Latest / Na Mesa com Well / Wigglesworth Ep. 2: A Teologia do Soco
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o well, o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível, na correria do
- 0:07dia a dia a Geografia ou biografia, estamos dispostos a
- 0:12olhar para os gigantes da fé com todas as suas glórias, fraturas,
- 0:15genialidades e contradições? Ou preferimos manter intacto o
- 0:19mito que construímos sobre eles? Essa é a pergunta que vai guiar
- 0:23cada passo da nossa jornada nesta temporada da série
- 0:26documental legado de unção. O nosso compromisso é
- 0:29inegociável, separar o endosamento humano da realidade
- 0:32histórica, investigando os arquivos, as dores e o impacto
- 0:36real daqueles que moldaram o evangelicalismo contemporâneo.
- 0:40Onde os fatos falam, nós examinamos.
- 0:43Onde a lenda tentar preencher as lacunas, nós restauramos o
- 0:46limite. Apresentamos o dossiê Smith
- 0:50weagles World, o apóstolo da fé e o fogo das Colinas, episódio 2
- 0:55a fé no estômago. Agressividade, a teologia de
- 0:59altar. E para começar a entender essa
- 1:01teologia, olha, imagine a seguinte cena, um homem no leito
- 1:05de morte na Califórnia, tá? Ele estava tão frágil, tão
- 1:09consumido por um câncer terminal, que a família traz um
- 1:11médico de maca, sabe? No meio do culto.
- 1:15Isso bem no meio de um culto público e o médico tava lá para
- 1:19monitorar os últimos batimentos cardíacos do cara com um
- 1:22estetoscópio. Nossa, um clima super tenso.
- 1:26E aí o pregador se aproxima, né? Exato.
- 1:29Só que assim, OK, vamos desempacotar isso.
- 1:31Em vez dele oferecer qualquer tipo de consolo ou de, sei lá,
- 1:34fazer uma prece suave e colocar a mão na cabeça do paciente
- 1:39uhum, ele simplesmente fecha o punho e dá um soco violento, um
- 1:43murro direto no estômago desse homem doente.
- 1:46Um soco, sabe, tão desproporcional e violento que o
- 1:50paciente simplesmente desmaia ali mesmo na maca.
- 1:53Meu Deus, eu fico chocada as mãos dele.
- 1:55Caem inertes pros lados. E o médico?
- 2:00Bom, o médico entra em desespera absoluto.
- 2:03Ele vira para a congregação e grita a plenos pulmões que o
- 2:07paciente foi assassinado no altar.
- 2:10Caramba. Sim, ele avisa que a família vai
- 2:13exigir explicações e que a polícia precisaria ser chamada.
- 2:16Mas e o Eagles worf, tipo o que ele faz nessa hora?
- 2:19Ele fica impassível, ele simplesmente diz, ele está
- 2:24curado. Vira as costas e vai atender a
- 2:27próxima pessoa da fila como se nada tivesse acontecido.
- 2:30Mentira, ele só vira as costas. Só vira as costas.
- 2:34E nós estamos falando de Smith Eagles World, né?
- 2:37A narrativa que a gente tem que foi registrada pelo Evangelista
- 2:41Lester sumro. Ela conclui dizendo que 10
- 2:44minutos depois desse desse absoluto pandemônio.
- 2:47Sim, pandemônio total o. Paciente acordou, levantou da
- 2:52maca, afastou o médico. E saiu andando pelo corredor sem
- 2:56dor nenhuma. Ah, é incrível.
- 2:59Pois é. Mas olha aqui é onde a coisa
- 3:02fica realmente interessante pra gente.
- 3:04Uhum concordo. Porque assim, se eu vir alguém
- 3:07esmurrando um paciente terminal hoje, eu chamo a polícia na
- 3:10mesma hora. Sem dúvida.
- 3:11Existe uma linha muito, muito tênue entre um ato de fé e uma
- 3:15agressão. Como é que ele justificava isso
- 3:19sem ser preso? Então se conectarmos isso a um
- 3:21Panorama maior. Ele usava uma justificativa que
- 3:24era baseada num literalismo quase assustador, sabe?
- 3:27Tá? Qual era?
- 3:28Ele tinha uma máxima famosa. Ele declarava, eu não maltrato
- 3:31as pessoas, eu maltrato o diabo. E se as pessoas se põe no
- 3:35caminho, não posso fazer nada. Ah, entendi então a força bruta
- 3:39era tipo justificada, porque ele não estava batendo na pessoa em
- 3:42si. Exato, após uma visão dele
- 3:45exigia que a doença não fosse vista como?
- 3:48Há uma falha biológica ou tragédia médica aham, o câncer
- 3:52não era um conjunto de células defeituosas.
- 3:55Era literalmente um espírito maligno habitando o corpo.
- 3:59Então, para ele, a identidade do doente e a identidade da doença
- 4:03eram coisas totalmente diferentes.
- 4:04Isso mesmo, ele separava as 2 coisas e, na cabeça dele, o
- 4:09diabo gostava da comodidade, da empatia, do toque suave.
- 4:13Então, a agressão física, o soco, era a única linguagem que
- 4:17as trevas compreendiam. Tá, mas aí a gente entra num
- 4:20dilema, né? Porque isso soa como uma brecha
- 4:23teológica muito conveniente para justificar a coerção física.
- 4:27Sim, bastante conveniente se eles morravam homens com câncer
- 4:31dizendo que batia na doença. Como é que ele tratava os casos
- 4:34de, sei lá, Extrema fragilidade física?
- 4:37Isso sempre me deixa perplexa, porque tem aquele incidente
- 4:40polêmico do colégio Sião. Ah, sim, o caso do Helen barbel
- 4:44College. Isso os registros documentam que
- 4:46levaram uma mulher paralítica e muito, muito frágil para o altar
- 4:50uhum, e, em vez de consolo, o Smith orou quase com
- 4:54impaciência, tipo já ordenando de forma bem ríspida que ela
- 4:59andasse e. Ela hesitou.
- 5:01O que é totalmente compreensível.
- 5:02Ela estava paralisada. Lógico que ela hesitou, né?
- 5:06Mas ele não foi nem um pouco gentil.
- 5:08Ele foi por trás dessa mulher que era super frágil e a
- 5:11empurrou violentamente para o chão.
- 5:13É? Chocante imaginar essa cena e o
- 5:16desenrolar disso é fascinante de se analisar, é.
- 5:19De um choque absoluto. Porque quando ela vai caindo e
- 5:23tropeçando, ela começa a correr de puro medo.
- 5:26Sim, ela corre apavorada. E ele persegue ela pelo
- 5:29corredor, gritando, corra, senhora, corra.
- 5:32Ela fugiu do prédio parecendo tão assustada quanto curada.
- 5:36E o Alívio cômico dessa história, que na verdade revela
- 5:39o clima do lugar, foi a reação do próximo homem na fila.
- 5:42Ah. Sim, ele estava acompanhando
- 5:45tudo isso, né? E aí, de repente, vira para os
- 5:48auxiliares e muda o pedido de oração dele, de uma úlcera no
- 5:52estômago para uma suave dor de cabeça.
- 5:55Ele estava morrendo de medo de apanhar.
- 5:57Morrendo de medo, preferiu esconder a úlcera.
- 6:00É engraçado, mas pensa bem, eu comparo esse método a você,
- 6:04ensinar alguém a nadar pegando a pessoa e jogando no meio do
- 6:07oceano, sabe? Uma terapia de choque,
- 6:09basicamente. Mas, espera aí, isso não
- 6:11escancaram uma linha muito perigosa entre o fervor
- 6:14religioso e a pura coerção física?
- 6:17Tipo, até que ponto o medo ali estava simplesmente imitando a
- 6:21fé? Isso levanta uma questão
- 6:22importante de fato, porque existe aí o choque de
- 6:25adrenalina. Versus a exigência espiritual?
- 6:29Faz sentido? Pros seguidores dele, aquilo foi
- 6:31visto como uma ativação radical da fé que resultou em
- 6:35mobilidade. Né, eles validaram a violência.
- 6:38Isso o fim justificou o meio bruto.
- 6:41Mas para quem olhava de fora, para os críticos, aquilo beirava
- 6:45o terror psicológico e um risco físico enorme.
- 6:49E sabe essa violência física? Ela não era aleatória.
- 6:52Não tinha um sistema por trás. Atualmente, ela era o braço
- 6:57prático de uma teologia da inflexibilidade.
- 7:00Ele era implacável e não admitia segundas chances no altar digito
- 7:05nenhum. Nossa, como assim não podia orar
- 7:08de novo? Não.
- 7:09A regra de ferro dele era que orar 2 vezes pela mesma causa
- 7:14era um ato direto de incredulidade.
- 7:16O lema era. Se Deus disse, então basta.
- 7:20Então, o que tudo isso significa na prática para quem estava
- 7:23doente? Tem o relato que ilustra bem a
- 7:25rigidez dogmática levada ao extremo, um homem foi lá na
- 7:29frente num culto, pediu oração, não melhorou e retornou na noite
- 7:34seguinte. O que para qualquer pessoa seria
- 7:37insistência, né fé? Sim, só que o Eagles work
- 7:41reconheceu o cara, ele expulsou esse homem da fila.
- 7:44E não foi de um jeito amigável. Ele expulsou o homem doente.
- 7:48Eu fico indignada. Sim, de forma pública e
- 7:51humilhante. Ele gritou tipo, eu não orei por
- 7:54você ontem à noite. Você está cheio de descrença.
- 7:57Saia desta plataforma. Caramba, é como se a fé fosse
- 8:01tipo um bilhete de loteria que você só tem o direito de raspar
- 8:05uma vez e se não ganhar nada, o problema é seu?
- 8:08Uma boa forma de colocar? Mas isso não coloca um fardo
- 8:11emocional esmagador sobre o doente?
- 8:14Porque, se a cura não vem de primeira, a culpa da expulsão,
- 8:17da descrença e da doença cai totalmente sobre os ombros de
- 8:22quem já está sofrendo muito. Exatamente.
- 8:25E é aí que entra a reflexão sobre como essa teologia da
- 8:28inflexibilidade moldava os cultos dele.
- 8:31Ele não tolerava a dúvida. Ele operava sobre uma disciplina
- 8:34que era quase militar. É muito cruel com o processo
- 8:37humano, sabe? Sim, a gente precisa pensar
- 8:40criticamente sobre as consequências pastorais.
- 8:43De se exigir perfeição na fé de pessoas tão vulneráveis?
- 8:47Com certeza é de uma falta de empatia gigantesca.
- 8:51É e sintetizando tudo isso, essa violência física e essa rigidez.
- 8:56Eu queria deixar um pensamento provocativo para o pessoal que
- 8:58está nos ouvindo. Manda ao olhar para essa
- 9:00agressividade do e gosworth. A gente precisa se perguntar,
- 9:04sabe quanto do espetáculo religioso moderno e dessa
- 9:07cultura do show de curas foi herdado diretamente dessas
- 9:11raízes brutais? É verdade, a gente vê tantos
- 9:14traços disso hoje. Será que os métodos dele criaram
- 9:17um precedente perigoso para futuros líderes que copiaram
- 9:20sorte? Atralidade violenta dele, mas
- 9:23não possuía uma devoção silenciosa no secreto que ele
- 9:26dizia ter. Onde os fatos falam, nós
- 9:28examinamos. Onde a lenda tenta preencher as
- 9:31lacunas, nós restauramos o limite.
- 9:34Série legado de unção, uma série na mesa com o el.
- 9:38Se você curte o nosso conteúdo, segue a gente deixa sua
- 9:41avaliação na plataforma e continua com a gente nesta
- 9:44jornada investigativa pela história dos grandes movimentos
- 9:47da fé até o próximo episódio.