Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / AS ARMAS DA PERSUASÃO #IX - CORAÇÕES E MENTES (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05senhores, vamos continuar aqui no Armas da Persuasão.
- 0:10Arthur Lemos, Bruno Maia Soares comigo aqui, já já ele dá um
- 0:13salve. Eu vou começar com uma reflexão
- 0:15aqui. Se você estava conosco no último
- 0:16episódio, no final deles, a gente trouxe um exemplo de um
- 0:18depoimento de um leitor que aplicou quase que por acaso o
- 0:25princípio da coerência quando ele treinava um time de
- 0:29telemarketing que vendia seguros.
- 0:33E ele disse que pegou um grupo teste e eles incluíram a
- 0:39pergunta no final do contato que é, pô, por que você escolheu a
- 0:42nossa empresa para comprar esse seguro?
- 0:45E ao fazer isso, quase vinte por cento a mais de vendas nesse
- 0:49grupo focal e aí depois ele expandiu isso pra todo o time de
- 0:52telemarketing e mesmo os caras mais veteranos tiveram um
- 0:55acréscimo de pelo menos dez por cento ali no volume de vendas,
- 0:58né? Com novas vendas.
- 0:59Então isso mudou o comportamento do cliente que muitas vezes ele
- 1:02fechava pelo telefone, mas na hora de ir pra reunião e
- 1:05realmente assinar os contratos e tal, o cara não ia, né?
- 1:10O que é que eu quero chamar a atenção aqui?
- 1:13Se você ficar atento, a gente tem falado, inclusive pegando
- 1:18carona no exemplo do jiu-jitsu, a arte suave, a sutileza de como
- 1:23você emprega essas técnicas de persuasão.
- 1:25A verdade é que essa história de usar uma técnica ao acaso
- 1:33acontece o tempo inteiro. Porque mesmo quando você não
- 1:36quer influenciar, você influencia.
- 1:38Então, eventualmente, você pode ter feito essa pergunta.
- 1:41Ou alguém do teu time, se você tem uma empresa, pode ter feito
- 1:43essa pergunta. O cara fechou lá e o cara disse
- 1:45assim, pô, a propósito, por que você escolheu a nossa empresa?
- 1:48E às vezes a intenção não é persuadir de novo, é o acaso, é
- 1:51sem querer. É para identificar, como ele
- 1:54chamou aqui, de serviço do cliente.
- 1:55É para saber, é para mapear mesmo, por que o cliente está
- 2:00nos escolhendo. sendo que você implementou uma técnica ali.
- 2:04Acontece que esse leitor que trouxe esse exemplo para o
- 2:09Robert Cialdini, ele trouxe no livro, eu comentei aqui no final
- 2:11do último episódio, ele tinha um negócio maduro o suficiente para
- 2:17permitir a metrificação da diferença de uma linha adicional
- 2:24de script. O cara percebeu isso e depois
- 2:30esse mesmo negócio tinha uma riqueza de dados que o permitiu
- 2:34metrificar com alguma margem de segurança que o deixasse
- 2:40confortável e atribuir o mérito a essa técnica as vendas
- 2:46incrementais a partir do uso dessa abordagem.
- 2:50O que acontece com a maioria de nós?
- 2:55Se você é um autônomo, se você é um pequeno empreendedor, se você
- 2:57é um médio empreendedor, diria eu também para a maioria dos
- 3:00médios, a gente não tem essa cultura de dados.
- 3:03Então a gente até usa, mas a gente subutiliza não só por não
- 3:11conhecer as técnicas. Porque uma coisa é implementar a
- 3:14coisa. Outra coisa é ter a ciência de
- 3:18que a técnica é essa, de que ela funciona, e intencionalmente
- 3:21utilizá-la. Então você vai acabar utilizando
- 3:23mais e melhor. Mas a segunda é que, justamente
- 3:25por não ter a cultura de dados, e não mapear, e não enxergar a
- 3:29diferença na sua aplicação, com a sua realidade, com a sua
- 3:32carteira de clientes, na sua carreira, a gente também utiliza
- 3:35menos. Então, o que é que nos resta?
- 3:39Tem uma decisão aqui... muito importante, muito importante,
- 3:45que é escolher, olhar para esse arcabouço de ferramentas de
- 3:56persuasão como algo que funciona ou não. a mínima dose de
- 4:01ceticismo vai fazer com que você seja um estrategista menos ativo
- 4:06no sentido de implementar as técnicas propostas pelo
- 4:08Cialdini. Porque se você está no grupo
- 4:12privilegiado que não só tem o conhecimento dessas técnicas,
- 4:17mas consegue implementar na tua realidade, metrificar isso, e
- 4:19você, pô, botei isso aqui, teve um acréscimo de sete ponto oito
- 4:22ponto percentual disso, tanto isso aqui, pra não continuar
- 4:26utilizando, você teria que ser É quase uma burrice, né?
- 4:30Então, obviamente que você vai continuar utilizando e tal.
- 4:32Mas isso é um privilégio de um grupo muito pequeno.
- 4:34Provavelmente você está no lugar comum aqui, que é, velho, você
- 4:39não vai ter essa métrica. Você, ao utilizar essas
- 4:42abordagens, não vai conseguir destacar e falar, olha, depois
- 4:46que eu comecei a usar aqui frases para acionar o
- 4:50compromisso com os meus clientes, houve um incremento e
- 4:53tal. Você não vai ter esse desfrute.
- 4:57Então nos resta, de fato, acreditar que essas coisas
- 5:00funcionam, porque esse é o primeiro passo para
- 5:02implementá-las e para que elas funcionem de fato no que
- 5:05interessa, que é no seu contexto.
- 5:07Então seja muito bem-vindo aqui a mais um episódio.
- 5:08Brunão, salve, salve! Salve, salve!
- 5:11Já começou naquele... Começando!
- 5:15Já começou muito, muito bem e vamos agora entrar em Corações e
- 5:18Mentes. Corações e mentes, vamos nessa.
- 5:20Vamos nessa. Observe que todos os
- 5:22especialistas na técnica do pé na porta, que é aquela do
- 5:25primeiro beijo, que é um pequeno compromisso primeiro para depois
- 5:28ir escalando isso, parecem empolgados com o mesmo fato, que
- 5:32é a possibilidade de usar pequenos compromissos para
- 5:35manipular a autoimagem de alguém.
- 5:37É possível transformar cidadãos... em servidores
- 5:41públicos, clientes potenciais em clientes reais, prisioneiros em
- 5:45colaboradores. Então tudo isso aqui baseado no
- 5:48último capítulo em especial, que a gente viu no último capítulo
- 5:51não, no último episódio, na leitura do último episódio.
- 5:53Uma vez que você tenha manipulado a autoimagem da
- 5:55pessoa, ela deverá concordar naturalmente com toda uma gama
- 6:00de pedidos que sejam coerentes com aquela nova postura.
- 6:03No entanto, nem todos os compromissos afetam a
- 6:05autoimagem. Certas condições devem ser
- 6:08atendidas para que isso aconteça.
- 6:11Eles devem ser ativos, públicos, trabalhosos e livremente
- 6:17escolhidos. A principal intenção dos
- 6:20chineses não era apenas extrair informações de seus
- 6:23prisioneiros, era doutriná-los, mudar suas atitudes e percepções
- 6:26de si mesmos, de seu sistema político, do papel do seu país
- 6:30na guerra e do comunismo. Dr. Henry Siegel, chefe da
- 6:34equipe de avaliação neuropsiquiátrica que examinou
- 6:37os prisioneiros de guerra que retornaram ao final da Guerra da
- 6:39Coreia, informou que as crenças ligadas à guerra haviam sido
- 6:43substancialmente alteradas. Muitos expressaram antipatia
- 6:47pelos comunistas chineses, mas ao mesmo tempo os elogiaram pelo
- 6:51bom serviço que fizeram na China.
- 6:55Outros afirmaram que, embora o comunismo não vá funcionar nos
- 6:59Estados Unidos, parece ser algo bom para a Ásia.
- 7:04Aparentemente... O verdadeiro objetivo dos
- 7:07chineses era modificar, ao menos por algum tempo, os corações e
- 7:10as mentes dos seus cativos, dos seus prisioneiros de guerra.
- 7:14Se medirmos seu sucesso em termos de deserção, deslealdade,
- 7:19mudança de atitudes e crenças, baixa disciplina, baixo moral,
- 7:22desânimo e dúvida sobre o papel dos Estados Unidos, o psicólogo
- 7:25concluiu, seus esforços foram muito bem sucedidos.
- 7:29Agora vamos examinar mais de perto como conseguiram o tamanho
- 7:32êxito. E aí tem um sub...
- 7:35Como é que eu chamo isso aqui, Bruno?
- 7:38Subtópico, né? do capítulo que chama O Passe de
- 7:42Mágica. Qual é o truque?
- 7:45Os melhores sinais que recebemos dos verdadeiros sentimentos e
- 7:47crenças das pessoas resultam mais de suas ações do que de
- 7:50suas palavras. Pesquisadores descobriram que os
- 7:53próprios indivíduos usam esses mesmos sinais, seu
- 7:57comportamento, para decidir como são.
- 7:59Trata-se de uma fonte primária de informações sobre as crenças,
- 8:02os valores e as atitudes de alguém.
- 8:05O impacto propagador do comportamento sobre a autoimagem
- 8:09e a conduta futura de alguém pode ser visto em pesquisas que
- 8:13comparam os efeitos dos compromissos ativos e passivos.
- 8:17Ele menciona a pesquisa aqui. Em um estudo, estudantes
- 8:20universitários foram voluntários em um projeto de educação sobre
- 8:25AIDS em escolas locais. Pesquisadores fizeram com que
- 8:30metade deles fossem voluntários ativos ao preencherem um
- 8:33formulário afirmando que queriam participar.
- 8:36Os outros eram voluntários passivos se deixassem de
- 8:40preencher o formulário afirmando que não queriam participar.
- 8:45Três a quatro dias depois, quando solicitados a começarem
- 8:49suas atividades como voluntários, a grande maioria,
- 8:52setenta e quatro por cento dos que compareceram, veio do grupo
- 8:55que concordou ativamente em participar.
- 8:58Além disso, os voluntários ativos tendiam a justificar suas
- 9:02decisões em termos de seus valores, preferências e
- 9:04características pessoais. No todo, parece que os
- 9:08compromissos ativos fornecem o tipo de informação que usamos
- 9:12para moldar nossa autoimagem, que depois determina as ações
- 9:14futuras, solidificando a nova autoimagem.
- 9:19Com plena compreensão desse roteiro para alterar a
- 9:21auto-percepção, os chineses passaram a organizar a
- 9:24experiência do campo de prisioneiros de modo que os
- 9:26cativos agissem coerentemente de certas maneiras.
- 9:30Os chineses sabiam que, em pouco tempo, aquelas ações começariam
- 9:33a cobrar seu preço fazendo com que os prisioneiros mudassem
- 9:36suas visões de si mesmos, alinhando-as com o que haviam
- 9:40praticado. Escrever era um tipo de ação
- 9:44comprometedora que os chineses insistiam que os prisioneiros
- 9:47realizassem. Não bastava que ouvissem calados
- 9:50ou mesmo concordassem verbalmente com a linha chinesa.
- 9:54Eles eram sempre induzidos a passar isso para o papel.
- 9:58Sha'in, em o ano de cem e cinquenta e seis, descreve uma
- 10:00tática de cessão de doutrinação padrão dos chineses.
- 10:04Aí tem aqui a descrição. Uma técnica adicional era fazer
- 10:07com que o cativo escrevesse a pergunta e depois a resposta
- 10:11para o comunista. Caso ele se recusasse a escrever
- 10:14de forma voluntária, era solicitado a copiar dos cadernos
- 10:16de anotações, o que deve ter parecido uma concessão
- 10:20suficientemente inofensiva. Já vimos como compromissos e aí
- 10:25vamos lá. Isso aqui pode ser utilizado
- 10:28para o bem ou para o mal. Coincidentemente, hoje estou
- 10:33começando um grupo de mentoria. São dez pessoas só e é um grupo
- 10:39bem fechado. Não é nada que eu divulguei em
- 10:45redes sociais nem nada do tipo. E eu tenho um compromisso, eu
- 10:49tenho o objetivo de extrair resultado desse grupo.
- 10:54Sendo que é um tiro muito curto, né?
- 10:56Esse formato de mentoria é um formato imersivo.
- 10:59Então, são seis semanas no total, tem quatro encontros
- 11:01comigo e tudo mais. Então, para o cara entrar no
- 11:04primeiro encontro comigo hoje, esse cara tem que assinar um
- 11:07contrato. E nesse contrato, tem termos
- 11:12simples, né? Que não é tão comum, né?
- 11:14Para você que está fora desse mundo, quando a pessoa adquire
- 11:16uma mentoria, um produto educacional, digital e tal, não
- 11:20tem muito a ideia, não se assina contrato, né?
- 11:24Mas desse grupo, sim. O que é que tem lá?
- 11:29Então, é um contrato muito enxuto, mas as cláusulas, elas
- 11:31remetem muito ao compromisso de executar as atividades, de
- 11:36reportar as coisas com sinceridade, de se envolver na
- 11:41prática direta, etc. De acompanhar o grupo, etc.
- 11:45Então, assim... O que é que eu estou fazendo
- 11:48aqui? Eu estou primeiro formalizando a
- 11:51relação, óbvio, mas tem um ato meu de esperança, mas com
- 11:57respaldo técnico, de que isso contribua para que eu extraia
- 12:02uma postura mais proativa dos participantes desse grupo de
- 12:05mentoria. E se isso acontecer, vai ser
- 12:07ótimo, porque aí o cara faz o que tem que ser feito e ao fazer
- 12:09o que tem que ser feito, ele acaba tendo mais resultado.
- 12:13Voltando para cá. Já vimos como compromissos que
- 12:17pareciam triviais podem levar a um comportamento compatível no
- 12:20futuro. Está bem em linha esse meu
- 12:22exemplo pessoal que trouxe para você aqui agora.
- 12:24Como dispositivo de compromisso, uma declaração escrita possui
- 12:27grandes vantagens. Primeiro, fornece uma prova
- 12:29física de que um ato ocorreu. Tendo escrito o que os chineses
- 12:33queriam, seria muito difícil para o prisioneiro duvidar de
- 12:36que fizeram aquilo. Segunda.
- 12:38Segunda. Um testemunho escrito pode ser
- 13:00mostrado a outras pessoas, ou seja, ser usado para persuadir
- 13:03alguém a mudar as próprias atitudes na direção daquela
- 13:06afirmação. Mais importante para o propósito
- 13:08do compromisso é o fato de consistir numa prova convincente
- 13:11de que o autor acredita mesmo no que escreveu.
- 13:17As pessoas têm uma tendência natural a acreditar que uma
- 13:20afirmação por escrito reflete a verdadeira atitude de seu autor.
- 13:24E aí tem uma pesquisa que fala sobre isso.
- 13:26O que surpreende é que elas continuam achando isso mesmo
- 13:29depois de saberem que a pessoa não optou livremente por
- 13:31fazê-la. Um estudo dos psicólogos Edward
- 13:33Jones e James Harris prova que isso ocorre de fato.
- 13:37Eles mostram... a várias pessoas um artigo favorável a Fidel
- 13:41Castro e, em seguida, pediram que avaliassem o verdadeiro
- 13:45sentimento do autor. Para algumas delas, Jones e
- 13:48Harris contaram que o autor tinha optado por escrever a
- 13:52favor de Castro. Para outras, que tinha sido
- 13:55obrigado a escrever. Então, o que ele está dizendo é
- 13:58o seguinte. Dois grupos entrevistados
- 14:03mostram um artigo favorável a Fidel Castro, mas...
- 14:07Para um grupo de pessoas, os pesquisadores falam o seguinte,
- 14:12a turma realmente tinha um sentimento pró-Fidel Castro.
- 14:15E para o outro falam o seguinte, os caras foram forçados,
- 14:20obrigados a escrever pró-Fidel Castro.
- 14:23O estranho, voltando à leitura, foi que mesmo aquelas pessoas
- 14:26que sabiam que o autor fora coagido a escrever um artigo
- 14:29pró-Castro, acharam que ele gostava de Castro.
- 14:33Parece que uma declaração de crença produz uma reação tipo
- 14:36clique-zoom em quem a testemunha.
- 14:39A não ser que haja fortes indícios contrários, os
- 14:42observadores automaticamente supõem que alguém que faz uma
- 14:44declaração dessas acredita em seu conteúdo.
- 14:47Vou dar outro exemplo aqui para a turma do... do digital você
- 14:53vai para aqueles eventos a gente faz isso em uma escala bem
- 14:56pequena mas a turma do marketing digital faz isso pra caramba
- 15:00então você pega os eventos do Erico Rocha em determinado
- 15:03momento sobe os caras lá que em teoria usaram a estratégia e que
- 15:07tiveram um super resultado existe uma névoa que é o
- 15:17interesse mesclado de tenho gratidão por essa estratégia
- 15:24porque ela funcionou pra mim e eu quero incentivar outras
- 15:27pessoas que estão com medo de fazer esse investimento e
- 15:31acessar essa estratégia e eu também tive esse medo, então a
- 15:34minha palavra vai incentivar algumas pessoas então alguma
- 15:37coisa meio que resultado gratidão e incentivo e existe um
- 15:44outro lado egoísta de eu quero essa foto Eu quero ser o case de
- 15:49sucesso. Eu quero subir ao palco.
- 15:53Então, algumas pessoas que estão lá estão mais para o primeiro
- 15:58motivo. Outras estão mais por conta do
- 16:00segundo. E é maluco, porque quanto mais
- 16:03eu validar a estratégia, melhor estou falando de mim mesmo.
- 16:07Porque eu digo o seguinte, nossa, isso aqui eu faturei
- 16:09tanto. Eu fiz tanto.
- 16:11Eu tive um resultado muito rápido.
- 16:13Eu estou falando de mim. Então, é...
- 16:17É um pouco dessa dualidade aqui que está posta também nesse
- 16:23exemplo, como quando o cara sabe que o outro foi obrigado a
- 16:26escrever, ele ainda assim tem a sensação de que a pessoa é
- 16:31pró-Castro nesse exemplo da pesquisa aqui.
- 16:33Voltando à leitura. Considere o duplo efeito sobre a
- 16:37autoimagem e o prisioneiro... Pronto, essa aqui é a palavra
- 16:39que faltava, um duplo efeito. Ou uma dupla...
- 16:44Duplo motivo, no meu exemplo, mas voltando àquela leitura.
- 16:47Considere o duplo efeito sobre a autoimagem de um prisioneiro que
- 16:50escreveu uma declaração pró-chinesa ou anti-americana.
- 16:53Aquela era não só uma lembrança pessoal duradoura de sua ação,
- 16:57como serviu também... para convencer aqueles à sua volta de
- 17:01que refletia suas crenças reais. Como veremos no capítulo quatro,
- 17:06o que as pessoas à nossa volta acreditam ser verdadeiro sobre
- 17:10nós determina em grande parte o que nós mesmos achamos que seja
- 17:14verdade. Capítulo quatro que, como ele
- 17:18deixa a pista aqui, vai falar de consenso ou aprovação social.
- 17:24Por exemplo, um estudo descobriu que uma semana após ouvirem que
- 17:28eram consideradas pessoas caridosas, donas de casa de New
- 17:33Haven, Connecticut, deram muito mais dinheiro a um arrecadador
- 17:36de fundos para associação de clareose múltipla.
- 17:39Aparentemente, o mero conhecimento de que alguém as
- 17:42via como caridosas fez com que aquelas mulheres tornassem suas
- 17:47ações compatíveis com a impressão que passaram.
- 17:50Não é de hoje que políticos astutos tiram proveito do
- 17:53caráter criador de compromissos de rótulos.
- 17:57O mestre nisso foi o ex-presidente do Egito, Anwar
- 17:59Sadat. Antes de iniciar negociações
- 18:02internacionais, Sadat assegurava aos oponentes que eles, e os
- 18:05cidadãos daquele país... Eram conhecidos pelo espírito de
- 18:09colaboração e justiça. Com esse tipo de adulação, além
- 18:12de criar sentimentos positivos, diga-se afeição, Sadat também
- 18:18associava a identidade do oponente a uma linha de ação que
- 18:22servia aos seus objetivos. De acordo com o mestre em
- 18:25negociação Henry Kitzinger, inclusive esse cara tem um puta
- 18:28livro sobre liderança, eu li as primeiras páginas e mudei, não
- 18:31lembro porquê. Lembra por quê?
- 18:34Ele é muito denso e eu coloquei na fila ali para depois.
- 18:39Mas o Kinziger tem um livro chamado Liderança, desse
- 18:40tamanho, muito bom. Sadat obtinha sucesso porque
- 18:44levava os outros a agir segundo seus interesses ao lhes dar uma
- 18:48reputação a ser resguardada. Uma reputação de, pô, vocês são
- 18:53muito colaborativos e tal, como ele falou aqui.
- 18:56Depois que um compromisso é assumido, a autoimagem sofre a
- 18:59dupla pressão por coerência. Por dentro, existe uma pressão
- 19:02para tornar a autoimagem compatível com a ação.
- 19:04Por fora, existe uma pressão mais sorradeira, uma tendência a
- 19:08ajustar essa imagem de acordo com a percepção que os outros
- 19:11têm de nós. E aí ele menciona uma outra
- 19:12pesquisa que defende isso. Como eles acham que acreditamos
- 19:17no que escrevemos, ainda que tenhamos tido pouca escolha na
- 19:19questão, experimentamos outra vez uma pressão para alinhar a
- 19:22autoimagem com a declaração escrita.
- 19:26Na Coreia, diversos dispositivos sutis foram empregados para
- 19:29levar os prisioneiros a escrever, sem correção direta, o
- 19:32que os chineses queriam. Por exemplo, os chineses sabiam
- 19:35que muitos prisioneiros estavam ansiosos por informar as suas
- 19:37famílias que estavam vivos. Ao mesmo tempo, os homens sabiam
- 19:41que seus captores censuravam a correspondência e que apenas
- 19:45algumas cartas podiam sair do campo. para assegurar sua
- 19:48liberação, alguns prisioneiros começaram a incluir nas
- 19:51mensagens apelos pela paz, afirmações de que estavam sendo
- 19:56bem tratados e declarações simpáticas ao comunismo, na
- 19:59esperança de que os chineses desejassem que aquelas cartas
- 20:03viessem à tona e, portanto, permitissem sua entrega.
- 20:08Mas, obviamente, ao fazerem isso, eles estariam afetando sua
- 20:10autoimagem. É nisso que ele está chegando.
- 20:13Claro que os chineses ficavam contentes em colaborar.
- 20:15Aquelas cartas serviam muito bem aos interesses dos chineses.
- 20:18Primeiro, seu esforço mundial de propaganda se beneficiou muito
- 20:22da aparição de declarações pró-comunistas por soldados
- 20:25americanos. Segundo, no serviço de
- 20:28doutrinação dos prisioneiros, os chineses haviam conseguido, sem
- 20:31levantar sequer um dedo, que vários homens se manifestassem
- 20:34em apoio à causa comunista. Uma técnica semelhante envolveu
- 20:38concursos de redações políticas realizados com regularidade no
- 20:43campo de prisioneiros. Os prêmios pela vitória
- 20:46costumavam ser pequenos, alguns cigarros ou uma poção de fruta,
- 20:49mas escassos o bastante para gerar grande interesse por parte
- 20:53dos homens. Em geral, a redação vencedora
- 20:55era alguma que assumisse uma posição pró-comunista, mas nem
- 20:58sempre. Os chineses estavam cientes de
- 21:01que a maioria dos prisioneiros não entraria num concurso se
- 21:04achasse que só poderia vencer escrevendo um panfleto
- 21:06comunista. Além disso, eram espertos o
- 21:10suficiente para saber como incutir nos prisioneiros
- 21:13pequenos compromissos com o comunismo que pudessem depois
- 21:18fazer florescer. Assim, vez por outra, a redação
- 21:21vencedora era de apoio aos Estados Unidos, mas se dobrando
- 21:24uma ou duas vezes ao ponto de vista chinês.
- 21:30O efeito dessa estratégia foi exatamente o que os chineses
- 21:32queriam. Os homens continuaram a
- 21:35participar dos concursos porque viram que podiam vencer com
- 21:38redações favoráveis ao próprio país.
- 21:40Talvez sem se darem conta, porém, começaram a inclinar um
- 21:44pouquinho seus textos ao comunismo para terem uma chance
- 21:48melhor de vitória. Os chineses estavam prontos para
- 21:51se aproveitar de qualquer concessão ao dogma comunista e
- 21:54explorar as pressões pela coerência.
- 21:56No caso de uma declaração escrita dentro de uma redação
- 22:00voluntária, dispunham de um compromisso perfeito a partir do
- 22:03qual poderiam obter a colaboração e a conversão.
- 22:07Outros profissionais da persuasão também conhecem o
- 22:10poder gerador de compromissos embutidos nas declarações
- 22:13escritas. A bem-sucedida Amway, por
- 22:16exemplo, dispõe de um meio para incentivar seu pessoal de vendas
- 22:18a alcançar feitos cada vez maiores.
- 22:20Os membros da equipe são solicitados a estabelecer metas
- 22:23de vendas individuais e se comprometerem com elas,
- 22:26registrando-as no papel. Uma última dica antes de você
- 22:30começar. Fixe uma meta.
- 22:32O mais importante é defini-la para que tenha algo a almejar.
- 22:37E passá-la para o papel. Existe algo mágico em anotar as
- 22:41coisas. Quando atingir essa meta, fixe
- 22:43outra e anote-a também. Assim você irá longe.
- 22:46Se o pessoal da Amway descobriu algo mágico em anotar as coisas,
- 22:51outras organizações comerciais também descobriram.
- 22:53Algumas empresas de vendas de portas Algumas empresas de
- 22:57vendas de porta em porta usam a magia dos compromissos escritos
- 23:00para combater as leis de desistência que existem em
- 23:03muitos estados americanos. Essas leis visam permitir aos
- 23:07clientes, lei de desistência é, cancelei, fiz a compra e depois
- 23:10eu quero desistir dela. Essas leis visam permitir aos
- 23:13clientes, alguns dias após concordarem em adquirir um item,
- 23:16que cancelem a compra ou recebam o reembolso total.
- 23:19De início, essa legislação prejudicou as empresas de vendas
- 23:22agressivas. Por enfatizar em táticas de alta
- 23:25pressão, seus clientes costumam comprar, não porque desejam os
- 23:30produtos, mas porque são induzidos ou intimidados a
- 23:33adquiri-los. Quando as leis entraram em
- 23:36vigor, esses clientes começaram a cancelar suas compras aos
- 23:39montes. O seguro de vida nivelado,
- 23:45vendido sem educação, ele se beneficia muito disso.
- 23:49Porque no início do contrato, sobretudo, tem um pênalti muito
- 23:52grande no cancelamento. E ainda assim tem pessoas que
- 23:54cancelam. Por quê?
- 23:55Porque você tem uma tática muito agressiva ali para vender, que
- 23:59se vale de muitos argumentos emocionais negativos.
- 24:04questionáveis, sendo que você tem uma taxa de cancelamento
- 24:09menor por conta do pênalti. Então, o que ele está falando
- 24:11aqui, quando não tem pênalti e você usa uma tática agressiva
- 24:14para fechar a venda, você acaba tendo muito mais devoluções.
- 24:19Quando as leis entraram em vigor, então os clientes
- 24:21começaram a cancelar suas compras aos montes.
- 24:23Desde então, essas empresas aprenderam um truque simples que
- 24:26reduz bastante o número de cancelamentos.
- 24:28Elas simplesmente fazem com que o cliente, e não o vendedor,
- 24:31preencha o acordo de venda. Segundo o Programa de
- 24:34Treinamento de Vendas de uma empresa de enciclopédias, esse
- 24:37compromisso pessoal se mostrou um auxílio psicológico
- 24:39importantíssimo em impedir que os clientes desistissem de seus
- 24:43contratos. À semelhança da Amway, essas
- 24:46organizações descobriram que algo especial acontece quando as
- 24:49pessoas põem seus compromissos no papel.
- 24:51Elas honram aquilo que escreveram.
- 24:53Outra forma comum de as empresas explorarem a magia das
- 24:57declarações por escrito ocorre por meio do uso em um
- 25:00dispositivo promocional de aspecto inocente.
- 25:02Antes de começar a estudar as armas de influência social, eu
- 25:05me perguntava por que grandes fabricantes como a Procter
- 25:07Gamble e a General Foods estão sempre promovendo aqueles cursos
- 25:11culturais com frases de até vinte e cinco, cinquenta ou cem
- 25:14palavras. Em muitos deles, o participante
- 25:16deve compor uma breve declaração pessoal que comece com as
- 25:19palavras Gosta do produto tal porque... elogiando suas
- 25:22vantagens. E aqui, a este momento, você já
- 25:25sabe o porquê. Muito bom, Bruno Maia Soares.
- 25:50Eu tenho uma reunião em seguida, por isso a gente vai acabar esse
- 25:53episódio agora. Mas tem uma quebra interessante
- 25:56também, porque a partir daqui ele vai para compromissos
- 25:59públicos. Eu só vou finalizar mais um
- 26:02parágrafo aqui, que diz o seguinte.
- 26:04Agora não estou mais intrigado, falando ainda sobre essa técnica
- 26:08dessas grandes empresas. O propósito por trás do concurso
- 26:12Fazer com que o máximo de pessoas endosse um produto ou
- 26:15até mesmo uma marca é o mesmo propósito por trás do concurso
- 26:18de redações políticas. Obter apoio.
- 26:21Em ambos os casos, o processo é o mesmo.
- 26:23Os participantes voluntariamente escrevem redações visando
- 26:27prêmios atraentes que têm apenas uma pequena chance de ganhar.
- 26:29Sabem que, para um texto ter qualquer chance de vencer, deve
- 26:33incluir elogios ao produto. Assim, fazem um esforço para
- 26:37encontrar aspectos elogiáveis a fim de descrevê-los em suas
- 26:41redações. O resultado são centenas de
- 26:43prisioneiros de guerra na Coreia ou centenas de milhares de
- 26:47consumidores nos Estados Unidos, atestando por escrito as
- 26:50vantagens dos produtos e que, portanto, experimentam aquele
- 26:54impulso mágico de acreditarem no que escreveram.
- 26:59Brunão, rápido como uma flecha, frase do episódio.
- 27:04O que as pessoas em nossa volta acreditam ser verdadeiro sobre
- 27:07nós determina em grande parte o que nós mesmos acreditamos que
- 27:10seja verdade. Excelente.
- 27:12E com essa frase, fechamento, chave de ouro.
- 27:15Muito obrigado pela sua presença e pelo seu tempo.
- 27:17Espero encontrar com você no próximo episódio do Clube do
- 27:20Livro aqui no ED Podcasts. Tamo junto!