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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Informática. Partículas trançadas apontam caminho para computador quântico capaz de qualquer cálculo. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 20 de outubro de 2026. Os computadores quânticos de hoje parecem calculadoras especializadas. Eles fazem muito bem alguns poucos tipos de conta, e só. O objetivo é chegar a uma máquina que rode qualquer programa, como um computador comum, e que também resista aos erros. Um grupo de físicos mostrou um caminho que pode atender a essas duas exigências. Para isso, usou partículas muito estranhas, recriadas dentro da própria máquina. Um dos pesquisadores é Ruben Verresen, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Ele desenvolveu o protótipo junto com colegas de várias outras universidades. O estudo saiu na revista científica Nature. Essas partículas se chamam ânyons não abelianos. Elas não existem soltas na natureza. Aparecem como um comportamento coletivo quando muitos elétrons interagem com força, perto do zero absoluto e sob campos magnéticos intensos. Os pesquisadores seguiram outra rota: criaram esses ânyons dentro de um computador quântico. Eles ligaram muitos qubits, que são as unidades básicas de informação quântica, num grande estado entrelaçado. E esse conjunto passa a se comportar como um novo tipo de partícula, com regras próprias. Verresen compara isso a criar pequenos universos alternativos, que imitam algumas propriedades do nosso. O mais interessante é o que acontece quando um ânyon é movido em volta de outro. O estado interno deles muda. E a ordem dos movimentos importa, como numa trança de cabelo, em que a sequência dos fios define o resultado. É isso que significa ser não abeliano. Como a informação fica espalhada por vários qubits, e não num ponto só, ela fica muito mais protegida contra as pequenas perturbações que atrapalham os qubits comuns. E o próprio ato de trançar funciona como uma operação de cálculo. A equipe já tinha feito algo parecido, usando como base a simetria de um quadrado. Mas aquele modelo não bastava para fazer todos os cálculos. Agora, os pesquisadores usaram a simetria de um triângulo de lados iguais. O experimento foi feito num computador de íons aprisionados, que usa átomos eletricamente carregados, presos e controlados. Ao todo, foram entrelaçados cinquenta e quatro qubits. Só trançar não foi suficiente. Eles também precisaram da fusão, que é juntar dois ânyons. Com pares dessas partículas, criaram qutrits, que guardam três níveis de informação, e não apenas dois, como o qubit. Combinando tranças e fusões, demonstraram três operações. Juntas, elas permitem realizar qualquer operação quântica. Isso importa porque a proteção contra erros normalmente espalha os dados por muitos qubits. Só que, sozinha, essa proteção não oferece todas as operações necessárias. Faltam etapas extras, que são as mais caras do processo. Henrik Dreyer, da equipe, diz que esses códigos com ânyons são o azarão nessa corrida. Segundo ele, o trabalho mostra que, em princípio, dá para dispensar essas etapas caras. Mas é só uma prova de princípio. O próximo passo é mostrar que essa proteção automática contra erros também funciona em condições práticas. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.