Latest / AA40 - A comunidade FIRE no Brasil / 17-O Excesso de Conservadorismo no seu Plano FIRE pode matá-lo.
Transcript
- 0:06Bem-vindo ao podcast do aposente aos 40, a casa da comunidade
- 0:16fire no Brasil. Acesse www.aposenteaos40.org e
- 0:26conheça mais. Bem-vindo ao podcast do
- 0:33aposentos, aos 40, e hoje vamos falar sobre os perigos do
- 0:36excesso de conservadorismo no planejamento fire e como isto
- 0:40pode impedir você de alcançá lo. Oi, pessoal.
- 0:44Mergulhando hoje um tema super importante para quem está nessa
- 0:47jornada da Independência financeira e aposentadoria
- 0:50antecipada ao fire, né? Com certeza.
- 0:52A gente recebeu um material bem legal, um artigo lá do blog
- 0:56aposente aos 40. E ele traz uma provocação, sabe?
- 0:59Prudência é chave, claro. Fundamental.
- 1:02Mas quando que essa cautela toda vira um peso, vira um freio?
- 1:06A ideia aqui é investigar como esse conservadorismo Exagerado
- 1:10pode assim acabar sabotando o próprio plano fire.
- 1:13É isso aí? O artigo usa uma imagem que eu
- 1:15achei ótima, alguém com tanta camada de proteção que mal
- 1:18consegue andar. Nossa visual perfeito.
- 1:20Né, captura bem a ideia de como o medo, quando é demais,
- 1:25paralisa. OK, vamos.
- 1:27Vamos desempacotar isso. Então, como é que esse excesso
- 1:30de proteção aparece no dia a dia do planejamento?
- 1:33Fire? Olha, essa analogia é excelente
- 1:36mesmo porque mostra que segurança demais tem um custo,
- 1:40né? Muitas vezes um custo oculto.
- 1:43Sim. E essa discussão?
- 1:45Que o material até menciona ser inspirado em debates lá fora,
- 1:48tipo do podcast choosefi. Ah, sim, aqui no Brasil ela
- 1:52ganha uma força extra, né? Com toda a nossa instabilidade é
- 1:57econômica, política, é natural a gente querer se proteger ainda
- 2:02mais. Faz sentido?
- 2:03Só que é crucial entender o preço de cada camada extra de
- 2:07conservadorismo. Será que a gente tá se
- 2:10protegendo de risco real? Ou ou só de fantasma mesmo
- 2:16criado pelo medo? Exato.
- 2:17E o material que a gente analisou detalha bem algumas
- 2:20dessas camadas. A primeira, e acho que muita
- 2:23gente vai se identificar, é inflar artificialmente as
- 2:27despesas anuais. Como que funciona isso?
- 2:30Ah, essa é clássica. Então, o lógico seria olhar para
- 2:33o gasto atual, né? O exemplo lá é de uma família
- 2:36que sabe porque controla, que vive bem.
- 2:39Com 7000 BRL por mês, dá 84000 por ano.
- 2:42OK, um número concreto. Aí, aplicando as a famosa regra
- 2:46dos 4%, para ter uma ideia do patrimônio necessário, o número
- 2:50fire seria 2,1 milhões. É pegar os 84000 e dividir por
- 2:530,04. Parece simples, né?
- 2:58Parece só que aí entra a psicologia, né?
- 3:01Aquela vozinha do medo. Ah, mas e se a inflação da saúde
- 3:04disparar? E se eu quiser viajar mais?
- 3:06E se vier uma crise daquelas? Hum, a famosa vozinha.
- 3:10Exato. E aí a pessoa pensa, quer saber?
- 3:14Vou jogar pra cima, pra garantir.
- 3:17E aqueles 7000 BRL viram 8009 1000 BRL, ou, como no exemplo do
- 3:23artigo 10000 BRL por mês, que dá 120000 BRL no ano.
- 3:28Essa gordurinha, né? Essa margem parece responsável,
- 3:33talvez, mas qual o impacto real disso no número final?
- 3:37Então, o que é fascinante aqui é botar na ponta do lápis.
- 3:41Recalculando o número fire com esses 120000 BRL anuais, ainda
- 3:46nos 4%, o alvo pula para 3,0 milhões de reais.
- 3:51Nossa. Percebe um aumento de pouco mais
- 3:55de 40% no gasto mensal estimado de 7 para 10000 BRL gerou 900000
- 4:01BRL a mais na meta de patrimônio.
- 4:04Isso pode ser 57, sei lá, 10 anos, há mais de trabalho pra
- 4:09muita gente. Uau. 900000 só por essa
- 4:12precaução é. É um número pra pensar, né?
- 4:16Será que essa margem é sempre justificada mesmo?
- 4:19Tem um viés aí, não tem medo de errar pra menos.
- 4:23Com certeza, aversão a perda total, o medo de ficar sem grana
- 4:28na aposentadoria é muito maior que a frustração de ter
- 4:30trabalhado anos a mais à toa, né?
- 4:33Verdade. E a gente tende a super estimar
- 4:35o impacto das coisas ruins no futuro.
- 4:38Claro, uma margem para imprevisto é bom ter, óbvio, mas
- 4:41talvez calculada de forma mais racional.
- 4:44Um fundo de emergência parrudo? Talvez sim.
- 4:46E não só inflar o custo base de vida de qualquer jeito, a
- 4:50questão é separar o que é prudência do que é pessimismo
- 4:53Exagerado. E o problema é que essas camadas
- 4:55vão se somando, né? Não para só na despesa inflada.
- 4:59A próxima camada comum que a análise mostra mexer na taxa de
- 5:02retirada segura até SR. Exatamente, uma coisa puxa a
- 5:05outra. Certo?
- 5:06Seguindo exemplo, a pessoa já decidiu que precisa daquele
- 5:09120000 por ano, os 10000 BRL mensais inflados.
- 5:13Aí ela olha para a taxa de 4% que veio lá do treinity study
- 5:16tal e pensa, poxa, mas isso foi nos Estados Unidos?
- 5:21E o Brasil, essa volatilidade, toda crise política?
- 5:26Será que 4% é seguro mesmo? Acho que vou usar 3% pra dormir
- 5:32melhor, é. Essa é outra decisão bem comum e
- 5:36o efeito dela é multiplicador em cima do número que já estava
- 5:41inflado. Vamos calcular 120000 por ano,
- 5:43dividido por uma TSR de 3%, ou 0,03.
- 5:49Quanto dá isso? O novo alvo vai para. 4,0
- 5:54milhões. 4000000. Agora, compara o plano original
- 5:58com gasto real 84 capano ETSR de 4% era 2,1 milhões, certo?
- 6:06A primeira camada de medo que inflou o gasto para 120 capano
- 6:09levou para 3,0 milhões. Já era um Salto.
- 6:13E a segunda camada, reduzindo ATSR para 3%, jogou lá para 4,0
- 6:18milhões. Dobrou.
- 6:21Basicamente, dobrou o número necessário em relação ao plano
- 6:24original, que era baseado na vida real da pessoa.
- 6:27Quase 2000000 a mais. Isso é brutal.
- 6:31É um impacto imenso, né? Se a gente conecta os pontos, vê
- 6:36como 2 decisões que parecem só conservadoras podem transformar
- 6:41um sonho que era viável em algo. Quase impossível, muito, muito
- 6:46distante. É desanimador, né?
- 6:48Demais. E é importante questionar a base
- 6:50disso. A regra dos 4% já tem uma margem
- 6:53de segurança grande embutida ali para aguentar crises históricas.
- 6:58Reduzir para 3% 2 e meio sem uma análise mais profunda que
- 7:03justifique isso. Para o seu caso específico, sei
- 7:06lá, pode ser um tiro no pé. Faz todo o sentido.
- 7:09Tem que entender a lógica da regra antes de jogar ela fora só
- 7:12por medo. Né, exato.
- 7:13E tem mais uma camada de conservadorismo que é muito
- 7:16forte aqui no Brasil, que a análise também traz ignorar
- 7:19completamente a previdência pública OINSS.
- 7:22Ah, sim, essa é batata. Muita gente que planeja fire,
- 7:25talvez por não confiar no sistema ou por querer ser 100%
- 7:28autossuficiente, simplesmente bota zero ali na linha do INSS,
- 7:32na planilha. Sim, não conto com isso, é?
- 7:36E aqui que fica interessante analisar as nuances, né?
- 7:39Olha, é uma simplificação comum, mas que pra maioria dos
- 7:43brasileiros que contribuíram, não é o cenário mais provável.
- 7:46Sabe o material que a gente tá usando?
- 7:48Traz um dado importante, mais de 70% dos aposentados no Brasil
- 7:53dependem do INSS como única renda.
- 7:56Nossa, 70% é muita gente. Muita gente mostra o peso social
- 8:01do sistema. Extinguir ele completamente é
- 8:04bem complicado politicamente. Reforma, sim, sempre podem vir,
- 8:08mas sumir? Difícil.
- 8:11Tá, mas mesmo assim, qual o problema de ignorar OINSS nos
- 8:14cálculos para ser mais conservador?
- 8:16Não é só mais segurança. O problema é o mesmo das outras
- 8:19camadas, você acaba superestimando o quanto precisa
- 8:22juntar por conta própria. Ah, entendi.
- 8:25Se a pessoa tem direito a um benefício futuro do INSS, mesmo
- 8:29que seja um salário mínimo, 2. Essa renda vitalícia vai
- 8:33diminuir o quanto ela precisa tirar dos investimentos todo
- 8:36ano, principalmente depois que chegar na idade de aposentar
- 8:40pelo governo, né? Ignorar isso significa calcular
- 8:45o número fire maior do que o necessário pra cobrir o que o
- 8:48INSS não vai cobrir. Entendi então o ideal seria
- 8:52incluir uma estimativa do INSS no plano, mas como fazer isso
- 8:56sem ser otimista demais? A forma mais prática é usar o
- 9:00que está disponível. O portal meu INSS, do governo,
- 9:04tem lá o histórico de contribuições e o mais
- 9:07importante, um simulador de aposentadoria.
- 9:10Ah, o simulador, já ouviu falar? Ele dá uma projeção do valor e
- 9:14da data provável baseado nas regras de hoje e no que você já
- 9:17contribuiu. Mesmo quem é cético pode pegar
- 9:20essa projeção e aplicar um desconto, sei lá, considerar só
- 9:2370%, 80% do valor. Um fator de cagaço, digamos
- 9:27assim. Exato.
- 9:30Um fator de realismo pessimista? Talvez.
- 9:33Mas incluir algo é mais realista do que zerar?
- 9:36Totalmente. Mas e quando?
- 9:38O que faz sentido ignorar o INSS mesmo?
- 9:40O material fala de exceções. Fala assim e é bom saber quais
- 9:44são. O primeiro caso é meio óbvio.
- 9:47Quem não tem e nem planeja ter o tempo mínimo de contribuição
- 9:50exigido? Que hoje é quanto?
- 9:52Depende da regra, mas para aposentadoria por idade pós
- 9:55reforma, geralmente 15 anos para mulheres, 20 para homens, sem o
- 9:59mínimo não tem benefício contributivo.
- 10:02Teria o BPC loas? Talvez.
- 10:04Mas aí é outra coisa, né? É assistencial, não
- 10:07aposentadoria. Certo, sem contribuição mínima,
- 10:10sem benefício. Qual outra sessão?
- 10:11Outra é quem planeja morar fora permanentemente, num país que
- 10:15não tem acordo previdenciário com o Brasil e não vai mais
- 10:19contribuir aqui. Ah, ok, faz sentido.
- 10:22E, por último, para quem tem um patrimônio e uma renda projetada
- 10:26gigantesco, sabe onde o valor do INSS seria tipo?
- 10:31Irrisório perto do resto, aí, talvez simplifique ignorar.
- 10:36Entendi casos bem específicos mesmo.
- 10:39Exato, tirando essas situações, considerar OINSS, mesmo com
- 10:44descontinho conservador, geralmente deixa o plano mais pé
- 10:47no chão pra maioria dos brasileiros que contribuíram.
- 10:51Isso puxa uma outra questão, né? Qual que outras Fontes futuras
- 10:55de renda ou segurança a gente pode estar ignorando por
- 10:57pessimismo demais? Pensão, aluguel.
- 11:01Até um bico por prazer na aposentadoria.
- 11:03E isso? Tudo leva a gente pra conclusão
- 11:10principal dessa análise. Vou até usar a frase exata que o
- 11:13material sugere pra resumir, ser conservador é saudável, mas
- 11:18empilhar camadas de conservadorismo pode transformar
- 11:21um plano viável em algo inalcançável.
- 11:24O resultado? Anos extras de trabalho que
- 11:27talvez não fossem necessários. Perfeito e é isso, sabe?
- 11:30Não é para sempre o dente largar mão no planejamento.
- 11:34O caminho fire exige cuidado, sim, exige margem de segurança.
- 11:39O alerta é contra o excesso, contra deixar o medo sem medida,
- 11:43ditar regras que implantanto a meta que desmotiva ou até
- 11:47inviabiliza o projeto é evitar se sabotar por excesso e dizê lo
- 11:52tem que achar um equilíbrio entre a segurança e a vida que
- 11:55se quer viver logo. Né?
- 11:57O risco não é só faltar dinheiro, é também desperdiçar
- 12:00anos de Liberdade atrás de uma meta inflada.
- 12:03Isso. Então, como achar esse
- 12:06equilíbrio na prática? O material dá umas dicas para
- 12:09não cair nessa armadilha. A primeira, que parece a base de
- 12:13tudo, usar números reais dos gastos atuais, ajustados pela
- 12:18inflação. Claro, mas sim, chute Exagerado
- 12:21para cima, só para garantir. Começar com dados concretos do
- 12:25próprio padrão de vida. Essencial a segunda dica é
- 12:29escolher uma taxa de retirada ATSR que seja fundamentada.
- 12:35Entender de onde veio, tipo trinity study, adaptar para cair
- 12:38pro seu perfil de risco, mas evitar cortar taxa drasticamente
- 12:42só por medo genérico, sem uma análise que justifique.
- 12:45Entendi. Não reduzir de 4% para 3%,
- 12:49porque sim. Exato.
- 12:50E a terceira dica reforça o que a gente falou do INSS, incluir
- 12:54Fontes de renda futuras que são razoavelmente garantidas.
- 12:57INSS para quem tem direito, pensão, aluguel de imóvel
- 13:01quitado. Isso incluir de forma realista
- 13:04pode até aplicar um desconto conservador nelas, mas
- 13:08considerar é quase sempre melhor do que ignorar.
- 13:11Boas dicas práticas. Ajudam a ancorar o plano na
- 13:14realidade, né? E pra deixar uma provocação
- 13:18final aqui, uma reflexão. A gente falou de conservadorismo
- 13:23nas despesas na tsr, no INSS, mas onde mais ele pode estar
- 13:28escondido no plano fire? Hum, boa pergunta.
- 13:31Será que as projeções de retorno dos investimentos num tão
- 13:35pessimistas demais, ignorando o potencial de longo prazo, pra
- 13:39ter uma segurança meio ilusória no curto prazo?
- 13:43Ou talvez os planos pra imprevistos?
- 13:45Estão superdimensionados que engessam tudo.
- 13:48Exatamente. Ou a dificuldade em ajustar o
- 13:51plano quando a vida muda ou não considerar um trabalho de meio
- 13:55período por prazer. Fica essa pergunta no ar, né?
- 13:58Onde mais essa armadura de proteção pode estar pesando
- 14:02demais e atrapalhando? Ótima provocação.
- 14:05É para cada um olhar para o próprio plano com esse olhar
- 14:08crítico, né? Onde a busca por segurança vira
- 14:12obstáculo? Precisamente.
- 14:14A reflexão é essa, as premissas são realistas ou são guiadas
- 14:18mais pelo medo? Fica o convite para essa
- 14:20autoanálise. Excelente forma de fechar nossa
- 14:23análise de hoje. Achar esse equilíbrio fino entre
- 14:26prudência e pragmatismo parece ser a chave para um plano fire
- 14:30que funcione, que seja realista e alcançável, sem jogar fora
- 14:35anos de vida à toa.