Latest / Café com Dungeon / Mestre vs Jogadores #0031
Transcript
- 0:02Já deve ter gente revoltada com o título do episódio,
- 0:05o Mestre contra os jogadores. Não
- 0:08sei que tem muita gente que já demoniza e acha que
- 0:10isso não está em discussão. Está
- 0:13errado, o Mestre jogar contra os jogadores está
- 0:15errado, o F1 de contas RPG é um jogo cooperativo e o
- 0:19Mestre está do mesmo lado dos jogadores. Até
- 0:22que a gente que estrapola isso, como no Dungeon
- 0:24World, que fala que o Mestre é um fã dos
- 0:28jogadores e seus personagens. Bom,
- 0:31eu entendo, isso é uma visão interessante para
- 0:34determinado tipo de jogo. Mas
- 0:36o fato é que eu tenho um critico, eu tenho feito
- 0:38bastante crítica aqui, eu, Cobb, e outras pessoas
- 0:41também que têm participado do café, a gente tem feito
- 0:43bastante crítica às vezes aos mestres de jogo. E
- 0:46na verdade a gente não está fazendo uma crítica à
- 0:48categoria mestre de jogo, nem há algumas pessoas
- 0:52específicas como mestres de jogo. A
- 0:55gente está fazendo uma crítica ao desenho do papel
- 0:57do mestre de jogo. No episódio sobre Burnout, a
- 1:00gente pode abordar como esse mestre, ele é uma
- 1:03vítima das próprias responsabilidades que ele
- 1:06assume a partir de um papel de jogo muito mal
- 1:10desenhado. Historicamente até, a gente sabe que esse
- 1:14cara acaba às vezes sendo tirando e tudo mais, mas
- 1:18com um boa índole. Ele acaba sendo tirando porque
- 1:20ele está buscando fazer o grupo se divertir, porque
- 1:24ele está às vezes tentando... Pô
- 1:27cara, se vocês conseguirem resolver isso aqui muito
- 1:30fácil, vai ser pouco divertido. Às
- 1:33vezes ele está buscando a diversão do grupo, às vezes
- 1:35ele é massacrado pelas responsabilidades que ele
- 1:39assume. E se a gente olhar a figura
- 1:42do mestre, até hoje, a compreensão da sua atuação,
- 1:47ela é muito limitada. Ela é mal desenhada, as pessoas
- 1:52volta e meia acabam derrapando e caindo em mais
- 1:57responsabilidades ainda, como o cara que descobre lá o
- 2:00Critical Role, vê o Matthew Mercer e fala, bom, vou
- 2:02estudar teatro agora. A gente abordou isso no
- 2:04episódio do Burnout no RPG, dois episódios atrás aqui
- 2:10no Café com o Dungeon. E isso é muito complexo,
- 2:14muito complexo porque virou uma tradição. E
- 2:16o problema aqui não é que você, mestre, é um cara
- 2:21nocivo, é um cara que é tóxico e tudo mais. Não
- 2:27é também que a ideia de ter um mestre da mais
- 2:30morra seja tóxica em essência. Eu
- 2:34sei que aqui muita gente vai torcer o nariz. Eu
- 2:37acredito que não. O problema é que do jeito
- 2:40que esse papel é desenhado num jogo, ele leva a gente
- 2:44a relações de poderes complexas e leva a gente
- 2:47de forma geral a ter questões delicadas de
- 2:52política, mesa de micro -política, quem manda, quem
- 2:56resolve as coisas, quem dá a palavra final, esse tipo
- 3:00de coisa acaba irradiando para outros ramos. E
- 3:02eu sei, você pode ser um ótimo mestre e você pode
- 3:05passar sua vida inteira brilhando sem jamais ter um
- 3:09problema na sua mesa. Mas a gente sabe, se você
- 3:12abrir o muro das lamentações do Facebook,
- 3:15você vai ver o tanto de problema que as pessoas
- 3:18compartilham nos grupos de RPG relativos à atuação do
- 3:21mestre. Ah, o mestre não foi justo, o
- 3:24mestre sacaneou, o mestre pesou a mão, o mestre não
- 3:27pesou a mão, o mestre não arbitrou, o mestre deixou a
- 3:34regra de lado. Isso tudo é responsabilidade do
- 3:37mestre, né? Isso tudo é responsabilidade
- 3:39desse mestre. Porque começa com o mestre que
- 3:42controla o mundo e os NPCs e aí para controlar o
- 3:47mundo e os NPCs ele acaba fazendo essa interface do
- 3:52jogador com os jogadores que só controlam seus
- 3:54personagens no mundo de aventuras e o mestre faz a
- 3:57interface e aí a partir disso ele controla as
- 3:59regras, a partir do controle das regras ele
- 4:01pode até abrir mão das regras porque ele tem que
- 4:02buscar diversão do grupo e ser justo, então para ser
- 4:06justo às vezes ele ou contar uma boa história ele
- 4:10pode abrir mão das regras e então ele começa a sumir
- 4:13com uma enxurrada de responsabilidades enquanto os
- 4:16jogadores não. Você não vai ver aí os manuais
- 4:19de jogo falando que os jogadores têm que ser
- 4:20justos ou que os jogadores têm que, sei lá, que os
- 4:24jogadores têm que usar o bom senso, mas o mestre o
- 4:27tempo todo tem que usar o bom senso dele, o tempo
- 4:30todo a gente está contando que essa pessoa vai ser
- 4:32iluminada, como muitos de vocês são, para conduzir
- 4:36esse jogo sem problemas, mas a gente sabe, muita
- 4:39gente briga mesmo, muita gente acaba caindo na
- 4:41porrada, não literalmente ou às vezes até literalmente
- 4:45por conta de questões que surgiram à mesa em
- 4:48decorrência de um desenho mal feito de mestre. Que
- 4:52é a tradição no RPG, vamos criticar isso gente, a
- 4:55gente precisa criticar isso, mas o fato é que a gente
- 4:58não precisa só criticar para acabar com esse poder
- 5:01como muita gente fez aí no mundo do RPG, com jogos
- 5:04copy, algumas pessoas com jogos solo, algumas pessoas
- 5:09aí com jogos como fiástico. Será
- 5:15que esse mestre a gente não consegue fazer funcionar
- 5:19esse mestre? Será que a gente não consegue
- 5:20fazer esse papel ser desenhado de melhor forma?
- 5:24Será que a gente não consegue
- 5:25de repente trabalhar, resignificar, redesenhar essa
- 5:30figura para que ela funcione legal e de repente
- 5:34a gente descobre um espaço de jogo interessante dentro
- 5:39disso? Porque afinal de contas existe uma
- 5:41coisa interessante aí, o papel do mestre é um papel
- 5:43muito legal, você jogar um jogo que tem mestre é
- 5:46diferente de você jogar um jogo que não tem mestre,
- 5:48afinal de contas o sistema importa. Nem
- 5:51tudo que o mestre faz, porque ele é diferente dos
- 5:56demais participantes, os participantes vão poder
- 6:00fazer por si. Essa figura especializada, essa
- 6:03figura que tem um vetor diferente, que muitas vezes
- 6:06está ali decidindo ao contrário do que o grupo
- 6:09quer, por mais que ele tenha a responsabilidade de
- 6:12confluir como juíles, como árbitro, como cara que toca
- 6:16a história, etc. Existe esse vetor que é muito
- 6:20interessante, esse momento em que ele joga contra os
- 6:22jogadores. Será que a gente não consegue
- 6:24chegar num papel do mestre interessante dentro disso
- 6:27que funcione e que não atrapalhe o jogo, que não
- 6:31corre o risco de criar situações estranhas? É
- 6:34tão nítido que esse papel do mestre é mal desenhado
- 6:37e é tão nítido que dá errado, que dá merda para
- 6:40muito grupo que o próprio nome mestre foi tomando as
- 6:44piores connotações. Se a gente abrir o dicionário,
- 6:47a gente tem muitas acepções legais para o mestre. O
- 6:50mestre é o cara mais experiente, é o cara que
- 6:53ensina, é o cara que respeita, é o cara que já
- 6:59está mais tempo ali no rolê, é mais senior. Ou
- 7:02seja, tem muitas coisas interessantes ali de
- 7:06respeito e tudo mais que a gente tem na acepção da
- 7:08palavra mestre, mas a gente acaba trazendo para o lado
- 7:11pior possível, como o cara que manda nos outros, o
- 7:15cara que é arbitrário e de um jeito... A
- 7:17gente acaba trazendo para um lado ruim o mestre.
- 7:21Será que a gente não consegue
- 7:22ressignificar isso? Será que a gente não consegue
- 7:24trabalhar de outra forma? Primeiro
- 7:26lugar pensando a origem, mestre da mais morra, não
- 7:28o mestre da sua vida, mestre dos jogadores, não
- 7:31é? É o mestre da mais morra. A
- 7:33partir desse nome, a gente pode pensar, seria o mestre
- 7:37da mais morra? Qual é a sua função no jogo?
- 7:40Vamos investigar um pouquinho
- 7:41isso? É isso, eu quero esse mestre
- 7:43que faça o seu pior para que os jogadores denham o
- 7:46seu melhor. Eu quero um mestre que morda,
- 7:50sem dó. E é isso que a gente vai
- 7:52tentar fazer funcionar hoje aqui no Café com o
- 7:55Dungeon. Bom
- 8:13dia amigos do Café com o Dungeon, estamos aqui para
- 8:15mais um episódio do seu podcast matinal favorito,
- 8:18trazendo sempre muito RPG. Meu
- 8:20nome é Rafael Balbi e hoje eu estou aqui bebendo um
- 8:23café muito forte, amargo. Na
- 8:26verdade, esse café está forte pra caramba, mas não
- 8:29está amargo. Mas eu vou brincar que está
- 8:30amargo porque eu sou o mestre que morde, o mestre
- 8:33que desafia, o mestre que é o pior dos personagens.
- 8:37Mas, ainda assim, em doce, sem
- 8:39perder a ternura, porque eu estou bebendo um café forte
- 8:41mesmo, só que é ovelha negra. E
- 8:44ovelha negra é torra média, é uma torra tranquila, é
- 8:48uma torra que não deixa o café amargo não, mesmo
- 8:50quando você faz forte ele fica com um gostoso de
- 8:53café e não de impurezas, como se fossem esses cafés
- 8:56da indústria, que têm muitas impurezas e policias
- 9:00carbonizam o grão. Não, esse café é delicioso e
- 9:03mesmo se você botar ele forte pra caramba, você vai
- 9:06gostar. Então, se você quiser amanhecer
- 9:09tomando um café gostoso como esse e ouvindo o café
- 9:12com dângel, vá lá em ovellenegracafes .com e
- 9:15utiliza o cupom CCD, tudo minúsculo que é o cupom
- 9:19resolvente do café com dângel. Se
- 9:21você quiser, de repente, um cupom de assinante, aí você
- 9:24pode se tornar um apoiador lá no apoi .se .cafecondangel
- 9:27e aí você vai ter descontos progressivos de
- 9:30acordo com o nível do seu apoio. Além
- 9:32de acesso a conteúdo extra, você vai participar de
- 9:35sorteios dos nossos parceiros, inclusive de
- 9:37café. A gente distribui quase 2
- 9:39quilos de café aovelha negra pros sorteados a cada
- 9:42mês, então cola com a gente apoi .se .cafecondangel.
- 9:46Beleza? Vamos lá, vamos falar agora
- 9:49aqui do episódio anterior e ele faz uma elitura de
- 9:53enquete rapidinho. O episódio anterior foi sobre
- 9:56vencendo a agenda no RPG. E
- 9:59os comentários que a gente teve, teve um do Cabral
- 10:02aqui falando sobre o episódio anterior é esse,
- 10:06mas eu vou começar lendo do Diego Emanuel falando. O
- 10:09único grupo presencial que tive acabou depois de
- 10:14marcarem uma sessão num feriado e só ele e o
- 10:17mestre apareceu. Ele deixou os jogadores marcar
- 10:20sem uma próxima e nunca mais. Aí
- 10:22ele foi pro online, montou um grupo, online e quando
- 10:27o pessoal começou a faltar, o que ele fez, montou
- 10:30outro grupo e assim vai. Agora
- 10:32ele não se estressa mais, começou a faltar e ele
- 10:34monta outra mesa e vive o online. Bom,
- 10:37eu acho que você tá passando aí um certo, uma
- 10:40certa, você ficou um pouco magoado, né, parece assim,
- 10:44aí você, ah, não ligo mais pras pessoas. Mas
- 10:46que não precisa ser assim, você pode receber as
- 10:48pessoas que não dão a mesma prioridade que você,
- 10:50uma vez que você estabeleceu a sua mesa
- 10:52rodando sempre, né. Acho que sobre isso um pouco
- 10:55ali, o episódio de vencer a agenda é sobre você ter
- 10:58essa mesa que sempre funciona e aí você pode
- 11:00inclusive receber a galera que é casual na sua mesa,
- 11:03você não precisa se desfazer dessas pessoas,
- 11:06beleza Diego? E o Cabral mandou balbi sobre
- 11:09a enquete do episódio passado, você acha que a
- 11:11galera tem gostado mais de OSR e você acha que nós
- 11:13gostamos da OSR e achamos o café com dângel nesse
- 11:16meio tempo entre as enquete. Cara,
- 11:19as duas coisas, acho que a OSR nesse meio tempo ela
- 11:21se popularizou muito, né, ela teve uma produção muito
- 11:24interessante aí que foram bolhas, principalmente a
- 11:26galera da INSR, a gente teve o Brasil ou os Dragão
- 11:292 também que reforçou isso e acho que existe um
- 11:33público novo no café com dângel também, né, e esse
- 11:36público novo de certa forma já tem uma outra visão
- 11:39sobre OSR, uma visão que já diferente da época da
- 11:43primeira temporada. Então acho interessante, a OSR
- 11:46tem alargado seu público e naturalmente tem chegado
- 11:49gente aí que curte a OSR também achando o café. Mas
- 11:53é isso, valeu Cabral. Ah, eu perguntei também se você
- 11:58é um jogador hardcore ou casual e 73 ,8 % uma
- 12:04maioria aqui falou que é jogador hardcore, sendo que
- 12:0726 ,2 % só é jogador casual e aí eu fico, bom, acho
- 12:12que é natural, né, o café com dângel é um podcast
- 12:15dos cracudinhos da RPG aí, a galera que gosta de
- 12:18mergulhar fundo no assunto e é natural que a galera
- 12:22seja de perfil mais hardcore mesmo, né, ainda
- 12:24que eu tenho certeza que os casuais gostam de RPG
- 12:27tanto quanto os hardcore, só que obviamente estão em
- 12:31algum período aí que não conseguem dar tanta tensão
- 12:34assim pro hobby. Bom,
- 12:52vamos cair no episódio de hoje, né, eu quero que o
- 12:55mestre morda, eu quero que o mestre morda, eu quero
- 12:58que o mestre faça o seu pior. Primeiro
- 13:00lugar, por que que eu tô dizendo isso? Porque
- 13:03cara, olha só, eu jogo fiasco, eu jogo jogo cop,
- 13:08eu jogo jogo jogo solo, não tem problema com isso,
- 13:13eu gosto dessas modalidades e eu não acho que o papel
- 13:16do mestre seja essencial pra rodar um RPG. Por
- 13:19outro lado, eu acho que tem coisas que o mestre
- 13:23faz na sua atuação, que se a gente tira ele a gente
- 13:27perde e não é com problema, tem propostas
- 13:29interessantíssimas sem esse mestre de jogo, mas o que
- 13:32ele proporciona? Eu acho que a gente tem essa
- 13:36divisão de papéis que tem um papel assimétrico, né,
- 13:39com mecânicas assimétricas, com regras assimétricas, com
- 13:43funções diferentes, né, e opostas aos demais
- 13:48participantes é muito interessante. Isso
- 13:50cria um antagonismo ali que pode ser explorado de um
- 13:54jeito muito interessante, né, ele também é um cara
- 13:57especializado em fazer essa oposição, se a gente pensar
- 14:02nesse mestre que é o mestre contra os jogadores,
- 14:04né, ele é um mestre especializado em fazer essa
- 14:07oposição e isso é muito interessante, né. Não
- 14:09é aquele cara que fala, chega aí, vamos contar
- 14:11juntos uma história, não. Eu
- 14:13quero desafiar vocês a entrar nessa mais morra
- 14:16aqui, eu quero ver vocês saírem vivos. Isso
- 14:20é muito legal, né, e eu lembro que quando me
- 14:22encantei com essa perspectiva do mestre da
- 14:25mais morra quando era moleque, né, e de fato, em
- 14:29termos de design, isso abre espaços de design muito
- 14:31interessantes, abre espaços de design que mexem,
- 14:34inclusive, com a surpresa, de você descobrir alguma
- 14:38coisa versus você criar, ainda que seja um conflito
- 14:42pra si mesmo, né, quando você cria um conflito pra
- 14:44si mesmo você não tá descobrindo nada novo, né,
- 14:48você tá entendendo contato com ideia que você mesmo
- 14:50trouxe, você tá criando, existe uma diferença nisso
- 14:52como a gente conversou até no grupo do café com o
- 14:55Diego Sestito, tudo mais, e isso é a coisa descoberta,
- 15:00acaba sendo possível quando você tem alguém trazendo
- 15:02uma coisa nova, outros jogadores podem trazer pra
- 15:04você coisas novas que vão levar você a descobrir,
- 15:07podem também, mas somando isso a um vetor oposto ao
- 15:10mestre, essa especialidade dele, em tentar fazer o
- 15:14seu pior pra que o grupo dê o seu melhor na
- 15:16superação, eu acho que esse espaço é muito interessante
- 15:19e em muitos pontos não é alcançável pelo próprio
- 15:22grupo criando desafios pra si, né, ainda que a
- 15:25contribuição do grupo em criar desafios pra si
- 15:27também possa ser explorado pelo próprio mestre
- 15:30desafiador, mas a ideia é que eu acho que existem
- 15:33espaços muito interessantes nesse mestre que a gente
- 15:36pode buscar fazer funcionar melhor sem que a gente
- 15:38coloque em risco o funcionamento do grupo e as
- 15:41relações de micro política na mesa e todos esses
- 15:44afetos que a gente tem na mesa que muitas vezes são
- 15:46comprometidos pelo desenho ruim do mestre, né, muitas
- 15:50vezes o grupo se dá bem, as pessoas se dão bem, mas
- 15:53pelo jeito que o papel do mestre é desenhado e as
- 15:55responsabilidades que acabam ocorrendo nas costas do
- 15:58mestre, essa pessoa acaba se colocando numa rota de
- 16:01colisão com o próprio grupo e se ela não for muito
- 16:03habilidosa, a gente sabe, dá merda. Então
- 16:07como fazer esse papel assimétrico com vetor oposto
- 16:11ao grupo funcionar? Bom, eu tenho aqui uma, uma
- 16:15ideia que eu tenho desenvolvido que eu vou
- 16:17começar a desenvolver com vocês esse desenho para ver
- 16:19onde a gente chega e para começar eu vou começar a
- 16:23tentar entender esse mestre como um mestre que desafia.
- 16:28Se a gente tem no jogo no D
- 16:30&D clássico, o mestre que é o mestre que ele está ali
- 16:32para botar problemas para os jogadores, mas ele
- 16:36também está para ser um árbitro imparcial para
- 16:40entender o que é justo, olha que ingrato, entender
- 16:43o que é justo, se nem o direito chega numa conclusão
- 16:47sobre o que quer ser justo, se nem os juristas
- 16:50chegou a uma conclusão, se nem os filósofos chegou a
- 16:52uma conclusão do que é justo, que dirá o mestre
- 16:54de jogo, mas o fato é que o mestre tem que ser
- 16:57justo, tem que ser um árbitro imparcial, ele tem
- 16:59que também divertir o grupo, ele tem que, tudo
- 17:02isso. Não, vamos pensar que o mestre
- 17:06não tem que conduzir história, o mestre não tem
- 17:09que divertir o grupo, o mestre não tem que conduzir
- 17:11socialmente a mesa, o mestre não tem que ser um
- 17:15árbitro imparcial, nada disso, o mestre só tem uma
- 17:19função desafiar o grupo e fazer e dá o seu melhor
- 17:23nisso, ou seja, quando eu falo, dá o seu pior, é
- 17:26tipo ele fazer o mundo dos personagens ser o mais
- 17:29difícil possível na sua atuação. Você
- 17:33fala, pobalbe, então vai começar o jogo, vai que é
- 17:35um meteoro na cabeça do grupo e acabou, morreu, não
- 17:38tem nada que fazer, 20 dc de dano em todo mundo ali
- 17:41acabou, beleza, você conseguiu vencer o time,
- 17:44você conseguiu vencer o grupo. E
- 17:46cara, você tem razão, a crítica que a gente faz
- 17:50aqui, como eu falei lá na introdução, não é a ninguém
- 17:53específico quando a gente critica o mestre, também
- 17:56não é o próprio posto de mestre, essencialmente eu
- 18:00não vejo problema no mestre, o problema é do
- 18:02jeito que ele tem desenhado, para trazer um
- 18:05pouco de cor aqui a minha argumentação, eu vou citar
- 18:08o fiáscoa, olha que coisa, fiáscoa é um jogo que
- 18:11vocês devem conhecer, já devem ter ouvido falar, é
- 18:14um jogo de foco, como diria o tio Nilton, o tio
- 18:18Nilton, de foco narrativista, ou seja, o
- 18:21seu objetivo ali, a sua agenda principal, contar uma
- 18:23história, ele não tem mestre, é um jogo que
- 18:26aboliu o papel do mestre, o autor Jason Morningstar,
- 18:29ele foi crítico ao papel do mestre, tirou o mestre
- 18:31da equação e funcionou, o jogo é possível rodar sem
- 18:34mestre, e o que acontece ali, os jogadores, eles têm
- 18:38dados à mesa, um pool de dados à mesa, conforme eles
- 18:42pegam esses dados, eles têm esses dados como recursos
- 18:45narrativos, ou seja, quando você pega um dado, você
- 18:47pode estabelecer uma cena ou resolver uma cena, o
- 18:50fato é que você, para descrever, tem que pegar um
- 18:52dado da mesa e guardar esse dado, e o que importa
- 18:55é que tem todas umas interações ali de ponto de
- 18:58virada, de recolher os dados, mas tudo mais, mas
- 19:00o fato é que o jogo é esse, você tem dados à
- 19:03mesa e eles que regram, eles que regulam a criação
- 19:07de todo mundo à mesa ali, então se você é jogador e
- 19:10está querendo contar a história do seu personagem,
- 19:12você vai utilizar os dados que estão à mesa, o fato
- 19:14é que no fim do jogo você tem dois cores de dados à
- 19:18mesa, se você tem dados pretos e brancos, você vai
- 19:22subtrair o resultado de um do outro, então se você
- 19:26tem 20 pontos ali dos dados brancos e 10 dos
- 19:29pontos pretos, dos dados pretos, você vai terminar
- 19:32com 10 pontos brancos, e você consulta numa tabela
- 19:36final para ver qual fim levou o seu personagem, a
- 19:39ideia é que todo jogador vai tentar fazer com que a
- 19:42ficção contemple o seu personagem no fim das
- 19:46contas, ou seja, que seu personagem se dê bem nessa
- 19:49história de fiáscoa, o fiáscoa é inspirado em
- 19:51filmes dos irmãos Corran e ele quer emular esse tipo
- 19:55de narrativa em que todo mundo é meio filho da puta
- 19:57e todo mundo está querendo se dar bem, e no final
- 19:58todo mundo meio que se dá mal, mas é possível que o
- 20:01seu personagem se dá bem e para que esse jogo ocorra
- 20:03é legal que você pense que você está querendo fazer
- 20:05com que o seu personagem se dê bem, ainda que no
- 20:08final provavelmente ele vai se dar mal, e conforme
- 20:10vocês vão usando esses recursos narrativos e dando
- 20:13dados uns pros outros e mantendo os dados para si,
- 20:17você vai construindo um pool e se você terminar
- 20:20com um pool todo da mesma cor é provável que o
- 20:23resultado seja mais alto e você se der melhor na
- 20:26tabela no resultado final, então a ideia é que você
- 20:29construa narrativa, mas limitado por essa negociação
- 20:34dos dados, eu vou pegar esse dado aqui, vou botar
- 20:37para ele, vai dar oportunidade desse outro
- 20:39jogador resolver uma cena, mas ao mesmo tempo precisa
- 20:41dar mal porque ele fica com esse dado ruim, por
- 20:43outro lado esse jogador vai poder estabelecer uma coisa
- 20:45na ficção que vai me obrigar a fazer alguma
- 20:46coisa ou que vai botar meu personagem em maus lençóis
- 20:49e aí enfim, vai me levar a querer resolver uma cena
- 20:53para eu pegar um outro dado, e isso que é legal
- 20:55do jogo, isso é o salzinho que dá cor alfiagem, que
- 21:00em vez de ele ser um jogo distracionado de qualquer
- 21:02desafio, existe esse desafio muito importante do jogo,
- 21:06que é essa composição narrativa a partir dos
- 21:09pontos dos dados que estão a mesa que são recursos
- 21:13narrativos. No fral das contas a gente
- 21:16percebe que o grande sal do jogo é que essa
- 21:20contação de história livre, bem livre em cima desses
- 21:23temas de fiás, eles são no fim das contas uma
- 21:27oposição, os jogadores estão jogando uns contra os
- 21:29outros nesse aspecto, eles estão disputando os mesmos
- 21:31recursos, logo no jogo cooperativo, para se dizer,
- 21:36a gente pode dizer todo jogo é RPG cooperativo por
- 21:38essência, será que é? O próprio fiático ele tem
- 21:41ali, sua oposição entre todo mundo, todo mundo está
- 21:44contando história, mas cada um ali está querendo fazer
- 21:47com que seu personagem se dê bem, as custas de mais,
- 21:50porque os recursos narrativos são limitados.
- 21:53Logo, por que que no fiático é
- 21:55possível isso e isso apimenta de forma tão
- 21:58gostosa o jogo e por que que no deidei isso não é
- 22:00possível? Porque não é o problema, não é
- 22:02em essência o mestre, mas a forma com que ele é
- 22:04desenhado. E a gente pode investigar um
- 22:07pouco melhor isso para fazer com que esse mestre
- 22:09antagonista funcione. Com licença, meus caros, teria
- 22:18ouvido direito? Vocês estão em busca de ouro e
- 22:21glória? Pois eu posso lhes ajudar. Meu
- 22:24nome é Almir Seguro e eu estou nessa taverna há
- 22:27algum tempo, ouvindo histórias de bravo e
- 22:29coragem e aventureiros que passam por aqui. Eu
- 22:33posso lhes falar sobre o que está para além da
- 22:35gaiola, as ruínas deixadas pelos antigos, as planícies
- 22:39de nuvens negras, a floresta do vento infinito,
- 22:42a lenda do messias Elf, ou até mesmo o que está aqui
- 22:45dentro, os mistérios sobre as sombras das torres
- 22:48douradas sobre as nossas cabeças. Meu
- 22:52preço, hora, eu só peço para que, ao retornarem,
- 22:55vocês contem suas histórias para mim. É
- 22:58a forma que eu tenho de ver o mundo novamente,
- 23:01pelas histórias de aventureiros valorosos como
- 23:03vocês. TREMA, a gaiola dourada, é um
- 23:12jogo de RPG de mesa aberta, no sistema Caves
- 23:14and Haxes, usando o estilo Oil Fantasy e o modelo Ars
- 23:17Lude. Vem explorar os vermos
- 23:19corrompidos pela estranheza, cheios de tesouros e
- 23:22oportunidades, ou venha caminhar pelas ruas de
- 23:25Tremem, cheias de perigos e de segredos. Os
- 23:27habitantes da última cidade do mundo aguardam por você.
- 23:32Que tal ver o que tem para
- 23:33além da gaiola? Agora,
- 23:59puxando a inspiração do próprio fiástico, isso fica
- 24:02muito claro de que, olha, esse mestre, a gente está
- 24:06falando que a gente precisa desenhar o poder desse
- 24:08mestre, desafiador, desafiante, que desafia o
- 24:13grupo, que é contra o grupo, a gente tem que
- 24:16desenhar o papel dele e desenhar esse papel
- 24:17significa limitar. No mesmo jeito que vários
- 24:21jogos fizeram isso mecanicamente, ou até
- 24:23tirando o mestre ou limitando ali como o
- 24:26Dungeon World Fires, o BBTA, o mestre não rola o
- 24:31dado, ele quase facilita ou ele impulsiona, utiliza os
- 24:36momentos em que ele é acionado para impulsar a
- 24:38narrativa, para poder apresentar alguns conflitos
- 24:41que apimentem a narrativa em cima do que os
- 24:44jogadores estão trazendo. Mas,
- 24:48nesse caso aqui, eu não estou querendo botar o
- 24:51mestre que joga sendo fã dos personagens, não estou
- 24:55querendo botar esse mestre que quer contar uma
- 24:58história em conjunto com os jogadores, eu não estou
- 25:01falando de um mestre que tem o mesmo vetor que eles
- 25:03e a mesma agenda, porque eu entendo quem coloca no
- 25:08jogo co -op, tipo Wonder Home, os jogos assim, que
- 25:13o mestre, cara, ele quer contar uma história que nem
- 25:18os jogadores, então não se justifica tanto que existe
- 25:22esse papel de mestre, né? Isso
- 25:24é a forma de contas, ele tem um mesmo objetivo dos
- 25:27jogadores, aqui eu estou falando de um mestre que
- 25:29tem um vetor oposto, ele vai desafiar e esquece um
- 25:35pouco contar a história, porque o presidente quer
- 25:38contar uma história, o desafio que o mestre está
- 25:41propondo, ele é só um elemento narrativo, esse
- 25:44elemento narrativo pode ser tranquilamente trazido pelo
- 25:46próprio jogador que tem um personagem que ele sabe
- 25:49melhor que ninguém, como desenvolver, e essa agenda
- 25:54é super válida, mas desse jogo de desafio, eu não
- 25:59pretendo botar o mestre com nenhum papel relativo a
- 26:03contar a história, porque justamente na minha cabeça
- 26:07não se justifica tanto um papel simétrico e um vetor
- 26:11antagonico, né? Quando o mestre está com o mesmo
- 26:15objetivo, com a mesma agenda dos jogadores, então
- 26:17com a agenda do mestre, o mestre aqui é desafiar e
- 26:19os jogadores, a agenda deles é sendo desafiados,
- 26:22nada mais, o mestre não é um hábito imparcial, o
- 26:26mestre não é nada disso, o mestre não quer contar uma
- 26:28história, não quer divertir, o mestre só quer desafiar.
- 26:30Quais são os limites que a gente
- 26:32vai desenhar pra ele? A gente pode buscar limites
- 26:35mecânicos? Pode, a gente pode buscar limites
- 26:38mecânicos também, a gente pode buscar vários limites.
- 26:41Eu desenho da seguinte forma,
- 26:43eu peguei esse mestre pra trabalhar na origem, tudo
- 26:46bem, eu não fui no D &D Zero, eu fui no D &D BX,
- 26:49fui no D &D Clássico, ainda que não no D &D original,
- 26:52fui no D &D BX, o que é o mais simples, eu acho
- 26:54que trabalhar as dinâmicas em cima de um conjunto
- 26:57limitado e simples de regras, que é o D &D
- 27:00Basic, principalmente o expert, facilita esse
- 27:04trabalho de entender essas dinâmicas do mestre, e eu
- 27:07acho que é isso, o mestre está trabalhando no espaço
- 27:09dinâmico, ou seja, o espaço onde os jogadores tomam
- 27:13decisões, o mestre trabalha nessa construção desse
- 27:15espaço dinâmico bastante, conforme ele desafia, e os
- 27:20jogadores também criam esse espaço, mas isso é uma
- 27:23outra questão, o mestre trabalha nessa construção,
- 27:28ele trabalha nesse espaço dinâmico, e dentro disso, a
- 27:33gente começa a entender quais são as limitações
- 27:36dele pra lindas mecânicas, se o papel dele vai além
- 27:40das mecânicas, não faz sentido a gente limitar ele
- 27:43mecanicamente apenas, às vezes a gente consegue
- 27:47delimitar a sua atuação por outras questões, por
- 27:50questões de princípio de jogo, por boas práticas, e
- 27:53talvez até por um jeito dele exercer a sua própria
- 27:58agenda de desafiante, e aí nesse ponto eu vou trazer
- 28:02os limites desse mestre, esse estudo que eu faço é
- 28:05o estudo, o Ioffentus, do estilo Ioffentus é um
- 28:07manual de estilo pra adeide clássico, e que pode trazer
- 28:14insights a respeito disso, eu não acho que é uma
- 28:16solução única, não é a única solução possível pra
- 28:18absorver o mestre, mas é a solução que eu venho
- 28:20chegando pra tentar fazer esse mestre interessante,
- 28:24que é interessante e esse mestre funciona, esse mestre
- 28:29é limitado pelo que seria um bom desafio, e o bom
- 28:31desafio que esse mestre pode imprimir, ele tem duas
- 28:36limitações, a primeira das limitações, são as
- 28:41limitações relativas à mídia do jogo, a essa construção
- 28:47do cenário, é como acontece no este corpo mortal, como
- 28:50acontece no fiástico, a gente tem a ficção em
- 28:52jogo, então o mestre pode ir até certo ponto dentro
- 28:56dessa ficção, mas ele não pode ultrapassar certos
- 29:00limites, qual o limite? Eu encaro que esse jogo tem
- 29:03uma natureza de mimésis, não de diegetica, a gente
- 29:08não está contando uma história, estou falando aqui
- 29:11no esquema de Aristóteles, em oposição a mimésis e a
- 29:16diegetes, a gente está falando um jogo que replica
- 29:18o mundo de aventura, a gente vai construindo esse
- 29:21mundo de aventura, a gente vai construindo essa ficção
- 29:23desse mundo de aventura, conforme a gente joga esse
- 29:26desafio, o mestre conduzindo esse desafio, construindo
- 29:31esse desafio e para isso reivindicando porções desse
- 29:35mundo, estabelecendo porções desse mundo ficcional e os
- 29:39jogadores utilizando essas coisas que o mestre
- 29:43estabelece, provocando o mestre estabelecer e também
- 29:47o próprio jogador estabelecendo certas coisas,
- 29:49principalmente as suas personagens, mas o fato é
- 29:53que o mestre dentro dessa coisa da ficção, ele é
- 29:57limitado na sua atuação, os jogadores também por sinal,
- 30:00eles são limitados pela verossimilhança, que é o
- 30:03atributo da mimésis, segundo Aristóteles, e eu tomei
- 30:07isso como um paralelo pro RPG, então o mestre que
- 30:12desafia, ele tem um limite aí, ele não pode botar um
- 30:16NPC que vai fugir, que é um humano comum, de repente
- 30:20esse NPC é um comerciante que fudeu o grupo, vai
- 30:23matar esse cara, ele bate os braços e sai voando,
- 30:27pera aí, isso não é verossimil, não jogamos
- 30:30isso, não existe isso no pacto que a gente fez, no
- 30:33pacto da ficção, que não é sessão zero, ou
- 30:38principalmente como a gente estabeleceu esse mundo e
- 30:41como a gente vem trabalhando esse mundo,
- 30:42ninguém bate os braços e sai voando. Então
- 30:49esse tipo de coisa, esse tipo de controle de
- 30:51verossimilhança é uma coisa que todos fazem, todo grupo
- 30:55é responsável, por isso não é o mestre em específico,
- 30:57então isso é uma coisa que acontece naturalmente pela
- 31:00mídia do jogo, pra sem dizer, a mídia falada, esse
- 31:03diálogo ficcional que reivindica o espaço simulado
- 31:07do jogo, o mundo de aventura. Isso
- 31:11é muito interessante se a gente parar pra pensar,
- 31:13porque afinal de contas é uma coisa compartilhada,
- 31:18então qualquer pessoa pode chegar e falar, isso não é
- 31:21verossimil, a gente pode até discutir sobre isso. O
- 31:25fato é que me parece interessante que já que o
- 31:28mestre está desafiando, conforme ele vai construindo
- 31:31isso, enquanto a gente está ali no contexto do desafio,
- 31:33é interessante que o mestre tenha a palavra final sobre
- 31:36o que é verossimil ou não, mas não pra gente
- 31:40estabelecer o mundo, mas pra fazer o jogo seguir.
- 31:44Vou me imprimir o desafio,
- 31:45deixo o mestre imprimir o desafio dele e os jogadores
- 31:47tentam solucionar o desafio, tentam superar o desafio,
- 31:50beleza. A verossimilhança a gente pode
- 31:53discutir, depois é muito importante que haja esse
- 31:55momento de resenha pós -jogo, em que esse tipo de
- 31:58questão vai ser abordado se a gente chegou no impasse.
- 32:01A minha experiência testando
- 32:02essa atuação, com junta de contratos de verossimilhança,
- 32:05é que isso é raramente acontece, muito raramente, e
- 32:08eu nunca precisei experimentar o fato de dar
- 32:11uma palavra final. Normalmente
- 32:15é uma coisa que a gente combina com jogadores, a
- 32:17gente conversa com jogadores e se resolve, mas que uma
- 32:20vez a gente quase chegou lá, mas não precisou
- 32:24chegar. Enfim, é uma coisa que é
- 32:27importante que você tenha esse espaço depois para
- 32:28debater. Olha só, eu acho que é
- 32:30verossimilhança do mundo, cabia tal coisa. Ah,
- 32:35mas tal coisa não cabia, a gente pode debater isso
- 32:38depois e isso reforça a própria verossimilhança do
- 32:42mundo que a gente está jogando e quanto mais
- 32:43sessão a gente joga nesse mundo, mais reforça essa
- 32:47verossimilhança, mais claro fica, as suas limitações.
- 32:50Mas o fato é que o mestre
- 32:52voluntariamente ele sabe que é verossimilhança, seu
- 32:56limite, então ele não tem porque forçar também, ele
- 32:58já tendo muito poder mesmo reforçado pela
- 33:01verossimilhança. A outra coisa que limita a
- 33:04atuação do mestre é a agência do jogador. E
- 33:09nesse caso, o que eu estou botando como agência, é uma
- 33:13boa pergunta, se a gente parar para você fazer essa
- 33:15pergunta, e aí, mas o que é a agência? Ou,
- 33:17pera aí, como assim a agência? E
- 33:20no caso, a agência é uma coisa que tem um espaço
- 33:22para se definir, a capacidade de agido do
- 33:26jogador, muita gente traz isso como impacto, enfim, o
- 33:30fato é que eu trabalho muito com uma ideia de
- 33:35agência que deriva de várias leituras que eu fiz
- 33:37e que eu acho que conversa com esse jogo, esse estilo
- 33:42que eu estou propondo sobre o D &D clássico, sobre os
- 33:44jogos outros, e nessa ideia de agência, o jogador tem
- 33:51que ter liberdade para agir, ou seja, o mestre
- 33:54não pode simplesmente falar, não, para isso você não
- 33:56vai fazer, ou não, você não vai tomar esse caminho,
- 33:58não, acabou. O mestre não tem esse poder,
- 34:01o mestre também, ele tem que informar o jogador isso
- 34:05suficiente sobre a ficção para que os jogadores tomem
- 34:08decisões, e isso é suficiente, eu estou falando
- 34:10mínimo, ou seja, se tem um desafio a frente, o jogador
- 34:15tem que ser capaz de tomar decisões informadas,
- 34:17minimamente informados, e tem que ser capaz de
- 34:20investigar mais a fundo caso queira, ainda que o
- 34:23mestre possa apimentar isso e utilizar esse espaço de
- 34:26investigação para imprimir desafio, imprimir pressão na
- 34:30dinâmica de jogo, na condição do desafio. Então,
- 34:34o jogador tem que receber informações de mínimas, e
- 34:37tem que ser capaz de investigar. Se
- 34:39você só negar a informação, você está quebrando agência
- 34:41do jogador, se você não antecipa um perigo, se você
- 34:44não telegrafa um perigo, se você não faz um
- 34:45foreshadowing, você está quebrando agência do
- 34:48jogador, se você está dizendo que o jogador não
- 34:49pode fazer determinada coisa, e isso não cabe num
- 34:53caso de controle de velho semelhança, ou se você está
- 34:56abusando até do controle de velho semelhança para
- 34:58impedir que o jogador faça alguma coisa, você está
- 35:01quebrando agência do jogador, logo você está
- 35:04agindo fora do seu poder, mas fora essas duas coisas
- 35:07e tudo que deriva daí, o mestre tem que fazer o seu
- 35:12pior, ele tem que morder os jogadores. E
- 35:14eu vou dar um exemplo prático disso. Vamos
- 35:18supor um seguinte cenário. Os
- 35:22jogadores estão andando na periferia de um mundo
- 35:25cyberpunk. Tem ali uma central de
- 35:30computadores com mainframes e com um negócio que o
- 35:35grupo está minerando ali, e o grupo volta sempre para
- 35:38um pedaço complicado da cidade, um pedaço bem
- 35:42perigoso, que tem uma gangue morando ali, essa
- 35:44gangue tem muita raiva do grupo, ela quer que o
- 35:50grupo se dê muito mal, vai atirar provavelmente a
- 35:54primeira vista. Ou não, mas o fato é que
- 35:57esse grupo, essa gangue ele odeia o grupo dos
- 36:02jogadores. Então você é o mestre que faz o
- 36:06seu pior, quando o grupo for para essa central, você
- 36:12vai botar a gangue inteira, fortemente armada, cercando
- 36:16o grupo e falando que você se deu mal, e vai atirar
- 36:18para matar. E acabou o jogo ali, é
- 36:21questão do meteoro. Como é que a gente lida com
- 36:25isso? Será que você como mestre, você
- 36:27fez o seu pior ali, mas você está dentro da atuação
- 36:30ou será que você está abusando dos seus poderes?
- 36:34Bom, nesse caso não tem uma
- 36:36verossimilhança sendo quebrada aí, toda vez que
- 36:40o grupo passar pela região perigosa o grupo vai
- 36:45encontrar esse bando fortemente armado, porque o
- 36:47mestre está fazendo seu pior. Será
- 36:49que você não quebra verossimilhança? Parece
- 36:51que sim, imagina que é uma floresta que tem um dragão,
- 36:54será que toda vez que o grupo passar para essa
- 36:56floresta o dragão vai atacar ele e sem chance de
- 36:59defesa, ocultado para uma névoa e sem qualquer...
- 37:03Bom, a gente tem muitas quebras
- 37:05aí, né? Tanto de verossimilhança quanto de
- 37:06agência. Vamos analisar? É
- 37:09natural que num bairro, num local ali, por mais que
- 37:13tenha vigias e coisa e tal, que o grupo consiga
- 37:15passar por ali sem ser notado. E
- 37:19para isso a gente tem que tentar se regular com o
- 37:26mestre de falar olha só, eu não vou botar toda vez
- 37:28o grupo passar por aqui, o grupo fortemente armado
- 37:30atacando, fazendo o bando atacando o grupo fazendo
- 37:35seu pior, não. Por que? Porque
- 37:37não é verossimil, em algum momento o grupo não vai
- 37:41cruzar com esses caras, então como é que você
- 37:43resolve isso? Você vê a chance de
- 37:46encontratório, por exemplo, né? Você
- 37:48pode arbitrar uma chance de encontratório, você pode
- 37:49estabelecer como uma estrutura de jogo que
- 37:52sempre que passar por aquele distrito ali, existe
- 37:57a chance encontratório com essa gangue, você pode até
- 37:59botar uma chance maior de encontrar essa gangue e uma
- 38:01chance menor por exemplo de encontrar um policial
- 38:03corrupto, mas você pode botar algumas ocorrências
- 38:06típicas dessa região para acontecer, dessa forma você
- 38:10não precisa se preocupar em você ficar medindo, né? A
- 38:14verossimilhança de falar não, vou botar aqui para
- 38:17atacar o grupo, para eu fazer o meu pior, mas na
- 38:19próxima eu não posso, porque senão vai ficar
- 38:20estranho, mas ali há outras três vezes eu posso botar,
- 38:24não se preocupe com isso, nesse ponto você exerce a
- 38:27sua arbitrariedade em fazer o seu pior, mas utilizando
- 38:31uma estrutura de verossimilhança que garante
- 38:33que você não está quebrando a verossimilhança ali ao
- 38:35longo do tempo, é a mesma coisa para o dragão, você
- 38:38coloca uma tabela de encontratório, acho que vai
- 38:40ter o drui da louco da floresta, vai ter o tatuma
- 38:45louco do não sei o que, vai ter o urso curúgio e
- 38:48vai ter o dragão, pode ser que suja o dragão e se
- 38:51cair a chance de encontratório, mas o fato é
- 38:53que o grupo pode agir para dificultar a chance de sair
- 38:57do encontratório, o grupo pode agir para tentar
- 39:00evitar que o bando encontre ele, etc, etc, etc. E
- 39:06o fato é que, uma vez que encontra, será que o bando
- 39:09está sempre ali preparado para matar o grupo numa
- 39:11emboscada? Ou será que pode estar
- 39:13acontecendo alguma coisa, o grupo, de repente o grupo
- 39:17pode atravessar ali o distrito e encontrar o
- 39:20bando subataque, então de repente o bando está
- 39:22precisando de ajuda e pode dar oportunidade de
- 39:24redenção? Por que não? Então
- 39:26você pode construir de repente ali uma tabela de
- 39:29reação, esse bando ele pode estar violento e
- 39:32provavelmente vai estar, você pode refletir isso na
- 39:35tabela, mas o grupo pode estar também precisando de
- 39:38ajuda, pode estar benevolente de algum jeito
- 39:40e você pinta essa benevolência ali de acordo
- 39:42com a situação. Isso é interessante, isso dá a
- 39:45ver o similhança, mesmo é uma coisa o dragão, o
- 39:48grupo está passando ali pela floresta escondendo o
- 39:50tesouro, pode ser que o grupo encontra o dragão,
- 39:52pode ser que não encontre, pode ser que encontra o
- 39:54urso coruja, mas se encontrar o dragão, pode
- 39:56ser que o dragão esteja para matar ou pode ser que
- 39:58o dragão não esteja para matar também. E
- 40:01aí nesse ponto você recorre a esses mecanismos de ver
- 40:04o similhança, mas obviamente dentro disso você vai
- 40:07tentar imprimir desafios, o desafio não seramente
- 40:10precisa ser também a morte, todos os monstros são
- 40:14partindo, que nem berserkers, berserkers para
- 40:17cima dos personagens dos jogadores, não precisa ser.
- 40:20Um exemplo disso é que o
- 40:21grupo pode cruzar com um bando, nessa floresta que
- 40:25eu falei, que é o monte de modo dragão, o grupo
- 40:26pode cruzar com um bando mal encarado e esse bando,
- 40:30o mestre não precisa botar esse bando para ir atrás
- 40:32dos jogadores para matar eles ali, mas pode botar
- 40:35esse bando aí claramente vigiando e acompanhando o
- 40:38grupo à distância. E aí já vira um problema, o
- 40:41grupo fala, po, se a gente voltar com tesoura, esses
- 40:42caras vão atacar a gente, você já está trabalhando
- 40:45esse desafio de formas interessantes e fazendo o
- 40:47seu pior, tem muitas formas de você fazer o seu pior
- 40:49e respeitando a ver o similhança. E
- 40:52a agência, isso é um outro questão importante. Mais
- 40:58de mil episódios na primeira temporada. Um
- 41:02podcast premiado por suas reflexões sobre o jogo,
- 41:06entrevistas de convidados em uma nova temporada com
- 41:10muito a oferecer a comunidade do RPG.
- 41:18Aventureiros numa busca por mais
- 41:19episódios na semana, te convidam a fazer parte do
- 41:23grupo de Telegram, participar de sorteios e
- 41:26enriquecer seu jogo. Esquente
- 41:31a água, moa os grãos e pegue os dados. Apóia
- 41:39.se -café -cundanjo Contamos com você. Eu
- 41:54sou um grande mestre do jogo, não é mesmo pessoal?
- 42:01Em termos de agência, como é
- 42:03que a gente limita essa atuação do mestre? Como
- 42:06é que isso funcionaria? Agora
- 42:08eu vou, por exemplo, do dragão, vou meter ao
- 42:10exemplo do dragão. Se eu chego e coloco dragão,
- 42:14o grupo vai encontrar o dragão e já decidi. Agora
- 42:17o dragão aparece dos céus e já fala, gente, vocês
- 42:21ouviram os asas batendo, jogam aí uma jogada de
- 42:23proteção contra baforadas dragão. Cara,
- 42:27se é um grupo nível 1, provavelmente todo mundo vai
- 42:29morrer ou vai sobrar pouca gente ali. Acho
- 42:33que é quase certo que todo mundo morra, na verdade. E
- 42:38o grupo não teve nem tempo de reagir. Eu
- 42:40só usei a regra, como ela está ali. O
- 42:42dragão faz isso. Ah, mas tinha que ter jogado
- 42:45surpresa. Cara, se não fosse surpresa,
- 42:49muito provavelmente, mesmo sem o grupo ser surpresa,
- 42:52ele morreria ainda assim. O fato é que não há um
- 42:57tempo hábio. Você dá um round pro grupo
- 42:59reagir. Isso não é suficiente. O
- 43:02grupo não teve como tomar decisões. Então,
- 43:05em primeiro lugar, não teve nem liberdade, porque não
- 43:07teve tempo pra isso, não teve como decidir. Porque
- 43:10ele não teve informação mínima, antecipação do fato
- 43:15desse dragão ali. E enfim, qualquer tipo de
- 43:22ação que o grupo toma, ele dificilmente vai ter alguma
- 43:24ação que possa mudar esse destino deles. Isso
- 43:29é praticamente como o mestre você decretou a
- 43:31morte do grupo inteiro. Como
- 43:33é que você resolve isso? A gente tem que ir pro nosso
- 43:36princípio de que tem que haver informação. Então,
- 43:39você tem que dar uma informação mínima. Você
- 43:41tem que antecipar esse risco. Que
- 43:43seja o grupo encontrar, de repente, animais correndo
- 43:46pelo floresta em fuga. Ou, de repente, uma caravana
- 43:51passando fugindo da floresta e falando, oh, a morte vem
- 43:57de cima. E ela tem asas vermelhas e
- 44:01cospi fogo. Isso aí já é. Uma
- 44:04antecipação muito boa. Ou o grupo de repente encontra
- 44:06ali umas partes em chamas queimadas e tal. Isso
- 44:09já dá uma ideia do que pode ser. Rumores
- 44:13podem fazer esse serviço, mas o fato é que é
- 44:15importante que você coloque um mínimo pro grupo. É
- 44:18claro, o grupo pode investigar mais a fundo
- 44:20isso pra entender melhor quem é esse dragão, o que
- 44:23é que esse dragão quer, o que ele não quer. Como
- 44:25se protege desse dragão. Será
- 44:27que alguém, sei lá, um bruxo criou uma poção que
- 44:31a gente possa tomar, que proteja contra o fogo dele?
- 44:33Sei lá, esse tipo de coisa é
- 44:35importante até pro grupo poder tomar decisões
- 44:38informadas que seja. Por exemplo, eu falar, olha só,
- 44:40a gente tá lento, que a gente tá andando com
- 44:42tesoura, então vamos enterrar esse tesouro pra
- 44:44gente andar rápido e tentar passar pela floresta e
- 44:48fugir desse dragão se o caso apareça. Ou,
- 44:52vamos tentar pegar alguma porção dessa floresta aqui
- 44:54que passe... Sei lá, escondida dos céus, né?
- 45:01Tipo que tem uma cobertura
- 45:02vegetal mais forte. Ou será que a gente consegue
- 45:04ir por outra região que pode ser mais perigosa,
- 45:06mais menos perigosa com o dragão e aí a gente leva
- 45:09o tesouro? Sei lá, é importante que o
- 45:11grupo possa entrar em contato com a ideia desse
- 45:14dragão. Você não precisa nem economizar
- 45:17muito nessa antecipação, mas o fato é que uma
- 45:21antecipação mínima você precisa dar pro grupo poder
- 45:25tomar decisões informadas. Muita
- 45:26gente fala, ah, mas aí fica sem graça, não, fica
- 45:28tão letal quanto, pode acreditar. Principalmente
- 45:31se você utiliza outros elementos de pressão, por
- 45:34exemplo, o tesouro que o grupo pode tá carregando.
- 45:37Bom, e aí? Vocês
- 45:38vão deixar esse tesouro pra trás, todinho ele, né? Será
- 45:41que vocês não vão nem tentar? E
- 45:44aí você... esse tipo de coisa você vai
- 45:46brincando com as iscas, você vai brincando ali com
- 45:48a ficção, conforme você vai construindo em relação a
- 45:50eles, pra você apimentar o seu desafio e fazer isso
- 45:52funcionar. O fato é que a informação é
- 45:55melhor, né? A gente costuma dizer isso, é
- 45:57melhor você errar pra mais até a informação do que
- 46:00você errar pra menos e o grupo não ter noção. Qual
- 46:04a medida? A medida é a seguinte, se o
- 46:06grupo morrer num desafio desse, é importante que ele
- 46:09possa olhar pra trás e falar, hum, eu tinha como
- 46:13me informar sobre isso, ou a antecipação foi dada, ou,
- 46:18por, tava claro, ali a gente resolveu assumir esse
- 46:20risco. E aí isso fica muito mais
- 46:22claro. Depois que a gente percebeu, né,
- 46:26e começou a trabalhar com essa acepção de agência do
- 46:29jogador, e com essas limitações pro mestre, ficou
- 46:31muito menor o espaço de ruído em relação a essa
- 46:37dinâmica dos desafios. E quando você coloca esses
- 46:41dois elementos, né, tanto a... A
- 46:45agência dos jogadores, né, em relação ao impacto,
- 46:48informação e liberdade, e a verossimilhança, a atuação
- 46:52do mestre, ela fica muito mais claramente delimitada,
- 46:57né? E aí, em cima disso, você
- 47:01faz o seu pior. Não tem aquele papo, né, que
- 47:05muita gente tem de, pô, o mestre pegou pesado, hoje
- 47:10eu vou pegar pesado, hein, mas, pô, pegou leve, pô,
- 47:12você pegou leve com fulano, porque com cicran você
- 47:15pegou pesado. É brabo isso, né? Não
- 47:18tem essa aqui, não é o fantasy, de acordo com o
- 47:22que eu estou construindo pra esse mestre. Esse
- 47:23mestre vai sempre fazer o seu pior, né? Ainda
- 47:26que respeitando a verossimilhança, ainda que
- 47:28abraçando a verossimilhança nesse ponto, né, trazendo
- 47:31essas tabelas, trazendo, por exemplo, o grupo chegou e
- 47:34matou, foi cercado por lobos, matou um dos lobos,
- 47:39pô, de repente os outros lobos, se esse for o lobo
- 47:42alfa, de repente os outros lobos desmobilizam. Então,
- 47:45você tem ali a ferramenta da moral, você joga a
- 47:48moral do lobo pra você continuar ali lutando, senão
- 47:50ele dispersa, isso é uma coisa interessante você
- 47:52botar porque é verossímil, ainda que você esteja
- 47:56buscando fazer o seu pior, né? Você
- 47:58é limitado pela verossimilhança e é
- 48:00verossímil que acontece isso. Então,
- 48:02você testa, pode ser que não ocorra, mas você testa,
- 48:05você abre essa chance, é da sua pitrariedade falar,
- 48:08é possível, você tem que admitir que é possível, né?
- 48:12E uma vez que você admite
- 48:13que é possível, o jogo roda em cima disso.
- 48:17Delimitar isso também tem algumas
- 48:19responsabilidades ali em relação a outras coisas que
- 48:22não desafiam, claro, mas que são de ordem de boas
- 48:26práticas, nesse ponto, a gente não está falando do
- 48:31mestre ser justo, etc., etc., a gente está falando
- 48:33do mestre adotar certas posturas, por exemplo, uma
- 48:36postura transparente. Isso é uma coleção de boas
- 48:42práticas, por exemplo, você rolar o dado e dizer por
- 48:45que você vai rolar esse dado. Ó,
- 48:48esse dado eu estou rolando por conta disso aqui, esse
- 48:51dado eu estou rolando de acordo com isso aqui, você
- 48:53precisa tirar tanto nesse dado, é uma coisa
- 48:55importante, né? Se não sair esse número aqui,
- 49:01é o que vai acontecer a isso, o que está em jogo,
- 49:03né? Você pediu a rolagem do dado
- 49:05também, no momento certo, vai ajudar você. Tipo,
- 49:08você de forma geral, a gente coloca uma boa
- 49:11prática, você vai pedir a rolagem quando houver um
- 49:14risco e o que estiver em jogo estiver claro. Então,
- 49:16a falha já declara para todo mundo a mesa, né? Se
- 49:19você está querendo pular o buraco, carregando o tesouro
- 49:22e esse buraco é muito largo e você sabe que a
- 49:25chance de cair é 5 em 6 e você assumiu esse risco,
- 49:30se você cair, já está claro, né? Já
- 49:34está estabelecido ali. Então,
- 49:37isso é muito importante da gente colocar ali, o mestre
- 49:39vai ser transparente em relação ao jogo. Ele
- 49:43vai dizer por que ele rola o dado, ele vai deixar o
- 49:46resultado do dado às claras, ele vai pedir a
- 49:49rolagem de acordo e vai abrir para o jogador as
- 49:52suas decisões em relação a isso. Outra
- 49:56coisa é que ele não é o hábito do jogo, né? Ele
- 49:59não é o hábito do jogo sozinho, os jogadores também
- 50:01negociam em relação a isso, né? Os
- 50:05jogadores podem sugerir alguns tratamentos da ficção
- 50:09dentro da mecânica, os jogadores podem sugerir o
- 50:12uso de uma outra ferramenta, os jogadores
- 50:15podem sugerir em cima disso e dessa dialética vai sair
- 50:19o resultado, né? A arbitragem, então a
- 50:22arbitragem é comum e o mestre, como é que ele
- 50:24faz? Ele tenta traduzir da melhor
- 50:25forma possível o seu desafio por meio da
- 50:27arbitragem. Então, ele vai ser transparente
- 50:30para que os jogadores possam negociar. Isso
- 50:33é uma coisa que é do grupo, o grupo, na verdade,
- 50:36vai ser transparente, né? E o mestre também vai ser
- 50:39transparente, isso é uma boa prática, a gente abrir,
- 50:41a gente deixa que as coisas aconteçam as claras.
- 50:45Muita gente fala, ah, mas aí
- 50:47nesse caso vai ter rolagem que era melhor guardar,
- 50:51esconder, porque senão o jogador vai ter que lidar
- 50:52com meta, né? Tipo, o ladrão que vai roubar o
- 50:57chefe da milícia lá e aí se o jogador joga o dado
- 51:02e ele mesmo vê que falhou, ele simplesmente desiste do
- 51:06plano dele e vai embora, né? Não
- 51:07deixa a coisa acontecer da pior forma possível. Mas
- 51:10se você for mestre, se você quer o pior, né? Você
- 51:13vai lá, não, beleza, você foi se infiltrando, você
- 51:16vai descrevendo com o jogador, vai deixando
- 51:17explorar a ficção até o momento em que ele vai
- 51:19botar a mão ali na carteira do chefe da
- 51:22milícia. Nesse momento você já descreveu
- 51:24todo mundo em volta, você já descreveu alguma coisa
- 51:26acontecendo ali, você já sabe o que está em jogo,
- 51:28a galera vai juntar de montinhos em cima dele,
- 51:31porque vai pegar ele roubando, se ele falhar na
- 51:34rolagem, aí você pede a rolagem. Então,
- 51:36sempre tem uma solução, se você tem isso como
- 51:39princípio, sempre tem uma solução para você se
- 51:42transparente. E o grupo também, é
- 51:44importante o jogador descrever, por exemplo, qual
- 51:46a sua intenção, qual a sua intenção que ele está
- 51:48propondo para o seu personagem. E
- 51:49isso, inclusive, é um princípio que vem lá dos
- 51:51jogos de WarGames, isso aparece no Elusive Shifts,
- 51:55no livro do John Peterson, falando sobre essas
- 51:59primeiras gerações de robista, de robi, de
- 52:03WarGames que deu no D &D. Então,
- 52:06são boas práticas que a gente pode ter, a gente
- 52:08vai colecionando essas boas práticas, mas elas só
- 52:11facilitam esse mestre desafiante, esse mestre que
- 52:15vai desafiar os jogadores. Uma
- 52:18outra coisa que ajuda também, é o mestre do tal
- 52:21uma postura minimalista. Enfim,
- 52:24a gente vai desenhando esse mestre, a gente vai vendo
- 52:25que algumas coisas funcionam melhor que outras. E
- 52:28quando o mestre adota uma postura minimalista dentro
- 52:31do jogo, ele vai descrever o mínimo possível e vai
- 52:34deixar que os jogadores perguntem. Isso
- 52:36facilita com que ele mesmo faça com que os jogadores
- 52:40tenham que buscar informação ativamente, o que gera
- 52:43muito significado em termos de jogo, porque jogos se
- 52:46baseiam em interatividade, mas também faz com que os
- 52:50jogadores tenham que gastar ações e recursos
- 52:52eventualmente para poder entender a ficção e
- 52:56provocar o mestre a descrever certas coisas.
- 52:59Enquanto isso, os jogadores vão
- 53:00trabalhando com a falta de informação, o que é um
- 53:03desvelar desse desafio e o mestre tem muito espaço
- 53:07para trabalhar enquanto os jogadores não desvelam esse
- 53:09desafio. Então isso é muito interessante,
- 53:12é uma atuação muito interessante. Não
- 53:15só isso, existem muitas outras coisas assim que a
- 53:17gente pode ir botando como boas práticas, como
- 53:19posturas, tanto do mestre quanto dos jogadores, que
- 53:22vão resolvendo essas coisas em grupo. Mas
- 53:24o fato é que a gente vai desamarrando o mestre de
- 53:27ser o responsável único pela diversão do grupo, por
- 53:30como as coisas vão funcionar, é tipo, por
- 53:33exemplo, a gente fala que dentro do school o mestre
- 53:37abre mão do sistema quando o jogador tem uma boa
- 53:41ideia. E eu pensei muito sobre isso,
- 53:44e muita gente criticava isso, inclusive olhando o
- 53:46Pug, é um cara que quando a gente conversava sobre o
- 53:48SR, ele dizia que isso era um dos maiores incômodos
- 53:50que ele tinha, porque no fim das contas para ele,
- 53:53cheirava a marmelada. Então de contas, qual o critério
- 53:57do mestre para dizer que essa ideia foi boa? Porque
- 53:59a ideia foi interessante, e que bom, já que foi
- 54:03interessante, foi uma ideia criativa, essa sensação da
- 54:05ideia criativa, ah, foi uma ideia criativa, então vou
- 54:07abrir mão de rolagem. O que é criativo para você,
- 54:09cara? E aí no caso, a gente
- 54:12entender a atuação do mestre em relação a
- 54:14rolagens e acionamento de sistema e tudo mais, é que
- 54:19tem um balizador disso também, um balizador da sua
- 54:22atuação. Obviamente que ele quer fazer com que
- 54:27os jogadores assumam riscos, então ele vai trabalhar seu
- 54:30desafio, e quando os jogadores assumirem riscos,
- 54:33ele pede rolagem, como eu falei, ele vai pedir
- 54:35rolagem quando, quando o risco estiver muito claro,
- 54:38quando o que estiver em jogo estiver claro. Então,
- 54:42ele não pede rolagem quando não há risco. Se
- 54:47o jogador, se o mestre colocou um risco ali,
- 54:49construiu um ambiente perigoso, mas o grupo
- 54:53conseguiu contornar os riscos que estão ali
- 54:56colocados, que foram antecipados em respeito à
- 54:59sua agência, e os jogadores conseguiram contornar isso
- 55:02gastando mais tempo, que seja, gastando mais
- 55:04recursos, que seja, ou simplesmente adotando um
- 55:08proceder que afaste esses riscos, não tem o gatilho
- 55:13da rolagem que é o risco. Então,
- 55:17nesse ponto, o mestre, o jogador não precisa entender
- 55:20a mente do mestre, ele não precisa entender o que o
- 55:23mestre acha legal, o que o mestre acha criativo, o que
- 55:26o mestre acha apropriado, etc., etc., ele só precisa
- 55:28entender e negociar desde a ficção, ou seja, desde o
- 55:33momento em que a gente começa, como no fiático, a
- 55:36gente começa a estabelecer elementos da ficção, quando
- 55:42a gente começa a resolver elementos da ficção, quando
- 55:46a gente começa a reivindicar ficcionalmente, e
- 55:49eu falei de reivindicação narrativa e a disputa da
- 55:52realidade no episódio, no início da temporada aqui do
- 55:55café, essa negociação começa ali, justamente na ficção,
- 56:01e os jogadores e o mestre vão nessa dialética
- 56:07construindo esse desafio, em determinado momento, se o
- 56:12risco for assumido pelos jogadores, e muitos momentos
- 56:15os jogadores vão falar, bom, eu tenho um ganho
- 56:17aqui, mas para isso eu preciso assumir esse risco,
- 56:19então eu vou assumir esse risco, é o que o mestre
- 56:22joga, e aí o que está em um jogo já está claro para
- 56:25todo mundo, isso vai amarrando a atuação do
- 56:29mestre, isso vai deixando claro, e obviamente que não
- 56:33ser a mecânica, a decisão de quando rolar o dado,
- 56:38por mais que você possa botar gatilhos, como Dungeon
- 56:41World, por exemplo, muitas vezes os gatilhos não ficam
- 56:42claros, e aí vai da decisão do mestre, a
- 56:46arbitraria mesmo, então informar isso e deixar
- 56:50claro para o mestre como ele tem que atuar entre
- 56:52parenteses, buscando piorpos de personagens, é justamente
- 56:57entendendo essa dinâmica, esse espaço dinâmico, porque
- 56:59isso a gente vai entendendo com a prática, mas o fato
- 57:01é que a gente tem um registro, a gente consegue
- 57:04conversar sobre isso depois e entender a atuação do
- 57:07mestre, onde é que ele podia ter mordido mais,
- 57:09onde ele não podia ter mordido, o fato é que a
- 57:13gente não vai falar, você pegou pesado com o fulano,
- 57:16pegou leve com o fulano, não tem isso, ele vai
- 57:18pegar pesado sempre que puder, sempre que for
- 57:22indicado, sempre que estiver respeitando a agência do
- 57:26jogador, e afinal de contas, se o mestre vai
- 57:29botar os desafios, esses desafios vão sendo
- 57:31antecipados por meio da reivindicação ficcional, por
- 57:35meio das descrições que ele dá sobre as coisas, e os
- 57:38jogadores também podem levar o mestre a provocar o
- 57:42mestre a descrever certas coisas para que eles tenham
- 57:44informações, a gente vai vendo como esse respeito à
- 57:48agência vai dando o jogo também, e isso é muito
- 57:50interessante, vai construindo um jogo rico na ficção,
- 57:54porque o jogador não se atém à mecânica, em
- 57:58primeiro lugar, para resolver isso, essa
- 58:00negociação começa antes da esfera mecânica, ela começa
- 58:03na própria ficção, só que a gente obviamente não está
- 58:06colocando dados como recursos de dizer se a
- 58:11ficção cabe, ou não, a gente está só separando os
- 58:13papéis, o mestre fala as coisas em relação ao mundo
- 58:17e aos NPCs e os jogadores enriquecem a ficção em
- 58:21relação aos seus personagens, mas ainda assim
- 58:23existe uma questão muito importante do estilo que eu
- 58:26estou propondo, que é o seguinte, esses poderes do
- 58:29mestre atuar na criação do cenário e dos NPCs é
- 58:33justificado pelo desafio, mas será que sempre tem um
- 58:38desafio em curso? O mestre tem sempre um
- 58:41desafio em curso? E aí nesse ponto existe essa
- 58:44postura do desafiante, quando o mestre tem um
- 58:47desafio em curso, ele é desafiante e ele vai
- 58:50descrever, ele tem essa prerrogativa de descrever o
- 58:53cenário, de revindicar as verdades sobre o cenário e
- 58:58sobre os NPCs, mas e quando não tem o desafio
- 59:01tracionado? Eu vou dar um exemplo prático,
- 59:04vocês já ouviram provavelmente na primeira
- 59:06temporada esse exemplo, mas eu não dei ideia moleque,
- 59:09o grupo entrou numa dungeon, que era um modulo
- 59:12pronto, e era o que eu tinha de material, só que
- 59:15o grupo lá para a gente resolveu sair da dungeon,
- 59:17eles falaram que a gente já tem tesouro, agora vamos
- 59:19procurar uma cidade para a gente trocar isso, o
- 59:21dinheiro comprar mais equipamento e voltar melhor.
- 59:24Quando o grupo saiu da dungeon,
- 59:25eu falei que não tem o desafio, e aí nesse ponto,
- 59:29se eu começo a ter que trazer um monte de coisa,
- 59:34enriquecer o desafio do nada, eu estou saindo da
- 59:39própria verocimilhança, porque não chove desafio o
- 59:43tempo todo do nada acima dos jogadores, eu preciso
- 59:47de elementos da ficção para que isso aconteça, ou eu
- 59:50vou estabelecendo esses elementos aos poucos, até
- 59:53tendo esse passão, esse desafio, ou melhor ainda,
- 59:57eu mudo a minha postura de mestre desafiante para um
- 1:00:01mestre provocador, e aí nesse ponto, já que eu não
- 1:00:05tenho elementos na ficção que antecipem o desafio,
- 1:00:09que construem esse desafio, eu deixo que os jogadores
- 1:00:11tragam esses elementos, e que vocês querem? Quer
- 1:00:15uma cidade para escolar o dinheiro de vocês? Ah,
- 1:00:18queremos, beleza, vocês estão no meio do deserto,
- 1:00:22vocês vão ter um caminho para fazer, o que vocês
- 1:00:25acham que pode acontecer de bom nesse trajeto do
- 1:00:29deserto? A gente pode encontrar uma
- 1:00:30caravana que, de repente, pode dar comida para a
- 1:00:32gente, beleza, aí você começa a jogar a caravana,
- 1:00:35você começa a puxar, eventualmente essa ficção
- 1:00:38vai estar tão rica, que você vai poder pegar esses
- 1:00:41elementos, e você já vai ver antecipado, sozinho, um
- 1:00:45desafio, e aí você morre de como mestre. Existe
- 1:00:48muita beleza nisso, porque é muito orgânico, e a
- 1:00:51gente já viu desafios lindos acontecer em forma
- 1:00:53orgânica, no jogo, experimentando essa dinâmica,
- 1:00:57do mestre provocador, só que quando o mestre percebe
- 1:01:00que o desafio tracionou, que os jogadores, é quase
- 1:01:02como se os jogadores tivessem mordido uma isca,
- 1:01:05como se fosse um peixe mordendo uma isca, ele se
- 1:01:07sente na varinha de pescar, puxou, e aí você chega lá
- 1:01:11e vai fundo, velho, morde, agora você morde, agora
- 1:01:14você imprime o desafio, e aí você volta a reivindicar
- 1:01:17com mais exclusividade o cenário e os NPCs, mas até
- 1:01:20lá você pergunta, e aí, que NPCs que tem nessa
- 1:01:22caravana? Você pode começar, e aí você
- 1:01:25vai trazendo o que eles pedem, você diz, não,
- 1:01:29beleza, então tem isso aí, mas tem também isso aqui,
- 1:01:31daí você começa a fazer esse bate -bola até que a
- 1:01:34ficção esteja rica. E aí você continua toando
- 1:01:37como mestre, você continua respeitando ali a agência,
- 1:01:42continua respeitando a ver a semelhança, e vai
- 1:01:45seguindo por meio dessas posturas e boas práticas
- 1:01:49para que você consiga executar de forma
- 1:01:51transparente a sua função de desafiar mordendo o
- 1:01:56máximo possível, de uma forma transparente clara,
- 1:01:59que gere uma relação lúdica, que todo mundo
- 1:02:02consiga perceber, o que é o fundamental para que esse
- 1:02:04mestre funcione. Isso não gera uma... O
- 1:02:08jogador não tem que entender a cabeça do
- 1:02:10mestre, o humor do mestre, nem nada, eles só precisam
- 1:02:12controlar a ficção, é esse xadrez da ficção que fica
- 1:02:15muito gostoso, e eles precisam medir os gixos que
- 1:02:18estão assumindo, enquanto o mestre vai provocar os
- 1:02:21jogadores a assumir esses gixos. Todos
- 1:02:25já ouviram as lendas do norte, mas ninguém sabe o
- 1:02:29certo que tem lá. Maldições,
- 1:02:32criaturas terríveis, tesouros mágicos e quezas esquecidas,
- 1:02:35é o que as histórias contam. Depois
- 1:02:38da grande muralha, nas tavernas dizem que a
- 1:02:42companhia dos Biltres se instalou nos limites do
- 1:02:45mundo, e está financiando aventureiros para explorar
- 1:02:47essa terra maldita. Já vai fazer um ano a uma
- 1:02:50laquias, que muitos partiram para o norte, deixando
- 1:02:54Valetim e viajando sete dias por esses gêmeos. Bom,
- 1:02:58morriado o céu, eu também estou partindo. Eu
- 1:03:01cansei dessa vida de merda, meu amigo. Mas
- 1:03:03então, malaquias, me fala, você vai vir também, eu
- 1:03:07vou passar o resto dessa tua vida patética, batendo
- 1:03:09carteiras. Eu não sei você, mas eu quero
- 1:03:11morrer rico, meu amigo. Fala,
- 1:03:15galera do Café, aqui é o Hikaru, e eu queria fazer
- 1:03:17um convite para vocês. Fim de Esterra é uma mesa de
- 1:03:20Hexcrawl, que usa o Caves and Hex, espirado no Bestie
- 1:03:22de 81, que todo mundo ama, e é uma campanha que
- 1:03:25acontece no estilo mesaberto, o que o Simfer
- 1:03:27é qualquer um pode colar, jogar com a gente, são
- 1:03:29sessões ebsólicas, quem pode jogar no dia, a gente
- 1:03:31monta um time, e esse time sai para explorar. Então,
- 1:03:34eu queria fazer esse convite para vocês virem
- 1:03:36explorar esses ermos malditos, descobrir os
- 1:03:38segredos de cartelos abandonados, atravessar
- 1:03:40espelhos mágicos, encarar as brumas prateadas, tomar o
- 1:03:44chá da minha estrela, e vir buscar esses tesouros,
- 1:03:47que foram esquecidos pelo tempo, em Finisterra. Essa
- 1:03:50mesa também, galera, usa o estilo de jogo, olha,
- 1:03:53fantase, que quem é ouvinte do café, está ligado, do
- 1:03:56que eu sei. Então, espero vocês lá, e valeu,
- 1:03:59Balby. Nesse
- 1:04:15ponto, a gente consegue perceber que esse mestre
- 1:04:17começa a ser absolvido, justamente porque a gente
- 1:04:20tirou muitas responsabilidades da mão
- 1:04:22dele. Esse mestre que a gente critica
- 1:04:25tanto, é um mestre sobrecarregado em suas
- 1:04:27funções. E por isso, para que ele
- 1:04:29consiga desempenhar tantas funções, ele tem que buscar
- 1:04:32cada vez mais poder. A culpa, gente, não é do
- 1:04:36jogador, do mestre, do mestre enquanto jogador, não
- 1:04:39é do participante mestre, não é a sua. A
- 1:04:44gente está criticando o papel, como ele foi
- 1:04:46desenhado. Nesses experimentos todos que a
- 1:04:48gente tem feito, então é o fantasy, principalmente em
- 1:04:50Birgoten, que já passa aí, de suas duzentas mesas,
- 1:04:53duzentas sessões, com vários mestres, a gente pode dizer
- 1:04:56o seguinte, é gostoso jogar com esse mestre, os
- 1:05:00jogadores também acham gostoso que tem esse
- 1:05:03mestre, e a gente acaba conseguindo explorar essa
- 1:05:05simetria de papéis e esse vetor oposto do mestre. Os
- 1:05:10jogadores sabem que, quando eles vencem um desafio, o
- 1:05:14mestre deu o seu pior dentro do seu possível,
- 1:05:17como o... como as fadas da Corte Ancili
- 1:05:24que querem fazer mal os humanos, mas eles têm um
- 1:05:27pacto, eles não podem fazer mal diretos, não podem
- 1:05:30ferir o humano, não podem cortar a carne de humano,
- 1:05:33mas eles liberam tecnologias e liberam e fazem, e
- 1:05:37arquitetam situações para que os humanos se dene o
- 1:05:40mal, isso acontece lá no Castle Falkenstein, um jogo
- 1:05:43que tem esse pacto do Oberhorn. Então,
- 1:05:46as fadas que querem o mal da raça humana, eles
- 1:05:48liberam tecnologias para os presos humanos fazerem o
- 1:05:51que eles fazem de melhor, que é fazer merda. Mas
- 1:05:53eles não podem afetar diretamente, o mestre assim,
- 1:05:55ele tem suas amarras, e uma vez que essas amarras
- 1:05:58são claras para todo mundo, e a relação lúdica é clara
- 1:06:01para todo mundo, esse mestre, ele tem liberdade
- 1:06:04de fazer o seu pior, o que é muito gostoso, você
- 1:06:06desafiar aquela galera, e é gostoso quando você é
- 1:06:10superado por aquela galera que buscou as melhores
- 1:06:12soluções, para superar o risco, para gerir o risco,
- 1:06:16e conseguiram reivindicar a ficção, e provocar você a
- 1:06:21reivindicar também a ficção em pontos que são úteis
- 1:06:24para eles fazer nessa gestão e do desafio, isso
- 1:06:27cria um jogo muito rico, muito interessante, e um
- 1:06:30jogo em que é construído mais coletivamente, até do
- 1:06:33que esse mestre, que tem cada vez mais
- 1:06:35responsabilidades, e é cada vez mais solitário em seu
- 1:06:38papel. Teve um sujeito aí no Instagram,
- 1:06:41um cara que tem um humor um pouco complicado, mas,
- 1:06:46enfim, eventualmente é possível trocar a ideia com
- 1:06:48ele, não vou revelar o nome, mas o fato é que
- 1:06:50ele troca uma ideia de vez em quando no inbox, e ele
- 1:06:53trouxe para mim que ele toma decisões que ele não
- 1:06:57poderia compartilhar com os jogadores, porque ele usa
- 1:07:00de muito ilusionismo, ele dá muitas vezes a sensação
- 1:07:04dos jogadores de liberdade, ele dá a sensação de
- 1:07:07agência para os jogadores, mas no fundo ele não dá,
- 1:07:09e aí ele fala que, ele explicando, ele fala, mas
- 1:07:13eu não consigo nem conversar com os meus
- 1:07:15jogadores sobre isso, quando eu falei que era
- 1:07:17interessante que ele explicasse para os jogadores
- 1:07:19como o jogo funciona, como ele toma as suas decisões,
- 1:07:23ele falou, não, eu não converso com os meus
- 1:07:24jogadores sobre isso, e eu fiquei pensando, com o
- 1:07:27solitário, é esse papel de mestre, em que ele não
- 1:07:31pode conversar sobre o jogo, ele não pode ter
- 1:07:33esse momento de resenha sobre as decisões que ele
- 1:07:35tomou, e o grupo não pode ter esse momento em que
- 1:07:38ele entende o melhor e mais a fundo como o jogo
- 1:07:41funciona, pelo menos no posto do mestre. Isso
- 1:07:44é muito triste, se esse cara fizer uma campanha, na
- 1:07:48melhor das hipóteses, ele vai ter que chamar alguém
- 1:07:49para poder compartilhar esses segredos dele, em
- 1:07:52relação a como ele atua, isso eu acho muito
- 1:07:55complicado assim. O jogo é compartilhado, o
- 1:08:00jogo, a relação lúdica, é compartilhado, e assim que
- 1:08:03ela cresce, ela ganha profundidade, ela ganha
- 1:08:06impossibilidade de melhora, porque quando você termina
- 1:08:09a sessão e faz uma resenha, quando você tem
- 1:08:11essa relação lúdica estabelecida e clara, e as
- 1:08:14boas práticas, e as posturas, e o mestre dos
- 1:08:17jogadores, e as limitações, fica muito legal você
- 1:08:21debater a respeito e entender onde você pode
- 1:08:22fazer melhor da próxima vez, onde você, de repente,
- 1:08:25fez e brilhou. É muito legal fazer isso.
- 1:08:28Toda a sessão de berregolta, a
- 1:08:30gente faz uma sessão de feedback depois, e a gente
- 1:08:32ter organizado esse jogo dessa forma, esse estilo de
- 1:08:37jogo, em símptomo do AD Classco, permite que a
- 1:08:39gente aprofude muito a experiência. E
- 1:08:42você ver uma melhora clara na fluidez do jogo,
- 1:08:45conforme as pessoas vão jogando juntas, e até de
- 1:08:48um jeito mais eficiente de fazer isso acontecer, do
- 1:08:51que quando você não pode dividir a linguagem, ou
- 1:08:54quando você não conhece a linguagem comum que está
- 1:08:56todo mundo utilizando. Não, a gente sabe os caminhos,
- 1:09:00a gente sabe o que a gente está buscando em
- 1:09:03conjunto, a gente sabe a relação lúdica que a gente
- 1:09:05está definindo. Isso é muito gostoso. Esse
- 1:09:08mestre é possível, é possível que você traga
- 1:09:11esse desafio. Na última, esse desafio pesado,
- 1:09:15esse desafio que é para morder mesmo, que jogador
- 1:09:20nenhum vai conseguir trazer para si mesmo, como
- 1:09:23acontece nos jogos cop, é um espaço, é uma simetria
- 1:09:27que é muito investigável e é muito explorável dentro
- 1:09:30da relação lúdica. É gostoso acontecer. O
- 1:09:33mistério que esse mestre traz é muito legal, mas é
- 1:09:37um mistério do desafio que ele está propondo. A
- 1:09:40relação lúdica, ela é limpa, clara, transparente,
- 1:09:43e está aqui, a prova para todo mundo ver. Então,
- 1:09:47quem quiser, pode colar com a gente, entender um pouco
- 1:09:51mais sobre o Alphanthes, a gente tem aí vídeo no
- 1:09:54YouTube falando de Alphanthes, alguns episódios
- 1:09:56aqui do café, foram de Alphanthes, a gente tem
- 1:09:59Birgotten, que usa Alphanthes, a gente tem
- 1:10:00Finisterra, que usa Alphanthes, são campanhas
- 1:10:03abertas, a gente tem o Trema, que usa Alphanthes,
- 1:10:06também é uma campanha aberta, a gente tem
- 1:10:08campanhas influenciadas por Alphanthes, como, sei lá,
- 1:10:12outras campanhas aí, tipo a do Samuca, o ARC, a gente
- 1:10:15tem aí o South Borg, do Bernardo, que também são
- 1:10:19influenciados por Alphanthes, mas tem essas que eu vou
- 1:10:24deixar linkadas aqui no vestícdito do episódio, são
- 1:10:26campanhas abertas da comunidade do Alphanthes e
- 1:10:29que experimentam isso, experimentam esse mestre,
- 1:10:33oposição, que é muito gostoso de ver rodar. Posso
- 1:10:37garantir, cara, assim, é muito legal quando você vê
- 1:10:40uma história contada, você pode negociar os riscos e
- 1:10:43entender aquilo tudo ali dentro de um aspecto de
- 1:10:47contação de história, entendendo os perigos como
- 1:10:49impulsos narrativos, mas quando o perigo é perigo
- 1:10:52mesmo e você pode perder o personagem ali, tem umas
- 1:10:55coisas em jogo ali, e você sabe que alguém tá querendo
- 1:10:57que você, de fato, perca o personagem, a atuação dele
- 1:11:00é nesse sentido, a coisa fica muito gostosa quando
- 1:11:04você vence. É um certo, é quase como num
- 1:11:06esporte, é muito gostoso ver isso acontecer. Enfim,
- 1:11:11espero que tenham curtido esse episódio, essas
- 1:11:13reflexões sobre como o mestre pode desafiar os
- 1:11:17jogadores, eu imagino que tenha outras formas, mas
- 1:11:19acho que o Elfantese não é a única forma de fazer
- 1:11:22isso, mas certamente o Elfantese tem chegado num
- 1:11:24jeito muito gostoso de absorver o mestre a suas
- 1:11:28responsabilidades, trabalhar melhor seus poderes, chegar
- 1:11:32num desenho mais racional transparente e claro pra
- 1:11:34todos, levando a um RPG de desafio delicioso de se
- 1:11:40enfrentar. Então é isso, vamos lá, queria
- 1:11:44agradecer você que ficou vindo a gente até agora, e
- 1:11:48eu vou deixar uma enquete pra você. E
- 1:11:52aí, você gosta da ideia do mestre versus os jogadores?
- 1:11:58Você acha que essa é uma boa
- 1:12:00ideia? E eu vou deixar também aí
- 1:12:02uma pergunta, né, por que eu quero dizer? Pra
- 1:12:04você tentar responder no comentário, não tem mais
- 1:12:06aquele esquema de pergunta, mas você pode deixar um
- 1:12:07comentário respondendo essa pergunta. A
- 1:12:09pergunta é a seguinte, você acha que é possível fazer
- 1:12:12esse mestre funcionar? E se você gostou dessa
- 1:12:16solução que a gente traz, comenta aí pra gente o que
- 1:12:18você acha dessa solução que a gente trouxe, e se você
- 1:12:21acha possível que esse mestre funcione. Quero
- 1:12:26agradecer mais uma vez aí você que ouviu a gente, e
- 1:12:28deixar uns avisos pra você aí. Se
- 1:12:32você quer que esse podcast ganhe mais dias na semana,
- 1:12:37possa ampliar seu espaço de reflexão e também trazer
- 1:12:39mais gente do cenário aí pra entrevistas e coisa e
- 1:12:42tal, que a gente não precisa ficar escolhendo tão
- 1:12:44a dedo, a pauta, torna -se um assinante lá em apoia
- 1:12:48.se -café -cundangel. E aí você recebe conteúdo
- 1:12:52extra, inclusive aí um apoio chamado Trenamento Oil
- 1:12:55Fantasy, em que a gente estuda essas dinâmicas de
- 1:12:57oil fantasy mais a fundo, esse manual de estilo, tá?
- 1:13:02Além disso, você recebe conteúdo
- 1:13:04extra aí, participa de sorteios dos nossos
- 1:13:06parceiros, sorteios de outros materiais também.
- 1:13:10Então chega lá apoia .se -café
- 1:13:13-cundangel. Se você gostou especialmente do
- 1:13:15café -cundangel de hoje, você pode deixar uma
- 1:13:17gorjeta pra gente em café -cundangel -roba -gmail .com no
- 1:13:20PIX, que a gente conta com o teu apoio. Se
- 1:13:23você tem uma empresa ou uma marca que quer ter um
- 1:13:25dia da semana do café -cundangel, você pode
- 1:13:28financiar um episódio semanal no podcast e fazer
- 1:13:31alegria da massa arrepegista. Então
- 1:13:32consulta a gente no mesmo e -mail, pra gente ter uma
- 1:13:35proposta especial pra você. Consulta
- 1:13:38também a gente sobre parcerias e anúncios. E
- 1:13:40a gente trabalha não somente com marca de RPG,
- 1:13:43mas também com outros ramos, como café, produtos
- 1:13:46alimentícios, jogos, tecnologia, mídia, etc. Se
- 1:13:50você quer colaborar com a gente, manda o e -mail
- 1:13:53também. De repente você é game
- 1:13:55designer independentemente, tem um jogo acadêmico ou
- 1:13:58fã, tem alguma ideia, manda um e -mail pra gente que a
- 1:14:00gente colabora. Lembrando que você pode avaliar o
- 1:14:05nosso podcast no Spotify, você pode ir lá no Spotify
- 1:14:07e dar cinco estrelas pra gente, ou menos se você
- 1:14:10quiser, mas a gente agradece muito as cinco
- 1:14:13estrelas. A gente, na primeira
- 1:14:15temporada, chegou a ter trezentas e poucas pessoas
- 1:14:18dando estrelinhas pra gente, cinco estrelas. E
- 1:14:21agora a gente tem aí umas duzentas e poucas pessoas.
- 1:14:25Então vamos lá, desce o dedo e
- 1:14:27dessa avaliação, é só pegar o aplicativo mobile e você
- 1:14:30consegue avaliar a gente, beleza? No
- 1:14:33mais, queria agradecer a galera que torna possível
- 1:14:37essa aventura, os nossos assinantes. Então
- 1:14:41valeu aí a galera do apoio incentivo, incluindo o Lúcio
- 1:14:46Pimentel. Valeu demais ao pessoal do nível
- 1:14:49de apoio comunidade, incluindo o Camilo Suzuki,
- 1:14:52o Bernardo Figueiredo e o D. M.
- 1:14:53Quiral. Um sal especial pros assinantes
- 1:14:55do nível RPG 2, de entre eles o Marcos Viniços
- 1:14:59Ornelas, o Pedro Bziner, o Germano Assis, o Luiz
- 1:15:03Guilherme Dias e o Leonardo Ferreira. Um
- 1:15:07abraço aí pros membros do nível atrenamento a
- 1:15:10Eufentes, então, Abílio Júnior, César Machado,
- 1:15:13Daniel Aidar, Diego Cestito, Douglas Luiz, Mendes,
- 1:15:17Baiense, Leonardo Gasparotto Menini, Matheus Piqueira,
- 1:15:20Rafael Machado Bardal, Bruno Cobb, João Bourlamarque e
- 1:15:24Guilherme Gonzaga, Providelo, valeu pelo apoio. E
- 1:15:29por último, um abraço apertadíssimo aí do nosso
- 1:15:32assinante do nível Café Combalbi, o Tiago Augusto
- 1:15:35de Souza. Galera, muito obrigado, um abraço e
- 1:15:39até a próxima. Eu
- 1:15:52sou o mestre do jogo e vocês, meus peões, eu
- 1:15:56contrário seus destinos, criei o mundo antes de
- 1:16:00vocês.