Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões #18 - Kiusam Oliveira | Educação Antirracista, Arte e a Força da Ancestralidade
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- 0:05Olá pessoal, bem-vindo a mais esse episódio do ABC cast
- 0:07conexões. É um prazer recebê lo recebê la
- 0:10mais uma vez aqui conosco. E como acontece todas as
- 0:14semanas, esta é mais uma vez que nós nos reunimos para contar
- 0:17histórias, falar sobre assuntos importantes que vão afetar de
- 0:21alguma forma a sua vida. Então vem com vem com a gente,
- 0:24porque a conversa hoje vai render bastante.
- 0:27Como já é costume todas as semanas eu tenho um jornalista
- 0:30convidado que me ajuda nessa tarefa de poder entrevistar.
- 0:34Então hoje eu tô com 2 pessoas de peso aqui, 2 pessoas enormes.
- 0:38Eu me sinto até pequeno do lado dessas 2 pessoas.
- 0:40Então vou apresentar já a nossa jornalista Mariana França.
- 0:44Muito obrigado por estar aqui conosco.
- 0:46É um prazer poder recebê la aqui.
- 0:48Obrigada Tiago pelo convite, vai ser incrível e eu estou
- 0:51empolgada. Muito bem.
- 0:52A Mariana é uma grande jornalista, a gente já se cruzou
- 0:56no mercado de trabalho, é algumas vezes e ela é sempre um
- 1:01grande exemplo para mim, né? Então foi uma honra poder tê la
- 1:04conosco EE Por Ela ter aceito esse convite.
- 1:07E do lado de cada mesa nós temos aqui o San Oliveira e o San,
- 1:11muito obrigado. Seja muito bem-vinda.
- 1:14É, é difícil até listar todas as coisas que a que o Sam é, né?
- 1:19Ou representa, porque ela é muita coisa.
- 1:21Então ela é pedagoga, ela é escritora, ela é dançarina, ela
- 1:27tem tudo um pouco, ela é influenciadora, eu estava, se
- 1:30vocês depois vocês devem acessar aí as redes sociais da que o
- 1:32Sam, ela dá dicas, ela fala, ela, enfim, palestrante, ela tem
- 1:37muita coisa, vamos descobrir um pouquinho sobre o que é esse
- 1:41muito então que o Sam bem-vinda. É, e eu espero que a nossa
- 1:44conversa seja muito boa. Com certeza, eu também.
- 1:47Com certeza. Será uma satisfação ter recebido
- 1:50esse convite, seu Thiago, e um prazer estar aqui com vocês
- 1:54muito bem. Bora.
- 1:56Vamos lá. É é que o San é como eu falei,
- 1:58você representa várias coisas, né?
- 2:00Só que só pra gente poder quebrar o gelo aqui.
- 2:02EE começar a nossa conversa, me diz o seguinte, quando você
- 2:05acorda de manhã, qual dessas? Personagens, acorda primeiro,
- 2:10você acorda como a escritora, você acorda com uma professora,
- 2:13você acorda como, como o que? Eu acordo como uma filha
- 2:17cuidando de um pai no processo de Alzheimer.
- 2:20Então é 4 horas da manhã, 3 horas da manhã, esse é o tem
- 2:25sida abatida há 3 anos e é isso porque eu sempre dormi pouco.
- 2:31As pessoas falam assim que o quando que você consegue fazer?
- 2:34Tal coisa fala na madrugada. Então é isso mesmo?
- 2:37Então, para mim, o dia amanhece cedo e começo na lida cedo e
- 2:43começo como filha, preparando café, organizando todos os
- 2:46remedinhos dele, meu café da manhã, enfim, 9 horas eu já
- 2:50estou tomando o segundo café. É, é sobre isso.
- 2:56Muito bem, e. Escrevo ao mesmo tempo e danço e
- 2:59faço roteiro, tudo ao mesmo tempo.
- 3:02Não é, tem que ter uma vida dinâmica.
- 3:03Né, tudo acontece, é? Agora, a falando na sua vida,
- 3:07foram quase 40 anos de pedagogia.
- 3:10É você aqui do ABC, né? Nascido e criado em Santo André
- 3:13nascido e criado em no parque das nações.
- 3:16Muito bem. Então eu fico me me me
- 3:19perguntando assim, é, como foi esse?
- 3:21Como surgiu talvez esse chamado a pedagogia?
- 3:25E eu já vou emendar uma segunda pergunta, e daí, você pode
- 3:28contar essa história com mais detalhes, né?
- 3:30É como surgiu o chamado a pedagogia e como você pensou em
- 3:34inserir o conteúdo antirracista dentro da sala de aula?
- 3:38O chamado a pedagogia surgiu pelo ódio, pelo ódio, por conta
- 3:44de tantos profissionais racistas pelos quais eu passei aqui em
- 3:48Santo André. Eu sou do parque.
- 3:50Então eu começo numa numa escola de freiras, pertinho de casa,
- 3:54chamado escolas particulares São Francisco.
- 3:57E ali eu conheci o racismo com 6 anos de idade, quando eu, minha
- 4:02mãe me tirou daquela escola, me colocou na pública estadual,
- 4:06professor iná de Mello e ali estudei até a minha oitava
- 4:10série, indo para o colégio é já é magistério de segundo grau.
- 4:16Então eu não faço a pedagogia, eu faço antes o magistério de
- 4:19segundo grau, que era o profissionalizante na época,
- 4:22década de 80. E aí eu entro com 14 anos para
- 4:26fazer Oo magistério de segundo grau.
- 4:28Saio com 18, mas com 15 eu já estava em sala de aula numa
- 4:32escola chamada pitu Pituca, no bairro do cruçá, uma escolinha.
- 4:37E ali eu começo, enfim, é toda essa atuação.
- 4:40Mas foi pelo ódio, porque eu dizia pequena, eu já dizia 89
- 4:44anos, eu vou ser professor. Professora, pra esfregar na cara
- 4:47deles que é possível ser um professor, uma professora
- 4:51melhor. E só que quando eu me formei, eu
- 4:56eu acabei a oitava série. Eu queria, porque sempre foi um
- 5:00desejo ser médica. E quando eu termino e falo, mãe,
- 5:04eu preciso fazer Oo ensino médio, eu até esqueci o nome que
- 5:09a gente falava naquela época, que IA fazer as disciplinas e
- 5:13tal pra prestar um vestibular e não profissionalizar.
- 5:16Minha mãe falou assim, nós somos pobres e agora você precisa
- 5:20escolher algo que você trabalhe e já ganhe dinheiro, porque a
- 5:23gente precisa desse dinheiro em casa.
- 5:25Aí nessa eu levo o impacto e aí eu retomei AA questão.
- 5:33Na base do ódio eu sempre falei que eu IA ser professora para
- 5:36esfregar na cara deles. Eu vou fazer o magistério de
- 5:39segundo grau, fiz o magistério de segundo grau e a sorte que no
- 5:44segundo ano do magistério, que foi o primeiro ano de estágio,
- 5:48eu descobri que era o que eu gostava mesmo de fazer e me
- 5:53apaixonei. Mas eu digo que eu começo pelo
- 5:55ódio e pela vingança e aí eu me encontro nesse local.
- 6:00E em relação? É AAA luta.
- 6:02A educação anti racista veio com a militância tão com 14 para 15
- 6:07anos. Minha mãe me leva para OMNU
- 6:09porque eu tava tão destruída pelo racismo, tão destruída que
- 6:12um dia com 12 anos, um professor, eu levantei a mão
- 6:16para fazer a pergunta para esse professor André Nina de Melo.
- 6:20E aí ele, ele porque eu queria me aparecer, porque eu era pobre
- 6:25demais e pela primeira vez eu tinha.
- 6:30Ganhado da minha mãe, o estojinho de canetinha Silva
- 6:33pen, de 6 unidades, enquanto existia de 36.
- 6:38Ganho de 6. Só que eu não não tinha aquele
- 6:41entrosamento de sala de aula por conta do racismo, a maioria
- 6:44branca. Eu era o único corpo negro na
- 6:45sala. E aí eu levantei a mão, criei
- 6:50coragem, não fazia isso, mas eu queria me aparecer.
- 6:54E aí o professor me deixou lá, com a mão levantada por um
- 6:58tempo. De repente ele fala, diga aí que
- 7:00o que que você quer? Aí eu disse assim, eu quero
- 7:04saber, professor, se a gente pode contornar essa tarefa que
- 7:08era o mapa, se a gente pode contornar o mapa do Brasil com a
- 7:13canetinha Silva pen. Toda assim, fazendo aquele
- 7:18mistério e enrolando a cabeça e olhando para os lados assim de
- 7:21soslaio. E aí ele disse assim que o Sam
- 7:25eu não deveria nem responder essa pergunta, mas eu vou
- 7:28responder, você é preta, é feia, não vai passar de uma empregada
- 7:35doméstica? Então, se você quiser.
- 7:39Minha esposa está grávida de gêmeos.
- 7:41A gente vai precisar de uma pessoa para cuidar dos bebês.
- 7:44Se você quiser, vai lá trabalhar com a gente que a gente está
- 7:47precisando de uma empregada. Aí foi o momento que eu sofri a
- 7:53minha segunda rutura psíquica por conta do racismo.
- 7:58Eu saí correndo, fugindo da escola, e o professor e a
- 8:02diretora correndo atrás de mim. Na rua Austrália, eu cruza o
- 8:06Oratório, pego a Avenida Brasil, onde morava, e chego correndo
- 8:10enquanto minha mãe lavando roupa no tanque.
- 8:12Mãe, mãe, eles estão vindo atrás de mim.
- 8:14Mãe, eles foram racistas comigo. Eu fugi da escola, eu fugi, mãe,
- 8:18Ah, espera aí. Pegou a vassoura, aquelas
- 8:22vassoura de terreirão e deixou assim do lado do tanque.
- 8:27De repente, a mãe só faz assim. Eram eles catou aquela vassoura
- 8:36saiu quando ela ganha o portão que ela abre o portão ela deu,
- 8:40mas deu nos 2, mas deu nos 2 com a vassoura, deu e eles gritando
- 8:44e tentando se proteger. E ela, eu avisei que minha filha
- 8:48estava sofrendo racismo. Quem de vocês está cuidando
- 8:51dela? Quem enfim teve a treta no
- 8:54portão? Acabou a treta, entramos, a mãe
- 8:57volta a lavar roupa no tanque. Eu sentei entre as bacias, eu já
- 9:02era na época, eu já era da umbanda, então a mãe estava
- 9:05cuidando das minhas roupas brancas nas bacias.
- 9:09E aí o Sol batendo aquele reflexo, aquela luz linda, e eu
- 9:13viro e falo assim, mãe, me coloca nessa bacia com água de
- 9:17lavadeira para ver se eu fico mais Clarinha.
- 9:20E foi a primeira vez que eu vi minha mãe chorar.
- 9:23E quando ela chorou muito, rapidamente ela limpou os olhos
- 9:26e falou assim. A mãe não está conseguindo dar
- 9:29conta da sua educação sozinha. A mãe precisa de ajuda e
- 9:34continuou a esfregar a roupa e nisso ajuda.
- 9:37Veio 22 anos e meio depois que ela falou, se troca, se arruma,
- 9:41nós vamos sair aqui de Santo André para São Bernardo do
- 9:44Campo, vamos pegar 2 ônibus, a mãe vai 2 sábados com você e
- 9:47você vai aprender aí sozinha, depois para onde você vai ver?
- 9:51E quando a gente chega, desce do ponto, anda 15 minutos a pé,
- 9:55chega na casa. Ela olhou o endereço e falou, é
- 9:57aqui, aí tinha uma. Baixinha, escrita mão um tinta,
- 10:00mão assim MNU, movimento negro unificado que eu tô até hoje e
- 10:05na luta anti racista, então. Portanto, a minha entrada no MNU
- 10:10antecede a minha chegada no magistério de segundo grau com
- 10:1414 anos, 15 anos. Então, quando eu assumo a sala
- 10:17de aula com 15 anos, eu já assumo na perspectiva anti
- 10:20racista, porque imagina? AA gente tem como fundadores do
- 10:26emenil várias pessoas. Vários estão vivos ainda e em
- 10:29São Paulo, mas também fundaram o emenil, a lélia González e o
- 10:34Abdias nascimento. A lelia noemenil era a única que
- 10:37sabia francês. Ela traduzia os textos dos
- 10:40intelectuais africanos datilografava traduzido e
- 10:46entregava no gts. Eu era do GT Balogun, coordenado
- 10:49por adoma eiri ilma. Aqui em São Bernardo do Campo,
- 10:52junto com o keto, com o nerê, com a cama, nosso grupo tá aí.
- 10:56Estamos no MNUE, continuamos combatendo o racismo no país.
- 11:01EE nesse sentido, com esse conhecimento de um texto que
- 11:06você pega de check antagiop e fala que a Africa é o berço da
- 11:10humanidade, fala sobre a mãe e a Eva negra.
- 11:14Se você pegar isso com 14, com 15 anos, você assumindo uma
- 11:18sala, você. Começa a ver um.
- 11:19Outro Ah, o outro mundo eu estava fortalecido.
- 11:22Estava sendo apagado por tantas. Gerações?
- 11:24Exatamente. E a minha identidade enquanto
- 11:27menina negra, que tinha sido totalmente apagada.
- 11:31E aí eu renasço juntamente com tudo isso, né?
- 11:35E aí isso é é todo 111, várias informações juntas, porque ainda
- 11:41eu fiquei na umbanda. Dos meus 6 aos meus 28 anos.
- 11:47Porém, quando eu chego na MNU, eu conheço o candomblé a partir
- 11:52das mitologias que os coordenadores do grupo
- 11:55adomairilma contavam os mitos, as histórias, para dizer, nossa,
- 12:00como você parece o Oxum, Oxum, mas Oxum, na banda, é branca.
- 12:06Iemanjá é branca? Não.
- 12:09Aí vão me apresentando outro mundo que vai povoando o meu
- 12:12imaginário. E era 111 gorda.
- 12:17Era uma chutetuda peituda, bunduda, com cintura ali com
- 12:23carne, que tinha lábios Grossos e que dançava.
- 12:28Gente, eu também danço, gente, o cabelo dele é crespo igual o
- 12:32meu. Usava black Power.
- 12:34Gente, é identificação. Né, a identificação?
- 12:37E isso foi promovendo o renascimento.
- 12:40Só que aqui em Santo André, OAO candomblé.
- 12:43Tinha um terreiro de candomblé perto da minha casa, de um amigo
- 12:46do meu pai e que todo mundo sempre dizia, não candomblé,
- 12:50coisa do diabo dá medo. Candomblé dá medo, não vai?
- 12:56E aí só com de 28 anos que eu vou para a história do
- 13:01candomblé. Vou entender o que que é isso?
- 13:03E ir lá me descubro a rainha, então, é um negócio impactante.
- 13:08Então foi assim, educação é ó, educação.
- 13:14A religiosidade de matriz africana é a dança e a
- 13:20literatura tudo junto. É porque eu fazer afrocentrado
- 13:26não, não separa a gente gavetinhas e caixinhas.
- 13:30Como é que você acorda? Eu acordo filha primordialmente
- 13:33eu sou 11 mulher, filha de um homem que está vivo ainda, né?
- 13:39Então e que precisa de mim. Então, fundamentalmente eu
- 13:42acordo mulher, fundamentalmente eu acordo com as minhas
- 13:46questões, enfim, enquanto filha. Porque a necessidade me coloca
- 13:51nesse lugar e depois, durante o dia, tudo isso vai sendo
- 13:55mesclado e vai sendo transformado.
- 13:57Então não tem a separação, é uma coisa muito junta.
- 14:02Você você tem um discurso assim muito forte, acho que também
- 14:07muito específico dessa luta anti racista e vou, eu vou fazer
- 14:11assim 11 comentário sobre a minha posição, né?
- 14:15É, eu reconheço que em muitos lugares eu tenho uma posição
- 14:19privilegiada, porque eu não, não sofro o que você sofre, né?
- 14:24E isso me permitiu, talvez é tentar estender a mão pra irmãos
- 14:29e irmãs. É de outra cor.
- 14:32É que eu vejo que outras pessoas não não estendem essa mão.
- 14:36Só que, ainda assim, por conta desse racismo estrutural que nós
- 14:40vivemos, eu me vejo em situações em que eu eu sou racista.
- 14:44Em várias, mesmo sem querer ser racista, conta dessa estrutura.
- 14:48Vou dar um exemplo aqui, eu convidei a Mariana para estar
- 14:51aqui com a gente hoje, né? Não porque ela é uma mulher
- 14:54negra, mas porque ela é uma grande jornalista, né?
- 14:57Só que a hora de fazer o convite para ela dá a impressão de que
- 15:02é, eu só só estou a convidando porque eu vou ter uma convidada
- 15:05negra e eu queria uma mulher negra também para ter esse
- 15:07diálogo e de fato, isso é isso é fundamental, essa essa conexão
- 15:11é, é importante. Só que como é difícil eu
- 15:14enxergar isso aí, eu estava conversando com a minha mulher,
- 15:16que ela é 11, geógrafa assim também, militante também Na Na,
- 15:21no empenho. E ela falou, você tem que deixar
- 15:23isso muito claro para sua amiga que você está convidando de que
- 15:26ela é AO grande. A qualidade dela não é só a cor
- 15:30da pele, é muito, vai muito além disso.
- 15:32Só que como é difícil a gente entender essa realidade.
- 15:38Então, como a gente chegou nisso, né?
- 15:39Até se quiser fazer qualquer pergunta, Maria fica à vontade.
- 15:42Mas eu fico me perguntando como a gente chegou numa sociedade em
- 15:45que se torna difícil algo que tinha que ser básico, né?
- 15:49De tratar com as pessoas pelo que elas são e não por conta de
- 15:53um selo. De cor de pele, né?
- 15:56Chegamos com a evasão dos portugueses brancos aqui no
- 15:59Brasil, né? Exatamente na verdade, eu acho
- 16:03que assim, essa questão é do convite.
- 16:05Primeiro, obrigado. Novamente, tem a questão de como
- 16:09a gente aceita esse convite, né? No No momento em que você me
- 16:12fez, é já conheci um pouco dela. Na verdade, a minha irmã tinha
- 16:16indicado, porque ela te segue e tudo mais.
- 16:19EE eu peguei e falei, nossa, vai ser uma oportunidade incrível,
- 16:24porque eu me identifico com a pauta também.
- 16:26É, mas é muito complicado eu, eu nessa posição que eu estou de
- 16:31entender como é para você também, porque a gente recebe
- 16:35esse convite. No primeiro momento foi o que
- 16:37você falou, pode estar vindo por conta de eu ser uma mulher
- 16:40negra. E você vai entrevistar uma
- 16:42mulher negra e isso põe. No mesmo patamar.
- 16:45Mas será que é só por esse motivo?
- 16:47Será que realmente tem aquela questão de que eu sou
- 16:49qualificado o suficiente para estar ali naquela posição,
- 16:52sabendo que eu sou? Mas a gente sempre no início da
- 16:56nossa carreira, a gente sempre se põe no patamar de será que eu
- 16:59estou sendo boa o suficiente? Será que é porque uma questão de
- 17:02cota? Ou será que realmente é porque
- 17:04eu sou boa? E aí entrando um pouco no que
- 17:07aqui o Sam falou sobre educação, até hoje a gente tem essa
- 17:10questão de professores que não sabem lidar com os alunos.
- 17:13Teve uma pesquisa feita pela fundação Itaú no ano passado,
- 17:17que mostra que 21% dos professores que presenciaram
- 17:21situações de racismo não sabem como lidar.
- 17:24E eu tive professoras, eu acho, desde a minha quarta série, que
- 17:28foi a primeira lembrança que eu me lembro de professoras negras
- 17:31que me acolheram. Eu acho que eu era muito mais
- 17:33acolhida por professoras negras do que por professores de outras
- 17:36etnias. E eu senti muito a diferença
- 17:39disso. Eu senti o quanto era é
- 17:42importante para mim estar naquele ambiente com professores
- 17:45que eu me identificava. Só que quando eu estava em em
- 17:48ambientes com professores que não sabiam o mínimo de o que era
- 17:51minha história, de onde eu vinho.
- 17:53E as minhas dores por ser preta era muito mais complicado.
- 17:56Já teve professor de virar pra minha mãe e falar, eu vou te
- 17:59denunciar pro conselho do tatelar, porque eu tinha
- 18:01enxaqueca na escola e ela não era uma professora negra, era
- 18:05uma professora branca, é padrão e tudo mais.
- 18:08E que ela chegava e falou isso pra minha mãe.
- 18:10Minha mãe ficou totalmente desesperada, eu pegava 2 ônibus
- 18:13pra ir pra escola e a minha mãe ficou, mas ela não sabe o que
- 18:16você passa, ela não sabe, a gente não tem controle da sua
- 18:19enxaqueca, então como ela vai me denunciar?
- 18:21E aí se fosse talvez 11, menina de outra etnia e tudo mais.
- 18:26Com, com, com. Na verdade, com estrutura, minha
- 18:33mãe não teria sentido esse medo, mas a minha mãe sentiu e sabia
- 18:36que era muito diferente. Então, a questão da educação a
- 18:40gente já cresce sabendo que a gente vai sofrer outros
- 18:43desafios, coisas que outras pessoas não vão saber.
- 18:46Então é. É uma pauta difícil de lidar
- 18:48hoje, agora que o Sam você na própria?
- 18:51Magistratura? Você não, não.
- 18:54Não influenciou apenas dentro da sala de aula, né?
- 18:57Porque a gente fez o nosso lição de casa, sempre falo isso, a
- 18:59gente faz a lição de casa sobre o nosso convidado.
- 19:02E eu lembro de 11 projeto de lei em Diadema, que foi muita
- 19:06influência sua, que ajudou a formar melhor.
- 19:10AO conteúdo dentro da sala de aula, né?
- 19:12Você pode falar um pouquinho sobre isso?
- 19:13Com certeza. Eu fui gestora municipal.
- 19:15Eu entro em Diadema em 2004, a partir do concurso público, na
- 19:19área de deficiência intelectual, educação especial, que é uma
- 19:22outra área minha de trabalho, e em Diadema eu atuei 16 anos.
- 19:27É com no cais, centro de atenção e inclusão social, que é uma
- 19:32área também que eu não abro mão, que que enfim, de uma vida
- 19:36também. E ali, quando descobriram que eu
- 19:39estava ali em 2005. Me puxaram para gestão EE, eu
- 19:45era chefe da educação especial, fui chefe da educação especial
- 19:48do município de 2005 a 2008 e fui chefe da implementação da
- 19:5310639 de 2003 no município até 2016, então.
- 20:00É, são inúmeros casos e inúmeras situações.
- 20:03E foi um trabalho, um processo maravilhoso, porque a lei que o
- 20:08município de Diadema já tinha de obrigatoriedade do trabalho na
- 20:13perspectiva anti racista na educação é, ela vem da década de
- 20:1890, então ela antecede a lei, então já tinha professores com
- 20:23uma atuação. Legal em relação a.
- 20:26Isso já tinha. Terreno é, né?
- 20:29Por uma parte. Mas quando chega a
- 20:32obrigatoriedade, aí a gente viu que não era tão bom assim.
- 20:38Aí a resistência ela surgiu e de uma forma imperiosa, porém, é eu
- 20:44digo o seguinte, é a experiência, ela, ela, ela, ela.
- 20:50Faz boa parte do trabalho pra gente também, né?
- 20:53Então eu tinha experiência e eu nunca vou sozinha, eu vou sempre
- 20:56com OMNU porque eu sou MNU, então qualquer cargo de poder
- 21:01que eu esteja, eu estou com os meus pares, eu vou consultá Los,
- 21:06eu vou conversar com eles, eu vou trazê Los pra perto, é de
- 21:10mim. Então isso é uma coisa que a
- 21:12militância nos ensina, né? A gente sabe que a gente não tá
- 21:15sozinha, eu não sou aqui. O Sam, chefe de da, da, da
- 21:18implementação da lei no município.
- 21:20Sozinha, por trás de mim tem uma rede, um coletivo extremamente
- 21:25forte e poderoso, né? Então isso também faz diferença,
- 21:29porque você pode contar com vários formadores chegando
- 21:32também ali do entorno, com perspectivas diferentes, idades
- 21:36diferentes. EE, níveis de conhecimentos
- 21:40diferentes em termos dessa questão racial, enfim.
- 21:44Então eu acho que foi o sucesso do do projeto, foi exatamente
- 21:48esse. Mas tem um gancho que para mim é
- 21:51primordial. Eu sou uma artista e sempre fui.
- 21:54Eu tava. Eu comecei na dança aqui em
- 21:56Santo André, eu tinha 5 anos de idade, então eu sou uma
- 21:59bailarina formada, estudei 18 anos de ballet, fui para fora,
- 22:03enfim, fiz um primeiro paded, 2 jovens negros de 15 anos.
- 22:08A gente tinha o primeiro padd de bailarinos negros aqui do nosso
- 22:12território, então assim, na década de 80, então é.
- 22:17Eu venho com um olhar artístico muito forte.
- 22:20É na educação. Tem mania de dizer que a cultura
- 22:24é a prima pobre e a educação é prima rica.
- 22:26Então tudo para acontecer na cultura precisa ter parceria da
- 22:29educação, senão não tem dinheiro.
- 22:31E a educação tem uma arrogância de achar que cultura.
- 22:36Não tem que caminhar com a educação.
- 22:39E todo o sucesso que eu tive na área pedagógica.
- 22:44Eu sempre caminhei cultura com educação.
- 22:46Eu sou uma capoeirista aqui de Santo André, formada pelo mestre
- 22:49Andrade, que ficava a associação na padaria leão, em cima da
- 22:54padaria leão, aqui Na Na no bairro Casa Branca e.
- 23:01E eu IA para as escolas lecionar, eu levava a Bandeira e
- 23:05levava berimbau. Então hoje eu tenho alunos que
- 23:08tem 40 anos e que bate na casa do meu pai pra saber se é que o
- 23:11San ainda mora aqui. E professora, a senhora não tá
- 23:15se lembrando de mim, pera que eu vou olhar o olho, pera,
- 23:20normalmente eu lembro e aí fala assim pro tô com 40, olha o meu
- 23:24filho 18 também é capoeirista, lembra que a senhora IA?
- 23:29Com berimbau, então é sobre isso, né?
- 23:32A arte ela ensina a gente não da cabeça do cérebro para cá, ela
- 23:39ensina daqui. E quando a gente se sente
- 23:41arrebatada pela emoção, aqui funciona de uma forma diferente.
- 23:47Essa é uma estratégia minha, né? EE, uma forma de usar que é é
- 23:53esse campo da da da emoção. O que é algo extremamente
- 23:58afrocentrado, né? De forma europeizada, privilegia
- 24:03o cérebro, o pensar, o seu corpo.
- 24:06Tem que estar sentado ouvindo o professor falar 4 horas no seu
- 24:09ouvido e imagina 4 horas. Você não não prende atenção,
- 24:13você dorme, você cochila. Você precisa ter esse essa
- 24:17dinâmica. Outra coisa é você juntar várias
- 24:21linguagens dentro de uma sala de aula, porque o professor, ele já
- 24:25tem que ser artista, por menos que a pessoa se ache.
- 24:28Você lidar com 3040 alunos diferentes e você ter que ter
- 24:34um, você tem que ter 11. Planejamento que é geral, que no
- 24:39dia tal, todo mundo tem que estar na página tal vencida.
- 24:43Como que você vive essa contradição?
- 24:45Você tem 40 estudantes diferentes que você.
- 24:49Precisa entender as particularidades de cada um.
- 24:52Enquanto professora, porém, todo mundo tem que chegar no mesmo
- 24:55tempo. Todas as turmas, as classes que
- 24:59estão ali com aquela idade, tem que chegar ao mesmo tempo, na
- 25:02página tal. Não tem condições, mas como é
- 25:06que a gente dribla isso? Como que a gente é isso, né?
- 25:09A gente tem que ter um jogo de corpo que a capoeira dá para
- 25:13gente, e isso. E eu levo pra sala de aula, né?
- 25:18A gente tem que saber gingar. Então a hora que que estou vendo
- 25:21que os estudantes estão pegando no sono, entra aqui o artista
- 25:26que já está ali no meio. Porque eu sei que enquanto
- 25:29pedagoga, eu preciso caminhar com essa parte artística.
- 25:33Eu vou puxar uma história necessária pra questão que está
- 25:36acontecendo naquela sala de aula.
- 25:39E assim a gente vai. Então pra mim é uma fórmula
- 25:43muito. De sucesso.
- 25:45Então foi esse jeito que eu cheguei em Diadema, né?
- 25:49E com esse jogo de corpo EE, eu acho que foi isso que foi tão,
- 25:53tão incrível, essa minha presença lá nesses anos.
- 25:56Ou seja, é, é a sua trajetória, vai sempre, é sempre com
- 25:59impacto, né? Você.
- 26:01Chega para criar uma cultura no sistema que está acontecendo
- 26:05ali, eu? Comecei só para para uma, o
- 26:07termo de curiosidade que é importante para Santo André, eu
- 26:10comecei a formar professores na perspetiva antirracista.
- 26:15Em 1992, a convite do ex prefeito Celso Daniel, que
- 26:17montou que teve o primeiro concurso público para gente,
- 26:21porque antes era o povo do Brandão.
- 26:23Entrava quem, os amigos, quem dica.
- 26:26Eu falava assim, gente, eu nunca vou ser chamada.
- 26:29Meu pai é pobre. Pai, quem que você tem de
- 26:32influência para me colocar numa escola?
- 26:36Do município não tinha, então era quem indicava entra Celso
- 26:40Daniel entre o primeiro concurso, entre no concurso na
- 26:44rede e aí ele fala que o samba o Celso Daniel conhecia meu pai de
- 26:49criança, que o meu pai era amigo do do pai do Celso Daniel.
- 26:53E aí fala assim, conheço você com a militância, você vai dar o
- 26:56primeiro curso de professoras Na Na perspectiva anti racista.
- 26:59Oi, eu não professora da rede, vai.
- 27:05Quantos inscritos? 2.
- 27:09E todo mundo passava e IA na sala ao lado com João acaiabe,
- 27:14que se tornou artisticamente meu amigo até o momento dele falecer
- 27:18há poucos anos atrás. E o povo passava e falava assim,
- 27:21que eu não vou fazer o seu curso porque eu não sou racista, tá?
- 27:25E todos os professores falam, eu não sou racista, por isso que eu
- 27:28não me inscrevi, tá? Então eu começo com 22
- 27:33professoras no curso em 92 e tô até hoje viajando o Brasil
- 27:40inteiro com essa história de de formação de profissionais da
- 27:43educação na perspectiva anti racista, porque Eu Acredito que
- 27:49com educação a gente. Vai transformar o mundo e vai
- 27:53transformar essa educação. Eu acho que com isso a gente
- 27:56consegue entrar num outro ponto também, que é a parte da
- 27:58literatura, né? Porque a literatura também é
- 28:00educação. Então você, você na sala de
- 28:04aula, você ensina antirracismo nas no seu movimento de corpo,
- 28:09na dança, você ensina um antirras, porque você conecta.
- 28:12Com a. Ancestralidade e tudo mais, né?
- 28:14E como que funciona AA que o San no meio da literatura?
- 28:19É. Na Avenida Brasil, onde a gente
- 28:22morava, tinha uma escolinha chamada pitu Pituca.
- 28:25Escolinha da Pituca foi meu onde eu trabalhei, escolinha da dona
- 28:29Marta, 2 anos e meio, minha mãe, eu começo a falar coinha,
- 28:33coinha, e aí minha mãe vai lá, sabe as informações e me coloca
- 28:37na coinha da dona Marta. E aí é a dona Marta, fala assim,
- 28:42olha, ela já pode ficar, a senhora vai colocar, já pode
- 28:45ficar, não, não tem dinheiro, é semana que vem eu terei e assim
- 28:49dá tempo de eu preparar minha filha pra vim pra esse.
- 28:51Escola. E aí ela prepara com uma
- 28:54capanguinha de trico e crochê. A mãe fazia trico e crochê para
- 28:57fora e ela prepara uma capanga. Aquele cinturão com bolsos,
- 29:01bloquinho de notas. Lapizinho outro.
- 29:05E ela exigia de mim. Que eu para além do que eu fazia
- 29:09de, de, de de desenho, enfim, trabalhos, atividades na escola,
- 29:13que eu trouxesse algo nos bloquinhos dela.
- 29:16E quando eu chegava com esses bloquinhos que eu estudei lá,
- 29:19dos 2 e meia até os 5 anos e quando eu chegava com os
- 29:22bloquinhos, ela abria. Deixa eu ver, que lição você fez
- 29:26pra mãe? E aí ela perguntava pra mim, né,
- 29:29o que? Que era aquela bolinha?
- 29:31Que que era aquele pauzinho cachorrinho?
- 29:35Xixi. E ela escrevia.
- 29:36Então ela era escriba e minha mãe tinha estudado no carlina
- 29:40capaçapava de Melo. Aqui na no.
- 29:44É como é que chama ali gente perto do teatro conchita de
- 29:49Moraes, ali Santa Terezinha. Né?
- 29:52Tem uma escola até hoje, estadual, mas estudou e saiu
- 29:54pelo racismo violento que ela sofria e preferiu trabalhar como
- 29:58doméstica com 9 anos, junto com a minha avó, que também foi
- 30:01funcionária de de da rhodia, enfim, AA parte de tecelagem
- 30:07aqui de Santo André, aqui perto do do junto que era, né?
- 30:11Enfim, EE aí nesse sentido eu vou.
- 30:16Desenvolvendo toda essa escrita com 4 anos, eu estava
- 30:19alfabetizada, então já escrevia é no pré silábico EE entro
- 30:24rapidamente no silábico com o alfabético com 5 anos de idade,
- 30:28então já tinha os textos, é bonitinhos ali, então a escrita
- 30:33ela vem desde pequena e a necessidade de escrever.
- 30:37Os textos minhas, redações, enfim, a necessidade de publicar
- 30:41isso, de transformar os meus textos em livro, não é porque eu
- 30:44tinha um sonho de ser escritora. Eu tava realizada como
- 30:47professora. A minha questão foi um conflito
- 30:49que teve em sala de aula aqui é eu lecionando aqui em Santo
- 30:53André e com uma turma, enfim, eu tava numa terceira série, e aí
- 30:59uma menina negra, disse minha aluna.
- 31:02Professor, eu vou vender o maior número de cartelas, porque dessa
- 31:05vez eu vou ser a rainha da primavera.
- 31:07E umas meninas brancas começaram a rir dela.
- 31:11A rainha preta não existe. E aquela confusão, aquela treta.
- 31:16E Eu e Ela de negras na sala de aula?
- 31:18O Santo André era bem branca, tá gente?
- 31:20Era bem branca. E aí a gente ali naquela treta,
- 31:25tal de repente, a menina negra começa a chorar, vem na minha
- 31:28frente e ela diz, professora, por que que não existem
- 31:31princesas negras na literatura, nos livros?
- 31:35Eu falei, mas elas existem, a pro conta as histórias, ela
- 31:39falou, a senhora conta, mas elas não estão desenhadas nos livros,
- 31:42e se elas não estão desenhadas nos livros é porque elas não
- 31:46existem. Xeque mate, porque a primeira.
- 31:48Coisa que a gente aprende na pedagogia, no magistério, é que
- 31:52pra criança tudo tem que ser concreto, porque senão não
- 31:54existe, ela não consegue abstrair.
- 31:57E aí eu chego em casa chateadíssima, triste mesmo,
- 32:01chorando, conto pra mãe. A mãe falou, seus textos estão
- 32:04todos aí espalhados, você só escreve, vai jogando seus
- 32:07cadernos, tá aí a mãe que vai juntando tudo, por que que você
- 32:11não junta e manda para as editoras?
- 32:13E isso não aconteceu, porque a gente.
- 32:15Se sabota muito, né? AI, será que eu escrevo bem?
- 32:18Não, Ah não, não escrevo. Imagina editora e 2 anos depois
- 32:23aqui me perturbando na minha cabeça?
- 32:24Eu organizei e mandei separei 10 editoras de literatura infantil
- 32:30no Brasil. E não precisava ter o perfil de
- 32:34ter negros, porque não era, não tinha, não era comum.
- 32:38Então eu separo e mando em 2004 para 10 editoras em 6 meses.
- 32:43Antigamente, eles respondiam com telegramas.
- 32:46Em 6 meses eu recebia todos os telegramas, em 6 meses.
- 32:50Parece que eles calculavam, não. 2005 para 10 editoras, 10 não,
- 32:542006 para 10 editoras, 10 não. 2007 para 10 editoras, 10 não,
- 32:592008 para 10 editoras, 9 não. E a maza fala lá de BH, kil, de
- 33:05onde veio que o Sandy vê esses esses trechos que você coloca?
- 33:09Tem mais. Falei, tem, você não quer vir
- 33:12para BH semana que vem e tal arranjei substituta para minha
- 33:16sala de aula, fui correndo para lá.
- 33:20E saí de lá com o contrato assinado e chego meu primeiro
- 33:24livro em 2009, que é o womoba história de princesas e que
- 33:28ganhou 3 prêmios nacional, prêmio Internacional.
- 33:31E começa aí a sequência de livros altamente premiados.
- 33:35Enfim, porque esse foi esse foi muito especial, porque ele
- 33:40ganhou o prêmio por todos os lados.
- 33:42Pela talvez pela novidade que ele trazia.
- 33:46Eram princesas africanas, mitos recontos de mitos africanos com
- 33:50com princesas negras africanas e livros de um livro de reconto
- 33:56com 6 mitos que fortalecia as identidades das meninas.
- 34:00Porque a minha grande questão era, essa princesa branca
- 34:03existia? Pretas não, né?
- 34:05Sim. Mas não é difícil para você
- 34:06trazer personagens. Das grandes princesas, rainhas
- 34:11negras que são ligadas a uma mitologia de de matriz africana
- 34:16em um mundo em que isso é demonizado.
- 34:18Sim, tanto que o meu livro mobar, que é de 2002 1009, em
- 34:232018 foi cancelada no Rio de Janeiro.
- 34:26Passou por um processo tão seletivo pelos pelo sesi do Rio
- 34:34de Janeiro que foi assim uma etapa de 1 ano.
- 34:38Para que os profissionais escolhessem qual livro seria o
- 34:41paradidático da rede sesi e foi escolhido o almobar.
- 34:46E aí chega quando encaminho para compra, para os pais comprarem,
- 34:52os pais evangélicos começam com as histórias.
- 34:55Meu filho não vai ler isso e começa um grande movimento.
- 34:59E o jornal o dia de lá foi uma coisa incrível, porque o
- 35:03jornalista ligava só que tava na época.
- 35:06De de um grande evento, até esqueci o nome, evento fórum
- 35:10social mundial que tava acontecendo na ufba um dia antes
- 35:14do assassinato da Marielle. Então, olha só, os repórteres me
- 35:19ligavam e falavam, o seu livro moba no Rio de Janeiro?
- 35:23Eu falava não, que bom que adotaram.
- 35:25Eu não entendia o que que tava rolando, porque tava uma guerra.
- 35:28O fórum social virou um negócio com o assassinato dela e eu com
- 35:33responsabilidade com 40 alunos da.
- 35:36Na Universidade Federal do Espírito Santo, que o reitor
- 35:38liberou, só se fosse só se eu fosse junto com eles.
- 35:42E eu fui, imagina 3 dias com 40 alunos.
- 35:45Eu, que nenhum professor quis assumir a responsabilidade, mas
- 35:50meus alunos pretos tinham sonho. Falei, vamos, juntamos pretos,
- 35:55indígenas. A universidade federal deu
- 36:00ônibus e fomos para o fórum e aí tudo acontecendo e ele foi
- 36:05cancelado e teve uma grande treta, mas ele foi reintegrado.
- 36:09Por quê? Porque as pessoas não se calaram
- 36:11e aí eu preciso falar. Eu disse na época, eu usava
- 36:16Facebook e eu e foi aquele movimento, eu vi quando eu vi,
- 36:21quando eu cheguei do evento e que eu fui olhar o Facebook que
- 36:25eu não olhava. Eu tava marcada pra todos os
- 36:27lados, tinha uma coisa. Viralizado, que era essa
- 36:30denúncia, essa confusão. E aí no final das contas, eu, eu
- 36:36é é um livro que retomam. Na verdade, não foi bem isso que
- 36:41aconteceu. Tinha Melissa envolvida na
- 36:43história. Coisa que não dá nem pra gente
- 36:45abrir por conta do do do ônus de quem está lá.
- 36:51EE Na Na unidade que aconteceu. Mas o sesi acabou levando o ônus
- 36:57de uma coisa que eu sei muito bem, a forma que aconteceu e
- 37:01como que a coisa se deu. Então, nós estamos.
- 37:05Ele, ele, ele, ele foi, voltou, voltou por conta da luta, da dos
- 37:10justos, né, das pessoas que lutam e vão para o enfrentamento
- 37:13no debate dos direitos humanos, né?
- 37:16Então é sobre isso aí, é, é. É perceber, inclusive dentro
- 37:21dessa temática que você traz para gente agora, que só livros
- 37:25de pessoas pretas são cancelados, né?
- 37:27Conceição Evaristo, Jefferson Tenório de Oliveira, de Jamila,
- 37:31Emicida. E não são nomes pequenos, não
- 37:35são nomes pequenos, mas as pessoas não se incomodam em
- 37:40fazer esse movimento para derrubar uma pessoa preta que
- 37:43tá. No lugar de destaque, seja em
- 37:46qual setor for. E isso é um aprendizado também
- 37:50para gente, ou a gente luta contra tudo isso, enfrentando
- 37:55todas as as tempestades que vem para cima da gente.
- 37:59Pra cima do corpo preto? Ou a gente vai se calar e
- 38:03continuar a ver tudo isso acontecer impunemente, é?
- 38:07Por isso que a luta ela não. Para, né?
- 38:08Não para você não tem não. Para de não para, ô Kelson.
- 38:11A gente precisa fazer só um rápido intervalo uhum, porque
- 38:14temos um recado a passar para o nosso pessoal que está nos
- 38:16ouvindo. A gente já volta com essa
- 38:17conversa, então o pessoal não saia daí.
- 38:20Olá pessoal, eu sou o Celso Rodrigues e apresentou ABC kest
- 38:24ao lado dela. Eu sou a Susana Rezende.
- 38:27E hoje a gente está aqui para te fazer um convite muito especial,
- 38:31o. Compilado de notícias diário,
- 38:33vai ao ar de segunda a sexta-feira as principais
- 38:36notícias do ABC, da região metropolitana de São Paulo, da
- 38:40capital Paulista, do Brasil e do mundo.
- 38:43E a gente está disponível em todas as plataformas, é no
- 38:46Deezer, novazon music, no YouTube, no Spotify.
- 38:50Onde você preferir. Vamos encontrar então?
- 38:54Se você perdeu aquela notícia importante que para você tem
- 38:56relevância, ela está aqui no ABC Quest e siga nos nas redes
- 39:00sociais arroba ABC do ABC underline oficial que esperamos
- 39:04lá. Pessoal, voltamos então desse
- 39:07intervalo. Agora vamos para um ponto muito
- 39:09importante, né? Agora é a hora do contraponto.
- 39:13Contraponto. Para isso, então, Mariana.
- 39:22A gente roteirizou essa entrevista inteira.
- 39:25Foi difícil pensar nas perguntas, ainda mais com as
- 39:27respostas. Aqui o Sam a gente fica assim,
- 39:30tem tanto mais coisa que queremos perguntar, mas agora é
- 39:32sua vez. Nesse nessa não pode o tempo que
- 39:36você quiser. Nessa hora que o Sam, a nossa
- 39:38jornalista convidada, faz a pergunta que ela quiser, a gente
- 39:41não, não sabe o que ela vai perguntar, então é com ela aí,
- 39:44ó. É uma surpresa?
- 39:47Na verdade, a primeira não tá roteirizada, me desculpe por
- 39:50isso, mas é que eu já tinha anotado e eu preciso.
- 39:53É voltando um pouco para essa parte de literatura e tudo mais.
- 39:56Eu dei uma lida na sinopse dos livros e tudo mais, e eu vejo
- 40:00que trata de temas que para outras pessoas podem ser
- 40:03polêmicos, né? Principalmente com relação ao
- 40:06racismo, que querendo ou não, a gente melhorou muito do de
- 40:09antigamente para hoje em dia. Melhorou muito essa questão.
- 40:12Mas existe. E para você, como você se sente
- 40:15sendo uma escritora de literatura infantojuvenil,
- 40:19tratando esses temas na sociedade, que hoje em dia a
- 40:22gente percebe que a leitura está um pouco mais escassa que a
- 40:25gente, que as pessoas estão voltando a ler mais coisas
- 40:28rápidas e tudo mais. E a literatura está ficando um
- 40:31pouco para trás em questão de livros.
- 40:33Como você se sente tratando esses temas infantojuvenil
- 40:36atualmente? Lendo menos e os adultos estão
- 40:40pintando mais, né? Porque na lista mais recente aí
- 40:45é, os adultos estão pintando, né?
- 40:48Foram investindo grana violenta nos livros para pintura, né?
- 40:54Isso olha a questão hoje. Não tem mais só 36 canetinhas,
- 40:57já vi mais de 200 cores. 200. Cores.
- 41:00De canetinha, lápis de cor e assim vai é.
- 41:07Eu fico pensando o seguinte, né? As pessoas costumam dizer que eu
- 41:11escrevo sobre o racismo. Eu não escrevo sobre racismo, eu
- 41:14escrevo sobre o encantamento a partir de um momento em que o
- 41:18corpo da gente é violentado. É sobre isso.
- 41:24Cada livro meu eu tenho mais 2. Eu lancei um no mês passado,
- 41:28tenho mais 2 esse ano. Cada livro meu é uma realidade
- 41:32que eu vivo em sala de aula. Tem um mote, tem uma frase, tem
- 41:36a questão principal, tá envolvida lá naquela história e
- 41:41a gente, pra quem não lida diretamente com a questão
- 41:45racial, pode achar que a coisa tá até melhor, tá diminuindo,
- 41:48mas não tá. A gente teve, a partir de
- 41:51governo Bolsonaro, um retrocesso muito grande.
- 41:53A gente tem que pontuar, porque é exatamente a partir desse
- 41:56momento todo mundo achou que podia fazer qualquer coisa com a
- 42:00gente. Eu sofri extremamente, quase que
- 42:03eu fecho. Tanto Facebook quanto Instagram.
- 42:06Quase que eu fecho o ano retrasado.
- 42:08Meu Instagram, porque a coisa não para para quem tá no combate
- 42:12ao racismo e é violento. Mas a coisa não parou.
- 42:16São Paulo nós estamos vivendo nos últimos meses um retrocesso
- 42:20gigantesco nas escolas, tanto pública ou privada, com crianças
- 42:25negras sendo extremamente violentadas pelos próprios
- 42:28colegas de 10, 9 1011 anos jogando xixi e cocô em cima.
- 42:33Delas cagando e mijando em cima dessas crianças pretas na
- 42:37escola. Então a coisa não tá melhor, a
- 42:42coisa está violenta, como sempre foi.
- 42:46Eu fui é para um céu tiquatira, é, uns anos atrás é encomendado.
- 42:54Tinha que fazer a contação de história do livro o mundo do
- 42:58black Power, de Taió. Porque é uma menina empoderada e
- 43:02tal, enfim, e aí eu chego nessa escola e o menino fala assim
- 43:06para mim, professora, eu tinha o cabelo black igual da senhora.
- 43:09Eu falei, AI, que legal, por que que tá raspado?
- 43:12Porque alguém ele fala, tacou fogo no meu cabelo.
- 43:17Eu tive fogo até atearam fogo no meu cabelo na década de 70, no
- 43:22inade mel, década de 70, tô falando de um menino que sofreu
- 43:27isso em 2016. Atearam fogo Na Na cabeça dele e
- 43:34eu fiz um circuito dos céus novamente.
- 43:37Esse ano me contrataram e eu fui pro céu ticoatira e esse menino
- 43:41tava lá mocinho e ele tá trabalhando na perspectiva anti
- 43:46racista porque depois da contação e da discussão porque
- 43:49eu disse assim, professoras, vem todas pra frente, sai do Fundão,
- 43:52agora fique perto das suas turmas porque acabou que o Sam
- 43:56contadora de histórias e agora vem aqui o Sam militante.
- 43:59E foi, e foi, foi pau. E aí no final, esse menino, ele
- 44:06no final, não. Ele complementa, ele diz, eu
- 44:11cheguei em casa. A ele fala assim, a professora
- 44:14me salvou porque ela tirou o avental dela e jogou na minha
- 44:17cabeça, né? Pro.
- 44:19Ali do lado, mas assim, e aí ele fala assim, mas não queimou, não
- 44:24queimou só o cabelo, quase assim, queimou minha orelha só
- 44:27na pontinha. Mas eu cheguei em casa com uma
- 44:30raiva, eu não sei o que que aconteceu comigo, professora,
- 44:34porque eu moro nessa favela aqui, aqui é uma favela.
- 44:37A senhora viu? Eu falei, vi, aí ele falou,
- 44:39então eu cheguei em casa. No meu barraco estava assim, a
- 44:43mesa montada, eu puxei a toalha, quebrei todos os copos, tudo.
- 44:48Eu fui no armarinho de casa, eu puxei o armário, quebrei todas
- 44:52as louças e a gente é muito pobre.
- 44:54Quebrei tudo e eu gritava, me leva pro cabeleireiro, me leva
- 44:58pro cabeleireiro, minha mãe me levou, raspou minha cabeça e
- 45:02desde de sempre eu não não uso mais o cabelo comprido, não
- 45:06deixa ele crescer. E aí eu.
- 45:09Chego e vem para cá que agora é que eu sou militante.
- 45:13Tivemos um papo, coloquei aquele porque aí ele quando ele faz
- 45:17alguém, 2 meninos se mexem rindo.
- 45:20Eu olhei para eles e falei, não me digam que vocês tacaram fogo
- 45:24no cabelo dele e um se levantou 10 anos, fui eu, eu que taquei
- 45:30fogo no cabelo dele, porque eu queria ver se pegava fogo, que
- 45:33nem o bombril. É dessa sociedade que eu tô
- 45:37falando. Enquanto a gente tá no meio há 2
- 45:41anos atrás, em São Paulo, na rede municipal de São Paulo, no
- 45:46dia do circo, a escola preparando as crianças para o
- 45:51circo, para as famílias, para vir vestido com alguma coisa de
- 45:54circo. A mãe negra manda o bebê dela de
- 45:573 anos para o vestido de palhacinho.
- 46:02Chegou na escola. As professoras trocaram o
- 46:06figurino dele de palhacinho, colocaram numa roupa de
- 46:10macaquinho. Então elas prepararam, porque
- 46:12elas tinham uma fantasia de macaco, estava preparado de
- 46:16macaco, que colocou no menino. Tudo gravado, tá no YouTube,
- 46:21basta vocês olharem e aí começa a cantar uma musiquinha e um o
- 46:26refrão da musiquinha era e você virou macaco e você virou macaco
- 46:32para o bebê e. E ele se enfiando com cara de
- 46:35choro. Ele IA encostando na parede
- 46:38assim, porque colocaram ele em destaque em pé para cantar
- 46:41musiquinha para ele e o bebezão assim, com a cabeça para trás,
- 46:45ele IA o pezinho dele e faz assim, ó, se espremendo na
- 46:50parede. Riso então.
- 46:51Dessa plateia é uma violência. Violento.
- 46:54Nós estamos falando de professores, nós estamos falando
- 46:56de rede pública. Que seja público ou privado, não
- 46:59importa. Mas não estou falando de algo
- 47:01que é muito real e concreto e recorrente nos nossos corpos.
- 47:05Então, os meus livros, eles são extremamente necessários, porque
- 47:09o efeito que provocam. Não só nas crianças, mas nos
- 47:14adultos. É algo impactante, porque os
- 47:17adultos choram e vem falar, eu não tive isso quando eu era
- 47:20pequena. Se eu tivesse, eu teria sido
- 47:23diferente, eu teria lutado antes, eu teria tido amor por
- 47:28mim mesma. Enfim, são assuntos que vão
- 47:31trazendo e eu tenho trabalhado muito.
- 47:33Masculinidades o black Power de aquin.
- 47:37Ficou 3 anos em cartaz. Nós fizemos nossa última
- 47:39apresentação no Sesc Guarulhos, domingo passado. 3 anos
- 47:44circulando e esse é 11 história que os homens pretos vão no
- 47:50espetáculo, ficam no final chorando, vem soluçando para me
- 47:56abraçar porque eles entendem. Eles tem um insight durante o
- 48:00espetáculo que. Eles cortaram os cabelos deles,
- 48:05deixava baixinho, passava a máquina.
- 48:07Não era porque era moda. Eles conseguem se lembrar no
- 48:10momento do espetáculo, localizar os xingamentos, as violências,
- 48:16é, enfim, então é. É sobre isso, né?
- 48:21São memórias subterrâneas que emergem em algum momento.
- 48:26E aqui na minha literatura traz muito isso, porque porque eu
- 48:29trabalho com histórias reais e é para mostrar, ó, é real.
- 48:35Ó, é real esse aqui, semana passada.
- 48:39Ele é um dos finalistas do prêmio Jabuti em literatura
- 48:42infantil. Gente, ele é semifinalista, tá?
- 48:45Entre os 10 livros mais importantes do Brasil lançados
- 48:49em 2024. Dia 7 sai a lista dos dos
- 48:54finalistas. Ele pode nem entrar nos
- 48:57finalistas, mas ele está no semifinalistas e ele está entre
- 49:00os 10 melhores e está contando uma história real, porque aqui é
- 49:05um menino preto. E tem 2 pais, 3 editoras grandes
- 49:10recruzaram o texto, sua companhia aceitou EE, é o livro
- 49:16que entrou na lista do Jabuti. Então, aqui, qual é a realidade
- 49:21que eu trago minha realidade enquanto professora, que as
- 49:24crianças que tinham 2 pais ou 2 mães, recorrentemente ouviam das
- 49:30crianças falando. É professora.
- 49:32Minha mãe falou que é para eu não brincar com ele porque ele
- 49:34tem 2 pais. Ele não é gente porque tem 2
- 49:37pais. Ela não é gente porque tem 2
- 49:39pais. Quando eu chego no Espírito
- 49:41Santo para lecionar. Uma professora, aluna que era
- 49:45professora, ela conta, AI hoje eu estou com a cabeça quente e
- 49:49tal, não sei o que a situação de violência que aconteceu com o
- 49:52meu aluno não abaixo assinado só porque tinha 2 mães.
- 49:55E aí sabe o que que as crianças começaram a gritar?
- 49:59Que ele não era gente, porque ele tinha 2 mães.
- 50:01Eu, OPA, eu sou uma pesquisadora, né, gente?
- 50:04Então não é territorial, não é? Santo André, eu estou no
- 50:08Espírito Santo, estou em Vitória.
- 50:10E está acontecendo isso aqui também.
- 50:14E foi ali que eu construí em 2019.
- 50:16Esse texto que nenhum editora quis, mas é sobre isso, é fala
- 50:23diretamente, porque são histórias reais que os corpos
- 50:26vivenciam ou vivenciaram em algum momento.
- 50:30Então, para mim, isso tem valor. Então não falo só sobre racismo.
- 50:35Na verdade, na verdade, eu falo sobre o encantamento, o
- 50:38reencantamento necessário de corpos que passam por violências
- 50:43frequentes. É enquanto teórica.
- 50:46Eu tenho um conceito que se chama corpo, templo,
- 50:49resistência, corpo, hífen, templo, hífen, resistência.
- 50:53Que quer dizer o quê que todo pai de criança preta, mãe é, ou
- 50:59crianças em vulnerabilidade ou situações específicas.
- 51:03Não dá para. Encaminhar o seu filho para a
- 51:06escola sem antes ter preparado essa criança, essa criança, ela
- 51:10precisa saber que o corpo dela é sagrado, como qualquer outro
- 51:14corpo branco tá andando por aí. Então é um corpo sagrado.
- 51:19Por isso é um tempo que ela tem que cuidar e ela tem que cuidar
- 51:22as vezes de que forma? Resistindo as violências.
- 51:25Não é da outro lado da cara. Bater como as crianças negras
- 51:29fazem na escola cotidianamente, se silenciam mediante o racismo,
- 51:33baixam a cabeça diante do racismo.
- 51:36Então como é que a gente faz a resistência?
- 51:38Ela é apreendida. O.
- 51:39Ideal é você erguer a voz, né? Precisa o primeiro momento em
- 51:42que você. Precisa.
- 51:44E a literatura ensina isso. A minha literatura, ela traz
- 51:47essa. Essa inspiração de não se calar.
- 51:50É uma ferramenta. Para as crianças, para os
- 51:53leitores, de uma forma geral, sabe?
- 51:55E eu acho isso muito importante. Oo que o Sam é até para gente
- 51:59poder usar o tempo melhor e a gente encaminhar aqui para o
- 52:02encerramento, porque temos você tem um compromisso muito Sério.
- 52:05A gente tem que correr. Eu vou fazer só pedir para uma
- 52:08outra pessoa fazer uma pergunta a.
- 52:09Audiência quer saber? Agora.
- 52:17É o que acontece quando AA nossa jornalista.
- 52:20Trabalha com a gente lá no portal BC do BC.
- 52:22Soube que você viria. Ela queria muito enviar uma
- 52:24pergunta, então a gente vai usar agora o quadro da audiência.
- 52:27Quer saber para colocar a pergunta da Suzana?
- 52:30Vamos colocar ela aqui. Oi pessoal, oi kissan.
- 52:33Eu sou a Suzana Rezende, de Santo André, e sou repórter aqui
- 52:36do BC do BCE. Dessa vez eu que tenho uma
- 52:39pergunta para você, eu gostaria de saber como, gostaria de saber
- 52:42dicas? De como a gente pode aplicar a
- 52:45educação anti racista mesmo fora da escola, no nosso dia a dia
- 52:50mesmo? Obrigada.
- 52:52Fundamental essa pergunta, Susana?
- 52:55Gratidão Por Ela, porque na verdade é.
- 52:58Eu gosto de usar o conceito de educadores e educadoras e não
- 53:01professores e professoras, né? Professores professam e
- 53:06educadores educam. E o campo da de pensar em
- 53:10educadores não, não está diretamente ligado a você fazer
- 53:14um curso de pedagogia, um magistério superior?
- 53:17Enfim, todos nós somos educadores, temos pais, temos
- 53:21mães, vivemos em sociedade, enfim, somos educadores e
- 53:24educadoras. Então, nesse sentido, é o
- 53:26seguinte, todo mundo sabe, é, é localizar uma situação violenta
- 53:31de racismo e diante disso, é não se calar diante disso se
- 53:36perceber que uma pessoa negra está.
- 53:38Sofrendo uma violência racista, se coloca prontamente ao lado
- 53:43dela e diz, você entende isso como racismo?
- 53:47Olha, se precisar de mim, tô aqui.
- 53:50Sua testemunha, você sabe que é crime.
- 53:52Estou à disposição para ir para delegacia com você, porque nós
- 53:56precisamos chegar com 2 testemunhas, uma não basta e de
- 53:59preferência, que sejam qualificadas.
- 54:01E o que é testemunha qualificada para polícia?
- 54:04Testemunhas brancas. Isso não é parente, né?
- 54:08Ah, vocês são parentes, vocês são as primas.
- 54:11É, são primos, né? Então é, são as as, as
- 54:16violências. As pessoas costumam dizer hoje,
- 54:21né? Atualmente, micro violências é,
- 54:24são violências gigantes, né? Mas pra quem passa, gigante,
- 54:28gigante, mas são as micro violências que se associam a
- 54:31violência maior, né, que foi o racismo que a pessoa sofreu.
- 54:35Ela vai chegar diante do delegado, vai olhar, é, mas é, é
- 54:39sua prima, vocês são parentes, como se o que você estivesse
- 54:43falando estaria sendo endossado por alguém que é parente, então?
- 54:47Tem que ser alguém isento, tudo de preferência.
- 54:49Você tem que ainda estar na situação do racismo e ir olhando
- 54:53e entendendo da situação e tipo assim, quem são as pessoas
- 54:56brancas aliadas que eu vou pedir pra ir comigo na delegacia?
- 55:00Você tem que montar todo o esquema na tua cabeça, apesar de
- 55:04tudo que você está sofrendo. Então, primeiramente é isso, se
- 55:07colocar à disposição, não deixar a coisa passar.
- 55:11Se você percebe uma coisa muito comum entre mulheres com seus
- 55:14filhos. Uma mulheres brancas e os seus
- 55:17filhos. Uma começa a elogiar o filho da
- 55:22a mãe negra tá lá com seu bebê, com seu filho e você fica
- 55:27olhando, cadê o elogio? Pra criança negra não vem, as
- 55:31mães ficam sem graça, é para vai, vai para pediatra, observa.
- 55:35Vá para as praças, vá para os parques, isso é cotidiano,
- 55:39começa o elogio, aí vai você que tá de fora enquanto educadora.
- 55:45Antirracista, aliada branca que for, chega lá, nossa, sua filha
- 55:51é linda, que bebê lindo, que criança linda.
- 55:55AI vem cá, vem cá com a tia, vá, faça essa parte.
- 56:00Então é está conectado e colocar o seu corpo para jogo, coloca o
- 56:04seu corpo em ação, não fica para você tipo, Ah, isso é racismo.
- 56:09Isso faz de cara de plácida o full acontecendo aqui, você está
- 56:13ali, ó. E a gente vendo a gente
- 56:16precisando de ajuda, olha para mim, fala comigo, você viu?
- 56:20Você ouviu o que foi dito? E a pessoa faz as pessoas, né?
- 56:23Fazendo de conta que nada acontecendo.
- 56:26Então é, se joga, vá para a situação, apoie, porque, porque
- 56:30minimamente alguém tem que saber que racismo é crime.
- 56:33Mas antes de ser crime, antes da gente ter uma lei que obrigue o
- 56:38trabalho. Na perspetiva antirracista, no
- 56:41campo da educação, é você saber que todos os corpos têm direito
- 56:45a viver, a estar bem no lugar. É direito humano serem
- 56:50respeitados, serem respeitados. Então, minimamente que você
- 56:54chegue com essa questão, Hum, sabe, é, olha, eu não entendo
- 56:58nada disso. Você trouxe os dados
- 57:00estatísticos da pesquisa, é isso mesmo, pesquisar?
- 57:04Ah, não sei, eu eu não fiz nada porque eu não sabia resolver,
- 57:08poxa, enquanto. Enquanto profissional da
- 57:09educação, a pessoa tá precisando de ajuda.
- 57:12A criança chegou e falou, professora, fulano tá me
- 57:15chamando de Neguinho. As professoras falam assim pra
- 57:18mim, gente, entraram ensaiando o Brasil inteiro.
- 57:20E aí, professora, o que que a senhora respondeu?
- 57:23Pai, você não é mesmo? Essa é a resposta dos
- 57:29profissionais da educação. Qualificados tem para dar no
- 57:33Brasil para. Mim tem um longo caminho para
- 57:36criança ainda, né? Muito, até porque a lei 10000
- 57:41ela precisa ser de fato uma obrigatoriedade, porque ainda
- 57:46que qualquer Secretaria da educação fale, tem um projeto
- 57:50negro fale que trabalha na perspetiva antirracista, não
- 57:54trabalha. 100% nem 50% trabalha. Por quê?
- 58:00Porque na hora da escolha da oferta, dos cursos ou da
- 58:04palestra que toda a rede vai ouvir obrigatoriamente ou tem
- 58:09que participar. Nunca é a questão racial.
- 58:12Do mais, os cursos são oferecidos, escolhe quem quer, a
- 58:17gente que costuma dar essas formações em certos territórios.
- 58:22Você vê as mesmas pessoas entrando saiana 20 anos, eu tô
- 58:25vendo as mesmas pessoas fazendo curso.
- 58:27Cadê as pessoas que fogem de tá falando sobre direitos humanos
- 58:32de forma geral, elas não veem por quê?
- 58:35Porque tá sempre nu, se quiser, o professor se inscreve, se
- 58:40quiser, e pra mim deveria ser o contrário, direitos humanos e
- 58:45obrigatório todo mundo, a rede inteira vai.
- 58:49Participar dessa formação. Entenda o que é direito humano.
- 58:52Até que a gente entenda que todos os corpos merecem vida o.
- 58:55Nosso último bloco aqui, eu vou pedir para o Ed fazer uma
- 58:59participação especial. Selo Ed verdade.
- 59:05É o Ed. Ele tem um selo aqui.
- 59:08Ele fica acompanhando tudo que a gente fala e ele verifica em
- 59:10tempo real se o que a gente está falando é verdade.
- 59:13E no final ele dá a testa. Se a conversa foi de verdade ou
- 59:16não, fala aí, Ed, o nosso selo veio.
- 59:18Bom, primeiro de tudo eu quero agradecer pela oportunidade de
- 59:21estar aqui podendo escutar uma conversa dessa, tão necessária,
- 59:24tão potente, tão gigante, né? Esse aqui é o momento do podcast
- 59:29em que geralmente a gente traz essa verificação de dados.
- 59:32Mas hoje eu preciso me permitir um pouco além.
- 59:35Me permito fazer as coisas um pouco diferente, porque quando
- 59:38nós falamos da obra da kiusan, é não é só sobre dados, não é
- 59:42sobre números, né? É sobre pertencimento, é sobre
- 59:46representatividade. E com certeza eu me desculpa, eu
- 59:53me identifico muito com esses homens que você disse que chegam
- 59:57no final do de aqui. Para chegar e te abraçar e te
- 1:00:02agradecer, porque eu cresci como essa pessoa que não me via no
- 1:00:07que eu lia é então assim, obrigado, obrigado.
- 1:00:12E eu só peço que isso continue. Que isso, reverbere o seu anjo
- 1:00:16tá garantido, tá garantido. Apenas obrigado que eu sou
- 1:00:21obrigado. Eu agradeço, é diverensamente e
- 1:00:25é isso que dá força pra pra continuidade.
- 1:00:28Não são as editoras, não são não é a grana porque cada livro não
- 1:00:34vem nada, vem centavos pra gente que é autor negro porque a gente
- 1:00:39não é OOO autor comprado. Por uma rede, enfim, porque o
- 1:00:46povo sempre dá preferência para os grandes autores brancos que
- 1:00:50são divulgados. Eu sou grande, os meus prêmios
- 1:00:54são prêmios da unesco, prêmio da ONU, enfim, uma cadeia que o Sam
- 1:01:01no meio da história toda. Eu sou.
- 1:01:03Ainda entre as negras tem um respiro na literatura infantil?
- 1:01:09Porque literatura infantil também é desprezada no meio de
- 1:01:13autores e no meio de leitores brasileiros.
- 1:01:17O que tem valor é quem escreve para adulto.
- 1:01:19Então você vê uma Conceição Evaristo, uma iliana Alves Cruz,
- 1:01:22enquanto negras, Jefferson Tenório você vê enquanto negros
- 1:01:26escrevem para adultos. Tem esse reconhecimento.
- 1:01:29A literatura não, mas isso tem a ver com.
- 1:01:32O trabalho com as infâncias nós estamos num país que odeia
- 1:01:35crianças e odeia quem trabalha com criança.
- 1:01:37Também vão diminuir quem trabalha com as infâncias da
- 1:01:41forma com que diminuem as crianças.
- 1:01:44E as infâncias tem a ver com isso também, e eu sei disso.
- 1:01:48Então pra mim o valor é exatamente isso e eu quero
- 1:01:51terminar esse podcast. Não posso deixar de terminar sem
- 1:01:55avisar que eu mês esse mês que passou setembro.
- 1:02:01Há 3 semanas atrás eu anunciei a abertura da minha editora.
- 1:02:05É uma editora que por enquanto é.
- 1:02:08Eu sempre usei um conceito de corpo, livro, então todo corpo é
- 1:02:12livro possível de ser lido e todo livro é um corpo.
- 1:02:15Eu trago meu corpo para onde eu escrevo, sou eu aqui em todas as
- 1:02:19histórias. A minha presença está aí e essa
- 1:02:22editora começa para me publicar. Eu tenho grande livro premiado
- 1:02:28pela ONU. Que eu sou uma das 10 escritoras
- 1:02:30mais importantes do mundo em termos de direitos humanos para
- 1:02:33as crianças. E esse livro eu deixei de 2013
- 1:02:37até 2022 na editora perópolis e tirei de lá quando acabou, né?
- 1:02:41A sequência de contrato eu não quis mais, tirei, eu IA entregar
- 1:02:45para a companhia das letrinhas esse ano e a minha
- 1:02:47ancestralidade, meu orixó se falou, não é você que vai
- 1:02:50publicar oi, como que eu publico sem lançar o meu CNPJ?
- 1:02:55Sempre foi o chibata produções, que eu sou produtora, trabalho
- 1:02:59com produções. Produções e editora, mas eu
- 1:03:02nunca usei nem pensar em usar o editora, mas ele veio e
- 1:03:07determinou. Eu falei oi, respirei fundo, tá
- 1:03:12pronto uma grana violenta. Realmente fazer livro não é
- 1:03:16simples e vou lançá lo em novembro.
- 1:03:19Eu tô no momento, essa semana eu tenho que escolher para entrar
- 1:03:22na gráfica, semana que vem qual é, qual vai ser essa gráfica?
- 1:03:26E aí ele tá. Coisa Mais Linda e vem pelo meu
- 1:03:30selo, chibata. O chibata é uma palavra em um
- 1:03:33lugar que significa eu não me submeto e é uma folha.
- 1:03:37É sagrada para nós, que é a folha da Vitória Régia.
- 1:03:40Que que é? A folha é original do Egito?
- 1:03:44EE eu trago essa coisa do do muito forte.
- 1:03:47Eu não me submeto, né? E é uma forma de não me
- 1:03:51submeter. E é uma forma de o dinheiro que
- 1:03:56os prêmios trazem para as editoras.
- 1:03:59Agora, se eu for premiada, por exemplo, com esse meu primeiro
- 1:04:03livro, vai vir pra mim. E aí é a questão da gente
- 1:04:07conseguir sair do lugar. Nós pretas e pretos, do lugar
- 1:04:11que a gente fala, eu sou um empreendedor, uma empreendedora?
- 1:04:14Não. Nós somos empresários, a gente
- 1:04:18precisa pensar dessa forma, somos empresários.
- 1:04:21Eu sou empresária da comunicação, eu lido com a minha
- 1:04:25carreira e eu preciso ter cuidado, eu preciso me formar
- 1:04:28nisso. Eu sou um empresário do
- 1:04:32jornalismo, da comunicação. Ed, eu sou uma empresária da
- 1:04:38literatura, da produção, da e é isso que a gente é, mentalidade.
- 1:04:43Não sou empreendedora. Eu sou uma empresária e vou dar
- 1:04:48conta de entrar nesse perfil. E ó, é empresário.
- 1:04:53Então eu tenho que pensar de uma outra forma.
- 1:04:56Por quê? Porque nós precisamos ter 11
- 1:04:59coletivo gigante de pretos com dinheiro.
- 1:05:03Para quê? Para nós mesmos nos
- 1:05:05alimentarmos, para nós mesmos nos impulsionarmos e ter as
- 1:05:10nossas coisas e fazer com que os nossos tenham também.
- 1:05:13Então isso é urgente, cada vez mais urgente.
- 1:05:16Agora, isso sim eu vejo que está cada vez mais possível.
- 1:05:20Está mais próximo do que o racismo.
- 1:05:25Não está tanto assim não. Isso está mais próximo da gente
- 1:05:29conseguir fazer essa escala e essa escada entre nós mesmos e é
- 1:05:35extremamente necessário. E aqui eu já aviso que já terei
- 1:05:39vocês em consideração em relação a isso, porque na verdade acaba
- 1:05:46sendo isso é nosso por nós, é muito isso.
- 1:05:48No fundo é nosso por nós, tá, gente?
- 1:05:51E eu estou lançando um curso, tá?
- 1:05:54Online, uma imersão comigo de 2 dias, dias 11 e 12 de outubro.
- 1:06:00São 21 sábado e um domingo à tarde, 3 horas cada dia que é
- 1:06:06para compartilhar. Como é que se tira a ideia da
- 1:06:12cabeça e põe para o papel, para transformar numa história,
- 1:06:15transformar possivelmente num livro que é uma grande questão
- 1:06:19que o povo vem para mim e o eu não consigo começo, mas não
- 1:06:24consigo terminar. Eu não não consigo sair daqui,
- 1:06:27então tem isso. Então começo oferecendo esse
- 1:06:31primeira formação comigo, esse primeiro contato dentro dessa
- 1:06:35minha metodologia da pedagogia eco ancestral e da Aline bei.
- 1:06:39Vejo que a literatura negro brasileira do encantamento
- 1:06:42infantil e juvenil trazendo o encantamento como conceito chave
- 1:06:46para a gente, porque nossos corpos pretos precisam se
- 1:06:50reencantar, a gente precisa entender e reentender que nós.
- 1:06:56Somos potentes que nós somos capazes e que nós podemos
- 1:07:01transformar o mundo da gente, é isso?
- 1:07:04Maravilhoso com isso. Então a gente encerra o programa
- 1:07:07aqui. Excelente mensagem.
- 1:07:09E Ed, o desafio vai ser trazer aqui o Sandy novo aqui, para a
- 1:07:12gente falar do prêmio que ela ganhou, o prêmio Jabuti.
- 1:07:15Vamos ter que fazer isso aí. É porque a gente precisa
- 1:07:22conversar mais. A gente tem pouco tempo, 60
- 1:07:24minutos é muito pouco. Mas assim, Mariana, muito
- 1:07:27obrigado pela sua participação, é, é a sua presença, as suas
- 1:07:32perguntas, a sua interação foram espetaculares.
- 1:07:35Muito obrigado. Aquela câmera ali é a nossa se
- 1:07:37você quiser passar um recado final pro pessoal pedir pra te
- 1:07:40seguir na cesta. Gente, pra começar, eu amei.
- 1:07:42Na verdade foi isso. 60 minutos é muito pouco tempo.
- 1:07:45Eu poderia passar horas conversando com você.
- 1:07:48Adorei mesmo, de verdade. Foi lindo, Ah.
- 1:07:50Obrigada e na verdade sou mais agradecimento pra quem quiser me
- 1:07:55seguir, principalmente no LinkedIn.
- 1:07:57Tá lá como Mariana França, relações públicas, assessora de
- 1:08:00imprensa, jornalista. E a gente, tá.
- 1:08:04Empresária, empresária, empresária da comunicação é.
- 1:08:08Isso. Mas é isso.
- 1:08:10Novamente, muito obrigada pelas respostas.
- 1:08:14Assim, de verdade, passaria horas e horas conversando com
- 1:08:16você e eu. Aqui falando com vocês, tá,
- 1:08:19gente? Gratidão.
- 1:08:20Foi um ambiente muito propício pra conversa desse tipo e desse
- 1:08:25nível. E se a gente vai tentar chegar
- 1:08:26longe com isso, viu que Oo portal ABC do ABC interage com
- 1:08:31mais de 1000000 de pessoas todos os meses?
- 1:08:33A gente vai fazer isso chegar e assim o portal ele tá de de fato
- 1:08:36aberto pra tudo que vem de você, é, a gente tá junto na luta.
- 1:08:41E acho que qualquer mensagem que você quer fazer, chegar mais
- 1:08:44longe, pode contar com a gente. Seja na literatura, na educação,
- 1:08:48na dança, na arte, na cultura, na ancestralidade, tudo é muito
- 1:08:52bem-vindo. Arrasou.
- 1:08:53Muito obrigada, viu? Feliz demais.
- 1:08:55Muito bem, pessoal. Essa foi aqui o são Oliveira,
- 1:08:58essa foi a Mariana França. Espero que vocês tenham criado
- 1:09:01alguma conexão com essas 2 potências que tem aqui do meu
- 1:09:05lado. E a gente se vê na próxima
- 1:09:06semana, com o próximo episódio do ABC cast.
- 1:09:09Conexões, a gente se vê lá. Apresentação, Tiago Quirino.
- 1:09:18Jornalista convidada, Mariana França.
- 1:09:21Entrevistada, kilson Oliveira. Edição, Rodrigo Rodrigues.
- 1:09:27Adaptação de áudio e vídeo estúdio da Sisa associação
- 1:09:30comercial e industrial de Santo André.
- 1:09:33Produção, Ed baroni checagem, Ed baroni assistência de produção,
- 1:09:40Celso Rodrigues e Susana Rezende direção, Tiago Quirino direção
- 1:09:46geral, Alex faria. Este programa é um produto do
- 1:09:49portal ABC do ABC. As opiniões manifestadas pelo
- 1:09:53entrevistador não refletem necessariamente o posicionamento
- 1:09:57do portal ABC do ABC. Para se manter informado sobre
- 1:10:00tudo o que acontece na região, acesse www.abcdoabc.com.br.