiro nome ela me conhece na prisão, me
- 1:00:56visitando na prisão, tá ligado? E
- 1:00:58aí com ela ele, enfim, insiguiu a vida dele. No
- 1:01:00total ele foi preso 12 vezes, tentou fugir 9,
- 1:01:05fugiu uma e foi preso por fraude, associação ao
- 1:01:08tráfico, e usou o indebido de insigne e farda, e
- 1:01:12somou 33 anos de detenção. Mas
- 1:01:13saiu um pouco antes, por bom comportamento. É,
- 1:01:16e essa parada de tu falar que a polícia dá uma
- 1:01:19ruína. Porra! É, essa aí... Ele
- 1:01:22quando foi preso lá atrás, que tinha 16 anos, ele
- 1:01:26falou que os policiais, quando prenderam ele,
- 1:01:29fizeram a roleta russa, a viagem toda nele, botaram
- 1:01:31uma bala, rolava e clique. Ele
- 1:01:33falou que tinha certeza que ia morrer ali. Muito
- 1:01:35foda, né cara? Gostou do Marcelo Vip? Tem
- 1:01:39filme dele com Wagner Moura. É,
- 1:01:41eu não sei. O Wagner Moura falou assim, o
- 1:01:43cara era um criminoso, roubava dinheiro de gente
- 1:01:46inocente, e aí no Vilello ele chamou o Wagner Moura
- 1:01:49de otário, assim, por conta. Ah,
- 1:01:53muito maneiro, muito maneiro. E
- 1:01:54vai sair mais do comentário, vai sair o
- 1:01:56filme ainda, que ele falou. Ah,
- 1:01:57legal. Eu lembro desse filme, mas
- 1:02:00acho que eu não assisti o filme. Eu
- 1:02:02lembro de uma... Do Wagner Moura pilotando, mas
- 1:02:05eu não lembro de ter assistido o filme, talvez
- 1:02:06tenha visto só o trailer. Mas
- 1:02:07acho que eu vou assistir. Gostou
- 1:02:08do episódio, Níquel? E o outro cara, a gente
- 1:02:12sempre lembra do Prendas Miss For Capaz, né? Sim.
- 1:02:15Que aí o cara mentiu tudo, né? Não
- 1:02:18aconteceu nada daquilo. Ah, sim. É,
- 1:02:20é muito triste. Esse cara aí, pelo menos, a
- 1:02:23gente tem imagem dele, né? Tem,
- 1:02:25cara, a entrevista dele, assim que a gente acabar
- 1:02:27aqui, deixa eu te mostrar o vídeo, é obra prima,
- 1:02:30para os ouvintes aí, pesquisa assim. Marcelo
- 1:02:34Vip, a Mauri Júnior. E aí ele dando entrevista ao
- 1:02:37vivo assim, bonitinho, cara, maravilhoso, assim, parabéns
- 1:02:39para o cara. É impossível tu não falar
- 1:02:41parabéns para o cara depois de tudo isso, cara. Ótimo
- 1:02:43trabalho. Ótimo trabalho. Gostou
- 1:02:45do episódio, Níquel? Sim, senhor. Então
- 1:02:46é isso, Alexandre Níquel, essa história das trâmicais
- 1:02:48na história do Brasil. Tchau,
- 1:02:50tchau.