Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 87 - CONFIANÇA ESTILHAÇADA E O RESGATE DA PRÓPRIA HISTÓRIA, Chá de Coragem com Elisama Santos
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- 0:00E quando a vida parece não dar Descanso, quando é uma onda
- 0:05atrás da outra e a gente parece não ter espaço para respirar,
- 0:10como acreditar que em algum momento a paz vai ser uma
- 0:16realidade? Aceita o chá de coragem?
- 0:32Olá, elisama. Acompanho o seu trabalho há
- 0:34alguns anos e decidi que era o momento de compartilhar parte da
- 0:37minha história com você. Gostaria de receber o seu
- 0:41pitaco. Fui mãe aos 26 anos, já formado
- 0:45em psicologia. Em meus planos profissionais e
- 0:47pessoais, ruírem. Na época, precisei acreditar que
- 0:50o melhor para mim seria casar com o pai do meu filho.
- 0:54Um relacionamento super rápido. Regada love, bonde Ghost,
- 0:58mentiras e traições. Terminei essa relação ainda
- 1:01grávida, fui humilhada por ele, me senti envergonhada, passei
- 1:06privações financeiras e muitos, muitos medos.
- 1:09Alguns anos depois consegui não. Alguns anos depois, consegui
- 1:14identificar que ele tem personalidade narcisista.
- 1:17Incentiva esses efeitos disso por anos e anos, até quando meu
- 1:22filho completou 3 anos. Ele me relatou comportamentos
- 1:25inadequados do pai com ele. Confirmamos a terrível hipótese
- 1:30de abuso. Passei por vários processos,
- 1:33pensão alimentícia, regulamentação de guarda e
- 1:36visitação, registro de ocorrência na delegacia, idas ao
- 1:39conselho tutelar, Defensoria pública, medida protetiva de
- 1:43urgência, estudo social com psicólogo do juiz, não
- 1:48necessariamente nesta ordem, junto a tudo isso.
- 1:51Muita dor, abandono e solidão. Passei todos esses anos sem me
- 1:57apaixonar, só cuidando do meu filho, trabalhando, produzindo e
- 2:00sobrevivendo. Nenhum homem que conheci me
- 2:03passava segurança ou despertava afeto sincero.
- 2:07Na verdade, mulher, solo, independente e que sabe nomear o
- 2:11que sente, as violências que passa.
- 2:13Assusta de verdade os homens, mas.
- 2:16Ao final de 2025, já com 31 anos, conheci uma pessoa em um
- 2:21formato que parecia coisa do destino, parecia aquelas coisas
- 2:25que tem que acontecer, sabe? Um conto de fadas adulto.
- 2:28Daí nos envolvemos, envolvemos nossos filhos com muito cuidado,
- 2:33mas de uma forma que as crianças já estavam vinculadas.
- 2:35Eu me aproximei da família dele e estava tudo perfeito, mesmo
- 2:40meio as imperfeições que ambos tínhamos em nossas histórias.
- 2:43Ficamos 3 meses juntos. Muita troca, afeto, desejo
- 2:48ternura, conversas sinceras, planos.
- 2:51Nada estava faltando, pelo menos não para mim, mas em algum
- 2:55momento ele compartilhou comigo um sonho, sonhou esse bastante
- 2:59perverso. Vou resumir neste sonho, meu
- 3:03filho se vingava dele e o acusando de abuso sexual e eu
- 3:07mantendo preso e longe da sua própria filha.
- 3:10Nesse cenário eu era omissa e, mesmo sabendo da verdade, não
- 3:14fazia nada. Ele passava anos na cadeia e
- 3:18quando saía, o meu filho dizia a ele, eu passei anos longe do meu
- 3:21pai por causa da minha mãe e não morri.
- 3:24Você também não morreu? Segundo ele, isso perturbou pelo
- 3:29meu filho ter ciúmes dele, o que é normal, que já que ele nunca
- 3:32teve experiência na terceira pessoa, isso deixou preocupado.
- 3:35Fiquei muito ofendida com esse sonho.
- 3:37Senti que a maior dor da minha vida estava sendo batida em um
- 3:40liquidificador depois de se pôr o quanto aquilo me machucou.
- 3:44Tivemos alguns dias de silêncio. E ele decidiu terminar comigo.
- 3:48Nas palavras dele, mesmo gostando muito de mim, ele não
- 3:51estava seguro, estava com muitos problemas pessoais e resolveu
- 3:56encerrar. Estou resumindo elisama.
- 4:00Meu ponto é o seguinte, eu demorei anos para escolher e
- 4:04gostar de alguém. Anos para decidir que eu estava
- 4:07pronta, anos para me sentir segura de deixar um homem entrar
- 4:09em minha vida, em minha casa, com meu filho lá.
- 4:12Anos sem conseguir fazer planos com ninguém, anos sem sentir que
- 4:15alguém me enxergava para além da maternidade, sólida dos meus
- 4:18problemas com o pai do meu filho.
- 4:20Hoje eu me sinto um vidro estilhaçado, sem saber como eu
- 4:24vou juntar meus caquinhos, me sentindo ferida e revitimizada
- 4:28por essa sociedade que coloca as vítimas no lugar das
- 4:31problemáticas. Penso que foi assim que ele
- 4:33chegou a mim e ao meu filho, cansada de ouvir que me admiram,
- 4:37mas sem querer correr junto a mim.
- 4:39Não sei como fazer para gostar de alguém de novo.
- 4:41Já que isso sempre foi desafiador demais para mim.
- 4:45Os amigos não entendem porque eu estou sofrendo tanto, nem a
- 4:48terapia está me ajudando muito nesse momento.
- 4:51Eu só sinto dor e vontade de paralisar, mas eu não posso.
- 4:53Uma mãe solo nunca pode parar. Aguarda o seu pitaco com
- 4:58carinho. Olá, eu quero começar nossa
- 5:03conversa te dizendo o que eu sinto muito pelo que você viveu.
- 5:09eSIM. A gente vive em uma sociedade em
- 5:14que as vítimas, elas são responsabilizadas pelas
- 5:19violências que sofrem. Há poucos dias eu concluí a
- 5:25leitura do livro. Gente, eu esqueci o nome do
- 5:33livro. Eu vou procurar e vou colocar
- 5:35aqui, porque eu sou muito bom em esqueci o nome de livro, mas é.
- 5:40Daquela senhora que descobriu que o marido dela adopava
- 5:45violentava e deixava que outros homens a violentassem, né?
- 5:47Ele oferecia o corpo dela nas redes sociais bizarras de de de
- 5:53homens e alguns homens foram pra casa dela.
- 5:57E a história toda de como descobrir o que aconteceu foi
- 5:59uma história muito, muito violenta e muito bizarra.
- 6:02Eu vou tentar resumir aqui pra ir.
- 6:05Vou te trazer um contexto, tá bom?
- 6:08Ela era casada com ele há muitos anos, há sei lá.
- 6:12Acho que desde os 16 anos ela estava com ele.
- 6:15Ela já tinha, né? Ela tinha quase 50 anos com ele
- 6:19e filhos adultos e ela nunca desconfiou de absolutamente nada
- 6:26dele. Passaram por diversas situações
- 6:27juntas juntos e aí um dia ela viajando para cuidar dos netos.
- 6:33Ele ligou para ela para falar de um chip, que o número do
- 6:36telefone dele tinha sido tinha perdido o telefone e que ele
- 6:39precisava reabilitar o telefone e mandar um chip para um código
- 6:43para o chip para ela. E aí ela não entendeu muito bem,
- 6:46porque ele sempre foi muito metódico, muito organizado, mas
- 6:48ela conseguiu dar o tal do código.
- 6:50Quando ela volta para casa, ele fala para ela que ele foi preso
- 6:56num mercado filmando embaixo da saia de uma mulher e que por
- 7:01isso ele tinha perdido o celular.
- 7:03E que ele tinha que ir na delegacia.
- 7:05Nesse dia, ele chorou. Ele falou com ela que amava
- 7:07muito ela, que ele nunca tinha feito isso e que ele nunca
- 7:10queria perdê la. Quando ela chega no na delegacia
- 7:17com ele, o delegado fala, ele vai para um lugar, uma outra
- 7:20sala, e o delegado pergunta para ela se ela sabe porque que ela
- 7:22está lá. Então eu vou falar, sei sim.
- 7:25Ele me contou tudo e ela sabe, ele sabe o quê?
- 7:30Ah, que ele filmou embaixo da saia da mulher.
- 7:32Mas ele é um homem honesto, ele é um homem maravilhoso,
- 7:34trabalhador. E aquela coisa toda que a mulher
- 7:36faz defendendo o homem. E o delegado abriu o computador
- 7:41e mostrou uma foto de uma mulher de senta, liga com um homem
- 7:47pegando ela por trás e fala assim, ó, é a senhora nessa
- 7:50foto. E ela olha para foto e apesar de
- 7:53perceber que parecia, ela não reconhece, a sinta liga, ela não
- 7:57reconhece aquele rosto. Meio deformado, caído, ela fica
- 8:00assustada e ela demora um tempo para entender o que estava
- 8:05acontecendo. E a delegada mostra foto já com
- 8:08um outro homem e uma outra assim, talento, um homem
- 8:10diferente. E ela descobre que por 20 longos
- 8:14anos ele ofertou o corpo dela para diversos homens estuprarem
- 8:21ela, além de estuprá la, então ele adopava.
- 8:26E aí, nesse período de 20 anos, ela não sabia de nada, mas ela
- 8:29começou a ter déficits cognitivos, a procurar
- 8:32psiquiatra, a procurar ginecologista, porque tinha uma
- 8:34coisa saindo dela que ela não sabia o que que era.
- 8:37A procurar ginecologista porque ela acordava molhada porque
- 8:39depois de tudo ele banhava ela na cama.
- 8:42Ela não fazia ideia de nada. Enfim, quando chega o dia do
- 8:46julgamento, ela o tempo inteiro pediu que o processo fosse em
- 8:50sigilo. Quando chega o dia do julgamento
- 8:54e ela se imagina? Um tribunal com 50 acusados,
- 9:01porque era o marido e +50 homens a violentar com 50 acusados, 50
- 9:08advogados, e ela ali sozinha, achando que tava protegendo o
- 9:14próprio nome, e aí ela fala, eu tô protegendo quem?
- 9:20E ela tomou uma decisão. Ela chama os advogados e fala,
- 9:23eu quero que o sigilo de justiça seja quebrado.
- 9:26Segredo de justiça. Eu quero que o meu processo seja
- 9:30público. E ela conta que na hora que ela
- 9:34fala que o processo seja público, os advogados das
- 9:36partes, eles enlouquecem das da parte dos advogados dos
- 9:40acusados, porque tudo que eles queriam e no sigilo, eles eles
- 9:43se alimentavam do medo dela de ser exposta.
- 9:47Do medo de que as pessoas apontassem e falar assim, olha,
- 9:49aquela dali foi ela, dali foi aquela, da desconfiança das
- 9:54pessoas, como assim, 20 anos? E ela não sabia o que acontecia
- 9:57com ela. Enfim, esse medo fazia com que
- 10:01ela não quisesse falar, que Oo processo, o nome dela, fosse
- 10:06divulgado e estava protegendo os caras.
- 10:09E aí ela conta no livro como ela virou um símbolo, praticamente
- 10:14que ela saía do tribunal. E que ela começou a receber
- 10:18muitas cartas de mulheres falando obrigada por ter falado
- 10:21aquilo, de mulheres que descobriram que os maridos
- 10:24também dopavam elas, porque existia uma rede de de
- 10:28acontecimento desse, desse gênero e que descobriram por que
- 10:31ela falou por que que eu trouxe a história dessa mulher hoje?
- 10:36Inclusive, na época do julgamento, ela já foi
- 10:38acompanhada de um novo amor, de um cara que ela disse ser um
- 10:42super parceiro e que ela tava muito feliz com ele.
- 10:46Por que eu estou trazendo essa história para você?
- 10:49Porque eles sabem da nossa vergonha.
- 10:53Os homens sabem do nosso medo de sermos apontados na sociedade e
- 10:58eles se alimentam muito disso. E eu preciso te lembrar que você
- 11:05não tem motivo algum de ter vergonha.
- 11:09Você tem motivo de ter medo. Você tem motivo de ter raiva,
- 11:13você tem motivo de sentir um Monte de coisa, mas cara,
- 11:16vergonha do que te aconteceu, não pode estar entre eles.
- 11:22Essa vergonha, ela precisa ser olhada de cara, ser encarada
- 11:25assim, de frente, olho no olho, porque ela não devia estar aqui,
- 11:30porque nada do que aconteceu com teu filho é responsabilidade
- 11:33sua, nada. E eu quero te dizer que eu sinto
- 11:37muitíssimo, mas muito mesmo. Que ninguém entenda o tamanho da
- 11:43tua dor. Você usou a palavra eu me sinto
- 11:46revitimizada, você não se sente, não, você está sendo
- 11:48revitimizada não é só uma sensação ferense é um
- 11:53psicanalista que eu amo a teoria de ferense ele traz um conceito
- 11:56que eu já falei aqui em algum momento, que é o desmentido
- 11:59ferense dizia que o trauma ele como se ele fechasse o ciclo
- 12:04dele, ele ficasse mais forte quando você não encontra.
- 12:08O olhar do outro te falando, nós, isso doeu mesmo quando
- 12:12alguém chega para você e fala, mas você não tem motivo para
- 12:14você ter essa dor, não, isso não aconteceu desse jeito, ou isso
- 12:17aconteceu, mas a sua percepção sobre o que aconteceu está
- 12:19errada, que todos esses acontecimentos eles te
- 12:23desmentem. E quando eles te desmentem,
- 12:26quando eles falam que isso não é Sério, realmente Sério, eles te
- 12:30revitimizam, você se machuca de novo.
- 12:34A Alice Muller, ela trazia o conceito da testemunha
- 12:37esclarecida. Ela dizia, ela diz, né?
- 12:41Que a gente precisa de um de alguém ao nosso lado, que olha
- 12:46para gente e fala, nossa, isso é realmente violento.
- 12:49Isso realmente dói. Essa dor não é uma ilusão.
- 12:53Você demorou para confiar em outro homem.
- 12:57Um cara que você confiou que entrou na tua vida, que é o pai
- 13:01do teu filho, abusou do teu filho.
- 13:06Isso mexe com a sua capacidade de confiar e de viver de uma
- 13:09forma muito profunda. E você não está exagerando.
- 13:12Você não está sendo louca ou você está sendo humana, mulher.
- 13:16E depois de anos você encontra alguém que conseguiu te falar
- 13:21que era seguro te mostrar que era seguro, que conseguiu fazer
- 13:24com que você acreditasse de caramba.
- 13:26A minha história não se resume a isso.
- 13:27A minha história é maior e essa pessoa se aproxima de você.
- 13:34E ela pega toda essa confiança e rasga, sabe?
- 13:42Joga no lixo essa confiança que você demorou tanto para
- 13:46construir. Essa confiança que você nem
- 13:50sabia se você era capaz de construir um dia.
- 13:54Você não tá sofrendo somente por uma relação de 34 meses que
- 13:59acabou. Você tá sofrendo.
- 14:03Porque você deu algo que você nem sabia que você ainda tinha
- 14:06para dar para alguém que não soube cuidar, entendeu?
- 14:10Você está sofrendo porque algo muito rico, muito precioso, foi
- 14:19descartado por alguém. E eu não posso interpretar o
- 14:23sonho dele porque eu não o conheço e Eu Acredito muito na
- 14:28potência dos sonhos. Então, eu não posso interpretar
- 14:32o sonho dele, mas eu posso te falar algo que é facilmente
- 14:35notado quando a gente fala de relações com mulheres, relações
- 14:40de mulheres com mulheres que tem filhos com outros homens, né?
- 14:43É difícil para o cara chegar em uma relação já tendo a certeza,
- 14:48a convicção de que ele não vai ser a prioridade dessa mulher,
- 14:53não é? Ele já sabe que ela tem outra
- 14:55prioridade e é uma prioridade. Que não foi ele quem fez, que
- 14:58quando pelo menos é o filho dele, ele disputa.
- 15:03Porque não é poucos, não são poucos homens que disputam, mas
- 15:06não é o filho dele. Mas ele já chega na relação sem
- 15:10ter a ilusão de que ele vai ser o centro da tua vida.
- 15:12Porque você já tem um centro. Porque os homens estão
- 15:15acostumados a se tornarem o centro da vida das mulheres.
- 15:20Eles aprenderam a chegar na relação.
- 15:23E ter você inteira cuidando de tudo e observando tudo e
- 15:27nutrindo tudo e colocando os desejos dele em primeiro lugar.
- 15:30Mas você tem um filho. Esse lugar dos desejos em
- 15:35primeiro lugar está ocupado. Não é por ele, não vai ser
- 15:40ocupado por ele. E perceber isso é um choque para
- 15:44alguns homens, né? Melhor seguir a vida, procurar
- 15:49alguém. Que aumente as chances dele de
- 15:52ser o centro da vida. Porque na sua vida não vai ser.
- 15:55O que eu posso te dizer é que existem outras pessoas no mundo
- 16:04que com quem você pode se relacionar assim.
- 16:09Que consigam consigam cuidar do teu filho, que consigam entender
- 16:14a tua dor, que consigam respeitar o teu tempo.
- 16:20De se aproximar, que consigam entender que o que é, o que faz
- 16:28parte da tua história, sendo que é só parte da tua história,
- 16:32sabe? Eu acho que essa é uma das
- 16:34coisas mais difíceis, é você encontrar alguém que enxerga a
- 16:39tua dor, o teu trauma, mas que não te reduz a tua dor, o teu
- 16:42trauma, entende? É alguém que sabe que isso aí
- 16:46foi um trecho da sua história. Mas não é a sua história
- 16:51inteira, é um pedaço dela. A Ester, acho que Ester, o nome
- 17:00dela. A gente tem que procurar depois
- 17:03que é a pessoa que viveu essa situação do livro, né?
- 17:05Essa mulher francesa que viveu essa situação do livro.
- 17:09Ela conta que quando ela descobriu que ele violentava,
- 17:15ela começa a pensar na vida inteira e pensar o.
- 17:19Onde, quando? Quais foram os os momentos que
- 17:22isso acontecia? E iam surgindo fotos que quando
- 17:26a polícia aprendeu o celular dele no mercado, a polícia
- 17:31acessou as fotos desse celular dele.
- 17:34E quando a polícia chamou, chamou a mulher na delegacia,
- 17:38quis confirmar porque ela estava parecia uma pessoa morta nas
- 17:42fotos, né? Então queria confirmar de que
- 17:44ela realmente era dopada. E aí encontrou ali inúmeras
- 17:51inúmeros posts dele, ele tinha filmagens, os posts deles dele
- 17:55ofertando era pra pros homens, enfim, aquele horror inteiro.
- 18:00E ela fala que por um tempo ela pessoa se afastar de todo mundo,
- 18:04que quando a advogada ou advogado dava mão de para ela,
- 18:10ela conseguia aceitar aquele carinho, aquele cuidado, mas
- 18:13quando era filha dela, uma amiga dela que ela sentia.
- 18:16Quase uma raiva porque ela falava assim, eu não quero que
- 18:19você me enxergue sendo essa dor. E aí ela se afasta.
- 18:25Ela vai morar num num lugar distante de tudo, de todos, por
- 18:29um tempo. E depois que ela conhece esse
- 18:34homem, que ela começa a sair, que ela conta e que ela, a única
- 18:40coisa que ela pede é que ele em momento nenhum.
- 18:42Assista aos vídeos. Quando ela quando ela decide que
- 18:45o que vai ser público, ela já tá com ele, ela fala com ele que
- 18:48vai ser vai deixar pública a história inteira e pede que em
- 18:52momento nenhum ele assista os vídeos.
- 18:54Então ele vai com ela pro tribunal, pro julgamento, e cada
- 18:57vez que o vídeo, algum vídeo vai ser colocado como prova, ele
- 19:02levanta e sai antes, ele e os filhos, que ela pede que os
- 19:05filhos também nunca assistam os vídeos.
- 19:08E aí ele e os filhos levantam, EE saem.
- 19:11E ela construiu uma relação de alguém que apoiou o no meio
- 19:14dessa história toda, cara. E é uma história assustadora.
- 19:20E ela já tinha 60, mais de 60 anos quando ela descobriu isso.
- 19:25Você tem 31. Não era para você já ter vivido
- 19:31tanta coisa aos 31? Não era para você ter uma
- 19:35cicatriz tão grande aos 31? Nenhuma mãe nesse mundo merece
- 19:40carregar essa dor, carregar esse medo, carregar essa marca, essa
- 19:46chaga na história. Mas ela não te define, sabe?
- 19:53E caramba, eu entendo o teu cansaço.
- 20:00Tem que falar para as pessoas que isso foi Sério, cansa
- 20:07ninguém enxergar. Que que dá um pouquinho de
- 20:10abertura para outra pessoa depois de tudo que você viveu?
- 20:13Foi algo gigantesco, que demandou tanta energia.
- 20:17Isso cansa, eu imagino. Eu estou exaustão.
- 20:24E aí eu quero te aconselhar a conhecer mais pessoas, a
- 20:32conversar com mais pessoas. A.
- 20:36Procurar uma rede de apoio que consiga te ouvir um pouquinho
- 20:39mais. Você fala, não, terapia, eu
- 20:41estou conseguindo conversar direito com isso, amor, está
- 20:44tudo bem trocar de terapeuta, tá?
- 20:47Não estou falando que a sua terapeuta é ruim ou ruim ou bom,
- 20:49nada disso. Eu estou falando que em algum
- 20:52lugar você tem que encontrar espaço para que essa dor exista,
- 20:57exista sente de definir para que o medo da confiança existe em um
- 21:02lugar, tem que haver esse espaço.
- 21:06Que lugar vai ser esse? Eu não sei, mas tem que haver,
- 21:08sabe? Enfim, eu quero que que você
- 21:12encerre esse. Quero encerrar esse episódio.
- 21:15Que que fique guardado em você a certeza de que foi muito Sério,
- 21:23tanto o que aconteceu com teu filho quanto o que aconteceu com
- 21:27esse cara. Dizer que eu sinto muito, que
- 21:31ele não soube cuidar da confiança que você tão
- 21:34arduamente descobriu dentro de você.
- 21:37E dizer que o fato dele não ter conseguido cuidar dessa
- 21:40confiança não significa que você nunca mais possa ofertar.
- 21:44Alguém respira, chora essa dor porque dói mesmo, encontra um
- 21:52colo para chorar essa dor. Eu queria poder te dar um abraço
- 21:55agora, porque esse colo físico ele é muito importante.
- 21:59Então encontra, se cola. E quando essa dor for pranteada
- 22:05como ela merece ser, pranteada vai pro espaço.
- 22:11Você vai descobrir que dá para confiar.
- 22:12Assim vai chegar o momento com alguém.
- 22:17Não sei que momento vai ser isso, mas vai chegar o momento
- 22:21de confiar de novo. Só cria muito perto de você.
- 22:25Redes de apoio. Para quando você precisar sentar
- 22:29e chorar as dificuldades que você já viveu aos 31 anos na tua
- 22:33vida, tá bom, eu vou procurar a gente o nome do livro e vou
- 22:38pedir para Evelyn, que é quem faz a os títulos, as legendas.
- 22:45Eu vou pedir para Evelyn colocar aí na legenda direitinho o livro
- 22:49e o nome do livro e o nome da autora, tá?
- 22:53Para vocês lerem, OK, meus amores?
- 23:00Se você curtir o episódio, se você acha que ele pode ser
- 23:03importante, se tem alguma amiga que está passando por algo
- 23:06semelhante, algum amigo, alguém que você quer que receba um
- 23:08colinho, manda esse episódio, está bom?
- 23:12Deixa aqui o teu abraço pra essa nossa amiga.
- 23:14Deixa. Aqui está torcida pra que ela
- 23:16consiga confiar muito. Alguém quer alguém com muita
- 23:20segurança, passe no caminho dela Pra Ela acreditar.
- 23:24Que é possível a gente confiar nas pessoas também.
- 23:27Essa coisa de você ter que conseguir sozinho é brutal, tá,
- 23:29gente? A gente consegue confiança é com
- 23:32outro necessariamente, uma relação afetiva ou sexual, mas é
- 23:37nos encontros que a gente alimenta a confiança, que não
- 23:41falta alguns encontros Pra Ela, tá todo mundo deixa a sua
- 23:43torcida aí e é isso, meu amor, até o próximo episódio, um
- 23:46beijo, tchau, tchau.