Latest / Decantando Ideias / Decantando Ideias #13: Cegueira por métricas
Transcript
- Olá e bem-vindos a mais uma conversa aqui no Decantando Ideias. Hoje a gente vai mergulhar numa reflexão do Alexandre de Sales, sabe? Aquele da AS Consultoria, autor da coluna lá no Substack. Ah, sim. Ótima escolha. E o tema é super atual, né? Aquela tal de cegueira por métricas. Super atual e muito necessário discutir isso, né? Porque, assim, a gente vive numa época fascinada por dados, por dashboards, por tudo quantificado. Totalmente. A promessa é sempre de mais clareza, mais controle. Exato. Mas aí vem o Sales e provoca, né? Será que esse excesso todo de número não está, na verdade, nos cegando? Cegando para o que realmente faz a diferença? É isso. Ele fala num vício do visível. Parece que a gestão hoje em dia gamou nos gráficos bonitinhos, sabe? Na atualização em tempo real. Sim, sim. E aí corre o risco de ficar gerenciando o painel e não a realidade que está ali por trás. A pergunta que ele deixa no ar é essa. A gente está medindo o que é fácil ou o que é de fato estratégico? E esse é o ponto central, né? Pensa na analogia do vinho, que dá nome para a coluna dele. Você pode ter lá toda a análise química. Teuro alcoólico, acidez, tudo certinho. Os números todos. Todos os números. Mas isso te diz qual é a alma daquele vinho? A experiência de provar o terroir de onde ele veio? Não diz. Não mesmo. E na gestão é parecido. Se você foca só no quantitativo, você perde a complexidade, as nuances, perde o fator humano, que é, assim, essencial, né? Totalmente. E essa dependência pode levar a umas armadilhas bem complicadas. O Sales até cita o caso da WeWork, lembra? Nossa, clássico! Parecia um foguete, né? Indicador de crescimento, de ocupação, tudo lá em cima. Mas por baixo... Por baixo, a casa estava caindo. Um modelo de negócio super frágil. Os números eram lindos, eram o que chamam de métricas de vaidade, né? Isso, vanity metrics. Inflamam o ego, mas não mostram a saúde real do negócio. Pois é. E tem outro lado que me preocupa muito que ele também toca. O custo humano disso tudo. Que as métricas de produtividade pura e simplesmente ignoram. Verdade. Mede-se a tarefa feita, o tempo de resposta. Mas e o burnout da equipe? A perda de engajamento? A dignidade no trabalho, como fica? Fica fora da planilha, né? Sim. Fica totalmente fora. É como medir a velocidade de um corredor sem perguntar se ele está indo para o lado certo ou se está quase desmaiando de cansaço. Nossa, perfeito. Isso me lembrou um ponto que eu achei muito forte na reflexão dele. Que talvez o perigo maior não seja nem o que a gente mede, mas o que a gente não mede. Exato. Aquilo que é mais difícil, que é meio... Inconveniente, talvez, tipo a gente mede o NPS, Net Promoter Score, para ver a lealdade do cliente, ok. Sim, super comum. Mas aquela conversa franca para entender a causa de uma reclamação mais cabeluda? Ah, essa talvez a gente deixe para lá. Mede entrega de projeto, mas e a qualidade da colaboração entre as áreas? Precisamente. E essa cultura do sol que dá para medir em porta pode levar a gente a otimizar o caminho errado. E o pior, que o Sales também aponta, é quando o indicador vira a identidade. Como assim? Empresas que passam a existir só para bater a meta, sabe? O propósito original, o valor para o cliente, para a sociedade. Isso fica em segundo plano. O negócio é bater o número. Entendi. E as pessoas também, né? Definidas pelo OKR delas. Exato. Profissionais que valem pelo resultado-chave que entregam. E não pelo propósito, pela contribuição mais ampla que poderiam dar. O foco muda do porquê para o quanto. Mas, assim, pensando aqui, gestão sem métrica nenhuma também não é perigoso? Não vira só achismo? Subjetividade demais? Não abre porta para viés? Como achar esse equilíbrio que ele propõe? Ah, essa é a pergunta de ouro, né? E ele não está propondo jogar as métricas fora de jeito nenhum. A ideia é usar com sabedoria, com humildade. Hum, humildade, gostei disso. É. A provocação é, por talvez, menos métricas, mas com muito mais sensibilidade. Menos tempo olhando para o painel e mais tempo de escuta ativa, sabe? De entender o contexto. Faz sentido. As métricas são uma bússola. Ajudam a dar direção. Mas não substituem o mapa do território real, que tem gente, tem contexto, tem intuição, tem julgamento crítico. A chave é se perguntar. Tá, esse número está me dizendo isso, mas o que ele não está me dizendo? Essa ideia de decantar a decisão. Dar um tempo para ela respirar, para as camadas aparecerem. É muito boa. Olhar o dado e questionar o que está faltando ali, o que está no silêncio. Perceber as entrelinhas, né? Tentar sentir o que está vindo, mesmo que ainda não tenha virado um número piscando no dashboard. É ir além da superfície que a gente consegue quantificar. Buscar a essência mesmo. Exatamente. É complementar o quantitativo com o qualitativo. Uma liderança que funciona bem e sabe que nem tudo que realmente importa cabe numa célula de Excel. E que nem tudo que cabe ali, de fato, importa tanto assim. Precisa ter coragem para lidar com a ambiguidade, com a complexidade que escapa da planilha. Fica bem claro, então, que essa gestão que só corre atrás do número pode acabar, ironicamente, ficando cega. Cega para a realidade mais funda do negócio, do mercado e, principalmente, das pessoas. Com certeza. A reflexão do Alexandre de Sales é um convite para a gente recalibrar isso, usar os indicadores como ferramenta para aprender, para melhorar, mas não como um fetiche, sabe? Ou como um substituto para pensar estrategicamente, para se conectar com as pessoas. E ele termina com aquelas perguntas que ficam martelando na cabeça, né? A sua gestão está gerando clareza de verdade ou só uns gráficos bonitos para mostrar na reunião? Exato. A gente está medindo o que é vital para o negócio ou só o que é mais fácil de colocar num número? Fica essa reflexão para todo mundo, que a gente consiga desenvolver essa habilidade de enxergar além do painel, de reconhecer que tem muita sabedoria na experiência, na intuição, no diálogo de verdade, coisas que, assim, nenhuma planilha, nenhum algoritmo vai conseguir capturar por completo. Para quem curtiu a conversa e quer continuar pensando sobre isso, a dica é assinar a newsletter Decantando Ideias, do próprio Alexandre de Sales, lá no Substaque. O link vai estar na descrição aqui para facilitar. Isso aí. Na nossa próxima conversa, a gente vai explorar um outro ângulo bem importante da gestão hoje em dia. Então, até lá e que as decisões importantes aí tenham sempre o tempo que precisam para respirar, para amadurecer e mostrar seu verdadeiro valor.