Latest / Elas na Escrita / Quando eu sei que meu livro está pronto?
Transcript
- 0:00Oi, gente, sejam bem-vindas. Bem-vindos.
- 0:03Bem-vindos ao podcast elas na escrita, com Tatiana lazzarotto
- 0:07e. Com a Isabela de Andrade.
- 0:10A gente está aqui hoje com uma convidada super especial, Helena
- 0:14Machado. Ela querendo rir desde.
- 0:17Que ela pode rir aqui é. A gente vai pedir para ela se
- 0:22apresentar, mas antes de tudo a gente queria dizer que a Helena
- 0:26é nossa madrinha, praticamente a gente tem 11 grupinho aí.
- 0:31E muito por por esse ELO, né? Helena acabou sendo o nosso ELO,
- 0:36meu e da Isa e eu acho que é graças a você que a gente está
- 0:40aqui. Hoje, né?
- 0:41É verdade? Ah, que lindo, gente.
- 0:43Foi nossa, ela de união. Foi, uau.
- 0:44Vocês se conheceram quando a gente fez aquela mesa, né?
- 0:47A gente se conhece. Há muito tempo a gente se
- 0:48conhecia, mas a gente ainda, como diria No No nariz, a gente
- 0:51ainda não era amiga. A gente não.
- 0:53É, Ah, você já se conheciam, é, Ah, tá?
- 0:55E aí a gente? E é isso, então, antes da gente
- 1:00começar, a gente falou o tema do episódio.
- 1:02Ainda não, não é o tema do nosso episódio de hoje é um tema que
- 1:05gera muitas dúvidas que muitas é pessoas que escrevem, não sabem.
- 1:09Então a gente vai falar sobre isso?
- 1:11A gente promete respostas. Não, não, uhum.
- 1:13Às vezes a gente vai filosofar bastante hoje com a Helena.
- 1:16O tema do episódio é quando eu sei que o meu livro está pronto.
- 1:20Exato, e a gente vai partir um pouco daí, mas e vamos conversar
- 1:23sobre o que vier, né? Que literatura é assim?
- 1:25A gente tem um ponto de partida, mas a gente começar.
- 1:27Então, a gente queria que você se apresentasse brevemente.
- 1:29Helena conta pra gente quem é você, então, para quem está
- 1:32ouvindo? Tá?
- 1:33Então, primeiro obrigada pelo convite, meninas, fico feliz de
- 1:36saber que fui eu que juntei de uma certa maneira, vocês 2.
- 1:42É, então nós. Nome é Helena Machado.
- 1:45Eu sou. Ah, enfim, eu sou formada em
- 1:48comunicação social pela UFRJ, que eu sou lá do Rio e.
- 1:54Além de ser formado em comunicação, eu sou formada como
- 1:56atriz pela cal e trabalhei durante muito tempo como
- 1:59roteirista e como dramaturga, escrevi algumas peças ainda
- 2:04trabalho escrevendo roteiros. É o teatro.
- 2:06Na verdade, nunca saiu de mim. E há pouco tempo, em agosto do
- 2:12ano passado, eu lancei meu primeiro livro, que é o memória
- 2:15de ninguém. E que está aqui?
- 2:17Sim. Conta pra gente um pouco sobre.
- 2:21O livro, não. Que a gente não saiba, mas nós.
- 2:23É que se quiser aproveitar para mostrar.
- 2:25Ah, então esse aqui é meu primeiro filho literário.
- 2:29Que eu acho ele muito lindo, com essa capa maravilhosa da Jade
- 2:32marra, que é uma artista plástica aqui de São Paulo.
- 2:35Fiquei muito impressionada com com as pinturas dela.
- 2:38Depois que a conheci e foi publicado pela editora nos e
- 2:42contar um pouco sobre o livro que vocês pedem.
- 2:44O quê? Uma espécie de cenóse ou sobre a
- 2:46publicação e tudo mais. Abriu uma sinopse.
- 2:49Ah, tá. História.
- 2:51É então a memória de ninguém. É um livro que eu acho que é
- 2:55sobre uma mulher em crise. Perto de completar 40 anos, logo
- 2:59após a morte do pai dela. Então que a gente tem isso em
- 3:02comum? Metade sim, que a gente parte da
- 3:04morte dos nossos pais é, mas eu não encaro o livro como uma
- 3:07autoficção, até porque é, enfim, só vou falar sobre esse tema,
- 3:10vou falar um Monte, mas é. Um tema bom para a gente dar uma
- 3:14passead depois. Podemos?
- 3:18E é um livro que coloca essa mulher em xeque com ela mesma.
- 3:21Então vem à tona. Ela volta à casa de infância
- 3:23junto com a mãe e com as 2 irmãs gêmeas.
- 3:26E nesse caminho de volta é várias memórias vêm à tona e ela
- 3:30meio que vai se apropriando dessas memórias e são memórias
- 3:32que envolvem muitos assuntos. Existenciais e também abusos
- 3:37sexuais, distúrbios alimentares, as relações familiares.
- 3:41Então, eu vejo o livro meio que como uma travessia dessa.
- 3:46Dessa quase criança, que quando o pai morre vai tendo que ser
- 3:49apoderar da própria vida. Resumindo, acho que é isso.
- 3:52Nossa, eu acho tão difícil falar do próprio livro, mas é por.
- 3:55Isso que eu faço isso com os erros, estou brincando.
- 3:58Mas eu acho importante porque a gente vai falar aqui sobre muito
- 4:01assunto, né? De publicação de do caminho do
- 4:04seu livro, como você falou, né? De publicação, mas eu acho que a
- 4:08gente é uma oportunidade de contar também, né?
- 4:10Quem são as convidadas sobre o que escrevem?
- 4:13Quais são seus livros e obrigada por isso.
- 4:16Ah, e aí eu é vamos começar com a primeira.
- 4:20Pergunta Helena, como que você sabe quando o seu livro estava
- 4:23pronto? Mas agora, Sério?
- 4:25Porque eu acho que é muito uma dúvida, né?
- 4:26A gente tem isso. O livro às vezes, demora meses,
- 4:29pode demorar anos, é um processo de escrita longa que a gente sai
- 4:32e volta e revisa. Reescreve, portanto, acho que é
- 4:34até legal você contar pra gente um pouco como foi esse processo
- 4:36pra você é. Se você teve reescritas, quantas
- 4:39foram que mulheres fizeram parte ou que pessoas fizeram parte do
- 4:43ministro do seu processo de publicação e quando foi que você
- 4:45olhou para ele e falou, pronto, agora é hora de ir para a
- 4:48gráfica soltar EE para o mundo. Bom, eu acho número 1, que esse
- 4:53pronto mesmo é o último Ponto Final, pelo menos comigo só vai
- 4:57quando olha só, vai pra gráfica amanhã, então.
- 5:01Se não, você, não se. Até aí, nunca tá pronto.
- 5:06Mas, enfim, o caminho do memória de ninguém foi um caminho que eu
- 5:09considero longo, é tanto de escrita quanto até a publicação,
- 5:13né? É eu comecei a escrever ele em
- 5:152016, que foi um, na verdade, foi em agosto de 2016, um ano
- 5:20após a morte do meu pai. Eu vim para São Paulo porque,
- 5:22como eu disse, sou do Rio e eu fazia parte de um.
- 5:28Uma sala de escrita com Davi França Mendes, que é o
- 5:30excelente, é roteirista e. Na época, ele falou que a Carola
- 5:35zavedra, que era uma escritora que eu gostava muito, IA dar um
- 5:37curso de romances aqui em São Paulo, então eu resolvi vir pra
- 5:41cá fazer porque alguma coisa. É intuitiva, falou que eu
- 5:46deveria finalmente dar voz. Eu sempre fui uma grande
- 5:49leitora, mas eu nunca, sempre achei que a literatura escrever
- 5:53um livro seria uma grande. É ousadia da minha parte.
- 5:56Uhum. Então escrevia peças, escrevia
- 5:58roteiros, mas no fundo, no fundo, aquela, essa vontade
- 6:01sempre existiu dentro de mim. Mas eu nunca dei voz a ela,
- 6:04então eu vim para São Paulo fazer o curso com a Carola.
- 6:07Essa oficina de romances e. Acho que a Carola foi a grande
- 6:12madrinha desse livro, acho não tenho certeza ela.
- 6:16Eu comecei a escrever nessa oficina dela e eu lembro que
- 6:20quando as primeiras páginas começaram a aparecer, que também
- 6:23eu, eu tenho um caminho muito intuitivo.
- 6:26Ela falava que eu parecia uma bailarina que dançava
- 6:31lindamente. De repente, dava umas
- 6:32derrapadas, muito feias e era horríveis mesmo.
- 6:36Porque eu acho que eu tinha uns vícios, muito.
- 6:40Ah, tinha alguns clichês EE às vezes 11 vocabulário muito
- 6:45hermético. Uhum.
- 6:46Então acho que até eu descobrir a minha voz, eu lembro
- 6:49direitinho desse dia, quando ela disse que eu tinha Descoberto a
- 6:51minha voz, eu lembro que o meu olho encheu dágua que eu fiquei
- 6:53super ela falou, caramba, agora você descobriu sua voz e eu
- 6:56sempre confiei muito na Carola, porque ela é uma excelente
- 6:58escritora, uhum. E nesse processo, acho que por
- 7:00identificação de temas, eu acho que porque, Ah, enfim, os
- 7:04inconscientes se encontram. A gente se tornou muito amigas e
- 7:08hoje é uma das vias melhores amigas, mas.
- 7:11Ela Foi fundamental na escrita desse livro até para me dar
- 7:14confiança de que eu estava fazendo alguma coisa que valia a
- 7:17pena ser feita. E eu acho que pessoas assim, ao
- 7:20longo da nossa trajeto literário, são muito
- 7:22importantes, porque acho que tem um ato muito solitário, né?
- 7:26Com certeza esse primeiro momento, né?
- 7:28Sim, você com o livro. Mas que legal saber que o seu
- 7:31livro começou a ser escrito em São Paulo, esse desenraizamento
- 7:37talvez tenha sido importante também, né?
- 7:39De ter saído desse seu lugar e de onde tudo isso aconteceu.
- 7:44E para um outro lugar, às vezes eu faço isso assim, com a
- 7:47escrita eu saio do lugar. Do lugar onde as coisas
- 7:50acontecem para escrever, e você acabou fazendo isto, não é?
- 7:54Nossa, Tati, eu nunca tinha me tocado disso, é verdade.
- 7:58E eu não sabia disso. Eu já ouvi muitas entrevistas
- 8:00suas e a gente já dividiu, né? É, é mesas e tal.
- 8:05Mas eu não sabia disso. Achei muito, acho.
- 8:07E eu acho que isso diz muito sobre o seu livro também, né?
- 8:10Esse desenraizamento? E às vezes é quando a gente sai
- 8:13do lugar que a gente mais enxerga ele, né?
- 8:15Acho que eu tive um pouco isso também do do livro atual, que eu
- 8:17escrevi. Foi todo aqui em São Paulo.
- 8:18Comecei aqui em São Paulo, mas não tem nada dele em são.
- 8:21Ele não tem nada de São Paulo, ele é todo lá de goiaz, lá do
- 8:24centro Oeste, que eu acho que a gente fica com esse olhar de
- 8:27saiu. Parece que as coisas chegam
- 8:28melhor depois que você se distância, né?
- 8:30E muitos escritores falam isso. A gente citou a Maria José
- 8:33Silveira no primeiro episódio, que é do centro-oeste também.
- 8:36E ela também fala isso assim que quando ela saiu de lá, ela
- 8:40conseguiu escrever sobre lá e eu acho que tem um processo de
- 8:42muitos escritores escreverem sobre a infância também, né?
- 8:45Uhum, geralmente não escrevem onde passaram a infância.
- 8:48Eu tive isso também. Comecei a escrever em blogs, né?
- 8:51Sou blogueira, raiz EE. Eu também escrevia sobre a minha
- 8:56Terra Natal Natal, mas não morava mais lá, né?
- 8:59Então acho que tem esse olhar meio meio de ser um estrangeiro,
- 9:03né? Sempre assim e.
- 9:06Muito legal, isso. A gente nunca tinha dado esse
- 9:08download. Eu entendo que.
- 9:11Por exemplo, como partiu da morte do meu pai, né?
- 9:13É óbvio que depois o livro vai pro terreno ficcional, mas tem
- 9:16muitas coisas que essa coisa da mistura da realidade com a
- 9:19ficção sempre. Eu acho que em qualquer forma de
- 9:20arte, mas. Eu acho que precisou desse
- 9:24descolamento, tipo, eu comecei a escrever um livro um ano após a
- 9:27morte do meu pai, eu não seria capaz de escrever.
- 9:30Logo após a morte dele, porque você ainda está muito colado no
- 9:33acontecimento e eu acho que precisa desse distanciamento.
- 9:36Mas essa coisa de estar distanciado, de onde tudo
- 9:39aconteceu, nunca tinha pensado. É verdade, nossa e tem partes
- 9:42dele e eu sei exatamente que parte eu escrevia, aonde que eu
- 9:44escrevi no Rio, tem partes que eu escrevi em São Paulo, tem
- 9:46partes que eu escrevi no Maranhão.
- 9:48Tem partes que eu escrevi em Portugal, que demais.
- 9:50Caramba, é muito. Doido.
- 9:51O autor é navegante. E eu acho, e eu acho isso muito
- 9:56legal também, porque quando bom a gente tem esse tema em comum e
- 9:59esse processo comum, né? De ter sido, é órfãos de pai.
- 10:04Eu me mudei da casa. Assim a casa que eu morava em
- 10:07São Paulo no momento que eu perdi meu pai, eu me mudei.
- 10:10Logo depois, 2 meses depois, e então muito do meu livro.
- 10:14Assim, diria que a maior parte do meu livro foi escrito em
- 10:16outro lugar, em outra casa, e eu acho que ter saído dessa casa
- 10:20parece que me me descolou de algumas memórias.
- 10:22Vivi, apesar do meu pai, né, ter falecido em outro estado, em
- 10:26outra região do país, em Santa Catarina.
- 10:28Eu acho que esse descolamento, sabe, foi, foi importante assim.
- 10:33Eu acho que. É isso, né?
- 10:35Talvez mudar, não necessariamente fisicamente, mas
- 10:40o que o que a mudança significa para você, né?
- 10:43Mas ter esse processo de descolamento de desenraizamento
- 10:46talvez seja um bom, uma boa mola pro seu pra escrever, né?
- 10:51EE pra publicar também não sei que que você acha sobre isso.
- 10:56Na hora eu estou e estou dando esse download agora.
- 11:00Interessante, mas aí eu fiquei pensando, aqui é, quando o meu
- 11:03pai morreu, ele morava. Tem até 11 parte, quando é, na
- 11:07verdade, quando AAA, protagonista do livro, perde o
- 11:10pai, ela atravessa uma rua E tem um Cristo.
- 11:12Isso aí foi inspirado na vida real.
- 11:14Se meu pai morava num prédio é que era praticamente na frente
- 11:17do meu prédio. Então tem uma parte que eu
- 11:20descrevo, atravessando a rua de pijama, no meio da madrugada, e
- 11:22a ambulância na frente e a bacia de sangue.
- 11:25Isso tudo foi de fato, aconteceu nesse lugar onde eu morava e
- 11:28depois a morte do meu pai. Ainda fiquei Mano lá uns 2 anos,
- 11:31então durante muito tempo eu ainda passava na frente daquele
- 11:34prédio e enfim. A recordação estava muito viva
- 11:38ali, né? Mas, logo depois, enfim, os 2
- 11:41anos depois, eu me mudei, ou um ano depois?
- 11:43Mas é isso, foi escrito em algumas casas diferentes.
- 11:46Assim, muito doido. E você falou do curso da da
- 11:50Carola? Mas foi só o primeiro.
- 11:52Você passou por outros processos, né?
- 11:54Outros cursos sim, conta um pouco para a gente assim.
- 11:58Então sou Helena. Sim.
- 12:01É o curso da Carola. Foi um curso que não era muito
- 12:04longo. Eu acho que era um curso de 6
- 12:06meses, então vou só startei. A escrita do livro ali até esse
- 12:09momento em que ela, que bom, você encontrou sua voz e ela
- 12:13falou, agora você pode andar para as suas com as suas
- 12:15próprias pernas, mas a gente sempre fica meio que órfão, não
- 12:18é? E fica achando ainda na
- 12:19insegurança de escritores. Estreante meu Deus, será que eu
- 12:22estou indo pelo caminho certo ou não?
- 12:25E aí, durante um tempo é a Carola, fazia uma análise
- 12:29crítica para mim do livro. Uhum, porque logo depois ela
- 12:33enfim convidou alguns alunos que tinham uma certa proximidade é,
- 12:37na verdade eram só mulheres, 4 mulheres, e daí a gente fez um
- 12:42grupo na casa dela que era toda segunda-feira, no qual a gente
- 12:46acompanhava umas os textos das outras e discutia muito sobre a
- 12:49escrita feita por mulheres e sobre e sobre nós, que em grande
- 12:53parte é mulheres apagadas pela história.
- 12:57Tanto artista plásticas quanto escritoras e o processo é.
- 13:00Do inconsciente na realização das obras.
- 13:03Assim acho que foi muito permeado por essas bruxarias,
- 13:06entre aspas. E foi muito importante esse
- 13:10grupo. Na verdade, eu acho que foi onde
- 13:12eu desenvolvi grande parte do livro EE, aí, como eu estava
- 13:17falando do tempo, né? Eu comecei escrever em 2016 e eu
- 13:21lembro que o primeiro Ponto Final que eu considerei o
- 13:23primeiro Ponto Final, eu dei em fevereiro de 2019.
- 13:26Uau, então foi bastante tempo assim, no fundo, no fundo foi
- 13:30escrita longa, né? Uma escrita longa da da qual eu
- 13:32sempre me afastava. Eu retornava, nunca era também
- 13:35algo contínuo, porque tinha outros trabalhos no meio e para
- 13:38mim é muito importante esse tempo de distanciamento.
- 13:40Eu acho que é uma. Coisa que eu acho sobre o
- 13:43mercado é literário e sobre a ânsia da publicação, que eu acho
- 13:47que eu sou uma pessoa muito autocrítica, então eu só vou
- 13:50publicar uma coisa quando para mim eu falar, caramba, isso aqui
- 13:53está bom. Hum-hum, e para eu chegar a esse
- 13:55nível demora muito, porque assim eu sou muito, muito extremamente
- 13:59autocrítica o que me sabota em vários momentos porque eu não
- 14:01deixo a mão fluir, eu fico ali prendendo é, mas eu vejo muita
- 14:06gente com muita sede de publicação que faz uns. 111
- 14:10livro atrás de ouro. Um livro atrás do outro, e eu eu
- 14:12na no meu ponto de vista, é cada livro que eu considero grandes
- 14:16livros são travessias. Eu acho que para fazer grandes
- 14:18travessias você é. Precisa de tempo, o inconsciente
- 14:22precisa de tempo e cada tempo é um tempo e cada livro é um
- 14:25livro, mas eu sinto que tem muita gente que faz um livro
- 14:29atrás do outro e que no fundo, no fundo, são livros que você
- 14:31lê, como se tivesse tomando um copo dágua e que podem ser
- 14:34tecnicamente muito bem, é escritos, mas que para mim eu
- 14:39não gosto de usar essa palavra que eu sei que ela vazia, mas
- 14:41não tem alma, não pulsa, entendeu?
- 14:44Então eu sei que o meu processo ele exige tempo e eu sei que
- 14:48cada livro é uma grande travessia, então.
- 14:50Mas. Não vai um pouco também desse
- 14:52tempo de cada um que é, por exemplo, esse seu mais novo?
- 14:54Acho que você está num, num num tempo descrito um pouco menor,
- 14:57não está um pouco menos dilatado?
- 14:59É, na verdade, eu comecei a escrever um novo foi em agosto
- 15:03de 2020, entendi. Ou seja, já vai fazer 3 anos ou
- 15:08já fez? Ou já fez 3 kg, acabou de fazer.
- 15:113 na hora de terminar esse livro.
- 15:14Mas olha isso, não é? Eu acho que a gente tem um assim
- 15:17como é difícil fazer sinopse e falar sobre o que a gente
- 15:20escreveu. Eu acho que pra mim é difícil
- 15:22dizer em quanto tempo eu escrevi alguma coisa, SIM, 1 livro, né?
- 15:26Porque o meu primeiro livro eu acho que eu escrevo desde a
- 15:29infância. Ah, exatamente.
- 15:31De verdade assim porque a gente não escreve só quando escreve,
- 15:34né propriamente dito. E eu acho que essa questão,
- 15:37assim de em quanto tempo se escreve um livro, é.
- 15:43Assim eu. Eu.
- 15:43Eu sei que eu escrevi meu livro antes da morte do meu pai.
- 15:46Eu catalogava memórias e meu livro é feito de memórias que
- 15:49foram ficcionalizadas. Rejeitadas, ampliadas, é mudadas
- 15:54e tal, mas eu acho que é. Eu estou fazendo isso há tanto
- 15:57tempo, como que eu digo que eu sentei?
- 16:00Eu assim? A partir do edital que não, eu
- 16:02acho que é um processo quase de uma vida inteira assim, né?
- 16:06EE nesse meio, nesse tempo que eu estava escrevendo esse livro,
- 16:10eu também estava escrevendo outros livros que um dia vão
- 16:12acontecer, né? Concordo.
- 16:13Atualmente? E são muitos processos ali.
- 16:15Durante esse que eu vou lançar esse ano, por exemplo, eu
- 16:17iniciei ele aqui em São Paulo, em 2019.
- 16:20Ele era um livro completamente diferente do que é hoje.
- 16:22Em 2019, era uma coisa, 2020 era outra, 2021 era outra.
- 16:25Em 2022, ele sofreu um momento de pausa.
- 16:28Em 2023, ele virou uma outra coisa, então e então?
- 16:31Acho que também esse tempo ele vai modificando junto com a
- 16:33gente, né, que a gente vai mudando nesses anos.
- 16:35O livro vai junto, claro. E uma coisa que me chamou
- 16:38atenção, você falou no quando você estava no curso com a
- 16:40Carola que você teve esse período que você estava ali,
- 16:42encontrando a escrita e de repente você falou Ah, encontrei
- 16:45minha voz, você falou e a Carola falou, como você acha que foi
- 16:48esse processo? O que que você acha que mudou
- 16:50para você ter falado? Encontrei, é isso aqui.
- 16:52É com essa voz que eu escrevo. Eu acho que foi algo que eu não
- 16:56consigo racionalizar muito bem, que é muito inconsciente mesmo,
- 16:59mas é, é, eu acho que eu encontrei meu estilo uhum, eu
- 17:03acho que é de alguma maneira eu entendi que uma coisa que para
- 17:08mim eu vejo que é muito importante, que eu acho que vai
- 17:10continuar sendo e que para mim interessa é trabalhar, é o ritmo
- 17:15para mim é muito importante a coisa do fluxo de consciência,
- 17:18mas não. É.
- 17:21É uma musicalidade que eu achei que eu nunca tinha tido em
- 17:25termos musicais reais, que é Oo próprio Marcelino, porque aí eu
- 17:28não não respondia o resto da sua pergunta?
- 17:31Uhum. Eu lembro que quando você falou
- 17:34né dos cursos que eu fiz, e então acho muito porque o
- 17:37Marcelino foi uma pessoa. Marcelino Freire foi
- 17:39importantíssimo na história desse livro.
- 17:42Eu já tinha terminado de escrevê-lo na história, lá com a
- 17:452019, quando eu dei o Ponto Final, e aí foi quando eu
- 17:48conheci a Isa. E foi quando eu comecei o meu.
- 17:50É quando você começou, sempre que será várias partes nas salas
- 17:53do Marcelino ficava todo mundo Encantado, né?
- 17:56Era maravilhoso. Esse espaço de troca de oficina
- 17:59é muito importante, né? Sim, sim.
- 18:01É? E a gente fez AA oficina do
- 18:05Marcelino um pouco antes da da pandemia estourar, foi 2020.
- 18:08Uhum. E eu já estava com esse livro
- 18:10pronto, e eu lembro que o Marcelino pediu na primeira aula
- 18:13que a gente entregasse a ele alguns manuscritos.
- 18:16O que é que a gente queria que ele é?
- 18:18Lesse. Avaliar é, e aí eu lembro que o
- 18:20Marcelinho em determinada aula eu fiquei muito surpresa que ele
- 18:23veio falar do meu livro aí falou assim, você tem a máquina do
- 18:25tempo e eu achei isso muito lindo, porque ele falou que eu
- 18:29conseguia manusear o tempo e avançar e retroceder com 11
- 18:33linguagem muito particular. Eu acho que foi essa a linguagem
- 18:35que eu descobri que hoje eu reconheço como minha voz, sim,
- 18:38que não me interessa soltála, porque eu sempre me pergunto
- 18:41agora escrevendo esse novo livro.
- 18:43É o que que é meu e o que que é da personagem, é porque é uma
- 18:47mulher também tem outros personagens, mas tem uma mulher,
- 18:50é que protagoniza. O outro livro é e eu fico me
- 18:54perguntando, o que que é a voz minha?
- 18:55O que que é a voz do personagem? E para mim é, é, é meio difícil
- 18:59delimitar, porque tem um trabalho que me interessa fazer
- 19:02e tenho um trabalho também, que que eu acho que cabe a cada
- 19:05livro e a cada personagem que você escreve.
- 19:08Então o Marcelino foi muito importante.
- 19:09Esse livro só existe porque ele criou o prémio, toca, não é?
- 19:13E. A partir do prémio, toca que a
- 19:16Isa participou também. E que aí eu ganhei que o memória
- 19:19de ninguém nasceu publicado pela nós, então acho que o Marcelo
- 19:23não tem que ser sempre louvado, porque existem muito, muito,
- 19:28muito, muitas poucas iniciativas, né?
- 19:31De publicação de autores estreantes no Brasil.
- 19:33Acho que só tem o prémio Sesc EOCEP.
- 19:37Que é de Pernambuco, são poucas, não tem mais nenhum.
- 19:40Eu acho de publicação assim, de autores estreantes independentes
- 19:45e tem uns editais de incentivo, como o ProAC.
- 19:47Você ganhou. É, mas eu acho que tem alguns
- 19:50outros. Agora a gente está tendo o
- 19:52prêmio. Contato de comunicação sim, que
- 19:55é um prêmio de publicação também é, mas eu acho que com é é isso,
- 20:00né? Tem prêmios nacionais, como Sesc
- 20:03que você falou, tem o Carolina Maria de Jesus, que também é um
- 20:06edital de publicação. Que teve a primeira edição
- 20:08receber, teve a primeira edição do ano passado, na verdade.
- 20:11Acho que esse ano, mesmo esse. 2 meses, 3 foi o.
- 20:13Que foi quando? É verdade, verdade, verdade.
- 20:16Mas eu acho a gente, a gente. A gente quis chamar também para
- 20:20esse episódio e chamar chamá-lo assim, que eu acho que tem muito
- 20:23a ver com o seu processo de ter escrito um livro como você
- 20:27falou. Colocado um Ponto Final e depois
- 20:29esse Ponto Final. A história se abriu novamente
- 20:31para uma para novas edições e para um novo olhar sobre esse
- 20:35livro. Mas eu queria entender um pouco
- 20:39desse processo que você parou agora o livro ele não estava
- 20:41pronto quando ele chegou, quando ele foi premiado e chegou na
- 20:44editora depois da editora, ele ainda passou por novos
- 20:47processos. Como que foi isso?
- 20:49Quantas reescritas, quantas revisões, o que que aconteceu
- 20:52nesse meio do caminho? Ah, então como eu estava
- 20:55falando, eu sou meio incessante nessa coisa de estar sempre
- 20:59querendo melhorar, melhorar e até 1 hora que eu acho que se
- 21:01continuasse eu poderia estragar. Uhum, mas.
- 21:07Porque logo que eu dei o primeiro Ponto Final, em 2019,
- 21:09eu comecei a mandar para as editoras e eu tinha uma coisa
- 21:12que eu achava que era muito ético, que agora eu entendo que
- 21:15se fosse de novo, não faria dessa maneira.
- 21:18Era mandar para uma editora e ficar esperando a resposta dela,
- 21:21até que eu me tornasse que eu achasse que eu poderia mandar
- 21:24para outra. Então que sofrimento?
- 21:26Eu fiquei esperando muito tempo, entendeu?
- 21:28E era nunca era um não diretamente.
- 21:31Era sempre quase sim, que depois virava um não por causa de
- 21:34outras questões. Entendi.
- 21:36Então? Eu esperei muito tempo.
- 21:39É, é esses nãos quase sim chegarem para eu para eu
- 21:43continuar atrás de uma outra editora.
- 21:45Então veja, comecei em 2019, eu dei esse primeiro Ponto Final e
- 21:50tinha ainda um final que eu considerava muito pueril e
- 21:55muito, muito fechado e não me interessa.
- 21:57Finais fechados. Aí eu lembro que no em agosto de
- 21:592019 eu reescrevi o final e aí foi quando eu falei, esse sim é
- 22:03o, é o verdadeiro final. E aí 2020 vai ver a pandemia?
- 22:08E aí, como a editora estava quase fechando, veio a pandemia.
- 22:10Aí acabou tudo. Foi para ela, acredita?
- 22:14Que fica nesse, e. Cada um desse desses pontos
- 22:18finais é um novo livro, né? É um, é um livro completamente
- 22:21diferente. Porque você vai se distanciando
- 22:23e voltando ao livro e vai vendo que não, que é OE.
- 22:25Você mudou também, como você disse na Isa, então.
- 22:29E, por exemplo, na no último tratamento que eu fiz, que aí,
- 22:32depois do prêmio, toca de fato é pra mim.
- 22:35AOAO livro quando foi pro prêmio, toca eu já tinha feito,
- 22:39sei lá, 56 revisões. 2 de título.
- 22:43Né? Mudou de título várias vezes,
- 22:44porque antes chamava o número da casa que era a casa 1757.
- 22:48Depois virou 1757 e falaram olhando isso aí, uma data
- 22:50histórica. Parece livro histórica, né?
- 22:52Meu 808 e 8 é. Tipo, é tipo, é um livro, é.
- 22:57De guerra de. Pois é um livro do livro sobre
- 23:00guerra, uma não-ficção no caso, né?
- 23:03É, e é muito louco como veio esse nome?
- 23:06Memória de ninguém foi veio a partir o meu.
- 23:08Tem um grande tio que já faleceu, mas que eram imenso.
- 23:11O poeta maranhense nauro Machado.
- 23:14E Ah, então aí o livro é foi publicado na revista granta, que
- 23:20é uma das publicações literárias mais prestigiadas do mundo.
- 23:24E eu lembro que na época que foi pra pra finalizar a edição, o
- 23:28editor, que é o Gustavo Pacheco, que é um grande autor, também
- 23:32falou, agora é melhor você botar o nome do livro que você, o nome
- 23:36original, e daí eu fiquei batendo a cabeça 2 dias porque
- 23:39eu tinha que decidir rápido qual seria o nome do livro e aí eu
- 23:42falei, tio, me dá uma luz e abri um uns livros, umas poesias do
- 23:45meu tio que ele era poeta. E aí eu encontrei um verso de um
- 23:49poema dele que é o primeiro verso de um poema que é o nada é
- 23:52ser memória de ninguém e pra mim essa é a grande questão da
- 23:56protagonista desse livro que ela tem muito medo é de não deixar
- 24:00nada no mundo, porque ela se acha 10 à esquerda.
- 24:03Nossa, muito legal esse encontro contigo.
- 24:05É, eu já ouvi essa história muitas vezes e toda vez eu acho
- 24:09ela incrível. E aí virou memória de ninguém.
- 24:12Depois a Carola botou luz sobre outra coisa que também é que é
- 24:1411 questão de ser apropriada, das próprias memórias para fazer
- 24:17essa travessia. Porque eu acho que a gente vai
- 24:21ser memória de ninguém. Em algum momento vai chegar um
- 24:24momento em que todas as pessoas que nos conheceram vão morrer.
- 24:27Então a gente vai se tornar memória, né?
- 24:31Ninguém vai poder contar sobre a gente mesmo porque já não está
- 24:34mais aqui, então acho que é um título muito, muito importante.
- 24:38Por isso também é uma crise da personagem, mas eu acho que
- 24:41chega num momento em que que não existe mais, não é essa memória
- 24:46oral sobre nós mesmo, não é? Gente, e a gente está a gente,
- 24:50querendo ou não no podcast, a gente fala muito aqui, né?
- 24:52Para escritores, escritoras e, por exemplo, você estava falando
- 24:541 hora que o livro ficou muito tempo em uma editora e você
- 24:57esperando essa resposta, esse vai, não vai que você mandou só
- 25:00para ela. Se você pudesse até hoje que
- 25:02você já publicou, é uma autora publicada.
- 25:04Deixar uma dica para quem está nesse processo de tem o primeiro
- 25:07original, a gente pensando nesses caminhos, né, pra até
- 25:10pro. Até a publicação que que você
- 25:12diria assim, que seria 111 caminho possível, um caminho
- 25:15melhor, deixar numa editora só, esperar enviar para várias
- 25:19editoras? É entrar em contato com outras
- 25:21pessoas antes. Quem será que a gente poderia
- 25:23fazer? Para facilitar esse encontro do
- 25:25livro com uma editora que que você quer que você acredita?
- 25:29Então, eu sempre achei que era muito antiético e eu concordo,
- 25:31porque é todo mundo tem suas editoras que você considera que
- 25:35tem mais a cara do seu livro, então o que você quer publicar
- 25:37por elas? É até importante na iniciativa.
- 25:40É muito importante para você ver o Cato conhecer o catálogo daí.
- 25:43Ora, e ver se ela tem a ver com o que você acredita é eu.
- 25:47Acho que o meu livro fez o caminho certo que ele está na
- 25:49nós, que eu acho uma editora incrível, é que dá voz a
- 25:52mulheres que têm um estilo muito próprio.
- 25:54Eu acho isso muito importante e tem um trabalho gráfico
- 25:57belíssimo e uma excelente distribuição.
- 26:00Então, era uma editora que eu sempre também quis ser publicada
- 26:04Por Ela e no final das contas foi assim.
- 26:09Mas aí eu lembro que no final do ano passado eu fiz o curso de
- 26:12edição porque, enfim, eu me interesso também pela área
- 26:14editorial e eu quero um dia sei lá, de repente, trabalhar com
- 26:17livros em outros, sentido. Com o André Conti, que é o
- 26:21editor da todavia, uhum. E eu perguntei a ele, durante o
- 26:24curso, que que você acha ético? Você acha ético um autor é sair
- 26:28mandando um livro para várias editoras.
- 26:31Ele falou que ele considera um tempo padrão de resposta, se Oo
- 26:34tempo de respostas. Para Paula há 3 meses.
- 26:36Caramba, 3 meses. Não é que você parta para outra
- 26:40e ele falou, eu nunca deixo um autor sem resposta, eu acho.
- 26:44Eu sou muito bonito. Você não pode deixar alguém sem
- 26:46resposta. Então hoje eu passaria 3 meses.
- 26:49Não me deu uma resposta. Eu vou partir para a outra.
- 26:51É óbvio que eu não vou sair que nem não sairia.
- 26:54Estão estreando agora de novo, que nem uma é insensata,
- 26:58mandando livros para todas as editoras que sequer eu sei que
- 27:01teriam a cara do meu livro. Mas enfim, eu acho que tem que
- 27:05ser um processo que você também tem que acreditar no seu taco e
- 27:08se alguém não te dá uma resposta, 11 silêncio ou não,
- 27:11né? Sim.
- 27:12Então vamos adiante e. E daria uma média de 4
- 27:16tentativas por ano, né? Se a gente considerasse.
- 27:18É 3 meses, é verdade. EAE partindo disso que você
- 27:22falou também de não sair mandando para qualquer editora a
- 27:25gente tentar buscar uma editora que tem a ver com a gente, com a
- 27:27voz com que a gente escreve, então também a gente vai
- 27:30tornando esse caminho um pouco mais, mais reduzido.
- 27:32Não vai estar com um leque gigantesco.
- 27:34Ah, com certeza, porque é com certeza.
- 27:37Mas eu queria levantar uma questão aqui as minhas questões,
- 27:41mas não é necessariamente não precisa ter uma resposta, mas a
- 27:45gente refletiu um pouco. Eu vou falar, porque é que eu
- 27:47vou, vou perguntar isso. A gente está falando muito de
- 27:50curso aqui e eu também sou cria do Marcelino Freire.
- 27:54Fiz o curso dele esse ano, assim como vocês. 2 foi monitora,
- 27:58assim com Maísa e para mim, assim mudou mesmo a minha vida.
- 28:02Outros cursos que eu fiz me ensinaram coisas diferentes.
- 28:05Eu sempre faço muitos cursos assim, online, presencial e tal,
- 28:10mas às vezes eu vejo em alguns casos que a pessoa faz muito
- 28:14curso e ela acaba não entendendo mais a voz do próprio livro.
- 28:19Porque ela está querendo ou não se adaptando a estilos de eu não
- 28:24estou falando assim, que é a pessoa que dá o curso que faz
- 28:27isso, mas a pessoa já começa a mudar muito o livro e não
- 28:31entender mais para onde está indo, porque Ah, agora eu estou
- 28:34fazendo esse curso e entendi isso e às vezes vai para um
- 28:36outro escritor que tem um outro estilo e eu queria refletir um
- 28:42pouco sobre isso. Assim, quando é a hora de fazer
- 28:44curso e quando é hora de parar de fazer curso e você realmente
- 28:48fechar o seu projeto, porque vamos supor que o caminho
- 28:51tivesse sido diferente. Se eu não tivesse é ganhado
- 28:54toca, né? Que eu acho que.
- 28:56O toca foi realmente um Ponto Final ali dos primeiros pontos
- 28:59finais, né? Porque dentro da editora ele foi
- 29:01editado também, mas assim que em uma pessoa que não tem uma
- 29:05premiação, não tem um edital como eu, que tive um tempo ali é
- 29:10fechado de produção. Quando é o momento de você olhar
- 29:14e falar assim, cara, eu aprendi tudo isso, eu estou aprendendo
- 29:18tudo isso, mas eu preciso seguir.
- 29:20Eu preciso fechar esse livro, EEE encontrar também OA minha
- 29:25voz dentro dele, né? Não é uma, não precisa ter uma
- 29:28resposta, mas é algo que eu sempre procuro pensar assim, que
- 29:32eu vejo as pessoas achando que precisam fazer o curso, que o
- 29:36curso vai resolver o livro delas e às vezes o curso não é pra
- 29:40isso, né? Não é pra editar o seu livro,
- 29:42não é pra reescrever o curso. Ele tem muitas, muitas e muitas
- 29:46camadas e questões. Tem gente, por exemplo, que eu
- 29:48faço curso esse curso do Marcelino, que começa com um
- 29:51projeto e depois vai para outro projeto.
- 29:53Então dentro do curso você entende, né?
- 29:56Qual é o livro que você está escrevendo no momento?
- 29:59E não sei, queria que vocês falassem um pouco sobre isso.
- 30:02Eu acho que eu vou até puxar um pouquinho pra mim, por exemplo,
- 30:04o curso EE vindo do Marcelino. Ele veio muito até como um ponto
- 30:07de partida, foi onde eu encontrei o meu tema, que eu até
- 30:10eu gosto de contar também a história.
- 30:11O Marcelinho tinha um exercício que era 10 cenas da sua infância
- 30:15e aí nesse exercício, uma das cenas, eu coloquei que era o
- 30:17quarto de objetos de montaria do meu avô e eu lembro-me que essa
- 30:21cena chamou muita atenção das pessoas.
- 30:22Nem todo mundo está acostumado com a fazenda, nem todo mundo
- 30:25tem o quarto com objetos de montaria, então todo mundo ficou
- 30:28nossa, mas que isso, que lugar é esse?
- 30:30Próprio, Marcelino falava que quarto é esse?
- 30:32O que tem dentro? E aí eu comecei a pensar nisso,
- 30:34voltei para aquelas memórias de fazenda, voltei para aquele
- 30:37lugar e o livro partiu todo daí. Depois ele virou uma outra
- 30:40coisa, mas eu fiquei nessas paisagens.
- 30:42Então ele veio muito como esse ponto de partida e acredito que
- 30:45também essas oficinas têm muito um lugar de escuta, de você ler.
- 30:48E enquanto você lê ali com seus colegas, você vai entendendo
- 30:51aonde o texto alcança, aonde o texto até mexe com as pessoas.
- 30:54Tem coisas que eu escrevi que eu vi que todo mundo ficava ai,
- 30:57isso é lindo, isso é incrível e às vezes tinha capítulos que eu
- 31:00escrevi aqui que que que não mexia muito e isso não para você
- 31:03estar numa validação externa. Mas eu acho que você vai
- 31:05entendendo um pouco aonde o seu ritmo funciona, então.
- 31:08Mim é um pouco esse ponto de partida e esse lugar do saber
- 31:12que seu texto pode ser lido. Esse lugar da escuta, mas Eu
- 31:15Acredito que é muito importante a gente se voltar assim pra
- 31:17dentro também. O livro, ele tem esses 2
- 31:19momentos importantes. Ele tem um momento que pode ser
- 31:22o do coletivo ali, da leitura, da escuta, de estar com colegas,
- 31:26de estar em oficinas, mas tem um momento que é muito importante
- 31:28do você escrever consigo mesmo e às vezes até acreditar e bancar
- 31:32um pouco você que eu não sei se já aconteceu com vocês, mas às
- 31:34vezes até em processo de edição ou revisão, vem muita, muitas
- 31:38coisas incríveis que ajudam muito o livro e coisas que você
- 31:41fala não. Esse aqui eu não vou mexer esse
- 31:43aqui. Acho que é importante para mim,
- 31:45então acho que vem desse olhar para dentro também.
- 31:46Eu acho que vai nesse Balanço do você, do que você falou não
- 31:50ficar sempre só na oficina, porque você está sempre só nesse
- 31:53lugar externo. Tem 1 hora, quer entrar, fechar
- 31:55a porta do quarto e falar, não, agora sou eu comigo aqui eu vou
- 31:58resolver. E nem só da oficina, mas o lugar
- 32:01do outro, não é? Eu acho que é esse outro.
- 32:03Não é? Que pode ser o editor que pode
- 32:05ser o preparador, que pode ser até o revisor, né?
- 32:08Te apontar coisas ali. E você.
- 32:10Você falou muito na Helena do da voz própria, do estilo?
- 32:14Tem coisas que às vezes escapam de algumas coisas, né?
- 32:17E você precisa bancar e falar, não, isso é meu.
- 32:20EE isso. É Importante Pra Mim, isso é
- 32:22Importante Pra Mim. É, é, eu estava pensando sobre
- 32:26isso agora. É, eu acho que existe uma parte
- 32:31da técnica da escrita da técnica literária que se ensina e existe
- 32:36uma outra parte que eu acho que não é da ordem do ensinável.
- 32:40Então, e eu acho que tem muitos autores que podem escrever a
- 32:44vida inteira tecnicamente perfeita, mas que nunca vão ter
- 32:46uma voz própria. Então eu acho que a os cursos de
- 32:51escrita eles são importantes, por isso que a Isa falou por
- 32:54conta da da, da troca da escuta. Mas um leitor ideal nunca vai
- 32:58existir. Não.
- 32:59Existe um leitor ideal? É uma.
- 33:00É uma organização utópica, porque quem é seu leitor ideal?
- 33:04Cada leitor é um leitor e eu também acho que, por exemplo, se
- 33:07eu vou pedir análise crítica a alguém, eu vou pedir análise
- 33:11crítica. Não vou sair dando para todo
- 33:12mundo, eu vou pedir análise crítica?
- 33:14Essa frase dá para usar para muita coisa.
- 33:20Vou salvar, vou. A?
- 33:22Gente, está falando aqui no podcast que a gente vai fazer
- 33:25camisetas. Com frases icônicas, é?
- 33:30O que eu vou sair? Daqui?
- 33:31Porque todo mundo mesmo seja um seletivo, é 111.
- 33:35Análise crítica. Eu vou entregar para autores.
- 33:37Que você? Que é o que eu confio e que eu
- 33:39acho que tem um estilo parecido com o meu e que pensam a
- 33:42literatura de uma maneira parecida.
- 33:44Eu nunca vou entregar o livro meu, por exemplo, para um autor
- 33:47que trabalha com a narrativa clássica de AAZE, que seja
- 33:51completamente ligado a algo. É romanesco factual, é na
- 33:58jornada do herói e que não tem um trabalho de linguagem e eu me
- 34:03interesso muito mais por trabalho de linguagem, por
- 34:05autores que que que dão espaço para essa coisa do mistério para
- 34:08mim, um mistério muito importante.
- 34:10Tem uma frase que a Carola sempre fala, quando a gente
- 34:12conversa que é. O que que a gente aprende com
- 34:15esses cursos de escrita? Eu estou associando não essa
- 34:17frase dela é. Igual andar de bicicleta, você
- 34:21tem a técnica, você aprende a andar de bicicleta.
- 34:23A partir do momento que você está andando de bicicleta, que
- 34:25você já aprendeu a andar de bicicleta, aí você anda, é
- 34:29naturalmente. Aí você pode olhar a paisagem em
- 34:31volta, fazer coisas que você bem quiser, a bicicleta, você fica
- 34:35livre na bicicleta porque você já tem a técnica do pedalar e
- 34:38aquele livro para você já é natural, já está entranhado,
- 34:41então acho que é quando você adquire a técnica da escrita,
- 34:44aquilo ali vai naturalmente e aí o inconsciente tem muito mais
- 34:48poder para se manifestar. E para você encontrar é coisas
- 34:51que saem do do. Do terreno habitual assim e
- 34:55também para encontrar sua própria voz.
- 34:57Eu Acredito, e eu também acho que essa coisa de encontrar voz
- 35:01tem muito a ver com as nossas referências e com e muitas vezes
- 35:04essas referências elas não são. É racionalizadas ou elas, elas
- 35:08ficam. Eu acho que elas ficam ali no
- 35:10inconsciente e de repente você vê que aquilo ali é o que mais
- 35:15te impactou ao longo da sua vida.
- 35:16Uhum, por exemplo, essa é uma história com fluxo da
- 35:18consciência hoje, pensando, olhando para trás, não foi algo
- 35:21que eu decidi, mas são os escritores que mais me tocaram
- 35:24assim, Joice, Clarice, Virgínia, woff.
- 35:27Sim. Isso, aliás, de de fluxo da.
- 35:30Consciência ele tem um ritmo muito rápido, sua cabeça
- 35:33funciona assim também. É minha cabeça é uma.
- 35:35É uma tormenta, cara. É um inferno.
- 35:37É frenética. É horrível.
- 35:39A gente está falando aqui de viagem de é de passeio, de
- 35:43bicicleta e eu acho que a gente está falando nesse episódio
- 35:47justamente de quando parar a bicicleta, né?
- 35:50Quando colocar o pé no chão e falar, tá?
- 35:52Aham, porque a tática sempre vem com umas analogias, sempre umas.
- 35:55Analogias, inclusive, inscrevo com muita analogia, mas eu acho
- 36:00que. Eu não sei se essa viagem
- 36:02termina, né? Eu fico me perguntando assim,
- 36:05claro que tenho momento do Ponto Final, final, final.
- 36:08Esse mesmo vale esse igual arquivo.
- 36:09Não é de quando a gente faz um arquivo, vale esse OK?
- 36:12Esse mesmo agora foi, mas eu acho que é para mim assim, um
- 36:18livro, ele está sempre em aberto, sabe?
- 36:21Eu tenho uma frase que eu uso muito quando alguém vem falar
- 36:23assim, ai eu não sei se eu terminei o livro EE eu a gente
- 36:27está falando muito de livro aqui, mas eu acho que isso vale
- 36:30muito também para outros escritos, não é?
- 36:32Para contos, para textos que a gente vai receber roteiro, né?
- 36:38Enfim, dramaturgia, mas eu acho que eu sempre falo assim, ai,
- 36:42texto a gente não termina, a gente desiste por.
- 36:46Eu acho que se não tiver um momento de falar assim, tá agora
- 36:49eu preciso ou porque o prazo está ali ou porque a editora ou,
- 36:53enfim, alguma coisa acontece para nos parar, mas às vezes é
- 36:56uma coisa meio imposta, não é uma desistência mesmo, não no
- 37:00sentido de desistência. Ah, inconformada e algo assim,
- 37:04mas assim você precisa parar. Tá bom, vou largar.
- 37:07Agora é não. Agora eu preciso agora deu EE eu
- 37:10ou já ouvi a Simone, né? A sua editora falando.
- 37:13Do seu processo No No, num curso que eu fiz, ela é deu alguns
- 37:17depoimentos e contou alguns bastidores e ela falou isso.
- 37:20Ela falou assim, nossa começou, falou muito e sabe porque a
- 37:23Helena? Ela?
- 37:24Ela, eu precisei falar Pra Ela parar, porque estava tendo muita
- 37:28edição e porque ela justamente o que você falou é, é, tem essa
- 37:31questão autocrítica que eu acho que é muito positiva a gente
- 37:34olhar para o próprio texto em algum momento ela falou assim,
- 37:37mas eu acho que eu também sou assim, eu acho que eu também
- 37:39fico mexendo e fico achando que tem alguma coisa, então eu acho
- 37:43que tem. Que ter alguma coisa para não se
- 37:46parar, mas eu insisto nisso assim, eu acho que a viagem
- 37:50nunca termina. Um livro sempre está sempre em
- 37:52aberto. Né?
- 37:55Oi, meu nome é Camila Lourenço e eu tenho 3 livros publicados, é,
- 37:59eu tenho algodão cru, que é um livro de contos publicado de
- 38:01maneira independente pela Amazon io, que é uma novela inversas,
- 38:05publicado pelo selo auroras, e o percurso da Pedra, que é um
- 38:09romance publicado pela editora Clara boia.
- 38:12Bom. Quando eu sei que o meu texto
- 38:14está pronto, a verdade é que eu acho que ele nunca está pronto
- 38:19para mim. Para mim, sempre dá para colocar
- 38:21mais uma palavra, mudar uma palavra, mudar mais uma frase,
- 38:25mandar mais um parágrafo, um capítulo inteiro.
- 38:27Sempre tem mais alguma coisinha que eu possa fazer que eu possa
- 38:30o acrescentar ou ou tirar para mim, sempre dá para melhorar.
- 38:35Sempre dá para mudar. E foi a jery de Arraes que me
- 38:40disse uma vez que a gente não, a gente não termina um texto, a
- 38:44gente desiste dele e é assim que funciona comigo.
- 38:47Chega o momento em que eu desisto de texto, geralmente
- 38:50depois da 28ª leitura em voz alta, quando eu já estou cansado
- 38:55daquele texto, eu decido que ele está pronto.
- 38:59Não, brincadeira é. É, mas é realmente assim.
- 39:03Depois de muitas leituras, leituras em voz alta, é uma
- 39:07coisa que eu gosto muito de fazer.
- 39:08Em algum momento eu percebo que o texto, ele flui, que ele flui
- 39:14bem, mesmo eu querendo ainda alterar uma coisinha ou outra,
- 39:18ele flui e quando texto está fluindo, que para mim ele está
- 39:21pronto. Para mim é muito diferente.
- 39:25Foi muito diferente para mim terminar de escrever um conto e
- 39:28terminar de escrever um romance, não.
- 39:31É não só pela enfim, por serem gêneros diferentes, mas porque
- 39:37eu conto para mim, sempre tem espaço para desenvolver mais uma
- 39:40coisinha. Já o romance eu sinto que eu
- 39:42consegui desenvolver o que eu esperava desenvolver e além
- 39:46disso, não é chega um momento no romance que a gente está de saco
- 39:49cheio e assim que a gente desiste dele.
- 39:51A gente não aguenta mais olhar pra cara do romance.
- 39:53Se for assim comigo, pelo menos. E, no fim das contas?
- 39:58Eu acho que o importante a gente se divertir tanto na parte da
- 40:01escrita quanto na parte da edição, que pode ser bem
- 40:04desafiadora, pelo menos pra mim é bastante, mas o importante é
- 40:08isso, é confiar no processo e se divertir enquanto você edita,
- 40:14enquanto você vai à loucura pensando nas 1000 possibilidades
- 40:18que o texto pode te dar. E é isso, gente.
- 40:21Tchau, tchau. Eu acho também, mas assim eu
- 40:24acho que essa coisa eu não vejo muito como uma desistência
- 40:28racional é. De quem escreve?
- 40:32Eu acho que o livro se impõe, uhum, que é o contrário.
- 40:34Ele que fala quando está pronto. Sim.
- 40:37Pelo menos esse daqui me falou, agora eu estou pronto.
- 40:40Sim, é uma coisa meio Mística. Né?
- 40:42É que você entende aquele espaço que você falou, Ah, se eu mexer
- 40:45mais, eu vou estragar aqui é? Sim, eu lembro que eu mexi
- 40:48depois que foi pra editora, eu. Eu mexia só uma única vez que.
- 40:52Foram questões que não era uma questão para o leitor ou uma
- 40:55questão técnica que poderia mudar, mas era algo que eu tinha
- 40:59que resolver comigo. Ah.
- 41:00Então eu precisei mexer. Sim.
- 41:04Então? Foi uma coisa muito mais interna
- 41:06do que em termos narrativos ou ou técnicos.
- 41:09É que a gente está falando de vários finais.
- 41:11Vários finais. Esse nicho que você está
- 41:13falando, eu tive também. Eu acho que a que a Isa também
- 41:16já me falou disso, o meu processo foi assim, eu eu tenho
- 41:20uma personagem também protagonista, e eu senti que eu
- 41:22estava me despedindo dela na Rodoviária, não era, era o
- 41:25aeroporto. Eu senti que sabe assim, quando
- 41:28o ônibus tá partindo e você está conversando ali com a sua amiga
- 41:32e tem muito mais para conversar. Mas você fala assim, cara, a
- 41:35gente vai ter que a gente vai ter que dar um abraço aqui e
- 41:38esperar o próximo reencontro. E para mim foi isso.
- 41:41Assim foi essa sensação, esse foi um final, um final para a
- 41:44editora, que foi o e-mail que eu mandei dia 28 de dezembro.
- 41:47Olha, olha a data, né, bem perto do.
- 41:50Ano-Novo é, ó, esse é o meu original, né?
- 41:54A partir daí que a gente vai, vai trabalhar, mas é isso, tem
- 41:58vários outros finais, né? Porque numa editor, num processo
- 42:02tradicional, você passa por. Eu nem tô falando de leitor
- 42:05aberta. Leitura crítica que geralmente
- 42:09vem antes, mas a partir daí você tem uma edição, você tem uma
- 42:12preparação, você tem uma revisão, então tem muitas idas e
- 42:15vindas e muitas, muitos finais, né?
- 42:17Sim é, e aí tem o agora foi que é a gráfica.
- 42:20Eu acho que a gráfica sim. Se não se não imprimir hoje, não
- 42:26tem livro para o lançamento. Eu acho que esse é o nosso maior
- 42:29é. Nossa, a gente estava falando
- 42:31aqui no e a gente falou No No nosso primeiro episódio, a gente
- 42:34estava nas questões místicas. A Ana Lice foi a primeira pessoa
- 42:37que pegou o autógrafo da Tati no lançamento.
- 42:39A Helena que está aqui, gente também.
- 42:40Ela Foi minha primeira leitora crítica do meu livro novo, que
- 42:43vai vir e que vai escrever orelha.
- 42:44Então acho que a gente está nuns encontros muito bem, é verdade,
- 42:47né? Os 2 primeiros episódios.
- 42:48Primeira foi a. Primeira leitora, crítica que
- 42:51eu. Percebi.
- 42:52Que eu olhei e falei, meu Deus, por que que essa pessoa está
- 42:55fazendo isso tudo por mim? É porque gente leitora crítica
- 42:58é. É muito incrível.
- 42:59Façam. Acho que até a gente pensando
- 43:01nisso, dessas dicas de preparação do livro antes de até
- 43:04de apresentar para uma editora, sim, não pegue essa, talvez essa
- 43:08primeira vez que só você ler só você escreveu e manda ver que é
- 43:10legal, se não. Não tem condições ainda de
- 43:13pagar. No início, vai numa amiga, vai
- 43:16que você, colega, que você confia e pede esse retorno
- 43:19porque é muito importante a gente dar essas esses primeiros
- 43:22vai e vem, né? Essas revisões, esses retornos,
- 43:24o livro, ele enriquece muito. É um processo que eu tenho
- 43:28precisado aprender, porque eu sou.
- 43:29Sou uma pessoa muito impulsiva, sim.
- 43:31Então eu sou muito de fazer e vai-se embora.
- 43:33Não sei se eu vim, peguei um pouco isso, principalmente que
- 43:35eu trabalhei em redação de jornal diário.
- 43:37Uhum. Então você tem um desapego com o
- 43:39texto muito mais rápido. Você tem que escrever, vai,
- 43:41escreve, vai, são poucas edições e eu me acostumei um pouco com
- 43:44isso e nesse processo desse livro atual é onde eu tô dizendo
- 43:47que reaprender de não espera, aí vamos voltar, vamos rever e como
- 43:51ele tá crescendo. Mas é o outro.
- 43:53Professor, é depois de eu ter deixado esse tempo de voltar a
- 43:57ele, reescrever, mudar, escutar. Trazem, está assim, enriquecendo
- 44:01muito. Pra mim isso é muito comum.
- 44:03Assim é 11. Livro é feito de outros, não é?
- 44:07Você não é só os personagens, são muitas outras pessoas nesse
- 44:11processo e eu acho que você falou uma coisa muito incrível,
- 44:14que é a confiança, né? Porque eu acho que é fazer
- 44:18leitura crítica de um livro como você fez da Isa, exige que ela
- 44:21confie em você e você? Enfim, né?
- 44:26Entendendo esse processo, você tem um trabalho ali, né?
- 44:30Uma abertura. Mas eu acho que também exige de
- 44:33quem está entregando esse. Isto, 11 abertura e uma
- 44:36confiança muito grande na pessoa.
- 44:39Por mais que você não siga como você falou, não siga todas as
- 44:42sugestões, né? Tem coisa que você fala, não,
- 44:45isso é meu. Isso não tem como não, não vou
- 44:48por aqui. Eu acho que é 11 processo de
- 44:51abertura muito grande, assim como nas oficinas, né?
- 44:53Hum-hum, mas acho que na leitura crítica é um trabalho ainda mais
- 44:56íntimo, né? De você acessar o outro, né, de
- 44:59você se abrir EE se e entregar uma coisa muito sua não é total.
- 45:04Como que é para você? Inclusive, você faz leituras
- 45:06críticas, não é? Como que é esse momento?
- 45:08Eu. Faço para amigos, não é?
- 45:10É até assim, você já. Fez profissionalizaram.
- 45:13Pois é, já ouvi. Falaram que eu preciso
- 45:15profissionalizar essas leituras? E como tem sido esse momento
- 45:18para você? Esse encontro com o texto do
- 45:20outro nessa, nesse processo de confiança, essa primeira leitura
- 45:23e até de essa confiança de dar esse retorno, olha isso aqui tem
- 45:26que mudar. Isso aqui não está legal.
- 45:28Como que é uma leitura crítica para quem nunca fez?
- 45:31É? É muito doido, porque foi me
- 45:34descobrindo uma boa leitura ao longo da boa leitora ao longo
- 45:37desses cursos, né? Como eu disse, eu sempre li
- 45:39muito e aí depois discursos todos.
- 45:41Eu, eu não acabei não falando. Eu fiz a formação de escritores
- 45:44no Vera Cruz também, que é, eu acho que para quem está
- 45:48começando e quem quer se formalizar mais na escrita, é um
- 45:50excelente curso, tem professores incríveis que dão aula lá, cada
- 45:54um com seu estilo, e acho também isso muito importante que você.
- 45:58Como eu já disse, encontra suas ressonâncias, porque se não você
- 46:02fica, pode ficar igual, é barquinho a vela vai para um
- 46:05lado, vai para o outro, vai para o lado, vai para o outro, porque
- 46:07é isso que você está falando. Tati, que existe algo tem, eu
- 46:10acho que tem um. Eu senti muito assim, uma
- 46:13confiança que eu não tinha em que em determinado momento,
- 46:16agora ninguém tira minha confiança, hum-hum, não vai
- 46:18chegar ninguém no meu texto e falar se vai mudar isso, se eu
- 46:22tiver certeza que eu não vou mudar, eu não vou mudar, porque
- 46:25eu eu entendo que chegou um lugar que eu entendo o que é que
- 46:27eu estou fazendo a? Coerente, o que eu estou
- 46:30fazendo, então, não vai ser qualquer opinião que vai.
- 46:33Fazer com que eu mude o que a minha intuição está dizendo, que
- 46:35é o correto. Uhum, é, mas eu acho que isso
- 46:38custou tempo para eu alcançar. É, e daí?
- 46:43Em relação a leituras assim, eu acho que tem muito a ver você
- 46:46ter ressonância, tipo a gente sempre se identificou ao longo
- 46:49das nossas aulas do Marcelino, você lia seus textos.
- 46:51Eu achava maravilhosos. Aí eu li os meus, você gostava
- 46:54também. Achava maravilhoso.
- 46:56A gente não fala isso andando. Nós.
- 47:00A gente foi encontrando lugar de ressonância, então a gente
- 47:03percebeu que de alguma maneira a gente gostava de coisas.
- 47:06É parecidas, né? Hum, eu acho que até tem uma
- 47:08temática muito com a questão do corpo, que o seu livro tem, que
- 47:12o meu também tem. Então tem uma ressonância de
- 47:14temas também. Porque eu acho que a leitura
- 47:18crítica exige isso, uma confiança no outro e não dá para
- 47:21você fazer leitura crítica de qualquer livro, porque há livros
- 47:24que vocês, se alguém chegar com uma narrativa clássica para mim
- 47:27pedir aí. Além de dialoga e nada com você.
- 47:29No dia, logo em nada, comigo não vai nem me.
- 47:30Interessar fazer uma leitura crítica desse livro e talvez não
- 47:33se endereça bem também que você faça, né?
- 47:37Porque você vai vim com um olhar que não, que não é o propósito.
- 47:40Eu vim com o olhar que é muito mais de linguagem e de voz e
- 47:43muito menos de narrativas estruturais clássicas.
- 47:46É óbvio que o meu olho é muito apurado pra isso, porque eu sou
- 47:50roteirista, enfim, trabalhei muito tempo com roteiro, então
- 47:53tem a jornada do herói, muito entranhada, mas não é o que me
- 47:55interessa na literatura. Uhum.
- 47:57Da minha literatura é outro terreno, sim.
- 47:59Legal, aí sim, gente para vocês, esse processo todo até chegar
- 48:03numa publicação, qual a parte mais difícil?
- 48:06Qual a parte mais desesperadora? Acho que é a confiança de que
- 48:09vai dar certo. Um dia a gente vai piorar.
- 48:12De férias? No sentido.
- 48:17Religioso? Que andou falando?
- 48:18É isso, é a fé, é uma fé irrestrita de que aquele objeto,
- 48:22aquela coisa imaterial, vai se tornar, né?
- 48:25Um objeto? Ah.
- 48:27Eu acho que pra mim, a pior parte é escrever mesmo.
- 48:30Nossa, Sério, não. É, porque assim eu não falo em
- 48:32escrever como 11 coisa é isso, né?
- 48:38Durante o processo do livro, eu fui entendendo que escrever não
- 48:41não tinha que ser um sofrimento, uhum.
- 48:43E eu acho que isso é muito importante assim para mim, que
- 48:47eu percebi dentro da minha história, dentro de da história
- 48:50de mulheres que eu observava que escrever era um ato carregado de
- 48:54sofrimento. E eu?
- 48:57E assim tentei resistir a isso, porque eu pensei que por que
- 49:02isso, né? Eu fui pra pra esse viés assim,
- 49:05tá? Mas por que que eu sofro e eu
- 49:08entendi que a minha escrita não estava no tempo presente?
- 49:11Ela estava num tempo futuro. Parecia que aquele sofrimento só
- 49:14acabaria se alguém lesse e gostasse, ou se fizesse sentido,
- 49:19que é o meu grande propósito na escrita, né?
- 49:21Fazer sentido e aí eu falei assim, cara, eu vou confiar o
- 49:25fim desse sofrimento é uma coisa tão imaterial e incontrolável,
- 49:29porque pode ser que eu não seja lida.
- 49:32Pode ser que as pessoas não gostem.
- 49:35Então assim, tudo isso não vai ter valido a pena.
- 49:38E aí eu entendi que a escrita ela é EE também tinha uma
- 49:42questão do passado, que era aquela coisa do da culpa, né?
- 49:45Ah, eu devia ter escrito antes, está vendo Tatiana?
- 49:48Edital, você devia ter começado antes, você devia estar com tudo
- 49:51pronto, você devia ter escrito todo dia como os manuais mandam
- 49:55e aí eu falei, não, a escrita não está no passado, ela já não,
- 49:58ela já não aconteceu lá, então eu eu parto daqui e.
- 50:02Também não está no futuro, porque pode ser que essa leitura
- 50:04não aconteça esse sentido não aconteça.
- 50:06É tudo muito incompreensível e incontrolável.
- 50:10Então a minha escrita vai acontecendo, o tempo presente e
- 50:12eu decidi que eu IA escrever até o fim da minha vida.
- 50:15Se eu não tiver alguma doença degenerativa, alguma coisa, eu,
- 50:18eu pretendo escrever até morrer. E eu falei, cara, eu vou sofrer
- 50:21até eu morrer. Eu vou escrever com sofrimento
- 50:23até a minha morte. Eu falei, não, eu.
- 50:25Eu vou escrever com prazer, porque eu acho que a escrita e
- 50:28eu escrevi um livro de luto, uhum, é um tema, né?
- 50:31Muitas vezes a personagem passou por coisas ali.
- 50:33Ruins e tal, mas às vezes, juro, as pessoas não acreditam, mas às
- 50:38vezes eu escrevia com muito prazer, com muita Alegria,
- 50:41porque eu estava escrevendo um livro.
- 50:42É sempre, não é não, não, não vou dizer que é uma coisa
- 50:46utópica. Ai nossa, sempre escrevo
- 50:48sorrindo e é sempre bom. Eu acho que tem momentos
- 50:51difíceis do que você está escrevendo, mas para mim assim é
- 50:57é que eu gosto muito. Eu já falei isso para Isa, eu
- 50:58gosto muito do processo de adição, eu amo editar, eu amo
- 51:01editar outros livros, eu faço isso com.
- 51:04Muito prazer, inclusive de uma forma não profissionalizada.
- 51:07Agora, eu estou profissionalizando.
- 51:09Mas eu gosto muito desse processo, sabe de você afinar de
- 51:12você, refilar o texto. Uhum.
- 51:15Isso é muito legal para mim. Então a escrita para mim é o.
- 51:18Às vezes eu penso num livro novo que eu estou escrevendo e eu
- 51:21falo assim, nossa, eu tenho tanta coisa para escrever, sabe?
- 51:24Então, para mim, é essa a parte mais difícil de tipo editar.
- 51:27Eu sei que que o que o texto já está ali agora é fazer construir
- 51:32esse texto. Para mim é mais.
- 51:33Difícil. Esse processo está escrito, eu
- 51:35vou fazer até descobrir como espaço prazeroso agora.
- 51:38Mas é engraçado. Eu nunca tive muito isso.
- 51:39Não sei como é. Pra Helena, isso do sofrimento
- 51:42de escrever, na verdade. Como é?
- 51:44Cada um é cada um, não tem jeito pra mim é.
- 51:47Minha melhor parte do dia, assim eu me inscrever e eu fico até
- 51:51vendo meses que eu paro mais para fazer isso, para ter esse
- 51:54contacto do livro, me dá um ai, que é isso que eu estou fazendo,
- 51:58me dá 11 coisa, não é nem de ai sorrindo Felicidade, mas é um
- 52:02prazer. Mesmo assim, eu nunca tive esse
- 52:03sofrimento no durante o meu sofrimento é a espera, né?
- 52:06Acho que a ansiedade da espera do tafiz na nossa caramba fiz
- 52:11isso aqui tudo bem, o que é que vai acontecer com isso agora?
- 52:13Aí eu fico ansiosa nesse processo de espera e descobri
- 52:16também um lugar muito prazeroso agora, nesse da reescrita e da
- 52:19né de da da edição de voltar que, por exemplo, eu voltei ao
- 52:21livro depois de muita. E aí eu fui ler como leitor, e
- 52:25aí também deu aquele estranhamento do Ney, the fiz
- 52:28aqui. Estava doida?
- 52:29Quem escreveu? Então é quem escreveu esse
- 52:30negócio aqui, meu Deus, que vergonha.
- 52:32E aí também me deu esse prazer de estar, então vamos voltar,
- 52:35vamos melhorar, vamos ver o que que eu consigo reestruturar,
- 52:37Hum, mas é isso pra mim, acho que não é muito durante eu tenho
- 52:40esse sofrimento com a espera, com o que que vai acontecer com
- 52:42isso depois? 3 meses para vocês, seriam?
- 52:45É esses 3 meses de espera que podem ser 3 meses ou 6 ou um
- 52:49ano. Nunca se sabe. 3 como foi meu
- 52:51caso? É o 3 anos, esse é, mas Oo.
- 52:54Durante eu gosto bastante. E pra você?
- 52:56Helena, eu sou o contrário de vocês.
- 52:58Eu pra mim é horrível, mas é porque pra minha escrita é muito
- 53:03sofrida. Eu acho que me interessa muito.
- 53:05É. Mergulhar eu gosto muito, acho
- 53:09que por isso que eu gosto também é me interessa muito mais, é do
- 53:13que AA coisa factual que eu estava dizendo é mergulhar no
- 53:16interno dos personagens e sempre que você mergulha.
- 53:19Isso é difícil. Sempre que você mergulha, é um.
- 53:21É um. Catatau de sofrimento, assim.
- 53:25Então eu é para mim, a escrita é muito sofrida e eu acho que isso
- 53:28me atrapalha muito. Uhum AA produzir mais porque é.
- 53:33É, eu fico bem porque como a minha cabeça é muito pulverizada
- 53:36e tem muitos rizomas e ela vai. Tem 1 hora que eu acho que eu
- 53:40vou me perder, então não consigo.
- 53:41Por exemplo, eu não escrevo sentada no computador, eu
- 53:44escrevo falando como Bloco de Notas e anota uma coisa aqui.
- 53:47E aí, quando eu vejo minha mesa está uma maluquice e até eu
- 53:49conseguir encaixar aquelas coisas todas, é como se eu
- 53:52tivesse uma ansiedade muito, muito.
- 53:54Daí quando eu vejo que eu encaixei, Ah, eu vou conseguindo
- 53:57respirar mais fundo aí aí daí o Alívio.
- 54:00Mas assim, durante o processo, é como se eu tivesse caído numa
- 54:04tormenta assim, e aí, de repente, quando quando eu vejo
- 54:07que eu encaixei tudo, aí eu falo, caraca.
- 54:10Antes de alguém ler, mas é quando eu vejo que eu própria
- 54:12fui capaz de encaixar os meus pensamentos.
- 54:15Aí é que vem um Alívio, mas durante o negócio é tão
- 54:18pulverizado que é uma Ah, é uma loucura.
- 54:21Talvez o que entenda um pouco o que vocês quando vocês falam
- 54:24desse sofrimento de durante é que, por exemplo, aí vou estando
- 54:26até o Marcelino Marcelino trazia algo muito que era de abrir as
- 54:29gavetas que você está querendo manter fechadas, tipo que você
- 54:32está escondendo. Às vezes é lá que vai estar o de
- 54:34mais interessante que você vai trazer.
- 54:36Então esse foi difícil de tipo, tá, espera aí, deixa eu ver o
- 54:39que que eu mais escondo, o que que eu mais tento nunca falar eu
- 54:42vou meter a mão ali EE vou tentar puxar alguma coisa a
- 54:45partir disso então acho que esse talvez é o ponto mais difícil,
- 54:47né? Você se permitir entrar nesses
- 54:50lugares que você não costuma entrar e vasculhar esses
- 54:53espaços, essa, abrir essas gavetas, abrir esses baús bem
- 54:56fechados para falar, tá, eu vou mexer nisso aqui?
- 54:59Esse material que eu vou usar, acho que essa pode ser também 11
- 55:01parte às vezes que mexe mais com a gente, né?
- 55:03Você tem que preservar. Pra pra mim, não assim, assim eu
- 55:06não posso classificar assim porque eu eu sentia isso até com
- 55:09a escrita acadêmica. Uhum.
- 55:10E. Escrita, né?
- 55:12Que teoricamente, não é sobre mim.
- 55:14Se bem que a gente sabe que sempre é, né?
- 55:17Mas eu acho que é um, é um lugar diferente assim.
- 55:21Eu acho que da própria produção, sabe?
- 55:24Produção do texto mesmo. É, me dava uma sensação de.
- 55:30É, eu não. Eu não sei dizer assim, mas 11
- 55:33sensação de talvez eu não vou conseguir, talvez um pouco me.
- 55:38Identifico um pouco com a sua fala, assim, de tipo, cara, eu
- 55:40tenho muita coisa, eu estou nesse processo, né, que pode ser
- 55:44caótico, pode ser mais ordenado, mas é essa sensação de eu não
- 55:47vou conseguir. Eu não vou conseguir fazer o que
- 55:49eu quero, uhum. E aí eu acho que me dá esse
- 55:52sofrimento e aí pode ser com a escrita acadêmica, com uma
- 55:54matéria que eu tenho um prazo muito, muito apertado ou mesmo
- 55:58com com a literatura assim. Mas eu acho que quando eu
- 56:01coloquei consciência sobre esse sofrimento, eu entendi que eu
- 56:04não queria muito fazer parte, que ele fizesse parte de mim,
- 56:07uhum, então é um processo consciente de tentar barrar um
- 56:10pouco isso, mas é isso, eu não vou dizer que eu consigo, eu não
- 56:14vou dizer que é sempre fácil a. Vezes é muito difícil assim, mas
- 56:18é isso. Acho que é um.
- 56:20É um caminho, né? Assim, caminhos possíveis.
- 56:23E sofrer durante a escrita não significa escrever só coisas.
- 56:26Sofridas? Sofridas, eu sei que eu escrevo
- 56:29coisas engraçadas. Não, não.
- 56:32Pois é, então eu. Acho.
- 56:35Que a eu acho é, eu acho que não é muito sobre pelo menos para
- 56:39mim. Não é muito sobre o que se
- 56:40escreve, mas a produção mesmo é o processo de de produção.
- 56:45E? Eu IA trazer um novo ponto que a
- 56:47gente estava falando muito desses caminhos até publicar e
- 56:52podemos dizer aqui todas já publicaram um livro para quem
- 56:55está querendo publicar. Como vocês acham que seria ele a
- 56:57melhor forma de chegar numa editora?
- 56:59Qual é a forma? Ali, o bom senso, a educação?
- 57:03A Isabella está muito dicas. É hoje dicas para jovens atores,
- 57:07dicas. Caras, era, é porque eu acho
- 57:11muito importante, porque eu vejo muito isso é, é, pelo menos até
- 57:14quando eu comecei a conversar com e entrar nisso da
- 57:17literatura. Eu via gente de fora me
- 57:19perguntando muito do nosso, que que eu faço?
- 57:21Mas como publico, como eu falo com alguém como eu construo essa
- 57:23ponte, que que eu devo fazer? Eu acho que eu falei isso,
- 57:28inclusive eu participei do da outra.
- 57:30Temporada do podcast da Isa, desse elos na escrita, e eu
- 57:34falei uma coisa que eu acho que tem.
- 57:36Memória boa. É, eu acho que.
- 57:39Eu jamais. Lembraria, é que eu até fiz um.
- 57:41Até fiz um post, depois até fiz um post depois sobre isso.
- 57:45Eu acho que. É Helena.
- 57:46Ela gosta de abrir as garrafinhas no microfone para
- 57:48vocês escutarem, né? De apertar, como é que eu não
- 57:52fiz aquele negócio? Ah, você acha é isso para vocês
- 57:56ACEAFR ai procura no YouTube. É o quê?
- 58:02Tem cada pessoas trancadas? Não é barulho, barulhinhos
- 58:05prazerosos. Barulhinhos barulhentos abrir a
- 58:08garrafa daqui a pouco você vai fazer uma voz meia assim.
- 58:12Mas uma coisa que eu falei lá e eu acho que tem a ver com isso,
- 58:16é o que que você sonha para o seu livro?
- 58:19Eu sei que sonho é 11 coisa muito parece muito irreal.
- 58:22Assim que que não tem, não faz sentido.
- 58:25Mas eu acho que livro literatura envolve desejo, não é?
- 58:28Acho que tem que ter o desejo, se não tiver o desejo, a gente
- 58:31não faz nada, a gente não se mete nisso e eu acho que Oo
- 58:35livro, né? A plataforma livro ela também
- 58:38envolve alguns desejos e envolve sonho, o que o que você espera
- 58:42para o seu livro? Isso pode ter a ver com uma
- 58:44editora, uma editora x 11, tipo de editora, uma editora grande,
- 58:48uma editora de tal lugar, mas. Também pode ser coisas mais
- 58:52simples, por exemplo. Ah, eu cresci com uma amiga de
- 58:54infância, ela é artista visual e eu quero que ela faça a minha
- 58:58capa. É partindo disso, você sabe que
- 59:02algumas editoras não permitem que o autor?
- 59:05Traga um artista de fora, ele tem o próprio capista, então
- 59:09aquilo ali já não vai, não vai dar certo para você ou cara.
- 59:13O meu processo de de escrita é muito tartaruga tartaruga.
- 59:19Eu sou muito lenta, eu falo cara, o edital não é para você,
- 59:23né? Já que a gente está falando de
- 59:24caminhos e não só de editores. O edital não é para você, porque
- 59:27o edital talvez vai te deixar com o tempo, ou talvez você ou
- 59:31você tem que buscar editais que o livro já esteja pronto para
- 59:35você ser avaliado, né? E aí, pronto, o processo
- 59:39teoricamente já terminou e aí, mas assim, um edital de
- 59:41publicação. Ele se torna.
- 59:44Vai se tornar um tormento, né? Para você ou sei lá que mais que
- 59:48a gente pode pensar, Ah, eu quero a editora grande, talvez
- 59:52tencionar um pouco esses desejos, né?
- 59:54Será que você realmente precisa estar numa grande editora?
- 59:57O que que está por trás disso? Você acha que só um editor de
- 1:00:00uma grande editora é escritor? É uma pessoa editada por uma
- 1:00:03grande editora, é um escritor, então eu acho que partir do
- 1:00:07próprio desejo e tencionálo um pouco, entender de onde surge
- 1:00:11essas vontades faz você escolher alguns caminhos.
- 1:00:15Uhum. Eu acho que o edital para mim
- 1:00:16foi importante. Por exemplo, apesar de ter essa
- 1:00:18coisa do prazo para mim o prazo não foi um carrasco, porque,
- 1:00:23como eu disse, eu acho que eu estou escrevendo esse livro
- 1:00:24desde a minha infância. Se eu não tivesse um prazo em um
- 1:00:27edital e 11 coisa ali mandatória, talvez eu não teria
- 1:00:32terminado esse livro. Teria um livro ideal?
- 1:00:35É que eu ai vai ficar na minha mente, ele nunca vai estar bom.
- 1:00:39Eu acho que a gente está falando um pouco sobre esse, nunca vai
- 1:00:41estar bom também, que esbarra numa autocrítica, né, de Ah.
- 1:00:47Nunca é bom o suficiente e tudo mais, então às vezes Oo edital é
- 1:00:51um. É um caminho de você olhar e
- 1:00:53falar, cara, 1 hora vai parar ou uma editora com um prazo.
- 1:00:55Eu conheço editoras, por exemplo, que não.
- 1:00:58Não tem assim, um prazo. É, por exemplo, falei com uma
- 1:01:02editora esses dias que ela falou, Ah, a gente não, não tem
- 1:01:0511 cronograma fechado se o escritor tiver ainda no
- 1:01:09processo, pode ser daqui 1 ano, pode ser daqui 1 ano e meio,
- 1:01:13então é 111 editora para uma pessoa, né, que trabalha nesses
- 1:01:16prazos mais lentos. Eu pensaria nisso.
- 1:01:18Assim, mas acho que é isso mesmo você entender os caminhos que
- 1:01:22você quer seguir, até para entender o que é que você vai
- 1:01:24ter que fazer, né? Você já vai nesse processo até
- 1:01:26de escolhas de decisão e eliminando aquilo, eliminando de
- 1:01:29lá. Sabrina, nossa convidada.
- 1:01:32Nossa, eu não tenho o que acrescentar, porque corre
- 1:01:34totalmente no que você falou é que primeiro, se conhecer depois
- 1:01:38de de que você se conhece, entende seus desejos
- 1:01:41intencional, os desejos. E eu vou-vos fazer uma pergunta
- 1:01:46muito direta agora que eu queria muito saber, você acha que é
- 1:01:48mais difícil começar a escrever um livro ou terminar?
- 1:01:54Nossa senhora, alguns segundos de silêncio.
- 1:01:58A gente vai deixar esse segundo silêncio do podcast.
- 1:02:02Mas eu, eu nem acho que cada livro é um, né, amiga?
- 1:02:04Não sei. Nesse seu primeiro, você nem eu
- 1:02:07nem. Falo, só não, mas difícil.
- 1:02:09Eu nem falo só na produção do livro.
- 1:02:11Eu falo assim, quando você abre a primeira página, todo mundo
- 1:02:15fala isso, né? A primeira página tem que captar
- 1:02:17o leitor a primeira frase, essa abertura, construir essa
- 1:02:21abertura e construir o final. Você falou de final, por isso
- 1:02:24que eu fiquei curiosa. Sim, eu nem falo da porque,
- 1:02:26claro que é mais difícil, não, não é claro, não é óbvio, mas eu
- 1:02:31acho assim é quando você está nesse processo de edição, você
- 1:02:35todo mundo fala isso não é pelo menos vocês falaram para vocês
- 1:02:38que a abertura tem que ser impactante, a pessoa.
- 1:02:41Essa lei, ela vai decidir se vai comprar ou não o seu livro, mas
- 1:02:44o final é muito importante também, né?
- 1:02:46SIM, 1, um final assim. É, eu concordo muito com o que
- 1:02:51você falou sobre. É que escreveram, está sentado
- 1:02:55diante da tela e digitando ou escrevendo no caderno.
- 1:02:59Eu também sinto que eu escrevi esse livro aqui, minha vida
- 1:03:01inteira. Já me perguntaram isso.
- 1:03:03Eu respondia a mesma coisa que você que eu escrevia, eu comecei
- 1:03:06a escrever ele quando eu tinha 35 anos.
- 1:03:08Então durante 35 anos, não 35, porque com zero, 30 e. 5, mas
- 1:03:1235. É 20 ou 5, eu tenho 42.
- 1:03:15É que você falou 35, depois +35 ainda.
- 1:03:18Não, eu falei que durante os 45 não, porque enfim, do zero aos
- 1:03:225, não devo ter escrito nada, entendeu?
- 1:03:26Mas eu acho que a escrita é um habitar do mundo.
- 1:03:28É uma forma como você habita o mundo.
- 1:03:30Entendi e é. É como você, as coisas vão te te
- 1:03:33atravessando. E como você sente esses
- 1:03:35atravessamentos? Então, aquilo, de alguma maneira
- 1:03:37vai, vai. Vai se formando até que chega o
- 1:03:41momento em que se coloca no papel.
- 1:03:44E daí eu fiquei pensando nessa pergunta da Tati se é mais
- 1:03:46difícil começar ou terminar, e daí?
- 1:03:49É me parece muito um ponto de interrogação mesmo, porque eu
- 1:03:54acho que o início ele de alguma maneira sempre se impõe.
- 1:03:59O desejo, então, mas esse livro vai começar, não é você que vai
- 1:04:02sentar ali, vai começar Do Nada, vai começar.
- 1:04:05Uhum, uhum. Não, que é Do Nada, mas de
- 1:04:08repente vai começar. Algo que tava ali, talvez.
- 1:04:14Em abolição e que de repente, vai e pá.
- 1:04:16E aí começou. Uhum.
- 1:04:17É, mas eu acho que podem. Pode ser que existam livros que
- 1:04:21você queira muito escrever e que você tenha temática na sua
- 1:04:24cabeça e tem o que você queira falar e que você não sabe como
- 1:04:28vai começar. Tipo esse livro aqui.
- 1:04:29Eu mudei a ordem dos capítulos começava no primeiro, no segundo
- 1:04:33EOO primeiro era o segundo capítulo.
- 1:04:34Em determinado momento, dessas milhões de edições, eu falei,
- 1:04:38não, o segundo é o capítulo inicial e daí eu alterei a ordem
- 1:04:42dos capítulos, então acho que o processo ele vai se colocando,
- 1:04:45né? Sim, ai, porque eu acho que as
- 1:04:47coisas são muito mais. Misteriosas, uhum, mas é.
- 1:04:50É difícil às vezes colocar em palavras alguma coisa.
- 1:04:53Então, o que foi para a granta era, na verdade, o segundo
- 1:04:56capítulo e aí você transformou em primeiro e isso publicou,
- 1:04:59foi. Hum?
- 1:05:00Porque foi a partir da revista que eu me toquei de que, na
- 1:05:04verdade, não. Eu queria começar já na ação.
- 1:05:06Uhum. Quer dizer, já começava a nação,
- 1:05:09mas começava muito Na Na questão interna da personagem, indo até
- 1:05:13a casa. E depois vinha a morte.
- 1:05:15Eu falei, não, vou começar logo na morte.
- 1:05:18E aí depois vem o resto. EE aí eu tive que fazer ajustes.
- 1:05:21Obviamente, assim como fiquei fazendo ao longo do livro todo o
- 1:05:24tempo inteiro. Mas é isso.
- 1:05:27Ele foi se revelando essa coisa que a gente fala do mistério,
- 1:05:29né? E eu acho que pra mim, por isso
- 1:05:32que a escrita é muito importante, porque eu sei que
- 1:05:34tem pessoas. Eu sou uma pessoa
- 1:05:36espiritualizada, eu não tenho uma religião, mas eu sou uma
- 1:05:39pessoa espiritualizada, mas eu sinto que é na escrita que eu
- 1:05:42encontro o meu o meu lugar sagrado, porque é onde eu tenho
- 1:05:46a minha conexão com o mistério e que ela vai se dar e que eu não
- 1:05:49vou entender, mas que é algo que que me faz habitar de uma
- 1:05:54maneira melhor o mundo e ser menos e conseguir organizar a
- 1:05:57minha tormenta. Nossa, é isso.
- 1:06:00Eu me identifico muito com isso. Outra camiseta, mas você acha
- 1:06:04que identifica muito isso? É o que você falou.
- 1:06:06É esse lugar do mistério que às vezes você não consegue explicar
- 1:06:08tanto, mas é esse lugar do onde você se encontra, onde talvez um
- 1:06:12pertencimento, né? Um Ah, esse é meu lugar de de
- 1:06:15estar num mundo. E é muito bonito isso.
- 1:06:18Associar um lugar sagrado, porque a escrita tem muito de
- 1:06:21ritual também. Uhum de de ritualizar, né?
- 1:06:24A gente ritualiza muita coisa. Vocês têm rituais de escrita,
- 1:06:29mesmo que. Não, não tenha sido desenvolvido
- 1:06:31assim conscientemente, alguma, algum tipo de coisa que sempre
- 1:06:34acontece ali ou que você sempre fazem para escrever.
- 1:06:39É, eu tenho um pequeno ganeixa que eu sempre coloco na minha
- 1:06:43frente. E além disso, acho que nada, eu
- 1:06:49acho que eu me preparo toda para o momento de escrever, eu vou
- 1:06:51sentar, eu vou ficar 10 minutos sentada, isso nunca acontece
- 1:06:55nunca. 10. Minutos, e aí eu começo daí em
- 1:06:5710 eu consigo. Daí eu começo a andar uhum e aí
- 1:07:02andando, não paro o segundo segundo.
- 1:07:12Meu nome é Iara feres, eu sou escritora, tenho 9 livros
- 1:07:16publicados, sendo 5 livros de poemas, um romance e 3 livros
- 1:07:22infantis. Sou criadora da editora,
- 1:07:24artilheira de livros artesanais, editora de comunicação da fazia
- 1:07:27poesia e participo de coletivos de escritoras como coletivo
- 1:07:33coexistência. O coletivo escreventes é e sobre
- 1:07:37essa questão do quando saber que um livro está pronto?
- 1:07:42Né? Que o nosso livro está pronto?
- 1:07:45Eu tenho bastante dificuldade de de identificar isso nos meus
- 1:07:49próprios livros, né? Acho desafiador.
- 1:07:52Então, por exemplo, quando eu estava terminando o anatomia de
- 1:07:55um quase corpo, que é o meu romance é eu finalizei a
- 1:07:59primeira versão é, ou seja, ele estava escrito, mas eu voltei
- 1:08:04muitas vezes no início e lia e editava, mudava coisas, cortava,
- 1:08:09acrescentava outras coisas. Passei por esse processo tantas
- 1:08:13vezes que eu nem sei quantas. E eu só dei porque finalizado
- 1:08:19porque eu queria mandar para o prêmio King, eu precisava passar
- 1:08:22pela leitura crítica, então tinha um prazo para isso.
- 1:08:26É outro exemplo. É o meu novo livro, que é o som
- 1:08:30do pólen derramado, que é um livro de poemas.
- 1:08:32Ele está escrito desde 2021 e ele teve várias versões prontas,
- 1:08:36entre aspas. Não é porque em alguns momentos
- 1:08:40eu mandei versões anteriores dele para concursos e aí quando
- 1:08:44não era aprovado no concurso. Ou na chamada, eu voltava a ele
- 1:08:50e modifiquei coisas, acrescentei poemas, tirei outros poemas e
- 1:08:55hoje ele sai com uma versão pronta, que é bem diferente da
- 1:08:58primeira versão pronta dele, né? Então.
- 1:09:01É muito difícil e provavelmente a gente vai ficar.
- 1:09:06É a vida inteira editando 11 livro é, se tiver nessa lógica,
- 1:09:12né? Então eu recomendo muito que é
- 1:09:15uma coisa que funciona para mim, que é você ter uma meta, né?
- 1:09:18Então você tem um concurso, uma chamada, algo que você tenha um
- 1:09:22prazo para mandar aquele aquele livro, isso vai te ajudar.
- 1:09:27E enfim, mesmo quando a gente achar que ele está pronto mesmo.
- 1:09:32E for mandar para essa chamada para esse prêmio é saber que ele
- 1:09:36não está de fato pronto, que ele ainda vai precisar de uma
- 1:09:39revisão, uma leitura crítica, uma leitura sensível e também
- 1:09:43leitores beta. Além dessas leituras técnicas
- 1:09:45que vão nos dar um retorno pra gente, talvez fazer mais alguma
- 1:09:48alteração e correção e saber que ele está pronto mesmo, né?
- 1:09:53E mesmo assim, talvez não esteja, talvez lá na frente,
- 1:09:56você relia o seu livro e descubra que queria alterar mais
- 1:10:00coisas? Recomendo que não leia de novo,
- 1:10:02né? Porque é isso, o livro.
- 1:10:04Talvez ele nunca. Pronto, ele vai estar
- 1:10:06suficientemente pronto para aquele momento de publicação.
- 1:10:10Enquanto escrevem a leitura faz parte do processo de escrita.
- 1:10:13Leitura em voz alta. Não ler é assim porque tem, por
- 1:10:16exemplo, tem autor que gosta de ler tudo o que se relaciona ao
- 1:10:19tema do livro enquanto está escrevendo ou tem autor que
- 1:10:22gosta de ficar lendo outros livros, até para pegar ritmo,
- 1:10:25inspiração. E tem gente que não gosta de ler
- 1:10:26nada, fala não, não vou ler porque quero me distanciar.
- 1:10:29Como que é para vocês a leitura envolvida durante os processos
- 1:10:32de escrita? Se eu não ler, eu não trabalho,
- 1:10:36né? Porque eu trabalho lendo livro,
- 1:10:38então eu preciso ler assim, mas eu?
- 1:10:39Eu não paro de ler. Então eu estou sempre lendo ou
- 1:10:41pro pra trabalho, né? Ou ou lendo é por prazer assim,
- 1:10:47eu acho que eu não consigo fazer uma coisa tão maquinária assim,
- 1:10:51sabe? Primeiro, porque para mim a
- 1:10:53escrita não é linear assim, né? É, vai se misturando.
- 1:10:57Mas você falou de ritual? Eu acho que o meu é fechar a
- 1:11:00porta, é? É estranho dizer isso, né?
- 1:11:03Mas eu acho que é um momento que eu falo assim, tá aqui, é o meu
- 1:11:06lugar sagrado. Gostei disso assim é esse espaço
- 1:11:09aqui que. Em que isso vai acontecer, né?
- 1:11:15Uhum. Não assim, um pouco do barulho,
- 1:11:17mas eu acho que é um. É um ato para mim de tá aqui.
- 1:11:21A escrita começa assim. Legal.
- 1:11:23É desligar o celular também. Eu sempre desligo, ponho no modo
- 1:11:26avião. Eu.
- 1:11:27Gosto de pegar caderno também. Eu gosto de partir muito os
- 1:11:29caderninho e depois partir para o computador.
- 1:11:32Quase sempre eu começo no caderno e a hora que a coisa
- 1:11:35está esquentando no caderno eu falo não, agora está vindo
- 1:11:37muito, é hora de ir para o computador.
- 1:11:38Sim, que demais. E eu?
- 1:11:42Estou tentando lembrar gente alguma coisa que a Helena falou
- 1:11:45que você falou assim, nossa setembro de um episódio e eu
- 1:11:47estou tentando lembrar os 15 minutos isso.
- 1:11:50Ai mesmo. A gente vai falar sobre.
- 1:11:53Ninguém nesse episódio minutos tem.
- 1:11:58É 1 e 5. Já é verdade, não, não dá.
- 1:12:00Se eu for tentar entrar em autoficção com a Helena, ela vai
- 1:12:02embora aqui. Vai embora, ela vai deixar a
- 1:12:05gente aqui falando. Não vai embora, falando o que eu
- 1:12:07digo, entendeu que é um assunto que eu sei que você gosta de
- 1:12:10falar. Muito bom.
- 1:12:11Não, mas é resumidamente. A gente pode falar disso, porque
- 1:12:14eu acho que é bem resumido mesmo, é uma coisa que eu já
- 1:12:17falei aqui, que a gente já começou isso várias vezes, né?
- 1:12:20Uhum. É que isso que você falou a Tati
- 1:12:22acabou de dizer que até na escrita acadêmica dela é sempre
- 1:12:26sobre você. Se relaciona com você, de algum.
- 1:12:28Jeito e sempre sobre quem está escrevendo, tem uma frase da
- 1:12:31Clarice que é como eu posso escrever sem mim e eu acho que é
- 1:12:35bem isso. Assim, o que me incomoda é é o
- 1:12:39termo auto-ficção, porque coloca um rótulo onde e Eu Acredito que
- 1:12:42a literatura livre que ela não tem que ter rótulo, hum-hum.
- 1:12:45E enfim, eu entendi um pouco dessa teoria da autoficção.
- 1:12:49Eu não lembro exatamente quem criou, mas foi um francês.
- 1:12:52Se eu não me engano, no final dos anos 90 ou 60, já não sei.
- 1:12:55Acho que antes, 60. Antes, mas aí acho que na década
- 1:12:58de 90 voltou com muita força, né?
- 1:13:00Os livros, que são considerados alta-ficção e que tem uma
- 1:13:03proposital confusão entre o autor, o Narrador e o
- 1:13:07personagem, e que muitas vezes tem vários mecanismos que ele
- 1:13:11seja repetem de livro em livro que muitos autores de autoficção
- 1:13:14é. Se auto é nomeiam, né?
- 1:13:17Então, a Isa, a Isa, Tati, Tati, Helena Heleno.
- 1:13:20É, mas é óbvio que também é 11 caminho muito é abrangente que
- 1:13:26as obras autoficcionais elas, não, não, não necessariamente.
- 1:13:30Tem os mesmos mecanismos, né? Uhum.
- 1:13:32E também tem muito o que eu vejo assim, No No que se
- 1:13:35autointitulam a autoficção tem essa.
- 1:13:38Procura do livro dentro do próprio livro, uma espécie de
- 1:13:42meta, metalinguagem, muitos deles, não.
- 1:13:44Em todos é, mas, enfim, no geral é, eu sei que a teoria nasce
- 1:13:50dessa suposta decadência do romance diante da de todas as
- 1:13:54guerras, do do Holocausto. Como que a literatura pode dar
- 1:13:58conta da realidade? Então o romance seria algo que
- 1:14:02já não é possível e ao mesmo tempo, a autobiografia que seria
- 1:14:06por demais auto-elogiosa também seria uma falácia.
- 1:14:09Então, qual o meio do caminho? Entre uma autobiografia e um
- 1:14:14romance, e aí se usou esse termo autoficção pra ser um pacto
- 1:14:18ambíguo entre a realidade e a ficção.
- 1:14:21Só que, do meu ponto de vista, é isso que a gente já falou.
- 1:14:23Esse pacto ambíguo numa pintura, numa.
- 1:14:29Em algum livro na literatura, enfim, qualquer obra de arte se
- 1:14:32passou livre. Sempre vai existir.
- 1:14:34Uhum. Então não me interessa dizer que
- 1:14:36há óbvio que eu sei que esse livro aqui praticamente colado
- 1:14:40em mim, hum-hum, eu estou falando isso pela primeira vez,
- 1:14:43mas eu não quis vender ele como maltoficção e nem uso
- 1:14:46mecanismos. Não existe procura de livro
- 1:14:47dentro do próprio livro e tem muitas coisas que são
- 1:14:49distanciadas eu não sou artista plástico, não tem irmãs gémeas,
- 1:14:53tem 1000000 de coisas que não tem nada a ver, então, e ainda
- 1:14:55tem isso que é a memória é a memória, é sempre uma invenção,
- 1:14:59não é? Uhum.
- 1:15:01Totalmente. É, acho que.
- 1:15:02E eu. Quis trazer isso porque a gente,
- 1:15:03como a gente estava falando muito até de processos e é uma
- 1:15:06pergunta que sempre surge sim, mas Eu Acredito muito nesse
- 1:15:08ponto que a Helena falou todas essas criações, ela vão, elas
- 1:15:11vão estar muito grudadas com a gente de alguma forma, como
- 1:15:14escrever sem mim, né? Mas não que é um processo.
- 1:15:16Já autoficção, ou até né, aproximado de uma puramente de
- 1:15:20uma memória, a própria memória. A gente já vai inventando.
- 1:15:22Então acho que a partir disso, esse processo entre autor,
- 1:15:25memória e consciência e invenção que se mistura.
- 1:15:28Eu acho que é sempre é e não é. Eu acho que é.
- 1:15:32É sempre porque eu acho que AA literatura como você falou, né?
- 1:15:36Ela é é sempre sobre nós mesmos. EE tem essa essa questão assim
- 1:15:42da gente escrever sobre o que a gente sabe que a gente conhece.
- 1:15:47Mas ao mesmo tempo, eu vou falar uma coisa que a Cláudia, né?
- 1:15:50A Cláudia Lage falou No No podcast que vocês gravaram e que
- 1:15:53Eu Acredito muito. E ela falou essa frase eu falei,
- 1:15:55nossa, é isso assim mesmo que que eu sempre repito é a partir
- 1:16:00do momento em que vira palavras, já é ficção, né?
- 1:16:03Já é discurso, então já saiu desse terreno, além da gente da
- 1:16:08gente se perguntar o que é real, né?
- 1:16:10Se a memória é uma ilha de adição, como dizia o Bali
- 1:16:14Salomão, para rimar. EE se a gente nunca sabe mesmo,
- 1:16:19né? Se aquilo que aconteceu, existiu
- 1:16:22ou não com as nossas potências, ou ausências, ou assimilações.
- 1:16:26É o que? Como definir o real, né?
- 1:16:29Como definir as pessoas perguntam muito, né?
- 1:16:31Em livros que supostamente partem da realidade, isso aqui
- 1:16:34aconteceu, Hum, e eu sempre fico me perguntando, importa?
- 1:16:38É, né, importa pra mim, importa ser a narrativa, funciona,
- 1:16:41encontro, encontro narrativa nela mesma assim.
- 1:16:44E eu penso muito como até tentar escrever ou contar um sonho que
- 1:16:47esse próprio contágio é uma invenção completa do que do que
- 1:16:51a gente sonhou. A gente é, né?
- 1:16:53Também tem isso que a Tati falou, quando a gente escreve,
- 1:16:55já não é mais o passado. A gente está escrevendo em outro
- 1:16:58tempo. Não, por exemplo, sim, é.
- 1:17:00É, eu acho que é nenhuma linguagem capta a realidade,
- 1:17:03nenhuma. Nem a fotografia.
- 1:17:05Nem a fotografia. Ela já é, já é.
- 1:17:07Passada também já é um passado. Já é um momento que acabou, que
- 1:17:10não tem mais, mas. Não é filosófico hoje.
- 1:17:13Hein? Mas eu acho que isso é.
- 1:17:14E para encerrar mesmo, eu acho que a gente tem que falar.
- 1:17:17Que isso tem a ver com com o episódio também, porque às
- 1:17:19vezes, quando é supostamente estamos escrevendo sobre si
- 1:17:23mesmos e não estamos, isso pode ser um impeditivo para terminar
- 1:17:27um livro, né? Eu fico pensando em pessoas que
- 1:17:30assumem ali 11 autobiografia. De pensar é, será que isso aqui
- 1:17:36vai machucar alguém? Será que eu publico isso?
- 1:17:39Será que realmente, então, acho? Que alguém vai se identificar,
- 1:17:42né? É, e eu acho que isso também não
- 1:17:44sei se tem uma resposta para isso, mas talvez também tenha a
- 1:17:47ver com isso que a gente falou de.
- 1:17:48Olhar para si mesmo EEE se fortalecer, né?
- 1:17:52Se isso é meu, isso é ficção. Eu me fortaleci muito.
- 1:17:55Não, não é ficção, por exemplo, é?
- 1:17:57Ficção também. É ficção, é tudo ficção, não sou
- 1:17:59eu, até porque muita coisa não tinha acontecido e tal, mas as
- 1:18:03pessoas se apegam a isso e aí eu acho que para o escritor pré
- 1:18:07escritora pode rolar um ai, será que eu publico isso mesmo?
- 1:18:10Será que o livro vai assim? Será que eu não tenho que
- 1:18:13maquiar ou não maquiar? Então, acho que falar de
- 1:18:16autoficção tem tudo a ver mesmo, né?
- 1:18:18Sim. E é isso, gente.
- 1:18:20Quando vês, passaram 1 hora e pouco.
- 1:18:22E a gente podia ficar falando a que?
- 1:18:24Horas fala, a gente fica aqui no Chico por horas e horas.
- 1:18:27Vamos falar quem tá com a gente? Encerrava um pouquinho nas
- 1:18:29dicas, temos mais alguns livros que eles estão com a gente aqui
- 1:18:32hoje. Então a gente está com a Ana li
- 1:18:35Soares, autora de domingo, ela participou do primeiro episódio,
- 1:18:38está aqui com a gente. É.
- 1:18:41A Helena trouxe esses. Quer falar, Helena.
- 1:18:44Esse livro aqui eu comecei a ele a ler ele há pouco tempo foi
- 1:18:48lançado semana passada. Darara, Vidal, shakespearia unas
- 1:18:51e eu estou achando muito interessante, porque ela é.
- 1:18:56Analisa as personagens de de Shakespeare, que são grandes
- 1:18:59mulheres e é muito louco que são grandes mulheres escritas por um
- 1:19:02homem. E naquela época não existia, é
- 1:19:06atrizes, porque as mulheres não podiam interpretar, então eram
- 1:19:09grandes mulheres escritas por um homem e interpretadas por
- 1:19:12homens. Então, como seria isso?
- 1:19:14Que loucura, né? É e na verdade são personagens
- 1:19:17extremamente complexas, cheias de de.
- 1:19:21É isso, nem um pouco maniqueístas.
- 1:19:23E elas são muito maiores do que os personagens homens.
- 1:19:25Se você for preparar pensar nas peças do Shakespeare, assim,
- 1:19:28então você é muito interessante, porque ela ela olha essas
- 1:19:31personagens sob a luz. É de gênero.
- 1:19:35A luz política e a luz social. Assim, é muito interessante de
- 1:19:38uma maneira muito intimista, vinculando com coisas da vida,
- 1:19:41sabe? Eu estou achando maravilhoso
- 1:19:43assim, ainda estou nas primeiras páginas, mas eu já vi que é um
- 1:19:45livro incrível. E tem uma edição linda, não?
- 1:19:48É uma edição linda que agora é porque tem essa edição linda que
- 1:19:51a Isa falou, e daí? Que abarca isso aqui tem um.
- 1:19:56Na verdade, eu já estou na segunda quapa, porque essa
- 1:19:58primeira capa não queria amassar, então deixei longe da
- 1:20:00da minha bolsa, que é uma. Você abre, tem uma linha do
- 1:20:03tempo do Shakespeare, é lindo e é da relicário é e tem um
- 1:20:08projeto gráfico belíssimo assim, e ela divide o livro como como é
- 1:20:12dividido? São divididas as peças em atos,
- 1:20:14né? Uhum.
- 1:20:15Em atos e em elementos, ela coloca em.
- 1:20:19E água a fogo e Terra, as personagens que que é,
- 1:20:25intuitivamente, elas sentem que pertencem a cada um desses
- 1:20:27elementos. Então tem uma divisão que é
- 1:20:29teatral, uhum. E não é muito bem pensado assim.
- 1:20:32Eu estou adorando. É maravilhoso.
- 1:20:33É que demais que. Demais, bom, tem também aqui com
- 1:20:37a gente, a ibriela Bianca Sevilha, Sevilha não sei como se
- 1:20:41pronuncia. Ela é de Santa Catarina.
- 1:20:43Na verdade, ela é da minha região de Chapecó e aí eu trouxe
- 1:20:47também um livro de poemas dela que saiu pelo urro.
- 1:20:49Tal esqueci de falar que Analice saiu pela instante.
- 1:20:54É ibriela, é pela ouro tal. Qual o nome?
- 1:20:57Tati? Mínimo tratado da paixão, a
- 1:21:00lindo, lindo. E aí eu trouxe uma colega de
- 1:21:03editora também, que a Rafaela Miranda é o livro dela, chama
- 1:21:07uma Terra, uma casa, tem esse nome algum, o Terra é riscado.
- 1:21:12Nossa gente. Esse livro assim é tá difícil
- 1:21:16falar, é um livro de poemas. Ele passou na chamada de poemas
- 1:21:21da editora Clara boia. A primeira chamada ele ganhou e.
- 1:21:25Foi lançado a pouco assim faz. Acho que alguns meses.
- 1:21:30E é muito lindo também. A capa é lindíssima para quem
- 1:21:32está vendo vídeocast. E para terminar Djamila Ribeiro.
- 1:21:36Cartas para minha avó é um livro de cartas que ela escreveu.
- 1:21:40Eu amo cartas, né? Então sou suspeita.
- 1:21:43É um livro muito lindo também e é isso.
- 1:21:45E o meu que está. Sempre da Tati.
- 1:21:49Está sempre com a gente para quem estiver assistindo e eu vou
- 1:21:52deixar de dica. Então, também uma autora, uma
- 1:21:54autora do centro Oeste. Para quem não conhece a paulinha
- 1:21:56igualmente, ela é a Pauline, ela é incrível.
- 1:21:59O livro de contos mais recente dela.
- 1:22:01Erva brava é muito bom, erva brava.
- 1:22:03Ela é uma autora que vai muito no cerrado e pega outros
- 1:22:06aspectos assim da região, aspectos muito potentes.
- 1:22:08É uma escrita incrível dela e a gente estava falando muito
- 1:22:11disso, até de conhecer autores de outras regiões.
- 1:22:14Então fica lá e dedica quem não conhece ainda.
- 1:22:16Pesquise os livros da Paulínia, vale muito a pena a.
- 1:22:19Gente, está bairrista hoje hoje a gente.
- 1:22:20Está? Quer deixar alguma dica?
- 1:22:23Mais? Heleno, a gente fica com danara.
- 1:22:25Vamos ficar com danara, que é o que está comigo agora, arrasou.
- 1:22:28E obrigada por ter vindo, Helena.
- 1:22:31Nossa, obrigada. Madrinha, vou te.
- 1:22:33Dar em cima conversa de de bar, né?
- 1:22:36Se tivesse tomado um vinho, IA ficar aqui o dia inteiro.
- 1:22:39Nossa, é uma boa ideia, né? A realidade nos olhamos aqui, 9.
- 1:22:44De manhã, eu quero falar, filho, até que.
- 1:22:48Ai, obrigada, meninas, uma delícia.
- 1:22:50É isso, gente. Obrigada, porque ouviu até aqui
- 1:22:52e até o próximo episódio. Tchau, tchau.
- 1:22:58A gravação desse episódio foi realizada por meio do edital de
- 1:23:01ocupação do estúdio da biblioteca parque Villa-Lobos,
- 1:23:05promovido pela biblion. A biblioteca digital gratuita de
- 1:23:08São Paulo, sob gestão da SP leituras para a Secretaria de
- 1:23:12cultura, economia e indústria criativa do estado de São Paulo.
- 1:23:19Temos. Temos.
- 1:23:21É bom que a gente lê no celular. E aí?