Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões #8 - Cia Sacro Movimento: dança, transformação e inclusão
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- 0:05Olá pessoal, muito obrigado por nos receber mais uma vez dentro
- 0:08da sua casa. Eu sou o Thiago Quirino e
- 0:10conduzo com vocês hoje o ABC cast conexões, o programa de
- 0:13entrevistas do portal ABC do ABC.
- 0:17Como eu falei é um grande prazer tê Los aqui e também um grande
- 0:20prazer ter os nossos convidados hoje aqui.
- 0:22A nossa conversa de hoje, como todas as semanas temos mostrado
- 0:25para vocês. É, é uma conversa que envolve
- 0:28história, conexões e assuntos importantes pra você e bem
- 0:32provavelmente você. Você não deve entender a
- 0:35importância dessa conversa de hoje até este momento.
- 0:39Depois que a gente falar um pouquinho do assunto, você vai
- 0:41entender como esse assunto faltava na sua vida.
- 0:44Hoje, curiosamente, vamos falar de cultura.
- 0:46A gente vai falar de arte e especialmente de dança.
- 1:02A gente vai entrar um pouquinho no mundo do hip hop, vamos
- 1:04entrar no mundo da da da dança contemporânea, contemporânea,
- 1:09vamos dizer assim, né? E o como esse tipo de ação aqui
- 1:13na região do grande ABC, mais especificamente saindo da cidade
- 1:16de Mauá, tem influenciado a vida de muitas pessoas.
- 1:20Então, pra poder bater esse papo legal sobre esse assunto, hoje
- 1:23eu convidei pra. Tocar essa mesa aqui comigo, o
- 1:27Thiago Antunes, que é um repórter e é hoje uma das nossas
- 1:31novas aquisições do portal ABC do ABC.
- 1:35Então pra você aí, ó, recado pro pessoal que achava que o ABC do
- 1:39ABC tinha pouca gente trabalhando, né?
- 1:40Mais um que nós trouxemos aqui pra essa apresentação.
- 1:44Thiago dá um oi pro pessoal que tá em casa.
- 1:46Oi, gente, tudo bem? Vai ser um prazer conversar com
- 1:48vocês aí. Vamos.
- 1:49Toca aí, tem um bom, tem um bom bate-papo.
- 1:53Um bom bate-papo é isso. E para dividir essas histórias,
- 1:57né? Ou talvez para contar um pouco
- 1:58mais da história e como funciona este mundo da dança do hip hop?
- 2:03Nós trouxemos aqui o Vinícius Araújo, que hoje coordena 11.
- 2:07Trabalho muito legal com a cia sacro movimento de dança.
- 2:12Isso mesmo. E vamos falar um pouquinho sobre
- 2:14isso, mas fala um oi pro pessoal e se apresenta pra nós, Oo,
- 2:17Vinícius, por favor. Olá galera, tudo bem?
- 2:19Me chamo ouvintes Araújo, sou diretor do projeto sensacre em
- 2:23Mauá e estou aqui com essa galera bacana pra gente trocar
- 2:26um pouco de ideia sobre o movimento hip hop, sobre suas
- 2:31expressões. Muito bem, é somente pra toda
- 2:35toda vez, né? Eu acabo explicando isso.
- 2:37Nós temos 60 minutos pra discorrer sobre o assunto.
- 2:41Eu vou te eu vou te dizer, Vinícius, que nesses 60 minutos
- 2:44a gente vai falar sobre muita coisa e passa muito rápido, tá?
- 2:47Então vamos aproveitar bem esse tempo, mas assim, pra começar,
- 2:50vamos já com alguma coisa bem simples, né?
- 2:52Conta pra gente. Assim como que a dança entrou na
- 2:56sua vida. Vamos começar por aí, né?
- 2:58Sim, é. Desde criança eu sou praticante
- 3:02de hip hop. Com 7 anos de idade é surgiu a
- 3:07oportunidade de praticar hip hop na minha rua mesmo.
- 3:10Eu sou. De um bairro de periferia da
- 3:12cidade de Mauá, lá do zaíra. É do zaíra.
- 3:15Eu sou do Alto da Boa Vista. A gente se vê um do alto do
- 3:20outro. Um do alto do outro.
- 3:22Exatamente assim, né? Mauá é composto por muitos
- 3:24Morros assim. Então, lá no morro do zaíra
- 3:28tinha 11, professor de dança na época, com Marcelo Ferreira, que
- 3:32na garagem da sua casa. Isso década de 90, assim,
- 3:35bastante tempo atrás, é. Montou um projetinho com as
- 3:40crianças ali do bairro e eu era 11 dos envolvidos nesse projeto.
- 3:45E lá eu comecei a praticar hip hop e pratiquei durante alguns
- 3:49anos lá com ele. Depois minha mãe me levou pra
- 3:52conhecer outras estruturas, outras possibilidades dentro da
- 3:56dança. Fiz jazz também, fiz um pouco de
- 3:59balé clássico. Aline, Mauá mesmo e.
- 4:05E aí depois que eu saí do ensino médio, eu já quis ir pra
- 4:08faculdade e fazer algo relacionado a isso.
- 4:12Então a dança, ela é presente assim na minha vida desde os 67
- 4:15anos de idade. E você nunca se imaginou fazendo
- 4:17outra coisa, a dança sempre foi o foco da sua vida.
- 4:20Assim é quando na época, né? Na precariedade lá do do começo
- 4:25dos anos 2000, eu precisei trabalhar com outras coisas
- 4:29porque eu precisava fazer faculdade, né?
- 4:31A vida adultra tava chamando e tal.
- 4:34Então eu fui fazer outras coisas, mas não era o meu
- 4:37desejo. Meu desejo era trabalhar com
- 4:39quem eu trabalho hoje. Legal?
- 4:41Muito bom. Então vamos, vamos então entrar
- 4:44nesse assunto do do que você trabalha hoje?
- 4:46Hoje você comanda a cia sacro. Isso.
- 4:49Né? Conta pra gente um pouquinho a
- 4:51história de como começou a cia sacro e o que ela faz hoje, né?
- 4:54E quem ela atende? Quantas pessoas beneficia esse
- 4:57tipo de coisa? Sim, a cia sacro ela começou de
- 5:00uma forma muito despretensiosa. É, em 2008, eu havia começado a
- 5:07faculdade já, né? Eu tinha uma carga de
- 5:10experiência assim, da minha infância, da minha adolescência.
- 5:13E aí, gratuitamente, surgiu a oportunidade de oferecer aulas
- 5:18de hip hop lá no zaíra mesmo, numa comunidade, numa igreja
- 5:22católica, né? Então o nome se é sacro, vem
- 5:25muito disso também. O Ah, porque tinha uma conexão
- 5:28com o sagrado e da igreja católica.
- 5:32Isso. Então, nessa, nesse momento,
- 5:36eram só crianças e eram só crianças lá da catequese.
- 5:39Então, tipo assim, tinha a catequese.
- 5:41E aí a professora da catequese fazia um trabalho junto comigo
- 5:45aonde era contextualizado AA rotina deles, a dinâmica lá do
- 5:50ensino religioso, Na Na dança e de forma litúrgica.
- 5:54Isso era aplicado nas celebrações.
- 5:57E eram muitas crianças, eram tipo 60 crianças por aí.
- 6:01É, e aí isso foi crescendo, foi criando uma magnitude maior e
- 6:06outras pessoas foram procurando projeto pra participar, né?
- 6:10Outras famílias, só que família de outras denominações
- 6:13religiosas. E aí isso acabou se tornando um
- 6:15problema ali no decorrer dos primeiros 2 anos.
- 6:18É, e aí na época Oo padre, lá o pároco do da instituição.
- 6:25Acabou pedindo pra que a gente se retirasse, né?
- 6:27Aí ou eu parava com um projeto ou eu continuava por conta
- 6:30própria. Eu era o único adulto, né?
- 6:32Então na época a gente foi foi pra uma Laje, tinha uma mãe que
- 6:36tinha uma Laje lá bem grande, descoberta mesmo, e quando o
- 6:40tempo tava bom, a gente ensaiava lá e assim o projeto ser saco
- 6:44foi se desenvolvendo, a gente conseguiu migrar pra uma, pra
- 6:50uma academia ali próxima, no bairro mesmo.
- 6:53Essa academia cedeu um espaço e a gente começou a ensaiar lá, só
- 6:57que a magnitude das coisas ficaram cada vez maiores.
- 7:01Até o momento que a gente entendeu que a nossa
- 7:05responsabilidade era muito grande.
- 7:07Alguma dessas crianças já haviam crescido?
- 7:10Já eram tipo assim, adultos. Estavam entrando na faculdade
- 7:14EE. Aí eu trouxe para me ajudar, né?
- 7:18E aí a gente foi. Foi começando a colocar o
- 7:22projeto no trilho onde ele está até hoje.
- 7:25Você falou que mudou pra pra, pra fazer na Laje e tudo mais.
- 7:30Mas qual foi o momento assim, de virada de chave, que você
- 7:33percebeu que estava dando certo, que não era apenas só 11 projeto
- 7:37pequeno, mas que estava influenciando na vida das
- 7:39crianças ali também, dos novos adultos que estavam na região?
- 7:43É por 2 momentos assim, por 2 prismas.
- 7:46Primeiro porque é tinha um olhar clínico já, né?
- 7:50A gente conseguia. Eu consegui observar naquela
- 7:54comunidade, naquelas crianças, naquele grupo em específico, que
- 7:57haviam talentos lá e que esses talentos, né, precisavam ser
- 8:02lapidados. Tinham chances de se desenvolver
- 8:05bastante na modalidade, né? E também é porque já tinha 11
- 8:10vínculo afetivo, né? É das crianças, das famílias.
- 8:16EE. Cortar aquilo seria um.
- 8:21Um pecado assim, né? Literalmente de literalmente, né
- 8:24falando. Então acho que foi por esse
- 8:27olhar. Mesmo assim, meu tem muito
- 8:28talento aqui, dá para trabalhar muito, tem muita gente para se
- 8:31desenvolver bem, não só como dançarino, mas como pessoa.
- 8:35Tem o meu dedo nisso e não acho que vale a pena.
- 8:39Sim, EEE Vinícius, você olha isso como uma ferramenta de
- 8:43transformação social, porque eu pergunto, até com um certo
- 8:46contexto, você tem uma origem? É humilde.
- 8:50Sim, né? Eu conheço sua realidade, né?
- 8:52Porque a minha minha origem também é humilde, no mesma, no
- 8:55mesmo ambiente. Então eu sei como era viver uma
- 8:58infância nos anos 90 em Mauá, né?
- 9:02Não era 11 cenário tão simples assim, né?
- 9:04E aí a dança te transformou. Mas AA dança tem transformado
- 9:09também as pessoas que você ensina, essas crianças, esses
- 9:11jovens todos, né? Fala um pouco pra gente sobre
- 9:14essa questão da dança ou da arte como um instrumento de
- 9:18transformação social? É, é nessa época, No No começo
- 9:24de tudo. Eu não via isso de forma tão
- 9:27clara. Primeiro porque o projeto não
- 9:30tinha nascido ainda, né? Era, era muito prematuro.
- 9:35É então, e nem eu mesmo entendi aonde ele poderia chegar, mas
- 9:39hoje, né? Isso é uma parte de uma parcela
- 9:43muito pequena da história do projeto ser saco e uma parcela
- 9:47que nem consegue contemplar a Riqueza a qual o projeto hoje é,
- 9:54tem o que o projeto hoje oferece.
- 9:57Mas oi, falando de hoje, é muito nítido identificar, muito fácil,
- 10:03identificar as questões que que contribuem para o
- 10:10desenvolvimento social deles. Que contribuem para contribui
- 10:16para o desenvolvimento psicológico deles.
- 10:18É pelo desenvolvimento financeiro?
- 10:21É, eu tenho, como eu falei, eu tenho alunos que entraram no
- 10:25projeto você sacro com 7 anos de idade e hoje um deles, por
- 10:32exemplo, é professor do arbo São Caetano do Sul, né?
- 10:36De hip hop. Então a gente está falando de
- 10:38uma cidade aonde é. Não é comum, não é essencial, o
- 10:45hip hop. E aí o cara sai lá de mão lá de
- 10:49um projetinho, se forma. E vai implantar o hip hop numa
- 10:54escola elitista, né? Então isso é muito interessante.
- 11:01É o hip hop conquistando espaços.
- 11:03Exato. E ele conquistando o espaço
- 11:05dele, que chama café. Esse professor.
- 11:08Ele começou no projeto com 11 anos de idade.
- 11:11E ele se formou Na Na USCSE. Hoje ele se mantém.
- 11:16Ele tem 11 profissão, ele só trabalha com hip hop e ele
- 11:21trabalha num colégio de ponta da nossa região, né?
- 11:24Então isso é muito interessante. Esse lugar é muito interessante
- 11:29prum garoto negro, prum garoto de periferia e prum garoto que
- 11:33tudo que sabe na vida é fazer hip hop.
- 11:36Interessante EOO se é sacro. Foi talvez a porta de entrada ou
- 11:40trampolim, né? Que jogou ele pra conquistar o
- 11:44mundo dele, né? É, e pelo que eu sei, o café ele
- 11:47sempre foi muito, muito esforçado, mas a bagagem que ele
- 11:52trouxe, as vivências que ele trouxe, a essência que ele
- 11:54trouxe pra o profissional que ele é hoje, eu tenho certeza que
- 11:59veio do projeto, do projeto. Se é sacro, né?
- 12:02No que ele vivenciou lá até a metodologia que ele usa.
- 12:05Quando você vê o café dançando, colocando as crianças que ele lá
- 12:08nascia sacro, ele dá aula para as pro nosso núcleo infantil.
- 12:11Quando você vê ele colocando as crianças no palco, EOO
- 12:13profissionalismo que rege a é AA conduta dele.
- 12:21Eu consigo identificar a trajetória dele todinha No No
- 12:23projeto. Consigo ver detalhes de de lá,
- 12:26de 2011, de 2014, na metodologia que ele usa hoje.
- 12:31Que legal é até. Você deu um gancho interessante
- 12:34aqui pra gente poder seguir Na Na conversa sobre a formação do
- 12:37café, né? Tipo ele, ele atinge 111 patamar
- 12:40depois da formação. Mas você também teve o desafio
- 12:43de se formar na faculdade, né, de correr atrás da vida adulta.
- 12:46Bateu, né? É?
- 12:48E aí você se forma em educação física, se eu não me engano, né?
- 12:52E como que a educação física talvez te auxiliou no processo
- 12:57de aperfeiçoar o seu trabalho? Como?
- 13:01Coreógrafo como bailarino, como diretor de de de dança.
- 13:06Então, a faculdade ela a faculdade de educação física,
- 13:12ela vai te formar de uma forma generalizada, né?
- 13:16Porque é os esportes e as coisas que permeiam ali.
- 13:21É o corpo e a performance são muitas, então a gente não
- 13:27consegue ter muito foco. Então a impressão que eu tenho é
- 13:30que. Quando eu entrei na faculdade,
- 13:32eu sabia mais sobre dança aí sobre hip hop, do que o que a
- 13:35faculdade podia me oferecer. Mas ela me ofereceu outras
- 13:38coisas. Ela me trouxe valores éticos.
- 13:42Ela me trouxe percepções é de de conduta, de como me comportar
- 13:49como profissional, dos meus direitos como profissional, da
- 13:53minha forma de me comunicar com as crianças e com os
- 13:55adolescentes. Um pouco da pedagogia.
- 13:58Né? Um pouco de filósofos que falam
- 14:00sobre pedagogia e que faz total sentido.
- 14:04É como montar um bom planejamento, como fazer a
- 14:06gestão de algo. Então são outras questões que eu
- 14:11como um menino que só sabia dançar, sabia muito sobre dança,
- 14:14mas eu não sabia sobre. É fazer a dança acontecer de uma
- 14:18forma, não tinha expertise nisso, sabe?
- 14:23Em fazer a dança acontecer. E a faculdade me trouxe muito
- 14:26esse olhar de gestão mesmo, sabe de.
- 14:29De pegar a matéria prima e fazer aquilo virar um bom projeto?
- 14:35E te profissionaliza assim, né? Para se tornar coisa, você tem
- 14:38mais? Pergunta o Thiago.
- 14:39Senão eu vou falando aqui. Eu não deixo você falar
- 14:41desculpa. Você falou que fez a faculdade e
- 14:44tudo mais, só que você também falou que você fez ballet e
- 14:46jazz. Você acha que isso te
- 14:48influenciou a entender mais sobre a dança, sair de um pouco
- 14:51desse desse núcleo só de hip hop e abrir o leque para outras
- 14:56danças? Sim, é o hip hop.
- 14:59Depois a gente pode conversar um pouquinho sobre especificamente
- 15:02sobre isso, mas o hip hop, ele já é muito plural, muito plural
- 15:05mesmo. Ele traz uma diversidade de
- 15:07corpo e de expressão e de vivência e de de essência,
- 15:12assim, muito particular quando você fala de uma linha de de que
- 15:16tá dentro das danças urbanas para outra.
- 15:19Mas o ballet clássico e o jazz me ajudaram muito a levar isso
- 15:23para dentro do projeto, porque eu era o único adulto, né?
- 15:27No começo só eu dava treino, só eu dava aulas.
- 15:31E se eu tivesse dado só aulas de hip hop, hoje nós não teríamos.
- 15:36É um trabalho feito em torno do jazz, da ginástica rítmica e das
- 15:40outras modalidades, porque eles não conheceriam.
- 15:43Então, os alunos que eu tinham lá, que eu tinha lá na época,
- 15:46crianças e adolescentes que vivenciaram o ballet e o jazz
- 15:49que eu pude oferecer com a bagagem que eu tinha, conheceram
- 15:54as modalidades. E obviamente alguns se
- 15:58identificaram mais com essas e aí eles foram estudar e hoje
- 16:02eles trazem isso com o projeto e também oferecem pra pra algumas
- 16:06pessoas que não se identificam tanto com o hip hop.
- 16:09Então eu acho que deixou a nossa casa, o nosso local, um pouco
- 16:13mais diverso, com mais possibilidades e mais opções.
- 16:17Mas mas mesmo assim, o hip hop é uma é uma arte rica, né?
- 16:21Porque você tem o movimento corporal.
- 16:23Você tem a rima, você tem AA história da da da própria pessoa
- 16:27que ela é incorporada dentro do hip hop.
- 16:29Você tem a música, a batida, enfim, é uma série de coisas que
- 16:33compõem o universo do hip hop. EE, lá Na Na cia sacro, vocês
- 16:38trabalham todos esses elementos ou vocês focam apenas na dança?
- 16:44A gente foca apenas Na Na dança. O que acontece?
- 16:48O hip hop. Ele é um, ele é uma.
- 16:51Uma forma de se expressar através do corpo que vem lá da
- 16:55periferia, que vem desse espaço nesse cenário.
- 17:00Só que dentro desse cenário existem vários grupos, né?
- 17:04Existem várias expressões, existem várias.
- 17:08É diferenças. Por exemplo, quando a gente fala
- 17:11de periferia, a gente também tem LGBTs na periferia e a forma dos
- 17:16LGBTs se expressarem através da da dança, da cultura periférica.
- 17:21É diferente dos heterossexuais, das pessoas cisgênero.
- 17:26Então, tipo assim, já existe essa diferença.
- 17:29Se a gente for levar em consideração que a cultura
- 17:32periférica veio dos Estados Unidos, a periferia dos Estados
- 17:34Unidos é completamente diferente da periferia do Brasil e é
- 17:38completamente diferente da da periferia de outros países, né?
- 17:42Então, o hip hop, ele já vem de um lugar que, por mais que
- 17:47pareça que pela situação econômica e social.
- 17:50É igual, não é? Porque cada país vai produzir a
- 17:55sua vivência periférica de uma forma diferente.
- 17:58Então, dentro do hip hop, dança que é 11, recorte da cultura hip
- 18:03hop que aí tem sim, o grafite, o DJ e o MC e tudo mais.
- 18:07Só ali já tem muita Riqueza e já tem muita pluralidade, né?
- 18:13E aí lá a gente pega esse recorte, destrincha e tenta
- 18:16oferecer o máximo de informação possível pros integrantes.
- 18:20OOO, Vinícius fala um pouco sobre como é a sua liderança,
- 18:23então nesse processo de de porque você repetiu algumas
- 18:27vezes aqui, você era o único adulto, né?
- 18:29Então a gente entende que por ser o único adulto, era o único
- 18:32responsável, é liderando, buscou qualificação, enfim, como que
- 18:37você hoje lidera? É é essa a cia sacro e onde ela
- 18:42vai parar? Talvez, né?
- 18:44Onde você quer levar ela? Então é uma pergunta muito
- 18:46pertinente, porque, por exemplo, quando?
- 18:50A gente fala de 2008, eu não tinha perspectiva, então a minha
- 18:54maneira de liderar era dia dia por dia, um dia de cada vez,
- 18:58sabe? Então eu IA lá, tinha umas
- 19:01crianças e eu só preparava a aula.
- 19:04Eu não tinha essa, essa maturidade ainda de de planejar,
- 19:10de saber aonde elas poderiam chegar, de que forma eu poderia
- 19:13trabalhar para que elas chegassem lá.
- 19:14Então as coisas foram acontecendo, e aí.
- 19:18No acontecer das coisas, eu fui é me construindo como gestor.
- 19:26Agora, hoje eu não sou mais o único adulto e tenho a sorte de
- 19:31ter ao meu lado muitos adultos e professores formados, né?
- 19:38Que vieram de dentro do projeto. Então, eles entendem o percurso
- 19:42tanto quanto eu, porque eles viveram o percurso.
- 19:46Então isso pra mim hoje é muito interessante do olhar de gestão,
- 19:50porque tem coisas que a eu não preciso mais pensar, que os
- 19:54próprios professores da minha equipe já já trazem essa demanda
- 19:58e muitas vezes já trazem a solução dessa demanda ou opções
- 20:01de solução, mas ali eu tento liderar no sentido de hoje, de
- 20:09de promover um espaço que seja referência na nossa região
- 20:15assim. Não sei se já é.
- 20:17Eu não consigo dizer que é. Mas pelos números do projeto,
- 20:22pelas é, pelas conquistas do projeto, pela forma como o
- 20:28projeto, a dinâmica que o projeto acontece, de ser
- 20:31gratuito, que a gente pode conversar um pouquinho sobre
- 20:33isso depois, é. Eu acho que a gente já está num
- 20:37lugar muito interessante para outros outros projetos e outros
- 20:41grupos olharem. Não eu.
- 20:43Eu acho até interessante você citar isso.
- 20:45A gente vai falar de números já, mas é pra chegar no ponto de
- 20:49números até joga uma outra bola aqui pra você poder cabecear,
- 20:52né? É Oo se a sacro começa pequeno,
- 20:56mas depois ele vai conquistando alguns espaços, inclusive a
- 20:59participação e a Conquista de títulos internacionais.
- 21:02Então então assim, pessoal, você que está em casa nos assistindo,
- 21:05nos acompanhando essa conversa até aqui, imagina o seguinte, é
- 21:08um projeto que nasce da cabeça de uma pessoa só.
- 21:11Que tinha um sonho. E a coisa vai tomando um corpo,
- 21:13o corpo e vai crescendo. E aí, em pouco tempo eles estão
- 21:18conquistando títulos nos Estados Unidos, né?
- 21:21E conta um pouco dessa. Como foi essa experiência de
- 21:24conquistar espaços dentro do hip hop, fora do país, saindo de uma
- 21:29situação tão humilde que foi lá atrás.
- 21:31Mauá, né? É é uma situação de muita
- 21:36vulnerabilidade mesmo que a gente tem assim que a gente
- 21:39passa. Mas nada como a força do
- 21:44coletivo. Eu vinha pensando muito nisso,
- 21:47que eu queria muito passar essa mensagem de organização.
- 21:52Nós temos inúmeros lugares no nosso país, nas nossas
- 21:56comunidades, que são vulneráveis, muito, muito
- 21:58vulneráveis. E também a gente tem muita,
- 22:01muito exemplo de liderança, de lideranças inteligentes, de
- 22:05lideranças é dispostas o que nós não temos.
- 22:10É organização. E eu acho que a organização que
- 22:12faz a diferença é quando o projeto ser a sacro começou a
- 22:19despontar na nossa cidade. A única coisa que eu pensava é
- 22:23nisso. A gente precisa se organizar, a
- 22:26gente precisa ser organizado, porque vontade todo mundo tem em
- 22:30condições. A gente trabalha para ter o que
- 22:33precisa. É organização mesmo.
- 22:35É, então era muito difícil na época pensar em levar um
- 22:38adolescente, uma criança, pra fora do país.
- 22:41Os primeiros grupos que foram pra fora do país representar o
- 22:44Brasil pelo projeto ser saco foram lá em 2015.
- 22:49Era um grupo de 77 pessoas, 7 crianças.
- 22:56É, e assim é muito difícil. Ainda assim, a dura as penas,
- 23:02sabe? Mas foram isso, foi se
- 23:05construindo assim, tipo, serviu de exemplo para outras famílias.
- 23:08Outras famílias foram entendendo que era possível, que era
- 23:13possível ter esse lugar, lugar de protagonismo mesmo, de tipo,
- 23:17se não, meu filho vai representar o Brasil fora, no
- 23:20campeonato fora. E aí eu comecei a ver o
- 23:22movimento das famílias se organizando, porque daí tipo
- 23:26assim, se vai alguém da sua família, você não vai, mas seu
- 23:29coração vai junto. Né?
- 23:32A torcida vai acompanhando. Exato.
- 23:34E aí meu era um era muito estranho, porque foi o bom das
- 23:37redes sociais. Eu lembro do Snapchat e tudo
- 23:39mais e as informações chegavam rápido, diferente de
- 23:43antigamente, que ninguém sabia. É e aí uma família postava um
- 23:48pai aí, a mãe postava aí o primo do nordeste.
- 23:51Aí, pô, 1 hora a gente foi dançar nesse BT aí já estava
- 23:54todo mundo vendo e a velocidade, como isso acontecia?
- 23:58E como trazer as famílias pra vibrar junto e tudo?
- 24:01Eu acho que foi fomentando esse lugar, de tipo assim, não, a
- 24:04gente precisa investir no meu filho que tá lá, entendeu?
- 24:07No meu, no meu parceiro que tá lá.
- 24:10E aí esse movimento foi crescendo, de organização mesmo,
- 24:12de de organização coletiva, de todo mundo se organizar por um
- 24:15bem comum. Hoje a gente vai pros Estados
- 24:17Unidos, só que a gente vai em 40.
- 24:20Caramba, disquete pra 40? É, não, mas o ano passado a
- 24:24gente foi pro Chile. A gente foi competir um sul
- 24:27americano. Foram 136 pessoas.
- 24:30Uau. A gente lotou 4 hostels, não
- 24:33conseguiu fechar uma a uma acomodação que coubesse tudo.
- 24:36E como você faz pra cuidar de tanta gente assim?
- 24:38Administrar? Porque?
- 24:41Eu mal cuido de mim mesmo, imagina quem que sabe?
- 24:43É o sacro da cia? É.
- 24:45Sacro foi louco. Foi muito louco.
- 24:49Foi muito louco, cara. Foi muito louco.
- 24:51Só que a gente levou 136 pessoas pro Chile e a gente voltou com 5
- 24:54premiações. De primeiro lugar, então assim
- 24:58dá pra fazer. A gente precisa se organizar.
- 25:01EE aí como eu IA? Só pra concluir, a gente tá indo
- 25:04pros Estados Unidos já pela terceira vez.
- 25:06A gente foi 2018, a gente ganhou, ganhou uma vaga num time
- 25:13que não era o time da seasacro, mas que precisava de mais 7
- 25:15pessoas e convidaram a seasacro pra compor esses 7 lugares.
- 25:20Foi eu e mais 6 meninos. Em 2022 nós competimos pela vaga
- 25:25e a gente ganhou a vaga em quarto lugar, porque vão os 5
- 25:28melhores do país. Ganhamos a vaga em quarto lugar,
- 25:31fomos e agora a gente foi campeão.
- 25:35O ano passado a gente foi pro para as nacionais e a gente foi
- 25:38campeão, trouxe o título, o troféu, a Bandeira, tudo pra
- 25:41nossa cidade. Já estamos tudo e já era poucas
- 25:43ideias e agora a gente está indo como campeão, com elenco de 40.
- 25:47Eu acho que a primeira vez na história que uma Crew brasileira
- 25:50leva 4040 é o pico. Só pode levar 40.
- 25:53Ou seja, vocês saíram de um nível de tentando competir no
- 25:58local e hoje vocês são líderes, né?
- 25:59Vocês, vocês competem de igual pra igual, é são um dos
- 26:03principais nomes. No Brasil a gente é referência e
- 26:06é muito louco, cara, esse lugar de tipo assim, olhar quem eram
- 26:10os nossos ídolos. São os nossos ídolos, tipo 10
- 26:12anos atrás. E hoje essas pessoas estão
- 26:15assim, indo junto com a gente, e aí às vezes até pedindo meu, me
- 26:20ajuda nisso. Que loucura lá.
- 26:24É muito difícil a gente se classificar nos Estados Unidos.
- 26:26É muito difícil porque é o maior evento de hip hop do mundo e a
- 26:30gente entende isso. Mas se a gente chegou no campeão
- 26:32brasileiro, onde quem sabe um dia a gente não chega lá indo
- 26:35nesse ponto, para você, qual que é a maior diferença da
- 26:38competição nacional para Internacional?
- 26:40Porque sempre tem geralmente de regiões e regiões.
- 26:44Tem uma mudança de de nível. Como que você enxerga isso se OE
- 26:48se o Brasil está? Chegando o próximo.
- 26:50Que bom que você fez essa pergunta.
- 26:54Olha só nosso nosso time. Vou dar o meu exemplo, que
- 27:01talvez seja o exemplo mais confortável de todos.
- 27:05Tipo assim, o meu exemplo ainda deva ser o melhor.
- 27:08Eu sou funcionário público em São Bernardo, então trabalho com
- 27:11educação básica. Sou professor de primeiro e
- 27:13segundo ano na escola pra complementar minha renda.
- 27:18Eu sou funcionário da Secretaria de esportes, contratado, e eu
- 27:22dou treino de ginástica rít. Sou técnico da equipe de alto
- 27:24rendimento de lá e eu trabalho na seassacro e eu estou indo
- 27:31para os Estados Unidos com passagem parcelada.
- 27:34Então eu faço tudo isso na minha semana.
- 27:38E aí a gente treina uma vez, das 8 às 5 a cada 15 dias.
- 27:44Aí você vai competir com o Japão.
- 27:46A nossa sala chove dentro, molha, não tem ar-condicionado.
- 27:54É muito frio quando tá frio e é muito quente quando tá quente.
- 27:58O nosso piso não é apropriado. Aí vai o Japão.
- 28:02Os caras tem na segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e
- 28:04domingo, muitas vezes patrocinado no ar-condicionado,
- 28:09numa sala bem maior do que a nossa, com condições de material
- 28:13e de estrutura bem melhores do que a nossa.
- 28:17Não tem como competir com eles por causa da nossa realidade,
- 28:21entendeu? Eu entendo isso.
- 28:25E aí, esse rolê? Bom, tem mais alguma pergunta?
- 28:29Não sobre os eventos que ele falou, como que as as pessoas é
- 28:34são impactadas diretamente com isso ali.
- 28:37Por exemplo, você vê alguma coisa desse tipo lá e as pessoas
- 28:41vão conversar com você para entender mais sobre o projeto.
- 28:44A própria prefeitura de Mauá chega a conversar com vocês para
- 28:47ampliar, patrocinar, até mesmo fazer uma parceria ou não
- 28:51acontece nada disso? Bom é, tem um projeto, é muita
- 28:55visibilidade. As nossas redes sociais tem
- 28:58muita visibilidade e a gente então não é.
- 29:03Perfurou uma bolha que é a bolha do hip hop nacional, das danças
- 29:06urbanas nacional, que tipo assim, conta com grupos que
- 29:09estão na mesma pegada que a gente, que são grupos de
- 29:12periferia, que passam as mesmas dificuldades, mas também entra
- 29:14com estúdios riquíssimos de hip hop.
- 29:18E a gente perfurou essa bolha e hoje a gente está atingindo eles
- 29:22assim. Grandes nomes da cena hip hop
- 29:25nacional é comentam as nossas publicações.
- 29:30A gente traz é essas pessoas pra nossa cidade.
- 29:33Porque eu vou dar um exemplo, eu tenho uma escola aqui em na em
- 29:38São Paulo muito boa, umas 31 gama de 3 escolas em São Paulo
- 29:43muito boas, que lá, tipo assim, uma mensalidade é 500 BRL por
- 29:48mês. E vai os cara bom, entendeu?
- 29:51Que produz videoclipe de da é a cadeia produtiva do hip hop
- 29:56nacional. Ponto.
- 29:57Os caras são muito bons. Faz os clipes dos famosos?
- 30:01É, é, faz balé de show No No Allianz.
- 30:05Essa galera dá aula nesses estúdios.
- 30:09Só que os nossos meninos olham, eles, consomem o conteúdo deles
- 30:13e querem fazer aula com eles e não tem condições.
- 30:17Então a gente vai lá, busca o cara, paga o cara e traz o cara
- 30:23pra cá. Aí ele dá aula pros nossos
- 30:25alunos, pra nossa comunidade. Entendeu?
- 30:29Então a gente perfurou essa bolha aí, essa galera consome.
- 30:34Hoje o nosso trabalho, conhece a gente, sabe da onde a gente é,
- 30:37sabe o que a gente faz e o valor do nosso trampo.
- 30:40E a galera de Mauá, as famílias, sim, as famílias, os ex alunos,
- 30:45sim, mas infelizmente a prefeitura, eu não sei se não
- 30:50existe uma maneira ou se existe uma maneira e requer uma
- 30:55conversa, um trabalho, não sei. Mas hoje a gente não tem apoio
- 30:59nenhum da prefeitura, a gente tentou comunicação com a
- 31:02prefeitura, mas ainda não conseguiu.
- 31:05Entendi e talvez pra gente poder encerrar esse bloco aqui e irmos
- 31:10pra um rápido intervalo, uma última pergunta que eu tinha pra
- 31:13pra fazer Vinícius? O hip hop ainda é visto como 11
- 31:19arte underground sem uma arte meio é.
- 31:23Do dos extremos, né? Só da periferia.
- 31:27Assim como o funk, o rap e outras manifestações artísticas.
- 31:31É. Você ainda sente que existe um
- 31:33estigma sobre esse tipo de expressão artística?
- 31:37Sinto, é, sinto, porque o nosso país está muito polarizado, né?
- 31:41Hoje, a realidade, a polarização que a gente vive hoje, ela é.
- 31:46Ela é muito Extrema, muito Extrema.
- 31:49E. Eu nunca vi assim tão dividido,
- 31:53né? Então, por uma parte, sim, por
- 31:56uma parte da sociedade. Eu eu vejo que ainda olha como
- 32:03como vagabundagem mesmo, sabe? Tipo isso.
- 32:08Mas por outro lado, eu vejo que as redes sociais trouxe muita
- 32:13visibilidade para isso. EE, hoje, as pessoas, elas rolam
- 32:17o feed o tempo todo, qualquer pessoa.
- 32:20Tá rolando o feed e no feed delas aparece e nada melhor do
- 32:24que a convivência com alguma coisa pra você entender que
- 32:29aquilo também tem tem as suas particularidades.
- 32:33Boas, né? Então acho que a galera tá se
- 32:35familiarizando com o hip hop por conta das redes sociais, por
- 32:41conta das redes sociais, por conta das dancinhas.
- 32:46Isso tem o tem o seu impacto bom porque.
- 32:52Traz de muito fácil acesso, né? Pra todo mundo.
- 32:55Vídeos esteticamente bonitos, músicas legais, pessoas se
- 32:59movimentando de forma sincronizada.
- 33:00É interessante de ver. Vai popularizando, né?
- 33:04É aquilo, né? Você hoje vê 11 grupo de 5
- 33:08rapazes coreanos dançando, pô, isso aqui é legal.
- 33:11Olha K-pop, não sei o que, mas você vê os mesmos 5 rapazes.
- 33:15Brasileiros de Mauá dançando talvez não enxerga da mesma
- 33:18forma, né? Mas os movimentos são muito
- 33:20parecidos, né? Então a expressão é a mesma.
- 33:23Né? As redes sociais, ela ela tem
- 33:25ajudado a popularizar, mas não a entender, né?
- 33:30As pessoas conseguem olhar, se familiarizar, né?
- 33:35Olhar mais de uma vez, achar legal e passar.
- 33:40Agora entender que tem um grupo que se dedica, né?
- 33:45Que tudo bem, que parece agressivo, tudo bem, que parece
- 33:51coisa de favelado, tudo bem. Só tipo assim, exige técnica,
- 33:56exige treino, faz parte da cultura daquele grupo, daquele
- 34:00coletivo. E isso as pessoas ainda não
- 34:03entendem e não tem interesse de entender.
- 34:06Mas eu acho que a gente segue tentando comer pelas beiras
- 34:12assim, sabe? Mostrar que.
- 34:14Que é bonito? É, é, acho que é a história que
- 34:16a gente tá contando aqui, vai conquistando seu espaço, né?
- 34:18Isso EE quem tá nos assistindo, eu acho que vocês estão
- 34:21entendendo um pouco de como isso cria uma conexão com você mesmo,
- 34:24né? Todo mundo tem um sonho, todo
- 34:26mundo quer chegar em algum lugar, é, alguns saíram e
- 34:29começaram a traçar esse esse sonho por um lado, outros vão
- 34:33seguindo por outro. O mais importante, Eu Acredito
- 34:35em toda essa conversa que nós estamos tendo é o poder que as
- 34:37pessoas têm de impactar aquele que está ao seu redor, né?
- 34:41Então impactando aquele que está ao seu redor.
- 34:44Você vai transformando o mundo num num ambiente melhor, né?
- 34:49Oo Vinícius acabou de citar sobre polarização, e a
- 34:53polarização, ela não só nos divide quanto porque dividir,
- 34:58tudo bem dividir, né? Você quer ficar lá, eu fico
- 35:00aqui, mas não só dividir, coloca a gente uns contra os outros e
- 35:04aí isso é um problema, né? A gente não constrói nada um
- 35:06contra os outros, a gente destrói.
- 35:08Né? Então, com esse pensamento não
- 35:10tem nada a ver com nosso nosso bate-papo, mas a filosofia vai
- 35:13aparecendo aqui. Eu vou fazer só um rápido
- 35:16intervalo, porque o nosso pessoal de casa precisa ouvir
- 35:19esse recado. A gente volta aí um minutinho,
- 35:21estamos de volta aqui, pessoal. Acompanhe.
- 35:24Olá pessoal, eu sou o Celso Rodrigues e apresento ABC kest
- 35:27ao lado dela. Eu sou a Susana Rezende e.
- 35:31Hoje. A gente está aqui para te fazer
- 35:33um convite muito especial, o compilado de notícias diário.
- 35:37Vai ao ar de segunda a sexta-feira as principais
- 35:39notícias do ABC, da região metropolitana de São Paulo, da
- 35:43capital Paulista, do Brasil e do mundo.
- 35:46E a gente está disponível em todas as plataformas.
- 35:49É no Deezer, novazon music, no YouTube, no Spotify, é onde você
- 35:54preferir. É só nos encontrar e dar play,
- 35:57então. Se você perdeu aquela notícia
- 35:58importante que para você tem relevância, ela está aqui no ABC
- 36:02Quest e siga nos nas redes sociais.
- 36:04Arroba ABC do ABC underline oficial.
- 36:07Esperamos lá. Obrigado pessoal por ouvir esse
- 36:11recado e não se esqueça de nos acompanhar redes sociais, nos
- 36:15acompanhe no site. O portal ABC do ABC está aqui
- 36:18para poder trazer informação de qualidade e informar vocês o
- 36:23tempo todo. Não existe uma notícia que
- 36:24esteja circulando por aí que não esteja no portal ABC do ABC.
- 36:28Nos acompanhe e acompanhe também o nosso podcast, o ABC cast,
- 36:32como um resuminho de notícias. Diário o Thiago aqui ele
- 36:35trabalha produzindo notícias pro portal, então ele soa bastante.
- 36:40Então vale a pena acompanhar Oo conteúdo que é produzido lá.
- 36:44Falando No No no. Thiago Antunes aqui é vou chamar
- 36:48agora um quadro especial chamado contraponto.
- 36:51Contraponto. É, nesse quadro a gente faz uma
- 36:59brincadeira um pouco diferente, né?
- 37:01O propósito de eu sempre chamar um jornalista convidado para
- 37:03esse bate-papo é ele poder explorar aí o assunto como ele
- 37:07quiser. Então vou passar o microfone
- 37:09para ele agora, thiagão, o tempo é seu, pode fazer qualquer
- 37:12pergunta, não existe roteiro dessa forma, então é contigo.
- 37:16Bota ele contra parede, é isso mesmo?
- 37:19Meio que continuando que a gente tava conversando, você falou que
- 37:22o hip hop é muitas vezes, muitas vezes visto como uma arte meio
- 37:25underground e muitas vezes é marginalizada.
- 37:29Como você enxerga que a se a sacro tá meio que tentando mudar
- 37:34isso ou conseguindo mudar isso na sociedade?
- 37:36Porque a gente não pode enxergar uma cultura como uma coisa ruim,
- 37:40é uma coisa boa. Então como vocês enxergam que se
- 37:43o projeto tá fazendo isso, eu enxergo.
- 37:46Isso é oferecendo. Um lugar organizado, com
- 37:53qualidade técnica e de fácil acesso.
- 37:59É muito difícil as 3 coisas, porque nós temos muitas escolas
- 38:06que trabalham com dança e que oferecem a disciplina de hip
- 38:08hop, a modalidade e anão tem a qualidade que a gente tem.
- 38:14A gente vê muitas, muitos grupos que tem a qualidade que a gente
- 38:17tem, mas não consegue oferecer um lugar humanizado, preparado,
- 38:22com professores, com formação, formação acadêmica, né?
- 38:27E um trato bacana é, enfim, eu acho que a cessacru, ela tem
- 38:35pensado em ser um modelo, em oferecer excelência.
- 38:41Em muitos detalhes que às vezes outro outros grupos de hip hop
- 38:45não pensam, pensam no treino, pensam na performance, mas não
- 38:50pensam na qualidade do atendimento.
- 38:52Não pensar numa relação interessante com as famílias dos
- 38:57alunos é de tá localizado no na periferia, porque às vezes o
- 39:01grupo tipo meu, explodiu, aí vai, sai de lá, exato, entende?
- 39:07Então tudo que a gente faz é pensando meu.
- 39:10Consegue isso chegar próximo da excelência?
- 39:14Não, porque pobre é assim, velho.
- 39:15Tipo, pra nós a gente tem que ser excelente, cara, no que a
- 39:19gente faz. Se a gente não for excelente, a
- 39:21gente sofre preconceito de tudo quanto é lugar.
- 39:23Como é que você faz então, numa situação que você busca
- 39:26excelência, mas ao mesmo tempo seu projeto é de inclusão
- 39:29social, então você você recebe muita gente que talvez não tem
- 39:33talento, mas só tem desejo. Então como é que você faz pra
- 39:37pra aperfeiçoar alguém que talvez não tenha nem talento pra
- 39:40pra dança, né? É o talento.
- 39:42Quem não alcança pelo talento tem que alcançar pela raça, né?
- 39:49E tem. Mas assim é entender que nem
- 39:51todo mundo tá lá porque quer dançar hip hop.
- 39:54Tem gente que só tá lá porque nunca não tem nada.
- 40:00Tem. Tem gente que olha, nós
- 40:02atendemos 300 pessoas. 160 são adultos, 20 anos para mais.
- 40:11Aí você pega, tem um cara de tipo assim, 30 anos, não tem
- 40:18amigos, só joga videogame virando celular, não tem uma
- 40:24relação boa com a família, mora sozinho.
- 40:27Ele não tem um lugar para chamar de dele, tipo assim, ele não tem
- 40:30um. Ele não é de ninguém, o cara.
- 40:35É ele e ele mesmo acabou. Então, quando ele chega lá e vê
- 40:38um Monte de gente junto dizendo, eu faço parte disso, eu faço
- 40:43parte de alguma coisa, sabe? As vezes não é nem pelo hip hop
- 40:49que ele fica, cara, ele fica porque ele precisa de gente na
- 40:51vida dele, poder de pertencimento a alguma coisa.
- 40:54Exatamente. Ele.
- 40:55Ele quer se sentir pertencente a algo.
- 40:58É a rede de apoio, né, é? Importante, né, porque?
- 41:00Abraçar as pessoas, como você falou, AOAC Sacra, está trazendo
- 41:06sempre novas pessoas LGBT, pessoas marginalizadas.
- 41:11Então é importante abraçar todas as pessoas.
- 41:13E assim, não só isso, cara. Tipo assim, lá na c Sacra a
- 41:16gente tem teia, um Monte, um Monte de teia de criança a
- 41:21adultos com laudos super novos recentes.
- 41:25Tipo assim, a pessoa passou a vida inteira tipo, tem alguma
- 41:28coisa estranha? Aí agora ela descobriu que ela
- 41:30tem pé. A gente tem é órfãos, órfãos de
- 41:35pai e mãe, que tipo assim, não tem ninguém, cara, tipo, um cara
- 41:38que veio, tem um menino, olha só, esse menino, ele, ele é um
- 41:42menino trans, então, tipo, teve toda a barra da transição.
- 41:46Ele mora praticamente sozinho em São Paulo.
- 41:51Os familiares deles são são de uma cidade do nordeste, então,
- 41:55tipo assim. Aonde?
- 41:58Aonde, com quem que ele vai conversar, com quem que ele vai
- 42:00se comunicar, com quem que ele vai interagir, com quem que ele
- 42:03vai respirar não tem. E aí essa sacro passa a ser esse
- 42:07lugar. Dança muito.
- 42:09Não quer dançar as vezes nem quer.
- 42:12Só que dança, porque lá é o lugar onde tudo, todo o resto
- 42:15acontece. E aí a gente precisa viabilizar
- 42:19esse lugar, esse lugar onde tem o lugar para quem quer.
- 42:23Meter marcha no hip hop, entendeu?
- 42:26Se especializar, competir, é isso.
- 42:28E vamos para frente e para o cara que só quer ir lá, tipo
- 42:31assim, fazer a aula do café, que é hip hop básico.
- 42:34Descer no Rafa, comer um cachorro-quente e ir embora,
- 42:37conversar com meia dúzia de pessoas.
- 42:40A vida dele se resume a esse universo, né?
- 42:44ABC em 60 segundos, muito bom. Bom, a gente tem mais um quadro
- 42:52aqui, que é o quadro ABC em 60 segundos.
- 42:55Nesse quadro, Vinícius, a gente faz algumas perguntas rápidas e
- 42:58em 1 minuto a gente tenta ter algumas respostas também.
- 43:01Bate e pronto, né? Coisa rápida.
- 43:02Por exemplo, o maior desafio para um artista que trabalha com
- 43:06dança no ABC. Um, se manter financeiramente.
- 43:13E se um lugar de Mauá que talvez simboliza a arte e a cultura
- 43:18para você? Lugar de Mauá.
- 43:21Eu acho que o zair, o zair, é. Riqueza?
- 43:23O zair é bom demais, cara. E qual é uma característica
- 43:28talvez única aqui do público do ABC que você valoriza?
- 43:33Eu eu valorizo Oo empenho deles em em fazer do mínimo assim a só
- 43:41tem 1 hora na semana, ele vai lá, vai treinar e vai fazer
- 43:45valer essa 1 hora, entendeu? Porque é muito trem para pegar e
- 43:47é muito busão para pegar. É muito Uber, moto, é muita
- 43:49coisa. E aí quando ele chega, Mano,
- 43:51aqui eles são esforçados muito esforçados.
- 43:54Muito. E só pra gente encerrar, então,
- 43:56um artista ou um grupo, talvez o ABC que te inspire.
- 44:00Um grupo do ABC que me inspire, meu Deus, 60 segundos.
- 44:03Não vale o café, o café já citou.
- 44:05Tá? Ah, o Igor Lopes.
- 44:08O Igor Lopes é um aluninho meu que veio com 7 anos de idade e
- 44:11hoje ele é. Enorme, enorme, ele me inspira
- 44:14muito. Muito bom.
- 44:16É. É interessante a gente fazer
- 44:18essas brincadeiras, porque mostra que a nossa conexão com a
- 44:21Terra aqui, né, com com ABC, não é nem numa situação de
- 44:24bairrismo, nada disso, mas, mas é, é é uma região que a gente
- 44:30tem contado aqui. Vinícius, histórias diversas,
- 44:32né? Aqui já passou empresários, é,
- 44:35já falamos de previdência privada, a gente já falou de.
- 44:40É crianças com síndrome de down. Os assuntos são diversos, mas
- 44:44todas as vezes a gente conecta as pessoas com esses assuntos.
- 44:47Então, hoje, falando de hip hop, falando de expressão artística,
- 44:51é mais uma forma de criarmos essas conexões, né?
- 44:54E aí eu gostaria de chamar mais um quadro aqui que chama
- 44:57decisões críticas. Decisões críticas?
- 45:02Que é onde a gente tenta explorar um pouco qual o momento
- 45:05da vida em que houve aquela transformação, então é
- 45:08justamente. É disso que eu queria falar
- 45:11contigo. Agora, assumir a liderança da
- 45:15cia sacro deve ter sido um processo difícil.
- 45:18Mas onde você considera que foi talvez a virada de chave?
- 45:22Onde você viu que não era mais um simples movimento popular de
- 45:27uma igreja ligado à igreja e virou uma coisa profissional?
- 45:33Foi quando esse tem mais de 60 segundos, né?
- 45:37É esse, você pode? Falar à vontade?
- 45:40Olha só, teve 11. Detalhe na nossa trajetória que,
- 45:44nossa, eu tenho muito orgulho de falar disso.
- 45:46Nossa, eu tenho muito orgulho mesmo.
- 45:50Tipo, a gente vinha de 10 anos de pagar, pagar aluguel, sabe?
- 45:53E os professores não remunerados, e a gente sempre
- 45:57sonhava, juro, cara, a nossa sala, ela dava 2 dessa, tipo
- 46:02assim. Era um estúdio pequeno, tipo,
- 46:06mas eu tinha que colocar 40 pessoas lá, entendeu?
- 46:09Para treinar. E eu precisava de tipo, fazer o
- 46:12trampo. Bom, porque a gente já estava
- 46:14disputando coisas boas, assim. Era muito difícil pagar aluguel,
- 46:20um espaço muito pequeno, um projeto crescendo, os
- 46:24professores sem receber nada, nada.
- 46:26Eles não recebiam nada, nada. Aí lá em 2020 eu falei assim,
- 46:31olha, gente, a gente vai comprar um, vai comprar um terreno, vai
- 46:34comprar alguma coisa e vai construir, porque eu quero sair
- 46:36do aluguel. E eu quero construir alguma
- 46:39coisa grande que caiba todo mundo e tudo mais.
- 46:42Então não que você é louco, não tem condições, nada a ver.
- 46:47E a gente recebeu 11 recursinho assim de de ProAC.
- 46:51E aí você escreveu no Aldir Blanc, foi recebendo alguns
- 46:55recursos, deu um valor lá, tipo aí uns uns 30% do que custaria
- 47:03um imóvel, né? Beleza, falei, deixa guardado,
- 47:07porque numa hora vai, né? Aí foi isso, 2020.
- 47:14Quando foi em 2021, tudo aconteceu.
- 47:19Nesse um ano, tudo melhor assim. Deus abriu centenas de portas e
- 47:24tudo foi a gente. Saindo da pandemia e vocês
- 47:26conseguindo se beneficiar com coisas dando certo?
- 47:29Não sei mesmo o que aconteceu, eu sei que em 2021 caiu do céu o
- 47:34imóvel que a gente precisava. E deu pra comprar o imóvel, deu
- 47:40pra comprar o imóvel. Aí, beleza, a gente comprou o
- 47:43imóvel, mas o imóvel não tinha sala.
- 47:47Eu falei, ó, a gente vai trabalhar e a gente vai
- 47:51conseguir o dinheiro pra construir, beleza?
- 47:55Aí passou 2021, 2022, 2023, 2 anos assim contados.
- 48:03A gente tinha dinheiro pra começar a construir.
- 48:05Aí quando foi em 2023, começou a construir em setembro.
- 48:09Aí todo mundo fala, meu, só vai estar pronto, tipo daqui a um
- 48:11ano, 2 anos e tal, e eu não, Mano, vou conseguir construir em
- 48:163 meses, não. Depois do Carnaval vai abrir
- 48:21assim, deu fevereiro, o cara entregou a obra.
- 48:26Então todas as turmas de 2024 conseguiram iniciar o ano de
- 48:302024 no espaço novo. Ali eu falei.
- 48:35Meu tá muito grande, cara. Detalhe, fez a obra, comprou o
- 48:41imóvel, fez a obra. No dia um de fevereiro, os
- 48:45professores receberam seu primeiro salário todos e dali
- 48:48pra frente nunca mais pararam de receber.
- 48:50Que bom. A gente bateu 200 nesse ano, o
- 48:53ano passado. Esse ano a gente bateu 300.
- 48:55Mas no ano passado a gente bateu 200 alunos.
- 48:58E aí foi tudo de uma vez. Aí eu falei, tá muito grande.
- 49:01Aqui não dá mais pra bobear, Mano.
- 49:03Eu não sei mais quem eu tô atendendo, não tenho contato com
- 49:05todo mundo. Agora a gente precisa assim, ser
- 49:12gigante na forma de conduzir o projeto, porque ali eu falei, a
- 49:16gente consegue fazer o que a gente quiser.
- 49:18Muito legal. Mas seguindo essa linha, você
- 49:21falou que tava muito gigante, muito difícil de de controlar.
- 49:25Como você foi. É coletando as pessoas pra
- 49:28chegar ao seu lado ali pra. Tocar o projeto, porque muitas
- 49:32vezes você tem aquela dúvida se aquela pessoa consegue fazer a
- 49:36minha função tão bem quanto eu, ter essa confiança.
- 49:38Como você conseguiu trazer as pessoas para perto de você?
- 49:41Ou se elas já estavam ali, você só chamou para vir junto,
- 49:44desenvolvendo problemas psicológicos ao longo dos
- 49:47últimos anos. Aí eu precisei descentralizar.
- 49:53Então, tipo assim, não tinha essa de eu sei o que a pessoa
- 49:56vai fazer, tinha. Eu preciso que ela faça porque
- 50:00eu não posso mais. E aí?
- 50:03Mas eu eu fui muito sortudo, muito feliz assim nas escolhas,
- 50:06porque eu tenho uma equipe muito boa e é tudo definido no
- 50:09coletivo. Eu não defino nada sozinho.
- 50:12Não faz sentido eu definir sozinho se eu não dou aula para
- 50:15todas as turmas, se eu não conheço todos os alunos, se eu
- 50:18não conheço todas as famílias. Então é tudo muito definido No
- 50:22No coletivo. E são alunos do projeto que
- 50:26crescem lá, tipo, não vem ninguém, não aparece ninguém não
- 50:28abre, processo seletivo não existe.
- 50:31Eles vão se entendendo quanto líderes ali dentro e a gente vai
- 50:36abrindo espaço para eles executarem essa liderança.
- 50:38Audiência. Quer saber?
- 50:45Muito bom, sabe que não somos nós os únicos a perguntar.
- 50:49Aqui, a gente foi às ruas atrás de.
- 50:51É pessoas que tinham alguma curiosidade sobre a cia sacro e
- 50:55trouxemos aqui algumas dessas perguntas.
- 50:57Vamos colocar aqui na tela uma delas, pessoal, olá, aqui é o
- 51:01Wagner de Santo André. É como funciona o recruta sacro.
- 51:05E quais qualidades vocês buscam em novos talentos?
- 51:09Fácil? Obrigado, Wagner.
- 51:12Olha, o recruta sacro é a única maneira de você ingressar no
- 51:15projeto, porque pela pelo tamanho do projeto, há de é.
- 51:21Admitir integrantes no meio do ano, a gente foi entendendo que
- 51:25prejudica o trabalho do professor, prejudica um
- 51:28andamento de todas as de todas as dinâmicas, enfim.
- 51:31E aí a gente lançou o recruta. O recruta é uma audição aberta,
- 51:36aonde todo mundo pode se inscrever.
- 51:39E através dessas audições, a gente avalia em qual núcleo essa
- 51:44pessoa se identifica mais. Naquele momento, por exemplo,
- 51:47nós trabalhamos o núcleo amarelo, que é o núcleo de
- 51:49iniciação. Então, lá são oferecidas aulas,
- 51:53aulas regulares. Então eles vão fazer a aula para
- 51:56entender como o hip hop funciona, como a modalidade que
- 51:59eles escolheram funciona e se desenvolver ali do zero, a gente
- 52:04tem o núcleo verde, que é um núcleo intermediário.
- 52:06Então, nesse núcleo eles conseguem começar a trabalhar
- 52:10uma coreografia, pensar no que é uma competição, o que é um
- 52:14trabalho coletivo para levar para o palco, para tomar nota e
- 52:17tudo mais. E daí a gente tem o núcleo azul,
- 52:20que é o nosso núcleo de autorizações.
- 52:21Mais Fortes são as pessoas desse núcleo, é o nosso trabalho mais
- 52:25forte aí em cima desse núcleo. E aí provavelmente de lá saem
- 52:30profissionais, pessoas que vão estudar educação física e tudo
- 52:33mais. Então o recruta, ele serve pra
- 52:36gente admitir os alunos no início do ano e separar eles de
- 52:40acordo com o seu nível técnico, pra eles conseguirem se
- 52:44desenvolver melhor. Há um num espaço preparado para
- 52:48eles, para o nível técnico deles naquele momento.
- 52:50Vinícius, a gente está se encaminhando aqui para o final
- 52:52da nossa entrevista e queria chamar mais um dos nossos
- 52:55últimos quadros aqui, que é um selo que nós damos para essa
- 52:59conversa, né? Se ela teve muita veracidade ou
- 53:01se ela faltou esclarecer algum ponto e nós chamamos esse quadro
- 53:06de selo é de verdade. Selo é de verdade?
- 53:12É de verdade, porque o Ed, nosso produtor aqui, ele acompanhou a
- 53:17conversa inteira e ele vai dizer se essa conversa foi teve um
- 53:20nível de verdade lá em cima ou não.
- 53:22Então fala aí, Ed selo ou é de verdade?
- 53:24Conseguimos. Eu até pensei em fazer uma coisa
- 53:28diferente hoje e trazer essa parte do pelo Ed dançando.
- 53:33Mas eu não tenho coordenação. Motora, pra isso?
- 53:37Sala amarela via sacro, é lá o seu lugar.
- 53:41Mas. Enfim, vivi, é Oo selo, é de
- 53:48verdade pra você. Tá garantido.
- 53:50Tudo foi muito validado. Eu conheço você, saco de de
- 53:53perto, acompanho de perto e é um projeto muito bonito.
- 53:57E eu espero que que venham 23 salas, viu, gente?
- 54:01E esteve debatendo sobre isso aqui em algum outro momento.
- 54:05Mas a gente também usa esse momento aqui do podcast para
- 54:08trazer reflexões. Enquanto você falava, eu fiquei
- 54:12pensando em como a arte ela chega, onde muitas vezes da
- 54:16escola não chega e às vezes até a família.
- 54:19E ainda assim é muito difícil é a gente entender porque que
- 54:24falta tanta coisa nesse sentido, tem muito pertencimento.
- 54:28Mas falta muita coisa. Então, a sua visão, o que é que
- 54:31falta para essa lógica atravessar as políticas públicas
- 54:36e virar realmente uma regra e não uma questão?
- 54:39Nossa, essa pergunta é muito? Nossa, é difícil mesmo, muito
- 54:45difícil, muito difícil. Mas eu acho que que falta a uma
- 54:52sensibilidade mesmo, é. Não só, não somente dos órgãos e
- 54:58não somente das pessoas que estão à frente de algo, né?
- 55:03Ou ou passando a caneta no papel, mas também das famílias
- 55:07das novas famílias. Eu sinto muita, muita
- 55:10necessidade de falar sobre quanto quanto as novas famílias
- 55:13estão bastante despreparadas, sabe?
- 55:16Despreparadas pra entender que é.
- 55:19Houve isso muito forte num numa experiência que eu tive num
- 55:22curso que tem famílias que não tiveram filhos.
- 55:27Ou tiveram crias ou tiveram investimentos.
- 55:31O que isso quer dizer? Que tem famílias que vão
- 55:35defender os seus filhos como se fossem os mais perfeitos do
- 55:40mundo, como se fossem as crianças.
- 55:41Os adolescentes mais perfeitos do mundo vão agir de forma como
- 55:46se fosse uma cria mesmo, sabe? Passar a mão em tudo, não ligar
- 55:50para nada. É meu filho, é leoa e tudo mais.
- 55:53A gente escuta muito isso e famílias que têm.
- 55:56Investimento assim não vai pra escola, vai, vai é estudar, é
- 56:02integral, vai trabalhar cedo, vai fazer a faculdade que eu
- 56:06quero, mas tem muito mais. É um ser humano, né?
- 56:11E o ser humano, ele é regado por sentimentos, sensações, né,
- 56:15experiências mais cinestésicas. Então acho que falta muito isso,
- 56:18essa sensibilidade das famílias, porque isso vai vai aproximar as
- 56:24artes. As experiências artísticas das
- 56:27famílias e das das crianças e talvez com a cobrança das
- 56:31famílias, com a cobrança da comunidade organizada.
- 56:35Quem tá lá na caneta sinta mais essa pressão, entendeu?
- 56:40Muito bom, muito bom. Com isso, gente, a gente vai
- 56:43caminhar pra encerrar esse episódio de hoje.
- 56:47Acho que foi uma conversa que rendeu bastante.
- 56:48Falamos sobre muitos assuntos, eu acho que principalmente a
- 56:53inclusão social e o. O futuro que as pessoas estão
- 56:57encontrando hoje no hip hop em Mauá é é o grande exemplo que
- 57:01nós deixamos aqui. É para todos que nos
- 57:03acompanharam até o momento. Eu gostaria desde já agradecer a
- 57:06presença do meu xará Thiago Antunes.
- 57:09Prazer é passa um recado final para o pessoal que tá lá.
- 57:12Thiago fala, como é que o pessoal te encontra nas redes
- 57:14sociais? Pode procurar em todos os
- 57:16lugares. Aí o Thiago Antunes com 2 s no
- 57:18final. E foi um prazer estar aqui.
- 57:20Conversar com o Vinícius também foi foi uma experiência única.
- 57:23Entender mais sobre a cultura hip hop, então espero que tenha
- 57:26mais papos como. Esse é exatamente a gente vai
- 57:28trazer o Thiago mais vezes aqui. E não esqueça de acompanhá lo
- 57:32também lá no portal ABC do ABC. Então abcdoabc.com.br notícias
- 57:37sobre vários assuntos você vai encontrar lá assim que você
- 57:39abrir a notícia. Autor vai estar o nome do nosso
- 57:43querido Thiago Antunes lá e agradecimento especial também ao
- 57:46Vinícius, a cia sacro. Então muito obrigado.
- 57:51Vocês são uma inspiração? Não, não tem como definir de uma
- 57:54outra forma. Vocês de fato são uma inspiração
- 57:57e quem dera muita gente pudesse seguir os passos que vocês estão
- 58:01abrindo aqui. Mas assim pra aquela câmera lá
- 58:04você pode dar o recado final pra pra quem tá nos assistindo e
- 58:08passar A Rede Social como a pessoa se inscreve, enfim, o
- 58:11tempo é todo seu. Bom, quero agradecer a
- 58:13oportunidade, muito obrigado a oportunidade de estar aqui, de
- 58:16conversar um pouquinho sobre o projeto.
- 58:19Bom, se eu pudesse deixar, se eu posso deixar um recado é
- 58:22justamente esses que vocês entendam que toda forma de toda
- 58:28experiência feita dentro de uma sala de aula, com o intuito de
- 58:32sociabilizar as as pessoas, de entender as pessoas, de que elas
- 58:37se entendam, EE que esse processo pedagógico seja
- 58:41benéfico pra o intelecto, pra o corpo e pra alma delas.
- 58:45É válido. Então, independente da idade que
- 58:48você tem, independente do que você tá fazendo, da correria que
- 58:51você tá vivendo, vai, vai procurar uma modalidade pra você
- 58:55praticar, vai colocar o seu corpo pra pra receber a energia
- 59:02que ele tanto tanto coloca pra sua sobrevivência, pra fora
- 59:06colocar ela de volta, sabe? Devolver?
- 59:09É muito prazeroso cuidar do próprio corpo, cuidar da própria
- 59:11saúde, cuidar da própria alma. E a e a gente tá aí pra isso, as
- 59:14vias. As veias artísticas estão aí
- 59:17para isso. O hip hop também é sigam a gente
- 59:20nas nossas redes sociais arroba cia sacro o meu Instagram é
- 59:25Vinícius sem OS com x underline charaujo.
- 59:31Pode me seguir lá também a nossas redes sociais tá bem
- 59:33cheia de coisas que dá para entender um pouco do que é o
- 59:36projeto o recruta sacro 2026 tá aí só aparecer lá, fazer o
- 59:41recruta, estão todos convidados e.
- 59:45Gente tem muita forma de empreendedorismo, EE, gestão de
- 59:51projeto dentro das comunidades. E o zaíra tá aí pra provar, se a
- 59:54SAC tá lá, a gente tá crescendo EEA gente tá fomentando a
- 1:00:00cultura, o mercado, a cadeia produtiva de arte é dentro da
- 1:00:06nossa comunidade. Então deem valor pros líderes
- 1:00:08comunitários das da onde vocês moram ou os que você conhecem,
- 1:00:12porque. A favela também tem grandes
- 1:00:15talentos. É isso aí, grandes talentos
- 1:00:18conquistando o mundo, né? Como nós conversamos aqui, muito
- 1:00:21obrigado. Pra você que nos acompanhou até
- 1:00:23agora, esta não foi uma conversa sobre hip hop, essa foi uma
- 1:00:27conversa sobre humanidade, sobre inclusão social, sobre projeto,
- 1:00:31sobre vidas, né? Vidas sendo transformadas e isso
- 1:00:35é o esse é é de fato o que resume OABC, cast, conexões.
- 1:00:39A gente traz histórias aqui pra poder falar um pouco sobre a
- 1:00:42vida das pessoas e como as suas histórias impactam as nossas
- 1:00:46vidas, né? Eu, você, você que está nos
- 1:00:49assistindo. Então continue acompanhando esse
- 1:00:51programa todo sábado no próximo sábado, nós temos outra história
- 1:00:55importantíssima que vai fazer diferença na sua vida.
- 1:00:58Se você não acompanha os episódios anteriores, pode
- 1:01:00voltar lá. Nós estamos no YouTube, nós
- 1:01:02estamos no Spotify, estamos no Deezer, estamos no Amazon Music,
- 1:01:06estamos no Apple Podcasts, ou seja, é uma série de
- 1:01:08plataformas. Que você pode acompanhar essas e
- 1:01:11outras histórias e por favor, nos siga nas nossas redes
- 1:01:14sociais também. É o arroba ABC do ABC underline
- 1:01:18oficial. Você vai nos encontrar por lá e
- 1:01:20não se esqueça né? Abcdoabc.com.br é onde você
- 1:01:24encontra a maior parte do nosso conteúdo e por sinal, essa
- 1:01:28entrevista aqui vai estar lá com todos os links e também vai
- 1:01:32estar um compilado dos melhores momentos e outras informações
- 1:01:35extras numa matéria especial feita sobre.
- 1:01:39Essa entrevista aqui não perca, vai lá, acompanhe e que é um
- 1:01:42complemento disso que você acompanhou aqui.
- 1:01:45E assim a gente encerra e nos vemos no episódio da próxima
- 1:01:49semana. Obrigado pessoal, até mais.
- 1:01:52Apresentação, Thiago Quirino. Jornalista convidado, Thiago
- 1:01:57Antunes. Entrevistado, Vinícius Araújo.
- 1:02:01Edição, Rodrigo Rodrigues. Captação de áudio e vídeo
- 1:02:06estúdio da Sisa associação comercial e industrial de Santo
- 1:02:10André. Produção, Ed baroni checagem, Ed
- 1:02:14baroni assistência de produção, Celso Rodrigues e Susana Rezende
- 1:02:19direção, Tiago Quirino direção geral, Alex faria.
- 1:02:24Este programa é um produto do portal ABC do ABC.
- 1:02:28As opiniões manifestadas pelo entrevistado não refletem
- 1:02:32necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC.
- 1:02:36Para se manter informado sobre tudo o que acontece na região,
- 1:02:39acesse www.abcdoabc.com.br.