Latest / Devaneios de uma Bruxa Solitária / A Solidão da Bruxa | Ep04
Transcript
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- 0:06SPEAKER_00: Olá a todas as bruxas do meu jardim,
- 0:08SPEAKER_00: sejam bem-vindas ao episódio 4 do podcast de Vaneios de uma Bruxa Solitária.
- 0:16SPEAKER_00: Eu sou a Morgana, a Bruxa Solitária, que vos falo.
- 0:20SPEAKER_00: O que é que eu separei aqui relativamente para o nosso podcast,
- 0:24SPEAKER_00: aliás, para o nosso episódio 4 do podcast?
- 0:30SPEAKER_00: É um tema que me calha.
- 0:33SPEAKER_00: Particularmente porque eu, enquanto bruxa solitária, eu passo por isto.
- 0:40SPEAKER_00: Passo por esta dualidade, poderia dizer assim.
- 0:43SPEAKER_00: O tema de hoje é a solidão da bruxa,
- 0:46SPEAKER_00: que é algo que normalmente as pessoas não contam ou não conversam sobre.
- 0:54SPEAKER_00: Então,
- 0:55SPEAKER_00: eu sei que isto até pode parecer um tema
- 1:01SPEAKER_00: Despretencioso ou até sem muito nexo,
- 1:05SPEAKER_00: mas obviamente que eu vou trazer aqui alguns pontos importantes para quem pratica
- 1:09SPEAKER_00: a bruxaria, para quem é bruxa, de qualquer género que seja.
- 1:15SPEAKER_00: Portanto, inicialmente eu quero-vos falar um bocadinho sobre a solidão e a solitude.
- 1:22SPEAKER_00: Solitude é Aquilo que eu me considero.
- 1:26SPEAKER_00: Portanto, eu sou solitária, mas não sou ou não me sinto sozinha.
- 1:31SPEAKER_00: Dá para perceber?
- 1:32SPEAKER_00: Então, solidão é algo mais de uma sensação,
- 1:36SPEAKER_00: um sentimento de alguém que se sente sozinha,
- 1:41SPEAKER_00: que se sente isolada,
- 1:43SPEAKER_00: que se sente à parte ou que não se sente integrada naquele grupo,
- 1:47SPEAKER_00: naquela sociedade, mesmo estando cheia de gente.
- 1:51SPEAKER_00: À volta, com muita gente à volta.
- 1:54SPEAKER_00: No meu caso, eu escolho a solitude, ok?
- 2:00SPEAKER_00: Portanto,
- 2:00SPEAKER_00: eu escolho ser solitária, que é,
- 2:04SPEAKER_00: e vou entrar agora no segundo ponto,
- 2:06SPEAKER_00: que tem mais a ver com um tipo de prática em que eu não pertenço a nenhum grupo.
- 2:15SPEAKER_00: Eu não pertenço a nenhum grupo,
- 2:16SPEAKER_00: eu não pertenço a nenhum coven,
- 2:17SPEAKER_00: eu não sou discípula de nenhum sacerdote ou sacerdotisa,
- 2:21SPEAKER_00: sei lá, mãe de santo, pai de santo, eu não pertenço a nenhum grupo.
- 2:25SPEAKER_00: Eu posso conhecer um bocadinho sobre esta tradição,
- 2:28SPEAKER_00: sobre aquela, mas,
- 2:30SPEAKER_00: por curiosidade,
- 2:32SPEAKER_00: mas eu não pertenço ou participo ou sou membro de nenhuma sociedade secreta.
- 2:38SPEAKER_00: Tentei.
- 2:40SPEAKER_00: Tentei, mas não me identifico e por isso eu escolho,
- 2:45SPEAKER_00: e essa é a diferença entre quem se sente sozinho e quem é solitário ou está
- 2:51SPEAKER_00: na sua solitude, que é a escolha.
- 2:55SPEAKER_00: Eu escolho.
- 2:55SPEAKER_00: Isso não significa que eu não tenha contacto com outras pessoas,
- 2:58SPEAKER_00: que eu não converso com outras pessoas,
- 3:00SPEAKER_00: mas eu sou naturalmente uma pessoa introspectiva e observadora.
- 3:05SPEAKER_00: Portanto,
- 3:07SPEAKER_00: embora aqui no canal Eu posso parecer mais conversadeira,
- 3:13SPEAKER_00: não é conversadora, ou mais até extrovertida, eu não o sou.
- 3:18SPEAKER_00: Eu sou uma pessoa observadora,
- 3:21SPEAKER_00: uma pessoa introspectiva,
- 3:23SPEAKER_00: em que eu reflito e analiso as coisas, o que me apetece, claro.
- 3:29SPEAKER_00: Então sempre que eu tenho contacto com pessoas,
- 3:33SPEAKER_00: eu vou preferir entrar no meu modo de observação Em vez de estar como,
- 3:41SPEAKER_00: por exemplo, eu conheço, tenho uma amiga minha que ela é extremamente sociável.
- 3:46SPEAKER_00: Portanto, ela é mais superficial e não está tanto neste modo observadora.
- 3:53SPEAKER_00: Portanto, é deste modo observadora que eu leio o que nós podemos chamar a energia do outro.
- 4:00SPEAKER_00: Eu interpreto, eu leio a linguagem corporal.
- 4:02SPEAKER_00: Sei lá que nome é que dar a isto.
- 4:04SPEAKER_00: Mas é a partir deste modo observadora.
- 4:07SPEAKER_00: Se nós estamos constantemente a conversar e sempre muito para o exterior,
- 4:14SPEAKER_00: nós não temos como observar,
- 4:17SPEAKER_00: analisar,
- 4:17SPEAKER_00: refletir sobre as coisas e isso também faz parte da bruxaria e faz parte
- 4:22SPEAKER_00: do nosso caminho enquanto pessoas e para desenvolvermos o nosso caráter,
- 4:26SPEAKER_00: digo eu, não é.
- 4:28SPEAKER_00: Enfim.
- 4:29SPEAKER_00: Isto não significa que essa minha amiga não seja tão profunda, ela é,
- 4:33SPEAKER_00: mas ela escolhe,
- 4:34SPEAKER_00: em qualquer relação que ela tem,
- 4:37SPEAKER_00: inicialmente ser muito mais,
- 4:39SPEAKER_00: olha eu aqui, do que propriamente eu vou ver o que está aqui.
- 4:44SPEAKER_00: Dá para perceber a diferença?
- 4:45SPEAKER_00: Pronto.
- 4:46SPEAKER_00: Então, às vezes uma pessoa que É assim tão extrovertida ou é assim tão sociável,
- 4:53SPEAKER_00: pode esconder esta solidão,
- 4:56SPEAKER_00: ou seja,
- 4:56SPEAKER_00: estar rodeada de muita gente,
- 4:59SPEAKER_00: mas como ela,
- 5:01SPEAKER_00: no caso desta minha amiga, que não é propriamente uma pessoa assim, mas poderia ser.
- 5:06SPEAKER_00: Como ela conversa com muitas pessoas e como ela tem sempre conversas
- 5:10SPEAKER_00: com muitas pessoas, ela não tem tempo de aprofundar nenhuma conversa.
- 5:16SPEAKER_00: A não ser com alguém mais íntimo,
- 5:17SPEAKER_00: que é o meu caso, que é o caso provavelmente do marido dela, os pais.
- 5:22SPEAKER_00: Mas uma pessoa que tem um círculo de muita gente e conversa e dá-se com muita gente,
- 5:31SPEAKER_00: também é aquela pessoa que não é muito seletiva.
- 5:35SPEAKER_00: Também é aquela pessoa que não tem espaço para perceber se gosta,
- 5:39SPEAKER_00: se o santo bate com o santo da outra pessoa.
- 5:42SPEAKER_00: Certo?
- 5:44SPEAKER_00: Então às vezes pode camuflar uma solidão de eu tenho
- 5:48SPEAKER_00: que ter sempre esta máscara colocada, esta máscara sociável colocada.
- 5:54SPEAKER_00: Isso para mim nunca funcionaria.
- 5:56SPEAKER_00: Então dá para perceber bem na minha cara quando eu não gosto de determinada pessoa,
- 6:00SPEAKER_00: quando eu não gosto de determinada coisa.
- 6:04SPEAKER_00: Fecho logo o sorriso e não há nada para ninguém.
- 6:08SPEAKER_00: Então, no meu caso, eu escolho ser uma bruxa solitária porque eu não me enquadro nos grupos.
- 6:16SPEAKER_00: Eu não consigo conceber esta ideia de que tem que haver uma outra pessoa
- 6:24SPEAKER_00: que vai resolver a minha vida espiritual ou que vai se encarregar,
- 6:29SPEAKER_00: responsabilizar pela minha vida espiritual.
- 6:35SPEAKER_00: O ponto,
- 6:35SPEAKER_00: na verdade,
- 6:36SPEAKER_00: que eu queria com este episódio não é propriamente falar sobre isto,
- 6:39SPEAKER_00: mas eu queria deixar aqui claro que era para vocês entenderem a diferença,
- 6:43SPEAKER_00: mas o próprio caminho solitário,
- 6:47SPEAKER_00: e este é o que eu quero trazer,
- 6:49SPEAKER_00: é exatamente o tema que eu quero trazer com este título,
- 6:53SPEAKER_00: com esta nossa conversa,
- 6:56SPEAKER_00: é que tu podes estar em qualquer tradição,
- 7:01SPEAKER_00: Seja uma tradição mais estruturada,
- 7:03SPEAKER_00: uma tradição que te diga é assim,
- 7:05SPEAKER_00: é assim,
- 7:05SPEAKER_00: é assim que tens que fazer e é isto e acabou,
- 7:07SPEAKER_00: estudas isto, isto, isto e pronto e acabou.
- 7:09SPEAKER_00: Ou numa tradição mais livre,
- 7:12SPEAKER_00: vamos dizer assim,
- 7:13SPEAKER_00: que é o meu caso,
- 7:13SPEAKER_00: uma tradição mais pagã em que eu não quero estrutura a não ser
- 7:17SPEAKER_00: a minha própria estrutura, a minha própria regra.
- 7:20SPEAKER_00: Qualquer dos caminhos que tu escolhas, ninguém pode fazer o caminho por ti.
- 7:28SPEAKER_00: E quando eu digo a solidão da bruxa, é essa solidão.
- 7:33SPEAKER_00: Porquê que eu falo sobre isto?
- 7:36SPEAKER_00: Mesmo o coven que oferece a estrutura,
- 7:39SPEAKER_00: o caminho já feito e já criado,
- 7:42SPEAKER_00: porque o coven traz isto,
- 7:43SPEAKER_00: o coven no grupo,
- 7:45SPEAKER_00: o pai de santo, sei lá, as tradições, todas elas já trazem o caminho já feito.
- 7:52SPEAKER_00: Tu já consegues ver o caminho,
- 7:54SPEAKER_00: tu consegues ver que tu começas aqui Portanto, vai também ter as hierarquias, não é?
- 8:01SPEAKER_00: Tu começas aqui, caminhas por aqui, por aqui, por aqui e sobres de nível, sobres de grau.
- 8:07SPEAKER_00: De grau que eu digo não é de degrau, de escadas, é de grau.
- 8:12SPEAKER_00: Portanto, tu tens um grau dentro daquela tradição.
- 8:16SPEAKER_00: E podemos falar das sociedades secretas,
- 8:17SPEAKER_00: por exemplo, que hoje em dia não são tão secretas, mas continuam a ser secretas.
- 8:22SPEAKER_00: Então, mesmo com esse caminho já feito,
- 8:26SPEAKER_00: E criado, não te deixes enganar porque a vivência do caminho continua a ser tua.
- 8:35SPEAKER_00: Então, a bruxa,
- 8:37SPEAKER_00: seja de que tradição,
- 8:39SPEAKER_00: ou pertencendo ou não a qualquer tradição,
- 8:42SPEAKER_00: ela vai ter sempre o seu próprio livro das sombras,
- 8:45SPEAKER_00: o grimório individual,
- 8:47SPEAKER_00: mesmo que exista ou possa existir um livro das sombras,
- 8:51SPEAKER_00: um grimório coletivo que pertença a esse grupo.
- 8:57SPEAKER_00: Ok?
- 8:58SPEAKER_00: Então, tu podes ver um ritual num livro,
- 9:02SPEAKER_00: um feitiço num livro,
- 9:04SPEAKER_00: podes ver ou alguém te ensinar como tu vais fazer esse ritual,
- 9:10SPEAKER_00: dar-te aqui o passo a passo,
- 9:13SPEAKER_00: mas isto é exatamente como nas receitas de bolo,
- 9:16SPEAKER_00: nas receitas de cozinha, de culinária.
- 9:20SPEAKER_00: Tu só vais saber se sabes fazer Quando tu fizeres o bolo.
- 9:26SPEAKER_00: Então eu posso te dar a receita do bolo.
- 9:29SPEAKER_00: Olha, leva uma colher de farinha de branca,
- 9:34SPEAKER_00: uma colher de sopa de farinha de branca,
- 9:36SPEAKER_00: pode levar meio litro de leite,
- 9:39SPEAKER_00: pode levar, sei lá, dois ovos, pode levar 500 gramas de açúcar, suponhamos, não é?
- 9:47SPEAKER_00: E posso te dar até o modo de preparação.
- 9:50SPEAKER_00: Tens que fazer assim,
- 9:51SPEAKER_00: tens que fazer assado,
- 9:51SPEAKER_00: tens que fazer não sei o quê, tens que fazer não sei das quantas.
- 9:54SPEAKER_00: Mas, tu só vais saber se nas tuas mãos aquele bolo sai melhor assim ao assado
- 10:02SPEAKER_00: quando tu fizeres o bolo.
- 10:06SPEAKER_00: Quando tu sujares as mãos, quando tu borrares as mãos, não é?
- 10:11SPEAKER_00: Falando aqui na minha zona.
- 10:13SPEAKER_00: Quando tu sujares as mãos e fizeres o bolo é que tu vais saber que, ó,
- 10:17SPEAKER_00: eu da próxima vez,
- 10:18SPEAKER_00: na próxima tentativa,
- 10:19SPEAKER_00: eu não posso pôr o meu forno assim, assim,
- 10:22SPEAKER_00: eu não posso pôr o meu forno a 200 graus,
- 10:24SPEAKER_00: eu não posso,
- 10:25SPEAKER_00: eu tenho que fazer isto antes ou isto depois,
- 10:27SPEAKER_00: ou porque a minha cozinha é mais pequena,
- 10:29SPEAKER_00: eu tenho que fazer desta forma, para a logística ser melhor.
- 10:34SPEAKER_00: Dá para perceber?
- 10:35SPEAKER_00: Quando tu fazes o bolo é que tu vais perceber que,
- 10:38SPEAKER_00: À medida que tu vais fazendo uma e outra e outra vez,
- 10:41SPEAKER_00: é que tu vais perceber que à medida que tu vais afinando ou alinhando o teu ritmo,
- 10:49SPEAKER_00: o teu próprio ritmo de fazer o bolo,
- 10:52SPEAKER_00: tu vais perceber que é mais prático para ti começares desta forma ou daquela forma.
- 10:58SPEAKER_00: Portanto, há uma adaptação que tu vais fazer à receita inicial do bolo.
- 11:05SPEAKER_00: Então, Antigamente,
- 11:07SPEAKER_00: eu digo antigamente,
- 11:08SPEAKER_00: por exemplo,
- 11:08SPEAKER_00: no tempo da minha mãe, talvez até no tempo da minha avó, das minhas avós, não é?
- 11:14SPEAKER_00: Era muito comum, muito usual, haver um livro de receitas.
- 11:18SPEAKER_00: Tanto é que uma das coisas que se preparava no enxoval,
- 11:23SPEAKER_00: eu digo porque eu tive muito na infância amigas da minha mãe que me preparavam
- 11:30SPEAKER_00: um enxoval, olha,
- 11:31SPEAKER_00: isto aqui é para o teu enxoval,
- 11:32SPEAKER_00: isto aqui não sei para quê, e tinha um livro de receitas.
- 11:37SPEAKER_00: Que eu, desculpem o meu termo,
- 11:39SPEAKER_00: mas eu caguei e andei para o Enxoval,
- 11:41SPEAKER_00: porque nunca na vida me casaria pela religião,
- 11:44SPEAKER_00: nem nos modos da religião católica, ou de outra qualquer.
- 11:50SPEAKER_00: Mas eu usava sim o livro de receitas, tanto é que eu o tenho.
- 11:53SPEAKER_00: Nunca mais escrevi nele.
- 11:55SPEAKER_00: Portanto,
- 11:56SPEAKER_00: a partir do momento em que nós temos as redes sociais,
- 11:58SPEAKER_00: eu deixei sequer de escrever no meu livro de receitas,
- 12:00SPEAKER_00: que eu estou a pensar retomar o livro de receitas.
- 12:05SPEAKER_00: E o livro da Bruxa também,
- 12:07SPEAKER_00: o Grimório,
- 12:08SPEAKER_00: o livro das sombras,
- 12:10SPEAKER_00: pode ser considerado também um livro de receitas,
- 12:13SPEAKER_00: até porque no livro que eu estou a ler agora,
- 12:17SPEAKER_00: neste momento,
- 12:19SPEAKER_00: ou pelo menos no momento em que eu estou a gravar aqui este episódio,
- 12:23SPEAKER_00: eles não falam de Grimório,
- 12:25SPEAKER_00: o livro que eles falam é o livro de receitas da Bruxa,
- 12:29SPEAKER_00: o livro de feitiçaria,
- 12:32SPEAKER_00: o livro de receitas, eles não falam Especificamente de Grimórios.
- 12:38SPEAKER_00: Portanto,
- 12:40SPEAKER_00: nós sempre,
- 12:41SPEAKER_00: e eu não estou propriamente a falar de receitas de bolos,
- 12:45SPEAKER_00: não sei se vocês já perceberam,
- 12:46SPEAKER_00: mas eu estou a falar de feitiços, de rituais, de bruxaria em si, da prática.
- 12:52SPEAKER_00: Portanto,
- 12:53SPEAKER_00: nós sempre vamos ter que adaptar Essa receita do feitiço,
- 13:02SPEAKER_00: dos feitiços da lista,
- 13:03SPEAKER_00: como fazer e como não fazer,
- 13:05SPEAKER_00: por exemplo,
- 13:07SPEAKER_00: do que está no Livro das Sombras de outros colegas,
- 13:12SPEAKER_00: nós sempre vamos ter que adaptar para a nossa realidade.
- 13:16SPEAKER_00: Então, isso faz parte da nossa própria solidão.
- 13:21SPEAKER_00: Porque nós, mesmo que nós partilhemos Experiências, vivências, nunca.
- 13:29SPEAKER_00: É como respirar.
- 13:30SPEAKER_00: Nós podemos até ter máquinas para respirarem por nós.
- 13:34SPEAKER_00: Espero que ninguém nunca chegue a isso.
- 13:37SPEAKER_00: Pelo menos vocês que me ouvem.
- 13:39SPEAKER_00: Mas, se formos pensar bem, a máquina tem que ser ligada a nós.
- 13:45SPEAKER_00: A cada um de nós.
- 13:46SPEAKER_00: Não pode ser o robô que vai respirar por nós.
- 13:49SPEAKER_00: Dá para perceber a minha ideia?
- 13:50SPEAKER_00: Então, a prática...
- 13:53SPEAKER_00: Esta solidão que eu falo é dessa vivência, dessa experiência, que é intransmissível.
- 14:02SPEAKER_00: Nós nunca vamos poder,
- 14:04SPEAKER_00: que é tão subjetivo,
- 14:05SPEAKER_00: tão subjetivo,
- 14:06SPEAKER_00: que eu nunca posso dizer,
- 14:08SPEAKER_00: obviamente que se eu perceber que a pessoa está claramente a mentir,
- 14:11SPEAKER_00: é uma coisa,
- 14:12SPEAKER_00: mas se há uma pessoa que me diz que tem uma projeção astral,
- 14:16SPEAKER_00: um sonho lúcido, sei lá, desta, desta, desta,
- 14:19SPEAKER_00: desta forma,
- 14:20SPEAKER_00: quem sou eu Para lhe dizer,
- 14:22SPEAKER_00: isso é tudo mentira porque a forma correta é a forma como eu percepciono
- 14:27SPEAKER_00: como eu vivencio.
- 14:29SPEAKER_00: Dá para perceber como é tão individual que não tem como
- 14:36SPEAKER_00: ser objetivo
- 14:37SPEAKER_00: e ser tudo igual para toda a gente.
- 14:40SPEAKER_00: Por isso é que na minha visão, enquanto bruxa solitária,
- 14:46SPEAKER_00: não faz muito sentido as tradições.
- 14:49SPEAKER_00: E eu sei que isto pode desfocar muita gente que está numa tradição,
- 14:51SPEAKER_00: porque a tradição,
- 14:53SPEAKER_00: qualquer que seja,
- 14:53SPEAKER_00: estou a falar também de religiões, tudo isso, vai ter sempre a receitazinha.
- 14:59SPEAKER_00: É assim, é assada, os mandamentos.
- 15:02SPEAKER_00: Tens que fazer assim, assada, não sei o que, não sei o que, não sei o que.
- 15:04SPEAKER_00: Algumas até te impedem de ver outras coisas diferentes.
- 15:10SPEAKER_00: Poderíamos chamar isso seitas também, não é?
- 15:13SPEAKER_00: Outras até te impedem de ver coisas diferentes.
- 15:16SPEAKER_00: Te dizem, não podes ver isto porque isto é pecado e vais parar ao inferno.
- 15:22SPEAKER_00: Ok?
- 15:22SPEAKER_00: Portanto,
- 15:22SPEAKER_00: é tão pessoal e tão individual que não dá para passar a bola ou para dizer a alguém,
- 15:32SPEAKER_00: olha, faz isso por mim porque hoje não apetece.
- 15:34SPEAKER_00: Não tem como.
- 15:35SPEAKER_00: E vai ser muito diferente.
- 15:37SPEAKER_00: A mesma receita de bolo pode funcionar de uma forma para uma pessoa e de outra forma
- 15:42SPEAKER_00: para outra pessoa.
- 15:43SPEAKER_00: Por vários fatores.
- 15:46SPEAKER_00: Certo?
- 15:47SPEAKER_00: Então,
- 15:48SPEAKER_00: aqui podemos falar de uma outra coisa que tem a ver com a ilusão de fazer o caminho
- 15:53SPEAKER_00: com alguém.
- 15:54SPEAKER_00: Ou seja...
- 15:57SPEAKER_00: E depois,
- 15:58SPEAKER_00: obviamente que vou entrar nos contras de estarmos ou de sermos bruxas solitárias,
- 16:05SPEAKER_00: de fazermos o caminho sozinhos, sem ninguém.
- 16:10SPEAKER_00: Quando nós entramos num coven...
- 16:12SPEAKER_00: Ou num grupo,
- 16:14SPEAKER_00: seja o que for uma tradição,
- 16:16SPEAKER_00: em que há um grupo,
- 16:17SPEAKER_00: há uma comunidade,
- 16:19SPEAKER_00: toda ela é suposto estar dentro daqueles mandamentos,
- 16:27SPEAKER_00: daquelas regras, daquela doutrina.
- 16:32SPEAKER_00: Há sempre, ou quase sempre, alguém que se vai responsabilizar por aquilo que vai acontecer.
- 16:39SPEAKER_00: E há sempre alguém que se vai responsabilizar pela espiritualidade dos integrantes
- 16:46SPEAKER_00: que à partida são inferiores.
- 16:49SPEAKER_00: Isto numa visão hierárquica, de hierarquia.
- 16:52SPEAKER_00: Portanto,
- 16:52SPEAKER_00: vai haver alguém que é mestre,
- 16:55SPEAKER_00: que é sacerdote,
- 16:56SPEAKER_00: que é sacerdotisa,
- 16:57SPEAKER_00: que é o maioral,
- 17:01SPEAKER_00: que é a pessoa que tem ou detém o conhecimento da sabedoria para
- 17:09SPEAKER_00: E vão existir aqueles que são os subordinados,
- 17:14SPEAKER_00: portanto,
- 17:14SPEAKER_00: os inferiores,
- 17:15SPEAKER_00: aqueles que são inferiores no sentido de conhecimento,
- 17:19SPEAKER_00: de prática, de experiência e por aí fora.
- 17:23SPEAKER_00: Então há aqui uma hierarquia,
- 17:25SPEAKER_00: isso é claro, o padre está numa posição que aqueles que vão à missa, Não estão.
- 17:34SPEAKER_00: Assim como o Papa está numa posição que um padre,
- 17:37SPEAKER_00: um simples padre de uma paróquia, não está, não tem essa posição.
- 17:42SPEAKER_00: Então o Papa seria o líder supremo do catolicismo.
- 17:47SPEAKER_00: Em qualquer outra tradição nós vamos ter exatamente uma hierarquia desta forma,
- 17:52SPEAKER_00: com outros nomes e tal e coisa,
- 17:53SPEAKER_00: mas vamos ter sempre graus, vamos ter sempre níveis, vamos ter sempre a hierarquia.
- 17:59SPEAKER_00: Então vai sempre ter alguém inferior.
- 18:01SPEAKER_00: E com isto,
- 18:03SPEAKER_00: Essa pessoa que sabe a partida mais ou
- 18:05SPEAKER_00: que está num grau acima vai sempre responsabilizar-se pela parte espiritual,
- 18:12SPEAKER_00: pela conexão espiritual de quem é inferior dentro daquela tradição, daquele grupo.
- 18:21SPEAKER_00: Então, no caso dos padres,
- 18:22SPEAKER_00: eu estou a falar porque eu acredito que a maioria que me ouve Conhece,
- 18:26SPEAKER_00: já ouvi falar,
- 18:26SPEAKER_00: ou até já fez parte,
- 18:27SPEAKER_00: ou ainda faz parte de catolicismo,
- 18:31SPEAKER_00: ou está ali no meio, porque é a sociedade que está a inserir.
- 18:36SPEAKER_00: Mas no catolicismo, por exemplo,
- 18:41SPEAKER_00: o padre, normalmente, é a pessoa que vai se comunicar com Deus,
- 18:50SPEAKER_00: E vai-te passar essas regras ou essa reflexão, seja lá o que for, a ti.
- 18:56SPEAKER_00: Porque tu não tens capacidade para.
- 19:02SPEAKER_00: Então, é tirado da pessoa a responsabilidade sobre as suas próprias ações.
- 19:07SPEAKER_00: Não sei se dá para perceber isto.
- 19:11SPEAKER_00: O que é que acontece aqui?
- 19:12SPEAKER_00: Normalmente, Tem que haver aqui um certo, incutir um certo medo de alguma forma.
- 19:18SPEAKER_00: No caso do catolicismo nós temos o medo de ir para o inferno do diabo.
- 19:21SPEAKER_00: Então nós temos que seguir todas as regrinhas para não irmos para o inferno.
- 19:26SPEAKER_00: Alguém segue?
- 19:27SPEAKER_00: Não, mas pronto.
- 19:28SPEAKER_00: Enfim, é o que temos.
- 19:33SPEAKER_00: Complicado.
- 19:35SPEAKER_00: O que é que isto significa?
- 19:37SPEAKER_00: Que o Padre vai-te dizer que
- 19:42SPEAKER_00: É o diabo,
- 19:43SPEAKER_00: é a tentação do diabo,
- 19:45SPEAKER_00: tu fazes estas coisas, e estou a falar, por exemplo, nos evangélicos, não é?
- 19:50SPEAKER_00: Porque aqui em Portugal já está muito mais forte do que era.
- 19:56SPEAKER_00: Quando eu andava na universidade,
- 19:58SPEAKER_00: eu tinha três colegas que eram evangélicas, quando eu estava na universidade.
- 20:03SPEAKER_00: E eu fui visitar as três, sei lá, congregações, Das três, de cada uma, não é?
- 20:10SPEAKER_00: Portanto, eu fui ver como era de cada uma.
- 20:14SPEAKER_00: E não era muito diferente.
- 20:16SPEAKER_00: Elas depois,
- 20:16SPEAKER_00: entretanto,
- 20:16SPEAKER_00: perceberam que podiam uma ir à da outra e
- 20:24SPEAKER_00: saltavam assim para conhecer as pessoas
- 20:28SPEAKER_00: da outra, de outras, sei lá, congregações, enfim.
- 20:31SPEAKER_00: De outras igrejas, pronto.
- 20:34SPEAKER_00: Só que...
- 20:39SPEAKER_00: Havia aí e há uma terceirização da responsabilidade.
- 20:45SPEAKER_00: Portanto,
- 20:46SPEAKER_00: tu fazes e tu cometes determinada coisa,
- 20:50SPEAKER_00: um adultério,
- 20:51SPEAKER_00: vamos dizer assim que é um dos mandamentos,
- 20:53SPEAKER_00: cometes um adultério porque o diabo te tentou.
- 20:57SPEAKER_00: Porque aquela mulher é amantizada com o diabo e ela te tentou.
- 21:00SPEAKER_00: Não és tu.
- 21:05SPEAKER_00: Que não tens caráter nenhum, não é?
- 21:08SPEAKER_00: Porque se tu segues uma determinada religião, tens mais é que te controlar.
- 21:13SPEAKER_00: Não és tu com falta de caráter.
- 21:14SPEAKER_00: É outra pessoa que te tentou.
- 21:16SPEAKER_00: É o diabo que te tentou.
- 21:19SPEAKER_00: É sempre uma terceirização da responsabilidade dos teus atos.
- 21:26SPEAKER_00: Dá para perceber isto?
- 21:27SPEAKER_00: Então o que eu percebo é que O facto de nós estarmos num cova,
- 21:32SPEAKER_00: num grupo,
- 21:33SPEAKER_00: pode nos tirar essa responsabilidade relativamente àquilo que nós fazemos,
- 21:37SPEAKER_00: às nossas ações, aos nossos comportamentos.
- 21:39SPEAKER_00: Então é muito fácil,
- 21:41SPEAKER_00: eu percebo isso em várias áreas da nossa sociedade e percebo isso sem ser exatamente
- 21:49SPEAKER_00: com a religião.
- 21:52SPEAKER_00: É muito fácil eu dizer, eu sou assim por causa de fulano.
- 21:57SPEAKER_00: Ah, eu faço isto por causa de ciclano.
- 22:01SPEAKER_00: Ah, eu traí porque a outra pessoa,
- 22:06SPEAKER_00: portanto,
- 22:06SPEAKER_00: a pessoa com quem eu tinha o compromisso,
- 22:09SPEAKER_00: é que fez isto, isto e isto, ou não fez isto, isto e isto, e então fez-me trair.
- 22:15SPEAKER_00: Não sei se dá para perceber esta terceirização.
- 22:17SPEAKER_00: Então, nunca é sobre o que eu faço, é sempre o que o outro faz.
- 22:22SPEAKER_00: Da mesma forma que é muito fácil eu dizer, ah,
- 22:26SPEAKER_00: Eu não faço mais dentro da religião,
- 22:28SPEAKER_00: ou não tenho uma espiritualidade mais assim, assim,
- 22:30SPEAKER_00: porque no terreiro onde eu estou,
- 22:34SPEAKER_00: dizem-me que eu não posso desenvolver em casa,
- 22:37SPEAKER_00: dizem-me que eu não posso fazer isto,
- 22:39SPEAKER_00: isto e isto, ou dizem que o meu Exu não pode vir, não sei o quê.
- 22:42SPEAKER_00: Pronto, isto são coisas que eu ouço,
- 22:43SPEAKER_00: não sei por experiência própria eu,
- 22:46SPEAKER_00: lá está,
- 22:47SPEAKER_00: pelo meu próprio caminho,
- 22:48SPEAKER_00: porque eu não faço parte,
- 22:49SPEAKER_00: como eu já falei, eu não faço parte de terreiro, nem de grupo nenhum.
- 22:55SPEAKER_00: Portanto,
- 22:55SPEAKER_00: do que eu ouço,
- 22:56SPEAKER_00: do que eu tenho e daquilo que eu interpreto de quando eu ouço,
- 23:03SPEAKER_00: há sempre esta restrição.
- 23:05SPEAKER_00: Há sempre que depois a outra pessoa,
- 23:08SPEAKER_00: que é a partir daí hierarquicamente superior, vai-se responsabilizar por.
- 23:14SPEAKER_00: Então, vai-se responsabilizar pelo teu chakra coronário,
- 23:18SPEAKER_00: pela conexão, pelo aquilo que podes ou não fazer.
- 23:21SPEAKER_00: E isso também te dá,
- 23:22SPEAKER_00: e isto é problemático,
- 23:24SPEAKER_00: é que te dá Esse alusio, esse à vontade para tu poderes ser assim.
- 23:31SPEAKER_00: Ai, eu só sou assim por causa do Pai de Santo ou da Mãe de Santo ou de não sei o quê.
- 23:36SPEAKER_00: Estava a perceber isso?
- 23:38SPEAKER_00: Pronto.
- 23:40SPEAKER_00: Ao mesmo tempo que Nós estamos num grupo e nós temos essa,
- 23:48SPEAKER_00: todo o scriptzinho,
- 23:49SPEAKER_00: o ienzinho escrito,
- 23:51SPEAKER_00: que temos de fazer isto e aquilo,
- 23:53SPEAKER_00: portanto,
- 23:53SPEAKER_00: tira-nos essa carga de responsabilidade,
- 23:56SPEAKER_00: nós vamos ter também,
- 23:58SPEAKER_00: apesar disso, nós sempre vamos, o nosso desenvolvimento sempre vai ser individual.
- 24:04SPEAKER_00: E eu quero reforçar isto aqui,
- 24:05SPEAKER_00: portanto,
- 24:06SPEAKER_00: não te iludas,
- 24:07SPEAKER_00: mesmo que tu pertenças a um grupo,
- 24:09SPEAKER_00: a um coven,
- 24:09SPEAKER_00: não te iludas a achar que eu agora estou no coven,
- 24:13SPEAKER_00: E vai ser, vou partilhar e vai ser tudo em grupo, não vai.
- 24:18SPEAKER_00: Porque quando estás a dormir e tens determinados sonhos ou,
- 24:23SPEAKER_00: sei lá, projeções astrais, sonhos lúcidos, seja o que for, é a tua vivência.
- 24:28SPEAKER_00: Fazes um feitiço,
- 24:29SPEAKER_00: um ritual,
- 24:29SPEAKER_00: mesmo que seja coletivo,
- 24:31SPEAKER_00: juntamente com o grupo,
- 24:34SPEAKER_00: tu sempre vais ter a tua própria experiência,
- 24:37SPEAKER_00: que não é a mesma da experiência do teu vizinho.
- 24:40SPEAKER_00: Percebes isto?
- 24:41SPEAKER_00: Pronto.
- 24:42SPEAKER_00: E ao mesmo tempo que isto,
- 24:44SPEAKER_00: o facto de não estarmos num covo ou num grupo,
- 24:48SPEAKER_00: portanto sermos solitários,
- 24:50SPEAKER_00: isto é assustador e libertador pelo motivo que conversamos há pouco,
- 24:55SPEAKER_00: a responsabilidade.
- 24:58SPEAKER_00: Tu não tens aqui ninguém que tu possas responsabilizar.
- 25:03SPEAKER_00: Portanto, eu faço isto porque aquela pessoa me disse que eu tinha que fazer assim.
- 25:07SPEAKER_00: Tu não tens isto.
- 25:10SPEAKER_00: O que tu tens...
- 25:11SPEAKER_00: A não ser claro que tu comeces a seguir professores,
- 25:13SPEAKER_00: mestres e gurus e começas a replicar ou a colocar essa responsabilidade sem
- 25:19SPEAKER_00: o pensamento crítico, não
- 25:21SPEAKER_00: Mas à partida tu não tens ninguém a quem a responsabilizar e tu és,
- 25:27SPEAKER_00: és tu que te tens que responsabilizar por tudo aquilo que tu fazes.
- 25:32SPEAKER_00: Então a responsabilidade é tua e isto pode ser assustador porque tu,
- 25:36SPEAKER_00: lá está, és mais livre para cometer erros.
- 25:40SPEAKER_00: Tu podes cometer o erro E saberes que isto não deu certo,
- 25:43SPEAKER_00: isto feito isso não deu certo porque te cometeste este erro assim assim durante
- 25:48SPEAKER_00: o feito isso.
- 25:49SPEAKER_00: Porque não estiveste atenta,
- 25:50SPEAKER_00: porque estiveste a pensar na morte da bezerra,
- 25:51SPEAKER_00: porque estiveste a pensar não sei o quê, porque... Qualquer coisa.
- 25:55SPEAKER_00: Não tem ninguém, entendes?
- 25:58SPEAKER_00: Não tem ninguém que tu possas atribuir essa responsabilidade.
- 26:01SPEAKER_00: E que por outro lado também é muito libertador.
- 26:05SPEAKER_00: Porque não tens ninguém que te diga assim, isso está certo e isso está errado.
- 26:11SPEAKER_00: Tu não vais ter ninguém que te diga que aquilo que tu sentiste numa projeção astral é errado.
- 26:18SPEAKER_00: Porque é a tua própria interpretação, é a tua própria vivência.
- 26:25SPEAKER_00: Tu sempre vais ter os grilhões que te limitam,
- 26:29SPEAKER_00: que te restringem,
- 26:29SPEAKER_00: que são as crenças e a sociedade que nós vivemos, que já conversamos sobre isso.
- 26:35SPEAKER_00: Mas na tua prática,
- 26:36SPEAKER_00: quando tu acendes uma vela e podes, sei lá,
- 26:39SPEAKER_00: apetecer-te virar a vela contrário,
- 26:42SPEAKER_00: como se fosse de volta aí,
- 26:43SPEAKER_00: mas apetece-te partir a vela em duas partes,
- 26:48SPEAKER_00: apetece-te, sei lá,
- 26:49SPEAKER_00: pintar a vela,
- 26:50SPEAKER_00: é uma vela amarela,
- 26:51SPEAKER_00: mas apetece-te pintar a vela,
- 26:53SPEAKER_00: criar ali umas bolinhas vermelhas na vela amarela,
- 26:57SPEAKER_00: apetece-te fazer qualquer merda no teu ritual.
- 27:02SPEAKER_00: Tu não vais ter ninguém que te diga isso está certo, isso está errado.
- 27:05SPEAKER_00: Porque tu vais fazer e vais experimentar,
- 27:06SPEAKER_00: olha, isto funciona para mim, isto não funciona para mim.
- 27:10SPEAKER_00: Obviamente que não vais ter o caminho já traçado,
- 27:14SPEAKER_00: vais ter que ser tu a traçar o caminho e que muito provavelmente vai ser híbrido.
- 27:19SPEAKER_00: Não vai ser o caminho que quem está dentro da tradição vê, porque vai ser teu próprio caminho.
- 27:27SPEAKER_00: Entendes?
- 27:27SPEAKER_00: E a tua vivência não poderá ser invalidada ou desautorizada.
- 27:33SPEAKER_00: Então ninguém está ali para te dizer, olha, só podes ser bruxa se fizeres isto.
- 27:38SPEAKER_00: Só podes ser bruxa quando eu te der autorização ou quando fizeres a iniciação XPTO.
- 27:41SPEAKER_00: Estás a entender?
- 27:44SPEAKER_00: Tu própria és a sacerdotisa do teu templo.
- 27:46SPEAKER_00: Eu poderia criar aqui o templo Morgana.
- 27:49SPEAKER_00: Não é?
- 27:49SPEAKER_00: É a minha prática.
- 27:51SPEAKER_00: Então, foda-se a validação do outro.
- 27:56SPEAKER_00: Que era exatamente o ponto seguinte,
- 27:58SPEAKER_00: validação sem título e sem ninguém para validar porque não há hierarquia.
- 28:02SPEAKER_00: Portanto,
- 28:02SPEAKER_00: tu fazes o que te apetece sabendo que aquilo que tu fazes vai estar
- 28:10SPEAKER_00: ou vai-te responsabilizar exatamente por isso.
- 28:13SPEAKER_00: Agora, vou entrar aqui, que eu não tinha propriamente pensado neste tema.
- 28:19SPEAKER_00: Vou falar sobre isto, mas vou falar.
- 28:21SPEAKER_00: Há um tempo para aí, há um ano,
- 28:25SPEAKER_00: Já foi há muitos meses, vou dizer assim.
- 28:29SPEAKER_00: No TikTok havia uma discussão,
- 28:32SPEAKER_00: que eu acho ridículo isso,
- 28:33SPEAKER_00: e acho mais ridículo pessoas que estão dentro da bruxaria,
- 28:36SPEAKER_00: ou seja,
- 28:36SPEAKER_00: não católicos, ou não dentro de religiões abrahâmicas, ou mais tradicionais.
- 28:43SPEAKER_00: Havia uma discussão que era assim,
- 28:48SPEAKER_00: quem tinha razão em praticar isto ou aquilo?
- 28:53SPEAKER_00: Então havia alguém que vinha para a rede social mostrar ou dizer que acreditava nisto, naquilo.
- 28:57SPEAKER_00: Lá vinha outro de outra tradição que era ligeiramente diferente.
- 29:00SPEAKER_00: Ah, isto não está certo porque...
- 29:02SPEAKER_00: Pronto.
- 29:03SPEAKER_00: Ah, porque só podes fazer ou só podes ser...
- 29:06SPEAKER_00: Eu vou dar o exemplo de Lucifer ou, por exemplo, o exemplo de Lilith.
- 29:10SPEAKER_00: Só podes ser,
- 29:11SPEAKER_00: só podes trabalhar com Lilith se fores não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê.
- 29:14SPEAKER_00: Só podes não sei o quê, se fores iniciada, não sei o quê.
- 29:18SPEAKER_00: Só podes trabalhar com Lúcifer se fizeres o pacto com Lúcifer.
- 29:21SPEAKER_00: Só podes trabalhar com Lúcifer se fizeres a iniciação com Lúcifer.
- 29:26SPEAKER_00: Isto eram os temas que andavam, não
- 29:29SPEAKER_00: Quando nós,
- 29:31SPEAKER_00: e obviamente que debatem muito,
- 29:34SPEAKER_00: muito quem está dentro da tradição,
- 29:37SPEAKER_00: pode ser um bocadinho polêmico o que eu vou dizer,
- 29:39SPEAKER_00: quem está dentro de uma tradição vai debater muito relativamente àquilo que
- 29:43SPEAKER_00: uma bruxa solitária ou uma bruxa eclética,
- 29:46SPEAKER_00: alguém que faz e que vai escolhendo o que vai estudando, não é?
- 29:50SPEAKER_00: O que vai acreditando,
- 29:52SPEAKER_00: sem ter alguém supostamente hierarquicamente superior,
- 29:57SPEAKER_00: que lhe diga o que fazer e o que não fazer.
- 30:00SPEAKER_00: Mas quem está numa tradição que tem todas as regrinhas, não é?
- 30:05SPEAKER_00: E todas as doutrinações,
- 30:06SPEAKER_00: vai achar que, ai, é absurdo, alguém trabalhar com Lúcifer sem ter não sei o quê.
- 30:13SPEAKER_00: Dá para perceber.
- 30:16SPEAKER_00: Então, Eu sinto que a bruxaria traz-nos essa liberdade que também ao mesmo tempo é
- 30:24SPEAKER_00: uma grande responsabilidade, porque isto é assim.
- 30:27SPEAKER_00: Se eu quiser trabalhar com o Lucifer da maneira como eu vejo ou sinto o Lucifer, eu trabalho.
- 30:35SPEAKER_00: Ou se eu quiser trabalhar com demónios, na demonulatria, na guétia, enfim, eu vou trabalhar.
- 30:42SPEAKER_00: Ai, mas não podes fazer, porque só pode fazer quem não sei o quê.
- 30:45SPEAKER_00: Olha, foda-se.
- 30:46SPEAKER_00: Uma palavrão.
- 30:47SPEAKER_00: Olha, foda-se, se eu me aparecesse, se eu trabalhar com demónios, não é?
- 30:50SPEAKER_00: Com demonolatria,
- 30:52SPEAKER_00: com os daimons,
- 30:53SPEAKER_00: e de repente me aparecesse com um demónio,
- 30:54SPEAKER_00: um daimons, olha, foda-se, a casa é minha, caralho.
- 30:58SPEAKER_00: Olha, eu não retém a falar.
- 31:02SPEAKER_00: A casa é minha.
- 31:03SPEAKER_00: Quero lá saber.
- 31:05SPEAKER_00: Se a casa é minha, eu pago as coisas, sou eu que pago as contas, o corpo é meu.
- 31:10SPEAKER_00: Quero que se alixe, que apareça, que se exploda a casa.
- 31:14SPEAKER_00: Eu não quero saber.
- 31:15SPEAKER_00: A prática é minha.
- 31:17SPEAKER_00: Porra, não quero saber que me venham aqui...
- 31:21SPEAKER_00: Não posso dizer de morada para lá.
- 31:23SPEAKER_00: Não quero saber que me venham aqui para aqui dizer o que eu posso ou não fazer
- 31:26SPEAKER_00: na minha casa,
- 31:27SPEAKER_00: que já basta as câmaras municipais dizer o que eu posso ou não pintar ou o
- 31:30SPEAKER_00: que eu posso ou não fazer.
- 31:33SPEAKER_00: Certo?
- 31:33SPEAKER_00: Eu não quero saber disso para nada.
- 31:36SPEAKER_00: Se me aparece aqui o daimon,
- 31:38SPEAKER_00: x ou y ou não sei o quê,
- 31:40SPEAKER_00: e se me acontece isto ou assado, assim ou assado, é um problema que é meu.
- 31:45SPEAKER_00: Mas foi contigo?
- 31:46SPEAKER_00: Foi na tua casa?
- 31:47SPEAKER_00: Foi contigo?
- 31:48SPEAKER_00: Não foi?
- 31:48SPEAKER_00: Então, resumo-te à tua insignificância de humano pateta, como todos nós somos.
- 31:55SPEAKER_00: Pelo amor da Deusa.
- 31:57SPEAKER_00: É um ranço que eu tenho disto.
- 32:02SPEAKER_00: E até dentro da própria espiritualidade,
- 32:06SPEAKER_00: sem ser as religiosidades ou as religiões mais estruturadas,
- 32:11SPEAKER_00: Vamos estar a falar de falta de tolerância das pessoas, dos integrantes.
- 32:16SPEAKER_00: É sempre esta batalhazinha que até chateia tanta garrinha, tanta merdinha.
- 32:25SPEAKER_00: Eu quero lá saber.
- 32:26SPEAKER_00: O que é que tu fazes?
- 32:27SPEAKER_00: Faz a merda que tens que fazer, cara.
- 32:29SPEAKER_00: Se quiseres trabalhar com caca de ser humano, trabalha com xixi, trabalha com xixi.
- 32:35SPEAKER_00: Foste pedir xixi nos mendigos, olha, ótimo, é a tua prática.
- 32:41SPEAKER_00: É isso.
- 32:42SPEAKER_00: Eu não quero saber.
- 32:47SPEAKER_00: Socorro.
- 32:47SPEAKER_00: Bem, vamos tentar acalmar agora um bocadinho.
- 32:51SPEAKER_00: Eu não sei se deu para perceber aqui o meu ponto, não é?
- 32:55SPEAKER_00: Porque é sempre esta tentativa de querer-se mostrar maior ou melhor ou mais poderoso
- 33:03SPEAKER_00: do que o outro.
- 33:05SPEAKER_00: É uma coisa impressionante.
- 33:06SPEAKER_00: Parece que não tem mais nada para fazer da vida.
- 33:09SPEAKER_00: Eu tenho que mostrar,
- 33:10SPEAKER_00: e ainda há pouco,
- 33:12SPEAKER_00: antes de me começar aqui a preparar para gravar o episódio e tal,
- 33:16SPEAKER_00: estava eu a ver aqui um bruxo também,
- 33:20SPEAKER_00: do TikTok, que eu acompanho e não acompanho tantos por causa disto.
- 33:24SPEAKER_00: Quando começo a falar muito sobre tretas, eu escolho não assistir porque irrita-me, nerva-me.
- 33:32SPEAKER_00: Eu não sou propriamente uma...
- 33:35SPEAKER_00: Eu posso parecer calminha, não sou, tá?
- 33:38SPEAKER_00: Não sou,
- 33:39SPEAKER_00: eu sou uma pessoa com,
- 33:40SPEAKER_00: ou uma bruxa,
- 33:42SPEAKER_00: com algumas coisas,
- 33:44SPEAKER_00: lá está,
- 33:44SPEAKER_00: porque o nosso caminho solitário vai nos trazer esta,
- 33:50SPEAKER_00: as nossas crenças, aquilo em que acreditamos está muito, está muito forte.
- 33:56SPEAKER_00: Portanto,
- 33:56SPEAKER_00: há algumas coisas éticas,
- 33:57SPEAKER_00: morais e tudo mais que está muito firme,
- 34:01SPEAKER_00: princípios, valores que eu tenho muito definidos, que faz parte da minha prática.
- 34:05SPEAKER_00: Então há determinadas coisas que não me interessam para nada Eu não vejo,
- 34:10SPEAKER_00: não assisto futebol,
- 34:11SPEAKER_00: não quero saber sobre celebridades,
- 34:12SPEAKER_00: porque não me faz nada, eu não ganho dinheiro com isso.
- 34:15SPEAKER_00: Eu não ganho dinheiro, eu não sou a melhor pessoa por causa disso.
- 34:20SPEAKER_00: Então são coisas que não me interessam porque eu simplesmente não
- 34:26SPEAKER_00: Não me acrescenta em nada.
- 34:29SPEAKER_00: Não facilita a minha vida.
- 34:30SPEAKER_00: É isso que eu quero dizer.
- 34:30SPEAKER_00: Não facilita a minha vida.
- 34:32SPEAKER_00: Só me atrapalha.
- 34:33SPEAKER_00: Só estou preocupada como se eu quisesse ver problemas dos outros que eu não tenho
- 34:38SPEAKER_00: como sequer ajudar em nada.
- 34:42SPEAKER_00: Mas isto à parte, eu posso parecer um bocadinho calma.
- 34:47SPEAKER_00: Se calhar a maioria dos vídeos e tal, eu não sou assim tão calma em relação a alguns assuntos.
- 34:53SPEAKER_00: Às vezes eu evito de conversar porque eu exalto-me.
- 34:56SPEAKER_00: Só um bocadinho, só um bocadinho.
- 35:00SPEAKER_00: Então, essa tentativa sempre de eu sou o mago tal,
- 35:04SPEAKER_00: eu sou o bruxo não sei das quantas,
- 35:06SPEAKER_00: eu sou sacerdotista não sei o quê,
- 35:07SPEAKER_00: eu trabalho com as esferas, mas...
- 35:10SPEAKER_00: Irritante isso,
- 35:11SPEAKER_00: é uma falta de tolerância que existe com a prática do outro,
- 35:14SPEAKER_00: porque eu não tenho que trabalhar com essas esferas,
- 35:16SPEAKER_00: nem sou menos poderosa do que o outro.
- 35:20SPEAKER_00: Se eu tenho que fazer determinadas coisas,
- 35:22SPEAKER_00: malabarismos,
- 35:23SPEAKER_00: para ter evidência,
- 35:24SPEAKER_00: não sei o quê,
- 35:25SPEAKER_00: ou para abrir a clarividência, ou para abrir a mediunidade, eu não sei, não é?
- 35:31SPEAKER_00: Para mim,
- 35:32SPEAKER_00: a espiritualidade é muito simples,
- 35:36SPEAKER_00: ou deveria ser mais simples do que tanta cangalhada que é necessária,
- 35:40SPEAKER_00: porque hoje em dia nós vivemos numa era moderna.
- 35:43SPEAKER_00: Nós não vivemos antes,
- 35:46SPEAKER_00: em séculos para trás, em que tínhamos de fazer iniciações, uma série de iniciações.
- 35:51SPEAKER_00: Isso não é necessário mais.
- 35:56SPEAKER_00: E ainda assim temos um monte de gente sempre na cagação de regras,
- 35:59SPEAKER_00: que querem fugir do catolicismo ou das religiões mais estruturadas e continuam
- 36:03SPEAKER_00: a cagar regras.
- 36:06SPEAKER_00: Enfim, agora,
- 36:09SPEAKER_00: um outro ponto Tem a ver com a tentação,
- 36:11SPEAKER_00: porque eu tenho que avançar, porque senão vou-me continuar a exaltar.
- 36:15SPEAKER_00: Um outro ponto tem a ver com a tentação de integrar um coven para fugir à solidão.
- 36:21SPEAKER_00: Portanto,
- 36:21SPEAKER_00: a solidão,
- 36:22SPEAKER_00: às vezes é assim,
- 36:24SPEAKER_00: é facto que muitas vezes a bruxaria,
- 36:27SPEAKER_00: o caminho é cansativo,
- 36:28SPEAKER_00: não necessariamente pela prática da bruxaria,
- 36:30SPEAKER_00: mas pelo facto que nós estamos sempre a remar contra a maré.
- 36:33SPEAKER_00: Não sei se vos acontece,
- 36:34SPEAKER_00: a mim acontece,
- 36:36SPEAKER_00: que muitas vezes eu quero não pensar Não pensar porque quem diz que ser bruxa
- 36:42SPEAKER_00: ou quem diz que estar na espiritualidade não é política, é.
- 36:46SPEAKER_00: Porque o simples facto de nós sermos mulheres e bruxas, não é, já é política.
- 36:53SPEAKER_00: Então, às vezes é muito cansativo estarmos sempre a remar contra a maré,
- 36:58SPEAKER_00: temos que explicar que não temos que explicar, mas às vezes sim.
- 37:02SPEAKER_00: É cansativo.
- 37:04SPEAKER_00: É cansativo ter que esconder,
- 37:05SPEAKER_00: é cansativo Qualquer pessoa que tenha que esconder a sua essência,
- 37:09SPEAKER_00: isto agora para qualquer área, é cansativo.
- 37:13SPEAKER_00: Então, muitas vezes,
- 37:15SPEAKER_00: e eu sendo uma bruxa solitária,
- 37:18SPEAKER_00: o meu caminho é muito mais solitário do que uma pessoa que está numa tradição,
- 37:23SPEAKER_00: porque eu não converso com uma comunidade, eu não tenho...
- 37:30SPEAKER_00: Na minha casa,
- 37:31SPEAKER_00: por exemplo,
- 37:31SPEAKER_00: não tenho ninguém que queira praticar comigo,
- 37:33SPEAKER_00: não tenho ninguém que queira fazer os rituais comigo,
- 37:35SPEAKER_00: não tenho ninguém com quem conversar porque as pessoas estão se cagando para isso,
- 37:39SPEAKER_00: não é?
- 37:39SPEAKER_00: Então, na minha casa que eu digo família, família, família mais íntima, não é?
- 37:45SPEAKER_00: Não tenho ninguém, certo?
- 37:47SPEAKER_00: Então, às vezes é cansativo o facto de não se ter ninguém e o que é que acontece
- 37:52SPEAKER_00: que às vezes nós confundimos cansaço,
- 37:57SPEAKER_00: Ou a necessidade de termos alguém para partilhar estes devaneios, não é?
- 38:02SPEAKER_00: Podemos confundir com a solidão.
- 38:04SPEAKER_00: Então, a minha sugestão é,
- 38:06SPEAKER_00: às vezes é necessário descansar,
- 38:07SPEAKER_00: às vezes é necessário tacar o...
- 38:09SPEAKER_00: mandar tudo para... para a PQP, para o caram, e o resto, e descansar.
- 38:20SPEAKER_00: Lógico, tem coisas que não...
- 38:23SPEAKER_00: Porque lá está,
- 38:24SPEAKER_00: para mim a bruxaria é muito intrínseca à vivência,
- 38:28SPEAKER_00: é muito intrínseca ao meu dia-a-dia,
- 38:29SPEAKER_00: não é tanto aqueles rituais dramáticos, mas é a prática de coisinhas do dia-a-dia.
- 38:34SPEAKER_00: Numa escolha de roupa,
- 38:36SPEAKER_00: numa escolha de cor da roupa,
- 38:37SPEAKER_00: na forma,
- 38:38SPEAKER_00: por exemplo,
- 38:39SPEAKER_00: que eu vou levar um penteado,
- 38:41SPEAKER_00: ou que eu vou colocar alguma coisa no cabelo,
- 38:43SPEAKER_00: porque sei lá,
- 38:44SPEAKER_00: estou menstruada e sinto que tenho que fazer uma proteção maior, alguma coisa assim.
- 38:52SPEAKER_00: Então mesmo que eu queira descansar,
- 38:53SPEAKER_00: há coisinhas do dia-a-dia que eu não consigo deixar de fazer.
- 38:58SPEAKER_00: Eu gostava de ter esse botão, desligar e só ser ignorante no mundo físico.
- 39:03SPEAKER_00: Não ter acesso a mais nada, não me preocupar com mais nada.
- 39:07SPEAKER_00: Viver de forma mais só com o mundano e não me preocupar com mais nada,
- 39:13SPEAKER_00: com os rituais, com a lua.
- 39:19SPEAKER_00: Mas o facto é que às vezes É isso,
- 39:22SPEAKER_00: às vezes eu não quero falar sobre,
- 39:23SPEAKER_00: às vezes eu não quero pensar nada sobre,
- 39:25SPEAKER_00: posso fazer algumas coisinhas que estão mais...
- 39:29SPEAKER_00: que já são hábitos do meu dia a dia, mas às vezes é só descansar, de facto.
- 39:35SPEAKER_00: Porque às vezes nós vamos querer fugir para um grupo que nos vai moldar,
- 39:41SPEAKER_00: que nos vai...
- 39:42SPEAKER_00: e às vezes isso faz parte até do próprio caminho,
- 39:44SPEAKER_00: entrar no grupo, que aconteceu várias vezes, eu já percebi que não...
- 39:49SPEAKER_00: Eu gosto de,
- 39:50SPEAKER_00: por exemplo,
- 39:51SPEAKER_00: estudar,
- 39:52SPEAKER_00: pode ser como professor,
- 39:54SPEAKER_00: porque eu não os considero como mestres,
- 39:55SPEAKER_00: mas professores,
- 39:57SPEAKER_00: em que vão dizer, sobre esta temática, a parte técnica, é isto, é isto, é isto.
- 40:01SPEAKER_00: Ok, eu adapto à minha realidade,
- 40:03SPEAKER_00: ao que eu entendo,
- 40:04SPEAKER_00: vou estudar aqui,
- 40:05SPEAKER_00: vou estudar lá sobre essa mesma temática e vou adaptando para a minha realidade.
- 40:10SPEAKER_00: Mas eu entendo que seja, que às vezes é tentador, quando nós não temos, não é?
- 40:16SPEAKER_00: Porque até nós próprios criarmos um calendário de estudo nosso,
- 40:20SPEAKER_00: é cansativo, porque temos que estar sempre, o que é que eu estudo agora?
- 40:23SPEAKER_00: O que é que eu estudo agora?
- 40:24SPEAKER_00: Às vezes é mais fácil termos,
- 40:27SPEAKER_00: ou pode ser mais fácil nós termos alguma coisa,
- 40:29SPEAKER_00: um programa já preparado e pronto, vai por este caminho e faz assim e assim.
- 40:35SPEAKER_00: Pode até ser mais fácil,
- 40:36SPEAKER_00: mas uma vez que Nós estamos na bruxaria e às vezes pode fazer parte o caminho
- 40:42SPEAKER_00: de vou experimentar este grupo para ver se de facto eu me integro neste grupo,
- 40:49SPEAKER_00: porque às vezes pode acontecer também.
- 40:51SPEAKER_00: Eu sou bruxa e posso às vezes experimentar esta tradição não gostar,
- 40:57SPEAKER_00: aquela tradição não gostar,
- 40:58SPEAKER_00: aquela tradição não gostar e chegar a uma,
- 41:00SPEAKER_00: olha, gostei, vou ficar aqui por uns tempos e depois sair.
- 41:03SPEAKER_00: Não é?
- 41:03SPEAKER_00: Pronto.
- 41:04SPEAKER_00: Também pode acontecer e está tudo certo, é o caminho.
- 41:07SPEAKER_00: Agora, Para finalizarmos e não acharem que é tudo péssimo,
- 41:12SPEAKER_00: não acharem que é tudo doido e venas como eu, não
- 41:17SPEAKER_00: Mas algumas coisas,
- 41:19SPEAKER_00: alguns pontos que eu listei aqui sobre o que é que uma bruxa solitária,
- 41:24SPEAKER_00: o facto de ser bruxa solitária me tem ensinado ao longo dos anos.
- 41:30SPEAKER_00: Isto é assim.
- 41:32SPEAKER_00: Eu acabo por ter mais crítica em relação aos outros colegas,
- 41:37SPEAKER_00: mestres, gurus, a quem se intitula e também a questionar mais sobre tradições.
- 41:42SPEAKER_00: Portanto,
- 41:42SPEAKER_00: eu tenho um pensamento crítico mais forte ou mais analista,
- 41:49SPEAKER_00: digamos assim,
- 41:50SPEAKER_00: e às vezes isso também pode ser uma dificuldade de me deixar levar
- 41:54SPEAKER_00: para entender aquela tradição.
- 41:56SPEAKER_00: Pode, mas...
- 41:58SPEAKER_00: Eu falei,
- 41:58SPEAKER_00: eu disse,
- 41:59SPEAKER_00: eu sou observadora,
- 42:00SPEAKER_00: portanto,
- 42:01SPEAKER_00: normalmente quando eu entro nas tradições ou em algum grupo ou assim,
- 42:07SPEAKER_00: eu não sou propriamente a pessoa que vai para falar nos comentários
- 42:12SPEAKER_00: ou vai fazer muitas questões.
- 42:13SPEAKER_00: Normalmente eu estou ali,
- 42:14SPEAKER_00: observo,
- 42:16SPEAKER_00: vejo as aulas,
- 42:17SPEAKER_00: o que tenho a dizer,
- 42:18SPEAKER_00: ou as outras pessoas vão falando,
- 42:20SPEAKER_00: eu estou ali,
- 42:20SPEAKER_00: só estou ali como um fantasma, vou vendo, eu já estou sempre a observar.
- 42:27SPEAKER_00: Se eu me sinto ou quando eu me sinto à vontade,
- 42:30SPEAKER_00: eu posso conversar, eu posso falar, posso questionar, não é?
- 42:34SPEAKER_00: Pronto, mas eu tenho mais esta característica.
- 42:36SPEAKER_00: Então eu desenvolvi este pensamento crítico em relação aos outros mestres,
- 42:46SPEAKER_00: gurus, enfim, e também muito questionadora relativamente a tradições.
- 42:54SPEAKER_00: Então, normalmente eu apanho aquilo que tem lógica ou não.
- 42:59SPEAKER_00: Isso não significa que eu também não tenha coisas que não têm lógica
- 43:03SPEAKER_00: na minha crença, naquilo que eu acredito, não é?
- 43:06SPEAKER_00: Mas normalmente eu apanho aquilo que para mim não faz muito sentido ou não tem muita lógica.
- 43:11SPEAKER_00: Isto não tem sentido, não tem lógica nenhuma.
- 43:14SPEAKER_00: Outra coisa aqui é distinguir o cansaço da fuga.
- 43:17SPEAKER_00: Portanto, às vezes, é o que eu disse.
- 43:19SPEAKER_00: É cansativo e às vezes acontece de eu questionar.
- 43:25SPEAKER_00: Isso também é um outro ponto em que eu estou à vontade para questionar as minhas crenças.
- 43:31SPEAKER_00: Então, houve aqui uma altura em que eu acreditei muito no karma.
- 43:35SPEAKER_00: Muito no karma porque lá está, na transição de quem
- 43:43SPEAKER_00: A transição de quem vem ou de quem está inserido num catolicismo tem muita crença
- 43:47SPEAKER_00: em relação a muita coisa, então nós vamos desconstruindo.
- 43:51SPEAKER_00: E eu vinha a perceber algumas coisas relacionadas com o karma, não é?
- 43:58SPEAKER_00: Com a questão do karma.
- 44:00SPEAKER_00: E nessa transição eu percebi, não é?
- 44:05SPEAKER_00: Percebi que eu sou livre de questionar, revisitar crenças, livre para rever conceitos.
- 44:13SPEAKER_00: Então isso também é um dos pontos.
- 44:14SPEAKER_00: A partir do momento em que eu consigo distinguir o cansaço da fuga,
- 44:20SPEAKER_00: portanto,
- 44:21SPEAKER_00: quando eu distingo isso,
- 44:22SPEAKER_00: que eu estou cansada e não é necessariamente vou me juntar a uma tradição qualquer,
- 44:28SPEAKER_00: porque é mais fácil,
- 44:30SPEAKER_00: eu consigo perceber,
- 44:31SPEAKER_00: ok, veja, eu estou cansada porque é do que é que eu estou cansada, exatamente.
- 44:34SPEAKER_00: E vou lá e faço a minha revisita à crença.
- 44:39SPEAKER_00: Portanto,
- 44:39SPEAKER_00: muitas vezes,
- 44:41SPEAKER_00: Eu tenho sérios questionamentos,
- 44:43SPEAKER_00: aqui há umas semanas estava com
- 44:45SPEAKER_00: um sério questionamento relativamente à minha prática, a minha prática, enfim.
- 44:54SPEAKER_00: Então eu consigo distinguir o cansaço quando eu estou cansada de remar contra a maré
- 45:00SPEAKER_00: e quando eu quero fugir disso.
- 45:03SPEAKER_00: Então eu consigo distinguir mais, é mais fácil.
- 45:08SPEAKER_00: Outra coisa que se desenvolve é a autoconfiança,
- 45:10SPEAKER_00: muito forte,
- 45:11SPEAKER_00: portanto,
- 45:12SPEAKER_00: na minha própria crença,
- 45:13SPEAKER_00: e não quer dizer que a minha crença esteja certa,
- 45:15SPEAKER_00: atenção, mas eu acabo por criar toda uma cosmovisão muito própria.
- 45:21SPEAKER_00: Então, eu tenho muito firme e também não quer dizer
- 45:26SPEAKER_00: que eu não possa revisitar essa cosmovisão e que possa,
- 45:29SPEAKER_00: olha, isto já não faz sentido, vou para outro lado qualquer, ok?
- 45:33SPEAKER_00: Mas acabo por ter essa liberdade.
- 45:37SPEAKER_00: E por ter essa autoconfiança de isto faz sentido para mim,
- 45:41SPEAKER_00: porque isto vai ao encontro com a minha idealização do que quer que seja
- 45:46SPEAKER_00: a espiritualidade.
- 45:48SPEAKER_00: Então, sou livre para rever conceitos e crenças e também a minha cosmovisão e também eu aprendi
- 45:58SPEAKER_00: A confiar muito na minha primeira impressão, isto para tudo.
- 46:01SPEAKER_00: Portanto,
- 46:01SPEAKER_00: seja de pessoas,
- 46:04SPEAKER_00: essa leitura que eu faço da pessoa,
- 46:06SPEAKER_00: que eu não sei muito bem descrever como é que faço isso,
- 46:10SPEAKER_00: mas há uma leitura que eu faço da pessoa,
- 46:12SPEAKER_00: isso também verifica-se nos trabalhos,
- 46:16SPEAKER_00: nas consultas, verifica-se aí, há uma primeira impressão.
- 46:22SPEAKER_00: Que eu tenho da pessoa.
- 46:24SPEAKER_00: Toda a gente tem primeiras impressões, mas há uma leitura ali que eu faço na primeira impressão.
- 46:28SPEAKER_00: E muitas vezes eu ignorei essa impressão.
- 46:30SPEAKER_00: Por quê?
- 46:32SPEAKER_00: Para agradar, porque socialmente aceitei isto e assim, assim, assim.
- 46:37SPEAKER_00: Outra coisa que tem a ver com...
- 46:39SPEAKER_00: Isto tem a ver especificamente,
- 46:41SPEAKER_00: por exemplo,
- 46:41SPEAKER_00: com apanhar os feitiços e os rituais de outros,
- 46:44SPEAKER_00: é improvisar e adaptar rituais,
- 46:48SPEAKER_00: feitiços e modos de viver, modos de se fazerem as coisas...
- 46:53SPEAKER_00: Eu acabo por improvisar ou adaptar rituais.
- 46:57SPEAKER_00: E, muitas vezes,
- 46:59SPEAKER_00: eu gosto muito de trabalhar,
- 47:02SPEAKER_00: já falei,
- 47:03SPEAKER_00: de ter os meus rituais diários,
- 47:04SPEAKER_00: os meus hábitos diários dentro da bruxaria, ou relacionados com a bruxaria.
- 47:10SPEAKER_00: E, muitas vezes,
- 47:11SPEAKER_00: a maioria dos meus rituais não são dramáticos,
- 47:13SPEAKER_00: nem muito pomposos, nem, ah,
- 47:15SPEAKER_00: vou ver o planeta XPTO que vai estar no dia, assim, tenho que ir para este lugar.
- 47:21SPEAKER_00: A mim é muito prático.
- 47:23SPEAKER_00: É muito, ó, eu preciso fazer este corte de laços assim.
- 47:26SPEAKER_00: O que é que eu tenho aqui para fazer o corte de laços?
- 47:27SPEAKER_00: Tenho isto, isto e isto.
- 47:28SPEAKER_00: Ok, então vou fazer o corte de laços.
- 47:30SPEAKER_00: Às vezes calha de eu esperar até a lua minguante, ou uma lua negra.
- 47:35SPEAKER_00: Outras vezes não.
- 47:36SPEAKER_00: Outras vezes é que eu preciso fazer isto agora,
- 47:38SPEAKER_00: vou fazer e que se lixe, que eu ia dizer o palavrão, não é?
- 47:42SPEAKER_00: Que se lixe se está na lua ou não está na lua propícia,
- 47:45SPEAKER_00: ou se não sei o quê, não sei o quê, pronto.
- 47:47SPEAKER_00: Então eu tenho um bocadinho disto.
- 47:50SPEAKER_00: Não me prendo.
- 47:51SPEAKER_00: Há uma temática que perdeu sentido e isto vem no conjunto de ser livre
- 47:56SPEAKER_00: para rever conceitos e crenças.
- 47:58SPEAKER_00: Portanto,
- 47:59SPEAKER_00: normalmente eu quando começo a estudar alguma coisa,
- 48:01SPEAKER_00: ah, eu tenho interesse em estudar cabala.
- 48:02SPEAKER_00: Isto aconteceu, não é?
- 48:03SPEAKER_00: Eu tenho interesse em estudar cabala, quero estudar cabala, vou estudar cabala.
- 48:06SPEAKER_00: Comecei a estudar cabala, comprei livros e não sei o quê e comecei no primeiro livro.
- 48:11SPEAKER_00: Não gosto muito disto, não estou a achar muita piada a isto.
- 48:16SPEAKER_00: Pronto, isso não se larguei, não fui aprofundar sobre.
- 48:21SPEAKER_00: Isso não significa que eu não vá fazer,
- 48:23SPEAKER_00: ou que eu não vá estudar daqui a dois meses, ou dois anos, ou daqui a dez anos.
- 48:27SPEAKER_00: Significa que neste momento não fez sentido.
- 48:30SPEAKER_00: Só isso, só significa isso.
- 48:32SPEAKER_00: Então eu não me forço a estudar uma coisa que não me faz sentido para mim, ou que eu não quero.
- 48:39SPEAKER_00: Autovalização sem esperar do exterior,
- 48:41SPEAKER_00: portanto,
- 48:43SPEAKER_00: isto é um debate que eu tive aqui há uns tempos,
- 48:47SPEAKER_00: comigo própria,
- 48:48SPEAKER_00: que foi nessa questão de Eu tenho que ter iniciações
- 48:52SPEAKER_00: para ser considerada sacerdotisa.
- 48:54SPEAKER_00: E a minha questão é, eu quero ser sacerdotisa porquê?
- 48:58SPEAKER_00: Para quê?
- 48:59SPEAKER_00: Para ter nome?
- 49:00SPEAKER_00: Porque eu sendo bruxa solitária,
- 49:03SPEAKER_00: eu não tenho propriamente lá estar,
- 49:05SPEAKER_00: eu não tenho uma tradição,
- 49:06SPEAKER_00: não tenho uma escola, não tenho uma comunidade, nada disso.
- 49:09SPEAKER_00: O que acontece é que muito provavelmente eu também não sou convidada para círculos,
- 49:14SPEAKER_00: porque normalmente eu não pertenço, não faço parte de comunidades, não é?
- 49:18SPEAKER_00: Então não sou convidada para círculos,
- 49:20SPEAKER_00: eu não sou convidada para eventos,
- 49:22SPEAKER_00: ou lógico,
- 49:23SPEAKER_00: os que eu pago e quero ir, vou,
- 49:24SPEAKER_00: mas não sou convidada,
- 49:26SPEAKER_00: não sou convidada para podcasts,
- 49:28SPEAKER_00: não é também quem é que eu sou, uma conta no oceano, por amor, da deusa.
- 49:33SPEAKER_00: Enfim, mas tem esta questão, ou este, não é bem um contra, mas para alguns pode ser, não é?
- 49:44SPEAKER_00: Na comunidade ocultista eu não sou conhecida.
- 49:47SPEAKER_00: Quem é ela?
- 49:50SPEAKER_00: Ninguém.
- 49:51SPEAKER_00: Às vezes até melhor.
- 49:53SPEAKER_00: Muitas vezes eu aprendi a agir sem certezas.
- 50:00SPEAKER_00: Embora eu tenha muitas certezas, eu não tenho todas as certezas.
- 50:03SPEAKER_00: Eu tenho muitas dúvidas, até tenho mais dúvidas que outra coisa.
- 50:07SPEAKER_00: Então, eu vou fazer,
- 50:09SPEAKER_00: vou fazendo,
- 50:09SPEAKER_00: mesmo que isto não seja,
- 50:11SPEAKER_00: que não tenha a certeza se é assim ou se não é, eu faço algum ritual.
- 50:16SPEAKER_00: Este ritual já teve uns anos, já tenho uns anos.
- 50:20SPEAKER_00: Era um ritual coletivo, na altura que eu fazia os rituais coletivos.
- 50:27SPEAKER_00: E eu tinha preparado todo um ritual para fazer,
- 50:32SPEAKER_00: a receitazinha tal que eu tinha, preparação Dias antes, semanas antes, não é?
- 50:39SPEAKER_00: Entretanto,
- 50:40SPEAKER_00: na hora de fazer o ritual,
- 50:42SPEAKER_00: no dia anterior ou no próprio dia de fazer o ritual,
- 50:45SPEAKER_00: eu senti que deveria substituir a fruta.
- 50:50SPEAKER_00: A fruta que eu iria atualizar, eu deveria substituir.
- 50:53SPEAKER_00: Eu não percebi porquê,
- 50:54SPEAKER_00: porque em lado algum eu li sobre aquela fruta para aquele tipo de trabalho
- 50:59SPEAKER_00: que estava a ser feito.
- 51:02SPEAKER_00: Portanto, era um ritual feito, pensado, estruturado.
- 51:06SPEAKER_00: Aí eu pensei, ok, estou a substituir, não é?
- 51:09SPEAKER_00: Já que estou a substituir, vou substituir.
- 51:12SPEAKER_00: Lá fui eu ao supermercado ver se arranjava o raio da fruta.
- 51:15SPEAKER_00: Arranjei a fruta, substituí.
- 51:17SPEAKER_00: Depois é que eu fui pesquisar sobre essa fruta específica
- 51:21SPEAKER_00: porque não é habitual eu trabalhar com essa fruta nos trabalhos, não é?
- 51:27SPEAKER_00: Porque não faz muito, não integra muito.
- 51:29SPEAKER_00: A partir desse momento integrou, não é?
- 51:32SPEAKER_00: Então fui descobrir Que fazia todo sentido estar naquele ritual.
- 51:38SPEAKER_00: Então, eu mesmo sem ter a certeza,
- 51:41SPEAKER_00: mesmo às vezes sem saber,
- 51:43SPEAKER_00: ou sem ter,
- 51:43SPEAKER_00: lá está, ouvido,
- 51:45SPEAKER_00: o sacerdote,
- 51:46SPEAKER_00: a sacerdotisa,
- 51:47SPEAKER_00: a chispeteó,
- 51:47SPEAKER_00: porque tem mais conhecimento,
- 51:48SPEAKER_00: tem 30 anos de experiência,
- 51:52SPEAKER_00: eu não estou a deixar de lado a experiência,
- 51:54SPEAKER_00: atenção,
- 51:54SPEAKER_00: ela é importante,
- 51:56SPEAKER_00: mas às vezes muitos, muitos, muitos, muitos,
- 52:01SPEAKER_00: Tenho a tendência de dizer,
- 52:02SPEAKER_00: mas tu estás a duvidar da minha palavra, eu tenho 30 anos.
- 52:05SPEAKER_00: Como se isso fosse determinante,
- 52:13SPEAKER_00: dá para perceber,
- 52:13SPEAKER_00: como se fosse determinante para definir que ele está certo,
- 52:17SPEAKER_00: ele ou ela,
- 52:18SPEAKER_00: estão certos e tu não,
- 52:20SPEAKER_00: porque tu começaste agora há um ano,
- 52:23SPEAKER_00: ou começaste há um mês,
- 52:25SPEAKER_00: então eles estão certos, ignorando completamente a tua própria vivência.
- 52:31SPEAKER_00: Enfim, sei que isto também pode ser polémico, mas pronto.
- 52:34SPEAKER_00: Uma outra coisa, portanto, a partir do momento em que eu vou agir sem certezas, não é?
- 52:39SPEAKER_00: Portanto,
- 52:40SPEAKER_00: eu não tenho certeza das coisas que eu vou fazendo para ver se faz ou não sentido
- 52:45SPEAKER_00: para mim,
- 52:47SPEAKER_00: eu aprendo também a lidar com o erro,
- 52:50SPEAKER_00: que é algo que na minha criação,
- 52:53SPEAKER_00: portanto,
- 52:53SPEAKER_00: dos meus pais e na família nos tem inserida,
- 52:57SPEAKER_00: mas principalmente na dinâmica com a minha mãe,
- 53:02SPEAKER_00: A minha mãe tem um feitiço, um bocadito, um bocadito, complicado, tá?
- 53:07SPEAKER_00: Assim complicado que é para não falar, ela tem traços de personalidade narcisista.
- 53:13SPEAKER_00: Portanto, não estou a falar disso por estar na moda agora, isso.
- 53:15SPEAKER_00: Estou a falar porque eu, sou acompanhada, faço terapia por causa disso.
- 53:20SPEAKER_00: Portanto, é o que temos.
- 53:23SPEAKER_00: Então...
- 53:25SPEAKER_00: Há uma parte de perfeição,
- 53:26SPEAKER_00: de perfeccionismo que ficou muito incutido, tanto comigo como com a minha irmã.
- 53:34SPEAKER_00: E ela não sei como é que ela lida com isso internamente,
- 53:38SPEAKER_00: não deve sequer refletir sobre isso pelo comportamento que ela tem,
- 53:43SPEAKER_00: que eu vejo que é muito semelhante ao comportamento da minha mãe, não é?
- 53:47SPEAKER_00: E se há uma coisa que
- 53:52SPEAKER_00: antes de fazer eu tinha que ter tudo perfeito,
- 53:55SPEAKER_00: tinha que ser tudo perfeito e eu vejo nos conteúdos que publico aqui,
- 53:58SPEAKER_00: eu vejo e estou a lidar com isso,
- 54:02SPEAKER_00: que é lidar com o erro,
- 54:04SPEAKER_00: lidar que às vezes as coisas não vão ser perfeitas,
- 54:07SPEAKER_00: começar as coisas sem elas estarem perfeitas,
- 54:11SPEAKER_00: porque senão nunca mais saem do papel, porque nunca vai estar nada perfeito.
- 54:14SPEAKER_00: Então, eu fui aprendendo a lidar com o erro também.
- 54:18SPEAKER_00: Portanto,
- 54:18SPEAKER_00: às vezes vou errar,
- 54:19SPEAKER_00: às vezes as coisas não vão ocorrer como eu esperava no feitiço,
- 54:22SPEAKER_00: às vezes porque qualquer coisa que normalmente é a minha atenção, não é?
- 54:27SPEAKER_00: Que falha ali.
- 54:31SPEAKER_00: Enfim, mas às vezes é isto, não é?
- 54:34SPEAKER_00: Uma pessoa tem que aprender a lidar que nós vamos errar e é no erro que se aprende,
- 54:38SPEAKER_00: não é nos acertos, é no erro, é com os erros.
- 54:41SPEAKER_00: Portanto,
- 54:43SPEAKER_00: por fim,
- 54:44SPEAKER_00: Há também aqui a paciência com o meu próprio ritmo,
- 54:46SPEAKER_00: as pessoas não são todas iguais,
- 54:48SPEAKER_00: nós já sabemos isso,
- 54:49SPEAKER_00: portanto as pessoas não têm as mesmas 24 horas,
- 54:53SPEAKER_00: embora digam que têm,
- 54:54SPEAKER_00: mas não têm,
- 54:55SPEAKER_00: tem muitos, muitos,
- 54:57SPEAKER_00: variedíssimos fatores que vão Ditar como é que tu vais definir o teu dia e como
- 55:02SPEAKER_00: que tu vais fazer as coisas e vais trabalhar, não é?
- 55:07SPEAKER_00: Portanto, paciência com o nosso próprio ritmo.
- 55:10SPEAKER_00: Portanto,
- 55:10SPEAKER_00: aqui não pode haver a comparação com outros caminhos,
- 55:13SPEAKER_00: embora com as redes sociais, às vezes isso acontece.
- 55:17SPEAKER_00: E às vezes isso pode ser um gatilho, um estímulo para nós queremos fugir.
- 55:24SPEAKER_00: O facto de sermos solitários e queremos participar de um grupo,
- 55:28SPEAKER_00: isso pode ser motivo também, a comparação.
- 55:32SPEAKER_00: E por fim, obviamente, tenho aqui a gestão do meu próprio calendário espiritual.
- 55:35SPEAKER_00: Portanto, eu faço e desfaço.
- 55:38SPEAKER_00: Hoje eu quero uma coisa, amanhã posso não querer.
- 55:41SPEAKER_00: Eu mando e desmando.
- 55:43SPEAKER_00: Não é?
- 55:44SPEAKER_00: E é isso.
- 55:45SPEAKER_00: Se me aparecer um daimon na minha frente, aparece-me um anjo.
- 55:49SPEAKER_00: Aparece-me um anjo.
- 55:50SPEAKER_00: E é isso.
- 55:51SPEAKER_00: E eu tenho de ter capacidade para lidar com isso.
- 55:54SPEAKER_00: Não é?
- 55:55SPEAKER_00: Espero que tenhas gostado e eu vejo-te no próximo episódio.