Latest / História pros brother / "O funk precisa ser estudado" Feat Thiagson
Transcript
- 0:00Conta essa história aí, Brother. A história do funk meu parceiro,
- 0:03brota, vamos lá. Teague, som, rapaziada, olha, eu
- 0:16sei que você está vendo, então vamos tirar logo esse elefante
- 0:18da sala. O cordão dele é muito pica,
- 0:21filho, muito maneiro e olha, hoje a gente trouxe chaves aqui,
- 0:25brigado. Pô, cara, porra, a gente acha
- 0:27muito fora do teu trampo. Beijo pro cotou, que apresentou
- 0:29pra gente também. Inclusive a gente também pouco
- 0:32tô, é fã do teu trampo e cara, a coisa que eu acho que que que.
- 0:37Mas quebra paradigmas aí do seu trampo é que porra tu é um
- 0:40acadêmico foda na área e tu tá fazendo um doutorado em história
- 0:46do funk, certo? Sobre funk, sobre o fã história
- 0:49também, porra. Isso é muito do caralho, Mano.
- 0:51Aí, pô, se apresenta aí pra gente, cara.
- 0:53O público está curioso para saber onde que você comprou
- 0:56isso, quando nem te conto mais duvidosa.
- 1:01Obrigado pelo convite, família. Fiquei muito feliz.
- 1:03É sempre um prazer orgástico falar sobre funk é, Mano.
- 1:08Eu sou da área da música, eu sou músico, né?
- 1:10Fiz faculdade de música, sou conhecido atualmente por estar
- 1:13lá na USP, fazendo doutorado em sobre funk, mas as pessoas não
- 1:16esperam que o funk seja um tema digno de fazer um doutorado,
- 1:19certo? Ainda mais no departamento de
- 1:21música preconceituoso. As pessoas acham que o funk não
- 1:23é digno de ser estudado, sim, e a gente está contando a história
- 1:28desse fenômeno musical, Mano, porque tem muitos trabalhos
- 1:30acadêmicos. Sobre funk, só que espera aí,
- 1:33meu parceiro. Esses trabalhos são da
- 1:35sociologia, da linguística e tal, mas o funk é música, é só.
- 1:39Então vamos falar desse som. Som pelo som é, mas se música
- 1:43minha pegar aspecto musical, porque é OA parada, não se tem
- 1:47tanto trabalho sobre isso exatamente, inclusive o fato das
- 1:49pessoas de das pessoas respeitarem o funk como
- 1:52movimento social, mas acharem a música um lixo, tem a ver com
- 1:56isso, porque a universidade já está pesquisando funk há muito
- 1:59tempo, Mano. Agora, pesquisando funk na área
- 2:01da música, entendendo a profundidade dessa desse som que
- 2:05comoveu muita gente, é mais recente, maneiro Mano total e tu
- 2:09sempre. Tu sempre curti o funk ou foi
- 2:11uma parada mais tarde assim tipo tua, porque tu veio da música
- 2:15clássica tudo tinha essa visão. Tu já teve essa visão de pô, né?
- 2:18É o funk é uma, é mais ou menos. Eu sou curto, mais os clássicos
- 2:22ou não, na verdade, eu não sou da música clássica, não, eu, eu
- 2:25sou do funk, porque o funk fez parte da minha vida, só que
- 2:29quando eu comecei a estudar música existe um processo na
- 2:31cultura do ensino musical de vocês se tornando uma pessoa
- 2:34mais preconceituosa. Tu vai fazer uma aula de violão,
- 2:36aula de guitarra EE, aí tu já aprendi com um profissional.
- 2:39Isso é um lixo, tem que escutar um jazz, uma música clássica.
- 2:43Então isso a gente já começa com essa cultura aí eu entrei no
- 2:46armário e falei não, música clássica, vai ser o bagulho ato
- 2:50tu chegou a comprar essa briga na nenhum momento, falou não, eu
- 2:53vou seguir isso aqui, sim, não, na verdade não é comprar briga,
- 2:56eu entrei no armário, escreve, aí comecei a ter vergonha da
- 3:00minha infância também do das coisas que eu escutava e falou,
- 3:02não é só música clássica, no máximo um jazz.
- 3:05Assim, uma parada, uma bossa nova.
- 3:07Porque existe 11 distinção social, um prestígio associado
- 3:11aos gêneros musicais e um desprestígio.
- 3:14É uma questão de distinção social.
- 3:16Através da música você querer pagar de gostoso, inteligente,
- 3:19você falam, eu ouço tchaikovsky. Tal total é, é isso, pode crer,
- 3:24mas aí cara, você falou que, pô você, você estuda o funk como
- 3:28música, mas esse podcast de história e aí a gente chamou
- 3:32porque, pô, a gente quer saber história do funk, né?
- 3:34Cara, que a gente quer saber é, é porque, pô, logo de começo,
- 3:37né? Eu acho que uma dúvida que é
- 3:38muito comum é porque o funk, a palavra funk, é um estilo
- 3:42musical que veio dos Estados Unidos, né?
- 3:44Só que aqui ele teve um outro caminho.
- 3:46Se você ouve o funk que a gente tem essa visão guinga, pro funk
- 3:50de hoje são, são estilos musicais bem diferentes.
- 3:53Sim, ibas, porque tipo assim é. Começou com uma mesma coisa,
- 3:57você consegue falar pouquinho. Se, ó, tem um processo que eu
- 4:00acho que eu nunca falei muito sobre isso, mas é muito comum
- 4:02que o nome do gênero musical ele vai mudando no decorrer do
- 4:05tempo. Rua linguagem é viva enquanto as
- 4:08coisas estão estão se transformando, vão se re
- 4:10significando. Então assim, musicalmente
- 4:13falando, o funk de hoje não tem quase nada em comum com o funk
- 4:16do James Brown, mas o berço social é o mesmo, porque o que
- 4:21que o IMC, amilcka e chocolate cantavam nas antigas que o funk
- 4:24carioca é som de preto, eu, som de favelado e o funk do James
- 4:28Brown é som de preto. Marginaliza 12, então o funk
- 4:32começou na cena. Carioca nos bailes black, lá em
- 4:35Botafogo. Na verdade, não era em Botafogo,
- 4:38não é uma região nem favela, né não de Boys é Botafogo, é de
- 4:42boy. Na minha cabeça, é meio dos
- 4:43hipster do do Rio de Janeiro, não é?
- 4:45É, mas é porque é a Vila Madalena é Vila Madalena, tipo
- 4:48essa tem tem o Santa Marta ali, que é do lado, né, do Botafogo,
- 4:52a favela do Santa Marta, sim, aham, tem, mas é começou lá no
- 4:55Canecão. Né?
- 4:57Com toda essa cultura que realmente se tocava, música
- 5:00black ice tocava o funk e o soul e aí tem a ver com a morte do
- 5:04Martin Luther King, né? Em abril de 68, porque ele
- 5:06morreu e aí é isso causou uma comoção tipo mundial, tipo
- 5:11George Floyd. E aí?
- 5:13Isso contribuiu para o espalhamento da música preta
- 5:17como uma forma de empoderamento, e isso se espalhou.
- 5:20E aí chegou nesses bailes, né? É inicialmente trazido pelos boy
- 5:24mesmo, né? Não era a gente preta de favela,
- 5:25só que esses bairros começaram a repercutir muito.
- 5:28Oo Canecão começou a tocar outra parada, Roberto, Carlos Carlos,
- 5:31e aí? Mano, é.
- 5:34E aí esses bailes black da cultura preta foi indo para os
- 5:37para as favelas e aí começou a ter toda a música preta, não só
- 5:41o funk, mas o soul e também o hip hop.
- 5:45E aí entra uma coisa interessante dentro do hip hop
- 5:48tem vários estilos. Um desses estilos é uma MBSEO
- 5:51eletrofunk de Los Angeles. É desse eletrofunk de Los
- 5:55Angeles. Muita gente fala assim, não.
- 5:56O funk veio de uma mbs, é na minha cabeça era nada a ver, não
- 6:00veio, veio também, só que é uma das bases mais usadas que é o
- 6:04volt mix tum. Sim, é do batery Brian, que é do
- 6:09eletrofunk de Los Angeles. Mano, se você pegar um mapa dos
- 6:12Estados Unidos, Miami tá numa ponta, Los Angeles está em
- 6:16outra, então é tipo, não é só de só de de Miami que veio que veio
- 6:21a música funk. Então é esse eletrofunk dessa
- 6:25base volt mix, tum tum, que foi a base mais usada que ao mesmo
- 6:30tempo que se usa até pouco tempo até hoje, né?
- 6:32Até hoje essa base voltou, sim, é ele vem desse eletrofunk de
- 6:38Los Angeles. Que já era uma versão
- 6:41eletrônica, porque o hip hop é uma música eletrônica, sim, é
- 6:45que era a versão tipo eletrônica do funk do James Brown, um, mas
- 6:49assim a coisa chegou aqui, esse tum tum tum, saí, foi se
- 6:54abrasileirando mar com um bom Marco, um boma com beaux e agora
- 6:58e agora não, né é e a macumba tá saindo também, né?
- 7:01Tá virando um negócio mais hub, pum, pum, pum, DG harana assim a
- 7:05é atualmente, pode crer e aí daí veio de de James Brown.
- 7:10Foi o projeto de Eletro eletrofunk chegou aqui no
- 7:13Brasil. Quem quer que fosse o primeiro,
- 7:15os caras pegaram, eles pegaram o sampler de lá, como é que era
- 7:18essa primeira galera? Começou a construir as coisas
- 7:20ainda mais que antigamente. Era muito mais difícil, né?
- 7:23Sim, então a gente com grana, né?
- 7:24Quem trouxe esses primeiros discos é big boy, Ademir, Ademir
- 7:28Lemos, tudo lá do Rio é os caras que tocavam nas rádios, aí
- 7:32depois veio ODJ marlboro e o DJ marlboro tem o mérito de de
- 7:36conseguir é ter contato com muita gente, conseguir gravar,
- 7:40inclusive a história do funk, tem um negócio muito louco, Mano
- 7:43tem a ver com Paralamas do Sucesso, olha aqui, fale-me
- 7:46sobre. Isso porque olha, que louco,
- 7:49Mano, o primeiro disco de funk lançado no Brasil é de 89,
- 7:52certo? DJ marlboro lança funk Brasil
- 7:54até então, né? Por enquanto, o registro é esse.
- 7:59E o primeiro mestrado sobre os bares funk é de 87.
- 8:03Aí você fala assim, porra, parceiro, o cara fez um mestrado
- 8:06antes do bagulho começar a existir.
- 8:08Esse é um cara feito seu terrário.
- 8:10Ela fez literalmente, né? A frente do tempo.
- 8:13Esse primeiro mestrado é do Hermano Vianna, um antropólogo.
- 8:17Que foi orientado pelo Gilberto velho.
- 8:19Um outro antropólogo, também muito conhecido.
- 8:21É, e ele estava pesquisando esse esses bailes black no Rio de
- 8:26Janeiro, que estavam movendo muita gente, muita gente.
- 8:28Mesmo assim, o negócio era imenso e vários bailes ele tava
- 8:32pesquisando sobre essa cena funk, já tinha produção de funk,
- 8:35assim mais cantado, mas não registrado em disco.
- 8:38Amo marlboro, conseguiu registrar bom e aí nessa época
- 8:42do mestrado Hermano Vianna estava fazendo é contato com as
- 8:45pessoas para fazer pesquisa de campo, indo nas favelas,
- 8:48conhecendo os bares, ele conheceu marlboro e ele é irmão
- 8:51do Herbert Vianna. Que estava fazendo sucesso como
- 8:55Paralamas do Sucesso, olha aí ai, cara.
- 9:00E aí ele deu uma bateria eleito como Oo Herbert Vianna tá
- 9:04trampando em estúdio, ele deu uma bateria eletrônica pro DJ
- 9:08marlboro e começar a produzir as parada lá.
- 9:11Caralho, essa história aí, pô, então Paralamas ele importante
- 9:14pra história do funk brasileiro, de uma certa forma é tem ali uma
- 9:17importância, aquele lance meio efeito borboleta é com certeza
- 9:21não não enxerga, não penso assim.
- 9:22Há, pô, se não tivesse perdido, a gente não ia ter funk do
- 9:24Brasil não, não, não é isso, mas tá tá, tá.
- 9:27A história é feito. Borboletas, caraca, que maneiro,
- 9:29e aí, tipo isso pra pro pro cara gravar e o irmão consegui fazer
- 9:33o trabalho dele, é isso? O Hebert Vianna desenrolou a
- 9:36bateria pro DJ marlboro gravar, é isso?
- 9:39É, eu acho que não, não sei exatamente assim, mas assim
- 9:42tinha ele tinha acesso essa bateria, aham pegou e deu pro
- 9:45marlboro, até porque é um negócio muito usado no hip hop,
- 9:48né, não sei se tinha interesse usar, não sei aí não sei mesmo
- 9:52se tinha interesse usar na estética do Paralamas do Sucesso
- 9:55talvez ele deve ter sido um bagulho assim há tem a bateria e
- 9:57leva pro Mano lá para. Maneiro, cara.
- 10:00Pô, que na ideia, e aí do Rio de Janeiro o funk, ele cresce lá
- 10:04primeiro no Rio, ele cresce mais no começo, né?
- 10:07E tu falou, pô, primeiro até a primeira galera que que fazia
- 10:11por questões de equipamento mesmo, era mais galera.
- 10:13Tinha um pouco de grana e tal. O que que tu acha que que é um
- 10:15estilo que foi migrando para a galera que tinha menos grana?
- 10:19Então porque ele, no começo, nesses bailes no Canecão se
- 10:23tocava de tudo? O catra fala muito sobre isso,
- 10:26tocava Beatles, mas tocava música preta.
- 10:29Aí, Mano, é uma questão de identificação, porque a gente
- 10:32sabe que o bagulho era muito racista antigamente, né?
- 10:34Então, o dia que você via um preto é aqui na, na, nas novelas
- 10:39mesmo. Estava tudo fazendo escravo.
- 10:41O você não envia uma pessoa empoderamento, fazendo sucesso
- 10:44com autoestima, você via no hip hop americano.
- 10:47Eu acho que por uma questão de identificação mesmo, né?
- 10:50Uma hipótese de olhar, de olhar, talvez ao estilo próximo que
- 10:54está rolando e os caras negros de lá que estão super moderador
- 10:57e tal e uma afinidade, apesar do tipo assim, Mano, a realidade da
- 11:01favela hoje está muito diferente.
- 11:02Eu fui no Paraisópolis. É recentemente encontrei um
- 11:06gringo lá que mora lá e que dá aula de inglês, mas antigamente
- 11:11é ter acesso ao idioma. Era um negócio mais difícil, né?
- 11:14Mas, apesar disso, tem uma identificação, porque os caras
- 11:17passam pelo mesmo problema, é é morto pela polícia.
- 11:20Mais fácil é repressão, então tem essa identificação, né?
- 11:24E o cara se vê ali no preto imponderado, né?
- 11:27No caso no gringo, é gringo e se via no gringo e aí começou a
- 11:32criar uma parada aqui que que também trouxesse esse essa
- 11:36manifestação que representasse a realidade.
- 11:38E aí, lentamente, no Rio de Janeiro, na década de 90,
- 11:41principalmente, né? É, começou a crescer, crescer e
- 11:43aí o funk ele começa a sair do Rio.
- 11:47Né? Chega um momento que o funk acho
- 11:49que mais no final da década de 90, se não me engano, né?
- 11:5195 já pode que você lembra quando foi o primeiro, qual o
- 11:54primeiro funk? Disco?
- 11:55Tô Mano, eu acho que foi assim que tá na minha memória, foi
- 12:00tipo Latino MC Marcinho, assim sim, o baby me leva, inclusive
- 12:04quando eu fui estudar a história do funk, porque essas paradas
- 12:07fez, fez parte da minha infância, né, gênio?
- 12:09Aí eu olhei e falei, Mano, quer dizer que Latino era funk,
- 12:12viado, Claudinho e bochecha era mais, é o Claudinho e bochecha,
- 12:16eu acho que foi talvez o nome mais.
- 12:19Pelo menos na minha infância, era era.
- 12:21Era nas brasileiro inteiro, nação inteira parar para ouvir.
- 12:25Kid bochecha era tipo a morte do bochecha e foi comoção nacional
- 12:29real assim, mas o Latino era um lance também, mas na minha
- 12:31cabeça, a morte do Claudinho Latino entrado cara vai Latino
- 12:35fazia charme na minha cabeça, era uma paradas há não, mas é
- 12:39que eu tinha na cabeça não mas me leva.
- 12:41Era, era batidão pô, me leva batidão, né é?
- 12:45É batidão e isso lembram pelo funk.
- 12:47Tô viu? Era um negócio que estava, eu
- 12:49acho, estava no teu ao teu redor ou nada no meu redor.
- 12:52Carioca é essa mulher Cruz, pelo amor de Deus, Araújo, Pra Mim
- 12:56Não É, mas é estranho. Depois eu chego lá, vai tá, tá
- 12:59bom, eu sou do do do de Angra do jeito do Rio de Janeiro, morro
- 13:02da Cruz, um beijo, minha terrinha, inclusive e não, não
- 13:05com certeza. E eu acho que o primeiro, mesmo
- 13:07assim foi Claudinho bochecha que achei quando eu tinha uns 7
- 13:11anos, 8 anos. Claudinho bochecha, era o
- 13:13bagulho, já sim, estava em todo o programa do Faustão, todo
- 13:16mundo Gugu. Era essa a forma que chegava pra
- 13:18gente, né? E aí, pô, era muito fora e
- 13:20quando morreu o Claudinho foi bagulho de chorar.
- 13:24Meus pais choraram assim, era um não porque era muito emocionante
- 13:27as histórias que e assim foi 11 tragédia.
- 13:30E por mais que meus pais não gostassem ou a história, o
- 13:33storytelling chegou para nós, pô, chegou na televisão contando
- 13:36a história do cara, o que aconteceu?
- 13:37A tragédia, o cara emocionado, bochecha emocionado, família
- 13:39emocionado. Então meus pais também, e aí eu
- 13:41me comovia junto, óbvio, né? Não, não foi?
- 13:44Foi? É, mas eu tenho quase que o
- 13:46primeiro fã que eu vi foi. Chegou jogando Dark inda tá
- 13:50ligado? Kunder?
- 13:52Porque Oo Rio Grande do Sul teve uma parada muito estranha, cara,
- 13:55porque tinha 11 banda de que fazia funk com rock.
- 13:58Chamava comunidade existe comunidade?
- 14:00Nin Jitsu, você falou que era uma banda, cara, uma banda que
- 14:03sei lá, acho que eles começaram as gostar de funk, sei lá em 90
- 14:07e nada assim, né? EE é uma banda que cresceu muito
- 14:11assim, então o cara da comunidade nisso tinha um
- 14:13programa na rádio lá em 95 se era 90 e não sei e eu me lembro
- 14:17que eu tinha, eu baixava os MP3 do.
- 14:19Buscaram melô do Star Wars que eu achava tipo, muito foda, nem
- 14:24Jorge estava tipo do caralho e eu achava foi carioca, muito do
- 14:28caralho. Assim, porque esse programa na
- 14:29rádio de uma outra banda, uma parada, mas era um negócio
- 14:32muito, muito, muito de outro mundo assim no na minha, na
- 14:37minha infância parada muito louca, sim, a cultura chega
- 14:40diferente assim, né? A cultura sudestinas ela estava
- 14:44se espalhando para caralho com funk com com no caso do Rio de
- 14:48Janeiro, a maior, né? Pro Brasil todo, com certeza.
- 14:50Acho que era muito lance programa de auditório, né, cara?
- 14:52Acho que a década de 90 a gente não tenta trazer esse papo de
- 14:55quanto que por o Gugu moldou o Brasil, tá ligado?
- 14:59Mas é um bagulho monstruoso, assim, que nem tem como repetir
- 15:02esse fenômeno, tipo, hoje em dia, 11 artista nível Claudinho
- 15:06e bochecha a nível Sandy & Junior, que era uma galera que
- 15:10era tipo assim, Mano é é, é outro nível que não tem mais
- 15:13como reproduzir. Eu acho assim que tu falou que
- 15:16tem o lance é não menos, foi essa a gente conversar logo
- 15:19nisso estava falando, teu lance é estudar o funk como uma parada
- 15:23musical que é esse cabelo, não só.
- 15:25Não só como história, o que que tu acha foda para o que que tu
- 15:28acha? Tipo, porra galera, não olha
- 15:29isso no funk assim, galera de fora, não.
- 15:33Vixi é tanta coisa. Eu acho que as pessoas ignoram
- 15:36que não é qualquer um que faz, tem.
- 15:37Existe essa ideia do senso comum de que o cara não sabe cantar, o
- 15:41cara não sabe produzir, vai lá, faz uma batida e ganha milhões.
- 15:44Aham, meu parceiro, ingenuidade quanta ingenuidade, acho que tem
- 15:50tanta coisa a capacidade de comoção do funk assim e é um é
- 15:53uma música, isso é. A gente consegue até refletir
- 15:56sobre arte. A partir disso.
- 15:58O quanto a gente não precisa ter os melhores meios?
- 16:01Materiais há, com certeza, conseguir fazer a parada, então,
- 16:05às vezes até uma limitação, ela até instiga uma criatividade ali
- 16:10na hora também, né? Por outro lado, é perigoso, fala
- 16:13isso porque é o que liberal adora falar é, vamos limitar a
- 16:16favela para deixar eles mais criativo?
- 16:18Caralho, aí não era, é aí é o dart Vader é, vamos lá, é vou
- 16:23deixar uma refeição só pra galera, né?
- 16:26Correr atrás ostra feliz não produz, Pérola, é isso, só esse
- 16:31cuidado não, mas é tipo assim a limitação.
- 16:34Ela, muita. Eu não falo, enfim, do funk
- 16:36especificamente, mas ela obriga você a ter que procurar outras
- 16:39formas e aí outras coisas são descobertas.
- 16:41As vezes. Eu não tô falando, tá certo?
- 16:43É óbvio que as cara. Isso é uma palavra de de, de de.
- 16:46Eu acho que também de produção musical que é legal pra caralho.
- 16:48Ele precisava fazer um disco e tu, pô, não só vai usar esses
- 16:52timbres aqui e essas paradas aqui tu constrói em cima disso,
- 16:54aquele negócio de limitar, limitar a tuas ferramentas te
- 16:58ajuda às vezes AA criar mais e eu não estou falando de de grana
- 17:02para comprar aqui, pô, eu tô falando de sei lá limitar
- 17:04timbres para. Descobri uma linguagem e tal.
- 17:06Sim, sim, tem isso. Isso tira leite de Pedra, né?
- 17:10Tem que tirar leite de Pedra para fazer uns bagulho.
- 17:11Sei se nem a leite Pedra, mas quer limitar as possibilidades
- 17:15de de de timbre, às vezes te ajuda a criar do que ficar
- 17:19perdido por ter 76, hã é? E tu fica ali descendo no scroll
- 17:24motor de nerd, tá tudo tá faltando igual é também, sabe?
- 17:28Depois de 7 a todo vapor, Macaé, é tu já já desliga, né?
- 17:32Tipo, já perdeu referência total, não com certeza.
- 17:34Então tu acha que tipo assim, uma das paradas mais, mais.
- 17:37Subestimadas, eu acho que é a palavra sipa essa do funk é que
- 17:41as pessoas não, elas acham que é fácil de fazer.
- 17:45Um, tu acha que que rola pra caralho isso aí é só chegar lá e
- 17:49gritar qualquer coisa, falar um palavrão.
- 17:51Tem essa visão preconceituosa. Visão tem essa visão, pode crer,
- 17:54pode crer. É, acho que além disso, né?
- 17:57É o entendimento de que os funkeiros são músicos são a é,
- 18:01não tem esse uma galera observa como se não fosse músico, né?
- 18:06São são artistas, as pessoas, acho que tem muito, tem muita
- 18:09coisa no preconceito, né? Mas acho que quando a pessoa é
- 18:13acha que o funkeiro está cantando, é verdade.
- 18:16Ela está ignorando que ele é um artista que ele está fazendo uma
- 18:18criação estética ali. É povo.
- 18:21O diretor de cinema, que conta uma parada absurda, um
- 18:25assassinato, um cara não matou ninguém, cara, não é a favor de
- 18:27matar ninguém, né? Tipo cara, e às vezes o funkeiro
- 18:30tá contando umas história que que são história incríveis e não
- 18:35viveu aquilo também, né? Aquele aquela visão de não
- 18:37enxergar como um artista, né, que você está falando?
- 18:39Se for o Tarantino tá de boa, né?
- 18:41Exatamente se for o Tarantino massacrando um montão de gente
- 18:44com a espada, tá ligado? Não, cara, é gênio, tá ligado?
- 18:47Não totalmente não, Mari era demais, mas pô, cara, essa parte
- 18:51que você tá falando aí sobre estudar a música em si.
- 18:54Na USP, agora que está fazendo, né?
- 18:56É, você consegue explicar pra gente especificamente, o que que
- 18:58você tá estudando? O que você estava fazendo lá,
- 19:00né? É, eu estou investigando uma
- 19:02coisa que é o como os d js e produtores pensam e produzem
- 19:07teoria musical, porque o parto do princípio de que a teoria
- 19:11musical ela é inerente, inseparável de quem faz música.
- 19:15Se você está fazendo música, você está produzindo teoria.
- 19:18Então o que vocês falaram é de que você está no estúdio ouvindo
- 19:21várias caixas ODJ que está produzindo func ele fala, eu vou
- 19:24usar essa batida aí, não essa. Sim, essa escolha.
- 19:28É fruto de uma reflexão e de uma reflexão prática de experiência
- 19:31no baile, porque a teoria musical que a gente tem, ela vem
- 19:35da música de concerto européia, a música clássica, e ela é muito
- 19:37insuficiente para fazer música. Outra coisa que eu faço no meu
- 19:42trabalho e que eu sou muito conhecido por isso é meter o pau
- 19:44na universidade o tempo todo, porque a partir do momento que o
- 19:47funk entra na universidade e você começa a olhar nossa, não
- 19:50tem trabalho sobre funk porque não tem trabalho sobre funk.
- 19:54E aí você começa a descobrir várias parada errada, tipo que.
- 19:59Olha, tem um musicólogo. Fofocar é fala mal, agora tem um
- 20:02musicólogo que causou polêmica em 2020, o Felipe Wu, que ele
- 20:05começou um artigo falando assim. A teoria musical é branca e a
- 20:08teoria musical é racista e de fato é porque na faculdade de
- 20:12música é só surra de homem branco europeu e só aquela
- 20:16concepção de música vale e o funk traz outras formas que
- 20:20fogem da concepção européia. Então a gente precisa ter a
- 20:23teoria do dessa própria comunidade, então eles produzem
- 20:28teoria, reflexão, eles analisam na EE tudo isso não é um
- 20:31processo. Formal, porque não tem esse
- 20:34desejo de formalizar na escrita. O desejo é de fazer sucesso e
- 20:38quando você faz sucesso e consegue impactar, é sinal de
- 20:41que toda a sua teoria e reflexão deu certo, porque esse objeto é
- 20:44como se fosse na visão euro, centralizada, como se fosse um
- 20:50passar por uma banca e a banca falar.
- 20:53Aprovado no funk, por exemplo, é tipo assim, Mano geral, está
- 20:56ouvindo? É exatamente.
- 20:59E qual o? Sei lá, de já está estudando
- 21:02bastante. Acredito.
- 21:03Qual o denominador comum que tu encontra dessa parte teórica
- 21:07entre todo mundo que é bom pra caralho no funk tem algum?
- 21:10A é boa falar, puta, isso aqui é um diferencial que talvez já
- 21:13falou da capacidade de criar com pouco, mas tem alguma outra
- 21:16ferramenta que tu vê por essa? Todo mundo tem isso aqui, todo
- 21:19OA maioria tem. Então, tem a questão musical, só
- 21:23que eu também preciso falar isso pra você fazer sucesso com
- 21:27música não basta a sua música, infelizmente total porque pra
- 21:31você cmc, às vezes é melhor até que você não estude música um.
- 21:37Verdade, porque você tem que fazer tanta coisa, você tem que
- 21:40cuidar da sua imagem, engajamento, conversa com o
- 21:43empresário, que às vezes, se você criar uma polêmica numa
- 21:45rede social, vai ser mais interessante do que você ficar
- 21:47estudando. A Harmonia e a fala mais
- 21:49interessante para você se manter no mercado e viver disso, pagar
- 21:53as conta com isso é se a tua meta é essa, é faz sentido,
- 21:56porque. Então tem, tem outras coisas aí
- 22:00é que entram nesse componente fazer sucesso, impactar as
- 22:04pessoas de modo de mas assim eu vamos considerar No No contexto
- 22:09em que uma música faz sucesso, porque só pra mim é a carreira
- 22:12do artista. A música é 20%, assim, 80%.
- 22:16Eu acho que 80% é como é que o cara se veste, o que que a mina
- 22:21fala? Não sócios órfã do teste do sofá
- 22:24é desenrola sorte relacionadas a gente fala brincando, mas porra
- 22:28é é primo de quem? Isso certo?
- 22:31No TikTok, aquele lá e Botafogo fez.
- 22:33Tem que ver o espaço desse cara. Pais, tipo todo mundo é é
- 22:36parente do Caetano, né? Foda, pô, é real sim, sim, é o
- 22:41quem sabe por Caetano Veloso. O moleque vê o que ela gosta
- 22:46tanto que veio com a roupa, já que a camisa do Caetano tudo era
- 22:50uma brincadeira e foi crescendo, crescendo muito.
- 22:53Fã dentro do ambiente acadêmico mesmo, é está começando a ser
- 22:59mais bem recebido essa esse tipo de estudo.
- 23:01Esse tipo de teoria está graças a Deus, graças a Deus, porque a
- 23:05universidade de música Ela Foi muito desconexa, né?
- 23:08Ela não era 11 universidade de música, ela era uma universidade
- 23:11de um tipo de música que se pretendia ser a música
- 23:15universal. É clássica, clássica européia,
- 23:18não é a clássica européia, inclusive um bagulho muito
- 23:20escroto, Mano. A gente pega livro de história
- 23:22antigo, história universal da música, aí só na Europa, no
- 23:26bagulho, Mano, você fala é de um universo.
- 23:30Aí é verso limitado? Sim, sim, não, com certeza, né?
- 23:34O próprio. Falando de de teoria,
- 23:37especificamente, né? Os intervalos, tudo isso daí é
- 23:40uma coisa pré concebida por gregos, pô, tá ligado?
- 23:43Tipo da ligue, nasce as paradas que moldamos e todas as
- 23:47variáveis disso daí, né? Tipo, é escalas, variam de
- 23:50acordo com alguns povos e tal, mas são tratados como notas,
- 23:54fora né? Muito foda esse essa nota fora,
- 23:56cara, tem um lance de de funk que é muito louco, que nenhum eu
- 24:00não imagino nenhum produtor de outra de outro estilo vindo e
- 24:04tentando esquecer, saturar pra caralho.
- 24:07Pastora pra caralho, as coisas assim eu acho caro isso nunca,
- 24:11ninguém disse. Agora fazer sim.
- 24:14Não, nunca ninguém a fazer. E aí às vezes é isso aí mesmo.
- 24:17É tipo, é isso. Daí que, aliás, e a galera,
- 24:19porra legal pra aquele momento. Faz sentido, não?
- 24:22Total, muita e muita coisa que vocês estavam falando aqui.
- 24:24Eu fiquei pensando primeira coisa que você falou da teoria
- 24:26que vem da Grécia, aham, tem muitos pesquisadores pretos que
- 24:29depois viram que o que a Grécia fez foi roubar toda teoria
- 24:33egípcia, cara, esses pretos falam do de um Egito preto DOC
- 24:37MTV, que era uma Terra preta que produzia muita coisa, até porque
- 24:40todos esses filósofos gregos, eles, eles se foderam.
- 24:44Por quê? Porque os gregos ache entendiam
- 24:46que eles estavam quando eles traziam o conhecimento do Egito.
- 24:49Eles estavam trazendo conhecimento estrangeiro.
- 24:52Um, então é interessante dano no pagamento do 20.
- 24:57Tem tem esse tem um papo de tem tem essa essa, essa vertente,
- 25:01acredito que foi uma pagamento da cultura da da África negra,
- 25:04que é mais ao sul, né? Pode crer, bom, não é?
- 25:07Por exemplo, não fazia ideia, é muito papo que eu conheço, é
- 25:09tipo assim, na os gregos lá que mudaram bonitinha escala grega,
- 25:13né, tradicional zona e dali. Que vai ser OA base da cultura
- 25:18ocidental. E aí, quando o ocidente vai
- 25:20reviver lá no, no renascimento do mais, vai reviver a cultura
- 25:24grega antiga. Eles pegam a teoria musical
- 25:27antiga para conseguir de personagem.
- 25:29Aqui é o suprassumo da civilização, né?
- 25:32E aí, depois, no século 20, século 19, você vai ter
- 25:35vagabundo falando de hierarquia, de darwinismo social, né?
- 25:38Falando, pô, é esse povo europeu, ele é melhor do que
- 25:41esse povo aqui. Então a música é objetivamente
- 25:45melhor, né? Isso depois rola, né?
- 25:47Isso eu tô ligado. Pare agora.
- 25:51O que você está fazendo e venha para CA to o melhor site de
- 25:56apostas que existe nesse mundo. Melhor site a melhor coisa que
- 25:59aconteceu na minha vida, a melhor coisa, eu juro por tudo
- 26:03que é mais sagrado, é um site onde você pode apostar em
- 26:07futebol sem basquete em emei, esportes é da postar no lol lol,
- 26:14Zinho querido, ao Zinho aquele mauzinho maroto que a gente
- 26:16gosta de apostar em tudo é tem dúvida.
- 26:20Fala com o pessoal lá no Instagram.
- 26:21CA to underline Brasil o Brasil fala lá com o pessoal, sabe,
- 26:25tira tuas dúvidas e a gente tem um cupão Zinho de fre, bet
- 26:29presta atenção que mudou o cupom antes era HPB, agora é HPB, 20,
- 26:34HPB 20 com ponto de frei Betto. Funciona assim, sua primeira
- 26:37aposta, você vai lá, coloca esse cupom.
- 26:39Zinho fica com 20%, acima do que você colocar, botou sem ficar
- 26:43120 para apostar. Como quiser.
- 26:46É a Liberdade, é CA to CA to com CA to.com, CA to.com.
- 26:55Mas pô, eu acho isso do caralho, cara, eu acho que que que o papo
- 26:58de você analisar eu acho que é isso que você está querendo
- 27:01dizer isso, me corrija estiver errado.
- 27:02Por favor. Se você analisar o funk enquanto
- 27:06teoria musical, tipo as características do funk, é os
- 27:11Tor algum saturar propositalmente alguma coisa?
- 27:15O bumbum não bota o bumbum para saturar.
- 27:18Mesmo assim entender que aquilo ali é uma estética que ele tem
- 27:21uma mensagem que vai é é que vai fazer as pessoas sentirem alguma
- 27:25coisa. E essa que é a intenção?
- 27:27Aham, né, porque pô, Na Na, na música clássica é uma escala
- 27:31menor. É triste, uma escala maior.
- 27:33É feliz, né? Forma bem genérica aqui, mas às
- 27:35vezes, por um bumbum limpo, é uma coisa.
- 27:39O mundo saturada, épica. Pô, deixa você animado assim,
- 27:43não achei isso foda e não tem, né que você falou não é normal
- 27:46na academia e estudar funk enquanto música, você até
- 27:50comentou um pouco off aqui, já conversando antes de começar a
- 27:52gravar, que se estuda funk enquanto um movimento social é
- 27:57cultura. O lance mais antropológico mais
- 28:01é é, e isso é mais comum na academia.
- 28:04E por que que você acha que isso acontece, não enquanto música e
- 28:08se encontra o movimento social, acho que é racismo, sem dúvida,
- 28:12porque as pessoas não querem entender os pretos favelados que
- 28:15canta, bota na minha xota como artista.
- 28:18O ruim. Carol falou que que ela quando
- 28:21ela começou cantando putaria que é um subgênero de funk é, ela
- 28:25era virgem, então as pessoas é tem esse preconceito mesmo com
- 28:29essa forma crua de ser. Ele fala, não, isso aí pode até
- 28:32ter um valor, porque eu vejo que tem muita gente.
- 28:34Tem gente que ganha grana, tem gente que muda de vida, mas
- 28:37arte. Como assim, arte?
- 28:39Então, é, é um classismo, elitismo, que está tudo nesse
- 28:42racismo, né? Então tipo assim, olhar pra
- 28:45cultura da favela, da periferia, enquanto algo exótico cabe na
- 28:51universidade? É, mas o olhar, enquanto uma
- 28:54manifestação cultural de igual para igual com a com b da elite,
- 28:59com Beethoven, tudo mais, aí não, aí não tem como igualar.
- 29:02Você pode tratar como aquela coisa estranha lá é, pode crer,
- 29:06não toca aí, cara, enxerga esse 300% ainda tem na parada do do
- 29:10fluxo histórico lá que a gente tá a é, a gente sempre vê para
- 29:14mim, na minha cabeça é funk. Eu veio primeiro assim,
- 29:16antigamente, Rio de Janeiro e aí depois foi o furacão 2000 é, sei
- 29:20lá essas palavras que vem na minha cabeça, assim tu faz ideia
- 29:23de quem foram as primeiras, começaram a fazer em São Paulo
- 29:26ou nos outros lugares, como é, como é que chegou a ter outro
- 29:28nome em São Paulo, como é que eu chamava?
- 29:31Eu vou saber se flua. Fluxo manelão vai, né?
- 29:35Eu acho que era modelão acho que era isso tinha, tinha um de uma
- 29:38forma que mudava funk, alguma coisa aqui de São Paulo que era
- 29:41funk, Paulista, mesmo assim, pá, não sei, mas chamava de outra
- 29:44coisa. Não sei, hoje é só funk, método
- 29:45é funk, é o que a galera meio chata, né?
- 29:48Uns 10 anos atrás, músico quem gostava de música era meio
- 29:50chato, vamos ser sincero, não, isso daí não é tal coisa, pois
- 29:53é, tá meio tempo as pessoas que nesse nisso o mundo melhorou, né
- 29:56é quem chega em mente, ela tipo assim, não, isso não é funk,
- 29:58olha só a frequência que esse bumbo está batendo logo isso
- 30:02aqui não sei. Então cala a boca, chato vai,
- 30:05caralho, não. Mas hoje em dia, né?
- 30:07Tá geral EE novamente comunique eu falou quando veio para São
- 30:11Paulo, foi em 90 e pouco que você falou, mas por final não é
- 30:13nada e chegam com quem aqui. Você lembra, você sabe o nome
- 30:18nossa chegou com muito estilo, muita gente assim.
- 30:22Começou tocando os os funks do Rio, né?
- 30:24Aham, mas eu não vou saber exatamente dizer qual dos
- 30:29primeiros artistas de São Paulo dá pra saber assim, na época,
- 30:32que que o que o funk, como o nosso funk atual, começou a
- 30:36chegar mais forte na época do do Kondzilla, né?
- 30:40Começou a chegar mais forte em São Paulo.
- 30:42Zilla, hoje, hoje tem boy do charme, né?
- 30:46Mas já já tinha muita coisa na baixada antigamente,
- 30:49principalmente no proibidão, que é a vertente do funk que fala da
- 30:52vida no crime. É o eu lembro que São Paulo, na
- 30:56década de 90, é talvez até de 80.
- 30:59Não sei, é o que não está antagonizava o funk é o rap, né?
- 31:04Como como manifestação da da da cultura.
- 31:06Mas Erica, então, era muito comum que até rolasse uma rixa,
- 31:09né? Que é rolasse um é não sei tocar
- 31:11não, não, não é. Eu eu acho que até rolava uma
- 31:13Richa, tipo assim, o funk e o rap é coisa de carioca, coisa de
- 31:17Paulista É Ou Não É especialista?
- 31:20Elton falou merda, tem também, mas acho que rolou uma rixa
- 31:23durante um tempo, porque não rap traz visão.
- 31:26Fez uma crítica social. É foi que a putaria.
- 31:29Como assim? Aham, vocês estão tirando a
- 31:31visão que nós está passando aqui no rap, então tinha essa essa,
- 31:35esse embate e também dentro do movimento funk.
- 31:37Tem uma coisa que já acontece há bastante tempo, funkeiro e funk
- 31:41de raiz e funk, e atuar não cara, esses pau no cu tem tudo,
- 31:45né, do bagulho de ser raiz ou não ser aí raiz Nutella, né?
- 31:48É chato pra caralho, não sempre tem, né?
- 31:51É sempre subestima, o bagulho escorre mais novo, né?
- 31:54Mas esse mais novo daqui a 10 anos vai tá fazendo vai estar
- 31:57fazendo o mesmo que ele. É isso é verdade, o outro não é,
- 32:00então é, é maldição, diz estar vivo achar que tu é raiz.
- 32:06Ela Foi reto, chata pra caralho, acho que todo mundo passa e o
- 32:09funk, né? Acho que o atual, que fala de
- 32:12putaria, ele é até mais raiz, porque, afinal de contas, ele
- 32:14fala da mandioca o tempo todo. Olha aí.
- 32:19Qual foi essa? Mas, pô, cara, vou te falar uma
- 32:20coisa, é aí os estilos musicais gringo que a galera paga pau
- 32:25tudo fala de putaria, né? Cara?
- 32:27Pô, que putaria um bagulho, pum, porra.
- 32:30Desde que o mundo é mundo tá aí, tá ligado?
- 32:32Então, pô, se tem algo mais. Cru da humanidade, do que sexo.
- 32:37Eu não sei quem é, pô, tá ligado, né?
- 32:39Eu acho que o mérito do funk é conseguir falar de uma forma
- 32:43crua, né? Inclusive quando as pessoas
- 32:45acham que o que o que o funkeiro canta é verdade é porque elas
- 32:48caíram no conto, porque essa crueza estética é para dar a
- 32:53sensação de verdade, pô, se o cara tá falando assim desse
- 32:56jeito, às vezes nem rima, tem que ele comeu, não sei quantos
- 32:59usou droga, não sei, deve ser verdade, não é possível, ele não
- 33:02é maluco, é dar esse papo de Miguel.
- 33:05E aí você caiu e armadilha, cara, e aí?
- 33:09Eu não conheço muitos m. CS às vezes, pô, cara, fala de
- 33:13droga e não usa droga, toma, toma Coca-Cola no bairro ou fala
- 33:17que come vários e eu falo não, você vai pro fluxo, faz isso
- 33:20mesmo. A minha mãe era um negro normal,
- 33:24né cara, é a arte, né? Como estava falando, né?
- 33:26Mas também tem os cara que vive, sim, e aí, esses aí é doideira,
- 33:32aí é tem de tudo, tem doideira com maluquice mesmo, né?
- 33:35Aí é foda aí entrando nessa. Nessa parada louca de de gêneros
- 33:40e tal, tu falou de alguns lá do proibidão.
- 33:42Tem? Quais outras subdivisões que
- 33:44estão nascendo? O que será que é legal dar uma
- 33:47atenção? Tem o funk consciente.
- 33:50Na verdade, o funk consciente. É essas classificações.
- 33:55Se a gente for procurar definir musicalmente toda a
- 33:57classificação musical, ela é arbitrária.
- 34:00Se você ficar procurando não, punk é isso.
- 34:03Heavy metal, é isso? Tudo bem?
- 34:04Tem algumas coisas, a gente consegue diferenciar, mas no
- 34:07fundo é tudo arbitrário. Mas assim, eu tenho um funk
- 34:11consciente que fala da da vida, das dificuldades, da superação
- 34:14de vida, um pouco da ostentação, que tem letras mais longas, não
- 34:18é um tanto um funk para ser dançado.
- 34:21Você é teoria musical, né, cara, você tá falando é, mas a
- 34:23musicalidade desse funk é semelhante ao dos outros ou ela
- 34:27tem uma especificidade por ser esse funk consciente?
- 34:30No passado era igual, era a mesma base, o tamborzão.
- 34:34Criação, lado de g Luciano, DJ, cabide da zona Oeste do Rio.
- 34:38É, e aí você tinha aí a única diferença era o que diferenciava
- 34:43putaria, a ousadia do funk consciente era a extensão da
- 34:47letra e o conteúdo poético, né? O rap das armas, por exemplo,
- 34:51né? O.
- 34:54Não. Como é que é o rap, o rap do
- 34:55Silva que você está falando da dificuldade ali na vida, na
- 34:58favela? Está contando uma história
- 34:59longa? Sim, é, mas hoje o consciente de
- 35:03hoje, ele tem uma batida mais lenta.
- 35:05Ele é mais produzido, melódica e harmônica.
- 35:09Tem uma produção mais cuidada, não é tão ruidoso quanto funk de
- 35:12fluxo funk, de baile, que é de propósito, ruidoso.
- 35:15Não é porque o cara não sabe sim, porque muitos produtores
- 35:19eles produzem. É putaria consciente, produz
- 35:22funk, pop e ele sabe adequar. Não é funk pop, não, não vou
- 35:26estourar os o. As frequência aqui vai ser tudo
- 35:29bonitinho, lógico, lógico, é, é Mano AAAO drive da guitarra.
- 35:35Foi bem que isso também, tipo assim, vou sujar a guitarra,
- 35:37botaram o sábio, o velho da rali, Deivison.
- 35:40Pau no cu, que está que que houve por Jean que houve para
- 35:43Joyce? Velho desgraçado, está com
- 35:45Bermuda, com aquele que é ele vai lá pegar um empréstimo para
- 35:49gravar e Rolo de fita sim, porque satura, porque a mesa,
- 35:52quando tipo assim, porque é um processo que piora as coisas,
- 35:55porque ele é a mesma coisa. Assim, várias palavras de
- 35:58gravação, tipo várias caixas foda são uma merda, né?
- 36:01Tipo, sim, sim, sim, não, total cara.
- 36:04E você acha que tipo assim a gente tá, tá tá falando aqui de
- 36:08de de você tá falando de teoria musical igual você deu uma
- 36:12explicação de alguma diferenciação.
- 36:14Teórica entre essas Vertentes do funk, tem alguma vertente hoje
- 36:20que tu acha que tipo assim? Porque, por exemplo, a gente vê
- 36:23uma discussão que eu nem quero entrar porque, enfim, não, não
- 36:25tenho conhecimento para isso. Sobre o rap, o trap, você acha
- 36:28que existe 111 que eu posso? Mas fui lá, são mais pop,
- 36:33presidência. A expressão é essa do funk, tem
- 36:36um funk mais pop que que que toca em em um funk mais.
- 36:42É é original, tradicional, algo do tipo.
- 36:46Tem, sem dúvida, uns anos atrás, até sem uma reportagem falando
- 36:49do funk de pelúcia. Olha aí, era só isso que eu
- 36:52queria mesmo. Vai ter nome?
- 36:53Foto pra caralho que deu esse papo, caralho.
- 36:56Ele deve ter ficado puta, os cara tá, caralho.
- 36:59É muito difícil de falar, tu te assumir que o alçou soul funk
- 37:03pelos. Eu acho que não é o lance que
- 37:06mas é bom cara, eu foda. Valeu.
- 37:08A partir de agora só funk pelo eu vou roubar isso pra mim,
- 37:11velho é muito funk pelos, mas como é que é o funk?
- 37:13Pelo que desculpa eu me empolguei muito, não esse funk
- 37:15mais pop, sem palavrão mais dançante.
- 37:18Luísa Sonza, ai falem de é, é, tem, tem um, tem umas produções
- 37:23assim, tinha uma outra, uma outra MC é que eu esqueci o nome
- 37:28associado a esse funk de pelúcia.
- 37:30Mas é. Também, muito bom, cara.
- 37:34Maneiro demais, cara. Não, total, cara.
- 37:37EOOO, funk de pelúcia, o é o é o trepe do do, do funk de pelúcia
- 37:42pro funk, qual é, qual a subdivisão que tu acha que ta
- 37:44faltando, cara, funk, RPG? Qual é, cara, o funk medieval,
- 37:48né? Tá vindo com força aí funk de
- 37:50dragão espada pô, foi que o funk, RPG, RPG ganhar func of
- 37:55Thrones assim, tanto tanto, tanto perante a ser fora do
- 37:59cara? Não, não, mas é, não tô
- 38:01brincando, obviamente, mas eu acho que que não sei agradecer,
- 38:05bem legal, não? Funk conta a história de um de
- 38:07um. Eu não quero caça dragão e tal.
- 38:11Tu tem algumas ânsias e tu? Tu acha que tem lacunas a serem
- 38:15óbvio? Imagino que tu acha, mas tem
- 38:17algumas lacunas para ti que são muito visíveis, que tu acha que
- 38:19o funk tem que musicalmente explorar.
- 38:22A sempre tem agora exatamente, eu não lembro, mas é.
- 38:27É, eu estava ouvindo até uns funk mais escatológico, assim,
- 38:30sabe, caralho o cara falando que o pau dele estava com Fedor de
- 38:33bosta, que é outro nível do funk putaria.
- 38:38Foi um funk escatológica. Você vai, vai, vai demorar pra
- 38:41tocar na novela. Isso aí se vai, não vai direto
- 38:44para a Record. É.
- 38:47Não vai de jeito legal, né? Você falou da Record?
- 38:49Eu lembrei do funk gospel. Tem caralho.
- 38:52Pode crer em tem um funk gospel, tem?
- 38:55Caralho, não este estudo, caralho, mas eu acho que é isso
- 38:59mesmo, é o lanche paródia, uma parada louca também, né?
- 39:02Que que rola no funk assim? Isso foi desde o início, porque
- 39:05eu me lembro de que elas paradas do catra com os negócios do
- 39:08Capital Inicial, sim, o meu pau não para de crescer e leves
- 39:13isso. Isso também chega no joelho aí
- 39:17isso é muito foda. Primeira vez que eu vi isso, eu
- 39:19tive um ataque assim, mas tipo, cara, que troço foda, porque aí
- 39:23eu vou te eu tive um ataque, eu achei muito foda porque eu
- 39:25imaginei os caras do cantor, disse ao vivo isso deixou muito
- 39:29feliz assim, tipo cara. Boa, você pode crer, não, Mano,
- 39:36e olha que coisa eu conheci a música adultério do catra.
- 39:40Só depois eu fui. Eu também é a paródia do tédio
- 39:44lá do biquíni cavadão. Usar no desse tédio é, né?
- 39:47Também também também. Eu tava nessa real também, mas
- 39:50é, mas era um, é um lance que teve desde sempre, como é que
- 39:54essa parada? Mas isso acontecia com vários
- 39:56outros estilos musicais da época, pô, é, é o Sandy jovem
- 40:00jovem guarda é isso, né, exatamente, é.
- 40:03Era uma forma, isso é algo muito mais brasileiro, ele brasileiro
- 40:07é foda, mas é quem fala com quem te lembra, né?
- 40:10De pegar e traduzir as músicas e tal, e aí mudar uma letra,
- 40:13outras que não era exclusividade do funk, né?
- 40:15Não, não, não, não de ser uma exclusividade, mas se foi algo
- 40:17que surgiu logo no início, foi movimento mais, mais essencial
- 40:21que ainda hoje, rola, não sei, cara, se diz que eu sou eu acho
- 40:25que acho que o único que bate de frente com esse meu pau não para
- 40:29de crescer no joelho é o cheio de sal cara, qual ele se gorila.
- 40:34Por que isso é uma língua de estava cheio de Salto?
- 40:37Pô, é a coisa mais incrível do mundo, cara.
- 40:40Ela conhecia puta, Mano, tem cara cará do padeiro que existe
- 40:45aqui tem a tarantela, o tamanho da minha pica, deixou a novinha
- 40:48louca. Eu botei no cu e saiu na boca.
- 40:51Futebol é que é da. Ai, que maneiro.
- 41:00Ai que é engraçado que que vocês percebem que a característica da
- 41:04putaria é o humor, é lógico, não é putaria, porque quem quem tem
- 41:08o Mano era a boca. É, é sim, sim, é o pau que vai
- 41:12do pulso, cotovelo. Mas o que há, cara, eu acho
- 41:17muito fada, eu acho porra sensacional, eu passo mal, cara.
- 41:20Então EEE Carlos estava contando antes da gente começar a gravar,
- 41:22tu tá com um projeto de de música, explica um pouquinho
- 41:26melhor, tá desse cara, quer é, eu tô dando aula na favela, né?
- 41:3011 ocupação recente lá em Santo André.
- 41:33E eu sempre falo Mano, favela tem favela de tudo quanto é tipo
- 41:37favela é muito heterogêneo é favela nova, o bagulho é louco
- 41:40assim é sempre é difícil começar uma favela, então a gente está
- 41:44lá nesse projeto de dando algumas aulas, né?
- 41:47Que na verdade é uma troca de experiência, né?
- 41:49Eu não acredito nessa, é? Verticalidade?
- 41:53Existe o que sabe, mas Floriano usam, né?
- 41:55Um moleque passa para nosso papo e a gente passa praticando.
- 41:58Ou foi uma menina da umbanda numa aula, levou um tambor
- 42:01assim, um atabaque começou a tocar.
- 42:03Eu falei que que é isso, Mano? Eu que tô aprendendo aqui
- 42:06maneiro, maneiro pra caralho e pô, como é que funciona?
- 42:09Como é que a pessoa pode conhecer isso daí?
- 42:10Tem algum de alguma coisa divulgando na internet, né?
- 42:13Porque o pessoal acompanha a gente pela internet, eu estou
- 42:15divulgando as minhas redes sociais no Instagram,
- 42:17principalmente passa aí, por favor, pra gente, canal do
- 42:20Thiago sono, Instagram. É canal do Tiago no Facebook MC
- 42:24Tiago som no Twitter é Thiago sono, tic TOC e Thiago sono only
- 42:30fãs também. Sim, porque a gente gosta, hã.
- 42:34Algumas putarias, engraçada, não é só putaria mesmo.
- 42:37Foda se foda se pra tira o manda pô Mano, pô cara, eu acho que é
- 42:42isso nanica, pô, cara, obrigado mesmo, agradeço, obrigado pelo
- 42:45do caralho, papa velho, pô galera, consegue achar que isso
- 42:48aí que o trabalho do cara é muito foda, faz um trabalho
- 42:50social do caralho também, né? Lá em Santo André, como está
- 42:52comentando? E várias palavras que ele mostra
- 42:54as melodias antes de onde venham nas melodias.
- 42:57Não, cara, eu sou o trampo, é realmente muito foda, cara, tipo
- 43:00eu, eu, eu, eu fiquei felizão assim quando você topou, porque
- 43:03eu falei, cara, se o bagulho é realmente uma parada diferente
- 43:05assim, do que a gente costuma receber No No feed, então, pô,
- 43:08se você quiser receber um teu feed 11 conteúdo mais original é
- 43:12o conteúdo porra cru pra caralho.
- 43:14Pô, Thiago, isso é é pra caralho isso aí.
- 43:16Comentar a ideia lá do funk of Thrones lá do funk.
- 43:19França chega lá na porra, rapaziada dragão, magina
- 43:22invadindo a favela. É, é d, Germany, dragão com
- 43:26dragão alemão, tá ligado? Esse é foda aí ó aí ó, está
- 43:30vindo forte galera, agora vai obrigadão, valeu, valeu gente,
- 43:35eu estamos junto, obrigado.