Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dr. Caio Abércio da Silva: Mortalidade de Matrizes e Sustentabilidade: Qual a relação? | Ep. 269
Transcript
- 0:05Estanoar o primeiro podcast da Swinocultura Brasileira,
- 0:09o Swinocast. E a alma de uma grande,
- 0:12preservando que a gente tem uma boa genéia, com a boa
- 0:15de nutrição, é o homem, né? Então
- 0:18isso pesa muito assim, a minha visão. É
- 0:23uma questão de sustentabilidade social, mas
- 0:28que tem repercussões econômicas, né? Oito
- 0:32aqui. Siga -nos nas redes sociais,
- 0:35YouTube e Spotify, para ter acesso a conteúdo técnico
- 0:38atual, de qualidade irreverente e gratuito. O
- 0:45Swinocast só é possível através do apoio de
- 0:47empresas inovadoras e que apoia a educação continuada
- 0:50na Swinocultura Brasileira. Top
- 0:52Gen, onde você encontra as matrizes mais completas do
- 0:55mercado. A excelência está no nosso
- 0:57DNA. Polinutri, nutrição animal. Juntos,
- 1:00vamos mais longe. SEVA, sempre com você, além da
- 1:04saúde animal. DSM Firminis, moldando o futuro
- 1:08dos cuidados com Swinocast. Olá,
- 1:16pessoal. Vamos dar início a mais um
- 1:17Swinocast. Meu nome é Vinicius Cantarelli,
- 1:20sou host aqui dessa plataforma. E
- 1:22como sempre, trazemos convidados muito especiais.
- 1:25Hoje temos um convidado muito
- 1:27especial, uma das pessoas mais respeitadas na cadeia
- 1:31produtiva de Swinocast. O professor Caia Berste da
- 1:34Silva, um bairro de um professor, de um
- 1:36pesquisador, consultor, a qual eu admiro. Eu
- 1:41acho que grande parte da cadeia produtiva reconhece.
- 1:44Caia, muito obrigado, seja bem
- 1:45-vindo. Eu queria passar a bola para
- 1:47você. Você se apresentando e contando
- 1:50um pouco da sua jornada. Você
- 1:51já veio algumas vezes aqui no Swinocast. Estou
- 1:54tendo prazer agora de te entrevistar. Um
- 1:56tema muito importante, nós vamos abordar aqui. Eu
- 1:59sei que muitos já te ouviram, mas para quem está
- 2:01te ouvindo a primeira vez, conta um pouco da sua
- 2:03jornada para nós, Caia. Obrigado
- 2:05aí, mais uma vez. Vinícius, um prazer muito grande,
- 2:10mais uma vez participar dessa estrutura, que atende
- 2:16os interesses da nossa cadeia Swinicola. E
- 2:20em particular ter a oportunidade de ser
- 2:23entrevistado por você. Também
- 2:25um profissional bastante conhecido, renomado. Eu
- 2:30considero ainda jovem e assim com uma história
- 2:36muito bonita e que tem a se tornar ainda melhor por
- 2:41tudo que você faz e se dedica sendo um colega de
- 2:46expressão na nossa área. Então
- 2:49eu fico honrado por dividir alguns minutos com você.
- 2:54Bem, a minha trajetória na Ação
- 2:56e Cultura começou numa empresa privada de genética,
- 3:00tive a oportunidade de trabalhar também numa
- 3:02cooperativa com assistência técnica Swinicola no campo.
- 3:07Iniciei uma atividade de assistência
- 3:09técnica privada a Swinicola na década de 90.
- 3:14Conjuntamente, quando entrei como professor
- 3:16na universidade, tinha d -me uma cargurária de 20 horas,
- 3:20eu pensava que me permitia fazer isso sem
- 3:23comprometimento das atividades da academia.
- 3:30Segui a carreira do Ocente,
- 3:32passei a ter uma carga de horário plena e estou na
- 3:36universidade já a 37 anos, faço parte do programa de
- 3:40pós -graduação, tenho mais de 60 alunos que foram
- 3:44orientados e me lhe tonar a área de Swinicola, então
- 3:47há quase 40, praticamente 40 anos. É
- 3:53uma área apaixonante, com muitos desafios que se
- 3:56renova constantemente. Estamos
- 3:59tentando seguir, sem deixar de perder essa evolução que
- 4:04ela tem, que reclama a nossa participação. As
- 4:11matrices da Top Gen carregam a excelência em
- 4:14seu DNA, guiando os produtores e consumidores a
- 4:17um futuro mais sustentável da sua cultura, resultado
- 4:20de quatro décadas com o foco em melhoramento de
- 4:23matrices e agora potencializado através da
- 4:26atualização genética por que tendo melhor na Suíça.
- 4:32Excelente, Caio. Bem,
- 4:35na verdade, só para reforçar, eu fico bastante
- 4:37honrado, ele me falou que eu sou jovem, mas é de
- 4:40toda vez que a gente encontra a cabeça do Caio,
- 4:43além da experiência e da vivência na cadeia
- 4:46produtiva, é uma cabeça jovem, bom demais para
- 4:49conversar, para prosiar, não só as conversas técnicas,
- 4:53Caio, mas nossas conversas, quando a gente se encontra,
- 4:56é sempre muito boa. E falando em conversa, o
- 4:59nosso desafio hoje é bem interessante. Pessoal,
- 5:02vocês que estão ouvindo, vão ter o privilégio, a
- 5:06oportunidade de ouvir o Caio, que tem uma vasta
- 5:09experiência, não tem dúvida nessa área. É
- 5:11um desafio muito grande para a Suína Cultura, mas
- 5:15certamente o Caio é uma das pessoas mais experientes
- 5:17para poder nos fomentar de informação e conhecimento.
- 5:22Na verdade, Caio, a gente sabe
- 5:24que sustentabilidade é um tema cada vez mais presente
- 5:29em várias cadeias produtivas, não é diferente
- 5:33na Suína Cultura. Somado a um outro ponto que a
- 5:37gente tem passado, a gente tem enfrentado na cadeia
- 5:41produtiva que é a alta mortalidade de matrizes.
- 5:45Quando a gente pensa nesses dois
- 5:47pontos, na sustentabilidade e alta mortalidade de
- 5:50matriz, a gente vê esse desafio muito grande. E
- 5:55eu queria iniciar o nosso bate -papo aqui, te
- 5:59perguntando como você que enxerga essa relação hoje
- 6:02entre sustentabilidade e essa alta mortalidade de
- 6:05matrizes na Suína Cultura. Vinicius,
- 6:10uma ótima abordagem para a gente iniciar o nosso bate
- 6:14-papo. Quando a gente fala em mortalidade
- 6:17de matrizes, efetivamente temos enfrentado ano a ano
- 6:22evolução nesse parâmetro, uma evolução muito negativa,
- 6:26porque os números mostram -se cada vez maiores. E
- 6:31nesse cenário, numa visão de sustentabilidade, nós
- 6:36temos o antagonismo, porque mortes subníveis mais
- 6:40elevados nesse conceito de sustentabilidade, que deve
- 6:45ser visto de forma ampliada, pode contemplar a
- 6:49sustentabilidade econômica, pode indicar sustentabilidade
- 6:56ambiental, porque temos mais animais para serem oucar
- 7:02caças, para serem dispensados corretamente.
- 7:05Temos um aspecto social de quem
- 7:08convive com taxas de mortes na granja, portanto aquele
- 7:13colaborador que está lá dentro. E
- 7:16aí existe um aspecto emotivo, mas também um
- 7:20aspecto de trabalho físico, duro. E
- 7:24tudo isso no conjunto, são aspectos de sustentabilidade.
- 7:32Então, eu vejo que eles estão
- 7:33super interalaçados, estão juntos, não dissociados,
- 7:39portanto. É interessante se a gente
- 7:42fizer o exercício de vários desafios, ou indicadores que
- 7:49a gente tem numa cadeia produtiva como é de suínos,
- 7:52e fazer essa relação com o tripé de sustentabilidade, é
- 7:56muito importante a gente exercitar isso. Eu
- 7:58vejo que, por mais que esse é um tema que temos
- 8:01que ele tem estado cada vez mais presente, a
- 8:05sustentabilidade, o ESG e tal, a gente tem exercitado
- 8:11pouco, parece. E, por exemplo, nesse ponto
- 8:18que você levantou, desse tripé, o econômico, o
- 8:21social e o ambiental, nós vamos tentar tratar dos
- 8:25três aqui um pouco mais, mas eu gostaria de começar
- 8:29pelo social. Porque nós somos cada vez mais
- 8:34dependentes de uma mão de obra qualificada para a
- 8:37gente profissionalizar essa cadeia produtiva e é um
- 8:40problema muito grande. Mas, assim, a alta mortalidade
- 8:43de qualquer animal impacta de matriz, acho que mais
- 8:47ainda, você disse a questão física, tem a questão
- 8:49emocional. Como é que você tem visto que
- 8:52a equipe da grande tem sido afetada por essa alta
- 8:57mortalidade das matrizes? Qual
- 8:59é a tua experiência e qual é a tua percepção para
- 9:02isso? Vinicius, eu incluiria também a
- 9:06sustentabilidade sanitária, a gente acabou não citando,
- 9:10né? Mas essa questão social é
- 9:15bastante interessante de ser discutida. Você
- 9:20convive com granjas, com produtores, e a gente
- 9:22percebe o quanto as pessoas que amam essa atividade,
- 9:27mesmo ali, numa condição de trabalho físico, gostam de
- 9:34resultados positivos, e alguns deles são remunerados
- 9:38por essa compensando essa dedicação com bônus, e a
- 9:44condição é diversa, ela traz uma frustração e baixa
- 9:48todo o ânimo desse contingente de funcionários
- 9:53em uma granja, ele é contagioso. Então,
- 9:56a mortalidade de fêmeas tem esse viés. Eu
- 9:59colocaria que ele pode ser um pouquinho mais intenso e
- 10:01mais grave, especialmente porque as mortes se
- 10:04concentram muito nas fases próximas ao parque e ao
- 10:08pós -parto. É onde a gente tem os
- 10:10leitões, onde a gente tem perdas que não ficam
- 10:14limitadas à sua fêmea, é onde a gente tem atraso na
- 10:18litegada que não tem mais a sua mãe, às vezes nem
- 10:23permitindo que venha acontecer uma ingestão do
- 10:25colostro da própria mãe, isso começa a respingar em
- 10:30outros elementos negativos, quadros de diarreia, mais
- 10:36medicação. Então, esse ponto de forma direta
- 10:41para mim é muito evidente. Indiretamente,
- 10:45a gente às vezes não consegue perceber isso, mas
- 10:48se eu tenho taxas de mortalidade exageradas,
- 10:52altas, isso não é uma exceção nem nas grandes
- 10:55brasileiras, a gente acha que isso é uma coisa de
- 10:58Norte América, Europa, e não é. Nós
- 11:03vamos acabar tendo uma necessidade de reposição
- 11:06mais elevada das nossas matrinhas, e você sabe
- 11:09muito bem, se isso extrapola valores acima de
- 11:1355 % que não são baixos, nós temos uma distribuição
- 11:17de partos bastante comprometida, e aí os
- 11:23índices ou técnicos caem, as questões sanitárias
- 11:27afloram, os quadros de diarreia na maternidade, pós
- 11:31-dismônia aumentam, e aí mais uma vez frustrações
- 11:35agora de médio e longo prazo. Então,
- 11:38é uma sequência de coisas, Vinicius, que a gente às
- 11:43vezes não dá conta, mas ela é pesada, e a alma de
- 11:47uma grande, preservando que a gente tem uma boa
- 11:50genética, uma boa nutrição, é o homem. Então,
- 11:54isso pesa muito, assim, na minha erisão. É
- 11:59uma questão de sustentabilidade social, mas
- 12:04que tem repercussões econômicas importantíssimas.
- 12:10Eu me lembrei aqui, Caio, em
- 12:14algumas situações, isso certamente já foi demandado
- 12:20para isso, quando nós temos aumento de mortalidade no
- 12:24transporte. Qual o sentimento que eles têm?
- 12:28É claro que eles têm ciência,
- 12:30principalmente os gestores das perdas econômicas, mas
- 12:37eu perguntando, algumas vezes que já chegou essa
- 12:39demanda para mim, eu perguntando para eles, e
- 12:41eles falam que o que mais impacta é uma questão
- 12:45sentimental mesmo, de ver um animal que foi criado,
- 12:48que está indo para o frigorífico, para a missão
- 12:53dele, de dar carne para a população, e ele morrer.
- 12:57Essa nossa meta é 010, foi um
- 13:01para 020, 020 e pouco. Você
- 13:02vai pensar, por exemplo, em alguns momentos, é arracto
- 13:05para mim, não é alguma coisa assim. Esses
- 13:07caras, não vão tirar arracto para mim. Mas
- 13:10aí eles falam, não, a questão não é tão
- 13:13econômica. E aí quando você fala do
- 13:15entorno do parto, isso é realmente, a gente tem que
- 13:19estar atento a isso. Nós temos que criar esse
- 13:22ambiente de ter cuidado para não frustrar a equipe
- 13:30e não desmotivar a equipe, já que a mão de obra hoje
- 13:33é um fato tão importante. Sempre
- 13:36foi, mas a cada vez mais desafiador. E
- 13:39nesse particular é um processo longo. Você
- 13:42separou a fêmea lá no desmame, seeminou, ela está
- 13:48gestando, você confirma isso, e ela vem, vem, vem,
- 13:52especialmente mortes mais próximas. E
- 13:55aí você joga tudo fora, naquele momento mais bonito,
- 13:59que é o parto que vai suceder depois com o
- 14:03desmame. Então é pesado, concordo com
- 14:09você. Vamos lá, a questão social é
- 14:12algo que a gente tem que olhar além do que a gente
- 14:14está vendo só do econômico. Certamente
- 14:16isso daí impacta muito diretamente e indiretamente
- 14:18como você disse. Por aqui, vamos para o outro
- 14:21pilare, então, que é a questão ambiental dentro
- 14:25dessa doblada, do tripé de sustentabilidade. Quais
- 14:30são os principais desafios enfrentados, principalmente
- 14:33no descarte adequado dessas matrizes mortas? O
- 14:37que você tem visto nesse sentido? Então
- 14:42Vinicius, a situação que pesa é uma situação
- 14:46quantitativa. Porque vamos partir de uma
- 14:50premissa que esperaríamos, desejaríamos, ou seja,
- 14:55voltávamos no tempo, 10, 15 anos atrás, voltávamos a
- 14:59trabalhar com taxas entre 6 e 8, algo hoje bastante
- 15:03raro. Estaríamos numa condição que a gente
- 15:08consideraria de normalidade, de aceitabilidade. E
- 15:12isso tem, às vezes, dobrado em algumas situações
- 15:16extremas, até triplicado, e se a gente exemplifica as
- 15:21piores taxas de mortalidade, de granjas americanas e
- 15:25europeias, alguns casos superam 20%. Valores
- 15:31médios, alguns exemplos individuais, ainda mais
- 15:34altos que isso. Então, só fazendo uma transposição
- 15:40quantitativa, é um aspecto complicadíssimo, porque, ou
- 15:47duplicamos, aumentamos em 50 % a necessidade de manejar
- 15:52corretamente esse animal que morreu, um animal pesado.
- 15:57No Brasil, a gente tem a
- 15:59virtude pela nossa condição climática, pela nossa
- 16:03disponibilidade diária, e por leis que ainda não
- 16:08cobram esse tipo de intervenção. Mas
- 16:14a maioria faz uso da compostagem, de carcaças,
- 16:19uma forma que, para nós, atende muito bem as nossas
- 16:23demandas, algo que não é permitido, por exemplo, na
- 16:27Europa. O que aparentemente é simples,
- 16:30é fácil e não é, porque de todos os serviços de
- 16:35uma granja, esse é um dos piores, se não o pior, no
- 16:41aspecto quantitativo, a coisa fica mais complicada,
- 16:45mais dimensionada. Mas isso tem um custo também,
- 16:49não só o custo do animal morto, mas o manejo de uma
- 16:54fonte de carbono, uma palha, um cepilho, tempo
- 17:00dispensado para fazer isso. Então,
- 17:03a estimativa desses custos, efetivamente, eu não sei,
- 17:07mas numa outra vertente já praticada no Brasil, e aí
- 17:11a gente pode prensificar, nós estamos com, mais ou
- 17:15menos, 12 centavos por quilo de animal descartado.
- 17:21Na Europa, esse valor chega a
- 17:24004 euros por quilo de animal descartado, que daria
- 17:28em torno de 20 centavos na moeda nossa. Também
- 17:33não é barato, se você considerar que o quilo de
- 17:36um animal vivo hoje no Brasil está na faixa de R
- 17:38$ 7 ,00, percentualmente é um gasto. E
- 17:45talvez a gente chegue no momento em que essa forma
- 17:48de descarte venha a ser a mais considerada, a mais
- 17:53adequada, a mais segura em termos sanitários, e aí nós
- 17:57vamos ter que computar esse gasto. Então,
- 18:02eu vejo que isso não é muito considerado, mas ele
- 18:10é importante. E porque lá fora não se
- 18:15permite a compostagem, mais especificamente, Europa,
- 18:19porque há um risco sanitário, por alguma razão
- 18:23a compostagem não sendo bem feita, a gente amplia a
- 18:27possibilidade de transmissão de doenças. E
- 18:30o Brasil é um player importantíssimo e está na
- 18:34briga, e também porque as suas condições sanitárias
- 18:37são muito melhores que grandes países produtores.
- 18:41Então, será que a gente não vai
- 18:43cair numa demanda de manejo mais rigorosa, portanto,
- 18:48vamos escolher por mortalidades mais altas,
- 18:51custos maiores no nosso dia a dia. Hoje
- 18:56a precificação é essa, talvez isso possa aumentar
- 19:01caso seja encontrado um mercado que pela questão
- 19:07legal, obrigue os nossos animais serem retirados das
- 19:14grandes e manejadas e os números dessa forma mais
- 19:19segura. Interessante, cara, eu não tinha esses
- 19:23números bem interessantes. A questão da Europa ter um
- 19:29custo maior, você já disse o porquê, de 20 centavos.
- 19:33Eu estava fazendo a conta de
- 19:3412 centavos no caso do Brasil, nós estamos falando
- 19:37em 1 ,8 % do preço do suino. Vivo,
- 19:41claro, que existe um índice de mortalidade, mas quanto
- 19:43maior, mais vai impactar, isso é um dado importante.
- 19:47Por acar, eu fiquei curioso
- 19:48aqui, cara, como é que eles fazem na Europa,
- 19:51então, com descarte animais? Beauty
- 19:53Store? Não, esse descarte funciona de
- 19:57seguinte forma, as empresas terceirizadas passam
- 20:00recolhendo os animais, que ficam condicionados em
- 20:04containers próprios, e o produtor paga por isso.
- 20:11Então, ele tem um valor por
- 20:13quilo, às vezes ele faz um contrato anual ou numa
- 20:19unidade de tempo, e ele tem direito a x quilos que
- 20:23correspondem mais ou menos se espera de mortalidade,
- 20:26de leitões, de porcas determinadas, e se ele
- 20:30excede isso, ele tem uma correção no valor, se ele
- 20:34não atinge isso, ele tem um preço fechado e paga
- 20:39pelo que ele contratou. E aí, a forma de uso desse
- 20:47material processado dos inícios é a queima, e aí
- 20:52ele tem um produto que não tem fim, ou então ele é
- 20:58processado para ser utilizado como adubo. Não
- 21:04existe essa expectativa de usá -lo como farinha,
- 21:11qualquer coisa nesse sentido, algo bem próprio
- 21:15para minimizar danos de saúde. Ok,
- 21:22vamos lá, falando do social, do ambiental, e
- 21:26agora vamos para o econômico, já que nós
- 21:28estamos falando de econômico. Nesse
- 21:31ponto de vista, o ponto de vista econômico, a
- 21:33mortalidade de matrizes, ela afeta a produtividade
- 21:37obviamente, e a viabilidade financeira consequentemente.
- 21:44Do teu ponto de vista, quais
- 21:45são as principais perdas, e você já comentou alguma
- 21:50coisa de números mais de discarte, mas não sei se
- 21:52você tem alguma outra informação ainda relacionada
- 21:56a isso, o impacto econômico da mortalidade das matrizes.
- 22:02Então, o Vinicius é bem amplo
- 22:05quando a gente trata de questões econômicas, porque
- 22:11isso tem impacto em várias características ou técnicas,
- 22:15e claro, piorando como um todo várias delas. Então,
- 22:22se eu tenho uma taxa de mortalidade que excede a
- 22:24normalidade, e veja bem, estamos praticando aí no
- 22:28Brasil, taxas em torno de 10%, que são muito altas,
- 22:33como média, e aí nós temos consequências, como você
- 22:40apontou, consequências econômicas importantes. Se
- 22:45formos pensar na reposição, naturalmente ampliaríamos a
- 22:51demanda de animais para a reposição, que tem um
- 22:54custo, um custo que é amortizado classicamente com
- 23:003 ,3 .2 ciclos reprodutivos. Isso
- 23:07não é diferente na mortalidade, nós deixaríamos
- 23:11de ter animais numa média gerando essa amortização
- 23:16nessa ordem de ciclo reprodutivo. Portanto,
- 23:20passaríamos a aumentar essa idade média de amortização.
- 23:25Claro que a mortalidade maior ou
- 23:29menor que faz esse valor de amortização transitar
- 23:33para cima ou para baixo. Um
- 23:38outro aspecto, as mortalidades, e aí alguns
- 23:41estudos referendam essa informação que eu vou estar
- 23:46passando aqui, as mortalidades estão mais
- 23:49concentradas nos primeiros ciclos, principalmente
- 23:52primeiro e segundo ciclos. Um
- 23:55animal em ascendência, um animal que ainda não foi
- 24:00amortizado, e aí a gente soma mais um prejuízo
- 24:04econômico. Podemos pensar que as mortes,
- 24:11independente da fase em que os animais estão, mas
- 24:15principalmente na gestação, elas vão ser computadas
- 24:18como dias não produtivos, então taxas elevadas de
- 24:23mortes mais dias não produtivos. Um
- 24:26dia não produtivo, eu até usei fazer alguns cálculos
- 24:31e bateu muito com o que a gente tem de informação
- 24:33fora do Brasil, até porque os custos são diferentes,
- 24:38mas não são tão diferentes assim, eles estão na faixa
- 24:41de 3 a 3 .5 dólares o dia não produtivo. É
- 24:48muito alta. Eu posso ter um dia não
- 24:51produtivo numa porca, posso ter um dia não produtivo
- 24:54em duas, mas posso ter um dia não produtivo em mil,
- 24:57em dois mil, em três mil porcas. Então
- 25:00diretamente mudando aí, importante. Também
- 25:04a gente poderia considerar problemas ligados a demandas
- 25:09de mais manho de leite, a piora no desempenho de
- 25:12leitões, que por vezes não tem acesso ao coloço da
- 25:16própria mãe e coisas de sentido. Muitas
- 25:20porcas também vêm a óbito porque já estão passando
- 25:24por um processo de decadência de saúde, de
- 25:29mastite, convivendo às vezes com um prolápiso que ainda
- 25:33não gerou um descarte, mas todo o desempenho dela,
- 25:37enquanto ela não vem a óbito, também cai. Isso
- 25:41com os leitões que ela porventura esteja
- 25:45amamentando, mantendo, são prejudicados nesse período.
- 25:51Então isso também é um problema,
- 25:53Vinicius, e a gente colocaria isso como uma
- 26:00somatória de pontos negativos, alguns deles
- 26:04precificáveis, alguns deles mais complicados pensando aí
- 26:09no desempenho de leitões, mas pode -se considerar que
- 26:14as perdas são estimadas e não são pequenas. Realmente,
- 26:21se a gente for pensar todos os impactos, seja
- 26:25direto em direto, seja os que têm perdas tangíveis e
- 26:29intangíveis, a gente começa a ver que o tamanho do
- 26:33problema cai. É maior do que a gente
- 26:36pensa, até mesmo para garantir a própria, que é
- 26:42o tema da nossa conversa, sustentabilidade. Você
- 26:44acaba tendo risco na sustentabilidade, você está
- 26:47no movimento, muitas empresas estão no movimento
- 26:51de garantir sustentabilidade, de melhorar os índices de
- 26:55sustentabilidade, mas vem como algo que incomoda
- 26:59bastante. É, ainda não incluímos aí a
- 27:02questão da reposição mais elevada, que movimenta a
- 27:08distribuição dos ciclos reproduzidos de uma maneira
- 27:11não desejável. Eu acabo concentrando mais
- 27:15fêmeas nos primeiros ciclos e menos fêmeas no quinto,
- 27:19que são os ciclos de alta performance, isso piora todo
- 27:24o meu desempenho. É mesmo se estou dado aqui,
- 27:28normalmente as mortalidades concentram mais no primeiro
- 27:31e no segundo ciclo, então você fica com a maior
- 27:33percentagem de fêmeas neste primeiro e segundo ciclo,
- 27:38que é as que têm mais risco e as que têm maior
- 27:42dificuldade, o desafio é maior para elas, da relação
- 27:45delas com leitão, ou seja, você cria um cenário, mas
- 27:50você vai para um cenário que não é o desejável no
- 27:54ponto de vista de equilíbrio dentro do sistema
- 27:56de produção. O Kai. Exatamente.
- 28:00Agora sim, a gente vai pensar nas possíveis
- 28:04soluções, porque na verdade a gente fica pensando o
- 28:08que tem levado a mortalidade, são alguns
- 28:11fatores que a gente tem ouvido, visto e até
- 28:16analisado. As fêmeas têm sido bastante
- 28:20demandadas, Kai, é muito leitão, elas realmente, o
- 28:25desafio é muito grande, o processo oxidativo e
- 28:28inflamatório dessas fêmeas é muito alto. E
- 28:33a gente assim, você tem até sugestões de
- 28:37tecnologias, que você usa, ajustes e tal, mas do
- 28:40ponto de vista prático, quais são as medidas
- 28:42práticas que quem está ali na linha de frente pode
- 28:47adotar para reduzir mortalidade dessas matrizes
- 28:50e tentar voltar o eixo de um caminho de
- 28:54sustentabilidade. Então Vinicius, é uma resposta
- 28:59bem complicada a gente passar, digo assim de forma
- 29:05objetiva, e que efetivamente leve as pessoas a tomar
- 29:10uma posição e melhorar os resultados que eventualmente
- 29:14tem negativos contra a mortalidade. Mas
- 29:18assim, a tua sequência nessa pergunta, ela foi
- 29:24muito interessante. E a gente tem enfrentado um
- 29:29problema que com muita chance ele decorre de
- 29:33questões multifatoriais, que provém juntamente com essa
- 29:39força, essa intensidade de uso das fêmeas modernas.
- 29:46Não falo que a gente tem na
- 29:48genética, única e exclusivamente, a razão
- 29:51desse cenário de piora, de taxas de morte, mas eu
- 29:57acredito que isso também tem um peso. Os
- 30:01trabalhos nessa linha de verificação de causas, que
- 30:08são a razão para a gente depois fazer os apontamentos
- 30:11de soluções, a gente tem que conhecer as causas,
- 30:15trata de que o problema é multifatorial. E
- 30:18ele não vem de dois anos para cá, de cinco anos
- 30:22para cá, ele vem de uma década e meia, pelo menos
- 30:26assim, de forma mais intensa. E
- 30:28está muito identificado com o avanço da produtividade
- 30:32das matrizes. A linha de desmamados fêmeanos
- 30:37e a linha de mortalidade segue paralela. Aí
- 30:41vem um questionamento, será que é isso? Será
- 30:43que o melhoramento está entregando mais mortalidade?
- 30:46Você tem um apontamento
- 30:48interessante, que é típico de animais de mais
- 30:51performance, o problema do estresse oxidativo, e temos
- 30:55várias consequências nesse sentido. E
- 30:59se a gente pega as causas de mortes de matrizes, boa
- 31:03parte delas, não é conhecida. Será
- 31:07que não estaria envolvido com essas adversidades
- 31:10ligadas ao estresse oxidativo, de toda natureza,
- 31:13que ele causa, porque ele também não faz uma ação só
- 31:18negativa, ele tem várias ações negativas. Esse
- 31:22é um aspecto. Juntos com essa presunção de
- 31:26manejo venícius, nós temos praticado algumas ações que
- 31:31talvez por serem relativamente novas, não
- 31:36quero fazer um apontamento que vai atestar que isso
- 31:42que eu estou falando é completamente verdadeiro, mas
- 31:46muitos profissionais, muitas empresas passaram a adotar
- 31:51alguns manejos que são relativamente recentes, por
- 31:54exemplo, a retirada do bump feed. E
- 31:57tem trabalhos, até do nosso amigo Linhares, dos Estados
- 32:01Unidos, um trabalho muito interessante, e que ele
- 32:04identifica que animais que não têm o bump feed,
- 32:08apresentaram estatisticamente mais taxas de mortes.
- 32:12Correto? Bom, mas o bump feeding,
- 32:18ele significa o quê? Dentro de uma situação particular,
- 32:26ou de situações específicas, ele pode ser muito
- 32:29interessante, porém, uma situação em que a gente
- 32:33tem fêmeas com altíssima prolificidade limitadas em
- 32:37termos corporais de reservas, talvez essa
- 32:41somatória de problemas, aumenta a questão das
- 32:47mortalidades. Isso está provado, fêmeas com
- 32:50escorvouporal pior, mais mortalidades, direta ou
- 32:54indireta, porque também são mais expostas a problemas
- 32:57de prolactos que compreendem uma das principais causas
- 33:01de morte. Então, veja bem, a gente tem um
- 33:05conjunto de coisas acontecendo. Se
- 33:08você me perguntasse como foi, Caio, qual a solução
- 33:12para isso? Será que nós não estamos
- 33:15atravessando, de forma impetuosa, os limites desses
- 33:20animais, e acolher até isso? Ah,
- 33:24mas estamos pesando os benefícios de mais leitões,
- 33:27e o saldo é positivo, porque no frigir dos ovos,
- 33:30hoje eu ganho mais do que com 28 leitões esvamaques
- 33:35fêmea ano, eu ganho mais do que com 27, mas será
- 33:40que a gente não tem um limite também que esse
- 33:42custo -benefício seja nem economicamente, mas
- 33:47eticamente importante? Tem dados americanos com 25%,
- 33:54os 10 % piores granges, 25%, 23 % de morte de
- 33:59porca. Imagina um consumidor saber que de
- 34:03cada 4 porcas que geram os leitões que ele come, uma
- 34:06morre, assim, por any causes. Então
- 34:13Vinicius, eu acho que o repensar, isso me remete um
- 34:16pouquinho à questão da circo -virose lá atrás, que
- 34:18você também viveu, de repente a gente deu um
- 34:22brec e falou, eu tenho que dar o vazio sanitário
- 34:26correto, eu tenho que desmamar leitões com o
- 34:29mínimo 21 dias de idade, não média de 21, aí eu
- 34:34tenho que fazer uma correta, um correto manejo
- 34:37de Crippifide, eu tenho que fazer isso, eu tenho que
- 34:42fazer isso, aí muito sem a vacina, falava, opa, volto
- 34:46às leis de Madec, isso foi clássico naquela época, será
- 34:49que a gente não estava vivendo uma situação
- 34:51semelhante com as nossas fêmeas? Então
- 34:55eu ficaria muito atento preservada as diferenças
- 35:00entre granges, com o estado corporal, com Bumpfide, com
- 35:08toques em matrizes, tem uma relação também com taxas de
- 35:13morte, estados em que a medicação sistêmica de um
- 35:19plantel de fêmeas cabe, problemas graves ou
- 35:23recorrentes de sistetes, também uma causa importante
- 35:27de mortes, barra, descarte, questões de aparelho
- 35:32locomotor muito envolvidos com questões nutricionais
- 35:35que ainda desconhecemos, estamos falando de alguns
- 35:39microminerais também, cujas exigências, que você é da
- 35:44nutrição, pesadamente, a gente ainda não sabe se
- 35:49estamos no caminho certo, está entre as três
- 35:51principais causas de morte, barra, descarte. Então
- 35:55eu acho que a gente tem muita coisa para fazer, mas
- 35:58começaria com essas questões básicas da correta
- 36:02alimentação, do repensar do bumpfide avaliando caso a
- 36:07caso, não sou contra, mas eu acho que ele cabe em
- 36:11algumas situações e outras não. E
- 36:14manejos básicos, destacamos aí uma questão sanitária
- 36:18ligada à limpeza, que são assistentes, uma questão
- 36:23sanitária ligada ao toque, que leva a infecções de
- 36:28trato reprodutivo. Também tem aparecido hoje com
- 36:36polêmica, ainda isso não está muito claro, mas
- 36:38parece que as taxas de mortes aumentaram com as
- 36:41porcas soltas, ao invés das porcas injaula, em gaiolas,
- 36:47é um tema com descoerdância na ciência, e para quem
- 36:54defende que o sistema coletivo causa mais mortes,
- 36:57é mais fácil de ser convencido que sim. Então,
- 37:01a gente está tatiando, mas eu acho que a gente tem
- 37:05que botar um pouquinho a cabeça para pensar. A
- 37:10situação continua ascendente, o que é grave. Digo
- 37:15de mortes. É multifatorial. Eu
- 37:19tenho que tomar liberdade aqui, acho que você varreu
- 37:23bem essas causas, mas aqui estão da ambiência também,
- 37:27ou seja, essas fêmeas, como muitas estão no limite da
- 37:32fisiologia, aí vem um calor, essas ondas de
- 37:37calor, essa onda de calor que veio mais recente entre
- 37:41o ano passado e esse ano, de modo geral, afetou as
- 37:44grandes, mas as matrizes acho que ainda mais. E
- 37:48você comentou muito bem, essa questão do limite da
- 37:52fisiologia, essa biologia suína, como é que a gente
- 37:56enxerga, no ponto de vista de sustentabilidade, a
- 38:01biologia, a gente ser ético com a biologia. E
- 38:06aí esse exemplo que cedeu de dados que estão sofrendo
- 38:12mais no caso dos Estados Unidos, que caso de 25%,
- 38:16ou seja, o consumidor sabe disso. Então,
- 38:21até que ponto nós realmente estamos indo no caminho
- 38:24ético de produção, que é uma demanda global. E
- 38:31nesse sentido, não só, aí eu vou te fazer uma
- 38:35pergunta, não só em sabido opinião, não só a questão
- 38:38da mortalidade das fêmeas, mas a experiência que você
- 38:43tem, inclusive, relacionada a bem -estar animal, as
- 38:48suas questões éticas de produção, como é que você
- 38:51vê a conscientização e o investimento dos atores
- 38:56envolvidos na cadeia suínica, em relação a
- 38:59sustentabilidade? É importante, sim, é
- 39:04importante, mas como é que você tem visto esse
- 39:06movimento? Ainda é muito incipiente, já tem
- 39:09empresas que estão mais sensíveis, mas muito voltada
- 39:14a uma demanda, ou não, porque realmente é propósito
- 39:17da empresa, como é que você tem visto isso? Não
- 39:21houve início misturando um pouquinho também para a
- 39:24questão centro dessa discussão nossa. Eu
- 39:27acho que inquietação tem, dá inquietação para a
- 39:32efetividade das ações, a gente tem uma distância.
- 39:40Entretanto, eu acho que as coisas
- 39:41estão acontecendo. Talvez não na velocidade que você,
- 39:44como um professor, como um técnico, e que também
- 39:47milita nessas áreas, como a gente também gostaria que
- 39:51as coisas acontecessem, acontecem. Mas
- 39:56eu acho que tem uma perspectiva de melhor assim.
- 40:00Em termos de bem -estar, as
- 40:02grandes empresas traçaram datas limites para definir
- 40:08aí o atendimento das regras que estabelecemos na última
- 40:17regulamentação de bem -estar. Então
- 40:19existe um esforço nesse sentido. Muitas
- 40:22vezes comprometido por questões econômicas, mas
- 40:25existe. Eu acho que o tema da
- 40:28mortalidade está sendo tratado, veja bem, um
- 40:34episódio, nesse momento, um podcast, quantas vezes isso
- 40:38já apareceu nos últimos congressos, ele chama
- 40:41atenção, talvez pela dor mais econômica do que de
- 40:46outra natureza, mas a gente também tem se contagiado
- 40:49com questões de emoção. Eu não acredito que você olhe
- 40:54mais por uma porca como você olhava dez, vinte anos
- 40:57atrás. A gente muda e todo esse
- 41:01conjunto de mudanças, repetindo a palavra, mexem
- 41:08com a gente. A gente convive com aquele
- 41:10que defende o bem -estar ao extremo. Isso
- 41:13toca um pouquinho em você e você vai mudando também.
- 41:17Você escuta o comentário do seu
- 41:19filho, de um consumidor e isso vai acontecendo. Eu
- 41:24acho que existe sim, como eu falei, a velocidade não
- 41:29é a mesma que eu gostaria. Também
- 41:32acho que devemos ter um equilíbrio, antes de tudo,
- 41:37a sua necultura é uma atividade econômica, então a
- 41:40gente também não pode abrir mão desse ponto, mas a
- 41:46gente pode melhorar muito. Eu
- 41:49coloco novamente que as preocupações representadas
- 41:53pelo tema do discutido em Congresso, as estratégias de
- 41:57bem -estar que as empresas, as grandes buscam atingir
- 42:00por questões legais, ou antecipando as questões
- 42:06legais, mas por desejo estão acontecendo, mais
- 42:11técnicos empregados para tratamento desse tema, você
- 42:16sabe muito bem disso. Antes a gente não tinha ninguém
- 42:19no bem -estar. Hoje nós temos vários colegas
- 42:22aí, formando inclusive grupos dentro de grandes
- 42:25empresas que só mexem com isso. Então
- 42:29acho que a gente tem avançado sim. Não
- 42:32sei se respondi totalmente à pergunta que você fez.
- 42:35Não, respondi o senhor. Eu
- 42:36já vou para uma última nossa que seria na tua
- 42:41opinião, se a gente for juntar, porque por exemplo,
- 42:45é claro para nós na temática mortalidade de
- 42:49fêmea que não tem como a gente evoluir nesse desafio,
- 42:57se não for com a mentalidade do tripé de
- 43:02sustentabilidade. Ficou claro nossa conversa hoje,
- 43:06é o econômico, sim é o econômico, mas tem o
- 43:08social, tem o ambiental que naturalmente também fomenta
- 43:12as perdas econômicas, né, direto e indiretamente.
- 43:16Exatamente. Aí tem quem está olhando
- 43:19de fora a cadeia, muitas vezes de forma não precisa,
- 43:24mas é o consumidor ou os outros atores externos, né.
- 43:28Diante disso, o que você enxerga
- 43:31como perspectivas futuras para as finiculturas em
- 43:34termos de sustentabilidade? Podemos
- 43:36inclusive incluir a questão da mortalidade de fêmea,
- 43:41como é que o consumidor vê dessa forma e tal, você
- 43:43deu exemplo, não imagina o consumidor americano saber
- 43:46que a cada matriz, a cada quatro porgas não morre. E
- 43:54próximo ao parto, cara, isso é impactante demais,
- 43:57quer dizer. Então assim, você já comentou um
- 43:59pouco na última pergunta, mas para a nossa última
- 44:02pergunta técnica, o que você vê de perspectivas
- 44:05futuras? Ó, Vinicius, a gente tem visto
- 44:12mudanças na questão do bem estar. Eu
- 44:15acho que até nós, como professores, como atores que
- 44:26poderiam exercer aí uma ação de divulgação, a gente
- 44:31tem que fazer isso cada vez melhor, começando por
- 44:35nossos alunos, por colegas, mas a gente tem cumprido
- 44:39vários aspectos importantes do bem estar e estamos
- 44:42cumprindo. Eu acho que a gente tem que
- 44:45vender essa imagem cada vez mais. Claro,
- 44:48falta muita coisa, mas as coisas não são mais como
- 44:53foram há dez anos atrás, há vinte anos atrás. Então,
- 44:57esse avanço que vai se tornar ainda mais intenso,
- 45:04mais consagrado, eu acho que a gente tem que
- 45:07divulgar, começando na nossa sala de aula, eu e você,
- 45:11os colegas nossos como professor. Na
- 45:13comunidade que a gente participa, vive, eu acho
- 45:17que distorções chegam de monte. A
- 45:22mídia gosta de desgraça, eu vou colocar que tudo de
- 45:25negativo que a gente tem na Cêndio Cultura poderia
- 45:27remeter a desgraça técnica, a desgraça da informação.
- 45:34Mas o inverso a gente pouco
- 45:36faz. Então, no sentido qualitativo
- 45:41dentro da granja, no sentido qualitativo da nossa
- 45:43carne, no sentido de segurança do nosso alimento,
- 45:48a gente tem que vender isso cada vez mais. Talvez
- 45:50a gente não tenha percebido, como a gente
- 45:53vive isso diotornamente, mas já mudou muita coisa em
- 45:57termos de percepção, chegando agora no produto
- 46:00final que a gente consome. Está
- 46:03aí os resultados de sobressalto do consumo per
- 46:06cápita, da minimização daquela fala, dos tabus da
- 46:12carne. Eu acho que você tem percebido
- 46:14isso também. Mas eu penso nessa divulgação.
- 46:17A BCS poderia ser um
- 46:19importante instrumento, como já faz um ótimo trabalho,
- 46:23talvez focar ainda mais nessa questão, que coloca a
- 46:27sustentabilidade da sua incultura, mais uma vez não
- 46:31só ligada a questão centro da nossa discussão hoje,
- 46:33morte, mas também ambiental. Quantas
- 46:37granjas tratam seus dejetos? Quantas
- 46:40granjas dão destino correto a suas carcaças?
- 46:45Compostagem, um termo super apelativo,
- 46:48que dona de casa não gostaria, se algumas delas
- 46:51já fazem, ótimo, mas não gostaria por falta de
- 46:54tempo, por motivação, ter uma composteira dos produtos
- 46:58da cozinha, dos seus produtos orgânicos, depois
- 47:01colocar aquilo num vazinho. Ela
- 47:03se sentiria muito bem fazendo isso. E
- 47:06nós fazemos, quantas granjas fazem compostagem? Várias
- 47:10centenas, milhares, pouca gente sabe disso. Não
- 47:14poluímos nenhum rio jogando carcaça, não poluímos nenhum
- 47:17ambiente jogando carcaça, com odor, com danos
- 47:23ambientais, tratamos isso muito bem. Então,
- 47:26eu acho que a gente tem bala na agulha, sabe
- 47:29Vinicius? Entendendo que a gente tem que
- 47:32melhorar muito, mas já tem muita coisa boa acontecendo.
- 47:35Você viveu outras épocas também,
- 47:38o descarte de animais, que de uma forma horrível,
- 47:43geravam gases, odor, queima de CO2, e isso passou, né?
- 47:50De alguma forma passou. Mas
- 47:53assim, estou dando alguns exemplos meio pontuais, tem
- 47:56outros tantos aí, que a gente poderia estar
- 47:59colocando em evidência. Já pensou estar no top 1 % da
- 48:06Surinacultura? Acesse academia surina .com .br e
- 48:09invista no seu conhecimento. O
- 48:13Surinocast só é possível através do apoio de
- 48:15empresas inovadoras e que apoiam a educação continuada
- 48:18na Surinocultura Brasileira. Giga,
- 48:21alta performance, sem esforço. Elanco,
- 48:24alimento e companharismo enriquecendo vidas. Alga
- 48:28Prime DHA da Cobion Omega 3 DHA, a base de algas
- 48:32para a nutrição de suinos em todas as fases de
- 48:34crescimento. Adicioná -lo às rações está mais
- 48:37fácil do que nunca. A DSM Firminis pode ajudá -lo
- 48:41a preparar, proteger e apoiar a resiliência dos
- 48:44seus leitões, fornecendo experiência local em suinos
- 48:48e soluções completas e personalizadas para ajudá -lo
- 48:51a concretizar a sua visão. A
- 48:53DSM Firminis está moldando o futuro dos cuidados com
- 48:56suinos. Sendo, eu acho que assim, eu
- 49:01sempre comento isso, cara, que nós... a
- 49:04cadeia produtiva tem que aprender a vender mais,
- 49:07acho que todos os atores, né? Você
- 49:08citou muito bem nós enquanto professores aqui
- 49:13dentro de universidade, na nossa comunidade, dentro da
- 49:17sua inocultura, até mesmo dentro da nossa cadeia
- 49:20produtiva, vender ou sensibilizar os diferentes
- 49:25atores pela importância da sustentabilidade. Porque
- 49:28no passado a sustentabilidade foi... era
- 49:31um tema que a gente lembra muito bem enquanto aluna
- 49:35ainda, cara, já que você falou que eu sou jovem,
- 49:36né, Rodão? A tu não falava que
- 49:39sustentabilidade era coisa de bicho grilo. Exatamente.
- 49:43Que bem estar é a coisa de bicho grilo. E
- 49:45hoje bem estar tem impacto e é econômico. Hoje
- 49:47não sempre teve, é que nós estamos percebendo isso. A
- 49:51sustentabilidade a gente consegue não só ser ético,
- 49:53mas agregar valor, né? E garantir sustentabilidade da
- 49:57cadeia para diferentes mercados, né? Eu
- 49:59vou experimentar a carne suína e eu gostei, né? E
- 50:02eu estou entendendo agora que além de não fazer mal,
- 50:06a carne suína vende um sistema de produção que não
- 50:09impacta o meio ambiente, muito pelo contrário, produz
- 50:11energia, né? Então isso é uma coisa que para
- 50:14nós muitas vezes está claro, mas principalmente
- 50:17para o consumidor final, ele fica a mercer de
- 50:20notícias, muitas vezes notícias ou falas de
- 50:23pessoas em redes sociais que não conhecem o sistema
- 50:25de produção, não conhecem nossa cadeia produtiva. E
- 50:28a gente tem que assumir, protagonizar essa fonte de
- 50:33informação, né? Então acho que a comunicação é
- 50:35muito importante, como você disse, a BCS, tem feito um
- 50:37trabalho interessante e outros instituições também,
- 50:41mas eu acho que o trabalho de firmigui é muito
- 50:42importante. Também concordo contigo, nós
- 50:44estamos evoluindo, vídeos indicadores aí e as
- 50:47plataformas de ESG que tem cada vez mais a adesão das
- 50:55diferentes empresas mundo a fó. Envene,
- 50:59talvez isso fique num limite mais técnico e não
- 51:05escape muito ao consumidor em geral, a comunidade fora
- 51:09da nossa área, mas nós somos um dos países mais
- 51:14competentes em sustentabilidade, em termos
- 51:20produtivos. Se você pegar a índices de
- 51:23tisotécnicos europeus, norte -americanos, tanto na parte
- 51:28reprodutiva, fazendo uma média e uma média grande,
- 51:32nós batemos em todos eles, estamos talvez como o
- 51:35número um na nossa área de produção. Conversões
- 51:40alimentares extremamente eficientes, ganhos de peso
- 51:44diário altíssimos. Eu estou convivendo com um
- 51:48colega da Espanha, que é um pós -doc, é um país de
- 51:51referência em produção animal, em suínos, e eles
- 51:56não batem, a gente está muito longe dos resultados
- 51:58nossos. Isso é eficiência,
- 52:01sustentabilidade, produzimos mais carne com menos. Temos
- 52:07a virtude de usar os dejetos de forma racional,
- 52:11eles não podem fazer isso. Devolvemos
- 52:14um material orgânico que gera o nosso milho, nossa
- 52:18soja, sustentabilidade. Somos o país que mais imunocastra
- 52:22no mundo. 82 % dos suínos são imunocastrados. Não
- 52:29temos um problema importantíssimo, talvez o
- 52:32mais crítico ainda para ser resolvido e bem -estar no
- 52:36mundo, quando não se usa vacina. E
- 52:40a gente faz isso muito bem, quer dizer, uma
- 52:44sustentabilidade ligada ao bem -estar do animal, à
- 52:49ética. Então veja bem, a gente tem
- 52:52muita coisa, tem muita coisa positiva. Temo
- 52:56que colocar mais informação na prateleira, tem melhor
- 53:00isso, que você tem razão. É
- 53:02excelente, nosso bate -papo técnico, poderíamos ficar
- 53:06aqui conversando, nossas prósas sempre são muito
- 53:09boas. E esse tema, eu acho que
- 53:13para quem está ouvindo, vai poder se impelamentar, se
- 53:16sensibilizar de que é amplo, é multifatorial, mas
- 53:20nós precisamos de olhar para ele e ter esse olhar
- 53:24de sustentabilidade. Então eu gostaria de finalizar o
- 53:29nosso bate -papo aqui, com duas perguntas mais de
- 53:33punir pessoal, a gente sabe do teu comprometimento para
- 53:37cada um, quanto professor, pesquisador, consultor,
- 53:41mentor, me coloco nessa também, como mentorado, se
- 53:45eu quantas vezes, você já nos deu os conselhos. E
- 53:49você tem a tua vida pessoal. E
- 53:52não é fácil equilibrar isso. A
- 53:56gente acordou, meninista, nosso bate -papo aqui no
- 53:59Bastidoz, que a gente ia tocar em dois pontos. Eu
- 54:03queria ouvir do Caio, do professor Caio, uma
- 54:08recomendação de livro, ainda mais vindo de você, e
- 54:13depois uma viagem tua que ficou inesquecível, e outra
- 54:19que você gostaria de fazer. Defide
- 54:21um pouco para nós, a sua vida pessoal, que isso foi
- 54:24possível. Tá, Joria, meninista. Ó,
- 54:27meninos, eu tenho um conceito e, casualmente,
- 54:34acabei lendo uma frase apresentada numa palestra do
- 54:38Tom Kramer, que você conhece muito bem. Nós
- 54:42somos os livros que lemos, as viagens que fazemos, e
- 54:49as pessoas com as pessoas que convivemos. Então,
- 54:53essas três coisas fazem da gente ser melhor ou não. E
- 54:59aí, falar de um livro é complicado, falar de uma
- 55:02viagem também, porque eu tento preservar e manter
- 55:08essas coisas, e incrementar na medida do possível. Mas
- 55:12numa visão assim de positividade, não é
- 55:16autoajuda, mas é uma experiência real, eu citaria
- 55:22o livro de Saint -Han de Zupery, do Pequeno Príncipe,
- 55:26não, Pequeno Príncipe, mas Terra de Homens. Foi
- 55:30um livro que me marcou muito e chamou muito a
- 55:34atenção. Sobre viagens, eu tenho rodinha
- 55:38nos pés, então, à medida que posso, estou aí fazendo
- 55:44as viagens, adoro dirigir, não tenho nenhum priorido
- 55:49de viajar de avião, então, eu acho que a gente tem
- 55:52que conhecer muito bem o nosso país, mas também fora
- 55:56as coisas são muito legais, só fazem a gente crescer.
- 56:01Para mim, viagem de investimento,
- 56:04toda viagem foi muito boa, e assim, como plano, eu
- 56:09gostei muito, já rodei muito Europa, Poco -Ásia,
- 56:14África, alguma coisa, mas me atrae muito ainda uma
- 56:18área que eu conheci pouco, que é a Grã -Bretanha como
- 56:21um todo, então, Irlanda, Escócia, gostaria de voltar,
- 56:25acho que tem muita coisa curiosa. Da
- 56:27história da Europa, talvez seja, o conjunto de países
- 56:32que eu tenho menos informação, e a Inglaterra
- 56:34marcou muito, principalmente aí, o último século, eu
- 56:38acho que é legal isso, adoro esse tipo de coisa.
- 56:44Então, seria a minha informação
- 56:47assim, um pouco genérica, quanto a viagem, mas curto
- 56:52muito. E o outro era o livro. Eu
- 56:58sei que teve na França, Terre de Homens, como
- 57:02tesomes. É, La Terre de Zona. La
- 57:06Terre de Zona. Não conheci esse livro, cara.
- 57:10É, o livro é muito bacana.
- 57:12Muito bacana. É
- 57:15uma história real dele, né? História
- 57:18real? É. Na verdade, ele era um
- 57:26aviador do Correio, então, é uma história que conta
- 57:30um pouquinho a saga dele aí nessa atividade. É
- 57:34bem legal. Tinha rodinha nos pés, também,
- 57:37igual o Kai, tem um viado. Muito
- 57:40bom, Kai. Bem, pessoal, uma suba de papo
- 57:43que hoje foi com o professor Kai Aberst da
- 57:45Silva, uma das pessoas que mais respeita e reconhece
- 57:49no mercado, acho que não é diferente para quem está
- 57:52ouvindo e reconhece. Nós tratamos de um assunto
- 57:55muito importante para a cadeia produtiva suína
- 57:58brasileira, mas não só brasileira do mundo todo,
- 58:01que é em relação à mortalidade e fêmea e como
- 58:04isso se relaciona com a sustentabilidade dos sistemas
- 58:07de produção de suínos. Nós falamos aqui sobre índices,
- 58:12mas muito voltado, não só a questão econômica, social,
- 58:16ambiental, inclusive a sustentabilidade sanitária. O
- 58:22professor Kai levantou aqui a importância da gente ter
- 58:25a ética da fisiologia do animal, da biologia do
- 58:28animal, então nós, atores que estamos envolvidos na
- 58:30linha de frente, temos esse reconhecimento e atenção a
- 58:34isso. E aí tratamos de vários
- 58:36pontos, está atento à estresse oxidativa, manejos
- 58:39como bump feed, que pode minimizar esses efeitos. Mas
- 58:43acho que uma das grandes mensagens que o professor
- 58:46Kai deixou aqui para nós, é de a gente olhar mais
- 58:49para os limites, para a gente garantir
- 58:51sustentabilidade como tudo. Kai,
- 58:54mais uma vez, muito obrigado, meu amigo, é uma
- 58:56honra e espero encontrar você outras vezes aqui. Nós
- 59:01que agradecemos Vinicius, obrigado mais uma vez pela
- 59:04recepção, por conduzir essa conversa, que foi muito
- 59:09produtiva, na verdade foi uma troca de informações,
- 59:13uma admiração e gratidão aí, deixo um abraço a
- 59:16percado e espero te encontrar brevemente. Com
- 59:19certeza, meu amigo. Ok? Um abraço. Um
- 59:22abraço pessoal, espero que cuide e até a próxima.