Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / COISA DE RICO #II - O ENREDO (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:06Senhoras e Senhores, sejam muito bem-vindos ao clube do Livro,
- 0:09Né? O nosso clube do livro aqui da
- 0:11empreender dinheiro. É sabe qual é o significado do
- 0:16nome empreender dinheiro, Bruno? Não.
- 0:19Empreender dinheiro nasce. Eu lembro que eu tive uma
- 0:23reunião com a agência de publicidade, aí tinha um cara
- 0:24que estava fazendo um site e tal não sei o que nasce como um blog
- 0:28em 2000 e baixo 2000 e Sei Lá, faz tempo.
- 0:31E aí é o pessoal marcou uma reunião para falar de alguns
- 0:35temas e muito educadamente tentaram me convencer que o nome
- 0:39era ruim. Deveria trocar.
- 0:41Assim, pô, é dinheiro, as pessoas têm um é tem uma carga
- 0:45meio negativa. Tu vê como a coisa, a crença é
- 0:48foda. Esse livro que falam de mindset
- 0:50e tal, não sei o quê. Muitos deles têm um alcance
- 0:52muito grande porque bicho isso é a vida real, não é assim porra,
- 0:57mas eu, eu, eu estou numa posição de de justamente
- 1:00desmistificar. Isso não é combater isso, mas eu
- 1:02pô o substantivo com um verbo e tal não sei o quê.
- 1:06É sei e tal, disse, cara, tem um conceito por trás.
- 1:09Se se a intenção é essa, a gente pode acabar.
- 1:12A reunião não é empreender dinheiro, então.
- 1:15Com O Tempo a gente fez um rebranding e assumiu OED, porque
- 1:19os próprios clientes ficaram. Não é no dia a dia para OEDDDE
- 1:22tal, continua como perder dinheiro, mas, por exemplo, aqui
- 1:25a marca da gente, ela tem ela por extenso e tem só OED.
- 1:27Mas OOOOA gente começa. Apesar de termos a Tech Finance
- 1:34como uma solução para quem quer empreender com finanças.
- 1:37E aí, de certa forma não é no grupo a gente.
- 1:40A gente para alguns Planejadores, para alguns
- 1:43empreendedores, a gente essa essa casa aqui com soluções para
- 1:46um empreendedor das finanças. Mas isso veio depois.
- 1:50A conceção original vem de um convite para um investidor
- 1:54individual, é? Oo que que a gente a gente
- 1:57começa com educacional, falando investimentos.
- 2:01Isso é só uma curiosidade, não é?
- 2:02Veio aqui agora eu estou comentando porque me perguntaram
- 2:04isso na reunião anterior, é EEE era assim, pô, quem que vem para
- 2:07um curso de investimentos é alguém que está tendo algum
- 2:11sucesso financeiro, tem uma renda mais alta ou está
- 2:13conseguindo, né? Ter sobra orçamentária ou tem
- 2:15algum património e quer quer investir melhor?
- 2:18Sendo que esse alguém não é um assessor de investimentos que
- 2:22está tendo sucesso na carreira e quer aprender mais sobre
- 2:23investimentos, não é? É uma pessoa física comum, é um
- 2:26médico, é um arquiteto, é um empresário, um engenheiro e tal
- 2:29é e essa pessoa ela. Justamente não entende tanto
- 2:33investimento se o convite era esse, assim ó é.
- 2:37Na verdade, quando a gente fala do processo de formação de
- 2:39patrimônio. OOO conceito da Ed vem de um
- 2:45convite para que a pessoa se veja como um empreendedor das
- 2:47suas próprias finanças. Não é para que a pessoa pense
- 2:50quase como se fosse um banco privado, cuja matéria-prima é o
- 2:53dinheiro, não é? Esse é o lado empreender e do
- 2:56lado do dinheiro, é é do ponto de vista da alocação do capital.
- 3:00As decisões precisam de rigor técnico.
- 3:04Não é porque muitas decisões. E aí entra o lado mais
- 3:07financista da coisa. Muitas decisões importantes para
- 3:10a vida financeira de uma família são tomadas.
- 3:13É sem rigor técnico, não é? E devem também e aí, o nosso
- 3:19lado mais educacional, respeitando a vida real, é é?
- 3:25Respeitar a ciência do comportamento, ou seja, tem que
- 3:27ter embasamento comportamental. E aí vem muito do que a gente
- 3:30fala aqui, não é? Quando a gente lê muitos livros
- 3:32que nós Lemos aqui como nudes. Os livros do Morning House não é
- 3:36até refletido naquela frase dele, né?
- 3:38Ou seja, as decisões financeiras mais importantes não são tomadas
- 3:40na planilha, são tomadas na mesma de jantar, então daqui vem
- 3:43o nome DO que é que isso tem a ver com o nosso livro?
- 3:45Talvez nada, não é, mas uma curiosidade para a gente começar
- 3:48aqui, o nosso papo. Podemos iniciar.
- 3:51É, eu acho que tem tem uma relação assim como Oo falar o
- 3:54nome de dinheiro não é? Tem essa coisa do do.
- 3:58Da Visão da justiça é o coisa de rico também querendo ou não, não
- 4:01é? Sim, sim.
- 4:01Acho que tem essa relação aí, mas vamos nessa o enredo.
- 4:04O enredo talvez tenha sido eu quem saiu mais perplexo da
- 4:08confusão no aeroporto. Tanto Claudete e Mário Jorge
- 4:11quanto os funcionários da Locadora e os policiais devem
- 4:14ter seguido suas vidas. Eu Não enfrentei os mais de 120
- 4:17km até Palm Beach, Paraíso dos magnatas americanos, por uma
- 4:22estrada vazia, lisa e sem tédio. Os fantasmas e as teorias me
- 4:26atormentavam. Seguir confuso entre o que vi e
- 4:31o que os funcionários diziam ter visto quem estava certo, a única
- 4:35certeza era de que havia entre o Brasil e os Estados Unidos bem
- 4:39mais do que um fosso geográfico, econômico-social.
- 4:42O dilema era cultural e eu, por causa das minhas limitações, não
- 4:47conseguia compreendê lo por completo, muito por conta das
- 4:51minhas Origens. Aí, veja, ele vai trazer aqui.
- 4:54As Origens dele. Que certamente são muito
- 4:57diferentes das Origens de Claudete, Mário Jorge, mas
- 5:00tentando conectar as leituras até para quem veio da leitura do
- 5:04arte de gastar dinheiro, né? Até o comportamento de Claudete
- 5:07e Mário Jorge fará sentido ou faz sentido quando se há
- 5:10informação suficiente? Sou filho de uma família típica
- 5:14das camadas médias urbanas do Rio de Janeiro.
- 5:16Meus pais têm curso universitário, então a mãe dele
- 5:18não era faxineira, né? Me equivoquei na minha
- 5:20lembrança. Aqui é trabalharam por mais de
- 5:24eu. Acho que não foi isso, então,
- 5:26mas ele com certeza a história dele ser confundido com garçons.
- 5:28Isso eu me lembro, não é? Não sei se ele vai mencionar
- 5:31aqui na leitura do livro. Meus pais têm curso
- 5:33universitário, trabalharam por mais de 40 anos em um estatal,
- 5:36gozaram das benesses de bons salários e de certa estabilidade
- 5:39financeira. Estudei em escolas particulares
- 5:42de elite fazia, atividades extracurriculares, usava
- 5:45transporte escolar, tinha plano de saúde.
- 5:48E casa de veraneio para os finais de semana nas férias,
- 5:50sempre que possível, viajávamos a algum Paraíso idílico para
- 5:54descansar. Mas naquele momento, em 2010, eu
- 5:57já era um pesquisador. Dias antes de partir para o
- 6:00Canadá, defendi minha dissertação de mestrado em
- 6:02antropologia social na Universidade de Brasília, na
- 6:05qual fiz uma longa pesquisa com os senadores da República.
- 6:09Mesmo Longe do vínculo com a instituição de ensino
- 6:11brasileira. Eu seguia sendo um antropólogo.
- 6:14E continuava disposto a olhar para o mundo A Caça de porquês
- 6:19aberto a novos estranhamentos que me fizessem pensar sobre o
- 6:22impacto da cultura NOS moldes de pensar e viver para mim.
- 6:26Mário Jorge Claudete não passava nenhum casal do Rio de Janeiro
- 6:29metido a besta daqueles que se apoiam NOS cartões de crédito
- 6:31para sair do país tem um apartamento bacana financiado e
- 6:34um carro legal. No entanto, para Lito e Raul, os
- 6:38clientes brasileiros eram gente de muita grana, os tais ricos de
- 6:41verdade. Mas depois de muita reflexão,
- 6:44até não me custaria aceitar que os 2 faziam parte de uma baixa
- 6:49alta classe média. Interessante NOS termos do
- 6:52filósofo Rodrigo Nunes, um pensador das transformações da
- 6:55sociedade brasileira. Poy é o que achei que tinha
- 6:58criado o termo classe alta média.
- 7:01É o Rodrigo Nunes foi mais adiante, ainda não é baixa alta
- 7:05classe média. Um agente que, apesar de
- 7:09desfrutar de benesses de consumo similares às das elites
- 7:12econômicas internacionais e de frequentar contextos reservados
- 7:16aos ricos, sustenta tal estilo de vida à base do cartão de
- 7:20crédito. Ele se bancam com maior ou menor
- 7:22facilidade de acordo com o movimento das marés.
- 7:25Se o cenário macroeconômico vai bem ou os políticos não
- 7:28atrapalham, podem aproveitar bens e serviços de luxo.
- 7:31Mas ao sinal da menor turbulência.
- 7:34Perdem poder de consumo e ressentidos reclamam e culpam a
- 7:37todos pelo fracasso momentâneo. Do aeroporto de Miami, os ventos
- 7:40pareciam soprar prosperidade ao sul da linha do Equador.
- 7:45Os jornais faziam às vezes de biruta e apontavam que o Brasil
- 7:50caminhava para cumprir no presente a promessa de seu país
- 7:53do futuro. E aí eu imaginei isso, né?
- 7:55Ele vai mencionar a capa da The Economist.
- 7:57Não é engraçado como essa capa marcou quem captou bem Oo
- 8:01movimento foi a revista The Economist numa edição de
- 8:04Novembro de 2009, os editores decidiram estampar o Cristo
- 8:08Redentor abrindo o voo. Do morro do Corcovado, rodeado
- 8:11por uma fumaça densa, similar a deixada pelos foguetes nas
- 8:14estações espaciais. Embaixo lia-se a manchete. o
- 8:17Brasil decola a implementação de um modelo econômico mais aberto
- 8:21do ponto de vista comercial e financeiro, a redução das
- 8:22barreiras alfandegárias, a entrada de um grande volume de
- 8:25capital estrangeiro e a drástica redução dos índices
- 8:27inflacionários fizeram a economia brasileira experimentar
- 8:29por um experimentar um crescimento aparentemente
- 8:31sustentável. A imagem da revista era fruto
- 8:34dos Marcos. Socioeconómicos positivos, mais
- 8:36sobretudo da expressão da expressiva inclusão de milhões
- 8:39de brasileiros no mercado de consumo.
- 8:42Se as medidas foram capazes de transformar a vida dos mais
- 8:45pobres, não é exagero afirmar que.
- 8:48No andar de cima, o impacto foi ainda maior, como mostrou o
- 8:52sociólogo Pedro HG Ferreira de Souza.
- 8:54Por aqui, não importa se em períodos democráticos ou
- 8:58ditatoriais do Cruzeiro novo ao real em governos da esquerda ou
- 9:03da direita, A fatia da riqueza nacional de 1% mais rico não a
- 9:07não arrefece em uma história de é no livro, não é em uma
- 9:11história de desigualdade e a concentração de renda entre os
- 9:14ricos no Brasil de 1926 a 2013. Livro ganhador do Prêmio Jabuti
- 9:192019 deve ser um livro bem interessante, inclusive.
- 9:22O autor mostra que entre 1926 e 2013 AA desigualdade de renda se
- 9:24manteve em patamares tão altos que até mesmo os menos sensíveis
- 9:27ao Tema se chocariam com os números.
- 9:30Em São Paulo, a cidade mais rica do país, em 2001% dos mais
- 9:34endeirados embolsava 13 BRL a cada 100 BRL ganhos na cidade.
- 9:47Porrada. 1% das pessoas a cada 100 BRL ganhos embolsavam 1310
- 9:54anos depois, o salto foi impressionante entre salários,
- 9:57aluguéis e investimentos. A elite econômica detinha 20 BRL
- 10:01de cada 100 BRL ganhos. O aumento da renda proporcionou
- 10:05um alargamento do topo da pirâmide em 2003, 23000000 de
- 10:10pessoas compunham as classes AEB no Brasil, que representava 13%
- 10:14da população. 10 anos depois, elas eram 37 ponto, 5000000.
- 10:20Em 2012, o Brasil produziu 54 novos milionários por dia.
- 10:24Um a cada 27 minutos, acreditava-se antes da recessão
- 10:28econômica 2014, que até 2017 seríamos a nação com o maior
- 10:31número de contas bancárias, com mais de 1000000 de dólares de
- 10:34investimentos entre os BRICS. Brasil, Rússia, China, Índia e
- 10:38África do Sul. Ao final da década, teríamos
- 10:41quase 700000 ricaços, eram 508000 na Rússia, 411000 na
- 10:45Índia e 409000 na China e redefiniríamos a proporção desse
- 10:51grupo em relação ao restante da população.
- 10:53A cada 1000 brasileiros, 3 passariam seus dias a nadar em
- 10:57montanhas de dinheiros, como fazia o Tio Patinhas, os super
- 11:01ricos indivíduos com fortunas avaliadas acima de 50000000 de
- 11:03reais. Eram quase 100000 transitando
- 11:06pelo país sem se preocupar com os boletos.
- 11:09Com o preço da gasolina com o aumento da passagem de ônibus e
- 11:11com outras mixarias, mal reparamos no barulho estrondoso
- 11:15das turbinas dos aviões particulares, dos motores, dos
- 11:18carros, das reformas, das mansões e dos sacolejadas joias
- 11:21NOS NOS NOS bairros chiques das grandes capitais.
- 11:25O som ao redor que interessava à nação era o da classe C não dos
- 11:30ricaços a se esgoelar. Vejam o que eu conquistei.
- 11:33Eu conquistei. Diferentemente do padrão
- 11:36americano, os emergentes brasileiros não organizam sua
- 11:40vida, apoiados na narrativa mítica dos self-made man nos
- 11:44Estados Unidos. Quando falam DC, os empresários
- 11:47fazem questão de enfatizar a batalha, a guerra sobre a humana
- 11:51contra toda ordem da. Contra toda ordem de problemas,
- 11:56falta de dinheiro de amigos, bagagens cultural, etcétera.
- 11:58Para construir um Império construí é um verbo importante
- 12:01no imaginário dos milionários por lá nos Estados Unidos.
- 12:05Sozinho, ele tem a força de mostrar uma conduta organizada,
- 12:08puritana, racional para produzir e erguer um enorme patrimônio
- 12:12com o pouco que se tem muito diferente dos ricos brasileiros
- 12:15que não constroem, mas conquistam conquista, é adquirir
- 12:19algo que já existe. Uma conquista é uma façanha que
- 12:23precisa ser. Ostentada como símbolo de
- 12:26dominação e poder, os conquistadores são indivíduos
- 12:29que, por meio do seu esforço ou da sua sabedoria.
- 12:32Se apropriaram de algo de outrem, então gozam disso
- 12:37enquanto ostentam as benesses da posse.
- 12:40A grande batalha das elites brasileiras não é pela
- 12:42construção de um Império, é pela conquista de coisas de rico.
- 12:47Eles partem da certeza de que as riquezas e os privilégios estão
- 12:50à disposição de todos, mas só os conquistadores têm coragem e
- 12:53habilidade suficiente para chegar lá antes dos demais.
- 12:57Esse é o Tema central de sua vida.
- 12:59Como Eu soube tempos depois, Mário Jorge e Claudete
- 13:02conquistaram um lugar ao sol, a duras penas.
- 13:07Eles se conheceram no final da adolescência, quando trabalhavam
- 13:09na padaria do tio dela, no subúrbio do Rio de Janeiro.
- 13:14Ela enfrentava os dias entre entre a escola, os serviços
- 13:16domésticos e o caixa do negócio do tio.
- 13:19Ele começava a jornada a jornada de frente de frente a dúzias de
- 13:24ovos queijos quentes e montanhas de fatias de presunto de
- 13:28presunto como chapeiro à noite, novamente de frente ao pilha de
- 13:31livros na faculdade de contabilidade.
- 13:33Certo de que os estudos os tirariam da pindaíba no meio da
- 13:36graduação, Mário Jorge conseguiu uma vaga de representante
- 13:39comercial em uma indústria farmacêutica de segunda a Sexta,
- 13:42pegava uma mala cheia de amostra grátis.
- 13:44Seguia em romaria pelos consultórios médicos da zona
- 13:47sul, apresentando fórmulas mágicas e prometendo milagres.
- 13:50O emprego conquistado deu ao casal mais do que dinheiro.
- 13:53Foi um passaporte para o trabalho formal, com benefícios,
- 13:56plano de saúde, vale refeição 13º férias remuneradas e com
- 14:00segurança suficiente para comprar um pequeno apartamento
- 14:02financiado e perder a perder de vista.
- 14:07Certos de um futuro melhor decidiram ter uma filha, Juliana
- 14:10Gabrielle AGG Mário Jorge atribuía suas conquistas ao
- 14:15próprio esforço. Esquecia-se da forcinha dada
- 14:19pelo destino. O crescimento do trabalho
- 14:21formal, junto à entrada de 50 ponto 5000000 de brasileiros NOS
- 14:24hospitais privados por conta da expansão da oferta de planos de
- 14:27saúde. Produzir um batalhão de novos
- 14:30pacientes dispostos a Tomar todos os tipos de bolinhas
- 14:33prescritas NOS receituários. As farmacêuticas investiram no
- 14:38lançamento de milhares de produtos que precisavam ser
- 14:40devidamente explicados, detalhados e vendidos pelos
- 14:42representantes comerciais. O marido de Claudete faminto por
- 14:46uma oportunidade se valeu do cenário aquecido e, em poucos
- 14:50anos, tornou-se empresário. Convicto de sua capacidade, ele
- 14:53pediu demissão, abriu uma empresa de formação em
- 14:55acompanhamento de novos representantes comerciais, além
- 14:58de uma pequena agência de publicidade para promover
- 15:00eventos corporativos para médicos e outros profissionais
- 15:02da saúde. A sensibilidade para vender e a
- 15:05experiência no setor lhe renderam um crescimento
- 15:07meteórico NOS negócios e na conta bancária.
- 15:09Em pouco tempo, a família se mudou de um apartamento muito de
- 15:13um apartamento pequeno na zona Oeste para um duplex de frente
- 15:17para o mar na barra da Tijuca. Trocaram o Corolla por 2 carros
- 15:21importados, Claudete com tempo e dinheiro se esbaldou nas
- 15:24promessas do mercado de luxo. Danou-se a comprar bolsas, potes
- 15:28e potes de Cosméticos, relógios de grife e roupas.
- 15:31Não fez esse movimento sozinha, mas acompanhada de um exército
- 15:34de consumidores com disposição para torrar bilhões nas lojas de
- 15:37alto padrão de 2007, quando Mário Jorge abriu a própria
- 15:41empresa até 2012, quando conseguiu ter dinheiro
- 15:43suficiente para comprar a parte do sócio.
- 15:45Dominar o mercado com ainda mais desenvoltura.
- 15:47O varejo de luxo saiu de um faturamento anual de 9.9 bilhões
- 15:51para 28.2 bilhões de reais no Brasil.
- 15:54O crescimento foi tanto que grandes marcas internacionais
- 15:57encontravam sérias dificuldades para conseguir um cantinho em
- 15:59São Paulo. No Rio de Janeiro e em Brasília.
- 16:03Se Claudete não estivesse em um shopping no Rio ou em São Paulo,
- 16:07era só procuá-la procurá-la na unidade mais próxima da
- 16:10boritech, a rede de academias de de academias foi criada para
- 16:14atender uma elite disposta a acreditar que a boa forma só era
- 16:17possível com a melhor, com a melhor maquinaria do mercado,
- 16:21práticas esportivas exclusivas e professores tão bonitos que não
- 16:24sabiam se eram modelos, atletas ou artistas.
- 16:27E ciclaudete não estivesse na academia, era só conferir com as
- 16:30companhias aéreas, sem dúvida. Ela, GG e Mário Jorge estariam
- 16:34viajando por algum lugar do mundo.
- 16:37O aumento do poder de compra de brasileiros aliado ao sonho dos
- 16:41produtos importados, levou hordas de consumidores aos
- 16:45principais centros comerciais de Miami e Nova Iorque e da Europa,
- 16:48com bolos de dinheiro amarrados em envelopes de casas de câmbio
- 16:52e devidamente acomodados em doleiras.
- 16:55Eles tomavam os outlets com uma fome avassaladora, capaz de
- 17:00preocupar qualquer economista. Os executivos do Banco Central
- 17:03se surpreenderam com o montante com a montanha de reais
- 17:06travestidos em notas de dólar a fugir do país.
- 17:10Em 2014, os gastos dos brasileiros no exterior bateram
- 17:13recorde 25 bilhões de dólares voaram em direção à economia
- 17:17americana e Europeia como um tsunami.
- 17:20Invadimos as praias da Flórida e ultrapassamos britânicos,
- 17:23alemães e franceses no volume de gastos por aquelas bandas.
- 17:26O choque meu e dos americanos era fruto de uma profunda
- 17:30ignorância. O comportamento.
- 17:32Estapafúrdio de Mário Jorge Claudete não era por falta de
- 17:35caráter o desvio de personalidade, muito menos culpa
- 17:37do acaso. Estávamos diante de um fenômeno
- 17:40social, um movimento compartilhado por boa parte de
- 17:43uma nação desesperada por levantar muros, estabelecer
- 17:46fronteiras e marcar posição a partir de objetos de consumo.
- 17:50Algo acontecia abaixo da linha do Equador.
- 17:52O choque despertou o meu interesse em responder a
- 17:55pergunta fundamental, o que faz um rico rico no Brasil?
- 18:00Já em Pown Beach, saí à procura de outros pensadores de riqueza
- 18:04ou da riqueza para compreender como ela se definia ao redor do
- 18:07mundo. Passei por revistas académicas,
- 18:10livros, artigos e notícias à procura de informações que me
- 18:12ajudassem a desvendar, pelo menos em parte o Brasil dos
- 18:15milionários, o qual do Canadá ou da Florida era impossível ver.
- 18:20O resultado foi desanimador, com exceção de poucos esforços
- 18:24recentes. Quanto mais eu caminhava na
- 18:26busca, mais eu me dava conta do silêncio das ciências sociais
- 18:29sobre o assunto. Ao compararmos a produção
- 18:32antropológica sobre pobres e ricos em diversas temáticas de
- 18:35estudo, é clara a disparidade. Sempre estivemos mais
- 18:39interessados em jogar luz sobre os modos de vida dos
- 18:43marginalizados, a fim de incluir os excluídos na agenda nacional.
- 18:48Michel Pinson e Munique pinson, Charlotte.
- 18:51Referências no estudo das elites europeias creditam a escassez de
- 18:56produção intelectual sobre os ricos a um problema de ordem
- 19:00moral. Como nosso papel é desvendar o
- 19:02ponto de vista nativo, quando pesquisamos as elites, corremos
- 19:08o risco de confundir reflexão com chancela, pensamento
- 19:10intelectual com justificativa, o entendimento com defesa, adianto
- 19:15que os leitores não verão aqui um relato deslumbrado de vidas.
- 19:19Sustentadas por por gordas, contas bancárias e cartões de
- 19:23crédito sem limite. Muito menos uma denúncia das
- 19:25extravagâncias dos milionários ou fofocas sobre as maravilhas
- 19:29proporcionadas pelo dinheiro. Meu objetivo é compreender os
- 19:31códigos, a Visão de mundo e os sentidos que aqueles que habitam
- 19:35o topo da pirâmide da renda dão a própria vida.
- 19:39Com isso, busco captar melhor o funcionamento da sociedade
- 19:42brasileira. Ao fim e ao cabo, é também
- 19:45olhando para os de cima, com aspas desvendando suas
- 19:49estratégias de dominação e opressão que poderemos entender.
- 19:52Como e porquê, apesar dos esforços individuais?
- 19:55As políticas públicas os de baixo seguem onde estão.
- 19:59Sigo esse caminho junto da antropóloga americana Laura nada
- 20:03no começo dos anos 70, em up the Antropologist perspectives games
- 20:09from thirty up, ela enfatizou que as pesquisas sobre as elites
- 20:12são fundamentais, pois só estudando os de baixo e os de
- 20:17cima conseguiríamos produzir teorias capazes de dar conta da
- 20:20complexidade do jogo social. Se o cotidiano é uma invenção
- 20:23coletiva na qual as elites têm mais poder revelar o que elas
- 20:27fazem e como agem para se manter no topo.
- 20:29É importante para mostrar os mecanismos que reagem à disputa
- 20:32que regem a disputa, só revelando o que tem sido segredo
- 20:37é que será possível abrir um novo campo e novas formas de
- 20:40ação. Assim, depois de horas
- 20:42procurando respostas dentro do meu próprio mundo preso, as
- 20:45minhas ideias sobre a vida dos milionários, sem sucesso.
- 20:49Eu então abri a carteira e tirei o papel com o telefone.
- 20:53Jorge sentado numa poltrona em um canto do quarto do hotel.
- 20:56Fiquei olhando a sequência de números entre a inércia e a
- 20:59vontade de agir. Pensei, e Se Eu ligasse?
- 21:02E aí a gente vai para 11 próximo capítulo que ele começa.
- 21:06Então esse envolvimento aqui com com os super ricos EE, imagino
- 21:10também a pesquisa dele não é? Mas aqui ele explicou.
- 21:14De onde que vem essa decisão de mergulhar nessa pesquisa?
- 21:17Não é? Então, mais um capítulo.
- 21:18Entendeu que aquecendo os motores ainda ainda ainda isso
- 21:21isso. E ele deixa claro também o
- 21:22objetivo dele, não é que é compreender como ele fala aqui
- 21:25os códigos, a Visão de mundo e os sentidos que aqueles que
- 21:28habitam o topo da pirâmide de renda dão a própria vida?
- 21:31Então é a gente dá um pouco daquele comportamento que faz as
- 21:34coisas fazerem sentido, não? É muito bom beleza.
- 21:37Temos mais um episódio. Se você gostou, compartilhe
- 21:39muito obrigado pelo seu tempo e a gente se encontra no próximo
- 21:41dando segmento aqui AO livro coisa de rico, forte abraço.