Latest / E se...? / E se a nossa essência fosse a capacidade de mudar?
Transcript
- Pedro Figueiredo: Olá, bem-vindo a mais episódio do podcast E se...? O meu nome é Pedro Figueiredo. Agradecer desde já quem vai acompanhando. E, mais uma vez, o reforço de que procuro, com este podcast, estimular a reflexão. Algo que tenha algum receio que vá sendo cada vez menos desenvolvido. Mas aliar essa reflexão àquilo que poderão ser questões que impactam... a nossa saúde, porque depois a nossa saúde impacta aquilo que é a nossa experiência, a nossa vida. E dizer também, ou pelo menos estou a sentir essa necessidade de dizer que ainda que quando nós falamos estamos a comunicar com base naquilo que sabemos e esse conhecimento muitas vezes está dividido, vamos chamar assim, por caixinhas, não é? Agora vou falar de filosofia. e que filosofias, que escolas, ou que pensamentos, linhas de pensamento existem. Estas. Quem é que foram os responsáveis? Estes autores. E é assim que nós, muitas vezes, o nosso cérebro vai funcionando, que é, na verdade, por padrões de pensamento, mas podíamos também dizer por caixinhas, por categorias. E nós tentamos sempre organizar as coisas assim, na perspetiva de facilitar o nosso raciocínio. ter aqui alguma estrutura. Mas, a verdade é que essa estrutura também muitas vezes pode condicionar as nossas reflexões, porque estamos a limitar-nos àquilo que alguém disse, àquilo que alguém pensou. E por isso, muitas vezes quando eu estou a refletir sobre questões e cada vez mais, vamos dizer assim, a ciência que é filosofia, me interessa, Mas quando eu vou ler algum livro de algum antigo pensador, eu leio aquilo e acontece-me uma de duas coisas. Ou eu realmente... aquilo que eu estou a me faz sentido ou não me faz sentido a maneira de pensar. Mas, independente de ser uma ou outra, de eu me identificar... Ou não, a verdade é que muitas vezes eu chego à conclusão que eu sozinho, se me sentasse, se parasse para refletir sobre determinada questão, chegaria ou à mesma conclusão ou a outra diferente, mas, seja, eu consigo chegar ali sem precisar daquele autor. Mas nós começamos a... condicionando o nosso pensamento exatamente sobre só aquilo que nós já lemos. E depois, se for preciso até, vamos comunicar manifestando esse mesmo conhecimento, mostrando aos outros que temos muitas referências bibliográficas, que temos muito conhecimento. Não quer dizer que esse conhecimento realmente tenha impacto na nossa vida e que nós utilizemos ele para alguma coisa benéfica para além de mostrar aos outros. A conclusão a que eu quero chegar é que a maioria das vezes, quando eu estou aqui a pensar num determinado tópico para abordar e estou a refletir para mim, eu não gosto muito de dar referências. Primeiro, porque eu não tenho todas as referências. Segundo, se tivesse seria só exaustivo. Terceiro, exatamente porque é meu interesse mostrar. E como se costuma dizer, a maioria das respostas está nós. Nós só precisamos de bocadinho de tempo e espaço para pensar sobre elas. Portanto, podia estar agora aqui, vou abordar aqui duas linhas de pensamento que têm ao longo do tempo tido vários autores ou vários pensadores ou vários defensores, mas... à parte de quem são essas pessoas, nós vamos só pensar sobre as ideias, vamos só refletir sobre as ideias e perceber o que que poderá fazer sentido ou não. Outra questão também com esta perspectiva de colocar tudo caixas é que quando nós colocamos as coisas caixas, dependendo das caixas que nós decidimos criar, essas caixas acabam por ser, vamos dizer assim, lentes. ou prismas sobre os quais nós depois observamos o mundo. Portanto, eu observo algo e ponho aqui esta lente que me vai condicionar a minha observação, a minha interpretação. E sempre foi assim. E nós temos que ter sempre esta ideia de que qualquer pensador, qualquer filósofo pensou à luz do quê? Do conhecimento que tinha, das caixinhas que tinha criado, daquilo que era o contexto e a época onde ele vivia. E portanto, É de acordo com isso que ele pensou. Ele nunca pensou de forma descondicionada, forma neutra ou imparcial. Estamos sempre a ter que nos lembrar disto que qualquer coisa que tenha sido pensada foi sempre condicionada. E eu estou a dizer isto porque? Exatamente porque deveríamos, tendo esta noção no nosso cérebro, partir do pressuposto. que se calhar não há nada que alguém alguma vez tenha pensado que esteja completo, que esteja finalizado, que seja esta é a conclusão. Não, aquilo que nós vamos vendo é que de facto há sempre prós e contras. Há sempre o lado A e o lado B de quase tudo. É como as nossas decisões. Eu tomo uma decisão e há sempre... bom, tenho esta vantagem, tenho esta desvantagem. Se for por ali... Tinha outra vantagem, outra desvantagem. E no caso da filosofia é quase sempre assim. A maneira como nós pensamos tem ali algumas coisas que podem até fazer mais sentido, depois de repente há uma ou outra que não faz tanto sentido, a seguir vem uma outra linha de pensamento, se for preciso, oposta, e quando nós vemos uma oposição, vemos que a oposição não está mais correta. Ela provavelmente está só a complementar a primeira perspectiva. Com tudo isto agora de introdução, espero não me ter perdido muito no raciocínio, nós entramos aqui neste episódio com esta perspetiva, que é... Nós nunca sabemos tudo. Tudo aquilo que nós interpretamos é à luz das caixinhas que criamos. E vamos ver de que forma, mais uma vez, é que estas perspetivas que temos sobre as coisas podem ou não condicionar. a nossa vida, a nossa saúde. No ginásio, quando eu estou com os meus clientes, e atenção, eu não deixo de ser igual aos meus clientes, eu sou uma pessoa normal, todos passam por fases que, ora está tudo que parece que ia correr bem, e de vez quando as coisas parecem que começam a ganhar pouco de resistência, a ser mais desafiante, até que parece que se calhar há momentos que parece que está tudo mal. que perdemos o controlo, perdemos o rumo, ficamos desmotivados, frustrados, o que seja. E andamos sempre nestas ondas que, na verdade, nunca está tudo mal e, na verdade, também nunca está tudo bem, pelo menos nunca, sempre. Portanto, há sempre fases. Esta é a primeira questão. Mas dependendo das fases, elas podem ser, vamos dizer assim, bocadinho mais... sérias, ou densas, ou profundas, pesadas, ou assim coisas mais ligeiras, de pronto, esta semana não corre tão bem, tivem uma ou outra noite pior, estou com bocadinho menos energia, mas podemos recuperar isto, não é? Outras vezes é isso, depois acrescentou-se outra coisa qualquer, stress no trabalho, problema de saúde de filho, qualquer coisa... Pronto, e de repente a bola começa a crescer e nós... com os nossos recursos limitados, como temos vindo a falar aqui vários episódios de energia, capacidade de gerir a nossa atenção, etc. O que vai acontecendo é que capacidade de para gerir tudo o é a nossa vida começa a ser reduzida e com essa redução há de facto a sensação ou de assoberbamento ou de frustração, quase que muitas vezes se for preciso até se apetece mesmo... desistir de determinado processo e pensar, bom, numa outra fase eu logo volto a pensar nisto. É que está sempre a haver fases, portanto, não vale a pena pôr a saúde standby, porque na verdade a saúde não faz standby. Se eu a deixar de lado, ela vai piorar e isso vai ter impacto. Ponto final parágrafo. Eu posso sempre depois tentar melhorar, mas há sempre aqui fator, digamos, Como nos juros, os juros compostos. É a mesma coisa. Hoje acho que está tudo bem, não cuido da minha saúde e isto está sempre a acumular o que é mau, o que é menos positivo. E já aconteceu ouvir a expressão, ou eu próprio também já pensar nisto, que parece que de vez quando estamos a passar por crises existenciais. É uma expressão... Eu diria que bastante utilizada, se calhar mais umas determinadas fases da vida do que noutras, mas vou ouvindo essa expressão, vou percebendo que isso na verdade é relativamente normal ou natural, mas tem algum peso. E quando se diz que estamos a passar por uma crise existencial, porque está tudo, estamos a pôr tudo causa, temos dúvidas sobre tudo, não controlamos as coisas, as coisas não correm bem... temos muitas vezes aquilo que o corpo automaticamente sente é uma necessidade de reequilibrar as coisas. Porque é sempre este o objetivo. Ok, preciso de sobreviver. As coisas não estão bem. Pausa. Como é que vamos reequilibrar isto? Estamos aqui a perder muito dinheiro, muita energia, muito tempo, recursos. Olha rapidamente à tua volta e vê o que é tu podes já pôr pausa. Muitas vezes é o ginásio, muitas vezes lá está. É a saúde. Porque na saúde muitas vezes as coisas são mais a médio ou long prazo, eu não sinto tanto no imediato, quer dizer, não posso pôr pausa o trabalho, não posso pôr pausa os filhos, não posso pôr pausa a casa, olha, vai-te pôr bocadinho pausa a saúde e o ginásio. Só que esta pausa, digamos assim, esta reflexão sobre o que é que preciso fazer, muitas vezes a pessoa quando começa a pensar, começa a pensar então... que há uma necessidade de alterar alguma coisa, de fazer uma mudança. E nessa mudança que pode, então, no caso que estamos abordado, ser bocadinho mais séria, é aqui que, de repente, nós recorremos às terapias, aos gurus, aos livros de autoajuda, de desenvolvimento pessoal, onde, como é óbvio, muitas vezes, não é assim tão óbvio, mas como o que acontece muitas vezes nesta procura é alguém... Há algum livro nos dizer que, na verdade, se as coisas não estão a ocorrer bem, se calhar estamos a nos sentir até desidentificados com alguma coisa, esta frustração toda. nós precisamos de parar e precisamos de se calhar começar por entender qual é a nossa essência ou qual é que é, se calhar, o nosso propósito. Para depois poder, a partir daí, sim, ter uma... uma estrela-guia, uma linha orientadora para nós percebermos qual é que é o caminho. E é aqui que entra a filosofia. Porque a filosofia, ao longo dos tempos, e conforme lá está os contextos, as caixas que cada criou, trouxe diferentes perspectivas. E há aqui duas perspectivas que eu acho que são muito interessantes, uma chama-se essencialismo e a outra, existencialismo. A primeira diz que, na verdade, essencialismo mostra que ainda nós, quase não existimos, e já temos uma determinada essência, uma determinada natureza que diz para aquilo que nós fomos criados. E há vários desde pensadores mais ligados à religião e outros, nem tanto, que dizem exatamente que nós fomos concebidos de uma determinada forma ou organização e que essa forma de organização diz aquilo que é suposto ser ou acontecer. Por outro lado, nós temos uma perspectiva existencialista que diz que não, que na verdade existir precede a essência. Eu faço, logo sou. E, portanto, ignora bocadinho, se calhar... a existência ou não, lá está, de uma essência, de uma coisa que diz o que é. Na verdade, o que eu acabo por ser é processo. Porque conforme o contexto, conforme o que eu faço, conforme então aquilo que eu sou ou a minha identidade. E eu acho que é relativamente fácil, lá está. É aqui que eu acho que não é preciso... recorrer a grandes autores e estudar imenso as maneiras de pensar, porque nós podemos parar bocadinho e dizer assim, ok, faz algum sentido dizer que momentos mais cruciais da nossa vida, onde estamos a pôr causa várias questões, dizer que se calhar está na altura de voltar à minha essência? Depois coloco a questão, não é? Qual é que é a minha essência? Há uma essência? Eu nasci com uma determinada predisposição, determinado destino que eu deveria tentar perceber realmente o que é é e agir conformidade com essa essência? formos explorar na verdade a palavra de essência, ou o que é que essencial, o que é que essencial para nós estarmos aqui, para nós sermos alguma coisa? Neste momento eu diria que aquilo que foi essencial para nós existirmos foi nós termos sistema que na verdade é a combinação de vários sistemas que na verdade é feito de... pequenas partículas que são iguais a tudo o resto, mas que têm uma determinada forma, lá está uma determinada organização e porque têm essa organização, funciona de uma determinada maneira, podemos chamar a nossa fisiologia. Portanto, ele tem que estar para se manter, para esse ser se manter, essa organização precisa de ser sustentável, precisa de manter essa forma. E isso é que é a essência. Isso foi o que foi essencial para eu aparecer, digamos assim, e agora estar vivo e experienciar a vida. Ok, isso é essencial. Houve mais alguma coisa essencial para eu existir? Quando nós pensamos, se calhar, questões relacionadas com a personalidade, com aquilo que nós deveríamos, se calhar, fazer enquanto profissão. Será que isso já lá estava? Isso já faz parte dessa organização essencial? Ou não? Aquilo que a ciência vai mostrando é que existe então essa organização, essa fisiologia, esse genoma que diz... Olha, esta é a base. Esta é a tua essência. Este é o material, vamos dizer, mais cru que tu tens para trabalhar. Isto é essencial. Agora, também dentro desta organização está lá algo que é essencial, que é a capacidade deste sistema ou combinação de vários sistemas se adaptar, ser moldável ou flexível ou plástico, a palavra que queremos utilizar. Porque se não houvesse essa capacidade dentro desta organização, da maneira de ser, nós provavelmente não seríamos sustentáveis durante tanto tempo. Portanto, nós seríamos, vamos dizer, uma organização, uma forma rígida, que perante uma determinada adversidade, determinado desafio à sua sobrevivência, desapareceríamos. Portanto, aquilo que a ciência vai mostrando é que a essência, nossa essência do nosso ser é a base... com que nós fomos construídos e que essa base tem lá uma das suas características é ser adaptável, moldável, flexível. E depois a própria ciência vai dizer assim, portanto, isto é na verdade a parte que interessa de uma filosofia essencialista, que diz que a forma existe. Ok! Mas a forma determina tudo o resto que vai acontecer daqui para frente? A própria ciência diz não. Está incompleto. Vem o existencialismo que diz que conforme o que eu faço, conforme o contexto, conforme a necessidade, eu sou. E é isso que nós vemos. Essa mesma base, essa mesma forma e organização à medida que vai navegando a sua vida, está sempre a adaptar-se. E tem muita capacidade de adquirir ferramentas para ser mais eficaz. Então, na verdade, o existencialismo também não diz tudo, porque ignora esta base que a ciência já mostrou que está lá. Que é... Não, tu precisaste de uma... de uma coisa essencial, de uma combinação de capacidades essenciais para poderes existir. Agora sim, aí tua existência molda o que tu és, molda até certo ponto a tua essência. Portanto, conclusão é que talvez o mais interessante é que nós percebemos que se alguém disser que precisa... de voltar à sua essência. Se calhar o voltar à sua essência é só isto. Lembrar-se que a sua base, a sua forma lhe permite a capacidade de ser moldável. Parece-me que o mais essencial é isto, é que somos moldáveis, é que o nosso material é possível de mudar até certo. É possível ter aqui uma opção A ou B e conforme o contexto que eu lhe dou, ele desenvolve o B. Se eu dou o outro contexto, ele desenvolve o A. Não interessa o que é que o A e o que é que o B, como é óbvio. Então, Eu estou com uma crise existencial e aquilo que eu tenho que lembrar é que se eu quiser lidar com essa crise... eu diria que se é séria e que se tem impacto na nossa saúde, não é para ignorar, eu preciso de parar e dizer assim, ok, na essência eu sei que eu posso mudar. Também sei, na essência, que mudar implica esforço, que implica repetição, que implica hábito, que não é de hoje para amanhã, mas também sei, exatamente, que não preciso de ficar... Exatamente como estou. Portanto, mais uma vez, dá alguma forma uma crise existencial. Podíamos usar outros termos, mas eu acho que esta é engraçada precisamente porque usa a palavra existencial. Exatamente por isso, que é... tem só a ver com a existência, com a experiência. E a experiência, se for diferente, muda tudo. Confesso que já repeti-as tantas vezes vários episódios, mas eu dou-me com outras pessoas, eu exploro outro conhecimento, eu ouço opiniões contrárias e esse existencialismo provoca uma alteração, graças à minha essência. A essência mais a existência provoca... aquilo que eu sou, a minha identidade, aquilo que queramos chamar. Portanto, perante uma crise existencial é o meu sinal, é a minha febre a dizer-me, podes ficar, podes manter, mas provavelmente se manteres o impacto disto vai ser cada vez maior. Ou então podes usufruir das capacidades que a tua essência te dá para... experimentar coisas diferentes. E a partir daqui, como é óbvio, a saúde só tem a ganhar, porque de repente... isto por falar saúde e por mais uma vez voltar aqui só a ponto atrás que é... Não é. De repente eu deixo de ser quem sou, apago tudo e penso que agora sou outra pessoa. Isso não existe. Até porque aí já iríamos inclusive... a perguntas mais profundas, também já fomos bocadinho a elas, noutros episódios, que é quem é que eu sou? E lá está. Várias filosofias de explicar ou tentar mostrar o que é que somos ou quem somos, a maioria delas incompleta. E, na maioria dos casos, aquilo que nós vamos ver é que talvez a resposta mais perto de estar correta não sabendo exatamente qual é que é, é aquela que vai combinar várias respostas. E de entender exatamente que, na verdade, eu hoje disser o que eu sou, não me chega, estou com uma crise existencial, preciso mudar, vou aproveitar a minha capacidade e vou-se fazer diferente, a ser diferente e ter diferente, ok, mas amanhã eu sou na mesma eu. Talvez a maneira mais fácil de eu perceber quem sou não é identificar-me, isto, é que autores dizem isto, não é identificar-me com pronome ou nome, mas talvez com verbo. Porque acabamos por ser o quê? processo, uma extensão, uma continuação, uma transformação e por isso eu nunca deixo de ser eu. Mas eu não sou realmente só aquilo, só as caixinhas que eu tenho no meu cérebro e que me dizem o meu currículo, a profissão, se tenho filhos ou não, se sou pai ou não, sou marido ou não, se sou filho ou não, se sou amigo ou não. Tudo isso são caixas, são categorias na nossa tentativa de expressar o que é esta organização representa e conforme lá está o... o meu prisma, porque se eu estivesse aqui, de acordo com aquilo que é o nosso prisma habitual, olhar para a vida, eu vou dizer, pronto, então eu sou o pai, eu sou o Pedro, sou não sei quê, tata taca taca taca, porque eu estou a comunicar com outra identidade, digamos assim, com outra pessoa, com outro indivíduo, de uma forma que eu acho que ele percepciona mais facilmente aquilo que eu sou. Mas eu poderia dizer, à luz de outro prisma, olha, eu sou tu. Como assim? Tu és eu? Sim, porque na verdade se a gente vir aqui com mega microscópio tu vais perceber que aquilo que tu és é exatamente a mesma coisa que eu sou e que neste momento a troca de sons, de olhares, calhar até de toque, movimento no ar... faz com que estas partículas reajam umas às outras e acabamos por, na verdade, nós sermos aqui processo. Isto é luz de outro prisma, uma coisa que se calhar não é tão fácil para nós pensar ou racionalizar assim, porque nós não é o nosso dia a dia, o nosso dia a dia é o hábito de repetirmos que somos o nosso nome, a nossa profissão, as responsabilidades que nós temos, as relações que nós temos. Como repetimos isso, para nós faz todo o sentido que seja a nossa identidade. Mas não é isso. Porque há muita coisa que não fazemos de forma, vamos dizer assim, atenta. Lá está. Os meus eletrões e todos os átomos por os quais eu sou composto estão lá, estão a acontecer, estão a interagir com tudo o que está à minha volta. Só como eu não repito esse processo mental de observar as coisas dessa maneira, até porque os meus olhos também não me permitem ver dessa maneira, portanto, aquilo que eles captam e se transforma no cérebro, conhecimento, digamos assim, essa passagem de informação não me permite a mim ver, digamos assim, ou precessionar os átomos. Mas como nós já temos ferramentas que dizem que isso é assim, na verdade eu sei que eu sou isso. se eu sou conjunto de átomos e se dá-me outra perspectiva e há muitas mais perspectivas, provavelmente, eu nem tenho porque nem sei, que se calhar outra pessoa qualquer que tenha estudado outra coisa qualquer sabe, Quer dizer, quantas visões diferentes poderão existir daquilo que eu sou? Uma coisa é certa, quando eu penso nisso, não tendo conhecimento, eu percebo é que aquilo que eu acho que sou é muito limitado. Eu sou muito mais do que isso. Portanto, nem consigo responder à pergunta, quem és tu? Nem faço ideia. Neste momento, aquilo que eu percebo, que eu entendo, eu consigo de alguma forma verbalizar também, com a linguagem que eu conheço, É isto, isto, isto, isto isto. Mas mesmo só tendo esta capacidade limitada de compreensão, isso já chega, já é o suficiente para eu perceber que não sou algo fixo, que sou algo moldável, que sou muito mais processo ou verbo do que nome ou uma categoria ou rótulo. E, portanto, uma crise existencial. Uma fase mais difícil, desafio. Continua ser eu. Minha essência permite-me adaptar. Permite-me fazer diferente. Portanto, ok. É isto que é a vida, não E isso tira peso enorme sobre... Exatamente sobre essas fases mais desafiantes que é... É o que? É como nas relações, aquilo diz e pensa e interpreta e expressa coisas. É o que? Não há que... perder muito tempo a tentar contrariar isso, porque isso é o que nós estamos aqui a ver, é o que está a acontecer. E o que está a acontecer, ok, está tudo bem. Eu tenho a capacidade de me moldar a isso e de levar as coisas de uma forma diferente que me permite até estado mais constante, sem nunca ser fixo, de equilíbrio, de saúde. E isso, é o mais importante para eu continuar a viver, experienciar a vida, aproveitar todas as... mais oportunidades Final deste episódio. Espero não ter tornado as coisas demasiado complexas ou perder-me no raciocínio. É sempre possível que isso aconteça quando estamos a... a pensar e a refletir sobre coisas, mas espero ter conseguido passar uma mensagem de, vamos dizer assim, de leveza e esperança, porque a maioria das coisas que são, digamos, difíceis e que põem o nosso bem-estar causa, elas não são só o que são. elas são tudo aquilo que nós interpretamos. E precisamente por causa das tais caixinhas e de uma limitação na nossa visão, na maneira como nós achamos que as coisas funcionam, na maneira que nós achamos que somos e que os outros são. Então toda essa visão, esse prisma limitado, faz com que se coloque muito mais peso, mais energia. mais emoções negativas tudo e que de facto de vez quando parece que a única solução mesmo é desistir e não gastar mais energia nada. Mas não é. É tudo muito mais interessante, muito mais engraçado, mais curioso, mais estimulante, porque é tudo a mesma coisa, é tudo processo. Obrigado por quem vai acompanhar. Lembrar que podem sempre deixar o feedback e até próximo episódio. Até lá, cuide de si.