Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 67 - O PREÇO DA REDE DE APOIO, Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00E quando a ajuda vem, mas ela não vem do jeito que a gente
- 0:03espera. O que é que vale a pena a gente
- 0:06flexibilizar em nome da nossa paz de espírito?
- 0:14E como que a gente constrói rede de apoio?
- 0:17Que seja rede de apoio mesmo, né não?
- 0:19Negócio que atrapalha mais do que ajuda.
- 0:21Aceita o chá de coragem. Ei, elisama, tudo bem?
- 0:36Queria um conselho sobre a relação com a minha mãe.
- 0:39Como você diz, é sempre complicado porque o mundo todo
- 0:42naturaliza muitas violências sofridas dentro da família, né?
- 0:46O que acontece é o seguinte, eu tenho uma filha de 4 anos.
- 0:50Minha mãe e meu pai compreendem sobre a educação respeitosa, por
- 0:53tudo que eu falei com eles e agora com uma voz, são ainda
- 0:57mais carinhosos e respeitosos que jamais foram com a minha
- 1:00filha. Porém, é difícil para eles
- 1:03aplicarem o mesmo respeito comigo, principalmente minha
- 1:07mãe, que julgo algumas de nossas atitudes, como sair com amigos e
- 1:10levar nossa filha onde dê crianças na mesma idade.
- 1:13Está seguras, se divertindo? Minha questão de tentar dar uma
- 1:16alimentação saudável a ela, pois vive oferecendo doces e me
- 1:19chamando de chata quando eu reclamo.
- 1:22Minha filha tem um sono muito ruim desde bebê.
- 1:25Fazemos de tudo dentro dos limites do respeito a ela, mas
- 1:28demorou muito para estabilizar e um dia, quando ela passou um
- 1:32tempo com meus pais, assistiu muita tela e comeu muitos doces.
- 1:36Teve uma noite péssima e eu não aguentei, surtei e mandei uma
- 1:39mensagem muito brava no grupo da família dizendo que.
- 1:42Se fosse para não respeitar o modo como criamos ela, não
- 1:45iríamos mais passar todo o tempo juntos.
- 1:48Eu sei que não foi o melhor modo de colocar nos limites, mas foi
- 1:51como eu consegui no momento. Depois disso, a gente conversou
- 1:54e melhorou um pouco em relação a isso.
- 1:56Porém, as coisas vão voltando o que era antes, de pouco a pouco.
- 1:59Eu amo muito minha família e convivemos muito tempo juntos.
- 2:03Quase todo final de semana estamos na mesma casa.
- 2:05Ou estamos na casa deles, pois moramos na cidade vizinha, eles
- 2:09são minha rede de apoio, sem isso eu não teria nenhuma saúde
- 2:12mental, mas a falta de respeito a algumas decisões minhas me
- 2:16fazem muito mal. Minha mãe é o tipo de pessoa que
- 2:19não sabe ouvir o que as pessoas têm a dizer, ainda mais a
- 2:22própria filha, o que eu faço, eu amo você, pode ser podcast e
- 2:26tudo que você produz obrigada é minha gente.
- 2:31Quem nunca viveu isso, né? Quem tem filho não viveu, isso é
- 2:33muito privilegiado. Quem tem filho e não viveu essa
- 2:38confusão de eu quero uma coisa, meus pais acham que eu deveria
- 2:40fazer outra, é algo muito surpreendente.
- 2:44E eu acho que a maioria de nós, que tem algum tipo de relação
- 2:46mais próxima com a família, viveu essa diferença de formas
- 2:52de ver a realidade. E a gente vai começar nossa
- 2:55conversa falando de conflito geracional.
- 2:58O que é o conflito geracional? É a forma que cada geração
- 3:02enxerga a realidade, cada geração.
- 3:04Percebe o mundo de uma forma diferente.
- 3:06O que que caracteriza uma geração?
- 3:09O que caracteriza uma geração é mais ou menos AA forma que uma
- 3:13geração. A cultura de uma época não é
- 3:16somente a idade, é aquela cultura naquela época, a forma
- 3:20de de lidar com as coisas naquela época.
- 3:23Tem 11 jeito de existir que caracteriza as gerações.
- 3:28Cada geração é de um jeito, tá? Cada geração encontra e enxerga
- 3:34as coisas de uma forma muito diferente e a gente está vendo
- 3:37as mudanças geracionais assim, eu tenho palestrado muito
- 3:40empresa falando sobre diálogo e eu sempre trago conflito
- 3:43geracional, porque você tem hoje nas empresas, por exemplo, 4
- 3:47gerações trabalhando juntas. A gente tem pessoas vivendo por
- 3:50mais tempo, então com mais tempo é produtivo, entre aspas dentro
- 3:54da empresa. E a gente tem gente chegando
- 3:56muito jovem aqui, está chegando para servir cafezinho?
- 3:58Não amor, está chegando com 3 pós graduações.
- 4:01Para liderar? E aí você botou uma pessoa de 30
- 4:04anos liderando 11 equipe e que tem funcionário com 30 anos da
- 4:10empresa, 30 anos de carreira, e aí fica a pessoa mais jovem
- 4:14pensando, meu Deus, vou ter que lidar com esse dinossauro e a
- 4:17pessoa mais velha pensando, quem é esta criança, pensa que ela é
- 4:21para me ensinar alguma coisa? Vamos trazer esse conflito
- 4:25geracional para dentro da família?
- 4:28A geração que você nasceu é obviamente uma geração diferente
- 4:31da sua mãe, assim como a geração da tua filha, viu, gata?
- 4:34Ou te contar que é assim como a geração da tua filha é uma outra
- 4:37geração que vai fazer de um outro jeito, que a vida
- 4:40acontece, vai olhar pra pro mundo de um outro jeito.
- 4:43Então a gente tá falando aí dos nossos pais, que são pessoas
- 4:46mais velhas ali na faixa dos seus 60, né?
- 4:49A maioria de nós tem os pais aí na faixa de 58, entre 607075,
- 4:54alguns estão com pais com 80. A gente tá aí numa geração. 2
- 4:59gerações, os baby boomers e a geração x, eu acho.
- 5:03E gente, esqueci porque eu sou uma pessoa no climatério e
- 5:06alguns nomes estão sumindo na minha cabeça.
- 5:08Mas enfim, a gente tem essas gerações, uma geração que
- 5:12preserva pela estabilidade, por fazer tudo do jeito que tem que
- 5:15ser feito, por manter as coisas da de uma forma muito segura.
- 5:21Que tinha essa vida de longo prazo, de pensar, quando tiver
- 5:244050 anos, uma geração que não questionava muito o que os que
- 5:29veio antes fez, então tem que ser assim, questionava, mas
- 5:32questionava de um jeito diferente, né?
- 5:34E aí veio os vieram os milênios, nós aqui, o que é que os
- 5:39milênios acham da vida? Os milênios começaram a criticar
- 5:41tudo que o papai e a mamãe faziam, então assim, me deram
- 5:44açúcar, estão errados. Açúcar é um veneno, é um veneno,
- 5:48mata as pessoas. Tudo que eles fizeram, nada
- 5:50errado. A gente tem um pensamento muito
- 5:52diferente, a gente precisa mudar radicalmente.
- 5:55É bem normal, tá gente? Entre uma geração e outra vem
- 5:57uma mudança radical. Não é à toa que pós milênios, o
- 6:00que que a gente tá vendo? A gente tá vendo os ys uma
- 6:03geração y gente, eu tô com a cabeça muito ruim hoje, mas
- 6:09enfim, a geração pós milênios, a gente tá vendo essa geração que
- 6:13tá questionando o os maiores milênios e que tá indo.
- 6:18Pro conservadorismo que tá indo pra ideias que se a gente olha e
- 6:22fala não, mas não é possível o que eles chama em céu, Terra
- 6:25plana, pelo amor de Deus, a gente achou que isso IA
- 6:28acontecer, que a gente já tá discutindo isso hoje.
- 6:30Vacina não funciona, que loucura é essa?
- 6:32Pois é, a gente tá com uma geração que olhou essa geração
- 6:36olha para os millennials e fala aí questionaram tudo dos pais
- 6:39deles, então tudo aí, de olho tremendo, tomando remédio, tudo
- 6:43infeliz, pobre que o pai dele conseguiu, conseguiu comprar
- 6:46casa, tinha um emprego bom. Eles, eles estão mais pobre que
- 6:49os pais deles, fizeram tudo errado, então a gente tem que
- 6:51fazer de outro jeito. Então presta atenção que o seu
- 6:53filho vai questionar você. Essa geração que está vindo aqui
- 6:56é uma geração que está questionando a gente que está
- 6:59vindo, né também. Então, crise climática, crise,
- 7:01crise financeira, crise de tudo que é jeito, eles estão olhando
- 7:05pra gente de um jeito diferente. Quando a gente tem um filho, o
- 7:09conflito geracional, ele grita, ele berra, o conflito geracional
- 7:14berra, porque você chega ali. Em algo que o teu pai e tua mãe
- 7:18fizeram com você e fala, não, não é assim que faz jairí, eles
- 7:22levam para o lado pessoal, sacou a mãe?
- 7:25Então, para esquizar, a minha mãe é pior.
- 7:27Por que que sua mãe é pior? Porque todas as coisas da da
- 7:30educação, foi ela quem teve que resolver, porque todo o problema
- 7:34que teve na tua vida É Ela quem recebe a conta emocional da
- 7:39coisa. Cadê a mãe dessa menina?
- 7:41Quem é a mãe? Então quando você fala assim,
- 7:43não vai dar doce, a sua mãe fala, como assim não vai dar
- 7:45doce? Eu de doce, você está aqui, ela
- 7:47não entende que você está enxergando o mundo de um outro
- 7:50jeito e quer tomar fazer outras escolhas.
- 7:52Ela entende que você está criticando ela, ela entende que
- 7:56no momento que você fala, não, mãe, esse é o jeito que você
- 7:59fez, não está errado, eu quero fazer de outro jeito.
- 8:01Aí você fala, ela está ouvindo, mãe, você fez muita merda, olha
- 8:05o tanto de merda que você fez, de besteira que você fez, então
- 8:07quando ela briga com você, fala, que bobagem.
- 8:10Cada um não pode dar um doce pro menino, não pode, não vai dar
- 8:13chupeita não vai fazer. Ela não tá falando de você
- 8:16especificamente, ela tá falando. É certo sim, porque eu fiz e
- 8:20você não vai me dizer agora, nessa altura do campeonato, você
- 8:24adulta, entendeu, você formada você com tudo que você
- 8:29conquistou, porque eu te dei, você não vai chegar agora nessa
- 8:32altura do campeonato pra mim falar que eu fiz um Monte de
- 8:34merda, ó você aqui. Então não é sobre você, é sobre
- 8:38o que ela recebe como uma crítica.
- 8:40A ela estou deixando isto claro, mas não estou aqui te dizendo,
- 8:46aceita tudo que mamãe fala com você, tá bom?
- 8:48Porque mamãe está fazendo o melhor.
- 8:50Não estou te dizendo isso. O que eu estou te dizendo é a
- 8:53crise geracional, o conflito geracional dentro da família.
- 8:56Quando chega um filho, quando chega o neto, ela vai existir,
- 9:01vai ter briga, vai ter um desencontro da forma que você vê
- 9:05a realidade que os seus pais vêem, a realidade porque ambos
- 9:08acham que sabem o que é melhor para aquela criança.
- 9:11E aí a gente vai para outra parte da nossa conversa, que é a
- 9:15gente precisa entender o que é negociável e o que é inegociável
- 9:18para gente. A gente precisa entender o que é
- 9:22que dá para flexibilizar em nome dessa ajuda que não vai vir
- 9:24necessariamente do jeitinho que a gente quer e o que é que é
- 9:27absolutamente inegociável. Isso aqui eu não vou conversar,
- 9:31isso aqui eu não vou abrir mão, isso aqui eu não vou mudar.
- 9:34Isso aqui precisa ser assim. Não dá para tudo ser negociável.
- 9:39E não dá para tudo ser inegociável.
- 9:42Veja, você educar uma criança é muito difícil, viu?
- 9:45Educar uma criança é um trampo. Você educar todos os adultos ao
- 9:49redor dessa criança, toda a família, todo mundo, para
- 9:51entender a importância do da, da comida, da musiquinha amiga,
- 9:55você vai enlouquecer, você vai pirar.
- 9:58Não dá para educar todos os adultos, não dá para você
- 10:00assumir a responsabilidade de educar todos os adultos.
- 10:03Estou ao redor da criança, não tem como, sim, não vai
- 10:06acontecer. Então você precisa entender o
- 10:09que é que é uma, o que eu brinco nas relações assim. 11 zona
- 10:14dançável na relação que a gente aqui consegue negociar.
- 10:17E o que você fala? OPA, mãe, aqui, aqui eu não
- 10:20negocio não. Aqui é absurdo, aqui não dá.
- 10:25O que é que dá para você conversar com a tua mãe?
- 10:28E o que é que dá para você conversar depois com a criança?
- 10:31Porque olha só. A gente quando começa a pensar
- 10:34uma forma diferente de educar, a gente começa a procurar a
- 10:36escola, que reforça tudo que tá junto com a gente, né?
- 10:38Tudo que pensa a vida muito parecida com a gente.
- 10:41Só que a criança tá no mundo, viu, amores?
- 10:43E esse mundo, ele não é um reflexo do que a gente pensa na
- 10:46vida? Ele é complexo, ele é
- 10:48multifacetado, ele tem gente muito diferente.
- 10:52Então eu também preciso ferramentar o meu filho e a
- 10:54minha filha para viver com as coisas que são diferentes.
- 10:58Para enxergar a vida ou coisa diferente e para entender que
- 11:00nem sempre o diferente é ruim, o diferente é só diferente.
- 11:03E aí você tem que pensar, o que é que precisa ser negociado com
- 11:07os seus pais para que você tenha essa ajuda, você paralisama.
- 11:10Sem eles eu não teria saúde mental.
- 11:12São eles que apoiam, são eles que ficam, são eles que cuidam
- 11:14da minha filha, eles amam muito a minha filha, eles são muito
- 11:17carinhosos com a minha filha, mas eles estão me desrespeitando
- 11:20quando eles não fazem o que Eu Acredito, que a educação, será
- 11:23que para eles eles estão te desrespeitando?
- 11:26E o que seria te desrespeitar? O que seria te respeitar, te
- 11:29respeitar e seguir exatamente a tua cartilha?
- 11:32Porque você não está contratando alguém para educar o teu, para
- 11:35cuidar dos teus filhos do jeito que você acredita que tem que
- 11:37ser cuidado. Você está pedindo uma ajuda pro
- 11:41teu pai e pra tua mãe, e eles vão ofertar ajuda com as
- 11:44ferramentas que eles têm, o que é que é negociável.
- 11:47Aí o que é que dá para conversar com a criança e o que é
- 11:51inegociável? Então, assim, eu me lembro.
- 11:56De das coisas que para mim eram muito inegociáveis, que era
- 12:01quando alguém falava de bater. Então assim, cara, não, ninguém
- 12:05vai ameaçar bater no meu filho, ninguém vai levantar a mão para
- 12:07o meu filho, para minha filha. Ninguém vai falar, ó, se mexer
- 12:10nisso aí, ó, cara, primeira vez que falaram, OPA, vamos
- 12:15conversar, meu filho não apoia e ninguém ameaça meu filho.
- 12:19E se um de vocês levantar a mão para os meus filhos?
- 12:24Não vou conviver com os meus filhos e ninguém vai ficar mais
- 12:26sozinho com os filhos. Taxa se alguém bater nos meus
- 12:30filhos, já foi para mim. Essa era uma linha assim, não
- 12:33existe possibilidade de ser ultrapassada.
- 12:38Essa é uma linha muito firme para mim, pois eu sabia que dava
- 12:41um doce, eu sabia que tinha mais televisão do que eu gostaria e
- 12:47eu sabia que os meus filhos iam saber dançar nas relações.
- 12:52E perceber que as pessoas são diferentes, sabe que com a Vovó
- 12:56é uma coisa, com a mãe ou outra. E eu começava com os meus
- 12:59filhos, ó, não existe segredo pra gente, por mais que a Vovó
- 13:02fale no contato da sua mãe, o que é horrível, tá, gente?
- 13:05É péssimo para criança, péssimo para o desenvolvimento da
- 13:07criança. Eu conversava.
- 13:10Eu me lembro de uma vez em que o meu filho chorou e alguém, algum
- 13:16tio, alguém falou assim? Ah, menino não chora não sei o
- 13:21quê. E aí eu brinquei com voz de de
- 13:23como se fosse a voz dele, chora sim, vovô, choro chentio que eu
- 13:28estou com dor para não brigar, para não pesar aquele climão,
- 13:31porque as pessoas pensam de forma diferente da minha, eu não
- 13:33vou ficar, nossa, que pessoa horrorosa, porque disse isso?
- 13:36É a mesma pessoa que falou isso. É uma pessoa que era
- 13:38extremamente carinhosa, que cuidava do meu filho, que dava
- 13:40amor, então assim, porque eu precisava pegar uma arma para
- 13:44aquela pessoa, sabe? E eu me lembro de depois você
- 13:47estar com meus filhos, a conversar e falar, nossa, você
- 13:48viu o que aquela pessoa falou isso para você?
- 13:51O que que você pensou na hora que ele falou Ah, eu penso isso
- 13:55de um jeito diferente, sabia? Eu acho.
- 13:59E aí falar minha opinião, eu penso que aquela pessoa fala
- 14:03isso porque na época dela era assim, e a mamãe acredita que
- 14:06era uma forma diferente, porque e aí fala, eu nunca falo, a sua
- 14:10avó, aquela louca, seu tio, aquele insano, você percebe?
- 14:15Que o jeito que a gente lida com essa diferença ensina a criança,
- 14:19lida com as diferenças no mundo. Que o jeito que eu lido com a
- 14:23forma que a avó pensa e a minha mãe pensa que é diferente e que
- 14:29a gente pode respeitar aqui um caminho, a gente pode encontrar
- 14:32um meio termo aqui e que o meu filho pode aprender a transitar,
- 14:35falar, nossa, a Vovó pensa assim, estranho, né?
- 14:38E é muito legal depois conversar hoje que meus filhos estão
- 14:41maiores, né? São adolescentes.
- 14:43Como eles conseguem enxergar as diferenças com as outras pessoas
- 14:47de um jeito mais fluido, sabe? Nossa, mas naquela da tal
- 14:50pessoa, você viu que fala? Fiquei pensando assim, não, que
- 14:53coisa esquisita de se pensar, mas não vai, que pessoa imbecil,
- 14:58não é desse lugar, entendeu? Não é desse lugar.
- 15:01Nossa, minha mãe é uma louca, minha mãe me desrespeita, cara,
- 15:05pois é o jeito que ela vê a vida é esse daqui, esse é o preço da
- 15:09ajuda que ela me dá pago. Quando eu pago, quanto vale a
- 15:15quando vale a pena pagar, como não vale a pena?
- 15:18Isso aqui é uma dança que eu vou encontrando.
- 15:21Eu já falei aqui no podcast algumas vezes que equilíbrio,
- 15:23equilíbrio é movimento, equilíbrio é movimento,
- 15:27equilíbrio não é estático, equilíbrio é dinâmico.
- 15:30Você pede pra um lado, pede pro tá alguém na bicicleta, ó, daí
- 15:33vai pra umadinha pulando, não fica parado, você vai
- 15:36experimentar? Qual que é o negociável e o
- 15:39negociável aqui? Não dá para você lidar com
- 15:43nossa, ela gritou com meu filho e ela deu um pirulito para o meu
- 15:47filho como se fosse a mesma, o mesmo nível de gravidade, sabe?
- 15:51Eu preciso entender que são gravidades diferentes aqui,
- 15:54posso me irritar com as 2 coisas, mas eu preciso entender
- 15:57que nem tudo é um crime inafiançável, o que que é crime
- 16:00inafiançável aqui? O que é que é só infração, não
- 16:03chega a ser um crime. O que é que eu posso Ah, contar
- 16:06com minha mãe? Eu já sei que vai ser assim.
- 16:08E o que que não é? Então assim, por exemplo, eu vou
- 16:11pra Bahia, meus filhos, eles têm tempo de tela regrado mesmo,
- 16:16hoje mesmo adolescente, mesmo Miguel, já com quase 14, tem
- 16:20tempo de tela regrado, sim, mas quando chega na casa dos avós,
- 16:25cara, tempo de tela regrado, vai para as cucunhas.
- 16:28Quando a gente chega na Bahia, porque vai jogar videogame com a
- 16:31prima, porque vai assistir televisão, porque vai ficar na
- 16:33tela aparecendo um zumbi várias vezes.
- 16:37Doce alimentação, poxa, tenho muita regra de alimentação aqui,
- 16:41a regra assim, galera, comida aqui é uma comida feita em casa
- 16:44lá de Salgadinho, lá não faz parte da alimentação, mas quando
- 16:48eu vou para lá eu penso, o quê? Quer que eu estou disposta a
- 16:53falar? Não, isso aqui não filhaca,
- 16:54corra agora, tu exagerou pra ok, tá?
- 16:59Eu vou me preparando para abrir mão de algumas coisas aí a gente
- 17:03tem um ponto muito importante, tá?
- 17:06Importantíssimo, a gente foi para Bahia 12 vezes no ano, no
- 17:10máximo. Você me disse que você está na
- 17:12casa da sua mãe todo final de semana, o que é que você está
- 17:16disposto a abrir mão todo final de semana e o que você não está?
- 17:19E se você não está disposto a abrir mão durante todo o final
- 17:22de semana, todo final de semana, abrir mão dessa coisa, você vai
- 17:25ter que abrir mão de alguma coisa.
- 17:26Somos adultas, né? Talvez abrir mão um pouco mais
- 17:29desse excesso de convivência, percebe?
- 17:34Teve uma conversa que eu tive com a minha mãe, tive com meu
- 17:37pai, que foi uma conversa de falar, olha, eu sei que você fez
- 17:40o melhor que você pode, eu não duvido que você fez o melhor que
- 17:43você pode e hoje eu descobri coisas que não existiam na tua
- 17:47época, me deixa eu tentar do meu jeito em momento nenhum eu estou
- 17:50te criticando, eu sei que você não concorda, eu sei que você
- 17:53acha estranho e eu queria tentar desse jeito aqui e foi tão bom
- 17:59conversar assim, sabe? E mesmo eles discordando,
- 18:02sobretudo. Assim, da minha forma de lidar
- 18:06com o comportamento dos meus filhos, mesmo eles achando
- 18:08várias coisas absurdas, sobretudo a minha mãe, que é
- 18:11quem eu convivo muito mais, meu pai mora mais distante, eles
- 18:16foram respeitando, sabe, foram entendendo o que é.
- 18:19Eles vão ver as coisas assim, não é sobre.
- 18:23Eu acho que você é uma mãe de bosta, você foi o pai de bosta,
- 18:27é sobre eu quero fazer assim porque Eu Acredito que assim na
- 18:31época deles tinham tanto. Pouca informação sobre tanta
- 18:34coisa e agora eu tenho tanta informação, pelo amor de Deus, é
- 18:36lógico que eu quero fazer diferente.
- 18:39Talvez valha uma conversa de mãe, obrigada por isso, é isso
- 18:43que você fez. Eu entendo que naquela época era
- 18:46a coisa mais comum do mundo. Gente, gente, a banheira do Gugu
- 18:52tinha a banheira do Gugu, tinha um sushi nu no Faustão.
- 18:57Vocês conseguem pensar que a gente sobreviveu a isso?
- 19:01Ao sushi nu do Faustão, que tem mais de 40 dos millennials
- 19:04brasileiros. Que dia de domingo reunir a
- 19:06família inteira pra ver um sabonete cair numa banheira e
- 19:11gente sempre doa tentando pegar um sabonete e a gente torcendo
- 19:15por quem IA pegar o sabonete? Pois é, essa foi a nossa
- 19:21conjuntura, de quem é millennial hoje e os seus pais aprenderam
- 19:27que aquilo era em algumas formas absurdas, mas não era.
- 19:30O absurdo que a gente entende que é absurdo hoje em dia, amor,
- 19:35amor, eu me lembro de entrar às vezes 8 pessoas no fusca.
- 19:41Como é que cabia todo mundo naquele fusca?
- 19:43Não seria a gente deitada e a gente sentada no chão?
- 19:45A gente fazia camadas de pessoas num carro, para quem fez isso
- 19:50uma vida inteira. Hoje eu sinto assim, vai pra que
- 19:54sinto, gente, é uma frescura. Eu levava vocês tudo na
- 19:59caminhonete e dava certo. Eu não tenho que convencer
- 20:03ninguém a acreditar. E aí pra ir finalizando nosso
- 20:08papo, eu queria que você pensasse em uma rede de apoio,
- 20:14que é além da família. Porque a gente fala muito de
- 20:18rede de apoio. E quando a gente fala em rede de
- 20:20apoio, a gente fala de família, né?
- 20:21Mas às vezes a gente precisa de um pouquinho mais esses amigos,
- 20:25essas amigas. Que que tem filhos que pensam
- 20:31como você não pode ser a tua rede de apoio?
- 20:33Também não precisa deixar de ter seus pais com rede de apoio,
- 20:36não. E aí para finalizar, eu preciso
- 20:41te deixar assim. 11 pulguinho traz de orelha até quando você
- 20:47vai esperar que o teu pai e a tua mãe concordem com o jeito
- 20:51que você educa? Eu não estou aqui falando onde
- 20:55que facilitaria muito a vida se eles concordassem, mas onde está
- 20:58o limite aí entre ela? Não me respeita para ela não ver
- 21:03o quanto me esforço, o quanto não me dessa.
- 21:07Parabéns, filha, que maravilhosa que você é.
- 21:10Você precisa que sua mãe reconheça que mãe maravilhosa
- 21:14você é. Porque normalmente a gente com a
- 21:18nossa maternidade, com a eternidade, a gente quer mostrar
- 21:21para eles que a gente é muito bom, porque a gente é filho,
- 21:23sabe? A gente é filho, a gente ainda
- 21:24quer, a gente ainda quer aquele elogio, aquele AI, que orgulho
- 21:29de você talvez não venha. Talvez teus pais não tenham isso
- 21:35aí de não pode dar doce para criança.
- 21:37Talvez eles não tenham isso para te dar amores, há algum tempo
- 21:40atrás, pedia outra prescrevia leite condensado do do bebê
- 21:45engordar. Leite condensado.
- 21:50Aí agora você vai explicar que tem que amamentar exclusivos 6
- 21:53meses. Você acha que a pessoa realmente
- 21:56tem que concordar contigo? Amor, elizaba, tem muita
- 21:59informação. Eu sei que tem muita informação,
- 22:01amor, mas tem informação para tudo que é lado e tem informação
- 22:04que a gente adquiriu a que está calcificada na nossa cabeça.
- 22:09Vai com calma, vai com calma. Deixa os teus pais, seria pai,
- 22:14avós do teu filho, da tua filho. Deixa eles aí, a gente vai
- 22:19aprendendo como é que a gente lida.
- 22:21Eu lembro na época que minha mãe teve teve câncer, a minha sogra
- 22:25foi a minha, meu maior apoio na vida, minha sogra foi nossa.
- 22:30Ela cuidou muito dos meus filhos por mim, muito, muito, muito.
- 22:33Ela me deu muito suporte e ela é altamente impermissiva, minha
- 22:38gente. Ela É Aquela de vou dar aquela
- 22:42Bona. Tipo assim, você dá limite, eu
- 22:46dou o que eles quiserem, né, vó? E esse era o preço daquela ajuda
- 22:53e eles foram muito amados Por Ela, do jeito que ela tinha amor
- 22:56para dar, porque não tem só o meu jeito de dar amor, entendeu?
- 23:01E gata, quando a gente saca, você fala, eles são amorosos,
- 23:05eles são cuidadosos. Não estou falando gente que de
- 23:07avós que não cuidam, estou falando desse lugar aqui que
- 23:11eles não te ofertam o cuidado do jeito que você queria.
- 23:14A gente saca que não é pessoal, a gente reclama que eles levam
- 23:19pro lado pessoal e a gente leva pro lado pessoal quando a gente
- 23:21saca que não é sobre isso. Putz, como viver isso fica tão
- 23:24mais fácil. E ó, poder deixar as crianças
- 23:28com a vó aí e curtir é tão bom. Aproveita que você tem isso aí e
- 23:33descobre os seus limites pra fazer isso funcionar sem te
- 23:36enlouquecer e sem enlouquecer teus pais também, tá bem?
- 23:41Um beijo. E se você gostou do episódio
- 23:45jogar no grupo da família, esse ó, esse vale, diga aí, diga aí
- 23:50se esse não vale pra você mandar pro seu pai, pra sua mãe vale,
- 23:52poxa, manda aí, fala mãe, vamos conversar depois sendo a torta
- 23:57de climão no grupo da família, manda pra tua sogra, manda pra
- 24:01todo mundo, tá bom, deixa o teu comentário, teu coraçãozinho né?
- 24:06Deixa aí teu joinha, deixa aí o que você quiser deixar nos
- 24:09comentários desde que seja legal e respeitou, tá bom, faz o
- 24:12favor. Porque eu vou ler, posso não
- 24:15responder, mas eu leio tudo então você me respeite sem me
- 24:19respeite sem metade com carinho que eu estou te tratando com
- 24:22carinho, ó só e é isso, meu amor você quer meu pitaco noutra
- 24:27história, mando meu e-mail, tá um beijo e até o próximo
- 24:31episódio.