Latest / Decantando Ideias / Decantando Ideias #15: O barulho da inovação e o silêncio da execução
Transcript
- Bem-vindos a mais uma conversa aqui no nosso espaço de análise. Hoje a gente vai mergulhar um pouco nas ideias do Alexandre de Sales, da coluna Decantando Ideias. O foco é naquele texto, sabe? Inovação e execução, o silêncio da entrega. Isso, um texto muito bom dele. E ele usa uma metáfora que eu achei ótima, a do vinho. Aquela coisa da promessa que está ali no rótulo e o que a gente de fato experimenta quando prova, né? Na taça. Exatamente. E a nossa ideia aqui é, então, explorar isso no mundo dos negócios. Esse fascínio todo pela inovação e, do outro lado, a importância da execução, que muitas vezes é silenciosa, né? Meio esquecida. Pois é. Ok, vamos lá. A gente está cercado por essa, tipo, estética da inovação, né? Startups falando em disrupção o tempo todo, labs de cocriação, aqueles post-its coloridos na parede. Sim, é quase um visual padrão, né? Parece um vinho novo, um rótulo super moderno, cheio de medalha. Mas assim, isso garante que a experiência vai ser boa? Que o vinho é bom mesmo? É, esse é o ponto central que o Salles levanta. Essa possível desconexão. Ele fala que no vinho, bom, medalha não significa complexidade. E um rótulo bonito também não é garantia de equilíbrio, de qualidade. Se a promessa não encontra a maturação certa, pode decepcionar. E muito. Entendi. É a diferença entre parecer bom e ser bom de fato. Exato. E ele cita o caso da WeWork, que é um exemplo bem claro disso. Os bits eram incríveis e inovadores. O branding parecia impecável. Aquela coisa de revolucionar o trabalho. Lembro bem. Mas a entrega, né? A estrutura por trás daquilo tudo se mostrou frágil e inconsistente. É o que o Salles chama de inovação de fachada. Brilha muito por fora, mas falta substância. E aí ele traz aquela adaptação do Drucker, que é forte, né? A execução devora inovação no almoço. Quer dizer, de que adianta ter a super ideia inovadora se você não consegue entregar valor de verdade com ela. Uhum. Vira tipo um vinho que impressiona na garrafa, mas na hora de beber é amargo. Sei lá, não entrega. Uma promessa que some rápido. É uma ótima analogia. A crítica dele vai muito nessa linha do barulho pelo barulho. Empresas que parecem inovar só por inovar. Sim. Muita reunião, muito evento, muito post-it, mas pouco vinho decantado, como ele diria. Pouco valor real chegando para o cliente ou para o mercado. Fica muito no discurso. E como isso se conecta com outras ideias? Ele menciona outros autores, né? Sim, ele traz o Taleb com o conceito de antifrágil, a ideia de que as coisas amadurecem é na prática, no desafio. Uma inovação que não passou pelo teste da execução real é como uma uva colhida verde demais. Não deu tempo de desenvolver. Faz sentido. E esse silêncio da execução, esse trabalho focado, consistente, que às vezes ninguém vê, é ele que constrói o valor de verdade, que harmoniza tudo, como o tempo na adega para o vinho. Entendi. A pressa de mostrar resultado, talvez o medo de ficar quieto, de parecer parado, pode levar essa busca pelo barulho, pela novidade constante. E aí se esquece que o valor real, ele decanta, né? Na execução cuidadosa. Então, resumindo a ideia, a inovação que realmente importa, que faz a diferença, é aquela que... Bom, depois que passa a espuma inicial, revela a profundidade, que entrega valor de forma consistente e mostra a coerência entre o que prometeu e o que entregou, num basto rótulo bonito. Perfeito. É isso. A entrega na taça é o que conta no final. E o que fica de aprendizado prático disso? Olha, acho que levanta uma questão importante sobre o foco, né? Talvez a gente devesse se preocupar menos em ter o selo de inovador e mais em garantir que o valor que a gente promete está sendo entregue. De forma consistente, confiável. Boa. O vinho que fica na memória não é o que fez mais barulho para ser lançado, né? É aquele que entregou a melhor experiência. Com certeza. E fica aqui então uma provocação final, inspirada pelo Sales, para a gente pensar nos nossos projetos, no nosso trabalho. Onde está a nossa energia maior? Em polir o rótulo? Em fazer barulho? Ou em garantir a qualidade do que a gente está servindo na taça do cliente, do mercado? Uma ótima reflexão. Fica a dica, talvez decantar menos promessas e servir mais valor. Para quem quiser ler mais, as ideias do Alexandre de Sales estão lá na coluna Decantando Ideias no Substack. Vale a pena conferir.