Latest / Elas na Escrita / #36 Luto, perdas e recomeços na literatura
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- 0:01Olá, estamos aqui em mais um episódio do elas na escrita.
- 0:04Estou com 2 convidadas muito especiais aqui hoje e acho que é
- 0:07legal para a gente conhecer novas escritoras aqui, percorrer
- 0:10novos territórios em cada episódio.
- 0:12Hoje eu estou com a Lúcia nascimento aqui, já é uma colega
- 0:15aí também de podcast. A gente está se conhecendo
- 0:17ainda, a Lúcia, fazendo um curso juntos, muito legal.
- 0:19Depois eu conto melhor para você e seja bem-vinda.
- 0:22Obrigada, Issa. E estou aqui com a Daniele
- 0:24Tavares também, que eu vou conhecer melhor nesse episódio
- 0:26de hoje, vou apresentar para vocês também.
- 0:28E acho que a gente tem muita coisa.
- 0:30Em comum entre essa dupla, seja bem-vinda, Dani.
- 0:32Obrigada, obrigada pelo convite. Bom, e conversando aqui um
- 0:35pouquinho com os ouvintes, que já estão acostumados com a
- 0:37temporada. Eu tenho feito duplas que de
- 0:39alguma forma se conectam. Acho que tem sido uma conversa
- 0:42mais legal assim de dupla, e sempre tem alguma coisa que
- 0:45aproxima as 2 escritoras entre vocês 2 acho que a gente vai
- 0:48muito na escrita de 2 livros que estão por aqui, é quem estiver
- 0:51assistindo, eles estão por aqui nas estantes, ó, tenho aqui
- 0:54ontem da Lúcia, e a gente está aqui atrás por parte de mim, da
- 0:57Daniele Tavares, para quem estiver só ouvindo, depois eu
- 0:59vou deixar. Deixar o link para vocês poderem
- 1:01comprar, mas agora eu vou apresentar um pouquinho as 2
- 1:03antes da gente começar esse papo.
- 1:05É, e a Lúcia? Ela é escritora, jornalista,
- 1:08podcaster e pesquisadora. Ela é autora de ruínas, um livro
- 1:11de contos, vencedor do prêmio UFF de literatura e do romance
- 1:14aqui ontem, que acaba de ser publicado pela editora 7 letras.
- 1:18Ela é também idealizadora e apresentadora do podcast relatos
- 1:21mínimos, que é aí para quem não conhece, está acompanhando elas
- 1:23na escrita, já pode ouvir que é super legal, tem mulheres
- 1:26escritoras também, né, Lúcia? Mas conta um pouquinho do
- 1:28podcast no quer mais que ele foca.
- 1:30De mulheres que escrevem, ele conta, acho que a história de
- 1:32pessoas que conta histórias não é isso.
- 1:34Isso primeiro. Quero agradecer pelo convite.
- 1:37Já estou super feliz de estar aqui, agradecer todo mundo que
- 1:40está ouvindo a gente também. O podcast relatos mínimos ele
- 1:43surgiu com esse desejo de contar histórias de quem vive, de
- 1:46contar histórias. Então a ideia é que eu
- 1:49entrevisto escritores, pessoas da cena, para contarem as suas
- 1:53histórias de vida. Para além do que eles escrevem,
- 1:56enfim, para além do que eles atuam, como que.
- 1:58Como que são essas histórias que eles mesmos viveram.
- 2:01E a gente hoje está aqui, então, com a Daniele Tavares, que ela é
- 2:03escritora e atriz. Olha, além de contar histórias
- 2:06nos livros, ela conta nos palcos também.
- 2:08E ela cofundou, em 2011, o coletivo beco de escritoras,
- 2:11voltado para criação, discussão e fomento da literatura, com o
- 2:15qual publicou 2 antologias, a medida de todas as coisas e
- 2:18partidas, ausências, rupturas e despedidas.
- 2:21Em 2023, ela lançou se o primeiro romance.
- 2:24Parte de mim, pela editora keelônio, é uma obra íntima e
- 2:27delicada sobre a relação com sua filha, atravessada por um
- 2:30acontecimento avassalador. Atualmente, ela se prepara para
- 2:33estreia do seu primeiro monólogo autoral, que eu soube que vai
- 2:36estrear pertinho aí da saída desse episódio, né Dani?
- 2:38É isso aí, tá estreando no dia 8 de novembro, no teatro pequeno
- 2:43ato, com direção do Marcelo Várzea.
- 2:46Antes de mais nada, obrigada pelo convite.
- 2:48Boa noite a todos que estão nos ouvindo. eSIM, é esse monólogo
- 2:52parte partiu do livro. Também, mas acabou crescendo.
- 2:57Virou um trabalho maior e é uma coisa que está sendo muito
- 3:02transformadora para mim. Eu convido a todos que estão
- 3:05ouvindo. Pra ir nos visitar?
- 3:07AI maravilha, hoje vocês descobriram que a gente
- 3:09geralmente grava a noite aqui, Hein?
- 3:10Não sei se estou ouvindo de manhã, de tarde ou de noite, mas
- 3:13geralmente sempre está aqui de noite no estúdio.
- 3:15Vou começar então perguntando pra Lúcia, é que aqui ontem,
- 3:18Lúcia, você fala um pouco sobre escrever a partir das ausências
- 3:22dos vazios que ficam após a perda.
- 3:24Eu queria entender pra você como foi transformar o luto em
- 3:27matéria literária e acho que depois a gente pode entender
- 3:29essa pergunta também pra Daniele, mas você pode começar a
- 3:32contar um pouquinho isso pra gente.
- 3:34Posso. Eu comecei a escrever o aqui
- 3:37ontem, ele não era o aqui ontem, ele era uma outra escrita.
- 3:40Mas foi essa primeira tentativa de escrever um romance.
- 3:43Eu tinha acabado de publicar o ruínas, que é o meu livro de
- 3:46contos, e era uma história que que pensava sobre perdas, mas
- 3:52ainda não sobre o luto. Então já tinha ali uma
- 3:56protagonista que era uma pessoa que foi abandonada pela mãe
- 3:59biológica durante a infância. E isso permanece no aqui ontem.
- 4:03Mas só aos poucos que o luto foi tomando conta do que era o
- 4:07romance. E aí isso foi por conta da minha
- 4:11vivência pessoal, né? Em 2020, eu comecei a escrever
- 4:14em 2019. Em 2020, minha mãe faleceu.
- 4:19Ela teve 111 câncer, que foi muito rápido.
- 4:22Assim, em poucos meses ela faleceu e alguns meses depois eu
- 4:26descobri que eu estava com câncer.
- 4:28Então eu vivi 2 lutos assim, que era o luto de partes do meu
- 4:31corpo que estavam sendo tiradas e o luto da minha mãe que tinha
- 4:34acabado de falecer. E eu vivi isso ao mesmo tempo.
- 4:37E aí eu não consegui escrever. Durante esse tempo, o texto
- 4:40ficou totalmente parado. Eu escrevia bilhetes para mim
- 4:43mesma, eu escrevia notinhas num caderno pequenininho, que era o
- 4:47meu diário da época. E aí, depois de muito tempo,
- 4:51depois de quase 2 anos, é que eu consegui voltar para o romance.
- 4:55E aí nessa escrita, o luto, ele não tinha como como sair dali,
- 4:59né? Ele estava muito forte nessa na
- 5:01minha vivência, para não estar também Na Na escrita.
- 5:05E aí o que aconteceu foi que durante esses 2 anos em que eu
- 5:08fiquei sem inscrever, a minha sensação é de fato, de que o
- 5:11luto ele te paralisa, ele te impede de de se movimentar.
- 5:17E aí eu queria transformar isso em escrita.
- 5:19Então eu pego essa narradora do aqui ontem, que é a Alice.
- 5:25E ela perde a mãe biológica. Ela perde a mãe biológica dela
- 5:29na infância, né? Nesse abandono.
- 5:31E ela, já adulta, vai vivenciar a morte da mãe, é adotiva dela.
- 5:37E quando ela perde a mãe adotiva, ela começa a se
- 5:40perguntar quais são as histórias dessas mulheres e dela própria
- 5:44que ela nunca vai conhecer? Quais são as histórias que
- 5:47morrem com cada uma dessas pessoas que passaram pela vida
- 5:51dela? E aí ela começa a escrever a
- 5:54partir disso. E eu acho que a minha escrita
- 5:57sobre o luto e sobre perda também vem um pouco daí.
- 6:00Quais são as histórias que eu nunca vou conhecer sobre essas
- 6:03pessoas que já passaram pela minha vida?
- 6:05Quais são as histórias da minha mãe mesmo que eu nunca vou
- 6:07conhecer porque ela já não está mais aqui para me contar, né?
- 6:11Então eu acho que a escrita da perda vem um pouco daí de
- 6:14transformar. Essa paralisia em movimento ou
- 6:18em escrita, né? Em história.
- 6:19É escrita ela, ela parte de de lugares, ternos muito diferentes
- 6:23para cada um, então tem também esse lado ali.
- 6:25Eles tem fazer de maturar uma experiência maturar, uma
- 6:27vivência importante e talvez entender como aquilo vai sair do
- 6:31corpo da gente. A escrita acaba sendo esse
- 6:33lugar, né? Até de de diálogo, de encontro,
- 6:35de entendimento. E Daniele, seu livro também, ele
- 6:38fala de de dores e vivências muito profundas.
- 6:41E como foi para você também lidar com tudo isso e
- 6:44transformar isso, né? De um livro, assim como AA Lúcia
- 6:47também lidou com essa experiência para criar uma
- 6:49ficção. É, eu acho que ela falou uma
- 6:52palavra muito interessante que é essa paralisia, né?
- 6:55Eu também passei por essa paralisia, achei que nunca mais
- 6:58eu conseguiria escrever depois da perda da minha filha.
- 7:02E realmente eu consegui. Durante 5 anos eu escrevi em
- 7:05diários, eu eu conversava com ela, eu escrevia para mim, mas
- 7:10eu não conseguia produzir, no meu entender, material
- 7:13literário. Até um vir a pandemia eu ficar.
- 7:17Eu tinha me internado realmente Na Na minha casa de praia EE.
- 7:24Eu comecei a revisitar os diários e vi que ali existia uma
- 7:27escrita potente. Existia muita coisa que poderia
- 7:31é. Ser literatura.
- 7:34Na verdade, isso começou porque eu li um livro da Joyce Carol
- 7:37wolts, onde ela conta sobre a viu vez dela e aí eu falei,
- 7:41nossa, a dor também pode ser literatura?
- 7:45E aí eu fui revisitar os diários e vi que ali tinha muita coisa
- 7:48bacana. Então, durante esse período da
- 7:51pandemia, onde eu fiquei isolada, é eu consegui.
- 7:55Daí trazer e montar esse livro que foi é realmente
- 7:59transformador para mim, para minha dor e.
- 8:03Acho que eu precisei dessa paralisia e precisei desse
- 8:07momento de de introspecção ali para conseguir fazer isso virar
- 8:12um livro. É, e é interessante, porque no
- 8:14seu caso é, é. Você começou a escrever ainda
- 8:16sem pensar em literatura, então é legal ver esse caminho também
- 8:19quando a gente pensa em processo criativo, como é diferente para
- 8:22cada um. Você estava ali ainda nesse
- 8:24momento dos diálogos, do diário, e muita gente começa a escrever
- 8:28nos cadernos, os cadernos, é, a gente conversou muito já aqui
- 8:30sobre esses cadernos, enquanto espaço criativo que eles acabam
- 8:33sendo o lugar de você plantar. Né?
- 8:35Plantar coisas que podem servir de colheita mais tarde.
- 8:38Acho que você lidou muito com isso.
- 8:39Então, e para vocês, você acha que a escrita funcionou de
- 8:43alguma forma? É para ajudar no processo de
- 8:45cicatrização, ou ele expõe mais ainda as dores de alguma forma,
- 8:49ou foi tudo isso junto no processo de vocês?
- 8:54Fiz a pergunta. Eu vou começar então, para mim,
- 8:58a escrita veio depois. Então ela não serviu como
- 9:01cicatrização, porque eu vivi muito luto, é?
- 9:05E eu eu fiz questão assim, eu eu fiz questão de estar com a minha
- 9:10mãe quando ela estava morrendo. Eu tava ali no momento em que
- 9:13ela respirou pela última vez. Então eu fiz questão de viver
- 9:17isso muito, muito ali, cada minuto daquilo.
- 9:22E eu fiz questão também de depois me deixar sofrer tudo que
- 9:25eu precisava sofrer. Então tem uma imagem que que que
- 9:29eu uso para mim e que acabou é acabou sendo usada um pouco no
- 9:34livro também, que é a ideia de um afogamento.
- 9:37Então a sensação é de que eu tava me afogando naquilo e eu
- 9:40pensava que quanto mais eu me debatesse, mais chance de me
- 9:44afogar eu IA ter. Então a minha sensação é, vai
- 9:47para o fundo, deixa aí. E eu fui.
- 9:51E aí a minha ideia é, quando você chega no fundo, talvez você
- 9:54consiga dar um impulso pra subir de novo.
- 9:57E foi um pouco que eu senti que eu fiz nesse nesses primeiros 2
- 10:01anos ali, né? Depois desse do momento em que
- 10:04minha mãe morre, e aí na hora que eu vou escrever o romance,
- 10:08isso já estava, esse processo já estava feito, e a minha sensação
- 10:13é de que a escrita ela tem muito do luto.
- 10:16Claro, não teria como não ter, né?
- 10:18A história vai, vai percorrendo esse.
- 10:21Espiral do luto. Mas ao mesmo tempo, ele é só um
- 10:25Ponto Final, sabe? Então eu não usei a escrita para
- 10:28um processo, mas ela reflete esse processo todo.
- 10:32Entendi. Essa é a minha sensação com com
- 10:35aqui ontem. Assim, e você tem ela tem uma.
- 10:37Você trouxe umas metáforas muito forte, tipo essa também, né?
- 10:40Tu chegar até o fundo para conseguir esse impulso para
- 10:43subir muito, muito interessante, né?
- 10:45É porque a sensação é de que você tá se afogando mesmo, né?
- 10:48Então? É isso, a sensação é de que se
- 10:51eu é se eu fingisse que nada daquilo estava acontecendo, se
- 10:54eu não vivesse aquele luto. Seria ainda pior.
- 10:57Né, eu nunca IA conseguir sair dele.
- 10:59E pra você e Dani? Eu acho é, na verdade, a escrita
- 11:03foi dolorosa, essa reescrita, né?
- 11:05Pegar aquele material todo a ponto de que o livro, quando
- 11:09começou, ele se chamava o livro da dor.
- 11:11Eu queria expor aquela crueza. De sentimentos.
- 11:16Eu queria mostrar como doía, não é nem que eu queria mostrar.
- 11:19Eu não conseguia fazer diferente aquilo.
- 11:22Era muita dor, o que tava ali. E aí a medida que a escrita foi
- 11:27sendo construída e eu fui trazendo novos elementos, eu fui
- 11:30trazendo ela também para dentro do livro, trazendo trechos de
- 11:34diário dela, trechos de coisas, de coisas que ela listava, que
- 11:39eu fui encontrando, trazendo trechos de sonhos meus.
- 11:43A coisa foi ganhando uma leveza. E chegou 1 hora que eu falei,
- 11:47isso não é mais um livro de dor. Isso aqui é muito mais do que um
- 11:52livro contando da minha dor. É um livro falando da nossa
- 11:55relação. É o livro contando da existência
- 11:58dela. Aqui eu tô eu tô fazendo uma
- 12:01relação de tudo que ela passou durante esses 21 anos.
- 12:06EE aí transformou, se virou outra coisa, tanto que as
- 12:11pessoas é muitas vezes me trazem esse feedback.
- 12:14Esse é um livro de amor, não é um livro de dor.
- 12:17E ele transformou se parte de mim, né?
- 12:21Então eu acho que é ele não foi escrito, não é que ele fez uma
- 12:26transformação, ele mesmo se transformou e trouxe também,
- 12:31óbvio com isso, uma leveza pra mim que foi fundamental.
- 12:36Foi fundamental. E muito bonito.
- 12:38É muito bonita essa relação dos títulos, né?
- 12:40O quanto os títulos foram diferentes por conta do processo
- 12:43de descoberta que você teve ao longo do livro.
- 12:45E o livro é isso. Às vezes ele é muito diferente,
- 12:48o livro que a gente imagina do livro que a gente escreve, né?
- 12:50Enquanto escritor, às vezes, quando a gente tá ali pensando e
- 12:53elaborando, fala, tá, vou escrever, nossa, é outro livro
- 12:56que que vai surgir. Pra ganhar ainda, né?
- 12:58Ele ganhou o vida exatamente. Parece invenção, mas ganha a
- 13:01vida mesmo. Eaproveitandoesse.eu queria
- 13:04saber vocês assim tem um tema muito.
- 13:06Quando a gente pensa em autoficção e principalmente,
- 13:08quando a gente tá falando de mulheres escritoras, essa
- 13:10palavra surge em todos os bate papos, em todos os eventos.
- 13:14É um tema que tá muito em alta na literatura contemporânea.
- 13:17Tem mulheres que se afastam completamente desse, desse,
- 13:20dessa palavra, não gostam de chamar de autoficção, não gostam
- 13:23de se aproximar da autoficção e tem autoras que se relacionam
- 13:25bem com ela, falam, não é isso mesmo, trabalha ali com essa
- 13:28narrativa que de alguma forma dialoga com a memória.
- 13:30E eu tenho muitas autoras que vieram aqui para falar.
- 13:32A memória já é uma invenção, a memória já é uma ficção, então.
- 13:36Que a gente escreve às vezes também é uma reverção, assim
- 13:38como a realidade, a memória, o retrato.
- 13:40Como vocês lidam com esse termo? Como é a autoficção para vocês?
- 13:44Isso se aproxima ou se afasta dos livros que vocês escreveram?
- 13:50Eu acho que não tem como a gente se afastar completamente assim,
- 13:53né? Eu eu costumo também dizer que,
- 13:55ainda que eu escrevesse sobre alienígenas, é a minha vivência
- 13:58que vai estar ali de alguma forma.
- 14:01Então acho que é a autoficção. Se a gente pensar nesse sentido
- 14:05de que. Parte da nossa experiência tá
- 14:07sempre no que a gente vai escrever ou no que a gente vai
- 14:10colocar No No palco de um teatro.
- 14:13É, não tem como a gente fugir completamente disso.
- 14:17É, eu acho que tem tem quase 11 guerra, né?
- 14:20Contemporânea, sobre esse termo, assim de quem gosta, quem não
- 14:23gosta, quem se afasta, quem não. Mas eu tava conversando
- 14:27inclusive sobre isso ontem com uma colega.
- 14:31É, e a gente tava pensando sobre os os tantos modos, né, de se
- 14:35fazer autoficção, porque às vezes a gente critica algo sem
- 14:39sem pensar também sobre esse contexto de uma mulher
- 14:43escrevendo. É, se a gente pensar, né, na
- 14:46história da literatura, quantas vezes as mulheres puderam contar
- 14:48as suas próprias vivências, né? Então, colocar isso no papel, eu
- 14:53acho que é fantástico que nesse momento isso esteja acontecendo.
- 14:57Eu acho que nos meus livros, tanto no ruínas quanto no aqui
- 15:00ontem. Eu parto é, eles não são
- 15:02autoficcionais, né? Nem o de contos, nem agora o
- 15:05romance são autoficcionais. Mas eles partem dessas vivências
- 15:09que que estão em mim, né? Que estão no meu corpo e que vão
- 15:12se transformar em escrita. Então, não tem como fugir
- 15:16completamente disso. É, não.
- 15:18Acho que é bem que você falou que e Eu Acredito muito nisso,
- 15:20até você escrever sobre alienígenas, de alguma forma
- 15:23isso vai estar partindo ali da minha experiência com esse tema.
- 15:26Isso acontece também com o baixo Paraíso.
- 15:28Ele tem temas completamente diferentes dos de vocês, mas que
- 15:30de alguma forma se relacionaram com a minha vida e que eu
- 15:33experimentei de alguma forma. E depois que eu publiquei,
- 15:35algumas pessoas me perguntavam, tá?
- 15:37Quantos por cento é verdade? Eu falava, não, não tem uma
- 15:40porcentagem de verdade. É uma reinvenção, é uma criação
- 15:44ali é algo completamente diferente.
- 15:46Né? E é engraçado nessa desculpa,
- 15:48mas nessa ideia da memória, né? De que a memória cria e ela
- 15:51recorta e ela inventa histórias. Quando minha irmã leu aqui ontem
- 15:56pela primeira vez, é tem algumas cenas com rodas gigantes, que é
- 16:00inclusive AA foto da capa, né? Tem uma roda gigante.
- 16:04E aí minha irmã falou assim para mim, nossa, eu lembro daquela
- 16:06cena na roda gigante e eu falei, mas ela é ficcional?
- 16:10Olha só, ela não existiu, ela nunca existiu.
- 16:13Aquela cena exatamente como está contada.
- 16:15No livro. Então, de fato a gente inventa,
- 16:18EE, é isso? Né?
- 16:20Nossa, eu vou até colocar um ponto de passar para Dani, que
- 16:22eu lembrei também, o baixo Paraíso é uma cidade que eu
- 16:24inventei, mas é uma cidade que no livro tava ali na região da
- 16:28Chapada dos veadeiros, que é uma região que existe de fato.
- 16:31E uma das leitoras leu e veio falar comigo, nossa, eu lendo?
- 16:34Eu comecei a comentar com meu marido que nas próximas férias
- 16:37não IA ficar em Alto Paraíso, IA ficar em baixo Paraíso, que
- 16:39devia ser muito mais barato. Eu falei, não, a cidade não
- 16:41existe, eu inventei uma cidade, é, mas isso é legal.
- 16:45Então quer dizer que convenceu, né?
- 16:47Total. E para você, Dani, como vem esse
- 16:50pelo? E o que ela falou a gente
- 16:51sempre. Vai ter alguma coisa das nossas
- 16:54referências, mas eu não, eu não tenho problema com isso.
- 16:57Sim, eu escrevo autoficção e acho que essa é até a minha
- 17:01facilidade. Eu acho que eu não lembro.
- 17:05Se eu tenho alguma coisa muito ficcional que eu tenho escrito
- 17:08até hoje é. Eu acho que esse é um traço meu.
- 17:12Que me eu me cobrava muito de dizer puxa, eu tenho que
- 17:15inventar mais ou ter ser mais criativa.
- 17:18E aí ele veio Anne Arnaud ganhando Nobel.
- 17:21Eu falei, minha musa me salvou, mas e aí a gente tem Eduardo
- 17:26Luís, né? Então é, eu acho que é um
- 17:29caminho que acontece hoje em dia.
- 17:31Não quer dizer que é melhor ou que é pior, mas é um caminho que
- 17:34existe. É um caminho.
- 17:36Possível. Possível é o que eu faço, né?
- 17:39E que é a forma como eu trabalho, o material que eu
- 17:42tenho. Então eu não acho que a gente
- 17:46deva fazer aí juízo de valor do que é a autoficção.
- 17:49Eu acho que assim como existe romance, ficção científica,
- 17:53poesia. A gente tem autoficção é, eu
- 17:59gosto. É e legal e bom que são 2 perfis
- 18:01muito diferentes, então, e que de alguma forma se aproximam
- 18:04gente, e é isso. Parem de tentar descobrir o que
- 18:06que é verdade, que não é verdade, porque eu lembro de um
- 18:09professor meu que falava que a maior vantagem do escritor é que
- 18:12você pode mentir o quanto quiser.
- 18:14Então tem. Tem alguns livros que eu li
- 18:15recentemente que brincavam justamente com isso.
- 18:18É, tinha o yoga do Emanuel carré, em que ele fazia
- 18:21justamente isso. Ele escrevia o livro e tinha a
- 18:22hora que você tava jurando que tava lendo.
- 18:24É a realidade, a vida dele. Aí ele brincava, te colocava no
- 18:27espaço da ficção e você achava que tava lendo ficção e você
- 18:29tava lendo algumas coisas de realidade.
- 18:31Então era uma mistura maluca que colocava o leitor justamente
- 18:34nesse espaço do AI, meu Deus, o que será?
- 18:36E eu acho que às vezes até a gente começa a se confundir.
- 18:39É verdade. Isso tem partes do meu livro que
- 18:41eu já não lembro. Será que isso aconteceu de
- 18:43verdade? Será que eu inventei, então?
- 18:45Eu acho que na vida, às vezes, a gente tem essa sensação, não
- 18:48tem? Quando você diz, será que eu
- 18:49sonhei com isso? Aconteceu mesmo.
- 18:53Até quando a gente fala de infância, de adolescência, será
- 18:57que realmente aquilo aconteceu ou eu já imaginei ou supus
- 19:01então, né, fica tudo muito. Exatamente nessas costuras e
- 19:08agora passando um pouco ali para a escrita em si.
- 19:11Lúcia, no seu livro você fala que tem essa filha, né?
- 19:13Que tinha ali 11, mãe adotiva, uma mãe biológica, e ela vai na
- 19:17busca dessa mãe biológica. Como foi você para construir
- 19:20essa personagem? Você talvez ali um pouco nesse
- 19:22lugar da filha, pensando nas mães e pensando em uma mãe ali.
- 19:26Como você construiu essas personagens do livro a partir
- 19:29desse ponto? Eu tava quando eu comecei a
- 19:32escrever o livro, eu tava também num processo de pesquisa do meu
- 19:35mestrado. E tem um diálogo que também
- 19:40acabou fluindo para o romance. É, eu tava estudando a obra da
- 19:44elviravinha, que é um escritor. Foi, né, uma escritora
- 19:47contemporânea que eu amo. Eu acho a escrita dela fabulosa,
- 19:51fantástica é. E aí essa busca da da Alice, que
- 19:57é a protagonista do romance. E ela também é uma busca pela
- 20:02pelo modo de de narrar, pelo modo de contar as próprias
- 20:05histórias. Então a mãe dela, biológica, no
- 20:09romance, se chame ouvira, porque era um diálogo que eu tava
- 20:13fazendo não só com dessa personagem, com a mãe dela, mas
- 20:1911 diálogo meu com essa mulher escritora que eu acho fabulosa e
- 20:25que já não tava mais aqui também.
- 20:27Quando eu comecei a fazer o mestrado, ela já tinha falecido.
- 20:30Então esse diálogo, essa construção, foi vindo muito
- 20:33também do que eu estava pesquisando.
- 20:36Eu acho que pesquisar sobre um romance me fez conseguir
- 20:40escrever um romance, que legal. E aí é.
- 20:43E aí? A ideia da Alice no livro também
- 20:46é isso. Ela vai em busca dessa mãe
- 20:49biológica, ela começa a escrever sobre essa busca.
- 20:53Ela começa a ficcionalizar sobre as histórias que ela não
- 20:56conhece, que ela nunca vai conhecer, sobre essa mãe
- 20:59biológica que, enfim, é que ela teve ali presente por
- 21:04pouquíssimo tempo, durante a infância dela.
- 21:08E ela vai, ela vai criando a partir disso, sabe?
- 21:11É dessa, é desse jogo entre o que ela de fato quer conhecer
- 21:15dessa mulher e o que que ela vai só criar.
- 21:17Ela quer criar histórias de alguma forma, ela quer preencher
- 21:20vazios. Preencher uma narrativa própria
- 21:23dela? Né?
- 21:23Preencher uma, criar a própria narrativa dela.
- 21:25Então ela vai vai fazendo isso a partir também de criação de
- 21:29histórias. Não, que legal você brincar com
- 21:31isso da pesquisa, né? Estando ali no mestrado, estando
- 21:33junto ali do processo de escrita.
- 21:35Eu sempre pensei muito que quando a gente fosse pro
- 21:37mestrado, eu já pensei em fazer o mestrado em literatura.
- 21:39E eu ficava, AI, meu Deus, mas aí eu não vou mais nem querer
- 21:41escrever, nem ler que eu vou perder o prazer da literatura.
- 21:45Já pensei muito nisso. Então que bom que eu estou vendo
- 21:47uma pessoa, né? Na vida real, que não perdeu o
- 21:49prazer? Com isso não pra mim, eu acho
- 21:51que foi. Fez foi enriquecer esse
- 21:53processo, né? Foi um processo que, se não
- 21:55acontecesse junto, talvez não fosse tão interessante, sabe?
- 21:58Então, os 2 juntos, eles se ajudaram.
- 22:01Assim, os 2 aconteceram fluíram mais facilmente.
- 22:04Olha aí, gente. Pesquisa e criatividade também
- 22:06andam juntas. Gosta de saber?
- 22:08E Daniele, no seu, que você se define mesmo e define o livro
- 22:11como uma autoficção. Então, nesse caso, as
- 22:14personagens que estão ali são personagens reais, sim.
- 22:16Como foi para você escrever essas personagens lidando ali
- 22:19com um ponto de exposição e intimidade?
- 22:22Sabe o que que para você virar Avatar, isso aqui é interior e
- 22:25vai ser só meu. Isso aqui eu vou colocar sabendo
- 22:27que o livro, no momento que a gente tá escrevendo, ele parece
- 22:30muito nosso, parece espaço secreto, mas depois ele é.
- 22:33Ele vai para o mundo, né? Isso é uma coisa que me
- 22:36questionaram muito, né? Se eu se eu me exporia dessa
- 22:39forma, é. É uma coisa curiosa, porque em
- 22:45nenhum momento eu me questionei se eu se eu guardaria essas
- 22:51informações para mim. No No momento em que eu me
- 22:53decidi escrever o livro, que eu achei que aquilo precisaria ser
- 22:58colocado no papel, colocado no mundo.
- 23:01Eu tinha 11 propósito pra isso. Então o que?
- 23:05Que pra mim foi muito difícil quando minha filha morreu, que
- 23:11eu me senti desautorizada a viver o meu luto, não só pelas
- 23:17pessoas em volta, mas pela sociedade.
- 23:19Hoje em dia o luto não é uma coisa, é que as pessoas veem com
- 23:23bons olhos. Você tem que ser feliz.
- 23:27Você tem que estar feliz, você tem que parecer feliz, então.
- 23:31Uma exigência, né? Por esse estado de.
- 23:32Feliz, instantânea e o tempo todo, likes não faz.
- 23:37Nenhum sentido, né? Porque alguém te dizer assim,
- 23:40não. Você precisa ficar feliz, vai lá
- 23:42e faz as coisas. Você fala, gente, só piora.
- 23:43Então, né? Tem, inclusive, 11.
- 23:46Capítulo do livro que se chama etiqueta do luto e que é o
- 23:51título da minha peça e que fala sobre as coisas que a gente
- 23:55escuta. Quando você perde alguém que não
- 23:58fazem sentido, né? E então, pra mim começar a
- 24:03escrever esse livro era, eu tenho direito de viver o meu
- 24:07luto? E de contar essa história.
- 24:09E de contar essa história. E eu quero que outras mães se
- 24:13autorizem a viver o luto delas. Então foi assim, não é que eu
- 24:18tava é questionando se eu IA me expor ou não.
- 24:21Era uma questão de eu dizer, eu vou fazer isso porque as pessoas
- 24:25precisam. Saber disso, preciso ouvir sobre
- 24:29isso. Então, em nenhum momento eu
- 24:31cheguei a questionar se eu IA segurar essa história para mim
- 24:34ou não. Era óbvio assim, aí as pessoas
- 24:40dizem, mas você é corajosa? Não, não é corajosa era o que
- 24:42tinha que ser feito. Ponto.
- 24:44Você não questiona se você vai, sei lá, não sei que exemplo usar
- 24:49aqui, mas você tem que pegar uma coisa que tá do outro lado da
- 24:52rua. Você tem que atravessar a rua.
- 24:54Pra você aquela história, ela tinha que ser escrita, Ela Foi
- 24:56sim. Você olha pra um lado, olha pro
- 24:57outro e atravessa a rua, entendeu?
- 25:00Você não tem essa dúvida. Então tinha que ser colocada no
- 25:03papel, tinha que ser escrita, tinha que ser publicada.
- 25:07É isso? A gente tem que falar sobre
- 25:09isso. É tão.
- 25:10Estranho, né, essa? Essa pressão da sociedade para
- 25:14que não se fale sobre e o incômodo que causa nas pessoas.
- 25:18Não, não vamos falar sobre a morte.
- 25:20Eu falei, mas gente, a gente vai morrer, né?
- 25:23Todo mundo vai morrer e a gente precisa falar sobre o assunto,
- 25:28né? Porque quanto menos a gente
- 25:30fala, mais difícil tudo fica. E menos pessoas sabem lidar, né?
- 25:35E dá a sensação de que você é a única que vive isso, né?
- 25:39De que já viveu e não eu. Eu encontrei uma amiga semana
- 25:43passada e o pai dela faleceu recentemente e ela queria falar
- 25:47sobre isso, mas ela me pedia desculpas, não, desculpa por
- 25:49estar te falando. Falei, gente, você não tem que
- 25:51pedir desculpa nenhuma. A gente tem que falar sobre
- 25:53isso, porque quem ainda não passou provavelmente vai passar
- 25:56por uma situação assim. Então, puxa, vamos colocar como
- 26:00que, como que é? Porque eu não sabia, eu não
- 26:02tinha essa noção de como que é. Você só descobre na hora.
- 26:05Vivendo, vivendo exatamente. Mas dá pra gente ter uma ideia
- 26:09um pouquinho melhor, se mais gente fala sobre, dá pra.
- 26:13Gente, essas experiências universais que todo mundo vai
- 26:15passar. Quanto mais tabu, mais difícil
- 26:17fica. E aí eu cheguei a ouvir coisas
- 26:20assim, Ah, eu não, eu não queria falar sobre esse assunto com
- 26:22você, porque eu não queria te lembrar da tua filha ou da morte
- 26:27dela. E aí eu fiquei pensando.
- 26:30Mas em que momento você achou que eu esqueceria disso, né?
- 26:34Em que momento da minha vida eu podia esquecer dela ou da morte
- 26:39dela? Nunca.
- 26:40Então são coisas que a gente tem que ir desmontando o nosso
- 26:45redor, né? Então vai facilitar a vida de
- 26:48outras mães se mais pessoas souberem que elas podem falar,
- 26:52que elas devem falar, que a gente quer ver os filhos vivos.
- 26:55Então quanto mais você chegar para mim e dizer, me conta uma
- 26:57história da tua filha? Eu vou gostar disso.
- 27:01Não vou ficar triste, né? Então eu acho que a ideia era
- 27:05essa é é deixar ela para sempre AI.
- 27:10Maravilha, é muito interessante ver como a escrita consegue tá
- 27:14nesses espaços da gente. Guardar não só memória, mas
- 27:17guardar uma invenção possível, guardar uma história, perpetuar
- 27:21histórias, né? Acho que é para isso que a gente
- 27:22tem o livro e para conseguir criar esses diálogos, como vocês
- 27:25falaram, de tantos assuntos possíveis, né?
- 27:27A gente consegue dialogar através da escrita e eu queria
- 27:30perguntar uma outra coisa para vocês, vocês 2 transitam por
- 27:33lugares diferentes, além da escrita literária, se é
- 27:35jornalista, também é podcaster, então entrevista, ouvir muitas
- 27:39outras histórias e a Daniele tá no teatro, inclusive tá levando
- 27:42uma história também para o teatro.
- 27:44Essa história vai virar um monólogo.
- 27:46Queria entender para vocês como a escrita de alguma maneira
- 27:49influencia e atravessa esses outros processos de vocês.
- 27:52Por exemplo, por exemplo, Lúcia, você quando está ali como
- 27:55jornalista, entrevistadora, num podcast, ouvindo uma história,
- 27:58como se relaciona com você enquanto escritora?
- 28:00E Daniele, você, quando está no palco, está no seu processo de
- 28:03criar uma cena para o teatro, como vem também a sua persona
- 28:06escritora? Eu acho que para mim está tudo
- 28:09muito relacionado, tanto que eu sempre.
- 28:13Eu quis escrever ficção. Eu sempre escrevi ficção,
- 28:16amadoramente desde pequenininha. Assim, gostava de pegar folhas e
- 28:20começar a criar vidas e criar histórias.
- 28:23Mas quando eu tava naquele momento da adolescência que você
- 28:26tem que decidir o que que eu vou fazer da vida?
- 28:30Eu acabei decidindo pelo jornalismo.
- 28:33E tem uma história que eu acho interessante assim, nesse meu
- 28:36processo de de me transformar em escritora, né?
- 28:39De me aceitar escritora que. Eu sempre achei que escrever
- 28:44ficção era uma exposição muito grande, mesmo se eu escrevesse
- 28:48sobre alienígenas. É uma parte da gente, é uma.
- 28:51Parte muito forte, né? Muito íntima, que você de fato é
- 28:55você escrevendo. Então aquilo é muito, é muito
- 28:58grande. E aí eu achava que fazendo
- 29:01jornalismo eu IA poder escrever, mas teoricamente me proteger
- 29:07dessa exposição para um suposto. Uma suposta.
- 29:11Enfim, né? No jornalismo, as pessoas acham
- 29:12que o que você está escrevendo é tudo a verdade, né?
- 29:16Como se existisse uma verdade muito objetivo, com
- 29:19distanciamento. Então eu escolhi o jornalismo
- 29:22porque eu poderia estar perto da escrita, mas sem me expor.
- 29:27E aí ao longo do tempo, eu fui entendendo que isso não
- 29:29funcionava. Não é assim que funciona, porque
- 29:32mesmo no jornalismo você escolhe sobre o que que você vai
- 29:35escrever, né? Então você já escolhe as tuas
- 29:37pautas, o teu jeito de escrever já é um tanto de você ali.
- 29:41É, e eu acho que hoje que eu eu assumo, né, que a escrita é sim
- 29:46a parte de mim que eu mais gosto, é a que eu gosto mais, de
- 29:50de incentivar todas as outras confluem para isso também.
- 29:55Então eu acho que no podcast, né, no relatos mínimos, eu
- 29:59entrevisto pessoas que escrevem, eu entrevisto pessoas que contam
- 30:02histórias também não consegue fugir, então tá ali, isso tá
- 30:07muito presente. E eu acho que as 2 coisas, elas
- 30:11os tipos de escrita, né? Do jornalismo, porque eu também
- 30:14hoje escrevo reportagens, faço entrevistas para revistas.
- 30:18É. E essa parte de escrever no
- 30:21jornalismo eu acho que me ajuda na ficção, porque ela me traz 11
- 30:26senso de de necessidade de edição, de revisão, que é
- 30:31importante na ficção. Mas eu acho que eu também trago
- 30:33muito da ficção para o jornalismo.
- 30:35Porque eu não gosto muito daquela historinha que faz
- 30:37assim. ABC, não vamos contar a
- 30:39história, vamos tentar trazer os elementos para deixar essa
- 30:42história mais saborosa, né? Legal.
- 30:44Então acho que está tudo meio misturado.
- 30:46Eu brinco que pra pra mim eu acho que foi onde o jornalismo
- 30:48mais ajudou Na Na escrita literária e perdeu o medo da
- 30:50página em branco, porque isso aí IA ter que fazer o texto sair de
- 30:53algum jeito, então na hora de escrever literatura também fala.
- 30:55Começa de algum. Jeito vamos lá, que de algum
- 30:57jeito vai sair. E você, Danielle, como foi esse
- 30:59processo? Para depois começar ali no livre
- 31:01e partir para o teatro, né? Pois é, na verdade, eu acho que
- 31:04a escrita de modo. Geral, me organiza.
- 31:07Então se eu tô nervosa, ansiosa, alegre demais ou qualquer coisa
- 31:12demais, senta e escreve, nem que seja 5 minutos, e daí?
- 31:17Vamos lá, vou entender o que tá acontecendo.
- 31:20Então isso é uma coisa. A segunda coisa é que no teatro
- 31:24eu eu tô escrevendo um monólogo, então, legal, isso correu bem,
- 31:28mas na hora de atuar. Eu preciso às vezes dizer,
- 31:32escritor, agora dá licença um pouquinho, porque eu preciso
- 31:35fazer a fala. Então besteira.
- 31:38Por exemplo, uma frase lá é, no Jardim, você tem que pegar as
- 31:44flores e levar até o vaso. Só que na hora de você atuar
- 31:47você não pontua, né? É no Jardim, a gente pega as
- 31:50flores e leva até o vaso. E aí às vezes eu isso, eles me
- 31:54corrigiam 200 vezes porque ele disse.
- 31:57Ninguém fala no Jardim. A gente pega as.
- 32:00Flores. E aí chegou 1 hora que eu falei,
- 32:03claro, eu estou pontuando porque eu sou escritora.
- 32:07Estou escrevendo. Eu tô escrevendo na cabeça, né?
- 32:10Então, às vezes eu tenho que dizer, vamos separar as coisas.
- 32:14Uma coisa escrever, outra coisa é atuar, mas é às vezes precisa
- 32:19separar, né? Mas entre escrever OA
- 32:23literatura, escrever teatro ou eu acho que foi uma coisa que
- 32:28fluiu normal. Diferentes espaços.
- 32:30Diferentes espaços. É escrever e escrever.
- 32:32Eu acho assim, que, para mim, escrever faz parte de é fazer a
- 32:37vida funcionar. É como se me ajudasse a.
- 32:43Botar as engrenagens no lugar certo sempre.
- 32:47Ah, legal. E Luciano no seu livro é, você
- 32:50tem uma personagem que também escreve, não é isso de alguma
- 32:53forma, então, e você fala ali de um estado de escrita e lendo
- 32:57sobre ele, ouvir muito isso que você tem atrás da pesquisa, né?
- 33:00Da sua pesquisa ali na dentro da universidade.
- 33:03Para o livro, isso se reflete na forma da escrita.
- 33:06Como foi isso para você? O que é esse estado da escrita e
- 33:08como isso vem na sua personagem? É, é interessante, né?
- 33:12Que eu vim da Dani falar é, eu acho escrever um negócio super
- 33:17difícil. E eu acho que, para mim, a
- 33:20escrita vem também dessa vontade de encarar esse lugar, que eu
- 33:23acho muito desafiador. É.
- 33:28E aí quando eu coloco a Alice, que é a protagonista do romance,
- 33:31para também escrever. Eu acho que eu jogo um pouquinho
- 33:35Pra Ela, essa dificuldade, essa responsabilidade, sabe?
- 33:40A escrita é tua, vai lá, faz isso funcionar?
- 33:44É. Mas eu acho que como ela, né?
- 33:46Como essa narradora protagonista, eu também é.
- 33:49Penso na escrita e nesse processo de escrita como algo
- 33:55que é uma edição de memória, que é um resgatar de memória.
- 34:00Mas como aquilo que a gente já falou, né?
- 34:01A memória é um processo de de brincadeira, de edição, ela
- 34:06engana gente e de invenção. Então acho que pra mim esse
- 34:11estado de escrita vem um pouco desse lugar de de brincadeira,
- 34:15mas de encontro com um lado meu que que sente muita dificuldade
- 34:21é. Eu acho que no caso da Alice,
- 34:23esse estado de escrita também vem de é.
- 34:28Quais são as histórias que a gente quer criar quando a
- 34:32história que já existe não é a que a gente gostaria que fosse,
- 34:35né? Que existisse?
- 34:37Eu acho que o meu estado de escrita também vem um pouco daí
- 34:40assim, a minha, a minha família não era muito de contar
- 34:42histórias. Eu sempre pedia assim para minha
- 34:45avó, para o meu avô, aí me conta as histórias de vocês, né?
- 34:48Como é que era? Eles eram migrantes, então
- 34:50deviam ter muitas histórias muito interessantes, mas eles
- 34:53não contavam. E hoje, já velha com eles, todos
- 34:59já falecidos. Eu fico pensando que talvez eles
- 35:02não contassem histórias, porque talvez nunca ninguém tenha
- 35:06contado histórias pra eles. Eu não sei se os meus avós
- 35:10ouviram histórias quando eles eram crianças alguma vez.
- 35:13Eu não sei se eles aprenderam que isso era muito gostoso,
- 35:16sabe? E aprenderam a contar histórias,
- 35:18né? Exato, então eles não me
- 35:20contavam? E eu sempre tive isso muito
- 35:22forte. Assim.
- 35:22Eu queria saber quais são essas histórias que eles não me
- 35:25contaram. Então acho que o meu estado de
- 35:27escrita, ele vem um pouco daí assim é um estado de diversão.
- 35:32Quando eu tava escrevendo o aqui ontem, a última versão eu
- 35:36escrevi em 2 meses, que foram de imersão, completa.
- 35:40Eu acordava, começava a escrever e ficava escrevendo o dia
- 35:43inteiro e a dormir. Acordava no meio da noite, virou
- 35:47uma obsessão e eu escrevia notas e ficava assim, enlouquecida,
- 35:51tentando escrever. Então, acho que o estado de
- 35:53escrita no momento ele é de é de imersão, completa.
- 35:58Mas o que vem um pouquinho antes dele?
- 36:00Essa. Essa vontade de conhecer
- 36:02histórias e as que eu não conheço, eu vou inventando.
- 36:05Eu acho que a Alice, ela, eu empresto para ela essa, esse
- 36:09desejo e esse modo de fazer. Olha só, você tem uma escrita
- 36:13mais poética, mais sensível. Como como você chega nesse
- 36:17estado do né? De encontrar essa sua voz na
- 36:20escrita. Você parte muito da memória,
- 36:22então, de fragmentos, de história, de retrato.
- 36:24Mas como você acha que você foi buscando essa sua maneira de
- 36:27escrever para chegar no livro? Eu acho que é um pouco pela
- 36:31ludicidade. Eu eu sou.
- 36:34As pessoas dizem em casa que eu aumento muito as histórias.
- 36:39Eu digo, não, eu sou ficcionista.
- 36:42E agora você tá contando, eu tô. Eu tô lembrando que na minha
- 36:45casa, justamente, eu era a contadora de histórias da
- 36:48família. Então todo mundo dizia, a tia
- 36:50Dani vai contar histórias de família.
- 36:53E aí claro que eu contava as histórias aumentando 1000
- 36:56pontos, né? Deixando engraçada e contando
- 37:02sempre assim, é. Era a mãe que dizia que sim,
- 37:05existe o coelhinho da Páscoa, o Papai Noel e o Duende Verde e
- 37:10tudo e mais um pouco, fazendo com que tudo fosse muito lúdico,
- 37:14muito divertido. Então acho que tentando achar
- 37:18essa parte um pouco mágica da vida, vendo essa coisa um pouco
- 37:24é poética, poética da vida. Tentando ver um pouco menos a
- 37:32vida com menos crueza. Trazer todos esses temas?
- 37:36Esses elementos, né? Porque a vida já tem a crueza
- 37:39por si só, né? E aí quando você consegue olhar
- 37:43de outro ângulo, eu acho que a gente consegue trazer um
- 37:47pouquinho dessa. Poética.
- 37:51E, Lúcia, para você, você pensa muito na forma na hora de
- 37:53escrever. Você pensou na forma do livro,
- 37:56trazendo seus estudos. Como você acha que chegou Na Na
- 37:58Na forma e na voz que você escreve hoje?
- 38:01Eu falo hoje porque eu nem não sei se alguém tem uma voz de
- 38:03escrita já fixa, né? Diz que tem, tem escritores que
- 38:06acham em algum momento, e a gente às vezes vai
- 38:08experimentando. Como foi para você no seu livro
- 38:10atual e nos seus livros até hoje, né?
- 38:13Foi uma busca bem interessante assim.
- 38:15E aí, de fato, eu acho que eu não consigo separar isso da
- 38:18pesquisa, né? Que eu tava fazendo sobre a obra
- 38:20da Elvira. Vinha é o livro agora, né?
- 38:24Essa versão que tá impressa, que vocês vão poder ler do aqui
- 38:26ontem, ele é, sei lá, a 20ª versão.
- 38:31Assim passou por. Muitas.
- 38:32Escrevi muito e quando começou? É eu.
- 38:37Eu sempre começo a escrita de um jeito muito aleatório.
- 38:41Eu começo a escrever sem saber o que eu vou escrever, sem ter
- 38:44dado forma, sem ter pensado muito sobre a construção dos
- 38:47personagens. EEO aqui.
- 38:49Ontem começou assim também, aos poucos, quando eu entendi que
- 38:53ele era um livro sobre luto, que essa personagem está vivendo,
- 38:57essa morte da mãe dela. E ela precisa pensar, é nesse
- 39:02momento, né? Para ela conseguir sair daquilo.
- 39:05O modo como eu estruturei o livro formalmente, ele tem muito
- 39:10desse processo do luto, que é um processo paralisante.
- 39:13É um momento em que você não consegue, não consegue sair do
- 39:17lugar. Então a escrita do aqui ontem,
- 39:20ele tenta é deixar o tempo mais rarefeito.
- 39:26Então eu vou aos poucos, tentando deixar, tentando
- 39:28mostrar na forma, no modo como eu escrevo essa paralisia.
- 39:33Então, o tempo ele vai sendo digerido mais lentamente.
- 39:37No livro, ela ela circula sem conseguir sair muito do lugar,
- 39:42como se ela estivesse presa numa espiral.
- 39:46É? E aí, aos poucos, bem aos
- 39:49poucos, essa personagem vai conseguindo é processar esse
- 39:54esse luto que ela está vivenciando.
- 39:56Vai se aproximando de fato das decisões que ela toma ao longo
- 40:00do livro. E é só assim que ela vai
- 40:03recuperando algum movimento. E a escrita é um pouco esse,
- 40:07esse retomar de movimento que ela que ela consegue, né?
- 40:11Então a ideia do livro foi essa, assim, de como que eu consigo
- 40:15transformar em forma o luto. E aí a ideia era essa paralisia.
- 40:21Sabe do tempo que vai sendo? EE, é legal que você traz 11
- 40:27construção de escrita assim que começa, na desorganização que
- 40:30fala, começa ali, na aqui, mas aí depois você chega na forma,
- 40:34na estrutura, no que fazer. E eu sei que muitas pessoas às
- 40:37vezes querem até começar a escrever que nunca escreveram.
- 40:40Vou perguntar para vocês, eu sei que é difícil a gente colocar em
- 40:42palavras, porque os processos criativos, eles são muito
- 40:44pessoais, né? Os processos de escrita, às
- 40:46vezes é difícil a gente nomear, mas muita gente às vezes quer
- 40:49escrever, quer começar, quer contar, por exemplo, uma
- 40:51história que ouviu da família. Contar uma história que viveu e
- 40:54não sabe por onde eu começo. Para vocês que escreveram a
- 40:58partir desses relatos que também passaram pelo cotidiano de
- 41:01vocês, por essas narrativas que também fizeram parte da história
- 41:04de vocês de alguma forma, como vocês falariam que vocês
- 41:07estruturaram talvez esse processo?
- 41:09O que que ajudou vocês nesse processo criativo de escrita?
- 41:12O que ajudou vocês a escrever? O que que vocês acham que pode
- 41:15ajudar alguém que quer contar uma história e não não sabe como
- 41:18começar? Eu começo primeira coisa, ler,
- 41:25ler, ler, ler muito, sempre depois eu acho que tem que
- 41:30escrever de qualquer forma. Senta e coloca no papel tudo que
- 41:35você lembra, tudo que você sabe, tudo que vem a cabeça.
- 41:39Esse é o passo número 1. Você tem que sentar e escrever.
- 41:43Ah, depois, segundo passo, aí você vai achando as potências
- 41:48que tem no texto. Vai descobrindo espaços que você
- 41:52onde você pode deixar um pouco de silêncio, achando ali dentro
- 41:56daquilo que você já escreveu, aonde tem história, o que pode
- 42:00ser jogado fora, que na verdade é o editar, o reescrever.
- 42:05Mas eu acho que num primeiro momento não se pode botar nenhum
- 42:08tipo de de censura tal coisa, né?
- 42:14Tirar você mesmo. Do teu ombro de ficar olhando
- 42:18ali. Escreve, escreve, escreve,
- 42:19escreve muito, sem nenhum tipo de amarra.
- 42:24Aí depois, depois, com muita calma, você vai reavaliar o
- 42:28texto, vai ver o pra que lado ele vai, que que é o que ela
- 42:32acabou de de descrever que ela fez.
- 42:34É. E acho que isso é muito
- 42:35importante pra perder o medo da escrita, da imagem da gente,
- 42:38mesmo ali no ombro, geralmente é muito forte, é terrível.
- 42:43Né? É, eu concordo totalmente com o
- 42:45que a Dani tá colocando. Eu acho que ler é é o primeiro
- 42:49passo até para a gente saber com quais, com quais tipos de
- 42:53escrita a gente se identifica mais.
- 42:56A partir do momento que a gente lê, a gente vai entender, Ah,
- 42:58isso daqui, eu gosto mais de fazer isso daqui, já não me
- 43:00interessa tanto e só lendo você já consegue muitas dicas, né?
- 43:04Para para começar, botar tudo no papel sempre, porque não tem
- 43:09como é, é, eu acho muito difícil, eu acho que.
- 43:12Eu vou chutar, né? Mas eu não acho que tenha um
- 43:14escritor que de cara faz o primeiro livro formal assim, com
- 43:19toda a forma, tudo explicadinho, não tem como, né?
- 43:23E eu acho que é isso, é um processo, você tem que começar a
- 43:26escrever, você vai reler aquilo muitas vezes, depois de reler,
- 43:30muitas vezes, deixa, eu acho que para mim funciona muito também,
- 43:34deixa numa gavetinha, deixa aquele texto dormir um
- 43:37pouquinho, volta nele depois de uns 345 meses.
- 43:41Quando ele já vai ser menos teu, quando você já consegue ler
- 43:44aquilo como se fosse a obra de uma outra pessoa, e aí a partir
- 43:48desse momento, você vai conseguir ver se aquilo funciona
- 43:50ou não. Né, deixar o texto descansar.
- 43:52Deixar o texto descansar, porque senão você não consegue ter um
- 43:56distanciamento da própria escrita para ver se aquele texto
- 43:59se sustenta, para ver se aquilo tá funcionando ou não.
- 44:02Acho que deixar outras pessoas lerem é muito legal.
- 44:05Então, ainda que sejam pessoas da família, amigos, né?
- 44:08Numa primeira leitura, eu acho que é importante.
- 44:11O aqui ontem eu fiz isso, eu distribuí pra alguns amigos e
- 44:14falei, vai lá. Vai ali nas pessoas de
- 44:16confiança, né? Exato, porque são pessoas que
- 44:19vão te trazer, ainda que sejam feedbacks muito cuidadosos, né?
- 44:22Devolutivas muito cuidadosas, eles vão conseguir pensar assim.
- 44:26E teve vários amigos que me falaram, Ah, isso daqui eu
- 44:28gostei, isso daqui eu odiei. E aí a partir do momento em que
- 44:31mais de uma pessoa foram, se mais de uma pessoa te fala,
- 44:36puxa, esse daqui não tá funcionando?
- 44:38Repense, né? Aí você vai olhar pra aquele lá,
- 44:40pra aquela parte do texto, pra repensar ela.
- 44:43E eu acho que esse é um ponto importante.
- 44:46Completando, né? O que a Dani tinha falado?
- 44:48Assim, tem um livro do Stephen King que eu li, que chama sobre
- 44:50a escrita, que eu adoro. Eu, eu não li praticamente nada
- 44:54do da da ficção do Stephen King, mas esse livro sobre a escrita é
- 44:57ótimo. E ele fala que primeiro você
- 44:59escreve de portas fechadas, então você escreve ali sozinho
- 45:02pra você mesmo, né? No seu espaço, tentando,
- 45:05soltando essa escrita como a Daniele falou, e depois você
- 45:07abre as portas. Como a Lúcia falou, é, tem a
- 45:09escrita de portas abertas, que você vai chamar um familiar,
- 45:12chamar ali alguém próximo, chamar um amigo, depois uma
- 45:15leitura crítica, o livro vai ter nesse esse passo a passo, né?
- 45:18E vocês, enquanto escritoras, queria saber se vocês são
- 45:21escritores que gostam de ler durante o processo de escrita de
- 45:24vocês, porque tem autora que não gosta, que fala AI não, não leio
- 45:27durante para eu não me influenciar, não deixar o livro
- 45:30ali de outra pessoa entrar na minha escrita.
- 45:31E tem gente que fala, não, leio bastante, inclusive leio livros
- 45:34que eu gosto porque eu li recentemente uma colega minha
- 45:37falou, exatamente. Que isso dá.
- 45:39A gente vai sempre estar sendo influenciado de alguma forma.
- 45:41A gente vai escrever a partir da bagagem que a gente carrega a
- 45:43vida toda. Então eu leio muito mesmo
- 45:45durante a escrita. Vocês leem durante a escrita e,
- 45:48se sim, quais são os principais ali?
- 45:50Talvez autores ou livros que influenciaram o processo de
- 45:53vocês de alguma forma. Eu leio bastante, sempre é
- 45:59durante a última escrita do aqui, ontem eu não conseguia ler
- 46:04tanto porque eu tava. Muito imersa mesmo, eu não
- 46:07conseguia parar de escrever. Então esses esses 2 meses finais
- 46:13da escrita eu li muito pouco, porque eu tava eu tava muito
- 46:16concentrado naquela escrita. Na cabeça não tem espaço pra
- 46:19mais nada. Né não, mas antes o livro foi
- 46:23sendo escrito por muitos anos, né?
- 46:24Ele teve pausas, mas durante todo esse tempo eu tava lendo
- 46:28muita coisa. É, acho que é.
- 46:30Eu já falei dela, né? E vou seguir falando, mas aí eu
- 46:33vira, vinha. Aí eu acho que a minha
- 46:34inspiração. Maior pra escrita do aqui ontem.
- 46:38E uma das principais referências que eu tenho é, ela tem uma
- 46:41escrita que é bastante. Você falou de uma escrita crua,
- 46:46né? E eu acho que a escrita dela é
- 46:48crua. Ela tenta tirar todo o
- 46:50sentimentalismo que tem ali e mostrar o que tá acontecendo.
- 46:54E eu acho que ela faz isso de um jeito muito interessante,
- 46:57principalmente nos últimos livros que ela que ela escreveu.
- 47:00Então essa pra mim é uma referência muito, muito
- 47:03marcante. É um outro.
- 47:05Um outro livro que eu li foi da anning right, que é uma
- 47:10irlandesa. Eu tava lendo enquanto eu
- 47:12escrevia o aqui ontem é e o livro dela conta sobre 11
- 47:17suicídio é. Então também tem um pouco de
- 47:20luto ali, né? No na escrita e foi um que me
- 47:23marcou bastante. É, e eu acho que eu trouxe um
- 47:26pouco dessa. Dessa ambientação, sabe, pra pro
- 47:29momento da da escrita, e eu não acho que eu não não tenho
- 47:33absolutamente essa coisa de que AI eu vou, não vou ler porque.
- 47:36Isso vai? Influenciar porque é o que você
- 47:39já disse, né, Isa? Assim, tudo te influencia.
- 47:41Se você foi na padaria e alguém te falou alguma coisa, aquilo
- 47:44vai influenciar. E pelo menos pra mim, às vezes,
- 47:47quando eu tô lendo, me dá um insight que eu falo, Ah, é isso?
- 47:50Fecho o livro e vou escrever alguma coisa.
- 47:52Já pego no caderninho. Não necessariamente.
- 47:54Você tá ali pegando de lá, mas isso entrou ali em contato com
- 47:58algum processo interno seu, né? Você, Dani, você tem influências
- 48:02literárias que você lembra assim?
- 48:04Sim, inclusive até uma questão de pesquisa, né?
- 48:07Eu li muitos livros de luto enquanto eu tava escrevendo o
- 48:10que mais me chocou, no bom sentido, assim que eu até hoje
- 48:15acho incrível. Da rosa Monteiro a.
- 48:19Ridícula. É ridícula a ideia de nunca mais
- 48:21te. Ver esse dela ainda não li.
- 48:23Nossa, é espetacular. Ali ela fala tudo, mas fala tudo
- 48:28e está ali. É, mas pesquisei muitos livros.
- 48:31O pai da menina morta do Thiago ferro é Lili, da Noemi jafe.
- 48:38Li muitos livros de luto, mas independente desses, na época da
- 48:42da escrita, do parte de mim, eu acho que sim.
- 48:45Durante a escrita, eu eu não deixo de ler.
- 48:49E é o que você falou na padaria, você tem uma referência no
- 48:51cinema. Às vezes, conversando com alguém
- 48:55é uma palavra, um som, uma música que vai dar um estralo e
- 49:00você vai falar, OPA, isso vai fazer diferença, aquele
- 49:04pedacinho que tá emperrado, que não vai pra frente na escrita.
- 49:08E isso eu acho que se intercomunica em muitas áreas da
- 49:11vida. Então, por exemplo, eu tô
- 49:12escrevendo um monólogo, eu tô fazendo um curso de teatro e às
- 49:16vezes tem que fazer uma cena pro curso.
- 49:19E aí eu tô. Eu não sei como ir pra frente
- 49:21ali, mas eu passei, vi um outdoor e falei, nossa, isso vai
- 49:25cair perfeito lá é isso. Então a vida se intercomunica em
- 49:29todos os sentidos. Acho que não dá para parar de
- 49:33ler, não. E eu sou uma leitora voraz de
- 49:36tudo que eu vejo na frente, então eu gosto muito e.
- 49:40Maravilha. E ouvindo vocês falarem aqui,
- 49:43né? Ao longo da nossa conversa, a
- 49:44gente é, vocês têm esses livros que trazem é dor, trazem luto,
- 49:49mas traz também ressignificado, traz é esse novo olhar pra essas
- 49:53histórias e pra vivências, as experiências que vocês tiveram,
- 49:56traz um olhar mais poético pra pra uma narrativa.
- 49:59O que que vocês acham que esses livros de vocês, com essas
- 50:02histórias, como foram escritas, como foram contadas, podem
- 50:05dialogar com o leitor? Será?
- 50:06Vocês acham que vai a partir de um ponto de mais emoção, de
- 50:09reflexão, de identificação? O que que vocês buscam com esse
- 50:13leitor? Ou vocês não não pensam no
- 50:15leitor? Vai no livro ali, a partir de um
- 50:17processo muito interno e depois é do mundo.
- 50:19Mas o que que vocês acham que essas histórias podem tocar e
- 50:22dialogar com com quem lê? É interessante.
- 50:27Eu pedi para 11, amigo, escritor é poeta, que é o Wilson Alves
- 50:33Bezerra, escrever a orelha do meu livro.
- 50:36E é interessante, né? Porque a gente escreve, a gente
- 50:40tem uma história toda. Amarradinha na nossa cabeça.
- 50:44E aí quando ele me entregou o texto da orelha, eu falei, uau,
- 50:48que interessante. Assim é, tudo que ele escreveu
- 50:51tá no livro, mas já não é mais o meu livro, é a leitura dele
- 50:57sobre o que eu. Escrevi lá é muito.
- 50:59Interessante? É muito interessante.
- 51:02Então é. Eu acho que quando eu escrevi o
- 51:05aqui ontem, tinha um pouco do que a Dani comentou também no
- 51:08começo, né? De.
- 51:10É de querer que as pessoas se identifiquem com essa, com essa
- 51:14vivência da narradora, que de alguma forma acompanhem esse
- 51:18processo dela de paralisia, de não conseguir se movimentar e de
- 51:22de repente, conseguir. Aos pouquinhos é voltar, né?
- 51:26A essa, a essa vida que ela, que ela quer construir.
- 51:30Mas eu acho que já não depende de mim.
- 51:32E eu senti isso com o texto da orelha, sabe que é é outra, é
- 51:36outra história. Então, a partir do momento que
- 51:39as pessoas lerem, eu acho que elas vão.
- 51:42Eu acho que é isso, né? Quando eu leio, eu também faço
- 51:44isso. Assim, a gente pega o que a
- 51:45gente se identifica, foca naquilo e constrói a nossa
- 51:49própria história, né? E eu gosto dessa, dessa ideia de
- 51:53um de textos que não são totalmente fechados.
- 51:57Eu acho que no aqui ontem tem muito disso.
- 51:59Assim, AA narradora, ela vai falar de algumas histórias que
- 52:03ela gostaria de saber, de descobrir, de contar.
- 52:07Só que algumas delas a gente não vai saber quais são ao longo de
- 52:10toda a narrativa. Tem essa brincadeira com o
- 52:12leitor também. Tem total.
- 52:14E aí é isso, cada um pode ir criando.
- 52:16O que acha que caberia nesses vazios, né?
- 52:19E aí você falando, eu me lembrei também de uma história, quando
- 52:21principalmente em clube de leitura, porque é isso, o livro
- 52:23vai para clube de leitura, vai para leitura dos outros, a gente
- 52:26vira outra coisa. E eu lembro que eu participei de
- 52:28um clube de leitura com o meu livro.
- 52:30Em determinado momento, uma das leituras estava lá e falando, e
- 52:33nossa, e acho que nesse momento, né, como você quis dizer isso e
- 52:36isso e aquilo outro? Pra mim foi muito interessante,
- 52:38eu pensando, nossa, eu quis dizer isso mesmo.
- 52:42Eu não tinha namorado que eu queria dizer isso, mas eu falei,
- 52:45cara, se ela entendeu assim, deve ser verdade então, né?
- 52:48Então é isso. É muito legal ver esse esse como
- 52:51o livro chega nas pessoas de formas assim que a gente nem
- 52:53imagina. Eu imagino.
- 52:54Exatamente. É eu.
- 52:56Eu achei que eu ajudaria, talvez alguns grupos de luto.
- 53:02Isso entrou pra diferentes? É.
- 53:07Eu vi, ouvi diferentes relatos, né?
- 53:11Então eu ouvi, por exemplo, de da minha psicóloga, que como eu
- 53:17nomeei sentimentos, isso ajuda a organizar as pessoas e que isso
- 53:23é ajudar. Muitas pessoas que sofreram,
- 53:26passaram por luto. Aí eu ouvi também de outras
- 53:29pessoas que isso ajudaria quem atende?
- 53:33Um paciente que passa por luto porque vai saber ajudar AA
- 53:38entender como é que a pessoa se sente.
- 53:41É aí eu também é. Ouvi, por exemplo, de pessoas
- 53:47que conheceram minha filha, de dizer, meu Deus, você trouxe ela
- 53:50toda de volta e lembranças que eu já nem tinha.
- 53:54Que a gente viveu juntas. É aí tem outra pessoa que perdeu
- 53:58um filho e disse, eu ando com o livro embaixo do braço agora
- 54:02porque isso é minha bíblia. Você tá dizendo aqui exatamente
- 54:05o que eu penso todos os dias e ao mesmo tempo.
- 54:08Eu fico querendo dizer assim, tem partes do livro que eu conto
- 54:12que a gente quer morrer com essa dor, mas ao mesmo tempo eu tô
- 54:16aqui e eu sobrevivi. A gente consegue levantar e
- 54:20seguir adiante. E a vida segue, então também
- 54:24quero dizer para elas que você também vai conseguir.
- 54:28Então é o que você falou. Tem coisas e tem coisas que eu
- 54:31não sei para onde vai esse livro, não sei o que que vai
- 54:34causar nas pessoas. E eu espero também que de
- 54:38repente, algum jovem lendo e vendo toda essa dor que ela
- 54:43passou, ache outro caminho e não sei o mundo.
- 54:50Tá aí, ele tá aí no mundo para que a gente veja o que que ele
- 54:54vai trazer para gente? É isso, né?
- 54:55O livro se abre em 1000 possibilidades.
- 54:57Estou espiando ali. Acho que a gente tem espaço para
- 54:59mais uma última pergunta é, foi uma conversa super gostosa, mas
- 55:03para gente ir encerrando para vocês, o que que é ser uma
- 55:06escritora hoje no Brasil, que a gente sabe que não é fácil?
- 55:09E como é ser uma escritora hoje em dia, uma escritora
- 55:12contemporânea? Como vocês enxergam esse espaço?
- 55:15Aí eu acho que o primeiro ponto muito importante disso tudo é.
- 55:20Todas as mulheres que escrevem, que escrevem, digam para todo
- 55:24mundo. Você é sim, escritora.
- 55:26Porque eu acho que essa é uma grande dificuldade das mulheres
- 55:29de dizer para o mundo, eu sou escritora e não devia ser tão
- 55:33difícil, né? Mas a gente foi ensinada que o
- 55:36nosso lugar não é esse. Então tem um eu acho que.
- 55:39O primeiro passo, muito importante para todas as
- 55:42mulheres é digam aos 4 ventos, eu sou escritora, existe.
- 55:47É um medo muito frequente de muitas mulheres, né?
- 55:50Então acho que esse é um ponto muito importante.
- 55:53É, e ser escritora no Brasil, eu acho que a gente tá ganhando
- 55:57muito espaço agora. Eu acho que tem muitas mulheres
- 55:59conseguindo, sim, mais espaço no mercado editorial, nas
- 56:03livrarias. Mas ainda é um mercado muito
- 56:06difícil, né? É muito, é, é muita dedicação.
- 56:10A gente sabe que é isso, para escrever um livro você demora,
- 56:13às vezes meses ou anos, nem sempre ele vai conseguir ser
- 56:18publicado por uma editora. Muitas mulheres publicam de
- 56:22forma independente, então acho que é é um mercado que a gente
- 56:25ainda precisa, ainda tem muito caminho para a gente percorrer.
- 56:31Mas, ao mesmo tempo, eu acho que iniciativas que nem o teu
- 56:34podcast, né? É, puxa, a gente reúne
- 56:37escritoras para falar de literatura, muitas outras
- 56:41escritoras também ouvindo. Isso é fantástico, né?
- 56:43Porque a gente vai se se alimentando, se ajudando assim.
- 56:47Eu acho que. Se a gente se dizer escritor, é
- 56:50o primeiro passo, o segundo passo é, vamos ajudar todas as
- 56:53outras mulheres que escrevem? Vamos fazer.
- 56:59É ir junto, né? Eu acho que esse coletivo é
- 57:02muito bonito e muito interessante naquela ideia de
- 57:05nenhuma menos uma puxa outra e vamos e vamos juntos, né?
- 57:09Sim, é aquele movimento que eu acho que vocês conhecem, que é
- 57:12da Giovanna madalosso de uns anos atrás, O Grande Dia das
- 57:16escritoras. Ah, eu fui nessa foto.
- 57:18Né vocês? Estavam lá também junto, essa
- 57:21foi junto com a Paula Carvalho. Também essa exato, né?
- 57:24Que fizeram o livro, et cetera, porque ali elas elas levantaram
- 57:28que muitas mulheres já tinham livros publicados e não sentiu
- 57:32no direito de estar na foto. E aí a gente pergunta, né, você
- 57:36é escritora? Não eu, eu sou, mas eu não
- 57:38publiquei. Então você não é publicadora,
- 57:41mas você é escritora. Eu tenho, você escreve umas
- 57:43coisinhas. Gente, você escreve, então você
- 57:47é escritora, né? Então, assim, o que que define
- 57:50uma escritora é quantos livros você publicou?
- 57:53É a qualidade do teu material, é você.
- 57:56Eu acho que se você escreve isso, move, isso, faz com que
- 58:00isso te movimente, te transforme.
- 58:03Então, se a tua escrita te transforma, você é uma escritora
- 58:07e é isso que a gente tem que. Fazer as mulheres acreditarem.
- 58:11É, eu espero que nas próximas gerações que as meninas que
- 58:15estão crescendo hoje já não passem por isso, né?
- 58:18Que elas possam desde muito pequenininhas dizer, é isso que
- 58:20eu quero, é isso que eu vou fazer.
- 58:22Eu sou assim, escritora e. Eu tenho uma sobrinha de 12 anos
- 58:26que já se intitula escritora. Que legal é inspirada na tia?
- 58:31Provavelmente gente agora pra gente fechar além dos livros de
- 58:34vocês. Claro que né, que a gente vai
- 58:36deixar aqui de dica de leitura ou aqui ontem, ou parte de mim
- 58:38queria que vocês deixassem pelo menos mais um livro assim de
- 58:41dica de leitura. Pode ser que vocês estejam lendo
- 58:43agora que vocês leram recentemente e gostaram muito.
- 58:46O que que vem na cabeça de vocês agora?
- 58:49Eu sei que Nessas Horas dá um branco, quando alguém me
- 58:51pergunta, eu falo, Ah, eu não quero ler um livro.
- 58:53Aline Bay Aline Bay eu não tô lembrando do título do último
- 58:57livro dela que eu acabei de ler. Ah, meu Deus, é?
- 59:00Agora você falou me me deu um branco, deu um beijo passando
- 59:04morto, pequena coreografia do adeus, 11.
- 59:07Delicada coleção de ausência eu precisei falar os outros eu
- 59:11acabei de ler. É tô lendo batida só da Joana
- 59:15madalosso. Demais, temos tantos livros
- 59:19maravilhosos. Dá um branco, né?
- 59:21Um ou 2 assim tá ótimo. É, poxa, eu, eu gosto muito.
- 59:26É um livro também que eu tô estudando agora, que é o garotas
- 59:30em tempos suspensos. Não é de uma brasileira, é de
- 59:34uma Argentina, que é a Tamara kamensain.
- 59:36Esse eu não conhecia. É maravilhoso, é um é um livro
- 59:40de poesias em que ela vai falar muito sobre outras mulheres
- 59:44escritoras. Ela também mistura assim um
- 59:47pouquinho de poesia com ensaio. É, é bem interessante o modo
- 59:50como ela escreve. Eu acho que é uma é uma dica
- 59:53legal e quem mais que eu posso indicar?
- 59:56Eu já falei 1000-1000 vezes. Daí eu viro a vinha, né?
- 1:00:00Eu? Viro.
- 1:00:03A vinha também, sempre aí, das meninas que estão publicando
- 1:00:07agora. Puxa, eu tenho lido muita coisa
- 1:00:09legal. Eu comecei a ler agora o novo da
- 1:00:11dia nobre, que está muito bonito.
- 1:00:13Então acho que é adora a dia. Beijo, o dia tá bem bonita, um
- 1:00:17dos que eu comecei a ler essa semana.
- 1:00:19É uma maravilha, gente. Super obrigado pela presença de
- 1:00:23vocês. Adorei esse papo que a gente
- 1:00:24teve. Adorei todos os temas que a
- 1:00:26gente conseguiu conversar. Foi um episódio muito legal.
- 1:00:28Espero que quem tenha escutado até aqui tenha gostado muito
- 1:00:31também e tenha ido com a gente. Obrigada por quem ouviu e
- 1:00:34obrigada pela presença, gente. E tchau, tchau, até a próxima.
- 1:00:42Tchau, tchau.