Latest / TIC, Educação e Web / Inteligência Artificial e Machine Learning: O Novo Paradigma tecnológico
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- 0:00Imaginemos o seguinte cenário, somos viajantes do tempo.
- 0:04Certo. Acabámos de aterrar no ano de
- 0:061950. Entramos num escritório
- 0:08corporativo ou militar e tipo, o que é que vemos pessoas
- 0:12debruçadas sobre secretárias? O som constante das máquinas de
- 0:16escrever. Não é exato máquinas de
- 0:18escrever, dezenas de analistas a usar réguas de cálculo.
- 0:23Calculadoras mecânicas daquelas super pesadas e blocos de notas
- 0:27infindáveis, o. Mundo puramente analógico.
- 0:29Puramente analógico, e a nossa missão é tentar explicar a estas
- 0:33pessoas a revolução iminente da computação digital, tentar
- 0:37detalhar que quer dizer, numa questão de décadas.
- 0:40Quem não adotar estas máquinas e não dominar a gestão de bases de
- 0:44dados ou a programação, vai simplesmente ver a sua
- 0:46organização desaparecer do mapa. Pois o problema é que é um Choco
- 0:49cultural impossível de processar num só dia.
- 0:52Completamente AA infraestrutura física e mental deles
- 0:56simplesmente não tem paralelos para o que os estamos a
- 0:59descrever. Estás a ver?
- 1:00O abismo cognitivo seria total. Estaríamos basicamente a tentar
- 1:04explicar a autoestrada da informação em engenheiros que.
- 1:08Que ainda estão a tentar otimizar a máquina a vapor e o
- 1:11paralelismo é muito mais do que um mero exercício de imaginação,
- 1:14porque as dinâmicas de resistência à mudança.
- 1:17Há a burocracia instalada. Claro, sim.
- 1:20A burocracia e a incapacidade de prever saltos exponenciais são
- 1:23características intrinsecamente humanas que se mantêm
- 1:26inalteradas até aos dias de hoje.
- 1:28E é exatamente por esse motivo que começamos a nossa exploração
- 1:32de hoje com esta imagem de 1950. A verdade desconfortável é que.
- 1:37Nós somos as pessoas desse escritório.
- 1:40Pois somos. Estamos a olhar para uma mudança
- 1:43societal e tecnológica que mal conseguimos compreender na sua
- 1:47totalidade e temos como base para isto um documento incrível.
- 1:51SIM, 1 texto fascinante. Escrito por Steve blank, um
- 1:54documento de investigação super denso e revelador saído do
- 1:57Guardian not center for National security Innovation da
- 2:00universidade de Stanford. Ele argumenta que as nações e as
- 2:03organizações que falharem na compreensão profunda desta nova
- 2:07arquitetura de poder vão perder a sua relevância global numa
- 2:10questão de uma década. É uma janela de tempo muito
- 2:13curta. Muito curta mesmo.
- 2:15Por isso, a nossa missão nesta análise aprofundada para quem
- 2:17nos ouve, é eliminar o jargão corporativo, cortar o ruído
- 2:21superficial e dissecar este documento.
- 2:24Vamos perceber como inteligência artificial funciona na sua
- 2:27essência matemática. AA mecânica da corrida ao
- 2:30hardware e como isto vai reescrever o Tabuleiro
- 2:33geopolítico. Um roteiro ambicioso.
- 2:35Rígidas para sistemas que, na prática, conseguem inferir e
- 2:39generalizar soluções. Bem, para compreendermos a
- 2:43magnitude arquitetónica desta transição, temos de olhar para a
- 2:47evolução da relação entre o ser humano e a máquina.
- 2:50Durante os últimos 75 anos, a computação clássica operou sobre
- 2:54um paradigma de obediência cega. Regras rígidas.
- 2:57Não é exatamente. Um programador escreve código
- 3:00explícito delineando uma sequência lógica inquebrável.
- 3:04A condição a leva à ação BO computador não tem agência, ele
- 3:09apenas compila e executa essas instruções à letra, à velocidade
- 3:12da luz. Faz o que lhe mandam e pronto.
- 3:14Mas com o machine learning ou a aprendizagem automática, a
- 3:17arquitetura inverte, se por completo, o programador já não
- 3:20escreve as regras de resolução do problema.
- 3:23Então, o que é que ele faz? O que se desenha é uma
- 3:26arquitetura capaz de aprender. O sistema é alimentado com
- 3:30volumes massivos de dados estruturados ou não estruturados
- 3:34e o próprio algoritmo ajusta os seus tipo milhões ou biliões de
- 3:39parâmetros internos. Sozinho.
- 3:42Sim, ele falo, medindo constantemente a diferença
- 3:45matemática entre a previsão que acaba de gerar e a realidade,
- 3:49aquela que chamamos a verdade fundamental.
- 3:52E através de um mecanismo chamado retropropagação, o
- 3:55sistema calibra os seus pesos matemáticos.
- 3:57Até que a taxa de erro seja estatisticamente irrelevante, o.
- 4:01K, vamos desconstruir isto porque o saldo conceptual aqui é
- 4:04o alicerce de tudo o resto? É o ponto chave.
- 4:07Na computação clássica, é como se déssemos ao computador a
- 4:10receita exata e irrefutável para fazer um bolo com os gramas e as
- 4:15temperaturas precisas. A máquina segue os passos e o
- 4:18resultado é totalmente previsível.
- 4:20O bolo sai sempre igual, desde que a receita esteja certa.
- 4:23Exato. Mas no machine learning, nós
- 4:26retiramos a receita da equação. É como se mostrássemos ao
- 4:29sistema 5000 fotografias de bolos e disséssemos.
- 4:33Hum analisa os pixeis, as formas, as texturas e descobre
- 4:37sozinho a representação matemática do que constitui um
- 4:40bolo. Essa analogia fascinante.
- 4:42E o modelo ajusta se. Até perceber que determinada
- 4:45configuração de dados representa a cobertura e outra representa a
- 4:49massa. E o que é fascinante aqui é a
- 4:51propriedade de generalização que resulta desse processo empírico.
- 4:55É a capacidade de aplicar isso a coisas novas.
- 4:57Exato ao forçar o sistema a deduzir a fórmula através da
- 5:00observação dos padrões nos dados.
- 5:02Ele desenvolve a capacidade de reconhecer um bolo que nunca viu
- 5:05na vida, num contexto completamente novo, com uma
- 5:08forma que nem sequer estava no conjunto original de
- 5:11fotografias. Uau.
- 5:12E o documento de Stanford de estrutura?
- 5:14Este processo em 3 fases vitais da engenharia de a.
- 5:17Quais são? Primeiro, o treino, que é essa
- 5:20fase computacionalmente exaustiva de ajuste de
- 5:23parâmetros usando repositórios colossais de dados.
- 5:26Aquela fase pesada do que falaste?
- 5:28Sim. Segundo vem a poda ou prouning,
- 5:31onde a rede neural após aprender, é matematicamente
- 5:35comprimida e otimizada. Ela elimina as ligações
- 5:38redundantes para se tornar mais ágil.
- 5:41Faz uma espécie de? Limpeza, basicamente.
- 5:43E por fim, temos a inferência, que é o momento em que o modelo
- 5:46destilado é libertado no mundo real para tomar decisões ou
- 5:50fazer classificações sobre dados novos e desconhecidos em tempo
- 5:54real. Mas repara, há um elefante na
- 5:56sala que o documento de Stanford da borda e que precisamos de
- 5:58clarificar para as pessoas que nos estão a ouvir.
- 6:00Diz, diz. A matemática subjacente a estas
- 6:03redes neuronais, os algoritmos de retropropagação que
- 6:06mencionaste, não foi inventada ontem.
- 6:08Longe disso. Muito disto é a teoria dos anos
- 6:1180 e 90. A arquitetura conceptual já
- 6:15estava desenhada nos quadros das universidades há imensas
- 6:18décadas. Se a matemática era conhecida, o
- 6:21que é que esteve a bloquear esta explosão durante tanto tempo?
- 6:24O que é que convergiu de repente para destravar este monstro?
- 6:29É uma excelente questão. O autor detalha que não houve um
- 6:32único milagre, mas sim uma colisão de 4 grandes Placas
- 6:36tectônicas, tecnológicas, quase em simultâneo. 4 forças.
- 6:41Sim, a primeira foi o advento dos conjuntos de dados massivos.
- 6:47A proliferação da internet, associada a biliões de
- 6:50smartphones e sensores IoT, criou uma verdadeira mangueira
- 6:54inesgotável de dados digitais, a matéria prima, de repente,
- 6:58passou a existir em abundância. Os dados tornaram se o novo
- 7:02petróleo, como costumam dizer. Precisamente a segunda foi o
- 7:06refinamento interativo dos próprios algoritmos, que se
- 7:09tornaram incrivelmente eficientes a processar camadas
- 7:12profundas de informação, o famoso deep lawing OK?
- 7:16E a terceira a. Terceira força foi um modelo de
- 7:19inovação open source, o código aberto.
- 7:21O facto de investigadores disponibilizarem bibliotecas
- 7:24matemáticas publicamente significou que um avanço num
- 7:27laboratório era imediatamente integrado e melhorado por outro
- 7:31laboratório do outro lado do mundo, criando tipo um efeito de
- 7:34juro composto no conhecimento humano.
- 7:37É pá. É aqui que a coisa fica mesmo
- 7:39interessante. E onde o documento do Steve
- 7:41blank introduz uma nuance crucial?
- 7:44Sem dúvida. Porque se olharmos para essas 3
- 7:46primeiras forças, dados omnipresentes, algoritmos
- 7:50otimizados e bibliotecas open source, tudo isto aponta para
- 7:54uma democratização da tecnologia.
- 7:57Dá aquela ilusão de que qualquer equipa de engenheiros numa
- 7:59garagem pode mudar o mundo. Amanhã, uma visão, um bocadinho
- 8:03romântica. Exato, mas a quarta força que o
- 8:06autor menciona. Destrói completamente essa
- 8:09narrativa, não é? Destrói por completo.
- 8:12A quarta força é o poder de computação puro e duro.
- 8:15O hardware e inferência pode até ser feita num telemóvel banal,
- 8:19mas o treino de ponta tornou se um desporto para bilionários.
- 8:22É o paradoxo desta revolução. A teoria matemática requer
- 8:26multiplicação de matrizes em dimensões impensáveis.
- 8:29Coisa que os computadores normais não aguentam.
- 8:32Não aguentam porque os processadores centrais
- 8:34tradicionais os CPUs. São desenhados para executar
- 8:37tarefas complexas de forma sequencial, uma após a outra.
- 8:40O machine learning precisa exatamente do oposto, cálculos
- 8:44muito mais simples, mas milhões deles feitos ao mesmo tempo.
- 8:47Em paralelo. Daí a loucura com as Placas
- 8:50gráficas, exatamente daí a dependência absoluta de GPUs,
- 8:55unidades de processamento gráfico ou de circuitos
- 8:58integrados de aplicação específica, os acic.
- 9:01Os chips dedicados. Sim.
- 9:03E o documento ilustra isto com uma brutalidade financeira
- 9:06impressionante. Por exemplo, o treino do modelo
- 9:09de linguagem GPT 3 exigiu mais de 1000 GPUs em vídia da classe
- 9:13mais avançada a operar sem parar durante mais de 1 mês.
- 9:17Só para o treino? Só para o treino, o custo
- 9:19energético e de hardware ultrapassou os 25000000 de
- 9:23dólares apenas para realizar o treino uma única vez.
- 9:26Uau, 25000000? E se o treino não correr bem ou
- 9:30se houver um erro tipo na arquitetura dos dados?
- 9:33Deitam se esses 25000000 ao lixo e é preciso recomeçar o processo
- 9:37de computação, tudo. De novo, é um risco brutal.
- 9:40Isto altera completamente a dinâmica de poder.
- 9:44Se a Barreira de entrada deixou de ser o engenho do software e
- 9:49passou a ser a capacidade brutal de financiar supercomputadores,
- 9:53então a inteligência artificial de ponta?
- 9:57Já não é acessível à esmagadora maioria das universidades ou de
- 10:00pequenas empresas. Fica restrito a uma elite no
- 10:03fundo. Exato, o poder de criar os
- 10:06modelos fundacionais de próxima geração concentra se num punhado
- 10:10de gigantes tecnológicos e de nações estado é uma autêntica
- 10:14corrida ao armamento. O texto descreve isto como um
- 10:17fosso estratégico. Um malte no inglês e vai mais
- 10:20longe. Não é apenas o capital para
- 10:22comprar o Silício físico. Há mais do que o hardware.
- 10:25Sim, porque empresas de líderes no fábrico de hardware
- 10:28construíram camadas de software fechado e altamente otimizado
- 10:32para interagir diretamente com estes chips, criando um
- 10:35ecossistema do qual os investigadores não conseguem
- 10:37escapar facilmente. Ficam presos àquela
- 10:40infraestrutura. Estão presos e as implicações
- 10:43disto para a soberania tecnológica de blocos
- 10:45geográficos inteiros são imensas, pois quem não tem a
- 10:48capacidade de imprimir os seus próprios chips?
- 10:51Avançados, fica dependente de cadeias de abastecimento
- 10:53extremamente frágeis. Bem, quando passamos desta
- 10:56guerra, infraestrutural para o impacto no mundo real.
- 11:00O documento de Stanford mapeia o grau de infiltração da IAEO que
- 11:04impressiona. Não é apenas a velocidade, mas
- 11:07AA profundidade da integração na sociedade e na defesa.
- 11:11A forma como penetra em todos os setores.
- 11:13Exatamente, o processamento de linguagem natural deixou de ser
- 11:16apenas 7 bots básicos de serviço ao cliente.
- 11:20Para passar a ser sistemas que ingerem bases de dados legais
- 11:23complexas ou escrevem código de programação autónomo, testando
- 11:27as suas próprias compilações. Ainda, visão computacional, o
- 11:30Salto é idêntico para. Um cão ou um gato numa foto do
- 11:33Facebook? O nível atual envolve redes
- 11:35neuronais que analisam ressonâncias magnéticas
- 11:38oncológicas e detetam, anomalias microcelulares com taxas de
- 11:43precisão constantemente superiores às disjuntas médicas
- 11:47super experientes. E não podemos esquecer o design
- 11:50generativo, que é outro Pilar abordado e que subverte a forma
- 11:54como pensamos o desenvolvimento de produtos físicos e de
- 11:57engenharia mecânica. Como é que isso funciona na
- 11:59prática? Antigamente, o engenheiro
- 12:01desenhava uma peça no computador com base na sua experiência e
- 12:04intuição humana. Hoje o engenheiro apenas insere
- 12:07as restrições no sistema tipo. Esta peça de motor de avião tem
- 12:12de pesar menos de 3 kg, tem de suportar uma temperatura DeX
- 12:15graus. E os pontos de fixação são
- 12:17nestas exatas coordenadas. Dá as regras do jogo, EAIA faz o
- 12:21resto. Sim, mas AIA não sugere apenas
- 12:24uma solução convencional. Ela gera e simula milhares de
- 12:27arquiteturas orgânicas e complexas, apresentando o design
- 12:30que quer dizer, assemelha se mais um osso humano otimizado
- 12:35pela evolução natural do que é um objeto industrial tradicional
- 12:38que estamos habituados a ver. Os ganhos de eficiência de
- 12:40materiais são absolutamente assombrosos.
- 12:43Mas repara essa capacidade de gerar o que nunca existiu.
- 12:47Tem um lado Sombrio, intrínseco, e o documento de Stanford não
- 12:50poupa nas palavras quando analisa a intersecção de todas
- 12:53estas ferramentas com a segurança nacional.
- 12:55Entramos num campo muito sensível aí.
- 12:57Sem dúvida, e para quem nos ouve, é vital deixar claro que
- 13:01nós estamos apenas a reportar o cenário macroestratégico, tal
- 13:04como é apresentado pelo autor Steve Blanc, observando as
- 13:07dinâmicas geopolíticas de forma totalmente imparcial, sem
- 13:11endossos. Claro que estamos a dissecar a
- 13:12visão do autor. O texto destaca o conceito de
- 13:15vigilância massiva algorítmica, mencionando diretamente a
- 13:19utilização destas tecnologias por parte da China no
- 13:21policiamento da minoria uigur. É um caso de estudo pesado no
- 13:25documento. Muito pesado, o autor descreve
- 13:28como a integração silenciosa de metadados de comunicações
- 13:32móveis, leituras de Reconhecimento facial em dezenas
- 13:34de milhares de câmaras de video, vigilância e até repositórios de
- 13:38ADN. Tudo isto cria um panótico
- 13:40automatizado. Quando o sistema cruza?
- 13:42Padrões, cruza padrões de comportamento para identificar
- 13:46potenciais dissidentes antes mesmo de um humano analisar os
- 13:49perfis. É uma escala impensável.
- 13:52E o campo de Batalha físico também se transforma num
- 13:54ambiente gerido por algoritmos de fusão de sensores.
- 13:57O documento fala em enxames de drones autónomos que comunicam
- 14:00entre si sem qualquer dependência de um controlo
- 14:03central humano, aquele. Swarm drones.
- 14:05Exato. E aborda o processamento de
- 14:08sinais de inteligência, a capacidade de recolher ondas de
- 14:11rádio e radares inimigos e usar machine learning para
- 14:15identificar padrões escondidos no ruído de fundo tático
- 14:18desencobrindo, movimentações que a inteligência analógica humana
- 14:22nunca conseguiria isolar a tempo.
- 14:24A velocidade de análise muda. Tudo completamente.
- 14:28O ciclo de inteligência reduz se de dias para microsegundos.
- 14:31E aqui entra um dos mecanismos mais perturbadores do documento,
- 14:35a chamada ya adversaria ou adversarial AI, porque quer
- 14:40dizer, a intuição comum, diz nos que, para neutralizar uma rede
- 14:43militar destas, teríamos de lançar um ataque cibernético
- 14:46tradicional para deitar abaixo os servidores ou cortar energia
- 14:50elétrica. Um ataque de força bruta,
- 14:52digamos assim. Exato, mas aí a adversária opera
- 14:56num plano muito mais insidioso. O objetivo é atacar a própria
- 15:01matemática do modelo, os seus pesos internos, e podemos
- 15:05explicar como isto funciona na prática para os nossos ouvintes
- 15:08usando uma analogia simples de visão computacional.
- 15:12Aquela do sinal de trânsito, não é?
- 15:13Essa mesmo, imaginem um sistema de condução autónoma num carro
- 15:18que depende das câmaras para ler os sinais de trânsito?
- 15:21O que aí a adversária faz é calcular uma perturbação visual
- 15:25hiper específica, por exemplo, a desenhar um autocolante abstrato
- 15:30que parece apenas arte Moderna para o olho humano e colá lo num
- 15:33sinal de stop. Para nós, é só um autocolante
- 15:36estranho. Mas o sistema ótico do carro lê
- 15:39esse autocolante, os pixeis ativam uma sequência pervertida
- 15:43na rede neural e a classifica aquele sinal de stop com 99% de
- 15:48certeza como sendo um sinal de limite de velocidade de 120 km
- 15:52por hora. E o carro acelera em vez de
- 15:54parar. Exatamente.
- 15:56O servidor não foi atacado, o hardware está intacto, mas a
- 16:00perceção da realidade da máquina foi subvertida com apenas tipo,
- 16:04um pouco de fita cola, matemática.
- 16:06Se ligarmos isto ao Panorama geral, as implicações militares
- 16:09dessa fragilidade arquitetónica são profundas.
- 16:12Se transferirmos esse exemplo para dares de radar, em que um
- 16:15padrão de interferência gerado pelo inimigo faz com que a EAD
- 16:17de defesa aérea identifique um míssil de Cruzeiro como sendo
- 16:20apenas um bando de aves, o sistema colapsa não por
- 16:23destruição mecânica, mas por envenenamento cognitivo.
- 16:26É aterrador pensar nisso. E é por isso que o autor do
- 16:29documento classifica AEA como uma tecnologia de dupla
- 16:32utilização tão Extrema. A mesma abstração matemática que
- 16:35descobre novos compostos molculares para curar doenças
- 16:38pode ser ligeiramente revertida para maximizar a toxicidade e
- 16:41desenhar armas biológicas de forma automatizada.
- 16:44A mesma ferramenta, 2 propósitos opostos.
- 16:47Sim, e após a fase super cara do treino inicial, o custo marginal
- 16:52de usar estes modelos para criar danos assimétricos.
- 16:55Cai a pique o que altera completamente o equilíbrio das
- 16:59ameaças globais é a arma inteligente de quem tem poucos
- 17:02recursos. E, contudo, apesar desta
- 17:04descrição de capacidades que são avassaladoras, há uma tese
- 17:07central no artigo de Stanford que contraria totalmente a nossa
- 17:11intuição sobre os constrangimentos destas
- 17:13tecnologias. Que é a parte da burocracia.
- 17:15Autor defende de forma bastante contundente que é a maior
- 17:18Barreira para a adoção eficaz e defensiva da IA nos aparelhos do
- 17:22estado e nas grandes instituições.
- 17:24Não é a falta da tecnologia de ponta nem a limitação dos
- 17:27algoritmos em si. Então, o quê?
- 17:29O estrangulamento principal é pura e simplesmente cultural.
- 17:33É a burocracia inerente às organizações pesadas.
- 17:36É o processo de contratação público que demora 5 anos a
- 17:39estar concluído. É para altura em que o software
- 17:41já está completamente obsoleto é a relutância orgânica das
- 17:45hierarquias de topo a integrar ferramentas que eles
- 17:48simplesmente não compreendem, preferindo os métodos analógicos
- 17:52seguros do que apostar na disrupção.
- 17:55E a fricção organizacional é monumental.
- 17:57As hierarquias baseiam o seu valor na capacidade de tomada de
- 18:00decisão. Não é a introdução de um sistema
- 18:02artificial que resolve otimizações logísticas globais
- 18:05em 2 segundos. Ameaça de morte das cadeias de
- 18:08comando tradicionais. Tirem lhes o poder das mãos.
- 18:11Tira. Mas há uma validade muito real e
- 18:13técnica por detrás desse ceticismo das hierarquias.
- 18:16O documento explora precisamente como é que as máquinas aprendem
- 18:20e os limites práticos que justificam alguma dessa
- 18:23desconfiança. O machine learning não é um
- 18:25monolito. Tem várias Vertentes.
- 18:27Sim. A abordagem supervisionada, por
- 18:29exemplo, exige que equipas inteiras de humanos invistam um
- 18:33tempo massivo a rotular dados antecipadamente.
- 18:36A dizer o que é o quê nas imagens e nos textos.
- 18:39Exatamente, o sistema é treinado para mapear inputs para um
- 18:42output predefinido, aprendendo sobre a matriz de respostas
- 18:45corretas criadas pelos engenheiros.
- 18:47É seguro? Mas é incrivelmente dispendioso
- 18:50em termos de mão de obra humana. Exato, mas a ambição real destas
- 18:54tecnologias reside nas outras categorias, na aprendizagem não
- 18:58supervisionada e na aprendizagem por reforço.
- 19:02Onde Os Guardiões humanos dão um grande?
- 19:04Passo atrás, precisamente. Na não supervisionada, atira se
- 19:08para dentro da máquina uma Montanha de dados brutos de
- 19:12transações financeiras tipo, sem qualquer rótulo, e diz, se
- 19:16descubra aí a estrutura. E a máquina começa a agrupar
- 19:19padrões de comportamento anómulo de contas bancárias em paraísos
- 19:23fiscais que 11 investigador humano demoraria décadas a
- 19:27conseguir ligar através de todo aquele ruído.
- 19:30A máquina vê os padrões invisíveis.
- 19:32Vê já a aprendizagem por reforço?
- 19:34O reenforcement learning atua quase sob princípios de
- 19:38psicologia comportamental. A máquina é colocada num
- 19:41ambiente com um objetivo final e um sistema de recompensas e
- 19:44penalizações. Aprendendo inteiramente por uma
- 19:47tentativa e erro auto gerada. E o caso emblemático que o autor
- 19:51cita para ilustrar este último método é fascinante, é o do
- 19:55sistema Alpha go. Ah, o do jogo de Tabuleiro.
- 19:58Sim, concebido para jogar aquele complexo jogo de Tabuleiro
- 20:01milenar, o go. A complexidade de matemática do
- 20:04jogo impossibilita a criação de uma árvore de decisões com todas
- 20:07as jogadas possíveis, como se fez com o.
- 20:09Xadrez são demasiadas combinações.
- 20:12Demasiadas. A abordagem do laboratório foi
- 20:14desenhar um modelo de aprendizagem por reforço.
- 20:17E pô, lo a jogar contra colones de si próprio.
- 20:19A jogar contra si próprio. Sim, e em cerca de 3 dias, a
- 20:23rede neural processou perto de 5000000 de jogos, otimizando as
- 20:27suas próprias estáticas ao tentar maximizar a sua
- 20:30recompensa matemática de Vitória.
- 20:32O resultado foi um sistema que não apenas atingiu o nível do
- 20:35campeão mundial humano, mas que executou movimentos tão
- 20:38alienígenas para a teoria do jogo estabelecida.
- 20:41Que redefiniu a forma como a própria comunidade humana passou
- 20:44a compreender as regras estratégicas do go.
- 20:46Isso é brilhante, mas quer dizer, é imperativo não cairmos
- 20:51no deslumbramento total aqui na nossa análise.
- 20:54O texto gasta uma parte substancial a mapear os abismos
- 20:58perigosos onde estes sistemas podem falhar catastroficamente.
- 21:02Sim, os limites da IA. O fenómeno do overfiting é um
- 21:05risco diário na engenharia de software.
- 21:07O modelo torna, se tão incrivelmente preciso nos dados
- 21:10com os quais foi treinado, que ele memorizar o ruído
- 21:14estatístico. Em vez de apreender a regra
- 21:16abstrata subjacente, ele fica sem a capacidade de ser
- 21:19flexível. Fica viciado naqueles dados
- 21:22específicos. Exato.
- 21:23Quando é colocado perante dados ligeiramente diferentes do mundo
- 21:26real, a sua eficácia cai a pique de forma dramática.
- 21:30E se é isto somarmos a vulnerabilidade à qualidade dos
- 21:33dados. Por exemplo, um modelo
- 21:35alimentado com históricos clínicos enviesados produzirá
- 21:38recomendações médicas estruturalmente discriminatória.
- 21:41Herda dos nossos preconceitos. Herda cegamente os preconceitos
- 21:44codificados nos números humanos. Temos aqui um cenário propício
- 21:48para decisões desastrosas. E isto leva nos à verdadeira
- 21:52parede intransponível do atual estado da arte, que é o problema
- 21:56da explicabilidade, o famoso dilema da caixa negra.
- 21:59A blackbox. Sim, no paradigma da computação
- 22:02clássica, se o sistema emitisse um alerta, os auditores podiam
- 22:06analisar o código e ler a linha exata de lógica dedutiva que
- 22:10despoletou aquele aviso era transparante.
- 22:12Estava lá escrito. Mas em redes neuronais
- 22:14profundas, com milhares de milhões de parâmetros fluídos
- 22:17que interagem em simultâneo, essa transparência mecânica
- 22:21desaparece por completo. Ninguém sabe bem o que se passa
- 22:23lá dentro. Nós conhecemos os dados que
- 22:25entram no sistema e medimos os resultados que saem.
- 22:28A rede diz com 98% de certeza que um determinado raio x
- 22:32pulmonar apresenta um padrão pré cancerígeno.
- 22:34Certo? Mas se exigirmos que a máquina
- 22:37de escreva num passo a passo, lógico.
- 22:40Qual foi o caminho de intersecções geométricas e
- 22:43padrões de densidade que ditou essa conclusão?
- 22:45Não conseguimos. A arquitetura interna é
- 22:50incompreensível para a mente humana.
- 22:52Então, o que é que isto tudo significa na prática
- 22:55operacional? Porque o impacto deste dilema da
- 22:58caixa negra, especialmente em áreas críticas, é uma âncora
- 23:02gigantesca. É um travão enorme.
- 23:04Como é que um longologista pode assinar a responsabilidade civil
- 23:08e ética? Por um protocolo de tratamento
- 23:10super agressivo, baseando se apenas num resultado estatístico
- 23:14que ele não consegue auditar visualmente ou debater,
- 23:16logicamente não pode. E pior ainda, transferindo isto
- 23:20para a esfera da segurança nacional, tratada pelo Steve
- 23:22blank. Quer dizer, como é que um
- 23:24almirante autoriza o disparo de um sistema de armamento autónomo
- 23:28no teatro de operações? Se o software lhe garante que
- 23:31identifica um vaso de guerra inimigo, mas não consegue provar
- 23:35empiricamente o raciocínio por detrás da identificação antes de
- 23:38detonar a arma? Isto levanta uma questão
- 23:40importantíssima, que o documento identifica como o paradoxo da
- 23:43confiança assimétrica, nós estamos a forjar ferramentas que
- 23:47já superam a nossa própria acuidade sensorial ou analítica
- 23:50em várias tarefas restritas. No entanto, o tecido da
- 23:54integração da tecnologia na sociedade depende essencialmente
- 23:57da prestação de contas. Alguém tem que ser responsável.
- 24:00Exato, para que o uso em ambientes de risco elevado se
- 24:03massifique, a engenharia global terá de investir uma enorme
- 24:07quantidade de capital na área da iá explicável, forçando estes
- 24:11modelos ou paccos a produzirem relatórios semânticos das suas
- 24:15decisões. A explicar o porquê de terem
- 24:18decidido aquilo. Sim, até lá, gerir o grau de
- 24:21autonomia cedido a estas máquinas e blindar a pureza dos
- 24:25dados de treino contra os ataques adversários.
- 24:28Será o teste diplomático e de segurança cibernética mais
- 24:31severo que os governos enfrentarão nesta década.
- 24:34A rede neural não tem moralidade.
- 24:37O algoritmo não hesita perante as consequências.
- 24:39Chegamos, assim, ao fim desta nossa dissecação.
- 24:42Para as pessoas que nos acompanham, a expectativa é que
- 24:45este cenário denso tenha agora contornos muito mais definidos e
- 24:49úteis. Fomos muito além dos chavões e
- 24:52das manchetes genéricas. Sem dúvida.
- 24:54Analisamos a transição profunda. Da lógica pré programada para a
- 25:00dedução empírica baseada em volumes astronómicos de dados,
- 25:04exploramos o pesado fosso financeiro construído com
- 25:08Montanhas de unidades de processamento gráfico paralelo e
- 25:13dissecámos a mecânica de envenenamento na guerra
- 25:16algoritmica. O diagnóstico da universidade de
- 25:19Stanford deixa claro que a velocidade em que o mundo
- 25:22absorver e regulamentar esta infraestrutura de Silício.
- 25:26Ditará a estabilidade ou a fragmentação global nos anos
- 25:29vindouros. É um momento de idagem.
- 25:31Absoluto e por falar na forma como as organizações reagem à
- 25:35velocidade da mudança, o documento encerra com uma
- 25:38reflexão filosófica e tática tão cortante que não poderia ficar
- 25:42de fora, conta lá, historicamente, os humanos,
- 25:46desde os líderes empresariais ou estratégias de guerra, operam e
- 25:49sobrevivem baseados num ciclo de decisão clássico, teorizado por
- 25:53John boid, o ciclo oda. Observar, orientar, decidir e
- 25:58agir. Exatamente.
- 25:59Nós detetamos um evento no mercado ou no campo de Batalha,
- 26:03processamos a informação, contextualmente, deliberamos
- 26:07internamente e executamos a reação.
- 26:10Mas o problema inerente a este ciclo milenar é a sua natureza
- 26:14reativa. Tudo se desenrola depois de o
- 26:17evento acontecer. A velocidade humana dita o
- 26:20limite. Estamos sempre um passo atrás.
- 26:22Sempre. A arquitetura computacional
- 26:24baseada em IA ameaça desmantelar este paradigma biológico por
- 26:29completo, empurrando as organizações de ponta para um
- 26:32novo ciclo de operação projetado no futuro imediato, o ciclo SPCA
- 26:38sense predict agri act sentir, prever, concordar e agir.
- 26:44É uma inversão total. É através de sensores ubicos e
- 26:48ingestão constante de dados vitais.
- 26:51O sistema sente o ambiente global de forma omnisciente,
- 26:55utilizando os seus modelos pré treinados.
- 26:57Ele prevê com probabilidades altíssimas a ação do adversário
- 27:01económico militar antes sequer de este a cometer.
- 27:05Quando a inferência está feita, a máquina apresenta a resposta,
- 27:09e é nesta exata fase que a natureza do trabalho humano
- 27:12sofre o golpe mais profundo. Deixamos de ser os decisores
- 27:15principais. Sim, o humano é despromovido do
- 27:18papel de observador central e de mestre decisor.
- 27:22A nós caberá apenas a penúltima tarefa, tentar compreender uma
- 27:26caixa negra insondável e, na grande maioria das vezes, devido
- 27:30à pura falta de tempo de processamento, simplesmente
- 27:33concordar. Assinar por baixo.
- 27:35Concordar, pressionar o botão e deixar a máquina autónoma agir.
- 27:40Se regressarmos ao nosso viajante do tempo de 1950, que
- 27:43agora espreita para o nosso escritório altamente otimizado,
- 27:46ele constata que o papel principal da nossa inteligência
- 27:51biológica passou a ser o de apenas validar um futuro
- 27:55probabilístico que um cluster de Silício acabou de gerar.
- 28:01É assustador e fascinante ao mesmo tempo.
- 28:03O que é que isto fará a essência da liderança humana?
- 28:06O que é que acontece a nossa intuição quando nos tornarmos
- 28:09meros burocratas encarregados de aprovar o raciocínio de
- 28:13entidades algoritmicas imensamente superiores, é uma
- 28:18sombra densa para levar para casa.
- 28:20Continuamos na próxima exploração.