Latest / NABOA / POR UM FIO com Pablina Veloso | NABOA Podcast TP 02 EP 93
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- 0:03O iPod apresenta. Eu conheci a minha convidada
- 0:10desse episódio há menos de 1 mês.
- 0:13Na verdade, eu nem esperava conhecê la.
- 0:15Sabe aqueles encontros inesperados que pegam a gente de
- 0:18surpresa? Pois é.
- 0:20Só que a pablina me pegou de jeito.
- 0:22Aliás, eu garanto que isso acontece com todo mundo que tem
- 0:26a oportunidade de conhecê la. Bem difícil escutá la sem sentir
- 0:31raiva, pena, compaixão, mas, acima de tudo, admiração
- 0:37daquelas histórias a cara do na boa.
- 0:39Afinal de contas, eu apresento aqui pessoas histórias e ideias
- 0:43inspiradoras e a pablina é a junção de tudo isso.
- 0:48Como uma pessoa com a história que tem, foi tendo ideias de um
- 0:52extremo ao outro e chegou de chegou e é o que é.
- 0:57Eu não vou me prolongar muito não, porque é com muito orgulho
- 1:01que eu abro esse espaço para que mais e mais pessoas possam
- 1:05escutar a pablina. Eu tô muito feliz de ter você
- 1:09aqui e poder te apresentar pablina, oi?
- 1:12Silva para mim é uma honra estar aqui junto com você, nona boa, e
- 1:16contar um pouco da minha história para os ouvidos.
- 1:20Pois é. Então, por favor, comece aí me
- 1:22contando. Quem é você?
- 1:24Eu não sei se a gente começa falando quem é você hoje?
- 1:27Ou como você se tornou essa pessoa geralmente?
- 1:30Como é que você faz isso aí? Porque tem várias sabrinas pra
- 1:34gente apresentar, né? Exatamente, então vamos falar
- 1:37quem sou eu hoje? E depois a gente volta um
- 1:39pouquinho lá no passado. É com você, vai lá.
- 1:43Eu me chamo fabblina Veloso, tenho 40 anos, sou uma mulher.
- 1:47Parda, considerada negra, tem 1 e 72 de altura.
- 1:51Estou com os cabelos cacheados, cabelos naturais, até o ombro.
- 1:55Estou com fone branco no ouvido, uma blusa preta da minha
- 1:59empresa. Dá uma levantadinha para o
- 2:01pessoal ver. Ateliê sol tranças afro só o CEO
- 2:05do ateliê sol tranças afro, do ateliê sol social, porque não
- 2:10tem como uma empresa ser gerida sem ter o seu lado social.
- 2:14Até porque eu vim do social também.
- 2:16Hoje eu tenho 2 unidades, uma no meu bairro, que é a comunidade
- 2:20do bairro taquario, aqui na região leste de BHEA, outra no
- 2:24coração de Belo Horizonte, na Galeria Ouvidor.
- 2:28E essas unidades, ela comporta aí 9 mulheres.
- 2:32Todas essas mulheres em situação de vulnerabilidade social que
- 2:35foi formada por mim, concurso social e qual que é o foco?
- 2:40O foco é é formar essas mulheres, empregar essas
- 2:44mulheres, por mais que elas não queiram trabalhar no mercado da
- 2:48França, trabalhar em unidades de salões de atelier.
- 2:52Elas podem trabalhar dentro de casa e se tornar independente
- 2:55economicamente. Eu falo isso por quê?
- 2:58Porque temos muitas mães atípicas, né?
- 3:00Que cuidem de casa, tem algum ente querido, então não pode
- 3:03sair para fazer atendimento a domicílio e nem mesmo para ter
- 3:06uma jornada, é como CLT, então tem como ela ganhar o seu
- 3:10dinheirinho dentro de casa. E hoje eu sou formadora.
- 3:13Pelo instituto responsa. O que é o instituto responsa?
- 3:17O instituto responsa, ele é voltado para pessoas egressas do
- 3:21sistema prisional. Ele capacita e qualifica essas
- 3:24pessoas para o mercado de trabalho, apresenta também pra
- 3:27proposta para empresas. É com indicadores apontando que
- 3:32essa pessoa teve uma melhoria pessoal e que ela é digna, assim
- 3:35de uma oportunidade e eu entro como formadora.
- 3:38Então, através do instituto responsa, eu tenho o projeto
- 3:41Francisca responsa, que a gente já formou mais de 4000 mulheres
- 3:47e pessoas. O foco principal é mulheres.
- 3:50Mulheres em situação de vulnerabilidade social, mulheres
- 3:53que sofrem violência doméstica, mulheres a egressa do sistema
- 3:57prisional, porque a gente acredita no Brasil mais
- 3:59igualitário e a gente só vê as comunidades como mais de 60
- 4:03Morros, é. Vera Cruz taquaril é papagaio,
- 4:08morro do papagaio, Serra é morro do Cantagalo, no Rio, Rocinha,
- 4:14vigário geral, Vidigal, complexo do alemão, complexo da maré,
- 4:17complexo da são tantas comunidades.
- 4:20E vai para além disso. A gente atravessa muralhas, né?
- 4:24A gente também entra nos presídios, porque a gente
- 4:26entende que tem que começar uma mudança lá de dentro.
- 4:30Quando essas pessoas saírem para fora, elas têm uma opção, poxa.
- 4:34Eu não sei, somente cometer crime.
- 4:36Eu ganhei um curso lá. Será que eu consigo ganhar um
- 4:38dinheiro aqui? Porque ganhei uma mulher aqui
- 4:41com uma história que foi transformada em uma história que
- 4:44pode me inspirar? Então é aí que entra a minha
- 4:47história. Maravilhosa, né?
- 4:49Tem um porque tudo isso, né? Quando você fala, eu cuido de
- 4:52mulheres em vulnerabilidade, egressas, mães que atípicas e
- 4:57que sofreram também algum tipo de violência.
- 5:01Tudo isso passou. Pela sua vida também, né,
- 5:04pablina? Exatamente.
- 5:07Hoje eu sou assim, uma mulher que eu tenho destaque, tenho
- 5:11destaque em lugares que eu consigo ocupar.
- 5:14Hoje eu já fui premiada como uma das melhores francistas do nosso
- 5:19estado, na maior vitrine de empreendedorismo que é a Expo
- 5:23favela Minas. Foi a edição, foi a primeira
- 5:25edição, 2023. É, já recebi é menção, honra ao
- 5:30mérito dentro da Câmara. Pra nossa categoria, porque
- 5:33agora nós transcistas temos uma categoria, né?
- 5:37Somos transcistas e recebi essa honra ao mérito e pra mim foi
- 5:41muito gratificante. Tá lá a primeira honra ao mérito
- 5:45pra categoria de transcista e tá representando toda essa classe,
- 5:49porque é uma classe assim, que vai na raça e tem toda uma
- 5:52história. E quando a gente fala de trans,
- 5:54a gente tá falando de tecnologia ancestral da estética negra.
- 5:59É verdade? Exatamente.
- 6:01Mas não é somente uma estética negra.
- 6:03A gente trança qualquer um, porque ali a gente tem uma
- 6:07oportunidade de educar. E eu tenho um ditado que é o
- 6:11seguinte, não é sobre fazer uma trança, é sobre fazer uma
- 6:15cabeça, porque eu tenho que desconstruir ali muitas coisas
- 6:18que foram projetada há muito tempo atrás.
- 6:21Então, para mim, é uma honra ter a confiança de cada pessoa para
- 6:25eu colocar a mão na cabeça, para eu trocar uma ideia.
- 6:29Podia ter um cargo também de liderança da cufa aqui na minha
- 6:31comunidade, porque o pessoal me colocou como uma liderança.
- 6:34E eu só queria fazer o bem, porque no meio desse caminho eu
- 6:37recebi o bem. Então aí que entra o ateliê
- 6:39social. Então, Bora lá, vou voltar um
- 6:42pouquinho no meu. Passado eu só quero relembrar
- 6:44aqui, um relembrar quem está nos escutando que tem um episódio
- 6:48exclusivo sobre o Expo favela. Explicando o que é o Expo, ano
- 6:53passado eu estive lá, eu fiz uma cobertura, apresentei alguns
- 6:57convidados lá junto com com a equipe, também com a caiete, com
- 7:01o di. Foi super bacana.
- 7:02Conversei com a marciele, com com todo mundo ali, né?
- 7:06O Barroso que a gente mostrou a potência que é esse evento, né?
- 7:11Agora, para você chegar até ele, teve aí uma grande construção.
- 7:16E desconstrução da pablina, né? Exatamente.
- 7:19Não podemos deixar de falar da marciele duque, né?
- 7:22Que é para mim, ela é uma referência.
- 7:24Para mim também. Ela consegue potencializar
- 7:27outras. Mulher é delegar funções de
- 7:30forma justa. Então a marciele ela.
- 7:32Eu tenho como ela a referência estadual e nacional para mim e
- 7:37para eu chegar a esse lugar de destaque, eu tive que me quebrar
- 7:41por inteira porque eu vim de uma família.
- 7:45Eu era uma criança, vamos falar aí da infância, não vou nem
- 7:48depois. Eu digo um pouco mais da
- 7:50adolescência. Eu vim de uma família que era
- 7:52criminosa, então crescer e cometer crimes para mim era
- 7:55normal, era comum porque meu pai era traficante, minha mãe era
- 8:00extrematária, um mentia o outro roubava o outro, vendia droga.
- 8:06Então essa foi a minha realidade e nesse meio tempo o meu pai que
- 8:10tinha umas condições maior, ele arruma uma outra esposa.
- 8:14Mais nova, porque eles têm 23 famílias.
- 8:17Eles podem, né? É o lance aí do machismo e minha
- 8:22mãe fica depressiva. Só que na época não tinha,
- 8:25tínhamos um diagnóstico de depressão, então minha mãe é
- 8:28aquela mulher bonita, deslumbrante.
- 8:30Ela se entrega ao álcool e começa a fazer o uso abusivo de
- 8:34álcool. E era uma escadinha.
- 8:37Éramos 5 irmãos e uma prima adotada que a minha mãe pegou no
- 8:41hospital. Adotou e criou ela.
- 8:43Porém, nesse meio tempo a gente começa a ficar jogando e a minha
- 8:48casa, ela se torna ali um ambiente como que eu digo, um
- 8:53ambiente que não era propício para vivência, principalmente de
- 8:58crianças. Então minha mãe começa a trazer
- 9:00alguns amigos e ali começa a surgir alguns abusos.
- 9:04Uma coisa que para mim era normal, porque todo dia chegava
- 9:07um homem, tocava em alguma parte minha, me acariciava, beijava
- 9:11até mesmo na boca. Até eu entender que aquilo não
- 9:14era normal. Quando eu fiz 9 anos, eu já
- 9:17tinha plena convicção que eu estava sendo abusada.
- 9:20Porém, eu já era uma criança que tinha um pouco mais de maldade,
- 9:23porque eu fui treinada para isso.
- 9:25Alguém te falou sobre você, contou para alguém e alguém te
- 9:29falou, isso se chama abuso ou você foi sozinha, percebendo que
- 9:34aquilo ali não era normal? Então eu fui sozinha percebendo,
- 9:37porque eu eu já tinha ouvido falar na escola, né?
- 9:40E eu tinha me evadido da escola na quarta série, que foi
- 9:43praticamente nessa idade, então não prestava muita atenção na
- 9:47escola também. Só que eu fui percebendo que eu
- 9:49não poderia aceitar aquilo que não era normal, porque não era
- 9:53só homens, também tinha mulher, tinha uma mulher, uma moça que
- 9:56tomava conta da gente e que eu lembro que depois, na maior
- 10:01idade que eu fui lembrar que ela também abusou de mim, porque
- 10:03naquela época não lembrava dela. Mas agora é depois de um tempo
- 10:08que eu me tornei mãe, que eu lembrei que ela também tinha
- 10:10abusado de mim e se abusou de mim, que era a segunda filha
- 10:13mais velha. Também abusou dos menorzinhos
- 10:16porque éramos escadinhas, né? E nisso minha mãe fica
- 10:21dependente do do álcool e não consegue pagar uma conta de
- 10:24água, uma conta de luz. Então a gente foi crescendo,
- 10:27jogado. Nesse meu tempo, eu entrava numa
- 10:31padaria no supermercado e pegava um biscoito, uma fralda, um pão.
- 10:35Então já fui ficando conhecida por esses pequenos delitos na
- 10:39comunidade, porque era delitos de sobrevivência.
- 10:42Errado é errado, mas foi me passado que eu tinha que fazer
- 10:46aquilo e sobrevivência que eu sabia fazer muito bem aquilo.
- 10:51Porém, eu pego uma maior idade, 1112 anos.
- 10:54Aí eu já começo a roubar, porque eu já praticamente já tinha
- 10:59ficado viciada e gostava muito daquela adrenalina, né?
- 11:03Então eu IA para bairro Santa Teresa, Horto, Santa efigênia,
- 11:08Sagrada Família e cometia pequenos furtos.
- 11:11Como roubar uma quantinha de uma moça, roubar uma bolsa de uma
- 11:14Madame. Esperar uma garagem abrir, ir
- 11:17lá, entrar na casa, fechou a garagem, o carro saiu, entrava
- 11:21escondido, nem sabia se tinha cachorro.
- 11:24Olha o risco, isso eu estou falando de 10 aos 12 anos e isso
- 11:27é verdade. Eu tenho toda minha comunidade
- 11:30que consegue é é provar e confirmar isso e.
- 11:35Porém, isso foi ficando vicioso. Era uma coisa que eu já estava
- 11:38gostando de fazer e eu já entendia que isso não era
- 11:40normal. Eu não era a criança que
- 11:42aprendeu isso com 7 anos, que é AA idade que eu lembro.
- 11:46Então é, comecei fazer isso e tive a minha primeira passagem,
- 11:49inaugurei o centro de reeducação social São Jerônimo.
- 11:53Eu e mais 3 conhecidas, que foi a Michele.
- 11:56Com quantos anos? Com 12 anos de idade?
- 11:5912 anos, tá? Com 12 anos de idade e para além
- 12:03disso, eu tive várias passagens. A menor idade foi várias
- 12:06passagens, passagens de 45 dias, de 3 meses, 6 meses e a última
- 12:11foi de 1 ano e 3 meses, que eu me lembro e foi quando eu tava
- 12:15completando a maior idade. Aí meu sonho era ser mãe, tive
- 12:20um filho. Deus permitiu que eu tivesse um
- 12:22filho. Comecei a trabalhar.
- 12:24Qual que era a chance de eu trabalhar?
- 12:26Todo mundo sabia que eu era uma menor infratora, que eu tava aí
- 12:30já me tornando uma maior idade. Então, aos 19 eu sou mãe.
- 12:34Aí meu pai tem um ponto de carro, de lavar carro na área
- 12:37hospitalar e eu fui para lá lavar carro e olhar carro.
- 12:41Os doutores me tratavam super bem, então fui mudando um pouco
- 12:44ali, aquela concepção de vida que eu tinha, né?
- 12:46E ser mãe para mim tava sendo tudo.
- 12:49Porém, nesse meio tempo eu perco meu irmão de 16 anos, e daí eu
- 12:54começo a usar drogas. Então, aquilo que era o meu
- 12:57sonho, eu não tive força. Eu usei tanta droga porque eu
- 13:01cheguei praticamente a abandonar o meu sonho, que era o meu
- 13:05filho. Ele veio da maneira que eu
- 13:07imaginei ele, aquela coisa mais perfeita.
- 13:09Deus me deu ele saber o meu desejo.
- 13:13Eu não tive forças para continuar e eu tava falhando
- 13:15igual minha mãe falou com a gente, minha mãe foi a bebida e
- 13:18eu tava indo para as drogas. Passa um pouco de tempo, eu vou
- 13:22presa. Chega lá dentro, gente.
- 13:25Sinceramente, é muito difícil ressocialização dentro do
- 13:29sistema prisional. A realidade lá é totalmente
- 13:32diferente e a gente sabe e existe indicadores que aponta
- 13:35isso. E quando eu chego lá, digamos
- 13:38que lá é a faculdade do crime, então se eu roubava, eu saí de
- 13:41lá vendendo droga. Eu já deixei de usar droga
- 13:45porque, nossa, fulano tinha um carro, então eu quero também
- 13:48ostentar, eu quero ter um carro, eu quero viver bem, quero comer
- 13:51bem ou quero viajar. Esse era o pensamento e saí de
- 13:55lá vendendo droga, fui presa de novo, cumpri mais 4 anos na
- 14:01primeira vez, 2, na segunda, quarta saio novamente e quando
- 14:06eu saio eu faço um assalto. E os ex parceiros do crime?
- 14:12Aí foram preço e eu fiquei foragida.
- 14:14Nisso que eu fiquei foragida, né?
- 14:16E essa falta ele se tornou um sequestro e eu fiquei foragida
- 14:19porque é, eu sabia que eu poderia ficar muito tempo preso
- 14:23e eu engravido nesse meio tempo de novo.
- 14:25Só que essa não foi uma gravidez desejada assim, sabe?
- 14:29Aconteceu isso que eu engravido. Eu fiquei com muito medo deles
- 14:32me pegarem e eu comecei a fazer algumas faxinas e usar nome
- 14:36falso e eu não queria mais me envolver nessa vida e eu vou
- 14:39ganhar em São Paulo. Quando eu vou ganhar minha filha
- 14:42em São Paulo, eu sou denunciada, então quando eu queria mudar,
- 14:47tipo eu, você vai pagar, sabe? Foi a primeira vez que você
- 14:51falou assim, eu quero mudar desse jeito, não dá para
- 14:53continuar que aí você? Foi pra São Paulo?
- 14:57Usou um outro nome justamente para não ser atrelado aquela
- 15:00pablina que todo mundo já conhecia.
- 15:01Isso, mas não existe como mudar fazendo errado.
- 15:05Pra você mudar, você tem que corrigir.
- 15:07Não existia uma mudança, eu usando um nome falso, era um
- 15:10crime, então eu vou pra lá pra ganhar minha filha e sou
- 15:14denunciada. Alguém fez esse favor pra mim?
- 15:17Na época eu fiquei muito triste, eu fiquei muito nervosa também,
- 15:20mas hoje eu entendo que era necessário tudo isso acontecer
- 15:23pra mim. A minha transformação de vida e
- 15:25com a minha melhoria pessoal é uma questão de moralidade, é o
- 15:28que havíamos falado naquele encontro.
- 15:31Então tudo começa pela moral quando você começa a entender
- 15:35que você tem que melhorar. O ser humano, ele tem que
- 15:38evoluir e para isso entra o quê? A educação.
- 15:41Quando eu vou presa, eu vou para a Turquia Paulista de vida, do
- 15:46de São Paulo com Mato Grosso do Sul.
- 15:48Então lá foi assim, AA pior prisão que eu passei.
- 15:53Lá eu falei, aqui é o meu filho, se eu não mudar aqui eu não mudo
- 15:56mais. E eu já vinha dando trabalho
- 15:59desde a menoridade. E perguntar ao pessoal da
- 16:02segurança pública, acredito que a maioria já estão aposentados,
- 16:06mas todos conheceu a padrina do passado.
- 16:08E quando vê a padrina agora, poxa, será que É Ela mesmo?
- 16:12Aí me convida para palestrar é no Ministério público, na
- 16:18faculdade de direitos humanos, na Defensoria pública, porque
- 16:23esse pessoal acreditou na transformação.
- 16:25Esse pessoal sabe a realidade que é de lá de dentro.
- 16:29É, mas voltando ao ao cárcere, aí lá eu comecei AA estudar, eu
- 16:34fiz um ensino, um ensino fundamental que eu havia parado
- 16:38na quarta série, com 9 anos, e fiz um ensino médio.
- 16:41E quando eu saio dessa penitenciária de segurança
- 16:43máxima, que é lá no Fundão de São Paulo, pra quem apronta
- 16:47mesmo, sabe? Aí eu vou pra capital, na
- 16:50capital eu fico só 3 meses e vou para o Butantã semiaberto.
- 16:54Quando eu chego lá, eu vejo uma fila enorme.
- 16:57Que que é isso? A Fila do Mackenzie eu falei,
- 17:00que que é o Mackenzie? Puxa, eu era tão leiga que eu
- 17:02não entendia de faculdade. O Mackenzie é a universidade dos
- 17:06playboys, aqui de São Paulo. Falei, é isso, essa é a minha
- 17:10oportunidade. Fui, entrei na fila, fiz 5
- 17:14seletivas no meio de quase 4000 mulheres, gente, e passei em
- 17:19todas, selecionaram 15 mulheres. Eu fui a primeira Liberdade
- 17:24desse projeto, foi um projeto. Pioneiro de pesquisa e ação, um
- 17:30projeto de extensão dentro da faculdade.
- 17:33E quando eu saio esse projeto ali seria só para o estado de
- 17:37São Paulo. E quando eu saio eu vou lá na
- 17:39faculdade, eu poderia ter vindo embora rapidamente para o meu
- 17:42estado. Eu vou lá e peço uma
- 17:43oportunidade. Peço para conversar com os
- 17:45professores e eles me atendem. Falo pablina o projeto a partir
- 17:49de hoje ele vai ser EAD para pessoas, realmente é.
- 17:54Para para aquelas pessoas que realmente querem mudança de
- 17:57vida. A gente está acreditando em você
- 18:00e a gente precisa de você, você tem noção disso?
- 18:03Falei, professora, essa é a doutora Ana Lúcia Vasconcelos,
- 18:07né? Ela é esposa do reitor Marco
- 18:09Túlio da universidade. Eu falei, professora, eu que
- 18:12preciso de você. Essa é 11 oportunidade assim que
- 18:15eu nunca imaginei ter na minha vida.
- 18:18Então eu fui agarrando essas oportunidades com as mãos, sem
- 18:21soltar. E lembrando, quando eu entro no
- 18:24Mackenzie de tornozeleira, porque eu estava no câncer, eu
- 18:28entrei naquela biblioteca. Gente pensa, a maioria das das
- 18:33pessoas falam que o crime é ilusão, né?
- 18:35Uma ilusão é algo que te ilude, ilude mesmo.
- 18:38O Mackenzie foi mágico, então a educação, ela é transformadora e
- 18:44para além da educação, eles me acolheram com amor, eu me senti
- 18:49pertencente. Você sabe quando você entra num
- 18:51lugar que você não se sente pertencente?
- 18:53Aquela aquela não foi a minha situação.
- 18:55Eu imaginei que seria assim, porque eu já era acostumado a
- 18:58viver assim, por isso que eu era daquele jeito também.
- 19:02E quando eu me senti pertencente, eu chego aqui em
- 19:05casa, em Belo Horizonte, eu vejo minha família toda, minha
- 19:09família toda tinha mudado de vida.
- 19:10Não fazia mais sentido só eu continuar.
- 19:14E vou conhecendo ali as ferramenta mapa mental,
- 19:17conceitual, Windows, Word, infographic ou Canvas.
- 19:21E eu fui me deslumbando naquela magia, naquela aventura toda.
- 19:25IA para São Paulo de 33 meses, pedi autorização no fórum para
- 19:29poder ir fazer as provas. Foi a primeira Liberdade a
- 19:34concluir o ensino. Eu e a Carla, que era do
- 19:38interior de São Paulo, de Barretos.
- 19:41E a turminha nossa chamava a gente de da roça.
- 19:44Eu, pelo fato de ser de Minas e ela pelo fato de ser do interior
- 19:48as da roça conseguiram concluir porque era uma oportunidade
- 19:53única que nós tivemos. E hoje eu tenho orgulho de falar
- 19:57que eu sou formada em gestão de recursos humanos pela
- 19:59Universidade Presbiteriana Mackenzie.
- 20:02Digo que eu sou um trazer de sucesso deles o ano passado, em
- 20:06dezembro. É nós entramos dentro do
- 20:09Butantã, que foi o presídio que eu saí, que eu ganhei a bolsa, e
- 20:13ali eu entro para falar de aprendizagem que transforma isso
- 20:17é o impacto social, e eu entro palestrando para aquelas
- 20:20mulheres. E quando meus professores veio
- 20:23falando Mackenzie, foi junto, eles fala pablina, quando você
- 20:28vivia no passado? Então era nível hard, porque
- 20:31elas choveram com tanta atenção. Eu falei, pois é, eu descobri
- 20:34que eu tenho essa capacidade de liderar e eu já.
- 20:37Já a gente já tem noção quando a gente tem uma capacidade de
- 20:40liderança, né? E hoje eu uso para o bem.
- 20:43Não a sua história, pablina ela. Ela é tão incrível.
- 20:48Eu tenho certeza que essa é a segunda vez que eu estou
- 20:50escutando, né? A primeira que eu escutei, a
- 20:53gente não conseguia nem respirar.
- 20:54Agora eu estou escutando de novo e ao mesmo sentimento, porque
- 20:58são tantas lições em uma história só.
- 21:01Né? Porque a gente mostra o
- 21:03seguinte, é, é, você teve possibilidades na sua vida,
- 21:06poucas, mas você teve, você escolheu o caminho aparentemente
- 21:10mais fácil, mas foi o mais difícil, né, EEA, sua história
- 21:14comprova isso, as consequências que você teve, mas é, é muitas
- 21:18vezes quem tá de fora olha e fala, Ah, tem a escolha fácil
- 21:22porque quer e não não, né? A forma como você foi criada, o
- 21:27contexto que você estava inserida, né?
- 21:30Sei o porquê você ter agido da forma como você agiu e o poder
- 21:33transformador da educação. Mas eu acho que de nada adianta
- 21:38se não fosse você também decidir mudar, você enxergar essa
- 21:42possibilidade e esse poder realmente que a educação tem,
- 21:46né? De transformar.
- 21:48E olha como que ele mudou completamente a sua vida, a da
- 21:52sua família. Né?
- 21:53Dos seus filhos hoje e dos filhos deles também, que vão
- 21:57chegar daqui a pouco também. Ou seja, você mudou toda uma
- 21:59trajetória que lá atrás parece que já estava ali predestinada,
- 22:04né? Que não tinha outra solução, que
- 22:06não tinha outra opção anão ser aquela que é o que os seus pais
- 22:10escolheram, né? E você fala muito bem dos seus
- 22:14pais, apesar de tudo que eles passaram e que eles fizeram você
- 22:17passar também. Você tem uma visão também muito
- 22:20peculiar das escolhas que eles tiveram, né?
- 22:23Vou falar um pouco, é, eu falo dos meus pais, mas falo com
- 22:26respeito, porque eu entendo que meus pais não eram pessoas
- 22:30normais. Eu entendo que havia algum
- 22:32problema ali. Pode ser falta de conhecimento
- 22:36também, porque foi o conhecimento, foi a educação que
- 22:39me libertou, a educação que virou aquela chave.
- 22:42Mas meu pai, para mim, eu tinha ele como meu herói.
- 22:45Então é assim, existe um mandamento que Eu Acredito muito
- 22:48e eu gosto de falar. É honrar teu pai e tua mãe para
- 22:52que seus dias prolongue sobre a face da Terra.
- 22:55A minha mãe, eu não tive essa oportunidade porque minha mãe,
- 22:57eu perdi ela cedo, ela tinha 44 anos por tempo.
- 23:00A minha mãe foi muito cedo, mas quando eu saí com ascarcia, meu
- 23:05pai está acamado, ele sofreu 3 ABC.
- 23:09Ele estava esquizofrênico, com Alzheimer, então ele não
- 23:14conhecia quase ninguém. Os filhos dele conhecia.
- 23:17E houve uma época que eu falei lá que o meu pai trocou a gente
- 23:20por uma outra família. E quem cuidou do meu pai?
- 23:24A família trocada, os primeiros filhos.
- 23:27Quem cuidou do meu pai foi um filho que é cadeirante hoje, que
- 23:31inclusive ele estava para fazer uma cirurgia muito trágica,
- 23:33agora no hospital da baleia, que é amputada cintura para baixo,
- 23:37porque ele está com uma infecção que é ortomelite.
- 23:41É uma infecção muito, é a bactéria.
- 23:44Ela é autoimune, né? Estamos aqui em oração por ele e
- 23:48quem cuidou foi o Michel, a Morgana, o Emanuel e a pablina.
- 23:55Foram os filhos que lá atrás, ele, por alguma emoção ou talvez
- 24:00por alguma razão, ele deixou a gente para formar uma outra
- 24:03família. E a gente cuidamos com muito
- 24:06amor. Então é.
- 24:08Eu tive ainda essa oportunidade de honrar meu pai em vida, sabe?
- 24:12E. Para além da educação, Silva
- 24:15entra o lance da melhoria pessoal, que é a questão da
- 24:19moralidade. Eu não quero mais isso.
- 24:21O que me salvou maternidade Silva a minha vontade de ser
- 24:24mãe, porque eu havia falhado várias, inúmeras vezes, mas eu
- 24:28não queria mais falhar, independente de qualquer
- 24:30situação. Poderia dormir no chão com eles,
- 24:34mas eu não queria mais falhar. Eu queria os meus filhos de
- 24:36volta e quando eu resolvo mudar, eu consigo pegar os meus filhos
- 24:40e, para além disso, eu consigo ter um novo filho.
- 24:44E ter a oportunidade de ser mãe, de cuidar, porque antes era uma
- 24:48vida louca com meus filhos, hoje não.
- 24:50Hoje é 11. Vida saudável, uma vida normal,
- 24:53né? Que toda família tem agora.
- 24:56O que que você diria? Pablina é a pablinas existem,
- 25:02né? No mundo.
- 25:03Existem várias pablinas no Brasil, então em Belo Horizonte.
- 25:07Então a gente não precisa ir muito longe, né?
- 25:09Porque é é muita gente. Pode pensar, e tenho certeza que
- 25:13você deve ter pensado que você tinha tudo para dar errado, né?
- 25:16E assim como você, muitas fabrinas pensam dessa forma
- 25:20também. Aí eu te pergunto, o que que
- 25:22você diria para elas e também para quem, assim como eu, vê
- 25:26essas fabrinas de fora de uma outra posição e realidade, né?
- 25:31Como que a gente aproxima pessoas como eu de fabrinas,
- 25:35como você? Para as outras fabrinas.
- 25:39No passado, existe sim uma saída, por mais que tudo pareça
- 25:45que não tem saída, que acabou, porque era isso que parecia para
- 25:48mim que acabou e eu fui absolvida de algumas coisas que
- 25:53eu fiz e eu não entendia. Então existe sim, dependente de
- 25:59qualquer situação, se for uma doença, se for um cárcere, se
- 26:04for um aluguel que está vencido. Existe aqui dentro a sua força
- 26:11de vontade, o amanhã, o seu propósito.
- 26:15Qual que é o seu propósito? Você tem alguém a se agarrar,
- 26:20cílios, parentes não tem, então é você o seu propósito.
- 26:25Então tem como você sair dessa situação?
- 26:27Tem que começar de dentro para fora, aquela vontade de vencer.
- 26:32Quando você tem essa vontade de vencer, você vai desconstruindo
- 26:35muitas coisas, você vai melhorando.
- 26:38E para as tablinas de agora, para aquelas que superaram, que
- 26:44se dedicaram e que ainda lutam, que guerrilha, porque estamos em
- 26:48uma guerra para sobreviver no Brasil.
- 26:51Estamos em uma guerra e temos que lutar diariamente, mas não
- 26:55lutar com nós, mulheres. Temos que lutar com uma
- 26:59sociedade que diminui os nossos direitos.
- 27:03Então tá, Ah, não tô me sentindo pertencente.
- 27:07Cria o seu espaço, tem espaço para todo mundo.
- 27:11Eu fiz o meu espaço porque não tinha espaço para mim nas
- 27:14empresas, por mais que eu tinha aí uma graduação de uma
- 27:17faculdade com grande nome, não acreditavam na minha mudança de
- 27:20vida é não acreditavam na minha melhoria.
- 27:24Então eu tive que me renovar, eu tive que me recriar, eu tive que
- 27:29fazer conexões, isso é muito importante, gente, conexões.
- 27:33Mulher apoia mulher. E para as possíveis tablinas que
- 27:39querem uma melhoria, que querem se empreender.
- 27:43Aí que entra o lance da França, pode me procurar, tá gente?
- 27:47Tablina Veloso ou confaminas também tem um instituto
- 27:51responsa, porque eu faço questão de formar.
- 27:56Se estiver em situação de vulnerabilidade, eu formo.
- 28:00Eu formo e eu dou instruções aí de empreendedorismo, porque eu
- 28:03sou boa em estratégia, tá, pessoal, até porque eu sou
- 28:06sobrevivente, eu vim da guerra mesmo, então é as tranças.
- 28:11Eu uso ela como ferramenta de resgate.
- 28:14As tranças resgataram a minha vida.
- 28:17E se hoje em dia existe uma ferramenta de resgate para
- 28:21resgatar a vida das meninas das mulheres, é as tranças.
- 28:25No meu meio, eu conheço as tranças.
- 28:28Então podem procurar a pablina Veloso, ateliê solo social,
- 28:32cufaminas ou o instituto responsa.
- 28:35Quando eu falo cufaminas é porque eu tenho um projeto que a
- 28:39cufa abraçou, que é o trans são de oportunidades e o Sebrae
- 28:42entrou como parceiro. E ele vai acontecer agora, dia
- 28:4529 e 30 de maio, e serão para 200 mulheres.
- 28:49Mentorias não será somente com a pablina, teremos lá nomes
- 28:53grandiosos. Que o Sebrae e a cufa está
- 28:56trazendo para capacitar essas pessoas com mentoria, terá
- 29:00certificado e muito mais. Maravilhoso, porque além desse
- 29:06trabalho todo que você faz, vocês também se se aliou a
- 29:10projetos que também são referência e potencializaram o
- 29:14seu trabalho, né? Porque se tem um grande desafio
- 29:17aí é realmente essa inserção. Dessas mulheres.
- 29:21E os homens também passam por isso, né?
- 29:23No mercado de trabalho, depois de terem passado aí por um pelo
- 29:26sistema prisional, né? Eu já tive a oportunidade de
- 29:29visitar a PAC, de visitar um presídio feminino aqui também,
- 29:32que tem uns projetos incríveis lá dentro, né?
- 29:36Que é, é, é me lembrando agora também.
- 29:38Eu conheci a marca de roupa libertis, que ela também
- 29:42trabalha a questão da moda com as mulheres, do corte da
- 29:45costura. Para capacitar essas mulheres
- 29:48para o mercado, quando elas também conseguem sair, tem essa
- 29:52nova oportunidade. Ou seja, são vários preconceitos
- 29:56e tabus que você quebrou. Por isso que a sua história ela
- 29:59é tão potente. Não só você como empreendedora,
- 30:02com essas várias habilidades que você tem, né?
- 30:05Mas eu te pergunto, o que que falta hoje para mulheres como
- 30:09você terem a transformação de fato?
- 30:12Você usou a educação e eu acho que.
- 30:16Eu arrisco dizer que essa é imbatível.
- 30:18Não sei se alguma outra bate a educação em termos de ferramenta
- 30:21de transformação, né? Mas é é o que que falta para as
- 30:25pessoas que vivem com textos parecido com você, que tenham
- 30:29acesso real a essa transformação, é.
- 30:32Você falou algo importante. Não tem nenhuma outra que bate a
- 30:36educação. Eu digo que existe.
- 30:38Assim é a oportunidade. Porque se você não tiver a
- 30:42oportunidade, você também não vai ter acesso à educação.
- 30:46Foi o que eu tive. A gente precisa de oportunidade,
- 30:51a gente precisa. Quem quer mesmo e quer mudança,
- 30:54a maioria quer, mas não tem oportunidade.
- 30:58Eu tenho meninas que que tais Enem não tem muito conhecimento
- 31:02porque não estudou no ensino bom.
- 31:05Então elas precisam ali tirar uma nota boa para fazer uma
- 31:09faculdade. Mas quando se tem uma
- 31:12oportunidade, tudo fica melhor. É, é com certeza, né?
- 31:16Fora os os desafios que você já deve ter sofrido ali, garanto
- 31:19que muitos julgamentos também, igual você já colocou, né?
- 31:23Ah, não, não é possível que ela se transformou dessa forma.
- 31:27Garanto até que gente próxima de você quem já te conhecia ali,
- 31:31né, desde a infância. Como é que foi lidar com essas,
- 31:34com essas críticas? Como é que a gente lida?
- 31:36Então, essas críticas até hoje também, como é que você foi se
- 31:39fortalecendo com os desafios que você foi encontrando pelo
- 31:43caminho? As críticas elas ainda existem,
- 31:46né? EE, assim, elas vêm de forma de
- 31:48fofoca, que o que que você tem que fazer?
- 31:50Você tem que pegar essas críticas e construir algo bom em
- 31:54cima dela. Não deixa bem do coração, eu
- 31:57falo, não deixa bem, mas às vezes bem, eu fico triste.
- 32:00Aí eu falo, poxa, sou muito boa em estratégia, então vou montar
- 32:03alguma coisa, eu vou fazer alguma coisa.
- 32:06A gente não pode se apegar. Gente entrou aqui, saiu aqui.
- 32:10É continuar fazendo bem. Quando que você percebeu que
- 32:14essa história aí, essas lições aí elas tinham, esse poder que
- 32:18ela que elas têm e que você começou a usar isso a favor?
- 32:22Até para encorajar, mobilizar, conscientizar outras mulheres,
- 32:26principalmente mulheres também, né?
- 32:28Quando que você viu assim? Pera aí, a minha história tem
- 32:31valor, eu não preciso esconder. Eu não preciso diminuir ou não,
- 32:35não, não vamos contar esse lado aqui, meu não.
- 32:37Mas não, você conta com muita firmeza, né?
- 32:41Com muita dignidade mesmo. Essa é a sua história, não tem
- 32:44como mudar. E você viu nela um poder de
- 32:47mobilização, né? Isso então, durante um bom
- 32:50tempo, eu me escondi. Eu era cuidadora, fazer faxina
- 32:54era o que me cabia. Mas quase ninguém sabia da minha
- 32:56história. Eu trabalhei na casa de uma
- 32:59diretora executiva da susep. O segundo escalão do governo.
- 33:03Ela sabia da pablina cuidadora, que cuidava muito bem dela, da
- 33:06casa dela e da família dela, mas ela poderia falar ali o meu
- 33:09passado, até porque uma vez que eu coloquei uma trança, eu senti
- 33:13um grande preconceito dela e de toda família.
- 33:17Então é, eu tive que me resistir, eu tive que resistir,
- 33:22eu tive que persistir porque eu queria viver, eu queria
- 33:27resistir, e eu entendi. Que eu poderia fazer o bem.
- 33:32Quando chegou uma cliente que já me conhecia no passado, falou,
- 33:36pablina, quem te vê não acredita que é você.
- 33:41Eu estou falando para as pessoas, ninguém não está
- 33:43acreditando e fulano falou assim, nossa, se a pablina
- 33:47mudou, por que que você não vai mudar?
- 33:49Uma mãe falou para uma filha, ou seja, se a pablina mudou, por
- 33:54que que você não vai mudar? Não é mérito, isso não é mérito.
- 33:58Mas eu trago a minha história para inspirar outras vidas.
- 34:02E não é só inspirar o que que eu posso fazer para ajudar com que
- 34:06elas mudem. Porque eu tive oportunidade, eu
- 34:10tive acesso à educação, a educação me conectou com outras
- 34:13mulheres, que foi a carinha do responsa.
- 34:16Então eu fui me conectando. Então foi aí que eu decidi
- 34:21formar essas mulheres e contar da minha vida e falar da força
- 34:25que nós temos, que só nós mulheres temos.
- 34:27Não que os homens não tenha. Já formei muitos homens também
- 34:30para trançar as filhas, tá? E aqui tira o chapéu para eles e
- 34:35vai para além da França. Tem toda uma história, tem toda
- 34:37uma identidade, tem muito respeito.
- 34:41Com certeza. O que você diria para as
- 34:43mulheres que estão ou já estiveram aí na sua situação?
- 34:47Ficou muito claro, né? Mas eu acho que ainda falta uma
- 34:50mensagem pablina. Que que você diria para as
- 34:53pessoas que ainda são carregadas de preconceito?
- 34:57Que ainda ainda olham torto, ainda é um espaço que ainda
- 35:01precisa ser ampliado, que muitas pessoas ainda não falam ou
- 35:05preferem não não arriscar. Se é que eu posso dizer assim,
- 35:08né? Que que você diria, né?
- 35:10Para quem tá para quem tá aí do seu lado, o recado tá mais do
- 35:13que bem dado, né? Mas o que que falta para
- 35:16realmente é é você ganhar confiança, essas mulheres
- 35:20ganharem a confiança e ter esse recomeço de fato sendo aplicado
- 35:24no dia a dia. Para as pessoas que são um pouco
- 35:27preconceituosa, eu entendo porque nós somos de BH, a nossa
- 35:31cidade é bem conservadora, então é um pessoal que é difícil você
- 35:35colocar algo na cabecinha. É por isso que eu falo, não é
- 35:39fazer uma trança, é fazer uma cabeça, e isso demora tempo.
- 35:43A minha demorou, a minha cabeça foi feita depois de 33 anos,
- 35:49então demora um pouco para eles. Eu digo o seguinte, oportunidade
- 35:54transforma. Vidas não tira uma oportunidade
- 35:58de alguém, é só a oportunidade que pedimos.
- 36:03E para as pessoas que sofrem preconceito é que passa aí por
- 36:08até mesmo racismo. Não desista, pega isso como
- 36:15força, porque você pode. Eu consegui, eu era uma sem
- 36:21futuro para minha família. Eu era uma sem futuro para a
- 36:25sociedade, eu era uma sem futuro para o sistema prisional.
- 36:29Eu era só apenas o número. Então se eu conseguir, você
- 36:35também consegue. É persistir.
- 36:37Pablina ouvir a sua história, ela é 11 lembrete muito poderoso
- 36:41de que nenhuma trajetória ela está completamente escrita, né?
- 36:44Que mesmo quando a vida parece ali empurrar a gente para um
- 36:47lugar onde a gente parece, parece impossível sair.
- 36:51Ainda existe a possibilidade de escolha, de recomeço, de
- 36:54transformação. A sua história.
- 36:56Ela fala sobre dor, sobre erro, sobre caminhos difíceis, mas,
- 37:00acima de tudo, sobre coragem, coragem de olhar para você, de
- 37:05acreditar que podia ser diferente e de encontrar na
- 37:08educação uma nova forma de caminhar, né?
- 37:12Eu acho que talvez essa seja uma das mensagens mais bonitas.
- 37:17Desse encontro e de todos os encontros que você promove
- 37:20quando você compartilha sua história, né?
- 37:23Acho que ninguém precisa ser refém do próprio passado, né?
- 37:26Então, para quem tá escutando a gente talvez vivendo um momento
- 37:30difícil, acreditando que já passou, do ponto de mudar alguma
- 37:34coisa na própria vida, que essa conversa sirva para isso, né?
- 37:37Como um lembrete, sempre existe uma fresta.
- 37:41Às vezes ela começa pequena, né? Quase ali, invisível.
- 37:45Mas que pode ser exatamente o começo de uma grande
- 37:49transformação, né? Eu só tenho a te agradecer
- 37:52muito, muito, muito por compartilhar mais uma vez a sua
- 37:56história comigo. E eu espero muito que ela chegue
- 37:59aqui através do na boa, a mais e mais pessoas, levando luz, que é
- 38:03isso que você faz mais do que trança, mais do que
- 38:06empreendedorismo, né? Você leva luz.
- 38:09Que a sua caminhada continue abrindo aí.
- 38:11Caminhos e mostrando que segundas chances não são apenas
- 38:14possíveis, mas elas são necessárias, né?
- 38:18Isso, Silvia, é da dor ao propósito, a aprendizagem que
- 38:24transforma e o seu impacto social.
- 38:27Eu digo hoje que eu sou uma empreendedora de impacto social.
- 38:30Eu não formo só mulheres, eu formo multiplicadoras.
- 38:33E isso é importante porque existe muitas fabrinas formando
- 38:38outras fabrinas. Da gente contribuir pra um
- 38:42Brasil mais igualitário, né? Você não se conteve só com a sua
- 38:46transformação. Você quer transformar, né?
- 38:48E isso é muito potente. Isso nasceu dentro de você, né?
- 38:52E aí ainda não tinha achado ali o espaço e o caminho pra pra
- 38:56soltar e você conseguiu fazer isso aí reverberar
- 39:00maravilhosamente bem. Eu tenho muita admiração por
- 39:03você e eu tô muito feliz de poder apresentar sua história
- 39:06aqui, viu? E eu agradeço imensamente pelo
- 39:10pelo encontro que tivemos, pela oportunidade de conhecer você,
- 39:13viu que tudo bem através da oportunidade.
- 39:16Então, pela oportunidade de conhecer você e pela
- 39:20oportunidade de estar aqui contando um pouco da minha
- 39:23história, contando um pouco da minha trajetória e só gratidão
- 39:28mesmo. Vamos juntas?
- 39:30Pra quem quiser conhecer mais, a pablina encontra ela nas redes
- 39:33sociais, né? É underline pablina, underline
- 39:37Veloso, certo pablina. Isso correto?
- 39:40E o ateliê, né, arroba underline?
- 39:43Ateliê underline sol underline também não é isso pra conhecer
- 39:48esse trabalho maravilhoso que você faz.
- 39:51E isso aí, e achando a pablina Veloso lá na bio, vai estar com
- 39:55a roupa de todas as ações que eu.
- 39:58Faço parte, que é o atelier só, o social, a culfa e.
- 40:03Essa mulher é uma potência e a cara do na boa, né?
- 40:07Adorei. Muito obrigada, viu?
- 40:10Eu que agradeço. E você, gostou desse episódio?
- 40:14Siga o nosso perfil e lembre se de classificar o nosso podcast
- 40:17com 5 estrelas e claro, compartilha com os amigos e tem
- 40:22mais conteúdos como esse também. Lá no meu Instagram você me
- 40:25encontra no arroba Sílvia Castro DC.
- 40:28Um beijo até o próximo episódio. A pablina foi uma das
- 40:31participantes do expofavela em edições anteriores e assim como
- 40:36a história dela é inspiradora, eu também conversei com outros
- 40:40empreendedores que tiveram seus negócios alavancados e
- 40:44potencializaram ainda mais o seu impacto através do expofavela
- 40:49você encontra o na boa especial expofavela.
- 40:52No canal do YouTube Sílvia Castro.
- 40:55E vem aí mais uma edição do expofavela Minas, nos dias 29 e
- 41:0030 de maio, na sede do Sebrae. Para mais informações, acesse
- 41:04expofavelaminasgerais.com.br.